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CONTABILIDADE

INTERMEDIÁRIA 2 Fernando Nascimento Zatta

Universidade Aberta do Brasil Ciências Contábeis


Universidade Federal do Espírito Santo Bacharelado
E ste texto dá importância à
elaboração e compreensão das
demonstrações contábeis, dando
continuidade às demonstrações
estudadas na disciplina de
Contabilidade Intermediária 1
formando assim, o conjunto das
demonstrações contábeis obrigatórias.
Esta abordagem é justificada por
diversas razões. A elaboração e
compreensão são processos vitais
para a aplicação do conhecimento da
contabilidade para fins práticos. Ainda,
a compreensão é relevante em função
do crescente uso da contabilidade
por profissionais não contadores, a
partir das informações preparadas e
analisadas por contadores.
UNIVERSIDADE F E D E R A L D O E S P Í R I TO S A N TO
Núcleo de Educação Aberta e a Distância

Contabilidade
Intermediária 2
Fernando Nascimento Zatta

Vitória
2011
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

Presidente da República Reitor pro tempore Coordenadora do Curso de Graduação


Dilma Rousseff Prof. Reinaldo Centoducatte em Ciências Contábeis - Bacharelado,
modalidade a distância
Ministro da Educação Pró-Reitora de Ensino de Graduação Marília Nascimento
Fernando Haddad Profª. Maria Auxiliadora de Carvalho Corassa
Revisor de Conteúdo
Secretário de Educação a Distância Diretor-Presidente do Núcleo de Fernando José Arrigoni
Carlos Eduardo Bielschowsky Educação Aberta e a Distância - ne@ad
Prof. Reinaldo Centoducatte Revisora de Linguagem
DED - Diretoria de Educação a Cleonara Maria Schwartz
Distância Sistema Universidade Aberta Diretora Administrativa do Núcleo de
do Brasil Educação Aberta e a Distância - ne@ad Design Gráfico
João Carlos Teatini de Souza Clímaco Maria José Campos Rodrigues LDI - Laboratório de Design Instrucional

Diretor Pedagógico do ne@ad ne@ad


Julio Francelino Ferreira Filho Av. Fernando Ferrari, n.514 -
CEP 29075-910, Goiabeiras - Vitória - ES
Coordenadora do Sistema Universidade (27)4009-2208
Aberta do Brasil na Ufes
Maria José Campos Rodrigues

Laboratório de Design Instrucional


Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)
(Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil)
LDI coordenação
Heliana Pacheco Zatta, Fernando Nascimento.
José Otavio Lobo Name Z38c Contabilidade intermediária, 2 / Fernando Nascimento Zatta.
Ricardo Esteves - Vitória : Universidade Federal do Espírito Santo, Núcleo de
Educação Aberta e a Distância, 2011.
Gerência 111 f. : il.
Susllem Meneguzzi Tonani
Inclui bibliografia.
Editoração ISBN: 978-85-8087-031-2
Marianna Schmidt
1. Contabilidade. I. Título.
Capa
Marianna Schmidt
CDU: 657

Impressão

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polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra), sendo toda
reprodução realizada com amparo legal do regime geral de direito de autor no Brasil.
sumário
1. Apresentação 7
2. Introdução e histórico 11
3. Objetivo das demonstrações contábeis 11
4. Usuários das demonstrações contábeis 12
5. Legislação societária 14
6. Princípios de contabilidade 19
7. Demonstrações contábeis 20
8. Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) 22
9. Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) 27
10. Inclusão da DLPA na DMPL 33
11. Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) 36
12. Substituição da DOAR pela DFC 46
13. Demonstração de origens e aplicações de recursos (DOAR) 53
14. Demonstração do valor adicionado (DVA) 61
15. Notas explicativas 72
Notas Explicativas | Exemplos 82
16. Relatório da Administração 98
17. Demonstrações contábeis em moeda de capacidade
aquisitiva constante 103

Referências bibliográficas 108


1 Apresentação
Segundo a Universidade de Brasília (UnB, 2010), o avanço das tec-
nologias da informação e comunicação (TICs), que se iniciou nos anos
de 1990 e tem se acelerado vertiginosamente desde então, provocou e
está provocando transformações profundas em todas as esferas sociais.
Especialmente no sistema produtivo, o reflexo do progresso tecnológico
pode ser percebido na expansão do mercado de trabalho e, consequen-
temente, na demanda por ampliação da oferta de ensino para a forma-
ção de quadros profissionais qualificados e continuamente atualizados.
Desta forma foi criado o Sistema Universidade Aberta do Brasil
(UAB) pelo Ministério da Educação no ano de 2005, em parceria com a
Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino
Superior – ANDIFES e Empresas Estatais, no âmbito do Fórum das Esta-
tais pela Educação com foco nas Políticas e a Gestão da Educação Supe-
rior. Trata-se de uma política pública de articulação entre a Secretaria de
Educação a Distância (SEED/MEC) e a Diretoria de Educação a Distância
(DED/CAPES) com vistas à expansão da educação superior, no âmbito do
Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), do qual a Universidade
Federal do Espírito Santo (UFES) faz parte.
Este fascículo foi desenvolvido de acordo com o Plano de Curso da
Disciplina Contabilidade Intermediária II a ser aplicada na modalidade
de Educação Distância do curso de Ciências Contábeis da UFES.
A contabilidade possui diversos níveis de complexidade. O nível in-
termediário envolve temas que são advindos dos conhecimentos básicos
e introdutórios, que vão se aprofundando.
Esperamos que os assuntos aqui tratados sejam de fácil assimilação.
A Contabilidade tem como finalidade evidenciar a situação patrimo-
nial e financeira das entidades, sejam com ou sem finalidade de lucro,
para as partes que se interessam pelas informações por ela geradas. Es-
sas pessoas que se utilizam da informação contábil fazem parte direta
ou indiretamente da empresa. São elas os usuários internos e externos,
apresentados no tópico “Usuários das Demonstrações Contábeis” deste
fascículo.
Além desses usuários que requerem informações necessárias para
aferição das condições em que uma empresa se encontra, bem como
procuram por meio das informações contábeis inferirem estudos para
prospecção futura, da mesma forma, também fazem uso dessas infor-

7
mações as pessoas físicas, com conhecimentos básicos de Contabilidade,
para elaborar um controle e equilíbrio nos seus orçamentos domésticos,
estruturando um modelo de contabilidade pessoal. Vocês escolheram, na
visão deste conteudista, uma profissão de natureza contínua, de aplica-
ção ilimitada e de uso global.

1.1. Conteúdo Programático


O Plano de Curso abordado na Disciplina Contabilidade Intermediá-
ria II constitui-se dos seguintes tópicos:

Quanto ao objetivo da disciplina


Expor a utilidade e a importância de cada demonstrativo contábil;
desenvolver técnicas que possibilitem a correta interpretação e elabo-
ração dos demonstrativos contábeis; identificar como as modificações
patrimoniais poderão ser representadas nos demonstrativos contábeis.

Quanto à ementa da disciplina


Princípios fundamentais de contabilidade: revisão. Estrutura Con-
ceitual Básica da Contabilidade e Pronunciamento Conceitual Básico do
Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Demonstração dos Lucros
ou Prejuízos Acumulados (DLPA). Demonstração das Mutações do Patri-
mônio Líquido (DMPL). Demonstração das Origens e Aplicações de Re-
cursos (DOAR): Apresentação. Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC).
Demonstração do Valor Adicionado (DVA). Notas Explicativas. Demons-
trações Contábeis em Moeda de Capacidade Aquisitiva Constante (CMI).

Quanto ao conteúdo programático da disciplina


Os conteúdos da disciplina Contabilidade Intermediária II são apre-
sentados a seguir:

Princípios de Contabilidade:
Em 28 de maio de 2010 o Conselho Federal de Contabilidade (CFC),
por meio da RESOLUÇÃO CFC Nº 1282/10, atualizou e consolidou os
dispositivos da Resolução CFC nº. 750/93, que dispõe sobre os Princípios
Fundamentais de Contabilidade.
Tal atualização e consolidação se deram por conta do processo de
convergência às normas internacionais de contabilidade, tendo em vista
que o Conselho Federal de Contabilidade emitiu a NBC T 1 – Estrutura

8
Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contá-
beis, que discute a aplicabilidade dos Princípios Fundamentais de Conta-
bilidade contidos na Resolução CFC n.º 750/93.
Neste sentido, a Resolução CFC n.º 750/93 foi e continuará sendo re-
ferência para outros organismos normativos e reguladores brasileiros e, em
consideração à importância do conteúdo doutrinário apresentado nesta Re-
solução, continua sendo, nesse novo cenário convergido em alicerce para o
julgamento profissional na aplicação das Normas Brasileiras de Contabilidade.
Para assegurar a adequada aplicação das Normas Brasileiras de Contabilidade
à luz dos Princípios de Contabilidade, há a necessidade de harmonização dos
dois documentos vigentes (Resolução CFC n.º 750/93 e NBC T 1).
Por conta dessa harmonização, o CFC alterou a denominação de Prin-
cípios Fundamentais de Contabilidade para Princípios de Contabilidade
(PC), julgando ser suficiente para o perfeito entendimento dos usuários
das Demonstrações Contábeis e dos profissionais da Contabilidade.
A aplicação dos postulados, dos princípios e convenções, e alguns
exemplos práticos serão vistos dentro de cada tópico explicitado nas de-
monstrações elencadas na ementa.

Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade


Trata dos pressupostos básicos dos Regimes de Competência e da
Continuidade;
Trata das características qualitativas das Demonstrações Contá-
beis, quais sejam: compreensibilidade, relevância / materialidade,
confiabilidade, comparabilidade;
Trata dos atributos que devem ser observados para alcançar a
confiabilidade da informação contábil, que são a: representação
adequada, primazia da essência sobre a forma, neutralidade, pru-
dência, integridade;
Trata das limitações na relevância e na confiabilidade da infor-
mação contábil, definidas como: tempestividade, equilíbrio entre
custo e benefício, equilíbrio entre características qualitativas.

Balanço Patrimonial (BP) e Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)


Revisão e combinação com as demais demonstrações.

Demonstração do Resultado Abrangente (DRE-A)


Aspectos introdutórios;
Métodos de elaboração;
Técnicas de elaboração.

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Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA)
Aspectos Introdutórios;
Conteúdos, forma de elaboração;
Forma de apresentação; origem das parcelas;
Substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumula-
dos pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)


Aspectos Introdutórios;
Mutações nas contas patrimoniais;
Técnicas de elaboração;
Apresentação;
Aplicação às Companhias Abertas.

Demonstrações dos Fluxos de Caixa (DFC)


Aspectos Introdutórios;
Métodos de elaboração;
Técnicas de elaboração.

Demonstração do Valor Adicionado (DVA)


Aspectos introdutórios;
Métodos de elaboração;
Técnicas de elaboração.

Notas Explicativas:
Aspectos introdutórios: as notas explicativas conforme a lei das socie-
dades por ações e normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM);
Comentários sobre as notas da Lei das Sociedades por Ações;
Outras notas explicativas;
Notas explicativas em demonstrações contábeis comparativas
de acordo com as normas brasileiras de contabilidade técnicas
(NBC T’s) emanadas do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

Metodologia de Avaliação
A metodologia de avaliação é constituída pelas diretrizes para o Ensino
Superior a Distância estabelecidas pela UFES.

10
2 Introdução e histórico
A Contabilidade tem como objetivo básico o controle do patrimônio das
entidades com ou sem finalidades de lucro, bem como o das pessoas naturais.
A principal finalidade da Contabilidade é fornecer informações para
serem usadas pelos usuários no processo decisório. Diante disso, a Con-
tabilidade identifica, mensura e demonstra os eventos econômicos de
uma entidade.
A Contabilidade possui diversos níveis de complexidade. O nível in-
termediário envolve temas que extrapolam conhecimentos básicos mais
aprofundados no pressuposto de formar um alicerce para os temas apli-
cados no nível avançado.

3 Objetivo das demonstrações


contábeis
O objetivo das Demonstrações Contábeis é fornecer informações so-
bre a posição patrimonial e financeira, o desempenho e as mudanças na
posição patrimonial e financeira da entidade, que sejam úteis a um grande
número de usuários em suas avaliações e tomadas de decisões econômicas.
As Demonstrações Contábeis buscam atender às necessidades co-
muns da maioria dos seus usuários. Entretanto, elas não fornecem todas
as informações que os usuários possam necessitar, uma vez que retratam
os efeitos financeiros de acontecimentos passados e não incluem, neces-
sariamente, informações não-financeiras.
As Demonstrações Contábeis também objetivam apresentar os re-
sultados da atuação da administração na gestão da entidade e sua ca-
pacitação na prestação de contas quanto aos recursos que lhe foram
confiados. Aqueles usuários que desejam avaliar a atuação ou prestação
de contas da administração fazem-no com a finalidade de estar em con-
dições de tomar decisões econômicas que podem, por exemplo, incluir,
manter ou vender seus investimentos na entidade, reeleger ou substituir
os membros da administração.

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4 Usuários das demonstrações
contábeis
Os usuários das Demonstrações Contábeis podem ser classificados
em internos e externos.

Usuários internos: são todas as pessoas ou grupos de pessoas rela-


cionadas com a empresa e que têm facilidade de acesso às informações
contábeis, tais como:

Gerentes ou Administradores: para a tomada de decisões.


Funcionários e empregados: com interesses em melhorias e bene-
fícios estão interessados em informações sobre a estabilidade e
a lucratividade de seus empregadores. Interessam-se por infor-
mações que lhes permitam avaliar a capacidade da entidade de
prover sua remuneração, seus benefícios e suas oportunidades de
emprego, bem como mensurar o quanto o seu trabalho agrega de
valor ao negócio.
Diretores: para a execução de planejamentos organizacionais.

O usuário interno principal na organização é a alta-administração


que, pela proximidade à Contabilidade, pode solicitar a elaboração de
relatórios específicos para auxiliar na gestão dos negócios. A alta-admi-
nistração pode utilizar a contabilidade em diferentes situações, para de-
cidir sobre um novo produto, a elaboração de um projeto para conhecer
a viabilidade econômico-financeira de um produto, empreendimento ou
de um negócio, entre outras decisões.
Os relatórios específicos podem abranger quaisquer áreas de infor-
mação (fluxo financeiro, disponibilidades, contas a receber, contas a pa-
gar, custos de fabricação ou de venda, despesas de funcionamento, entre
outras) e podem ser elaborados em períodos determinados (diariamente,
semanalmente, mensalmente, entre outros períodos, de acordo com as
necessidades da organização.

Usuários externos: são todas as pessoas ou grupos de pessoas quem


não têm a mesma facilidade de acesso direto às informações, mas que as
recebem por meio de publicações.

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Estes usuários possuem acesso mais limitado às informações, tendo
em vista a menor possibilidade de obter essas informações sobre a en-
tidade. Para esses usuários as fontes de informações importantes são as
Demonstrações Financeiras publicadas, apuradas em conformidade com
as normas e práticas contábeis vigentes.

Bancos: interessados nas demonstrações financeiras a fim de ana-


lisar essa concessão de empréstimos e financiamos e medir essa
capacidade de retorno do capital emprestado.
Concorrentes: interessados em conhecer a situação da empresa
para poderem atuar no mercado.
Governos e suas Agências: necessitam obter informações sobre as
receitas e as despesas para poder, essa atuar sobre o resultado
operacional no que concerne à parcela de tributação e planeja-
mento macroeconômico (base para determinar a renda nacional
e estatísticas para fins diversos). Além disso, os governos e suas
agências estão interessados na destinação de recursos e, portanto,
nas atividades das entidades. Necessitam também de informações
a fim de regulamentarem essas atividades das entidades e estabe-
lecerem políticas fiscais.
Clientes: interessados em medir a integridade da empresa e a ga-
rantia que seu pedido será atendido nas especificações e termos
contratuais ajustados. Os clientes também têm interesse em in-
formações sobre a continuidade operacional da entidade, espe-
cialmente quando têm um relacionamento a longo prazo com ela,
ou dela dependem como fornecedor importante.
Fornecedores: interessados em conhecer a situação da empresa
para poderem continuar ou não as transações comerciais, além de
avaliarem a capacidade futura de recebimento.
Investidores: provedores de capital de risco e seus analistas que se
preocupam com o risco inerente ao investimento e ao retorno que
ele pode produzir. Eles necessitam de informações para ajudá-los
a decidir se devem comprar, manter ou vender investimentos. Os
acionistas também estão interessados em informações que os ha-
bilitem a avaliar se a entidade tem capacidade de pagar dividendos.
Outros credores por empréstimos: são os interessados em informa-
ções que lhes permitam determinar a capacidade da entidade para
pagar seus empréstimos e os correspondentes juros no vencimento.
Outros Credores Comerciais: além dos fornecedores, outros credo-
res estão interessados em informações que lhes permitam avaliar

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se as importâncias que lhes são devidas serão pagas nos respec-
tivos vencimentos. Os credores comerciais provavelmente estão
interessados em uma entidade por um período menor do que os
credores por empréstimos, a não ser que dependam da continui-
dade da entidade como um cliente importante.
Público (outros usuários): As entidades afetam o público de diversas
maneiras. Elas podem, por exemplo, fazer contribuição substancial
à economia local de vários modos, inclusive empregando pessoas e
utilizando fornecedores locais. As Demonstrações Contábeis podem
ajudar o público fornecendo informações sobre a evolução do de-
sempenho da entidade e os desenvolvimentos recentes.

5 Legislação societária
No Brasil, a Contabilidade é regulada pela Lei das Sociedades Anô-
nimas, Lei nº 6.404/76 e suas alterações. Em 28 de dezembro de 2007,
foi sancionada a Lei nº 11.638/07, que introduziu modificações na Lei nº
6.404/76, em suas disposições de natureza contábil, sendo que alguns
ajustes são relativos à situação de natureza tributária. Essa lei entrou em
vigor em primeiro de janeiro de 2008.
As Demonstrações Contábeis de algumas sociedades, referentes ao exer-
cício findo em 31 de dezembro de 2008, foram preparadas de acordo com as
práticas contábeis adotadas no Brasil, com base nas disposições contidas na Lei
das Sociedades por Ações, Lei nº 6.404/76, alterada pela Lei nº 11.638/07 e pela
Medida Provisória no. 449/08 convertida na Lei nº 11.931/09, bem como nas
normas estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM)1, nos Pro-
nunciamentos, nas Orientações e nas Interpretações emitidas pelo Comitê de
Pronunciamentos Contábeis (CPC).
Outras sociedades, mesmo não havendo exigência, se antecederam e pu-
blicaram suas Demonstrações Contábeis referentes ao exercício findo em 31 de
dezembro de 2007 de acordo com a nova lei, para o fim de possibilitar a com-
parabilidade com o exercício findo em 31 de dezembro de 2008 e seguintes.

1 Comissão de Valores Mobiliários - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia


vinculada ao Ministério da Fazenda do Brasil, instituída pela Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976,
e juntamente com a Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76) disciplinará o funcionamento do
mercado de valores mobiliários e a atuação de seus protagonistas. A CVM tem poderes para disciplinar,
normatizar e fiscalizar a atuação dos diversos integrantes do mercado. Seu poder normatizador
abrange todas as matérias referentes ao mercado de valores mobiliários.  

14
5.1. Adoção Inicial da Lei nº 11.638/07 e Medida
Provisória no 449/08

As Demonstrações Contábeis para o exercício findo em 31 de de-


zembro de 2008 foram as primeiras apresentadas de acordo com as
novas práticas contábeis adotadas no Brasil. Essas Demonstrações Con-
tábeis foram preparadas de acordo com o Pronunciamento Contábil CPC
nº 13 aprovado pela Deliberação CVM no. 565/08.

