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DIREITO PROCESSUAL PENAL II

PRISÃO

CONCEITO: É a restrição da liberdade de alguém, determinada por ordem


escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente OU em RAZÃO de
flagrante DELITO.

A prisão é a REGRA da SOCIEDADE?

R: NÃO, pois a regra é a liberdade, sendo que a prisão é uma exceção, daí que só
poderá ocorrer quando tiver previsão legal e desde que esteja fundamentada. A
PRISÃO CAUTELAR antecipa um juízo que só ao final do processo é que se poderá
ter como definitivo. No entanto, este tipo de Prisão não ofende a presunção de
inocência que significa: Que o Réu só será considerado culpado após o trânsito em
julgado da sentença penal, haja vista que a constituição e o CPP autorizam a prisão
cautelar, dede que estejam presentes os seus fundamentos.

ESPÉCIES DE PRISÃO

1) PRISÃO PENA: È aquela que ocorre após o trânsito em julgado da


sentença penal condenatória. Tem caráter de definitividade, sendo uma
forma de cumprimento da pena., possuindo ainda caráter repressivo.

2) PRISÃO SEM PENA OU CAUTELAR OU PROVISÓRIA: É aquela que


ocorre antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

É a destinada a assegurar a eficácia da decisão a ser proferida ao


final do processo, bem como a possibilitar a regular instrução
probatória, tutelando os meios e o fim do processo de
conhecimento. Possui caráter preventivo.
CARACTERÍSTICAS DA MEDIDA CAUTELAR
I-PREVENTIVIDADE : Significa que a cautelar visa evitar a ocorrência de um dano de
difícil reparação.
II-PROVISORIEDADE: Quer dizer que a cautelar irá permanecer enquanto estiverem
presentes os seus fundamentos;
III-ACESSORIEDADE: Significa que a cautelar está LIGADA A UM processo principal.
IV- INSTRUMENTALIDADE HIPOTÉTICA: Significa que a cautelar NÃO é um fim em
si mesma , mas um INSTRUMENTO de um instrumento principal..

PRESSUPOSTOS
a) Fumus Boni Iuris: : Significa a viabilidade de que o réu ao final do processo venha
a ser condenado, haja vista a presença de indícios de autoria e da materialidade.

b) Periculum in Mora: (Perigo da Demora): Significa o perigo concreto de


inafastabilidade do cumprimento da possível sentença condenatória, tendo em vista a
demora do processo, pois é possível que haja provas, por exemplo, de que o réu vai
fugir.
FUNDAMENTOS: Irão variar segundo o tipo da prisão cautelar, sendo, por exemplo,
NA PREVENTIVA, que os fundamentos estarão previstos no art. 312 do CPP; ao
passo que NA PRISSÃO TEMPORÁRIA os FUNDAMENTOS estarão previstos no
artigo 1º da Lei 7.960/89.
FINALIDADE DA MEDIDA CAUTELAR: Visa antecipar de forma excepcional uma
decisão que quando fosse proferida correria o risco de não mais produzir os seus
efeitos, SENDO que só será decretada se estiverem presentes os seus pressupostos
e fundamentos.

MANDADO DE PRISÃO
CONCEITO: É um instrumento escrito que contém a ordem judicial de PRISÃO
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO MANDADO DE PRISÃO ESTÃO NO Art. 285 do
CPP.
Art. 285. A autoridade que ordenar a prisão fará expedir o respectivo mandado.

Parágrafo único. O mandado de prisão:

a) será lavrado pelo escrivão e assinado pela autoridade;

b) designará a pessoa, que tiver de ser presa, por seu


nome, alcunha ou sinais característicos;

c) mencionará a infração penal que motivar a prisão;

d) declarará o valor da fiança arbitrada, quando


afiançável a infração;

e) será dirigido a quem tiver qualidade para dar-lhe


execução.

DIREITOS FUNDAMENTAIS E ABSOLUTOS DO PRESO: Art. 5º, incisos


49,50,62,63,da CF, ver Também Lei 7.210/84 (Lei de execuções penais/LEP). São
absolutos, pois NÃO podem ser modificados por norma infra-cosntitucional.

MODO DE CUMPRIMENTO DO MANDADO DE PRISÃO


EM REGRA, o mandado de prisão será cumprido a qualquer momento, estando o
agente na rua e ao efetuar a prisão, o agente que a realizou deve apresentar o
MANDADO para o preso, sendo, que há uma exceção no Art. 287 do CPP, que diz
que se a infração for inafiançável, a falta de exibição do mandado não obstará a
prisão, devendo, no entanto, o preso ser apresentando imediatamente à autoridade
que determinou à prisão.(OBS.: a prisão tem que já ter sido decretada).
OBS.: É importante destacar que o Art. 5º, inciso XI da CF disciplina a inviolabilidade
do domicílio, sendo que ninguém poderá ingressar no domicílio de outrem para
cumprir um mandado de prisão durante à noite, salvo se houver uma hipótese de estar
ocorrendo um FLAGRANTE delito ou se for para PRESTAR SOCORRO, pois em tais
casos é permitido ingressar no domicílio durante a noite.
A jurisprudência dominante entende que a expressão " durante a noite" ,
compreende o período de tempo entre 18 horas e 06 horas, podendo haver
interpretação diversa, no caso por exemplo, de horário de verão ou de fuso horário
diferente.
No que tange ao TRAILER o entendimento é de que se o mesmo serve como moradia
estará amparado pela inviolabilidade.

