Você está na página 1de 12

Contratos administrativos

1. Contrato: quando a Administração for atender seus próprios interesses


instrumentais ou materiais, necessários para que ela possa atender aos interesses
da coletividade, estará no mesmo plano de direitos e obrigações que os
particulares, pois estes são interesses privados da Administração, chamados de
“interesses públicos secundários”.

 O contrato que será firmado será um contrato de regime privado, regido


pelo Código Civil e demais leis privadas (a jurisprudência atual impõe nestas
relações contratuais as regras comuns de boa-fé dos contratos e função social
dos contratos, previstas no Código Civil).

 Como regra, estes contratos privados não são típicos, pois não estão
submetidos à estrita legalidade. São consensuais porque as partes negociam as
cláusulas que, uma vez firmadas, passam a ser obrigatórias, com força de lei entre
as partes (pacta sunt servanda).

 Como o objeto destes contratos é de direito privado, em regra, é


disponível, admitindo em tese renúncia ou transação e neste sentido, as partes
podem eleger juízo arbitral, para solucionar conflitos decorrentes do contrato, tal
como previsto na Lei 11.079/04 que regula as parcerias público-privadas.

 Como determinado pelo regime privado, as partes no contrato, são


tratadas com “isonomia”, havendo equilíbrio de poderes e obrigações,
determinando uma relação contratual horizontal.

 Os principais exemplos são: I) locação de imóveis (previsto na Lei de


Licitações); II) compra de bens de consumo (previsto na Lei de Licitações); III)
contratos de empréstimos e financiamentos (operações de crédito financeiro); IV)
contratos de seguro e garantias (previsto na Lei 4.320/64).

2. Contratos públicos administrativos (contratos administrativos):

a) Regras e características: diferem tanto dos contratos privados, que parte


da doutrina (civilista) entende que não são espécie do gênero contrato.

b) Contrato de regime público: conforme a Lei 8.666/93 e o Código Civil


(este é aplicado apenas de forma subsidiária).

*na Lei de Licitações, quando o contrato se tratar de objeto de interesse


público (de regime público), são precedidos de licitação, por dispensa ou por
inexigibilidade, e “quando forem obrigatórios”, deverão constar, necessariamente,
do edital da licitação – segundo a Lei de Licitações, o contrato é necessário: I)
quando para aquela hipótese, a modalidade adequada será ou a concorrência ou a
tomada de preços; II) ou, quando o objeto do contrato for complexo ou técnico,
acompanhado de cláusulas de garantia ou assistência técnica.

 Para obrigações simples e de execução imediata, o contrato pode ser


substituído por mera nota de empenho e, nas contratações de ínfimo valor (até
5% dos limites permitidos na modalidade convite) é permitida a contratação
verbal pela Administração (e nesta contratação verbal, o contratado será pago
em regime de adiantamento, e, em regra, através dos suprimentos de fundos, tal
como mediante cartão corporativo).

 O objeto destes contratos será sempre o atendimento aos interesses


públicos primários (contratos da Administração), que por serem indisponíveis,
estarão sujeitos à estrita legalidade e à tipicidade legal (ao contrário do regime
privado, que em regra não impõe uma forma obrigatória para o contrato, o regime
público, em regra, prevê sempre uma determinada forma, que obrigatoriamente
deverá ser seguida para cada hipótese contratual).

 Os contratos de adesão não são consensuais, pois o contratado não


negocia as cláusulas do contrato com a Administração – a Administração elaborou
sozinha e de forma integral e definitiva todo o contrato. Durante o procedimento
administrativo preparatório da fase fechada que antecede à licitação – logo,
contrato administrativo é CONTRATO DE ADESÃO.

