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Reforma Agrária

CONCEITO
 Minifúndio
 Latifúndio
CARACTERÍSTICAS
 Forma de intervenção do Estado na propriedade
 Especificidade
 Transitoriedade
 Atrelamento a uma Política Agrária eficiente
 Natureza Constitucional
 Redimensionamento das áreas mínimas e máximas da
terra (entre 1 e 600 módulos),
MÉTODOS DE REFORMA AGRÁRIA
 Método Coletivista
 Método Privatista
COMPETÊNCIA
MST E ESBULHO POSSESSÓRIO
FORMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE TERRAS RURAIS
 Títulos de domínio
 Concessão de uso
 Concessão de direito real de uso (CDRU)
BENEFICIÁRIOS DA REFORMA AGRÁRIA
 Ordem de preferência
 Proibidos de se beneficiar
 Deveres dos Beneficiários
OCUPAÇÃO DE LOTE SEM AUTORIZAÇÃO DO INCRA

Concurso não se faz para passar, mas até passar. Porrada na preguiça! A fila anda e a catraca seleciona. É nóis, playboy!!!
É a reorganização da estrutura fundiária com o objetivo de promover a distribuição mais justa
das terras.
Considera-se reforma agrária o conjunto de medidas que visem a promover melhor distribuição
da terra, mediante a modificação do regime de sua posse e de seu uso, a fim de atender ao princípio de
justiça social e de aumento da produtividade.1
Visa evitar o subaproveitamento da terra pela existência de latifúndios e minifúndios. Na prática,
a reforma agrária proporciona2:

1 - Desconcentração e democratização da estrutura fundiária.


2 - Produção de alimentos básicos.
CONCEITO
3 - Geração de ocupação e renda.
4 - Combate à fome e à miséria.
5 - Interiorização dos serviços
públicos básicos.
6 - Redução da migração campo-
cidade.
7 - Promoção da cidadania e da
justiça social.
8 - Diversificação do comércio e dos serviços no meio rural.
9 - Democratização das estruturas de poder.

1
http://blogardireito.blogspot.com.br/2014/03/02-direito-agrario-reforma-agraria.html
2
http://www.incra.gov.br/reforma_agraria
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imóvel rural de área e possibilidades inferiores às da propriedade familiar3 (Lei nº 4.504/64, art.
4º, IV).
Em razão de sua pequena área, torna inviável o progresso pleno de seus proprietários, devendo
ser gradualmente extinto.
OBS.: Qual é a diferença entre módulo rural e módulo fiscal?
Módulo rural Módulo fiscal
MINIFÚNDIO
é calculado para cada imóvel é estabelecido para cada
rural em separado, e sua área município, e procura refletir a
reflete o tipo de exploração área mediana dos Módulos
predominante no imóvel rural, Rurais dos imóveis rurais do
segundo sua região de município.
localização.

O imóvel rural que:

a) de área superior a 600 módulos fiscais4; ou

b) de área igual ou superior a 1 módulo até 600 módulos que seja mantido improdutivo ou
subaproveitado, mesmo que voltados para fins especulativos. (artigo 4º, V do Estatuto da Terra).
LATIFÚNDIO
OBS.: na categoria “latifúndio” podem existir tanto terras produtivas quanto
improdutivas.
OBS.2: A área do terreno não é o único fator de caracterização da terra como
“latifúndio”, pois também é levado em consideração o nível de aproveitamento da terra.
Ex.: um pequeno imóvel de dois módulos rurais e que seja improdutivo pode ser
considerado como latifúndio.