PRISÃO EM FLAGRANTE
(Art. 301 e seguintes do CPP)
CAPÍTULO II
DA PRISÃO EM FLAGRANTE
CONCEITO: É uma prisão que consiste na restrição da liberdade de alguém,
independente de ordem judicial, possuindo natureza cautelar, desde que esse alguém
esteja cometendo ou tenha acabado de cometer uma infração penal OU esteja em
situação semelhante prevista nos incisos III e IV, do Art. 302, do CPP. É uma forma de
autodefesa da sociedade.
A expressão FLAGRANTE vem da expressão FLAGARE, que significa queimar, arder.
É o que está acontecendo ou acabou de acontecer. É o evidente.

Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades


policiais e seus agentes deverão prender quem quer que
seja encontrado em flagrante delito.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:

I - está cometendo a infração penal;

II - acaba de cometê-la;

III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo


ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça
presumir ser autor da infração;

IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas,


objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da
infração.

NATUREZA JURÍDICA DA PRISÃO EM FLAGRANTE é de um ato administrativo, pois


independe de manifestação jurídica.
No entanto, consoante o Art. 5º, LXV, da CF a prisão deverá ser comunicada
imediatamente ao juiz, para que verifique a sua legalidade. E caso não seja, irá ocorrer
o relaxamento da mesma. Com a comunicação ao juiz, o ato irá se aperfeiçoar.

ESPÉCIES DE FLAGRANTE

I- Próprio ou Real â Art. 302, incisos I e II


do CPP.

É o FLAGRANTE propriamente dito.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:

I - está cometendo a infração penal;

II - acaba de cometê-la;

II- Impróprio ou Quase Flagrante: â Art.


302, III do CPP.

Irá ocorrer naquela hipótese em que o agente é perseguido logo após o crime em
situação que faça presumir ser ele o autor da infração penal.
A expressão logo após não significa 24 horas, mas sim um período de tempo.
(jurisprudência entende que é até 6 a 8 horas após o CRIME) razoável para haver a
colheita de provas sobre quem é o autor e iniciar a perseguição. Tempo e lugar
próximos da infração penal. OBS. PERSEGUIÇÃO Ú contínua 6 a 8 horas para iniciar
a perseguição. A perseguição após ser iniciada tem que ser contínua, não podendo ser
interrompida. Deve ser destacado que a perseguição deve ser iniciada até seis a oito
horas após o crime.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:

I - está cometendo a infração penal;

II - acaba de cometê-la;

III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo


ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que
faça presumir ser autor da infração;

IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas,


objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da
infração.

III- Flagrante Presumido â Art. 302 IV do CPP


Irá ocorrer no caso em que o agente é encontrado logo depois com objetos, armas,
que façam presumir ser ele o autor da infração penal.
Nesse caso, o agente não é perseguido, mas encontrado logo depois, sendo que,
segundo a JURISPRUDÊNCIA, essa expressão significa até 10, 12 horas após o
crime, havendo um maior elastério de horas. Neste caso hão houve perseguição,
sendo que o agente é encontrado logo depois.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:

I - está cometendo a infração penal;

II - acaba de cometê-la;

III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo


ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça
presumir ser autor da infração;

IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos,


armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele
autor da infração.

SUJEITO ATIVO DA PRISÃO EM FLAGRANTE Art. 301 do CPP


Qualquer pessoa do povo poderá realizar a prisão em flagrante, estando, nesse caso,
no exercício regular de um direito, tratando a hipótese de um flagrante facultativo.
Já as autoridades policiais e seus agentes deverão realizar a prisão em flagrante,
estando, nesse caso, no estrito cumprimento de um dever legal, sendo que aqui ocorre
um FLAGRANTE OBRIGATÓRIO ou COMPULSÓRIO.
Sujeito passivo da prisão em flagrante, será aquele que tenha cometido ou tenha
achado cometido a infração penal. Temos EXCEÇÕES no caso do Art. 86 § 1º da
CF/88, magistrados, (só podem ser presos em flagrante em crimes inafiançáveis.
Art. 86. Admitida a
acusação contra o
Presidente da República,
por dois terços da Câmara
dos Deputados, será ele
submetido a julgamento
perante o Supremo Tribunal
Federal, nas infrações
penais comuns, ou perante
o Senado Federal, nos
crimes de responsabilidade.

§ 1º - O Presidente ficará
suspenso de suas funções:

I - nas infrações penais


comuns, se recebida a
denúncia ou queixa-crime
pelo Supremo Tribunal
Federal;

II - nos crimes de
responsabilidade, após a
instauração do processo
pelo Senado Federal.

NOTA DE CULPA â É o instrumento pelo qual é dada ciência ao preso do motivo de


sua prisão, bem como de quem o prendeu. É um requisito extrínseco do APF (Ação
de Prisão em Flagrante), sendo fque a sua falta irá ocasionar o relaxamento da
prisão:
Segundo o Art. 306 do CPP, o prazo será de 24 horas, daí que a JURISPRUDÊNCIA
vem entendendo que aplica-se, por analogia, o Art. 306 à hipótese prevista no Art. 5º,
LXII , da CF que diz que toda prisão deverá ser comunicada imediatamente ao Juiz.

Art. 306. Dentro em 24 (vinte e quatro) horas depois da


prisão, será dada ao preso nota de culpa assinada pela
autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor
e os das testemunhas.

Parágrafo único. O preso passará recibo da nota de


culpa, o qual será assinado por duas testemunhas,
quando ele não souber, não puder ou não quiser assinar.