 A Administração estará defendendo nesta relação contratual o interesse


público primário que por supremo e indisponível institui as prerrogativas e
sujeições para a Administração – logo, a Administração gozará sempre de cláusulas
especiais de desequilíbrio que constitui poderes contratuais extraordinários que
não seriam nem válidos e nem reconhecidos no regime privado – são as cláusulas
exorbitantes, que definem uma relação contratual verticalizada.

c) Cláusulas exorbitantes: estas cláusulas decorrem de expressa e taxativa


previsão em lei (é a estrita legalidade das cláusulas exorbitantes) e em razão dos
princípios da supremacia e interesse público, e, portanto, não precisam estar
escritas no contrato para serem válidas e eficazes, e a Administração não pode
reduzi-las ou renunciá-las.

3. Cláusulas exorbitantes:

3.1. Alterações unilaterais: a Administração pode, a qualquer tempo, alterar duas


cláusulas contratuais, desde que baseado em fato superveniente, de maneira
motivada, preservando os direitos do contratado. Para alterar estas cláusulas, a
Administração não depende nem da concordância e nem da participação do
contratado – ela apenas notifica o contratado da alteração imposta, sem prejudicar
os demais deveres e obrigações.

a) Cláusulas que podem ser modificadas – são elas:


I) Readequação de projetos: como regra, é a Administração quem
elabora o projeto principal, e poderá readequá-lo qualquer tempo,
sempre que o interesse público necessitar. Só não pode violar o
princípio da obrigatoriedade licitatória (a alteração do projeto não
pode implicar em um novo objeto estranho àquele que foi licitado);

II) Readequação de quantidades e valores: esta se dá em até 25% para


mais ou para menos (para obras de restauração, a alteração poderá
ser de até 50% para mais).

*mediante ACORDO ENTRE AS PARTES, será possível reajustar


quantidades e valores além dos limites previstos nesta cláusula.

 As duas cláusulas vistas podem ser alteradas unilateralmente pela


Administração. As demais cláusulas podem ser alteradas de forma consensual,
mediante acordo entre as partes, podendo qualquer uma das partes propor a
alteração.

b) Cláusulas-lei (cláusulas privadas): porém, conforme previsto no art. 65


da Lei de Licitações, três cláusulas que podem ser alteradas pelo acordo entre as
partes, não podem ter a alteração proposta pela Administração – são as
cláusulas de garantias dos direitos ou interesses do contratado chamados de
“cláusulas privadas” ou “cláusulas-lei” do contrato – são elas:

I) Substituição das garantias já prestadas: a regra é que a


Administração pode exigir que o contratado preste garantias no
valor de 5% do total do contrato, passando para 10% nos contratos
vultosos de grande porte. O contratado presta estas garantias ou por
fiança bancária ou por seguro-garantia ou ainda por caução em
dinheiro ou títulos da dívida pública. Estas garantias não se destinam
a eventuais danos causados a terceiros pelo contratado, mas apenas
para ressarcir a Administração por danos causados a ela ou para
cobrir multas e sanções aplicadas pela Administração sobre o
contratado – liberação da garantia: quando o contratado entrega o
objeto do contrato, a Administração Pública declara o recebimento
provisório, que apenas suspende as obrigações do contratado. Em
seguida, a Administração realiza o procedimento de verificação da
conformidade, qualidade e eficiência. Estando insatisfeita, a
Administração mantém as garantias, e exige o refazimento parcial ou
total do contrato. Estando satisfeita, a Administração declara o
recebimento definitivo, que confere quitação de responsabilidade
ao contratado, liberando então as garantias* – como regra, o edital
não delimita a forma da garantia, e o contratado poderá escolher
entre as três permitidas e uma vez prestada, a Administração não
poderá rejeitá-la ou exigi-la unilateralmente a sua substituição.
*para atender emergências ou calamidades, a Administração não
precisa declarar o recebimento provisório, podendo diretamente,
receber a coisa de forma definitiva, para poder empregar imediato
uso.

