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DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO AO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 1 - SEÇÃO 1...............................1
INTRODUÇÃO AO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 1 - SEÇÃO 2...............................8
INTRODUÇÃO AO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL – UNIDADE 1 - SEÇÃO 3........................... 12
REGIMES DE PREVIDÊNCIA - UNIDADE 2 - SEÇÃO 1 ........................................................................... 20
REGIMES PREVIDENCIÁRIOS - UNIDADE 2 - SEÇÃO 2 ........................................................................ 26
REGIMES PREVIDENCIÁRIOS - UNIDADE 2 - SEÇÃO 3 ........................................................................ 32
CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL – UNIDADE 3 – SEÇÃO 1 ........................................................... 37
CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL – UNIDADE 3 – SEÇÃO 2 ........................................................... 41
CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL – UNIDADE 3 – SEÇÃO 3 ........................................................... 46
BENEFÍCIOS DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 4 - SEÇÃO 1 ...................................................... 54
BENEFÍCIOS DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 4 - SEÇÃO 2 ...................................................... 58
BENEFÍCIOS DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 3 - SEÇÃO 3 ...................................................... 63

INTRODUÇÃO AO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 1 - SEÇÃO 1

O que é o Direito da Seguridade Social?

Conforme o art. 194 da Constituição Federal de 1988: “a seguridade social compreende um


conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a
assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”.

Mas para quê serve?

A seguridade social serve como uma proteção aos que dela necessitam, podendo exigir ou
não contribuição prévia. Por exemplo, quando dispõe que todos podem ter acesso à saúde,
ou a um regime de previdência que cubra os principais riscos sociais (invalidez, doença ou
morte, por exemplo).

Primeiro contato com o Direito Previdenciário


Imagine que você deseja trabalhar em um grande escritório de advocacia previdenciária
como estagiário, mas para começar a peticionar em casos reais, você precisa dominar bem
os conceitos, a legislação e os princípios constitucionais e específicos do Direito
Previdenciário. Além disso, é necessário ter alguns conhecimentos sobre os tipos de
benefícios, quem são os segurados e beneficiários, e identificar os principais termos
utilizados no ramo, pois você precisa ter boas noções do tema.
Dessa forma, você precisará compreender:
1 – O que é e para que serve a Seguridade Social?
2 – Quais os princípios constitucionais e previdenciários?
3 – Quem são os segurados e os beneficiários da Previdência Social? E quem contribui para
a manutenção do sistema?

Desvendando os conceitos e histórico da Seguridade Social


Em sua entrevista de estágio, o dono do escritório te pergunta o que quer dizer a sigla
“INSS”, e qual a importância da Seguridade Social para os trabalhadores e para a população
em geral? Caso precise fazer uma pesquisa de legislação e jurisprudência, qual legislação
você deve buscar? Você sabe responder a essas perguntas?
Essas questões serão importantes para você, enquanto estagiário, compreender o seu
trabalho e poder fazer uma boa pesquisa quando for solicitado.

Para isso, considerando as questões apresentadas anteriormente, estudaremos os


seguintes conceitos nesta webaula.
Conceito de Seguridade Social: saúde, assistência e previdência social.
Surgimento da Previdência Social no Brasil e no mundo.
O Estado de Bem-Estar Social.
A Seguridade Social na Constituição Federal de 1988 e na legislação.

A Seguridade Social é formada por quais aspectos? Para responder essa pergunta, clique
nos botões a seguir.

Sistematização conceitual

Conceito e surgimento da Seguridade Social


Foi no período da Revolução Industrial, no século XVIII, que surgiram as primeiras noções
de Estado de Bem-Estar Social.
Com o aumento da utilização de máquinas nas indústrias, os trabalhadores passaram a não
mais produzir diretamente o produto, mas a serem operadores de máquinas – o que causou
inúmeros acidentes de trabalho.
Os trabalhadores, revoltados com as condições precárias de trabalho, começaram a
realizar as primeiras greves e a reivindicar melhorias. O Estado, então, pressionado pelos
donos de indústrias, cria as primeiras políticas de proteção social, como assistência à
maternidade, invalidez e pensões.

Conceito e surgimento da Seguridade Social


A imagem a seguir, retirada do filme “Tempos Modernos”, retrata a personagem de Charlie
Chaplin no interior de uma fábrica, sem qualquer equipamento de segurança, e correndo o
risco de sofrer um acidente.

Histórico da Seguridade Social no mundo: Para conhecer a história, explore a linha do


tempo a seguir.

A nível mundial, a Seguridade Social foi criada na Alemanha, em 1883, por Otto Von
Bismarck, que instituiu o primeiro “seguro-doença”. Nos anos seguintes, foram criadas as
coberturas para acidentes de trabalho, invalidez e velhice.

Plano Beveridge versus Plano Bismarck

Plano Beveridge
• Direitos são universais.
• Tem como objetivo a luta contra a pobreza
• É financiado pelos impostos.

Plano Bismarck
• Direitos são acessíveis aos que contribuem.
• Objetivo: manutenção da renda dos trabalhadores atingidos por alguma contingência
social.
• É financiado por recursos dos trabalhadores e dos empregadores.

Em 1917, a Constituição do México foi a primeira a tratar do tema, e após, a Constituição


Alemã de Weimar, em 1919. Verdadeira. A Constituição do México, promulgada em 1917,
foi a primeira a incluir direitos sociais. A Constituição de Weimar, promulgada em 1919, foi a
segunda.

Em 1942 surge o chamado Plano Beveridge, que trouxe o atual modelo de seguridade
social, compreendendo as três grandes áreas que merecem proteção: saúde, assistência e
previdência social. Verdadeira. Desenvolvido por William Henry Beveridge em 1942, a ideia
do plano era libertar o cidadão da necessidade ao propor o pagamento de uma contribuição
semanal ao Estado, que depois seria utilizado para garantir um padrão de vida mínimo e
seguro.

Surgimento da Seguridade Social no Brasil

No Brasil, o primeiro documento legal a tratar do tema foi um Decreto de 1º de outubro de


1821, editado por Dom Pedro de Alcântara, concedendo aposentadoria aos mestres e
professores após 30 anos de serviço.
No entanto, a Lei Eloy Chaves é considerada o marco inicial do surgimento da Previdência
Social no Brasil, em que criava as Caixas de Aposentadorias e Pensões nas empresas de
estradas de ferro.

Depois da Lei Eloy Chaves, outras leis surgiram para criar caixas de aposentadorias e
pensões em outros segmentos.

Dando continuidade ao contexto apresentado anteriormente, a Constituição Federal de 1988


introduziu o sistema de Seguridade Social no Brasil tal qual o conhecemos atualmente,
contendo os principais direitos nos arts. 7º, e 194 a 203.

Cada área da seguridade social cobre eventos diferentes, e pode ou não exigir contribuição
prévia. Para ilustrar essa colocação, veja o quadro a seguir.

SAÚDE ASSISTÊNCIA PREVIDÊNCIA


Exige contribuição Não Não Sim
prévia?
É acessível a todos Sim Sim Apenas àqueles
considerados
segurados ou
dependentes

Para aprofundar o estudo


Agora que você já aprendeu sobre o surgimento da Seguridade Social no Brasil e no mundo,
e sabe diferenciar cada instituto que compõe a Seguridade Social, leia o artigo a seguir
sobre a trajetória da Previdência Social no Brasil.

Resolução da situação-problema

Trabalhando com o Direito da Seguridade Social

Agora que você já entendeu um pouco do histórico do Direito da Seguridade Social, vamos
retomar as questões tratadas na nossa situação problema.
Primeiramente, você viu que a Seguridade Social é composta pelos setores da Saúde,
Assistência Social e Previdência Social.

A Seguridade Social surgiu no contexto pós Revolução Industrial, no século XVIII, a partir do
modelo do Estado de Bem-Estar Social, trazendo medidas protetivas aos trabalhadores e
suas famílias que sofressem algum risco social como morte, invalidez, doença, etc.
Na figura a seguir, o “Welfare State”, ou Estado do Bem-Estar Social, representado por uma
mão estendida, é o “Estado provedor”, que faz a cobertura dos riscos sociais.

“Estado do Bem-Estar Social”

Trabalhando com o Direito da Seguridade Social – conceitos básicos


E quanto ao nosso país? Será que agora você, como candidato a uma vaga de estágio em
um renomado escritório de advocacia previdenciária, saberia responder as perguntas do
entrevistador?

Qual a importância da Seguridade Social para os trabalhadores?


A Seguridade Social garante uma proteção àqueles que necessitam, exigindo ou não
contribuição prévia. No Brasil, para ter acesso à saúde não é preciso fazer nenhuma
contribuição.
A assistência social é composta por programas sociais e auxílios às famílias de baixa renda,
e a Previdência Social garante aos segurados e seus dependentes meios de cobrir os riscos
sociais que por ventura passem, como doença, velhice, maternidade ou invalidez.
Caso você precise, enquanto estagiário, requerer algum benefício previdenciário para
um cliente de seu escritório, qual repartição pública deve procurar?
A autarquia que cuida dos benefícios previdenciários do Regime Geral de Previdência Social
é o INSS – Instituto Nacional do Seguro Social. Para a área da Saúde, é o SUS –
Sistema Único de Saúde, o responsável pela organização e gestão das verbas.
Quanto aos serviços de assistência social, o SUAS – Sistema Único de Assistência Social é
o responsável, mas cada município possui um órgão, como o CRAS (Centro de Referência
de Assistência Social), por exemplo.

Para iniciarmos o Estudo do Direito da Seguridade Social, esses são os primeiros


conceitos necessários.

SEGURIDADE SOCIAL – CONTEUDO DO PROFESSOR

1. CONCEITO E NOÇÕES INTRODUTÓRIAS


- art. 194, CF
- previdência ≠ seguridade
- seguridade dá segurança social
- art. 6º = previdência, saúde e assistência como direitos sociais
OBS.: Seguridade não abrange todos os direitos sociais

diferença entre os ramos da seguridade = caráter contributivo ou não


Previdência = contribuintes
Assistência = não contribuintes residentes no país (vulnerabilidade social)
Saúde = qualquer pessoa

Governança:
Saúde = Ministério da Saúde (SUS)
Assistência = Ministério do Desenvolvimento Social (SUAS)
Previdência = Ministério do Desenvolvimento Social (INSS)

2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA SEGURIDADE (art. 194, p. único, CF)


I a IV = princípios de proteção social
V e VI = princípios tributários
VII = princípio democrático

A) universalidade da cobertura e do atendimento


Cobertura = prisma objetivo (contingências sociais)
Atendimento = prisma subjetivo (indivíduos protegidos)

B) uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços aos urbanos e rurais


é corolário da isonomia
uniformidade = mesmo rol de benefícios
equivalência = mesma sistemática de cálculos
a isonomia é material

C) seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços aos urbanos


e rurais
É limitador da universalidade
Decorre da falta de orçamento para cobrir todos os riscos
Seletividade = selecionar os riscos sociais mais relevantes
Distributividade = distribuição dos benefícios e serviços aos mais necessitados

D) irredutibilidade do valor dos benefícios


Irredutibilidade nominal e irredutibilidade real
Seguridade = irredutibilidade nominal (STF)

OBS.: irredutibilidade real na previdência (art. 201, §4º, CF)


E) equidade na forma de participação no custeio
decorre da isonomia e da justiça
seguridade se custeia tanto pelo empregado quanto pelo empregador
leva em conta a capacidade contributiva
ler art. 195, § 9º

F) diversidade da base de financiamento


Decorre da prevenção a crises econômicas
Multiplicidade de fontes de custeio
Art. 195

G) caráter democrático e descentralizado da administração em gestão quadripartite


Democrático = igualdade na participação da adm.
Descentralizado = órgãos colegiados das três esferas
Gestão quadripartite

H) solidariedade
Financiamento da seguridade de forma direta e indireta

3. REGRAS CONSTITUCIONAIS DA SEGURIDADE

a) Regra da contrapartida ou da prévia fonte de custeio (art. 195, §5º)


Benefício ou serviço de Seguridade
Impossibilidade de aumento ou majoração
Exigibilidade de fonte de custeio total

b) Regra da anterioridade tributária nonagesimal (art. 195, §6º)


Regra da Noventena
Marco inicial de contagem = data de publicação da lei
Instituído = criado; estendido = majorado
Ver SV nº 50

c) Regra da imunidade tributária a entidades beneficentes de assistência social (art.


195, § 7º)
é hipótese de isenção tributária
exigem-se os requisitos da Lei 12.101/2009

d) Regra de impedimento de contratação com o poder público ou recebimento de


subsídio se existir débito com a Seguridade (art. 195, §3º)
empresa deve possuir CND ou certidão positiva com efeitos de negativa

OBS.: REGRAS EXCLUSIVAS DA PREVIDÊNCIA

a) Regra da base de benefício substitutivo em um salário mínimo (art. 201, §2º)


regra exclusiva da previdência
regra exclusiva de benefícios substitutivos do rendimento do trabalho

b) Regra de que a gratificação natalina dos aposentados/pensionistas tem o mesmo


valor de dezembro (art. 201, §6º)

c) Regra da contagem recíproca de TC (art. 201, §9º)


Contribuinte recebe CTC para averbar em outro sistema
Os regimes compensar-se-ão

d) Regra de que tudo que incidir contribuição dever repercutir no benefício


previdenciário (art. 201, §11)

INTRODUÇÃO AO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 1 - SEÇÃO 2

Apresentação
Agora que você já aprendeu sobre o surgimento e histórico da Seguridade Social no Brasil e
no mundo, vamos neste momento passar para os princípios fundamentais dessa área do
Direito e conhecer as principais leis que regem o tema.
Iniciando o estudo
Você estava tentando conseguir uma vaga para estágio em um reconhecido escritório de
advocacia da área previdenciária na sua cidade e, na entrevista, o advogado lhe faz
algumas perguntas para saber se você já conhece os principais conceitos do tema, os
princípios constitucionais e específicos, quais as divisões da Seguridade Social, etc.

Você já aprendeu sobre o histórico e surgimento, agora vamos conhecer os princípios que
regem o Direito da Seguridade Social e sua aplicabilidade.

Trabalhando com o Direito da Seguridade Social - Apresentação da situação-problema

Iniciando o estudo do Direito da Seguridade Social


Agora que você sabe o que é e para que serve a Seguridade Social, seu entrevistador o
questiona sobre quais os princípios aplicáveis ao Direito Previdenciário, pois são eles que
irão orientá-lo na compreensão dos casos práticos de seu trabalho.
• Além da Constituição Federal, onde mais podemos encontrar princípios do Direito
• Previdenciário?
• Qual sua importância?
• Esses princípios estão interligados de alguma forma?

Nesta seção você aprenderá sobre os princípios constitucionais aplicáveis à Seguridade


Social. Para conhecê-los, explore a galeria a seguir.

