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TERMODINÂMICA I

Texto: Prof. Dr. José Tomaz Vieira Pereira


Aluno :Marcelo lima Cardoso / engmarcelocardoso.blogspot.com
EM 313 - TERMODINÂMICA

Índice:
Palavras Iniciais
Cápitulo 1: Conceitos e Definições Iniciais
1.1. Termodinâmica
1.2. Sistemas Termodinâmicos
1.2.1. Tipos de Sitemas
1.2.2. Pontos de Vista Macroscópico e Microscópico
1.3. Propriedade, Estado, Processo e Equilíbrio
1.3.1. Propriedades Extensivas e Intensivas
1.3.2. Fase e Substância Pura
1.3.3. Equilíbrio
1.4. Unidades Para Massa, Comprimento, Tempo e Força
1.4.1. SI - Sistema Internacional e Sistema Inglês
1.5. Massa Específica, Volume Específico e Pressão
1.5.1. Massa Específica e Volume Específico
1.5.2. Pressão
1.6. Temperatura
1.6.1. Equilíbrio Térmico
1.6.2. Termômetros
1.6.3. Escala de temperatura de Gás e Escala Kelvin (SI):
1.6.4. Outras Escalas:
1.7. Metodologia Para Resolver Problemas Termodinâmicos.

Capítulo 2: Energia e Primeira Lei da Termodinâmica


I. Introdução
2.1. Conceitos Mecânicos de Energia
2.1.1. Trabalho e Energia Cinética
2.1.2. Energia Potencial
2.1.3. Comentários
2.2. Transferência de energia através de trabalho
2.2.1. Convenção de Sinais e Notação
2.2.2. Trabalho de Expansão ou Compressão
2.2.3. Trabalho em Processos Quasiestáticos de Expansão e Compressão
2.2.4. Outros Exemplos de Trabalho.
2.3. Energia de um Sistema
2.3.1. 1a Lei da Termodinâmica
2.3.2. Definição de variação de energia
2.3.3. Energia Interna.
2.3.4. Princípio da conservação para Sistemas Fechados
2.4. Energia transferida pelo calor.
2.4.1. Convenção de Sinais e Notação
2.4.2. Modos de Transferência de Calor
2.4.3. Considerações
2.5. Balanço de Energia para Sistemas Fechados
2.5.1. Formas do Balanço de Energia
2.5.2. Ilustrações
2.6. Análise Energética de Ciclos
2.6.1. Preliminares
2.6.2. Ciclos de Potência
2.6.3. Ciclos de Refrigeração e Bomba de Calor

Capítulo 3: Propriedades de uma Substância PuraA Compressível Simples


I. Introdução
3.1. O Princípio do Estado
3.2. Relação P - v - T
3.2.1. Superfície P - v - T
3.2.2. P, v, T - Projeções planas
3.2.3. Mudança de Fase.
3.3. Propriedades Termodinâmicas.
3.3.1 Pressão, Volume Específico e Temperatura.
3.3.2. Energia Interna Específica e Entalpia
3.3.3. Calores específicos a volume constante e a pressão constante
3.3.4. Aproximações para determinar as propriedades dos líquidos usando as
tabelas de líquido saturado.
3.3.5. Modelo de Substância Incompressível.
3.4. Relações PvT para gases.
3.4.1. Constante Universal dos Gases.
3.4.2. Fator de Compressibilidade (Z)
3.4.3. Gráfico de Compressibilidade Generalizada
3.5. Modelo de Gás Ideal
3.5.1. Energia Interna, Entalpia e Calor Específico para Gás Ideal
3.5.2. Tabelas de Gás Ideal
3.5.3. Hipótese de calores específicos constantes
3.5.4. Processo Politrópico para um gás ideal

Capítulo 4: Volume de Controle - Análise Energética


I. Introdução
4.1. Conservação de massa para V.C.
4.1.1. Desenvolvimento do balanço do fluxo de massa
4.1.2. Formas do balanço do fluxo de massa.
4.2. Conservação da energia para um V.C.
4.2.1. Desenvolvimento do balanço de energia para um V.C.
4.2.2. Trabalho para um Volume de Controle
4.2.3. Forma do balanço do fluxo de energia para um VC
4.3. Análise para Volume de Controle em Regime Permanente
4.3.1. Balanços de Fluxo de Massa e Energia
4.3.2. Ilustrações
4.4. Análise de Transitórios

Capítulo 5: A Segunda Lei da Termodinâmica


I. Introdução
5.1. Introdução a Segunda Lei
5.1.1. Direção dos Processos
5.1.2. Oportunidade para desenvolver trabalho
5.1.3. Aspectos da 2a. lei
5.2. Enunciados da 2a. lei da Termodinâmica
5.2.1. Enunciados de Clausius e de Kelvin-Pank
5.2.2. Equivalência entre os enunciados de Clausius e Kelvin-Planck.
5.3. Processos Reversíveis e Irreversíveis
5.3.1. Processos Irreversíveis
5.3.2. Processos Reversíveis
5.3.3. Processos internamente reversíveis.
5.3.4 Forma analítica do enunciado de Kelvin-Planck
5.4. Corolários da 2a. lei para ciclos termodinâmicos.
5.4.1. Corolário de Carnot. Limitações da 2a. lei para ciclos de potência.
5.4.2.. Limitações de 2a. lei para os ciclos de Refrigeração e Bomba de calor.
5.5. Escala Kelvin de Temperatura
5.6. Máximo desempenho para ciclos operando entre dois reservatórios.
5.6.1. Ciclos de Potência.
5.6.2. Ciclos de Refrigeração. Bomba de calor.
5.7. O Ciclo de CARNOT

Palavras Iniciais

Neste curso é apresentada uma abordagem da termodinâmica, sob o ponto de


vista da Engenharia Mecânica, e os exemplos de aplicação procurarão abordar
problemas usualmente encontrados pelos Engenheiros Mecânicos no exercício de seu
trabalho.

No desenvolvimento do curso são abordados os tópicos que constam da ementa.

Vale enfatizar que a Termodinâmica Clássica, em sua conceituação


macroscópica, é uma ciência que procura apresentar os fatos de forma lógica e muitas
vezes intuitiva. Pelo fato de muitas coisas parecerem óbvias quando demonstradas por
outros, ficamos com a impressão que tudo é muito fácil e que saberemos também fazer
as demonstrações com a mesma facilidade. Isso tem trazido para muitos uma surpresa
bastante desagradável na hora de verificar os conhecimentos assimilados.

SUGESTÃO: ESTUDE E FAÇA OS EXERCÍCIOS.


SÓ ASSISTIR AS AULAS NÃO BASTA.

CAPÍTULO 1

1. CONCEITOS E DEFINIÇÕES INICIAIS

TERMODINÂMICA
do Grego THEME - CALOR ramo da Física e da Engenharia

DYNAMIS - FORÇA

Embora vários aspectos pelos quais a Termodinâmica é conhecida vem desde


a Antigüidade, seu estudo formal começou no século XIX, motivado pela utilização
do CALOR como força motriz.
Atualmente: espectro bastante abrangente, como ciência da ENERGIA e das
relações entre as PROPRIEDADES da matéria.
Na Física - interesse em compreender os fundamentos dos comportamentos
Físico e Químico da matéria e usar os princípios termodinâmicos para estabelecer
relações entre as propriedades da matéria.

Na Engenharia - interesse em estudar sistemas e suas relações com a


vizinhança.
A relação seguinte mostra algumas áreas de aplicação da Termodinâmica na
Engenharia.