II) Modificação do regime de execução: o regime para a execução de


um contrato é definido na fase do edital, pois implicará diretamente
na proposta que o contratado fará, e na taxa de retorno dos custos e
investimentos que o contratado terá diante dos lucros que pretende
receber. A lei prevê diversos regimes de execução: a) uma tarefa
para um serviço ou atividade simples; b) uma empreitada, para a
execução de um projeto ou a realização de uma obra; c) uma
empreitada integral, para a realização da obra, maquinário e
acabamento, para que o contratado entregue a coisa pronta para uso;
etc. – ainda é definido se será ou não permitido, qualquer forma de
subcontratação (qualquer subcontratação dependerá sempre e
obrigatoriamente de expressa autorização no contrato) – todos
estes são os elementos que determinam o regime de execução. A
Administração não pode impor a alteração unilateral e nem propor
alteração amigável do regime de execução – portanto, somente o
contratado pode propor a alteração;

III) Alteração da taxa de retorno interno: desde o início da relação


contratual, é estabelecida a taxa de retorno econômico e financeiro
do contrato – o contratado pode estabelecer, desde o início, a razão
entre seus custos e investimentos, e os ganhos que terá (esse é o seu
direito, por exemplo, para cada R$ 10,00 que investir, terá um
retorno de R$ 1,30, que é seu lucro – esse é o fator de capital do
contrato) – esta taxa de retorno é um direito adquirido do
contratado, e o princípio do equilíbrio econômico e financeiro, é a
garantia legal que preserva este direito.

 Equilíbrio econômico financeiro: eventualmente, fatores externos


promovidos pela Administração ou pelo Governo poderão, direta ou
indiretamente, impactar nesta taxa de retorno. Estes fatos ou fatores
externos supervenientes (Teoria da Imprevisão – o antigo rebus sic
standibus) são chamados de áleas. Estas podem ser administrativa,
tributária, econômica, entre outras – exemplos: a) ocorrerá a álea
administrativa quando a Administração, altera o projeto de forma
que implique no aumento de custos e despesas; b) ocorrerá álea
tributária quando o Governo aumenta os impostos, ou cria novo
tributo, ou; c) ocorrerá uma álea econômica quando o Governo faz
um tabelamento ou congelamento de preços – tais áleas alteram a
taxa de retorno interno. Ocorrendo uma álea, a Administração está
obrigada a restabelecer a taxa de retorno interno, principalmente
através do aumento dos preços públicos e tarifas que serão usadas
para remunerar o contratado.

4. Fiscalização da execução: como regra, nos contratos regidos pela Lei de


Licitações, a Administração elabora o projeto, em regra, contratando para este fim,
um profissional de serviços técnicos singulares (art. 13 da Lei de Licitações), que
possua notória especialização, para desenvolver integralmente o projeto. Esse
profissional é contratado por inexigibilidade da licitação.

*para Procuradoria: a empresa à qual este profissional integra os quadros, não


poderá participar da licitação.

 Para a execução do contrato, a Administração nomeia este mesmo


profissional para fiscalizar o correto cumprimento do projeto – este profissional
tem o poder de penetrar compulsoriamente no parque de obras ou nas
dependências do contratado, podendo ainda fazer requisições e dar ordens de
acatamento obrigatório (pois estará investido nos poderes e prerrogativas da
Administração).

a) Regras de responsabilidade – para a doutrina, a responsabilidade civil


segue a seguinte regra:

I) Danos decorrentes por falha de projeto: a regra é de que a


responsabilidade é própria e direta da Administração (o contratado
apenas executa o projeto).

II) Danos decorrentes da execução: em regra, a responsabilidade será


daquele que praticou o ato, ou seja, o contratado. Esgotada a
capacidade financeira do contratado, a Administração responderá de
forma subsidiária, pelo saldo remanescente (que o contratado não
conseguiu pagar).

III) Danos por atos do subcontratado: a subcontratação de parte do


objeto principal será obrigatoriamente precedida de licitação e este
subcontratado será então escolhido pela Administração – quando
este causar danos, eventual responsabilidade subsidiária será da
Administração (o contratado não tem nenhuma responsabilidade)
– já a subcontratação de elementos acessórios ou complementares,
em regra, é decidida pelo contratado, escolhendo diretamente o
subcontratado. Quando este causa danos, eventual responsabilidade
subsidiária será do contratado que o escolheu.