• Solidariedade.
• Universalidade da cobertura e do atendimento.
• Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços entre as populações urbanas e
rurais.
• Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços.
• Irredutibilidade do valor dos benefícios.
• Equidade na forma de participação do custeio.
• Diversidade da base de financiamento.
• Caráter democrático e descentralizado da administração.
• As principais leis que regem cada área da Seguridade Social.

A Seguridade Social, assim como se vê na imagem a seguir, é construída a partir da


contribuição de toda a sociedade, e visa atingir a todos. Os princípios são como o alicerce,
que unem as contribuições e organizam o sistema.

Princípios e legislação da Seguridade Social - Sistematização conceitual


O que são princípios?
Princípios constitucionais

Para conhecer quais são eles, explore a galeria a seguir.

Solidariedade O princípio fundamental da Previdência Social é o da solidariedade,


constante no art. 3º, I, da CF/88, e significa que a geração que trabalha hoje é responsável
por sustentar os benefícios pagos àqueles que necessitam de algum benefício atualmente. É
o sistema chamado de “repartição simples”. Esse princípio é mais aplicável à Previdência
Social, e não aos outros setores da Seguridade Social.

Universalidade da cobertura e do atendimento Outro princípio importante é o da


universalidade da cobertura e do atendimento, constante no art. 194, parágrafo único, I, da
CF/88. A universalidade, portanto, é da cobertura, isto é, visa abranger todos os riscos
sociais; e do atendimento, pois as ações e serviços sociais devem atender a todos que
necessitem da seguridade social. Esse princípio é aplicável às três áreas da Seguridade
Social.

Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços entre as populações urbanas e


rurais A uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços entre as populações urbanas
e rurais é princípio trazido pelo art. 194, parágrafo único, II, da CF/88, e determina que o
tratamento dado aos trabalhadores urbanos e rurais deve ser igual, com os mesmos
benefícios e serviços, para os mesmos eventos cobertos pela Seguridade Social.

Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços Conforme o


princípio da seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços,
previsto no art. 194, parágrafo único, III, da CF/88, as prestações sociais devem ser
concedidas apenas a quem realmente necessitar, de acordo com os critérios previstos em
lei, pois a Seguridade Social também é uma forma de proceder à distribuição de renda aos
que precisam.

Irredutibilidade do valor dos benefícios A irredutibilidade do valor dos benefícios


garante aos segurados que não tenham o valor nominal de seu benefício reduzido, isto é,
não pode haver redução do valor do benefício.
Equidade na forma de participação do custeio Pela equidade na forma de participação
do custeio, deve-se levar em consideração a capacidade dos contribuintes, portanto,
aqueles que têm maior capacidade financeira podem contribuir mais.

Diversidade da base de financiamento


A diversidade da base de financiamento determina que a Seguridade Social deve ser
financiada por contribuições dos segurados, governo e empresas.

Caráter democrático e descentralizado da administração E por fim, temos o caráter


democrático e descentralizado da administração, com participação dos aposentados,
governo, trabalhadores, e empresas, com diversos conselhos espalhados pelo país.

Legislação principal
É importante destacar que cada área da Seguridade Social tem sua legislação específica.
Seguem as principais leis sobre o tema, pois existem ainda outras esparsas no ordenamento
jurídico:
• Lei no 8.080/90. - A Saúde é regida pela Lei Orgânica da Saúde – Lei nº 8.080/90.
• Lei no 8.742/93 e Lei no 12.435/2011. - A Assistência Social é regida pela Lei Orgânica da
Assistência Social – Lei nº 8.742/93 e Lei nº 12.435/2011.
• Lei no 8.212/91 e Lei no 8.213/91. - A Previdência Social tem duas principais leis, uma
para o custeio, que é a Lei nº 8.212/91, e uma para os benefícios do Regime Geral da
Previdência Social, a Lei nº 8.213/91.

Essas são apenas as leis principais, ainda existem outras em nosso ordenamento jurídico,
que vamos estudar no decorrer do curso. Faça uma breve leitura de cada uma dessas leis,
elas serão importantes nas próximas aulas.
Aprofundando os conhecimentos
Que tal aprofundar seus estudos lendo este interessante artigo, que além de explorar os
conceitos de alguns dos princípios da seguridade social, também traz recentes decisões
jurisprudenciais:

Agora você deve ler a Seção 1.2 do roteiro de estudos para aprofundar os seus
conhecimentos e realizar as questões diagnósticas, disponíveis em seu ambiente virtual
para testar seus conhecimentos antes da aula.

Desvendando os princípios da Seguridade Social


Agora que você já conhece os principais princípios da Seguridade Social, que tal dividir os
princípios aplicáveis a cada área? (saúde, assistência social e previdência social). Quais
princípios são aplicáveis exclusivamente à Previdência Social? • Solidariedade. •
Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços entre as populações urbanas e rurais.

Desvendando os princípios da Seguridade Social Resolução da situação-problema


Fato interessante
Antes da CF/88 havia diferenciação entre os benefícios concedidos aos trabalhadores
urbanos e rurais, por exemplo, no caso dos trabalhadores rurais, a aposentadoria era
concedida apenas ao chefe da família, que geralmente era o homem, o que excluía, assim,
as mulheres do recebimento de tal benefício.
Desvendando os princípios da Seguridade Social
Agora, vejamos quais os princípios aplicáveis a mais de um setor da Seguridade Social?

Desvendando os princípios da Seguridade Social


Além da Constituição Federal, na qual estão os principais princípios da Seguridade Social,
para completarmos a lição que foi solicitada pelo seu entrevistador, onde podemos encontrar
os dispositivos que tratam da Seguridade Social, isto é, quais as principais leis sobre o
tema?

Previdência Social - Leis no 8.212/91 e 8.213/91.


Assistência Social - Lei no 8.742/93 e Lei no 12.435/2011.
Saúde - Lei no 8.080/90.

INTRODUÇÃO AO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL – UNIDADE 1 - SEÇÃO 3

Introdução ao Direito Previdenciário - Você já aprendeu sobre o surgimento do Direito da


Seguridade Social e seus princípios. Vamos passar agora para a parte mais prática do
Direito Previdenciário, e conhecer os principais conceitos para a compreensão do tema.
Por exemplo, veremos quem são os segurados, dependentes e contribuintes, e também
sobre a manutenção e perda da qualidade de segurado.

Iniciando o estudo - Você estava tentando conseguir uma vaga de estágio em um


reconhecido escritório de advocacia da área previdenciária na sua cidade e, na entrevista, o
advogado lhe faz algumas perguntas, para saber se você já conhece os principais conceitos
do tema, os princípios constitucionais e específicos, quais as divisões da Seguridade Social,
etc.
Você já aprendeu sobre o histórico, o surgimento e os princípios que regem o tema. Agora,
passaremos aos conceitos básicos para a compreensão do Direito Previdenciário.

Segurados, dependentes e contribuintes Apresentação da situação-problema

Trabalhando com Direito Previdenciário - Você conseguiu o estágio! No primeiro dia de


trabalho, o advogado que o contratou o chama para analisar o caso de Emília, que era
companheira de Daniel até o seu falecimento. Ele estava há exatamente um ano
desempregado e deixou três filhos: um de 25 anos inválido, uma de 19 anos e uma menina
de sete anos.
Desta família, quem pode ser considerado dependente do falecido? O fato de Daniel estar
desempregado na época do óbito é um impeditivo para o benefício? Vamos analisar cada
uma dessas questões.

Iniciando o estudo no Direito Previdenciário


Quais os tipos de segurados?
Quem são os dependentes?
Quem são os contribuintes?
Como se mantém e se perde a qualidade de segurado?
Neste momento, vamos conhecer agora quem pode ser considerado um segurado ou
dependente da Previdência Social, apto a solicitar benefícios.

Segurados, dependentes e contribuintes da Seguridade Social Sistematização


conceitual

Segurados da Previdência Social


Os segurados da Previdência Social podem ser obrigatórios ou facultativos. Para conhecê-
los, clique nas abas a seguir.

Segurado obrigatório - É todo aquele que exerce qualquer tipo de atividade remunerada
lícita, maior de 16 anos (exceto na condição de menor-aprendiz).
Segurado facultativo - É aquele que não exerce atividade remunerada, mas deseja
contribuir para a Previdência, a fim de futuramente obter algum benefício, conforme art. 13,
da Lei nº 8.213/91.

Filiação - Todos os segurados que exercem atividade remunerada lícita estão


automaticamente filiados ao Regime Geral de Previdência Social. Os segurados facultativos
devem realizar sua inscrição, que é efetivada com o pagamento da primeira contribuição.

Os segurados obrigatórios são divididos em: empregado, empregado doméstico, contribuinte


individual, trabalhador avulso e segurado especial. Suas especificações constam no art. 11,
da Lei nº 8.213/91. Para conhecer cada um deles, clique nas abas a seguir.
Empregado - De acordo com o art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho, para alguém
ser considerado “empregado”, é necessário que o trabalho seja prestado de modo não
eventual a empregador, sob a dependência deste (subordinação) e mediante salário.

Empregado doméstico - Conforme o art. 11, inciso II, da Lei nº 8.213/91, é “aquele que
presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em
atividade sem fins lucrativos”.

Contribuinte individual - É o segurado empresário, trabalhador autônomo, e equiparados a


autônomos. Como exemplos, temos o advogado que tem seu próprio escritório, o dono de
uma microempresa, ou aquele que presta serviço a diversas empresas sem vínculo
empregatício.

Trabalhador avulso - É o trabalhador que presta serviço a várias empresas, sem vínculo
empregatício, e intermediado pelo Órgão Gestor de Mão de Obra.

Segurado especial - É a pessoa física que exerce atividade rural em regime de economia
familiar, em pequena propriedade rural, condição que se estende ao cônjuge e filhos
maiores de 16 anos.

Tipos de segurados obrigatórios - A seguir, explore a galeria e conheça quais são os tipos.

EMPREGADO EMPREGADO DOMÉSTICO


CONTRIBUINTE INDIVIDUAL
TRABALHADOR AVULSO

SEGURADO ESPECIAL

Dependentes
Os dependentes dos segurados estão divididos em três classes, conforme o art. 16, da Lei
nº 8.213/91. A denominação de “classe” significa que a existência de dependentes da
primeira classe, por exemplo, exclui o direito dos dependentes das classes seguintes:
Contribuintes da Previdência Social
São contribuintes da Previdência Social todos os segurados e os tomadores de serviços.
Para saber mais, clique nos botões a seguir.

Segurados - Os empregados, empregados domésticos e trabalhadores avulsos têm uma


porcentagem descontada de seus salários. Já o contribuinte individual e o segurado
facultativo pagam diretamente.

Tomadores de serviço - Os tomadores de serviços contribuem sobre: a folha de salários e


demais rendimentos dos trabalhadores com ou sem vínculo empregatício, sobre a receita ou
faturamento e sobre o lucro.

Manutenção e perda da qualidade de segurado


Para que um segurado ou seu dependente possam obter algum benefício da Previdência
Social, é imprescindível que à época do fato gerador do direito, o segurado detivesse essa
qualidade, o que significa a manutenção de todos os seus direitos perante a Previdência
Social. Fato gerador Ocorrência do fato ou evento coberto pela Previdência Social e que
gera o direito à percepção de algum benefício. Exemplos: morte, doença incapacitante,
idade avançada, etc.

O art. 15, da Lei nº 8.213/91, traz os prazos em que será mantida a qualidade de segurado,
mesmo após a cessação das contribuições, é o chamado “período de graça”. A seguir,
explore a galeria e saiba mais.

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


I - sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício;
II - até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o segurado que deixar de
exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou
licenciado sem remuneração;
III - até 12 (doze) meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de
segregação compulsória;
IV - até 12 (doze) meses após o livramento, o segurado retido ou recluso;
V - até 3 (três) meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas
para prestar serviço militar;
VI - até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo

Agora você deve ler a Seção 1.3 do roteiro de estudos para aprofundar os seus
conhecimentos e realizar as questões diagnósticas, disponíveis em seu ambiente virtual,
para testar seus conhecimentos antes da aula.

Trabalhando com o Direito Previdenciário Resolução da situação-problema


Trabalhando com Direito Previdenciário
Na nossa situação problema temos o caso de Emília, que era companheira de Daniel até o
seu falecimento. Ele estava há exatamente um ano desempregado e deixou três filhos: um
de 25 anos inválido, uma de 19 anos e uma menina de sete anos. Nesse caso, quem pode
ser considerado dependente de Daniel?
O fato de Daniel estar desempregado à época do óbito não será um impedimento nesse
caso, pois até 12 meses da cessação das contribuições (ou do vínculo empregatício), o
segurado mantém todos seus direitos perante o RGPS, é o que se depreende do artigo 15,
inciso II, também da Lei nº 8.213/91 (Lei de Benefícios).

Conforme a leitura do artigo 16, inciso I, da Lei nº 8.213/91, Emília e todos os filhos de
Daniel. Emília era sua companheira; quanto aos filhos, uma é menor de idade, outra ainda
não atingiu 21 anos (idade limite para os filhos serem considerados dependentes) e o outro
filho, embora maior de 25 anos, é incapaz para o trabalho, sendo considerado, portanto,
dependente.

Trabalhando com Direito Previdenciário


Assim como estudamos no caso dos dependentes de Daniel, todos poderão receber o
benefício de pensão por morte a que tem direito, pois o segurado mantinha essa qualidade à
época do óbito (artigo 15, inciso II, da Lei de Benefícios), e todos são considerados
dependentes para os fins legais, segundo o artigo 16, inciso I, também da Lei de Benefícios.

Portanto, os beneficiários do Regime Geral de Previdência Social podem ser tanto os


segurados quanto os dependentes:

PREVIDÊNCIA SOCIAL

1 - NOÇÕES GERAIS
- financiamento da previdência:
• Repartição simples
• Capitalização
- três espécies de regimes de previdência: RGPS, RPPS e Previdência Complementar
- RGPS e RPPS = regimes públicos e obrigatórios.

