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BIOLOGIA

BIOLOGIA
Prof Débora Aparecida da Silva Queiroz

Graduado pela Faculdade da Alta Paulista (FAP) – Bacharel em Fisioterapia. Graduado pela Unifran – Licenciatura em Bio-
logia Docente na Rede Estadual de Ensino

5. BIOLOGIA
5.1. CITOLOGIA

Citologia é o estudo da célula analisaremos o tamanho, número e estrutura.


O corpo humano é formado por células que não são visíveis a olho nu. O poder médio de resolução da vista humana é em torno de
cem micrômetros (100 µm) e as células em geral medem tamanho inferior a este. Porém algumas células podem ser vista a olho nu pó
exemplo: óvulo humano que mede cerca de 200 micrômetros de diâmetro; célula da bainha de folha de bananeira; células da alga Nitella
que vive em água doce, Noctilluca pode medir até um milímetro de diâmetro.
O equipamento que nos permite visualiza a célula é o microscópio. Ele era a princípio formado por um sistema de duas lentes de
aumento e uma fonte de luz que iluminava o material observado.
Robert Hooke observando um pedaço de pedaço de cortiça, em um microscópio rudimentar, verificou pela primeira vez os contor-
nos de uma célula. Embora tenha efetuado a observação da célula em 1665, somente em 1838 foi comprovada por Schleiden a existência
de células em plantas e em 1839 foi comprovada por Schwann a presença de células em animais.
Existem serem unicelulares e pluricelulares, mas todo ser vivo com exceção do vírus, são formados por células.
O microscópio óptico (MO) ou microscópio de luz (ML) são utilizados até hoje no estudo das células, alguns deles chegam ter o
aumento cerca de 2000 vezes. Para tanto, utiliza-se o microscópio eletrônico (ME) para estudar algumas estruturas celulares e detalhes
outras estruturas. São vários os tipos de microscópios eletrônicos:
Microscópio de transmissão (MET) – com ele é possível analisar cortes extremamente finos de células.
Microscópio de varredura (MEV) - analisa a superfície das células, tecidos e mesmo do corpo dos organismos.
O microscópio de varredura por tunelamento é capaz de oferecer aumento de até cem milhões de vezes, que possibilita a observação
da superfície de algumas macromoléculas como o DNA.
Cada tipo de microscópio utiliza uma técnica diferente no preparo do material que será observado. No microscópio de luz, por
exemplo, pode-se utilizar corante quando necessário.
A s células
A célula possui uma membrana plasmática que separa o conteúdo da célula, o citoplasma, do meio externo. O citoplasma, constituí-
do por organóides e hialoplasma (ou citosol), um material viscoso representa o setor produtivo. Um núcleo contendo o material genético
representa “a diretoria” da célula.
As células possuem várias formas: cúbicas, cilíndricas, prismáticas, esféricas, fusiforme, estreladas, etc. Algumas células como as
amebas mudam constantemente de forma.
A célula possui setores semelhantes aos de uma fábrica. Um limite celular, representado pela membrana plasmática, separa o conte-
údo da célula, o citoplasma, do meio externo. O citoplasma, constituído por organóides e hialoplasma (ou citosol), um material viscoso
representa o setor produtivo. Um núcleo contendo o material genético representa “a diretoria” da célula.
Cada grupo de célula desempenha determinada função como exemplo: locomoção, digestão, reprodução, revestimento...

5.1.1. ORGANIZAÇÃO CELULAR

Todo e qualquer ser vivo é formado por células, pois elas são a unidade morfológica dos seres vivos, à exceção dos vírus que são
classificados como organismos acelulares.
Quanto ao número de células, os seres vivos podem ser: unicelulares (formados por uma única célula); multicelulares (formados
por numerosas células)
- As células são as unidades funcionais dos seres vivos; dessa forma, todo o metabolismo dos seres vivos depende das propriedades
de suas células;
- As células sempre se originam de uma célula preexistente através da divisão celular.

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Com a evolução da microscopia pode-se visualizar vários tipos e formas celulares que apesar das diferenças entre os mais diversos
tipos de células, todos os seres vivos são constituídos por elas.

Célula

Pode-se observar em uma célula típica, por um microscópio óptico, seus componentes principais: o núcleo e o citoplasma. O núcleo
é separado do citoplasma pela membrana nuclear, enquanto o citoplasma é separado dos fluidos circundantes pela membrana celular.
Células macroscópicas são aquelas visíveis a olho nu.
Ex: Gema do ovo, alvéolo da laranja etc. Enquanto que as células microscópicas são aquelas que necessitam de um microscópio
para serem visualizadas. Ex: Hemácia.
Diferentes substâncias compõem a célula tais como: água, eletrólitos, proteínas, lipídios e carboidratos.
A água é o principal meio líquido da célula, e ela está presente na célula em diferentes concentrações que variam entre 75 e 85%.
Muitas substâncias químicas celulares estão dissolvidas na água, enquanto outras ficam em suspensão, sob forma particulada ou mem-
branosa. As reações químicas ocorrem entre as substâncias químicas dissolvidas, ou nas superfícies limitantes entre as partículas ou
membranas em suspensão e a água.

 Células Procariontes

As células procariontes ou procarióticas, também chamadas de protocélulas, são muito diferentes das eucariontes. A sua principal
característica é a ausência de carioteca individualizando o núcleo celular, pela ausência de algumas organelas e pelo pequeno tamanho
que se acredita que se deve ao fato de não possuírem compartimentos membranosos originados por evaginação ou invaginação. Também
possuem DNA na forma de um anel não-associado a proteínas (como acontece nas células eucarióticas, nas quais o DNA se dispõe em
filamentos espiralados e associados à histonas). Estas células são desprovidas de mitocôndrias, plastídeos, complexo de Golgi, retículo
endoplasmático e sobretudo cariomembrana o que faz com que o DNA fique disperso no citoplasma. A este grupo pertencem seres uni-
celulares ou coloniais:
- Bactérias
- Cianofitas (algas cianofíceas, algas azuis ou ainda Cyanobacteria)
- PPLO (“pleuro-pneumonia like organisms”) ou Micoplasmas
 
Células Incompletas

As bactérias dos grupos das rickettsias e das clamídias são muito pequenas, sendo denominadas células incompletas por não apre-
sentarem capacidade de auto-duplicação independente da colaboração de outras células, isto é, só proliferarem no interior de outras
células completas, sendo, portanto, parasitas intracelulares obrigatórios. Diferente dos vírus por apresentarem:
- conjuntamente DNA e RNA;
- parte da máquina de síntese celular necessária para reproduzirem-se;
- uma membrana semipermeável, através da qual realizam as trocas com o meio envolvente.

Obs.: já foram encontrados vírus com DNA, adenovirus, e RNA, retrovírus, no entanto são raros, os vírus que possuem DNA e RNA
simultaneamente.
 
Células Eucariontes

As células eucariontes ou eucarióticas, também chamadas de eucélulas, são mais complexas que as procariontes. Possuem mem-
brana nuclear individualizada e vários tipos de organelas. A maioria dos animais e plantas a que estamos habituados são dotados deste
tipo de células. É altamente provável que estas células tenham surgido por um processo de aperfeiçoamento contínuo das células pro-
cariontes. Não é possível avaliar com precisão quanto tempo a célula “primitiva” levou para sofrer aperfeiçoamentos na sua estrutura
até originar o modelo que hoje se repete na imensa maioria das células, mas é provável que tenha demorado muitos milhões de anos.
Acredita-se que a célula “primitiva” tivesse sido bem pequena e para que sua fisiologia estivesse melhor adequada à relação tamanho ×
funcionamento era necessário que crescesse.

Acredita-se que a membrana da célula “primitiva” tenha emitido internamente prolongamentos ou invaginações da sua superfície,
os quais se multiplicaram, adquiriram complexidade crescente, conglomeraram-se ao redor do bloco inicial até o ponto de formarem
a intrincada malha do retículo endoplasmático. Dali ela teria sofrido outros processos de dobramentos e originou outras estruturas in-
tracelulares como o complexo de Golgi, vacúolos, lisossomos e outras.  Quanto aos cloroplastos (e outros plastídeos) e mitocôndrias,
atualmente há uma corrente de cientistas que acreditam que a melhor teoria que explica a existência destes orgânulos é a Teoria da
Endossimbiose, segundo a qual um ser com uma célula maior possuía dentro de si uma célula menor mas com melhores características,
fornecendo um refúgio à menor e esta a capacidade de fotossintetizar ou de sintetizar proteínas com interesse para a outra.

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Os níveis de organização das Células Eucariotas

Nesse grupo encontram-se:


- Células Vegetais (com cloroplastos e com parede celular; normalmente, apenas, um grande vacúolo central)
- Células Animais (sem cloroplastos e sem parede celular; vários pequenos vacúolos)

Componentes Morfológicos das Células

Célula Animal

A palavra célula foi usada pela 1° vez em 1665, pelo inglês Robert Hooke(1635-1703). Com um microscópio muito simples ele
observou pedaços de cortiça, e ele percebeu que ela era formada por compartimentos vazios que ele chamou de células. Célula animal
é uma célula que se pode encontrar nos animais e que se distingue da célula vegetal pela ausência de parede celular e de plastos. Possui
flagelo, o que não é comum nas células vegetais.
- Célula Animal (sem cloroplastos e sem parede celular; vários pequenos vacúolos)

Metabolismo - Orgânulos:
O metabolismo é o processo pelo qual a célula transforma energia da matéria orgânica em energia química, calor e produção de
outras substâncias para manutenção da vida celular

1- Nucléolo: armazena carga genética


2- Núcleo celular: cromossomos do DNA
3- Ribossomos: faz a síntese de Proteínas
4- Vesículas
5- Ergastoplasma ou Retículo endoplasmático rugoso (RER): transporte de proteínas (há ribossomos grudados nele )
6- Complexo de Golgi: armazena e libera as proteínas
7- Microtúbulos
8- Retículo Endoplasmático Liso: transporte de proteínas
9- Mitocôndrias: Respiração
10- Vacúolo: existem em célula animal, porém são muito maiores na célula vegetal, serve como reserva energética
11- Citoplasma
12- Lisossomas: digestão
13- Centríolos: divisão celular

A célula vegetal: A célula vegetal é semelhante à célula animal mas contém algumas peculiaridades como a parede celular e os
cloroplastos. Está dividida em: Componentes protoplasmáticos que são um composto de organelascelulares e outras estruturas que se-
jam ativas no metabolismo celular. Inclui o núcleo, retículo endoplasmático, citoplasma, ribossomos, complexo de Golgi, mitocôndrias,
lisossomos e plastos e componentes não protoplasmáticos são os resíduos do metabolismo celular ou substâncias de armazenamento.
Inclui vacúolos, parede celular e substâncias ergástricas.
 
Vacúolo: É uma cavidade delimitada por uma membrana (tonoplasto) e contém o suco celular que é composto de substâncias ergás-
tricas e algumas em células podem conter pigmentos como as flavonas e antocianinas. Células jovens geralmente têm vários vacúolos
pequenos que ao longo de seu desenvolvimento se fundem em um mega vacúolo. Eles atuam na regulação osmótica expulsando água da
célula ou podem se fundir aos lisossomos e participar do processo de digestão intracelular. Origina-se do complexo de golgi.

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Substâncias Ergástricas: São substâncias de reserva ou resíduos, produtos, do metabolismo celular.
- Amido: são partículas sólidas com formas variadas, pode ser encontrado no cloroplasto ou no leucoplasto. Formam grãos com
muitas camadas centradas em um ponto chamado hilo.
- Proteína: as proteínas ergástricas são material de reserva e se apresentam no endosperma de muitas sementes em forma de grãos
de aleurona.
- Lipídios: pode ocorrer em forma de óleo ou gordura se for para armazenamento ou em forma de terpenos que são produtos finais
como óleos essenciais e resinas.
- Taninos: um grupo de compostos fenólicos que podem ficar em vários órgãos vegetais (se acumulam no vacúolos) e podem im-
pregnar a parede celular

Plasto: É originado do protoplastídeo e tem configurações diferentes, com várias especialidades: Cloroplastos, são plastos de cloro-
fila, responsável pela fotossíntese. Só são encontrados em células expostas à luz. É formado por uma membrana externa e uma interna
que sofre invaginações formando sacos empilhados, os tilacóides. Alguns se dispõem uns sobre os outros formando uma pilha chamada
granum (plural = grana). A matriz interna é chamada de estroma e pode conter granululos de amido espalhados por ele. São derivados
dos cromoplastos. Cloroplastos possuem seu próprio DNA e ribossomos, são relativamente independentes do resto da célula (principal-
mente do núcleo). Cromoplastos São plastos coloridos (contém pigmentos) de estrutura irregular que dão origem aos cloroplastos. Seus
principais pigmentos são os carotenóides (coloração da cenoura) e xantofilas que dão coloração para flores e frutos. Leucoplastos São
incolores e servem para acumular substâncias diversas como proteínas, amidos e lipídios. Dependendo da substância que acumulam,
recebem nomes diferentes: oleoplastos, proteoplastos, amiloplastos, etc.

5.1.2. COMPONENTES
QUÍMICOS DA CÉLULA

Todos os seres vivos possuem moléculas e elementos que são essenciais para a sua composição e para o seu metabolismo.  É uma
grande variedade de substâncias orgânicas e inorgânicas que fazem parte dessa composição. Possuem ácidos nucleicos, proteínas, car-
boidratos (glicose) e lipídios.

Substâncias Orgânicas – caracterizam pela associação de carbono, oxigênio, hidrogênio e nitrogênio.

Proteínas: presentes em todas as estruturas celulares. São formadas por aminoácidos e sua presença é indispensável para o metabo-
lismo do organismo. As proteínas formam as enzimas.

Vitaminas: podem ser hidrossolúveis (solúveis em água) ou lipossolúveis (solúveis em lipídeos). São necessárias em pequenas
quantidades pelo organismo, sua falta pode causar doenças. As vitaminas são adquiridas por meio de uma alimentação variada.
Carboidratos ou Glicídios ou Açúcares: são fundamentais, pois dão energia às células e ao organismo. São de três tipos: monos-
sacarídeos (as moléculas possuem de 3 a 7 átomos de carbono)b Aqui iremos conhecer um pouco dessas substâncias.
, dissacarídeos e polissacarídeos. Alguns têm função estrutural, como celulose e quitina; e de reserva, como o amido e glicogênio.
Lipídios: insolúveis em água, atuam como reserva de energia, isolante térmico etc. São classificados em glicerídeos, ceras, esteroi-
des, fosfolipídios e carotenoides. Compõem estruturas celulares.

Substâncias inorgânicas -
Sais minerais: formados por íons. Algumas de suas funções são: formar o esqueleto, participar da coagulação sanguínea, transmis-
são de impulsos nervosos. Sua falta pode afetar o metabolismo e levar à morte. Geralmente estão dissolvidos na água, formando íons.
Os sais minerais importantes para nosso organismo são: cálcio, fósforo, potássio, sódio entre outros.

Água: substância encontrada em maior quantidade nos seres vivos. Pode dissolver diversas substâncias, por isso é classificada como
solvente universal. No corpo humano representa cerca de 70% do peso corporal. Participa de inúmeras reações químicas em nosso or-
ganismo. A água é fundamental para a vida!

A água atua como solvente universal. Muitos compostos químicos que estão dentro das células estão dissolvidos na água. De acordo
com a capacidade de dissolução as substâncias são classificadas: hidrofóbica (não se misturam na água) e hidrofílica (se misturam na
água)

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5.1.3. MEMBRANA PLASMÁTICA E


TRANSPORTES

Todas as células são revestidas por uma finíssima película, que contém o citoplasma e o núcleo: a membrana plasmática. Essa mem-
brana separa o conteúdo celular do meio circundante, mantendo instável, o meio interno.
A membrana apresenta uma permeabilidade seletiva, dependendo da natureza da substância. Algumas substâncias atravessam a
membrana com facilidade, enquanto outras são dificultadas ou totalmente impedidas. A membrana é capaz de capturar substâncias ne-
cessárias no exterior, auxiliando sua entrada na célula.
Membrana Plasmática possui envoltório celular que possui uma permeabilidade seletiva, permitindo assim, a seleção das substân-
cias que são úteis à célula. Garante proteção e comunicação intercelular. Reveste as organelas: as mitocôndrias e os peroxissomos.
Além de compartimentar a célula, a membrana celular exerce atividades complexas: separar o meio intracelular do extracelular;
barreira seletiva controlando a passagem de solutos; fornece suporte físico para a atividade das enzimas; possibilita o deslocamento de
substâncias pelo citoplasma; comunicação com moléculas provenientes do exterior; participa dos processos de endocitose e exocitose;
Todas as membranas celulares apresentam a mesma organização básica, sendo constituídas por duas camadas lipídicas fluidas e
contínuas, onde estão inseridas moléculas protéicas, constituindo um mosaico fluido.

Proteínas periféricas: são fosfolipídios ou à proteínas integrais por ligações não-covalentes;


Proteínas integrais: encontram-se embutidas nas membranas.
Proteínas transmembranas: proteínas que atravessam a dupla camada lipídica totalmente.
Funções da Membrana Plasmática: protegem a superfície da célula de agressões mecânicas e químicas.
A passagem de solutos através das membranas celulares pode ser de forma ativa ou passiva:

Transporte Passivo:
Ocorre por meio dos componentes da dupla camada lipídica ou pelas estruturas especiais (canais iônicos e as permeases). NÃO há
gasto de energia.
O transporte passivo através da dupla camada lipídica ocorre por Osmose ou Difusão.

OSMOSE
A membrana plasmática é SEMIPERMEÁVEL.
Permite o transporte de ÁGUA do meio MENOS para o MAIS concentrado, tentando igualar as concentrações.

Difusão simples: é o transporte de moléculas (ex.: íons) por uma membrana permeável.
DifusãoFacilitada:o transporte é auxiliado por permeases.

Transporte Ativo:
Ocorre CONTRA o gradiente de concentração, ou seja, do meio MENOS concentrado para o MAIS concentrado. Há gasto de
energia

Ocorre exclusivamente por meio de permeases (bombas). Quando o transporte é feito no sentido contrário de seu gradiente de con-
centração ou de voltagem, isto só é possível com gasto de energia.
Os tipos de transporte ativo:
- Monotransporte
- Cotransporte
- Cotratransporte (bomba de Na+/K+)

A célula vegetal possui uma parede celular espessa que envolve a membrana plasmática como se fosse um exoesqueleto.
- Participa da manutenção do equilíbrio entre a pressão osmótica intracelular e a tendência da água em penetrar no citosol.
- O crescimento e a diferenciação das células vegetais dependem da organização da parede celular.
- A parede celular contém um retículo microfibrilar (síntese de microfibrilas clulósicas);
- A parede celular é composta de uma parede primária e uma secundária;
- Os componentes da parede celular originam-se no complexo de Golgi ou em relação com a membrana plasmática;
- A membrana plasmática é o sítio mais frequente para a síntese de celulose.

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Existe nas células em geral um fluxo constante de membranas, entre a membrana plasmática e a membrana das vesículas de fago-
citose, pinocitose e de secreção. As células se mantêm do mesmo tamanho não pela síntese de nova membrana plasmática, mas pela
devolução da membrana retirada. 
Os lisossomos são corpúsculos geralmente esféricos, de estrutura e dimensões variáveis. Cada lisossomo é envolvido por uma
membrana, contém enzimas hidrolíticas com atividade de pH máximo e, por isso, genericamente denominadas de hidrolases ácidas;
OBS: o pH do citosol é neutro.

As substâncias que penetram na célula por pinocitose ou fagocitose, bem como componentes celulares desgastados pelo uso, podem
sofrer a ação de enzimas digestivas contidas nos lisossomos.
Os tipos de enzimas presentes nos lisossomos é variável de acordo com o tipo celular e depende da especialização funcional de cada
célula;
As enzimas lisossômicas algumas vezes também participam da digestão de moléculas extracelulares. Nesses casos, a membrana dos
lisossomos se funde com a membrana plasmática e as enzimas são jogadas no meio extracelular.
Quando resíduos do material que resistiu ao processo digestivo, permanecem nos lisossomos, formam-se os corpos residuais, que
se acumulam, com o decorrer do tempo, nas células de vida longa.
Quando o corpo residual se funde com a membrana plasmática, elimina o seu conteúdo para o meio extracelular em um processo
conhecido por clasmocitose ou defecação celular.
Às vezes o acúmulo de material acontece por defeitos hereditários dos lisossomos;
São prolongamentos imóveis que aumentam a superfície de algumas células epiteliais;
São flexuosos e, apesar do nome, não possuem a estrutura nem a capacidade de movimento dos cílios verdadeiros;
Assemelham-se aos microvilos, destes se distinguindo por se ramificarem frequentemente e apresentarem maior comprimento;
- São encontrados somente em células epiteliais;
Aumentam muito a superfície das células, facilitando o transporte de água e outras moléculas.
As Glicoproteínas da membrana responsáveis pela aderência entre as células são denominadas CAMs. Elas são receptoras da super-
fície especializadas em reconhecer outras células e a elas aderir, para constituir os tecidos e orgãos;
- Todas as CAMs são glicoproteínas integrais transmembranas;
As IgCAMs constituem um grupo importante e suas moléculas lembram as dos anticorpos ou imunoglobinas;
- As caderinas são outro grupo de CAMs, são dependentes dos íons Ca+. Elas mantêm a adesão entre as células nas concentrações
normais de Ca+ no meio extracelular, mas perdem a adesividade quando a concentração desse íon é muito baixa.
Sua função principal é unir fortemente as células umas as outras ou à matriz extracelular

Demossomo
Cada desmossomo tem a forma arredondada e é constituído pelas membranas de duas células vizinhas. Os desmossomos são locais
onde o citoesqueleto se prende a membrana celular e, como as células aderem umas às outras, forma-se um elo de ligação do citoesque-
leto de células vizinhas;
A capacidade dos desmossomos para prender células vizinhas depende das presença de caderinas.
São comuns em células submetidas a trações, como as da epiderme;
A composição molecular é complexa, com a participação de diversas proteínas;
As moléculas de água entram e saem da célula espontaneamente, elas simplesmente mergulham entre as moléculas de fosfolipídio e
saem do outro lado (difusão). Não há nada que a membrana possa fazer para impedir a transição da água através dela. O mesmo acontece
com o O2, gás carbônico e outras substâncias de pequeno tamanho molecular.
Na difusão não há dispêndio de energia por parte da célula, quando isso ocorre chamamos de transporte passivo. Esse processo é
importante para a vida da célula. Por difusão as células de nosso intestino retiram a maior parte de substâncias nutritivas do alimento.
As membranas das células também executam processos ativos de transporte de substâncias. Esse processo acontece quando há um
transporte de solutos e solventes contra o gradiente de concentração. Um exemplo pode ser observado nas células hemácias. Nesse caso
há gasto de energia.
É através do transporte ativo que uma célula pode manter certas substâncias necessárias em concentração elevada no seu interior,
mesmo que tenha pouco da mesma no exterior.

Quando uma substância não consegue atravessar a membrana, ela captura a substância pelos seguintes processos:

Fagocitose:
Quando a célula ingere a substância a partir de pseudopódos que envolve o alimento e o coloca em uma cavidade do interior da
célula, onde ocorrerá a digestão.

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Pinocitose:
Quando a célula através de invaginações da membrana captura pequenas gotículas líquidas.
A energia para o transporte ativo é suprida por uma substância chamada ATP, que fornece energia para a maioria dos processos
celulares.

5.1.4. CITOPLASMA E ORGANELAS

Citoplasma
Citossol parte fluida encontrada no meio intracelular com 55% do volume celular (de 70 a 90% de água), e em que encontramos os
organóides: Citoesqueleto, Centrossomo, Cílios e Flagelos Ribossomos, Polirribossomos, Retículo endoplasmático liso e rugoso, Com-
plexo de Golgiense, Lisossomos, Peroxissomos e Mitocôndrias.
O citoplasma é conteúdo de uma célula, excluindo-se o núcleo. Ele é constituído por uma solução chamada hialoplasma. Também
inclui as organelas ligadas por membranas, como a Mitocôndria, o complexo de Golgi e outras estruturas essenciais para o funciona-
mento da célula.

Hialoplasma:
É o local onde ocorrem diversa reações químicas do metabolismo (a síntese proteica, a parte inicial da respiração), também facilita
a distribuição de substâncias por difusão. É aí que o alimento é degradado para fornecer energia.
Em certas células, as correntes citoplasmáticas são orientadas de tal maneira que resultam na locomoção de célula. Um exemplo são
os glóbulos brancos, que possuem pseudopódos.

O citoplasma é coberto de organelas cada uma é responsável em realizar uma ou mais atividades vitais, e a inter-relação entre elas
resulta na vida da célula.

Organelas Celulares
 
Os ribossomos e a produção de proteínas: As células produzem diversas substâncias necessárias ao organismo. Entre essas subs-
tâncias destacam-se as proteínas. Os ribossomos são organelas não membranosas, responsáveis pela produção (síntese) de proteínas nas
células. Eles tanto aparecem isolados no citoplasma, como aderidos ao retículo endoplasmático.
 
O retículo endoplasmático e a distribuição de substâncias: Essa organela é constituída por um sistema de canais e bolsas achata-
das. Apresenta várias funções, dentre as quais facilitar o transporte e a distribuição de substâncias no interior da célula.  As membranas
do retículo endoplasmático podem ou não conter ribossomos aderidos em sua superfície externa. A presença dos ribossomos confere
à membrana do retículo endoplasmático uma aparência granulosa; na ausência dos ribossomos, a membrana exibe um aspecto liso ou
não-granulosos.

O complexo de golgi e o armazenamento das proteínas: É a organela celular que armazena parte das proteínas produzidas numa
célula, entre outras funções. Essas proteínas poderão então ser usadas posteriormente pelo organismo. A função do complexo está dire-
tamente relacionado com a secreção celular (quando a célula elimina substâncias que ainda serão aproveitadas pelo organismo, só que
em outros locais). Um exemplo do papel secretor do aparelho de Golgi ocorrem nas células produtoras de muco, que recobre os revesti-
mentos interno do nosso corpo. Outro exemplo é a secreção de enzimas que será utilizado na digestão.

Ele apresenta outras funções tais como complementar a síntese de glicídios usados na formação do glicocálix que protege as células
animais e serve como estrutura de identificação; ele participa na formação do acrossoma, vesícula rica em enzimas localizada sobre a
cabeça do espermatozoide, e responsável na perfuração do óvulo.
Existem indicações que os lisossomos sejam formados por ele.

Peroxissomos:
Acredita-se que eles têm como função proteger a célula contra altas concentrações de oxigênio, que poderiam destruir moléculas
importantes da célula. Os peroxissomos do fígado e dos rins atuam na desintoxicação da célula, ao oxidar, por exemplo, o álcool. Outro
papel que os peroxissomos exercem é converter gorduras em glicose, para ser usada na produção de energia.

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Mitocôndrias e a respiração celular:

A função da mitocôndria é produzir energia, para todos os processos vitais da célula. Essa produção de energia ocorre através da
respiração celular.
A respiração celular é o processo pelo qual a célula obtém energia do alimento. Elas fazem isso combinado moléculas de alimento
com o gás oxigênio do ar (respiração aeróbica), isso é uma oxidação controlada, através da qual a energia contida nas moléculas é libe-
rada. Essas moléculas são degradadas até se transformarem em gás carbônico e água.
Na falta de oxigênio, a célula pode obter energia realizando apenas a parte inicial do processo de quebra de glicose.

Os lisossomos e a digestão celular: São organelas que contêm substâncias necessárias à digestão celular. Quando a célula engloba
uma partícula alimentar que precisa ser digerida, os lisossomos se dirigem até ela e liberam o suco digestório que contêm. São bolsas
citoplasmáticas cheias de enzimas digestivas e envolvidas por uma membrana lipoprotéica.
O lisossomo tem as seguintes funções: digestão intracelular; digestão dos materiais capturados por fagocitose ou pinocitose. A auto-
fagia; onde o lisossomo digere partes da própria célula, englobando organóides e formando os vacúolos autofágicos. Isso ocorre quando
a organela esta velha ou quando a célula passa um período de fome. E a autólise; ocorre quando a membrana do lisossomo se rompe
espalhando enzimas pelo citoplasma, destruindo a célula. Serve para renovar a células do corpo. Em alguns casos, o rompimento se dá
por causa de doenças. O material conseguido com a autodigestão é mandado através da circulação para outras partes do corpo, onde é
aproveitado para o desenvolvimento.

 
Fagocitose e pinocitose:Imagine um glóbulo branco do nosso corpo diante de uma bactéria invasora que ele irá destruir. A bactéria
é grande demais para simplesmente atravessar a membrana plasmática do glóbulo. Nesse caso, a membrana plasmática emite expansões
que vão envolvendo a bactéria. Essas expansões acabam se fundindo e a bactéria é finalmente englobada e carregada para o interior
da célula. A esse fenômeno de englobamento de partículas dá-se o nome de fagocitose. Caso a célula englobe uma partícula líquida, o
fenômeno é chamado pinocitose e, nesse caso, não se forma as expansões típicas da fagocitose.
 
Os centríolos e a divisão celular: Os centríolos são estruturas cilíndricas formadas por microtúbulos (tubos microscópicos). Essas
organelas participam da divisão celular, “orientando” o deslocamento dos cromossomos durante esse processo. Geralmente cada célula
apresenta um par de centríolos dispostos perpendicularmente. Uma das funções dos centríolos é originar os cílios e os flagelos, projeções
em forma de pelos móveis que algumas células apresentam. Tanto os cílios quanto os flagelos formam-se a partir do crescimento dos
microtúbulos de um centríolo.
Na traqueia de mamíferos existe um epitélio lubrificado por muco. O batimento constate dos cílios permite a formação de uma cor-
rente deste muco que tem papel protetor, já que muitas impurezas dor ar inspiradas ficam aderida a ele.
Apesar de terem origem comum e idênticas finalidades (movimentos celulares) eles diferem entre si em dois detalhes: o tamanho e o
número de unidades por célula. Os cílios são curtos e numerosos, enquanto os flagelos são longos e não ultrapassam de 6 a 8 por célula.
 
O núcleo da célula: O botânico escocês Robert Brown (1773 - 1858) verificou que as células possuíam um corpúsculo geralmente
arredondado, que ele chamos de núcleo (do grego nux: ‘semente’). Ele imaginou que o núcleo era uma espécie de “semente” da célula.
O núcleo é a maior estrutura da célula animal e abriga os cromossomos. Cada cromossomo contém vários genes, o material genético que
comanda as atividades celulares
Por isso, dizemos que o núcleo é o portador dos fatores hereditários (transmitidos de pais para filhos) e o regulador das atividades
metabólicas da célula. É o “centro vital” da célula. Envoltório nuclear - É a membrana que envolve o conteúdo do núcleo, ela é dotada de
numerosos poros, que permitem a troca de substâncias entre o núcleo e o citoplasma. De maneira geral, quanto mais intensa é a atividade
celular, maior é o número de poros na carioteca.

Nucleoplasma - É o material gelatinoso que preenche o espaço interno do núcleo.

Nucléolo - Corpúsculo arredondado e não membranoso que se acha imerso na cariolinfa. Cada filamento contém inúmeros genes.
Numa célula em divisão, os longos e finos filamentos de cromatina tornam-se mais curtos e mais grossos: passam, então, a ser chamados
cromossomos. Os cromossomos são responsáveis pela transmissão dos caracteres hereditários.

O núcleo celular
O pesquisador escocês Robert Brown (1773- 1858) é considerado o descobridor do núcleo celular. Embora muitos citologistas an-
teriores a ele já tivessem observados núcleos, não haviam compreendido a enorme importância dessas estruturas para a vida das células.
O grande mérito de Brown foi justamente reconhecer o núcleo como componente fundamental das células. O nome que ele escolheu
expressa essa convicção: a palavra “núcleo”vem do grego nux, que significa semente. Brown imaginou que o núcleo fosse a semente da
célula, por analogia aos frutos.

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BIOLOGIA

Carioteca:
Ela permite a troca de material com o citoplasma. A carioteca, ou membrana nuclear é um envoltório duplo. As duas membranas do
conjunto são lipoprotéicas. A membrana mais externa, voltada ao hialoplasma, comunica-se com os canais do retículo e frequentemente
apresenta ribossomos aderidos.
A carioteca esta presente em toda divisão celular, ela some no início da divisão e só aparece no final do processo. Ela separa o núcleo
do citoplasma.

Cromatina:
Tem como instrução controlar quase todas as funções celulares. Essas instruções são “receitas” para a síntese de proteínas. Essas
“receitas”, chamadas de genes, são segmentos da molécula de DNA, e a célula necessita dos genes para sintetizar proteínas.
Cromossomos:
São constituídos de uma única molécula de DNA associados a proteína.
A cromatina é o conjunto dos cromossomos de uma célula, quando não esta se dividindo (período de interfase).

Nucléolo:
Nos núcleos das células que não esta em reprodução (núcleos interfásicos), encontramos um ou mais nucléolos. Os nucléolos são
produzidos por regiões específicas de certos cromossomos, as quais são denominadas nucléolo. Essas regiões cromossômicas produzem
um tipo de RNA (RNA ribossômico), que se combina com proteínas formando grânulos.
Quando esse grânulos amadurecem e deixam o núcleo, passam pela carioteca e se transformam em ribossomos citoplasmáticos (a
função dos ribossomos já foi citada).

Hoje, sabemos que o núcleo é o centro de controle das atividades celulares e o “arquivo” das informações hereditárias, que a célula
transmite às suas filhas ao se reproduzir.

5.1.5. DIVISÃO CELULAR

A divisão celular é o mecanismo que leva as células a se multiplicarem dando origem a outras células.
Durante a divisão celular, dois aspectos importantes acontecem:
- divisão do núcleo (cariotomia ou cariocinese)
- divisão do citoplasma (citocinese ou citodierese)
E o processo pode ser resumido em duas grandes etapas:
Do mesmo modo que uma fábrica pode ser multiplicada pela construção de várias filiais, também as células se dividem e produzem
cópias de si mesmas. Há dois tipos de divisão celular: mitose e meiose. Na mitose, a divisão de uma “célula-mãe” duas “células-filhas”
geneticamente idênticas e com o mesmo número cromossômico que existia na célula-mãe. Uma célula n produz duas células n, uma
célula 2n produz duas células 2n etc. Trata-se de uma divisão equacional. Já na meiose, a divisão de uma “célula-mãe” 2n gera “células-
-filhas” n, geneticamente diferentes. Neste caso, como uma célula 2n produz quatro células n, a divisão é chamada reducional.

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A interfase – A fase que precede a mitose
É impossível imaginar a multiplicação de uma fabrica, de modo que todas as filiais fossem extremamente semelhantes a matriz, com
cópias fieis de todos os componentes, inclusive dos diretores? Essa, porém, no caso da maioria das células, é um acontecimento rotineiro.
A mitose corresponde a criação de uma cópia da fabrica e sua meta é a duplicação de todos os componentes. A principal atividade da
célula, antes de se dividir, refere-se a duplicação de seus arquivos de comando, ou seja, à reprodução de uma cópia fiel dos dirigentes
que se encontram no núcleo.
A interfase é o período que precede qualquer divisão celular, sendo de intensa atividade metabólica. Nesse período, há a prepara-
ção para a divisão celular, que envolve a duplicação da cromatina, material responsável pelo controle da atividade da célula. Todas as
informações existentes ao longo da molécula de DNA são passadas para a cópia, como se correspondessem a uma cópia fotográfica da
molécula original.
Em pouco tempo, cada célula formada da divisão receberá uma cópia exata de cada cromossomo da célula se dividiu. As duas cópias
de cada cromossomo permanecem juntas por certo tempo, unidas pelo centrômero comum, constituindo duas cromátides de um mesmo
cromossomo. Na interfase, os centríolos também se duplicam.

A intérfase e a Duplicação do DNA


Houve época em que se falava que a interfase era o período de “repouso” da célula. Hoje, sabemos, que na realidade a interfase é
um período de intensa atividade metabólica no ciclo celular: é nela que se dá a duplicação do DNA, crescimento e síntese. Costuma-se
dividir a interfase em três períodos distintos: G1, S e G2. O intervalo de tempo em que ocorre a duplicação do DNA foi denominado de
S (síntese) e o período que antecede é conhecido como G1 (G1 provém do inglês gap, que significa “intervalo”). O período que sucede
o S é conhecido como G2.

O ciclo celular todo, incluindo a interfase (G1, S, G2) e a mitose (M) – prófase, metáfase, anáfase e telófase – pode ser representado
em um gráfico no qual se coloca a quantidade da DNA na ordenada (y) e o tempo na abscissa (x). Vamos supor que a célula que vai se
dividir tenha, no período G1, uma quantidade 2C de DNA (C é uma unidade arbitrária). Nas células, existe uma espécie de “manual de
verificação de erros” que é utilizado em algumas etapas do ciclo celular e que é relacionado aos pontos de checagem. Em cada ponto
de checagem a célula avalia se é possível avançar ou se é necessário fazer algum ajuste, antes de atingir a fase seguinte. Muitas vezes, a
escolha é simplesmente cancelar o processo ou até mesmo conduzir a célula à morte.

As fases da mitose
A mitose é um processo contínuo de divisão celular, mas, por motivos didáticos, para melhor compreendê-la, vamos dividi-la em
fases: prófase, metáfase, anáfase e telófase. Alguns autores costumam citar uma quinta fase – a prometáfase – intermediária entre a pró-
fase e a metáfase. O final da mitose, com a separação do citoplasma, é chamado de citocinese.

Prófase – Fase de início (pro = antes)


- Os cromossomos começam a ficar visíveis devido à espiralação.
- O nucléolo começa a desaparecer.
- Organiza-se em torno do núcleo um conjunto de fibras (nada mais são do que microtúbulos) originadas a partir dos centrossomos,
constituindo o chamado fuso de divisão (ou fuso mitótico).

Embora os centríolos participem da divisão, não é deles que se originam as fibras do fuso. Na mitose em célula animal, as fibras que
se situam ao redor de cada par de centríolos opostas ao fuso constituem o áster (do grego, aster = estrela).
- O núcleo absorve água, aumenta de volume e a carioteca se desorganiza.

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- No final da prófase, curtas fibras do fuso, provenientes do centrossomos, unem-se aos centrômeros. Cada uma das cromátides-
-irmãs fica ligada a um dos polos da célula.

Note que os centrossomos ainda estão alinhados na região equatorial da célula, o que faz alguns autores designarem essa fase de
prometáfase.

A formação de um novo par de centríolos é iniciada na fase G1, continua na fase S e na fase G2 a duplicação é completada. No
entanto, os dois pares de centríolos permanecem reunidos no mesmo centrossomo. Ao iniciar a prófase, o centrossomo parte-se em dois
e cada par de centríolos começa a dirigir-se para polos opostos da célula que irá entrar em divisão.

Metáfase – Fase do meio (meta = no meio)

-Os cromossomos atingem o máximo em espiralação, encurtam e se localizam na região equatorial da célula.
- No finalzinho da metáfase e início da anáfase ocorre a duplicação dos centrômeros.

Anáfase – Fase do deslocamento (ana indica movimento ao contrário)

- As fibras do fuso começam a encurtar. Em consequência, cada lote de cromossomos-irmãos é puxado para os polos opostos da
célula.
Como cada cromátide passa a ser um novo cromossomo, pode-se considerar que a célula fica temporariamente tetraplóide.

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Telófase – Fase do Fim (telos = fim)

-Os cromossomos iniciam o processo de desespirilação.


- Os nucléolos reaparecem nos novos núcleos celulares.
- A carioteca se reorganiza em cada núcleo-filho.
- Cada dupla de centríolos já se encontra no local definitivo nas futuras células-filhas.

Citocinese – Separando as células

A partição em duas copias é chamada de citocinese e ocorre, na célula animal, de fora para dentro, isto é, como se a célula fosse es-
trangulada e partida em duas (citocinese centrípeta). Há uma distribuição de organelas pelas duas células-irmãs. Perceba que a citocinese
é, na verdade a divisão do citoplasma. Essa divisão pode ter início já na anáfase, dependendo da célula.

A Mitose na Célula Vegetal


Na mitose de células de vegetais superiores, basicamente duas diferenças podem ser destacadas, em comparação com que ocorre na
mitose da célula animal:

- A mitose ocorre sem centríolos. A partir de certos locais, correspondentes ao centrossomos, irradiam-se as fibras do fuso. Uma
vez que não há centríolos, então não existe áster. Por esse motivo, diz-se que a mitose em células vegetais é anastral (do grego, an =
negativo);

- A citocinese é centrífuga, ocorre do centro para a periferia da célula. No início da telófase forma-se o fragmoplasmo, um con-
junto de microtúbulos proteicos semelhantes aos do fuso de divisão. Os microtúbulos do fragmoplasto funcionam como andaimes que
orientam a deposição de uma placa celular mediana semelhante a um disco, originada de vesículas fundidas do sistema golgiense. Pro-
gressivamente, a placa celular cresce em direção à periferia e, ao mesmo tempo, no interior da vesícula, ocorre a deposição de algumas
substâncias, entre elas, pectina e hemicelulose, ambos polissacarídeos. De cada lado da placa celular, as membranas fundidas contribuem
para a formação, nessa região, das membranas plasmáticas das duas novas células e que acabam se conectando com a membrana plas-
mática da célula-mãe. Em continuação à formação dessa lamela média, cada célula-filha, deposita uma parede celulósica primária, do
lado de fora da membrana plasmática. A parede primária acaba se estendendo por todo o perímetro da célula. Simultaneamente a parede
celulósica primária da célula-mãe é progressivamente desfeita, o que permite o crescimento de cada célula-filha, cada qual dotada, agora,
de uma nova parede primária. Então, se pudéssemos olhar essa região mediana de uma das células, do citoplasma para fora, veríamos,
inicialmente, a membrana plasmática, em seguida a parede celulósica primária e, depois, a lamela média. Eventualmente, uma parede
secundária poderá ser depositada entre a membrana plasmática e a parede primária.

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A mitose é um tipo de divisão muito frequente entre os organismos da Terra atual. Nos unicelulares, serve à reprodução assexuada
e à multiplicação dos organismos. Nos pluricelulares, ela repara tecidos lesados, repões células que normalmente morrem e também
está envolvida no crescimento. No homem, a pele, a medula óssea e o revestimento intestinal são locais onde a mitose é frequente. Nem
todas as células do homem, porém, são capazes de realizar mitose. Neurônios e célula musculares são dois tipos celulares altamente
especializados em que não ocorre esse tipo de divisão (ocorre apenas na fase embrionária). Nos vegetais, a mitose ocorre em locais onde
existem tecidos responsáveis pelo crescimento, por exemplo, na ponta de raízes, na ponta de caules e nas gemas laterais. Serve também
para produzir gametas, ao contrário do que ocorre nos animais, em que a meiose é o processo de divisão mais diretamente associado à
produção das células gaméticas.

Meiose

Diferentemente da mitose, em que uma célula diplóide, por exemplo, se divide formando duas células também diplóides (divisão
equacional), a meiose é um tipo de divisão celular em que uma célula diplóide produz quatro células haplóides, sendo por este motivo
uma divisão reducional. Um fato que reforça o caráter reducional da meiose é que, embora compreenda duas etapas sucessivas de divisão
celular, os cromossomos só se duplicam uma vez, durante a interfase – período que antecede tanto a mitose como a meiose. No início da
interfase, os filamentos de cromatina não estão duplicados.
Posteriormente, ainda nesta fase, ocorre a duplicação, ficando cada cromossomo com duas cromátides.

As várias fases da meiose

A redução do número cromossômico da célula é importante fator para a conservação do lote cromossômico das espécies, pois como
a meiose formam-se gametas com a metade do lote cromossômico. Quando da fecundação, ou seja, do encontro de dois gametas, o nú-
mero de cromossomos da espécie se restabelece. Podemos estudar a meiose em duas etapas, separadas por um curto intervalo, chamado
intercinese. Em cada etapa, encontramos as fases estudadas na mitose, ou seja, prófase, metáfase, anáfase e telófase.

Vamos supor uma célula 2n = 2 e estudar os eventos principais da meiose nessa célula.

Meiose I (Primeira Divisão Meiótica)

Prófase I – É a etapa mais marcante da meiose. Nela ocorre o pareamento dos cromossomos homólogos e pode acontecer um
fenômeno conhecido como crossing-over (também chamado de permuta). Como a prófase I é longa, há uma sequência de eventos
que, para efeito de estudo, pode ser dividida nas seguintes etapas:
- Inicia-se a espiralação cromossômica. É a fase de leptóteno (leptós = fino), em que os filamentos cromossômicos são finos,
pouco visíveis e já constituídos cada um por duas cromátides.

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Começa a atração e o pareamento dos cromossomos homólogos; é um pareamento ponto por ponto conhecido como sinapse (o
prefixo sin provém do grego e significa união). Essa é a fase de zigóteno (zygós = par).

- A espiralação progrediu: agora, são bem visíveis as duas cromátides de cada homólogo pareado; como existem, então, quatro
cromátides, o conjunto forma uma tétrade ou par bivalente. Essa é a fase de paquíteno (pakhús = espesso).

- Ocorrem quebras casuais nas cromátides e uma troca de pedaços entre as cromátides homólogas, fenômeno conhecido como
crossing-over (ou permuta). Em seguida, os homólogos se afastam e evidenciam-se entre eles algumas regiões que estão ainda em
contato. Essas regiões são conhecidas como quiasmas (qui corresponde à letra “x” em grego). Os quiasmas representam as regiões
em que houve as trocas de pedaços. Essa fase da prófase I é o diplóteno (diplós = duplo).

- Os pares de cromátides fastam-se um pouco mais e os quiasmas parecem “escorregar” para as extremidades; a espiralação dos
cromossomos aumenta. è a última fase da prófase I, conhecida por diacinese (dia = através; kinesis = movimento).

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Enquanto acontecem esses eventos, os centríolos, que vieram duplicado da interfase, migram para os pólos opostos e organizam o fuso
de divisão; os nucléolos desaparecem; a carioteca se desfaz após o término da prófase I, prenunciando a ocorrência da metáfase I.

Metáfase I – os cromossomos homólogos pareados se dispõem na região mediana da célula; cada cromossomo está preso a fibras
de um só polo.

Anáfase I – o encurtamento das fibras do fuso separa os cromossomos homólogos, que são conduzidos para polos opostos da
célula, não há separação das cromátides-irmãs. Quando os cromossomos atingem os polos, ocorre sua desespiralação, embora não
obrigatória, mesmo porque a segunda etapa da meiose vem a seguir. Às vezes, nem mesmo a carioteca se reconstitui.

Telófase I – no final desta fase, ocorre a citocinese, separando as duas células-filhas haplóides. Segue-se um curto intervalo a
intercinese, que procede a prófase II.

Meiose II (segunda divisão meiótica)


Prófase II – cada uma das duas células-filhas tem apenas um lote de cromossomos duplicados. Nesta fase os centríolos duplicam
novamente e as células em que houve formação da carioteca, esta começa a se desintegrar.
Metáfase II - como na mitose, os cromossomos prendem-se pelo centrômero às fibras do fuso, que partem de ambos os polos.
Anáfase II – Ocorre duplicação dos centrômeros, só agora as cromátides-irmãs separam-se (lembrando a mitose).
Telófase II e citocinese – com o término da telófase II reorganizam-se os núcleos. A citocinese separa as quatro células-filhas
haplóides, isto é, sem cromossomos homólogos e com a metade do número de cromossomos em relação à célula que iniciou a meiose.

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Variabilidade: Entendendo o crossing-over

A principal consequência da meiose, sem dúvida, é o surgimento da diversidade entre os indivíduos que são produzidos na repro-
dução sexuada da espécie. A relação existente entre meiose e variabilidade é baseada principalmente na ocorrência de crossing-over.

O crossing é um fenômeno que envolve cromátides homólogas. Consiste na quebra dessas cromátides em certos pontos, seguida
de uma troca de pedaços correspondentes entre elas. As trocas provocam o surgimento de novas sequências de genes ao longo dos
cromossomos. Assim, se em um cromossomo existem vários genes combinados segundo uma certa sequência, após a ocorrência do
crossing a combinação pode não ser mais a mesma. Então, quando se pensa no crossing, é comum analisar o que aconteceria, por
exemplo, quanto à combinação entre os genes alelos A e a e B e b no par de homólogos ilustrados na figura. Nessa combinação o
gene A e B encontram-se em um mesmo cromossomo, enquanto a e b estão no cromossomo homólogo. Se a distância de A e B for
considerável, é grande a chance de ocorrer uma permuta. E, se tal acontecer, uma nova combinação gênica poderá surgir. As combi-
nações Ab e aB são novas. São recombinações gênicas que contribuem para a geração de maior variabilidade nas células resultantes
da meiose. Se pensarmos na existência de três genes ligados em um mesmo cromossomo (A, b e C, por exemplo), as possibilidades
de ocorrência de crossings dependerão da distância em que os genes se encontram – caso estejam distantes, a variabilidade produzida
será bem maior.