OBS:È importante na realização do A.P.F (auto de prisão em flagrante) a observância


do Art. 304 do CPP, devendo ser ouvido inicialmente o condutor, as testemunhas e por
último o preso, sendo que apesar do código falar testemunhas,a jurisprudência admite
a hipótese de haver apenas UMA testemunha, sendo que o condutor servirá também
como testemunha da realização do ato (LAVRATURA DO AUTO)
Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e as
testemunhas que o acompanharam e interrogará o acusado sobre a imputação que
Ihe é feita, lavrando-se auto, que será por todos assinado.
§ 1o Resultando das respostas fundada a suspeita contra o conduzido, a autoridade
mandará recolhê-lo à prisão, exceto no caso de livrar-se solto ou de prestar fiança, e
prosseguirá nos atos do inquérito ou processo, se para isso for competente; se não o
for, enviará os autos à autoridade que o seja.
§ 2o A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em
flagrante; mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas
pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade.
§ 3o Quando o acusado se recusar a assinar, não souber ou não puder fazê-lo, o auto
de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas, que Ihe tenham ouvido a
leitura na presença do acusado, do condutor e das testemunhas.
Na ausência de testemunhas da infração, o § 2º do Art. 304, admite que junto com o
condutor deverão assinar duas testemunhas que tenham testemunhado a
apresentação do preso à autoridade, sendo conhecidas como testemunhas de
apresentação, presenciais ou instrumentárias.
É importante a observância da formalidade acima, sob pena de ilegalidade do A.P.F
(auto de prisão em flagrante) e conseqüente relaxamento da prisão.
OBS: Art. 5º, LXV da CF/88 Ú Na hipótese de haver prisão em flagrante ilegal haverá o
relaxamento da mesma, sendo que se o juiz não relaxar será cabível o HABEAS
CORPUS, junto ao tribunal.
Salienta-se que o A.P.F.;(auto de Prisão em flagrante) neste caso, perderá sua força
coercitiva, mas servirá como peça de informação a possibilitar o ajuizamento da ação
penal.
No caso da prisão em flagrante ter sido LEGAL em tese, será cabível a LIBERDADE
PROVISÓRIA e caso o juiz não a conceda, a prisão se torna ilegal, cabendo no caso
HABEAS CORPUS na justiça..
Já no caso dos fundamentos da PRISÃO PREVENTIVA desaparecerem, será cabível
o pedido de revogação da mesma com base no Art. 316 do CPP.

Art. 316. O juiz poderá


revogar a prisão preventiva
se, no correr do processo,
verificar a falta de motivo
para que subsista, bem
como de novo decretá-la,
se sobrevierem razões que
a justifiquem. (Redação
dada pela Lei nº 5.349, de
3.11.1967)

CASOS ESPECIAIS
â É possível ocorrer prisão em flagrante no crime PERMANENTE?
R.: SIM, pois o crime permanente é aquele em que a consumação se prolonga, protrai,
no tempo, tendo como exemplo o crime de seqüestro e, consoante o Art. 303 do CPP,
será possível a prisão enquanto o crime estiver se consumado.

Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o


agente em flagrante delito enquanto não cessar a
permanência.

â É possível a prisão em flagrante no crime HABITUAL?


R.: Inicialmente, mister salientar que o crime habitual é aquele que exige a reiteração
da ação delitiva de modo a construir um hábito de vida sobre o qual incide a
reprovação penal, sendo exemplos o crime de curandeirismo e o de manter casa de
prostituição. A pergunta formulada trata-se de uma VEXATA QUAESTIO (questão
controvertida), sendo que TOURINHO FILHO não admite, pois ao realizar a prisão em
flagrante está na verdade prendendo apenas um ato isolado que não caracteriza a
habitualidade, ou seja, estaria se prendendo um elo da corrente.
Entretanto MIRABETE, e os demais entendem ser possível, desde que a prisão venha
acompanhada de fotos, filmagens, que indiquem, por exemplo, que naquele local é
mantida uma casa de prostituição, caracterizando assim habitualidade.
â É possível a prisão em flagrante nos crimes de AÇÃO PENAL PÚBLICA
CONDICIONADA A REPRESENTAÇÃO E NOS CRIMES DE AÇÃO PRIVADA?
R.: SIM, desde que haja a solicitação da prisão pelo ofendido e a posterior
confirmação, ratificação no auto de prisão em flagrante. (A.P.F.) desta vontade.
OBS.:É importante salientar que nos crimes de menor potencial ofensivo haverá a
lavratura do termo circunstanciado e o agente que praticou o crime será chamado de
autor do fato, sendo que segundo o Art. 69, § único, da Lei 9.099/95, no caso do
agente ser preso em flagrante, o mesmo será colocado em liberdade, desde que
assine um termo se comprometendo a comparecer perante o juiz.
CASO HIPOTÉTICO:
Pergunta:
No caso de "A" (policial militar), ter prendido em flagrante "B" e chegando a
delegacia encaminha-se ao delegado Edilberto para que seja lavrado o A.P.F.,
apresentando ao mesmo o preso.
No entanto, o delegado diz não ser caso de flagrante, surgindo então um conflito
entre ambos.
SOLUCIONE VOCÊ ESTE CONFLITO.
O conflito será solucionado com base no Art. 304§1º do CPP, a contrário sensu,
pois entendendo o delegado que não há fundadas suspeitas coloca o preso em
liberdade, mas todo o ocorrido estará documentado, cabendo ao juiz verificar
quem realmente está com a razão.
Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e as
testemunhas que o acompanharam e interrogará o acusado sobre a imputação que
Ihe é feita, lavrando-se auto, que será por todos assinado.
§ 1o Resultando das respostas fundada a suspeita contra o conduzido, a autoridade
mandará recolhê-lo à prisão, exceto no caso de livrar-se solto ou de prestar fiança, e
prosseguirá nos atos do inquérito ou processo, se para isso for competente; se não o
for, enviará os autos à autoridade que o seja.
outros tipos de FLAGRANTE
I- FLAGRANTE PREPARADO OU PROVOCADO: â Neste caso, o elemento subjetivo
do tipo existe, mas sob o aspecto objetivo não há violação da norma penal, senão uma
insciente cooperação para ardilosa averiguação de fatos passados.
Segundo DAMÁSIO DE JESUS, ocorre quando alguém, de forma insidiosa, provoca o
agente a praticar o crime, ao mesmo tempo em que adota providências para que o
mesmo não venha a se consumar.
Em relação a este tema, aplica-se a SÚMULA 145 do STF, que diz que não há cime
quando a preparação do flagrante pela autoridade policial torna impossível a sua
consumação. A jurisprudência entende que esta SÚMULA também se aplica no caso
de o flagrante ter sido preparado pelo particular.
É importante observar que para ser aplicada a SÚMULA deve haver a PREPARAÇÃO
E AO MESMO TEMPO A ADOÇÃO DE PROVIDÊNCIAS para que o crime não venha
a se consumar, ocorrendo, no caso, um crime impossível ou putativo (imaginário),
por obra do agente provocador.
Mirabete ressalta a hipótese em que apesar da preparação e das providências
adotadas, caso o crime venha a se consumar irá ocorrer o crime.
Temos como exemplo clássico desta situação a hipótese em que o patrão desconfiado
da sua secretária, coloca alguns objetos sobre a cristaleira, ao mesmo tempo em que
coloca policiais atrás da porta para que no momento em que a secretária subtraia as
jóias ocorra a prisão, sendo que no caso não haverá crime.
O saudoso ministro Nelson Hungria entende que no caso do flagrante preparado
ocorre um crime de ensaio ou de experiência, sendo que os protagonistas participaram
na verdade de uma comédia.