Organizados por LO’s


- Regime Complementar = regime privado e facultativo.
Regulado por LC’s

1.1 - RGPS (art. 201, CF)


- Previdência se organiza por regime geral de filiação obrigatória
- RGPS tem caráter contributivo e base no equilíbrio financeiro e atuarial

1.2 - RPPS (art. 40, CF)


- destina-se a servidores públicos com cargos EFETIVOS
- cargos da U, E, DF, M, autarquias e fundações
- caráter contributivo e solidário (EC 41/2003)
- observa equilíbrio financeiro e atuarial

1.3 - Regime Complementar


- caráter privado e facultativo
- autônomo - facultativo
- baseia-se no sistema de capitalização
- o Estado pode ser patrocinador
- divide-se em complementar fechada e aberta:
• Fechada = exige vínculo empregatício ou associativo;
Forma-se como Fundação ou Sociedade Civil Sem Fins Lucrativos;
Fiscalizada pela PREVIC
• Aberta = acessível a qualquer um; forma-se por S.A;

Fiscalizadas pela SUSEP *FUNPRESP (Lei 12.618/2012 e Lei 13.183/2015)


• Alíquota de 8,5%
• O ente também patrocina com 8,5%

2. FILIAÇÃO / SEGURADOS
- filiação ≠ inscrição

2.1 Espécies de Filiação


- obrigatória
- facultativa

2.2 Espécies de Segurados (art. 11)


a) segurado empregado (I)
- celetista ≠ segurado empregado
- exemplos de seg. empregados que não são celetistas:
• Servidor ocupante de cargo exclusivamente em comissão
• Servidor ocupante de cargo temporário
• Ocupante de mandato eletivo
• Aprendiz (art. 428, CLT)
• EXTRATERRITORIALIDADE

b) trabalhador avulso (VI)


- pessoa física
- exerce atividade remunerada
- sem vínculo
- vários empregadores
- intermediado por OGMO ou Sindicato
- sindicalizado ou não

c) empregado doméstico (EC 72/13 e LC 150/2015) (II)


- exerce atividade remunerada
- mais de duas vezes por semana
- prestação a pessoa física ou família
- tomador não atua com fins lucrativos
- pessoa maior de 18 anos

d) segurado especial (VII)


- agropecuarista e o cônjuge/filhos **
- seringueiro e extrativista vegetal e o cônjuge/filhos
- pescador artesanal e o cônjuge/filhos
- subsistência deve decorrer do labor na terra
- permite-se auxílio eventual de terceiros (art. 11, §7º)
- entressafra se admite atividade urbana (120 dias)
- admite-se atividade turísticas em 120 dias/ano

e) contribuinte individual (V)


- reunião do empresário, autônomo e equiparado a aut.
- pessoa física que presta serviços
- não há vínculo empregatício
- desenvolve atividade remunerada
OBS.: síndico e garimpeiro

f) segurado facultativo (art. 13)


- filiação facultativa (voluntária)
- tem efeitos a partir do primeiro recolhimento
- segurados que exercem atividade remunerada e não são obrigatórios:
• Estagiário
• Bolsista
• Presidiário ** (IX e XI)
OBS.: filiação simultânea a regimes diversos é proibida (art. 201, §5º, CF)
OBS.: aposentado que volta a trabalhar tem que contribuir
OBS.: limite etário de filiação = 16 anos, salvo aprendiz e doméstico

REGIMES DE PREVIDÊNCIA - UNIDADE 2 - SEÇÃO 1

REGIMES DE PREVIDÊNCIA

Como vimos, o Direito da Seguridade Social é composto pela Saúde, Assistência Social e
Previdência Social, e constituem importantes direitos sociais da população.
Você já conhece importantes noções do Direito Previdenciário, agora passaremos a
conhecer as peculiaridades dos regimes de previdência.

As peculiaridades de cada regime previdenciário


Imagine que você, enquanto advogado, é procurado por Camila, professora do Estado de
São Paulo, que também trabalha na rede particular de ensino.

Camila tem 32 anos, já está planejando sua aposentadoria, pensa em ter uma boa renda ao
final de sua vida e deseja contribuir para uma previdência complementar privada para
manter uma boa renda na velhice.

Para o caso de Camila, veja que ela está vinculada a três regimes de previdência:
Regime próprio de previdência do Estado de São Paulo.
Regime Geral de Previdência Social.
Regime de Previdência Privada, no qual está ingressando.

Para saber os melhores conselhos para indicar à Camila, você precisa conhecer um pouco
de cada regime previdenciário, que vamos estudar a seguir.
Os diferentes regimes previdenciários
Apresentação da situação-problema

O RGPS na prática
No Regime Geral de Previdência Social, Camila contribui como empregada em uma escola
particular, ministrando aulas para o Ensino Médio. Nesse caso:
Qual ente Camila deve procurar quando precisar de algum benefício previdenciário?
Qual a legislação pertinente para analisar as regras para a futura aposentadoria?
Como professora, Camila tem alguma redução de tempo para se aposentar?
O Regime Geral de Previdência Social
Para resolver a situação de Camila é necessário o conhecimento de algumas noções
básicas, por exemplo:

A legislação pertinente ao RGPS.


Os dispositivos constitucionais que regem a matéria.
O órgão gestor do regime.
Entre outros conceitos que serão estudados.

A seguir, veja o logotipo do INSS , instituição responsável pelo gerenciamento do Regime


Geral de Previdência Social, ao qual grande parte da população brasileira está vinculada.

Regime geral de previdência social - Sistematização conceitual


Normas do RGPS
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viverra.

 Proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário;


 Salário-família e auxílio-reclusão aos dependentes dos segurados de baixa renda;
 Pensão por morte do segurado, ao cônjuge, companheiro e dependentes.
 Doença, invalidez, morte e idade avançada.
 Proteção à maternidade.

Além disso, nos parágrafos do artigo 201, da CF/88, também são dadas algumas diretrizes e
princípios do RGPS (estes estudados na unidade anterior).
Normas do RGPS
Do art. 201, da CF/88, é importante que sejam destacados alguns parágrafos. Para saber
quais são eles e o que cada um aponta, clique nas abas a seguir.
Parágrafo 2º - determina que nenhum benefício que substitua o salário-de-contribuição ou o
rendimento do trabalho terá valor inferior ao salário mínimo.
Parágrafo 3º - garante a atualização dos salários de contribuição para o cálculo dos
benefícios, a fim de que não percam o poder aquisitivo.
Parágrafos 7º e 8º - Os parágrafos 7º e 8º trazem algumas disposições sobre a
aposentadoria: trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta, se mulher. No caso
de professores com tempo exclusivo em magistério ou educação infantil, haverá uma
redução de cinco anos em tal tempo; sessenta e cinco anos de idade, se homem, e
sessenta, se mulher, com redução de cinco anos para os segurados especiais.

O constituinte optou por incluir tais disposições na Constituição Federal justamente para que
só possam ser alteradas por Emenda Constitucional, o que dificulta que tais direitos sejam
eventualmente alterados ou retirados dos cidadãos.
Além do artigo 201, da Constituição Federal de 1988, também é importante o conhecimento:
Das Leis n. 8.212/91 e n. 8.213/91.

 Lei n. 8.212/91 - Trata do custeio do sistema.


 Lei n. 8.213/91 - Dispõe sobre os benefícios previdenciários. Do Decreto n. 3.048/99.

Regulamento da Previdência Social; traz algumas especificações não contidas nas leis
mencionadas.
Além das informações apresentadas anteriormente, é importante apresentarmos que o
órgão gestor do RGPS é o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), responsável pela
concessão e manutenção de milhões de benefícios.
Vale dizer também que nenhum benefício pode ultrapassar o teto de benefícios da
Previdência Social, que é estabelecido anualmente por Portaria do MPS, cujo valor atual é
de R$ 5.645,80.

Principais características do RGPS


É importante lembrar as características do RGPS, importantes para a compreensão dos
outros regimes previdenciários:
É um regime contributivo - É um regime contributivo, pois exige contribuições dos
segurados para sua participação.
É obrigatório - Isto é, se o segurado exercer atividade remunerada e não for filiado ao
Regime Próprio de Previdência Social, é necessário contribuir para o sistema.
É um regime público - Ou seja, qualquer pessoa (exceto os servidores públicos vinculados
a regime próprio) pode participar e contribuir para o Regime Geral.
Benefícios e Serviços do RGPS
Para que você tenha uma primeira noção, clique nas abas a seguir e conheça quais são os
benefícios e serviços ofertados pelo RGPS, que são consequência do disposto nos incisos
do artigo 201, da CF/88, os quais serão delineados nas próximas unidades.
Benefícios
 Aposentadoria por idade;
 Aposentadoria por invalidez;
 Aposentadoria especial;
 Aposentadoria por tempo de contribuição.
 Pensão por morte.
 Auxílio-reclusão;
 Auxílio-doença;
 Auxílio-acidente.
 Salário-família;
 Salário-maternidade.

Serviços
 Reabilitação profissional.
 Serviço social.

Aprofundando o estudo
Para complementar o estudo, leia esse guia de perguntas e respostas contido no próprio site
da Previdência Social, importante para o diferenciar dos outros regimes de previdência:
Disponível em: <https://goo.gl/PtUuud>. Acesso em: 22 jan. 2018.

Perspectivas da Reforma Previdenciária


É importante mencionar que atualmente tramita a PEC (Proposta de Emenda Constitucional)
nº 287/2016, chamada PEC da Previdência, que pretende realizar algumas alterações no
texto constitucional, com maior rigor para a concessão de benefícios previdenciários do
regime geral e próprio de previdência social, por exemplo:
Retirando a redução do tempo de contribuição na aposentadoria do professor;
Criando vedação à acumulação de aposentadoria e benefício de pensão por morte;
Determinando que apenas terá direito ao benefício de aposentadoria por tempo de
contribuição em seu valor integral aquele que trabalhar pelo menos 40 anos.

Perspectivas da Reforma Previdenciária


A reforma previdenciária ainda não foi aprovada, mas pode ser uma ameaça aos direitos
sociais já conquistados, trazendo regras mais rígidas para a concessão dos benefícios.
Por exemplo, para que um segurado obtivesse uma aposentadoria integral, teria que
começar a contribuir aos 16 anos de idade, de forma ininterrupta, até os 65, o que
atualmente não ocorre.

Leia mais sobre a proposta de reforma previdenciária:


O primeiro link primeiro link se refere a um artigo do Juiz Federal, Wesley Wadim Passos
Ferreira de Souza, com críticas à proposta. Disponível em: <https://goo.gl/EWk6TN>.
Acesso em: 22 jan. 2018

O segundo link diz respeito ao texto original da PEC 287/2016. Disponível em:
<https://goo.gl/CFtrZy> Acesso em 22 jan. 2018

Também vale assistir a esse vídeo feito pela Câmara dos Deputados, que sintetiza as
mudanças pretendidas pela Reforma Previdenciária, já na proposta do texto substitutivo da
PEC 287/2016. <https://www.youtube.com/watch?v=aaRx0WKY41U>

Agora você deve ler a Seção 1.1 do roteiro de estudos para aprofundar os seus
conhecimentos e realizar as questões diagnósticas, disponíveis em seu ambiente virtual,
para testar seus conhecimentos antes da aula.

Regime geral de previdência social - Resolução da situação-problema

Trabalhando com o RGPS


Sua cliente Camila, em relação ao período em que trabalha como professora em escola
particular, caso necessite de algum benefício previdenciário, deverá procurar o INSS, que é
o órgão que faz a gestão dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.
A legislação que rege esse Regime são as Leis n. 8.213/91 e 8.212/91, em complemento
com o Decreto n. 3.048/99, e o artigo 201, da Constituição Federal.

E quanto aos requisitos para a aposentadoria? Camila tem direito a alguma redução do
tempo para se aposentar?

Ainda que você não tenha conhecimento das disposições específicas das leis mencionadas,
pela leitura do artigo 201, parágrafos 7º e 8º, da Constituição Federal, é possível responder
à sua cliente que, como professora de escola particular do Ensino Médio, terá direito à
redução de 5 (cinco) anos no tempo de contribuição para se aposentar.
Assim, Camila, por ser mulher e professora do Ensino Médio, caso deseje se aposentar por
tempo de contribuição, terá que cumprir 25 anos de contribuição, trabalhados como
professora.

Portanto, a hierarquia das normas fica assim:


PREVIDÊNCIA SOCIAL - PROFESSOR

3. DEPENDENTES (ART. 16, LEI 8.213/91)


- separação por classes
- classe mais próxima exclui a mais remota
- dependência presumida x com comprovação

· I = inclui a deficiência grave e exclui a declaração judicial de incapacidade


absoluta/relativa
· II = pais diferem de ascendentes
· III = mesma redação do I

OBS.: irmãos e filhos emancipados NÃO são dependentes previdenciários

a) cônjuge/companheiro:
- fim da união extingue o direito de pensão por morte
- mantém-se dependente se recebia pensão alimentícia
- súmula 336, STJ
- relação homoafetiva gera pensão por morte
- existência de impedimento para casamento extingue direito de pensão (concubinato não
gera benefício)
- separação de fato e surgimento posterior de união estável não impede pensão por morte
· Art. 22, §3º, Dec. 3.048/99
· Súmula 63, TNU
b) filho:
- pendência de curso universitário não prorroga pensão
- filho inválido não pode trabalhar, sob pena de perda da pensão
- filho com deficiência pode trabalhar
- menor sob guarda não se equipara a filho, mas o STJ entende que pode receber pensão
Art. 16, §2º = enteado e tutelado equiparam-se a filho, mas sua dependência NÃO é
presumida

OBS.: existindo mais de um dependente na classe, faz-se rateio do valor do benefício entre
eles.

4. QUALIDADE DE SEGURADO
- característica ostentada por aquele que contribui
- período de graça (art. 15, Lei 8.213/91): sujeito continua segurado, mas sem contribuir
· Quem está em gozo de benefício = 12 meses
· Ex-segurado obrigatório = 12 meses após cessadas as contribuições
· Portador de doença de segregação compulsória = 12 meses após cessada a doença
· Preso que trabalhava antes do cárcere = 12 meses após fim da reclusão
· Incorporado às Forças Armadas = 03 meses após licenciamento
· Segurado facultativo = 06 meses após a última contribuição

OBS.: ex-segurado obrigatório tem graça estendida por 24 meses se tiver mais de 120
contribuições registradas, sem ter perdido a qualidade de segurado.

OBS.: ex-segurado obrigatório tem graça estendida por 36 meses se tiver mais de 120
contribuições registradas, sem ter perdido a qualidade de segurado, e comprovar que se
encontra desempregado.

REGIMES PREVIDENCIÁRIOS - UNIDADE 2 - SEÇÃO 2

Você já conhece um pouco sobre o Regime Geral de Previdência Social e sabe que existem
também o Regime Próprio e o Regime de Previdência Privada Complementar
Agora vamos conhecer alguns conceitos e regras básicas do Regime Próprio de
Previdência Social, que se aplica aos servidores públicos da União, dos estados, dos
municípios e do Distrito Federal.

Trabalhando com os regimes de previdência


Imagine que você, enquanto advogado, é procurado por Camila, professora do Estado de
São Paulo, que também trabalha na rede particular de ensino. Camila, que tem 32 anos e já
planeja sua aposentadoria, deseja contribuir para uma previdência complementar privada
para manter uma boa renda na velhice.

Neste caso, perceba que Camila está vinculada a três regimes de previdência:

Regime próprio de previdência do Estado de São Paulo.


Regime Geral de Previdência Social.
Regime de Previdência Privada, no qual está ingressando.

Para poder dar os melhores conselhos a Camila, você precisa conhecer um pouco de
cada regime previdenciário, os quais estudaremos a seguir.

Trabalhando com os regimes de previdência - Apresentação da situação-problema

Vimos, na Seção 1, que Camila, enquanto professora, tem direito a uma redução do tempo
para se aposentar pelo Regime Geral de Previdência Social.

Mas e no Regime Próprio de Previdência do Estado de São Paulo?


