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A HISTÓRIA DAS SOCIEDADES

1. A História é um profeta...
“A história é um profeta com o olhar voltado para trás” – Eduardo Galeano.
O profeta é um homem que vive o seu presente momento. Ele tem consciência da sua realidade que o
cerca, e isso significa que ele conhece o processo histórico que fez com que ele vivesse as condições da sua
vida presente, ou seja, ele conhece seu passado, onde percebemos seus traços em seu presente. Conhecer sua
realidade é saber das transformações pela qual a sociedade em que vive passou e ainda passa.
E o que seria um profeta de fato?
Profeta é aquele que fala de um futuro: muitos mostram de maneira metafórica, apocalíptica, distópica, o
que ainda estaria para acontecer. E como o profeta pode saber de uma coisa dessas? Seria ele um ser
privilegiado?
Não, ele é apenas um homem, mas que conhece seu passado, portanto, ele tem uma consciência clara da
sua realidade, do seu presente. Tendo essa consciência ele pode perceber as tendências das transformações
sofridas pela sociedade em que vive – pode, enfim, prever o futuro.
Sabemos que esse tipo de conhecimento era tido por poucos homens durante toda a história. Como então
podemos fazer com essa percepção seja atribuída a vários homens? Como fazer de todos os homens profetas de
seu tempo?
Se todos os homens tiverem a consciência clara da realidade que os cerca, e dessa forma perceberem as
tendências das transformações sociais, terão a consciência também do seu poder de transformar o mundo. Dessa
forma não existiria mais profetas. Os homens com essa compreensão buscariam por um caminho melhor, sem
voltar aos erros do passado.
É uma grande ilusão pensarmos que o mundo pode melhorar dependendo apenas de um individuo. A
nossa condição de vida melhora quando todos buscam melhorar. Sem descriminação, sem preconceitos,
encontrando sempre os valores morais, éticos, íntegros e dignos de homens.
Em qualquer lugar, os homens precisam conhecer a História da sociedade em que vivem. Precisam ter a
consciência histórica par serem verdadeiramente homens. A identidade humana é forjada na vivência e
compreensão histórica do ser vivido.
Ter uma consciência histórica é conhecer as transformações vividas na sociedade em que você vive.
Portanto, ter consciência de história significa ter consciência do nosso poder de transformação, do nosso poder
de sermos agentes da História e não seres passivos, acomodados, que sofrem a História. Por isso, ter
consciência histórica significa sermos verdadeiramente homens, homens conscientes para podermos construir
um mundo melhor.
A consciência histórica não vem apenas pela leitura dos escritos históricos! A consciência histórica é
uma construção, e como toda construção, é necessário haver um processo, uma transformação no interior do
homem, para o crescimento do homem. A construção dessa consciência histórica implica uma ação direta sobre
o mundo. É nossa participação como cidadão, como elemento de uma classe social, de uma determinada
categoria profissional que nos levará a uma percepção histórica...
Desse modo podemos saber como será o nosso “olhar para trás”.
O nosso olhar deve se encher de vida, é um olhar de quem busca compreender a vida, a vida dos
homens, a vida do homem comum: como eles se alimentavam, como se organizavam, qual era o seu trabalho,
como pensavam... Portanto, nosso “olhar para trás” será sempre uma maneira de captar todo movimento
histórico, pois história é vida, é transformação, é movimento.
Até vimos qual é o sentido do estudo da história, o que a consciência histórica pode significar para o homem.
Enfim, podemos compreender para que serve a História.
Mas nós precisamos aprender de como vamos estudar a história?
O nosso interesse é buscar compreender as transformações nas diversas sociedades, e isso pode nos
levar a um crescimento muito grande como pessoas. Estudar a História das Sociedades só poderá ser eficaz
quando vivermos uma vida efetiva na prática social, como profissionais, estudantes, moradores de bairros,
moradores de sítios. Vivemos em sociedade, somos seres coletivos, sociais. Para se ter um interesse real sobre
estudar história é necessário ser ativo na participação na realidade social em que você vive.
Vamos então buscar um estudo mais aprofundado do que é História? Então, observe. Através de que vamos
estudar a História?
Através principalmente de obras escritas pelos historiadores. O historiador é aquele que tem o trabalho
de coletar os acontecimentos, ou seja, de escrevê-los, registrá-los.
Agora, nos cabem algumas perguntas importantes: Como o historiador exerce o seu trabalho? De que se utiliza
para realizar o seu trabalho?
1.1.A Cosmovisão da História
O que é a História?
Para melhor entender a definição do que é história, é melhor compreendermos o porquê de querermos entender
a sua própria definição. Como chegamos a uma definição do que é história?
Desde que os gregos criaram a palavra História, o conteúdo que se dá a esse termo tem sofrido várias