II- FLAGRANTE FORJADO: â Irá ocorrer no caso, por exemplo, em que um policial, de
forma leviana, coloca drogas no carro de alguém a fim de prende-lo em flagrante. O
FLAGRANTE FORJADO NÃO É VÁLIDO.
III- FLAGRANTE ESPERADO: â Irá ocorrer na hipótese em que a polícia tendo
conhecimento de que irá ocorrer um crime, espera que o mesmo aconteça e realiza a
prisão em flagrante do agente que o praticou, não há preparação. É um flagrante
válido
PRISÃO PREVENTIVA
(Art. 312 ou 316 do CPP).
É uma prisão cautelar e processual decretada pelo juiz durante o inquérito ou no curso
do processo, até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, desde que
preenchidos os pressupostos e fundamentos exigidos na Lei.
Pressupostos: Art. 312, segunda parte do CPP (materialidade e prova da autoria)
Fundamentos/Requisitos: Art. 312, Primeira parte do CPP
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública,
da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a
aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente
de autoria. (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)
Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar
a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem
razões que a justifiquem. (Redação dada pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967)
â PARA GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA: Irá ocorrer, em regra, nos casos em que o
agente seja reincidente, tenha alta periculosidade e que o crime tenha sido praticado
de forma cruel, com extrema gravidade. Ocorre ainda, no caso em que tenha trazido
uma grande repercussão na sociedade, causando um clamor público, afetando a paz
social..
â GARANTIA DA ORDEM ECONÔMICA: Irá ocorrer nos crimes praticados contra a
ordem econômica, financeira e tributária, causando repercussão, por exemplo, no
mercado de capitais, trazendo danos aos investidores. Há quem defenda que melhor
do que prisão seria decretar o seqüestro ou a indisponibilidade de bens.
â POR CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL: (produção das provas). VISA a
evitar, por exemplo, que o réu continue ameaçando testemunhas, peritos o que caso
aconteça prejudicará a instrução regular do processo. Ocorre também no caso em que
o réu, estando solto, poderá, em razão do seu cargo, destruir provas. É decretada em
razão de perturbação ao regular andamento do processo.
â PARA ASSEGURAR A APLICAÇÃO DA LEI PENAL :
Irá ocorrer, por exemplo, no caso do juiz ter notícia de que o réu irá fugir, pois tirou o
passaporte, sendo que neste caso será necessária a prisão, pois caso o réu fuja a
pena final aplicada não poderá ser cumprida. Há risco real de fuga do acusado. O juiz
não pode se basear em mera especulação, como por exemplo o caso do réu ser rico.
â Condições de ADMISSIBILIDADE DA PRISÃO PREVENTIVA – Art. 313, do CPP, não
cabe prisão preventiva em crimes culposos.