As regras aplicáveis serão as mesmas?
O que a Constituição Federal determina para o caso dos professores?
Qual órgão Camila deverá procurar quando for se aposentar?
O valor de sua aposentadoria será igual o do seu salário?

Para analisar corretamente a situação de Camila, você precisa ter uma boa noção das
regras aplicáveis para os servidores públicos, o que veremos a seguir.

Conceitos iniciais
Para resolver a situação proposta, você deve ter um bom conhecimento sobre o disposto no
art. 40 da Constituição Federal e compreender o seguinte:

Quem se submete ao Regime Próprio de Previdência Social?


As regras são iguais para servidores da União, dos estados, do DF e dos municípios?
As regras para concessão de aposentadorias são as mesmas do RGPS?

Portanto, o Regime Próprio de Previdência Social é aquele que se aplica aos servidores
públicos civis federais, estaduais e municipais, e sua sigla é RPPS, conforme a seguir.

RPPS - Regime Próprio de Previdência Social

Regime próprio de previdência social - Sistematização conceitual.

Regras constitucionais do RPPS


As normas básicas do RPPS estão no art. 40 da Constituição Federal de 1988, que tem as
seguintes características:

O sistema é contributivo e solidário.


Conta com contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos
pensionistas. Deve preservar o equilíbrio financeiro e atuarial.

Além disso, as reformas introduzidas pelas Emendas Constitucionais nº 20/98 e 41/2003


estabeleceram algumas regras importantes, como observa-se a seguir:

 Os proventos de aposentadorias e pensões, à época de sua concessão, não podem


exceder a remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria
ou que serviu de referência para concessão da pensão.
 Instituída a contribuição sobre aposentadorias e pensões para beneficiários que
recebam valor superior ao teto de benefícios do RGPS (em 2018: R$ 5.645,80).
 Ressalvados os casos de cargos acumuláveis (art. 37, XVI, da CF/88), é vedada a
percepção de mais de uma aposentadoria no RPPS.

O art. 40, § 1º, da Constituição Federal de 1988, também traz as regras básicas para a
aposentadoria. Clique nas abas, a seguir, e conheça-as:

Por invalidez – Proventos proporcionais, exceto se decorrente de acidente em serviço,


moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável.

Compulsória – Com proventos proporcionais, aos 70 anos de idade, ou aos 75 anos para
os Ministros de tribunais superiores (EC 88/2015 era chamada de “PEC da Bengala”).

Voluntária – Deve ser cumprido um mínimo de 10 anos em serviço público e 5 anos no


cargo da aposentadoria, sendo:
 Aos 60 anos de idade, com 35 anos de contribuição, se homem, e 55 anos de idade,
com 30 de contribuição, se mulher.
 Aos 65 anos de idade se homem, e 60 anos, se mulher, com proventos proporcionais.

Apenas terão direito a critérios diferenciados para recebimento dos benefícios, conforme
parágrafo 4º do art. 40 da CF/88, os servidores:

Portadores de deficiência.
Que exerçam atividades de risco.
Que exerçam atividades sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou integridade
física.
Art. 40 O parágrafo 5º do art. 40 também destaca a redução de 5 anos no tempo de
contribuição e na idade para o professor que comprove tempo exclusivamente em funções
de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio.

Regras gerais do RPPS

A União instituiu a Lei nº 8.112/90, o chamado Regime Jurídico Único dos servidores
públicos civis federais, para regulamentar todas as disposições sobre os servidores públicos,
como as licenças, afastamentos, direitos e deveres, e as aposentadorias.
Nos estados, Distrito Federal e municípios, cada ente federativo estabelecerá suas próprias
leis regulamentadoras, mas sempre obedecendo aos critérios previstos na Constituição
Federal de 1988.

A reforma previdenciária

A PEC nº 287/2016, além de trazer várias modificações no RGPS, pretende alterar também
o RPPS, por exemplo, ao estabelecer a aposentadoria compulsória para todos os servidores
aos 75 anos de idade, a exigência de no mínimo 25 anos de contribuição para concessão de
aposentadoria voluntária e ao fixar o teto do RGPS para a concessão de aposentadorias e
pensões.

Qual a sua opinião sobre a atual proposta de reforma previdenciária? Para uma melhor
compreensão, leia o artigo Reformas previdenciárias, aposentadoria dos servidores e
mutação constitucional, de Damares Medina.

Reformas previdenciárias, aposentadoria dos servidores e mutação constitucional


Fonte: <https://goo.gl/n3kpP9>

Regime próprio de previdência social - Resolução da situação-problema

Trabalhando com vários regimes previdenciários

Voltando à situação de sua cliente Camila, professora tanto da rede particular quanto da
rede pública de ensino, você viu que pelo RGPS ela tem direito a uma redução do tempo de
contribuição e da idade para se aposentar, mas e no Regime Próprio? Também há tal
redução?
O órgão gestor dos benefícios previdenciários do Regime Próprio de Previdência Social não
é o INSS, mas sim, um órgão vinculado ao ente federativo a que Camila presta serviços. Por
exemplo:

Em São Paulo, é o SPPREV;


 No Paraná, o ParanaPrevidência;
 No Amapá, o AMPREV.

E, assim por diante, cada estado e município tem seu respectivo órgão.

O art. 12 da Lei nº 8.213/91 prevê que os servidores públicos civis são excluídos do RGPS,
desde que amparados por Regime Próprio. Portanto, caso o estado ou município não tenha
um regime próprio, os servidores serão vinculados ao RGPS.

E qual será o valor da aposentadoria de Camila?

Caso Camila preencha os requisitos do artigo 40, §1º, III-a da CF/88, aposentando-se por
tempo de contribuição, já com as reduções de idade e de tempo previstas
constitucionalmente para os professores, poderá receber proventos integrais; se ela se
aposentar por idade, receberá proventos proporcionais ao tempo trabalhado.
Como Camila trabalha como servidora pública e como empregada, é possível
acumular duas aposentadorias? Sim, é o que foi decidido pelo Superior Tribunal de
Justiça (STJ), no REsp nº 924.423.

Trabalhando com vários regimes previdenciários

Importante

Conforme artigo 37, XVI, da CF/88, é possível a cumulação de dois cargos públicos de
professor, então, hipoteticamente, caso Camila fosse detentora de um cargo de professora
no município e um no estado, também seria possível a cumulação de aposentadorias, pois é
permitida a cumulação de cargos quando em atividade.

PREVIDÊNCIA – PROFESSOR

PREVIDÊNCIA SOCIAL

5. CARÊNCIA (ARTS. 24 A 27, LEI 8.213/91)

- Número mínimo de CM’s para gozar de benefício


- Decorre do equilíbrio financeiro e atuarial
- Exigem carência:
 Aposentadoria por invalidez e auxílio-doença = 12M
 Salário-maternidade = CI e seg. facultativo = 10M
 Benefícios programáveis = 180M
OBS.: acidentes de qualquer natureza, doença relacionada ao trabalho e doenças graves
NÃO exigem carência na ap. por invalidez e aux.-doença

OBS.: antecipação de parto e salário-maternidade


OBS.: salário-maternidade da segurada especial

OBS.: CARÊNCIA DE REINGRESSO (ART. 27-A)

- Dispensam carência:
 Salário-família
 Auxílio-acidente
 Auxílio-reclusão
 Pensão por morte
 Serviços da Previdência

OBS.: benefícios que tem direito o seg. especial bastam a comprovação da atividade rural
por período equivalente à carência

OBS.: salário-maternidade da empregada, avulsa e doméstica não exige carência

- Contribuições computadas para efeito de carência:


 Empregado, doméstico e avulso = desde a filiação
 CI e seg. facultativo = 1º recolhimento sem atraso
 Segurado especial = exercício de atividade rural

NOTAS:

1. SALÁRIO DE BENEFÍCIO (ART. 28 E SS.)

2. RENDA MENSAL DOS BENEFÍCIOS (ART. 33)


 Auxílio-doença
 Aposentadoria por idade
 Demais aposentadorias
 Auxílio-acidente
 Pensão por morte
 Salário-família
 Salário-maternidade
 Auxílio-reclusão

OBS.: REGRA DO ART. 29, §10 E AUXÍLIO-DOENÇA

OBS.: REGRA DO 85/95

3. REAJUSTAMENTO NO VALOR DOS BENEFÍCIOS


REGIMES PREVIDENCIÁRIOS - UNIDADE 2 - SEÇÃO 3

Existem diferentes regimes previdenciários no Brasil e é importante conhecer as


características de cada um deles. Além do Regime Geral e do Regime Próprio, existe
também a previdência complementar, que funciona como uma espécie de complemento das
aposentadorias, mediante um planejamento financeiro. Vamos conhecer um pouco sobre a
previdência complementar.

Regimes de previdência - Trabalhando com os regimes de previdência

Imagine que você, enquanto advogado, é procurado por Camila, professora do Estado de
São Paulo, que também trabalha na rede particular de ensino. Camila, que tem 32 anos e já
está planejando sua aposentadoria, deseja contribuir para uma previdência complementar
privada para manter uma boa renda na velhice.

Neste caso, perceba que Camila está vinculada a três regimes de previdência:

 Regime próprio de previdência do Estado de São Paulo.


 Regime Geral de Previdência Social.
 Regime de Previdência Privada, no qual está ingressando.

Para poder dar os melhores conselhos a Camila, você precisa conhecer um pouco de cada
regime previdenciário, os quais estudaremos a seguir.

Previdência complementar - Apresentação da situação-problema

Conhecendo a previdência complementar

Vimos nas seções anteriores que as regras para a concessão de benefícios em cada um dos
regimes é diferente:

Mas, e na previdência complementar privada? Quais entidades podem oferecer esse


serviço?
Camila é obrigada a contratar uma previdência privada?
E as regras para receber algum benefício, são iguais às dos regimes que vimos?

Para resolver a situação proposta, você deve conhecer alguns conceitos básicos sobre a
previdência complementar. Por exemplo:

É obrigatória?
É um sistema de capitalização ou de repartição?
Quais entidades oferecem previdência complementar?
A Previdência Privada, diferentemente da Previdência Social, constitui-se, basicamente,
das economias do trabalhador para obter uma melhor condição financeira na velhice.
 Previdência Privada - É um regime de capitalização, isto é, o que o segurado paga
hoje será utilizado para pagar seu benefício futuramente.

Previdência complementar oficial e privada - Sistematização conceitual

Primeiros conceitos sobre Previdência Complementar

As regras básicas sobre a Previdência Complementar estão no art. 202 da Constituição


Federal (BRASIL, 1988), que traz algumas características.
 É facultativo.
 Tem finalidade lucrativa (caso das entidades abertas).
 É complementar.
 É autônomo em relação ao RGPS.
 É um regime de capitalização – como se fosse uma poupança.
 As entidades de previdência complementar podem ser abertas ou fechadas.
 É possível fazer a portabilidade do plano, isto é, o participante pode mudar para outra
instituição de previdência complementar levando as contribuições já realizadas.

Além do art. 202 da CF/88, a Lei Complementar nº 109/2001 também regulamenta os


regimes de previdência complementar.

Primeiros conceitos sobre Previdência Complementar


A previdência complementar é facultativa, isto é, as pessoas podem aderir ou não,
diferentemente do RGPS, que é obrigatório. A finalidade é lucrativa nas instituições privadas,
tais como bancos.
É complementar por que não substitui o RGPS, devendo servir como um complemento da
aposentadoria ou uma pensão por morte. Dependendo da organização do plano, também
existe a possibilidade de realizar o saque do valor integral.

A previdência complementar também é autônoma em relação ao RGPS, pois é organizada


de forma distinta.

O regime é de capitalização

Cada segurado contribui para o que pretende receber no futuro, formando uma espécie de
poupança.

A entidade pode ser aberta ou fechada. Para conhecer cada uma delas, clique nas abas a
seguir.
Aberta – Entidades abertas admitem a entrada de qualquer pessoa física, o que ocorre com
os bancos, por exemplo.

Fechada – Já as fechadas são os chamados “fundos de pensão”, que admitem apenas a


participação de um grupo de funcionários, por exemplo, ou de uma categoria, como ocorre
com a Ordem dos Advogados, que possui a OAB-PREV.

Exemplos de previdência complementar aberta

Como entidades de previdência complementar aberta, temos:

 BrasilPrev (pertencente ao Banco do Brasil).


 Itaú Previdência.
 Entre outros bancos e instituições, como Bradesco, Santander e Caixa.

Exemplos de previdência complementar fechada

E como entidades de previdência complementar fechada, temos:

OAB-PREV – Voltada para os advogados, sendo a OAB a instituidora do plano.

FUNPRESP – Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal, para os


servidores públicos federais, em que o Poder Público atua como patrocinador, com uma
pequena contribuição.

Planos de previdência complementar: VGBL X PGBL

As entidades de previdência complementar abertas comercializam dois tipos de planos: vida


gerador de benefícios livres (VGBL) e plano gerador de benefícios livres (PGBL). A principal
diferença entre os planos é quanto ao tratamento tributário. Explore a galeria e saiba mais.

VGBL – Classificado como seguro de pessoas; o imposto de renda incide apenas sobre os
rendimentos; não é possível deduzir as contribuições na declaração de imposto de renda.

PGBL – Classificado como plano de previdência complementar; o imposto de renda incide


sobre o valor total a ser resgatado ou recebido sob a forma de renda; é possível a fazer a
dedução das contribuições na declaração de Imposto de Renda (modelo completo).

Para saber mais


Veja o vídeo a seguir para conhecer mais sobre as características do regime de previdência
complementar: <https://goo.gl/w5yMhu>. Acesso em: 5 fev. 2018.
E, no link a seguir, você aprenderá mais sobre as diferenças entre os planos de previdência
complementar: <https://goo.gl/0qht5X>. Acesso em: 5 fev. 2018

Agora você deve ler a Seção 2.3 do roteiro de estudos para aprofundar os seus
conhecimentos e realizar as questões diagnósticas, disponíveis em seu ambiente virtual,
para testar seus conhecimentos antes da aula.

Trabalhando com diferentes regimes previdenciários - Resolução da situação-


problema

Previdência Complementar Privada


Na Previdência Complementar Privada não existem tantos benefícios como no
Regime Geral, pois o intuito é justamente que se crie um complemento para a aposentadoria
ou uma pensão por morte aos dependentes.
Portanto, Camila pode procurar uma entidade de previdência complementar aberta
(como um banco) ou, ainda, como ela também é servidora do Estado de São Paulo, existe a
SP-PREVCOM, uma fundação de Previdência Complementar para os servidores públicos de
São Paulo.

Previdência Complementar Privada


A contratação de uma previdência complementar, como vimos, é facultativa. É interessante
para que, na velhice, o segurado mantenha um bom padrão de vida, pois os valores das
aposentadorias tendem a não ser iguais aos salários recebidos quando em atividade.

As regras para recebimento dos benefícios de previdência complementar, em geral,


variam de acordo com cada plano.