Motores de automóveis
Turbinas
Bombas e Compressores
Usinas Térmicas (nucleares, combustíveis fósseis, biomassa ou qualquer outra fonte
térmica)
Sistemas de propulsão para aviões e foguetes
Sistemas de combustão
Sistemas criogênicos, separação de gases e liquefação
Aquecimento, ventilação e ar condicionado
Refrigeração (por compressão de vapor , absorção ou adsorção)
Bombas de calor
Sistemas energéticos alternativos
Células de combustível
Dispositivos termoeléctricos e termoiônicos
Conversores magnetohidrodinâmicos (MHD)
Sistemas de aproveitamento da energia Solar para aquecimento, refrigeração e
produção de energia elétrica
Sistemas Geotérmicos
Aproveitamento da energia dos oceanos (térmica, das ondas, e das marés)
Aproveitamento da energia dos ventos (energia eólica)
Aplicações biomédicas:
Sistemas de suporte à vida
Órgãos artificiais

1.1. SISTEMAS TERMODINÂMICOS

Um importante passo em toda análise em engenharia é a identificação precisa


do objeto a ser estudado. Em mecânica, quando o movimento de um corpo precisa ser
determinado, normalmente o primeiro passo é a definição de um CORPO LIVRE e
depois a identificação de todas as forças externas exercidas sobre ele por outros corpos.
A segunda lei do movimento de Newton é então aplicada.

Em termodinâmica, o termo SISTEMA identifica o objeto da análise.


Pode ser um corpo livre ou algo complexo como uma Refinaria completa.
Pode ser a quantidade de matéria contida num tanque de paredes rígidas ou uma
tubulação através da qual a matéria flui.
A composição da matéria dentro do sistema pode mudar (reações químicas ou
nucleares).

Vizinhança - Tudo o que é externo ao sistema.

Fronteira - superfície real ou imaginária que separa o sistema de sua


fronteira.
Pode estar em movimento ou repouso.
Deve ser definida cuidadosamente ANTES de se proceder a
qualquer análise termodinâmica.
Sua definição é arbitrária e dever ser feita pela conveniência da
análise a ser feita.

1.1.1. TIPOS DE SISTEMAS

Sistema fechado e Volume de controle.

Sistema Fechado - quantidade fixa de matéria. Massa não entra, nem sai.

Volume de Controle - região do espaço através da qual ocorre fluxo de


massa.

Exemplos do Livro-texto:

Figura 1.1 Gás num conjunto pistão-cilindro.

Figura 1.2 Motor de automóvel.

Obs. Alguns autores utilizam denominações diferentes:

SISTEMA FECHADO = SISTEMA = MASSA DE CONTROLE

VOLUME DE CONTROLE = SISTEMA ABERTO

FRONTEIRA = SUPERFÍCIE DE CONTROLE

1.1.2. PONTOS DE VISTA MACROSCÓPICO E MICROSCÓPICO

MACROSCÓPICO - trata do comportamento global, inteiro do sistema.


Nenhum modelo de estrutura molecular, atômica ou
subatômica é utilizado diretamente. Este tratamento é o
aplicado na termodinâmica CLÁSSICA. O sistema é
tratado como um continuum.

MICROSCÓPICO - tratamento que leva em conta a estrutura da matéria. É


chamada de termodinâmica ESTATÍSTICA. O objetivo
é caracterizar por meios estatísticos o comportamento
médio das partículas e relacioná-lo com o
comportamento macroscópico do sistema.

Para a grande maioria das aplicações em engenharia, a TERMODINÂMICA


CLÁSSICA não somente propicia uma abordagem mais direta para análise e projeto
mas também requer menos complicações matemáticas.

1.2. PROPRIEDADE, ESTADO, PROCESSO E EQUILÍBRIO

PROPRIEDADE - características MACROSCÓPICAS de um sistema, como


MASSA, VOLUME, ENERGIA, PRESSÃO E
TEMPERATURA, que não dependem da história do
sistema. Uma determinada quantidade (massa, volume,
temperatura, etc.), é uma PROPRIEDADE, se, e
somente se, a mudança de seu valor entre dois estados é
independente do processo.

ESTADO - condição do sistema, como descrito por suas propriedades. Como


normalmente existem relações entre as propriedades, o
ESTADO pode ser caracterizado por um subconjunto de
propriedades. Todas as outras propriedades podem ser
determinadas em termos desse subconjunto.

PROCESSO - mudança de estado devido a mudança de uma ou mais


propriedades.

ESTADO ESTACIONÁRIO - nenhuma propriedade muda com o tempo.

CICLO TERMODINÂMICO - sequência de processos que começam e


terminam em um mesmo estado.
Exemplo: vapor circulando num ciclo de
potência.

1.2.1. PROPRIEDADES EXTENSIVAS E INTENSIVAS

EXTENSIVAS - Seu valor para o sistema inteiro é a soma dos valores das
partes em que o sistema for subdividido.
Dependem do tamanho e extensão do sistema.
Seus valores podem variar com o tempo.
Exemplo: massa, energia, volume.
INTENSIVAS - Não são aditivas, como no caso anterior.
Seus valores não dependem do tamanho e extensão do
sistema.
Podem variar de um lugar para outro dentro do sistema
em qualquer momento.
Exemplo: temperatura e pressão.
1.2.2. FASE E SUBSTÂNCIA PURA

FASE - Quantidade de matéria que é homogênea tanto em composição


química quanto em estrutura física.
Homogeneidade na estrutura física significa que a matéria é
totalmente sólida, totalmente líquida ou totalmente gasosa.
Um sistema pode conter uma ou mais fases. Exemplo: água e seu
vapor.
Notar que os gases e alguns líquidos podem ser misturados em
qualquer proporção para formar uma simples fase.

SUBSTÂNCIA PURA - É invariável em composição química e é uniforme.


Pode existir em mais de uma fase desde que seja
garantida a condição acima.

1.2.3. EQUILÍBRIO

Conceito fundamental em termodinâmica clássica, uma vez que ela trata das
mudanças entre estados de equilíbrio.

 EQUILÍBRIO TERMODINÂMICO:
implica em equilíbrios mecânico, térmico, de fase e químico.

 UNIFORMIDADE DE PROPRIEDADES NO EQUILÍBRIO:


não variam de um ponto para outro. Exemplo: temperatura.

 PROCESSO QUASE-ESTÁTICO:
processo idealizado composto de uma sucessão de estados de equilíbrio,
representando cada processo um desvio infinitesimal da condição de equilíbrio
anterior.

Esses processos representam a base para comparação dos processos reais.

 PROCESSOS REAIS:
são compostos por sucessão de estados de não equilíbrio (não uniformidade
espacial e temporal das propriedades, e variações locais com o tempo).

1.3. UNIDADES PARA MASSA, COMPRIMENTO, TEMPO E FORÇA

Serão considerados 2 sistemas de Unidades - SI - Sistema internacional


Sistema Inglês.
1.3.1. SI - SISTEMA INTERNACIONAL 1.3.2. SISTEMA INGLÊS

MASSA kg (quilograma) lb. ou lbm (libra massa)

COMPRIMENTO m (metro) ft (foot = pé)

TEMPO s (segundo) s (segundo)

UNIDADE DE
FORÇA(derivada) N (Newton) lbf (libra força)

Definições e conversões.

Comprimento 1 ft = 12 in (polegadas) = 12 x 0,0254 m = 0,3048 m


Massa 1 lbm = 0,45359237 kg
Força . F= ma
1N= 1 (kg) x 1 (m/s2)
l lbf = 1 (lbm) x 32,174 (ft/s2)
1 lbf = 4,448215 N

Quantidade Unidade Símbolo

Massa kilograma kg
Comprimento metro m
Tempo segundo s
Força newton (=1 kg.m/s2 ) N

Tabela 1.2. SI Unidades para Massa, Comprimento, Tempo e Força

Fator Prefixo Símbolo Fator Prefixo Símbolo

1012 tera T 10-2 centi c


109 giga G 10-3 mili m
106 mega M 10-6 micro 
103 kilo k 10-9 nano n
102 hecto h 10-12 pico p

Tabela 1.3. SI Unidades - Prefixos


Quantidade Unidade Símbolo
Massa libra massa lb
Comprimento pé ft
Tempo segundo s
Força libra força lbf
(=32.1740 lb.ft/s2)

Tabela 1.4. Unidades Inglesas para Massa, Comprimento, Tempo e Força

1.4 - VOLUME ESPECÍFICO E PRESSÃO.

1.4.1. MASSA ESPECÍFICA E VOLUME ESPECÍFICO

 m
Massa específica:   lim'  
V V  V 

V' = menor volume para o qual a substância pode ser tratada como meio
contínuo.