Art. 313. Em qualquer das circunstâncias, previstas no artigo anterior, será


admitida a decretação da prisão preventiva nos crimes dolosos: (Redação
dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)

I - punidos com reclusão; (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)


II - punidos com detenção, quando se apurar que o indiciado é vadio ou,
havendo dúvida sobre a sua identidade, não fornecer ou não indicar elementos
para esclarecê-la; (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)

III - se o réu tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença
transitada em julgado, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 46 do
Código Penal. (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)

Art. 314. A prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz


verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato
nas condições do art. 19, I, II ou III, do Código Penal. (Redação dada
pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967)

E no caso de o juiz verificar que o agente teria praticado o crime acobertado por uma
excludente da culpabilidade?
Minoritariamente, entende-se que o juiz NÃO está impedido (pode decretar) de
decretar a prisão preventiva, pois se deve fazer neste caso uma interpretação literal do
Art., não podendo estende-lo.
A Maioria entende que o juiz NÃO deveria decretar a prisão preventiva, pois no caso
deve ser feita uma interpretação extensiva, daí que a excludente da culpabilidade tem
a mesma finalidade da excludente da ilicitude, qual seja, excluir o crime, não podendo
haver no caso a diferenciação.
Art. 316 do CPP- o juiz deverá revogar a prisão preventiva, no caso de verificar que os
fundamentos da mesma desapareceram podendo, no entanto, tornar a decretar se
surgirem novos fundamento, sendo que neste novo decreto prisional deverá haver
também a fundamentação, não podendo repetir o decreto prisional anteriormente.

Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do


processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de
novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. (Redação
dada pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967)

PRISÃO TEMPORÁRIA
(Lei 7.906/89)

CONCEITO: É uma prisão cautelar decretada pelo juiz durante o inquérito policial,
visando a garantir a investigação de certos crimes graves, desde que preenchidos os
requisitos legais.
QUEM DECRETA: O JUIZ, não pode decretar ex-officio.
QUEM PEDE:A REQUERIMENTO DO MP OU EM RAZÃO DE REPRESENTAÇÃO DA
AUTORIDADE POLICIAL
PRAZO: Segundo o Art. 2º da Lei 7.960/89- o prazo será de cinco dias prorrogáveis
por mais cinco dias, sendo que se for crime hediondo o prazo será mais 30 dias,
sendo prorrogável por mais 30 dias - Art. 2º §3º da Lei 8.072/90 que a prorrogação não
é automática, devendo haver pedido neste sentido e a conseqüente fundamentação na
sua decretação e também no caso da prorrogação.
Art. 2° A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da representação da
autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 5
(cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada
necessidade.
§ 1° Na hipótese de representação da autoridade policial, o Juiz, antes de decidir,
ouvirá o Ministério Público.
§ 2° O despacho que decretar a prisão temporária deverá ser fundamentado e
prolatado dentro do prazo de 24 (vinte e quatro) horas, contadas a partir do
recebimento da representação ou do requerimento.
§ 3° O Juiz poderá, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público e do Advogado,
determinar que o preso lhe seja apresentado, solicitar informações e esclarecimentos
da autoridade policial e submetê-lo a exame de corpo de delito.
§ 4° Decretada a prisão temporária, expedir-se-á mandado de prisão, em duas vias,
uma das quais será entregue ao indiciado e servirá como nota de culpa.
§ 5° A prisão somente poderá ser executada depois da expedição de mandado judicial.
§ 6° Efetuada a prisão, a autoridade policial informará o preso dos direitos previstos no
art. 5° da Constituição Federal.
§ 7° Decorrido o prazo de cinco dias de detenção, o preso deverá ser posto
imediatamente em liberdade, salvo se já tiver sido decretada sua prisão preventiva.
Expirado o prazo da prisão, entende a maioria que o delegado deve colocar
imediatamente o preso em liberdade, sob pena de praticar abuso de autoridade. Há
quem entenda que o delegado só deveria soltar o preso mediante o alvará de soltura.
FUNDAMENTOS: Art. 1º da Lei 7.960/89, trata-se de

Art. 1° Caberá prisão temporária:

I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial;

II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer


elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade;

III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova


admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos
seguintes crimes:

a) homicídio doloso (art. 121, caput , e seu § 2°);

b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput , e seus §§ 1° e 2°);

c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);

d) extorsão (art. 158, caput , e seus §§ 1° e 2°);

e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput , e seus §§ 1°, 2° e 3°);

f) estupro (art. 213, caput , e sua combinação com o art. 223, caput , e
parágrafo único);

g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput , e sua combinação com o


art. 223, caput , e parágrafo único);

h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput , e
parágrafo único);

i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°);

j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou


medicinal qualificado pela morte (art. 270, caput , combinado com art.
285);
l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal;

m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro de


1956), em qualquer de sua formas típicas;

n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n° 6.368, de 21 de outubro de 1976);

o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492, de 16 de junho de


1986).

TRATA-SE DE UMA VEXATA QUAESTIO A EXIGÊNCIA DOS


FUNDAMENTOS:
1º CORRENTE: Minoritária segundo LUIZ GUSTAVO GRANDINETTI, é
necessário que para a decretação da prisão temporária estejam
presentes os três incisos do Art. 1º da Lei 7.960/89; pois ausente entre
os mesmos a conjunção alternativa OU que está presente por exemplo
no Art. 312, do CPP;
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da
ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução
criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver
prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. (Redação
dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)
2º CORRENTE: Há uma posição intermediária de que para decretação
da prisão temporária é necessário que esteja presente um dos incisos
do Art. 1º da Lei 7.960/89, pois ausente a conjunção aditiva E, daí que
em tese será cabível esta prisão para qualquer tipo de crime, desde
que estivesse presente um dos incisos do citado Art. Da Lei 7.960/89.
3º CORRENTE: Majoritária - entende que para a decretação desta
prisão é necessário que esteja sempre presente o inciso III, ora
combinado com o inciso I, ora combinado com o inciso II, daí que para
esta corrente só cabe prisão temporária em face dos crimes previstos no
inciso III.