5.2. Sumário das Práticas Contábeis Modificadas


A seguir são apresentadas as principais alterações nas práticas con-
tábeis promovidas pela Lei nº 11.638/07 e pelos artigos 36 e 37 da Me-
dida Provisória no. 449/08. Alterações estas também feitas por meio de
normas estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pelos
pronunciamentos, orientações e pelas interpretações emitidas pelo Co-
mitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Todo este arcabouço aplicá-
vel às sociedades mercantis surgiu para ser adotado para elaboração das
Demonstrações Contábeis referentes ao exercício findo em 31 de dezem-
bro de 2008. As principais alterações são as seguintes:

a) Substituição da Demonstração das Origens e Aplicações de Re-


cursos pela Demonstração do Fluxo de Caixa.
b) Eliminação da rubrica “Resultados Não Operacionais” na de-
monstração do resultado conforme regulamentado pela Medida
Provisória no. 449/08, sendo os saldos registrados na conta de ou-
tras receitas e despesas operacionais;
c) Eliminação da reserva de reavaliação de ativos. Os saldos existentes
nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até sua efetiva rea-
lização ou deveriam ter sido estornados até o fim do exercício social
em que a lei entrou em vigor, neste caso, em 31 de dezembro de 2008.

A nova lei surgiu trazendo mudança de filosofia, postura e pensa-


mento, e introduziu novos conceitos quanto a alguns aspectos que a
seguir são relatados.

15
5.3. Primazia da Essência sobre a Forma
Considerada uma das mudanças mais relevantes, para que a infor-
mação represente adequadamente as transações e outros eventos que
ela se propõe a representar. Este tópico leva em consideração a subs-
tância e a realidade econômica, e não meramente sua forma legal. A
essência das transações ou outros eventos nem sempre é consistente
com o que aparenta ser com base na sua forma legal ou artificialmente
produzida. Por exemplo, uma entidade pode vender um ativo a um ter-
ceiro de tal maneira que a documentação indique a transferência legal
da propriedade a esse terceiro. Entretanto, poderão existir acordos que
assegurem que a entidade continuará a usufruir os futuros benefícios
econômicos gerados pelo ativo e o recomprará depois de certo tempo
por um montante que se aproxima do valor original de venda acrescido
de juros de mercado durante esse período. Em tais circunstâncias, repor-
tar a venda não representaria adequadamente a transação formalizada.

5.4. Primazia da Análise de Riscos e Benefícios


Sobre a Propriedade Jurídica

A nova Lei nº 11.638/07 introduziu alterações nos critérios de conta-


bilização e mensuração relativas a ativos imobilizados. A nova lei incluiu
um novo conceito para classificação no ativo imobilizado: de acordo
a nova lei são classificados como imobilizados os bens decorrentes de
operações em que haja a transferência de benefícios e controle do risco,
independentemente de haver a transferência de propriedade. Uma vez
estando presentes esses atributos, o ativo precisa ser contabilizado no
balanço da entidade, independentemente da propriedade jurídica.
Neste caso, a Lei nº 11.638/2007 modificou a definição do Imobili-
zado, baseada, fundamentalmente, na “Primazia da Análise de Riscos e
Benefícios Sobre a Propriedade”. Com isso a alteração no artigo 179, IV,
da Lei nº 6.404/76, promove a convergência às práticas das normas in-
ternacionais (IAS 17), qualificando as operações que transfiram a com-
panhia os benefícios, riscos e controle de bens como, por exemplo, as
operações de leasing financeiro incluídas, a partir do novo texto, no
ativo imobilizado.

16
5.5. Normas Orientadas em Princípios e Julgamentos
Esta é uma adoção da filosofia de que as normas contábeis devem ser
posicionadas nos princípios e nos objetivos do que se pretende obter com
a informação do que em observância a um enorme conjunto de regras.
Nesse caso o contador passa a ter um poder de responsabilidade
incrementado, bem como a entidade e a gestão, de igual modo, au-
menta-se a responsabilidade do auditor, que precisa ter conhecimento
da operação registrada e de sua essência econômica para fazer o exercí-
cio de julgamento ou opinião profissional.

5.6. Estrutura Conceitual Básica da Contabilidade


As Demonstrações Contábeis são preparadas e apresentadas para
usuários externos em geral, tendo em vista suas finalidades distintas e
necessidades diversas. Governos, órgãos reguladores ou autoridades fis-
cais, por exemplo, podem especificamente determinar exigências para
atender a seus próprios fins.
O Pronunciamento Conceitual Básico do Comitê de Pronunciamen-
tos Contábeis (CPC) é uma tradução do documento original Framework
for the Preparation and Presentation of Financial Statements do Inter-
national Accounting Standards Booard (IASB).
O CPC tem por objetivo estudar, preparar e emitir pronunciamentos
técnicos sobre procedimentos de contabilidade e divulgar informações
dessa natureza, visando a permitir a emissão de normas uniformes pelas
entidades-membro, levando sempre em consideração o processo de con-
vergência às normas internacionais.
O CPC é composto em sua maior parte por instituições representa-
tivas dos contadores. Atualmente o CPC é composto por seis entidades:

a) Associação Brasileira das Companhias Abertas (ABRASCA);


b) Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do
Mercado de Capitais (APIMEC);
c) Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA);
d) Conselho Federal de Contabilidade (CFC);
e) Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Finan-
ceiras (FIPECAFI/USP); e
f) Instituto dos Auditores independentes do Brasil (IBRACON).

17
Em 28 de março de 2008 o Conselho Federal de Contabilidade apro-
vou por meio da Resolução CFC nº. 1.121/08 a NBC T 1, a “Estrutura Con-
ceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis”.
Essa estrutura conceitual havia sido adotada pelo IASB em abril de 2001.
Essa estrutura conceitual é considerada como mais abrangente do
que a Resolução CFC nº 750/93 que trata dos Princípios Fundamentais
de Contabilidade, e do que a Deliberação CVM nº 29/86, que trata dos
Princípios Contábeis Geralmente Aceitos.
A expressão “princípios contábeis” foi originada pela Circular nº
179/72 do Banco Central e pela Resolução nº 321/72 do CFC.
O Pronunciamento Conceitual Básico tem como objetivo assegu-
rar que as Demonstrações Contábeis elaboradas forneçam informações
sobre a posição patrimonial e financeira da entidade, sobre seu desem-
penho e sobre as modificações na sua posição financeira. Esse pronun-
ciamento definiu que, para que as normas contábeis brasileiras sejam
convergentes com as normas contábeis internacionais, seria necessária a
aplicação dos seguintes pressupostos:

Pressupostos Básicos
Regime de Competência;
Continuidade.

Características Qualitativas das Demonstrações Contábeis


Compreensibilidade;
Relevância / Materialidade;
Confiabilidade; e
Comparabilidade.

Essas características são os atributos que tornam as Demonstrações


Contábeis úteis para seus usuários.

Atributos que devem ser observados para alcançar a


“Confiabilidade da Informação” contábil
Representação Adequada;
Primazia da Essência sobre a Forma;
Neutralidade;
Prudência; e
Integridade.

18
Limitações na Relevância e na Confiabilidade da Informação
Contábil
Tempestividade;
Equilíbrio entre Custo e Benefício; e
Equilíbrio entre Características Qualitativas.

Visão Verdadeira e Apropriada (True and Fair View)


A aplicação das principais características qualitativas e de normas
e práticas de contabilidade apropriadas normalmente resultam em De-
monstrações Contábeis que refletem aquilo que geralmente se entende
como apresentação verdadeira e apropriada das referidas informações
(true and fair view).

6 Princípios de contabilidade
Os Princípios Fundamentais de Contabilidade aplicados no Brasil, Os Princípios
anteriormente conceituados como PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS, desde Fundamentais de
Contabilidade e
28 de maio de 2010, por ato do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), os Princípios de
por meio da RESOLUÇÃO CFC Nº 1282/10, passaram a ser conceituados Contabilidade, de
acordo com as
como PRINCÍPIOS DE CONTABILIDADE. Resoluções CFC nº.
750/93 e 1282/10,
respectivamente,
estão disponíveis
na Plataforma
Moodle.

19
7 Demonstrações contábeis
7.1. Introdução
Recapitulando o que verificamos no item: Conteúdo Programático,
as Demonstrações Contábeis que integram a ementa são as seguintes:

1. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL;


• Substituição da Demonstração de Lucros ou Prejuízos
Acumulados – DLPA pela Demonstração das Mutações do
Patrimônio Líquido – DMPL;
2. Demonstração dos Fluxos de Caixa – DFC;
• Substituição da Demonstração de Origens e Aplicações de
Recursos – DOAR pela DFC;
3. Demonstração do Valor Adicionado – DVA;
4. Notas Explicativas;
5. Demonstrações Contábeis em Moeda de Poder Aquisitivo Constante

7.2. Demonstrações Contábeis (Financeiras)


Entre os relatórios contábeis, os mais importantes são as Demons-
trações Financeiras (terminologia utilizada pela lei das S/A), ou Demons-
trações Contábeis (terminologia preferida pelos contadores).

7.3. Demonstrações Contábeis pela Lei nº 6.404/76


A Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A) estabelece que ao fim de cada exer-
cício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração contábil,
as seguintes Demonstrações Contábeis:

a) Balanço Patrimonial (BP);


b) Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);
c) Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) (in-
clusa a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);
d) Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR);
e) Notas Explicativas.

20
7.4. Demonstrações Contábeis Instituídas pela Lei
nº 11.638/07
A Lei nº 11.638/07 introduziu novas disposições à Lei nº 6.404/76
acerca da escrituração e elaboração de Demonstrações Contábeis (obri-
gatoriamente auditadas para as companhias de grande porte), mesmo
que não sejam sociedades por ações.

Modificações introduzidas pela Lei nº 11.638/2007


Como observado, antes da Lei nº 11.638/07 tínhamos como obriga-
tórias as seguintes demonstrações:

Balanço Patrimonial (BP);


Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);
Demonstração de Origens e Aplicações dos Recursos (DOAR).

Com o advento da Lei nº 11.638/07 surgiram como obrigatórias as


seguintes novas demonstrações:

Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC); e


Demonstração de Valor Adicionado (DVA), sendo esta exclusiva
para companhias de capital aberto.

Note que a DOAR não é mais obrigatória. Houve a substituição da


DOAR pela DFC. A DOAR não foi abolida do conceito contábil, apenas
não é mais obrigatória pela Lei das S/A. A DFC passou a ser obrigatória
para todas as companhias abertas e para todas as companhias fechadas
com Patrimônio Líquido superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões) de re-
ais na data do balanço.
A outra modificação introduzida pela Lei nº 11.638/2007, é a intro-
dução obrigatória da DVA para todas as companhias abertas. Assim, a
Demonstração de Origens e Aplicações dos Recursos deixou de ser obri-
gatória e surgiu a Demonstração dos Fluxos de Caixa como obrigatória.
A sua elaboração e publicação não será obrigatória para companhias
fechadas com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a dois
milhões de reais. A Demonstração de Valor Adicionado tornou-se obri-
gatória apenas para as companhias de capital aberto.

21
8 Demonstrações das mutações
do patrimônio líquido (DMPL)
8.1. Introdução
Esta demonstração não é de divulgação obrigatória pela Lei nº
6.404/76 e nº 11.638/07. Porém a sua publicação é exigida pela CVM, de
acordo com a Instrução CVM nº 59, de 22/12/86, para as companhias de
capital aberto.
Na apresentação e divulgação da DMPL a Demonstração de Lucros
ou Prejuízos Acumulados passa a ser parte integrante desta demonstra-
ção, não necessitando, portanto, a divulgação das duas demonstrações.

Utilidade da DMPL
Fornece a movimentação ocorrida nas diversas contas que com-
põem o grupo de Patrimônio Líquido;
Indica o fluxo movimentado de uma conta para outra;
Indica a origem e o valor de cada acréscimo ou diminuição no Pa-
trimônio Líquido;
Fornece informações complementares ao Balanço Patrimonial e à
Demonstração do Resultado do Exercício.

A DMPL tem como importância os seguintes aspectos


Indica a formação e utilização de todas as reservas;
Esclarece sobre o cálculo dos dividendos obrigatórios;
Auxilia na elaboração da Demonstração das Origens e Aplicações
de Recursos;
Auxilia na avaliação dos investimentos pelo método de equiva-
lência patrimonial.

Mutações das contas patrimoniais


As operações que formam a mutação patrimonial consistem nos se-
guintes destaques demonstrados a seguir:

a) Operações que não influenciam no total do Patrimônio Líquido:


• Transferências das contas de Reservas para a conta de Capital;

22
• Transferência da conta de Lucros Acumulados para a
conta Capital;
• Reversões de Reservas da conta de Lucros do período
para Lucros Acumulados.

b) Operações que modificam o total do Patrimônio Líquido:


• Aumento da conta Capital com incorporação de bens
ou dinheiro;
• Entrada de novas Reservas de Capital;
• Ajustes de Avaliação Patrimonial;
• Acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido
do exercício;
• Acréscimo ou redução por ajustes de exercícios anteriores;
• Distribuição de lucros (dividendos).

Técnica de preparação da DMPL


A preparação dessa demonstração é de fácil entendimento, tendo
em vista que basta representar de forma resumida as movimentações
ocorridas durante o exercício nas diversas contas do Patrimônio Líquido.
A técnica mais apropriada é abrir um papel de trabalho e fazer constar
de forma sumariada e coordenada a movimentação ocorrida durante o
exercício nas diversas contas do Patrimônio Líquido. Essa movimentação
deve ser extraída das fichas do Livro Razão dessas contas, levando em
consideração alguns procedimentos a serem seguidos.
Os procedimentos a serem seguidos são:

1. Abrir um papel de trabalho colunado, no qual se transcreve, no topo


de cada coluna, os nomes das contas, reservando espaço nas primeiras
colunas para descrição da natureza das transações, e uma coluna final
para o total;
2. Transcrever o saldo de abertura de cada conta na data do Balanço Fi-
nal do exercício anterior;
3. Somar os saldos por conta para preencher a coluna “Total”;
4. Adicionar ou subtrair os movimentos ocorridos nas referidas contas, no
período, abrindo linhas para cada natureza de transação;
5. Totalizar, ao final, as colunas, cujos saldos devem coincidir com os sal-
dos do Balanço, e totalizar também as linhas.

A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido pode ser


apresentada de duas formas, a saber:

23
Modelo detalhado
Possui a vantagem de ser mais completa e demonstra o movimento
em cada conta do patrimônio. Este modelo é demonstrado no Quadro 1.

Quadro 1 – Modelo detalhado da DMPL


Reserva de
Movimentações Reservas de Lucro
Capital
Lucros ou
Capital
Ágio na Prejuízos Total
Saldo em realizado Lucros a Acumulados
Emissão de Legal Estatutária Contingência Orçamentária
31-12-X7 realizar
Ações

(+ -) Ajustes
de Exercícios
Anteriores

Aumento
de Capital

Reversões de
Reservas

Lucro Líquido do
Exercício

Proposta da
Administração de
Destinação do lucro

Reserva Legal

Reserva estatutária

Reserva
orçamentária

Reserva de
Contingências

Reserva de Lucros a
Realizar

Dividendos

Saldos em
31-12-X8
Fonte: o autor

24
Modelo sumariado
Por esse modelo a técnica de preparação tem como objetivo uma
apresentação mais objetiva. Nesse modelo as reservas de capital e as re-
servas de lucros são apresentadas por seu total, e não por conta.
Quando adotado o modelo sumariado, as contas do Patrimônio Lí-
quido devem estar expostas individualmente no Balanço, de forma que
seus subtotais coincidam com os totais das colunas da Demonstração
das Mutações do Patrimônio Líquido. Esta forma de apresentação pode
ser observada no Quadro 2.

Quadro 2 – Modelo sumariado da DMPL

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido do Exercício Findo em 31-12-X9

Capital Reservas de Reservas de Lucros


Natureza das transações Total
realizado Capital Lucros Acumulados

1 - Saldos em 31-12-X7

2 - Ajustes de Exercícios Anteriores:

Efeitos da mudança de critérios


contábeis
Retificação de erros de exercícios
anteriores
3 - Aumento de Capital

Com lucros e reservas

Por subscrição realizada

4 - Reversões de reservas:

De Contingências

De Lucros a realizar

5 - Lucro Liquido do exercício

6 - Proposta de destinação do lucro

Transferência para reservas:

Reserva Legal

Reserva de Lucros a Realizar

Dividendos a distribuir (R$ por ação)

7 - Saldos em 31-12-X8

Fonte: o autor

25
De forma alternativa, a DMPL pode ser preparada e apresentada
como uma informação complementar em Nota Explicativa às Demons-
trações Contábeis. Neste caso, a empresa, se assim proceder, terá que
publicar a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados formando
o conjunto das Demonstrações Contábeis.

8.2. Resumo do capítulo


1. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia
a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido, sendo que
a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados incluída nesta),
evidencia a movimentação de uma única conta do Patrimônio Líquido
(Lucros Acumulados).

2. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido não é exi-


gida pela Lei das S.A., e sim pela Comissão de Valores Mobiliários para as
companhias abertas, por ser mais completa e abrangente que a Demons-
tração de Lucros ou Prejuízos Acumulados;

3. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido evidencia


a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido ocorrida du-
rante o exercício, e é importante para as empresas que avaliam seus in-
vestimentos permanentes em coligadas ou controladas pelo método da
Equivalência Patrimonial.

26
9 Demonstrações de lucros ou
prejuízos acumulados (DLPA)
9.1. Introdução
Conforme explanado anteriormente, a Lei nº 6.404/76, alterada pela
nº Lei 11.638/07, prevê quais Demonstrações Contábeis devem ser elabo-
radas pelas companhias ao final de cada exercício social:

Balanço Patrimonial (BP);


Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA);
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE);
Demonstração do Resultado Abrangente (DRE-A);
Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC);
Demonstração de Valor Adicionado (DVA), sendo esta exclusiva
para companhias de capital aberto.

Estudaremos a partir de agora a Demonstração de Lucros ou Prejuízos


Acumulados (DLPA), cujo objetivo é possibilitar a evidenciação clara do
lucro ou prejuízo do período, a sua distribuição e a movimentação ocor-
rida entre períodos no saldo da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados.

Momento de elaboração da DLPA


A DLPA deverá ser elaborada após todos os ajustes finais, ou seja,
após o levantamento do Balanço Final do exercício e encerramento do
resultado do exercício.

Importância da DLPA
Essa demonstração assume importância tendo em vista a distribui-
ção do dividendo obrigatório, bem como a possibilidade de segregar as
parcelas do lucro do exercício para formação da reserva legal, das reser-
vas de lucros a realizar e das reservas para contingências, reservas essas
que estarão sujeitas a dividendos obrigatórios, quando forem revertidas
para a conta de Lucros Acumulados.
Na Figura 1 é apresentado um esquema demonstrando a integração
da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados com o Balanco Pa-
trimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício.

27
Figura 1 – Esquema gráfico – integração da DLPA com o BP e DRE

1
-

- 2 =
= -
=

Fonte: Iudícibus, Marion (1995,pag.)

28
Entendendo a integração entre a DPLA e o BP e DRE, demonstrada
na Figura 1:

1. O saldo inicial da DLPA é o mesmo registrado no Patrimônio Lí-


quido no início do exercício;

2. O resultado das operações realizadas durante o exercício (de-


monstrado pela DRE) é acrescido ou diminuído do saldo inicial. Outras
movimentações do Patrimônio Líquido, como distribuição de dividendos,
por exemplo, também são evidenciadas na DLPA;

3. O saldo final do exercício demonstrado na DLPA é exatamente o


mesmo saldo do Patrimônio Líquido do exercício subsequente após ajus-
tes, demonstrado no Balanço Patrimonial.

Obrigatoriedade de elaborar e publicar a DLPA


De acordo com a Lei nº 11.638/07 as sociedades de grande porte2,
ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações de ca-
pital aberto, deverão seguir as disposições da lei societária, no que tange
à elaboração de Demonstrações Financeiras.

Características informacionais da DLPA


A DLPA possui capacidade de responder às seguintes perguntas dos
usuários da informação contábil:

Qual foi o resultado do período (lucro ou prejuízo)?