Nas entidades abertas, fixa-se uma idade para o participante começar a receber o
benefício, que independe do recebimento de uma aposentadoria oficial.

Nas entidades fechadas patrocinadas pelo Poder Público, o benefício será recebido
juntamente com a aposentadoria do servidor, ou será a pensão por morte.

Previdência Complementar Privada


Assim, a previdência complementar privada é uma forma de planejamento futuro para evitar
um grande impacto no orçamento após a aposentadoria.

PREVIDÊNCIA SOCIAL – AULA DO PROFESSOR

6. BENEFÍCIOS POR INCAPACIDADE


6.1 AUXÍLIO-DOENÇA (ARTS. 59-63, LPBP)
- Pressupõe três requisitos: qualidade de segurado, carência e incapacidade
- Tem qualidade de segurado quem está contribuindo, está em período de graça ou é
detentor de moléstia incapacitante preexistente (súmula 26, AGU)
- Carência de 12 cm (tem exceções)
- Fato gerador (art. 59)

OBS.: descabimento de auxílio-doença se preexistente à filiação a incapacidade (art. 59, p.


único)

OBS.: segurado em gozo de auxílio-doença não pode trabalhar, salvo se em atividade


diversa que não envolva a doença incapacitante (art. 60, §§ 6º e 7º)

OBS.: exercício de atividade e diferenças diversas


DER – NEGADO (01/02/2014)

EXERCÍCIO DE ATIVIDADE (05/02/2014 – 10/08/2014)

AJUIZAMENTO DA AÇÃO (15/08/2014)

PERÍCIA JUD. E INCAPACIDADE DESDE 06/01/2014

POSSÍVEL PAGAR AS DIFERENÇAS ENTRE 05/02/2014 E 10/08/2014 (Súmula 72, TNU)

OBS.: presunção de estado incapacitante


HÉRNIA DE DISCO (benefício concedido pelo INSS)

BENEFÍCIO CESSADO PELO INSS

AÇÃO JUDICIAL PARA RESTABELECER O BENEFÍCIO

PERÍCIA JUDICIAL (incapaz; não se fixa data de início)

PRESUNÇÃO DE CONTINUIDADE DA INCAPACIDADE

BENEFÍCIO DEVIDO DESDE O CANCELAMENTO

- valor: 91% do S.B

RESUMÃO!!

- TITULAR:
- CARÊNCIA:
- INCAPACIDADE:
- CARACTERÍSTICA
- PERÍCIAS CONTÍNUAS
- VALOR:
CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL – UNIDADE 3 – SEÇÃO 1

A seguridade social, como já estudamos, é composta pela saúde, assistência e previdência


social. Para ser efetivada são necessários vários recursos e contribuições para o seu
financiamento, questões que iremos estudar nessa aula.

UNIDADE 3 - CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL

Contribuições ao RGPS

Imagine que você é funcionário do INSS e foi procurado por Joana, que atualmente recebe
benefício de auxílio-doença e lhe forneceu algumas informações. Para conhecê-las, explore
a galeria a seguir:

1) Está recebendo apenas um salário-mínimo a título de benefício, que é menos que seu
salário na última empresa que trabalhou.

Ao saber dessas informações, Joana procurou o INSS, pois quer complementar os


valores que seu antigo patrão não pagou, a fim de receber um benefício melhor.

A partir desse caso, três aspectos devem ser analisados para auxiliar Joana:

 Quem era o responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias?


 Como é calculado o valor de cada benefício?
 A conduta do antigo empregador de Joana só a prejudicou e aos demais
empregados, mas pode ser considerada um crime?

Webaula 1 - Pagamento das contribuições ao RGPS.

Apresentação da situação-problema

Como funcionam as contribuições previdenciárias

No caso de Joana, que era empregada de uma pequena empresa, ela deseja pagar a
diferença que seu antigo patrão não repassou para a Previdência Social, pois quando for se
aposentar Joana quer receber um bom salário.

Nesse caso, de quem era o dever de realizar os pagamentos das contribuições: de Joana ou
de seu empregador?

E se Joana fosse uma trabalhadora autônoma, seria obrigada a fazer alguma


contribuição?

O benefício que Joana hoje recebe é custeado apenas pelas contribuições que ela já
pagou em sua vida, como uma poupança?

Nesse caso, de quem era o dever de realizar os pagamentos das contribuições: de Joana ou
de seu empregador?

Nessa aula vamos aprender os seguintes conceitos:

Quais são as fontes de custeio da seguridade social.


Qual a natureza jurídica da obrigação previdenciária.
O que é uma obrigação previdenciária.

O órgão que realiza a arrecadação e fiscalização das contribuições previdenciárias é a


Receita Federal do Brasil, mas quem realiza os pagamentos dos benefícios é o INSS.

Webaula 1 - Custeio da seguridade social.

Sistematização conceitual

Contribuição previdenciária – natureza jurídica


11 Para que ocorra o financiamento da seguridade social, são necessárias contribuições
previdenciárias, que podem ser vertidas tanto pelos segurados quanto por empresas e
pessoas que estão obrigadas por lei.

Clique aqui para saber mais

A contribuição previdenciária tem natureza obrigacional e trata-se de uma obrigação


tributária. Por exemplo, quando qualquer pessoa exerce atividade remunerada (fato gerador)
está obrigada a verter a contribuição previdenciária sobre o seu salário de contribuição.

Contribuição previdenciária

Para os segurados empregados temos a seguinte tabela para cálculo das contribuições
previdenciárias (considerando-se os segurados empregados, empregados domésticos e
trabalhadores avulsos, em 2018):

Contribuição previdenciária

Para os segurados contribuinte individual e facultativo, a alíquota é de 20% sobre o valor do


salário de contribuição, que vai desde o salário mínimo até o teto do RGPS, ou seja, 20% de
R$ 954,00 a R$ 5.645,80, o que equivale a R$ 190,80 (salário mínimo) a R$ 1.129,16 (teto).

Para os contribuintes considerados de baixa renda, ou que optarem pela exclusão de


uma espécie de aposentadoria (por tempo de contribuição), haverá redução da alíquota de
contribuição, sendo de 5% para os contribuintes de baixa renda e de 11% para aqueles que
optarem pela exclusão do benefício.

Contribuintes da seguridade social


A Lei nº 8.212/91, nos artigos 12 a 15, considera os seguintes contribuintes:

Os segurados;
A empresa;
O empregador doméstico.
Além destes, a lei também prevê que a União é responsável pela cobertura de eventuais
insuficiências financeiras da Seguridade Social, o chamado “déficit da previdência”.

Há uma diferença, estudada em Direito Tributário, entre contribuintes e responsáveis


tributários, o que é explicado no artigo 121, parágrafo único, do Código Tributário Nacional:

Os contribuintes são aqueles que têm relação direta com a situação que constitui o fato
gerador.
Os responsáveis, embora não tenham a condição de contribuinte, sua obrigação decorre de
lei.

Por exemplo:
Os segurados contribuintes individuais são contribuintes da Previdência Social, e devem
realizar o pagamento da contribuição respectiva.

Os segurados empregados, empregados domésticos e trabalhadores avulsos são


contribuintes da seguridade social, mas não são os responsáveis pela obrigação de recolher
a contribuição devida, pois o artigo 30, incisos I e V, da Lei nº 8.212/91 impõem este
encargo aos empregadores, que já realizam a retenção do valor da contribuição
previdenciária e a recolhem.

Agora, você deve ler a Seção 3.1 do roteiro de estudos para aprofundar os seus
conhecimentos e realizar as questões diagnósticas, disponíveis em seu ambiente virtual,
para testar seus conhecimentos antes da aula.

Webaula 1 - Resolvendo questões sobre custeio.

Resolução da situação-problema - Resolvendo questões sobre custeio

Agora que você já aprendeu um pouco sobre as contribuições previdenciárias, vamos voltar
à situação de Joana: seu antigo empregador não repassou todas as contribuições para a
Previdência Social e por isso ela deseja ela mesma arcar com tal valor, mas isso está certo?

Ora, Joana, enquanto empregada, não era a responsável pelo pagamento das
contribuições previdenciárias, mas sim seu empregador, que é o responsável
tributário.

Se Joana fosse uma trabalhadora autônoma, por exemplo, uma diarista doméstica, seria
dela a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, pois ela seria ao mesmo tempo
contribuinte e responsável pela obrigação tributária.

Sobre o custeio da seguridade social


Como já estudamos, as contribuições pagas pelo segurado em atividade financiam os
benefícios que são pagos na atualidade, como um sistema de repartição simples e não
como uma poupança.

Além disso, não é possível que, tendo Joana trabalhado na condição de empregada, ela
decida, anos depois da prestação do serviço, realizar uma espécie de complementação das
contribuições para obter uma aposentadoria mais vantajosa, pois seu benefício será
calculado com base nos salários recebidos quando em atividade.

CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL – UNIDADE 3 – SEÇÃO 2

UNIDADE 3 - CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL

Introdução ao custeio da Seguridade Social

Agora que você já conhece um pouco sobre o Direito da Seguridade Social, vamos aprender
um pouco sobre o custeio do sistema e sobre o cálculo do valor dos benefícios, questões
importantes para sua atuação no Direito Previdenciário!

Contribuições ao RGPS

Imagine que você é funcionário do INSS e foi procurado por Joana, que atualmente recebe
benefício de auxílio-doença e lhe forneceu algumas informações. Para conhecê-las, explore
a galeria a seguir.

1) Está recebendo apenas um salário-mínimo a título de benefício, que é menos do que o


seu salário na última empresa onde trabalhou.

2) No último ano de atividade, a empresa onde Joana trabalhava já tinha muitas dívidas e,
embora tivesse feito o desconto da contribuição previdenciária de seu salário, não repassou
para o órgão competente o valor total da contribuição.

Ao saber dessas informações, Joana procurou o INSS, pois deseja complementar os valores
que seu antigo patrão não pagou, a fim de receber um benefício melhor.

A partir desse caso, três aspectos devem ser analisados para auxiliar Joana:

Quem era o responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias?


Como é calculado o valor de cada benefício?
A conduta do antigo empregador de Joana só a prejudicou e aos demais empregados, mas
pode ser considerada um crime?

Webaula 2 - Salário de contribuição x salário de benefício

Apresentação da situação-problema - Calculando o valor dos benefícios


previdenciários

Agora você precisa explicar para Joana por que nem sempre o valor que ela recebia de
salário vai ser o mesmo que irá receber da Previdência Social, mas esse valor também não
será menor que o salário-mínimo.

Para isso, compreenderemos nesta webaula o que é e quais são as diferenças entre salário
de contribuição e salário de benefício.

Salário de contribuição e salário de benefício Ambos foram utilizados para se calcular


o valor que Joana recebe hoje em seu benefício de auxílio-doença, e também serão
utilizados na futura aposentadoria de Joana; o valor não será igual ao de hoje.

Nesta webaula, veremos alguns conceitos muito importantes:

 Salário de contribuição.
 Salário de benefício.
 Renda mensal inicial.

Para os segurados contribuintes individuais e facultativos, a contribuição será paga via GPS,
nela, o segurado declara o valor do seu salário de contribuição, isto é, quanto ganha
mensalmente.

Webaula 2 - Salário de contribuição, salário de beneficio e RMI

Sistematização conceitual

Salário de contribuição A definição legal de “salário de contribuição” está no artigo 28, da


Lei n. 8.212/91, tendo diferentes sentidos para cada tipo de segurado. A seguir, explore a
galeria para saber mais!
Para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais
empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a
qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua
forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os
adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados,
quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou
do contrato, ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
Observação: as verbas indenizatórias (por exemplo, diárias) não integram o salário de
contribuição.

Para o empregado doméstico: a remuneração registrada em CTPS.


Para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo
exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo do
salário de contribuição.
Para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, entre o salário-mínimo e o teto de
contribuição do RGPS.

Salário de benefício

O conceito de salário de benefício é diverso do de salário de contribuição, e sua previsão


legal está nos artigos 28 a 32 da Lei n. 8.213/91.

O salário de benefício é obtido quando o segurado tem direito a receber algum benefício:
os salários de contribuição são atualizados e então é calculada uma média com os 80%
maiores salários de contribuição (em alguns casos, com o auxílio-doença), chegando ao
salário de benefício.

Salário de contribuição versus salário de benefício Para melhor visualização, temos o


seguinte:

SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO SALÁRIO DE BENEFÍCIO

SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO SALÁRIO DE BENEFÍCIO

Renda Mensal Inicial (RMI)

A partir desse raciocínio, a RMI é o valor que o segurado vai efetivamente receber. Nesse
sentido, clique nas abas e conheça os diversos casos.

 Auxílio-doença
 Invalidez
 Idade
 Tempo de contribuição
 Regra dos 85/95 pontos
Para os segurados que se aposentarem pela regra dos 85/95 pontos, o valor da RMI será de
100% do salário de benefício.

Agora você deve ler a Seção 3.2 do roteiro de estudos para aprofundar seus conhecimentos
e realizar as questões diagnósticas, disponíveis em seu ambiente virtual, para testar seus
conhecimentos antes da aula.

Webaula 2 - Salário de contribuição x salário de benefício

Resolução da situação-problema - Salário de contribuição nem sempre será o salário


de benefício

Agora que você já compreendeu as diferenças entre os salários de contribuição e de


benefício, podemos esclarecer os questionamentos de Joana. Para tanto, explore a galeria a
seguir.
O valor que Joana recebe a título de auxílio-doença não pode ser inferior a um salário
mínimo, e nem superior ao teto de benefícios da Previdência Social.

Você também compreendeu que o valor efetivamente recebido pelo segurado é chamado de
RMI (Renda Mensal Inicial), que não corresponde exatamente ao salário de contribuição,
pois no cálculo do valor do benefício são atualizados todos os salários já recebidos pelo
segurado, feita uma média dos 80% maiores salários, e aplicado um percentual de acordo
com cada benefício.

Como visualizar os conceitos na prática? Na figura a seguir, temos um modelo de carta de


concessão e memória de cálculo de um benefício, vejamos onde ficam cada um dos valores
trabalhados na presente aula:

1 – RMI (Renda Mensal Inicial), que é o valor que o segurado começa a receber.
2 – Salários de contribuição: estão relacionados todos os salários de contribuição do
segurado a partir de 07/1994 (data da instituição do Plano Real), que são os valores
recebidos e/ou declarados pelo segurado, todos os valores e respectivos meses e anos de
contribuição:

3 – Salário de benefício: é a média dos 80% maiores salários de contribuição do segurado


no período básico de cálculo (que vai desde 07/1994 até a data em que foi requerido o
benefício ou adquirido o direito):

O que integra o salário de contribuição?

Para relembrar os conceitos aprendidos, é importante saber quais verbas compõem o salário
de contribuição:

Gorjetas Diárias, quando Décimo terceiro salário.


superarem 50% da
remuneração.
Salário- Comissão paga ao corretor Utilidades habituais que
maternidade. de seguros (súmula 310 do tenham por fim remunerar o
STJ). empregado (e não indenizar).