Art. 1° Caberá prisão temporária:

I - quando imprescindível para as investigações do inquérito


policial;

II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer


elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade;

III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova


admitida na legislação penal, de autoria ou participação do
indiciado nos seguintes crimes:

JURISPRUDÊNCIA: recurso em Habeas Corpus julgado pela 5º turma do STJ.


Prisão Temporária – Motivação – A real necessidade da prisão temporária deve ficar
demonstrada no decreto judicial. Se o investigado é apenado como receptador crime
não constante da listagem legal (inciso III), falta-lhe requisito essencial.
OBS:A grande diferença entre a prisão preventiva e a prisão temporária é de que na
primeira o Fumus Boni Iuris é mais intenso do que na segunda, sendo que quando o
MP já tiver elementos para denunciar é porque em regra será cabível a prisão
preventiva, ao passo que no caso das provas ainda serem fracas, será cabível a
PRISÃO TEMPORÁRIA.
OUTROS TIPOS DE PRISÃO
Ú PRISÃO CIVIL – Art. 5º, Inciso LXVII, da CF. - É o meio de compelir alguém ao
cumprimento de uma obrigação,sendo cabível no caso de DÍVIDA DE ALIMENTOS e
DEPOSITÁRIO INFIEL. (existindo controvérsia).
Ú PRISÃO ADMINISTRATIVA – Art. 5º, Inciso LXI, da CF.- Apesar do nosso CPP, no
artigo 319, tratar da prisão administrativa, o entendimento dominante é de que a
mesma não mais vigora no nosso ordenamento jurídico, pois só será cabível prisão
originada de ordem judicial e não de autoridade administrativa.
MINORITARIAMENTE, GEVAM ALMEIDA, entende que a mesma existe no que se
refere ao conteúdo administrativo, mas para ser válida tem que ser emana de ordem
judicial;
Art. 319. A prisão administrativa terá cabimento:
I - contra remissos ou omissos em entrar para os cofres públicos com os dinheiros a
seu cargo, a fim de compeli-los a que o façam;
II - contra estrangeiro desertor de navio de guerra ou mercante, surto em porto
nacional;
III - nos demais casos previstos em lei.
§ 1o A prisão administrativa será requisitada à autoridade policial nos casos dos ns. I e
III, pela autoridade que a tiver decretado e, no caso do no II, pelo cônsul do país a que
pertença o navio.
§ 2o A prisão dos desertores não poderá durar mais de 3 (três) meses e será
comunicada aos cônsules.
§ 3o Os que forem presos à requisição de autoridade administrativa ficarão à sua
disposição.
Ú PRISÃO DISCIPLINAR- Art. 5º, Inciso LXI da CF.- No caso de transgressões
disciplinares e infrações militares propriamente ditas.
Ú PRISÃO ESPECIAL – Art. 295 do CPP- Se dirige a determinadas pessoas previstas
na Lei, sendo que esta prisão irá durar até o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória, devendo, portanto, o advogado utilizar o máximo de recursos.
Art. 295. Serão recolhidos a quartéis ou a prisão especial, à disposição da autoridade
competente, quando sujeitos a prisão antes de condenação definitiva:
I - os ministros de Estado;
II - os governadores ou interventores de Estados ou Territórios, o prefeito do Distrito
Federal, seus respectivos secretários, os prefeitos municipais, os vereadores e os
chefes de Polícia; (Redação dada pela Lei nº 3.181, de 11.6.1957)
III - os membros do Parlamento Nacional, do Conselho de Economia Nacional e das
Assembléias Legislativas dos Estados;
IV - os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito";
V - os oficiais das Forças Armadas e do Corpo de Bombeiros;
V – os oficiais das Forças Armadas e os militares dos Estados, do Distrito Federal e
dos Territórios;(Redação dada pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)
VI - os magistrados;
VII - os diplomados por qualquer das faculdades superiores da República;
VIII - os ministros de confissão religiosa;
IX - os ministros do Tribunal de Contas;
X - os cidadãos que já tiverem exercido efetivamente a função de jurado, salvo quando
excluídos da lista por motivo de incapacidade para o exercício daquela função;
XI - os delegados de polícia e os guardas-civis dos Estados e Territórios, ativos e
inativos. (Inciso acrescentado pela Lei nº 4.760, de 23.8.1965 e alterado pela Lei nº
5.126, de 20.9.1966)

§ 1o A prisão especial, prevista neste Código ou em outras leis, consiste


exclusivamente no recolhimento em local distinto da prisão comum.(Parágrafo incluído
pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)

§ 2o Não havendo estabelecimento específico para o preso especial, este será


recolhido em cela distinta do mesmo estabelecimento.(Parágrafo incluído pela Lei nº
10.258, de 11.7.2001)

§ 3o A cela especial poderá consistir em alojamento coletivo, atendidos os requisitos


de salubridade do ambiente, pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e
condicionamento térmico adequados à existência humana.(Parágrafo incluído pela Lei
nº 10.258, de 11.7.2001)

§ 4o O preso especial não será transportado juntamente com o preso comum.


(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)

§ 5o Os demais direitos e deveres do preso especial serão os mesmos do preso


comum.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)

ESPÉCIES DE PRISÃO

1) – Prisões Provisórias (Cautelares)

a) Prisão em flagrante
b) Prisão Temporária
c) Prisão Preventiva
d) Prisão Resultante de Pronúncia
e) Prisão Decorrente de Sentença Penal Condenatória
Recorrível

2) – Prisão Definitiva
Decorrente de Sentença Penal Condenatória Irrecorrível

3) Prisão Civil (alimentos/ depositário infiel)


Prisão Administrativa (era prevista no art. 319 CPP – revogada
pela CF)
Prisão Disciplinar (Transgressões militares)

PRISÃO EM FLAGRANTE

Está prevista nos arts. 301 a 310 do CPP. Ocorre quando o


delito está sendo cometido ou acaba de sê-lo.
A pessoa é surpreendida no momento em que comete o
delito.
Como se dá:
Através da “voz de prisão” do condutor . A prisão em
flagrante é efetivada por qualquer pessoa.
Temos, ainda, a figura do conduzido e a figura das
testemunhas.