Quais eram os resultados acumulados?
Quais foram as destinações do resultado (constituição de reservas,
aumento de capital ou distribuição de lucros)?

Com o advento da Lei nº 11.638/07, para as sociedades por ações


e para os balanços do exercício social terminado a partir de 31 de de-
zembro de 2008, o saldo final de “Lucros ou Prejuízos Acumulados” não
poderá mais ser credor. Isto não significa, entretanto, que a conta “Lu-
cros Acumulados” deixou de existir. Porém, essa conta possui natureza
transitória, e será utilizada para servir de contrapartida às reversões das
reservas de lucros e às destinações do lucro.

2 Incluem-se no conceito de sociedade de grande porte as sociedades que, individualmente ou em


conjunto com outras sociedades sob o mesmo controle, tiverem, no exercício social anterior, ativo
total superior a R$240 milhões ou receita bruta anual superior a R$300 milhões.

29
Conteúdo e forma de elaboração
De acordo com o Art. 186 da Lei nº 6.404/76, a DLPA discriminará:

I- o saldo do início do período e os ajustes de exercícios anteriores;


II- as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
III- as transferências para reservas, os dividendos, a parcela do lucro
incorporada ao capital e o saldo do período.

Conforme comentado, de acordo com a Lei das S/A, essa demons-


tração dever ser elaborada e apresentada da seguinte forma:

Quadro 3 – Forma de elaboração da DLPA

Descrição 2009 2008

Saldo no início do período

(+/-) Ajustes de exercícios anteriores:

Efeitos da mudança de critérios contábeis

Retificações de erros

Reversão de reservas:

De contingências

De lucros a realizar

Lucro líquido do exercício

Saldo disponível

Proposta da administração para distribuição do lucro

Reserva legal

Reservas estatuárias

Reservas para contingências

Reserva orçamentária

Reserva de Lucros a Realizar

Dividendos a distribuir ($0,000 por ação)

Saldo no final do período

Fonte: o autor

30
Origem das parcelas:
a) Ajuste de exercícios anteriores - serão registradas diretamente
na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, sem afetar as receitas ou
despesas do período

Como exemplos:
1. alteração do método de avaliação dos estoques (do custeio di-
reto para o custeio por absorção ou do FIFO (First In, first Out),
que em português significa primeiro a entrar, primeiro a sair, para
Custo Médio, entre outros);
2. passagem do regime de caixa para o de competência, na conta-
bilização do Imposto de Renda (e outros passivos);
3. mudança no método de avaliação dos investimentos (do mé-
todo do custo para o da equivalência patrimonial).

b) Retificação de erro de exercícios anteriores

Como exemplos:
1. erros cometidos com contas patrimoniais, tais como inversão
de lançamento, contrapartida a débito em conta indevida ou con-
trapartida a crédito em conta indevida, não provocam influência
na determinação do lucro e, por inferência, no resultado tributá-
vel do exercício;
2. despesa lançada a menor do que a efetivamente paga ou incorrida;
3. receita lançada a maior ou manutenção na contabilidade de
valor de receita, cuja Nota Fiscal já foi objeto de cancelamento;
4. falta de registro referente a baixa de bens do ativo permanente.

c) Reversões e Transferências de Reservas - Quando a reserva


perde seu objetivo. Neste caso, pode ser revertida para distribuição de
dividendos, e aumento de capital.

Exemplos:
1. Reversão da Reserva de Expansão;
2. Transferência - Quando ocorre a transferência do saldo de uma
reserva para outra;
3. Transferência do saldo total ou parcial da conta de Reserva de
Capital para a conta de Reserva de Lucro.

31
d) Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício - As participações nos
lucros já foram computadas nesse resultado.

e) Transferência para Reservas - Apropriação do lucro. Transfe-


rências para Reservas Patrimoniais (Legal Estatutária e Lucros a Realizar).

f) Dividendos - O estatuto social da companhia poderá estabele-


cer os critérios de determinação dos dividendos, desde que sejam regu-
lados com precisão e minúcia e não sujeitem os acionistas minoritários
ao arbítrio dos órgãos da administração ou da maioria. Na hipótese do
estatuto ser omisso, os acionistas têm direito de receber como dividendo
obrigatório a metade do lucro líquido ajustado.

g) Lucro Líquido ou prejuízo ajustado


Lucro Líquido do exercício:

(+/-) Quota destinada à constituição da Reserva Legal;


(-) Valor destinado à formação da Reserva para Contingências;
(-) Lucro a Realizar transferidos para a respectiva Reserva;
(+) Reversão das Reservas para Contingências formadas em exercícios
anteriores;
(+) Reversão de Reservas de Lucros a Realizar, não usado.

Dividendos por Ação:


A DLPA deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital
social. Pode ser indicada na própria linha que indica o valor dos dividen-
dos. Essa informação é uma das que mais influencia o valor da ação no
mercado.

Cálculo do dividendo por ação do Capital Social:

Dividendos distribuídos (ou a distribuir) no ano


Número de ações em circulação

32
10 Inclusão da DLPA na (DMPL)
De acordo com o artigo 186, § 2º da Lei nº 6.404/76, adiante transcrito,
a companhia poderá, à sua opção, incluir a demonstração de lucros ou pre-
juízos acumulados nas demonstrações das mutações do patrimônio líquido.

“A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o


montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser inclu-
ída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elabo-
rada e publicada pela companhia.”

A Lei nº 11.638/07 mantém a mesma opção de acordo com o §2º do


art. 186 da Lei 6.404/76, que estabelece que a DLPA, poderá ser incluída
na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e pu-
blicada pela companhia. Portanto, a DMPL pode substituir a DLPA e não
haveria então a necessidade de elaborar e publicar as duas demonstra-
ções. A DLPA é obrigatória para as sociedades limitadas e outros tipos de
empresas, conforme a legislação do Imposto de Renda (art. 274 do RIR/99).

Exemplo de Estruturação da DLPA, com os dados que se seguem:

• O lucro antes do Imposto de Renda é R$ 50.000.


• O lucro servirá de base para o cálculo do Imposto de Renda à razão de 15%.
• A reserva legal será calculada dentro dos limites permitidos por lei.
• A política de distribuição de dividendos é de 50% sobre o capital.
• Foi aprovado um projeto de expansão da fábrica, sendo que, durante 5
anos serão extraídos 20% do Lucro, destinado aos projetos de expansão
da empresa.
• Não serão constituídas outras reservas.
• O Capital Social Integralizado é constituído por 4.000 ações ordinárias.

33
Resolução:
Cia Teste
Situação em 31-12-2009
Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
Lucro antes do IR 50.000,00
( - ) Provisão para IR 7.400,00

Lucro líquido 42.600,00


Lucro líquido por ação de capital (42.600/4.000) 10.625

Cia Teste
Situação em 31-12-2009
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA
Saldo inicial 42.600,00
(+/-) Lucro Líquido do Exercício 42.600,00

( - ) Reserva Legal (5% do Lucro Líquido) 2.125,00


( - ) Reserva Orçamentária (de expansão)
8.075,00
(20% do Lucro Líquido)
Subtotal 32.300,00
( - ) Dividendos (50% Capital) 2.000,00
Saldo Final 30.300,00
Fonte: o autor

10.1. Resumo do capítulo


1. A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados serve de
“ponte” entre a Demonstração do Resultado do Exercício e o Balanço Pa-
trimonial, uma vez que após apurar o lucro do exercício elabora-se o Ba-
lanço Patrimonial, somando-se o lucro ou prejuízo apurado no exercício
ao saldo remanescente de lucros ou prejuízos acumulados. Em seguida
reconhece-se as destinações para as contas de reservas e, em seguida
constituir-se a proposta de distribuição de dividendos.

2. As possíveis classificações que podem ser dadas com relação às


distribuições dos lucros são:
Reservas de Lucros que podem ser reserva legal, reserva estatutá-
ria, reserva para contingência, reserva orçamentária e reserva de
lucros a realizar;

34
Dividendos.
• O estatuto poderá estabelecer o dividendo com porcen-
tagem do lucro ou do capital social ou fixar outros critérios
para determiná-lo.
Se uma empresa apurar lucro em determinado exercício, poderá
destiná-lo da seguinte forma:
• Reserva Legal (5%);
• Reserva Estatutária;
• Reserva para Contingência;
• Reserva Orçamentária;
• Reserva de Lucros a Realizar;
• Dividendos.

3. A conta Ajustes de Exercícios Anteriores evidencia os efeitos da


mudança de critério contábil ou retificação de erro imputável a determi-
nado exercício anterior e que não possa ser atribuído a fatos subsequen-
tes e não deva ser considerada na DRE, pois o princípio de competência
de exercícios deve ser respeitado. Portanto, devemos incluí-la na De-
monstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados.

4. A Reserva Legal tem como finalidade assegurar a integridade do


capital social e só poderá ser utilizada para compensar Prejuízos ou au-
mentar Capital.

5. Os dividendos a distribuir devem ser calculados após obtenção


do lucro disponível, quando da elaboração da destinação do lucro na
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados.

6. A Reserva para Contingência deve ser constituída quando hou-


ver a necessidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do
lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser esti-
mado. Essa reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir
as razões que justificaram sua constituição ou em que ocorrer a perda.

7. Para constituição da Reserva Orçamentária é necessário apre-


sentar a justificativa da retenção de lucros proposta à Assembléia Geral,
devendo compreender todas as fontes de recursos e aplicação de capi-
tal, fixo ou circulante, que poderá ter duração de até cinco anos, ou, no
caso de prazo superior, deve conter um projeto de investimento com a
determinação do prazo de execução desse projeto.

35
11 Demonstração dos fluxos
de caixa (DFC)
11.1. Introdução
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) com a introdução da Lei
nº 11.638/07 passou a ser obrigatória no Brasil.

De acordo com a legislação societária (Lei nº 11.638/07):

Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar,


com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes De-
monstrações Contábeis, que deverão exprimir com clareza a situação
do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício:
I - Balanço Patrimonial;
II - Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados;
III - Demonstração do Resultado do Exercício; e
IV – Demonstração do Fluxo de Caixa; e (Redação dada
pela Lei nº 11.638, de 2007)
V – se companhia aberta, Demonstração de Valor Adicio-
nado. (Incluído pela Lei nº 11.638, de 2007).

O objetivo primário da DFC é prover informações relevantes


quanto a pagamentos e recebimentos, em dinheiro, ocorridos num de-
terminado período.

11.2. Finalidade
A finalidade da DFC é permitir aos usuários das Demonstrações
Contábeis informações, principalmente quando analisadas em conjunto
com as demais demonstrações quanto:

a) à capacidade de a empresa gerar futuros fluxos de caixa líquidos;


b) à capacidade de a empresa honrar seus compromissos, pagar
dividendos e liquidar empréstimos contraídos;

36
c) à liquidez (capacidade de pagamento em curto prazo), solvên-
cia (capacidade de pagamento em longo prazo) e flexibilidade fi-
nanceira da empresa;
d) à taxa de conversão, ou capacidade de transformar lucro em caixa;
e) ao desempenho operacional de diferentes empresas, por elimi-
nar os efeitos de distintos tratamentos contábeis para as mesmas
transações e eventos;
f) ao grau de precisão das estimativas passadas de fluxos de futu-
ros de caixa;
g) aos efeitos, sobre a posição financeira da empresa, das transa-
ções de investimento e de financiamento, entre outros aspectos.

11.3. Definições básicas


Caixa: numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis;
Equivalentes de caixa: aplicações financeiras de curto prazo, de
alta liquidez, prontamente conversíveis em montante conhecido
de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança
de valor;
Fluxos de caixa: entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa.

11.4. Conceito da DFC


A DFC é uma Demonstração Contábil que evidencia as alterações
ocorridas durante o exercício, no saldo de caixa e equivalentes de caixa.
Evidencia também as origens e aplicações de caixa, que são a base
para a avaliação da situação financeira da empresa e sua capacidade de
pagamento de obrigações.

11.5. Regulamentação
Instituída pelos incisos IV, art. 176 da Lei nº 11.638, de 28.12.2007,
em substituição à DOAR (Demonstração das Origens e Aplicações
de Recursos)
Regulamentada pelo Pronunciamento Técnico CPC 03, relacio-
nado à norma internacional IAS7.

37
11.6. Obrigatoriedade
Para as Empresas de Capital Aberto, sendo que sua aplicação se
tornou obrigatória a partir de 01/01/2008;
Também para as Empresas de Capital Fechado, a obrigatoriedade
foi a partir de 01/01/2008, para companhias cujo Patrimônio Lí-
quido seja igual ou superior a R$ 2.000.000,00, na data do Balanço.

11.7. Objetivo da DFC


Prover informações relevantes sobre a capacidade da entidade de
geração de caixa em determinado período disponibilizando aos usuários
- investidores, credores e outros usuários - informações suficientes para
permitir uma avaliação da empresa e uma consequente tomada de deci-
são. A DFC quando analisada em conjunto com as demais demonstrações
contábeis, permite avaliar:

à capacidade de a empresa gerar futuros fluxos líquidos positivos


de caixa;
à capacidade de a empresa honrar seus compromissos, pagar divi-
dendos e retornar empréstimos obtidos;
à liquidez, solvência e flexibilidade financeira da empresa;
à capacidade de conversão de lucro em caixa;
ao grau de precisão de estimativas passadas.

11.8. Benefícios das informações geradas pela DFC:


Habilitam ao usuário avaliar a estrutura financeira da empresa
(liquidez e solvência);
Permitem a avaliação da capacidade de geração de recursos;
Permitem que as informações históricas sejam usadas como indicado-
res de valor, época e grau de segurança para fluxos de caixas futuros;
Melhoram a comparabilidade dos resultados com os de outras empresas;
Permitem examinar a lucratividade e o impacto das variações de preços.

38
11.9. Requisitos
Como requisito, a finalidade da DFC é cumprida por meio de mo-
delos adotados, que possam expressar essa finalidade, que deve atender
aos seguintes requisitos:

Evidenciar o efeito periódico das transações de caixa segregadas


por atividades operacionais, atividades de investimento e ativida-
des de financiamento;
Evidenciar, em Notas Explicativas, as transações de investimento e
de financiamento que afetam a posição patrimonial da empresa,
mas não impactam diretamente os fluxos de caixa do período.
Ex.: Dívidas convertidas em aumento de capital; doação (exceto
em dinheiro);
Reconciliar o resultado líquido (lucro/prejuízo) com o caixa líquido
gerado ou consumido nas atividades operacionais.

11.10. Equivalentes de caixa


São investimentos de altíssima liquidez, prontamente conversíveis
em uma quantia conhecida de dinheiro e que apresentam risco insigni-
ficante de alteração de valor. Na definição adotada pelo IASB, somente
investimentos resgatáveis em até 3 meses em relação à sua aplicação são
considerados como equivalentes de caixa.

11.11. Classificação das movimentações de caixa


As movimentações de caixa podem ser classificadas de três formas
distintas, a saber:

movimentação por atividades operacionais;


por atividades de investimentos; e
por atividades de financiamento.

Estudaremos cada uma delas a seguir.

39
11.12. Atividades operacionais
Envolvem todas as atividades relacionadas com a produção e a
entrega de bens e serviços e com os eventos que não sejam defi-
nidos como atividades de investimento e financiamento.
Normalmente relacionam-se com as transações que aparecem na
Demonstração de Resultados.

Quadro 4 – Atividades Operacionais da DFC

Atividades Operacionais

Entradas Saídas

Pagamento a fornecedores,
Recebimento pela venda de produtos
pagamento do principal dos títulos
e serviços à vista, ou a prazo e
de curto ou longo prazo a que se
descontos de duplicatas.
refere a compra.

Pagamento aos Governos, referente


Recebimento de juros sobre
a impostos, multas, anfândega e
empréstimos concedidos;
outros tributos.

Recebimento de dividendos pela Pagamento dos juros (despesas


participação no patrimônio de financeiras) dos financiamento
outras empresas. (comerciais e bancários) obtidos.

Outros, que não sejam investimento


ou financiamento. Ex: Sentenças

judiciais, sinistros e reembolso de
fornecedores.

Fonte: o autor

40
11.13. Atividades de investimento
Relacionam-se normalmente com o aumento e a diminuição dos ati-
vos de longo prazo que a empresa utiliza para produzir bens e serviços.
Incluem a concessão e recebimento de empréstimos, a aquisição e
a venda de instrumentos financeiros e patrimoniais de outras en-
tidades e a aquisição e a alienação de imobilizado.

Quadro 5 – Atividades de Investimento da DFC

Atividades de Investimento

Entradas Saídas

Desembolso dos empréstimos


concedidos pela empresa e
Recebimento do principal dos
pagamento pela aquisição de
empréstimos concedidos.
títulos de investimento de outras
entidades.

Pagamento pela aquisição de


Recebimento pela venda de títulos
títulos de investimentos de outras
de investimento a outras entidades.
empresas.

Pagamento, no momento da compra


Recebimento pela venda de
ou em data próxima a essa de
participações em outras empresas e
terreno, edificações, equipamentos
pelo resgate de participações pelas
ou outros ativos fixos utilizados na
entidades investidas.
produção.

Recebimento pela venda de


imobilizado e outros ativos fixos —
utilizados na produção.

Fonte: o autor

41
11.14. Atividades de financiamento
Relacionam-se com os empréstimos de credores e investidores à
entidade (obtenção de empréstimos junto a credores e a amorti-
zação ou liquidação destes).
Incluem a obtenção de recursos dos donos e o pagamento a estes
de retornos sobre seus investimentos, ou do próprio reembolso do
investimento.

Quadro 6 – Atividades de Financiamento da DFC

Atividades de Financiamento

Entradas Saídas

Pagamento de dividendos ou outras


Vendas de ações emitidas. distribuições dos donos, incluindo o
resgate de ações da própria empresa.

Empréstimos obtidos no mercado,


via emissão de letras hipotecárias,
Pagamento dos empréstimos obtidos
notas promissórias, títulos de dívida
(exceto juros).
ou outros instrumentos, de curto ou
longo prazo.

Recebimento de contribuições, de
caráter permanente ou temporário,
que, por expressa determinação dos Pagamento do principal referente a
doadores, tem a finalidade estrita imobilizado adquirido a prazo.
de adquirir, construir ou expandir a
planta instalada.

Fonte: o autor

11.15. Transações de investimento e financiamento


sem efeito no caixa

As transações que afetam o Ativo e o Passivo, mas não impactam


no caixa devem ser evidenciadas em Nota Explicativa;
Dívidas convertidas em aumento de capital;
Aquisição de imobilizado via contrato de arrendamento mercantil.

42
11.16. Transações que não afetam o caixa:
Depreciação, Amortização e Exaustão, contas redutoras do Ativo;
Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) – estima-
tiva de prováveis perdas com clientes que não representam de-
sembolso para a empresa.
Acréscimos ou diminuição de itens de investimentos pelo método
de equivalência patrimonial.

11.17. Pontos polêmicos presentes na classificação


do FASB:

Quanto aos Juros Pagos, o FASB exige o seu registro no grupo das
operações por ser um elemento que transita pela DRE. Porém os juros
pagos, assim como os dividendos pagos representam um custo para ob-
tenção de um financiamento.
Neste caso:

Juros pagos Dividendos pagos

Atividade Operacional Atividade de Financiamento

Quanto ao IASB, ele faculta a classificação de juros pagos e dividen-


dos recebidos da seguinte forma: mantidos no grupo das operações os
elementos que transitam pela DRE. Porém os juros e dividendos recebi-
dos correspondem à remuneração do capital investido.
O IASB faculta a classificação, entre o grupo de investimento e ope-
racional de:

Duplicatas Descontadas
• FASB não faz referência;
• ASB classifica como Atividades Operacionais, quando
derivarem de outras transações que envolvam o negócio
principal da empresa.

43
11.18. Outras interpretações:
Fato Gerador se: vendas a prazo atividade operacional.
Ato desconto do título atividade de financiamento.