O que integra ou não o salário de contribuição?

Importante mencionar que, conforme decidiu o Superior Tribunal de Justiça, no REsp n.


1.230.957, não incide contribuição sobre o terço de férias.
No entanto, a matéria está pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, no RE n.
593.068, pois até o momento a Receita Federal do Brasil (União Federal) mantém o
posicionamento pela cobrança da referida verba.

Veja a seguir esse quadro esquematizado e disponibilizado no site da Receita Federal,


indicando quais verbas integram ou não o salário de contribuição. Disponível em: <
https://goo.gl/Tn3Wc4>. Acesso em: 16 fev. 2018

CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL – UNIDADE 3 – SEÇÃO 3

Conhecendo o Direito da Seguridade Social


Após conhecer conceitos importantes da Seguridade Social e sobre o custeio, vamos
aprender sobre os institutos da prescrição e decadência, crimes cometidos contra a
Previdência Social e a restituição de benefícios indevidos.

UNIDADE 3 - CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL

Imagine que você é funcionário do INSS e foi procurado por Joana, beneficiária de um
benefício de auxílio-doença. Para saber mais sobre essa história, explore a galeria a seguir.

Joana alega que está recebendo apenas um salário-mínimo a título de benefício, que é
menos que seu salário na última empresa que trabalhou em virtude de seu antigo patrão não
ter contribuído corretamente para o INSS.

A partir desse caso, três aspectos devem ser analisados para auxiliar Joana:

Quem era o responsável pelo pagamento das


contribuições previdenciárias?
Como é calculado o valor de cada benefício?
A conduta do antigo empregador de Joana só a prejudicou e aos demais empregados, ou
pode ser considerada um crime?

Webaula 3 - Crimes contra a seguridade social e institutos relacionados

Apresentação da situação-problema - Crimes contra a seguridade social e


consequências jurídicas
Você não pode deixar que Joana faça o pagamento das diferenças devidas pelo seu antigo
empregador, pois este se apropriou indevidamente de valores que pertenciam a seus
empregados.

Joana alega que já viu várias empresas fazendo o mesmo, mas você precisa esclarecer que
isso é crime e deve ser denunciado. Além disso, será que ainda é possível cobrar o valor
devido pela empresa em que Joana trabalhou?

Nessa aula vamos aprender sobre os seguintes institutos:

Quais os crimes contra a Previdência Social tipificados.


Quais os prazos de prescrição e decadência.
Quais as consequências jurídicas para os crimes: penas e restituição dos benefícios.

A apropriação indébita previdenciária e a sonegação fiscal são os crimes mais comumente


praticados contra a Seguridade Social e sua tipificação visa, justamente, proteger a
subsistência financeira das ações da Seguridade Social que envolvem a saúde, assistência
e previdência social.

Webaula 3 Prescrição e decadência. Crimes contra a Previdência Social e restituição


de benefícios. Sistematização conceitual

Prescrição e decadência das contribuições à seguridade social

Os institutos da prescrição e decadência previdenciárias podem ocorrer tanto com relação


às contribuições previdenciárias quanto aos benefícios previdenciários. Vamos estudar
primeiramente no âmbito do custeio.

A lei n. 8.212/91 previa em seus artigos 45 e 46 um prazo prescricional total de 20 anos


para o erário apurar e cobrar seus créditos. Todavia, o Código Tributário Nacional (CTN)
prevê em seus artigos 173 e 174 que o prazo da prescrição e decadência tributária é de 5
anos.
De outro lado, a Constituição Federal determina, no artigo 146, que o estabelecimento de
normas gerais de direito tributário é reservado à lei complementar.

Diante de muitas disputas judiciais questionando o prazo excessivo concedido à Fazenda


Pública, o Supremo Tribunal Federal pacificou a questão com a Súmula Vinculante n. 8:

SÚMULA VINCULANTE N. 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do


Decreto-lei n. 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam da
prescrição e decadência do crédito tributário.
Prescrição e decadência Os prazos de prescrição e decadência obedecem ao disposto na lei
tributária: 5 anos para constituir o crédito, e 5 anos para cobrar o crédito

Prescrição e decadência nos benefícios previdenciários

A prescrição e decadência em matéria de benefícios previdenciários é regulada pelo artigo


103 da Lei n. 8.213/91. Clique nas abas para saber mais.

Decadência Prescrição

Prescreve em cinco anos, a contar da data em que deveriam ter sido pagas, toda e qualquer
ação para haver prestações vencidas ou quaisquer restituições ou diferenças devidas pela
Previdência Social, salvo o direito dos menores, incapazes e ausentes, na forma do Código
Civil.

Importante
O direito ao benefício é imprescritível, o que prescreve são apenas as parcelas. Por
exemplo: Um segurado se aposentou em janeiro de 2008 com benefício no valor do salário
mínimo, mas em dezembro de 2017 descobriu que, na verdade, deveria ter uma
aposentadoria no valor de R$ 1.000,00. Esse segurado tem até janeiro de 2018 para pleitear
a revisão de seu benefício e, caso ele obtenha a revisão, receberá apenas as diferenças
referentes aos últimos 5 anos, ou seja, de 01/2013 a 01/2018.

Crimes contra a Previdência Social

Os crimes mais comumente praticados contra a Previdência Social são: apropriação indébita
previdenciária (art. 168-A, do Código Penal) e sonegação previdenciária (art. 337-A, do
Código Penal). Para conhecer cada um deles, clique nas abas a seguir.

Apropriação indébita previdenciária


Sonegação fiscal previdenciária - É a conduta de suprimir ou reduzir contribuição social
previdenciária e qualquer acessório, sendo que as condutas exatas estão descritas nos
incisos do artigo 337-A, do CP.

Ainda existem outros crimes na legislação, como:

Falsificação de Inserção de dados falsos Modificação não


documento público em sistema de informação autorizada de sistema de
(art. 297, do CP). (art. 313- A, do CP). informação (art. 313- B,
do CP).
Divulgação de informações sigilosas Estelionato (art. 171, do CP).
ou reservadas (art. 153, do CP).

Restituição de benefícios indevidos

O artigo 115, inciso II, da Lei n. 8.213/91, prevê a possibilidade de o INSS descontar do
benefício o pagamento feito além do devido, respeitados os princípios do contraditório e da
ampla defesa, em um caso, por exemplo, em que houve algum equívoco por parte do INSS
e foi feito depósito a mais.

Um caso diferente seria se o segurado ajuizasse ação de revisão de aposentadoria,


passando a receber as diferenças via antecipação dos efeitos da tutela que, posteriormente,
seja revogada. Nesse caso, o INSS não pode descontar, na via administrativa, os valores
pagos a mais, que devem ser buscados judicialmente, sendo esse o atual entendimento do
STJ, no REsp n. 1.338.912.

Para entender mais a respeito do assunto, leia os comentários ao julgado. Disponível em:
<https://goo.gl/wajzMC>. Acesso em: 21 fev. 2018.

Agora você deve ler a Seção 1.3 do roteiro de estudos para aprofundar os seus
conhecimentos e realizar as questões diagnósticas disponíveis em seu ambiente virtual para
testar seus conhecimentos antes da aula.

Webaula 3 - Prescrição e decadência. Crimes contra a Previdência Social e restituição


de benefícios.

Resolução da situação-problema - Crimes contra a Previdência Social

Voltando ao caso de Joana, agora que você já aprendeu os principais crimes cometidos
contra a Previdência Social e os conceitos de prescrição e decadência, voltemos à situação
proposta: a conduta do antigo empregador de Joana é crime? Qual?
A conduta do antigo patrão de Joana mais se enquadra no tipo penal do artigo 168-A, do
Código Penal, ou seja, apropriação indébita previdenciária, pois não foram repassadas as
contribuições sociais recolhidas dos empregados.

Ainda é possível a cobrança dos valores não repassados para a Previdência Social?

Como vimos, essa matéria é regida pelo Código Tributário Nacional, nos artigos 173 e 174: a
Previdência Social tem um prazo de 5 anos para constituir o crédito, e mais 5 para
demandar judicialmente o seu recebimento. Portanto, caso os fatos tenham ocorrido nos
últimos cinco anos, a dívida poderá ser recebida.

Vale lembrar a prescrição para o recebimento do crédito não se confunde com a prescrição
penal, que tem prazos estabelecidos no Código Penal.

CONTEÚDO DO PROFESSOR

PREVIDÊNCIA SOCIAL

6. BENEFÍCIOS POR INCAPACIDADE

6.2 AP. POR INVALIDEZ (ARTS. 42-47, LPB)


- requisitos: qualidade de segurado, carência e fato gerador
- muito se assemelha ao auxílio-doença, salvo no fato gerador

OBS.: INCAPACIDADE PERMANENTE PARA QUALQUER TRABALHO

OBS.: VER SÚMULAS 47, 77 E 78, TNU

- art. 46, Lei 8.213/91: ap. por invalidez que volta a trabalhar tem o benefício cancelado

OBS.: DIVERGÊNCIA QUANTO AO EXERCÍCIO DE MANDATO POLÍTICO

- art. 42, §2º: lesão ou doença incapacitante preexistentes à filiação impossibilitam benefício
- grande invalidez:
· Garante adicional de 25%
· Exige auxílio permanente de 3º
· É direito personalíssimo
· Pode fazer o benefício extrapolar o teto da Previdência

OBS.: FLEXIBILIZAÇÃO DO AUXÍLIO-DOENÇA E APOSENTADORIA POR INVALIDEZ

- ap. por invalidez deve se apresentar constantemente para perícias no INSS. Não se exige:
· Submissão a procedimento cirúrgico
· Se for maior de 60 anos (ver §2º)
RESUMÃO
- TITULAR:
- CARÊNCIA:
- FATO GERADOR:
- CARACTERÍSTICA:
- PERÍCIAS CONTÍNUAS:
- VALOR:

6.3 AUXÍLIO-ACIDENTE (ART. 86, LPB)


- benefício de concessão restrita
- isento de carência
- benefício indenizatório
- decorre de acidente laboral ou extralaboral
- fato gerador:
· Consolidação da lesão
· Sequela permanente
· Redução da capacidade laboral

OBS.: POUCO IMPORTA SE A LESÃO SERÁ OU NÃO IRREVERSÍVEL, BEM ASSIM SE


MÍNIMA OU NÃO (REsp 1112886/SP E REsp 1109591/SC)

OBS.: DISACUSIA SÓ GERA AUX-ACIDENTE SE TIVER NEXO COM O LABOR

- não se cumula aux-acidente com aposentadoria

RESUMÃO
- TITULAR:
- CARÊNCIA:
- FATO GERADOR:
- CARACTERÍSTICA:
- PERÍCIAS CONTÍNUAS:
- VALOR:

*ACIDENTE DE TRABALHO
- cada benefício por incapacidade possui duas variações
- tudo que é acidentário decorre de acidente de trabalho
- tudo que é previdenciário decorre de causas diversas
- acidente de trabalho é tanto o tipo (art. 19), quanto as equiparações legais (arts. 20 e 21)

OBS.: DOENÇA PROFISSIONAL TEM RELAÇÃO DIRETA COM O TRABALHO


DESEMPENHADO; DOENÇA DO TRABALHO NÃO TEM RELAÇÃO DIRETA COM O
TRABALHO DESEMPENHADO, MAS DECORRE DELE

OBS.: SÓ SOFREM ACIDENTE DE TRABALHO O EMPREGADO, AVULSO, SEG.


ESPECIAL E DOMÉSTICO. TODOS OS OUTROS SOFREM ACIDENTE NO TRABALHO.

- CAT (art. 22):


· Deve ser emitida pelo empregador
· Gera estabilidade provisória
· Gera majoração do FAP e do SAT

PREVIDÊNCIA SOCIAL

7. BENEFÍCIOS PROGRAMÁVEIS

7.1 AP. POR IDADE (ARTS. 48-51, LPB)

- fato gerador: limite etário


· 65 anos, se homem; 60 anos, se mulher
· Redução em 05 anos: garimpeiro, seg. especial e pessoal portadora de deficiência

- carência: 180 CM + REGRA DE TRANSIÇÃO

OBS.: prova de carência do seg. especial (art. 48, §2º, LB)


OBS.: qualidade de segurado NÃO é requisito! Basta preenchimento de carência e idade
mínima (art. 3º, §1º, Lei 10.666)
OBS.: ap. por idade compulsória no RPPS (art. 40, CF + LC 152/15) e ap. por idade
compulsória no RGPS (art. 51, LB)

RESUMÃO

- TITULAR:
- CARÊNCIA:
- FATO GERADOR:
- CARACTERÍSTICA:
- PERÍCIAS CONTÍNUAS:
- VALOR:

7.2 AP. POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO (ARTS. 54-56, LPB)

- arts. 52 e 53 não recepcionados (ap. proporcional)


- fato gerador: tempo de contribuição
- carência: 180 CM + REGRA DE TRANSIÇÃO
- idade não é requisito
- benefício de concessão restrita
· Seg. especial não tem direito
· Empregado, avulso e doméstico = 8%, 9%, 11%
· *CI = 11% OU 20% (VER PLANO SIMPLIFICADO E SUPER SIMPLIFICADO)
- tempo de contribuição: 35 anos, se homem; 30 anos, se mulher
· Redução de idade para magistério

OBS.: aposentadoria por TC da pessoa com deficiência (varia conforme o grau)

- se homem -
· Grave = 25 anos de TC
· Média = 29 anos de TC
· Leve = 33 anos de TC

- se mulher -
· Grave = 20 anos de TC
· Média = 24 anos de TC
· Leve = 28 anos de TC

OBS.: exigem-se duas perícias para verificar o grau de deficiência (médica e social)

RESUMÃO
- TITULAR:
- CARÊNCIA:
- FATO GERADOR:
- CARACTERÍSTICA:
- PERÍCIAS CONTÍNUAS:
- VALOR:

*FATOR PREVIDENCIÁRIO

- nasceu para solucionar as aposentadorias precoces


- é coeficiente que leva em conta: idade do segurado, tempo de contribuição e expectativa
de sobrevida
- só incide como regra na ap. por TC
- SE BENEFICIAR, só incide na ap. por idade e ap. por idade do deficiente

OBS.: REGRA 85/95 (Lei 13.183/15)

· Só incide fator de forma facultativa


· Somatório progressivo de 2018 até 2026 (100)
· Ap. por TC do professor (art. 2º, §3º)

Direito da Seguridade Social


Vamos conhecer agora os benefícios disponibilizados pela Seguridade Social, que servem
para cobrir as diferentes contingências sociais pelas quais pode passar um indivíduo. Nessa
aula veremos os benefícios assistenciais, por incapacidade, e os “salários”. Além dos
benefícios, veremos também interessantes decisões dos tribunais superiores sobre os
temas.

BENEFÍCIOS DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 4 - SEÇÃO 1

A seguir, para conhecer a situação-problema desta unidade, explore a galeria a seguir.