Outro processo que conduz ao surgimento de variabilidade na meiose é a segregação independente dos cromossomos. Imaginan-
do-se que uma célula com dois pares de cromossomos homólogos (A e a, B e b), se divida por meiose, as quatro células resultantes ao
final da divisão poderão ter a seguinte constituição cromossômica: (a e b), (a e B), (A e b) e (A e B). A variabilidade genética existente
entre os organismos das diferentes espécies é muito importante para a ocorrência da evolução biológica. Sobre essa variabilidade é
que atua a seleção natural, favorecendo a sobrevivência de indivíduos dotados de características genéticas adaptadas ao meio. Quanto
maior a variabilidade gerada na meiose, por meio de recombinação gênica permitida pelo crossing-over, maiores as chances para a
ação seletiva do meio.

Na meiose a variação da quantidade de DNA pode ser representada como no gráfico ao lado, partindo-se, por exemplo, de uma
célula que tenha uma quantidade 2C de DNA em G1.

Conclusão:
Todas as células possuem organelas no seu interior. Essas organelas possuem funções, cada uma realiza um tipo, e a célula so-
brevive porque elas trabalham em conjunto. A célula vegetal possui vacúolo e parede celular, enquanto a célula animal não os possui.

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BIOLOGIA

5.2. DIVERSIDADE DOS SERES VIVOS

A taxonomia (ciência da descoberta, descrição e classificação das espécies e grupo de espécies, com suas normas e princípios) e
também a filogenia (relações evolutivas entre os organismos). Em geral, diz-se que compreende a classificação dos diversos organismos
vivos. Em biologia, os sistematas são os cientistas que classificam as espécies em outros táxons a fim de definir o modo como eles se
relacionam evolutivamente.
O primeiro sistema de classificação foi o de Aristóteles no século IV a.C., que ordenou os animais pelo tipo de reprodução e por
terem ou não sangue vermelho. O seu discípulo Teofrasto classificou as plantas por seu uso e forma de cultivo.
Nos séculos XVII e XVIII os botânicos e zoólogos começaram a delinear o atual sistema de categorias, ainda baseados em caracte-
rísticas anatômicas superficiais. No entanto, como a ancestralidade comum pode ser a causa de tais semelhanças, este sistema demons-
trou aproximar-se da natureza, e continua sendo a base da classificação atual. Lineu fez o primeiro trabalho extenso de categorização,
em 1758, criando a hierarquia atual.
A partir da partir de Darwin a evolução passou a ser considerada como paradigma central da Biologia, e com isso evidências da
paleontologia sobre formas ancestrais, e da embriologia sobre semelhanças nos primeiros estágios de vida. No século XX, a genética e
a fisiologia tornaram-se importantes na classificação, como o uso recente da genética molecular na comparação de códigos genéticos.
Programas de computador específicos são usados na análise matemática dos dados.
Em fevereiro de 2005 Edward Osborne Wilson, professor aposentado da Universidade de Harvard, onde cunhou o termo biodiversi-
dade e participou da fundação da sociobiologia, ao defender um “projeto genoma” da biodiversidade da Terra, propôs a criação de uma
base de dados digital com fotos detalhadas de todas a espécies vivas e a finalização do projeto Árvore da vida. Em contraposição a uma
sistemática baseada na biologia celular e molecular, Wilson vê a necessidade da sistemática descritiva para preservar a biodiversidade.
Do ponto de vista econômico, defendem Wilson, Peter Raven e Dan Brooks, a sistemática pode trazer conhecimentos úteis na
biotecnologia, e na contenção de doenças emergentes. Mais da metade das espécies do planeta é parasita, e a maioria delas ainda é
desconhecida.
De acordo com a classificação vigente as espécies descritas são agrupadas em gêneros. Os gêneros são reunidos, se tiverem algu-
mas características em comum, formando uma família. Famílias, por sua vez, são agrupadas em uma ordem. Ordens são reunidas em
uma classe. Classes de seres vivos são reunidas em filos. E os filos são, finalmente, componentes de alguns dos cinco reinos (Monera,
Protista, Fungi, Plantae e Animalia).
Nomenclatura é a atribuição de nomes (nome científico) a organismos e às categorias nas quais são classificados.
O nome científico é aceito em todas as línguas, e cada nome aplica-se apenas a uma espécie.
Há duas organizações internacionais que determinam as regras de nomenclatura, uma para zoologia e outra para botânica. Segundo
as regras, o primeiro nome publicado (a partir do trabalho de Lineu) é o correto, a menos que a espécie seja reclassificada, por exemplo,
em outro gênero. A reclassificação tem ocorrido com certa frequência desde o século XX. O Código Internacional de Nomenclatura Zo-
ológica preconiza que neste caso mantém-se a referência a quem primeiro descreveu a espécie, com o ano da decisão, entre parênteses,
e não inclui o nome de quem reclassificou. Esta norma internacional decorre, entre outras coisas, do fato de ser ainda nova a abordagem
genética da taxonomia, sujeita a revisão devido a novas pesquisas científicas, ou simplesmente a definição de novos parâmetros para a
delimitação de um táxon, que podem ser morfológicos, ecológicos, comportamentais etc.
Qual foi o ancestral dos répteis (lagartos, cobras) que vivem na Terra atual? Essas e outras perguntas relativas à origem dos grandes
grupo de seres vivos eram difíceis de serem respondidas até surgir, em 1859, a Teoria da evolução Biológica por Seleção Natural, pro-
posta por Charles Darwin e Alfred Russel Wallace. Com a compreensão de “como” a evolução biológica ocorre, os biólogos passaram
a sugerir hipóteses para explicar a possível relação de parentesco entre os diversos grupos de seres vivos.
Diagramas em forma de árvore - elaborados com dados de anatomia e embriologia comparadas, além de informações derivadas do
estudo de fósseis - mostraram a hipotética origem de grupos a partir de supostos ancestrais. Essas supostas “árvores genealógicas” ou
“filogenéticas” (do grego, phylon = raça, tribo + génesis = fonte, origem, início) simbolizavam a história evolutiva dos grupos que eram
comparados, além de sugerir uma provável época de origem para cada um deles. Como exemplo veja a figura abaixo.
 Ao dispor de um grande número de características comparativas, mais confiáveis - anatômicas, embriológicas, funcionais, gené-
ticas, comportamentais etc. - os biólogos interessados na classificação dos seres vivos puderam elaborar hipóteses mais consistentes
a respeito da evolução dos grandes grupos. Influenciados pelo trabalho de Wili Hennig - um cientista alemão, especialista em insetos
- passaram a apresentar as características em cladogramas. Neste tipo de diagrama, utiliza-se uma linha, cujo ponto de origem - a raiz-
simboliza um provável grupo (ou espécie) ancestral. De cada nó surge um ramo, que conduz a um ou a vários grupos terminais. Com os
cladogramas pode-se estabelecer uma comparação entre as características primitivas - que existiam em grupos ancestrais - e as derivadas
- compartilhadas por grupos que os sucederam.

Didatismo e Conhecimento 17
BIOLOGIA
Evolução: uma questão de adaptação
Os seres vivos da Terra atual estão adaptados ao meio em que vivem. Esta frase corriqueira revela que entre os seres vivos e o am-
biente há um ajuste, uma harmonia fundamental para a sua sobrevivência.
O flamingo rosa se alimenta de cabeça para baixo, adaptando-se à procura de alimento no lodo em que vive; os cactos suportam o
meio desértico seco graças às adaptações nele existentes; os beija-flores, com seus longos bicos, estão adaptados à coleta do néctar con-
tido nas flores tubulosas que visitam. Esses e numerosos outros exemplos são reveladores da perfeita sintonia que existe entre os seres
e os seus ambientes de vida.

Adaptação: fixismo versus transformismo


Desde o tempo dos filósofos gregos, passando pelos pensadores do século passado, a adaptação dos seres vivos aos seus ambientes
de vida é um fato incontestável. A origem da adaptação, porém, é que sempre foi discutida. Desde a Antiguidade se acreditava que essa
harmonia seria o resultado de uma criação especial, a obra de um criador que teria planejado todas as espécies, adequando-as aos dife-
rentes ambientes. Com o advento do cristianismo, ficou mais fácil admitir que as espécies, criadas por Deus, seriam fixas e imutáveis.
Os defensores dessa ideia, chamados de fixistas ou criacionistas, propunham que a extinção de muitas espécies seria devida a eventos
especiais como, por exemplo, muitas catástrofes que exterminaram grupos inteiros de seres vivos.
Lentamente, no entanto, a partir do século XIX, uma série de pensadores passou a admitir a ideia da substituição gradual de espé-
cies por outras através de adaptações a ambientes em contínuo processo de mudança. Essa corrente de pensamento, transformista, que
vagarosamente foi ganhando adeptos, explicava a adaptação como um processo dinâmico, ao contrário do que propunham os fixistas.
Para o transformismo, a adaptação é conseguida através de mudanças. À medida que muda o meio, muda a espécie. Os adaptados ao
ambiente em mudança sobrevivem. Essa ideia deu origem ao evolucionismo. Evolução biológica é a adaptação das espécies a meios
continuamente em mudança. Essa mudança das espécies nem sempre implica aperfeiçoamento ou melhora. Muitas vezes leva a uma
simplificação. É o caso das tênias, vermes achatados parasitas: embora nelas não exista tubo digestivo, estão perfeitamente adaptadas ao
parasitismo no tubo digestivo do homem e de muitos outros vertebrados.

Adaptação: a espécie em mudança


Dentre os exemplos que ilustram a adaptação das espécies às mudanças do meio, três se destacam por seu caráter clássico: a) a
resistência de insetos ao DDT; b) a resistência de bactérias aos antibióticos; c) a coloração protetora das mariposas da espécie Biston
betularia. Vamos a eles.
- A resistência de insetos ao DDT
Considere o seguinte problema. Um fazendeiro estando às voltas com grande quantidade de moscas que infestavam seus estábulos
procurou alguma droga que as exterminasse. Como dispunha de DDT, passou a pulverizar o inseticida nos locais onde eram encontrados
os insetos. Os resultados, de início, foram ótimos. Desapareceram por completo os invasores. Após certo tempo, porém, verificou-se o
ressurgimento das moscas, de início em pequena quantidade, o que provocou novas pulverizações dos estábulos. Notou-se, entretanto,
que as moscas aumentavam em número, a despeito de se estar utilizando quantidades crescentes do inseticida. 
A análise do problema em questão evidencia um grupo de indivíduos de certa espécie, moscas, existindo em duas situações diferen-
tes: estábulos sem e com DDT. Em ambas as situações, verificou-se a existência de uma população desses insetos.
Pode-se dizer que isso resultou da existência prévia de dois tipos de moscas: as sensíveis ao DDT, numerosas de início, e as resisten-
tes, pouco abundantes. A aplicação do inseticida favoreceu as poucas moscas resistentes, que sobreviveram e se reproduziram, fazendo
que ao longo de algumas gerações, novamente aumentasse a população desses insetos nos estábulos. Evidentemente, a “resistência ao
inseticida” corresponde a um caráter determinado pela existência de genes que conferem a algumas moscas a capacidade de resistir a
certa droga produzida pelo homem. As sensíveis, desprovidas de tais genes, acabam morrendo. As resistentes transmitem seus genes aos
seus descendentes. E, assim, a população de moscas como um todo se adapta ao ambiente que foi pulverizado com DDT. Portanto, a
persistência de moscas nos estábulos, a despeito de mudanças ocorridas no ambiente com a pulverização do inseticida, mostra um ajuste
do grupo com o meio permitido pela existência prévia de indivíduos resistentes.
Tudo se passa como se os organismos em questão fossem capazes de se modificar em resposta a uma mudança ambiental. Na reali-
dade, não houve modificação dos organismos em si. O que sofreu mudança foi o grupo de indivíduos. Em outras palavras, um grupo de
indivíduos não resistentes foi substituído por outro grupo de indivíduos, agora resistentes. Os dois grupos pertencem à mesma espécie,
e é nesse sentido que podemos dizer que houve “adaptação” (adequação, modificação da composição do grupo em resposta a uma mu-
dança do ambiente).
- A resistência de bactérias aos antibióticos
O problema da resistência bacteriana a antibióticos caracteriza um caso de adaptação de um grupo de organismos frente a mudanças
ambientais. À medida que antibióticos são inadequadamente utilizados no combate a infecções causadas por bactérias, o que na realida-
de se está fazendo é uma seleção de indivíduos resistentes a determinado antibiótico. Sendo favorecidos, os indivíduos resistentes, pouco
abundantes de início, proliferam, aumentando novamente a população de micro-organismos.

Didatismo e Conhecimento 18
BIOLOGIA
- A coloração protetora das mariposas
Em meados do século passado, a população de certo tipo de mariposa nos arredores de Londres era constituída predominantemente
por indivíduos de asas claras, embora entre elas se encontrassem algumas de asas escuras. A explicação para esse fato fica lógica se
lembrarmos que nessa época os troncos das árvores eram recobertos por certo tipo de vegetais, os líquenes, que conferiam-lhes uma cor
acinzentada. Na medida em que a industrialização provocou aumento de resíduos poluentes gasosos, os troncos das árvores passaram a
ficar escurecidos, como consequência da morte dos líquenes e do excesso de fuligem. Nessa região, passou a haver predominância de
mariposas de asas escuras, o que denota outro caso de adaptação de um grupo de indivíduos frente a uma mudança ambiental. Procure
entender a semelhança existente entre esses dois exemplos de adaptação e o exemplo da resistência de insetos a inseticidas.

As evidências da evolução
Durante a fase polêmica da discussão evolucionista, muitos argumentos foram utilizados. Uma das evidências mais importantes da
ocorrência de Evolução biológica é dada pelos fósseis, que podem ser conceituados como “restos ou vestígios de seres vivos de épocas
remotas”. Por meio deles, verifica-se que havia organismos completamente diferentes dos atuais, argumento poderoso para os defensores
do transformismo. Outras evidências evolutivas podem ser citadas: a semelhança embriológica e anatômica existente entre os com-
ponentes de alguns grupos animais, notadamente os vertebrados; a existência de estruturas vestigiais, como, por exemplo, o apêndice
vermiforme humano, desprovido de função quando comparado aos apêndices funcionais de outros vertebrados. Modernamente, dá-se
muito valor à semelhança bioquímica existente entre diferentes animais. É o caso de certas proteínas componentes do sangue do homem
e dos macacos.

Fósseis, evidências da evolução


Fósseis são restos ou vestígios de seres vivos de épocas remotas e que ficaram preservados em rochas. Podem ser ossos, dentes, con-
chas ou até impressões, pegadas, pistas deixadas por animais e vegetais nos lugares em que viveram. Desde a antiguidade, muitas foram
as explicações sobre a sua origem. Aristóteles acreditava que eram restos de seres vivos que nasciam e cresciam nas rochas. Algumas
pessoas diziam que eram formas vivas colocadas nas pedras por espíritos malignos. Já o filósofo Heródoto, em 450 a.C, ao observar
restos de conchas no deserto da Líbia, supôs que o Mediterrâneo banhara aquela região em tempos antigos.

A preservação de um fóssil depende da ocorrência de uma série de eventos. Normalmente, organismos mortos são prontamente ata-
cados por vários tipos de seres vivos, entre eles bactérias e fungos que efetuam a decomposição da matéria orgânica. Em alguns casos,
porém, a preservação de restos pode ocorrer. Se o animal morrer em leitos de água, a correnteza carrega sedimentos que podem cobri-lo,
dificultando o ataque de outros organismos que poderiam destruí-lo, favorecendo, assim, a sua preservação. Do mesmo modo, substân-
cias minerais trazidas pela água impregnam os ossos, o que ajuda a conservação da sua forma. Esses processos ocorrem comumente em
oceanos e mares rasos, duas fontes notáveis de fósseis. A erupção de um vulcão pode levar à fossilização ao soterrar com cinza os ani-
mais e vegetais que viviam nas proximidades. Protegidos do ar e de outros animais, esses organismos soterrados acabam sendo preserva-
dos. Com o tempo, formam-se camadas sucessivas de sedimentos, exercendo pressão sobre as camadas inferiores e deixando os fósseis
incrustados no interior da rocha. De tempo em tempos, os fósseis podem voltar a se expor, principalmente em razão de movimentos da
crosta terrestre. Isso favorece a ação de rios que, ao correr por novos leitos, acabam expondo camadas contendo fósseis. Igualmente, a
atividade erosiva e modeladora do vento, chuva e gelo favorece a exposição dos fósseis incluídos em rochas.

Os fósseis são importantes em biologia por ilustrarem a ocorrência do processo de evolução biológica. Pode-se fazer uma avaliação
da idade de um fóssil pela observação da camada em que está incluído. Como a sedimentação ocorre pela deposição sucessiva de cama-
das, aquelas que se situam mais inferiormente são mais velhas e devem conter os fósseis mais antigos. Se a evolução da vida ocorreu de
modo contínuo, espera-se que os fósseis encontrados espelhem a ordem de evolução de plantas e animais. De maneira geral, fósseis de
organismos mais simples são encontrados nas camadas mais inferiores, mais velhas, das rochas. Em camadas mais recentes são encon-
trados organismos mais complexos. Esse achado é uma evidência de que a vida evoluiu de forma simples para formas mais complexas
e que ela vem se modificando vagarosamente há milhões de anos. Técnicas modernas têm auxiliado a datação da idade dos fósseis.
Através delas e a partir da descoberta de um fóssil de animal parecido com um “fox-terrier” e de outros fósseis, foi possível determinar
a sequência que originou o cavalo atual. Muitas vezes, porém, o registro fóssil é falho e apresenta muitas lacunas. É evidente que não
foram reconhecidos ainda todos os estágios que possam esclarecer, por exemplo, a origem dos répteis a partir dos anfíbios.

Essa situação é parecida com a de um livro que não tivesse algumas de suas páginas. Como explicar esse fato? Para muitos cien-
tistas, o tempo permitirá a descoberta dos elos intermediários ainda desconhecidos. Para outros, como o americano Stephen Jay Gould,
esses elos simplesmente não existem. A evolução, para esse autor, teria ocorrido “aos saltos”, com o surgimento explosivo de novos gru-
pos de tempos em tempos. Essa evolução saltatória seria devida, principalmente, ao acúmulo de mutações gênicas que repentinamente
levariam ao surgimento de novas espécies.

Didatismo e Conhecimento 19
BIOLOGIA
Os evolucionistas em ação: Lamarck e Darwin

A partir do século XIX, surgiram algumas tentativas de explicação para a Evolução biológica. Jean Baptiste Lamarck, francês, e
Charles Darwin, inglês, foram os que mais coerentemente elaboraram teorias sobre o mecanismo evolutivo. Foi Darwin, no entanto,
o autor do monumental trabalho científico que revolucionou a Biologia e que até hoje persiste como a Teoria da Seleção Natural das
espécies.

Darwin e a seleção natural

A partir da ideia de adaptação de populações a seus ambientes, fica fácil entender as propostas de Charles Darwin (1809-1882),
inglês, autor da teoria da Seleção Natural. Imaginando-se dois ratos, um cinzento e outro albino, é provável que em muitos tipos de
ambientes o cinzento leve vantagem sobre o albino. Se isto realmente acontecer, é sinal de que o ambiente em questão favorece a so-
brevivência de indivíduos cinzentos ao permitir que, por exemplo, eles fiquem camuflados entre as folhagens de uma mata. Os albinos,
sendo mais visíveis, são mais atacados por predadores. Com o tempo, a população de ratos cinzentos, menos visada pelos atacantes,
começa a aumentar, o que denota seu sucesso. É como se o ambiente tivesse escolhido, dentre os ratos, aqueles que dispunham de mais
recursos para enfrentar os problemas oferecidos pelo meio. A esse processo de escolha, Darwin chamou Seleção Natural. Note que a
escolha pressupõe a existência de uma variabilidade entre organismos da mesma espécie. Darwin reconhecia a existência dessa variabi-
lidade. Sabia também que na natureza, a quantidade de indivíduos de certa espécie que nascem é maior que aquela que o ambiente pode
suportar. Além disso, era conhecido o fato de que o número de indivíduos da população fica sempre em torno de uma certa quantidade
ótima, estável, devido, principalmente, a altas taxas de mortalidade.

É óbvio que a mortalidade seria maior entre indivíduos menos adaptados a seu meio, pelo processo de escolha ou “seleção natural”.
Perceba, então, que a ideia de Darwin parte do princípio importante de que existe variabilidade entre os indivíduos de uma mesma es-
pécie e que essa variabilidade pode permitir que indivíduos se adaptem ao ambiente.

Assim, para Darwin, a adaptação é resultado de um processo de escolha dos que já possuem a adaptação. Essa escolha, efetuada pelo
meio, é a Seleção Natural e pressupõe a existência prévia de uma diversidade específica. Então, muda o meio. Havendo o que escolher
(variabilidade), a seleção natural entra em ação e promove a adaptação da espécie ao meio. Quem não se adapta, desaparece.

O Darwinismo, a conhecida teoria da “Evolução Biológica por adaptação das espécies aos meios em mudança através da Seleção
Natural”, pode ser assim esquematizado:

Variabilidade

|Seleção natural –=> || <=– Seleção natural


|||
||
Adaptação

É claro que, em ambientes diferentes, variações distintas serão valorizadas. Isso explica por que duas populações da mesma espécie
podem se adaptar de maneiras bastante diversificadas em ambientes diferentes.

Finalizando, vamos utilizar uma comparação que pode facilitar a compreensão da teoria darwiniana.

Analise o desenho abaixo. Ele representa um funil através do qual são jogadas bolinhas de diversos tamanhos. Somente as “ajusta-
das” ao tamanho do funil conseguem atravessá-lo. As outras são retidas. Com este modelo você entende a ação da Seleção Natural. O
funil representa o meio ambiente, e as bolinhas correspondem às diversas formas existentes entre os seres vivos de determinada espécie.
As bolinhas que passaram representam aquelas variedades dotadas de características que as ajustam ao meio e, então, permitem a adap-
tação da espécie ao ambiente.

Didatismo e Conhecimento 20
BIOLOGIA

variabilidade e seleção

Darwin: uma longa caminhada rumo à seleção natural

Desde sua infância, Darwin era fascinado por tudo o que se relacionava à natureza. Oriundo de uma família abastada, filho de mé-
dico, negava-se a seguir a carreira paterna. Acabou tendo de cursar uma faculdade destinada à formação de religiosos, porém, sempre
se dedicou profundamente à história natural, acumulando conhecimentos de geologia, mineralogia, zoologia e botânica. A partir dessa
formação, alguns fatos importantes da vida de Darwin facilitaram elaboração de sua teoria. Entre esses fatos, pode-se citar:

- a viagem por ele empreendida ao redor do mundo como naturalista de bordo do navio Beagle, da armada inglesa. Entre outros as-
pectos que o fascinaram, como o achado de fósseis de tatus gigantes na América do Sul e conchas de moluscos em plena Cordilheira dos
Andes, foi a comparação dos arquipélagos de Cabo Verde e Galápagos que o deixou convencido da ocorrência da transformação das
espécies. Esses dois arquipélagos têm origem vulcânica, possuem praticamente a mesma idade geológica e situam-se quase na mesma
latitude. Sendo semelhantes do ponto de vista ambiental, neles deveriam ser encontrados os mesmos tipos de seres vivos, segundo o pen-
samento fixista predominante na época. Mas Darwin verificou que as ilhas de cada arquipélago possuíam as suas próprias comunidades,
e a maioria dos animais nelas existentes assemelhava-se aos animais que ele vira na África e na América do Sul. As espécies de pássaros
fringilídeos que Darwin encontrou em Galápagos pareciam “descendentes modificados das espécies sul-americanas”.

- as experiências de seleção artificial executadas por Darwin e por inúmeros outros criadores de plantas e animais. Há séculos o
homem percebeu que a variabilidade existente entre os descendentes de animais e plantas que cria permite a seleção dos melhores, apri-
morando e modificando as espécies. Se o homem pode fazer essa escolha e modificar os rumos de uma espécie em pouco tempo, o que
não poderia fazer a natureza ao longo de milhões de anos e dispondo de uma ampla variabilidade entre as espécies?

- a leitura de um livro do economista Thomas Malthus, que, em fins do século XVIII, escreveu um tratado sobre a preocupação com
o tamanho da população humana, que crescia em progressão geométrica enquanto a produção de alimentos pelo homem ocorria num
ritmo menor, em progressão aritmética. Haveria, assim, disputa por alimento, sobrevivendo apenas aqueles que tivessem acesso a ele.
Então, pensava Darwin, se a população humana passa por um processo de seleção por causa do alimento, o mesmo deveria acontecer
na natureza com os demais seres vivos.

- Darwin conseguiu chegar a uma conclusão que o levou a elaborar a sua conhecida teoria; faltava-lhe, no entanto, a coragem ne-
cessária para enfrentar o sistema religioso e científico que, na época, era declaradamente antievolucionista. O impulso que o fez publicar
sua teoria foi uma carta enviada pelo biólogo Alfred Russel Wallace, dizendo que em suas viagens chegara à conclusão de que deveria
haver um processo de seleção natural das espécies que as faria adaptar-se aos seus ambientes. A partir disso, Darwin foi aconselhado
por amigos a expor suas ideias, e em 1859 foi publicado o polêmico livro “The origin of species by means of natural selection”, que
revolucionou a biologia.

Didatismo e Conhecimento 21
BIOLOGIA
O que Darwin não sabia: neodarwinismo

O trabalho de Darwin despertou muita atenção mas também suscitou críticas. A principal era relativa à origem da variabilidade
existente entre os organismos de uma espécie. Darwin não teve recursos para entender por que os seres vivos apresentam diferenças in-
dividuais. Não chegou sequer a ter conhecimento dos trabalhos que um monge chamado Mendel realizava, cruzando plantas de ervilha.
O problema só foi resolvido a partir do início do século XX, com o advento da ideia de gene. E só então ficou fácil entender que muta-
ções e recombinação gênica são as duas importantes fontes de variabilidade entre as espécies. Assim, o darwinismo foi complementado,
surgindo o que os evolucionistas modernos conhecem como Neodarwinismo ou Teoria Sintética da Evolução e que se apoia nas ideias
básicas de Darwin. Veja o esquema abaixo:
Mutações genéticas –=> Variabilidade <=– Recombinação gênica||
||
||
Seleção natural –=> || <=– Seleção natural
||
||
||
Adaptação

Fica fácil entender, agora, o mecanismo da resistência bacteriana aos antibióticos usados para o seu combate. Partindo do princípio
da existência prévia de variabilidade, uma população bacteriana deve ser formada por dois tipos de indivíduos: os sensíveis e os resis-
tentes. O uso inadequado de um antibiótico deve eliminar as bactérias sensíveis, favorecendo as resistentes, que são selecionadas. As
bactérias resistentes proliferam e promovem a adaptação da espécie ao ambiente modificado. Qualquer outro problema de adaptação
das espécies a ambientes em modificação pode ser explicado utilizando-se o raciocínio neodarwinista.

Lamarck e sua ideia cativante

Um dos primeiros adeptos do transformismo foi o biólogo francês Lamarck, elaborou uma teoria da Evolução, embora totalmente
desprovida de fundamento científico.
No mesmo ano em que nascia Darwin, Jean Baptiste Lamarck (1744-1829) propunha uma ideia elaborada e lógica. Segundo ele,
uma grande mudança no ambiente provocaria numa espécie a necessidade de se modificar, o que a levaria a mudanças de hábitos.
Se o vento e as águas podem esculpir uma rocha, modificando consideravelmente sua forma, será que os seres vivos não poderiam
ser também moldados pelo ambiente? Teria o ambiente o poder de provocar modificações adaptativas nos seres vivos?
Lamarck acreditava que sim. Considerava, por exemplo, que mudanças das circunstâncias do ambiente de um animal provocariam
modificações suas necessidades, fazendo que ele passasse a adotar novos hábitos de vida para satisfazê-las. Com isso o animal passaria a
utilizar mais frequentemente certas partes do corpo, que cresceriam e se desenvolveriam, enquanto outras partes não seriam solicitadas,
ficando mais reduzidas, até se atrofiarem. Assim, o ambiente seria o responsável direto pelas modificações nos seres vivos, que transmi-
tiriam essas mudanças aos seus descendentes, produzindo um aperfeiçoamento da espécie ao longo das gerações.
Com base nessa premissa, postulou duas leis. A primeira, chamada Lei do Uso e Desuso, afirmava que, se para viver em determi-
nado ambiente fosse necessário certo órgão, os seres vivos dessa espécie tenderiam a valorizá-lo cada vez mais, utilizando-o com maior
frequência, o que o levaria a hipertrofiar. Ao contrário, o não uso de determinado órgão levaria à sua atrofia e desaparecimento completo
ao longo de algum tempo.
A segunda lei, Lamarck chamou de Lei da Herança dos Caracteres Adquiridos. Através dela postulou que qualquer aquisição be-
néfica durante a vida dos seres vivos seria transmitida aos descendentes, que passariam a tê-la, transmitindo-a, por sua vez, às gerações
seguintes, até que ocorresse sua estabilização.
A partir dessas suas leis, Lamarck formulou sua teoria da evolução, apoiado apenas em alguns exemplos que observara na natureza.
Por exemplo, as membranas existentes entre os dedos dos pés das aves nadadoras, ele as explicava como decorrentes da necessidade
que elas tinham de nadar. Cornos e chifres teriam surgindo como consequência das cabeçadas que os animais davam em suas brigas.
A forma do corpo de uma planta de deserto seria explicada pela necessidade de economizar água.

Por que não podemos aceitar as teses de Lamarck?


Na verdade não podemos simplesmente achar erradas as ideias de Lamarck sem dizer exatamente o porquê do erro. É preciso saber
criticá-las com argumentos que evidenciam o erro nelas contido. Assim, pode-se dizer que a lei do uso e desuso só será válida se a alte-
ração que ela propõe estiver relacionada a alterações em órgãos de natureza muscular e, ainda, alterações que não envolvam mudanças
no material genético do indivíduo. A cauda de um macaco sul-americano não cresceu porque o animal manifestou o desejo de se prender
aos galhos de uma árvore. Tal mudança deveria envolver antes uma alteração nos genes encarregados da confecção da cauda.

Didatismo e Conhecimento 22
BIOLOGIA
Com relação à lei da transmissão das características adquiridas, é preciso deixar bem claro que eventos que ocorrem durante a vida
de um organismo, alterando alguma sua característica, não podem ser transmissíveis à geração seguinte. O que uma geração transmite à
outra são genes. E os genes transmissíveis já existem em um indivíduo desde o momento em que ele foi um zigoto. E, fatos que ocorram
durante sua vida não influenciarão exatamente aqueles genes que ele deseja que sejam alterados.

Lamarck e Darwin frente a frente: o tamanho do pescoço das girafas


Lamarckismo
- As girafas ancestrais provavelmente tinham pescoços curtos que eram submetidos a frequentes distensões para capacitá-las a al-
cançar a folhagem das árvores.
- Os descendentes apresentavam pescoços mais longos, que eram também esticados frequentemente na procura de alimentos.
- Finalmente o contínuo esticamento do pescoço deu origem às modernas girafas. Os fatos conhecidos não sustentam esta teoria.
Darwinismo
- As girafas ancestrais provavelmente apresentavam pescoços de comprimentos variáveis. As variações eram hereditárias (Darwin
não conseguiu explicar a origem das variações).
- Competição e seleção natural levaram à sobrevivência dos descendentes de pescoços longos, em detrimento dos de pescoços
curtos.
- Finalmente apenas as girafas de pescoços longos sobreviveram à competição. Fatos conhecidos sustentam esta teoria.

A Especiação
A especiação: o surgimento de novas espécies
Especiação é o nome dado ao processo de surgimento de novas espécies a partir de uma espécie ancestral. De modo geral, para que
isso ocorra é imprescindível que grupos da espécie original se separem e deixem de se cruzar. Essa separação constitui o isolamento ge-
ográfico e pode ocorrer por migração de grupos de organismos para locais diferentes e distantes, ou pelo surgimento súbito de barreiras
naturais intransponíveis, como rios, vales, montanhas, etc., que impeçam o encontro dos componentes da espécie original. O isolamento
geográfico, então, é a separação física de organismos da mesma espécie por barreiras geográficas intransponíveis e que impedem o seu
encontro e cruzamento.
A mudança de ambiente favorece a ação da seleção natural, o que pode levar a uma mudança inicial de composição dos grupos. A
ocorrência de mutações casuais do material genético ao longo do tempo leva a um aumento da variabilidade e permite a continuidade
da atuação da seleção natural.
Se após certo tempo de isolamento geográfico os descendentes dos grupos originais voltarem a se encontrar, pode não haver mais
a possibilidade de reprodução entre eles. Nesse caso, eles constituem novas espécies. Isso pode ser evidenciado através da observação
de diferenças no comportamento reprodutor, da incompatibilidade na estrutura e tamanho dos órgãos reprodutores, da inexistência de
descendentes ou, ainda, da esterilidade dos descendentes, no caso de eles existirem. Acontecendo alguma dessas possibilidades, as novas
espécies assim formadas estarão em isolamento reprodutivo, confirmando, desse modo, o sucesso do processo de especiação.
Nem sempre, porém, acaba havendo isolamento reprodutivo entre grupos que se separam, isto é, nem sempre ocorre a formação de
novas espécies. O que aconteceria se as barreiras geográficas fossem desfeitas precocemente? Ou, o que pode acontecer se o isolamento
geográfico for interrompido? Nesse caso, é possível que os componentes dos dois grupos tenham acumulado diferenças que os distin-
guem entre si mas que não impedem a reprodução. Isto é, os dois grupos ainda pertencem à mesma espécie. Como denominar, então,
essas variedades que não chegaram a transformar-se em novas espécies? Podemos chamá-las de RAÇAS. Uma mesma espécie poderá
ser formada por diversas raças, intercruzantes entre si, mas que apresentam características morfológicas distintas. Pense nas diferentes
raças de cães existentes atualmente e essa ideia ficará bem clara.
 Leitura: um caso real
Um caso interessante que ilustra o que foi dito é o da rã norte-americana Rana pipiens. A distribuição geográfica dessa espécie de
animal ocorre do norte ao sul da América do Norte. As diferentes populações apresentam características morfológicas distintas. Só que
dificilmente uma rã do Norte se acasala com uma do Sul. Se isso for feito artificialmente, notar-se-á uma grande quantidade de descen-
dentes defeituosos. No entanto, se os cruzamentos ocorrem entre populações vizinhas, a porcentagem de indivíduos normais será de
100%. Esse fato mostra que em Rana pipiens ocorre o chamado fluxo gênico entre populações vizinhas, desde o Norte até o Sul, de modo
que todas essas populações pertencem à mesma espécie. É provável que, se as populações intermediárias forem eliminadas, as que se
encontram em extremos opostos venham a constituir duas novas espécies, incapazes de trocar genes.
Os tipos de isolamento reprodutivo
O isolamento reprodutivo corresponde a um mecanismo que bloqueia a troca de genes entre as populações das diferentes espécies
existentes na natureza. Não se esqueça de que o conceito espécie se baseia justamente na possibilidade de trocas de genes entre os or-
ganismos, levando a uma descendência fértil. No caso de haver isolamento reprodutivo, ele se manifesta de dois modos: 1) através do
impedimento da formação do híbrido, e nesse caso diz-se que estão atuando os mecanismos de isolamento reprodutivo pré-zigóticos, ou
seja, que antecedem o zigoto, e b) através de alguma alteração que acontece após a formação do zigoto, e nesse caso fala-se na atuação
de mecanismos de isolamento reprodutivos pós-zigóticos.

Didatismo e Conhecimento 23
BIOLOGIA
Os mecanismos pré-zigóticos mais usuais são:

- Diferenças comportamentais relativas aos processos de acasalamento entre animais, tais como cantos de aves, danças nupciais de
mamíferos etc.
- Incompatibilidade de tamanho entre os órgãos genitais externos nos animais.
- Amadurecimento sexual em épocas diferentes, válido tanto para animais como vegetais.
- A utilização de locais de vida (habitats) diferentes de uma mesma área geográfica, o que impede o encontro de animais.

Os mecanismos pós-zigóticos mais usuais são: 

- Inviabilidade do híbrido, com a ocorrência de morte nos estágios iniciais do desenvolvimento.

- Esterilidade dos híbridos. Embora nasçam, cresçam e sejam vigorosos, os híbridos são estéreis, o que revela incompatibilidade
dos lotes cromossômicos herdados de pais de espécies diferentes, implicando a impossibilidade de ocorrência da meiose. Não havendo
meiose, não há formação de gametas e, consequentemente, não há reprodução. É clássico o exemplo do burro ou da mula, consequência
do cruzamento de égua com jumento, pertencentes a duas espécies próximas, porém diferentes. Nesse caso, burro e mula não constituem
uma terceira espécie, sendo considerados apenas híbridos interespecíficos.

- Esterilidade e fraqueza da geração F2. Às vezes, híbridos interespecíficos acasalam-se com sucesso mas originam descendentes
fracos, degenerados, que, se não morrem cedo, são totalmente estéreis.

Simpatria e alopatria
Quando duas populações vivem na mesma área geográfica elas são chamadas de simpátricas (Sin = união, pátricas = de pátria,
local de vida). Necessariamente as duas populações deverão pertencer a espécies diferentes. É o caso das Zebras e Girafas encontradas
em determinado local da Savana africana. Por outro lado, populações da mesma espécie, ou não, que habitem ambientes diferentes são
considerados alopátricas (Aloios, do grego, significa diferente). Duas populações de lambaris que habitam represas diferentes são alo-
pátricas. Girafas e pinguins são grupos alopátricos de organismos pertencentes a espécies diferentes.

Irradiação adaptativa
Há muitos indícios de que a evolução dos grandes grupos de seres vivos foi possível a partir de um grupo ancestral cujos compo-
nentes, através do processo de especiação, possibilitaram o surgimento de espécies relacionadas. Assim, a partir de uma espécie inicial,
pequenos grupos iniciaram a conquista de novos ambientes, sofrendo uma adaptação que lhes possibilitou a sobrevivência nesses meios.
Desse modo teriam surgido novas espécies que em muitas características apresentavam semelhanças com espécies relacionadas e com
a ancestral. Esse fenômeno evolutivo é conhecido como Irradiação Adaptativa, e um dos melhores exemplos corresponde aos pássaros
fringilídeos de Galápagos estudados por Darwin. Originários do continente sul-americano, irradiaram-se para diversas ilhas do arqui-
pélago, cada grupo adaptando-se às condições peculiares de cada ilha e, consequentemente, originando as diferentes espécies hoje lá
existentes.

Para que a irradiação possa ocorrer, é necessário em primeiro lugar que os organismos já possuam em seu equipamento genético
as condições necessárias para a ocupação do novo meio. Este, por sua vez, constitui-se num segundo fator importante, já que a seleção
natural adaptará a composição do grupo ao meio de vida.

Didatismo e Conhecimento 24
BIOLOGIA
Irradiação adaptativa

Convergência adaptativa
A observação de um tubarão e um golfinho evidencia muitas semelhanças morfológicas, embora os dois animais pertençam a grupos
distintos. O tubarão é peixe cartilaginoso, respira por brânquias, e suas nadadeiras são membranas carnosas. O golfinho é mamífero,
respira ar por pulmões, e suas nadadeiras escondem ossos semelhantes aos dos nossos membros superiores. Portanto, a semelhança
morfológica existente entre os dois não revela parentesco evolutivo. De que maneira, então, adquiriram essa grande semelhança externa?
Foi a atuação da um mesmo meio, o aquático, que selecionou nas duas espécies a forma corporal ideal ajustada à água. Esse fenômeno é
conhecido como convergência adaptativa ou evolução convergente.
Outro exemplo de evolução convergente é o da semelhança morfológica existente entre os caules de um cacto do sul dos Estados
Unidos e uma outra planta da família das Euforbiáceas, habitante da África. Os dois vegetais habitam regiões áridas semelhantes e são
muito parecidos. Pertencem, porém, a grupos diferentes, o que pode ser mostrado através da estrutura das flores, que não é a mesma.
Homologia e analogia
Agora que sabemos o que é irradiação adaptativa e convergência adaptativa, fica fácil entender o significado dos termos homolo-
gia e analogia. Ambos utilizados para comparar órgãos ou estruturas existentes nos seres vivos. A homologia designa a semelhança de
origem entre dois órgãos pertencentes a dois seres vivos de espécies diferentes, enquanto a analogia se refere à semelhança de função
executada por órgãos pertencentes a seres vivos de espécies diferentes. Dois órgãos homólogos poderão ser análogos caso executem a
mesma função.
A cauda de um macaco sul-americano e a cauda de um cachorro são estruturas homólogas (os dois animais são mamíferos) e não
desempenham a mesma função. Já as asas de um beija-flor (ave) e as de um morcego (mamífero) são homólogas por terem a mesma
origem e análogas por desempenharem a mesma função.
Por outro lado, as asas de uma borboleta (um inseto, artrópode) são análogas às asas de um pardal (uma ave) por desempenharem a
mesma função, porém não são homólogas, já que a origem destas estruturas é muito diferente.
Note que os casos de homologia revelam a atuação do processo de irradiação adaptativa e denotam um parentesco entre os animais
comparados. Já os casos de analogia pura, não acompanhados de homologia, revelam a ocorrência de convergência adaptativa e não
envolvem parentesco entre os animais exemplificados. Assim, as nadadeiras anteriores de um tubarão são análogas às de uma baleia e
ambas são consequência de uma evolução convergente.
Em todo o planeta Terra habitam mais de dois milhões de seres vivos, adaptados aos mais diversos ambientes, com suas infinitas
formas. Diante de tanta variedade, os cientistas perceberam a necessidade de se desenvolver um sistema formal, e eficiente, de classifi-
cação; considerando suas características em comum e relações de parentesco evolutivo.
O naturalista sueco Lineu propôs, em 1735, a nomenclatura binomial, na qual cada ser vivo seria nomeado com duas palavras: a
primeira se referindo ao nome genérico (gênero) e a segunda, ao nome específico. Além disso, tais nomes seriam apresentados em itálico
ou grifados; e a primeira letra do primeiro nome, apresentada em maiúsculo.
Exemplo: Onça (nome popular)
Panthera onça (nome científico)

Tal sistema, utilizado até a atualidade, facilita a comunicação entre os cientistas, já que um mesmo ser vivo, dependendo da região,
pode ser identificado pelos mais diversos nomes. Por exemplo: a Manihot esculenta costuma ser chamada, em nosso país, de mandioca,
aipim e macaxeira. Assim, com uma nomenclatura unificada, em qualquer local do Brasil e do mundo, o nome Manihot esculenta se
refere a esta espécie específica, sem chances de ser confundida com outra qualquer.
Foi Lineu também quem criou as categorias taxonômicas, considerando “espécie” como sendo a mais específica. Estas se apresen-
tam na seguinte ordem hierárquica:

Reino – Filo (ou divisão, no caso de vegetais) – Classe – Ordem – Família – Gênero – Espécie
Em 1959, Robert Whittaker propôs a divisão dos seres vivos em cinco reinos, esta que é levada em consideração até os dias atuais:
- Reino Monera, que reúne as eubactérias e as arqueobactérias: seres procarióticos e unicelulares.
- Reino Protoctista, tendo os protozoários e algas como representantes.
- Reino Fungi, cujos representantes são eucarióticos, uni ou multicelulares e heterotróficos.
- Reino Plantae, com representantes eucarióticos, multicelulares e autotróficos fotossintetizantes.
- Reino Animalia, abrigando indivíduos eucarióticos, multicelulares e heterotróficos.

Didatismo e Conhecimento 25
BIOLOGIA

5.2.1. CLASSIFICAÇÃO E ORGANIZAÇÃO

A taxonomia  é o ramo da Biologia que estuda a classificação dos seres vivos, agrupando-os de acordo com o grau de semelhança.
Esse agrupamento se dá, progressivamente, na seguinte ordem hierárquica: reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Podem
existir sub-divisões para estas categorias, como subgêneros e subfamílias, por exemplo.
Os animais, tal qual as plantas, são conhecidos popularmente por nomes muito variáveis dependendo de um lugar para outro. Na
tentativa de universalizar as nomenclaturas, cientistas têm, há muito, procurado criar uma designação internacional para os seres vivos.
Para tanto, foi tomado como regra que, na designação científica, os nomes devem ser em latim ou latinizados.
Cada organismo deve ser reconhecido por uma designação binomial, em que o primeiro termo designará o seu gênero e o segundo,
a sua espécie. O nome relativo ao gênero deve ser um substantivo simples ou composto, escrito com inicial maiúscula, enquanto que o
relativo à espécie deve ser um adjetivo escrito com inicial minúscula. Essa regra não se aplica em casos em que a denominação home-
nageia uma pessoa célebre.
De acordo com a classificação vigente as espécies descritas são agrupadas em gêneros. Os gêneros são reunidos, se tiverem algu-
mas características em comum, formando uma família. Famílias, por sua vez, são agrupadas em uma ordem. Ordens são reunidas em
uma classe. Classes de seres vivos são reunidas em filos. E os filos são, finalmente, componentes de alguns dos cinco reinos (Monera,
Protista, Fungi, Plantae e Animalia).

Filo Porifera

Acredita-se que os primeiros animais que surgiram na face da Terra tenham sido os poríferos. Várias são as hipóteses sobre a origem
dos animais. Uma das mais aceitas propõe que eles teriam derivado de protistas flagelados coloniais, dando origem primeiramente à
linhagem dos parazoários (sub-reino Parazoa), representada pelos poríferos, e depois à linhagem dos eumetazoários.

As esponjas são animais sem simetria ou com simetria radiada, diploblásticos, acelomados e sem cavidade digestiva.
A simplicidade da estrutura das esponjas é tal que, se forem trituradas e passadas por uma peneira, de modo a separar as suas células,
estas poderão reagrupar-se e formar novamente uma esponja, em tudo semelhante á original. As células do corpo das esponjas apresen-
tam mesmo um certo grau de independência, sem coordenação por células nervosas. 

As esponjas são organismos imóveis, mas capazes de movimentar a água em seu redor. As partículas alimentares em suspensão
penetram no corpo da esponja através de poros microscópicos – poros inalantes - na sua parede lateral e a água filtrada é retirada através
de uma abertura maior – ósculo – na zona oposta á base. Em certas espécies, o ósculo pode ser lentamente fechado. O ósculo encontra-se
quase sempre acima do resto do corpo do animal, uma adaptação importante, pois evita a recirculação de água á qual já foram retirados
alimento e oxigênio e adicionados resíduos.
 
 A parede do corpo das esponjas é formada por diversos tipos de células, sustentadas por elementos esqueléticos de vários tipos:
- Pinacócitos – células achatadas de revestimento da parte externa, formando uma espécie de epiderme designada pinacoderme
(embora não seja um verdadeiro tecido);

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BIOLOGIA
- Coanócitos– células flageladas com uma expansão membranosa em forma de colarinho,  que revestem o espongiocélio e outras
câmaras vibráteis internas das esponjas. O movimento dos seus flagelos cria a corrente de água que traz nutrientes e gases. Os nutrientes
são filtrados pelo “colarinho” da célula, que não é uma estrutura sólida, mas antes um conjunto de pequenos bastonetes erectos e sepa-
rados por espaços. Qualquer partícula orgânica ou microrganismo plantônico aprisionado no colarinho é encaminhado para baixo, em
direção ao corpo celular e endocitado, ocorrendo uma digestão intracelular, em vacúolos digestivos. Posteriormente os nutrientes são
difundidos para a mesogleia ou célula a célula.
 
- Amebócitos– células livres de vários tipos que se deslocam por movimentos amebóides, presentes no mesênquima ou mesogleia
(substância gelatinosa localizada entre as camadas de pinacócitos e coanócitos) e que são responsáveis pelo crescimento e capacidade
de regeneração, pois podem originar todos os restantes tipos de célula (exceto os coanócitos) e produzir as espículas do esqueleto. Estas
células podem, ainda, transferir os nutrientes presentes na mesogleia para as restantes células e retirar os produtos de excreção para o
espongiocélio. São, ainda, responsáveis pela formação dos gametas;
 
- Porócitos– células dotadas de um poro central, designado poro inalante, que as atravessa de lado a lado. Localizam-se a espaços
regulares na parede do corpo da esponja, sendo através delas que a água penetra no espongiocélio. Estas microscópicas aberturas podem
ser reguladas pelo animal.
  