IV) Omissão da fiscalização: a presença e as ordens deste agente de


fiscalização não alteram as regras de responsabilidade civil. Porém, a
omissão, em regra, implicará em responsabilidade SOLIDÁRIA da
Administração.

*na Parceria Público-Privada (Lei 11.079/04) bem como no Regime


Diferenciado de Contratação (Lei 12.462/11), é permitido delegar
ao contratado a elaboração do contrato, e nestes casos, a regra
geral da responsabilidade entre a Administração contratante e o
contratado é a SOLIDARIEDADE.

b) Responsabilidade da Administração em razão dos débitos deixados pelo


contratado: para a Lei de Licitações, débitos comerciais, tributários e trabalhistas
deixados pelo contratado durante a execução do contrato NÃO recaem nem
solidária, nem subsidiariamente sobre a Administração. No entanto, os débitos
previdenciários implicam em responsabilidade solidária, por força da Lei
8.212/91 (Lei da Previdência).

 Porém, o TST havia editado a súmula 331, e aplicava esta súmula quando
a Administração fosse a tomadora de uma obra ou serviço – contrariando o texto
expresso da Lei 8.666/93, aplicava responsabilidade subsidiária para os débitos
trabalhistas deixados pelo contratado. Evidente que a súmula condiciona a
indenização à conduta culposa da Administração, e não ao fato de somente existir
débito trabalhista.

 O STF, em seguida, declarou a constitucionalidade do art. 71, par. 1º da


Lei de Licitações, que estava sendo negado pelo TST (súmula 331) – porém, ao
invés do TST cancelar a súmula, ou respeitar o STF, deixando de aplicá-la contra a
Administração, alteraram o seu teor, criando o item V, que mantém a
responsabilidade subsidiária da Administração, porém apenas quando
comprovada sua omissão em fiscalizar o contratado no cumprimento de suas
obrigações trabalhistas (como dito supra, quando houver conduta culposa).

5. Encampação: a Administração tem o poder de decretar o uso compulsório de


máquinas, bens, instalações, e até empregados do contratado, para garantir a
prestação de serviços públicos (Princípio da Permanência ou Continuidade dos
serviços públicos) – em regra, este uso compulsório é transitório e indenizado, por
exemplo, no metrô, em havendo paralisação sem justa causa, poderia levar o
Governador a encampar, utilizando quaisquer outros servidores estaduais para
manter o metrô funcionando.

 Para que haja a encampação pelo Poder Público, faz-se necessário haver
prévia lei específica autorizadora, sendo que a encampação sempre gera direito
de indenização também prévia (art. 36 da Lei 8.987/95).

6. Aplicação de sanções: as infrações médias e leves não são previstas nem na


lei*, nem no contrato, e a Administração decidirá caso a caso a conduta que ela
considere como infração. O contrato determina a natureza e os limites das sanções,
e a Administração discricionariamente, aplica punições durante a execução do
contrato. Por serem sanções discricionárias, podem ser revistas na esfera judicial
apenas em relação a sua legalidade, razoabilidade e proporcionalidade.

*as condutas que implicam em grave violação do contrato estão previstas em lei, e
não precisam ser reproduzidas no contrato e sempre implicarão na rescisão
punitiva e antecipada do contrato. Com violações graves que implicam de forma
vinculada na rescisão, não são propriamente “sanções”, mas sim causas de
rescisões. A doutrina define que sanções contratuais nos contratos
administrativos são, em regra, discricionárias.

7. Mitigação da exceção do contrato não cumprido (exceptio non adimplenti


contractus): no regime privado, o contrato sinalagmático comutativo é o contrato
que institui direitos e obrigações recíprocos entre as partes, e nesta relação
contratual, a parte inadimplente perde o direito de exigir a obrigação da outra
parte, permitindo à parte inocente invocar a exceção do contrato não cumprido,
suspendendo, por conta própria, com sua obrigação.

 O contrato administrativo, em regra, é sinalagmático e comutativo.