Pagamento de Investimento Adquirido à Prazo


Os investimentos adquiridos a prazo nunca figurarão nas atividades
de investimento, já que as saídas de caixa decorrentes de seus pagamen-
tos ocorrerão no futuro (podendo ser em várias parcelas, por exemplo),
classificando-se assim como atividades de financiamento.

11.19. Métodos de elaboração


Existem dois métodos de elaboração da DFC:

Método Direto;
Método Indireto.

Quadro 7 - Distinções entre o método direto e o método indireto

Método Direto Método Indireto

Explicita as entradas e saídas brutas de


dinheiro dos principais componentes Faz a conciliação entre o lucro líquido
das atividades operacionais, como os e o caixa gerado pelas operações. Por
recebimentos pelas vendas de produtos e isso é também chamado de método da
serviços e os pagamentos a fornecedores reconciliação.
e empregados.

O saldo final das operações expressa


o volume líquido de caixa provido ou Permite avaliar quanto do lucro está se
consumido pelas operações durante um transformando em caixa.
período.

Mais utilizado pelas empresas que já têm



a DFC regulamentada.

Fonte: o autor

44
Quadro 8 - Estrutura do Modelo Direto e o Modelo Indireto da DFC

Demonstração do Fluxo de Caixa em 31/12/XX Demonstração do Fluxo de Caixa em 31/12/XX


MODELO DIRETO MODELO INDIRETO
Atividades Operacionais Atividades Operacionais
Recebimentos de clientes Lucro líquido do período
Aumento (diminuição) dos itens que não afetam
Pagamentos de fornecedores de estoques
o caixa:
Pagamentos de impostos sobre vendas Depreciação e amortização
Pagamentos de despesas com vendas e
Variações monetárias líquidas devedoras
administrativas
Pagamentos de despesas financeiras Resultado de equivalência patrimonial
Recebimentos de receitas financeiras Dividendos recebidos de sociedades investidas
Dividendos recebidos de sociedades investidas Lucro na venda de investimentos
Pagamento de IR e CS Lucro na venda de ativos imobilizados
Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais Aumento de contas a receber de clientes
Atividades de Investimentos Aumento dos estoques
Valor da venda de ativos imobilizados Aumento de fornecedores de estoques
Aquisições de ativos imobilizados Aumento de contas a pagar
Fluxo de Caixa das Atividades de Investimentos Aumento de impostos sobre vendas
Atividades de Financiamentos Aumento de impostos sobre lucro
Recebimentos de empréstimos e financiamentos Aumento de despesas antecipadas
Pagamentos de empréstimos e financiamentos Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais
Recebimento de integralização de capital Atividades de Investimentos
Dividendos pagos Valor da venda de investimentos
Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamentos Valor da venda de ativos imobilizados
Aumento Líquido no Caixa Aquisições de investimentos
Caixa no inicio do período Aquisições de imobilizado
Caixa no fim do período Empréstimos concedidos
— Recebimentos de empréstimos concedidos
— Aplicações de renda fixa e renda variável
Recebimento de aplicações de renda fixa e renda

variável
— Fluxo de Caixa das Atividades de Investimentos
— Atividades de Financiamentos
— Recebimentos de empréstimos e financiamentos
— Pagamentos de empréstimos e financiamentos
— Recebimento de integralização de capital
— Dividendos pagos
— Compras de ações em tesouraria
— Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamentos
— Aumento Líquido no Caixa
— Caixa no inicio do período
— Caixa no fim do período
Fonte: adaptado de vários autores

45
A Tabela 1 apresenta uma classificação de operações de origens e aplica-
ções de caixa.

Tabela 1 – Origens e aplicações de caixa

Descrição Origem Aplicação

Lucro Líquido x
Prejuízo do exercício x
Aumento em conta ativa x
Diminuição em conta ativa x
Aumento em conta passiva x
Diminuição em conta passiva x
Aumento de depreciação x
Diminuição de depreciação x
Fonte: o autor

12 Substituição da DOAR pela DFC


Dentre as principais alterações nas práticas contábeis promovidas
pela Lei nº 11.638/07 e pelos artigos 36 e 37 da Medida Provisória no.
449/08 convertida na Lei nº 11.941/09, nas normas estabelecidas pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nos pronunciamentos, orienta-
ções e interpretações emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Con-
tábeis (CPC) aplicáveis às sociedades, uma delas foi a substituição da
Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) pela De-
monstração do Fluxo de Caixa (DFC).
A DOAR, de acordo com a Lei nº 11.638/07 deixou de ser obrigatória
a partir de 1 de janeiro de 2008. No entanto, a DOAR não foi abolida do
conceito contábil, ela agora apenas não é obrigatória pela Lei das S/A. Por-
tanto, entendemos prudente o conhecimento da referida demonstração.

46
Diante do exposto, apresentamos uma visão sobre a DOAR que tem o
objetivo de apresentar de forma ordenada e sumariada as informações re-
lativas às operações de financiamento e investimento da empresa durante
o exercício e evidenciar as alterações na posição financeira da empresa.
Vamos a um exemplo de elaboração da Demonstração dos Fluxos
de Caixa.

12.1. Elaboração da Demonstração dos Fluxos de


Caixa

De acordo com os dados abaixo vamos elaborar a DFC da empresa


Estrela Ltda.

Dados:
a) Em 31/12/20x9: aumento capital social de R$ 1.000,00
b) Em 31/12/20x9: financiamento de R$ 1.500,00
c) Em 31/12/20x9: aquisição de ativo imobilizado R$ 2.600,00

1. Balanço Patrimonial:

Ativo 20x8 20x9

Ativo Circulante 4.705,56 13.820,04


Disponível 207,00 157,00

Duplicatas a receber 3.248,00 9.732,00

(-) PCLD -97,44 -291,96

Estoques 1.348,00 4.223,00

Ativo Não Circulante 5.361,80 7.397,40


Imobilizado 5.361,80 7.397,40

Veículos 5.644,00 8.244,00

(-) Depreciação acumulada -282,20 -846,60

Total do Ativo 10.067,36 21.217,44

47
Passivo + Patrimônio Líquido 20x8 20x9

Passivo Circulante 1.017,00 4.071,46

Fornecedores 701,00 2.211,00

Salários e encargos sociais 246,00 787,00

Contas a pagar 70,00 221,00

Provisão para IR a Recolher - 852,46

Passivo Não Circulante 3.825,00 6.090,00


Exigível a longo prazo 3.825,00 6.090,00

Patrimônio Líquido 5.225,36 11.055,98


Capital Social 5.225,36 6.225,36

Reservas de Lucros - 4.830,62

Total do Passivo 10.067,36 21.217,44


Fonte: o autor

2. Demonstração do Resultado do Exercício:

Demonstração do Resultado do Exercício 20x9

Receita Líquida Operacional 26.810,00

(-) CMV -13.405,00

(=) Lucro Bruto 13.405,00


(-) Despesas de salários e encargos -4.573,00

(-) Despesas gerais -1.625,00

(-) Despesas de PDD -194,52

(-) Depreciações -564,40

(-) Despesas financeiras -765,00

(=) Lucro Líquido Operacional 5.683,08


(-) Provisão para IR -852,46

(=) Lucro Líquido 4.830,62


Fonte: o autor

48
Resolução pelo Método Direto:

Clientes

Vendas 26.810,00

(+) Saldo Inicial 3.248,00

(-) Saldo Final -9.732,00

(=) Recebimento 20.326,00

CMV 13.405,00

(+) Estoque Final 4.223,00

(-) Estoque Inicial -1.348,00

(-) Compras 16.280,00

(+) Fornecedores (saldo inicial) 701,00

(-) Fornecedores (saldo final) 2.211,00

(=) Pagamento a fornecedores 14.770,00

CMV = ESTOQUE INICIAL + COMPRAS - ESTOQUE FINAL

COMPRAS = CMV - ESTOQUE INICIAL + ESTOQUE FINAL

Demonstração de Fluxo de Caixa - Método Direto

Fluxos de caixa das Atividades Operacionais

Recebimento de Clientes 20.328,00

Pagamento a Fornecedores - 14.770,00

Pagamento de Despesas e impostos - 5.506,00

Caixa Líquido das Atividades Operacionais 52,00

49
Fluxo de Caixa das Atividades de Investimentos

Compra de Ativo Imobilizado - 2.600,00

Caixa Líquido das Atividades de Investimentos - 2.600,00

Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento


Aumento de Capital 1.000,00

Financiamento de Longo Prazo 1.500,00

Caixa Líquido das Atividades de Financiamento 2.500,00

Fluxo Líquido de Caixa - 50,00

Caixa e Equivalentes de Caixa – Início 207,00

Caixa e Equivalentes de Caixa – Final 157,00


Fonte: o autor

Explicando o Fluxo Líquido de Caixa:


Note que, apesar do nome, a DFC não evidencia apenas as mudan-
ças na conta Caixa, mas em todas as contas de disponibilidades.
Um conceito importante é o de equivalente de caixa, que corres-
ponde às Aplicações de Liquidez Imediata, conta integrante do disponível
da empresa, e que representa as aplicações que podem ser resgatadas ime-
diatamente, apresentando, portanto, baixo risco de alteração de seu valor.
Sabemos que a Contabilidade calcula o resultado do exercício se-
gundo o regime de competência (resultado econômico). Assim, na De-
monstração do Resultado do Exercício (DRE), as receitas e despesas
apresentadas lá figuram porque seus fatos geradores ocorreram, inde-
pendentemente de ter havido pagamento ou recebimento, isto é, saída
ou entrada de numerário no Caixa (Caixa em sentido amplo, significando
Caixa ou Bancos Conta Movimento).
O resultado apurado pelo regime de caixa (resultado financeiro)
pode ser diferente do resultado econômico. O fluxo de caixa não é ne-
cessariamente coincidente com o fluxo econômico, sendo normalmente
diferente. Por exemplo, a empresa pode apurar lucro econômico (apre-
sentado na DRE), e prejuízo financeiro (evidenciado na DFC).
Observamos que houve lucro econômico R$ 4.830,62, mas quanto
desse valor entrou efetivamente em Caixa? Será que o fluxo de caixa (fi-
nanceiro) acompanhou o fluxo econômico? Note que apenas R$ 20.328,00

50
de vendas foram recebidos. Além disso, existem despesas que, embora in-
corridas, não geraram diminuição do Caixa (depreciação e amortização). O
exemplo informa, ainda, que nem todas as compras foram pagas.
Veja que, embora tenha havido, resultado econômico positivo de R$
4.830,62, o resultado financeiro da empresa foi de R$ 50.000,00, nega-
tivo. Este resultado financeiro é evidenciado na Demonstração dos Flu-
xos de Caixa; daí a grande importância dessa demonstração na análise
da situação financeira de uma empresa.
Quanto aos métodos de elaboração da DFC, existem dois métodos,
como foi dito acima:

1. Método Direto;
2. Método Indireto ou da Reconciliação.

As diferenças entre os dois métodos referem-se apenas à forma de


evidenciação dos fluxos das atividades operacionais. Os fluxos das ativi-
dades de financiamento e das atividades de investimento são demons-
trados de igual maneira nos dois métodos.

Método Direto
No modelo direto, os fluxos operacionais são evidenciados pela aná-
lise direta das entradas e saídas de dinheiro em Caixa e Bancos. São eviden-
ciados, portanto, todos os pagamentos e recebimentos feitos no período.

Método Indireto
Na elaboração do fluxo de caixa indireto, deve ser ajustado o lucro
líquido do exercício à movimentação do disponível para destacar a in-
fluência do resultado nas atividades operacionais.
O critério é tratar das movimentações do Circulante da seguinte
maneira:

I – Se o ativo circulante aumentou, diminui o valor no ajuste ao lucro.


II – Se o ativo circulante diminuiu, aumenta o valor no ajuste ao lucro.
III – Se o passivo circulante aumentou, aumenta o valor no ajuste.
IV – Se o passivo circulante diminuiu, diminui o valor no ajuste.

Para aplicar esse critério deve-se excluir as variações do circulante


que foram afetadas pelo aumento ou pela diminuição do não circulante,
ou seja, retirar as variações que se originaram das atividades de finan-
ciamento e de investimentos.

51
Tanto no método direto quanto no indireto, a DFC é elaborada a
partir da análise do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resul-
tado do Exercício.

12.2. Resumo do capítulo


1. A Demonstração dos Fluxos de Caixa apresenta a movimentação
ocorrida em determinado período na conta caixa.

2. A Demonstração dos Fluxos de Caixa auxilia o gerente finan-


ceiro na elaboração de melhor planejamento financeiro, que indicará o
momento em que a empresa deverá contrair empréstimos para cobrir a
falta de fundos, bem como quando aplicar no mercado financeiro o ex-
cesso de dinheiro.

3. A Demonstração dos Fluxos de Disponível é a denominação mais


adequada para a Demonstração dos Fluxos de Caixa, uma vez que nesta
última apresentamos a movimentação das contas Caixa e Bancos C/ Mo-
vimento, ou seja, a movimentação do Disponível.

4. A Demonstração dos Fluxos de Caixa é dinâmica porque eviden-


cia o que ocorreu no período em termos de saída e entrada de dinheiro
no Caixa e o resultado desses fluxos.

52
13 Demonstração de orgigens
e aplicações de recursos (DOAR)
13.1. Introdução
A DOAR, como seu próprio nome indica, tem como objetivo apresen-
tar, de forma padronizada e sumariada, informações relativas às operações
de financiamento e investimento de uma entidade durante o exercício so-
cial, bem como evidenciar as alterações na posição financeira da mesma.
A DOAR não pode ser confundida com as demonstrações que vi-
sam a apresentar somente o fluxo de disponibilidades, como os Fluxos
de Caixa. Ela demonstra as mutações na posição financeira da empresa
em sua totalidade.

Figura 2 – Esquema gráfico do Capital Circulante Líquido

FINANCIAMENTOS INVESTIMENTOS

ORIGENS RECURSOS APLICAÇÕES

CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO = ATIVO CIRCULANTE - PASSIVO CIRCULANTE

Fonte: o autor

13.2. Origens
Representam os aumentos no Capital Circulante Líquido (quando ao
Ativo Circulante for superior ao Passivo Circulante, ou seja, AC > PC =
CCL positivo), caso contrário (AC < PC = CCL negativo).
Descrição das origens:

a) Das próprias operações;


b) Dos acionistas;
c) De terceiros.

53
13.3. Aplicações
As aplicações são representadas pelas diminuições do Capital Cir-
culante Líquido.

Descrição das aplicações:


a) Inversões Permanentes;
b) Pagamento de Empréstimo a Longo Prazo;
c) Remuneração de Acionistas.

13.4. Origens e aplicações que não afetam o CCL,


mas aparecem na DOAR:

Além das origens e aplicações acima relacionadas existem outras


transações que não interferem no Capital Circulante Líquido, porém são
representadas como origens e aplicações.
Por exemplo:

a) Aquisição de Bens do Ativo Permanente a Longo Prazo;


b) Conversão de Empréstimos de Longo Prazo em Capital;
c) Integralização do Capital em Bens do Ativo Permanente;
d) Venda de Bens do Ativo Permanente recebível a Longo Prazo.

13.5. Importância
Pela natureza das informações a DOAR foi muito utilizada tendo em
vista as características que possui:

1. Fornece dados importantes que não constam das demais De-


monstrações Financeiras.
2. Está relacionada com o Balanço Patrimonial e a DRE, sendo
complementar a ambas.
3. Informa a modificações na posição financeira da empresa pelo
fluxo de recursos.

54
Outros aspectos importantes:
Conhecimento da política de inversões permanentes;
Recursos gerados pelas operações próprias;
Verificação da aplicação dos recursos com novos empréstimos;
Como a empresa está mantendo seu CCL; e
Compatibilidade entre Dividendos e posição financeira da empresa.

13.6. Obrigatoriedade
Com o advento da Lei nº 11.638/07 a elaboração da DOAR deixou
de ser obrigatória.

13.7. Forma de apresentação da DOAR


1. Origens dos Recursos, por natureza, onde são representadas as
origens dos recursos obtidos.

2. Aplicação dos Recursos, por natureza onde são relacionadas as


aplicações e onde é demonstrado seu valor total.

3. Aumento ou Redução no CCL representa a diferença entre o to-


tal das origens e o total das aplicações.

4. Saldo Inicial e Final do Capital Circulante Líquido e Variação,


onde são evidenciados o Ativo e Passivo Circulante do início e do fim do
exercício com o respectivo aumento ou redução.

13.8. Origens de recursos das operações


Apresenta os recursos originados das próprias operações, que, por
conseguinte representam aumento no Capital Circulante Líquido de-
monstrado da seguinte forma:

Lucro Líquido das operações ajustado pelas receitas e despesas que


não afetam o CCL:

Depreciação, Amortização e Exaustão;

55
Variação nos Resultados de Exercícios Futuros, sendo que com ad-
vento da nova lei: O saldo existente no Resultado de Exercícios
Futuros em 31 de dezembro de 2008 teve por exigência, ser re-
classificado para o Passivo Não Circulante em conta representa-
tiva de receita diferida. (texto incluído pela Medida Provisória nº
449, de 2008). O registro desse saldo deve evidenciar a receita di-
ferida e o respectivo custo diferido.

Essas variações alteram o resultado sem, entretanto, afetar o capital


circulante líquido, que são os seguintes casos:

Lucro ou Prejuízos decorrentes de equivalência patrimonial;


Ajuste de Exercícios Anteriores;
Variação Monetária de Dívidas de Longo Prazo.

13.9. Casos em que há prejuízos


Quando a situação for de prejuízo, significa que as operações conso-
mem Capital Circulante Líquido e isso representará uma aplicação. Neste
caso, o lucro e seus ajustes são representados no agrupamento de aplicações.

13.10. Origens de recursos dos acionistas


Integralização de Capital dos Acionistas;
Reservas (Ágio, Bônus de Subscrição, Produto da Alienação de
Partes Beneficiárias).

13.11. Origens de recursos de terceiros


Aumento do Passivo Não-circulante;
Redução do Ativo Não-circulante;
Alteração e Baixa de Investimentos de Bens e Direitos do Imobilizado;
Doações e Subvenções.

Na página ao lado, é apresentado um modelo de papel de trabalho,


para dar suporte ao processo de levantamento das variações de origens
e aplicações entre exercícios sociais.

56
Balanço Patrimonial em 31-12-x9

Ativo x8 x9

Ativo Circulante 13.000,00 28.400,00

Bancos 3.000,00 6.000,00

Contas a receber 8.000,00 18.000,00


Estoques 2.000,00 4.400,00

Ativo Realizável a LP 2.400,00 1.000,00


Ativo Permanente 9.300,00 8.600,00

Total 24.700,00 38.000,00

Passivo x8 x9

Passivo Circulante 10.800,00 22.270,00

Contas a pagar 2.800,00 18.770,00

Empréstimos (4) - 1.000,00

Financiamentos (6) 5.000,00 2.500,00

Dividendos a pagar (5) 3.000,00 -

Passivo Exigível a LP 170,00 1.600,00

Patrimônio Líquido (3) 13.730,00 14.130,00

Total 24.700,00 38.000,00

Demonstração do Resultado do Exercício em 31-12-X9

Receitas 30.200,00

(-) Despesas Operacionais -8.100,00

(-) Despesas Não Operacionais -12.000,00

(-) Depreciação -300,00

(=) Lucro antes IR 9.800,00


(-) Provisão para IR -1.470,00

(=) Lucro Líquido do Exercício 8.330,00

57
Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos
em 31-12-X9
1 – Origens
1.1 Das Operações
Lucro Líquido do Exercício (1) 8.330,00

(+) Despesa de Depreciação (2) 300,00

(-) Lucro na Venda de Imobilizado (2) -400,00

(-) Variações Monetárias Passivas -200,00

8.030,00

1.2 Dos Proprietários


Integralização de Capital Social (3) 400,00

400,00

1.3 De Terceiros
Empréstimos (4) 1.000,00

1.000,00

2 – Aplicações
Pagamento de Dividendos (5) 3.000,00

Pagamento de Financiamentos (6) 2.500,00

5.500,00

3 - Variação do Capital Circulante Líquido 3.930,00

Demonstração das Variações do CCL

Elementos 31-12-X8 31-12-X9 Variações

AC 13.000,00 28.400,00 15.400,00

(-) PC 10.800,00 22.270,00 11.470,00

(=) CCL 2.200,00 6.130,00 3.930,00


Fonte: o autor

58
13.12. Entendendo a DOAR

• Para a elaboração da DOAR partimos do Lucro Líquido do Exercício,


conforme demonstrado na DRE, no valor de R$ 8.330,00.