A reprodução das esponjas pode ser assexuada, por brotamento ou gemulação, originando colônias de grandes dimensões.
A reprodução sexuada é bastante peculiar, principalmente a nível do desenvolvimento larvar. 
As esponjas podem ser monóicas (hermafroditas) ou dióica (sexos separados), permanecendo os óvulos na mesogleia e sendo os
espermatozóides libertados para o espongiocélio e daí para o exterior.
Os óvulos têm origem em amebócitos e os espermatozóides podem ter origem em amebócitos ou coanócitos. Se estes espermato-
zóides encontrarem outra esponja da mesma espécie, ocorrerá a fecundação e formar-se-á um zigoto. 
A fecundação é geralmente interna. O zigoto vai originar uma larva nadadora designada anfiblástula, não mais que uma pequena
bola de células flageladas do tipo coanócito. 
Esta larva liberta-se do corpo da esponja-mãe e sai pelo ósculo, acabando por se fixar a um substrato e sofrer uma inversão, em que
as células flageladas migram para o interior da bola e as achatadas para o exterior.
Por este motivo, diz-se que o desenvolvimento é indireto neste filo.
 
Filo Cnidaria
 
O filo Cnidária (cnidários) está representado pelas hidras, medusas ou água-vivas, corais e anêmonas-do-mar.
Os cnidários são os primeiros animais a apresentarem uma cavidade digestiva no corpo, fato que gerou o nome celenterado,
destacando a importância evolutiva dessa estrutura, que foi mantida nos demais animais. A presença de uma cavidade digestiva permitiu
aos animais ingerirem porções maiores de alimento, pois nela o alimento pode ser digerido e reduzido a pedaços menores, antes de ser
absorvido pelas células.
Com base no aspecto externo do corpo, os cnidários apresentam simetria radial. Eles são os primeiros animais na escala evolutiva
a apresentarem tecidos verdadeiros, embora ainda não cheguem a formar órgãos.
No filo cnidária existem basicamente dois tipos morfológicos de indivíduos: as medusas, que são natantes e os pólipos, que são
sésseis. Eles podem formar colônias, como é o caso dos corais (colônias sésseis) e das caravelas (colônias flutuantes).
Os polipos e as medusas, formas aparentemente muito diferentes entre si, possuem muitas características em comum e que definem
o filo, como veremos.
Nos cnidários existe um tipo especial de célula denominada cnidócito, que apesar de ocorrer ao longo de toda a superfície do ani-
mal, aparece em maior quantidade nos tentáculos. Ao ser tocado o cnidócito lança o nematocisto, estrutura penetrante que possui um
longo filamento através do qual o líquido urticante contido em seu interior é eliminado. Esse líquido pode provocar sérias queimaduras
no homem.
Essas células participam da defesa dos cnidários contra predadores e também da captura de presas. Valendo-se das substâncias pro-
duzidas pelos cnidócitos, eles conseguem paralisar imediatamente os pequenos animais capturados por seus tentáculos.
Foi a presença do cnidócito que deu o nemo ao filo Cnidaria (que têm cnida = urtiga)
Tanto o pólipo como a medusa apresentam uma boca que se abre na cavidade gastrovascular, mas não possuem ânus. O alimento
ingerido pela boca, cai na cavidade gastrovascular, onde é parcialmente digerido e distribuido (daí o nome gastro, de alimentação, e
vascular, de circulação).
Após a fase extracelular da digestão, o alimento é absorvido pelas células que revestem a cavidade gastrovascular, completando a
digestão.

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A digestão é portanto, em parte extracelular e em parte intracelular. Os restos não-aproveitáveis são liberados pela boca. Na região
oral, estão os tentáculos, que participam na captura de alimentos.
Os poriferos, apesar de não formarem tecido verdadeiros, são considerados animais diblásticos, pois durante o desenvolvimento
embrionário surgem apenas duas camadas de células - uma externa e outra interna -, que corresponde às duas camadas de células que for-
mam o corpo do adulto: a externa formada pelos pinacócitos e a interna formada pelos coanócitos ou coanócitos e pinacócitos internos.
Os demais animais são triblásticos ou triploblasticos, pois possuem três folhetos germinativos: a ectoderme, a endoderme e a meso-
derme (meso=no meio), que se desenvolve entre a ecto e a endoderme.
 Os cnidários são os primeiros animais a apresentarem células nervosas (neurônios). Nesses animais, os neurônios dispõem-se
de modo difuso pelo corpo, o que é uma condição primitiva entre os animais.
Os cnidários apresentam movimentos de contração e de extensão do corpo, além de poderem apresentar deslocamentos. São, por-
tanto, os primeiros animais a realizarem essas funções.
Os poríferos são animais que vivem fixos ao substrato, não apresentando deslocamentos.
Nos pólipos, a capacidade de locomoção é reduzida, podendo ser do tipo “mede-palmos” ou “cambalhota”. Nas medusas, a locomo-
ção é mais ativa, sendo realizada por um mecanismo denominado jato propulsão: os bordos do corpo se contraem, e a água acumulada
na fase oral da medusa é expulsa em jato, provocando o deslocamento do animal no sentido oposto.
A capacidade de alterar a forma do corpo, determinando movimentos e deslocamentos, deve-se à presença de células especiais com
funções de contração e distensão, mas que não são células musculares verdadeiras, na medida em que estas surgem a partir da mesoder-
me, que só ocorre em animais triblásticos.
A respiração e a excreção ocorrem por difusão através de toda a superfície do corpo. Não existem estruturas especiais relacionadas
a esses processos, como também é o caso das esponjas.
 
A reprodução assexuada
 
A reprodução assexuada em hidras pardas ou verdes é, em geral, feita por brotamento. Brotos laterais, em várias fases de crescimen-
to, são comumente vistos ligados à hidra-mãe e dela logo se destacam.
Esse processo de multiplicação, em que não ocorre variabilidade genética, é propício nos ambientes estáveis e em épocas favoráveis
do ano, em que as hidras estão bem alimentadas.
  
A reprodução sexuada
A hidra é hermafrodita. Alguns testículos e apenas um ovário são formados, principalmente em épocas desfavoráveis do ano, a partir
de células indiferenciadas existentes no corpo.
 O único óvulo produzido é retirado do ovário. Os espermatozóides são liberados na água e vão a procura do óvulo. A fecundação
ocorre no corpo da hidra. O zigoto formado é circundado por uma espessa camada quitinosa (de consistência semelhante ao esqueleto
de quitina dos insetos) e, após certo tempo de desenvolvimento, o embrião, envolto pela casca protetora, destaca-se do corpo da hidra e
permanece dentro da casca durante toda a época desfavorável.
Com a chegada da estação favorável, rompe-se a casca e emerge uma pequena hidra que cresce até atingir a fase adulta. Não há
larva. O desenvolvimento é direto.
 
Classificação dos cnidários

As principais classes dos cnidários são:


- Hydrozoa - hidras e caravelas;
- Scyphozoa - águas -vivas
- Anthozoa - anêmonas e corais; e
- Cubozoa - cubozoárioa, como a vespa do pacífico.

Três são os filos de animais que mais frequentemente são reconhecidos como vermes: Platyhelminthes, Nematoda e Annelida.
 
Filo Platyhelminthes: Vermes achatados
 
Os platelmintos são vermes de corpo achatado dorso-ventralmente (platy= chato; helminto= verme), com simetria bilateral (apa-
rece pela primeira vez na escala evolutiva). Existem aproximadamente 20 mil espécies descritas de platelmintos. Podem ser parasitas ou
de vida livre, estes podendo ocorrer nos mares, água doce ou em ambientes terrestres úmidos. Como parasitas de seres humanos pode-
mos citar a tênia e o Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. Outros animais também podem ser parasitados como o boi, o
porco, os cachorros, gatos, etc. O corpo pode ou não possuir uma segmentação. A maioria das espécies são monóicas.

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 Embriologia
São acelomados (não possuem celoma) e triblásticos (possuem os três folhetos germinativos: ectoderme, mesoderme e endoder-
me). Possuem simetria bilateral.
A ectoderme dá origem ao revestimento externo, a mesoderme dá origem à musculatura e ao parênquima, que é um tecido que pre-
enche todo o espaço entre o intestino e a parede do corpo. A endoderme dá origem ao intestino e seu revestimento.
 
Tegumento
Os platelmintos possuem um epitélio simples, sendo a epiderme formada por uma camada simples de células. As espécies parasitas
apresentam uma cutícula de proteção e, em alguns casos, ventosas para fixação. Alguns apresentam cílios na região ventral, para fins de
locomoção. Podem possuir células mucosas, que produzem lubrificação para facilitar a locomoção.
 
Digestão

Os sistema digestório dos platelmintos é incompleto, ou seja, a boca é a única abertura para o exterior, não possuindo ânus. A
digestão pode ser intra ou extracelular. O intestino é bastante ramificado, o que facilita a distribuição do alimento digerido. O que não é
utilizado na digestão é eliminado pela boca.  As planárias possuem a boca na região ventral e uma faringe protátil (exteriorizada), o
que facilita a captação de alimento, sugando.
As tênias não possuem sistema digestório, se alimentam por difusão, absorvendo os nutrientes pré-digeridos do hospedeiro.

Respiração
Não possuem sistema respiratório, e as trocas gasosas são feitas pela epiderme, por difusão. Este tipo de respiração recebe o nome
de tegumentar ou cutânea e ocorre nas espécies de vida livre, pois as parasitas fazem respiração anaeróbia.

Circulação
Os platelmintos não possuem sistema circulatório. O alimento digerido é enviado para as células por difusão, graças a um intestino
bem ramificado, pois ele é gastrovascular.

Excreção
São os primeiros animais a apresentar sistema excretor: o protonefrídio, que é formado por vários túbulos excretores com células-
-flama. As células-flama são fundamentais neste sistema excretor. Apresentam vários flagelos que promovem a movimentação dos
fluidos, fazendo com que eles sejam muito bem filtrados.
Os resíduos caem em um sistema de ductos ou túbulos, que se abrem para o exterior através de estruturas chamadas nefridióporos,
que são poros excretores. Estes poros situam-se na superfície dorsal do corpo, lateralmente.
Classificação dos Platelmintos
A cerca de 20.000 espécies de platelmintos podem ser agrupados em três grandes classes:
- Classe Cestoda - endoparasitas, geralmente com hospedeiros intermediários. Exemplo: tênias
- Classe Trematoda - parasitas, a maioria dos ciclos de vida inclui a presença de um hospedeiro intermediário. Exemplo: Schisto-
soma mansoni;
- Classe Turbellaria - animais de vida livre, sendo a maioria de ambiente aquático, apenas alguns terrestres, são predadores e ne-
crófagos. Exemplo: planárias.
 
Ascaridíase: lombriga
 
É uma verminose causada por um parasita chamado Ascaris lumbricoides. É a verminose intestinal humana mais disseminada no
mundo.
A contaminação acontece ocorre quando há ingestão dos ovos infectados do parasita, que podem ser encontrados no solo, água ou
alimentos contaminados por fezes humanas. O único reservatório é o homem. Se os ovos encontram um meio favorável, podem conta-
minar durante vários anos.  
Ciclo da Ascaridíase

- A ingestão de água ou alimento (frutas e verduras) contaminados pode introduzir ovos de lombriga no tubo digestório humano.
- No intestino delgado, cada ovo se rompe e libera uma larva.
- Cada larva penetra no revestimento intestinal e cai na corrente sanguínea, atingindo fígado, coração e pulmões, onde sofre algumas
mudanças de cutícula e aumenta de tamanho.

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- Permanece nos alvéolos pulmonares podendo causar sintomas semelhantes ao de pneumonia.
- Ao abandonar os alvéolos passam para os brônquios, traquéia, laringe (onde provocam tosse com o movimento que executam) e
faringe.
- Em seguida, são deglutidas e atingem o intestino delgado, onde crescem e se transformam em vermes adultos.
- Após o acasalamento, a fêmea inicia a liberação dos ovos. Cerca de 15.000 por dia. Todo esse ciclo que começou com a ingestão
de ovos, até a formação de adultos, dura cerca de 2 meses.
- Os ovos são eliminados com as fezes. Dentro de cada ovo, dotado de casca protetora, ocorre o desenvolvimento de um embrião
que, após algum tempo, origina uma larva.
- Ovos contidos nas fezes contaminam a água de consumo e os alimentos utilizados pelo homem.
 
Quais são os sintomas?
A maioria das infecções é assintomática. A larva se libera do ovo no intestino delgado, penetra a mucosa e por via venosa alcança
o fígado e pulmão de onde alcançam a árvore brônquica. Junto com as secreções respiratórias são deglutidas e atingem o intestino onde
crescem chegando ao tamanho adulto.
Em várias situações podem surgir sintomas dependendo do órgão atingido. A ascaridíase pode causar dor de barriga, diarréia, náu-
seas, falta de apetite ou nenhum sintoma. Quando há grande número de vermes pode haver quadro de obstrução intestinal. A larva pode
contaminar as vias respiratórias, fazendo o indivíduo apresentar tosse, catarro com sangue ou crise de asma. Se uma larva obstruir o
colédoco pode haver icterícia obstrutiva.
 
Filo Mollusca

Os moluscos são o segundo maior grupo de animais em número de espécies (cerca de 100.000 espécies), sendo suplantado apenas
pelos artrópodes. Apresentam uma disparidade morfológica sem comparação dentre os demais filos de animais, reunindo os familiares
caracóis (reptantes), ostras e mariscos (sésseis) e lulas e polvos (livre-natantes), assim como formas pouco conhecidas, como os quí-
tons, conchas dente-de-elefante (Scaphopoda) e espécies vermiformes (Caudofoveata e Solenogastres).
Morfologia
Os moluscos são animais triblásticos, celomados e protostômios. Apresentam o corpo mole, não segmentado, e com simetria
bilateral. A cabeça ocupa posição anterior, onde abre-se a boca, entrada do tubo digestivo. Muitas estruturas sensoriais também loca-
lizam-se na cabeça, como os olhos. Sensores químicos também estão presentes nos moluscos e permitem pressentir a aproximação de
inimigos naturais, quando o molusco rapidamente fecha sua concha, colocando-se protegido.
O pé é a estrutura muscular mais desenvolvida dos moluscos. Com ele, podem se deslocar, cavar, nadar ou capturar suas presas.
O restante dos órgãos está na massa visceral.
Nela, estão os sistemas digestivo, excretor, nervoso e reprodutor. Ao redor da massa visceral, está o manto, responsável pela produ-
ção da concha.
Entre a massa visceral e o manto, há uma câmara chamada cavidade do manto. Nos moluscos aquáticos, essa cavidade é ocupada
pela água que banha as brânquias; nos terrestres, é cheia de ar e ricamente vascularizada, funcionando como órgão de trocas gasosas,
análoga a um pulmão.
 Os moluscos são enterozoários (que têm cavidade digestiva) completos. Muitos deles possuem uma estrutura raladora chamada
rádula. Com ela, podem raspar pedaços de alimentos, fragmentando-os em pequenas porções. A digestão dos alimentos se processa
quase totalmente no interior do tubo digestivo (digestão extracelular). Algumas macromoléculas só completam a sua fragmentação no
interior das células de revestimento do intestino (digestão intracelular).
A maioria dos moluscos apresentam sistema circulatório aberto ou lacunar, no qual o sangue é impulsionado pelo coração, passa
pelo interior de alguns vasos e depois alcança lacunas dispostas entre os vários tecidos, nas quais circula lentamente, sob baixa pressão,
deixando nutrientes e oxigênio, e recolhendo gás carbônico e outros resíduos metabólicos.
Essas lacunas são as hemoceles. Os cefalópodos constituem uma exceção, pois têm sistema circulatório fechado.
Sistema nervoso dos moluscos é ganglionar, com três partes de gânglios nervosos de onde partem nervos para as diversas partes
do corpo. Os cefalópodos possuem um grande gânglio cerebróide, semelhante ao encéfalo dos vertebrados o que permite a execução de
atividades altamente elaboradas.
A locomoção da maioria dos representantes é lenta devida ao pé musculoso. Os que são rápidos, como as lulas e os polvos, loco-
movem-se graças à expulsão de jatos de água que saem através de um sifão. Muitos, porém, são fixos ao substrato, como as ostras e os
mariscos na fase adulta.
 
Reprodução
A reprodução dos moluscos é sexuada e, na maioria dos representantes do grupo, a fecundação é interna e cruzada.

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BIOLOGIA
 Anelídeos
 
Contrariamente aos filos anteriormente discutidos, os anelídeos (annelus = pequeno anel), apresentam o corpo dividido em seg-
mentos ou metâmeros, essencialmente semelhantes entre si e em forma de anel.  Estes animais são bastante antigos na Terra, existindo
fósseis deste o período Pré-Câmbrico, embora os primeiros vermes segmentados indubitáveis sejam do Câmbrico médio. Considera-se
que terão evoluído a partir de um ancestral do tipo platelminte.
 
Caracterização do filo
 O corpo segmentado é visível externamente na forma de anéis, com sulcos bem marcados separados um dos outros. Algumas es-
truturas, como os órgãos excretores e os gânglios do sistema nervoso, se repetem internamente em cada segmento, também chamado de
metâmero.
Dizemos por isso que o corpo dos anelídeos é metamerizado. Internamente, os metâmeros são separados uns dos outros por paredes
divisórias conhecidas como septos.
Nas minhocas existem 4 fileiras de cerdas, enquanto nos poliquetas existem muitas mais, aplicadas em expansões da parede do
corpo designadas parápodes, localizadas lateralmente em cada segmento e consideradas esboços de órgãos locomotoras.
A metamerização apresenta a vantagem adicional de permitir a especialização de segmentos ou grupos de segmentos para diferentes
funções, embora este aspecto não tenha sido muito desenvolvido nos anelídeos (ao contrário dos artrópodes).
Os anelídeos terrestres apresentam uma epiderme com células sensoriais, coberta por uma cutícula fina e transparente, que os prote-
gem da dessecação. Existem igualmente glândulas mucosas que ajudam a manter a superfície umedecida, fundamental para a respiração
cutânea. Por este motivo a epiderme é muito vascularizada.      
Os anelídeos apresentam sistema excretor segmentado, com pares de metanefrídeos em cada segmento. Os nefrídeos são túbulos
finos e enovelados (em contato com os vasos sanguíneos, de onde retiram excreções), com um funil ciliado aberto numa extremidade
– nefróstoma – que se abre no líquido celômico (de onde retiram igualmente excreções) de cada segmento. A outra extremidade – ne-
fridióporo ou poro excretor – abre na superfície corporal.      
  O sistema nervoso tem na parte anterior um par de gânglios cerebrais ligados a um anel circunfaríngico e gânglios em cada segmen-
to, que se ligam a um cordão nervoso duplo e maciço ventral. No seu conjunto, o sistema nervoso assemelha-se a uma escada de corda.     
O sistema digestivo é completo e apresenta diferentes regiões especializadas, nomeadamente:
- faringe sugadora;
- papo; 
- moela - esmaga o alimento, actuando como os dentes, realizando uma digestão mecânica;
- intestino - onde se realiza a digestão, extracelular e química. No intestino existe, caracteristicamente, uma prega dorsal, designada
tiflosole, que permite um aumento da área de absorção de nutrientes.
 A maioria dos anelídeos alimenta-se de partículas em decomposição, microrganismos e larvas.
O sistema circulatório é fechado e complexo, apresentando vasos longitudinais dorsal, onde o sangue circula em direcção á parte
anterior, e ventral, onde o sangue circula para a região posterior, ligados por vasos transversais em cada segmento.
Na região anterior, alguns (quatro ou cinco, dependendo da espécie) desses vasos laterais estão rodeados por células musculares,
funcionando como corações laterais ou arcos aórticos.
 
A Reprodução

A reprodução é sexuada, sendo os animais frequentemente (oligoquetos e irudíneos) hermafroditas e com desenvolvimento direto,
através de uma larva trocófora. Existem, no entanto, formas com sexos separados e desenvolvimento indireto, geralmente poliquetas. A
fecundação é sempre externa.

A reprodução sexuada pode ser ilustrada com o processo em minhocas hermafroditas:


Os anelídeos podem ser terrestres (solo húmido) como as minhocas, marinhos como os vermes poliquetas, que podem ser encon-
trados junto das praias ou em águas profundas, ou de água doce, como as sanguessugas. Podem, ainda, ser de vida livre, comensais de
outros animais aquáticos ou ecto e endoparasitas. 
Os Hirudíneos: Sugadores de Sangue
As sanguessugas pertencem à classe dos hirudíneos e são encontrados no mar, na água doce e em meio terrestre úmido. Do mesmo
modo que as minhocas, possuem corpo segmentado, clitélo e não tem cabeça diferenciada e muito menos parapódios. São hermafro-
ditas e a reprodução sexuada inclui os mesmos passos descritos para as minhocas. Diferentemente das minhocas, porém não possuem
cerdas nos segmentos, sendo por isso também chamadas de anelídeos aquetas (= sem cerdas). O corpo é levemente achatado dorsi-
ventralmente.

Didatismo e Conhecimento 31
BIOLOGIA
A principal diferença, porém, entre as sanguessugas e outros anelídeos é a presença de ventosas fixadoras que funcionam como
“desentupidoras de pia” e que se localizam nas duas extremidades do corpo. A da região anterior abriga a boca e possui alguns dentículos
raspadores. A da extremidade posterior não abriga o ânus, que se abre dorsalmente, antes da ventosa.
 A maioria das sanguessugas, como o nome deixa claro, atua como ectoparasita de outros animais. Algumas espécies são predado-
ras de pequenos invertebrados. Quanto a locomoção, ela se dá com a utilização das duas ventosas alternadamente, em um mecanismo
conhecido por “mede-palmos”, embora muitos hirudíneos possam nadar por ondulações dorsiventrais do corpo. Em alguns lagos e
riachos do nosso país, é muito comum ver animais vertebrados e mesmo pessoas saindo da água com sanguessugas, presas nas mucosas
bucal e nasal ou na pele.
Uma sanguessuga é capaz de ingerir um peso de sangue três vezes  maior que seu próprio peso. Dessa forma o animal pode ficar
bastante tempo sem se alimentar, podendo, muitas vezes, levar até 9 meses para nutrir-se novamente.

Reino Animal - Vertebrados


 
Os vertebrados (do latim vertebratus, com vértebras) constituem um subfilo de animais cordados, compreendendo os ágnatos,
peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Caracterizam-se pela presença de coluna vertebral segmentada e de crânio que lhes protege
o cérebro.
Outras características adicionais são a presença de um sistema muscular geralmente simétrico – a simetria bilateral é também uma
característica dos vertebrados – e de um sistema nervoso central, formado pelo cérebro e pela medula espinhal localizados dentro da
parte central do esqueleto (crânio e coluna vertebral).
Os primeiros vestígios dos vertebrados foram encontrados no período Siluriano (há 444 a 409 milhões de anos).
 
Características e Classificação dos Cordados
Todo cordado apresenta, pelo menos em alguma fase de sua existência:
• notocorda, situada ao longo do eixo mediano dorsal do animal;
• um tubo nervoso localizado dorsalmente, acima da notocorda;
• fendas situadas bilateralmente na faringe;
• cauda pós-anal, primariamente importante para a propulsão no meio aquático. Dela, apenas um vestígio - o cóccix, formado
de um conjunto de vértebras pequenas no fim da coluna vertebral - restou nos seres humanos.
Nos grupos de invertebrados, as características morfológicas sempre foram definidas a partir do estudo de animais adultos. Nos
cordados, no entanto, a caracterização do grupo deve ser procurada na fase embrionária. É nessa fase que todo o cordado apresenta as
quatro características típicas do grupo: notocorda, tubo nervoso dorsal, fendas na faringe e cauda pós-anal.
Na fase adulta dos vertebrados mais complexos, essas estruturas ou desaparecem, como é o caso da notocorda e das fendas na farin-
ge, ou sofrem consideráveis modificação, como é o caso do tubo nervoso, que passa por uma grande expansão, levando à diferenciação
do encéfalo e da medula espinhal.
Uma classificação satisfatória dos cordados consiste em agrupá-los em três subfilos: Urochordata, Cephalochordata e Vertebrata
(ou Craniata). Os urocordados e os cefalocordados também são conhecidos como protocordados. Os protocordados não possuem crânio,
nem cartilagem, tampouco ossos.
Entre os vertebrados, os mais primitivos são os que possuem boca circular, não-dotada de mandíbulas. Estes compõem os grupos
dos vertebrados amandibulados ou ágnatos (do grego, a = ausência de + gnathos = maxila).
Por possuírem boca circular, também são conhecidos por ciclostomados (do grego, kúklos = circulo + stoma = boca). Os exemplares
mais conhecidos atualmente são as lampreias.
Nos vertebrados mais complexos, a boca possui mandíbulas. São os gnatostomados, que incluem dois grupos: o dos peixes - que,
por sua vez, contém a classe dos peixes cartilaginosos e dos peixes ósseos - e o dos tetrápodos (do grego, tetra =quatro + podos = pés),
assim chamados por possuírem apêndices locomotores pares (inclui os anfibios, répteis, aves e mamíferos).

 Subfilo Urochordata
Também conhecidos como tunicados, nome que se deve ao envoltório do corpo, uma túnica espessa, de cuja composição química
participa a tunicina, uma substância semelhante à celulose.
Os representantes mais conhecidos desse grupo são as ascídias, cordados marinhos que podem viver isolados ou formando colônias.
Uma das formas isoladas muito encontrada nas praias brasileiras lembra, no adulto, um pedaço de piche de aproximadamente 8 cm de
altura, preso por uma de suas extremidades ao substrato (rochas, cascos de navios etc.)
 As ascídias são hermafroditas. A fecundação é externa. Os gametas são levados pela água através do sifão exalante. Os ovos fer-
tilizados geram larvas, de pequeno tamanho. A larva, mostrada acima, parece muito com a larva de sapo (girino) o que sugere forte
parentesco com os vertebrados.

Didatismo e Conhecimento 32
BIOLOGIA
A larva das ascídias é livre natante. Os adultos são fixos. Na larva dos tunicados, a notocorda restringe-se à cauda.
Subfilo Cephalochordata
Os cefalocordados estão representados por animais conhecidos por anfioxos, que compreendem cerca de trinta espécies, todas
vivendo em ambiente marinho. A palavra anfioxo deriva do fato de esses animais terem o corpo afilado em duas pontas (anfi = dois).
Os anfioxos são animais pequenos chegando a medir até 8 centímetros de comprimento. Têm o corpo semelhante a de um peixe e
vivem semi-enterrados na areias, em locais de águas calmas e limpas, mantendo somente a parte anterior do corpo para fora do substrato.
 Embora passem a maior parte do tempo enterrados, eles podem nadar ativamente na água por curtos períodos de tempo. A natação
do anfioxo é semelhante a verificada nos peixes: resulta da contração dos miótomos, blocos musculares arranjados serialmente ao longo
do corpo. A contração alternada desses músculos de um lado e de outro do corpo promove um movimento lateral, que propulsiona o
animal para frente.
Esses animais possuem nadadeiras, mas, distintamente das verificadas nos peixes, são formadas apenas por dobras da pele, sem
elementos esqueléticos de sustentação em seu interior; elas possuem apenas reforço de tecido conjuntivo.
Assim como os urocordados, as fendas branquiais dos cefalocordados são bem desenvolvidas, indicando o hábito filtrador desses
animais. Em ambos os casos, essas fendas não se abrem diretamente para fora do corpo, mas em uma cavidade chamada de átrio.
Nos cefalocordados os cílios das fendas branquiais ou faringeanas promovem a entrada de água e a saída por um poro especial
denominado atrióporo. Eles obtêm o oxigênio e alimento de que necessitam através dessa circulação de água.
O sistema circulatório é formado apenas por vasos, alguns contráteis, responsáveis pela propulsão do sangue. Não possuem cora-
ção.
Os anfioxos são animais de sexos separados, com fecundação externa. Eles passam por um estágio larval plantônico, após o qual
se assentam no substrato e sofrem metamorfose, dando origem ao adulto.
O sistema nervoso dos cefalocordados, é bastante simplificado, sendo formado por um cordão nervoso dorsal, que apresenta uma
dilatação na região anterior denominada vesícula cerebral.
 
Subfilo Vertebrata ou Craniata
 
Os cordados vertebrados apresentam uma série de avanços com relação aos protocordados: massa encefálica protegida por uma
caixa craniana e uma coluna segmentada em vértebras. O subfilo Vertebrata possui aproximadamente 40.000 espécies vivas e é o maior
subfilo dos Chordata.

Ágnatos ou Ciclostomados: “Peixes” Primitivos e sem Mandíbulas


Estes animais não apresentam mandíbula e têm uma boca circular provida de ventosa com dentes córneos, com os quais perfuram
a pele dos peixes de que se alimentam. O corpo destes peixes é longo e cilíndrico, com a parte caudal achatada lateralmente, e revestido
por pele fina sem escamas.
 
Lampreia e seus dentes córneos
 
A pele é rica em glândulas produtoras de muco, especialmente nas mixinas, que o produzem em grande quantidade para se defen-
derem de predadores. O esqueleto é cartilagíneo, tal como os raios que sustentam as barbatanas dorsal e caudal em forma de remo. Não
possuem barbatanas pares.
 Nas lampreias a  notocorda persiste no adulto, envolvida por arcos neurais imperfeitos, sendo o eixo de sustentação do corpo.
Nas mixinas este eixo cartilaginoso é ainda mais incompleto (não mais que um cordão formado por nódulos cartilaginosos), o que
lhes permite enrolar o corpo num nó, tanto para se libertarem de predadores, como para se alimentarem.
Quando se alimentam, as mixinas formam um nó junto á cauda e deslocam-no até á cabeça, forçando a boca a arrancar um pedaço
de carne da presa.       
A respiração é feita por brânquias, geralmente 6 a 16 pares, em sacos branquiais laterais que abrem directamente para o exterior em
fendas branqueais, localizadas perto da cabeça. A temperatura do corpo é variável – ectotérmicos.
O sistema digestivo não apresenta estômago.  A boca é fechada ou aberta pelo movimento para trás e para a frente da língua, a
qual também apresenta os pequenos dentes córneos da ventosa, sendo usada para ferir a presa, principalmente nos indivíduos parasitas.
O sistema nervoso apresenta um encéfalo diferenciado, mas os órgãos dos sentidos variam com o tipo de animal. As lampreias
têm boa visão mas as mixinas são cegas, embora ambas as ordens apresentem um olfato e paladar apurados.A excreção é feita por rins
mesonéfricos.                  
Quase todos os agnátos passam a sua vida adulta no mar, migrando para se reproduzir, seja apenas para águas mais frias ou mesmo
para água doce. Nas lampreias os sexos são separados e a fecundação é externa. Os casais escavam pequenas covas rasas, onde colocam
os ovos fecundados e de seguida morrem. As larvas – amocetes -, são muito diferentes da forma adulta (parecem anfioxos), são cegas e
permanecem algum tempo nos rios (3 a 7 anos), enterradas em zonas arenosas e calmas onde filtram o seu alimento pois não apresentam
dentes. Sofrem depois uma rápida metamorfose e, se trata de espécies marinhas, migram para o oceano.  No caso das mixinas, estas são
hermafroditas e os ovos têm desenvolvimento direto, saindo os jovens dos ovos como miniaturas dos adultos. A sua reprodução decorre
sempre em água doce, onde os adultos também viverão.

Didatismo e Conhecimento 33
BIOLOGIA
Condrictes: Os Peixes Cartilaginosos
 
Os tubarões, raias e quimeras (peixes de águas profundas, também chamados de peixes-rato) desta classe (do grego chondros
= cartilagem + ichthys = peixe) são os vertebrados vivos mais primitivos com vértebras completas e separadas, mandíbulas móveis e
barbatanas pares.
Este grupo é antigo e representado por numerosos restos fósseis. Pertencem-lhe alguns dos maiores e mais eficientes predadores
marinhos. Todos possuem um esqueleto cartilagíneo, dentes especializados que se renovam ao longo da vida e uma pele densamente
coberta por escamas em forma de dente.
Praticamente todos são marinhos, embora existam espécies de tubarões e raias que penetram regularmente em estuários e rios, e, em
regiões tropicais, espécies de água doce.
 Todos os peixes cartilaginosos são predadores, embora os filtradores também ingerem fitoplâncton. Neste caso existem projeções
rígidas dos arcos branquiais, que funcionam como filtros. Grande parte da sua dieta é composta por presas vivas, embora consumam
igualmente cadáveres, quando disponíveis.
 
Tubarão filtrador
 
A maioria dos tubarões não apresenta mais de 2,5 m de comprimento mas alguns atingem 12 m e o tubarão-baleia 18 m, sendo estes
os maiores vertebrados vivos, com exceção das baleias.
As raias são igualmente pequenas, com cerca de 60-90 cm de comprimento, mas a raia-jamanta atinge 5 m de comprimento e 6 m
de envergadura.

Arraia 
 
Caracteristicas
Os tubarões, com o seu corpo fusiforme e aerodinâmico, têm grande interesse biológico, pois apresentam características anatômicas
básicas presentes em embriões de vertebrados superiores.
Esqueleto cartilagínoso
Sem ossos verdadeiros mas compostos por cartilagem resistente e flexível, mais ou menos reforçados por depósitos calcários, o
esqueleto é composto por um crânio ligado a uma coluna vertebral e cinturas peitoral e pélvica. A mandíbula (não fundida ao crânio)
e a maxila estão presentes. A notocorda é persistente nos espaços intervertebrais. Algumas espécies possuem coluna vertebral rija, em
tudo semelhante à dos peixes ósseos. Este tipo de esqueleto apenas suporta animais com mais de 10 metros de comprimento em meio
aquático, cuja densidade é superior à do ar.

Escamas placóides
A pele é rija e está coberta com escamas semelhantes a dentes (são compostas por uma placa de dentina na derme, revestida por
esmalte) com um espinho orientado para trás, bem como numerosas glândulas mucosas. Este revestimento confere à pele uma textura
de lixa, o que torna o animal mais hidrodinâmico. Algumas espécies de raias apresentam escamas grandes e espinhosas, enquanto outras
não apresentam escamas de todo.
Sistema nervoso
Encéfalo distinto e órgãos sensoriais muito desenvolvidos, que lhes permitem localizar presas mesmo quando muito distantes ou
enterradas no lodo do fundo. Estes órgãos incluem:
Narinas: localizadas ventralmente na extremidade arredondada da cabeça, capazes de detectar moléculas dissolvidas na água em
concentrações mínimas;
Ouvidos: com três canais semicirculares dispostos perpendicularmente uns aos outros (funcionando como um órgão de equilíbrio,
portanto, tal como em todos os vertebrados superiores);
Olhos: laterais e sem pálpebras, cuja retina geralmente apenas contém bastonetes (fornecendo uma visão a preto-e-branco mas bem
adaptada á baixa luminosidade);
Linha lateral: um fino sulco ao longo dos flancos contendo muitas pequenas aberturas, contém células nervosas sensíveis á pressão
(algo como um sentido do tacto á distância);
Ampolas de Lorenzini: localizadas na zona ventral da cabeça, são outros canais sensitivos ligados a pequenas ampolas que contém
eletrorreceptores capazes de detectar as correntes elétricas dos músculos de outros organismos;
Sistema digestivo
A boca é ventral com fileiras de dentes revestidos de esmalte (desenvolvidos de escamas placóides). Os dentes estão implantados na
carne e não na mandíbula, sendo substituídos continuamente a partir da parte traseira da boca, à medida que são perdidos.

Didatismo e Conhecimento 34
BIOLOGIA
 Sistema circulatório
Coração com 2 câmaras (aurícula e ventrículo) por onde circula apenas sangue venoso.
 
Sistema respiratório
As brânquias estão presas à parede de 5 a 7 pares de sacos branquiais, cada um com uma abertura individual em forma de fenda,
abrindo á frente da barbatana peitoral nos tubarões ou na superfície ventral das raias. Nas quimeras apenas existe uma fenda branquial.
As narinas não comunicam com a cavidade bucal mas com a faringe.
Os sacos branquiais podem contrair-se para expelir a água ou, como acontece na maioria dos tubarões, o animal usa uma espécie
de respiração a jacto, nadando ativamente com a boca e as fendas brânquiais abertas, mantendo um fluxo constante de água. Por esse
motivo, é frequente os tubarões afogarem-se quando presos em redes de pesca perdidas.
Geralmente existe um par de espiráculos atrás dos olhos, em ligação á faringe, que, nas espécies bentônicas, permitem a entrada de
água sem detritos para as brânquias. Não existe bexiga natatória;
 
Osteictes: Os Peixes Ósseos
 
Os peixes ósseos são o grupo mais vasto (correspondem a 9 em cada 10 espécies) e diverso de peixes atuais. Estes animais habitam
todos os tipos de água, doce, salobra, salgada, quente ou fria (embora a maioria seja limitada a temperaturas entre 9 e 11ºC). Esta é a
classe mais recente do ponto de vista filogenético, bem como a considerada mais evoluída. A taxonomia dentro desta classe tem sido
frequentemente alterada, devido à descoberta de novas espécies, bem como de novas relações entre as já conhecidas.
Tipicamente os peixes ósseos não são maiores que 1 m de comprimento mas existem formas reduzidas (certos gobies têm apenas 10
mm de comprimento) e gigantescas (espadarte com 3,70 m, o esturjão com 3,80 m e 590 Kg de peso ou o peixe-lua com 900 Kg de peso). 
Adaptaram-se a viver em condições por vezes difíceis, como lagos a grande altitude, zonas polares, fontes hidrotermais, charcos
com elevada salinidade ou pobres em oxigênio, etc.
Muitos peixes realizam migrações periódicas, seja de local para local, seja de águas profundas para a superfície, tanto para desovar
como para se alimentar.
As suas características principais incluem um corpo, mais alto que largo e de silhueta oval, o que facilita a deslocação através da
água. 
A cabeça estende-se da ponta do focinho á abertura do opérculo, o tronco daí ao ânus, para trás do qual se tem a cauda. O corpo
apresenta uma forte musculatura segmentar – miomeros -, separados por delicados septos conjuntivos.
O esqueleto é formado por ossos verdadeiros, embora algumas espécies possam apresentar ossos cartilagíneos (esturjão, por exem-
plo), com numerosas vértebras distintas, embora seja frequente a persistência de notocorda nos espaços intervertebrais. 
O esqueleto apresenta 3 partes principais: coluna vertebral, crânio e raios das barbatanas. Da coluna vertebral partem as costelas
e a cintura peitoral (não existe cintura pélvica, ligando-se essas barbatanas por meio de tendões, sem ligação á coluna vertebral). Nume-
rosos outros pequenos ossos sustentam os raios das barbatanas. 
 O crânio é articulado com as maxilas e mandíbulas, ambas bem desenvolvidas, e suporta os arcos branquiais. A articulação do crâ-
nio com a coluna vertebral é tão forte que os peixes não podem virar a cabeça. A cauda é geralmente homocerca.
A pele cobre todo o corpo e contém inúmeras glândulas mucosas, cuja secreção facilita o deslizar através da água e protege contra
infecções, e está coberta de no tronco e cauda. As escamas podem ser de várias formas, mas são sempre de origem dérmica. Algumas
espécies não apresentem escamas ou estas podem estar revestidas de esmalte. 
As escamas são finas, arredondadas e implantadas em fileiras longitudinais e diagonais, imbricadas como as telhas de um telhado.
As extremidades livres das escamas estão cobertas por uma fina camada de pele que protege de parasitas e doenças. Em algumas espé-
cies, esta camada de pele ajuda a manter a humidade quando o animal está emerso. 
Cada escama está fixa numa bolsa dérmica e cresce durante a vida do animal, o que geralmente origina anéis de crescimento (maio-
res no verão e muito pequenos no inverno). Estes anéis são mais notórios em peixes de regiões temperadas. Devido ao padrão de dis-
tribuição, forma, estrutura e número das escamas ser quase constante em cada espécie, esta é uma importante característica sistemática
desta classe.
As barbatanas são sustentadas por raios ósseos ou por vezes cartilagíneos. As barbatanas impares incluem duas dorsais e uma anal,
bem como barbatana caudal simétrica. A forma da barbatana caudal condiciona a forma de deslocação do animal: barbatanas arredon-
dadas aumentam a capacidade de manobra mas geralmente a velocidade é baixa, enquanto barbatanas bifurcadas ou em forma de foice
permitem grandes velocidades. A barbatana dorsal tem suporte esquelético e varia grandemente de forma, de acordo com os hábitos do
animal. As barbatanas pares são as peitorais, logo atrás do opérculo, e as pélvicas. Cada barbatana tem o seu próprio conjunto de mús-
culos, o que permite um movimento independente, aumentando a capacidade de manobra. 
Ao contrário dos peixes cartilagíneos, e devido à presença de bexiga natatória, os peixes ósseos não necessitam das barbatanas para
se manterem a flutuar, usando-as apenas para manobrar na água.

Didatismo e Conhecimento 35
BIOLOGIA
 Sistema nervoso
Inclui um encéfalo distinto e órgãos dos sentidos desenvolvidos, nomeadamente:
- Olhos - grandes, laterais e sem pálpebras, provavelmente apenas capazes de focar com precisão objetos próximos, mas que perce-
bem facilmente movimentos distantes, incluindo acima da superfície da água. A retina contém cones e bastonetes, o que permite visão
a cores na maioria dos casos;
- Ouvidos - com três canais semicirculares dispostos perpendicularmente uns aos outros (funcionando como um órgão de equilíbrio,
portanto, tal como em todos os vertebrados superiores), permitem uma audição apurada, até porque o som se propaga bastante bem den-
tro de água. Muitos peixes comunicam entre si produzindo sons, seja esfregando partes do corpo entre si, seja com a bexiga natatória;
- Narinas – localizadas na parte dorsal do focinho, comunicam com uma cavidade coberta de células sensíveis a moléculas dissol-
vidas na água;
- Linha lateral – localizada longitudinalmente ao longo do flanco do animal, é composta por uma fileira de pequenos poros, em
comunicação com um canal abaixo das escamas, onde se encontram mecanorreceptores. A eficácia deste sistema para detectar movi-
mentos e vibrações por ele causadas na água permite a formação de cardumes, fundamental como estratégia de defesa destes animais.
Sistema digestivo
Tem a boca grande em posição terminal, rodeada de maxilas e mandíbulas distintas, onde estão implantados dentes cônicos e fi-
nos. Existem outros dentes, localizados nos primeiros arcos branquiais, úteis para prender e triturar o alimento. Na boca existe ainda uma
pequena língua, ligada ao chão da cavidade e que ajuda nos movimentos respiratórios.
 
Sistema circulatório
Tem um coração com duas cavidades (aurícula e ventrículo) por onde circula apenas sangue venoso. O sangue é pálido e escasso,
quando comparado com um vertebrado terrestre.
Sistema respiratório
Apresenta tipicamente brânquias em forma de pente, sustentadas por arcos branquiais ósseos ou cartilagíneos e localizadas no inte-
rior de uma câmara comum de cada lado da faringe. Essa câmara está coberta por um opérculo, fino e de margens livres abaixo e atrás.
Os arcos branquiais apresentam expansões que protegem os filamentos brânquiais de partículas duras e evitam a passagem de alimento
pelas fendas branquiais.Nas branquias existe um mecanismo de contracorrente entre a água e o sangue que as irriga, aumentando a efi-
ciência das trocas gasosas. 
 Geralmente existe bexiga natatória, um grande saco de paredes finas e irrigadas derivado da zona anterior do intestino, que ocupa
a zona dorsal da cavidade do corpo. Esta cavidade está preenchida com gases (O2, N2, CO2), atuando como um órgão hidrostático, ajus-
tando o peso do corpo do peixe consoante a profundidade. O ajuste faz-se por secreção ou absorção dos gases para o sangue. 
A capacidade da bexiga natatória é superior nos peixes de água doce pois esta é menos densa que a salgada, não podendo sustentar
o peixe com a mesma facilidade. A bexiga natatória pode ajudar na respiração (peixes pulmonados) ou como caixa de ressonância de
órgãos dos sentidos ou produção de sons.
 
Sistema excretor
É formado por rins mesonéfricos.
 
Sistema reprodutor
Os sexos são separados, apresentando cada indivíduo gônadas geralmente pares. A grande maioria é ovípara com fecundação exter-
na, embora existam espécies com fecundação interna e hermafroditas. 

Algumas espécies passam por mudanças de sexo, com machos que passam a fêmeas aumentando de tamanho e as fêmeas que se
tornam dominantes nos cardumes, ao passarem a machos.  Os ovos são pequenos e sem anexos embrionários mas com quantidade de
vitelo muito variável. As espécies de mar alto produzem enormes quantidades de ovos, pois a maioria não sobrevive, que passam a fazer
parte do plâncton, enquanto espécies costeiras os colocam entre detritos e folhas ou no fundo. Algumas espécies cuidam dos ovos e/ou
dos juvenis, guardando os ninhos e mantendo-os oxigenados com jorros de água. Outros incubam os ovos na boca ou permitem que os
jovens lá se recolham quando ameaçados.

 Anfíbios
 
Nas proximidades de riachos, lagoas, açudes, banhados e outras áreas alagadas, você pode escutar os sons dos anfíbios - sapos, rãs,
pererecas.
O que são anfíbios, afinal? A palavra anfíbio, de origem grega, significa “vida dupla”, porque esses animais são capazes de viver no
ambiente terrestre na fase adulta, mas dependem da água para a reprodução.

Didatismo e Conhecimento 36
BIOLOGIA
Na evolução da vida no nosso planeta, os anfíbios foram os primeiros vertebrados a ocupar o ambiente terrestre, embora não
efetivamente. Além de possuírem uma pele muito fina que não protege da desidratação, eles colocam ovos sem casca, que ficam resse-
cados se permanecerem fora da água ou de ambientes úmidos. Assim, esse grupo de animais, não é independente da água, já que pelo
menos uma fase da vida, da maioria dos anfíbios, acontece na água e eles precisam dela para a reprodução 
 Cobertura e temperatura do corpo
Não possuem pelos nem escamas externas. São incapazes de manter constante a temperatura de seu corpo, por isso são chamados
animais de sangue frio (pecilotérmicos).
A pele fina, rica em vasos sanguíneos e glândulas, através da respiração, permite-lhes, a absorção de água, que funciona como defesa
orgânica. Quando estão com “sede”, os anfíbios encostam a região ventral de seu corpo na água e a absorvem pela pele.
As glândulas em sua pele são de dois tipos: mucosas, que produzem muco, e serosas, que produzem veneno. Todo o anfíbio pro-
duz substâncias tóxicas. Existem espécies mais e menos tóxicas e os acidentes com humanos somente acontecerão se essas substâncias
entrarem em contato com as mucosas ou sangue.
 
Salamandra
 
Respiração
No estágio da vida aquática, quando são larvas, os anfíbios respiram por brânquias, como os peixes. Quando adultos, vivem em
ambiente terrestre e realizam a respiração pulmonar. Como os seus pulmões são simples e têm pouca superfície de contato para as tro-
cas gasosas, a respiração pulmonar é pouco eficiente, sendo importante a respiração cutânea - processo de trocas de gases com o meio
ambiente através da pele.
A pele deve, necessariamente, estar úmida, pois os gases não se difundem em superfícies secas. As paredes finas das células su-
perficiais da pele permitem a passagem do oxigênio para o sangue. A pele dos anfíbios é bem vascularizada, isto é, com muitos vasos
sanguíneos.
 
Nutrição, digestão e excreção
Na fase adulta, que ocorre no ambiente terrestre, os anfíbios são carnívoros. Alimentam-se de minhocas, insetos, aranhas, e de
outros vertebrados.
A língua, em algumas espécies de anfíbios é uma das suas características adaptativas mais importantes. Os sapos caçam insetos em
pleno vôo, utilizando a língua que é presa na parte da frente da boca e não na parte mais interna. Quando esticada para fora da boca, a
língua desses animais alcança uma grande distância, além de ser pegajosa, outro fator facilitador na captura da presa.
Possuem estômago bem desenvolvido, intestino que termina em uma cloaca, glândulas como fígado e pâncreas. Seu sistema diges-
tório produz substâncias capazes de digerir a “casca” de insetos.
Os anfíbios fazem a sua excreção através dos rins, e sua urina é abundante e bem diluída, isto é, há bastante água na urina, em relação
às outras substâncias que a formam. 
Circulação
Os anfíbios têm circulação fechada (o sangue circula dentro dos vasos). Como ocorre mistura de sangue venoso (rico em gás car-
bônico) e arterial (rico em oxigênio) a circulação neste grupo de animais é do tipo  incompleta. O coração dos anfíbios é dividido em três
cavidades: dois átrios ou aurículas e um ventrículo.
 
Reprodução
O lugar para a reprodução dos anfíbios varia entre as espécies. Pode ser uma poça transitória formada após uma chuva , um rio, lago
ou um açude. Há também os que procriam na terra, desde que seja bem úmida.