V'  dV dm
Assimilando: 
m em V '  dm dV

 m    dV (integral de volume ou tripla)


V

1
Volume específico: v  (m3/kg no SI)

Volume por kmol: v  Mv (m3/kmol)

 kg 
onde M = massa molecular da substância  
 kmol 
FATORES DE CONVERSÃO

Massa e 1 kg = 2.2046 lb 1b = 0.4536 kg


massa 1g/cm3 = 103 kg/m3 1 lb/ft = 0.016018 g/cm3
3

específica 1g/cm3 =62.428 lb/ft3 1 lb/ft3 = 16.018 kg/m3

Comprimento 1 cm = 0.3937 in. 1 in. = 2.54 cm


1m =3.2808 ft 1 ft = 0.3048 m

Velocidade 1 km/h = 0.62137 mile/h 1 mile/h = 1.6093 km/h

Volume 1 cm3 = 0.061024 in.3 1 in.3 = 16.387 cm3


1m3 = 35.315 ft3 1 ft3 = 0.028317 m3
1 L =10-3m3 1gal = 0.13368 ft3
1L = 0.0353 ft3 1 gal = 3.7854 x 10-3m3

Força 1 N = 1kg m/s2 1 lbf = 32.174 lb ft/s2


1 N = 0.22481 lbf 1 lbf = 4.4482 N

Pressão 1 Pa - 1 N/m2 = 1.4504 x 10-4 1 lbf/in.2 = 6894.8 Pa


lbf/in.2 1 lbf/in2 = 144 lbf/ft.2
1 bar = 105 N/m2 1 atm = 14 696 lbf/in.2
1atm = 1.01325 bar

Energia e 1J = 1N . m = 0.73756 ft lbf 1 ft lbf = 1.35582 J


Energia 1 kJ = 737.56 lbf 1Btu = 778.17 ft lbf
Específica 1 kJ = 0.9478 Btu 1 Btu = 1.0551 kJ
1kJ/kg = 0.42992 Btu/lb 1 Btu/lb = 2.326 kJ/kg
1 kcal = 4.1868 kJ
Taxa de 1 W = 1 J/s = 3.413 Btu/h 1 Btu/h = 0.293 W
Transferência 1kW = 1.341 hp 1 hp = 2545 Btu/h
de Energia 1hp = 550 ft lbf/s
1hp = 0.7457 kW
Calor 1 kJ/kg K = 0.238846 Btu/lb 1 Btu/lb . oR = 4.1868
Específico oR kJ/kg . K
1 kcal/kg K = 1 Btu/lb oR

1.4.2. PRESSÃO
Fluído em repouso em contato com área A:

lim  Fnormal 
Pressão: p   
A  A'  A 

A' = menor área onde a substância pode ser considerada um meio contínuo.

Assimilando:

A'  dA dFn
 dFn  p 
F Fnormal
A'
dA

A pressão num "ponto" é a mesma qualquer que seja a orientação de A, desde


que o fluido esteja em repouso.
Para fluidos em movimento, a pressão corresponde à tensão normal sobre A.

Unidades de pressão: 1 Pa (pascal) = 1 N/m2


Outras Unidades: 1atm = 101325 N/m2

1 bar = 105 N/m2

Medidores de pressão:
. manômetro tipo tubo em U
. Bourdon
. piezoelétricos
. diafragma
. barômetros (patm.)

1.5. TEMPERATURA

É uma propriedade Intensiva como P e V.


Difícil definir rigorosamente (energia cinética das moléculas de um gás
perfeito).

Assim como a força, o conceito de temperatura é originado de nossa percepção


sensorial. Conseguimos distinguir que um corpo 1, está mais quente que um corpo 2, e
este mais quente que um corpo 3, etc. No entanto por mais sensibilidade que o corpo
humano possa ter, ele não consegue medir o valor dessa propriedade. Dessa forma é
necessário lançar mão de dispositivos adequados (termômetros) e escalas de
temperatura para quantificar adequadamente esta propriedade.
1.5.1. EQUILÍBRIO TÉRMICO

Assim como Massa, Comprimento e Tempo, é difícil dar uma definição de


temperatura em termos de conceitos independentes ou aceitos como primários. No
entanto é possível se chegar a um entendimento objetivo da IGUALDADE de
temperaturas usando o fato de que quando a temperatura de um corpo muda, outras
propriedades também mudam.
Dessa forma a medida de uma dessas propriedades, como volume, resistência
elétrica, pode ser associada a uma dada temperatura. O dispositivo que efetua essa
medida é o termômetro.
Se tomarmos dois blocos de cobre, um mais quente que o outro e colocarmos os
dois em contato, haverá interação entre eles e o bloco mais quente irá esfriar e o mais
frio irá se aquecer. Quando as interações cessarem as quantidades mensuráveis pararão
de variar e os blocos estarão em equilíbrio térmico e portanto à mesma temperatura.
O tempo necessário para que o equilíbrio seja atingido dependerá do contato
entre eles, e se os blocos estiverem isolados do ambiente a troca de energia ocorrerá
somente entre os dois blocos.

Algumas definições:

Parede diatérmica: permite interação térmica (troca de calor).

Parede adiabática = isolante ideal não permite interação térmica.

Processo adiabático: processo de um sistema envolvido por uma parede adiabática.

Processo isotérmico: T=constante.

Lei Zero da Termodinâmica: Quando dois corpos estão em equilíbrio com um


terceiro corpo eles estarão também em equilíbrio entre si (não se aplica a equilíbrio
químico e de fases).

1.5.2. TERMÔMETROS

São dispositivos que empregam uma substância ("termométrica") que possui


pelo menos uma propriedade variável com a temperatura.

TIPOS:
- de líquido em bulbo (volume): muito preciso;
- de gás a volume constante (hidrogênio ou hélio) (pressão): padrão
internacional para determinadas faixas de temperatura;
- termopares (fem - força eletromotriz);
- termistores (resistência elétrica);
- pirômetros (radiação térmica).
1.5.3. ESCALA DE TEMPERATURA DE GÁS E ESCALA KELVIN (SI):

Ponto fixo padrão: ponto triplo da água (equilíbrio entre gêlo, água e vapor
d'água) = 273,16 K (pressão = 0,6113 Pa = 0,006 atm).
Estabelecido por acordo internacional - facilmente reprodutível.

Ponto de gelo (equilíbrio entre gelo, água e ar a 1 atmosfera): 273,15 K.


Ponto de vapor (equilíbrio entre a água líquida e seu vapor a 1 atm.):
373,15K.
Intervalo entre ponto de gelo e ponto de vapor = 100 K.

Termômetro de gás não pode ser usado abaixo de 1 K e para temperaturas


muito altas. Fora daí, as escalas de gás e Kelvin coincidem.

1.5.4. OUTRAS ESCALAS:

CELSIUS: T(oC) = T(K) - 273,15

RANKINE: T(oR) = 1,8 T (K)

FAHRENHEIT: T(oF) = T(oR) - 459,67

T (°F) = 1,8 T(°C) + 32

1.6. METODOLOGIA PARA RESOLVER PROBLEMAS


TERMODINÂMICOS.

Os primeiros passos em uma análise termodinâmica são:


definição do sistema;
identificação das interações relevantes com a vizinhança.

Estabelecer:
- o que é conhecido: resumir o problema em poucas palavras;
- o que é procurado: resumir o que é procurado;
- esquema e dados: definir o sistema (sistema fechado ou volume de controle);
- identificar a fronteira;
- anotar dados e informações relevantes;
- hipóteses;
- análise: feita sobre as equações (conservação da massa, conservação da
energia, segunda lei da termodinâmica);
- comentários: interpretar.

Capítulo 2
Energia e Primeira Lei da Termodinâmica

Energia é um conceito fundamental em termodinâmica e um dos mais


significativos aspectos da análise em engenharia. Neste capítulo serão discutidas e
desenvolvidas equações para aplicar o princípio da conservação da energia, para
sistemas fechados. No capítulo 4 o desenvolvimento será estendido para volumes de
controle.
Energia é uma noção familiar e você já conhece bastante sobre ela. Alguns
aspectos abordados neste capítulo já são do conhecimento de vocês. A idéia básica é
que a energia pode ser armazenada dentro de sistemas em vários formas
macroscópicas. A energia pode também ser transferida entre os sistemas e também
transformada de uma forma para outra. A energia pode ser transferida por meio de calor
e por meio de trabalho. A quantidade total de energia permanece constante em todas as
transformações e transferências.
O propósito aqui é organizar as idéias de uma forma adequada para as análises
em engenharia.