• São feitos os ajustes com base nos eventos que alteram o CCL (Capi-
tal Circulante Líquido). Podemos observar a depreciação na DRE. Assim
como o efeito da venda de imobilizado no Balanço Patrimonial, que pas-
sou de R$ 9.300,00 para R$ 8.600,00 (R$ 300,00 referentes à deprecia-
ção e R$ 400 referentes à venda do imobilizado.

• Observe que a Demonstração das Variações do CCL evidencia de forma


simplificada (Ativo circulante – Passivo Circulante) a movimentação fi-
nanceira da empresa. Com o auxílio da DOAR, podemos observar deta-
lhadamente qual foi o percurso percorrido pela companhia até chegar
ao resultado de R$ 3.930,00 de variação.

A DOAR fornece auxílio em importantes aspectos, tais como os que


se encontram a seguir descritos:

Conhecimento da política de inversões permanentes e fontes de


recursos;
Constatação dos recursos gerados pelas próprias operações;
Constatação de como a empresa está se mantendo.
Verificação de como foram aplicados os recursos obtidos com no-
vos empréstimos de longo prazo;
Verificação da compatibilidade entre os dividendos e a posição
financeira da empresa.

13.13. Resumo do capítulo


1. A DOAR tem como objetivo mostrar o como e o porquê da mu-
tação do CCL, pois este só varia com operações Não Circulantes x Circu-
lante; sendo assim a DOAR evidencia apenas o resultado das variações
do Não Circulante que provocam alterações no Circulante.

59
2. Sempre que houver uma operação envolvendo contas de Circu-
lante/Não Circulante haverá alteração no CCL, evidenciada na DOAR.

3. Os grupos de contas considerados são:


• Circulante: Ativo Circulante e Passivo Circulante;
• Não Circulante: demais grupos de contas do Balanço Patri-
monial, ou seja, Ativo Realizável a Longo Prazo, Ativo Perma-
nente, Passivo Exigível a Longo Prazo e Patrimônio Líquido.

4. Tem-se que fazer alguns ajustes ao lucro líquido quando da ela-


boração da DOAR, porque existem receitas e despesas que aumentam
e diminuem o lucro líquido, porém não reduzem o Capital Circulante
Líquido, pois são itens não monetários , como é o caso da equivalência
patrimonial, da depreciação etc.

5. Algumas possíveis reduções do Capital Circulante Líquido são:


aquisição de bens ou direitos que integrarão o Permanente ou o Realizá-
vel a Longo Prazo, Distribuição de Dividendos, redução das Exigibilidades
a Longo Prazo.

6. Uma reavaliação dos bens da empresa será considerada como


aplicação na DOAR. Essa afirmativa não está correta uma vez que a rea-
valiação não pode ser considerada uma aplicação na DOAR porque esta
não representa saída de recursos do Ativo Circulante.

7. A DOAR evidencia, por exemplo, um empréstimo de curto prazo


investido no Caixa. A DOAR evidenciará sempre as operações que envol-
vam contas dos grupos Circulante e Não Circulante e nunca de opera-
ções que envolvam contas apenas do Circulante como citado acima.

8. O Capital Circulante Líquido foi afetado em $ 2.000.000, pois


nesta venda à vista a conta Estoque diminuiu em $ 10.000.000, porém a
conta Caixa/Bancos c/ Movimento aumentou em $ 12.000.000.

9. A maneira mais primária de uma empresa obter e aplicar recur-


sos é através da obtenção do Lucro Líquido, que é a principal fonte de
recursos da empresa.

10. As despesas incorridas, que não afetam a posição financeira


são: amortização, exaustão e variação cambial.

60
14 Demonstração do
valor adicionado (DVA)
14.1. Introdução
A Lei nº 11.638/07 introduziu para todas as companhias abertas,
a obrigação da elaboração e divulgação da Demonstração de Valor
Adicionado:

Art. 188. As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caput do


art. 176 desta Lei indicarão, no mínimo:

I – Demonstração do Fluxo de Caixa – as alterações ocorridas, du-


rante o exercício, no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segre-
gando-se essas alterações em, no mínimo, 3 (três) fluxos:

a) das operações;
b) dos financiamentos; e
c) dos investimentos.

II – Demonstração de Valor Adicionado – o valor da riqueza gerada


pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribu-
íram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financia-
dores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza
não distribuída. ” (BRASIL. LEI FEDERAL Nº 11.638/07, grifos nossos)

Essa alteração do art. 176 da Lei nº 6.404/76 pela Lei nº 11.638/07


incluiu a Demonstração de Valor Adicionado – DVA no conjunto das
Demonstrações Contábeis a ser elaborada, divulgada e aprovada pela
Assembléia Geral Ordinária, no caso de companhias abertas. A Lei nº
11.638/07 não menciona aspectos quanto ao modelo a ser utilizado, li-
mitando-se a determinar alguns elementos que a referida demonstração
deverá indicar. Quanto a sua elaboração as normas constam da Delibe-
ração CVM nº 557/08.

61
14.2. Informações relevantes
O Prof. Eliseu Martins, em artigo publicado no jornal Gazeta Mer-
cantil, de 18/09/97, explicita que esta demonstração representa:

extraordinária forma de ver a função social da empresa, além de qual


a sua parcela na criação de riqueza global do País, o PIB, em vez de
só dar ênfase apenas à linha final da demonstração do resultado tra-
dicional, de interesse exclusivo dos proprietários (GAZETA MERCANTIL
de 18/09/97)

Desta forma, a DVA ampliou, sobremaneira, o conceito de Balanço


Social. Martins expõe também que finalmente o Balanço Social veio,
mais recentemente, a encampar o conjunto de informações à sociedade
sobre a relação da empresa com o meio ambiente, evidenciando o que é
obrigada a gastar, ou voluntariamente o faz, para prevenir ou remediar
o que produz de consequências sobre ele, quais as metas de controle de
poluição está obrigada a cumprir, quais as restrições que possui para
operar, etc.
A DVA evidencia de forma transparente o valor gerado pelas corpo-
rações, ou seja, a riqueza nova gerada a partir de sua atividade opera-
cional e sua repartição aos segmentos beneficiários.

14.3. Objetivo da DVA


A Demonstração de Valor Adicionado é a demonstração contábil
que tem por objetivo apresentar, de forma ordenada e resumida, a ri-
queza gerada pela empresa em determinado período ou exercício social,
e a sua distribuição a terceiros diversos. A DVA apresenta a riqueza ge-
rada pela empresa, de forma geral medida pela diferença entre o valor
das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. Além disso, Inclui o va-
lor adicionado recebido em transferência, ou seja, produzido por tercei-
ros e transferido à empresa.

62
Quadro 9 – Modelo de DVA de acordo com NBC T 3.7
Demonstração de valores adicionados dos exercícios findos em 31 de dezembro, em milhares de reais
1 – RECEITAS

1.1. Vendas de mercadoria, produtos e serviços


1.2. Provisão para devedores duvidosos
1.3. Resultados não-operacionais
2 - INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS
2.1. Materiais consumidos
2.2. Outros custos de produtos e serviços vendidos
2.3. Energia, serviços de terceiros e outras despesas operacionais
2.4. Perda na realização de ativos
3 – RETENÇÕES
3.1. Depreciação, amortização e exaustão
4 - VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE
5 - VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA
5.1. Resultado de equivalência patrimonial e dividendos de investimento avaliado ao custo
5.2. Receitas financeiras
5.3. Aluguéis e royalties
6 - VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR
7 - DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO
7.1. Empregados
Salários e encargos
Comissões sobre vendas
Honorários da diretoria
Participação dos empregados nos lucros
Planos de aposentadoria e pensões
7.2. Tributos
Federais
Estaduais
Municipais
(-) incentivos fiscais
7.3. Financiadores
Juros
Aluguéis
7.4. Juros sobre capital próprio e dividendos
7.5. Lucros retidos/prejuízo do exercício
Fonte: NBC T 3.7 do CFC
63
14.4. Obrigatoriedade de apresentação
A obrigatoriedade da sua publicação é para as companhias abertas.
Com relação ao International Accounting Standards Board – IASB
(Conselho de padrões de Contabilidade Internacional), bem como aos
United States Generally Accept Accounting Principles (US-GAAP) (princí-
pios de contabilidade geralmente aceitos norte-americanos) a DVA não
faz parte do escopo da estrutura para a preparação e a apresentação das
Demonstrações Contábeis.

14.5. Relação com o Produto Interno Bruto


De uma forma geral, de acordo com o item 10 da Deliberação CVM
nº 557/08, a Demonstração de Valor Adicionado apresenta uma parcela
de contribuição que a empresa tem na formação do Produto Interno
Bruto (PIB).
Porém, o cálculo do valor adicionado contábil apresenta dife-
rença do econômico à medida que o PIB calculado pela economia
baseia-se na produção, enquanto que o PIB calculado pela contabi-
lidade está alicerçado no conceito de realização de receita, isto é, no
princípio da competência.

14.6. Componentes da DVA I


A Demonstração do Valor Adicionado deve evidenciar, no mínimo,
os seguintes componentes:

as receitas;
os insumos adquiridos de terceiros;
os valores retidos pela entidade;
os valores adicionados recebidos em transferência de outras entidades;
valor total adicionado a distribuir; e
distribuição do valor adicionado.

64
14.7. Componentes da DVA II
O item 6 da deliberação CVM nº 557/08 estabelece que a distribuição
da riqueza, deve ser detalhada, no mínimo, contendo os seguintes itens:

pessoal e encargos;
impostos, taxas e contribuições;
juros e aluguéis;
juros sobre o capital próprio e dividendos;
lucros retidos/prejuízos do exercício.

Grupo de receitas
No grupo de receitas devem ser apresentados, de acordo com o
item 14 da Deliberação CVM nº 557/08, os seguintes itens de formação
de receita:

Vendas de mercadorias, produtos e serviços: será evidenciada


neste item a receita bruta de vendas líquida das devoluções de
vendas e dos abatimentos incondicionais, contidas na DRE;
Outras receitas: inclui os valores resultantes de outras receitas
operacionais decorrentes das atividades-fim da entidade, exceto
aquelas recebidas em transferência de terceiros, tais como ganhos
ou perdas de capital;
Provisão para créditos de liquidação duvidosa: inclui os valores rela-
tivos à constituição e à reversão da provisão para créditos duvidosos.

Insumos adquiridos de terceiros


De acordo com o item 14 da Deliberação CVM nº 557/08, neste
grupo devem ser apresentados:

Custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos: não


incluem gastos com pessoal próprio, inclusive tributos recuperáveis.
Materiais, energia, serviços de terceiros e outros: inclui valores re-
lativos às despesas originadas da utilização desses bens, utilidades
e serviços adquiridos junto a terceiros;
Perda e recuperação de valores ativos: inclui valores relativos a
ajustes a valor de mercado de estoques, imobilizados, investimen-
tos, bem como os valores reconhecidos no resultado do período,
referentes a constituição ou reversão de provisão para perdas por
desvalorização de ativos.

65
Depreciação, amortização e exaustão
Nesse grupo, deve ser apresentada a despesa com depreciação,
amortização e exaustão. Nele são incluídas a depreciação, amortização
e exaustão relativa aos bens utilizados no processo produtivo industrial,
comercial ou serviços.

Valores adicionados recebidos em transferência de terceiros


Nesse grupo, segundo o item 14 da Deliberação CVM nº 557/08, de-
vem ser apresentados:

Resultado de equivalência patrimonial: o ganho ou a perda de


equivalência patrimonial;
Receitas financeiras: as receitas financeiras relativas a quaisquer
operações com instituições financeiras, entidades do grupo ou
terceiros, inclusive as variações cambiais ativas, exceto para en-
tidades financeiras que devem classificá-las como receita bruta;
Outras receitas: os dividendos recebidos de investimentos avalia-
dos pelo método de custo; as receitas de aluguéis ou royalties, de
entidade que não tenham como objeto essas atividades etc.

14.8. Distribuição do valor adicionado I


Na segunda parte da DVA, conforme dispõe o item 15 da Deliberação
CVM nº 557/08, deve ser apresentada de forma detalhada como a riqueza
obtida pela empresa foi distribuída. Os principais componentes dessa distri-
buição são: pessoal; impostos, contribuições e taxas; remuneração dos
capitais de terceiros; e remuneração dos capitais próprios.

14.9. Distribuição do valor adicionado II


Pessoal
Valores apropriados ao custo e ao resultado do exercício na forma de:

Remuneração direta - representada pelos valores relativos a sa-


lários, 13º salário, honorários da administração (inclusive os pa-
gamentos baseados em ações), férias, comissões, horas extras,
participação de empregados nos resultados etc.

66
Benefícios - representados pelos valores relativos à assistência
médica, alimentação, transporte, planos de aposentadoria etc.
FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) – representado
pelos valores depositados em conta vinculada dos empregados.

14.10. Distribuição do valor adicionado III


Impostos, taxas e contribuições
Valores relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ),
Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSSL), Contribuição de Inter-
venção no Domínio Econômico (CIDE), Imposto sobre a Propriedade de
Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU),
Imposto sobre Serviço (ISS), contribuições ao Instituto Nacional do Se-
guro Social (INSS) (incluídos neste, os valores do Seguro de Acidentes do
Trabalho) que sejam ônus do empregador, bem como os demais impostos
e contribuições a que a empresa esteja sujeita, inclusive a contribuição
sindical patronal. Para os impostos compensáveis, tais como Imposto so-
bre Circulação de Mercadorias, Transportes, Comunicação e Radiodifu-
são (ICMS), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de
Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguri-
dade Social (COFINS), devem ser considerados apenas os valores devidos
ou já recolhidos, que representam a diferença entre os impostos e con-
tribuições incidentes sobre as receitas e os valores embutidos nos insu-
mos adquiridos de terceiros.

14.11. Distribuição do valor adicionado IV


Remuneração de capitais de terceiros
Valores pagos ou creditados referentes à:

Juros - inclui as despesas financeiras, inclusive as variações cam-


biais passivas, relativas a quaisquer tipos de empréstimos e finan-
ciamentos junto a instituições financeiras, empresas do grupo ou
outras formas de obtenção de recursos. Inclui os valores que te-
nham sido capitalizados no período.
Aluguéis - incluem os aluguéis (inclusive as despesas com arren-
damento operacional) pagos ou creditados a terceiros, inclusive
os acrescidos aos ativos.

67
Outras - incluem outras remunerações que configurem transfe-
rência de riqueza a terceiros, mesmo que originadas em capital
intelectual, tais como royalties, franquia, direitos autorais etc.

14.12. Distribuição do valor adicionado V


Remuneração de capitais próprios
Valores relativos a:

Juros sobre o capital próprio (JCP) e dividendos - inclui os valores


pagos ou creditados aos acionistas por conta do resultado do perí-
odo. Devem ser incluídos apenas os valores distribuídos com base
no resultado do próprio exercício, isto é, não se considera a par-
cela referente a lucros acumulados, uma vez que já foram tratados
como “lucros retidos” no exercício em que foram gerados. Também
inclui as participações estatutárias relativas aos acionistas.
Lucros retidos e prejuízos do exercício - incluem os valores relati-
vos ao lucro do exercício destinados às reservas, inclusive os JCP
quando tiverem esse tratamento.

14.13. Ativos construídos pela empresa para uso


próprio

De acordo com o item 19 da Deliberação CVM nº 557/08, a cons-


trução desses ativos equivale à produção vendida para a própria em-
presa, sendo assim, seu valor contábil total deve ser considerado como
receita. A mão-de-obra própria alocada é considerada como distribui-
ção dessa riqueza criada, e eventuais juros ativados e tributos também
recebem esse mesmo tratamento. Já os gastos com serviços de terceiros
e materiais são apropriados como insumos.

14.14. Ajustes de exercícios anteriores


Conforme dispõe o item 18 da Deliberação CVM nº 557/08, os
ajustes de exercícios anteriores, decorrentes de efeitos provocados por
erro imputável a exercício anterior ou de mudança de critérios contá-

68
beis que vinham sendo utilizados pela empresa, devem ser adaptados na
DVA relativa ao período mais antigo apresentado para fins de compara-
ção, bem como os demais valores comparativos apresentados, como se a
nova prática contábil estivesse sempre em uso ou o erro fosse corrigido
na data da sua ocorrência.

14.15. Distribuição de lucros referentes a exercícios


anteriores

A companhia pode distribuir dividendos não só com base no lucro


do período, mas também com base em reservas de lucros e à conta de
reserva de capital. Diante disso, os dividendos que compõem a riqueza
distribuída pela companhia devem restringir-se exclusivamente à par-
cela relativa aos resultados do próprio período. Dividendos distribuídos
relativos a lucros de períodos anteriores não são considerados, pois já
figuraram como lucros retidos naqueles respectivos períodos. Na página
a seguir, o Quadro 10 apresenta um modelo de DVA.
Os gráficos a seguir apresentam a distribuição da riqueza gerada
através das atividades da empresa.

Figuras 4 e 5 – Gráficos de distribuição de DVA


Comportamento da distribuição do valor adicionado em 2009 e 2008

2009 – 12,881 milhões 2008 – 949 milhões

32% Prejuízos 52% Prejuízos


29% Juros 18% Juros
13% Empregados 15% Empregados
26% Impostos 15% Impostos

Fonte: elaborado pelo conteudista

69
Balanço social
Demonstração do valor adicionado – DVA 2009/2008

Em milhares de reais
DESCRIÇÃO
2009 2008

RECEITAS 41.883,00 24.790,00

Vendas de mercadorias, produtos e serviços 44.172,00 27.070,00

Provisão p/ devedores duvidosos – Reversão/(Const.) (528,00) (2.176,00)

Não operacional (1.761,00) (104,00)

INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS 31.356,00 24.962,00

Matérias-primas consumidas 15.327,00 7.863,00

Custo das mercadorias e serviços vendidos – –

Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 15.492,00 10.453,00

Perda/Recuperação de valores ativos 538,00 6.646,00

VALOR ADICIONADO BRUTO 10.526,00 (172,00)

DEPRECIAÇÃO/AMORTIZAÇÃO/EXAUSTÃO 2.702,00 2.951,00

VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE 7.824,00 (3.123,00)

VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 5.157,00 2.174,00

Resultado de esquivalência patrimonial – –

Receitas financeiras 5.157,00 2.174,00

VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR 12.981,00 (949,00)

Pessoal e encargos 4.696,00 4.402,00

Impostos, taxas e contribuições 9.483,00 4.275,00

Juros e aluguéis 10.206,00 5.100,00

Juros sobre capital próprio e dividendos – –

Lucros (prejuízos) retidos (11.404,00) (14.726,00)


Fonte: modelo que foi usado pela Indústria Braspérola

70
14.16. Resumo do capítulo:
1. O item 3.7.3.1 da NBC T 2.7 cita que, além das informações con-
tidas nos itens 3.7.2.4 a 3.7.2.9, a entidade deve acrescentar ou detalhar
outras linhas na Demonstração de Valor Adicionado quando o montante
e a natureza de um item ou o somatório de itens similares forem de tal
magnitude que a apresentação em separado ajude na apresentação mais
adequada da Demonstração de Valor Adicionado.

2. O item 3.7.3.2 da NBCT 3.7 comenta que a Demonstração de Va-


lor Adicionado deve ser consistente com a demonstração do resultado e
conciliada em registros auxiliares mantidos pela entidade.