 Imagine que você, como advogado, foi procurado por Maria, pessoa idosa que já foi
vinculada ao Regime Geral de Previdência Social em várias categorias, atualmente
possui 65 anos e não está mais trabalhando em razão de muitas dores nas costas,
logo ela que sempre trabalhou como boia-fria e mora com sua filha que recebe um
bom salário e paga todas as contas da casa.

 Além disso, Maria era companheira de Pedro, que faleceu há um ano e era
aposentado pelo INSS na época do falecimento, mas antes disso Maria foi casada
com Manoel, do qual está separada há mais de 10 anos. Maria não tem mais
condições de trabalhar, não tem nenhum parente próximo que a auxilie e pede que
você a ajude a obter um benefício do INSS, pois quando foi solicitar a pensão de seu
ex-companheiro, teve seu pedido negado, pois a filha dele já recebia a pensão.

 Inicialmente, há algum benefício que você poderia tentar obter para Maria, tendo em
vista suas condições de idade avançada e desemprego? Depois disso, será que é
possível ajuizar uma ação contra o INSS a fim de obter a pensão por morte do
companheiro de Maria, mesmo ela ainda estando casada civilmente e com outra
pessoa recebendo também este benefício? E será que seria possível tentar aposentar
Maria, mesmo ela não sendo empregada?

Benefício assistencial ou por incapacidade?


Apresentação da situação-problema

Benefício assistencial ou por incapacidade? Vamos voltar ao caso da sua cliente Maria que
o procurou para tentar obter algum benefício da Seguridade Social. Como vimos, Maria é
idosa e não tem renda própria, será que ela pode receber algum benefício da Lei Orgânica
da Assistência Social (Lei n. 8.742/93)? Como Maria está doente e não pode mais trabalhar,
será que ela não tem direito a um auxílio-doença? Quais requisitos são necessários cumprir
para obter cada benefício?

Para compreensão e resolução da situação apresentada, primeiro temos que conhecer os


requisitos para a concessão de benefícios: Assistenciais. Por incapacidade. E você também
vai conhecer outros dois benefícios: Salário-maternidade, concedido às seguradas em razão
do nascimento ou adoção de filho. Salário-família, concedido aos segurados de baixa-renda,
sendo uma determinada cota paga por cada filho menor de 14 anos de idade.

Para ter acesso a alguns benefícios da Seguridade Social é necessário passar por uma
perícia médica, que irá constatar as condições de saúde do segurado, vamos conhecer
nessa aula quais são esses benefícios.

Benefícios assistenciais e por incapacidade. Salário-família e salário-maternidade


Sistematização conceitual
Benefícios assistenciais – BPC

Inicialmente, vamos tratar dos benefícios assistenciais, os chamados Benefícios de


Prestação Continuada (BPC), previstos na LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social). São
benefícios concedidos aos idosos maiores de 65 anos, ou às pessoas com deficiência, que
tenham renda per capta inferior a ¼ do salário-mínimo. Esse benefício terá o valor de um
salário-mínimo mensal, e não dá direito ao décimo-terceiro salário, ou à pensão por morte.

A seguir, clique nas abas para conhecer os requisitos previstos no artigo 20, da Lei n.
8.742/93.

Para os idosos - Idade igual ou superior a 65 anos.

Para pessoas com deficiência - Qualquer idade, a pessoa deve apresentar impedimento
de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com
uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em
igualdade de condições com as demais pessoas.

Benefícios assistenciais – questões controvertidas

O primeiro ponto a ressaltar é a previsão do parágrafo único, do artigo 34, do Estatuto do


Idoso (Lei n. 10.741/2003), que determina a exclusão do cálculo da renda familiar o
benefício assistencial ao idoso concedido a outro membro da família. Porém, o que
frequentemente ocorria era o caso de casais de idosos, em que um deles era aposentado
com benefício de valor mínimo e o benefício era negado ao outro idoso.

O STF julgou inconstitucional o parágrafo único do art. 34 do Estatuto do Idoso por violar o
princípio da isonomia, ao não prever a exclusão de benefício assistencial ao deficiente ou
benefício previdenciário de valor mínimo (RE 580.963/PR), mas não houve a declaração de
nulidade do art. 20, § 3º, da Lei n. 8.742/93.Dessa forma, a análise do caso concreto deve
ser feita conforme o § 11º, do art. 20, da mesma lei, que teve sua redação alterada para
determinar que, além dos critérios legais, poderão ser utilizados outros elementos para
aferição da miserabilidade.
Importante: O benefício assistencial é subsidiário, isto é, só será concedido caso o
segurado não tenha condições de se manter e nem ser mantido por sua família.

Também vale destacar aqui que o STF julgou que os estrangeiros, desde que preencham os
requisitos (Desde que sejam preenchidos os requisitos previstos em legislação, os
estrangeiros podem ser beneficiários da Assistência Social no Brasil.), também podem
receber benefícios assistenciais, essa questão era alvo de várias demandas judiciais, agora
resta pacificada: “Os estrangeiros residentes no país são beneficiários da assistência social
prevista no art. 203, V, da Constituição Federal, uma vez atendidos os requisitos
constitucionais e legais.” (RE 587970/SP. Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 19 e
20/04/2017. Repercussão Geral. Info 861)

Benefícios por incapacidade


Os benefícios por incapacidade podem ser os seguintes: aposentadoria por invalidez,
auxílio-doença e auxílio-acidente. Clique nas abas para ver os requisitos para cada
benefício.
 Aposentadoria por invalidez – (art. 42 e seguintes, da Lei n. 8.213/91): incapacidade
laborativa total e permanente; qualidade de segurado na data de início da
incapacidade; carência de pelo menos 12 contribuições.
 Auxílio-doença - (art. 59 e seguintes, da Lei n. 8.213/91): incapacidade laborativa por
prazo igual ou superior a 15 dias; qualidade de segurado na data de início da
incapacidade; carência de pelo menos 12 contribuições.
 Auxílio-acidente - (art. 86 e seguintes, da Lei n. 8.213/91): qualidade de segurado;
ocorrência de acidente de qualquer natureza; redução parcial e permanente da
capacidade laborativa.

Hipóteses de dispensa do cumprimento da carência:

O segurado pode ser dispensado do cumprimento da carência quando tiver sofrido acidente
de trabalho ou seus equiparados, ou ainda, se for acometido de doença profissional ou do
trabalho (art. 20 da Lei n. 8.213/91).
O artigo n. 151, da Lei n. 8.213/91, também prevê uma lista de doenças que dispensa o
segurado do cumprimento da carência, desde que no início da incapacidade laborativa
este detenha a qualidade de segurado.

Importante Até a publicação da Emenda Constitucional n. 72/2013, regulamentada pela


Lei Complementar n. 150, os empregados domésticos não tinham direito aos
benefícios e isenções de carência nas hipóteses de acidente de trabalho.

Salário-maternidade e salário-família
O salário-família (Salário-família Esse benefício, em geral, é pago diretamente pela
empresa.) corresponde a um valor pago mensalmente aos segurados empregados,
empregados domésticos e trabalhadores avulsos de baixa renda, na proporção dos filhos
menores de 14 anos ou inválidos.

Considera-se atualmente segurado de baixa renda aquele que percebe mensalmente até R$
1.319,18, e as cotas do salário-família correspondem a: R$ 45,00 para os segurados que
recebem até R$ 877,67, e R$ 31,71 para os segurados com renda entre R$ 877,68 a R$
1.319,18.

Já o salário-maternidade (arts. 71 a 73, da Lei n. 8.213/91) é devido à segurada, durante


120 dias, que tenha cumprido a carência mínima de 10 contribuições.
Para as seguradas empregadas, o benefício será pago diretamente pelo empregador e para
as demais seguradas, pela Previdência Social. As seguradas adotantes também têm direito
ao benefício, na forma do art. 71-A, da Lei n. 8.213/91.

Uma questão recorrente nas demandas previdenciárias é a seguinte: como o art. 10, II, b, do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal veda a dispensa
arbitrária ou sem justa causa da trabalhadora gestante, nos casos em que a segurada era
demitida sem justa causa pela empresa durante a gestação, o INSS negava a concessão do
benefício sob o argumento de que a segurada deveria buscar o recebimento pela empresa,
o que é previsto no art. 97, do Decreto n. 3.048/99.

Agora você deve ler a Seção 4.1 do roteiro de estudos para aprofundar os seus
conhecimentos e realizar as questões diagnósticas, disponíveis em seu ambiente virtual,
para testar seus conhecimentos antes da aula.

Análise do melhor benefício no caso concreto Resolução da situação-problema

Análise do melhor benefício


Voltando à análise do caso de sua cliente Maria, ela tem os requisitos de alguns benefícios,
mas outros não. Vejamos:
 Tem 65 anos, requisito do benefício assistencial ao idoso;
 Não tem condições de exercer atividade laborativa: requisito dos benefícios por
incapacidade e do benefício assistencial.

Maria não está trabalhando já a algum tempo, portanto não tem mais a qualidade de
segurada necessária para receber auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez. Porém,
será que Maria preenche o requisito econômico para o recebimento do benefício
assistencial?
Ela não tem nenhuma renda e não trabalha, então à primeira vista a resposta seria sim.
Porém, Maria vive com sua filha, que tem uma boa renda e arca com todas as despesas da
casa. Assim, lembrando que o benefício assistencial tem caráter subsidiário, ou seja, só é
concedido às pessoas que realmente necessitem da assistência social.
Dessa forma, tendo em vista que Maria pode ser amparada por sua filha, a princípio ela não
faria jus à concessão do benefício assistencial à pessoa idosa.

Perspectivas da Reforma Previdenciária


A PEC n. 287/2016 também pretende realizar alterações nos benefícios assistenciais para
as seguintes:
 O requisito etário para o benefício à pessoa idosa passaria para 68 anos.
 O parágrafo único do art. 34 do Estatuto do Idoso seria revogado e seria considerada
a renda integral de cada membro do grupo familiar.
 O texto original também previa a desvinculação do benefício ao salário-mínimo, o que
foi modificado pelo texto substitutivo.

BENEFÍCIOS DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 4 - SEÇÃO 2

Agora que você já conhece alguns dos benefícios concedidos aos segurados, vamos
conhecer os benefícios concedidos aos dependentes, que são a pensão por morte e o
auxílio-reclusão.
Nos últimos anos ocorreram várias mudanças na legislação quanto a esses benefícios, por
isso é importante conhecê-los a fundo.

Análise do melhor benefício

A seguir, explore a galeria e relembre a situação-problema.

Imagine que você, como advogado, foi procurado por Maria, pessoa idosa que já foi
vinculada ao Regime Geral de Previdência Social em várias categorias, atualmente possui
65 anos e não está mais trabalhando em razão de muitas dores nas costas, logo ela, que
sempre trabalhou como boia-fria e mora com sua filha que recebe um bom salário e paga
todas as contas da casa.

Além disso, Maria era companheira de Pedro, que faleceu há um ano e era aposentado pelo
INSS na época do falecimento, mas antes disso Maria foi casada com Manoel, do qual está
separada há mais de 10 anos. Maria não tem mais condições de trabalhar, não tem nenhum
parente próximo que a auxilie e pede que você a ajude a obter um benefício do INSS, pois
quando foi solicitar a pensão de seu ex-companheiro, teve seu pedido negado, pois a filha
dele já recebia a pensão.
Inicialmente, há algum benefício que você poderia tentar obter para Maria, tendo em vista
suas condições de idade avançada e desemprego? Depois disso, será que é possível ajuizar
uma ação contra o INSS a fim de obter a pensão por morte do companheiro de Maria,
mesmo ela ainda estando casada civilmente e com outra pessoa recebendo também este
benefício? E será que seria possível tentar aposentar Maria mesmo ela não sendo
empregada?

Análise do melhor benefício em um caso concreto


Apresentação da situação-problema

Infelizmente você teve que dizer a Maria que não será possível tentar que ela receba o
benefício assistencial, pois embora tenha a idade necessária, não preencheu os outros
requisitos.
Mas você se lembrou que Maria era companheira de Pedro, ele era aposentado, e o pedido
de pensão de Maria foi negado injustamente, mas ela esteve junto de Pedro durante mais de
10 anos até seu falecimento.

A partir do relato da sua cliente, você decide elaborar a petição inicial para obter
judicialmente a pensão por morte para Maria:
Mas quais requisitos você precisa comprovar que foram preenchidos?
A filha de Pedro vai poder continuar recebendo também o benefício? Qual será o valor para
cada uma?

Para resolver a situação de Maria você vai precisar conhecer e entender o seguinte:
Quais são os benefícios concedidos aos dependentes do segurado.
Como se comprova a relação de dependência.
Por quanto tempo o benefício poderá ser recebido. Se é possível a divisão do benefício para
mais de um dependente.
Qual o valor do benefício para cada dependente.

Além da pensão por morte, o outro benefício que pode ser concedido aos dependentes é o
auxílio-reclusão, voltado para os dependentes do segurado preso. Vamos estudar suas
regras e critérios para concessão.

Benefícios concedidos aos dependentes do segurado


Sistematização conceitual

Pensão por morte


O benefício de pensão por morte é regulado pelos artigos 74 a 79, da Lei n. 8.213/91, e
funciona como um amparo aos dependentes do segurado falecido.
Os requisitos para recebimento do benefício são os seguintes:
Qualidade de segurado na data do óbito.
Relação comprovada ou presumida de dependência com o segurado.
Há isenção do cumprimento do período de carência.

A relação de dependentes, como você já estudou, está no artigo 16 da Lei n. 8.213/91.


Enquanto a dependência de cônjuges e filhos é presumida, a dos pais e irmãos deve ser
comprovada.

Data de início do benefício:


Conforme o artigo 74 da Lei de Benefícios, caso o benefício seja requerido em até 90 dias
do óbito, essa será sua data de início. Caso seja requerido em prazo superior, a data do
requerimento será considerada para início do benefício.
A fixação da data de início é importante para efeitos financeiros, pois o quanto antes for
requerido, mais tempo recebendo.

Importante: Para os dependentes menores de 16 anos (incapazes) não haverá prescrição


das parcelas. Assim, se o menor de 16 anos requerer o benefício de pensão por morte anos
depois do óbito do segurado, receberá as parcelas em atraso desde a data do óbito.

Explore a galeria e saiba mais. 13 - Se o segurado havia vertido menos de 18 contribuições,


ou se a união/casamento foi iniciado a menos de 2 anos, o benefício será cessado em 4
(quatro) meses.

Se o cônjuge sobrevivente ou dependente for inválido ou com deficiência, o benefício irá


perdurar até que cesse a invalidez ou seja afastada a doença, sempre respeitados os prazos
mínimos da tabela referida abaixo.

Nos últimos anos, o benefício de pensão por morte sofreu várias mudanças. Antes, por
exemplo, os cônjuges recebiam o benefício sem prazo determinado, o que foi alterado pela
Lei n. 13.183/2015, que instituiu prazos conforme a idade do dependente, conforme art. 77,
inciso V, da LB:
1) Se o segurado havia vertido menos de 18 contribuições, ou se a união/casamento foi
iniciado a menos de 2 anos, o benefício será cessado em 4 (quatro) meses.