3
Lei nº 4.504/64 Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definem-se:
II - "Propriedade Familiar", o imóvel rural que, direta e pessoalmente explorado pelo agricultor e sua família, lhes absorva toda a força de trabalho,
garantindo-lhes a subsistência e o progresso social e econômico, com área máxima fixada para cada região e tipo de exploração, e eventualmente trabalho com a
ajuda de terceiros;
4
Módulo Fiscal:
 Corresponde à àrea mínima necessária a uma propriedade rural para que sua exploração seja economicamente viável.
 Ele reflete a média dos módulos rurais do município.
 O tamanho do módulo fiscal para cada município está fixado através de Instruções especiais (IE) expedidas pelo INCRA.
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CARACTERÍSTICAS

FORMA DE INTERVENÇÃO
Entre os principais instrumentos da reforma agrária estão a desapropriação e a
DO ESTADO NA
tributação;
PROPRIEDADE

Cada país adotará um método ou modelo de Reforma Agrária que se adapte melhor às
ESPECIFICIDADE
suas peculiaridades;

A medida em que os latifúndios e os minifúndios forem sendo eliminados, a Reforma


TRANSITORIEDADE
Agrária será cada vez menos necessária;

A distribuição de terras deve ser implementada em conjunto com medidas que garantam
o cumprimento da função social da propriedade, por exemplo:
ATRELAMENTO A UMA
 Concessão de linhas de crédito,
POLÍTICA AGRÁRIA
EFICIENTE
 Acesso a equipamentos,
 Subsídios governamentais,
 etc.

A Reforma Agrária lança suas raízes no texto constitucional, que consagrou como
NATUREZA objetivo fundamental a justiça social (artigo 3º, I), além de erigir tal valor como vetor de
CONSTITUCIONAL observância da ordem econômica (artigo 170), da ordem social (artigo 193) e tratar
profundamente da função social da propriedade.

REDIMENSIONAMENTO
DAS ÁREAS MÍNIMAS E
MÁXIMAS DA TERRA Contribui para a extinção do minifúndio e do latifúndio.
(ENTRE 1 E 600
MÓDULOS),
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MÉTODOS DE REFORMA AGRÁRIA

A doutrina registra dois métodos de realização da reforma agrária, variáveis à medida em que
prevaleça esta ou aquela visão ideológica.

A aplicação resultaria na coletivização da propriedade da terra através de sua apropriação pelo


Estado.
MÉTODO
É o método dos países comunistas e socialistas, em que se reserva a propriedade da terra ao Estado,
COLETIVISTA
entregando a posse à coletividade.

Apregoado pela CF/88, na perspectiva deste método, se admite a redistribuição da terra, sobre a
qual se confere propriedade privada, segundo uma orientação de que os bens existem para satisfação do
MÉTODO
homem (“a terra pertence a quem a explora), não constituindo a propriedade um direito absoluto, já que
PRIVATISTA
o seu exercício em prol do bem comum é condição de sua manutenção.
É próprio do sistema capitalista.

A competência para a desapropriação para fins de reforma agrária é exclusiva da União e foi
delegada ao INCRA.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) é uma autarquia federal da


Administração Pública brasileira. Foi criado pelo decreto nº 1.110, de 9 de julho de 19705, com a missão
prioritária de realizar a reforma agrária, manter o cadastro nacional de imóveis rurais e administrar as
terras públicas da União.

Está implantado em todo o território nacional por meio de Superintendências Regionais 6.


OBS.: para mais detalhes consulte: http://www.incra.gov.br
COMPETÊNCIA EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Desapropriação de imóvel
rural para fins de reforma agrária. Artigo 184 da Constituição Federal. Competência da
União. Precedente.
1. A competência para a desapropriação para fins de reforma agrária é
exclusiva da União.
2. Não cabe aos estados-membros ou aos municípios, a pretexto de se utilizarem
da desapropriação por interesse social prevista no art. 5º, inciso XXIV, da CF,
implementarem projetos que visem a estabelecimento de colônica agrícolas e
assentamentos rurais, cujos fins são inerentes à reforma agrária.
3. Agravo regimental a que se nega provimento.
(RE 482452 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em
15/03/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-094 DIVULG 10-05-2016 PUBLIC 11-05-2016)

5
Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de
Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências.
6
As Superintendências Regionais (SR) são órgãos descentralizados responsáveis pela coordenação e execução das ações do Incra nos estados.
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MST E ESBULHO POSSESSÓRIO


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um
movimento de ativismo político e social brasileiro.