3. A Demonstração de Valor Adicionado deve conter representação


percentual participativa.

4. As informações contábeis contidas na Demonstração de Valor


Adicionado são de responsabilidade técnica de contabilista registrado
no Conselho Regional de Contabilidade.

5. A Demonstração de Valor Adicionado deve ser objeto de revisão


ou auditoria se a entidade possuir auditores externos independentes que
revisem ou auditem suas Demonstrações Contábeis.

71
15 Notas explicativas
15.1. Introdução
As Notas Explicativas são informações complementares às Demons-
trações Contábeis, representando parte integrante destas.
A publicação de Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis é
considerada um dos grandes desafios da Contabilidade. É um assunto
ligado ao aspecto de evidenciação e tem sido o dimensionamento da
qualidade e da quantidade de informações que atendam às necessidades
dos usuários das Demonstrações Contábeis em determinado momento.
As Notas Explicativas podem ser expressas tanto na forma descritiva
como na forma de quadros analíticos, ou mesmo englobar outras De-
monstrações Contábeis complementares e necessárias ao melhor e mais
completo entendimento e esclarecimento dos resultados e da situação
financeira e patrimonial da empresa.
As Notas podem ser utilizadas para explicações adicionais pelas em-
presas, para determinadas contas ou operações específicas e ainda para
composição e de detalhamento de certas contas.
O uso de Notas para demonstrar composição de contas auxilia tam-
bém à estética das Demonstrações Contábeis, uma vez que pode fazer
constar determinada conta por seu total, com os detalhes necessários
para aprofundar o entendimento das informações dadas.
Deve-se considerar outro aspecto que é a menção de erro contábil
em nota explicativa, pois a sua menção deve servir para esclarecimento
do usuário da demonstração contábil, porém o erro persiste, apesar de
mencionado. Como exemplo, efetuar-se o diferimento de uma despesa
que deveria estar considerada como requerida no resultado é um erro;
e esse erro não é sanado simplesmente com uma nota explicativa que
evidencie o fato. Nesse caso, a nota é obrigatória, mas as demonstrações
continuam erradas e não se deve considerar essa evidenciação como
atenuante, pois o erro deve ser acertado por meio de ajustes pertinentes.

15.2. As Notas Explicativas da Lei das S.A.


Conforme o parágrafo 4º do art. 176 da Lei nº 6.404/76, as Demons-
trações Contábeis das Sociedades por Ações deverão ser complementa-

72
das por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou Demonstrações
Contábeis, necessários para esclarecimento da situação patrimonial e
dos resultados do exercício. A publicação das Notas Explicativas está
prevista no artigo 176, §4, da Lei nº 6.404/76, e visa a fornecer informa-
ções complementares às Demonstrações Contábeis. Podem ser expressas
de forma descritiva ou em forma de quadros analíticos, ou ainda sob ou-
tras Demonstrações Contábeis. As Notas Explicativas são uma exigência
da Lei das S.A, de acordo com Artigo 176, § 4º, da Lei nº 6.404/76:

“As demonstrações serão complementadas por Notas Explicativas


e outros quadros analíticos ou Demonstrações Contábeis necessá-
rios para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do
exercício.” (BRASIL. LEI FEDERAL Nº 11.638).

O parágrafo 5º. do art. 176 da Lei das S/A menciona um número de


nove tipos de Notas Explicativas obrigatórias sem, entretanto, esgotar o
assunto. Observa-se que, de acordo com a particularidade de cada em-
presa, poderá haver necessidade de notas adicionais, bem como poderá
ocorrer de algumas não serem aplicáveis a determinado caso.

Nota Explicativa nº 01
“Os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, es-
pecialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaus-
tão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes
para atender a perdas prováveis na realização dos elementos do ativo.”
Principais critérios de avaliação:

a) Das aplicações temporárias (custo atualizado ou valor de mercado);


b) Da base da provisão para devedores duvidosos;
c) Do imobilizado (depreciação ou exaustão);
d) Dos estoques (custo médio ou valor de mercado).

Nota Explicativa nº 2
“Os investimentos em outras sociedades, quando relevantes
(artigo 247, § único).”

a) Considerar critérios de avaliação dos investimentos (Custo ou


Equivalência Patrimonial);
b) Explicar a característica dos investimentos em coligadas e controladas;
c) Mostrar modificações ocorridas durante o exercício.

73
Nota Explicativa nº 03
“O aumento de valor dos elementos do ativo por novas avaliações
(artigo 182, § 3).”

Nota Explicativa nº 04
“Os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias pres-
tadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes.”

a) Ônus, Garantias e Outras Responsabilidades:


b) Visa evidenciar os ativos dados em garantia e seus valores cor-
respondentes aceitos pelo credor, tais como os dados em:

• Ônus de empréstimos e financiamentos;


• Contingências fiscais ou trabalhistas, e de responsabili-
dade civil (riscos de seus produtos usados por seus con-
sumidores), indicando ainda a possibilidade de perda ou
ganho e se foi feita Provisão;
• E as responsabilidades assumidas por conta de Contratos
de natureza financeira (leasing, mercado futuro).

Nota Explicativa nº 05
“A taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obriga-
ções a longo prazo.”
Empréstimos e Financiamentos:

Evidenciar: taxas de juros, prazos de vencimento, correção mone-


tária, garantias dadas, valores financiados, moeda, variação cam-
bial e a composição dos credores.

Nota Explicativa nº 06
“O número, espécie e classes das ações do capital social.”
Capital Social:

Evidenciar: número, espécies e classes de ações. Composição do


capital entre residentes no país e exterior e o valor do capital au-
torizado.

Nota Explicativa nº 07
“A opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício.”

74
Nota Explicativa nº 08
“Os ajustes de exercícios anteriores (artigo 186, § 1º).”

Os ajustes de exercícios anteriores serão contabilizados direta-


mente na Conta Lucros e Prejuízos Acumulados.
Evidenciar: efeitos de mudanças de práticas contábeis, ou retifi-
cação de erros de exercícios anteriores.

Nota Explicativa nº 09
“Os eventos subseqüentes à data de encerramento do exercício que
tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira
e os resultados futuros da companhia.”
Esta Nota serve para explicar os eventos que afetarão o Patrimônio
após o Levantamento do Balanço e antes de sua Publicação. Podem ser:

sinistros por incêndio;


alteração de legislação fiscal;
variações bruscas na taxa de câmbio;
processos na justiça.

15.3. Sumário das principais práticas contábeis


Nas Notas Explicativas, para atingir o objetivo das Demonstrações
Contábeis, de exprimir com clareza a composição do patrimônio da em-
presa e evidenciar suas mutações num determinado período, existe a
necessidade da divulgação dos principais critérios de avaliação dos ele-
mentos patrimoniais, também chamado sumário das práticas contábeis
que se destina a permitir aos usuários o conhecimento das práticas con-
tábeis, necessário para melhor compreensão da situação patrimonial e
financeira da empresa e de suas operações.

15.4. Notas recomendadas pela CVM


Como complemento às Notas Explicativas, a Comissão de Valores Mo-
biliários (CVM) sugere a divulgação de diversos assuntos relevantes, para um
melhor entendimento das Demonstrações Contábeis pelos seus usuários.
Como complemento às Notas Explicativas previstas na Lei das S/A, a
Comissão de Valores Mobiliários vem apresentando recomendações sobre a

75
divulgação de diversos assuntos relevantes para efeito de melhor entendi-
mento das Demonstrações Contábeis. Os itens, que de acordo com as suges-
tões da CVM devem constar das Notas Explicativas, são os seguintes:

Contexto operacional; Dividendos - cálculo;


Ações em tesouraria; Ágio/deságio;
Arrendamento mercantil; Equivalência patrimonial;
Capital realizado atualizado; Destinação do resultado
Demonstrações em moeda do exercício;
de capacidade constante; Empreendimentos em
Demonstrações Financeiras fase de implantação;
consolidadas; Debêntures;
Lucro/prejuízo por ação; Ajustes de exercícios anteriores;
Ativo diferido; Reavaliação de bens;
Investimentos societários no Exterior; Planos de aposentadoria e pensões;
Mudança de critério contábil; Provisões para créditos de
Remuneração dos administradores; liquidação duvidosa;
Reservas - detalhamento; Ônus, garantias e contingentes;
Retenção de lucros; Obrigações de longo prazo;
Transações entre partes relacionadas Programa de desestatização;
Opção de compra de ações

A seguir é apresentado um detalhamento das notas recomendadas


pela CVM.

15.5. Contexto operacional


A nota sobre as operações ou contexto operacional é muito usada por
analistas e outros usuários das Demonstrações Contábeis, para que possam
melhor avaliar a situação da empresa e seus resultados, bem como julgar
com certa razoabilidade por meio de índices de rentabilidade, liquidez, sol-
vência, estrutura de capital, entre outros, considerados importantes. Serve
também para que se conheça qual é o objetivo social da empresa, ou seja,
qual é a sua atividade, suas bases operacionais e mercados em que a em-
presa opera, qual o estágio de empreendimento, bem como se a empresa
estiver em implantação, reorganização ou em expansão.Muitas empresas
apresentam o contexto operacional em seu Relatório de Administração.

76
Lucro por ação e dividendo por ação
Há obrigatoriedade de menção do valor do lucro por ação e do dividendo
por ação. Tais informações devem ser expressas na DRE, DMPL ou DLPA.

Segregação entre circulante e longo prazo


No caso de empresas em que o ciclo operacional seja superior a um ano
as NE deverão mencionar os critérios de segregação de Ativos e Passivos en-
tre circulante e longo prazo.

Seguros
As NE devem trazer os ativos, responsabilidades ou interesses cobertos
por seguros (montantes e modalidades).

Leasing
Deve apresentar: a natureza dos bens arrendados, tipo de operação,
prazos, valor do contrato.

Amortização do ágio/deságio
Deve apresentar: os fundamentos econômicos que deram origem ao
ágio e/ou ao deságio.

Transações entre partes relacionadas


Com relação às coligadas e controladas mostrar:

a) Créditos e obrigações entre coligadas e controladas;


b) Avais, garantias, hipotecas concedidas em favor de coligadas e
controladas.

Prejuízos fiscais a compensar


Quando da apuração do lucro real para apuração do IR houver prejuízo,
este deve ser demonstrado em NE, assim como os 30% da compensação.

Debêntures
É uma fonte de financiamento da empresa que deve ser divulgada em
NE, (séries, quantidades emitidas, direitos, valor, datas de vencimento, re-
muneração, registro no CVM etc.).

77
Subsídios governamentais
Deve ser apresentado em NE:

a) A natureza e valor do subsídio;


b) A indicação do projeto para o qual se destinou o subsídio;
c) Condições contratuais.

Planos de aposentadoria e pensões


As NE devem conter explicações sobre existências desses Planos
tais como:

a) Custo anual para a Companhia;


b) Regime de apuração de Custos;
c) Tipo de Plano (benefício definido, contribuição definitiva, misto);
d) Compromissos Estatutários da Companhia;
e) Taxas de Contribuição;
f) Data da última reavaliação aprovada.

Divulgação de instrumentos financeiros


É toda operação que dá origem a um ativo financeiro em uma entidade
e um passivo financeiro em outra entidade. Devem constar em NE os crité-
rios de avaliação desses Ativos (valor de mercado).
São Considerados Ativos e Passivos Financeiros:

a) Ativos: disponibilidades, direitos recebíveis em moeda ou outros ins-


trumentos financeiros, títulos de participações em outras entidades;
b) Passivos: pagamentos em moeda ou instrumentos financeiros.

Disponibilidades:
A Lei Societária e a CVM não fazem menção sobre disponibilidades,
restou ao IBRACON pronunciamento: são valores em caixa e depósitos em
banco (AC) com destinação específica. O IBRACON recomenda que sejam
mencionadas em NE.

Ações em tesouraria:
As ações em tesouraria de acordo com a Lei das S/As devem ser eviden-
ciadas no Balanço Patrimonial como dedução do PL.
De acordo com a CVM deverão ser mencionadas em NE:

a) O objetivo de aquisição de suas próprias ações;

78
b) As Quantidades e classes de ações adquiridas ou alienadas no curso
do exercício;
c) Os custos de aquisições e os resultados líquidos de alienações;
d) O valor de mercado das espécies e classes de ações em tesouraria.

Empresas em fase pré-operacional


Os gastos pré-operacionais são diferidos para posterior amortização
com os resultados produzidos. Caso a empresa obtenha ganho durante a fase
de implantação, deve mostrar em NE o confronto entre receitas e despesas.

Capacidade ociosa
De acordo com a CVM, deve constar em NE, para dar ciência do fato
aos interessados (avaliação de produção e resultados).

Continuidade normal dos negócios


Para a CVM, quando houver risco iminente de descontinuidade da
Companhia, tal fato deve ser evidenciado em NE.

Programa de desestatização
Empresas Públicas e de Economia mista sob o controle Municipal, Esta-
dual ou Federal incluídas no processo de privatização deve segundo a CVM,
mencionar em NE:

a) Modalidade Operacional da Privatização (leilão, transformação,


cisão ou dissolução);
b) Histórico do processo de privatização e seu estágio atual;
c) Valor contábil do investimento privatizável, qual o método de
avaliação e o valor da avaliação e preço mínimo de venda;
d) Montante da provisão para desvalorização ou perda de permanente;
e) Informações precisas entre operações com partes relacionadas;
f) Montante dos recursos da privatização a serem usados na qui-
tação de dívidas do setor público;
g) Informar das pendências judiciais e trabalhistas.

Remuneração dos administradores


A Legislação Societária não faz menção desta NE. Já o Parecer de
Orientação CVM nº 4/79 define que “O valor da remuneração dos adminis-
tradores deverá ser divulgada no corpo da DRE ou em Notas Explicativas”.

79
Vendas ou serviços a realizar
Quando a Companhia tiver garantias formais, do recebimento no
futuro de serviços ou vendas a realizar, e estas forem relevantes, essa in-
formação deverá constar de NE, com o demonstrativo de seu montante
(PARECER 21/90).

Juros sobre o capital próprio


Pela legislação fiscal os juros pagos pelo capital próprio são dedu-
tíveis para efeito de apuração do lucro real, devendo o mesmo ser re-
gistrado como despesa financeira. Pela CVM e legislação societária, a
remuneração do capital próprio configura distribuição do resultado e
não despesa financeira. Determinou ainda a CVM que os juros sobre o
capital próprio sejam contabilizados na Conta Lucros Acumulados, sem
afetar o resultado do exercício. Face o entendimento do Fisco/Legislação
Societária e CVM, as NE deverão informar:

a) os critérios utilizados para apuração (juros, contabilização e


evidenciação);
b) as políticas usadas para sua distribuição;
c) o montante do IR incidente;
d) seus efeitos sobre os dividendos obrigatórios.

Mudanças de práticas contábeis


Caso não haja uniformidade das práticas entre os exercícios, de-
vem-se mencionar em NE as mudanças introduzidas no exercício cor-
rente em relação ao anterior.

Demonstração em moeda de capacidade aquisitiva constante


A comparabilidade dos exercícios fica afetada se as Demonstrações
Contábeis não forem apresentadas em moeda de poder aquisitivo cons-
tante (Correção Monetária Integral - CMI). Esta Demonstração comple-
mentar (CVM) deverá aparecer em NE e evidenciar:

a) os critérios adotados na elaboração desta demonstração (índice


de correção e contas atualizadas);
b) conciliação das diferenças apuradas no Lucro (prejuízo), escri-
turação mercantil e correção integral.

80
Destinação do lucro
Caso não haja distribuição de lucros a acionistas, deve-se justificar em
NE a razão da retenção. Informações do ano anterior que sofrem alterações,
como exemplo, causas judiciais, tributárias e trabalhistas, quando relevan-
tes são dignas de repetição.

15.6. Normas do Conselho Federal de Contabilidade


A Norma Brasileira de Contabilidade Técnica NBC T - 6, , aprovada
pela Resolução CFC nº 737/92 trata no subitem 6.2das informações mí-
nimas que devem constar das Notas Explicativas, observadas pelas em-
presas para efeito de elaboração das Notas Explicativas.
São várias as informações que podem compor as Notas Explicativas,
devendo sempre levar em conta as informações complementares neces-
sárias a um melhor entendimento do que se refere a práticas contábeis
específicas do ramo de atividade da empresa. A Resolução do CFC nº
737/92, NBC T-6, orienta na elaboração das Notas Explicativas:

a) As informações devem estar baseadas na integridade, autenti-


cidade, precisão, sinceridade e relevância dos fatos.
b) Os textos devem ser simples, objetivos e claros.
c) Os assuntos devem ser abordados conforme ordem das De-
monstrações Contábeis.
d) Os assuntos devem ser agrupados segundo as característi-
cas comuns.
e) Os dados atuais devem permitir a comparação com datas de
períodos anteriores, quando existirem.
f) Sempre que necessário ao atendimento e validade, as informa-
ções devem conter esclarecimentos acerca de Leis, Decretos, NBC
e Atos Normativos.

A seguir são apresentados exemplos práticos de notas explicativas


como parte integrante das Demonstrações Contábeis.