O acasalamento da maioria dos anfibios acontece na água. O coaxar do sapo macho faz parte do ritual “pré-nupcial”. A fêmea no seu
período fértil, é atraída pelo parceiro sexual por meio do seu canto e do seu coaxar.
 Nos numerosos ovos protegidos por uma grossa camada de substâncias gelatinosa, que geralmente se prendem às plantas aquáticas,
as células vão se dividindo e formando embriões. Os ovos fecundados eclodem e as larvas denominadas girinos, vivem e crescem na
água até realizarem a metamorfose para a vida adulta.
 
Metamorfose
A metamorfose envolve uma série de transformações e é um processo bastante lento que transforma o anfíbio jovem (girino) em
adulto. Durante esse processo desaparecem as brânquias e desenvolvem-se os pulmões. E surgem também as patas no corpo do animal.
Nessa fase, os girinos se alimentam primeiramente da própria gelatina que os envolve e depois de algas e plantas aquáticas micros-
cópicas.

Didatismo e Conhecimento 37
BIOLOGIA
Reproduzem-se através de ovos moles e sem casca, postos na água ou em lugares encharcados, dando origem a uma larva e depois
a um adulto através do processo de metamorfose. Existem exceções a essa regra, alguns deles são vivíparos.
Em geral, não existe cuidado com a prole dentre os anfíbios
  São divididos em três grupos: os sapos, as rãs, as pererecas Anura, as salamandras Caudata e as cecílias Apoda.

 Aves - vertebrados homeotermos com corpo coberto por penas


 
As aves (latim científico: Aves) constituem uma classe de animais vertebrados, tetrápodes, endotérmicos, ovíparos, caracterizados
principalmente por possuírem penas, apêndices locomotores anteriores modificados em asas, bico córneo e ossos pneumáticos. São
reconhecidas aproximadamente 9.000 espécies de aves no mundo. 
As aves conquistaram o meio terrestre de modo muito mais eficiente que os répteis. A principal característica que permitiu essa
conquista foi, sem dúvida, a homeotermia, a capacidade de manter a temperatura corporal relativamente constante à custa de uma alta
taxa metabólica gerada pela intensa combustão de alimento energético nas células.
Essa característica permitiu às aves, juntamente com os mamíferos, a invasão de qualquer ambiente terrestre, inclusive os perma-
nentemente gelados, até então não ocupados pelos outros vertebrados.
As aves variam muito em seu tamanho, dos minúsculos beija-flores a espécies de grande porte como o avestruz e a ema. Note que
todos os pássaros são aves, mas nem todas as aves são pássaros.
 
A circulação
Uma característica que favorece a homeotermia nas aves é a existência de um coração totalmente dividido em quatro cavidades:
dois átrios e dois ventrículos.
 
Digestão e excreção em aves
As aves consomem os mais variados tipos de alimentos: frutos, néctar, sementes, insetos, vermes, crustáceos, moluscos, peixes e
outros pequenos vertebrados. Elas possuem um sistema digestivo completo, composto de boca, faringe, esôfago, papo, proventrículo,
moela, intestino, cloaca e órgãos anexos (fígado e pâncreas).
Ao serem engolidos os alimentos passam pela faringe, pelo esôfago e vão para o papo, cuja função é armazenar e amolecer os
alimentos. Daí eles vão para o proventrículo, que é o estômago químico das aves, onde sofrem a ação de sucos digestivos e começam a
ser digeridos. Passam então para a moela (estômago mecânico) que tem paredes grossas e musculosas, onde os alimentos são triturados.
As aves possuem uma bolsa única, a cloaca, onde desembocam as partes finais do sistema digestivo, urinário e reprodutor e que se abre
para o exterior. Por essa bolsa eles eliminam as fezes e a urina e também põem os ovos.

Sistema Reprodutor
 
Diferentes de seus parentes répteis, que às vezes dão à luz a seus filhotes, todas as espécies de aves põem ovos. Apesar dos ovos
parecerem bastante frágeis, seu formato oval oferece grande resistência e eles podem suportar grandes pressões sem quebrar. Como os
ovos são pesados e incômodos de carregar, as fêmeas colocam os ovos assim que são fertilizadas, quase sempre em um ninho construído
para proteger o ovo contra predadores e para mantê-lo aquecido durante o desenvolvimento do embrião.
 
 Adaptações ao vôo 
No seu caminho evolutivo, as aves adquiriram várias características essenciais que permitiram o vôo ao animal. Entre estas podemos
citar: 
- Endotermia
- Desenvolvimento das penas
- Aquisição de ossos pneumáticos
- Perda, atrofia ou fusão de ossos e órgãos
- Aquisição de um sistema de sacos aéreos.
- Postura de ovos
- Presença de quilha, expansão do osso esterno, na qual se prendem os músculos que movimentam as asas
- Ausência de bexiga urinária 
 - Mamíferos
 
As aves e os mamíferos são os únicos homeotermos da Terra atual e os únicos a apresentar glândulas mamárias. A capacidade de
manter a temperatura do corpo elevada e constante foi o principal fator adaptativo dos representantes desse grupo à praticamente qual-
quer ambiente terrestre.

Didatismo e Conhecimento 38
BIOLOGIA
Muitos mamíferos voltaram para o meio aquático (baleias, foca, golfinho, peixe-boi) e outros adaptaram-se ao vôo (morcego) e
compartilham o meio aéreo com as aves e os insetos.
 
As características dos mamíferos
Algumas características diferenciam os mamíferos de todos os outros vertebrados:
- glândulas mamárias produtoras de leite com substâncias nutritivas para alimentação dos recém-nascidos;
- corpo coberto por pêlos, estruturas de origem epidérmica, ricas em queratina, e elaboradas por folículos pilosos;
- artéria aorta voltada para o lado esquerdo do coração (nas aves, a aorta é voltada para o lado direito do coração);
- pele contendo glândulas sebáceas, cuja secreção oleosa lubrifica os pelos e a própria pele, e glândulas sudoríparas, produtoras
de suor (na verdade, um filtro de água, sais e uréias), recurso de manutenção da homeotermia e via de eliminação de excretas. Ambas as
glândulas têm origem epidérmica;
- músculo diafragma, localizado entre o tórax e o abdômen, utilizado na ventilação pulmonar;
- placenta, órgão que regula as trocas de alimento entre o sangue materno e o sangue fetal, presente na maioria dos mamíferos
chamados placentários.
  
Respiração, excreção e circulação em mamíferos

As trocas gasosas respiratórias ocorrem exclusivamente nos pulmões, cuja superfície é ampliada por alvéolos ricamente vasculari-
zados. Os movimentos respiratórios de inspiração e expiração ocorrem graças à ação de músculos localizados entre as costelas (muscu-
latura intercostal) e, também, pela ação do diafragma, importante músculo estriado que separa o tórax do abdômen.
Nos mamíferos, o principal produto de excreção nitrogenada é a ureia, substância sintetizada no fígado e filtrada no rim.
O coração dos mamíferos, a exemplo das aves, possui quatro cavidades: dois átrios e dois ventrículos. Não há misturas de sangues.
A diferença em relação ao coração das aves é que a artéria aorta, que encaminha o sangue oxigenado para o corpo, é curvada para o lado
esquerdo do coração. A circulação é dupla e completa.
 
 Os dentes

Os mamíferos apresentam uma grande variedade de dentes com funções específicas. Os incisivos são planos e servem para cortar;
os caninos são pontiagudos e são usados para estraçalhar a carne. Os molares são largos e com protuberâncias e servem para mastigar. O
número e o tipo de dentes variam de acordo com a alimentação de cada espécie. Os carnívoros possuem os caninos e os molares muito
desenvolvidos; os herbívoros não têm caninos, já que não precisam deles para cortar o pasto.
 
Sistema nervoso
O cérebro dos mamíferos possui muitas circunvoluções ou dobras, que aumentam a superfície do órgão e o número de células
nervosas. Por esta razão, os mamíferos desenvolveram um comportamento complexo, que pode ser percebido em atitudes como as
estratégias de caça, o cuidado com os filhotes, a adaptação a qualquer ambiente e os diferentes sistemas de comunicação estabelecidos
entre os indivíduos da mesma espécie.
 
A reprodução: surge a placenta
 
Os sexos são separados. O dimorfismo sexual é acentuado, isto é, as fêmeas possuem características externas que as diferenciam
dos machos e vice-versa. A fecundação é interna. Na grande maioria, o desenvolvimento embrionário ocorre no interior do corpo mater-
no, em um órgão musculoso chamado útero. Surge um órgão de trocas metabólicas, a placenta organizada por tecidos maternos e tecidos
do embrião. Alimentos, oxigênio, anticorpos e hormônios são passados do sangue materno para o embrionário que, em troca, transfere
para a mãe excretas e gás carbônico.
A vesícula amniótica, muito desenvolvida, desempenha importante papel protetor ao amortecer choques que incidem contra a pare-
de abdominal da fêmea e também ao possibilitar um meio aquático para o desenvolvimento embrionário. A vesícula vitelínica e alantóide
perdem sua função, que passa a ser desempenhada pela placenta.
 
Classificação dos mamíferos
Na Terra atual existem três subclasses de mamíferos:
- monotremados. São mamíferos primitivos cuja boca possui bico córneo e que se reproduzem por meio da postura de ovos. Os
representantes atuais, os ornitorrincos e as equidnas restringem-se à região australiana (Austrália e Nova Guiné);

Didatismo e Conhecimento 39
BIOLOGIA
Ornitorrinco
- marsupiais. Esse grupo inclui representantes da fauna australiana, como os cangurus e os coalas, e representantes norte-america-
nos e sul-americanos, como os nossos gambás e cuícas. Após curta fase de desenvolvimento em uma dobra da pele do abdômen da mãe,
com aspecto de bolsa, o marsúpio;

Ogato-tigre, Dasyurus maculatus, um dos maiores marsupiais carnívoros da Austrália.


- placentários. Inclui a maioria dos mamíferos, separados em ordens como a dos carnívoros, roedores, ungulados, cetáceos, qui-
rópteros e a dos primatas, à qual pertence a espécie humana. Nesses animais, útero e placenta são bem desenvolvidos, o que permite o
desenvolvimento no interior do organismo materno.

5.2.2. MORFOLOGIA E FISIOLOGIA


COMPARADA DOS ANIMAIS

Teoria de explicação do bipedalismo a mais aceita diz que o bipedalismo surgiu nas arvores e não no solo. Osprimatas subiam em
arvores e ficavam em pé para apanhar frutos. E com oconjunto das pressões das outras teorias (caça, clima, sociedade,comportamento,
controle da temperatura), surgiu o bipedalismo no solo.
Cintura pélvica e vantagem no bípede:
Nos humanos é mais larga e mais curta do que a de um quadrúpede. Por se mais larga ela sustenta o peso do corpo que agora está
apenas em dois apoios. E por ser mais curta ela desloca a cabeça do fêmur aproximando-a do cocix (fim da coluna), fazendo com que o
centro da gravidade abaixe e o equilíbrio melhore.
Modificações Sofridas no Autopodium (pé):
Deslocamento do dedo opositor que agora se junta aos outros, ajudando no suporte ao peso; Mudança no arco do pé gerando mu-
dança no movimento e transição das forças. No humano surge uma nova área no pé (bola do pé) que aumenta a área de contato com o
solo e assim recebe toda a força na hora de caminhar (em primatas a força se concentra nos dedos o que gasta mais energia). Essa nova
área reduz o gasto energético.
Femur:
Mudança na angulação do pescoço do fêmur em relação a cintura pélvica fazendo com que a flexão do joelho melhore; Aumento do
tamanho do fêmur para a perna funcionar como pendulo e diminuir o gato energético.
Gasto de energia e bipedalismo
O humano tem menos gasto energético que chipanzé pois estes demandam mais energia muscular para se locomover pois tem mais
ponto de articulação, com isso os humanos podem tranferir essesgastos energético para outras funções, como reprodução e alimentação.
Gene Hox
Genes regulatórios que sintetizam proteínas especificas que são capazes de monitorar (ligar ou desligar) mais de 100 genes estru-
turais.
São importantes na formação dos corpos dos seres vivos pois são responsáveis pelo posicionamento correto das estruturas corporais.
Importância do Gene Hox para entender filogenias: uma simples duplicação do gene ou aumento de suas expressões pode gerar mudan-
ças morfológicas no individuo e consequentemente mudanças entre grandes grupos animais ou até mesmo mudanças no filo. Estudando
as mudanças ou alterações socorridas nesses genes, pode-se entender a evolução dos grupos.Porque os Genes Hox são redundantes: Um
ou mais genes podem ser responsáveis por determinar uma mesma características. O que é bom porque se um gene falhar o outro pode
suprir a função normalmente. Ex Gene Hox 11e 12 determinam as vértebras toráxicas.
Sistema Digestivo
Converte uma refeição em um combustível útil para o corpo, degradando grandes moléculas contidas de forma que possam ser ab-
sorvidas e ficar disponíveis para o uso no corpo. Em adultos inclui o trato digestivo e glândulas digestivas acessórias que revestem o trato
liberando secreções diretamente no lúmen. As principais glândulas do trato digestivo são as glândulas salivares, o fígado e o pâncreas.
O canal alimentar é diferenciado em quatro regiões:

Esôfago

Intestino delgado

Intestino Grosso - Na maioria dos vertebrados o canal alimentar termina em uma cloaca, porém alguns peixes e na maioria dos
mamíferos a cloaca é ausente e os intestinos e o trato urogenital tem portais separados de saída.

Didatismo e Conhecimento 40
BIOLOGIA
 FUNÇÕES

Receber o alimento
 1º Manipulação
- Armazená-lo
- Reduzí-lo física e quimicamente
Absorver as partículas úteis

Armazenar os restos indigeríveis ou inúteis


COMPONENTES1. Cavidade bucal
Composta por dentes que podem triturar o alimento e iniciar a digestão (Os dentes heterodontes, aumentam a superfície de contato,
destruindo e digerindo o alimento mais rápido), língua, que é útil em animais terrestres e palato, que separa a respiração da digestão.
Glândulas salivares abrem para seu interior,iniciando a digestão química, umedecem os alimentos e podem estar modificadas como em
serpentes. As bochechas evitam que o alimento saia pelas laterais da cavidade bucal durante a mastigação, servindo de reserva de ali-
mento como em alguns roedores e macacos do velho mundo, onde estes expandem as bochechas e guardam temporariamente o alimento
recolhido para ser mastigado mais tarde ou levado ao esconderijo.

Palato
Formado a partir da fusão de ossos ventrais do crânio acima da boca.Na maioria dos peixes, o palato primário é um teto sem aber-
turas. Nos ripidístio e tetrápodes, as passagens nasais chegam até a boca através de aberturas pareadas no palato primários, a narinas
internas ou coanas. O palato secundário, formando em mamíferos e alguns repteis separa as passagens nasais da boca.
Dentes
- Únicos entre os animais vertebrados, normalmente recobertos por esmalte, ajudam a pegar e segurar a presa, sendo nos mamíferos
e alguns outros vertebrados o inicio da digestão mecânica, reduzindo em pedaços menores, tornando a deglutição mais fácil, o que tam-
bém aumenta a superfície exposta a digestão química.
Língua
- Ciclóstomos possuem língua derivada não da musculatura hipobranquial, mais sim do assoalho da faringe. A maioria dos peixes
gnatotosmados não tem língua. Uma língua móvel se desenvolve nos tetrápodes a partir da musculatura hipobranquial, ligada e apoiada
no aparato hióide subjacente, um derivado esquelético das extremidades inferiores modificadas do arco hióide e arcos branquiais adja-
centes.Muitos tetrápodes tem papilas gustativas, órgãos sensoriais a substâncias químicas que entram na boca. Muitos também usam a
língua na alimentação, como salamandras que projetam a língua para fora da boca sobre a presa, ou os pica-paus, que utilizam a língua
como uma sonda para obter insetos em fendas de cascos de arvores ou nos buracos que fabricam.
Filogenia da Cavidade BucalAgnatha
Cavidade bucal pequena
 –
faringe especializada (pode formar uma “língua” branquiais para bombear alimento)
- Geralmente filtradores.
“Peixes”:
Grande variação e adaptabilidade, como cascudos que são raspadores de substrato, predadores com boca grande e capacidade de
expandir a cavidade bucal e tubarões que podem projetar a mandíbula;cavidade oral e faringe distensíveis; barras branquiais filtradoras,
diversos tipos de dentes, língua fixa; poucas glândulas.
Tetrapoda:
aumento da cavidade oral, estruturas para umidificar (glândulas salivares) e digerir o alimento (mecânica e quimicamente); língua
derivada dos raios branquiais 2 a 4
 –
aparato hióideo (alimentação e controle dos sons). Em alguns é protraível para capturar alimentos.

Faringe
No adulto, simples passagem da cavidade oral para o esôfago; no embrião, importante na formação de diversas estruturas (ex.: timo,
partes do ouvido médio, partes da língua); A perda da válvula vallecula ( reduz a chance de engasgar) permitiu a fala em humanos.

Trato digestorio
Subdividido em esôfago, estômago, intestino delgado (ocorre a digestão propriamente dita), intestino grosso. Anatomia semelhante,
e pequenas diferenças separam essas partes:

Didatismo e Conhecimento 41
BIOLOGIA
   Esôfago
Conecta a faringe ao estômago; muscular, produz muco para lubrificar, mas não enzimas digestivas que contribuem na digestão
química; pode ser ciliado em alguns grupos controlando o fluxo do muco lubrificante ao redor do alimento, esse epitélio ciliado também
pode ajudar a reunir pequenos pedacinhos da refeição e movê-los para o estomago. EM outros o epitélio é estratificado ou ate mesmo
queratinizado naqueles que ingerem alimentos ásperos ou abrasivos. Em vertebrados que engolem grandes quantidades de comida de
uma vez, funciona como local de armazenamento temporário.

Estômago
Ausentes em protocordados com exceção de alguns urocordados. Altamente distensível, bastante pregueado quando vazio; divido
em quatro regiões funcionais (microscopicamente diferentes):
 –
Esofágica (longa em animais que ingerem alimento duro)
 –
Cárdica (mamíferos  – transição entre esôfago e estômago)
 –
Fúndica (onde ocorre a liberação de enzimas digestivas e ácido clorídrico  –
 suco gástrico – digerindo proteínas, gorduras, e com pequena absorção e aumenta o tempo de conservação do alimento interna-
mente)
 –
Pilórica (transição para o intestino) Neutraliza a acidez. Limitado cranialmente pelo esfíncter cárdico e caudalmente pelo esfínc-
ter pilórico.

Filogenia de Esôfago e Estomago

Agnata: ausente, bem como em todas as formas micrófagas


“Peixes”: esôfago e estômago fundidos; retilíneos ou em forma de J ou U.
Anfíbios: esôfago curto ciliado, com muitas glândulas mucosas; estômago simples retilíneo.
Répteis: esôfago mais longo (pescoço) ciliado apenas nas espécies que se alimentam de partículas macias; estômago simples (mus-
cular e grande em Crocodilianos).
Aves: Esôfago longo e cornificado; presença de papo (dilatação do esôfago.
 –  armazenagem de alimento; região fúndica - proventrículo (digestão química); região pilórica
- moela ou ventrículo (digestão mecânica)
Mamíferos: esôfago longo e sem cílios; estômago simples e saculiforme ou altamente compartimentalizado (espécies herbívoras).

Intestinos

Local da digestão final e absorção dos nutrientes; apresenta vilosidades e microvilosidades que aumentam a área de superficial de
absorção do canal alimentar. Recebe enzimas de outros órgãos (fígado e pâncreas) e também secreta outras específicas.É dividido em
delgado e grosso. O intestino delgado é mais longo, maior parte da digestão e absorção de nutrientes, devido as vilosidades. Dividido em
três partes: duodeno, que recebe o quimo do estomago e secreções exócrinas primeiramente do fígado e pâncreas; o jejuno e íleo mais
bem delineados nos mamíferos. O intestino grosso (cólon) é mais curto, sem vilosidades, absorção principalmente de água.

Filogenia do intestino

Agnatha: estende-se da faringe à cloca, retilíneo; sem diferenciação.


Condrichthyes: intestino dobrado, com válvula tiflossole. Glândula retal para excreta de sais.
Ostheichthyes: intestino mais longo, com tiflossole nos grupos basais, e secos pilóricos nas espécies recentes (Teleostei).
Amphibia: Girinos com intestino longo, adultos intestino curto e simples; pequena separação entre intestino delgado e grosso.
Reptilia: Intestino retilíneo em serpentes, mais enrolado em outras espécies;diferenciação entre intestino delgado e grosso.
Aves:Intestino delgado longo, com uma alça no duodeno firmemente unida ao pâncreas; intestino grosso curto e reto; bolsa cloacal
com função imunológica.

Mammalia: grande variação dentro do grupo, tanto em tamanho quanto em formas.

Didatismo e Conhecimento 42
BIOLOGIA
Fermentadores gástricos X intestinais

Fermentação Gástrica
Digestão da celulose é concentrada próxima ou em um estomago especializado. Possui quatro câmeras ( Rumem, reticulo, omaso e
Abomaso).Quando um ruminante se alimenta inicialmente se acumula no rúmen, que mantém e fermenta o alimento. Posteriormente, o
alimento do rúmen é regurgitado de volta para a boca, remastigado e engolido novamente. Esse processo é repetido até que tenha havido
uma completa degradação mecânica do material vegetal e ataque químico da celulose (fermentação). Vantagem: Maior aproveitamento
do alimento Desvantagem: Maior tempo de digestão Fermentação intestinal Digestão concentrada no intestino. Apresentam grande
cecos os quais possuem bactérias que fazem a digestão da celulose. Vantagem: Maior aproveitamento de nutrientes que são solúveis em
quanto passam pelo intestino delgado mais rápido. Desvantagem: Não absorve totalmente a celulose.

Glândulas Anexas

Fígado e vesícula biliar 


Presente em todos os vertebrados, o fígado é o segundo maior órgão do corpo humano, superado apenas pela pele. No inicio da vida
está diretamente envolvido na produção de eritrócitos e, depois na destruição dos velhos. Por toda a vida, desintoxica e remove subs-
tancias toxicas do sangue. Forma bastante homogênea entre os grupos (geralmente bilobado); na digestão,participa do processamento e
armazenamento de vitaminas, eliminação de substâncias tóxicas, emulsificação da gordura.
A bile, armazenada na vesícula biliar é o produto exócrino do fígado, o qual atua principalmente emulsionando gorduras, liberado
em quantidades suficientes quando o quimo entra no intestino. È ausente nos ciclóstomos, na maioria das aves e em alguns poucos ma-
míferos, sendo presente nos demais vertebrados. O motivo de estar ausente em alguns e presentes em outros não está claro.

Pâncreas
Desenvolvimento intimamente associado ao desenvolvimento do fígado, surge a partir de dois divertículos pancreáticos. Presente
em todos os vertebrados, tanto como glândula exócrina ou endócrina. É uma glândula anfícrina, produz enzimas para praticamente todos
as substâncias ingeridas; produz insulina glucagon que regulam o metabolismo de açúcar (diabetes).
Sistema Excretor 
Tem a função de eliminar resíduos metabólicos, primeiramente a amônia, e regulação do equilíbrio hídrico e de eletrólitos. Anato-
micamente inclui os rins e dutos que transportam a urina.
Osmorregulação
Manutenção dos níveis de sal e água relacionada a diferenças existentes entre o meio externo e o interno. Realizada por glândulas
específicas, brânquias e intestino nos animais aquáticos, e rins nos terrestres

Excreção
Remoção dos compostos secundários originados do metabolismo de proteínas e ácidos nucleicos. Relacionada à eliminação da amô-
nia ou outros compostos realizado por brânquias e rins nos animais aquáticos e rins nos terrestres A osmorregulação é pouco importante
no ambiente terrestre, já no aquático resolve os problemas de equilíbrio de sais. Em vertebrados terrestres, os rins recuperam a água antes
de ser eliminada do corpo. No ambiente aquático, a água pode se movimentar para dentro ou para fora do corpo.
Em relação a água doce, o corpo do peixe é hiperosmotico, ou seja, os fluidos do corpo é mais concentrado do que a água ao redor,
sendo o principal problema eliminar o corpo do excesso de água onde o rin é projetado para eliminar grande quantidade de urina diluída.
Os peixes de água salgada são hiposmoticos, tendo tendência a desidratação onde o corpo é menos concentrado que o meio. A água tende
a ser sugada pelo corpo. Para recuperar a água perdida, podem beber, mais com isso precisam excretar o excesso de sal ingerido junto
com a água do mar, com isso os rins são projetados para eliminar pouca água, reduzindo o problema de perda. Para resolver o problema
de excesso de sal, as brânquias e algumas vezes glândulas especiais se tornam parceiras com os rins no trabalho de osmorregulação. Ani-
mais isosmóticos tem um equilíbrio na concentração de sais do corpo em relação ao meio, não tende tendência da água se mover para
fora ou para dentro do corpo, não oferecendo problemas de desidratação ao animal.Todos os vertebrados, exceto as feiticeiras, os con-
drictes, os celacantos e alguns anfíbios são osmorreguladores.

Excreção
Possui três processo básicos para a excreção: Filtração, reabsorção e filtrção Rins de Secreção: Presente na maioria dos insetos e al-
guns outros invertebrados, onde a urina é formada pela secreção dos constituintes nos túbulos ao longo do trajeto.Rins filtradores: verte-
brados e a maioria dos crutáceos, anelídeos e moluscos,onde grande quantidade de fluidos e solutos passam imediatamente do glomérulo
para dentro da cápsula renal, formando um filtrado glomerular que conforme se move ao longo do túbulo, a secreção seletiva adiciona al-
guns constituintes, porem, a maioria da água e dos solutos inicialmente filtrados e absorvida de volta para os capilares entrelaçados com
os túbulos.È desvantajoso para os peixes hiposmóticos, uma vez que vivem em água salgada e não pode formar grande volume de urina,
onde parte do nefron que contribuem para a perda de água estão ausentes, especificamente o gloméruloe o túbulo distal.Os mamíferos e
em menor grau as aves possuem modificações na alça de Henle que conservam a água, esta cria um ambiente ao redor dos túbulos que
favorece a absorção da água antes que ela seja secretada, a urina então se torna mais concentrada e o rim favorece a conservação da água.

Didatismo e Conhecimento 43
BIOLOGIA

A amônia é extremamente toxica e deve ser eliminada mais rápido possível do organismo tendo três tipos fundamentais, mais rela-
cionada com o ambiente emque o animal vive do que com a filogenia:
Amoniotelismo  – eliminação direta da amônia. Comum em animais que vivem na água.
A amônia é solúvel em água e uma grande quantidade de água é necessária para eliminá-la dos tecidos corpóreos. Para os vertebra-
dos aquáticos, a água é abundante sendo a amônia eliminada através do epitéliobranquial, da pele ou de outras membranas permeáveis
por água.
Uricotelismo  – eliminação de acido úrico. Necessário menos água para excretar. A amônia é convertida em acido úrico que é menos
toxico.
Ureotelismo  – eliminação de uréia –
Mamíferos – maior conservação de água.Menor gasto energético.

Teoria do Rim tripartido


Prevê a formação dos túbulos nefricos em um de três locais na crista nefrica. A subsequente perda, fusão ou substituição desses
túbulos constitui a base do desenvolvimento para os rins definitivos nos adultos. Isso sugere que a evolução dos rins acompanhou a
modificação dos grupos. È importante na retenção de água.

Ágnata tem rim protonífero, formando só o rim pronefron que é mais simples, tendo filtração mais simples.
Anfíbios tem rim mesonéfrico, onde o protonéfrico regride e forma apenas o mesonéfrico.
Mamíferos, aves e repteis tem rim metanefrico, que é mais complexo onde o mesonéfrico regride e se forma um novo rim

Didatismo e Conhecimento 44
BIOLOGIA
Filogenia
- Peixes e anfíbios de água doce – Hiperosmóticos  – Grandes capsulas renais; túbulos proximais e distais curtos  – Reabsorção de
sais ativamente  – Liberação ativa de amônia pelas brânquias ou uréia pelos rins opistonéfricos.
- Peixes ósseos marinhos  – Rins opistonéfricos – Hiposmóticos  – Corpúsculos renais pequenos e pouco vascularizados  – Ingestão
ativa de água com locais especiais para eliminação de sais  – Excreção de uréia pelas brânquias.
- Peixes cartilaginosos  – Rins opistonéfricos – Isosmóticos – Retenção de uréia nos tecidos  – Excesso de uréia liberado pelos rins  –
Glândula retal para eliminar o excesso de sais.
Agnathas - Rins pronefrícos fundidos (glomo)  – Túbulos com curtos segmentos (isosmóticos)  – Animais catádromos.
- Aves e répteis  – Rins metanéfricos  –Excreção de ácido úrico semi-sólido  – Túbulos néfricos curtos a moderadamente longos  –
Excesso de sais liberados pela urina ou por glândula de sal
- Mamíferos - Rins metanéfricos  – Excreção de ureia  – Corpúsculos renais bem desenvolvidos – Únicos a liberar urina mais con-
centrada que o sangue  –Grande reabsorção de água (alça de Henle)

Sistema Respiratório
Fornece Oxigênio para o corpo e libera gás carbônico. Todos os processos metabólicos precisam de oxigênio para acontecer e libe-
ram gás carbônico como excreta.
Em animais pequenos não precisa existir, o simples professo de difusão é suficiente para os gases atravessar a membrana e chegar
ao interior do organismo. Já os animais grandes necessita do mecanismo que transporte esse ar do lado de fora para dentro do corpo.
Os gases se movimentam por difusão passiva e a eficiência esta relacionada a quatro fatores: Superfície de contato onde quanto maior a
superfície também é a difusão; Espessura da barreira meio-corpo, onde quanto mais espessa a pele mais difícil é para os gases difundirem
por ela; Contato célula-meio onde quanto maior for o tempo de contato entre a célula e o meio, mais rápido é o processo; e Gradiente de
difusão onde tem que manter a concentração de oxigênio menor no corpo e maior no ambiente para que o processo de difusão ocorra do
mais concentrado para o menos. A respiração externa é a passagem do meio para dentro do corpo e a interna e a passagem do capilar para
a célula (integração do sistema respiratório e circulatório). Ventilação é o processo de movimentação do meio pela superfície de troca.
Apneia é aparada no processo de ventilação, feito por animais aquáticos que respiram ar atmosférico. Perfusão é a passagem do sangue
pelos capilares. A evolução atuou para maximizar a eficiência desses processos.
Animais aquáticos utilizam o aparato branquial para a respiração, onde o fluxo de entrada e saída de água é unidirecional passando
pelas brânquias quere colhem o oxigênio. Nos tetrápodes a caixa torácica e o diafragma, juntos  fazem o movimento de inspirar e expirar
tornando o fluxo de entrada de oxigênio e saída bidirecional. Água X Ar  A água é mais densa que o ar, exigindo aparato branquial mais
forte para o meio de troca, com maior gasto energético. A solubilidade varia muito. O sistema é unidirecional, entra por um lado e sai no
outro, no ar o sistema é bidirecional, com o ar entrando e saindo pelos mesmos canais.
Órgãos Respiratórios Brânquias: Responsável pela respiração aquática. Densa rede de capilares suportada por ossos branquiais.
O mecanismo de ventilação branquial depende das brânquias estarem localizadas internamente, associadas a fendas e bolsas faríngeas
(brânquias operculares e brânquias segmentadas) ou externamente, que é semelhante a interna, porem protraída para fora do corpo a van-
tagem é que gasta menos energia pois esta sendo ventilado pela própria água (larvas de muitos vertebrados).Sistema de contra corrente:
sangue circula de um lado e água do outro. A parte menos concentrada de oxigênio do sangue entra e contato com a mais concentrada
da água tornando o mecanismo mais eficiente.

Pulmões: Sucos com ligamento co o meio externo responsável pela respiração aérea. Bolsas elásticas internas ventrais de volume
variável originado de bolsas faríngeas e usualmente pares. O volume aumenta quando o ar é inalado e diminui quando exalado.
Bexigas de gás: Presente em peixes derivados (actinopterigios), são bolsas dorsais ligadas ao trato digestivo. Podem ter função de
respiração ( bexiga respiratória) ou natação (bexiga natatória) que garante a flutuabilidade.Se difere do pulmão por serem dorsais, sim-
ples e os capilares drenarem o sangue para corrente sanguínea sistêmica.
Órgãos respiratório acessórios: comum em animais aquáticos, surgiu num grupo ancestral dentro ainda da linhagem de peixes ósse-
os. A respiração cutânea é realizada na terra e na água. Tartarugas respiram pela região da cloaca.
 –
Intestino: esses animais engolem o ar atmosférico que se aloja no intestino. Eles usam as mesmas estruturas que digerem o alimento
para absorver oxigênio.
Boca: Armazenam ar na boca (em uma cavidade)  – Lábios (temporário, para urgências): Ocorre mais em animais tropicais pois
quanto mais quente é a água menor é a solubilidade do ar.
Mecanismos Ventilatorio:
Agua-Agua – Bomba dupla  – Consiste em duas bombas em serie a bucal e ao percular que conduz a água em fluxo quase continuo
unidirecional através da paliçada de brânquias presente entre elas. São dois tempos: Sucção e força, onde quando a pressão em cada
cavidade diminui ou aumenta, mais água é puxada ou expelida. As válvulas na boca evitam o fluxo inverso de água.

Didatismo e Conhecimento 45
BIOLOGIA
Água-Ar – Bomba bucal  – Ciclo duplo de quatro tempos. Primeiro diminui a pressão dentro da boa expandindo o assoalho bocal
com a traquéia e narina fechada. Segundo fecha a boca e narina, aumenta a pressão dentro da boca empurrando o assoalho da boca, com
isso, o ar vai para o pulmão. Terceiro,abre a traqueia e diminui a pressão na boa com a narina fechada e expandindo a cavidade bucal, o
ar sai do pulmão e vai para a boca. Quarto, comprime o assoalho da boca, abre a narina e o ar sai.
Ar-Ar : Bomba de aspiração –Ciclo duplo – Bidirecional movimentando o ar de maneira tidal, encontrado em aminiotas, repteis,
aves e mamíferos. A caixa toraxica se expande e se comprime e /ou um diafragma se move para frente epara trás dentro da cavidade do
corpo, criando uma pressão positiva que expele o ar ou uma pressão negativa que puxa o ar para dentro dos pulmões

Filogenia Agnatas:
Possi brânquias mediais, presença de uma cavidade orofaríngea que permite a entrada de água; o véu faz um movimento que garante
a passagem da água pelo corpo do animal (unidirecional), exceto anfioxo onde a faringe faz o movimento que permite a entrada e a
saída de agua no corpo do animal. A água entra pela boca e passa pelas fendas branquiais, local onde o oxigênio dissipa (bidirecional).
Peixes cartilaginosos: Brânquias laterais e mais complexas (arco branquiallamelas primarias)  
Sistema de bombeamento duplo, onde a boca e o espiraculo abrem aumentando o assoalho da boca diminuindo assim a pressão
dentro do corpo dos animais e permitindo a entrada de a água. Quando a boca e o espiraculo fecha a pressão aumenta dentro do animal
e a água sai pelas brânquias permitindo também a passagem de oxigênio por elas.
Peixes ósseos: Água entra pela boca e sai pelo opérculo, é unidirecional utilizando o mecanismo de contracorrente. Os peixes pul-
monados tem pulmão parecido com de anfíbio e réptil.
Anfíbios: Jovens usam respiração branquial com fluxo unidirecional, já os adultos apresentam fluxo bidirecional. Os favéolos: ca-
vidade que se ramifica; Alveolo: traqueia que se ramifica. Canto é eficiente na reprodução e respiração
Repteis:
Modificação na parede do pulmão e utilização de um mecanismo que puxa e empurra o ar. O fígado é antes do diafragma: o diafrag-
ma puxa o fígado que puxa o pulmão aumentando a área interna do pulmão e consequentemente diminuindo a pressão o que permite
a entrada do ar. O diafragma relaxa aumentando a pressão interna e o ar sai. Nas tartarugas músculos ligados principalmente as patas
auxiliam a respiração.
Aves : Presença de sacos alveolares, para bronquiolos e capilares de ar sem bronquíolos. Ocorre dois ciclos respiratórios com pas-
sagem do ar no pulmão parabranquial onde ocorre a troca gasosa. O ar entra no pulmão e sai pelo pulmão.
Mamiferos: possui estruturas que auxiliam na respiração

Sistema Circulatório
Simples e prático: Transporte (gases respiratórios, nutrientes, resíduos, substâncias tóxicas, hormônios e anticorpos). Atua também
na regulação térmica. A maioria dos peixes tem circulação simples onde o sangue passa apenas uma vez pelo coração a cada circuito
completo. Amniotas tem circulação dupla onde o sangue passa duas vezes a cada circuito, circulando do coração para o pulmão de volta
para o coração e depois para os tecidos sistêmicos e de volta para o coração mais uma vez. Os intermediários são os peixes pulmonados
os anfíbios e os repteis.

Desenvolvimento
Ontogenia e filogenia intimamente relacionados primeiros órgãos a serem formados (galinha
– 30h; humanos  – 4 semanas, embrião com 5mm)Formação:Endocárdio (tecido conjuntivo que recobre o coração internamente)
Epimiocárdio: dividido em Epimiocárdio externo (membrana serosa) e Miocárdio (músculo estriado cardíaco).O sangue:Tipo especial
de tecido conjuntivo composto por:  – Eritrócitos  – Leucócitos – Trombócitos e plaquetas – Plasma Produzidas em tecidos especiais
chamados hematopoiéticos inicialmente Ilhotas sanguíneas presente em diversos órgão especiais nos diferentes grupos na fase adulta
Coração: bomba que movimenta o sangue através dos vasos empurrando o sangue pelo sistema circulatório como também por aspiração.
O também começou como um vaso contrátil parecido com aquele encontrado no sistema circulatório do anfioxo.O coração requer trocas
gasosas para sustentar o metabolismo

Peixes:
Faz parte de uma circulação única, consiste em 4 câmeras, em série de forma que o sangue flui em sequencia desde o seio venoso,
para o átrio,ventrículo e mais anterior câmera do coração, o bulbo cardíaco, antes de entrar na aorta ventral.

Peixes pulmonados: Modificado em relação aos peixes ósseos. A primeira câmera a receber o sangue de volta ainda é o seio venoso.
Anfíbios: Realizam trocas gasosas cutânea, pulmonar, branquial ou as três juntas
Repteis: Sustenta as taxas metabólicas mais altas e os níveis elevados de transporte de oxigênio e dióxido de carbono. Capaz de gerar
pressãosanguinea mais alta e saída cardíaca também. Separação eficiente dascorrentes sanguineas oxigenadas e desoxigenadas

Didatismo e Conhecimento 46
BIOLOGIA
Quelonios
: Seio venoso reduzido mai com a mesma função, sendo ainda a primeira câmera a receber sangue venoso. Átrio completamente
dividido. O ventrículo é uma câmera única que funciona como uma bomba para mandar os angue para as artérias.

Crocodilos: Possui forâmen de Panizza que conecta os arcos aórticos esquerdo e direito logo depois que saem do ventrículo. Os
átrios direitos e esquerdo se enchem de sangue desoxigenados sistêmico e sangue oxigenado pulmonar, respectivamente. A contração
dos átrios transportam sangue pra os respectivos ventrículos. No momento da sístole a pressão maior é no ventrículo esquerdo. O san-
gue oxigenado devido a alta pressão entra no arco aórtico direito e também no esquerdo através do forâmen, sendo transportado sangue
oxigenado por ambos arcos aórticos e a artéria pulmonar transporta o sague desoxigenado para o pulmão.
Aves e mamíferos : 4 câmeras. Nas aves seio venoso reduzido nos mamíferos reduzido em uma porção de fibras de Purkinjé ou
nódulo sinoatrial, na parede do átrio direito. Consiste em bombas paralelas com circuito duplo de circulação.O lado direito é sangue
desoxigenado que vai para o pulmão, o lado esquerdo é sangue oxigenado que vai para o circuito sistêmico.

5.2.3. ANATOMIA, HISTOLOGIA E


FISIOLOGIA HUMANA

Anatomia: é o ramo da biologia que estuda a estrutura e organização dos seres vivos, tanto externa quanto internamente.

Fisiologia: (do grego physis = natureza, função ou funcionamento; e logos = palavra ou estudo) é o ramo da biologia que estuda as
múltiplas funções mecânicas, físicas e bioquímicas nos seres vivos. De uma forma mais sintética, a fisiologia estuda o funcionamento
do organismo.
Para o entendimento do funcionamento do nosso organismo, e necessária a visão de noções básicas de como se dá a inter-relação
entre os sistemas. É disto que trata a Fisiologia. A homeostase designa a tendência do organismo vivo em manter constante o meio inter-
no, em equilíbrio. Quando o organismo não consegue manter a homeostase ocorre a doença. Quando o corpo é ameaçado ou sofre um
trauma, sua resposta pode envolver mudanças estruturais ou funcionais. Essas mudanças podem ser adaptativas ou mal adaptativas. Os
mecanismos de defesa que o corpo suporta vai determinar a diferença entre saúde e doença.
 Quando você procura assistência médica, precisa usar os termos anatômicos corretos para descrever a posição, a direção e a locali-
zação da vítima. Primeiramente, veremos os termos relativos à posição, direção e localização.

Posição anatômica

Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômica, considerando que a posição pode ser variável, optou-se por uma
posição padrão, denominada posição de descrição anatômica (posição anatômica).
Descrição da posição anatômica: indivíduo em posição ereta (em pé, posição ortostática ou bípede), com a face voltada pra frente,
olhar dirigido para o horizonte, membros superiores estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente, membros
inferiores unidos, com as pontas dos pés dirigidas para frente. Não importa, portanto, que o cadáver esteje sobre a mesa em decúbito
ventral decúbito dorsal ou decúbito lateral, as descrições anatômicas são feitas considerando o indivíduo em posição anatômica.

Planos de Delimitação e Secção do Corpo Humano

Na posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por planos tangentes á superfície. Estes planos são ditos planos de de-
limitação.
Têm-se assim, os seguintes planos:
-Dois planos verticais, um tangente ao ventre (plano ventral ou anterior) e outro ao dorso (plano dorsal ou posterior). Estes e outros
a eles paralelos são também designados como planos frontais, por serem paralelos á “fronte”.
-Dois planos verticais tangentes aos lados do corpo (planos laterais direito e esquerdo).
-Dois planos horizontais, um tangente á cabeça (plano cranial ou superior) e outro á planta dos pés (plano podálico ou inferior).
Já os planos de secção são:
-Plano que divide o corpo humano em metades direita e esquerda é denominado de mediano. Toda secção do corpo feita por planos
paralelos ao mediano é uma secção sagital (corte sagital) e os planos de secção são também chamados sagitais.
-Planos de secção que são paralelos aos planos ventral e dorsal são ditos frontais e a secção é também denominada frontal (corte
frontal).

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BIOLOGIA
-Planos de secção que são paralelos aos planos cranial podálico e caudal são horizontais. A secção é denominada transversal (corte
transversal).

Figura 1.3: Planos de secção do corpo humano.


A B C D - Plano cranial ou superior
E F G H - Plano podálico ou inferior
A B E F - Plano ventral ou anterior
C D G H - Plano dorsal ou posterior
B C F G - Plano lateral esquerdo
A D E H - Plano lateral direito
Figura 1.4: Planos de delimitação do corpo humano.
- Eixos do corpo humano
São linhas imaginárias traçadas no indivíduo. Os eixos principais seguem três direções ortogonais:
-Eixo sagital, ântero-posterior: une o centro do plano ventral ao centro do plano dorsal(héteropolar)
-Eixo longitudinal, crânio-caudal: une o centro do plano cranial ao centro do plano podálico (héteropolar).
-Eixo tranversal, látero-lateral: une o centro do plano lateral direito ao centro do plano lateral esquerdo (homopolar).
• Termos de posição e direção
-Estruturas situadas no plano mediano (linha xy) são denominadas medianas (a, b, c). Exemplo: coluna vertebral, nariz.
- As estruturas (d, e , f) são ditas, respectivamente, medial, intermédia e lateral. Exemplo: o V dedo( mínimo) é medial em relação
ao polegar, enquanto este é lateral em relação ao V dedo.
- As estruturas (g, h, i) são ditas, respectivamente, dorsal (posterior), média e ventral (anterior).
- As estruturas (1 e 2) representam a face externa e a face interna da costela.
- Nos membros empregam-se termos especializados de posição. Por exemplo, a mão é distal, o antebraço é médio e o braço é pro-
ximal em relação ao corpo.

Figura 1.5: termos de posição e direção.

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Princípios gerais de construção corpórea nos vertebrados

- Antimeria: o plano mediano divide o corpo do indivíduo em duas metades, direita e esquerda. Estas metades são denominadas
antímeros e são semelhantes, morfológica e funcionalmente, sendo possível dizer que o homem é construído segundo o princípio da
simetria bilateral.

- Metameria: superposição, no sentido longitudinal, de segmentos semelhantes, cada segmento correspondendo a um metâmero.
Exemplo: coluna vertebral (superposição das vértebras), caixa torácica (superposição de costelas).

- Paquimeria: é o princípio segundo o qual o segmento axial do corpo do indivíduo é constituído, esquematicamente,por dois tubos.
Os tubos, denominados paquímeros, são respectivamente, ventral e dorsal. O paquímero ventral, maior, contém a maioria das vísceras
e, por esta razão é também denominado paquímero visceral. O paquímero dorsal compreende a cavidade craniana e o canal vertebral e
aloja o sistema nervoso central; por esta razão, também é chamada de paquímero neural.

-Estratificação: o corpo seria formado por uma série de camadas, (estratos) superpostas umas as outras. Exemplo: pele, tecido celular
subcutânio, aponeurose, músculos, peritônio.

Planos dos movimentos


Há 3 planos específicos de movimento nos quais os vários movimentos articulares podem ser classificados. Quando o movimento
ocorre em um plano, a articulação move-se ou gira em torno de um eixo que tem uma relação de 90º com esse plano.

- Plano antero-posterior ou sagital: esse plano bisseciona o corpo da frente para trás, dividindo-o em metades simétricas direita e
esquerda. De modo geral, os movimentos de flexão e extensão tais como rosca bíceps, extensões de joelhos e elevações de deitado a
sentado (abdominais) ocorrem neste plano.

- Plano lateral, frontal ou coronal: ele bisseciona o corpo lateralmente de lado a lado, dividindo-o em metades da frente e de trás. Os
movimentos de abdução e adução tais como abdução de quadril e de ombro e flexão lateral espinhal ocorrem neste plano.

- Plano transverso ou horizontal: divide o corpo horizontalmente em metade superior e inferior. De maneira geral, os movimentos
rotacionais tais como pronação, supinação e rotação espinhal ocorrem neste plano.

Termos relativos à posição:

Posição anatômica – o paciente está em pé, ereto, os braços para baixo ao longo do corpo, as palmas voltadas para frente. “Direita”
e “esquerda” referem-se à direita e esquerda da vítima.

Posição de decúbito dorsal – o acidentado está deitado de costas (com a barriga para cima).
Posição de decúbito ventral – o acidentado está deitado com a barriga para baixo (de bruços).
Posição de decúbito lateral – o paciente está deitado de lado (direito ou esquerdo).
 
Termos relativos à direção e à localização:
- Superior – em direção à cabeça.
- Inferior – em direção aos pés.
- Anterior – em direção à frente.
- Posterior – em direção ao dorso.
- Medial – em direção à linha mediana ou centro do corpo.
- Lateral – para a esquerda ou direita da linha mediana.
- Proximal – próximo ao ponto usado como referência.
- Distal – longe do ponto usado como referência.
- Superficial – próximo à superfície.
- Profundo – distante da superfície.
- Interno – do lado de dentro.
- Externo – do lado de fora.

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Sistema Tegumentar
O tegumento ou pele cobre a superfície do corpo protegendo-o das influências ambientais danosas. Como a pele é facilmente aces-
sível, ela é importante nos exames físicos. A pele propicia:
- Proteção do corpo contra o meio ambiente, abrasões, perda de líquido, substâncias nocivas e microorganismos invasores.
- Regulação do calor através das glândulas sudoríparas e vasos sanguíneos.
- Sensibilidade por meio dos nervos superficiais e suas terminações sensitivas.
A pele forma um envoltório para as estruturas do corpo e substâncias vitais (líquidos), formando assim o maior órgão do corpo.
A pele é composta de:

Epiderme: camada celular superficial.


Derme: camada de tecido conectivo profunda.
 
 Epiderme
A epiderme, ou cutícula, não é vascularizada, consiste de epitélio estratificado, amolda-se perfeitamente sobre a camada papilar da
derme, e varia de espessura em diferentes partes. Em alguns lugares como na palma da mão e planta dos pés, ela é espessa, dura e de
textura córnea. O epitélio estratificado da epiderme compõe-se de várias camadas denominadas de acordo com diversas categorias, tais
como o aspecto das células, textura, composição e posição. Essas camadas são, de superficial para profundo: estrato córneo, estrato lú-
cido, estrato granuloso, estrato espinhoso e estrato basal. O estrato córneo é remanescente das células que contém uma proteína fibrosa,
a queratina.
 