2.1. CONCEITOS MECÂNICOS DE ENERGIA

As leis de Newton do movimento, que forneceram as bases para a mecânica


clássica, conduzem aos conceitos de trabalho, energia cinética e energia potencial e
estes conceitos conduzem a um conceito mais amplo do que seja energia.
. Galileo, Newton: trabalho, energia cinética e energia potencial.
2.1.1. Trabalho e Energia Cinética:


 dV
2a. Lei de Newton: F  m
dt

      dV 
F  ds  trabalho de F entre s e s  ds  m  ds
dt
   
 mdV V  mV  dV
  S2  
  mV  dV   F  ds
V2

V1 S1

  V2 1 
V2

mV22  V12 
1 1
 mV  dV    md  V 2  
V2
 mV 2 
V1 V1 2  2   V1
2
energia cinética
do corpo em s
( EC )

M V22  V12   EC  variação de EC entre S2 e S1


1
2

 trabalho da força resultante = variação da energia cinética do corpo


 
energia transferida acúmulo de energia armazenada
ao corpo no corpo na forma de energia cinética

1
Como EC  mV 2 não depende da história
2
 EC  propriedade  extensiva 
Unidades de energia cinética e trabalho: 1J = 1N . 1m (SI)
1 KJ = 103J
1lbf  ft 
 inglês
1Btu 
 778,2 1bf  ft 
2.1.2. - Energia Potencial:

 mesma figura anterior


resultante das forças excluído o peso
     
Decompondo F em: F = R + mg, g = - gk

Então:

S2   S2  
mV22  V12    R  ds   mg  ds 
1
2 S1 S1

S   S    
 
 S 2 R  ds  S 2 m  gk  dxi  dyj  dzk
1 1


1
2
2 2
 S  Z
m V2  V1  S 2 R  ds  Z 2 mgdz
1 1

Z
 
Z 2 mgdz  mg z 2  z1  mgz  energia potencial gravitacional  EP
1
 não depende da história  propriedade extensiva 


1
2
2 2
  
Z  
m V2  V1  mg z 2  z1  Z 2 R  ds  forma mecânica da conversão da energia.
1

 trabalho da força resultante (excluída a força peso) =


= soma das variações das energias cinética e potencial do corpo, isto é:

energia transferida ao corpo =


= acúmulo de energia armazenada no corpo na forma de energia cinética e
potencial.

Se R  0 vem:
1
2
 2 2
 
m V2  V1  mg z 2  z1  0 
ou
1 2 1 2
mV2  mgz 2  mV1  mgz1  const .
2 2

 energia pode ser transformada de uma forma em outra.

2.1.3. Comentários:

Esta apresentação está centrada em sistemas nos quais as forças aplicadas


afetam somente sua velocidade e posição. No entanto os sistemas em engenharia, em
geral, interagem com sua vizinhança de um modo mais complicado, com transferências
mútuas de outras propriedades. Para analisar estes outros casos os conceitos de energia
cinética e potencial não são suficientes. Os conceitos necessários para essas análises
serão desenvolvidos a seguir.

2.2. Transferência de energia através de trabalho:

integral de linha ( dif . inexata )


Trabalho:
S   S
 
W  S 2 F . ds  S 2 Fx d x  Fy d y  Fz d z  trabalho mecânico
1 1

Outras formas de trabalho (não-mecânicas) existem.

Definição termodinâmica de trabalho:

Trabalho é realizado por um sistema sobre sua vizinhança quando o único


efeito sobre ela puder ser reduzido ao levantamento de um peso.
Trabalho é energia em trânsito  não é propriedade pois depende do caminho
(integral de linha).

2.2.1. Convenção de Sinais e Notação:

W > 0: realizado pelo sistema (sobre a vizinhança)  seta saindo do sistema.


W < 0: realizado sobre o sistema (pela vizinhança)  seta entrando no
sistema.

Como W depende do caminho (não é propriedade) seu diferencial (inexato) é


escrito  W. Assim:

W   W
2

1
Diferencial de uma propriedade = diferencial exato notação d.
Exemplo: pressão

 dp  p
2
2  p1
1

Muitos processos envolvem taxa de realização de trabalho = potência

W t
Potência  W
dt
 W t 2

wdt
1

t
W t 2 
FV dt
1 1
1
 
Potência de uma força: W F  V
3
Unidades de potência: 1W (Watt )  1( J / s),1KW  10 W

lbf  ft / s 

Bt / h ( Inglês).
1hp  0,746 KW 

2.2.2. - Trabalho de Expansão ou Compressão:

 ver figura.
fronteira área A pressão média sobre o pistão = p

F=pA
gás (ou líquido)

sistema fechado

x x
x 1 2

Trabalho feito pelo sistema sobre o pistão:


   
 W  F  ds  ( pA)i  dxi  
pAdx
dV

W   pdV
2
dV  0  exp ansão:W  0
1

dV  0  compressão:W  0

não é integral tripla !!

Nos processos reais: p é difícil de obter (ex: motor de automóvel).


 medidas de p podem ser realizadas usando
transdutores de pressão.
 alternativamente, o trabalho pode ser obtido através
de um balanço de energia

2.2.3. - Trabalho em Processos Quasiestáticos de Expansão e Compressão:


pequenos pesos

evolução por estados de equilíbrio


p uniforme ao longo do sistema inteiro

2
W= pdV
fronteira
1
gás ou líquido

Representação no diagrama P - V.
Mostrar que W depende do caminho

Ex. 2.1.

Um gás, num conjunto pistão-cilindro, passa por um processo de expansão para o qual
a relação entre a pressão e o volume é dada por:

pVn = constante

Dados iniciais: Pi = 3 bar


Vi = 0,1 m3

Dados finais: Vf = 0,2 m3

Determine o trabalho em kJ para

a) n = 1,5
b) n = 1,0
c) n = 0.0

Solução:

GAS Pi = 3 bars
3
n Vi = 0,1 m
pV =C
3
V2 = 0,2 m
P
(B ar)

1 2
3,0 n=0

Esquema
2,0 n=1,0
n=1,5
ÁR E A= T R AB A L H O

3
0,1 0,2 Vol(m )

Hipóteses: 1. O gás está em um sistema fechado.


2. Trabalho é realizado somente na fronteira móvel.
3. A expansão dos gases é um processo politrópico.

w   pdV
v2
Equação:
v1

C
pV n  C  p 
Vn

dV V2  V1 1 n 1 n

W
v2
C n C
v1 V 1 n

p1V1n  C  30,1
n

p 2V2nV21 n  p1V1nV11 n p 2V2  p1V1


W 
1 n 1 n

n
 V1 
a) n = 1,5 p V  p2V  P2    P1
n n
1 1
 V2 
2

1,5
 0,1 
P2     3,0  1,06 bars P2  1, 06 bars
 0,2 

1 bar  105 N / m2
 10 5 N 
Wa )  1,06 2 0,2m 3   3,010
. 5  0,1  1,5  17,6kJ
 m 

b) n  1,0  PV  C

 V2 
W  p1V1 ln  
 V1 

W   20,79 kJ

c) n  0 W   30,0 kJ

2.2.3 - Outros Exemplos de Trabalho.


Extensão de uma barra sólida.
Distensão de um filme de líquido
Potência transmitida por um eixo.
Trabalho elétrico.

2.3 - Energia de um Sistema

Energia cinética e potencial podem ser alteradas como resultado do trabalho de


forças externas.
O conceito de trabalho é utilizado para entender o significado amplo da energia
do sistema.

2.3.1 - 1a. Lei da Termodinâmica

Para introduzir a 1a lei, escolher um sistema fechado indo de um estado de


equilíbrio, para outro estado de equilíbrio, com o trabalho como única interação com o
meio ambiente.

Processo
GAS Adiabático
GÁS

Isolamento
Para todos os processos adiabáticos que ocorrerem entre os dois mesmos estados
o trabalho líquido terá o mesmo valor.
Para processos adiabáticos o trabalho líquido depende somente dos estados
inicial e final.