De inspiração marxista, teve origem na oposição ao modelo de


reforma agrária imposto pelo regime militar, principalmente nos anos de
1970, que priorizava a colonização de terras devolutas em regiões remotas,
com objetivo de exportação de excedentes populacionais e integração
estratégica. Contrariamente a este modelo, o MST busca
fundamentalmente a redistribuição das terras improdutivas.

O MST teve origem na década de 1980, defendendo que a expansão


da fronteira agrícola, os megaprojetos — dos quais as barragens são o
exemplo típico — e a mecanização da agricultura contribuíram para
eliminar as pequenas e médias unidades de produção agrícola e concentrar a propriedade da terra.
O ESBULHO POSSESSÓRIO - MESMO TRATANDO-SE DE PROPRIEDADES ALEGADAMENTE
IMPRODUTIVAS - CONSTITUI ATO REVESTIDO DE ILICITUDE JURÍDICA. - Revela-se contrária ao
Direito, porque constitui atividade à margem da lei, sem qualquer vinculação ao sistema
jurídico, a conduta daqueles que - particulares, movimentos ou organizações sociais - visam,
pelo emprego arbitrário da força e pela ocupação ilícita de prédios públicos e de imóveis rurais,
a constranger, de modo autoritário, o Poder Público a promover ações expropriatórias, para
efeito de execução do programa de reforma agrária. - O processo de reforma agrária, em uma
sociedade estruturada em bases democráticas, não pode ser implementado pelo uso arbitrário
da força e pela prática de atos ilícitos de violação possessória, ainda que se cuide de imóveis
alegadamente improdutivos, notadamente porque a Constituição da República - ao amparar o
proprietário com a cláusula de garantia do direito de propriedade (CF, art. 5º, XXII) - proclama
que "ninguém será privado (...) de seus bens, sem o devido processo legal" (art. 5º, LIV). - O
respeito à lei e à autoridade da Constituição da República representa condição indispensável e
necessária ao exercício da liberdade e à prática responsável da cidadania, nada podendo
legitimar a ruptura da ordem jurídica, quer por atuação de movimentos sociais (qualquer que
seja o perfil ideológico que ostentem), quer por iniciativa do Estado, ainda que se trate da
efetivação da reforma agrária, pois, mesmo esta, depende, para viabilizar-se
constitucionalmente, da necessária observância dos princípios e diretrizes que estruturam o
ordenamento positivo nacional.
- O esbulho possessório, além de qualificar-se como ilícito civil, também pode
configurar situação revestida de tipicidade penal, caracterizando-se, desse modo, como
ato criminoso (CP, art. 161, § 1º, II; Lei nº 4.947/66, art. 20). - Os atos configuradores
de violação possessória, além de instaurarem situações impregnadas de inegável
ilicitude civil e penal, traduzem hipóteses caracterizadoras de força maior, aptas,
quando concretamente ocorrentes, a infirmar a própria eficácia da declaração
expropriatória.
ADI 2213 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 04/04/2002, DJ
23-04-2004 PP-00007 EMENT VOL-02148-02 PP-00296)
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FORMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE TERRAS RURAIS


CRFB Art. 189. Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma
agrária receberão títulos de domínio ou de concessão de uso, inegociáveis pelo prazo
de dez anos .

Lei nº 8.629/93 Art. 18. A distribuição de imóveis rurais pela reforma


agrária far-se-á por meio de títulos de domínio , concessão de uso ou
concessão de direito real de uso - CDRU instituído pelo art. 7o do Decreto-Lei
no 271, de 28 de fevereiro de 1967. (Incluído pela Lei nº 13.001, de 2014)

É o documento que transfere o imóvel rural ao assentado da reforma agrária em caráter


TÍTULOS DE
definitivo.
DOMÍNIO

“Concessão de uso pode ser definida como uma modalidade de contrato administrativo,
submetido ao regime jurídico de direito público, firmado por órgão ou entidade da Administração
Pública, cujo objetivo é o uso privativo de bem público.”