Derme
 
A derme, cório, cútis verdadeira ou pele verdadeira é rija, flexível e elástica. É mais espessa na superfície dorsal do corpo que na
ventral e na parte lateral mais que na medial dos membros. Nas pálpebras, escroto e pênis é excessivamente fina e delicada.
 A pele consiste em um tecido conjuntivo com quantidade variável de fibras elásticas e numerosos nervos, vasos sanguíneos e linfá-
ticos. O tecido conjuntivo se dispõe em duas camadas: uma profunda ou reticular e a outra superficial ou papilar.
A camada reticular consiste de tecido conjuntivo fibroelástico, composto sobretudo de feixes colágenos. As células desta camada
são principalmente fibroblastos e histiócitos. Nas camadas mais profundas da camada reticular encontram-se glândulas sudoríparas,
sebáceas, folículos do pêlo e pequenos acúmulos de células.
A camada papilar consiste em numerosas eminências vasculares altamente sensitivas, as papilas. As papilas são pequenas eminên-
cias cônicas de extremidades arredondadas ou dilatadas.

Tecido Subcutâneo

A derme está situada sobre a tela subcutânea. Esta última camada não é considerada como pertencente à pele e por isso é chamada de
tela ou tecido subcutâneo ou hipoderme. O tecido subcutâneo é composto principalmente por tecido conjuntivo frouxo e tecido adiposo.
Ela desempenha duas funções principais: auxilia a isolar o corpo das variações extremas do meio ambiente e fixa a pele às estruturas
subjacentes. Poucas áreas do corpo não possuem esse tecido; nestes locais, a pele está fixada diretamente no osso. A pele das articulações
e dos dedos apresenta dobras e é enrugada porque está aderida ao osso.

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Anexos da Pele
Os anexos da pele são as unhas, os pêlos e as glândulas sudoríparas e sebáceas com seus respectivos ductos.
 
- Unhas: são estruturas achatadas, elásticas, de textura córnea, aplicadas sobre a superfície dorsal das falanges distais. Cada unha
está implantada por uma porção chamada raiz em um sulco da pele; a porção exposta é denominada corpo e a extremidade distal, borda
livre.
A unha é firmemente aderente ao cório e exatamente moldada sobre a superfície; a parte de baixo do corpo e da raiz da unha é cha-
mada matriz da unha porque é esta que a produz. Próximo a raiz da unha o tecido não está firmemente aderido ao tecido conjuntivo, mas
apenas em contato com o mesmo; por isso esta porção da unha é esbranquiçada e chamada lúnula devido a sua forma.
Pelos: são encontrados em quase toda superfície do corpo. Variam muito em comprimento, espessura e cor nas diferentes partes do
corpo e nas várias raças humanas. Um pêlo consiste em raiz (a parte implantada na pele) e haste (a porção que se projeta da superfície).
A raiz do pelo termina no bulbo do pelo que é mais esbranquiçado e de textura mais mole do que a haste e está alojado em um ca-
nalículo da epiderme que o envolve, chamado folículo do pelo. No fundo de cada folículo encontra-se uma pequena eminência cônica
vascular ou papila. Ela é contínua com a camada dérmica do folículo e suprida com fibrilas nervosas. O folículo piloso consiste em duas
túnicas: externa e interna ou epidérmica. O bulbo piloso é moldado sobre a papila e compõe-se de células epiteliais poliédricas que, ao
passarem para o interior da raiz do pêlo, se alongam, tornando-se fusiformes.
 A haste do pelo consiste, de dentro para fora, de três partes: a medula, o córtex e a cutícula. A medula em geral está ausente em
delgados pêlos que cobrem a superfície do corpo e comumente nos da cabeça. Compõe-se de fileiras de células poliédricas contendo
grânulos de eleidina e frequentemente espaços aéreos. O córtex constitui a parte da haste; suas células são alongadas e unidas para formar
fibras fusiformes a achatadas contendo grânulos de pigmento em pêlos escuros e ar nos brancos. A cutícula compõe-se de uma simples
camada de escamas achatadas que se sobrepõem da profundidade para a superfície.
 Correlacionado aos folículos pilosos há um conjunto de pequeninos feixes de fibras musculares lisas involuntárias, denominadas
eretores dos pêlos. Emergem da camada superficial da derme e se inserem no folículo. Colocam-se do lado para onde o pêlo se inclina,
e pela sua ação diminuem a obliqüidade do folículo, tornando-o reto.
  
-Glândulas Sudoríparas (Gl. do suor): são encontradas em quase toda a parte da pele. Consistem de um simples tubo cuja a parte
profunda constitui uma bolsa esférica ou oval chamada corpo da glândula, enquanto a porção superior ou ducto atravessa a derme e a
epiderme, abrindo-se na superfície da pele por uma abertura afunilada. Nas camadas superficiais da derme o ducto é retilíneo, mas nas
camadas profundas o ducto é enrolado ou mesmo retorcido. São muito abundantes na palma das mãos e planta dos pés

Glândulas Sebáceas: são órgãos glandulares pequenos e saculiformes alojados na derme, encontradas em muitas partes da pele,
mas em abundância no couro cabeludo e na face. Cada glândula consiste de um simples ducto que emerge de um agrupamento ovalado
ou em forma de garrafa – os alvéolos, que são em geral de dois a cinco, podendo chegar, em alguns casos, até vinte. Cada alvéolo é
composto de uma membrana basal transparente contendo um certo número de células epiteliais.

Receptores Sensitivos Encontrados na Pele

- Terminações Nervosas Livres: são encontradas em todos os tecidos conjuntivos. São mielinizadas ou amielínicas, mas sempre de
diâmetro pequeno e baixa velocidade de condução (Grupo III ou Grupo IV). Podem ser polimodais ou unipodais (nociceptores). São
sensíveis aos estímulos mecânicos, térmicos e especialmente aos dolorosos. São formadas por um axônio ramificado envolto por células
de Schwann sendo, por sua vez, ambos envolvidos por uma membrana basal.
- Terminações Epidérmicas: Associadas com folículos pilosos (fibras mielinizadas):
Terminações em Paliçada - as fibras se aproximam do folículo em diferentes direções, logo abaixo do ducto sebáceo, onde se divide
e corre paralela com o pêlo na camada folicular externa. Caracterizam-se como terminações nervosas livres.
Meniscos Táteis (Céls. de Merkel) - Uma fibra aferente costuma estar ramificada com vários discos terminais destas ramificações
nervosas. Estes discos estão englobados em uma célula especializada, cuja superfície distal se fixa às células epidérmicas por um pro-
longamento de seu protoplasma e se interdigitam com os ceratinócitos adjacentes.
Assim, os movimentos de pressão e tração sobre epiderme desencadeam o estímulo. São mecanorreceptores (Tipo I) e de adaptação
lenta, receptivos à pressão vertical e servidos por grandes aferentes mielinizados (A alfa). São encontrados nas partes distais das extre-
midades e na pele dos lábios e genitais externos.
- Terminações Nervosas Encapsuladas
Corpúsculos Táteis (Meissner) - Encontrados nas papilas dérmicas da mão e do pé, parte anterior do antebraço, lábios, pálpebra e
língua. Tem forma cilíndrica e possui uma cápsula de tecido conjuntivo e um cerne central com fibras nervosas mielínicas. São mecanor-
receptores de adaptação rápida, fornecendo informações a respeito das forças mecânicas rapidamente flutuantes.

Didatismo e Conhecimento 51
BIOLOGIA
 Grandes Corpúsculos Lamelados de Vater-Paccini - Encontrados nas faces ventrais da mão e do pé, órgãos genitais, braço, pescoço,
papila mamária, periósteo e próximos à articulações. São ovóides, esféricos e espiralados e cada um possui uma cápsula (30 lamelas),
uma zona de crescimento intermediária e um cerne central (60 lamelas) que contém um terminal axônico. Cada corpúsculo é suprido por
uma ou, raramente, duas fibras mielinizadas (A alfa).

Essa fibra perde a bainha de mielina e na junção com a cerne perde a célula de Schwann. São mecanoceptores de adaptação muito
rápida, respondendo somente a distúrbios repentinos e especialmente sensíveis à vibração. Podem chegar a um comprimento de 1 a 4
mm, visíveis a olho nú, como corpos brancos ovalados. Ao corte, microscopicamente, tem o aspecto de uma cebola.

- Arranjos Cutâneos Especiais - Arranjos que informam o estado mecânico e térmico da superfície do corpo, inclusive estímulos no-
civos. São subdivididos em: mecanoceptores, termoceptores e nociceptores. A atividade de fibras nervosas sensitivas isoladas é ativada
somente por certos tipos de estímulos aplicados à área da pele que ela inerva, o que mostra o seu alto grau de especificidade, tornando
difícil uma correlação estreita entre morfologia e função.

Esquema resumido dos receptores sensitivos encontrados na pele:

RECEPTORES DE
SENSAÇÃO PERCEBIDA
SUPERFÍCIE

Receptores de Ruffini Calor

Discos de Merkel Tato e pressão

Receptores de Vater-Pacini Pressão

Receptores de Meissner Tato

Terminações nervosas livres Principalmente dor

Sistema Esquelético
O sistema esquelético é composto de ossos e cartilagens.

Conceito de Ossos: Ossos são órgãos esbranquiçados, muito duros, que unindos-se aos outros, por intermédio das junturas ou
articulações constituem o esqueleto. É uma forma especializada de tecido conjuntivo cuja a principal característica é a mineralização
(cálcio) de sua matriz óssea (fibras colágenas e proteoglicanas).
O osso é um tecido vivo, complexo e dinâmico. Uma forma sólida de tecido conjuntivo, altamente especializado que forma a maior
parte do esqueleto e é o principal tecido de apoio do corpo. O tecido ósseo participa de um contínuo processo de remodelamento dinâ-
mico, produzindo osso novo e degradando osso velho.
O osso é formado por vários tecidos diferentes: tecido ósseo, cartilaginoso, conjuntivo denso, epitelial, adiposo, nervoso e vários
tecidos formadores de sangue.
Quanto a irrigação do osso, temos os canais de Volkman e os canais de Havers. O tecido ósseo não apresenta vasos linfáticos, apenas
o tecido periósteo tem drenagem linfática.  

Canais de Havers- são uma série de tubos em torno de estreitos canais formados por lamelas concêntricas de fibras colágenas. Esta
região é denominada osso compacto ou diáfise. Vasos sangüíneos e células nervosas em todo o osso comunicam-se por osteócitos (que
emitem expansões citoplasmáticas que põem em contato um osteócito com o outro) em lacunas (espaços dentro da matriz óssea densa
que contêm células ósseas). Este arranjo original é propício ao depósito de sal mineral, o que dá resistência ao tecido ósseo. Deve-se
ainda ressaltar que esse canais percorrem o osso no sentido longitudinal levando dentro de sua luz, vaso sanguíneos e nervos que são
responsáveis pela nutrição do tecido ósseo. Ele faz que os vasos sanguinios passem pelo tecido osseo.  

Didatismo e Conhecimento 52
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Canais de Volkmann são canais microscópicas encontradas no osso compacto, são perpendiculares aos Canais de Havers, e são
um dos componentes do sistema de Haversian. Os canais de Volkmann também podem transportar pequenas artérias em todo o osso. Os
canais de Volkmann não apresentam lamelas concêntricas. 

O interior da matriz óssea existem espaços chamados lacunas que contêm células ósseas chamadas osteócitos. Cada osteófito possui
prolongamentos chamados canalículos, que se estendem a partir das lacunas e se unem aos canalículos das lacunas vizinhas, formando
assim, uma rede de canalículos e lacunas em toda a massa de tecido mineralizado.

Conceito de Cartilagem: É uma forma elástica de tecido conectivo semi-rígido - forma partes do esqueleto nas quais ocorre movi-
mento. A cartilagem não possui suprimento sangüíneo próprio; conseqüentemente, suas células obtêm oxigênio e nutrientes por difusão
de longo alcance.

 Funções do Sistema Esquelético:


 
 - Sustentação do organismo (apoio para o corpo)
- Proteção de estruturas vitais (coração, pulmões, cérebro)
- Base mecânica para o movimento
 - Armazenamento de sais (cálcio, por exemplo)
- Hematopoiética (suprimento contínuo de células sangüíneas novas)
 
 Número de Ossos do Corpo Humano:
 
É clássico admitir o número de 206 ossos.
 

Cabeça = 22 Membro Superior = 32


            Crânio = 08           Cintura Escapular = 2
            Face = 14             Braço = 1
              Antebraço = 2
Pescoço = 8             Mão = 27
   
Tórax = 37 Membro Inferior = 31
            24 costelas             Cintura Pélvica = 1
            12 vértebras             Coxa = 1
            1 esterno             Joelho = 1
              Perna = 2
Abdômen = 7             Pé = 26
            5 vértebras lombares  
            1 sacro  
            1 cóccix Ossículos do Ouvido Médio = 3

Divisão do Esqueleto:
 
Esqueleto Axial - Composta pelos ossos da cabeça, pescoço e do tronco.
Esqueleto Apendicular - Composta pelos membros superiores e inferiores.
A união do esqueleto axial com o apendicular se faz por meio das cinturas escapular e pélvica.
 
Classificação dos Ossos:
 
Os ossos são classificados de acordo com a sua forma em:
 
Ossos Longos: Tem o comprimento maior que a largura e são constituídos por um corpo e duas extremidades. Eles são um pouco
encurvados, o que lhes garante maior resistência. O osso um pouco encurvado absorve o estresse mecânico do peso do corpo em vários
pontos, de tal forma que há melhor distribuição do mesmo. Os ossos longos tem suas diáfises formadas por tecido ósseo compacto e
apresentam grande quantidade de tecido ósseo esponjoso em suas epífises.  Exemplo: Fêmur.

Didatismo e Conhecimento 53
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Ossos Curtos: São parecidos com um cubo, tendo seus comprimentos praticamente iguais às suas larguras. Eles são compostos por
osso esponjoso, exceto na superfície, onde há fina camada de tecido ósseo compacto.  Exemplo: Ossos do Carpo.
 
Ossos Laminares (Planos): São ossos finos e compostos por duas lâminas paralelas de tecido ósseo compacto, com camada de
osso esponjoso entre elas. Os ossos planos garantem considerável proteção e geram grandes áreas para inserção de músculos. Exemplos:
Frontal e Parietal.
 
Além desses três grupos básicos bem definidos, há outros intermediários, que podem ser distribuído em 5 grupos:
 
 Ossos Alongados: São ossos longos, porém achatados e não apresentam canal central. Exemplo: Costelas.

 Ossos Pneumáticos: São osso ocos, com cavidades cheias de ar e revestidas por mucosa (seios), apresentando pequeno peso em
relação ao seu volume. Exemplo: Esfenóide.

Ossos Irregulares: Apresentam formas complexas e não podem ser agrupados em nenhuma das categorias prévias. Eles tem quan-
tidades variáveis de osso esponjoso e de osso compacto.  Exemplo: Vértebras.
 
Ossos Sesamóides: Estão presentes no interior de alguns tendões em que há considerável fricção, tensão e estresse físico, como
as palmas e plantas. Eles podem variar de tamanho e número, de pessoa para pessoa, não são sempre completamente ossificados, nor-
malmente, medem apenas alguns milímetros de diâmetro. Exceções notáveis são as duas patelas, que são grandes ossos sesamóides,
presentes em quase todos os seres humanos.
 
Ossos Suturais: São pequenos ossos localizados dentro de articulações, chamadas de suturas, entre alguns ossos do crânio. Seu
número varia muito de pessoa para pessoa.
 
Estrutura dos Ossos Longos:
 
A disposição dos tecidos ósseos compacto e esponjoso em um osso longo é responsável por sua resistência. Os ossos longos contém
locais de crescimento e remodelação, e estruturas associadas às articulações. As partes de um osso longo são as seguintes:
Diáfise: é a haste longa do osso. Ele é constituída principalmente de tecido ósseo compacto, proporcionando, considerável resistên-
cia ao osso longo.
 
Epífise: as extremidades alargadas de um osso longo. A epífise de um osso o articula, ou une, a um segundo osso, em uma articula-
ção. Cada epífise consiste de uma fina camada de osso compacto que reveste o osso esponjoso e recobertas por cartilagem.

Metáfise: parte dilatada da diáfise mais próxima da epífise.

Configuração Externa dos Ossos:

SALIÊNCIAS ÓSSEAS

Articulares
 - Cabeça
 - Côndilo
 - Faceta

Cabeça do Fêmur

Didatismo e Conhecimento 54
BIOLOGIA
Não Articulares
 - Processos
 - Tubérculos
 - Trocânter
 - Espinha
 - Eminência
 - Lâminas
 - Cristas

Processos Transverso e Espinhoso (Vértebras)

DEPRESSÕES ÓSSEAS
Articulares

- Cavidades
- Acetábulo
- Fóvea

Cavidade Glenóide (Escápula)


Não Articulares
 - Fossas
- Sulcos
- Forames
- Meatos
- Seios
- Fissuras
- Canais

Didatismo e Conhecimento 55
BIOLOGIA
Processos Transverso e Espinhoso (Vértebras)

Configuração Interna dos Ossos


 
As diferenças entre os dois tipos de osso, compacto e esponjoso ou reticular, dependem da quantidade relativa de substâncias sólidas
e da quantidade e tamanho dos espaços que eles contém. Todos os ossos tem uma fina lâmina superficial de osso compacto em torno de
uma massa central de osso esponjoso, exceto onde o último é substituído por uma cavidade medular.
O osso compacto do corpo, ou diáfise, que envolve a cavidade medular é a substância cortical. A arquitetura do osso esponjoso e
compacto varia de acordo com a função. O osso compacto fornece força para sustentar o peso.
Nos ossos longos planejados para rigidez e inserção de músculos e ligamentos, a quantidade de osso compacto é máxima, próximo
do meio do corpo onde ele está sujeito a curvar-se. Os ossos possuem alguma elasticidade (flexibilidade) e grande rigidez.
 
 Periósteo e Endósteo:
 
O Periósteo é uma membrana de tecido conjuntivo denso, muito fibroso, que reveste a superfície externa da diáfise, fixando-se
firmemente a toda a superfície externa do osso, exceto à cartilagem articular. Protege o osso e serve como ponto de fixação para os mús-
culos e contém os vasos sanguíneos que nutrem o osso subjacente.
 
O Endósteo se encontra no interior da cavidade medular do osso, revestido por tecido conjuntivo.
Tecido Ósseo Compacto Tecido Ósseo Esponjoso

Contém poucos espaços em


Constitui a maior parte do
seus componentes rígidos. Dá
tecido
proteção e suporte e resiste às
ósseo dos ossos curtos, chatos
forças produzidas pelo peso
e irregulares. A maior parte é
e movimento. Encontrados
encontrada nas epifises.
geralmente nas diáfises.

Ossos da Cabeça
 
O crânio é o esqueleto da cabeça; vários ossos formam suas duas partes: o Neurocrânio e o Esqueleto da Face. O neurocrânio
fornece o invólucro para o cérebro e as meninges encefálicas, partes proximais dos nervos cranianos e vasos sangüíneos. O crânio possui
um teto semelhante a uma abóbada – a calvária – e um assoalho ou base do crânio que é composta do etmóide e partes do occipital e do
temporal. O esqueleto da face consiste em ossos que circundam a boca e o nariz e contribuem para as órbitas.
 
Tórax
 
É uma caixa osteocartilagínea que contém os principais órgãos da respiração e circulação e cobre parte dos órgãos abdominais.

A face dorsal é formado pelas doze vértebras torácicas, e a parte dorsal das doze costelas. A face ventral é constituída pelo esterno e
cartilagens costais. As faces laterais são compostas pelas costelas e separadas umas das outras pelos onze espaços intercostais, ocupados
pelos músculos e membranas intercostais.

Coluna Vertebral
 
A coluna vertebral, também chamada de espinha dorsal, estende-se do crânio até a pelve. Ela é responsável por dois quintos do peso
corporal total e é composta por tecido conjuntivo e por uma série de ossos, chamados vértebras, as quais estão sobrepostas em forma
de uma coluna, daí o termo coluna vertebral. A coluna vertebral é constituída por 24 vértebras + sacro + cóccix e constitui, junto com a
cabeça, esterno e costelas, o esqueleto axial.
 
Membro Superior
 
Os ossos dos membros superiores podem ser divididos em quatro segmentos:

Didatismo e Conhecimento 56
BIOLOGIA
        Cintura Escapular - Clavícula e Escápula
      Braço - Úmero
      Antebraço - Rádio e Ulna
      Mão - Ossos da Mão

Membro Inferior
 
O membro inferior tem função de sustentação do peso corporal, locomoção, tem a capacidade de mover-se de um lugar para outro e
manter o equilíbrio. Os membros inferiores são conectados ao tronco pelo cíngulo do membro inferior (ossos do quadril e sacro).
A base do esqueleto do membro inferior é formado pelos dois ossos do quadril, que são unidos pela sínfise púbica e pelo sacro. O
cíngulo do membro inferior e o sacro juntos formam a PELVE ÓSSEA.
Os ossos dos membros inferiores podem ser divididos em quatro segmentos:
 
      Cintura Pélvica - Ilíaco (Osso do Quadril)
      Coxa - Fêmur e Patela
      Perna - Tíbia e Fíbula
      Pé - Ossos do Pé

Sistema Muscular

Conceito de Músculos:
 
São estruturas individualizadas que cruzam uma ou mais articulações e pela sua contração são capazes de transmitir-lhes movimen-
to. Este é efetuado por células especializadas denominadas fibras musculares, cuja energia latente é ou pode ser controlada pelo sistema
nervoso. Os músculos são capazes de transformar energia química em energia mecânica.
O músculo vivo é de cor vermelha. Essa coloração denota a existência de pigmentos e de grande quantidade de sangue nas fibras
musculares.
 Os músculos representam 40-50% do peso corporal total.
 
 Funções dos Músculos:
 
a) Produção dos movimentos corporais: Movimentos globais do corpo, como andar e correr.
b) Estabilização das Posições Corporais: A contração dos músculos esqueléticos estabilizam as articulações e participam da manu-
tenção das posições corporais, como a de ficar em pé ou sentar.
 c) Regulação do Volume dos Órgãos: A contração sustentada das faixas anelares dos músculos lisos (esfíncteres) pode impedir a
saída do conteúdo de um órgão oco.
 d) Movimento de Substâncias dentro do Corpo: As contrações dos músculos lisos das paredes vasos sangüíneos regulam a intensi-
dade do fluxo. Os músculos lisos também podem mover alimentos, urina e gametas do sistema reprodutivo. Os músculos esqueléticos
promovem o fluxo de linfa e o retorno do sangue para o coração.
 e) Produção de Calor: Quando o tecido muscular se contrai ele produz calor e grande parte desse calor liberado pelo músculo é
usado na manutenção da temperatura corporal.
 
 Grupos Musculares:
 
Em número de nove. São eles:
 
              a) Cabeça
               b) Pescoço
               c) Tórax
               d) Abdome
               e) Região posterior do tronco
               f) Membros superiores
               g) Membros inferiores
               h) Órgãos dos sentidos

Didatismo e Conhecimento 57
BIOLOGIA
               i) Períneo
 Classificação dos Músculos:
 
Quanto a Situação:

a) Superficiais ou Cutâneos: Estão logo abaixo da pele e apresentam no mínimo uma de suas inserções na camada profunda da
derme. Estão localizados na cabeça (crânio e face), pescoço e na mão (região hipotenar). Exemplo: Platisma.

b) Profundos ou Subaponeuróticos: São músculos que não apresentam inserções na camada profunda da derme, e na maioria das
vezes, se inserem em ossos. Estão localizados abaixo da fáscia superficial. Exemplo: Pronador quadrado.

Quanto à Forma:

a) Longos: São encontrados especialmente nos membros. Os mais superficiais são os mais longos, podendo passar duas ou mais
articulações. Exemplo: Bíceps braquial.

Didatismo e Conhecimento 58
BIOLOGIA
b) Curtos: Encontram-se nas articulações cujos movimentos tem pouca amplitude, o que não exclui força nem especialização.
Exemplo: Músculos da mão.

c) Largos: Caracterizam-se por serem laminares. São encontrados nas paredes das grandes cavidades (tórax e abdome). Exemplo:
Diafragma.

Quanto à Disposição da Fibra:

 a) Reto: Paralelo à linha média. Ex: Reto abdominal.


 b) Transverso: Perpendicular à linha média. Ex: Transverso abdominal.
 c) Oblíquo: Diagonal à linha média. Ex: Oblíquo externo.
 
 Quanto à Origem e Inserção:
 
a) Origem: Quando se originam de mais de um tendão. Ex. Bíceps, Quadríceps.
b) Inserção: Quando se inserem em mais de um tendão. Ex: Flexor Longo dos Dedos.
 
 Quanto à Função:
 
a) Agonistas: São os músculos principais que ativam um movimento específico do corpo, eles se contraem ativamente para produzir
um movimento desejado. Ex: Pegar uma chave sobre a mesa, agonistas são os flexores dos dedos.
 b) Antagonistas: Músculos que se opõem à ação dos agonistas, quando o agonista se contrai, o antagonista relaxa progressivamente,
produzindo um movimento suave. Ex: idem anterior, porém os antagonistas são os extensores dos dedos.
 c) Sinergistas: São aqueles que participam estabilizando as articulações para que não ocorram movimentos indesejáveis durante a
ação principal. Ex: idem anterior, os sinergistas são estabilizadores do punho, cotovelo e ombro.
 d) Fixadores: Estabilizam a origem do agonista de modo que ele possa agir mais eficientemente. Estabilizam a parte proximal do
membro quando move-se a parte distal.
 
Quanto à Nomenclatura:
 
O nome dado aos músculos é derivado de vários fatores, entre eles o fisiológico e o topográfico:
 
Tipos de Músculos:
  
a) Músculos Estriados Esqueléticos: Contraem-se por influência da nossa vontade, ou seja, são voluntários. O tecido muscular es-
quelético é chamado de estriado porque faixas alternadas claras e escuras (estriações) podem ser vistas no microscópio óptico.
b) Músculos Lisos: Localizado nos vasos sangüíneos, vias aéreas e maioria dos órgãos da cavidade abdômino-pélvica. Ação invo-
luntária controlada pelo sistema nervoso autônomo.  
 c) Músculo Estriado Cardíaco: Representa a arquitetura cardíaca. É um músculo estriado, porém involuntário – AUTO RITMICI-
DADE.

Componentes Anatômicos dos Músculos Estriados:


 
a) Ventre Muscular é a porção contrátil do músculo, constituída por fibras musculares que se contraem. Constitui o corpo do músculo
(porção carnosa).

Didatismo e Conhecimento 59
BIOLOGIA
 b) Tendão é um elemento de tecido conjuntivo, ricos em fibras colágenas e que serve para fixação do ventre, em ossos, no tecido
subcutâneo e em cápsulas articulares. Possuem aspecto morfológico de fitas ou de cilindros.
 c) Aponeurose é uma estrutura formada por tecido conjuntivo. Membrana que envolve grupos musculares. Geralmente apresenta-se
em forma de lâminas ou em leques.
 d) Bainhas Tendíneas são estruturas que formam pontes ou túneis entre as superfícies ósseas sobre as quais deslizam os tendões.
Sua função é conter o tendão, permitindo-lhe um deslizamento fácil.
 
e) Bolsas Sinoviais são encontradas entre os músculos ou entre um músculo e um osso. São pequenas bolsas forradas por uma mem-
brana serosa que possibilitam o deslizamento muscular.
  
Tipos de Contrações:

O nome dado aos músculos é derivado de vários fatores, entre eles o fisiológico e o topográfico:

 a) Contração Concêntrica: o músculo se encurta e traciona outra estrutura, como um tendão, reduzindo o ângulo de uma articulação.
Ex: Trazer um livro que estava sobre a mesa ao encontro da cabeça.
 b) Contração Excêntrica: quando aumenta o comprimento total do músculo durante a contração. Ex: idem anterior, porém quando
recolocamos o livro sobre mesa.
 c) Contração Isométrica: servem para estabilizar as articulações enquanto outras são movidas. Gera tensão muscular sem realizar
movimentos. É responsável pela postura e sustentação de objetos em posição fixa. Ex: idem anterior, porém quando o livro é sustentado
em abdução de 90°.

Anatomia Microscópica da Fibra Muscular:


 O tecido muscular consiste de células contráteis especializadas, ou fibras musculares, que são agrupadas e dispostas de forma
altamente organizada. Cada fibra de músculo esquelético apresenta dois tipos de estruturas filiformes muito delgadas, chamadas miofi-
lamentos grossos (miosina) e finos (actina).
 
Componentes Anatômicos do Tecido Conjuntivo:
 a) Fáscia Superficial separa os músculos da pele.
 b) Fáscia Muscular é uma lâmina ou faixa larga de tecido conjuntivo fibroso, que, abaixo da pele, circunda os músculos e outros
órgãos do corpo.
 c) Epimísio é a camada mais externa de tecido conjuntivo, circunda todo o músculo.
 d) Perimísio circunda grupos de 10 a 100 ou mais fibras musculares individuais, separando-as em feixes chamados fascículos. Os
fascículos podem ser vistos a olho nu.
 e) Endomísio é um fino revestimento de tecido conjuntivo que penetra no interior de cada fascículo e separa as fibras musculares
individuais de seus vizinhos.
 
 Sistema Circulatório

O sistema circulatório é formado por dois sistemas de transporte principais: o sistema cardiovascular, que compreende o coração,
vasos sanguíneos e sangue, com o objetivo de carregar oxigênio e nutrientes para as células do corpo e transportar os resíduos das células
corporais para os rins. O sistema linfático fornece drenagem para o líquido dos tecidos, denominado linfa.

O coração contrai e relaxa alternadamente para bombear os pulmões (onde ocorre a oxigenação) e depois para a vasta rede de vasos
sanguíneos. Ele fica localizado no centro esquerdo do tórax, imediatamente atrás do esterno, e tem aproximadamente o tamanho da mão
fechada. As artérias e arteríolas carregam o sangue oxigenado do coração para as células do corpo. A troca de líquido, oxigênio e gás
carbônico entre o sangue e as células dos tecidos ocorre através dos capilares. As vênulas e veias carregam o sangue pobre em oxigênio
de volta para o coração, onde o ciclo recomeça.

Cada vez que o coração contrai, a corrente sanguínea pode ser sentida, na forma de pulsação, em qualquer lugar onde uma artéria
passa próxima a superfície da pele. As principais localizações onde podem ser sentidas o pulso são: no punho, na virilha e no pescoço.

As emergências envolvendo o sistema circulatório ocorrem quando há sangramento descontrolado, comprometimento da circulação
ou quando o coração perde sua capacidade de bombear.

Didatismo e Conhecimento 60
BIOLOGIA

Sistema Respiratório

O corpo depende de um suprimento constante de oxigênio, que é disponibilizado para o sangue pelo sistema respiratório, que com-
preende as cavidades nasais, faringe, laringe, traquéia e os pulmões.
A passagem do ar para dentro e para fora dos pulmões é denominada respiração. Durante a inspiração, o ar entra através do nariz
chegando até os pulmões. Estes se expandem para preencher a cavidade torácica, o sangue que circula nos pulmões é oxigenado. Durante
a expiração, os músculos do peito relaxam liberando o ar dos pulmões, o ar exalado carrega com ele gás carbônico.
A freqüência respiratória normal em repouso, medida pelo número de respirações por minuto é de 12 a 20 em adultos, de 15 a 30
em crianças e de 25 a 50 em bebês.
As emergências envolvendo o sistema respiratório incluem a obstrução (asfixia), dificuldade para respirar e parada respiratória.

A respiração é o intercâmbio de gases entre um organismo e o meio no qual esse organismo vive. Mais especificamente, trata-se da
absorção de oxigênio, sua utilização nos tecidos e a eliminação de dióxido de carbono pelo organismo.
Para o diagnóstico e o tratamento da maioria das doenças respiratórias é necessário compreender os princípios da fisiologia respira-
tória e das trocas gasosas. Algumas doenças respiratórias resultam de ventilação inadequada, ao passo que outras resultam de anormali-
dades na difusão através da membrana pulmonar ou no transporte de gases dos pulmões para os tecidos.
Podemos dividir a respiração em quatro grandes eventos, do ponto de vista funcional:

Didatismo e Conhecimento 61
BIOLOGIA
- A ventilação pulmonar, que é a remoção cíclica do gás alveolar pelo ar atmosférico.
- A difusão do oxigênio e do dióxido de carbono entre os alvéolos e o sangue.
- O transporte, no sangue e nos líquidos corporais, do oxigênio (dos pulmões para as células) e do dióxido de carbono (das células
para os pulmões).
- A regulação da ventilação e de outros aspectos da respiração.
São exemplos de doenças do sistema respiratórias a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) que nela inclui o enfisema pul-
monar e a bronquite crônica; embolia pulmonar; síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA); edema agudo de pulmão (EAP);
pneumonia; infecções; insuficiência respiratória aguda (IRA); dentre outras.
A inspiração, que promove a entrada de ar nos pulmões, dá-se pela contração da musculatura do diafragma e dos músculos intercos-
tais. O diafragma abaixa e as costelas elevam-se, promovendo o aumento da caixa torácica, com consequente redução da pressão interna
(em relação à externa), forçando o ar a entrar nos pulmões. A expiração, que promove a saída de ar dos pulmões, dá-se pelo relaxamento
da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais. O diafragma eleva-se e as costelas abaixam, o que diminui o volume da caixa
torácica, com conseqüente aumento da pressão interna, forçando o ar a sair dos pulmões.

Cinética do movimento inspiratório com elevação das costelas e abaixamento do diafragma

 O transporte de gás oxigênio está a cargo da hemoglobina, proteína presente nas hemácias. Cada molécula de hemoglobina com-
bina-se com 4 moléculas de gás oxigênio, formando a oxi-hemoglobina. Nos alvéolos pulmonares o gás oxigênio do ar difunde-se para
os capilares sangüíneos e penetra nas hemácias, onde se combina com a hemoglobina, enquanto o gás carbônico (CO2) é liberado para
o ar. Nos tecidos ocorrem um processo inverso: o gás oxigênio dissocia-se da hemoglobina e difunde-se pelo líquido tissular, atingindo
as células.
Em repouso, a frequência respiratória (FR) é da ordem de até 12 movimentos por minuto.  A respiração é controlada automaticamen-
te por um centro nervoso localizado no bulbo. Desse centro partem os nervos responsáveis pela contração dos músculos respiratórios
(diafragma e músculos intercostais).
Os sinais nervosos são transmitidos desse centro através da coluna espinhal para os músculos da respiração. O mais importante
músculo da respiração, o diafragma, recebe os sinais respiratórios através de um nervo especial, o nervo frênico, que deixa a medula
espinhal na metade superior do pescoço e dirige-se para baixo, através do tórax até o diafragma.
 Os sinais para os músculos expiratórios, especialmente os músculos abdominais, são transmitidos para a porção baixa da medula
espinhal, para os nervos espinhais que inervam os músculos.
Existem algumas ocasiões em que a concentração de oxigênio nos alvéolos cai a valores muito baixos. Isso ocorre especialmente
em locais de grande altitude ou quando uma pessoa contrai pneumonia, por exemplo.

PULMÕES
Os pulmões são órgãos essenciais na respiração. São duas vísceras situadas uma de cada lado, no interior do tórax e onde se dá o
encontro do ar atmosférico com o sangue circulante, ocorrendo então, as trocas gasosas (HEMATOSE). Eles estendem-se do diafragma
até um pouco acima das clavículas e estão justapostos às costelas.
O pulmão direito é o mais espesso e mais largo que o esquerdo. Ele também é um pouco mais curto pois o diafragma é mais alto no
lado direito para acomodar o fígado. O pulmão esquerdo tem uma concavidade que é a incisura cardíaca.
Cada pulmão têm uma forma que lembra uma pirâmide com um ápice, uma base, três bordas e três faces.
Ápice do Pulmão: Está voltado cranialmente e tem forma levemente arredondada. Apresenta um sulco percorrido pela artéria sub-
clávia, denominado sulco da artéria subclávia. No corpo, o ápice do pulmão atinge o nível da articulação esterno-clavicular
Base do Pulmão: A base do pulmão apresenta uma forma côncava, apoiando-se sobre a face superior do diafragma. A concavidade
da base do pulmão direito é mais profunda que a do esquerdo (devido à presença do fígado).
Margens do Pulmão: Os pulmões apresentam três margens: uma anterior, uma posterior e uma inferior. A borda anterior é delgada
e estende-se à face ventral do coração. A borda anterior do pulmão esquerdo apresenta uma incisura produzida pelo coração, a incisura
cardíaca. A borda posterior é romba e projeta-se na superfície posterior da cavidade torácica. A borda inferior apresenta duas porções: (1)
uma que é delgada e projeta-se no recesso costofrênico e (2) outra que é mais arredondada e projeta-se no mediastino
Peso: Os pulmões tem em média o peso de 700 gramas.
Altura: Os pulmões tem em média a altura de 25 centímetros.
Faces: O pulmão apresenta três faces:
    a) Face Costal (face lateral): é a face relativamente lisa e convexa, voltada para a superfície interna da cavidade torácica.
    b) Face Diafragmática (face inferior): é a face côncava que assenta sobre a cúpula diafragmática.
    c) Face Mediastínica (face medial): é a face que possui uma região côncava onde se acomoda o coração. Dorsalmente encontra-se
a região denominada hilo ou raiz do pulmão. pulmonar.

Didatismo e Conhecimento 62
BIOLOGIA
Divisão: Os pulmões apresentam características morfológicas diferentes.
O pulmão direito apresenta-se constituído por três lobos divididos por duas fissuras. Uma fissura obliqua que separa lobo inferior
dos lobos médio e superior e uma fissura horizontal, que separa o lobo superior do lobo médio.
O pulmão esquerdo é dividido em um lobo superior e um lobo inferior por uma fissura oblíqua. Anteriormente e inferiormente o
lobo superior do pulmão esquerdo apresenta uma estrutura que representa resquícios do desenvolvimento embrionário do lobo médio,
a língula do pulmão.
Cada lobo pulmonar é subdividido em segmentos pulmonares, que constituem unidades pulmonares completas, consideradas autô-
nomas sob o ponto de vista anatômico.
Pulmão Direito
Lobo Superior: apical, anterior e posterior
Lobo Médio: medial e lateral
Lobo Inferior: apical (superior), basal anterior, basal posterior, basal medial e basal lateral
Pulmão Esquerdo
Lobo Superior: Apicoposterior, anterior, lingular superior e lingular inferior
Lobo Inferior: apical (superior), basal anterior, basal posterior, basal medial e basal lateral

Sistema Digestório

O trato digestório e os órgãos anexos constituem o sistema digestório. O trato digestório é um tubo oco que se estende da cavidade
bucal ao ânus, sendo também chamado de canal alimentar ou trato gastrintestinal. As estruturas do trato digestório incluem: boca, farin-
ge, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus.
O comprimento do trato gastrintestinal, medido no cadáver, é de cerca de 9m. Na pessoa viva é menor porque os músculos ao longo
das paredes dos órgãos do trato gastrintestinal mantém o tônus.
Os órgãos digestório acessórios são os dentes, a língua, as glândulas salivares, o fígado, vesícula biliar e o pâncreas. Os dentes
auxiliam no rompimento físico do alimento e a língua auxilia na mastigação e na deglutição. Os outros órgãos digestórios acessórios,
nunca entram em contato direto com o alimento. Produzem ou armazenam secreções que passam para o trato gastrintestinal e auxiliam
na decomposição química do alimento
O trato gastro intestinal é um tubo longo e sinuoso de 10 a 12 metros de comprimento desde a extremidade cefálica (cavidade oral)
até a caudal (ânus). 
 
FUNÇÕES

1- Destina-se ao aproveitamento pelo organismo, de substâncias estranhas ditas alimentares, que asseguram a manutenção de seus
processos vitais.
2- Transformação mecânica e química das macromóléculas alimentares ingeridas (proteínas, carbohidratos, etc.) em moléculas de
tamanhos e formas adequadas para serem absorvidas pelo intestino. 
3- Transporte de alimentos digeridos, água e sais minerais da luz intestinal para os capilares sangüíneos da mucosa do intestino.
4- Eliminação de resíduos alimentares não digeridos e não absorvidos juntamente com restos de células descamadas da parte do
trato gastro intestinal e substâncias secretadas na luz do intestino.
Mastigação: Desintegração parcial dos alimentos, processo mecânico e químico.
Deglutição: Condução dos alimentos através da faringe para o esôfago.
Ingestão: Introdução do alimento no estômago.
Digestão: Desdobramento do alimento em moléculas mais simples.
Absorção: Processo realizado pelos intestinos.
Defecação: Eliminação de substâncias não digeridas do trato gastro intestinal.

O trato gastro intestinal apresenta diversos segmentos que sucessivamente são:  BOCA, FARINGE, ESÔFAGO, ESTÔMAGO,
INTESTINO DELGADO e INTESTINO GROSSO.
Órgãos Anexos:
- GLÂNDULAS PARÓTIDAS
- GLÂNDULAS SUBMANDIBULARES
- GLÂNDULAS SUBLINGUAIS
- FÍGADO
- PÂNCREAS

Didatismo e Conhecimento 63
BIOLOGIA
BOCA

A boca também referida como cavidade oral ou bucal é formada pelas bochechas (formam as paredes laterais da face e são consti-
tuídas externamente por pele e internamente por mucosa), pelos palatos duro (parede superior) e mole (parede posterior) e pela língua
(importante para o transporte de alimentos, sentido do gosto e fala). O palato mole se estende posteriormente na cavidade bucal como a
úvula, que é uma estrutura com forma de letra V e que está suspensa na região superior e posterior da cavidade bucal.
 

A cavidade da boca é onde o alimento é ingerido e preparado para a digestão no estômago e intestino delgado. O alimento é masti-
gado pelos dentes, e a saliva, proveniente das glândulas salivares, facilita a formação de um bolo alimentar controlável. A deglutição é
iniciada voluntariamente na cavidade da boca. A fase voluntária do processo empurra o bolo da cavidade da boca para a faringe – a parte
expandida do trato digestório – onde ocorra a fase automática da deglutição.
A cavidade da boca consiste em duas partes: o vestíbulo da boca e a cavidade própria da boca. O vestíbulo da boca é o espaço seme-
lhante a uma fenda entre os dentes e a gengiva e os lábios e as bochechas. A cavidade própria da boca é o espaço entre os arcos dentais
superior e inferior. É limitada lateral e anteriormente pelos arcos alveolares maxilares e mandibulares que alojam os dentes. O teto da
cavidade da boca é formado pelo palato. Posteriormente, a cavidade da boca se comunica com a parte oral da faringe. Quando a boca
está fechada e em repouso, a cavidade da boca é completamente ocupada pela língua.

FARINGE

A faringe é um tubo que se estende da boca até o esôfago.


A faringe apresenta suas paredes muito espessas devido ao volume dos músculos que a revestem externamente, por dentro, o órgão
é forrado pela mucosa faríngea, um epitélio liso, que facilita a rápida passagem do alimento.
O movimento do alimento, da boca para o estômago, é realizado pelo ato da deglutição. A deglutição é facilitada pela saliva e muco
e envolve a boca, a faringe e o esôfago.
Três estágios:
Voluntário: no qual o bolo alimentar é passado para a parte oral da faringe.
Faríngeo: passagem involuntária do bolo alimentar pela faringe para o esôfago.
 Esofágico: passagem involuntária do bolo alimentar pelo esôfago para o estômago. Limites da Faringe:
Superior - corpo do esfenóide e proção basilar do osso occipital
Inferior - esôfago
Posterior - coluna vertebral e fáscia dos músculos longo do pescoço e longo da cabeça
Anterior - processo pterigóideo, mandíbula, língua, osso hióide e cartilagens tireóide e cricóide
Lateral - processo estilóide e seus músculos
A faringe pode ainda ser dividida em três partes: nasal (nasofaringe), oral (orofaringe) e laringea (laringofaringe).
Parte Nasal - situa-se posteriormente ao nariz e acima do palato mole e se diferencia da outras duas partes por sua cavidade perma-
necer sempre aberta. Comunica-se anteriormente com as cavidades nasais através das coanas. Na parede posterior encontra-se a tonsila
faríngea (adenóide em crianças).
Parte Oral - estende-se do palato mole até o osso hióide. Em sua parede lateral encontra-se a tonsila palatina.
Parte Laringea - estende-se do osso hióide à cartilagem cricóide. De cada lado do orifício laríngeo encontra-se um recesso denomi-
nado seio piriforme.
A faringe comunica-se com as vias nasal, respiratória e digestória. O ato da deglutição normalmente direciona o alimento da gargan-
ta para o esôfago, um longo tubo que se esvazia no estômago. Durante a deglutição, o alimento normalmente não pode entrar nas vias
nasal e respiratória em razão do fechamento temporário das aberturas dessas vias. Assim durante a deglutição, o palato mole move-se em
direção a abertura da parte nasal da faringe; a abertura da laringe é fechada quando a traquéia move-se para cima e permite a uma prega
de tecido, chamada de epiglote, cubra a entrada da via respiratória.
O movimento da laringe também simultaneamente puxa as cordas vocais e aumentando a abertura entre a parte laríngea da faringe
e o esôfago. O bolo alimentar passa pela parte laríngea da faringe e entra no esôfago em 1-2 segundos.

ESÔFAGO

O esôfago é um tubo fibro-músculo-mucoso que se estende entre a faringe e o estômago. Se localiza posteriomente à traquéia
começando na altura da 7ª vértebra cervical. Perfura o diafragma pela abertura chamada hiato esofágico e termina na parte superior do
estômago. Mede cerca de 25 centímetros de comprimento.

Didatismo e Conhecimento 64
BIOLOGIA
A presença de alimento no interior do esôfago estimula a atividade peristáltica, e faz com que o alimento mova-se para o estômago.
As contrações são repetidas em ondas que empurram o alimento em direção ao estômago. A passagem do alimento sólido, ou semi-
-sólido, da boca para o estômago leva 4-8 segundos ; alimentos muito moles e líquidos passam cerca de 1 segundo.
Ocasionalmente, o refluxo do conteúdo do estômago para o interior do esôfago causa azia (ou pirose). A sensação de queimação é
um resultado da alta acidez do conteúdo estomacal.
O refluxo gastresofágico se dá quando o esfíncter esofágico inferior (localizado na parte superior do esôfago) não se fecha adequa-
damente após o alimento ter entrado no estômago, o conteúdo pode refluir para a parte inferior do esôfago.
O esôfago é formado por três porções:
- Porção Cervical: porção que está em contato íntimo com a traquéia.
- Porção Torácica: é a porção mais importante, passa por trás do brônquio esquerdo (mediastino superior, entre a traquéia e a coluna
vertebral).
- Porção Abdominal: repousa sobre o diafragma e pressiona o fígado, formando nele a impressão esofâgica.

ESTÔMAGO

O estômago está situado no abdome, logo abaixo do diafragma, anteriomente ao pâncreas, superiormente ao duodeno e a esquerda
do fígado. É parcialmente coberto pelas costelas. O estômago está localizado no quadrante superior esquerdo do abdome (Ver quadrantes
abdominais no menu principal), entre o fígado e o baço.
O estômago é o segmento mais dilatado do tubo digestório, em virtude dos alimentos permanecerem nele por algum tempo, neces-
sita ser um reservatório entre o esôfago e o intestino delgado.
A forma e posição do estômago são muito variadas de pessoa para pessoa; o diafragma o empurra para baixo, a cada inspiração, e o
puxa para cima, a cada expiração e por isso não pode ser descrita como típica.
O estômago é divido em 4 áreas (regiões) principais: cárdia, fundo, corpo e piloro.
O fundo, que apesar do nome, situa-se no alto, acima do ponto onde se faz a junção do esôfago com o estômago.
O corpo representa cerca de 2/3 do volume total.
Para impedir o refluxo do alimento para o esôfago, existe uma válvula (orifício de entrada do estômago - óstio cárdico ou orifício
esofágico inferior), a cárdia, situada logo acima da curvatura menor do estômago. É assim denominada por estar próximo ao coração.
Para impedir que o bolo alimentar passe ao intestino delgado prematuramente, o estômago é dotado de uma poderosa válvula mus-
cular, um esfíncter chamado piloro (orifício de saída do estômago - óstio pilórico).
Pouco antes da válvula pilórica encontramos uma porção denominada antro-pilórica.
O estômago apresenta ainda duas partes: a curvatura maior (margem esquerda do estômago) e a curvatura menor (margem direita
do estômago).