2.3.2 - Definição de variação de energia

Como o trabalho líquido realizado por (ou sobre) um sistema adiabático entre
os mesmos estados inicial e final não depende do processo, mas somente dos estados,
pode-se dizer que está ocorrendo a variação de alguma propriedade.
Essa propriedade recebe o nome de Energia e sua variação entre dois estados é
definida por:

E 2  E1   Wad

O sinal negativo é em função da convenção adotada.


E representa a energia total do sistema

2.3.3 - Energia Interna.

A energia total do sistema E inclui  E cinética, E potencial, gravitacional e


quaisquer outras formas de Energia.
Outras formas: Energia armazenada por uma mola.
Energia armazenada por uma bateria.
U
Todas essas outras formas de energia são chamadas de Energia Interna

1 2

E2 - E1 = (KE2 - KE1) + (PE2 - PE1) + (U2 - U1)



energia interna

E = KE + PE + U

U = Energia interna: são todas as outras formas de energia excluindo as cinética e


potencial.
2.3.4 - Princípio da Conservação para Sistemas Fechados

Até aquí foram consideradas quantitativamente apenas aquelas interações entre


o sistema e a vizinhança que poderiam ser classificadas como trabalho. No entanto os
sistemas fechados podem também interagir com a sua vizinhança de modos que não
podem ser caracterizados como trabalho. Um exemplo é propiciado por um gás ( ou
líquido) contido em um recipiente fechado que passa por um processo enquanto está
em contato com uma chama a uma temperatura maior que a do gás. Este tipo de
interação é chamado interação de calor, e o processo pode ser referido como um
processo não adiabático.
Quando um sistema não está isolado termicamente do ambiente, pode ocorrer
outra espécie de interação entre sistema e ambiente.

Processo não adiabático  troca de energia com ambiente  calor

ad

B
1

E2 - E1 = - Wad | O |
E2 - E1  - WA | + QA |
E2 - E1  - WB | - QB |
(E2 - E1) = - W + Q | |

E2 - E1 = Q - W

Lei da Conservação da energia para um sistema fechado.

2.4. Energia transferida pelo calor.

Calor = energia transferida para ou de um sistema, unicamente por diferença de


temperatura.

2.4.1. Convenção de Sinais e Notação


Sistema Sistema

+Q
-Q

Origem da convenção é relacionada com os motores de combustão interna ou


máquinas térmicas para as quais se fornece uma certa quantidade de calor (na forma de
combustão) e se produz um trabalho útil positivo.
O calor não é uma propriedade  depende do caminho.

Q Q
2

1
onde a integral deve ser lida assim.

Quantidade de calor recebida ou fornecida pelo sistema em seu processo para ir do


1 2
estado até o estado

Q    Q  nunca poder ser obtido como Q2 - Q1


2


Não existe calor no estado 2
Nem no estado 1
Calor é energia em trânsito.

Q  taxa de transferência de calor

t2
Q= t1 Qdt  necessário saber como Qvaria com o tempo

q= fluxo de calor por unidade de área

A1 qdA
A2
Q= 

Unidades:

Q  W. h BTU
QW BTU/h
W BTU
 2
q
m h. ft 2
2.4.2 - Modos de Transferência de Calor

Condução

e
Fronteira

Parede Plana

Q] x
T(x)

Radiação Térmica

Lei de Fourier
º dt
Q x = - KA x Q
e    Tb
SOL 4
dx SOL

K = condutividade térmica

A = área perpendicular ao
fluxo de calor (coordenada
x).

Radiação Térmica  emissividade da superfície do Sistema


0 <  < 1,0

Energia emitida por mudanças na  = Constante de Stefan Boltzmann


configuração eletrônica de átomos e
moléculas.

Energia transportada por ondas As substâncias podem emitir, absorver e


eletromagnéticas. transmitir a radiação térmica em vários
graus

Convecção
Efeito combinado da troca de energia entre o sistema e o meio líquido ou gasoso
condução e transporte.
O sistema aquece o fluido por condução e as moléculas do fluido transportam essa
energia pela corrente de fluido.

Tf  Tb
Tf

Perfi l
de Velocidade

Frontei ra Área

Tb
Sól ido quente

Q hA (Tb  Tf ) Lei de Newton do Resfriamento

h = Coeficiente de transferência de calor (não é propriedade é empírico)

2.4.3. Considerações

Um corpo não contêm calor, mas energia.

Calor é energia em trânsito. É um fenômeno de fronteira.

Identificação, definição correta da fronteira é fundamental antes de estabelecer


se haverá ou não fluxo de calor.
2.5. Balanço de Energia para Sistemas Fechados
E  Q  W
 Variação da quantidade de   Quantidade liquida de energia   Potência líquida de energia 
     
 energia contida dentro de um 
  transferida para dentro da fronteira    transferida para fora do 
 sistema num int ervalo de tempo do sistema por transferencia de calor t   sistema por trabalho em t 

2.5.1. Formas do Balanço de Energia

dE   Q   W

E Q W
   Passando ao lim t  0
t t  t

forma instantânea do balanço de energia

dE
 Q  W
dt
 Variação de energia   Taxa líquida de   Potência líquida 
     
 no tempo, contida dentro    transferência de  produzida 
do sistema no tempo t  calor para sistema   pelo sistema 

E  KE  PE  U
dE dKE dPE dU
    Q W
dt dt dt dt

Frontei ra

Pl aca de cobre
Ei x o em rotação
+
GAS Gerador
ou Q
El étri co
Líquido
W =0 -

M as s a
Isolamento
térm ico
a) Sistema é o gás  Q=0
W<0

Frontei ra

Pl aca de co bre
Ei x o em rotação
+
GAS Gerador
ou W
El étrico
Líquido
-

Q=0 M as s a
Isolamento
térm ico
b) Sistema inclui cilindro isolado, gás, placa de cobre gerador, polia, eixo e massa.
Frontei ra

Pl aca de cobre
Ei x o em rotação
+
GAS Gerador
ou El étrico
Líquido
-

Q=0 M as s a
Isolamento
térm ico
Q = 0, W =0
c) Sistema inclui cilindro isolado, gás, placa de cobre gerador, polia, eixo e massa.

2.5.2. Ilustrações

Exemplo 2.2.

Um sistema fechado, inicialmente em equilíbrio na superfície da terra passa por


um processo no qual recebe 200 BTU's (líquido) na forma de trabalho. Durante o
processo o sistema perde para a vizinhança 30 BTU's (líquido) na forma de calor.

No final do processo, o sistema está a uma velocidade de 200 pés/seg. a uma


altitude de 200 pés.

A massa do sistema é de 50 lbm e a aceleração local da gravidade é 32,0 pé/s2.

Determine a variação da energia interna do sistema em BTU.

Solução

Q .
V =200 pés /s
2
.
Fronteira 200 pés
z
. W
V =0
1

Inicial Final
1
2

Hipóteses

1) Sistema fechado = bola.


2) No final do processo, o sistema se move com velocidade uniforme.
3) A aceleração da gravidade local é constante.

g= 32,0 pés/s2

Balanço de Energia

E = KE + PE + U = Q - W

KE = 1/2 m ( V22 - V12)

PE = mg (z2 - z1)

U = (Q - W) - KE - PE

Q = - 30 BTU

W = - 200 BTU

1 pé 2 lbm pé 2
PE   50lbm 200 2 2  10 6
2 s s2

pé2 lbm pé2


PE  50lbm . 32 , 0 . 200 pés  320 . 000
s2 s2

1 BTU = 778 lbf.pé

pé pé
1lbf  1lbm . 32 ,174 2
 1lbm . 32 , 2 2
s s

lbm pé2 lbm  pé


2
  pé
s s2

 lbf 
lbm   2 
 32,2 pé / s 


lbm pé lbf 
s2

s2 pé
32,2 2
s
lbm pé lbf
2 
s 32,2

lbm pé 2 lbf  pé  1BTU 


  
s2 32,2  32,2  778 

1BTU
1 lbf  pé 
778

10 6
KE  BTU  39,9 BTU
32,2  778

320.000
PE  BTU  12,8 BTU
32,2  778

U  ( 30)  ( 200)  39,9  12,8   117,30BTU

Comentários

Balanço total de energia

E  Q  W

E = KE + PE + U

170 = +39,9 + 12,8 + 117,3

E = (-30) - (-200) = 170 BTU

Exemplo 2.3.
Considere 5 Kg de vapor d'água contidos dentro de um conjunto pistão-cilindro.
1
O vapor passa por uma expansão a partir do estado , onde a sua energia específica
interna u1 = 2709,9 kJ/kg, até o estado 2 onde u2 = 2659,6 kJ/kg Durante o processo
ocorre transferência de 80 kJ de energia na forma de calor, para o vapor. Ocorre também
a transferência de 18,5 kJ na forma de trabalho, através de uma hélice.