CONCESSÃO DE USO OBS.: “A concessão de uso apresenta natureza jurídica obrigacional, não tem
caráter precário – como a autorização de uso e a permissão de uso –, pode ser
onerosa ou gratuita e deve ser precedida de licitação, excetuadas as hipóteses legais
que admitem contratação direta.”7

Decreto-lei nº 271/67 Art. 7o É instituída a concessão de uso de terrenos públicos


ou particulares remunerada ou gratuita, por tempo certo ou indeterminado, como direito
real resolúvel, para fins específicos de regularização fundiária de interesse social,
urbanização, industrialização, edificação, cultivo da terra, aproveitamento sustentável
das várzeas, preservação das comunidades tradicionais e seus meios de subsistência ou
outras modalidades de interesse social em áreas urbanas. (Redação dada pela
Lei nº 11.481, de 2007)
CONCESSÃO DE
DIREITO REAL DE Trata-se de um direito real resolúvel sobre coisa alheia, a qual pode ser bem público ou
USO (CDRU)
privado, onde o bem é destinado à utilização privativa, instrumentalizado por meio de um contrato;
devendo sua utilização se enquadrar nas hipóteses específicas estabelecidas pela legislação. 8

OBS.: Merece registro inovação embutida na chamada “Lei de Gestão de


Florestas Públicas” (Lei nº 11.284/06) que contempla mais um instrumento de
regularização de posse de terras públicas ocupadas ou utilizadas tradicionalmente
por comunidades locais, que sejam imprescindíveis à conservação dos recursos

7
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/115/edicao-1/concessao-de-uso
8
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/16/edicao-1/concessao-de-direito-real-de-uso
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ambientais essenciais para sua reprodução física e cultural, por meio de concessão
de direito real de uso. É o que está posto no art. 6º, § 3º, da citada lei
§ 3o O Poder Público poderá, com base em condicionantes
socioambientais definidas em regulamento, regularizar posses de
comunidades locais sobre as áreas por elas tradicionalmente ocupadas ou
utilizadas, que sejam imprescindíveis à conservação dos recursos
ambientais essenciais para sua reprodução física e cultural, por meio de
concessão de direito real de uso ou outra forma admitida em lei,
dispensada licitação.
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BENEFICIÁRIOS DA REFORMA AGRÁRIA


CRFB Art. 189. Parágrafo único. O título de domínio e a concessão de uso serão
conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos , independentemente do estado civil, nos
termos e condições previstos em lei.

Lei nº 8.629/93 Art. 19. O processo de seleção de indivíduos e famílias


candidatos a beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária será realizado por
projeto de assentamento, observada a seguinte ordem de preferência na distribuição de
lotes : (Redação dada pela Lei nº 13.465, de 2017)

I - ao desapropriado , ficando-lhe assegurada a preferência para a parcela na


qual se situe a sede do imóvel, hipótese em que esta será excluída da indenização
devida pela desapropriação; (Redação dada pela Lei nº 13.465, de 2017)

II - aos que trabalham no imóvel desapropriado como posseiros, assalariados,


parceiros ou arrendatários, identificados na vistoria; (Redação dada pela Lei nº 13.465,
de 2017)

III - aos trabalhadores rurais desintrusados de outras áreas , em virtude de


ORDEM DE demarcação de terra indígena, criação de unidades de conservação, titulação de
PREFERÊNCIA comunidade quilombola ou de outras ações de interesse público; (Redação dada pela
Lei nº 13.465, de 2017)

IV - ao trabalhador rural em situação de vulnerabilidade social que não se


enquadre nas hipóteses previstas nos incisos I, II e III deste artigo; (Redação dada
pela Lei nº 13.465, de 2017)

V - ao trabalhador rural vítima de trabalho em condição análoga à de escravo ;


(Redação dada pela Lei nº 13.465, de 2017)

VI - aos que trabalham como posseiros, assalariados, parceiros ou arrendatários


em outros imóveis rurais; (Redação dada pela Lei nº 13.465, de 2017)

VII - aos ocupantes de áreas inferiores à fração mínima de parcelamento .


(Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)
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PROIBIDOS DE SE BENEFICIAR
Lei nº 8.629/93 Art. 20. Não poderá ser selecionado como beneficiário dos projetos de
assentamento a que se refere esta Lei quem: (Redação dada pela Lei nº 13.465, de 2017)

I - for ocupante de cargo, emprego ou função pública remunerada; (Incluído pela Lei nº
13.465, de 2017)

II - tiver sido excluído ou se afastado do programa de reforma agrária, de regularização


fundiária ou de crédito fundiário sem consentimento de seu órgão executor; (Incluído pela Lei nº
13.465, de 2017)

III - for proprietário rural , exceto o desapropriado do imóvel e o agricultor cuja propriedade
seja insuficiente para o sustento próprio e o de sua família; (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

IV - for proprietário , cotista ou acionista de sociedade empresária em atividade; (Incluído


pela Lei nº 13.465, de 2017)

V - for menor de dezoito anos não emancipado na forma da lei civil; ou (Incluído pela Lei nº
13.465, de 2017)

VI - auferir renda familiar proveniente de atividade não agrária superior a três salários
mínimos mensais ou superior a um salário mínimo per capita. (Incluído pela Lei nº 13.465,
de 2017)

§ 1o As disposições constantes dos incisos I, II, III, IV e VI do caput deste artigo aplicam-
se aos cônjuges e conviventes, inclusive em regime de união estável, exceto em relação ao
cônjuge que, em caso de separação judicial ou de fato, não tenha sido beneficiado pelos programas
de que trata o inciso II do caput deste artigo.

§ 2o A vedação de que trata o inciso I do caput deste artigo não se aplica ao candidato que
preste serviços de interesse comunitário à comunidade rural ou à vizinhança da área objeto do projeto
de assentamento , desde que o exercício do cargo, do emprego ou da função pública seja compatível
com a exploração da parcela pelo indivíduo ou pelo núcleo familiar beneficiado.

§ 3o São considerados serviços de interesse comunitário, para os fins desta Lei, as atividades
prestadas nas áreas de saúde, educação, transporte, assistência social e agrária.

§ 4o Não perderá a condição de beneficiário aquele que passe a se enquadrar nos incisos I,
III, IV e VI do caput deste artigo, desde que a atividade assumida seja compatível com a
exploração da parcela pelo indivíduo ou pelo núcleo familiar beneficiado.
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DEVERES DOS BENEFICIÁRIOS


Art. 21. Nos instrumentos que conferem o título de domínio, concessão de uso ou CDRU, os
beneficiários da reforma agrária assumirão, obrigatoriamente, o compromisso de cultivar o imóvel
direta e pessoalmente , ou por meio de seu núcleo familiar , mesmo que por intermédio de
cooperativas , e o de não ceder o seu uso a terceiros, a qualquer título, pelo prazo de 10 (dez) anos .
(Redação dada pela Lei nº 13.001, de 2014)

Parágrafo único. A família beneficiária poderá celebrar o contrato de integração de que


trata a Lei no 13.288, de 16 de maio de 2016. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

OBS.: Contrato de integração vertical ou contrato de integração: contrato, firmado entre


o produtor integrado9 e o integrador10, que estabelece a sua finalidade, as respectivas atribuições
no processo produtivo, os compromissos financeiros, os deveres sociais, os requisitos sanitários,
as responsabilidades ambientais, entre outros que regulem o relacionamento entre os sujeitos do
contrato; (art. 2º, IV , Lei no 13.288/2016).