Funções Digestivas
- Digestão do alimento
- Secreção do suco gástrico, que inclui enzimas digestórias e ácido hidroclorídrico como substâncias mais importantes.
- Secreção de hormônio gástrico e fator intrínseco.
- Regulação do padrão no qual o alimento é parcialmente digerido e entregue ao intestino delgado.
- Absorção de pequenas quantidades de água e substâncias dissolvidas.

INTESTINO DELGADO

A principal parte da digestão ocorre no intestino delgado, que se estende do piloro até a junção iliocólica (ileocecal), que se reúne
com o intestino grosso. O intestino delgado é um órgão indispensável. Os principais eventos da digestão e absorção ocorrem no intestino
delgado, portanto sua estrutura é especialmente adaptada para essa função. Sua extensão fornece grande área de superfície para a diges-
tão e absorção, sendo ainda muito aumentada pelas pregas circulares, vilosidades e microvilosidades.
O intestino delgado retirado numa é de cerca de 7 metros de comprimento, podendo variar entre 5 e 8 metros (o comprimento de
intestino delgado e grosso em conjunto após a morte é de 9 metros).
O intestino delgado, que consiste em duodeno, jejuno e íleo, estende-se do piloro até a junção ileocecal onde o íleo une-se ao ceco,
a primeira parte do intestino grosso.
Duodeno: é a primeira porção do intestino delgado. Recebe este nome por ter seu comprimento aproximedamente igual à largura de
doze dedos (25 centímetros). É a única porção do intestino delgado que é fixa. Não possui mesentério. Apresenta 4 partes:
1) Parte Superior ou 1ª porção - origina-se no piloro e estende-se até o colo da vesícula biliar.
2) Parte Descendente ou 2ª porção - é desperitonizada.

Didatismo e Conhecimento 65
BIOLOGIA
      - Ducto colédoco - provêm da vesícula biliar e do fígado (bile)
      - Ducto pancreático - provêm do pâncreas (suco ou secreção pancreática)
3) Parte Horizontal ou 3ª porção
4) Parte Ascendente ou 4ª porção

Jejuno: é a parte do intestino delgado que faz continuação ao duodeno, recebe este nome porque sempre que é aberto se apresenta
vazio. É mais largo (aproximadamente 4 centímetros), sua parede é mais espessa, mais vascular e de cor mais forte que o íleo.
Íleo: é o último segmento do intestino delgado que faz continuação ao jejuno. Recebe este nome por relação com osso ilíaco. É mais
estreito e suas túnicas são mais finas e menos vascularizadas que o jejuno.Distalmente, o íleo desemboca no intestino grosso num orifício
que recebe o nome de óstio ileocecal.

Juntos, o jejuno e o íleo medem 6 a 7 metros de comprimento. A maior parte do jejuno situa-se no quadrante superior esquerdo,
enquanto a maior parte do íleo situa-se no quadrante inferior direito. O jejuno e o íleo, ao contrário do duodeno, são móveis.
 
INTESTINO GROSSO

O intestino grosso pode ser comparado com uma ferradura, aberta para baixo, mede cerca de 6,5 centímetros de diâmetro e 1,5 me-
tros de comprimento. Ele se estende do íleo até o ânus e está fixo à parede posterior do abdômen pelo mesecolo.
O intestino grosso absorve a água com tanta rapidez que, em cerca de 14 horas, o material alimentar toma a consistência típica do
bolo fecal.
O intestino grosso apresenta algumas diferenças em relação ao intestino delgado: o calíbre, as tênias, os haustros e os apêndices
epiplóicos.
O intestino grosso é mais calibroso que o intestino delgado, por isso recebe o nome de intestino grosso. A calibre vai gradativamente
afinando conforme vai chegando no canal anal.
As tênias do cólon (fitas longitudinais) são três faixas de aproxmadamente 1 centímetro de largura e que percorrem o intestino gros-
so em toda sua extensão. São mais evidentes no ceco e no cólon ascendente.
Os haustros do cólon (saculações) são abaulamentos ampulares separados por sulcos transversais.
Colo Ascendente – é a segunda parte do intestino grosso. Passa para cima do lado direito do abdome a partir do ceco para o lobo
direito do fígado, onde se curva para a esquerda na flexura direita do colo (flexura hepática).
Colo Transverso – é a parte mais larga e mais móvel do intestino grosso. Ele cruza o abdome a partir da flexura direita do colo até
a flexura esquerda do colo, onde curva-se inferiormente para tornar-se colo descendente. A flexura esquerda do colo (flexura esplênica),
normalmente mais superior, mais aguda e menos móvel do que a flexura direita do colo.
Colo Descendente – passa retroperitonealmente a partir da flexura esquerda do colo para a fossa ilíaca esquerda, onde ele é contínuo
com o colo sigmóide.
Colo Sigmóide – é caracterizado pela sua alça em forma de “S”, de comprimento variável. O colo sigmóide une o colo descendente
ao reto. A terminação das tênias do colo, aproximadamente a 15cm do ânus, indica a junção reto-sigmóide.
      - Flexura Hepática - entre o cólon ascendente e o cólon transverso.
      - Flexura Esplênica - entre o cólon transverso e o cólon descendente.
O reto recebe este nome por ser quase retilíneo. Este segmento do intestino grosso termina ao perfurar o diafragma da pelve (mús-
culos levantadores do ânus) passando a se chamar de canal anal.
O canal anal apesar de bastante curto (3 centímetros de comprimento) é importante por apresentar algumas formações essenciais
para o funcionamento intestinal, das quais citamos os esfincteres anais.
O esfíncter anal interno é o mais profundo, e resulta de um espessamento de fibras musculares lisas circulares, sendo conseqüen-
temente involuntário. O esfíncter anal externo é constituído por fibras musculares estriadas que se dispõem circularmente em torno do
esfíncter anal interno, sendo este voluntário. Ambos os esfíncteres devem relaxar antes que a defecação possa ocorrer.

Funções do Intestino Grosso

- Absorção de água e de certos eletrólitos;


- Síntese de determinadas vitaminas pelas bactérias intestinais;
- Armazenagem temporária dos resíduos (fezes);
- Eliminação de resíduos do corpo (defecação).

Peristaltismo

Didatismo e Conhecimento 66
BIOLOGIA
Ondas peristálticas intermitentes e bem espaçadas movem o material fecal do ceco para o interior do colo ascendente, transverso
e descendente. Á medida que se move através do colo, a água é continuamente reabsorvida das fezes, pelas paredes do intestino, para
o interior dos capilares. As fezes que ficam no intestino grosso por um período maior perdem o excesso de água, desenvolvendo a cha-
mada constipação. Ao contrário, movimentos rápidos do intestino não permitem tempo suficiente para que ocorra a reabsorção de água,
causando diarréia.

PERITÔNIO

O peritônio é a mais extensa membrana serosa do corpo. A parte que reveste a parede abdominal é denominada peritônio parietal e
a que se reflete sobre as vísceras constitui o peritônio visceral. O espaço entre os folhetos parietal e visceral do peritônio é denominada
cavidade peritoneal.
Determinadas vísceras abdominais são completamente envolvidas por peritônio e suspensas na parede por uma delgada lâmina fina
de tecido conjuntivo revestida pela serosa, contendo os vasos sangüíneos. A estas pregas é dado o nome geral de mesentério.
Os mesentérios são: o mesentério propriamente dito, o mesocólon transverso e o mesocólon sigmóide. Em adição a estes, estão
presentes, algumas vezes, um mesocólon ascendente e um descendente.
O mesentério propriamente dito – tem origem nas estruturas ventrais da coluna vertebral e mantém suspenso o intestino delgado.
O mesocólon transverso – prende o cólon transverso à parede posterior do abdome.
O mesocólon sigmóide – mantém o cólon sigmóide em conexão com a parede pélvica.
O mesocólon ascendente e descendente – ligam o cólon ascendente a descendente à parede posterior do abdome.
O peritônio apresenta dois omentos: o maior e o menor.
O omento maior é um delgado avental que pende sobre o cólon transverso e as alças do intestino delgado. Está inserido ao longo
da curvatura maior do estômago e da primeira porção do duodeno. O omento menor estende-se da curvatura menor do estômago e da
porção inicial do duodeno até o fígado.
Apêndices Epiplóicos – são pequenas bolsas de peritônio cheias de gordura, situadas ao longo do cólon e parte superior do reto.

ÓRGÃOS ANEXOS

O aparelho digestório é considerado como um tubo, recebe o líquido secretado por diversas glândulas, a maioria situadas em suas
paredes como as da boca, esôfago, estômago e intestinos.
Algumas glândulas constituem formações bem individualizadas, localizando nas proximidades do tubo, como qual se comunicam
através de ductos, que servem para o escoamento de seus produtos de elaboração.
As glândulas salivares são divididas em 2 grandes grupos: glândulas salivares menores e glândulas salivares maiores. A saliva é
um líquido viscoso, claro, sem gosto e sem odor que é produzido por essas glândulas e pelas glândulas mucosas da cavidade da boca.
Glândulas salivares menores: constituem pequenos corpúsculos ou nódulos disseminados nas paredes da boca, como as glândulas
labiais, palatinas linguais e molares.
 
Glândulas salivares maiores: são representadas por 3 pares que são as parótidas, submandibulares e sublinguais.
Glândula Parótida - a maior das três e situa-se na parte lateral da face, abaixo e adiante do pavilhão da orelha. Irrigada por ramos
da artéria carótida externa. Inervada pelo nervo auriculotemporal, glossofaríngeo e facial.
Glândula Submandibular - é arredondada e situa-se no triângulo submandibular. É irrigada por ramos da artéria facial e lingual.
Os nervos secretomotores derivam de fibras parassimpáticas craniais do facial; as fibras simpáticas provêm do gânglio cervical superior.
Glândula Sublingual - é a menor das três e localiza-se abaixo da mucosa do assoalho da boca. É irrigada pelas artérias sublinguais
e submentonianas. Os nervos derivam de maneira idêntica aos da glândula submandibular.

O pâncreas tem as seguintes funções:


- Dissolver carboidrato (amilase pancreática);
- Dissolver proteínas (tripsina, quimotripsina, carboxipeptidase e elastáse);
-  Dissolver triglicerídios nos adultos (lípase pancreática);
   - Dissolver ácido nucléicos (ribonuclease e desoxirribonuclease).

Sistema Urinário

O sistema urinário é constituído pelos órgãos uropoéticos, isto é, incumbidos de elaborar a urina e armazená-la temporariamente até
a oportunidade de ser eliminada para o exterior. Na urina encontramos ácido úrico, ureia, sódio, potássio, bicarbonato, etc.

Didatismo e Conhecimento 67
BIOLOGIA
Este aparelho pode ser dividido em órgãos secretores - que produzem a urina - e órgãos excretores - que são encarregados de pro-
cessar a drenagem da urina para fora do corpo.
Os órgãos urinários compreendem os rins (2), que produzem a urina, os ureteres (2) ou ductos, que transportam a urina para a bexiga
(1), onde fica retida por algum tempo, e a uretra (1), através da qual é expelida do corpo.
Além dos rins, as estruturas restantes do sistema urinário funcionam como um encanamento constituindo as vias do trato urinário.
Essas estruturas – ureteres, bexiga e uretra – não modificam a urina ao longo do caminho, ao contrário, elas armazenam e conduzem a
urina do rim para o meio externo.
 
RIM
 
Os rins são órgãos pares, em forma de grão de feijão, localizados logo acima da cintura, entre o peritônio e a parede posterior do
abdome. Sua coloração é vermelho-parda.
Os rins estão situados de cada lado da coluna vertebral, por diante da região superior da parede posterior do abdome, estendendo-se
entre a 11ª costela e o processo transverso da 3ª vértebra lombar. São descritos como órgãos retroperiotoneais, por estarem posicionados
por trás do peritônio da cavidade abdominal.
Os rins são recobertos pelo peritônio e circundados por uma massa de gordura e de tecido areolar frouxo. Cada rim tem cerca de
11,25cm de comprimento, 5 a 7,5cm de largura e um pouco mais que 2,5cm de espessura. O esquerdo é um pouco mais comprido e
mais estreito do que o direito. O peso do rim do homem adulto varia entre 125 a 170g; na mulher adulta, entre 115 a 155g. O rim direito
normalmente situa-se ligeiramente abaixo do rim esquerdo devido ao grande tamanho do lobo direito do fígado.
 Anatomia Interna dos Rins
Em um corte frontal através do rim, são reveladas duas regiões distintas: uma área avermelhada de textura lisa, chamada córtex renal
e uma área marron-avermelhada profunda, denominada medula renal. A medula consiste em 8-18 estruturas cuneiformes, as pirâmides
renais. A base (extremidade mais larga) de cada pirâmide olha o córtex, e seu ápice (extremidade mais estreita), chamada papila renal,
aponta para o hilo do rim. As partes do córtex renal que se estendem entre as pirâmides renais são chamadas colunas renais.
Juntos, o córtex e as pirâmides renais da medula renal constituem a parte funcional, ou parênquima do rim. No parênquima estão
as unidades funcionais dos rins – cerca de 1 milhão de estruturas microscópicas chamadas NÉFRONS. A urina, formada pelos néfrons,
drena para os grandes ductos papilares, que se estendem ao longo das papilas renais das pirâmides.
Os ductos drenam para estruturas chamadas cálices renais menor e maior. Cada rim tem 8-18 cálices menores e 2-3 cálices maiores.
O cálice renal menor recebe urina dos ductos papilares de uma papila renal e a transporta até um cálice renal maior. Do cálice renal
maior, a urina drena para a grande cavidade chamada pelve renal e depois para fora, pelo ureter, até a bexiga urinária. O hilo renal se
expande em uma cavidade, no rim, chamada seio renal.
 
 Néfrons
O néfron é a unidade morfofuncional ou a unidade produtora de urina do rim. Cada rim contém cerca de 1 milhão de néfrons.
A forma do néfron é peculiar, inconfundível, e admiravelmente adequada para sua função de produzir urina.
O néfron é formado por dois componentes principais:
   1. Corpúsculo Renal:
       Cápsula Glomerular (de Bowman);
       Glomérulo – rede de capilares sangüíneos enovelados dentro da cápsula glomerular
   2. Túbulo Renal:
       Túbulo contorcido proximal;
       Alça do Néfron (de Henle);
       Túbulo contorcido distal;
       Túbulo coletor.

 Funções dos Rins


Os rins realizam o trabalho principal do sistema urinário, com as outras partes do sistema atuando, principalmente, como vias de
passagem e áreas de armazenamento. Com a filtração do sangue e a formação da urina, os rins contribuem para a homeostasia dos líqui-
dos do corpo de várias maneiras. As funções dos rins incluem:
      - Regulação da composição iônica do sangue;
      - Manutenção da osmolaridade do sangue;
      - Regulação do volume sangüíneo;
      - Regulação da pressão arterial;
      - Regulação do pH do sangue;

Didatismo e Conhecimento 68
BIOLOGIA
      - Liberação de hormônios;
      - Regulação do nível de glicose no sangue;
      - Excreção de resíduos e substâncias estranhas.

Glândulas Supra-renais

As glândulas supra-renais (adrenais) estão localizadas entre as faces supero-mediais dos rins e o diafragma. Cada glândula supra-
-renal, envolvida por uma cápsula fibrosa e um coxim de gordura, possui duas partes: o córtex e a medula supra-renal, ambas produzindo
diferentes hormônios.
O córtex secreta hormônios essenciais à vida, enquanto que os hormônios medulares não são essenciais para a vida. A medula da
supra-renal pode ser removida, sem causar efeitos que comprometem a vida.
A medula supra-renal secreta dois hormônios: epinefrina (adrenalina) e norepinefrina. Já o córtex supra-renal secreta os esteróides.

URETER

 São dois tubos que transportam a urina dos rins para a bexiga.
Órgãos pouco calibrosos, os ureteres têm menos de 6mm de diâmetro e 25 a 30cm de comprimento.
Pelve renal é a extremidade superior do ureter, localizada no interior do rim.
Descendo obliquamente para baixo e medialmente, o ureter percorre por diante da parede posterior do abdome, penetrando em
seguida na cavidade pélvina, abrindo-se no óstio do ureter situado no assoalho da bexiga urinária.

Em virtude desse seu trajeto, distinguem-se duas partes do ureter: abdominal e pélvica. Os ureteres são capazes de realizar contra-
ções rítmicas denominadas peristaltismo. A urina se move ao longo dos ureteres em resposta à gravidade e ao peristaltismo.
  
BEXIGA
 
A bexiga urinária funciona como um reservatório temporário para o armazenamento da urina. Quando vazia, a bexiga está localizada
inferiormente ao peritônio e posteriormente à sínfise púbica: quando cheia, ela se eleva para a cavidade abdominal.

É um órgão muscular oco, elástico que, nos homens situa-se diretamente anterior ao reto e, nas mulheres está à frente da vagina e
abaixo do útero.

Quando a bexiga está cheia, sua superfície interna fica lisa. Uma área triangular na superfície posterior da bexiga não exibe rugas.
Esta área é chamada trígono da bexiga e é sempre lisa. Este trígono é limitado por três vértices: os pontos de entrada dos dois ureteres e
o ponto de saída da uretra. O trígono é importante clinicamente, pois as infecções tendem a persistir nessa área.

A saída da bexiga urinária contém o músculo esfíncter chamada esfíncter interno, que se contrai involuntariamente, prevenindo o
esvaziamento. Inferiormente ao músculo esfíncter, envolvendo a parte superior da uretra, está o esfíncter externo, que controlado volun-
tariamente, permitindo a resistência à necessidade de urinar.
A capacidade média da bexiga urinária é de 700 – 800ml; é menor nas mulheres porque o útero ocupa o espaço imediatamente acima
da bexiga.
 
URETRA
 
A uretra é um tubo que conduz a urina da bexiga para o meio externo, sendo revestida por mucosa que contém grande quantidade
de glândulas secretoras de muco. A uretra se abre para o exterior através do óstio externo da uretra.
A uretra é diferente entre os dois sexos.

Uretra Masculina
A uretra masculina estende-se do orifício uretral interno na bexiga urinária até o orifício uretral externa na extremidade do pênis.
Apresenta dupla curvatura no estado comum de relaxamento do pênis. É dividida em três porções: a prostática, a membranácea e a
esponjosa, cujas as estruturas e relações são essencialmente diferentes. Na uretra masculina existe uma abertura diminuta em forma de
fenda, um ducto ejaculatório.

Didatismo e Conhecimento 69
BIOLOGIA
   Uretra Feminina
 É um canal membranoso estreito estendendo-se da bexiga ao orifício externa no vestíbulo. Está colocada dorsalmente à sínfise pú-
bica, incluída na parede anterior da vagina, e de direção oblíqua para baixo e para frente; é levemente curva, com a concavidade dirigida
para frente. Seu diâmetro, quando não dilatada, é de cerca de 6mm. Seu orifício externo fica imediatamente na frente da abertura vaginal
e cerca de 2,5cm dorsalmente à glande do clitóris. Muitas e pequenas glândulas uretrais abrem-se na uretra. As maiores destas são as
glândulas parauretrais, cujos ductos desembocam exatamente dentro do óstio uretral.
 As uretras masculinas e a femininas se diferem em seu trajeto. Na mulher, a uretra é curta (3,8cm) e faz parte exclusivamente do
sistema urinário. Seu óstio externo localiza-se anteriormente à vagina e entre os lábios menores. Já no homem, a uretra faz parte dos
sistemas urinário e reprodutor. Medindo cerca de 20cm, é muito mais longa que a uretra feminina. Quando a uretra masculina deixa a
bexiga, ela passa através da próstata e se estende ao longo do comprimento do pênis. Assim, a uretra masculina atua com duas fina-
lidades: conduz a urina e o esperma. 

Sistema Genital

Encontramos na espécie humana diferenças anatômicas sexuais entre homem e mulher que são muito relevantes para a procriação
da espécie.
 A célula reprodutora masculina recebe o nome de espermatozóide e a célula feminina é conhecida como óvulo.
Tanto o espermatozóide como o óvulo caracterizam-se por apresentar somente a metade do número de cromossomos encontrados
normalmente nas células que constituem o corpo humano.
 Os cromossomos são partículas incumbidas da transmissão dos caracteres hereditários e que entram na constituição dos núcleos
celulares. Admitindo-se que as células humanas apresentam 46 cromossomos, tanto os espermatozóide como os óvulos apresentam
somente 23 cromossomos cada um deles, o que nos leva a deduzir que as células reprodutoras são na realidade hemi-células, sendo
necessário à conjugação de duas delas para que se constitua uma célula básica, denominada ovo.
 O ovo resulta da fusão do espermatozóide com o óvulo.
 
Sistema Genital Masculino

Os órgãos do sistema genital masculino são os testículos (gônadas masculinas), um sistema de ductos (ducto deferente, ducto ejacu-
latório e uretra), as glândulas sexuais acessórias (próstata, glândula bulbouretral e vesículas seminais) e diversas estruturas de suporte,
incluindo o escroto e o pênis. Os testículos (gônadas masculinas) produzem esperma e secretam hormônios (testosterona). O sistema de
ductos transporta e armazena esperma, auxiliando na maturação e o conduz para o exterior. O sêmen contém esperma mais as secreções
das glândulas sexuais acessórias.
 
Sistema Genital Feminino
Os órgãos genitais femininos são incumbidos da produção dos óvulos, e depois da fecundação destes pelos espermatozóides, ofere-
cem condições para o desenvolvimento até o nascimento do novo ser.
Os órgãos genitais femininos consistem de um grupo de órgãos internos e outro de órgãos externos. Os órgãos internos estão no
interior da pelve e consistem dos ovários, tubas uterinas ou ovidutos, útero e vagina. Os órgãos externos são superficiais ao diafragma
urogenital e acham-se abaixo do arco púbico. Compreendem o monte do púbis, os lábios maiores e menores do pudendo, o clitóris, o
bulbo do vestíbulo e as glândulas vestibulares maiores. Estas estruturas formam a vulva ou pudendo feminino. As glândulas mamárias
também são consideradas parte do sistema genital feminino.

Sistema Nervoso

Durante a evolução do ser vivo vimos que os primeiros neurônios surgiram na superfície externa do organismo, tendo em vista que
a função primordial do sistema nervoso é de relacionar o animal com o ambiente. Dos três folhetos embrionários o ectoderma é aquele
que esta em contato com o meio externo do organismo e é deste folheto que se origina o sistema nervoso.

O primeiro indicio de formação do sistema nervoso consiste em um espessamento do ectoderma, situado acima do notocorda,
formando a chamada placa neural. Sabe-se que a formação da desta placa e a subseqüente formação do tubo neural, tem importante
papel à ação indutora da notocorda e do mesoderma. Notocordas implantadas na parede abdominal de embriões de anfíbios induzem aí
a formação de tubo neural. Extirpações da notocorda ou mesoderma em embriões jovens resultaram em grandes anomalias da medula.
 A placa neural cresce progressivamente, torna-se mais espessa a adquire um sulco longitudinal denominado sulco neural que se
aprofunda para formar a goteira neural. Os lábios da goteira neural se fundem para formar o tubo neural.

Didatismo e Conhecimento 70
BIOLOGIA
O ectoderma não diferenciado, então, se fecha sobre o tubo neural, isolando-o assim do meio externo. No ponto em que este ecto-
derma encontra os lábios da goteira neural, desenvolvem-se células que formam de cada lado uma lamina longitudinal denominada crista
neural. O tubo neural dá origem a elementos do sistema nervoso central, enquanto a crista dá origem a elementos do sistema nervoso
periférico, além de elementos não pertencentes ao sistema nervoso.
Desde o inicio de sua formação, o calibre do tubo neural não é uniforme. A parte cranial, que dá origem ao encéfalo do adulto, torna-
-se dilatada e constitui o encéfalo primitivo, ou arquencéfalo; a parte caudal, que dá origem á medula do adulto, permanece com calibre
uniforme e constitui a medula primitiva do embrião.
 No arquencéfalo distinguem-se inicialmente três dilatações, que são as vesículas encefálicas primordiais denominadas: prosencéfa-
lo, mesencéfalo e rombencéfalo. Com o subseqüente desenvolvimento do embrião, o prosencéfalo dá origem a duas vesículas, telencé-
falo e diencéfalo. O mesencéfalo não se modifica, e o romboencéfalo origina o metencéfalo e o mieloncéfalo.
 
O telencéfalo compreende uma parte mediana, da qual se envagina duas porções laterais, as vesículas telencefálicas laterais. A parte
mediana é fechada anteriormente por uma lamina que constitui a porção mais cranial do sistema nervoso e se denomina lamina termi-
nal. As vesículas telencéfalicas laterais crescem muito para formar os hemisférios cerebrais e escondem quase completamente a parte
mediana e o diencéfalo.
 
 O diencéfalo apresenta quatro pequenos divertículos: dois laterais, as vesículas ópticas, que formam a retina; um dorsal, que forma
a glândula pineal; e um ventral, o infundíbulo, que forma a neuro-hipófise.
  
Cavidade do tubo neural: a luz do tubo neural permanece no sistema nervoso do adulto, sofrendo, em algumas partes varias
modificações. A luz da medula primitiva forma, no adulto, o canal central da medula. A cavidade dilatada do rombencéfalo forma o IV
ventrículo. A cavidade do diencéfalo e a da parte mediana do telencéfalo forma o III ventrículo.
 A luz do mesencéfalo permanece estreita e constitui o aqueduto cerebral que une o III ao IV ventrículo. A luz das vesículas telen-
céfalicas laterais forma, de cada lado, os ventrículos laterais, unidos ao III ventrículo pelos dois forames interventriculares. Todas as
cavidades são revestidas por um epitélio cuboidal denominado epêndima e, com exceção do canal central da medula, contêm um liquido
cérebro-espinhal, ou líquor.
  
Flexuras: durante o desenvolvimento das diversas partes do arquencéfalo aparecem flexuras ou curvaturas no seu teto ou assoalho,
devidas principalmente a ritmos de crescimento diferentes. A primeira flexura a aparecer é a flexura cefálica, que surge na região entre o
mesencéfalo e o prosencéfalo. Logo surge, entre a medula primitiva e o arquencéfalo, uma segunda flexura, denomina flexura cervical.
Ela é determinada por uma flexão ventral de toda a cabeça do embrião na região do futuro pescoço. Finalmente aparece uma terceira fle-
xura, de direção contraria as duas primeiras, no ponto de união entre o meta e o mielencéfalo: a flexura pontina. Com o desenvolvimento,
as duas flexuras caudais se desfazem e praticamente desaparecem. Entretanto, a flexura cefálica permanece, determinado, no encéfalo do
homem adulto, um ângulo entre o cérebro, derivando do prosencéfalo, e o resto do neuro-eixo.

Divisão do sistema nervoso com base em critérios anatômicos e funcionais

Didatismo e Conhecimento 71
BIOLOGIA
 O sistema nervoso central é aquele localizado dentro do esqueleto axial (cavidade craniana e canal vertebral); o sistema nervoso
periférico é aquele que se localiza fora deste esqueleto. O encéfalo é a parte do sistema nervoso central situado dentro do crânio neural;
e a medula é localizada dentro do canal vertebral. O encéfalo e a medula constituem o neuro-eixo. No encéfalo temos cérebro, cerebelo
e tronco encefálico.

Pode-se dividir o sistema nervoso em sistema nervoso da vida de relação, ou somático e sistema nervoso da vida vegetativa, ou vis-
ceral. O sistema nervoso da vida de relação é aquele que se relaciona com organismo com o meio ambiente. Apresenta um componente
aferente e outro eferente.
 
O componente aferente conduz aos centros nervosos impulsos originados em receptores periféricos, informando-os sobre o que
passa no meio ambiente. O componente eferente leva aos músculos estriados esqueléticos o comando dos centros nervosos resultando
em movimentos voluntários.
 
O sistema nervoso visceral é aquele que se relaciona com a inervação e com o controle das vísceras. O componente aferente conduz
os impulsos nervosos originados em receptores das vísceras a áreas especificas do sistema nervoso. O componente eferente leva os im-
pulsos originados em centros nervosos até as vísceras. Este componente eferente é também denominada de sistema nervoso autônomo
e pode ser dividido em sistema nervoso simpático e parassimpático.

 Sistema Endócrino
 
O sistema nervoso e as glândulas endócrinas são os dois principais mecanismos de comunicação e coordenação do corpo humano.
Eles regulam quase todos os sistemas orgânicos. Embora o sistema nervoso e o sistema endócrino trabalham intimamente associados,
eles possuem várias diferenças.
 O sistema nervoso comunica-se através de sinais elétricos chamados impulsos nervosos, que transmitem a informação rapidamente
e, geralmente, realizam efeitos de curta duração.
 No sistema endócrino, ao contrário, a comunicação se faz por sinais químicos, através de substâncias chamadas hormônios. O sis-
tema endócrino responde mais lentamente e normalmente causa efeitos mais duradouros.
 O sistema endócrino é formado por glândulas endócrinas, que produzem hormônios e estão amplamente distribuídas pelo corpo.
As glândulas endócrinas são glândulas sem ductos, isto é, elas secretam hormônios diretamente no interior de capilares (sanguíneos).
 O sistema endócrino produz seus efeitos por meio da secreção de hormônios. Os hormônios são mensageiros químicos que influen-
ciam ou controlam as atividades de outros tecidos ou órgãos. A maioria dos hormônios é transportada pelo sangue a outras partes do
corpo, exercendo efeitos em tecidos mais distantes.

Didatismo e Conhecimento 72
BIOLOGIA
 As principais glândulas endócrinas são:
1 – Hipófise
2 – Glândula Tireóide
3 – Glândulas Paratireóides
4 – Glândulas Supra-renais
5 – Pâncreas
6 – Gônadas (Ovários e Testículos)
7 – Timo
8 – Glândula Pineal
  
Hipófise
 
A hipótese é uma pequena glândula, um corpo ovóide, com tamanho semelhante de uma ervilha, também conhecida como glândula
pituitária. Tem coloração cinza-avermelhado, medindo cerca de 12mm de diâmetro transverso e 8mm  de diâmetro antero-posterior e
pesando aproximadamente 500mg. A hipófise está localizada abaixo do hipotálamo, posteriormente ao quiasma óptico, em uma de-
pressão em forma de sela do osso esfenóide, denominada fossa hipofisária. É coberta superiormente pelo diafragma da sela, circular,
da dura-máter. A hipófise está fixada à superfície inferior do hipotálamo, por uma curta haste denominada infundíbulo. Ela possui duas
partes: uma anterior, a adenohipófise, e outra posterior, a neurohipófise. A hipófise secreta oito hormônios e, portanto, afeta quase todas
as funções do corpo.

 Adenohipófise
 A parte anterior da hipófise, a adenohipófise, é composta de tecido epitelial glandular e é altamente vascular e constituída de célu-
las epiteliais de tamanho e forma variados, dispostas em cordões ou folículos irregulares. Sintetiza e libera pelo menos oito hormônios
importantes:
- Somatotropina (STH), envolvida no controle do crescimento do corpo;
- Mamotropina (LTH), que estimula o crescimento e a secreção da mama feminina;
- Adrenocorticotropina (ACTH), que controla a secreção de alguns hormônios corticais da glândula supra-renal;
- Tirotropina (TSH), que estimula a atividade da glândula tireóide;
- Hormônio estimulador do folículo (FSH), que estimula o crescimento e a secreção de estrógenos nos folículos ováricos e a esper-
matogênese nos testículos;
- Hormônio das células intersticiais (ICSH), que ativa a secreção de andrógenos através do testículo;
- Hormônio Luteinizante (LH), que induz a secreção de progesterona pelo corpo lúteo;
- Hormônio estimulador de melanócitos (MSH), que aumenta a pigmentação cutânea.
 
Neurohipófise
 
O lobo posterior da hipófise é uma evaginação descendente do assoalho do diencéfalo. A porção posterior da hipófise é composta
por tecido nervoso e, portanto, é chamada de neurohipófise. Sintetiza dois hormônios:
- Vasopressina (ADH), antidiurético, que controla a absorção de água através do túbulos renais;
- Ocitocina, que promove a contração do músculo não estriado do útero e da mama.
 Os dois hormônios da neurohipófise são produzidos no hipotálamo e transportados no interior do infundíbulo (haste hipofisária) e
armazenados na glândula até serem utilizados. Os impulsos nervosos para o hipotálamo estimulam a liberação dos hormônios da neu-
rohipófise.
 
 Glândula Tireóide
 
A glândula tireóide possui tom vermelho-acastanhado, cerca de 25g e é altamente vascularizada. Está localizada na região ântero-
-inferior do pescoço, ântero-lateralmente à traquéia e logo abaixo da laringe, no nível entre a quinta vértebra cervical e a primeira
vértebra torácica. A tireóide possui dois lobos (direito e esquerdo) que são conectados entre si por uma parte central denominada istmo
da glândula tireóide. Cada lobo possui aproximadamente 5cm de comprimento. A glândula está envolvida por uma cápsula de tecido
conjuntivo e contém dois tipos de células: as células foliculares, localizadas nos folículos tereoideanos, e as células parafoliculares,
localizadas entre os folículos.
Folículo Tireoideano: a glândula tireóidea é composta por muitas unidades secretoras chamadas folículos. As células foliculares
secretam e armazenam dois hormônios tireoideanos:

Didatismo e Conhecimento 73
BIOLOGIA
- Triiodotironina (T3)
- Tetraiodotironina (T4 ou tiroxina)
 Dos dois hormônios tireóideos, a T3 é provavelmente o estimulador principal do ritmo metabólico da célula, com ação muito po-
derosa e imediata, enquanto a T4 é poderosa, porém menos rápida.
 As glândulas parafoliculares, secretam o seguinte hormônio:
- Calcitonina, que regula o metabolismo de cálcio, principalmente suprindo a reabsorção óssea.
 
Glândulas Paratireóides
 
As glândulas paratireóides são pequenas estruturas ovóides ou lentiformes, marron-amareladas, pesando cerca de 50g e geralmente
se situando entre as margens do lobo posterior da glândula tireóide e sua cápsula. Geralmente existem duas de cada lado, superior e
inferior.  
 Cada glândula paratireóide possui uma fina cápsula de tecido conjuntivo com septos intraglandulares, mas carecendo de lóbulos.
 As glândulas paratireóides secretam o hormônio paratireóideo (PTH) que está relacionado com o controle do nível e da distribuição
de cálcio e fósforo. O PTH atua em três órgãos-alvo: ossos, trato digestório (intestino) e rins. O efeito geral do PTH é o aumento dos
níveis plasmáticos de cálcio e a diminuição dos níveis plasmáticos de fosfato.
  
Glândulas Supra-renais (adrenais)
 
As glândulas supra-renais são pequenos corpos amarelados, achatados ântero-posteriormente, estão situados ântero-superiores a
cada extremidade superior do rim. Circundadas por tecido conjuntivo contendo muita gordura perinéfrica, são envolvidos pela fáscia
renal, mas separadas dos rins por tecido fibroso. Cada uma mede aproximadamente 50mm verticalmente, 30mm transversalmente e
10mm  na dimensão antero-posterior, pesando cerca de 5g.

 Uma glândula supra-renal seccionada revela um córtex externo, de cor amarela e formando a massa principal, e uma fina medula
vermelho-escuro, formando cerca de 10% da glândula. A medula é completamente envolvida pelo córtex, exceto no seu hilo.
  
Córtex Supra-renal
 
O córtex supra-renal, uma fina camada externa (periférica), mostra três zonas celulares: as zonas glomerulosa (mais externa), fasci-
culada (mais larga) e reticulada (mais interna).  O córtex secreta os hormônios chamados esteróides.

 Zona Glomerulosa: Produzem aldosterona (mineralocorticóide), que tem função importante na regulação do volume e da pressão
do sangue, e na concentração do equilíbrio eletrolítico do sangue. Em geral, a aldosterona retém o sódio e a água e elimina potássio. 
Zona Fasciculada: Produzem hormônios que mantêm o equilíbrio dos carboidratos, proteínas e gorduras (glicocorticóides). O prin-
cipal glicocorticóide é o cortisol.
 Zona Reticulada: Podem produzir hormônios sexuais (progesterona, estrógenos e andrógenos).
 O córtex é essencial para a vida; a remoção completa é letal sem terapia de substituição. Também exerce considerável controle sobre
os linfócitos e tecido linfático.
Medula Supra-renal
 
A medula supra-renal, a parte interna da glândula, é considerada uma extensão da parte simpática do sistema nervoso autônomo. É
constituída de grupos e colunas de células cromafins separados por largos sinusóides venosos. Pequenos grupos de neurônios ocorrem
na medula.
 
A medula da supra-renal secreta dois hormônios:
 1 – Epinefrina (Adrenalina), que possui efeito acentuado sobre o metabolismo de carboidratos.
 2 – Norepinefrina (Noradrenalina), que produz aceleração do coração vasoconstrição e pressão sanguínea elevada.
 Esses hormônios são classificados como aminas e por estarem no grupo químico chamado catecol, são denominados catecolaminas.
Esses hormônios são produzidos em situações de emergência e estresse, produzindo os seguintes efeitos (além dos descritos acima):
- Conversão de glicogênio em glicose no fígado;
- Elevação do padrão metabólico da maioria das células;
- Dilatação dos brônquios.
  

Didatismo e Conhecimento 74
BIOLOGIA
 Pâncreas
 
O pâncreas é um órgão alongado que se situa transversalmente na parte superior do abdome, estendo-se do duodeno até o baço. A
anatomia detalhada do pâncreas está descrita em SISTEMA DIGESTÓRIO. (LINK)
 O pâncreas secreta dois hormônios: a insulina e o glucagon. As células que produzem esses hormônios são denominadas ilhotas
pancreáticas (Langerhans). As ilhotas são constituídas de aglomerações esferóides ou elipsóides de células, dispersas no tecido exócrino,
juntamente com células endócrinas esparsas, frequentemente solitárias. O pâncreas humano pode conter mais de um milhão de ilhas,
geralmente mais numerosas na cauda. Essas ilhotas possuem dois tipos de células: os endocrinócitos alfa, que produzem glucagon e os
endocrinócitos beta que produzem insulina. Esses dois hormônios ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue. O efeito da insulina
é baixar os níveis de glicose enquanto que o glucagon aumenta esses níveis.
 Ação da insulina: diminui os níveis de glicose através de dois mecanismos: 1) aumenta o transporte de glicose do sangue para o
interior das células; 2) estimula as células a queimar glicose como combustível. A insulina é o único hormônio que diminui a glicose
sanguínea.
 Ação do glucagon: esse hormônio aumenta a glicose sanguínea de duas maneiras: 1) estimulando a conversão de glicogênio em
glicose no fígado; 2) estimulando a conversão de proteínas em glicose.
  
Gônadas (Ovários e Testículos)
 
As gônadas são glândulas sexuais, que constituem nos ovários (mulheres) e testículos (homens). Essas gônadas, além de produzirem
os gametas (óvulos e espermatozóides), também secretam hormônios, que serão descritos abaixo.
 Ovários: existem dois ovários localizados um de cada lado da cavidade pélvica. Sua anatomia detalhada está descrita em SISTE-
MA GENITAL FEMININO (LINK).
 Os ovários produzem dois hormônios sexuais femininos: o estrógeno e a progesterona. Esses hormônios participam do desenvol-
vimento e do funcionamento dos órgãos genitais femininos e da expressão das características sexuais femininas, sendo que tais caracte-
rísticas desenvolvem-se principalmente em resposta ao estrógeno. Elas incluem:
- Desenvolvimento das mamas;
- Distribuição da gordura nos quadris, coxas e mamas;
- Distribuição de pêlos em áreas específicas do corpo;
- Maturação de órgãos genitais;
- Fechamento das cartilagens epifisiais dos ossos longos.
 Tanto o estrógeno como a progesterona são controlados por hormônios de liberação no hipotálamo, e pelas gonadotropinas da
adenohipófise.
  
Testículos: estão localizados dentro do escroto. Sua anatomia detalhada está descrita em SISTEMA GENITAL MASCULINO
(LINK).
 
O principal hormônio secretado pelos testículos é a testosterona, um esteróide produzido por suas células intersticiais. O estímulo
para secreção da testosterona é o hormônio luteinizante (LH), proveniente da adeno-hipófise.
 A testosterona auxilia na maturação dos espermatozóides e é responsável pelas características sexuais masculinas, tais como:
 - Crescimento e desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos;
- Crescimento musculoesquelético;
- Crescimento e distribuição dos pêlos;
- Aumento da laringe, acompanhado por alterações da voz.
 A secreção da testosterona é controlada por hormônios de liberação produzidos no hipotálamo, e pelos hormônios luteinizantes da
adenohipófise.
  
Timo
 
O timo possui determinadas funções secretoras hormonais e linfáticas (produzindo linfócitos T). Ele varia de tamanho e atividade,
dependendo da idade, doença e do estado fisiológico, mas permanece ativo mesmo na idade avançada. Ao nascimento pesa cerca de 10
a 15g, crescendo até a puberdade, quando ele pesa de 30 a 40gm, ou seja, apresenta-se muito maior na criança do que no adulto, sendo
que após a puberdade, a glândula involui, ou se torna menor, sendo substituído por tecido conjuntivo a adiposo. No início da vida, ele é
de cor cinza-rózeo, mole e finamente lobulado, constituído em dois lobos piramidais iguais, unidos por tecido conectivo frouxo. Após a
meia idade, o timo torna-se amarelado devido à sua gradual substituição por tecido adiposo.

Didatismo e Conhecimento 75
BIOLOGIA
 O timo situa-se na parte superior da cavidade torácica, posteriormente ao esterno e das quatro cartilagens costais superiores, in-
feriormente à glândula tireóide. E anteriormente ao pericárdio, arco da aorta e seus ramos. Sendo mais preciso, o timo localiza-se nos
mediastinos superior e inferior anterior, estendendo-se inferiormente até a quarta cartilagem costal, com suas partes superiores afilando-
-se em direção ao pescoço e, algumas vezes, alcançando os pólos inferiores da glândula tireóide.
 O timo tem a função de produzir diversas substâncias (inclusive hormônios) que regulam a produção de linfócitos, a diferenciação e
as atividades no timo. Essas substâncias incluem quatro polipeptídeos principais quimicamente bem distribuídos: timulina, timopoetina,
timosina alfa I e timosina beta IV.
 A timulina é produzida dentro do timo e precisa da presença de zinco para a atividade funcional (reage exclusivamente com as
células T). A timopoetina intensifica diversas funções da célula T. A timulina e a timopoetina agem sistematicamente para dar regulação
imune perfeitamente ajustadas das células T, auxiliando a manutenção do equilíbrio entre as atividades de seus diferentes subconjuntos.
As atividades da timosina alfa I e beta IV não são bem claras. Sabe-se que as timosinas promovem maturação dos linfócitos no interior
do timo e também estimulam o desenvolvimento e a atividade dos linfócitos no desempenho de suas funções linfáticas por todo corpo.

OUTROS HORMÔNIOS
 
Hormônios Associados a Sistema Orgânicos Específicos
 
Esses hormônios normalmente controlam as atividades de um órgão específico. Por exemplo, células produtoras de hormônios pre-
sentes no trato digestório secretam colecistoquinina, gastrina e secretina. Esses hormônios ajudam a regular a digestão. Os rins secretam
eritropoietina, que auxilia a regular a produção de glóbulos vermelhos do sangue.
  
Prostaglandinas
 
As prostaglandinas são substâncias químicas (hormônios) derivados de ácidos graxos e do ácido aracdônico. São produzidas por
diversos tecidos e geralmente agem próximo aos seus sítios de secreção. Elas exercem importante papel na regulação da contração do
músculo liso e na resposta inflamatória. As prostaglandinas também são associadas ao aumento da sensibilidade das terminações ner-
vosas para a dor.

5.3. GENÉTICA

Genética
É a área da biologia que estuda os genes, os mecanismos de transmissão das características hereditárias de pais para filhos. Em ciên-
cias teve início com os trabalhos Gregor Mendel (1822-1884). Este termo foi criado em 1906, pelo biólogo britânico William Bateson.
Os geneticistas determinam os mecanismos hereditários pelos quais descendentes de organismos que se reproduzem de forma sexual
não se parecem exatamente com seus pais, e as diferenças e semelhanças entre pais e filhos que se reproduzem de geração em geração,
segundo determinados padrões.

Origem da Genética

A ciência da genética nasceu em 1900, quando vários investigadores da reprodução das plantas descobriram o trabalho do monge
austríaco Gregor Mendel, que, apesar de ter sido publicado em 1866, havia, na prática, sido ignorado por muito tempo. Mendel, que
trabalhou com a planta da ervilha, descreveu os padrões da herança em função de sete pares de traços contrastantes que apareciam em
sete variedades diferentes dessa planta.

Bases Físicas da Hereditariedade

Pouco depois da redescoberta dos trabalhos de Mendel, os cientistas perceberam que os padrões hereditários que ele havia descrito
eram comparáveis à ação dos cromossomos nas células em divisão, e sugeriram que as unidades mendelianas de herança, os genes, se
localizavam nos cromossomos.
Os cromossomos variam em forma e tamanho e em geral apresentam-se em pares. Os membros de cada par, chamados cromosso-
mos homólogos, têm grande semelhança entre si. A maioria das células do corpo humano contém 23 pares de cromossomos. Atualmente,
sabe-se que cada cromossomo contém muitos genes e que cada gene se localiza numa posição específica, o locus, no cromossomo.

Didatismo e Conhecimento 76
BIOLOGIA
Os gametas originam-se através da meiose, divisão na qual só se transmite a cada célula nova um cromossomo de cada um dos pares
da célula original. Quando, na fecundação, se unem dois gametas, a célula resultante, chamada zigoto, contém toda a dotação dupla de
cromossomos. A metade destes cromossomos procede de um progenitor e a outra metade do outro.

A transmissão de genes

A união dos gametas combina dois conjuntos de genes, um de cada progenitor. Por isso, cada gene — isto é, cada posição específica
sobre um cromossomo que afeta uma característica particular — está representado por duas cópias, uma procedente da mãe e outra do
pai. Quando as duas cópias são idênticas, diz-se que o indivíduo é homozigótico para aquele gene particular. Quando são diferentes, ou
seja, quando cada progenitor contribuiu com uma forma diferente, ou alelo, do mesmo gene, diz-se que o indivíduo é heterozigótico para
o gene. Ambos os alelos estão contidos no material genético do indivíduo, mas se um é dominante, apenas este se manifesta. No entanto,
como demonstrou Mendel, a característica recessiva pode voltar a manifestar-se em gerações posteriores (em indivíduos homozigóticos
para seus alelos).

Função dos genes: o ADN e o código da vida

Em 1944, o bacteriologista canadense Oswald Theodore Avere demonstrou que o ácido desoxirribonucléico (ADN) era a substância
fundamental que determinava a herança. O geneticista norte-americano James Watson e o britânico Francis Compton Crick descobriram
que a molécula de ADN é formada por duas cadeias que se enrolam, compondo uma hélice dupla, semelhante a uma escada em caracol.
As cadeias, o corrimão da escada, são constituídas por moléculas de fosfato e carboidratos que se alternam. As bases nitrogenadas, dis-
postas em pares, representam os degraus. Para fazer uma cópia nova e idêntica da molécula de ADN, só é necessário que as duas cadeias
se estendam e se separem por suas bases; graças à presença na célula de mais nucleotídeos, pode-se unir a cada cadeia separada bases
complementares novas, formando duas duplas hélices. Desde que se demonstrou que as proteínas eram produto dos genes, e que cada
gene era formado por frações de cadeias de ADN, os cientistas chegaram à conclusão de que deve haver um código genético através do
qual a ordem dos trípletes (ou códons), define a ordem dos aminoácidos no polipeptídeo.

As duas cadeias do ADN se separam numa porção de seu comprimento. Uma delas atua como suporte sobre o qual se forma o ARN
mensageiro (ARNm), num processo denominado transcrição. A molécula nova de ARNm se insere numa estrutura pequena chamada
ribossoma, de onde se forma a proteína. Neste processo, denominado tradução, a seqüência de bases de nucleotídeos presentes no ARNm
determina a ordem em que se unem os aminoácidos, para formar o polipeptídeo.

Mutações

Embora a replicação do ADN seja muito precisa, ela não é perfeita. Em raros casos, produzem-se erros e o ADN novo contém um ou
mais nucleotídeos trocados. Um erro deste tipo, que recebe o nome de mutação, pode acontecer em qualquer área do ADN. Se acontecer
na sequência de nucleotídeos que codifica um polipeptídeo particular, este pode apresentar um aminoácido trocado na cadeia polipeptí-
dica. Esta modificação pode alterar seriamente as propriedades da proteína resultante. Por exemplo, os polipeptídeos que distinguem a
hemoglobina normal da hemoglobina das células falciformes diferem em apenas um aminoácido (ver Anemia das células falciformes).
Quando se produz uma mutação durante a formação dos gametas, esta se transmitirá às gerações seguintes. Diferentes formas de radia-
ção, como os raios X, assim como as temperaturas elevadas e vários compostos químicos, podem induzir a mutações.