81
Notas Explicativas | Exemplos

Balanços Patrimoniais em 31 de Dezembro (em reais)


2007 2006
Ativo Circulante
Caixa e bancos 282.447 287.649
Aplicações financeiras - 698.352
Contas a receber de clientes 986.377 1.085.767
Estoques 96.815 176.375
Despesas antecipadas 80.287 62.660
Adiantamentos concedidos 21.853 31.847
Imóvel alienado em fase de recebimento 942.927 407.331
Tributos a recuperar 155.272 189.965
Outros créditos e valores 175.759 124.622
2.741.737 3.064.568
Ativo Não Circulante
Realizável a longo prazo
Desapropriação de imóveis a receber 2.388.529 2.388.528
Valores bloqueados pela justiça 868.093 809.480
Cobranças judiciais 1.823.898 1.755.666
Depósitos judiciais 318.023 319.589
Valores a receber de imóveis vendidos - 217.223
Outros créditos e valores 6.290 109.405
Provisão para devedores duvidosos (686.474) (640.215)
4.718.359 4.959.676
Permanente
Imobilizado 32.177.259 34.879.695

Total do Ativo 39.637.355 42.903.939

As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis

82
Balanços Patrimoniais em 31 de Dezembro (em reais)
2007 2006
Passivo e Patrimônio Líquido Circulante
Fornecedores 906.720 384.056
Salários e contribuições previdenciárias 793.743 723.615
Obrigações tributárias 118.840 268.024
Parcelamento REFIS 243.343 200.000
Provisão para contingências 654.373 1.500.000
Acordos trabalhistas 947.700 -
Outras obrigações a curto prazo 48.988 50.567
3.713.707 3.126.262
Passivo Não Circulante
Exigível a longo prazo

Provisão para contingências - 1.389.168

Parcelamento REFIS 5.743.572 5.768.194


Provisão para tributos a recolher 721.640 708.511
6.465.212 7.865.873
Patrimônio Líquido
Capital Social 161.176.620 161.176.620
Prejuízos acumulados (131.718.184) (129.264.816)
29.458.436 31.911.804

Total do Passivo 39.637.355 42.903.939

As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis

83
Demonstrações de Resultados
Exercícios Findos em 31 de Dezembro (em reais)
2007 2006
Receita Operacional Bruta
Venda de Mercadorias e Serviços 12.805.793 11.770.623
Impostos e Outras Deduções da Receita
COFINS Não Cumulativa (973.240) (893.599)
PIS Não Cumulativo (211.296) (193.870)
ISSQN (387.775) (354.627)
ICMS (2.311) (107.210)
Créditos PIS/COFINS não cumulativos 413.509 396.454
Receita Operacional líquida 11.644.680 10.617.771
Custos dos produtos vendidos e dos
(8.857.104) (8.788.882)
serviços prestados
Lucro Bruto 2.787.576 1.828.889
Receitas (Despesas) Operacionais
Despesas gerais e administrativas (4.497.760) (3.788.082)
Reversão de provisões constituídas 702 6.341
Outras receitas operacionais líquidas 1.116.509 1.976.880
Receitas (despesas) financeiras líquidas 33.200 (42.974)

Depreciação (3.109.011) (3.119.625)

Prejuízo Operacional (3.668.784) (3.138.571)


Resultado não operacional
Alienação de imóveis 1.276.039 556.809
Prejuízo Antes do Imposto de Renda e Contribuição Social
(2.392.745) (2.581.762)
Prejuízo Líquido do Exercício (2.392.745) (2.581.762)
Prejuízo líquido por lote de mil ações do capital social (0,0059) (0,6642)
Quantidade de ações ao final do exercício 40.212.516.561 40.212.516.561

As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis

84
Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido
Exercícios Findos em 31 de Dezembro (em reais)

Capital social Prejuízos


Total
integralizado acumulados

Saldos em 31 de dezembro de 2005 161.176.620 (126.642.294) 35.534.326


Ajustes de exercícios anteriores - (40.760) (40.760)
Prejuízo líquido do exercício - (2.581.762) (2.581.762)
Saldos em 31 de dezembro de 2006 161.176.620 (129.264.816) 31.911.804
Ajustes de exercícios anteriores - (60.623) (60.623)
Prejuízo líquido do exercício - (2.392.745) (2.392.745)
Saldos Em 31 de dezembro de 2007 161.176.620 (131.718.184) 29.458.436
As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis

Demonstrações das Origens e Aplicações de Recursos


Exercícios Findos em 31 de Dezembro
2007 2006
Origens de recursos
Nas operações sociais
Despesas (receitas) que não afetam o capital circulante
Reversão de provisão (702) (6.341)
Atualizações e juros do exigível a longo prazo 225.378 287.180
De terceiros
Redução do realizável a longo prazo 1.019.042 1.509.892
Alienação de Imobilizado 1.312.044 1.127.487
Aumento do exigível a longo prazo 13.129 35.250

Total dos recursos obtidos 2.568.891 2.953.468

85
Demonstrações das Origens e Aplicações de Recursos
Exercícios Findos em 31 de Dezembro
2007 2006

Aplicações de Recursos

Das operações sociais


Prejuízo líquido do exercício 2.392.745 2.581.762
Lucro na venda de imobilizado 1.276.039 556.809

Ajustes de exercícios anteriores 59.921 33.810

Despesas (receitas) que não afetam o capital circulante

Depreciação (3.109.011) (3.119.625)

Variações monetárias passivas - 609


Aumento do realizável a longo prazo 777.725 945.628
Adições de imobilizado 442.580 1.087.427
Transferência do exigível a longo prazo para o circulante 1.639.168 687.307
Total dos recursos aplicados 3.479.167 2.773.727

Aumento (redução) do capital circulante líquido


Ativo circulante
No início do exercício 3.064.568 4.153.298
No fim do exercício 2.741.737 3.064.568
(322.831) (1.088.730)
Passivo circulante
No início do exercício 3.126.262 4.394.733
No fim do exercício 3.713.707 3.126.262
587.445 (1.268.471)

Aumento (Redução) do capital circulante líquido (910.276) 179.741

As Notas Explicativas da administração são parte integrante das Demonstrações Contábeis

86
Notas explicativas da administração às
demonstrações contábeis em 31 de dezembro de
2007 e em 31 de dezembro de 2006 (em reais)

1. Contexto operacional
A Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (CA-
SEMG) é uma sociedade por ações, constituída através da Lei n° 1643
de 06 de setembro de 1957. Tem como principal objetivo armazenar e
ensilar produtos do agronegócio, bem como exercer o comércio de pro-
dutos similares aos recebidos em depósitos, na forma do Decreto nº 3855
de 03 de julho de 2001, executando os serviços conexos e praticando os
atos pertinentes a essas finalidades, e operando como Armazéns Gerais
em 20 Unidades de Armazenagem e Negócios no Estado de Minas Gerais.
Em 26 de maio de 2000, mediante contrato de compra e venda,
realizou-se a transição acionária do Governo do Estado de Minas Gerais
para a União, não havendo qualquer modificação das atividades opera-
cionais. Encontra-se a empresa incluída no PND - Programa Nacional de
Desestatização.

2. Apresentação e elaboração das Demonstrações Contábeis


As Demonstrações Financeiras foram elaboradas e estão apresen-
tadas em conformidade com as práticas contábeis adotadas no Brasil
e com observância às disposições emanadas da Lei das Sociedades por
Ações e as Normas do Conselho Federal de Contabilidade.
Em 28 de dezembro de 2007, foi promulgada a Lei no. 11.638/07,
que altera e introduz novos dispositivos à Lei das Sociedades por Ações,
especificamente em relação ao capítulo XV, sobre matéria contábil, que
entra em vigor a partir do exercício que se inicia em 1º de janeiro de
2008. A referida Lei tem como principal objetivo atualizar a lei societária
brasileira para possibilitar o processo de convergência das práticas con-
tábeis adotadas no Brasil com aquelas constantes das normas interna-
cionais de contabilidade e permitir que novas normas e procedimentos
contábeis sejam expedidos em consonância com os padrões internacio-
nais de contabilidade. No início do exercício de 2008, algumas altera-
ções são aplicáveis, sendo que outras dependem de normalização por
parte dos órgãos reguladores no Brasil.

87
Como decorrência dessa lei, as principais alterações que terão efeito
imediato sobre as Demonstrações Financeiras da Companhia, a partir do
exercício a findar-se em 31 de dezembro de 2008 são as seguintes:

Substituição das Demonstrações das Origens e Aplicações de Re-


cursos (DOAR) pela Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC);
Publicação da Demonstração de Valor Adicionado (DVA);
Demonstração de novos subgrupos de contas: intangível e ajustes
de avaliação patrimonial no grupo do patrimônio líquido;
Obrigatoriedade de a Companhia analisar a capacidade de recu-
peração dos valores apresentados no ativo imobilizado e intangí-
vel, periodicamente.

As Demonstrações Contábeis integram as alterações trazidas pe-


los normativos contábeis Normas e Procedimentos de Contabilidade
– NPC no 27 – Apresentação e Divulgações, e no 22 – Provisões, Passi-
vos, Contingências Passivas e Contingências Ativas, ambas emitidas pelo
IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, em 03 de
outubro de 2005, as quais foram aprovadas pelas Deliberações CVM no
488 e no 489, respectivamente. As Demonstrações Contábeis referentes
ao exercício findo em 31 de dezembro de 2010 foram reclassificadas
para fins de comparabilidade com as do exercício corrente. As alterações
resultantes dos normativos citados foram as seguintes:

Apresentação dos grupos “Não Circulante” no ativo e no passivo.


Classificação da provisão de contingências de acordo com os pa-
râmetros para fins de reconhecimento dos ativos e passivos em
contingentes ou não.

3. Resumo das principais práticas contábeis

a) Ativos circulante e não circulante


São apresentados por valores de custo ou de realização, e inclui
quando requerido, as variações monetárias e os rendimentos. Estão clas-
sificados no circulante os ativos cuja realização ou pagamento dar-se-á
em período inferior a um ano.

88
b) Disponibilidades e aplicações financeiras
Estão avaliadas ao custo, acrescidas dos rendimentos auferidos até a
data do balanço. As aplicações financeiras estão demonstradas pelos valo-
res aplicados, acrescidos dos rendimentos auferidos até a data do balanço.

c) Contas a receber
São apresentadas pelos respectivos valores de realização, líquidos
da provisão para devedores duvidosos, constituída com base na avalia-
ção da situação de cada cliente, considerados tais valores de realização
suficientes pela Administração para fazer face às eventuais perdas no
recebimento dos créditos.
A provisão para créditos de liquidação duvidosa é constituída sobre
os créditos que envolvem riscos e em montante suficiente para a cober-
tura de possíveis perdas.

d) Estoques
Os estoques estão representados por materiais de manutenção e
consumo nos Armazéns Gerais. O estoque de mercadorias de clientes é
registrado no livro de Inventário, não sendo registrado em balancete.

e) Imobilizado
Registrado ao custo de aquisição ou de construção, corrigido mone-
tariamente até 1995. A depreciação é calculada pelo método linear, con-
siderando as estimativas de vida útil-econômica dos bens (Nota no. 9).

f) Demais ativos circulante e não circulante


Os demais ativos circulante e realizável a longo prazo são demons-
trados pelo valor de custo ou líquido de realização, dos dois o menor, e
incluem quando aplicável, os rendimentos proporcionais auferidos até a
data do balanço.

g) Classificação dos passivos circulante e não circulante


São demonstrados pelos valores conhecidos ou calculáveis, acresci-
dos, quando aplicável, dos correspondentes encargos das variações mo-
netárias ou contratuais incorridas.

h) Provisão para contingências


É relacionada a processos de natureza tributária, trabalhista e cível,
e é reconhecida quando a Companhia á parte de uma obrigação legal ou
como resultado de eventos passados, sendo provável que um recurso eco-

89
nômico seja requerido para saldar a obrigação. As provisões devem ser re-
conhecidas considerando as melhores estimativas da Administração.

i) Demais passivos circulante e não circulante


São demonstrados pelos valores conhecidos ou calculáveis acresci-
dos dos correspondentes encargos até a data do balanço.

j) Apuração do resultado
O resultado das operações é reconhecido por regime contábil de
competência.

k) Imposto de renda e contribuição social refletidos nos resultados


O Imposto de Renda Federal, o Adicional de Imposto de Renda e
a Contribuição Social de que trata a Lei nº 7.689/88 incidem direta ou
indiretamente sobre o resultado apurado pela companhia, ajustado se-
gundo critérios fiscais, disciplinados na legislação tributária. O imposto
de renda e a contribuição social, do exercício corrente, são calculados
com base nas alíquotas de: 15%, acrescida do adicional de 10% sobre
o lucro tributável excedente de R$ 240 mil para imposto de renda, e de
9% sobre o lucro tributável para contribuição social sobre o lucro lí-
quido. Consideram a compensação de prejuízos fiscais e base negativa
de contribuição social, limitada a 30% do lucro real anual.

l) Estimativas contábeis
De acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, a elabora-
ção das Demonstrações Contábeis requer o uso de julgamento na deter-
minação e reconhecimento de estimativas contábeis. As estimativas da
Administração envolvem a análise de ativos e passivos, mediante pre-
missas que incluem a provisão para devedores duvidosos, valor residual
do imobilizado, e provisão para contingências. Os resultados efetivos
podem se apresentar diferentes dessas estimativas e julgamentos feitos
pela Administração. A Administração da Companhia revisa as estimati-
vas e premissas anualmente.

90
4. Contas a receber de clientes
O saldo de R$ 986.377 em 31 de dezembro de 2007 (R$ 1.085.767
em 31 de dezembro de 2006) refere-se a valores a receber de clientes, de-
correntes da prestação de serviços de armazenagem (serviços prestados
e não recebidos até 31 de dezembro) conforme demonstrado a seguir:

Unidades armazenadoras Posição em 2007 Posição em 2006

Alfenas 0 20.000
Araguari 26.827 48.074
Bonfinópolis 10.725 0
Buritis 1.186 6.686
Capinópolis 68.829 118.187
Centralina 5.700 5.548
Conceição das Alagoas 0 0
Frutal 20.813 9.554
Ipiaçu 137 212
Ituiutaba 124.204 54.704
Monte Carmelo 47.805 97.626
Paracatu 50.287 68.627
Passos 17.879 118.983
Patos de Minas 86.624 78.179
Patrocínio 77.599 169.769
Sacramento 19.884 28.076
Santa Vitória 17.978 5.935
Tupaciguara 10.247 3.792
Uberaba 30.446 52.611
Uberlândia 269.561 163.926
Unaí 99.645 35.278
Total 986.377 1.085.767
Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG, 2007)

91
5. Outros créditos e valores
Referem-se basicamente à concessão de direito real de uso de imó-
veis, no valor de R$ 122.278, à venda de imóveis nas cidades de São
Francisco, em 2006 pelo valor de R$163.302, para pagamento em 30
meses, com saldo remanescente em 2007 de 14 parcelas; Distrato de Es-
critura Pública Declaratória de Distrato de Doação com o município de
Contagem, em 2007, pelo valor de R$ 1.190.000 para pagamento em 10
parcelas mensais. Em 31 de dezembro de 2007 restam a ser recebidos R$
942.927, da seguinte forma:

São Francisco Contagem Total


Valores a receber no curto prazo 71.374 871.553 942.927

6. Desapropriação de imóveis a receber em cobrança judicial

2007 2006
Prefeitura Municipal de Gov.Valadares 683.489 683.489
Prefeitura Municipal de Ipanema 459.957 459.957
Prefeitura Municipal de Muriaé 1.235.681 1.235.681
Prefeitura Municipal de Centralina 9.401 9.401
2.388.528 2.388.528
(-) Provisão para perdas (254.730) (254.730)
2.133.798 2.133.798
Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG, 2007)

Estes valores a receber estão sendo discutidos judicialmente. A pro-


visão para perdas demonstrada está baseada na expectativa de êxito no
mérito das ações informada pelos assessores jurídicos da Companhia. Na
ação contra a Prefeitura de Governador Valadares a certeza do direito é
latente, por se tratar de execução de título extrajudicial (Escritura Pú-
blica de Desapropriação Amigável). Os valores a receber das Prefeituras
de Ipanema e Muriaé originam-se de ações que contam com julgamen-
tos favoráveis à CASEMG, com trânsito em julgado quanto ao mérito
e pleno reconhecimento do direito da Companhia, com precatórios já
constituídos, posto estarem em fase de execução.

92
7. Cobranças judiciais
O saldo desta conta em 31 de dezembro de 2007, de R$ 1.823.898,
decorre de valores a receber relativos a concessões de direito real de uso
e duplicatas a receber em cobrança judicial.

2007 2006
Prefeitura Municipal de Frutal 888.174 888.174
Prefeitura Municipal de Felixlândia 192.828 192.828
Prefeitura Municipal de Gurinhatã 132.580 132.580
Prefeitura Municipal de São Francisco 18.178 18.178
Prefeitura Municipal de Espinosa 99.585 99.585
Usapanos Panos Limpeza 209.230 209.230
Iconomil 135.421 135.421
Líria de Cássia Salomão 34.802 34.802
Oliveiros Fernando Nogueira Lima 22.403 22.402
Valdir José Faria 1.287 1.287
Cezar Dalbert Bizinoto – 2.646
Outros Valores em cobrança judicial 89.410 18.532
1.823.898 1.755.666
(-) Provisão para perdas (431.744) (385.485)
1.392.154 1.370.181

Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG, 2007)

Esses valores a receber estão sendo discutidos judicialmente. A


provisão para perdas demonstrada está baseada na expectativa de
êxito no mérito das ações informada pelos assessores jurídicos da
Companhia. A ação contra a Prefeitura de Frutal constitui matéria
de Direito e está em fase de execução de sentença, com julgamentos
favoráveis à CASEMG em 1ª e 2ª instâncias, sem trânsito em julgado
por existirem recursos às instâncias superiores, embora esteja em fase
de negociação extrajudicial, no intuito de recebimento e/ou com-
pensação de créditos junto ao município. As ações judiciais frente às
Prefeituras de Felixlândia, Gurinhatã e Espinosa encontram-se ainda
em fase de conhecimento, sem julgamento do mérito. Por se tratar

93
de descumprimento de contratos, constituindo-se matéria exclusiva-
mente de Direito, há plena possibilidade de êxito quanto ao reconhe-
cimento dos créditos da Companhia.

8. Depósitos Judiciais
O saldo de R$ 318.023 decorre de valores depositados judicialmente
para fazer face a depósitos recursais relativos a ações trabalhistas. A com-
panhia constituiu provisão no passivo para suportar eventuais perdas.

9. Imobilizado

Taxa anual de
2007 2006
depreciação
Terrenos – 592.214 620.156
Edificações 4% 8.707.011 8.708.704
Máquinas e Equipamentos 10% 47.931.841 47.775.844

Móveis e Utensílios 10% 1.409.406 1.449.050

Veículos 20% 137.171 132.051


Armazéns e Silos 4% 88.766.038 89.060.252
Obras em andamento – 198.105 5.665
Direitos de Propriedade – 216.541 215.741
Equipamentos de Informática 20% 387.638 391.008
148.345.965 148.358.471
(-) Depreciação acumulada (116.168.705) (113.478.776)
Total 32.177.259 32.879.695
Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG, 2007)

Em 2007 ocorreram baixas no imobilizado por força de alienações


provenientes de leilões oficiais de bens móveis, do imóvel de Espinosa e
do distrato de escritura pública de promessa de doação do município de
Contagem, cujo resultado líquido, está apresentado no balanço pelo ga-
nho de R$ 1.276.039.

94
10. Parcelamentos REFIS
Está composto por débitos de INSS, COFINS, PIS e FUNDAF, de exercí-
cios anteriores a 2000. Em 31 de dezembro de 2007 e 2006, como segue:

2007 2006
Débito total 10.849.942 10.849.942
Compensação de Prejuízos Fiscais (5.310.145) (5.310.145)
Dívida Consolidada 5.539.797 5.539.797
Acréscimo (decréscimo) da dívida 428.397 315.541
Pagamento de parcelas no exercício (206.657) (174.324)
Atualização TJLP no exercício 225.378 287.180
Saldo devedor REFIS 5.986.915 5.968.194
Dividido em:
Passivo Circulante 243.343 200.000
Exigível a Longo Prazo 5.743.572 5.768.194
Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG, 2007)

11. Provisão para contingências trabalhistas, cíveis e valores


bloqueados pela justiça
A empresa mantém provisão para contingências registrada no Pas-
sivo Circulante, de R$ 654.373, para fazer face às eventuais perdas futuras
com reclamações trabalhistas e cíveis. O valor relativo às contingências
trabalhistas e cíveis, já homologado equivale a R$ 4.423.982, conforme
nota técnica, sendo que a empresa dispõe de depósitos recursais de R$
1.047.599, e registro de provisão no montante de R$ 1.602.073, apresen-
tando uma insuficiência não provisionada em 31 de dezembro de 2007 de
aproximadamente R$ 1.774.310,00.
Em 31 de dezembro de 2007, o saldo dos valores bloqueados pela
Justiça do Trabalho para garantir o pagamento de indenizações de ações
trabalhistas que estão sub júdice totaliza R$ 868.094. Em 2007 foram li-
quidadas ações trabalhistas, por acordo nos autos ou por execução de
sentença, no valor total de R$ 2.110.428, com acordo já firmado no valor
de R$ 947.700, conforme registrado na rubrica “Acordos Trabalhistas” no
Passivo Circulante.

95
12. Provisão para tributos a recolher
O ISS e o IPTU a recolher, no valor de R$ 721.640, referem-se a débi-
tos mantidos junto à Prefeitura de Frutal desde 1991, os quais estão sendo
discutidos judicialmente.

13. Capital social


Em dezembro de 2007 o Capital Social, no valor R$ 161.176.620, é
dividido em 94,87% em ações ordinárias e 5,12% em ações preferenciais
sem valor nominal, cuja composição acionária é a seguinte: Governo Fe-
deral (92,6%); CONAB (7,05%); BDMG (0,21%); Outros (0,14%).

14. Ajustes de exercícios anteriores


Os ajustes de exercícios anteriores lançados em 2007, de R$ 60.623,
decorrem basicamente de estorno de provisão de faturamento indevida.