Segundo Flavia Trentini: “Importante observar que, diferentemente dos contratos típicos
já existentes (parceria e arrendamento), o contrato de integração não regula relações que têm
como objeto central a cessão do imóvel rural, mas, sim, a matéria-prima, ou seja, as atividades
que implicam o desenvolvimento de um ciclo biológico animal ou vegetal a suprir a demanda
agroindustrial. Verifica-se claramente a consolidação jurídica da empresa agrária, que, neste caso,
passa a ser integrante do agronegócio, ou seja, está envolvida com outra empresa responsável
pelo processamento, distribuição e consumo dos produtos agropecuários in natura ou
industrializados.”11

Art. 22. Constará, obrigatoriamente, dos instrumentos translativos de domínio, de concessão


de uso ou de CDRU, cláusula resolutória que preveja a rescisão do contrato e o retorno do imóvel ao
órgão alienante ou concedente, no caso de descumprimento de quaisquer das obrigações assumidas
pelo adquirente ou concessionário. (Redação dada pela Lei nº 13.001, de 2014)

§ 1o Após transcorrido o prazo de inegociabilidade de dez anos , o imóvel objeto de título


translativo de domínio somente poderá ser alienado se a nova área titulada não vier a integrar
imóvel rural com área superior a quatro módulos fiscais. (Incluído pela Lei nº 13.465, de
2017)

§ 2o Na hipótese de a parcela titulada passar a integrar zona urbana ou de expansão urbana,


o Incra deverá priorizar a análise do requerimento de liberação das condições resolutivas. (Incluído
pela Lei nº 13.465, de 2017)

9
Produtor integrado ou integrado: produtor agrossilvipastoril, pessoa física ou jurídica, que, individualmente ou de forma associativa, com ou sem a
cooperação laboral de empregados, se vincula ao integrador por meio de contrato de integração vertical, recebendo bens ou serviços para a produção e para o
fornecimento de matéria-prima, bens intermediários ou bens de consumo final;
10
Integrador: pessoa física ou jurídica que se vincula ao produtor integrado por meio de contrato de integração vertical, fornecendo bens, insumos e
serviços e recebendo matéria-prima, bens intermediários ou bens de consumo final utilizados no processo industrial ou comercial;
11
https://www.conjur.com.br/2017-nov-10/direito-agronegocio-contrato-integracao-contrato-tipico-agrario
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OCUPAÇÃO DE LOTE SEM AUTORIZAÇÃO DO INCRA


Lei nº 8629/93 Art. 26-B. A ocupação de lote sem autorização do Incra em área objeto
de projeto de assentamento criado há, no mínimo, dois anos, contados a partir de 22
de dezembro de 2016, poderá ser regularizada pelo Incra, observadas as vedações
constantes do art. 20 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

§ 1o A regularização poderá ser processada a pedido do interessado ou mediante


atuação, de ofício, do Incra, desde que atendidas, cumulativamente, as seguintes condições :
(Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

I - ocupação e exploração da parcela pelo interessado há, no mínimo, um ano, contado a partir
de 22 de dezembro de 2016; (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

II - inexistência de candidatos excedentes interessados na parcela elencados na lista de


selecionados de que trata o § 3o12 do art. 19 desta Lei para o projeto de assentamento; (Incluído pela Lei nº
13.465, de 2017)

III - observância pelo interessado dos requisitos de elegibilidade para ser beneficiário da
reforma agrária; e (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

IV - quitação ou assunção pelo interessado, até a data de assinatura de novo contrato de


concessão de uso, dos débitos relativos ao crédito de instalação reembolsável concedido ao beneficiário
original. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)

§ 2o Atendidos os requisitos de que trata o § 1o deste artigo, o Incra celebrará contrato


de concessão de uso nos termos do § 2o13 do art. 18 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.465,
de 2017)

12
§ 3o Caso a capacidade do projeto de assentamento não atenda todos os candidatos selecionados, será elaborada lista dos candidatos excedentes,
com prazo de validade de dois anos, a qual será observada de forma prioritária quando houver substituição dos beneficiários originários dos lotes, nas hipóteses
de desistência, abandono ou reintegração de posse. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017)
13
§ 2o Na implantação do projeto de assentamento, será celebrado com o beneficiário do programa de reforma agrária contrato de concessão de uso,
gratuito, inegociável, de forma individual ou coletiva, que conterá cláusulas resolutivas, estipulando-se os direitos e as obrigações da entidade concedente e dos
concessionários, assegurando-se a estes o direito de adquirir título de domínio ou a CDRU nos termos desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.001, de 2014)