A substituição de um nucleotídeo por outro não é o único tipo possível de mutação. Algumas vezes, pode-se ganhar ou perder por
completo um nucleotídeo. Além disso, é possível que se produzam modificações mais óbvias ou graves, ou que se altere a própria forma
e o número dos cromossomos. Uma parte do cromossomo pode se separar, inverter e depois se unir de novo ao cromossomo no mesmo
lugar. Isto é chamado de inversão. Se o fragmento separado se une a um cromossomo diferente, ou a um fragmento diferente do cro-
mossomo original, o fenômeno se denomina translocação. Algumas vezes, perde-se um fragmento de um cromossomo que faz parte de
um par de cromossomos homólogos, e este fragmento é adquirido por outro. Então, diz-se que um apresenta uma deficiência e o outro
uma duplicação.

Outro tipo de mutação produz-se quando a meiose erra a separação de um par de cromossomos homólogos. Isto pode originar
gametas — e portanto zigotos — com cromossomos demais, e outros onde faltam um ou mais cromossomos. Os indivíduos com um
cromossomo a mais são chamados trissômicos, e aqueles nos quais falta um, monossômicos. Ambas as situações tendem a produzir
incapacidades graves. Por exemplo, as pessoas com síndrome de Down são trissômicas, com três cópias do cromossomo 21.

Didatismo e Conhecimento 77
BIOLOGIA
Hereditariedade humana

A maioria das características físicas humanas recebe influências das múltiplas variáveis genéticas e também do meio. Algumas,
como a altura, possuem forte componente genético, enquanto outras, como o peso, têm um componente ambiental muito importante. No
entanto, parece que outros caracteres, como os grupos sanguíneos e os antígenos que atuam na rejeição dos transplantes, estão totalmente
determinados por componentes genéticos. Os biólogos têm grande interesse no estudo e na identificação dos genes. Quando determi-
nado gene provoca uma doença específica, seu estudo é muito importante, do ponto de vista médico. O genoma humano contém entre
50 mil e 100 mil genes, dos quais cerca de 4 mil podem estar associados a doenças. O Projeto Genoma Humano, coordenado por várias
instituições, começou em 1990, com o objetivo de estabelecer o genoma humano completo. No final da década, pesquisadores america-
nos e britânicos decifraram pela primeira vez o genoma de um organismo pluricelular, um verme nematódeo de 1 mm de comprimento
chamado Coenorhabditis elegans. O sequenciamento do código genético consiste em determinar com precisão o encadeamento dos
pares de nucleotídeos, elementos unitários da estrutura do ADN, que são medidos em milhões de bases. O genoma do verme estudado é
constituído de 97 milhões de bases, que formam 19 mil genes. O estudo desses genes deverá permitir uma melhor compreensão do ge-
noma humano (que tem cerca de 3 bilhões de bases), pois o Coenorhabditis elegans tem muitos genes em comum com os seres humanos.

Engenharia genética

Método que modifica as características hereditárias de um organismo em um sentido predeterminado, mediante a alteração de seu
material genético. Geralmente, é usada para conseguir que determinados microorganismos, como bactérias ou vírus, aumentem a síntese
de compostos, formem compostos novos ou se adaptem a meios diferentes. Outra aplicação dessa técnica, também denominada técnica
de ADN recombinante, inclui a terapia genética: o fornecimento de um gene funcional a uma pessoa que sofre de uma anomalia genética.
Outros usos da engenharia genética são o aumento da resistência de culturas a pragas, a produção de compostos farmacêuticos no leite
dos animais, o desenvolvimento de vacinas e a alteração das características do gado.

Hereditariedade

Estudo de todas as características de um organismo que estão determinadas por certos elementos biologicamente ativos que proce-
dem de seus progenitores. Embora o estudo científico e experimental da hereditariedade, a genética, tenha se desenvolvido no início do
século XX, as teorias sobre este campo datam da Grécia antiga.

A redescoberta, em 1900, dos escritos de Gregor Mendel do ano de 1866 sobre os padrões de hereditariedade nas ervilhas promoveu
uma abordagem importante do problema da hereditariedade.

Uma das conquistas mais importantes para o desenvolvimento dos estudos sobre a hereditariedade em geral, e os princípios men-
delianos em particular, foi a separação entre genótipo e fenótipo, estabelecida pelo botânico dinamarquês Wilhelm Johannsen em 1911.

O genótipo refere-se aos genes que o organismo possui e é capaz de transmitir à geração seguinte. O fenótipo refere-se à aparência
(em termos de caracteres) que mostra um organismo. A importância desta distinção está no fato de que a única forma de determinar o
genótipo é através de experiências de reprodução, não simplesmente através do exame do fenótipo de um organismo.

Depois de vários anos de experiências com Drosophila melanogaster, Thomas Hunt Morgan ajudou a estabelecer a teoria cromos-
sômica da hereditariedade. O grupo de Morgan propôs que os fatores mendelianos se disporiam de forma linear sobre os cromossomos,
definindo deste modo a realidade física dos genes como partículas distintas.

Depois da II Guerra Mundial, o estudo da hereditariedade alcançou um alto grau de desenvolvimento, quando os biólogos começa-
ram a aprofundar-se sobre a própria natureza do gene. Nas décadas de 40 e 50, confirmou-se que os ácidos nucléicos são as substâncias
principais da hereditariedade e que atuam dirigindo a síntese de proteínas.

Didatismo e Conhecimento 78
BIOLOGIA

5.3.1. AÇÃO GÊNICA (RELAÇÃO ENTRE DNA,


RNA E PROTEÍNAS)

O processo de tradução gênica consiste em unir aminoácidos de acordo com o a sequência de códons do RNA mensageiro. Códon
é uma trinca de bases nitrogenadas do mRNA, que tem sua trinca complementar (anticódon) no RNA transportador correspondente.
Como a sequência do mRNA é determinada pelo gene (sequência de bases nitrogenadas do DNA), então a síntese de proteína
representa a tradução da informação genética, por isso é chamada de tradução gênica.

Participam da tradução gênica um grande grupo de macromoléculas: mais de 50 polipeptídeos e três a cinco moléculas de RNA em
cada ribossomo, pelo menos 20 enzimas ativadoras de aminoácidos, 40 a 60 moléculas diferentes de RNA transportador e várias prote-
ínas solúveis envolvidas em iniciação, alongamento e término da tradução.

A tradução ocorre nos ribossomos, que estão situados no citoplasma. O mRNA é traduzido em proteína pela ação de uma variedade
de moléculas de tRNA, cada uma específica para cada aminoácido. A sequência de nucleotídeos de uma molécula de mRNA é traduzida
na sequência apropriada de aminoácidos de acordo com as determinações do código genético. Existem 64 trincas possíveis de nucleotí-
deos, sendo que apenas 61 codificam a produção de aminoácidos (2 sinalizam o início da tradução), enquanto 3 trincas correspondem a
sequências de término da tradução.
A tradução tem início com a associação de um ribossomo, um mRNA e um tRNA carregando o aminácido metionina, que se ligam
ao sítio P do ribossomo. O anticódon deste tRNA é UAC e seu códon no mRNA é AUG. Essa trinca consiste no códon de inicialização.
Um outro tRNA liga-se ao ribossomo no sítio A.

Assim que os dois primeiros tRNAs se encaixam nos sítios P e A, o ribossomo catalisa a ligação dos aminoácidos de seus tRNAs,
deslocando-se pela molécula de mRNA, espaço correspondente a uma trinca de bases.
Conforme o ribossomo se desloca, os sítios são ocupados por novos tRNAs com seus aminoácidos correspondentes ao mRNA, e
as ligações entre os aminoácidos são sintetizadas, até encontrar as sequências de sinalização de término da tradução. A tradução termina
quando um códon finalizador é encontrado na mesma fita de mRNA que está sendo traduzida. Os códons são UGA, UAA ou UAG.
Como estes códons não são lidos, eles não têm efeito na tradução. Por fim, o polipeptídeo é liberado do ribossomo, que se torna dispo-
nível para começar a síntese de outra proteína.

Nucléicos, Ácidos

Moléculas muito complexas que produzem as células vivas e os vírus. Transmitem as características hereditárias de uma geração
para a seguinte e regulam a síntese de proteínas.

Os ácidos nucléicos são formados por subunidades chamadas nucleotídeos, que consistem em uma base nitrogenada, um açúcar de
5 carbonos e ácido fosfórico. Há duas classes de ácidos nucléicos, o ácido desoxirribonucléico (ADN), com uma estrutura em forma de
dupla hélice e o ácido ribonucléico (ARN), formado por uma única cadeia helicoidal. O ADN tem a pentose desoxirribose e as bases
nitrogenadas adenina, guanina, citosina e timina, e o ARN contém a pentose ribose e uracila em vez de timina.
A especificidade do ácido nucléico reside na sequência dos quatro tipos de bases nitrogenadas. Este código indica à célula como
reproduzir uma cópia de si mesma ou as proteínas que necessita para sua sobrevivência. Nos mamíferos, as cadeias de ADN estão agru-
padas formando cromossomos.

Interação gênica

Fenômeno em que vários pares de genes interagem entre si para influenciar uma única característica.
A interação gênica envolve graus variáveis de complexidade. Os casos mais simples, porém, resultam da interação entre dois genes
não-alelos que são independentemente segregados. Em um estudo clássico realizado por Bateson e Punnett, ficou demonstrado que o
caráter “tipo de crista” em galinhas, por exemplo, é determinado por dois pares independentes de genes. O contrário da interação gênica
é a pleiotropia, em que um par de genes determina ao mesmo tempo mais de um caráter do organismo.

Didatismo e Conhecimento 79
BIOLOGIA
Gene

Unidade de hereditariedade, partícula de material genético que determina a hereditariedade de determinada característica, ou de um
grupo delas. Os genes estão localizados nos cromossomos no núcleo celular e se alinham ao longo de cada um deles. Cada gene ocupa
no cromossomo uma posição, ou locus.
O material genético é o ácido desoxirribonucléico, o ADN, uma molécula que representa a “coluna vertebral” do cromossomo.
Como em cada cromossomo o ADN é uma molécula contínua, alongada, simples e delgada, os genes devem ser parte dela e exercem
seus efeitos através das moléculas às quais dão origem, em sua maioria proteínas.
Profilaxia é a parte da medicina que tem por objeto as medidas preventivas contra as doenças e enfermidades. É o emprego de todos
os meios conhecidos para evitar doenças. Pode ser um trabalho preservativo ou defensivo.

Síntese Proteica

A síntese proteica é um fenômeno relativamente rápido e muito complexo que ocorre em quase todos os organismos, e se desenvolve
no interior das células. Este processo tem duas fases: transcrição e a tradução.

Transcrição: Ocorre no interior do núcleo das células e consiste na síntese de uma molécula de RNAm (RNA Mensageiro) a partir
da leitura da informação contida no cístron de uma molécula de DNA. Este processo inicia-se pela ligação de um complexo enzimático
à molécula de DNA, o RNA-polimerase. A enzima helicase desfaz a dupla hélice, destruindo as ligações de hidrogênio que ligam as
bases complementares das duas cadeias, afastando-as. O RNA-polimerase, inicia a síntese de uma molécula de mRNA de acordo com
a complementaridade das bases nitrogenadas. Nesse processo, as bases pareiam-se: a adenina do DNA se liga à uracila do RNAm, a
timina do DNA com a adenina do RNAm, a citosina do DNA com a guanina do RNAm, e assim sucessivamente, havendo a intervenção
da enzima RNA-polimerase. Quando a leitura termina, a molécula mRNA separa-se da cadeia do DNA, esta restabelece as ligações de
hidrogênio e a dupla hélice é reconstituída.
Nem todas as sequências da molécula do DNA codificam aminoácidos. O RNA sintetizado sofre um processamento ou maturação
antes de abandonar o núcleo. Algumas porções do RNA transcrito, “íntrons”, vão ser removidas e as porções não removidas, “éxons”,
ligam-se entre si, formando assim um mRNA maturado. O RNA que sofre este processo de exclusão de porções é designado do RNA
pré-mensageiro. No final do processo, o mRNA é constituído apenas pelas sequências que codificam os aminoácidos de uma proteína,
podendo assim migrar para o citoplasma, onde vai ocorrer a tradução da mensagem, isto é, a síntese de proteínas.

Ativação de aminoácidos: Nessa etapa, atua o RNA transportador (RNAt), que leva os aminoácidos dispersos no citoplasma até os
ribossomos. Numa das regiões do RNAt está o anticódon, uma sequência de 3 bases complementares ao códon de RNAm. A ativação
dos aminoácidos é dada por enzimas específicas que se unem ao RNA transportador, formando o complexo aa-RNAt, dando origem
ao anticódon (um trio de códons complementar aos códons do RNAm). Para que esse processo ocorra é preciso haver energia, que é
fornecida pelo ATP.

Tradução: Ocorre no citoplasma e é a segunda parte da síntese proteica. Nessa fase a mensagem contida no RNAm é decodificada
no ribossomo.

Participa do processo.
- mRNA ou RNA mensageiro, que vem do interior do núcleo;
- Os ribossomos;
- O RNAt ou RNA ribossomal (ou ainda RNA transportador);
- Enzimas (responsáveis pelo controle das reações de síntese);
- E o ATP, é o que fornece energia necessária para o processo.

Nas moléculas de RNAt apresentam-se cadeias de 75 a 80 ribonucleotídeos que funcionam como intérpretes da linguagem do
mRNA e da linguagem das proteínas.

Toda molécula de mRNA possui:


- um Códon de iniciaçao, que é sempre o mesmo (AUG), correspondente ao aminoácido metionima;
- vários códons que determinam a sequência dos aminoácidos no polipeptídeo;
- um códon de terminaçao, que marca o final daquela cadeia polipeptídica, podendo ser UAG, UAA, ou UGA; só há um deles na
molécula de mRNA.

Didatismo e Conhecimento 80
BIOLOGIA
O processo da tradução encerra com três etapas: iniciação, alongamento e finalização.

Iniciação: A subunidade menor do ribossoma liga-se à extremidade 5’ do mRNA, esta, desliza ao longo da molécula do mRNA
até encontrar o codão de iniciação (AUG), transportando o tRNA ligado a um aminoácido, ligando-se ao codão de iniciação por com-
plementaridade. A subunidade maior liga-se à subunidade menor do ribossoma. O processo de tradução começa pelo aminoácido de
metionina AUG.

Alongamento: Um 2º tRNA transporta um aminoácido específico de acordo com o codão. Estabelece-se uma ligação peptídica entre
o aminoácido recém-chegado e a metionina. O ribossoma avança três bases ao longo do mRNA no sentido 5’ -> 3’, repetindo-se sempre
o mesmo processo. Os tRNA que já se ligaram inicialmente, vão-se desprendendo do mRNA sucessivamente.
Finalização: O ribossomo encontra o condão de finalização - UAA, UAG ou UGA terminando assim o alongamento. Quando
último tRNA abandona o ribossoma, as subunidades do ribossoma separam-se, podendo ser recicladas e por fim, a proteína é libertada.

5.3.2. HERANÇA MENDELIANA

Leis de Mendel

Genética

Desde os tempos mais remotos o homem tomou consciência da importância do macho e da fêmea na geração de seres da mesma
espécie, e que características como altura, cor da pele etc. eram transmitidas dos pais para os descendentes. Assim, com certeza, uma
cadela quando cruzar com um cão, irá originar um filhote com características de um cão e nunca de um gato. Mas por quê?

Mendel, o iniciador da genética

Gregor Mendel nasceu em 1822, em Heinzendorf, na Áustria. Era filho de pequenos fazendeiros e, apesar de bom aluno, teve de
superar dificuldades financeiras para conseguir estudar. Em 1843, ingressou como noviço no mosteiro de agostiniano da cidade de
Brünn, hoje Brno, na atual República Tcheca. Após ter sido ordenado monge, em 1847, Mendel ingressou na Universidade de Viena,
onde estudou matemática e ciências por dois anos. Ele queria ser professor de ciências naturais, mas foi mal sucedido nos exames. De
volta a Brünn, onde passou o resto da vida. Mendel continuou interessado em ciências. Fez estudos meteorológicos, estudou a vida das
abelhas e cultivou plantas, tendo produzido novas variedades de maças e peras. Entre 1856 e 1865, realizou uma série de experimentos
com ervilhas, com o objetivo de entender como as características hereditárias eram transmitidas de pais para filhos.

Em 8 de março de 1865, Mendel apresentou um trabalho à Sociedade de História Natural de Brünn, no qual enunciava as suas leis
de hereditariedade, deduzidas das experiências com as ervilhas. Publicado em 1866, com data de 1865, esse trabalho permaneceu prati-
camente desconhecido do mundo científico até o início do século XX. Pelo que se sabe, poucos leram a publicação, e os que leram não
conseguiram compreender sua enorme importância para a Biologia. As leis de Mendel foram redescobertas apenas em 1900, por três
pesquisadores que trabalhavam independentemente. Mendel morreu em Brünn, em 1884. Os últimos anos de sua vida foram amargos e
cheios de desapontamento. Os trabalhos administrativos do mosteiro o impediam de se dedicar exclusivamente à ciência, e o monge se
sentia frustrado por não ter obtido qualquer reconhecimento público pela sua importante descoberta. Hoje Mendel é tido como uma das
figuras mais importantes no mundo científico, sendo considerado o“pai” da Genética. No mosteiro onde viveu existe um monumento em
sua homenagem, e os jardins onde foram realizados os célebres experimentos com ervilhas até hoje são conservados.

Os experimentos de Mendel

A escolha da planta

A ervilha é uma planta herbácea leguminosa que pertence ao mesmo grupo do feijão e da soja.
Na reprodução, surgem vagens contendo sementes, as ervilhas. Sua escolha como material de experiência não foi casual: uma planta
fácil de cultivar, de ciclo reprodutivo curto e que produz muitas sementes. Desde os tempos de Mendel existiam muitas variedades dis-
poníveis, dotadas de características de fácil comparação. Por exemplo, a variedade que flores púrpuras podia ser comparada com a que
produzia flores brancas; a que produzia sementes lisas poderia ser comparada cm a que produzia sementes rugosas, e assim por diante.

Didatismo e Conhecimento 81
BIOLOGIA
Outra vantagem dessas plantas é que estame e pistilo, os componentes envolvidos na reprodução sexuada do vegetal, ficam encer-
rados no interior da mesma flor, protegidas pelas pétalas. Isso favorece a autopolinização e, por extensão, a autofecundação, formando
descendentes com as mesmas características das plantas genitoras.

A partir da autopolinização, Mendel produziu e separou diversas linhagens puras de ervilhas para as características que ele pre-
tendia estudar. Por exemplo, para cor de flor, plantas de flores de cor de púrpura sempre produziam como descendentes plantas de
flores púrpuras, o mesmo ocorrendo com o cruzamento de plantas cujas flores eram brancas. Mendel estudou sete características nas
plantas de ervilhas: cor da flor, posição da flor no caule, cor da semente, aspecto externo da semente, forma da vagem, cor da vagem
e altura da planta.

Os cruzamentos

Depois de obter linhagens puras, Mendel efetuou um cruzamento diferente. Cortou os estames de uma flor proveniente de
semente verde e depois depositou, nos estigmas dessa flor, pólen de uma planta proveniente de semente amarela. Efetuou, então,
artificialmente, uma polinização cruzada: pólen de uma planta que produzia apenas semente amarela foi depositado no estigma de
outra planta que só produzia semente verde, ou seja, cruzou duas plantas puras entre si. Essas duas plantas foram consideradas como
a geração parental (P), isto é, a dos genitores. Após repetir o mesmo procedimento diversas vezes, Mendel verificou que todas as
sementes originadas desses cruzamentos eram amarelas – a cor verde havia aparentemente “desaparecido” nos descendentes híbridos
(resultantes do cruzamento das plantas), que Mendel chamou de F1 (primeira geração filial). Concluiu, então, que a cor amarela “do-
minava” a cor verde. Chamou o caráter cor amarela da semente de dominante e o verde de recessivo. A seguir, Mendel fez germinar
as sementes obtidas em F1 até surgirem as plantas e as flores. Deixou que se autofertilizassem e aí houve a surpresa: a cor verde das
sementes reapareceu na F2 (segunda geração filial), só eu em proporção menor que as de cor amarela: surgiram 6.022 sementes ama-
relas para 2.001 verdes, o que conduzia a proporção 3:1. Concluiu que na verdade, a cor verde das sementes não havia “desaparecido”
nas sementes da geração F1. O que ocorreu é que ela não tinha se manifestado, uma vez que, sendo uma caráter recessivo, era apenas
“dominado” (nas palavras de Mendel) pela cor amarela. Mendel concluiu que a cor das sementes era determinada por dois fatores,
cada um determinando o surgimento de uma cor, amarela ou verde.

Didatismo e Conhecimento 82
BIOLOGIA
Era necessário definir uma simbologia para representar esses fatores: escolheu a inicial do caráter recessivo. Assim, a letra v (ini-
cial de verde), minúscula, simbolizava o fator recessivo. Assim, a letra v (inicial de verde), minúscula, simbolizava o fator recessivo
– para cor verse – e a letra V, maiúscula, o fator dominante – para cor amarela.

VV vv Vv
Semente amarela Semente verde Semente amarela
pura pura híbrida

Persistia, porém, uma dúvida: Como explicar o desaparecimento da cor verde na geração F1 e o seu reaparecimento na geração
F2? A resposta surgiu a partir do conhecimento de que cada um dos fatores se separava durante a formação das células reprodutoras,
os gametas. Dessa forma, podemos entender como o material hereditário passa de uma geração para a outra. Acompanhe nos esque-
mas abaixo os procedimentos adorados por Mendel com relação ao caráter cor da semente em ervilhas.

Resultado: em F2, para cada três sementes amarelas, Mendel obteve uma semente de cor verde. Repetindo o procedimento para
outras seis características estudadas nas plantas de ervilha, sempre eram obtidos os mesmos resultados em F2, ou seja a proporção de
três expressões dominantes para uma recessiva.

Leis de Mendel

1ª Lei de Mendel: Lei da Segregação dos Fatores

A comprovação da hipótese de dominância e recessividade nos vários experimentos efetuados por Mendel levou, mais tarde à
formulação da sua 1º lei: “Cada característica é determinada por dois fatores que se separam na formação dos gametas, onde
ocorrem em dose simples”, isto é, para cada gameta masculino ou feminino encaminha-se apenas um fator. Mendel não tinha ideia
da constituição desses fatores, nem onde se localizavam.

As bases celulares da segregação

A redescoberta dos trabalhos de Mendel, em 1900, trouxe a questão: onde estão os fatores hereditários e como eles se segre-
gam? Em 1902, enquanto estudava a formação dos gametas em gafanhotos, o pesquisador norte americano Walter S. Sutton notou
surpreendente semelhança entre o comportamento dos cromossomos homólogos, que se separavam durante a meiose, e os fatores
imaginados por Mendel. Sutton lançou a hipótese de que os pares de fatores hereditários estavam localizados em pares de cromosso-
mos homólogos, de tal maneira que a separação dos homólogos levava à segregação dos fatores. Hoje sabemos que os fatores a que
Mendel se referiu são os genes (do grego genos, originar, provir), e que realmente estão localizados nos cromossomos, como Sutton
havia proposto. As diferentes formas sob as quais um gene pode se apresentar são denominadas alelos. A cor amarela e a cor verde
da semente de ervilha, por exemplo, são determinadas por dois alelos, isto é, duas diferentes formas do gene para cor da semente.

Didatismo e Conhecimento 83
BIOLOGIA

Exemplo da primeira lei de Mendel em um animal

Vamos estudar um exemplo da aplicação da primeira lei de Mendel em um animal, aproveitando para aplicar a terminologia
modernamente usada em Genética. A característica que escolhemos foi a cor da pelagem de cobaias, que pode ser preta ou branca. De
acordo com uma convenção largamente aceita, representaremos por B o alelo dominante, que condiciona a cor preta, e por b o alelo
recessivo, que condiciona a cor branca. Uma técnica simples de combinar os gametas produzidos pelos indivíduos de F1 para obter a
constituição genética dos indivíduos de F2 é a montagem do quadrado de Punnet. Este consiste em um quadro, com número de fileiras e
de colunas que correspondem respectivamente, aos tipos de gametas masculinos e femininos formados no cruzamento. O quadrado de
Punnet para o cruzamento de cobaias heterozigotas é:

Gametas maternos
Bb
B BB Bb
G a m e t a s Preto Preto
paternos Bb bb
b Preto Branco

Os conceitos de fenótipo e genótipo

Dois conceitos importantes para o desenvolvimento da genética, no começo do século XX, foram os de fenótipo e genótipo,
criados pelo pesquisador dinamarquês Wilhelm L. Johannsen (1857 – 1912).

Fenótipo

O termo “fenótipo” (do grego pheno, evidente, brilhante, e typos, característico) é empregado para designar as características
apresentadas por um indivíduo, sejam elas morfológicas, fisiológicas e comportamentais. Também fazem parte do fenótipo caracte-
rísticas microscópicas e de natureza bioquímica, que necessitam de testes especiais para a sua identificação. Entre as características
fenotípicas visíveis, podemos citar a cor de uma flor, a cor dos olhos de uma pessoa, a textura do cabelo, a cor do pelo de um animal,
etc. Já o tipo sanguíneo e a sequência de aminoácidos de uma proteína são características fenotípicas revelada apenas mediante testes
especiais.

Didatismo e Conhecimento 84
BIOLOGIA
O fenótipo de um indivíduo sofre transformações com o passar do tempo. Por exemplo, à medida que envelhecemos o nosso
corpo se modifica. Fatores ambientais também podem alterar o fenótipo: se ficarmos expostos à luz do sol, nossa pele escurecerá.

Genótipo

O termo “genótipo” (do grego genos, originar, provir, e typos, característica) refere-se à constituição genética do indivíduo, ou
seja, aos genes que ele possui. Estamos nos referindo ao genótipo quando dizemos, por exemplo, que uma planta de ervilha é homo-
zigota dominante (VV) ou heterozigota(Vv) em relação à cor da semente.
Fenótipo: genótipo e ambiente em interação

O fenótipo resulta da interação do genótipo com o ambiente. Consideremos, por exemplo, duas pessoas que tenham os mesmos
tipos de alelos para pigmentação da pele; se uma delas toma sol com mais frequência que a outra, suas tonalidades de pele, fenótipo,
são diferentes. Um exemplo interessante de interação entre genótipo e ambiente na produção do fenótipo é a reação dos coelhos da
raça himalaia à temperatura. Em temperaturas baixas, os pelos crescem pretos e, em temperaturas altas, crescem brancos. A pelagem
normal desses coelhos é branca, menos nas extremidades do corpo (focinho, orelha, rabo e patas), que, por perderem mais calor e
apresentarem temperatura mais baixa, desenvolvem pelagem preta.

Determinando o genótipo

Enquanto que o fenótipo de um indivíduo pode ser observado diretamente, mesmo que seja através de instrumentos, o genótipo
tem que ser inferido através da observação do fenótipo, da análise de seus pais, filhos e de outros parentes ou ainda pelo sequencia-
mento do genoma do indivíduo, ou seja, leitura do que está nos genes. A técnica do sequenciamento, não é amplamente utilizada,
devido ao seu alto custo e pela necessidade de aparelhagem especializada. Por esse motivo a observação do fenótipo e análise dos
parentes ainda é o recurso mais utilizado para se conhecer o genótipo.
Quando um indivíduo apresenta o fenótipo condicionado pelo alelo recessivo, conclui-se que ele é homozigoto quanto ao alelo
em questão. Por exemplo, uma semente de ervilha verde é sempre homozigota vv. Já um indivíduo que apresenta o fenótipo condicio-
nado pelo alelo dominante poderá ser homozigoto ou heterozigoto. Uma semente de ervilha amarela, por exemplo, pode ter genótipo
VV ou Vv. Nesse caso, o genótipo do indivíduo só poderá ser determinado pela análise de seus pais e de seus descendentes.
Caso o indivíduo com fenótipo dominante seja filho de pai com fenótipo recessivo, ele certamente será heterozigoto, pois herdou
do pai um alelo recessivo. Entretanto, se ambos os pais têm fenótipo dominante, nada se pode afirmar. Será necessário analisar a
descendência do indivíduo em estudo: se algum filho exibir o fenótipo recessivo, isso indica que ele é heterozigoto.

Cruzamento-Teste

Este cruzamento é feito com um indivíduo homozigótico recessivo para o fator que se pretende estudar, que facilmente se iden-
tifica pelo seu fenótipo e um outro de genótipo conhecido ou não. Por exemplo, se cruzarmos um macho desconhecido com uma
fêmea recessiva podemos determinar se o macho é portador daquele caráter recessivo ou se é puro. Caso este seja puro todos os filhos
serão como ele, se for portador 25% serão brancos, etc. Esta explicação é muito básica, pois geralmente é preciso um pouco mais do
que este único cruzamento. A limitação destes cruzamentos está no fato de não permitirem identificar portadores de alelos múltiplos
para a mesma característica, ou seja, podem existir em alguns casos mais do que dois alelos para o mesmo gene e o efeito da sua
combinação variar. Além disso, podemos estar cruzando um fator para o qual o macho ou fêmea teste não são portadores, mas sim
de outros alelos.

Didatismo e Conhecimento 85
BIOLOGIA
Construindo um Heredograma

No caso da espécie humana, em que não se pode realizar experiências com cruzamentos dirigidos, a determinação do padrão de
herança das características depende de um levantamento do histórico das famílias em que certas características aparecem. Isso per-
mite ao geneticista saber se uma dada característica é ou não hereditária e de que modo ela é herdada. Esse levantamento é feito na
forma de uma representação gráfica denominada heredograma (do latim heredium, herança), também conhecida como genealogia ou
árvore genealógica. Construir um heredograma consiste em representar, usando símbolos, as relações de parentesco entre os indiví-
duos de uma família. Cada indivíduo é representado por um símbolo que indica as suas características particulares e sua relação de
parentesco com os demais. Indivíduos do sexo masculino são representados por um quadrado, e os do sexo feminino, por um círculo.
O casamento, no sentido biológico de procriação, é indicado por um traço horizontal que une os dois membros do casal. Os filhos de
um casamento são representados por traços verticais unidos ao traço horizontal do casal.

Os principais símbolos são os seguintes:

A montagem de um heredograma obedece a algumas regras:


1ª) Em cada casal, o homem deve ser colocado à esquerda, e a mulher à direita, sempre que for possível.
2ª) Os filhos devem ser colocados em ordem de nascimento, da esquerda para a direita.
3ª) Cada geração que se sucede é indicada por algarismos romanos (I, II, III, etc.). Dentro de cada geração, os indivíduos são
indicados por algarismos arábicos, da esquerda para a direita. Outra possibilidade é se indicar todos os indivíduos de um heredograma
por algarismos arábicos, começando-se pelo primeiro da esquerda, da primeira geração.

Interpretação dos Heredogramas

A análise dos heredogramas pode permitir se determinar o padrão de herança de uma certa característica (se é autossômica, se
é dominante ou recessiva, etc.). Permite, ainda, descobrir o genótipo das pessoas envolvidas, se não de todas, pelo menos de parte
delas. Quando um dos membros de uma genealogia manifesta um fenótipo dominante, e não conseguimos determinar se ele é homo-
zigoto dominante ou heterozigoto, habitualmente o seu genótipo é indicado como A_, B_ou C_, por exemplo. A primeira informação
que se procura obter, na análise de um heredograma, é se o caráter em questão é condicionado por um gene dominante ou recessivo.
Para isso, devemos procurar, no heredograma, casais que são fenotipicamente iguais e tiveram um ou mais filhos diferentes deles. Se
a característica permaneceu oculta no casal, e se manifestou no filho, só pode ser determinada por um gene recessivo. Pais fenotipi-
camente iguais, com um filho diferente deles, indicam que o caráter presente no filho é recessivo!
Uma vez que se descobriu qual é o gene dominante e qual é o recessivo, vamos agora localizar os homozigotos recessivos, porque
todos eles manifestam o caráter recessivo. Depois disso, podemos começar a descobrir os genótipos das outras pessoas. Devemos
nos lembrar de duas coisas:
1ª) Em um par de genes alelos, um veio do pai e o outro veio da mãe. Se um indivíduo é homozigoto recessivo, ele deve ter
recebido um gene recessivo de cada ancestral.
2ª) Se um indivíduo é homozigoto recessivo, ele envia o gene recessivo para todos os seus filhos. Dessa forma, como em um
“quebra-cabeça”, os outros genótipos vão sendo descobertos. Todos os genótipos devem ser indicados, mesmo que na sua forma
parcial (A_, por exemplo).

Didatismo e Conhecimento 86
BIOLOGIA
Exemplo:

Em uma árvore desse tipo, as mulheres são representadas por círculos e os homens por quadrados. Os casamentos são indicados
por linhas horizontais ligando um círculo a um quadrado. Os algarismos romanos I, II, III à esquerda da genealogia representam as
gerações. Estão representadas três gerações. Na primeira há uma mulher e um homem casados, na segunda, quatro pessoas, sendo três
do sexo feminino e uma do masculino. Os indivíduos presos a uma linha horizontal por traços verticais constituem uma irmandade.
Na segunda geração observa-se o casamento de uma mulher com um homem de uma irmandade de três pessoas.

Dominância incompleta ou Codominância

Nem todas as características são herdadas como a cor da semente da ervilha, em que o gene para a cor amarela domina sobre o
gene para cor verde. Muito frequentemente a combinação dos genes alelos diferentes produz um fenótipo intermediário. Essa situa-
ção ilustra a chamada dominância incompleta ou parcial. Um exemplo desse tipo de herança é a cor das flores maravilha. Elas podem
ser vermelhas, brancas ou rosas. Plantas que produzem flores cor-de-rosa são heterozigotas, enquanto os outros dois fenótipos são
devidos à condição homozigota. Supondo que o gene V determine a cor vermelha e o gene B, cor branca, teríamos:
VV = flor vermelha
BB = flor branca
VB = flor cor-de-rosa

Apesar de anteriormente usarmos letras maiúsculas para indicar, respectivamente, os genes dominantes e recessivos, quando
se trata de dominância incompleta muitos autores preferem utilizar apenas diferentes letras maiúsculas. Fazendo o cruzamento de
uma planta de maravilha que produz flores vermelhas com outra que produz flores brancas e analisando os resultados fenotípicos da
geração F1e F2, teríamos:

Agora analisando os resultados genotípicos da geração F1e F2, teríamos:

Flor Branca
P:
BB

Didatismo e Conhecimento 87
BIOLOGIA

BV BV
V cor-de-rosa cor-de-rosa
Flor Vermelha
V VB VB
cor-de-rosa cor-de-rosa
F1 = 100% VB (flores cor-de-rosa)
Cruzando, agora, duas plantas heterozigotas (flores cor-de-rosa), teríamos:

Flor cor-de-rosa
F1
VB
V
VV BV
Flor cor-de-rosa
Vermelha cor-de-rosa
B
VB BB
cor-de-rosa Branca

F2 = Genótipos: 1/4 VV, 1/2 VB, 1/4 BB.


Fenótipo: 1/4 plantas com flores vermelhas
1/2 plantas com flores cor-de-rosa
1/4 plantas com flores brancas
Alelos letais: Os genes que matam

As mutações que ocorrem nos seres vivos são totalmente aleatórias e, às vezes, surgem variedades genéticas que podem levar
a morte do portador antes do nascimento ou, caso ele sobreviva, antes de atingir a maturidade sexual. Esses genes que conduzem à
morte do portador, são conhecidos como alelos letais. Por exemplo, em uma espécie de planta existe o gene C, dominante, respon-
sável pela coloração verde das folhas. O alelo recessivo c, condiciona a ausência de coloração nas folhas, portanto o homozigoto
recessivo cc morre ainda na fase jovem da planta, pois esta precisa do pigmento verde para produzir energia através da fotossíntese.
O heterozigoto é uma planta saudável, mas não tão eficiente na captação de energia solar, pela coloração verde clara em suas folhas.
Assim, se cruzarmos duas plantas heterozigotas, de folhas verdes claras, resultará na proporção 2:1 fenótipos entre os descendentes,
ao invés da proporção de 3:1 que seria esperada se fosse um caso clássico de monoibridismo (cruzamento entre dois indivíduos hete-
rozigotos para um único gene). No caso das plantas o homozigoto recessivo morre logo após germinar, o que conduz a proporção 2:1.

Planta com folhas verde claras


P
Cc
C CC Cc
Planta com folhas Verde escuro Verde clara
verde claras Cc cc
c Verde clara Inviável

F1 = Fenótipo: 2/3 Verde clara


1/3 Verde escura
Genótipo: 2/3 Cc
1/3 CC

Esse curioso caso de genes letais foi descoberto em 1904 pelo geneticista francês Cuénot, que estranhava o fato de a proporção
de 3:1 não ser obedecida. Logo, concluiu se tratar de uma caso de gene recessivo que atuava como letal quando em dose dupla. No
homem, alguns genes letais provocam a morte do feto. É o caso dos genes para acondroplasia, por exemplo. Trata-se de uma anoma-
lia provocada por gene dominante que, em dose dupla, acarreta a morte do feto, mas em dose simples ocasiona um tipo de nanismo,
entre outras alterações. Hágenes letais no homem, que se manifestam depois do nascimento, alguns na infância e outros na idade
adulta. Na infância, por exemplo, temos os causadores da fibrose cística e da distrofia muscular de Duchenne (anomalia que acarreta
a degeneração da bainha de mielina nos nervos). Dentre os que se expressam tardiamente na vida do portador, estão os causadores da
doença de Huntington, em que há a deterioração do tecido nervoso, com perde de células principalmente em uma parte do cérebro,
acarretando perda de memória, movimentos involuntários e desequilíbrio emocional.

Didatismo e Conhecimento 88
BIOLOGIA
Como os genes se manifestam

Vimos que, em alguns casos, os genes se manifestam com fenótipos bem distintos. Por exemplo, os genes para a cor das sementes
em ervilhas manifestam-se com fenótipos bem definidos, sendo encontradas sementes amarelas ou verdes. A essa manifestação gêni-
ca bem determinada chamamos de variação gênica descontínua, pois não há fenótipos intermediários. Há herança de características,
no entanto, cuja manifestação do gene (também chamada de expressividade) não determina fenótipos tão definidos, mas sim uma
gradação de fenótipos. A essa gradação da expressividade do gene, variando desde um fenótipo que mostra leve expressão da caracte-
rística até sua expressão total, chamamos de norma de reação ou expressividade variável. Por exemplo, os portadores dos genes para
braquidactilia (dedos curto) podem apresentar fenótipos variando de dedos levemente mais curtos até a total falta deles. Alguns genes
sempre que estão presentes se manifestam, dizemos que são altamente penetrantes. Outros possuem uma penetrância incompleta, ou
seja, apenas uma parcela dos portadores do genótipo apresenta o fenótipo correspondente.

Observe que o conceito de penetrância está relacionado à expressividade do gene em um conjunto de indivíduos, sendo apre-
sentado em termos percentuais. Assim, por exemplo, podemos falar que a penetrância para o gene para a doença de Huntington é de
100%, o que quer dizer que 100% dos portadores desse gene apresentam (expressam) o fenótipo correspondente.

Noções de probabilidade aplicadas à genética

Acredita-se que um dos motivos para as ideias de Mendel permanecerem incompreendidas durante mais de 3 décadas foi o racio-
cínio matemático que continham. Mendel partiu do princípio que a formação dos gametas seguia as leis da probabilidade, no tocante
a distribuição dos fatores.

Princípios básicos de probabilidade

Probabilidade é a chance que um evento tem de ocorrer, entre dois ou mais eventos possíveis. Por exemplo, ao lançarmos uma
moeda, qual a chance dela cair com a face “cara” voltada para cima? E em um baralho de 52 cartas, qual a chance de ser sorteada
uma carta do naipe ouros?

Eventos Aleatórios

Eventos como obter “cara” ao lançar uma moeda, sortear um “ás” de ouros do baralho, ou obter “face 6” ao jogar um dado são
denominados eventos aleatórios (do latim alea, sorte) porque cada um deles tem a mesma chance de ocorrer em relação a seus res-
pectivos eventos alternativos. Veja a seguir as probabilidades de ocorrência de alguns eventos aleatórios. Tente explicar por que cada
um deles ocorre com a probabilidade indicada.

- A probabilidade de sortear uma carta de espadas de um baralho de 52 cartas é de ¼.


- A probabilidade de sortear um rei qualquer de um baralho de 52 cartas é de 1/13.
- A probabilidade de sortear o rei de espadas de um baralho de 52 cartas é de 1/52.

A formação de um determinado tipo de gameta, com um outro alelo de um par de genes, também é um evento aleatório. Um
indivíduo heterozigoto Aa tem a mesma probabilidade de formar gametas portadores do alelo A do que de formar gametas com o
alelo a (1/2 A: 1/2 a).

Eventos Independentes

Quando a ocorrência de um evento não afeta a probabilidade de ocorrência de um outro, fala-se em eventos independentes. Por
exemplo, ao lançar várias moedas ao mesmo tempo, ou uma mesma moeda várias vezes consecutivas, um resultado não interfere nos
outros. Por isso, cada resultado é um evento independente do outro. Da mesma maneira, o nascimento de uma criança com um deter-
minado fenótipo é um evento independente em relação ao nascimento de outros filhos do mesmo casal. Por exemplo, imagine uma
casal que já teve dois filhos homens; qual a probabilidade que uma terceira criança seja do sexo feminino? Uma vez que a formação
de cada filho é um evento independente, a chance de nascer uma menina, supondo que homens e mulheres nasçam com a mesma
freqüência, é 1/2 ou 50%, como em qualquer nascimento.

Didatismo e Conhecimento 89
BIOLOGIA
A regra do “e”

A teoria das probabilidades diz que a probabilidade de dois ou mais eventos independentes ocorrerem conjuntamente é igual ao
produto das probabilidades de ocorrerem separadamente. Esse princípio é conhecido popularmente como regra do “e”, pois corres-
ponde a pergunta: qual a probabilidade de ocorrer um evento E outro, simultaneamente? Suponha que você jogue uma moeda duas
vezes. Qual a probabilidade de obter duas “caras”, ou seja, “cara” no primeiro lançamento e “cara” no segundo? A chance de ocorrer
“cara” na primeira jogada é, como já vimos, igual a ½; a chance de ocorrer “cara” na segunda jogada também é igual a1/2. Assim a
probabilidade desses dois eventos ocorrer conjuntamente é 1/2 X 1/2 = 1/4.
No lançamento simultâneo de três dados, qual a probabilidade de sortear “face 6” em todos? A chance de ocorrer “face 6” em
cada dado é igual a 1/6. Portanto a probabilidade de ocorrer “face 6” nos três dados é 1/6 X 1/6 X 1/6 = 1/216. Isso quer dizer que a
obtenção de três “faces 6” simultâneas se repetirá, em média, 1 a cada 216 jogadas.

Um casal quer ter dois filhos e deseja saber a probabilidade de que ambos sejam do sexo masculino. Admitindo que a probabili-
dade de ser homem ou mulher é igual a ½, a probabilidade de o casal ter dois meninos é 1/2 X 1/2, ou seja, ¼.

A regra do “ou”

Outro princípio de probabilidade diz que a ocorrência de dois eventos que se excluem mutuamente é igual à soma das proba-
bilidades com que cada evento ocorre. Esse princípio é conhecido popularmente como regra do “ou”, pois corresponde à pergunta:
qual é a probabilidade de ocorrer um evento OU outro? Por exemplo, a probabilidade de obter “cara” ou “coroa”, ao lançarmos uma
moeda, é igual a 1, porque representa a probabilidade de ocorrer “cara” somada à probabilidade de ocorrer “coroa” (1/2 + 1/2 =1).
Para calcular a probabilidade de obter “face 1” ou “face 6” no lançamento de um dado, basta somar as probabilidades de cada evento:
1/6 + 1/6 = 2/6.
Em certos casos precisamos aplicar tanto a regra do “e” como a regra do “ou” em nossos cálculos de probabilidade. Por exemplo,
no lançamento de duas moedas, qual a probabilidade de se obter “cara” em uma delas e “coroa” na outra? Para ocorrer “cara” na
primeira moeda E “coroa” na segunda, OU “coroa” na primeira e “cara” na segunda. Assim nesse caso se aplica a regra do “e” com-
binada a regra do “ou”. A probabilidade de ocorrer “cara” E “coroa” (1/2 X 1/2 = 1/4) OU “coroa” e “cara” (1/2 X 1/2 = 1/4) é igual
a 1/2 (1/4 + 1/4). O mesmo raciocínio se aplica aos problemas da genética. Por exemplo, qual a probabilidade de uma casal ter dois
filhos, um do sexo masculino e outro do sexo feminino? Como já vimos, a probabilidade de uma criança ser do sexo masculino é ½
e de ser do sexo feminino também é de ½. Há duas maneiras de uma casal ter um menino e uma menina: o primeiro filho ser menino
E o segundo filho ser menina (1/2 X 1/2 = 1/4) OU o primeiro ser menina e o segundo ser menino (1/2 X 1/2 = 1/4). A probabilidade
final é 1/4 + 1/4 = 2/4, ou 1/2.

Alelos múltiplos na determinação de um caráter

Como sabemos, genes alelos são os que atuam na determinação de um mesmo caráter e estão presentes nos mesmo loci (plural
de lócus, do latim, local) em cromossomos homólogos. Até agora, só estudamos casos em que só existiam dois tipos de alelos para
uma dada característica (alelos simples), mas há caso em que mais de dois tipos de alelos estão presentes na determinação de um
determinado caráter na população. Esse tipo de herança é conhecido como alelos múltiplos (ou polialelia). Apesar de poderem existir
mais de dois alelos para a determinação de um determinado caráter, um indivíduo diplóide apresenta apenas um par de alelos para a
determinação dessa característica, isto é, um alelo em cada lócus do cromossomo que constitui o par homólogo.
São bastante frequentes os casos de alelos múltiplos tanto em animais como em vegetais, mas são clássicos os exemplos de po-
lialelia na determinação da cor da pelagem em coelhos e na determinação dos grupos sanguíneos do sistema ABO em humanos. Um
exemplo bem interessante e de fácil compreensão, é a determinação da pelagem em coelhos, onde podemos observar a manifestação
genética de uma série com quatro genes alelos: o primeiro C, expressando a cor Aguti ou Selvagem; o segundo Cch, transmitindo a
cor Chinchila; o terceiro Ch, representando a cor Himalaia; e o quarto alelo Ca, responsável pela cor Albina.

Sendo a relação de dominância → C > Cch> Ch> Ca

O gene C é dominante sobre todos os outros três, o Cch dominante em relação ao himalaia e ao albino, porém recessivo perante
o aguti, e assim sucessivamente.
O quadro abaixo representa as combinações entre os alelos e os fenótipos resultantes.
Genótipo Fenótipo

Didatismo e Conhecimento 90
BIOLOGIA

CC, C Cch, C Ch e C Ca Selvagem ou Aguti


C C ,C C eC C
ch ch ch h ch a
Chinchila
C C e Ch C
h h a
Himalaia
C aC a Albino

A diferença na cor da pelagem do coelho em relação à cor da semente das ervilhas é que agora temos mais genes diferentes
atuando (4), em relação aos dois genes clássicos. No entanto, é fundamental saber a 1ª lei de Mendel continua sendo obedecida, isto
é, para a determinação da cor da pelagem, o coelho terá dois dos quatro genes. A novidade é que o número de genótipos e fenótipos
é maior quando comparado, por exemplo, com a cor da semente de ervilha. O surgimento dos alelos múltiplos (polialelia) deve-se a
uma das propriedades do material genético, que é a de sofrer mutações. Assim, acredita-se que a partir do gene C (aguti), por um erro
acidental na duplicação do DNA, originou-se o gene Cch (chinchila). A existência de alelos múltiplos é interessante para a espécie,
pois haverá maior variabilidade genética, possibilitando mais oportunidade para adaptação ao ambiente (seleção natural).