15. Despesas financeiras líquidas


Os saldos em 31 de dezembro de 2007 e 31 de dezembro de 2006
referem-se às despesas financeiras pagas ou incorridas, deduzidas das re-
ceitas financeiras, são:

2007 2006
Despesas Financeiras (344.753) (477.289)
- Juros e VM, pagos ou incorridos 428.397 7.148
- Multas dedutíveis e indedutíveis (206.657) 91.022
TJLP sobre REFIS 225.378 287.180
Comissões, despesas bancárias e outras 243.343 91.939
Receitas Financeiras 377.954 434.315
Taxa de Permanência 133.110 91.399
Apropriação de juros e multas 218.534 148.188
Renda de aplicação financeira 26.310 194.728
Total 33.201 (42.974)
Fonte: Demonstrações Contábeis publicadas (CASEMG, 2007)

96
16. Cobertura de seguros
Em 31 de dezembro de 2007 a Companhia possuía cobertura de se-
guros contra incêndio e intempéries em valores considerados suficientes
para cobrir eventuais sinistros com as mercadorias de terceiros, deposita-
das em seus armazéns.

17. Remuneração de empregados


Os valores da maior e menor remuneração dos Administradores da
Companhia são R$ 7.500 e R$ 6.800, respectivamente, e dos empregados
são R$ 4.497 e R$ 380, respectivamente.

16. Instrumentos financeiros


A Companhia não possuía valores apresentados nas Demonstrações
Contábeis em 31 de dezembro de 2007, originados por operações envol-
vendo instrumentos financeiros derivativos naquela data-base, que re-
queressem divulgação específica.

Passemos agora para o estudo sobre o Relatório da Administração

97
16 Relatório da Administração
16.1. Introdução
Para melhor compreensão do conjunto de informações que abrange
as Demonstrações Contábeis, faremos uma apresentação do Relatório da
Administração.
O Relatório da Administração (RA) faz parte de um conjunto de in-
formações que deve ser divulgado por uma sociedade. O RA representa
uma “prestação de contas” da Companhia e abrange:

Relatório da Administração;
Demonstrações Contábeis e Notas Explicativas que a elas são integradas;
Parecer de Auditores Independentes.

O Relatório da Administração representa um necessário e impor-


tante complemento às Demonstrações Contábeis publicadas, em termos
de permitir o fornecimento de dados e informações adicionais que sejam
úteis aos usuários em seu julgamento e processo de tomada de decisões.
É por meio do RA que a Administração pode fornecer importante
contribuição aos usuários, não só ao fornecer projeções previstas para o
futuro, mas, sobretudo ao fazer análises do passado, indicativas de ten-
dências futuras.
O Relatório da Administração é descritivo e menos técnico que as
Demonstrações Contábeis. Ele reúne condições de entendimento por
uma maior parcela de usuários. Por isso, ele tem um maior poder de co-
municação que poderá, dessa forma, evidenciar conclusões a uma maior
parcela de usuários da informação contábil sobre a empresa.
O RA tem sido adotado em vários países com forma e conteúdos
variados. No Brasil, esse conjunto representa os Documentos da Admi-
nistração como requeridos no art. 133 da Lei nº 6.404/76:

Documentos da Administração
Art. 133. Os administradores devem comunicar, até 1 (um) mês
antes da data marcada para a realização da assembléia-geral ordiná-
ria, por anúncios publicados na forma prevista no artigo 124, que se
acham à disposição dos acionistas:

98
I - o relatório da administração sobre os negócios sociais e os
principais fatos administrativos do exercício findo;
II - a cópia das Demonstrações Financeiras;
III - o parecer dos auditores independentes, se houver.
IV - o parecer do conselho fiscal, inclusive votos dissidentes, se
houver; e (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001)
V - demais documentos pertinentes a assuntos incluídos na or-
dem do dia. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001)
§ 1º Os anúncios indicarão o local ou locais onde os acionistas
poderão obter cópias desses documentos.
§ 2º A companhia remeterá cópia desses documentos aos acio-
nistas que o pedirem por escrito, nas condições previstas no § 3º do
artigo 124.
§ 3o Os documentos referidos neste artigo, à exceção dos cons-
tantes dos incisos IV e V, serão publicados até 5 (cinco) dias, pelo
menos, antes da data marcada para a realização da assembléia-geral.
(Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)
§ 4º A assembléia-geral que reunir a totalidade dos acionistas
poderá considerar sanada a falta de publicação dos anúncios ou a
inobservância dos prazos referidos neste artigo; mas é obrigatória a
publicação dos documentos antes da realização da assembléia.
§ 5º A publicação dos anúncios é dispensada quando os docu-
mentos a que se refere este artigo são publicados até 1 (um) mês an-
tes da data marcada para a realização da assembléia-geral ordinária.

16.2. Estudo da ONU


A ONU estudou o assunto por meio da Comissão de Cooperações Para mais
informações
Transnacionais da ONU um Grupo Intergovernamental de Especialistas pesquise o
em Padrões Internacionais de Contabilidade e, em março de 1989, publi- capítulo do
Manual de
cou um modelo básico, servindo de parâmetro para as empresas. Contabilidade
das Sociedades
Por Ações, sobre
Relatório da
Administração.

99
16.3. Conteúdo básico (ONU)
A forma de apresentação do Relatório da Administração deve in-
cluir uma discussão e análise pelos Administradores, contemplando:

as atividades globais do grupo (análise corporativa);


informações mais detalhadas das atividades de ramos ou segmen-
tos individuais (análise setorial);
análise dos resultados e da posição financeira do grupo (análise
financeira)

16.4. Análise corporativa


Deve enfocar e permitir uma visão das atividades da empresa,
quando apropriado:

estratégia corporativa, mudanças de estratégia e resultados globais


eventos externos que afetaram o desempenho do grupo;
compras ou vendas de ativos e seus reflexos no grupo;
informações sobre seus RH (política e DVA);
responsabilidade social (comunidade, meio ambiente e seus
consumidores);
atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D); investimentos;
projeções futuras.

16.4. Análise setorial:


O Relatório da Administração deve abranger a análise de segmentos
individuais, ou seja, por ramo de atividades, inclusive com maiores deta-
lhes e com dados consistentes, por áreas geográficas:

abranger análise de segmentos individuais, por ramo de atividades;


abranger operações internacionais ou por áreas geográficas.

16.5. Análise financeira


O Relatório da Administração deve conter nesta parte:

100
os resultados operacionais;
situação de liquidez e fontes de capital;
avaliação dos ativos e o impacto inflacionário;
efeitos da variação na taxa de câmbio e os aspectos de análise.

16.6. A Situação no Brasil e o conteúdo proposto


pela CVM

Embora a Lei nº 6.404/76 obrigue à divulgação dos fatos indicados,


de maneira geral os relatórios de administração são considerados como
insuficientes quanto à divulgação. A seguir apresentam-se as recomen-
dações do Parecer de Orientação CVM 15 de 28/12/87

a) Descrição dos Negócios, Produtos e Serviços;


b) Comentários sobre Conjuntura Econômica Geral;
c) Recursos Humanos;
d) Investimentos;
e) P&D; Novos Produtos e Serviços;
f) Proteção ao Meio Ambiente;
g) Reformulações Administrativas;
h) Investimentos em Controladas e coligadas;
i) Direitos dos acionistas e dados de Mercados;
j) Perspectivas e plano para o exercício em curso e os futuros.

16.7. Diferença entre relatório da administração


versus notas explicativas

O Relatório da Administração: é dedicado a informar sobre estra-


tégias da empresa, conjuntura econômica, inserção social da empresa na
comunidade, etc.

As Notas Explicativas: tratam de explicar os valores incluídos nos


balanços e as atividades off balance da empresa, como operações com
derivativos, prestação de fianças, emissão de cartas de créditos, etc. Sua
natureza é de reportar fatos ocorridos e riscos já identificados.

101
16.8. Resumo do capítulo
1. Vimos no presente capítulo que o objetivo do Relatório da
Administração é dar informação sobre os negócios sociais e sobre os
principais fatos administrativos da empresa, devendo ser publicado jun-
tamente com as Demonstrações Contábeis do encerramento do exercí-
cio social anual.

2. Algumas informações necessárias que devem estar contidas no


Relatório da Administração:
aquisição de debêntures de sua própria emissão;
política de reinvestimento de lucros e distribuição de dividendos,
constante de acordo de acionista;
negócios sociais e principais fatos administrativos ocorridos no
exercício;
relação dos investimentos em sociedades coligadas e/ou controla-
das, evidenciando as modificações ocorridas durante o exercício.

3. O Parecer de Orientação CVM nº 15/87 determina que o rela-


tório da administração, como peça integrante das Demonstrações Con-
tábeis, deve complementar as peças contábeis e as Notas Explicativas,
observada a devida coerência com a situação nelas espelhada.

4. O Relatório da Administração deve ser redigido com simpli-


cidade de linguagem, para ser acessível ao maior número possível de
leitores, devendo ser evitados adjetivos e frases tais como: “excelente re-
sultado”, “ótimo desempenho”, “baixo endividamento”, “excelentes pers-
pectivas”, a menos que corroborado por dados comparativos ou fatos.

Exemplos práticos
de Relatório da 5. Não são válidas simples apresentação de percentuais que podem
Administração ser obtidos por qualquer leitor das Demonstrações Contábeis, visto que a
publicados serão
disponibilizados informação relevante diz respeito ao comentário ou apreciação dos fa-
na Plataforma tores endógenos e exógenos que influenciaram as variações ocorridas.
Moodle.

Passamos agora para o último capítulo da disciplina de Contabilidade


Intermediária II, que trata da Correção Integral das Demonstrações Contábeis.

102
17 Demonstrações contábeis
em moeda de capacidade
aquisitiva constante
17.1. Introdução
Também denominada Correção Monetária Integral das Demons-
trações Contábeis (CMI), é uma demonstração que apresenta os refle-
xos das defasagens de índices e do não reconhecimento da inflação
externa nos balanços das empresas. Muitas empresas que hoje não
divulgam essa informação já o fizeram no passado e outras nunca se
preocuparam em fazê-lo.
As Demonstrações Contábeis possuem uma série de utilidades,
como servir de base para a análise econômico-financeira da empresa.
Quando da época da correção monetária, esse tipo de análise era feita
considerando os números corrigidos com um índice que demonstrasse a
perda de poder aquisitivo da moeda.
A partir de 1996, com a extinção da metodologia de reconheci-
mento da inflação nas Demonstrações Contábeis, os índices passaram a
ser calculados a partir dos balanços apurados de acordo com a legisla-
ção societária. Em princípio, se o nível de inflação tivesse sido reduzido
a zero, esse procedimento não causaria problemas comparativos em re-
lação aos anos anteriores.

17.2. Obrigatoriedade de elaboração e divulgação


As companhias abertas foram sujeitas à elaboração e à publicação
de Demonstrações Contábeis complementares, em moeda de capacidade
aquisitiva constante para atendimento ao Princípio do Denominador
Comum Monetário de acordo com a IN CVM nº 201/93.
Como consequência das altas taxas inflacionárias e da evolução
nas necessidades de informação dos diferentes usuários, tanto ex-
ternos como internos da empresa, algumas falhas originais da sis-
temática oficial de correção monetária, então vigente, passaram a

103
apresentar distorções muito significativas dos componentes da de-
monstração do Resultado.
Diante do exposto, foi necessária a adoção de um sistema mais
completo de reconhecimento dos efeitos nas Demonstrações Contábeis,
conhecido como Correção Monetária Integral (CMI), cujo objetivo era for-
necer informação completar às informações da Legislação Societária (LS).
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio da Instrução
CVM nº 64/87, passou a exigir das companhias abertas Demonstrações
Contábeis complementares elaboradas em moeda de poder aquisitivo
constante, ou seja, com correção integral.
Em seguida, a Instrução CVM nº 191/92 substituiu a Instrução CVM
nº 64/87 e instituiu a Unidade Monetária Contábil (UMC) como unidade
de referência a ser usada pelas companhias abertas para elaboração de
Demonstrações Contábeis em moeda de capacidade aquisitiva constante.
A UMC veio substituir a Unidade Fiscal de Referência (UFIR), e a
idéia básica era ter sempre um índice que representasse de forma ade-
quada as variações de preços da economia brasileira. A CVM em 29 de
março de 1996 emitiu a Instrução CVM nº 248, a qual, além de exigir a
apresentação das informações trimestrais (ITR) e Demonstrações Contá-
beis em consonância com a Lei nº 9.249/95, tornou facultativa a elabo-
ração e divulgação em moeda de capacidade aquisitiva constante.
Por fim, através do Parecer de Orientação CVM nº 29, de 11 de abril
de 1996, foram estabelecidos os requisitos e conteúdos mínimos a serem
seguidos pelas empresas que optassem por divulgar voluntariamente in-
formações complementares.
No mesmo sentido, a Lei nº 9.249/95 introduziu a figura dos Ju-
ros Sobre o Capital Próprio com opção de uso da Taxa de Juros a Longo
Prazo (TJLP), taxa essa que representa parcialmente a correção monetá-
ria do capital próprio.

17.3. Diferenças entre correção monetária de


balanço e correção monetária integral

Correção Monetária do Balanço (CMB)


Definida pela Lei nº 6.404/76, era uma técnica contábil simplifi-
cada que determinava a atualização monetária das contas do ativo
permanente e do patrimônio líquido. O efeito líquido dessa atualiza-
ção era reconhecido em uma linha no resultado do exercício, denomi-

104
nada “correção monetária do balanço”. Se o ativo permanente fosse
maior do que o patrimônio líquido, o resultado seria uma receita. Caso
contrário, uma despesa. Este método era obrigatório para todas as
empresas, por exigência fiscal e societária.
A Lei nº 6404 de 15 de dezembro de 1976, em seu art.185, esta-
belece que nas Demonstrações Financeiras deveriam ser considerados
os efeitos da modificação do poder de compra sobre os elementos do
patrimônio e do resultado do exercício. Consistia em atualizar o valor,
com base em índices de desvalorização da moeda nacional dos custos
de aquisição dos elementos do Ativo Permanente e os saldos das con-
tas do Patrimônio Líquido.
Por terem seus valores aumentados, as contas do Ativo são de-
bitadas pelo valor equivalente a esta e a contrapartida creditada na
conta Resultado da Correção Monetária por corresponder a uma re-
ceita. As contas de patrimônio Líquido tinham seu valor aumentado
com a correção e, portanto, eram creditadas. A contrapartida era de-
bitada na conta Resultado da Correção Monetária.

Correção Monetária Integral (CMI)


Regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), essa
técnica era aplicada apenas às companhias de capital aberto e re-
conhecia os efeitos inflacionários de modo integral, como o próprio
nome diz. Ou seja, todas as contas das Demonstrações Contábeis eram
evidenciadas em moeda de uma mesma data.

17.4. Aplicação da correção monetária integral (CMI)


A aplicação da Correção Monetária Integral consiste em a empresa
manter uma contabilidade complementar indexada em UMC, apresen-
tando Demonstrações Financeiras em moeda de poder aquisitivo cons-
tante. É um meio que as empresas dispõem para avaliar gerencialmente
de forma correta a situação patrimonial e seu desempenho em termos
de lucratividade e rentabilidade. Ressalte-se, ainda, que esse sistema
mantém atualizados todos os valores históricos das Demonstrações Con-
tábeis para uma única data, não devendo ser confundido com valores de
mercado ou de reposição, mantendo-se, portanto, o Princípio do Custo
Original como Base de Valor. As despesas e receitas financeiras reais são
apenas as que excedem a inflação, entre outros.

105
17.5. Vantagens da aplicação da correção
monetária integral

Destacam-se, dentre outras, as seguintes vantagens da aplicação


da correção monetária integral:

a) apresenta os efeitos da inflação em todos os elementos das De-


monstrações Contábeis;
b) corrige saldos finais de itens não monetários (depreciação e
equivalência patrimonial como exemplo) que na legislação socie-
tária não eram contemplados;
c) determina a inclusão do ajuste a valor presente nos valores pre-
fixados de contas a receber e a pagar.

17.6 Finalidade da correção de balanços


Para a correção dos balanços, é suficiente colocá-los ou trans-
formá-los em moeda da mesma data. A finalidade desse sistema é
produzir demonstrações em uma única moeda para todos os itens
componentes das Demonstrações Contábeis, bem como explicar os
efeitos da inflação sobre cada conta.
Nesse caso, é necessária a adoção de um índice que reflita a perda
do poder aquisitivo da moeda corrente, para satisfazer o registro num
mesmo padrão monetário. Por esse índice são atualizados os saldos
contábeis, e seus efeitos são reconhecidos no resultado do exercício,
como ganhos e perdas nos itens monetários e não monetários.

17.7. Comparação das demonstrações contábeis com


a correção integral e a correção da legislação societária

No exemplo da página a seguir, a única diferença decorrente da


aplicação do método da correção monetária integral foi no item rela-
tivo ao estoque, que provoca reflexo no patrimônio líquido.
A Correção Monetária Integral provoca o registro da atualização do valor do
estoque final, sendo que na legislação societária nenhum ajuste é reconhecido.
Isso se aplica aos demais itens que não são corrigidos pela legislação societária.

106
Balanço Patrimonial

Ativo CM Integral CM Societária Passivo CM Integral CM Societária


Circulante Circulante
Caixa 808,20 808,20 Fornecedores 200,00 200,00

Estoques 60,00 40,00

Permanente Patrimônio Líquido


Bem 600,00 600,00 Capital Corrigido 1.500,00 1.500,00

Lucros Acumulados -231,80 -231,80

Total 1.468,20 1.448,20 Total 1.468,20 1.468,20


Fonte: O autor – material usado em aulas na graduação

Ajuste a Valor Presente de Direitos e Obrigações. o valor das ven-


das à vista difere do valor a prazo. Isto ocorre para a proteção dos
efeitos inflacionários. No Brasil a prática do sobre-preço é conside-
rada altamente usada ante as expectativas inflacionarias, bem como,
comumente, às condições de juros nominais de mercado.
Na Correção Integral itens como estoques, os bens do ativo per-
manente e o patrimônio líquido (itens não monetários), devem ser
controlados em quantidades de UMC, a partir da data de sua forma-
ção ou aquisição, enquanto os direitos a receber, as obrigações com
vencimentos futuros e os montantes prefixados (itens monetários),
devem ser ajustados a valor presente. Os itens monetários ativos e
passivos de operações prefixadas devem ser traduzidos a valor pre-
sente, com base na taxa de juros vigente na data do balanço.
Uma taxa média nominal de juros que foi usada era divulgada
diariamente pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento
– ANBID. O método da correção monetária integral está de pleno
acordo com o Princípio do Denominador Comum Monetário, segundo
o qual as demonstrações devem estar expressas em termos de moeda
de mesmo poder aquisitivo.
Tendo em vista a não obrigatoriedade de elaboração e de divulga-
ção das Demonstrações Contábeis em moeda de capacidade aquisitiva
constante, para os alunos que se interessarem pela matéria, orien-
tamos ler o livro Aprendendo Contabilidade em Moeda Constante,
editado pela FIPECAFI com o CFC, por se tratar de uma obra de fácil
entendimento, dada a sua aplicação e desenvolvimento para o apren-
dizado, de forma sucessiva.

107
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111
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Fernando Nascimento Zatta

Doutorando em Engenharia de
Produção (PPGEP) em Gestão e
Estratégia pela UNIMEP/SP. Mestre
em Contabilidade e em Finanças pela
FUCAPE/ES. Docente da Universidade
Federal do Espírito Santo – UFES.
Pós-graduado em Contabilidade
pela EPGE/ FGV, em Engenharia de
Produção pela UFES. Graduado em
Ciências Contábeis UVV e Pós MBA
em Inteligência Empresarial pela FGV.

Auditor Independente (CNAI) do


CFC. Auditor interno na prática de
Control Self-Assessment (CSA) e
Gestão de Riscos Corparativos e
Controles Internos (GRCI). Auditor
interno associado ao Instituto dos
Auditores Internos do Brasil (AUDIBRA)
e (IIA-USA). Associado da Associação
Brasileira de Engenharia de Produção
– ABEPRO. Membro da Sociedade
Brasileira de Finanças (SBFin).
Membro do Instituto Brasileiro de
Finanças (IBEF), Seção Espírito Santo.
Auditor do Sistema de Garantia da
Qualidade (SGQ).

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www.neaad.ufes.br
(27) 4009 2208
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