mudanças de acordo com a visão de mundo dos historiadores. Os homens para ter ideia de onde vivem
precisam saber do seu modo de vida na sociedade precisa ser participante, integrante do meio onde vive. Os
fatores que levam a produção histórica são condicionados pela consciência do seu contexto histórico-cultural.
O historiador ele tem uma tremenda importância para a sociedade. Para registrar os acontecimentos
históricos ele escreve. E a escrita tem suas particularidades, sua grande importância.
O ato de escrever, de registrar a vida vivida significa uma conquista importante. Quando você se põe a
escrever fazemos quase sem querer uma reflexão, pois o próprio movimento da escrita nos leva isso. Quando
você escreve palavras que tem um real sentido e significado para você, o seu pensamento está sendo organizado
de acordo com sua visão de mundo (cosmovisão), a sua compreensão do mundo.
Nós estamos incluídos nesse mundo, e de acordo da maneira como você enxerga o seu mundo, a sua
escrita, o documento será o registro do seu pensamento, da sua compreensão de mundo. Por isso sempre
devemos nos perguntar se essa História escrita por esse historiador é a História de quem? Para quem? A favor
de quê? Contra quem?
Quem busca compreender o homem deve estuda-lo na percepção da sua historicidade, ou seja, de como
ele interage com o seu presente. O homem é um ser do tempo, para compreendê-lo devemos sempre observar os
contextos, saber qual a sua posição no mundo. É de acordo com sua vivência, com meio em que você vive que
podemos saber a sua visão de mundo. O “quando” e o “onde” são perguntas essências para o historiador.
Escrever a História é um ato de marcar a sua presença no mundo. É registrar os acertos e erros
cometidos, isto é, aquilo que foi considerado certo ou errado de acordo com sua posição social e ideológica (sua
cosmovisão).
O Termo História
Os gregos foram os primeiros a utilizar esse termo: histor, originalmente, significava aquele que aprende a
olhar, aquele que sabe, o testemunho, aquele que testemunhou com seus próprios olhos os acontecimentos, e
“História” (“his” + “oren”) significava apreender pelo olhar a realidade, o testemunhar, os acontecimentos.
Com o tempo, talvez pela influência de Heródoto que deu o título de Histórias o resultado que obteve ao
pesquisar sobre as Guerras Greco-Pérsicas, o termo assumiu o sentido de busca do conhecimento das coisas
humanas, de saber histórico. O termo história passou a significar a busca, a pesquisa e também os resultados
compilados na obra histórica.
Responder “o que é História” é algo muito difícil, pois não só hoje, mas em todos os momentos
apresentaram dificuldades em responder esse termo.
1.2.As Fontes e os Problemas Históricos
Do que o historiador precisa para exercer o seu trabalho? Vamos analisar um pouco sobre a matéria-prima do
historiador: os documentos históricos.
Como esses documentos são interpretados? Quais são as técnicas utilizadas parar comprovar sua
autenticidade? Quais são as outras disciplinas que ajudam o historiador no seu trabalho?
O trabalho crítico do historiador sobre o documento é uma etapa fundamental do método que utiliza para
pesquisar e, finalmente, compreender o seu objetivo intelectual: o fato histórico.
Para reconstruir um quadro geral da sociedade, o historiador dependerá sempre de informações sobre
fatos de que ele não assistiu. Desse modo, ao contrário do romancista que pode criar seu personagem e inventar
acontecimentos, o historiador deve reconstruir os fatos exatamente como ocorreram. Assim, para atingir seus
objetivos ele deve sempre recorrer aos documentos, e é através deles que ele poderá tomar conhecimento sobre
os fatos da sociedade.
Então fica claro que a história se faz com documentos, e sem eles não há história. Seria apenas a tarefa
do historiador coletar as informações que contém nos documentos? Sabemos que não. Os documentos são a
matéria-prima do historiador, a interpretação dos documentos permitirá a compreensão dos fatos históricos.
É importante saber que os documentos não possuem verdades absolutas, a História se faz com a
interpretação sobre os documentos, ou seja, sobre os fatos.
Cada interpretação do documento é levada em conta a sua visão de mundo. Por isso um documento pode
ter várias interpretações diferentes. Cada interpretação comporta as visões diferentes de mundo, a posição
social, a ideologia em que se estuda o documento.
Enfim, o historiador, para atingir o seu objetivo, precisará saber interrogar os documentos. E é evidente
que seu interrogatório estará cheio de sua visão da realidade em que vive, usará o método segundo a teoria,
formulada pela sua cosmovisão.
O que é um Documento?
O documento é um meio, pelo qual, o historiador utiliza para compreender a realidade, a vida humana.
“Documento é tudo aquilo capaz de nos revelar qualquer coisa sobre o passado do homem” (Henri Morrou).
“Documento é tudo e qualquer vestígio do passado, capaz de nos dar informações acerca de um fato ou
acontecimento histórico” (Besselaar).

2. O Homem se fez Homem...


As sociedades antes da escrita