Quando o contratado estiver em mora na sua obrigação, a Administração pode,
direta e unilateralmente, decretar a rescisão punitiva do contrato.

 Na mora da Administração, o contratado pode invocar a exceção do


contrato não cumprido, para deixar de cumprir sua obrigação e denunciar o
contrato? DEPENDE. Duas podem ser as situações:

I) Quando a Administração deixar de cumprir obrigação de dar ou


fazer, que é antecedente à obrigação do contratado, este não poderá
sequer iniciar a sua obrigação – esta hipótese constitui um FATO DA
ADMINISTRAÇÃO, por exemplo, quando a Administração não
desapropriou a área sobre a qual o contratado deveria executar uma
obra, ou quando a Administração não entregou máquinas e
equipamentos sobre os quais o contratado deveria realizar
manutenção ou restauração – nestas hipóteses, o contratado pode
denunciar o contrato, dando-o como encerrado sem qualquer
punição, sendo ainda indenizado pelos danos materiais e “custos de
desmobilização”.

II) Quando a Administração estiver em mora na obrigação de pagar,


o contratado NÃO pode invocar a exceção do contrato não cumprido
– não pode deixar de cumprir sua obrigação, nem suspender o
contrato, sob pena de severa punição, em razão do Princípio da
Permanência ou Continuidade do serviço público – a Lei prevê o
prazo de até 90 dias, nos quais o contratado continuará obrigado a
executar o contrato, mesmo sem receber. Durante este período, o
contratado não pode pedir a interrupção, nem administrativa e nem
judicialmente (pedindo judicialmente a interrupção do contrato em
função da mora administrativa, a jurisprudência prevê a extinção do
processo sem apreciação do mérito, por faltar interesse de agir) – a
partir do 91º dia, o contratado já pode pedir a suspensão ou
interrupção do contrato (não pode interromper por conta própria,
mesmo após os 90 dias, sob pena de severa punição).

*para o STJ, excepcionalmente, será possível para o contratado


ingressar em juízo para pedir a suspensão do contrato mesmo antes
de passados os 90 dias de mora – o contratado deverá comprovar
que está sob risco de falência ou insolvência exclusivamente em
função da mora administrativa. Neste caso, para a jurisprudência,
prepondera a função social da empresa (a empresa tem função
social porque promove o desenvolvimento nacional, reduz
desigualdades regionais, distribui riquezas ao pagar impostos e
salários – art. 180 da CF), e para esta corrente, a função social da
empresa prepondera sobre a mera indisponibilidade dos serviços
públicos.

8. Rescisão unilateral: a Administração pode, a qualquer tempo, decretar,


unilateralmente, a rescisão do contrato. Para a jurisprudência pacífica de todos os
Tribunais, como a rescisão unilateral é extinção antecipada do contrato, deverá ser
SEMPRE precedida de OPORTUNIDADE DE DEFESA ao contratado, e a decisão
deverá ser MOTIVADA.

9. Formas de extinção de um contrato:

9.1. Ordinária ou comum: é aquele contrato que se extinguiu como o planejado.


Trata-se da regra, e tem como principais formas:

a) Esgotamento ou integral cumprimento do objeto;

b) Esgotamento do prazo. TODO contrato administrativo, regido pela Lei de


Licitações, é sempre por prazo determinado (não existe contrato administrativo
por prazo indeterminado).

*excepcionalmente, o contrato pode ser “prorrogado”, em função de uma


circunstância extrema, ou uma emergência, ou uma calamidade – ou ainda o
contrato pode ser “renovado”, também por prazo determinado (a Lei não limita o
número de renovações do contrato, mas limita o prazo máximo para as
renovações), desde que seja comprovadamente mais vantajoso renovar do que
licitar um novo prestador.

c) Quando a dotação orçamentária para o custeio daquela contratação se


esgotar e não for renovada ou não for aberta dotação adicional ou extraordinária
(quando esgota ou vence a reserva de receitas para pagar uma contratação, o
contrato será encerrado naturalmente, ainda que o objeto não esteja cumprido).