Não há variação significativa de energia cinética e potencial do vapor.

Determine o trabalho realizado pelo vapor sobre o pistão, durante o


processo. Forneça o resultado em kJ.

Solução

Frontei ra do Si s tem a

Wpw GAS W pi s tão

m =5kg
v apor
=-18,5kJ

u = 2709,9 kJ/kg
1
Q=+80kJ u = 2659,6 kJ/kg
2

Hipóteses

a) O vapor é o sistema fechado


b) As variações de energia cinética e potencial são nulas.

Análise

Balanço de Energia (1a lei da Termodinâmica para Sistemas Fechados)


0 0 0

E = KE + PE + U = Q- W

U = m (u2 - u1) = Q - W

Q = Quantidade líquida de calor transferida para o sistema

W = Trabalho líquido realizado pelo sistema

W = Wpw + Wpistão

U = Q - Wpw - Wpistão

Wpistão = - U + Q - Wpw

Wpistão = -m (u2 - u1) + Q - Wpw

Wpistão = - 5 (Kg) (2659,6 - 2709,9) kJ/kg + 80 kJ - (-18,5 kJ)

Wpistão = -(-251,5) + 80 - (-18,5) (kJ)

Wpistão = + 350 kJ

Comentários

1. O sinal positivo significa trabalho realizado pelo sistema.


2. Em princípio, o trabalho realizado pelo pistão poderia ser calculado a partir de

Wpistão   pdV , mas neste caso seria necessário conhecer a pressão com o
v2

v1

pistão em movimento, ou seja, seria necessário conhecer a relação entre P e V.

3. A análise pode ser sumarizada em termos de energia, da seguinte forma:

Entrada (kJ) Saída (kJ)


+ 18,5 (Trabalho da hélice) 350 (pistão
+ 80,0 (calor transferido)
+98,5 + 350

A energia do sistema diminuiu durante o processo.

U = 98,5 - 350 = - 251,5 kJ


Exemplo 2.4.

4 kg de gás é contido dentro de um conjunto pistão-cilindro. O gás passa por um


processo no qual a relação pressão/volume é:

PV1,5 = constante

A pressão inicial é de 3 bars, o volume inicial é 0,l m3 e o volume final é 0,2


m3. A variação da energia interna específica do gás é u2 - u1 = - 4,6 kJ/kg. As variações
de energias cinética e potencial são desprezíveis.

Determine o calor líquido transferido para o gás durante o processo.

Solução

Sabe-se: O gás dentro de um conjunto pistão-cilindro se expande e durante o


processo de expansão a relação pressão volume e a variação da energia interna
específica são conhecidas.

Questão

Determinar o calor líquido transferido ao gás durante o processo.

1,5
PV = C

Área =
Trabalho
V
0,1 0,2

u2 - u1 = - 4,6 kj/kg
GAS
1,5
PV =C

Fronteira do Sis tem a

Hipóteses

1. O gás é o sistema fechado


2. A expansão é um processo politrópico
3. Não há variações de energias cinética e potencial

Análise:

Como KE e PE = 0

U = Q - W

Q = U + W

P2V2  PV
W   pdV 
v2
1 1
 já resolvido no Ex. 2.1.
v1 1 n

W = + 17,6 kJ

U = m (u2 - u1) = 4 kg ( - 4,6 kJ/kg) = - 18,4 kJ

Q = U + W

Q = - 18,4 kJ + 17,6 kJ

Q = - 0,8 kJ
Comentários

1. O sinal negativo significa que o sistema perdeu energia por transferência de calor
para a vizinhança.

2. A relação entre P e V permite representar o processo num diagrama PV.

1
A área sob a curva entre os estados e 2 representados na figura
corresponde ao trabalho realizado durante o processo de expansão.

2.6. Análise Energética de Ciclos

As raízes da 1a e 2a leis da Termodinâmica estão relacionadas com os estudos


de ciclos.

Os ciclos são importantes em várias aplicações de engenharia:

Geração de potência
Propulsão de Veículos
Refrigeração

2.6.1. Preliminares

O balanço de energia para um sistema que percorre um ciclo


TERMODINÂMICO tem a seguinte forma:

Eciclo = Qciclo - Wciclo

Para um ciclo:

Eciclo = 0

Qciclo = Wciclo  Válida para todo e qualquer ciclo termodinâmico e


independentemente do fluido de trabalho.

2.6.2. Ciclos de Potência


Quente

Qe
Qe - Qs = Wc

Wc Wciclo Qs
 1
Qe Qe
Qs

Frio

2.6.3. Ciclos de Refrigeração e Bomba de Calor

Quente

Qs

Wc = Qs - Qe
Wc
Wliq = Qliq
Qe

Frio

Para os ciclos de refrigeração e bombas de calor são usados como indicadores de


eficiência os conceitos seguintes:
Qe
 = Coeficiente de desempenho para refrigeração
Qc
Coeficiente de eficácia

Qe = efeito útil

Wc = trabalho de compressão

Qout
   Coeficiente de desempenho de bomba de calor
Qc

Qout = Qs = efeito útil


Qc = trabalho de compressão

Qs
 
Qs  Qe

CAPÍTULO 3

PROPRIEDADES DE UMA SUBSTÂNCIA PURA COMPRESSÍVEL


SIMPLES

Para aplicação do balanço de energia para um sistema, é necessário o


conhecimento das propriedades do sistema e de como estas propriedades estão
relacionadas. Neste capítulo serão introduzidas relações entre as propriedades que são
relevantes para aplicação em engenharia termodinâmica. A apresentação começa com
o princípio do estado, o qual está intimamente ligado com as relações entre as
propriedades dos sistemas.

3.1. O Princípio do Estado

Estado para um sistema em equilíbrio é descrito pelo valor de suas propriedades


termodinâmicas. Pela observação dos sistemas termodinâmicos, é conhecido que nem
todas essas propriedades são independentes uma das outras. O estado é definido pelo
valor das propriedades independentes. Os valores de todas as outras propriedades são
obtidos a partir dos valores dessas propriedades independentes.
Baseado em consideráveis evidências experimentais, pode ser concluído que há
uma propriedade independente para cada meio que a energia do sistema pode variar de
modo independente. No capítulo 2, vimos que a energia de um sistema fechado pode
ser alterada de modo independente por transferência de calor ou trabalho. Assim uma
propriedade independente pode ser associada com a transferência de calor como um
meio de variação de energia do sistema, e uma outra propriedade independente pode
ser contada para cada modo relevante através do qual a energia do sistema pode variar
por trabalho. Assim, baseado em evidência experimental, pode ser estabelecido que o
número de propriedades independentes para sistemas sujeitos às limitações acima é
um (1) mais o número de interações relevantes na forma de trabalho.
Este é o princípio do Estado. A experiência indica também que para contar o
número de interações de trabalho relevantes, é suficiente considerar somente aquelas
que ocorrem quando o sistema passa por um processo quasiestático.
O termo sistema simples é utilizado quando há somente um (1) meio através do
qual a energia varia de modo relevante pelo trabalho enquanto o sistema passa por um
processo quasiestático. Assim contando uma propriedade independente para a
transferência de calor e outra para o trabalho realizado no processo quasiestático, pode
se dizer que duas propriedades independentes são necessárias para fixar o estado de
um sistema simples.

Duas propriedades independentes definem o estado.

Pressão, energia interna específica e todas as outras propriedades intensivas


podem ser determinadas como funções de T e v.