A segunda lei de Mendel


A segregação independente de dois ou mais pares de genes
Além de estudar isoladamente diversas características fenotípicas da ervilha, Mendel estudou também a transmissão combinada
de duas ou mais características. Em um de seus experimentos, por exemplo, foram considerados simultaneamente a cor da semente,
que pode ser amarela ou verde, e a textura da casca da semente, que pode ser lisa ou rugosa.
Plantas originadas de sementes amarelas e lisas, ambos traços dominantes, foram cruzadas com plantas originadas de sementes
verdes e rugosas, traços recessivos. Todas as sementes produzidas na geração F1 eram amarelas e lisas.
A geração F2, obtida pela autofecundação das plantas originadas das sementes de F1, era composta por quatro tipos de sementes:
9/16 amarelo-lisas
3/16 amarelo-rugosas
3/16 verde-lisas
1/16 verde-rugosas

Em proporções essas frações representam 9 amarelo-lisas: 3 amarelo-rugosas: 3 verde-lisas: 1 verde-rugosa. Com base nes-
se e em outros experimentos, Mendel aventou a hipótese de que, na formação dos gametas, os alelos para a cor da semente (Vv)
segregam-se independentemente dos alelos que condicionam a forma da semente (Rr). De acordo com isso, um gameta portador do
alelo V pode conter tanto o alelo R como o alelo r, com igual chance, e o mesmo ocorre com os gametas portadores do alelo v. Uma
planta duplo-heterozigota VvRr formaria, de acordo com a hipótese da segregação independente, quatro tipos de gameta em igual
proporção: 1 VR: 1Vr: 1 vR: 1 vr.

A segunda lei de Mendel

Mendel concluiu que a segregação independente dos fatores para duas ou mais características era um princípio geral, consti-
tuindo uma segunda lei da herança. Assim, ele denominou esse princípio segunda lei da herança ou lei da segregação independente,
posteriormente chamada segunda lei de Mendel: Os fatores para duas ou mais características segregam-se no híbrido, distribuindo-se
independentemente para os gametas, onde se combinam ao acaso.

Didatismo e Conhecimento 91
BIOLOGIA
A proporção 9:3:3:1

Ao estudar a herança simultânea de diversos pares de características. Mendel sempre observou, em F2, a proporção fenotípica
9:3:3:1, conseqüência da segregação independente ocorrida no duplo-heterozigoto, que origina quatro tipos de gameta.

Segregação independente de 3 pares de alelos

Ao estudar 3 pares de características simultaneamente, Mendel verificou que a distribuição dos tipos de indivíduos em F2 seguia
a proporção de 27: 9: 9: 9: 3: 3: 3: 1. Isso indica que os genes para as 3 características consideradas segregam-se independentemente
nos indivíduos F1, originando 8 tipos de gametas. Em um dos seus experimentos, Mendel considerou simultaneamente a cor (amarela
ou verde), a textura da casca (lisa ou rugosa) e a cor da casca da semente (cinza ou branca). O cruzamento entre uma planta originada
de semente homozigota dominante para as três características (amarelo-liso-cinza) e uma planta originada de semente com traços
recessivos (verde-rugosa-branca) produz apenas ervilhas com fenótipo dominante, amarelas, lisas e cinza. Esses indivíduos são he-
terozigotos para os três pares de genes (VvRrBb). A segregação independente desses três pares de alelos, nas plantas da geração F1,
leva à formação de 8 tipos de gametas.

Os gametas produzidos pelas plantas F1 se combinam de 64 maneiras possíveis (8 tipos maternos X 8 tipos paternos), originando
8 tipos de fenótipos.

Determinando o número de tipos de gametas na segregação independente

Para determinar o número de tipos de gametas formados por um indivíduo, segundo a segregação independente, basta aplicar a
expressão 2n, em que n representa o número de pares de alelos no genótipo que se encontram na condição heterozigota.

Obtendo a Proporção 9:3:3:1 sem Utilizar o Quadro de Cruzamentos

Genótipo Valor de n 2n Número de


gametas
AA 0 20 1
Aa 1 21
2
AaBB 1 21
2
AaBb 2 22 4
AABbCCDd 2 22
4
AABbCcDd 3 23
8

Didatismo e Conhecimento 92
BIOLOGIA

AaBbCcDd 4 24 16
AaBbCcDdEe 5 2 5
32

A 2º lei de Mendel é um exemplo de aplicação direta da regra do E de probabilidade, permitindo chegar aos mesmos resultados
sem a construção trabalhosa de quadro de cruzamentos. Vamos exemplificar, partindo do cruzamento entre suas plantas de ervilha
duplo heterozigotas: P: VvRr X VvRr

- Consideremos, primeiro, o resultado do cruzamento das duas características isoladamente:

Vv X Vv Rr X Rr
3/4 sementes amarelas 3/4 sementes lisas
1/4 sementes verdes 1/4 sementes rugosas

Como desejamos considerar as duas características simultaneamente, vamos calcular a probabilidade de obtermos sementes
amarelas e lisas, já que se trata de eventos independentes. Assim,

sementes amarelas e sementes lisas


3/4 X 3/4 = 9/16

E a probabilidade de obtermos sementes amarelas e rugosas:

sementes amarelas E sementes rugosas


3/4 X 1/4 = 3/16

Agora a probabilidade de obtermos sementes verdes e lisas:

sementes verdes E sementes lisas


1/4 X 3/4 = 3/16

Finalmente, a probabilidade de nós obtermos sementes verdes e rugosas:

sementes verdes E sementes rugosas


1/4 X 1/4 = 1/16

Utilizando a regra do E, chegamos ao mesmo resultado obtido na construção do quadro de cruzamentos com a vantagem da
rapidez na obtenção da resposta.

A relação Meiose e 2ª Lei de Mendel

Existe uma correspondência entre as leias de Mendel e a meiose. Acompanhe na figura o processo de formação de gametas de
uma célula de indivíduo diíbrido, relacionando-o à 2ª Lei de Mendel. Note que, durante a meiose, os homólogos se alinham em
metáfase e sua separação ocorre ao acaso, em duas possibilidades igualmente viáveis. A segregação independente dos homólogos e,
consequentemente, dos fatores (genes) que carregam, resulta nos genótipos AB, ab, Ab e aB.

Didatismo e Conhecimento 93
BIOLOGIA

A 2ª Lei de Mendel é sempre obedecida?

A descoberta de que os genes estão situados nos cromossomos gerou um impasse no entendimento da 2º Lei de Mendel. Como
vimos, segundo essa lei, dois ou mais genes não-alelos segregam-se independentemente, desde que estejam localizados em cro-
mossomos diferentes. Surge, no entanto, um problema. Mendel afirmava que os genes relacionados a duas ou mais características
sempre apresentavam segregação independente. Se essa premissa fosse verdadeira, então haveria um cromossomo para cada gene.
Se considerarmos que existe uma infinidade de genes, haveria, então, uma quantidade assombrosa de cromossomos, dentro de uma
célula, o que não é verdade. Logo, como existem relativamente poucos cromossomos no núcleo das células e inúmeros genes, é
intuitivo concluir que, em cada cromossomo, existe uma infinidade de genes, responsáveis pelas inúmeras características típicas de
cada espécie. Dizemos que esses genes presentes em um mesmo cromossomo estão ligados ou em linkage e caminham juntos para
a formação dos gametas. Assim a 2ª lei de Mendel nem sempre é obedecida, bastando para isso que os genes estejam localizados no
mesmo cromossomo, ou seja, estejam em linkage.

Linkage

Genes unidos no mesmo cromossomo

T. H. Morgan e seus colaboradores trabalharam com a mosca da fruta, Drosophila melanogaster, e realizaram cruzamentos em
que estudaram dois ou mais pares de genes, verificando que, realmente, nem sempre a 2ª Lei de Mendel era obedecida. Concluíram
que esses genes não estavam em cromossomos diferente, mas, sim, encontravam-se no mesmo cromossomo (em linkage).

Um dos cruzamentos efetuados por Morgan

Em um dos seus experimentos, Morgan cruzou moscas selvagens de corpo cinza e asas longas com mutantes de corpo preto e
asas curtas (chamadas de asas vestigiais). Todos os descendentes de F1 apresentavam corpo cinza e asas longas, atestando que o gene
que condiciona corpo cinza (P) domina o que determina corpo preto (p), assim como o gene para asas longas (V) é dominante sobre o
(v) que condiciona surgimento de asas vestigiais. A seguir Morgan cruzou descendentes de F1 com duplo-recessivos (ou seja, realizou
cruzamentos testes). Para Morgan, os resultados dos cruzamentos-teste revelariam se os genes estavam localizados em cromossomos
diferentes (segregação-independente) ou em um mesmo cromossomo (linkage).
Surpreendentemente, porém, nenhum dos resultados esperados foi obtido. A separação e a contagem dos descendentes de F2
revelou o seguinte resultado:

Didatismo e Conhecimento 94
BIOLOGIA
- 41,5% de moscas com o corpo cinza e asas longas;
- 41,5% de moscas com o corpo preto e asas vestigiais;
- 8,5% de moscas com o corpo preto e asas longas;
- 8,5% de moscas com o corpo cinza e asas vestigiais.

Ao analisar esse resultado, Morgan convenceu-se de que os genes P e V localizavam-se no mesmo cromossomo. Se estivessem
localizados em cromossomos diferentes, a proporção esperada seria outra (1: 1: 1: 1). No entanto, restava a dúvida: como explicar a
ocorrência dos fenótipos corpo cinza/asas vestigiais e corpo preto/asas longas? A resposta não foi difícil de ser obtida. Por essa época
já estava razoavelmente esclarecido o processo da meiose. Em 1909, o citologista F. A. Janssens (1863-1964) descreveu o fenômeno
cromossômico conhecido como permutação ou crossing over, que ocorre durante a prófase I da meiose e consiste na troca de frag-
mentos entre cromossomos homólogos.

Em 1911, Morgan usou essa observação para concluir que os fenótipos corpo cinza/asas vestigiais e corpo preto/asas longas eram
recombinantes e devido a ocorrência de crossing-over.

Como diferenciar Segregação independente (2ª Lei de Mendel) de Linkage?

Quando comparamos o comportamento de pares de genes para duas características para a segunda lei de Mendel com a ocorrên-
cia de linkage e crossing-over em um cruzamento genérico do tipo AaBb X aabb, verificamos que em todos os casos resultam quatro
fenótipos diferentes:

- Dominante/dominante
- Dominante/recessivo
- Recessivo/dominante
- Recessivo/recessivo.

A diferença em cada caso está nas proporções obtidas. No caso da 2ª lei de Mendel, haverá 25% de cada fenótipo. No linkage com
crossing, todavia, os dois fenótipos parentais surgirão com frequência maior do que as frequências dos recombinantes. A explicação
para isso reside no fato de, durante a meiose a permuta não ocorrer em todas as células, sendo, na verdade, um evento relativamente
raro. Por isso, nos cruzamentos PpVv X ppvv, da pagina anterior, foram obtidos 83% de indivíduos do tipo parental (sem crossing) e
17% do tipo recombinantes (resultantes da ocorrência de permuta).

Frequentemente, nos vários cruzamentos realizados do tipo AaBb X aabb, Morgan obteve os dois fenótipos parentais (AaBb e
aabb), na proporção de 50% cada. Para explicar esse resultado, ele sugeriu a hipótese que os genes ligados ficam tão próximos um
do outro que dificultam a ocorrência de crossing over entre eles. Assim, por exemplo, o gene que determina a cor preta do corpo da
drosófila e o gene que condiciona a cor púrpura dos olhos ficam tão próximos que entre eles não ocorre permuta. Nesse caso se fizer-
mos um cruzamento teste entre o duplo-heterozidoto e o duplo-recessivo, teremos nos descendentes apenas dois tipos de fenótipos,
que serão correspondentes aos tipos parentais.

Didatismo e Conhecimento 95
BIOLOGIA
Os arranjos “cis” e “trans” dos genes ligados

Considerando dois pares de genes ligados, como, por exemplo, A/a e B/b, um indivíduo duplo heterozigoto pode ter os alelos
arranjados de duas maneiras nos cromossomos:
Os alelos dominantes A e B se situam em um cromossomo, enquanto os alelos recessivos a e b se situam no homólogo correspon-
dente. Esse tipo de arranjo é chamado de Cis. O alelo dominante A e o alelo recessivo b se situam em um cromossomo, enquanto
o alelo recessivo a e o alelo dominante B, se situam no homólogo correspondente. Esse tipo de arranjo é chamado de Trans.

Podemos descrever esses arranjos, usando um traço duplo ou simples para descrever o cromossomo, ou mais simplificadamente,
o arranjo pode ser descrito como AB/ab para Cis e Ab/aB para trans. O arranjo cis e trans dos alelos no duplo-heterozigoto pode ser
facilmente identificado em um cruzamento teste. No caso dos machos de Drosófila, se o arranjo for cis (PV/pv), o duplo heterozigoto
forma 50% de gametas PV e 50% de gametas pv. Se o arranjo for trans (Pv/pV), o duplo heterozigoto forma 50% de gametas Pv e
50% de pV. Nas fêmeas de Drosófila, nas quais ocorrem permutações, o arranjo cis ou trans pode ser identificado pela frequência das
classes de gametas. As classes mais frequentes indicam as combinações parentais e as menos frequentes as recombinantes.

Padrões de herança: autossômica, ligada ao sexo - dominante e recessiva.

O número de cromossomos varia de espécie para espécie.


Homem à 46 cromossomos
Cachorro à 76 cromossomos
Drosófila à 8 cromossomos
Arroz à 24 cromossomos
Nas células da espécie humana existem 23 pares de cromossomos, dos quais 22 pares não apresentam diferenças entre machos e
fêmeas - e são chamados de autossomos. Os dois outros cromossomos, chamados de heterossomos ou cromossomos sexuais apre-
sentam diferenças: enquanto as mulheres apresentam dois cromossomos sexuais perfeitamente homólogos, que foram denominados
XX, os homens possuem um cromossomo X e um outro, não totalmente homólogo a X, e que foi denominado Y.
Todos os gametas (óvulos) formados por meiose em uma mulher possuem o cromossomo X, enquanto os homens podem formar
gametas (espermatozóides) que apresentam o cromossomo X e outros, que apresentam o cromossomo Y. Por isso dizemos que as
mulheres são o sexo homogamético e os homens são o sexo heterogamético.
Embora não sejam totalmente homólogos, os cromossomos X e Y possuem pequenas regiões homólogas nas pontas, o que ga-
rante, num indivíduo do sexo masculino, o emparelhamento dos dois cromossomos e sua distribuição normal para as células filhas
na primeira divisão da meiose.
Entretanto, o fato de apresentarem regiões sem homologia tem implicações na herança de algumas características. Os genes lo-
calizados na região do cromossomo X, que não possui homologia em Y, seguem um padrão de herança denominada herança ligada
ao cromossomo X ou herança ligada ao sexo. Herança ligada ao cromossomo Y ou herança restrita ao sexo é a que se refere aos
genes localizados somente no cromossomo Y, chamados de genes holândricos.

Genótipo
É o conjunto de genes que um indivíduo possui. Não pode ser observado. É representado por letras(BB, aa, Dd, etc....)
Fenótipo
As características são manifestadas por uma indivíduo determinado por um genótipo. Muitas vezes o fenótipo resulta da intera-
ção entre genótipo e ambiente. Ex.: pessoa branca + sol = pessoa morena

Padrões de Herança

Autossômica Recessiva – O gene está localizado num cromossomo autossômico, ambos os sexos tem a mesma probabilidade de
serem afetados. Expressam-se apenas em homozigotos recessivos. O fenótipo pode ficar por várias gerações sem aparecer. Exemplos:
albinismo, olhos azuis, fibrose cística

Didatismo e Conhecimento 96
BIOLOGIA
Heredograma clássico

Autossômica Dominante - gene localizado num cromossomo autossômico, Ambos os sexos tem a mesma probabilidade de
serem afetados, O fenótipo é expresso da mesma maneira em homozigotos dominantes e heterozigotos. O fenótipo aparece em todas
as gerações. A pessoa afetada tem um dos pais afetados. Pais normais não têm filhos afetados. Exemplo: polidactilia

Heredograma clássico

Ligada ao X recessiva - O fenótipo aparece em todos os homens que apresentam o alelo, mas as mulheres só expressam o fenó-
tipo se em homozigose recessiva. Um homem afetado passa todas as filhas o alelo afetado.

O pai afetado nunca passa o gene para os filhos, mas passa para todas as filhas.

Exemplos: hemofilia, daltonismo

A incidência do fenótipo é muito mais alta em homens do que em mulheres

Heredograma clássico

Ligada ao X dominante - Se expressa em homozigotas e heterozigotas. Os homens afetados casados com mulheres normais não
tem filhos afetados, mas todas as filhas são afetadas. Exemplos: Raquitismo Hipofosfatêmico, síndrome de Rett.

Didatismo e Conhecimento 97
BIOLOGIA
Heredograma clássico

Restrita ao sexo - Os genes estão localizados no cromossomo Y. Só aparece em machos.Exemplo: hipertricose


XYhi à afetado
XYHI à normal

Influenciada pelo sexo - É a variação na expressão de determinados genes em machos e fêmeas.


Pode ser devido à influência dos hormônios sexuais. Exemplo: calvície, determinada por uma par de genes autossômicos, C e c.
Machos: comporta-se como dominante
Fêmeas: comporta-se como recessivo

Extracromossômica – Mitocondrial - Somente a mãe fornece mitocôndrias para os filhos de ambos os sexos.

- Filhos e filhas de mães afetadas são afetados.

O grau de severidade da doença dependerá da quantidade de mitocôndrias defeituosas passadas da mãe para os filhos

Heredograma clássico

www.icb.ufmg.br/biq/prodabi6/homepages/patricia/.../heranca.ppt

Daltonismo e hemofilia

A incapacidade de distinguir entre as cores verde e vermelha que alguns indivíduos apresentam é chamada de daltonismo ou
cegueira para cores e é uma característica determinada por um gene localizado no cromossomo X, na região não homóloga de Y.
Chamamos de gene D aquele que determina pessoas com visão normal, enquanto seu alelo recessivo d, determina daltonismo.

Didatismo e Conhecimento 98
BIOLOGIA

Exemplo de teste para verificação do daltonismo. Pessoas daltônicas não distinguem o número dentro do círculo.
Como esses genes seguem o padrão de herança ligada ao cromossomo X, dizemos que mulheres de visão normal apresentam
genótipo XDXD ou XDXd, enquanto mulheres daltônicas são XdXd. No caso dos homens, o genótipo XDY determina visão normal para
cores, enquanto homens XdY são daltônicos. Note que os homens precisam de apenas um gene d para que o daltonismo se manifeste
e que esse gene seja sempre herdado de sua mãe, já que está ligado ao cromossomo X. A característica é, portanto, mais freqüente
em homens do que em mulheres.
Outro exemplo desse tipo de herança é a hemofilia, que é uma doença hereditária em que ocorre uma falha no processo da coagu-
lação do sangue. O gene H determina a produção de uma substância denominada fator VIII, importante para a coagulação do sangue,
enquanto seu alelo h determina a ausência dessa substância. A tabela a seguir mostra os genótipos e fenótipos de homens e mulheres
para essa característica.

Mulheres Homens
Genótipo Fenótipo Genótipo Fenótipo
XHXH Normal XHY Normal
XHXh Normal XhY Hemofílico
XhXh Hemofílica    

Herança ligada ao cromossomo Y e herança influenciada pelo sexo


Os genes holândricos, que se localizam nas regiões do cromossomo Y sem homologia no X, são herdados apenas pelos homens,
sendo transmitidos diretamente de pais para filhos. Um exemplo de gene holândrico é o SRY, que condiciona o desenvolvimento
dos testículos nos embriões de mamíferos (incluindo a espécie humana) e, portanto, relaciona-se à determinação das características
sexuais masculinas.
Por fim, temos algumas características que, embora sejam determinadas por genes autossômicos, apresentam um padrão de
herança influenciado pela presença de hormônios masculinos. É o caso da calvície, que é muito mais freqüente em homens. Essa ca-
racterística é determinada por um gene C que atua como dominante no sexo masculino e como recessivo no sexo feminino. Portanto,
enquanto as mulheres precisam apresentar dois genes para serem calvas, basta um gene C para a calvície se manifestar nos homens.

5.3.3. ALELOS MÚLTIPLOS E TIPOS


SANGUÍNEOS (ABO, RH E MN)

A presença ou ausência de determinada proteína nas hemácias permite classificar os indivíduos da espécie humana em alguns grupos
sanguíneos
O tipo sanguíneo em humanos é condicionado por alelos múltiplos. O sistema ABO, cuja transmissão se faz por três pares de alelos.
São quatro os tipos de sangue: A, B, AB e O. Cada um destes tipos é caracterizado pela presença ou ausência de aglutinogênio, nas
hemácias, e aglutinina, no plasma sanguíneo.

Os aglutinogênios são substâncias encontradas na membrana plasmática das hemácias e que funcionam como antígenos quando
introduzidos em indivíduos que não os possuam. Existem dois tipos de aglutinogênios: A e B.
As aglutininas são substâncias presentes no plasma sanguíneo e que funcionam como anticorpos que reagem com antígenos estra-
nhos. Existem dois tipos de aglutininas: anti-A e anti-B.

Didatismo e Conhecimento 99
BIOLOGIA
Dizer que um indivíduo pertence ao grupo sanguíneo A, B, AB, O significa dizer que ele possui em suas hemácias, respectivamente,
a proteína A, B, as duas (A e B) ou que não possui nenhuma delas.

Os aglutinogênios e as aglutininas presentes nos tipos sanguíneos humanos são os

O contato entre um aglutinogênio e sua aglutinina correspondente provoca a aglutinação do sangue. Assim, indivíduos com sangue
Tipo A não podem doar sangue para indivíduos do Tipo B, e vice-versa. Indivíduos do Tipo AB podem receber sangue de qualquer gru-
po. Já os do Tipo O podem doar para qualquer grupo.

Tipos possíveis de transfusão


 
As aglutinações que caracterizam as incompatibilidades sanguíneas do sistema acontecem quando uma pessoa possuidora de deter-
minada aglutinina recebe sangue com o aglutinogênio correspondente.
 
Indivíduos do grupo A não podem doar sangue para indivíduos do grupo B, porque as hemácias A, ao entrarem na corrente sanguí-
nea do receptor B, são imediatamente aglutinadas pelo anti-A nele presente. A recíproca é verdadeira: indivíduos do grupo B não podem
doar sangue para indivíduos do grupo A. Tampouco indivíduos A, B ou AB podem doar sangue para indivíduos O, uma vez que estes
têm aglutininas anti-A e anti-B, que aglutinam as hemácias portadoras de aglutinogênios A e B ou de ambos.
Assim, o aspecto realmente importante da transfusão é o tipo de aglutinogênio da hemácia do doador e o tipo de aglutinina do
plasma do receptor. Indivíduos do tipo O podem doar sangue para qualquer pessoa, porque não possuem aglutinogênios A e B em suas
hemácias. Indivíduos, AB, por outro lado, podem receber qualquer tipo de sangue, porque não possuem aglutininas no plasma. Por isso,
indivíduos do grupo O são chamadas de doadores universais, enquanto os do tipo AB são receptores universais.

 Como ocorre a Herança dos Grupos Sanguíneos no Sistema ABO?


A produção de aglutinogênios A e B são determinadas, respectivamente, pelos genes I A e I B. Um terceiro gene, chamado i, condi-
ciona a não produção de aglutinogênios. Trata-se, portanto de um caso de alelos múltiplos. Entre os genes I A e I B há co-dominância (I
A
= I B), mas cada um deles domina o gene i (I A > i e I B> i).

Fenótipos Genótipos

A I AI A ou I Ai

Didatismo e Conhecimento 100


BIOLOGIA

B I BI B ou I Bi

AB I AI B

O Ii

Sistema RH
Indivíduos com sangue Rh+ possuem o fator Rh em suas hemácias e apresentam aglutinação do sangue quando entram em contato
com anticorpos anti-Rh. Aqueles que não possuem o fator Rh em suas hemácias são chamados Rh- e não apresentam reação de aglutina-
ção quando em contato com anticorpos anti-Rh. Quando um indivíduo Rh- recebe sangue Rh+, ele passa a produzir anticorpos anti-Rh.

O sistema Rh é determinado por um par de genes alelos com dominância completa. O alelo R é dominante e o r recessivo. Assim
os possíveis genótipos para o sistema Rh são:

A eritroblastose fetal é uma doença que pode ocorrer quando mães Rh- geram filhos Rh+. Nestes casos, pequenos vasos da placenta
se rompem e há passagem de sangue do filho para a mãe. Em resposta, o sangue da mãe passa a produzir anticorpos anti-Rh. Numa
próxima gravidez, se o filho for Rh+, os anticorpos maternos irão atacar as hemácias do feto, provocando a doença.
Durante a gestação ocorre passagem, através da placenta, apenas de  plasma da mãe para o filho e vice-versa devido à chamada
barreira hemato-placentária. Pode ocorrer, entretanto, acidentes vasculares na placenta, o que permite a  passagem de hemácias do feto
para a circulação materna. Nos casos em que o feto possui sangue  fator rh positivo os antígenos existentes em suas hemácias estimu-
larão o sistema imune materno a produzir anticorpos anti-Rh que ficarão no plasma materno e podem, por serem da classe IgG, passar
pela BHP provocando lise nas hemácias fetais. A  produção de anticorpos obedece a uma cascata de eventos (ver imunidade humoral) e
por isto a produção de anticorpos é lenta e  a quantidade pequena num primeiro. A partir da segunda gestação, ou após a sensibilização
por transfusão sanguínea, se o filho é Rh + novamente, o organismo materno já conterá anticorpos para aquele antígeno e o feto poderá
desenvolver a DHPN ou  eritroblastose fetal.
O diagnóstico pode ser feito pela tipagem sanguínea da mãe e do pai precocemente e durante a gestação o teste de Coombs que
utiliza anti-anticorpo humano pode detectar se esta havendo a produção de anticorpos pela mãe e providências podem ser tomadas. Uma
transfusão , recebendo sangue Rh -, pode ser feita até mesmo intra-útero já que Goiânia está se tornando referência em fertilização in
vitro. O sangue Rh - não possui hemácias com fator Rh e não  podem ser reconhecidas como estranhas e destruídas pelos anticorpos
recebidos da mãe. Após cerca de 120 dias, as  hemácias serão substituídas por outras produzidas pelo próprio indivíduo. O sangue nova-
mente será do tipo Rh +, mas o feto já não correrá mais perigo.
Após o nascimento da criança toma-se medida profilática  injetando, na mãe Rh- , soro contendo anti Rh. A  aplicação logo após o
parto, destrói as hemácias fetais que possam ter passado pela placenta no nascimento ou antes. Evita-se , assim, a produção de anticorpos
“zerando o placar de contagem”. Cada vez que um concepto nascer e for Rh+ deve-se fazer nova aplicação pois novos anticorpos serão
formados.
Os sintomas no RN que podem ser observados são anemia (devida à destruição de hemácias pelos anticorpos), icterícia (a destrui-
ção de hemácias aumentada levará a produção maior de bilirrubina indireta que não pode ser convertida no fígado), e após sua persis-
tência o aparecimento de uma doença chamada Kernicterus que corresponde  ao depósito de bilirrubina nos núcleos da base cerebrais
o que gerará retardo no RN.

Heranças ligadas ao sexo


O daltonismo e a hemofilia são exemplos de doenças humanas ligadas ao cromossomo X. São causadas por genes situados no cro-
mossomo X em sua região homóloga ao cromossomo Y. Portanto, nos homens basta um gene recessivo para a manifestação da doença;
nas mulheres, é necessária a presença de dois genes recessivos.
1. Daltonismo
O daltonismo provoca alterações na percepção de cores, principalmente de tons de azul, vermelho e verde.
É determinado pelo gene recessivo d situado no cromossomo X. O alelo D codifica para a visão normal.

Assim, temos os seguintes genótipos em humanos:

Didatismo e Conhecimento 101


BIOLOGIA

Portanto, o daltonismo é mais frequente em homens do que em mulheres, uma vez que para estas apresentarem o problema a condi-
ção de homozigoto recessivo é necessária. Isso só irá ocorrer se a mulher for filha de um pai daltônico e de uma mãe daltônica ou normal,
portadora, que lhe transmita o gene d. Já no caso dos homens, basta a presença de um único gene recessivo d.
2. Hemofilia
A hemofilia é uma doença que provoca alterações na coagulação sanguínea, dificultando-a e provocando hemorragias frequentes.
É determinada pelo gene recessivo h situado no cromossomo X. O alelo H codifica para a coagulação normal.

Assim, temos os seguintes genótipos em humanos:

5.3.4. LIGAÇÃO GÊNICA

Quando os genes estão localizados em cromossomos diferentes eles segregam de forma independente, porém, quando estão locali-
zados no mesmo cromossomo, não há segregação e eles vão juntos para o mesmo gameta. Esse processo é chamado de ligação gênica.

Didatismo e Conhecimento 102


BIOLOGIA

No processo de segregação independente, um indivíduo AaBb produz 4 tipos de gametas, na proporção de 25% cada. Quando ocorre
um caso de ligação gênica, o indivíduo AaBb produz apenas gametas AB e ab, na proporção de 50% cada.
A ligação entre os genes pode ser incompleta, pois durante a prófase 1 da meiose, quando os cromossomos homólogos estão parea-
dos, ocorrem trocas de partes entre as cromátides irmãs, num processo chamado crossing-over ou permutação. Essas trocas resultam na
formação de gametas recombinantes, que são cromossomos com novas combinações de alelos.

Se não houvesse recombinação nesses genes, a proporção de gametas formados por um duplo heterozigoto seria 50% AB e 50% ab.
Quando há recombinação, oberva-se na descendência uma pequena proporção de recombinantes, por exemplo:

40% - AB (parental)
40% - ab (parental)
10% - Ab (recombinante)
10% - aB (recombinante)

Quanto mais afastado um gene estiver do outro, maior será a taxa de recombinação.

Mapas gênicos
A partir da taxa de recombinação é possível construir o mapa gênico de um cromossomo. As unidades são medidas em unidades de
recombinação (UR), morganídio ou centimorgan. Uma UR corresponde a 1% da taxa de recombinação.
Em drosófilas, encontraram as seguintes taxas de recombinação e mapearam os genes p, v e r:

Genes taxa de recombinação Distância

p–v 17% 17 UR

Didatismo e Conhecimento 103


BIOLOGIA

p–r 9% 9 UR

r–v 8% 8 UR

5.3.5. HERANÇA E SEXO

Em condições normais, qualquer célula diplóide humana contém 23 pares de cromossomos homólogos, isto é, 2n= 46. Desses cro-
mossomos, 44 são autossomos e 2 são os cromossomos sexuais também conhecidos como heterossomos.
 
Autossomos e heterossomos

Os cromossomos autossômicos são os relacionados às características comuns aos dois sexos, enquanto os sexuais são os respon-
sáveis pelas características próprias de cada sexo. A formação de órgãos somáticos, tais como fígado, baço, o estômago e outros, deve-
-se a genes localizados nos autossomos, visto que esses órgãos existem nos dois sexos. O conjunto haplóide de autossomos de uma
célula é representado pela letra A. Por outro lado, a formação dos órgãos reprodutores, testículos e ovários, característicos de cada
sexo, é condicionada por genes localizados nos cromossomos sexuais e são representados, de modo geral, por X e Y. O cromossomo Y é
exclusivo do sexo masculino. O cromossomo X existe na mulher em dose dupla, enquanto no homem ele se encontra em dose simples.
Os cromossomos sexuais

O cromossomo Y é mais curto e possui menos genes que o cromossomo X, além de conter uma porção encurtada, em que existem
genes exclusivos do sexo masculino. Observe na figura abaixo que uma parte do cromossomo X não possui alelos em Y, isto é, entre os
dois cromossomos há uma região não-homóloga.

 
Determinação genética do sexo
 
O sistema XY

Em algumas espécies animais, incluindo a humana, a constituição genética dos indivíduos do sexo masculino é representada por
2AXY e a dos gametas por eles produzidos, AX e AY; na fêmea, cuja constituição genética é indicada por 2AXX, produzem-se apenas
gametas AX.

No homem a constituição genética é representada por 44XY e a dos gametas por ele produzidos, 22X e 22Y; na mulher 44XX e os
gametas, 22X. Indivíduos que forma só um tipo de gameta, quanto aos cromossomos sexuais, são denominados homogaméticos.

Os que produzem dois tipo são chamados de heterogaméticos. Na espécie humana, o sexo feminino é homogamético, enquanto o
sexo masculino é heterogamético.

Didatismo e Conhecimento 104


BIOLOGIA

Mecanismo de compensação de dose


 
Em 1949, o pesquisador inglês Murray Barr descobriu que há uma diferença entre os núcleos interfásicos das células masculinas
e femininas: na periferia dos núcleos das células femininas dos mamíferos existe uma massa de cromatina que não existe nas células
masculinas. Essa cromatina possibilita identificar o sexo celular dos indivíduos pelo simples exame dos núcleos interfásicos: a ela dá-se
o nome de cromatina sexual ou corpúsculo de Barr.

A partir da década de 1960, evidências permitiram que a pesquisadora inglesa Mary Lyon levantasse a hipótese de que cada corpús-
culo de Barr forre um cromossomo X que, na célula interfásica, se espirala e se torna inativo, dessa forma esse corpúsculo cora-se mais
intensamente que todos os demais cromossomos, que se encontram ativos e na forma desespiralada de fios de cromatina.

Segundo a hipótese de Lyon, a inativação atinge ao acaso qualquer um dos dois cromossomos X da mulher, seja o proveniente do
espermatozóide ou do óvulo dos progenitores. Alguns autores acreditam que a inativação de um cromossomo X da mulher seria uma
forma de igualar a quantidade de genes nos dois sexos. A esse mecanismo chamam de compensação de dose. Como a inativação ocorre
ao acaso e em uma fase do desenvolvimento na qual o número de células é relativamente pequeno, é de se esperar que metade das células
de uma mulher tenha ativo o X de origem paterna, enquanto que a outra metade tenha o X de origem materna em funcionamento. Por
isso, diz-se que as mulheres são “mosaicos”, pois – quanto aos cromossomos sexuais apresentam dois tipos de células.

A determinação do sexo nuclear (presença do corpúsculo de Barr) tem sido utilizada em jogos olímpicos, quando há d úvidas quanto
ao sexo do indivíduo.

Didatismo e Conhecimento 105


BIOLOGIA

Compare quanto a presença do corpúsculo de Barr nas células masculinas (acima) com a células femininas (abaixo).

O sistema X0
Em algumas espécies, principalmente em insetos, o macho não tem o cromossomo Y, somente o X; a fêmea continua portadora do
par cromossômico sexual X. Pela ausência do cromossomo sexual Y, chamamos a esse sistema de sistema X0. As fêmeas são represen-
tadas por 2A + XX (homogaméticas) e os machos 2A + X0 (heterogaméticos).

Didatismo e Conhecimento 106


BIOLOGIA
O Sistema ZW
Em muitas aves (inclusive os nossos conhecidos galos e galinhas), borboletas e alguns peixes, a composição cromossômica do
sexo é oposta à que acabamos de estudar: o sexo homogamético é o masculino, enquanto as fêmeas são heterogaméticas. Também a
simbologia utilizada, nesse caso, para não causar confusão com o sistema XY, é diferente: os cromossomos sexuais dos machos são
representados por ZZ, enquanto nas fêmeas os cromossomos sexuais são representados por ZW.

Abelhas e Partenogênese

Nas abelhas, a determinação sexual difere acentuadamente da que até agora foi estudada. Nesses insetos, o sexo não depende da pre-
sença de cromossomos sexuais, e sim da ploidia. Assim, os machos (zangões) são sempre haplóides, enquanto as fêmeas são diplóides. A
rainha é a única fêmea fértil da colméia, e por meiose, produz centenas de óvulos, muitos dos quais serão fecundados. Óvulos fecundados
originam zigotos que se desenvolvem em fêmeas.
Se na fase larval, essas fêmeas receberem uma alimentação especial, trasnformar-se-ão em novas rainhas. Caso contrário, se desen-
volverão em operárias, que são estéreis.
Os óvulos não fecundados desenvolvem-se por mitose em machos haplóides. Esse processo é chamado de partenogênese (do
grego, partheno = virgem, gênesis = origem), ou seja, é considerado um processo de desenvolvimento de óvulos não-fertilizados em
indivíduos adultos haplóides.

5.3.6. INTERAÇÕES E
EXPRESSÕES GÊNICAS

Nas interações gênicas, dois ou mais pares de genes interagem para determinar uma característica. Esses genes se distribuem de
forma independente durante a formação dos gametas.

Um organismo existe graças a interação entre os seus genes (o seu genoma) e o ambiente. Vários genes irão interagir em maior ou
em menor grau, por meio de seus produtos (proteínas, enzimas, hormônios etc). Portanto, um gene não age de maneira isolada e os seus
efeitos dependem não só de suas próprias funções, mas também das funções de outros genes, bem como da ação do próprio ambiente
interno (células, tecidos, órgãos etc) e externo (a fonte de alimento, estresse ambiental, parasitas etc.) ao organismo. Tipicamente, esse
modo de interação, também chamado de interação não alélica (tendo em vista que, neste caso a interação ocorre entre alelos de locos
diferentes), acaba sendo revelado na prole de determinados cruzamentos, que irão apresentar proporções mendelianas diferentes das
tradicionais.

Em muitos casos, as interações complexas de dois ou mais genes principais podem ser detectados pela análise genética. Tipicamen-
te, esse modo de interação, também chamado de interação não alélica (tendo em vista que, neste caso a interação ocorre entre alelos de
locos diferentes), acaba sendo revelado na prole de determinados cruzamentos, que irão apresentar proporções mendelianas diferentes
das tradicionais.

Muitas características nos seres vivos são determinadas dessa forma, como por exemplo, a forma da crista em galináceos, pigmen-
tação do olho de drosófilas (mosca da fruta).

Didatismo e Conhecimento 107


BIOLOGIA
Em galináceos existem quatro tipos (fenótipos) de cristas: ervilha, rosa, noz e simples. Depois de vários estudos  de cruzamentos
realizados entre galináceos com fenótipos diferentes, os cientistas concluíram que essas características eram condicionadas por dois pa-
res de alelos R/r e E/e, que se segregam de forma independente durante a formação dos gametas. Então, se uma fêmea possui o genótipo
RrEe ela iria produzir os seguintes gametas: RE, Re, rE e re. Um macho com o genótipo rree produzirá apenas gametas re.

Representação esquemática da distribuição de alelos nos gametas durante a meiose

A interação dos alelos determina um fenótipo:

Interação de: Fenótipo

R_E_ Crista Noz

R_ee Crista Rosa

rrE_ Crista Ervilha

rree Crista Simples

Didatismo e Conhecimento 108


BIOLOGIA
Quando duas aves heterozigotas (crista Noz) são cruzadas, a geração F1 obedece às seguintes proporções:

(P) RrEe x RrEe

Proporção (F1) Genótipo Fenótipo

9 R_E_ Noz

3 R_ee Rosa

3 rrEe Ervilha

1 rree Simples

Se cruzarmos dois indivíduos heterozigotos, com dois pares de alelos e obtermos a proporção 9:3:3:1, podemos concluir que trata-se
de um caso de interação gênica com segregação independente.
De um modo geral, a interação gênica pode acontecer de duas maneiras principais:
Interação gênica do tipo não epistática:quando dois ou mais locos interagem entre si para formar o fenótipo dos indivíduos, sem
que nenhum um alelo de um loco impeça a expressão dos alelos dos outros locos.
 Interação gênica do tipo epistática: quando dois ou mais locos interagem entre si para formar o fenótipo dos indivíduos, mas um
ou mais alelos destes locos impedem a expressão dos alelos do outro loco.
Esse tipo de interação gênica também é chamada de epistasia.
Neste caso, o gene que inibe a expressão é chamado de epistático e o que é inibido recebe a designação de hipostático.

QUESTÕES

1- Em glóbulos vermelhos, quando colocados em uma solução hipotônica, ocorre a entrada de água por osmose, o que pode acar-
retar o seu rompimento. Quando uma célula vegetal é colocada em solução semelhante, fica túrgida, e não se rompe como os glóbulos
vermelhos. Assinale a alternativa que indica a estrutura responsável pelo não rompimento da célula vegetal.
a) Membrana plasmática.
b) Vacúolo.
c) Parede celular.
d) Retículo endoplasmático.
e) Mitocôndria.

2- A célula eucarionte possui várias organelas que desempenham funções específicas na célula, como complexo golgiense, retículo
endoplasmático liso, retículo endoplasmático rugoso, lisossomo e peroxissomo. Assinale a alternativa que corresponde às funções dessas
organelas, respectivamente.
a) Síntese de esteróides e lipídios, síntese de proteínas, acúmulo e eliminação de secreções, degradação de água oxigenada e digestão
intracelular.
b) Acúmulo e eliminação de secreções, síntese de esteróides e lipídios, síntese de proteínas, digestão intracelular e degradação de
água oxigenada.
c) Acúmulo e eliminação de secreções, síntese de proteínas, síntese de esteróides e lipídios, digestão intracelular e degradação de
água oxigenada.
d) Acúmulo e eliminação de secreções, síntese de proteínas, síntese de esteróides e lipídios, degradação de água oxigenada e diges-
tão intracelular.
e) Síntese de esteróides e lipídios, síntese de proteínas, acúmulo e eliminação de secreções, digestão intracelular e degradação de
água oxigenada.

3 - A presença de folhas brancas ou variegadas pode dever-se a uma série de fatores. As folhas brancas herdadas são oriundas de
mutações em genes do núcleo da célula, das mitocôndrias ou dos plastos. Tais mutações resultam, direta ou indiretamente, na incapa-
cidade de acumular pigmentos fotossintéticos. Assim, as regiões brancas não são capazes de realizar fotossíntese. Ciência Hoje, v.40,
agosto de 2007. (Adapt.). Com base no texto e em seus conhecimentos, analise as seguintes afirmativas. I. Os cloroplastos, organelas
que apresentam DNA, podem sofrer mutação genética que acarreta a incapacidade de acumular clorofila – pigmento encontrado nos ti-

Didatismo e Conhecimento 109


BIOLOGIA
lacóides – inviabilizando o processo fotossintético. II. Os plastos são formados a partir de protoplastos, em que cada célula especializada
origina um tipo de plasto diferente, o qual é incapaz de se transformar em outro tipo de plasto. Ocorrendo a mutação, cloroplastos não
são formados, o que torna as folhas brancas. III. O cloroplasto é envolto por duas membranas lipoprotéicas e possui internamente um
elaborado sistema de bolsas membranosas interligadas. Em folhas verdes, no interior dessas bolsas existe DNA, RNA e ribossomos; já
nas folhas brancas não ocorrem ribossomos, o que ocasiona a não produção de clorofila. IV. Nas regiões brancas das folhas não ocorre a
etapa fotoquímica, que compreende a fotofosforilação e a fotólise da água. Nas folhas verdes, a clorofila, ao receber energia da luz, emite
elétrons energizados, os quais são captados e transportados por uma cadeia de substâncias presentes na membrana do tilacóide, liberando
gradativamente sua energia. Estão corretas apenas as afirmativas:
a) II e III.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I e IV.
e) I e II.

4-  A meiose é um processo de divisão celular em que são formadas quatro células com o número de cromossomos reduzido à
metade (n cromossomos). Esse processo é dividido em duas etapas (Meiose I e Meiose II), e cada etapa é subdividida em várias fases.
Nessas fases, ocorrem vários eventos: I. clivagem (quebra) das cromátides homólogas e troca de trechos entre elas. II. deslocamento das
cromátides irmãs para pólos opostos da célula. III. ocorrência da citocinese e formação das duas células, as quais possuirão n cromos-
somos cada uma. IV. deslocamento dos cromossomos homólogos para pólos opostos da célula. V. emparelhamento dos cromossomos
homólogos na placa metafásica (equatorial) da célula. Os eventos I, II, III, IV e V correspondem, respectivamente às seguintes fases:
a) Interfase, Anáfase I, Telófase II, Anáfase II e Metáfase I.
b) Prófase I, Anáfase II, Telófase I, Anáfase I e Metáfase I.
c) Telófase I, Anáfase II, Citocinese I, Telófase II e Prófase I.
d) Anáfase I, Telófase II, Intercinese, Prófase I e Intercinese.
e) Intercinese, Telófase II, Anáfase I, Metáfase I e Anáfase II.

5- Existem dois tipos de articulações cartilaginosas em que os ossos são unidos tanto por cartilagem hialina quanto fibrosa.Assinale
a opção que contenha os tipos existentes de articulação cartilaginosas e exemplos correspondentes na anatomia humana:
(A) Sindesmose (Membrana interóssea) e Gonfose (Ligamento periodôntico)
(B) Sincondrose (Placa epifisária) e Sínfises (Discos intervertebrais)
(C) Articulação plana (Articulação manubrioesternal) e Articulação em pivô (Ligamentos colaterais)
(D) Sincondrose (Cartilagem costal) e Sindesmose (Articulação manubrioesternal)
(E) Sínfises (Sínfise mentoniana) e Sutura (Fontanela anterior)

6- O ser humano é uma entidade biológica e social. Como todo organismo, é formado por órgãos e sistemas e tem a capacidade de se
reproduzir, crescer e interferir no meio onde vive, assim como de receber influências do ecossistema. Acerca desse assunto, julgue os
itens a seguir.
(1) Na reprodução humana, as células precursoras do óvulo, os ovócitos primários, são formadas ainda na fase embrionária; os ovó-
citos secundários são formados após o nascimento, já na puberdade; e os óvulos somente se formarão caso haja fecundação.
(2) A presença da gonadotrofina coriônica na circulação sanguínea de uma mulher adulta confirma a suspeita de gravidez, pois sua
produção ocorre nas vilosidades placentárias e sua função é estimular a atividade do corpo lúteo.
(3) O sistema nervoso, a epiderme e seus anexos têm origem ectodérmica, enquanto os sistemas circulatório, muscular e respiratório
originam-se do endoderma.
(4) O tecido conjuntivo pode ser comparado com o parênquima dos vegetais, já que ambos desempenham as funções mesenquimá-
tica, de preenchimento e de armazenamento de substâncias de reserva.

7- O que Platelmintos e Moluscos possuem em comum?


a) O sistema respiratório.
b) A presença de celoma.
c) O tipo de sustentação.
d) O sistema digestivo.
e) A ocorrência de cefalização.

8- Vertebrados, anelídeos e alguns moluscos possuem sistema circulatório fechado e hemoglobina como pigmento respiratório.

Didatismo e Conhecimento 110


BIOLOGIA
Nos anelídeos, a hemoglobina está localizada
a) nas plaquetas.
b) no líquido intersticial.
c) no plasma.
d) nos corpúsculos.
e) nos glóbulos vermelhos.

9- (UEL) Os tipos sanguíneos do sistema ABO de três casais e três crianças são mostrados a seguir.

CASAIS                                                 CRIANÇAS
I.             AB X AB                                          a. A    
II.            B x B                                               b. O
III.           A X O                                               c. AB
Sabendo-se que cada criança é filha de um dos casais, a alternativa que associa corretamente cada casal a seu filho é:
a)      I-a; II-b; III-c;
b)     I-a; II-c; III-b;
c)      I-b; II-a; III-c;
d)     I-c; II-a; III-b;
e)      I-c; II-b; III-a

10- (UFSM) Para os grupos sanguíneos do sistema ABO, existem três alelos comuns na população humana. Dois (alelos A e B) são
codominantes entre si e o outro (alelo O) é recessivo em relação aos outros dois.
De acordo com essas informações, pode-se afirmar:
I.Se os pais são do grupo sanguíneo O, os filhos também serão do grupo sanguíneo O.
II. Se um dos pais é do grupo sanguíneo A e o outro é do grupo sanguíneo B, todos os filhos serão do grupo sanguíneo AB.
III.Se os pais são do grupo sanguíneo A, os filhos poderão ser do grupo sanguíneo A ou O.
Está(ão) correta(s):
a)      Apenas I
b)     Apenas II
c)      Apenas III
d)     Apenas I e III
e)      I, II e III

GABRITO

1 2 3 4 5

C B D B B

6 7 8 9 10

V,V,F,V E C E D

REFERÊNCIAS

http://www.colegioweb.com.br/trabalhos-escolares/biologia/cadeia-alimentar/cadeias-e-teias-alimentares.html
http://www.aprendaki.webcindario.com/textos/ecologia.htm
http://www.grupoescolar.com/pesquisa/os-ciclos-biogeoquimicos.html
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/reproducao3.php
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/bio_ecologia/ecologia7.php
http://www.infoescola.com/biologia/meristema/
http://www.colegioweb.com.br/trabalhos-escolares/biologia/vegetais-superiores/a-flor-e-os-orgaos-reprodutores.html
http://www.infoescola.com/biologia/zoologia/

Didatismo e Conhecimento 111


BIOLOGIA
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAx3oAD/apostila-anatomia-humana
http://www.auladeanatomia.com/site/pagina.php?idp=161
http://www.infoescola.com/genetica/traducao-genica/
http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/biologia/genetica-sistema-abo-sistema-rh-herancas-ligadas-ao-sexo.htm
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Genetica/leismendel12.php
http://www.infoescola.com/genetica/ligacao-genica/
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Genetica/herancaesexo4.php
http://pt.scribd.com/doc/126248201/anatomia-e-Fisiologia-Animal-Comparada-pdfa

ANOTAÇÕES

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