9.2. Extraordinária: esta forma, em regra, se dá pela rescisão unilateral.


Excepcionalmente, o contrato pode ser extinto antecipadamente em decorrência
de fatos ou eventos externos ou estranhos ao contrato. As principais formas de
extinção extraordinária antecipada do contrato são:

a) Nulidade: nesta, sempre haverá uma ilegalidade, sendo que tanto a


Administração quanto o Tribunal de Contas e também o Poder Judiciário podem
decretar a nulidade do contrato. Isso ocorrerá nas seguintes hipóteses: I) quando a
licitação antecedente for anulada (ilegalidade na licitação), sendo que a anulação
da licitação induz a anulação do contrato firmado; II) ilegalidade no próprio
contrato (mais explorada em provas). São as principais hipóteses: o contrato
firmado é distinto daquele que havia sido publicado no edital; o objeto do contrato
é outro, distinto ou mais extenso do que aquele que havia sido publicado no edital;
o valor ou a previsão orçamentária do contrato firmado é distinta ou superior
àquela prevista ou aprovada na lei orçamentária; III) a ilegalidade está no ato de
contratação, violando o direito do vencedor adjudicado com terceiro.

b) Encampação do contrato: trata-se da rescisão sem culpa das partes, nem


qualquer ilegalidade – o contrato é extinto exclusivamente por interesses públicos,
em regra, para que a Administração retome a prestação da atividade ou do serviço.
Para manter a prestação da atividade, ocorrendo a encampação do contrato
também com o uso compulsório e indenizado de bens, máquinas, instalações e até
empregados do contratado.

c) Fato do Príncipe: a Administração pode decretar direta ou indiretamente


a extinção de contratos administrativos por meio de um ato unilateral, extroverso
e compulsório, que recai sobre todos de forma geral (públicos e privados), para
defender relevantes interesses, principalmente envolvendo segurança ou
soberania.

d) Caducidade contratual (é a que mais cai na prova): é a rescisão punitiva


do contrato decretada pela Administração quando o contratado cometer as
infrações gravíssimas previstas na Lei de Licitações (art. 78 da Lei 8.666/93) – as
mais importantes são: I) atrasos e interrupções injustificadas; II) descumprimento
do projeto; III) realizar subcontratações não autorizadas. A lei determina que
qualquer subcontratação deverá ser sempre prevista e autorizada expressamente
no contrato. Subcontratar sem prévia autorização implica em rescisão punitiva; IV)
quando o contratado deixar de possuir a condição de idoneidade que apresentou na
licitação antecedente e no momento de sua contratação. O contratado deve manter
as mesmas condições de habilitação exigidas na licitação até concluir a execução
do contrato.
 Nas hipóteses de caducidade, além da rescisão, o contratado será ainda
punido com quatro sanções cumulativas. São elas:

I) Perdimento das garantias que serão usadas para ressarcir danos


causados à Administração e pagar multas e sanções aplicadas ao
contratado: caso os danos e as multas excedam as garantias dadas, o
saldo remanescente será cobrado de forma autônoma ou inscrito em
dívida ativa, para ser cobrado em Execução Fiscal;

II) Multa;

III) Decretação de inidoneidade, impedindo a participação em


qualquer outra licitação perante todos os entes e esferas da
Administração: em regra, é aplicado no prazo determinado do
contrato, mas leis especiais preveem a aplicação por prazo
indeterminado (voltando a participar de licitações somente após
nova reabilitação). Os dados da pessoa jurídica, seus sócios e
dirigentes, serão lançados no Cadastro Nacional de Inidôneos, de
livre acesso a qualquer ente administrativo.

IV) Proibição de firmar novos contratos por até 2 anos: a lei é lacônica,
pois não define a extensão desta proibição, prevalecendo o
entendimento da extensão desta proibição perante toda a esfera
estatal do ente contratante (se contratou com a esfera federal, fica
proibido de firmar com qualquer da esfera federal). Para uma
segunda corrente, a proibição se restringe ao próprio ente
contratante (somente não poderá firmar contrato com quem se
contratou). Uma terceira corrente (minoritária) entende que esta
proibição se estende às três esferas, perante toda a Administração
(caiu em primeira fase do concurso do MP/SP este entendimento).