P = p (T, v); u = u (T, v)

3.2. Relação P-v-T

A partir dos experimentos se observa que temperatura e volume específico são


propriedades independentes, e a pressão pode ser determinada em função dessas duas:
p = p(T,v). O gráfico dessa função é uma superfície, normalmente chamada de
superfície P-v-T

3.2.1. Superfície P-v-T

Diagramas

Regiões:
Sólido - fase única
Líquido - fase única

Vapor:
2 propriedades independentes (p,v, ou T definem o estado)

Duas fases:
líquido - vapor Pressão e temperatura são
sólido - líquido propriedades dependentes.
sólido-vapor

Linhas de Saturação

"Domo"

Ponto crítico: Ponto de encontro das linhas de líquido saturado e de vapor saturado.
Pressão crítica = Pc
Temperatura crítica = Tc
Volume específico crítico

3.2.2. P, v, T - Projeções planas

Diagramas de Fase: Fig. 3.1b e Fig. 3.2b

Ponto triplo: Temperatura 273,16K = Tpt


Pressão 0,6113 kPa = Ppt

Água = 7 formas cristalinas diferentes (gelo)

P - v - Diagrama - Fig. 3.1c e Fig. 3.2c

Muito útil para esquematizar a solução de problemas.

T - v - Diagrama Figura 3.3.

3.2.3 - Mudança de Fase.

É instrutivo estudar alguns eventos que ocorrem com uma substância pura que
experimenta uma mudança de fase, pois será de grande valia para todos os estudos
seguintes.
(ver transparências manuscritas).

3.3 - Propriedades Termodinâmicas.

As propriedades termodinâmicas para uso em engenharia são apresentadas em


várias formas, incluindo gráficos, tabelas e equações. Adicionalmente, valores de
propriedades termodinâmicas para um crescente número de substâncias estão
disponíveis em programas para micro-computadores. Como a utilização de tabelas
ainda é muito mais frequente por ser mais disponível será dado ênfase ao seu uso por
representar um treinamento importante.

3.3.1 - Pressão, Volume Específico e Temperatura.


Tabelas de líquido e vapor. Propriedades do vapor d'água superaquecido são
mostradas na Tabela A-4 e para a água comprimida (líquido comprimido) estão na
Tabela A-5. Como pressão e temperatura são propriedades independentes nas regiões
de fase simples, elas podem ser usadas para identificar os estados nessas regiões.
Tabelas de Saturação. As tabelas A-2 e A-3, listam os valores das propriedades
para os estados de líquido saturado e vapor saturado.
O volume específico para uma mistura bifásica de vapor e líquido pode ser
determinado usando as Tabelas de Saturação e a definição de título

mvap
título  x 
mliq  mvap

Como na região de saturação, todo o líquido está na situação de líquido saturado


e todo vapor está na situação de vapor saturado:

Vliq  mliq vliq e Vvap  mvapvvap

V Vliq Vvap
v  
m m m

mliq mvap
v vliq  vvap
m m

introduzindo a definição de título dada acima, o volume específico pode ser calculado
por:

v  (1  x )vliq  ( x )vvap  vliq  x (vvap  vliq )

Para acompanhar a notação utilizada no livro texto, vamos representar os


subscritos da fase vapor por (g) ao invés de (vap) e da fase líquida por (f) ao invés de
(liq).
O aumento do volume específico da fase líquida para a fase vapor é comumente
representado como volume específico de mudança de fase por v fg  vvap  vliq

3.3.2. Energia Interna Específica e Entalpia

Em muitos processos termodinâmicos aparece a soma da Energia Interna e do


produto P V (Pressão e Volume). Essa combinação constitui uma propriedade
denominada entalpia

U + PV = H (entalpia)
u + Pv = h (entalpia específica)
u  Pv  h (entalpia específica/base molar)

Regiões de Saturação
Para a região do "domo", onde as fases líquida e vapor estão presentes, a energia
interna e a entalpia são calculadas com o auxílio do título.

De forma análoga do cálculo do volume específico, tem-se:

u  (1  x ) u f  x ug
Energia Interna u  u f  x ( ug  u f )
  
u fg

h  (1  x ) h f  x hg
Entalpia h  h f  x ( hg  h f )
  
h fg

Exemplo: Determinar a energia, e a entalpia, para o R-12 nas seguintes condições:

1)
T = 12o C

u = 111,07 kJ/kg

Da Tab. A.7, T = 12o C

uf = 46,93 kJ/kg

ug = 175,2 kJ/kg   temos o estado intermediário entre a saturação do R-12


líquido e do R-12 vapor

hf = 47,26 kJ/kg

hg = uf + x (ug - uf)

u  uf 111, 07  46, 93
x   0, 5
ug  u f 175, 2  46, 93

h = (1 - x) hf + x hg

h = (1 - 0,5) . 47,26 + 0,5 192,56 = 119,91 kJ/kg

Tab. A.7 - P = 4,4962 bar


v f= 0,737 . 10-3 m3/kg

v g= 38,6 . 10-3 m3/kg

1 bar = 0,1 106 Pa = 0,1 MPa

1 bar = 0,1 . 106 N/m2

hf = uf + Pvf

kJ 6 N 0,737  10 3 m 3
h f  46,93  0,44962  10 2 
kg m 1000 kg

hf = 46,93 + 0,331 = 47,36 kJ/kg

hg = 175,2 + 0,44962 . 106 . 38,6 . 10-3 = 175,2 + 17,36 kJ/kg

hg = 195,26 kJ/kg

Vapor Superaquecido

Sistema: água
P = 0,1 MPa
u = 2537,3 kJ/kg

Tab. A3 - Propriedade da água saturada.

P = 0,1 Mpa = 1,0 bar

T = 99,63oC

uf = 417,36 kJ/kg

ug = 2506,1 kJ/kg u > ug  Vapor Superaquecido

Tab. A4 - Vapor superaquecido

P = 1,0 bar
T = 120oC

u = 2537,3 kJ/kg

h = 2716,6 kJ/kg

v = 1,793 m3/kg

Estados de Referência e Valores de Referência

Para Água Para Refrigerantes

T = 0,01oC T = -40oC
uf = 0,0 kJ/kg hf = 0,0 kJ/kg
h = u + pv u = h - pv

Exemplo 3.2.

Um tanque rígido bem isolado tem vapor d'água saturado a 100oC, e um


Volume de 0,1 m3. O vapor é agitado rapidamente até que a pressão atinja 1,5 bar.

Determine a temperatura do estado final e o trabalho realizado durante o


processo.

FIGURA

Hipóteses:
1. A água é o sistema fechado
2. Os estados inicial e final são estados de equilíbrio: KE = PE = 0
3. 1Q2 = 0
4. V = constante

1a Lei:
E = Q - W

0 0 0

U+ KE + PE = Q- W

U = -W  U2 - U1 = 1W2
1W2 = -m (u2 - u1 )

Tab. A.2.

T = 100o C

P= 1,014 bar

uf = 418,94 kJ/kg

ug = 2506,5 kJ/kg

vg = 1,673 m3/kg

Tab A.4.

P = 1,5 bar

vg = 1,673 m3/kg

Interpolação

Temp (oC) v (m3/kg) u

a 240 1,57 2717,2


c --------------- ------------- 1,673
b 280 1,695 2778,6

(Tb - Ta)  (va - vb)

(Tc - Ta)  (va - vc)


Tb  280
Ta  240
T  Ta  v a  v c 
vb  1,695
Tc  Ta 
b

(v a  vb )
v a  1,57
v c  1,673

 280  240 1,57  1,673


Tc  Ta   32,96
(1,57  1,695)

Tc = Ta +32,96 = 240 + 32,96 = 272,96oC

Para determinar uc, vamos interpolar usando o vc

(vb - va)  (vc - va)

(ua - ub)  (ua - uc)

(ua  ub )(v c  v a )
(ua  uc ) 
(vb  v a )

(2717,2  2778,6) (1,673  1,57)


( ua  uc )   50,59
(1,695  1,57)

uc = ua + 50,59

uc = 2717,2 + 50,59 = 2767,79 kJ/kg = u2

1W2 = -m (u2 - u1)


V 0,1m 3
m    0,06kg
v m3
1,673
kg

1W2 = -0,06 (2767,79 - 2506,5) = -15,62 kJ

1W2 = - 15,62 kJ

Ex. 3.3

A água contida num conjunto Pistão - cilindro passa por dois processos em série,
a partir de um estado inicial onde P = 10,00 bar
T = 400 ºC

Processo 1 - 2: A água é resfriada a pressão constante até se tornar vapor saturado a


P = 10,00 bar.