No flagrante, qual é a ordem que deve ser observada para a


oitiva?
1) – Condutor
2) - Testemunhas
3) - Conduzido (interrogado)

Em caso de inobservância dessa ordem, o que pode


ocorrer?
Relaxamento do Flagrante

Não basta que o condutor tenha dado voz de prisão em


flagrante para que o mesmo se concretize, pois somente a
autoridade policial (Delegado) é que decidirá, após ouvir o relato
dos fatos, sobre a prisão em flagrante ou não.
SUJEITO PASSIVO

a) - Não podem ser presos em flagrante:


- Representantes Diplomáticos ou Chefes de Estado;
- Presidente da República;
- Governadores.
b) - Podem ser presos somente nas infrações inafiançáveis:
- Senadores e Deputados Federais;
- Deputados Estaduais;
- Magistrados;
- Membros do MP;
- Advogados, no exercício da profissão .

c) - Não pode ser preso em flagrante o condutor de veículo,


nos casos em que resulte vítima, quando prestar socorro.

ESPÉCIES DE FLAGRANTE

1) Flagrante Próprio (Real) – o agente é surpreendido


cometendo o delito ou quando acaba de cometê-lo - art.
302, I e II CPP.
2) Flagrante Impróprio (Irreal) – o agente é perseguido
“logo após” cometer o delito e é encontrado em situação
presumível de ser o autor da infração – art. 302,III CPP.
3) Flagrante Presumido – o agente é preso “logo depois”
de cometer a infração, com instrumentos/ armas/ papéis
que façam presumir ser ele o autor do delito – art. 302,
IV, CPP.

4) Flagrante Preparado ou Provocado – modalidade de


crime impossível porque não há vontade livre e
espontânea do infrator.

Súmula 145 – Não há crime quando a preparação do


flagrante pela polícia torna impossível a consumação.

5) - Flagrante Esperado – Não há criação de uma situação


artificial . Atividade policial que aguarda o momento do
cometimento sem qualquer induzimento ou instigação.

Exemplo: Pastor numa cidade do interior que furtava


chocolate e foi filmado.

6) - Flagrante Forjado – Não há flagrante, há criação de


provas.

Exemplo: Plantar drogas no bolso de uma pessoa.

7) Flagrante Prorrogado ou Retardado – Criado pela “Lei do


Crime Organizado” – Lei 9.034/95 – art. 2.º, II.
A polícia ao invés de prender em flagrante após o delito,
prorroga sua ação para um momento mais eficaz no
sentido de colher melhores provas contra organizações
criminosas.
“ O bandido pode levar ao bando”.
A prisão em flagrante será imediatamente RELAXADA
pela autoridade judiciária em caso de vícios de forma e
substância, durante a autuação.

Exemplo: a) falta Curador ao menor de 21 anos;


b) inversão da ordem da oitiva de testemunhas
c) excesso de prazo para conclusão do
Inquérito Policial que é de 10 dias - prorrogação ?
d) nota de culpa - 24 horas

Apresentação espontânea caracteriza estado de flagrância?

Ítens importantes no flagrante


 Nota de Culpa
 Remessa de informação
 Distribuição de informação (vara, n.º do processo)
 Certidão do Distribuidor sobre antecedentes
 Fazer pedido e despachar direto com o Juiz
 Junte-se em apenso e ao MP (despacho)
 Devolver em Cartório para autuação em apenso
 Vai para o MP dar parecer
 Juiz decide
 Procuração (após, se necessário)

PRISÃO PREVENTIVA - arts. 311 a 316


Poderá ser decretada durante o I.P. ou Processo (Ação
Penal). Antes do Trânsito em Julgado, devendo estar preenchidos
os requisitos legais autorizadores.

PRESSUPOSTOS (devem apresentar-se simultaneamente)

- Autoria - indícios que geram a convicção e não a


certeza.
- Materialidade provas por laudos/ documentos/
testemunhas, da existência do crime.

Condições Autorizadoras

- garantia da ordem pública (paz no meio social);


- conveniência da instrução criminal (obstáculos/ameaças
a testemunhas);
- assegurar a aplicação da lei penal (fuga);
- garantia da ordem econômica (desdobramento – ordem
pública; lei antitruste).

A decisão que decreta a prisão preventiva deve ser fundamentada,


não basta simples menção do texto legal.

A apresentação espontânea não impede a decretação da prisão


preventiva como no flagrante.

Pode ser decretada pelo Juiz, mesmo após o relaxamento do


flagrante
Excesso de Prazo (?)

REVOGAÇÃO

Não mais presentes os motivos ensejadores da prisão preventiva,


deverá a mesma ser REVOGADA – não relaxada.

Da decisão que decretar a prisão preventiva não cabe recurso –


cabe Habeas Corpus.

PRISÃO TEMPORÁRIA – Lei 7.960/89.

Destinada à possibilitar investigações durante o I.P.(princípio da


inocência?).