9.3. Indenização das extinções contratuais: com a extinção ordinária de um


contrato administrativo, em regra, não haverá ressarcimento por qualquer uma
das partes. Portanto, apenas as parcelas prestadas pelo contratado, mas ainda não
pagas, deverão ser quitadas – já, nas extinções extraordinárias, em regra, três
poderão implicar no dever da Administração em indenizar o contratado. São eles:

a) Bens reversíveis: certos contratos administrativos listam, de forma


expressa e taxativa, determinados bens, os quais o contratado estará obrigado a
adquirir para a execução do contrato. O contratado adquire estes bens, podendo
inserir este custo no preço do contrato e será ressarcido pela Administração, junto
com os pagamentos que receberá conforme for executando o contrato.

*quando o contrato é extinto naturalmente, como previsto e planejado, em


regra, o custo destes bens reversíveis terá sido integralmente ressarcido pela
Administração, e na obrigatória entrega destes bens ao domínio público, não
haverá qualquer indenização.

**nas extinções extraordinárias, é possível que o custo de aquisição destes


bens pagos pelo contratado ainda não tenha sido integralizado pela Administração,
pois ocorreu uma extinção antecipada – a Administração não pode obter
enriquecimento sem causa através dos contratos administrativos, devendo então,
ressarcir o contratado pelo valor da parcela ainda não integralizada destes bens
quando o contrato for extinto. O contratado não tem o direito de retenção e nem
o direito de sequela (perseguir e pegar de volta) sobre estes bens, caso a
Administração não o indenize, cabendo apenas ação de cobrança ou de
indenização.

***na extinção extraordinária por caducidade (extinção punitiva por


infração grave pelo contratado), o contratado será punido com multa e deverá
ressarcir danos causados, sendo permitido por lei para a Administração,
compensar o ressarcimento devido por bens reversíveis, com estes valores que
serão devidos pelo contratado – com isso, tem-se que nem em todas as extinções
extraordinárias geram tal indenização.

b) Custos de “desmobilização”: para cumprir um contrato administrativo,


em certos casos o contratado tem um alto custo de atos preparatórios, tais como
contratando novos agentes, aquisição de novas máquinas e equipamentos, locação
de bens, licenças, etc. – todos estes custos preparatórios de mobilização, já estão
calculados no preço do contrato, ajustado com a Administração, e ocorrendo a
extinção ordinária, não haverá qualquer ressarcimento. Porém, ocorrendo a
extinção extraordinária antecipada, é possível que os custos de desmobilização não
tenham sido ainda compensados pelos pagamentos recebidos – os altos custos
para a demissão dos empregados contratados para executar aquele contrato, a
rescisão dos contratos de locação, de aquisição de máquinas e bens, etc. – logo,
havendo extinção antecipada, é necessário verificar se haverá ou não custos de
desmobilização a serem ressarcidos (estes custos representam, em regra, os danos
materiais pela extinção antecipada).

*no caso da extinção extraordinária por caducidade, a Administração


também poderá compensar a indenização dos custos de desmobilização com as
multas aplicadas sobre o contratado e o ressarcimento de danos causados.

c) Parcelas prestadas: a Administração eventualmente poderá questionar o


serviço prestado ou não ter pagado uma eventual parcela. Solucionada a
controvérsia, ocorrendo a extinção do contrato, estes valores deverão ser pagos
aos contratados quando devidos, para evitar o enriquecimento sem causa da
Administração – este ressarcimento é devido tanto na extinção ordinária quanto na
extraordinária (no caso da caducidade, também poderá ser compensada).
*todos estes ressarcimentos e indenizações são pagos em dinheiro. Se não
forem pagos, entra-se com ação de cobrança ou indenizatória, no prazo
prescricional de 5 anos (pagos por precatórios).