2) Se o cônjuge sobrevivente ou dependente for inválido ou com deficiência, o benefício irá


perdurar até que cesse a invalidez ou seja afastada a doença, sempre respeitados os prazos
mínimos da tabela referida abaixo.
3) Se o segurado já tinha contribuído mais de 18 meses, ou se a união estável/casamento
(essa tabela não vale para os filhos) já contava com mais de 2 anos, serão obedecidos os
prazos a seguir:

Atualmente, caso haja mais de um dependente habilitado à pensão por morte, o benefício
será rateado em partes iguais para cada um dos dependentes.
Por exemplo: em um benefício de pensão por morte cujo salário de benefício seja igual a R$
1.000,00 (um mil reais), e existam 2 dependentes (esposa e um filho menor do falecido),
cada um receberá 50% do valor do benefício, isto é, R$ 500,00 (quinhentos reais). Após o
filho completar 21 anos, sua cota será revertida para a outra dependente, que passará a
receber o valor integral.

Auxílio-reclusão

O auxílio-reclusão é regulado pelo artigo 80, da Lei n. 8.213/91, e segue diretrizes muito
parecidas com as da pensão por morte. Este é um benefício pago aos dependentes do
segurado de baixa renda preso.
Para fins de análise do que se considera baixa-renda, o último salário-de-contribuição do
segurado deve ser igual ou inferior a R$ 1.319,18, no ano de 2018, sendo que esse valor é
atualizado anualmente.

Os requisitos para recebimento do benefício, portanto, são:


 Manutenção da qualidade de segurado na data da reclusão.
 Relação de dependência entre dependente e segurado.
 Último salário-de-contribuição igual ou inferior a R$ 1.319,18.
 A cada trimestre o dependente deve comprovar que o segurado continua recluso.

Auxílio-reclusão – questões polêmicas


Em sede de jurisprudência, muito se tem discutido no sentido de que o correto seria
considerar a renda do dependente e não do segurado para fins de concessão do benefício.
Todavia, o entendimento já foi pacificado pelo STF nos Recursos Extraordinários n.
587.365/SC e 486.413/sp. Ainda, o STJ decidiu recentemente que é devido o benefício aos
dependentes de segurado preso em regime fechado ou semiaberto, ainda que passem a
cumprir pena em prisão domiciliar (Resp. 1.672.295/RS).

Por fim, cabe mencionar que, ao contrário do que se veicula nas redes sociais, o auxílio-
reclusão não é concedido aos presos, mas sim aos seus dependentes, e desde que exista
qualidade de segurado, portanto, é necessário ter vertido contribuições para o RGPS e ser
enquadrado como de baixa-renda.
Além disso, observa as mesmas regras de cálculo dos outros benefícios: média dos 80%
maiores salários de contribuição.

Agora você deve ler a Seção 4.2 do roteiro de estudos para aprofundar os seus
conhecimentos e realizar as questões diagnósticas disponíveis em seu ambiente virtual para
testar seus conhecimentos antes da aula.

Benefícios concedidos aos dependentes do segurado Resolução da situação-


problema

Análise de benefício de pensão por morte

Voltando ao caso de Maria, ela foi companheira de Pedro durante mais de 10 anos e eles
estavam juntos à época do óbito, ocorrido há um ano. Além de Maria, a filha de Pedro já
recebe o benefício de pensão por morte. É possível que Maria também seja habilitada para o
recebimento desse benefício?
Embora o benefício já tenha sido concedido à filha de Pedro, poderá ser rateado também
com Maria, pois ambas pertencem à mesma classe de dependentes, portanto o recebimento
por uma das dependentes não exclui a outra.

Nesse caso, qual será a data de início do benefício?


Como se passou mais de um ano entre o óbito de Pedro e a data de entrada no
requerimento administrativo no INSS, Maria receberá o benefício a partir da data do
requerimento, portanto, as parcelas anteriores não poderão ser recebidas.
E quanto ao valor do benefício? Cada uma das dependentes o receberá integralmente?
Como vimos em nosso estudo, havendo mais de um dependente, o valor será rateado
igualmente entre eles, cada um recebendo metade do benefício. Caso existissem mais
dependentes, o valor total seria rateado em tantas partes quantos dependentes houvessem.

Considerações finais Importante mencionar que a Lei n. 13.135/2015 trouxe várias


mudanças no benefício de pensão por morte, uma delas é a vedação de que o dependente
que causou dolosamente a morte do segurado receba o benefício, como o famoso caso de
Suzane Von Richtoffen.
Você já aprendeu os principais conceitos de Direito Previdenciário e alguns dos benefícios
ofertados pelo sistema, agora vamos compreender sobre as aposentadorias por idade,
tempo de contribuição e especial.

BENEFÍCIOS DA SEGURIDADE SOCIAL - UNIDADE 3 - SEÇÃO 3

Análise do melhor benefício A seguir, explore a galeria e reveja a situação-problema.


Imagine que você, como advogado, foi procurado por Maria, pessoa idosa que já foi
vinculada ao Regime Geral de Previdência Social em várias categorias, atualmente possui
65 anos e não está mais trabalhando em razão de muitas dores nas costas, logo ela, que
sempre trabalhou como boia-fria e mora com sua filha que recebe um bom salário e paga
todas as contas da casa.

Além disso, Maria era companheira de Pedro, que faleceu há um ano e era aposentado pelo
INSS na época do falecimento, mas antes disso Maria foi casada com Manoel, do qual está
separada há mais de 10 anos. Maria não tem mais condições de trabalhar, não tem nenhum
parente próximo que a auxilie e pede que você a ajude a obter um benefício do INSS, pois
quando foi solicitar a pensão de seu ex-companheiro, teve seu pedido negado, pois a filha
dele já recebia a pensão.

Inicialmente, há algum benefício que você poderia tentar obter para Maria, tendo em vista
suas condições de idade avançada e desemprego? Depois disso, será que é possível ajuizar
uma ação contra o INSS a fim de obter a pensão por morte do companheiro de Maria,
mesmo ela ainda estando casada civilmente e com outra pessoa recebendo também este
benefício? E será que seria possível tentar aposentar Maria mesmo ela não sendo
empregada?

Análise do melhor benefício Apresentação da situação-problema

Análise do melhor benefício Você ajuizou a ação previdenciária de pensão por morte e está
aguardando o desenvolvimento do processo, mas Maria tem pressa em receber algum
benefício para seu sustento, pois já parou de trabalhar como trabalhadora rural e já está
quase fazendo 66 anos. Maria vai ter direito a se aposentar mesmo sem ter sido empregada
durante toda a sua vida? Será que Maria já poderia estar aposentada há muito tempo e não
sabia? As regras para o trabalhador rural são diferentes daquelas do trabalhador urbano?
Quais tipos de aposentadoria existem, e qual seria a mais adequada para o caso de Maria?

Análise do melhor benefício: aposentadorias Nessa aula vamos aprender os requisitos para
as aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial, e você vai analisar a que
melhor se adapta ao caso de Maria. As espécies de aposentadoria que serão estudadas,
portanto, são: Aposentadoria por idade (urbana e rural) Aposentadoria por tempo de
contribuição Aposentadoria especial

Nesta aula vamos estudar as aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial. A
aposentadoria especial é concedida a trabalhadores que estão expostos a algum risco
durante seu trabalho, como médicos, enfermeiros, vigilantes e mineradores. Muitos não
sabem desse direito, por isso é importante conhecer o benefício.

Aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial Sistematização


conceitual

Citação Nas aulas anteriores, vimos que as instruções e princípios básicos da Seguridade
Social constam na Constituição Federal, no artigo 201, o mesmo acontece com a
aposentadoria por idade . Vejamos a previsão constitucional no art. 201, § 7º, II: II - sessenta
e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, reduzido em cinco
anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas
atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e
o pescador artesanal.

Além da idade, o segurado também precisa cumprir uma carência mínima de 180
contribuições (15 anos) para conseguir obter o benefício. No caso dos segurados especiais
que trabalham em regime de economia familiar, estes podem comprovar o trabalho com
documentos seus e de seus familiares que os qualifiquem como trabalhadores rurais, dentro
do período de carência, ou seja, um início de prova material, que será corroborado por prova
testemunhal.

E os boias-frias (trabalhadores rurais que trabalham por dia)? Em regra, teriam que
contribuir como contribuintes individuais, via carnê. Porém, tendo em vista a notável
precariedade e dificuldade desses trabalhadores, a jurisprudência tem entendido pela
concessão da aposentadoria quando houver um início de prova material e prova
testemunhal idônea:<https://goo.gl/yYfY2q>. Acesso em: 8 mar. 2018.

Aposentadoria por idade híbrida A aposentadoria por idade híbrida foi criada pela Lei n.
11.718/2008, que incluiu o § 3º, no artigo 48, da Lei n. 8.213/91. Nessa modalidade de
aposentadoria, o segurado pode ter trabalhado, dentro do período de carência, tanto em
meio urbano quanto rural, desde que comprove o preenchimento do mínimo de 180 meses
exigido. Essa alteração legislativa visa a contemplar os segurados especiais que migraram
para a cidade, pois muitas vezes, em situações parecidas, os segurados não conseguiam se
aposentar justamente por não preencherem a carência nem para a aposentadoria urbana e
nem para a rural.

Aposentadoria por tempo de contribuição Para a aposentadoria por tempo de contribuição os


requisitos são um pouco diferentes: Não há idade mínima para a aposentadoria. A carência
também é de 180 meses (15 anos). Os homens devem comprovar 35 anos de tempo de
contribuição. As mulheres devem comprovar 30 anos de tempo de contribuição. A
regulamentação legal consta nos artigos 52 a 56, da Lei n. 8.213/91.

Como o segurado pode comprovar esse tempo de contribuição?

O tempo de contribuição pode ter sido realizado como empregado, como:

Contribuinte individual.
Trabalho rural. (O trabalho rural anterior a 1991 é computado para fins de tempo de
contribuição, mas não de carência).
Serviço militar obrigatório.
Atividade em condições especiais. (Cujo tempo pode ser multiplicado: por exemplo, para
homens, cada ano em atividade especial aumenta 4 meses, e para as mulheres, 2 meses.).

Dessa forma, nas aposentadorias por tempo de contribuição, é comum que o segurado
tenha trabalhado sob várias categorias de filiação.

Aposentadoria por tempo de contribuição – regra 85/95 A Lei n. 13.183/2015 incluiu o artigo
n. 29-C na Lei n. 8.213/91 prevendo que, caso o segurado que se aposente por tempo de
contribuição somar 85 pontos (se mulher) ou 95 pontos (se homem), considerando-se a
soma da idade e do tempo de contribuição, não terá em seu benefício a incidência do fator
previdenciário, recebendo o valor correspondente a 100% do salário de benefício. Essa nova
regra é bastante vantajosa aos segurados, pois garante um benefício mais vantajoso e visa
que eles se aposentem mais tarde, o que também é interessante financeiramente para a
Previdência Social.
Aposentadoria especial
A aposentadoria especial é prevista nos artigos 57 e 58 da Lei n. 8.213/91, e tem os
seguintes requisitos: 180 meses de carência e exercício de atividades especiais durante 15,
20 ou 25 anos, dependendo da gravidade das condições as quais o segurado esteve
exposto. Comumente, os segurados se aposentam com 25 anos de exercício de atividade
especial. Mas onde trabalham esses segurados? Em qualquer atividade que os exponha a
agentes nocivos ou a risco à sua integridade física.

Atividade que os exponha a agentes nocivos


Por exemplo: médicos, enfermeiros, trabalhadores de indústrias que produzem alto nível de
ruído (metalúrgicas) ou que trabalham com compostos químicos, como fábricas de baterias,
curtumes, abatedouros, são trabalhadores expostos a agentes insalubres; já os frentistas,
vigilantes, eletricistas, motoristas de cargas explosivas, são exemplos de trabalhadores
expostos a risco à integridade física.

Os mineradores são um bom exemplo de trabalhadores que obtêm a aposentadoria especial


aos 15 anos de tempo de contribuição, pois estão submetidos a muitos riscos nos locais de
trabalho.

Aposentadoria especial – reforma previdenciária Conforme a proposta de Reforma


Previdenciária (PEC 287/2016), o trabalhador teria que se aposentar com no mínimo 55
anos de idade e cumprir pelo menos 20 anos de atividade com exposição a agentes nocivos,
o que é bastante prejudicial ao trabalhador.

Agora você deve ler a Seção 1.3 do roteiro de estudos para aprofundar os seus
conhecimentos e realizar as questões diagnósticas disponíveis em seu ambiente virtual para
testar seus conhecimentos antes da aula.

Aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial

Resolução da situação-problema

Análise do benefício no caso concreto Voltando ao caso de sua cliente Maria que está
aguardando o prosseguimento da ação previdenciária de pensão por morte, vamos analisar
se ela tem direito a obter a própria aposentadoria. Para isso, explore a galeria a seguir.
Maria foi trabalhadora rural durante toda a sua vida e agora conta com 66 anos de idade.
Portanto, a idade mínima para a aposentadoria por idade rural, que para a mulher é de 55
anos, ela já tem, falta saber se foi cumprida a carência mínima.

Sua cliente alega que trabalhou durante toda a vida como trabalhadora rural bóia-fria
(diarista), ela terá então que reunir algumas provas documentais que a qualifiquem como
trabalhadora rural, como recibos de diária e documentos que constem a sua profissão,
desde que contemporâneos ao período de carência, além de testemunhas que efetivamente
a viram trabalhando em meio rural.

A Súmula n. 149 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dispõe o seguinte: “A prova


exclusivamente testemunhal não basta a comprovação da atividade rurícola, para efeito da
obtenção de benefício previdenciário.
”Por esse motivo, a Lei n. 8.213/91 exige a apresentação de um início de prova material, isto
é, documentos que, no contexto, demonstrem a qualidade de rurícola do segurado, que
serão analisadas em conjunto com a prova testemunhal”.

O art. 62 do Decreto n. 3.048/99 traz alguns exemplos de documentos que podem ser
considerados início de prova material.

Como Maria foi trabalhadora rural e terá obrigatoriamente que apresentar testemunhas de
seu trabalho, o entrevistador (que pode ser o Juiz em uma ação judicial, ou o servidor do
INSS) irá fazer perguntas como o local trabalhado, períodos, quais os empregadores, o que
era produzido, a fim de confirmar as informações do segurado. Esse tipo de comprovação
também pode ser utilizado para um período trabalhado em uma empresa urbana que tenha
encerrado suas atividades e não realizou anotações na CTPS do segurado, por exemplo.

Portanto, sempre que o segurado alegar período de tempo trabalhado em que não tenham
sido vertidas contribuições, ou sem anotação em CTPS, é possível sua comprovação
mediante apresentação de início de prova material e prova testemunhal.