Art. 1.º Caberá prisão temporária:


I – quando imprescindível para investigações do I.P.;
II – quando o indiciado não tiver residência fixa ou recusar-se a
identificar-se;
III – arrola diversos crimes onde a medida é cabível;

Discussão doutrinária:

- Requisitos alternativos (T);


- Requisitos cumulativos (F);
PROCEDIMENTO:

Art. 2.º - A medida não pode ser decretada de ofício (Juiz),


depende da representação do MP ou do Delegado de Polícia.

PRAZO:

05 (cinco) dias, podendo ser prorrogada por mais 05 (cinco) dias;


30 (trinta) dias, podendo ser prorrogada por mais 30 (trinta) quando
se tratar de crimes hediondos.

*** Prazo exíguo para tentar-se medida judicial visando sua


revogação (Advogado atento para os requisitos).

A soltura do investigado se dará no último dia, independentemente


de alvará de soltura.

PRISÃO DECORRENTE DE PRONÚNCIA E DA SENTENÇA


PENAL CONDENATÓRIA

Duas possibilidades em que o réu deverá recolher-se à prisão,


salvo se for réu primário e tiver bons antecedentes para poder
apelar.
Súmula 09 do STJ – A exigência da prisão provisória, para
apelar, não ofende a garantia constitucional da presunção de
inocência.

Hoje, o entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante é


no sentido de que na prisão provisória, recolher-se à prisão para
apelar, somente se justifica se estiverem presentes os requisitos do
art. 312 do CPP, que justificaria a decretação da preventiva.

LIBERDADE PROVISÓRIA (prisão em flagrante)

Requisitos: primariedade; residência fixa; ocupação lícita.

Para a prisão em flagrante


 Nota de Culpa
 Remessa de informação
 Distribuição de informação (vara, n.º do processo)
 Certidão do Distribuidor sobre antecedentes
 Fazer pedido e despachar direto com o Juiz
 Junte-se ao MP (despacho)
 Devolver em Cartório para autuação em apenso
 Vai para o MP dar parecer
 Juiz decide
 Procuração (após, se necessário)
LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA

3 hipóteses:
a) o agente se livra solto (art. 321 CPP);
b) o fato esta acobertado por excludente de ilicitude (art. 310
“caput” – Ex.: legítima defesa);
c) estão ausentes os motivos que justificariam a prisão
preventiva

Aqui, a pergunta que se faz é a seguinte: Caso o réu não estivesse


preso por força do flagrante, deveria ser decretada sua prisão
preventiva?
Em caso de resposta negativa, ser-lhe-á concedida a Liberdade
Provisória.
Ora, se ausentes os requisitos da prisão preventiva, quais seriam os
outros requisitos que deve-se comprovar para o réu aguardar em
liberdade?

Requisitos: primariedade; residência fixa; ocupação lícita.


Como comprovar tais requisitos?

Como se processa na prática o pedido de liberdade provisória?

Bem, findado o auto de prisão em flagrante, o delegado expede a


Nota de Culpa ao acusado, onde constam os motivos da prisão e o
delito cometido. É a ciência ao réu do fato criminoso a ele imputado.

- O Delegado remete ao Juízo a informação da prisão em


flagrante acompanhado de uma cópia do A. P. Flag.
- Essas informações sofrem distribuição e cai para uma das
Varas Criminais, onde houver.
- Essa distribuição torna prevento o Juízo, sendo possível
saber-se a Vara e o nº do Processo.
- O distribuidor certificará a existência de antecedentes em
relação ao réu.
- Dirigindo-me ao Distribuidor, saberei então qual o Juízo que
deverei endereçar meu Pedido de Liberdade Porvisória.
- Levo meu Pedido de Lib. Provisória em mãos para que o
juiz despache o dê regular processamento.
- O juiz determinará a juntada em apenso e abrirá vista ao
MP.
- Retorno com o pedido ao Cartório para que o mesmo seja
autuado e remitido ao MP.
- O MP “opina”, os autos voltam conclusos ao Juiz que
decidirá pela soltura ou não do ausado.

DA LIBERDADE PROVISÓRIA COM FIANÇA

A fiança trata-se de um “direito do indiciado” e não de faculdade


da autoridade.

É bastante usual em delitos de uso de entorpecente (art. 16 Lei


6368/76) e desacato (331), pela autoridade policial.
A autoridade policial poderá arbitrar fiança em qualquer delito
apenado com detenção.

O juiz poderá arbitrar fiança em crimes apenados por reclusão em


que a pena mínima cominada não seja superior a dois anos.

Regra : Delegado - Detenção


Juiz - Reclusão (2 anos)

Ex.: crime de furto qualificado, a pena mínima é de 2 anos de


reclusão.

Posso pedir o arbitramento da fiança ao Juiz ?

Valor da fiança ? Encontra-se previsto nos artigos 325 e 326 do


CPP (levará em conta situação econômica)
O MP, somente se manifesta no pedido após a prestação da fiança
(333).

O valor da fiança será sempre restituído, independentemente do


resultado da Ação Penal, (absolvição/condenação).

- Observações:

a) - é necessário juntar-se ao pedido a procuração/ a Nota Culpa /


documentos comprovantes dos requisitos / a comprovação dos
antecedentes será feita pela Certidão do Distribuidor.
c) - Não devo adentrar no mérito do delito, contudo, posso dar
pinceladas de mérito, apontando determinados pontos de
depoimento para justificar melhor meu pedido.

d) - E finalmente, se deferida a “Liberdade Provisória”, o


indiciado se compromete a comparecer a todos os atos processuais
desde que devidamente intimado, sob pena de revogação do
benefício.