Você está na página 1de 3

A imigração no século 20

No século 20 o Brasil passou por um surto de urbanização. Milhares de


pessoas deixaram o campo em busca de melhores condições de vida nas
cidades, entre eles, muitos imigrantes. Na cidade de São Paulo, por exemplo,
os italianos se aglomeraram em regiões como a Mooca e Bela Vista, formando
um grande número de imigrantes urbanos. Com isso, cresceu o número de
operários trabalhando na indústria brasileira. Os imigrantes europeus
trouxeram idéias novas que estavam acontecendo na Europa, como
o anarquismo, sindicalismo, socialismo e formaram greves operárias que
rapidamente se alastraram pelo país.

Imigrantes tipicamente urbanos, como


os portugueses, sírios, libaneses e espanhóis se dedicaram em grande parte ao
comércio nas cidades. O século 20 também viu crescer o número
de judeus desembarcados no Brasil, assim como o início da imigração
de japoneses, que alcançou grandes números na década de 1930.

A Lei de Cotas e o declínio imigratório

A Lei de Cotas foi revogada durante o governo de Getúlio Vargas, na década


de 1930. Para o governo, não havia mais espaço para os operários imigrantes,
que traziam consigo uma longa tradição de lutas sindicais e libertárias. Essa
lei dizia que só podiam entrar no Brasil até 2% por nacionalidade do total de
imigrantes entrados no país nos últimos 50 anos, apenas os portugueses foram
excluídos dessa lei. Com isso, a imigração foi gradativamente decaindo no
país embora, somando-se às crises econômicas enfrentadas pelo Brasil.

== Portugueses ==

Os portugueses foram o maior grupo de imigrantes recebidos pelos Brasil,


pois sua imigração remonta o século 16, quando os primeiros colonizadores
começaram a se estabelecer no país. Os primeiros povoados portugueses no
Brasil foram criados ao longo do litoral no primeiro século de colonização.
Porém, uma grande imigração de portugueses para o Brasil teve início
no século XVIII, em razão da descoberta de minas de ouro na colônia e a
superpopulação de Portugal.

Após a Independência, em 1822, a imigração cresceu, mas os portugueses


perderam o status de colonizadores e tornaram-se imigrantes comuns. No
período colonial (1500-1822) entraram no Brasil aproximadamente 700.000
portugueses, e no período imigratório (1822-1960) aproximadamente 1,5
milhão, totalizando 2,2 milhões de imigrantes portugueses.

== Italianos ==
A imigração italiana no Brasil teve início no ano de 1875. Eram oriundos
sobretudo do Norte da Itália (Vêneto, Lombardia, Emília-Romanha, etc),
seguidas pelas regiões do Sul (Campânia, Calábria, etc). Imigraram
inicialmente devido à pobreza na Itália, que logo se somaram às I e II Guerras
Mundiais, perseguições políticas, etc. Chegaram em grande número até 1950,
quando entraram aproximadamente 1,6 milhão de italianos no Brasil.

Inicialmente se dedicaram à colonização nos estados do Rio Grande do


Sul, Santa Catarina e Paraná, mas a grande maioria foi trabalhar nas
plantações de café no Sudeste (São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo).
Com o início do século 20, muitos italianos rumaram para as cidades e se
tornaram operários, comerciantes, etc.

== Espanhóis ==

A pobreza e o desemprego no campo foram os responsáveis pela imigração


espanhola no Brasil. Começaram a chegar na década de 1880, sendo 75% com
destino às fazendas de café em São Paulo. Imigraram em grande número para
o Brasil até 1950, período em que entraram cerca de 700.000 espanhóis no
país e eram principalmente oriundos da Galícia e Andaluzia.

No início do século 20 muitos espanhóis se dedicaram ao trabalho na indústria


em São Paulo, onde grande parte dos operários eram espanhóis.

== Alemães ==

A imigração alemã no Brasil ocorreu no período de tempo entre 1824 e 1960,


tendo entrado no país aproximadamente 260 mil alemães, sendo a maior parte
na década de 1920, quando desembarcaram no Brasil 70 mil alemães. Eram
das mais diversas parte da Alemanha, destacando-se as regiões
de Hunsrück,Saxônia, Renânia, Holstein e Pomerânia. Concentraram-se
sobretudo no Sul do Brasil, onde desde o início do século XIX foram criadas
colônias alemães.

Os imigrantes recém-chegados da Alemanha recebiam lotes de terra e se


dedicavam à agricultura. A imigração foi interrompida entre 1830 e 1844,
devido os conflitos no Sul do Brasil. Aproximadamente cem mil alemães
foram assentados em colônias agrícolas no Sul do Brasil durante o século
XIX, todavia, nem todos se dedicaram à agricultura, também se dedicaram ao
comércio nas cidades. Os estados do Rio Grande do Sul e Santa
Catarina absorveram a maioria dos imigrantes alemães, embora sua presença
se faça notar no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas
Gerais.
O século XX viu crescer o número de judeus que, fugindo as
perseguições nazistas, encontraram refúgio no Brasil.

== Japoneses ==

A imigração japonesa no Brasil teve início em 1908, quando os primeiros


imigrantes desembarcaram no porto de Santos. Imigraram em grande número
até 1940, quando entraram no Brasil cerca de 230.000 japoneses. Eram
oriundos das províncias do extremo Sul e extremo Norte do Japão.

A imigração de japoneses inicialmente foi quase toda voltada para o


fornecimento de mão-de-obra nas colheitas de café. Porém, a exploração, falta
de adaptação e revoltas dos imigrantes japoneses fez o Brasil cancelar a
imigração japonesa. Com o fim da I Guerra Mundial, formou-se um enorme
fluxo de imigrantes japoneses partindo para o Brasil, em especial para São
Paulo e Paraná, muitos dos quais rapidamente saíram do campo e rumaram
para as cidades.

== Árabes ==

A imigração árabe no Brasil teve início no final do século XIX, quando o


Imperador Dom Pedro II fez uma visita ao Líbano e estimulou a imigração de
libaneses para o Brasil. Líbano e Síria foram atacados e dominados
pela Turquia, fazendo com que muitos sírios - libaneses imigrassem para o
Brasil, muito dos quais possuíam passaporte da Turquia, e eram muitas vezes
confundidos com turcos quando chegavam ao Brasil. Até 1930, cerca de
100.000 árabes entraram no Brasil.

A partir do início do século XX a imigração árabe no Brasil cresceu


rapidamente, concentrando-se nos grandes centros urbanos, onde se
dedicavam sobretudo ao comércio. A maioria dos árabes no Brasil
eram cristãos.

Interesses relacionados