Processo 2 - 3: A água é resfriada a volume constante até 150 ºC.

a) Esquematize os processos em diagramas Pv e Tv

 kJ 
b) Para o processo como um todo, Determine o trabalho envolvido  .
 kg 
c) Para o processo como um todo, determine o calor transferido. (kJ/kg).

10 bars
400 ºC 400 ºC
a)
P 1
400 ºC
10 bars 1
2

150 ºC
3
150 ºC
3

V
V
1Q3 1W 3 U
b) E   
m m m
? ?
1W 3 1W 2 2W 3 0
  pdv   pdv   pdv
3 2 3
 
m m m 1 1 2

1W 3
  pdv  p(v 2  v1 )
2

m 1

U 1Q3 1W 3
 
m m m
c)
1Q3 U 1W 3
 
m m m

3.3.3 - Calores específicos a volume constante e a pressão constante

Cv
Cp Propriedades derivadas da energia interna e da entalpia

 u
Cv  
 t V
 h
Cp  
 tP
Cp
K
Cv
3.3.4 - Aproximações para determinar as propriedades dos líquidos usando as
tabelas de líquido saturado.

v t , p 
~ v (t )
u( t , p) 
~ u( t )
h( t , p) 
~ h( t )

3.3.5 - Modelo de Substância Incompressível.

Como observado, existem regiões onde o volume específico da água líquida


varia muito pouco e a energia interna específica varia principalmente com a
temperatura.
O mesmo comportamento geral é exibido por outras substâncias nas suas fases
líquida e sólida. Essa substância idealizada é chamada de incompressível.
Para essa substância a energia interna específica depende somente da
temperatura e o calor específico é também somente função da temperatura.

du
cv ( T )  (incompressível )
dT

A entalpia varia com a pressão e com a temperatura.

h(T , P)  u(T )  Pv

h  du
 
T  P dT

h 
  Cp(definição)
T  P

Assim, para uma substância incompressível

Cp = Cv = C (incompressível)

Para intervalos de temperatura não muito grandes, a variação de c pode ser


pequena e nesses casos o calor específico pode ser tomado como constante, sem perda
apreciável de precisão.

T2

u2  u1   c(T )dT
T1

h2  h1  u2  u1  v ( p2  p1 )
T2

h2  h1   c(T )dT  v ( p2  p1 )
T1
Para c= constante,

u2-u1 = c(T2-T1)

h2-h1 = c(T2-T1) + v(p2-p1).

3.4 - Relações PvT para gases.

Úteis para avaliar sistemas na fase gasosa.

3.4.1 - Constante Universal dos Gases.

T= cons tante

gás

O Pistão pode se mover para a obtenção de vários estados de equilíbrio à


mesma temperatura.

Para cada estado de equilíbrio são medidos: a Pressão e o volume específico.


Com os resultados é construído o seguinte gráfico:

T
Pv 1
T T
2

T
3
T
4
P

v  Volume Específico Molar


Quando P  0, para todas as temperaturas, o limite tende a R ,
independentemente do gás utilizado.

Pv
lim  R
P0 T

R = Constante Universal dos Gases

8,314 kJ/kmol.K
R 1,986 BTU/lbmol.oR
1545pé/ lbf/lbmol.oR

3.4.2. Fator de Compressibilidade (Z)

Pv
Z  (adimensional)
RT

v  Mv M= Peso Atômico
Peso Molecular

R
R 
M

Pv lim Z = 1
Z  P 0
RT

Z = Fator de compressibilidade

Z  1  B (T ) p  C T  p 2  D (T ) p 3  ...

B ( T ) C ( T ) D( T )
Z 1  2  3  ...
v v v
Essas equações são conhecidas como expansões viriais e os coeficientes
 
B , C , De B, C, D são os coeficientes viriais, e pretendem representar as forças entre
as moléculas.

 B
Bp  iteração entre duas moléculas
v

 2 C
Cp  iteração entre três moléculas
v2

3 D
Dp  iterações entre quatro moléculas
v3

e assim por diante.

3.4.3. Gráfico de Compressibilidade Generalizada

Os gráficos do fator de compressibilidade são similares para os vários gases.


Efetuando-se modificações adequadas nos eixos coordenados é possível
estabelecer relações quantitativas similares para os vários gases.
Isso é referido ao "princípio dos estados correspondentes".
Dessa maneira, o fator de compressibilidade é colocado num gráfico versus uma
Pressão Reduzida e uma temperatura reduzida, definida como

P T
Pr  Tr 
Pc Tc

cartas mais apropriadas para solução de problemas são apresentadas nas Fig. A-1, A-2
e A-3 do Apêndice.

Os valores obtidos destas cartas são aproximados e, se os cálculos exigirem


grande precisão, será necessário lançar mão de tabelas específicas ou softwares para
cálculo.
O erro máximo é da ordem de 5% e para a maioria das faixas de pressão e
temperaturas é bem menor.
v
Nessas cartas o volume específico reduzido v R  é substituído pelo pseudo
vc
v
volume específico crítico v R' 
RTc
Pc
Essas cartas não fornecem bons resultados nas proximidades do ponto crítico.
Isso pode se contornado restringindo as correlações para substâncias com o mesmo Zc

Z = f ( TR, PR, Zc )

Ex. 3.4. Uma quantidade fixa de vapor d'água inicialmente a 20 MPa, T = 520 oC é
resfriada a volume constante até a temperatura de 400oC. Usando as cartas de
compressibilidade, determine:

a) O volume específico do vapor d'água, em m3/kg para o estado inicial.

b) A pressão em MPa no estado final.

Compare os resultados de a) e b) com aqueles obtidos das tabelas de vapor,


A-4.

20M ra
T
T ab A4 =>
520 1 520
3
v = 0,01551 m
400 º .
Kg
2

Tab. A.1 - Mágua = 18,2


Tc = 647,3K
Pc =220,9 bars

Pc v c
Zc   0,233
RTc

520  273,15 673


TR1   1,23 TR2   1,04
647,3 647,3
200
PR1   0,91
220,9

Z1 = 0,83

v v
v R'  vR 
RTc vc
Pc

Pv RT1
Z  v1  Z 1
RT P1

v  Mv

R
R
M

8,314 kJ/kmolK
R 1,986 BTU/lbmoloR
1545 pé lbf/lbmoloR

R T1
v1  Z 1 .
M P1

 N.m   
 8,314 
 kmol K   793 
v1  0,83    0,0152m 3 / kg
 kg   N 
 18,02 . 6 2
  2010
 kmol  m 

v1  0, 0152 m3 / kg  compressibilidade generalizada

v1  0, 01551m3 / kg  Tabela de vapor A4

vPc
v R'   1,12
RTc
T2 673
TR2    1,04
Tc 647,3

PR c  0, 69 Carta E3-4

P2 = Pc (PR2) = 22,09 MPa x 0,69 = 15,24 MPa

P2 = 15,24 MPa

P2 = 15,16 MPa  Tabela de Vapor

3.5. Modelo de Gás Ideal

Considerando os dados de compressibilidade generalizada pode ser visto que:

PR  0,05
Z1 ou
TR  15

2  TR  3
Z1
Larga Faixa PR

02 Tc = 154 K Pc = 50,5 bars

N2 Tc = 126 K Pc = 33,9 bars

Pv
Z  1  Gás Ideal
RT

V
Pv = RT v
m

v V
PV = mRT v v
M n

R
Pv  RT R
M
PV  nRT

Para o Gás Perfeito

u = u (T)  função só da temperatura se Z = 1

h = h (T) = u (T) + RT

Lembrar sempre que o modelo de gás ideal é muito bom quando Z  1 e que
não fornece resultados aceitáveis para todos os estados, e deve ser utilizado como uma
aproximação para os casos reais.

3.5.1. Energia Interna, Entalpia e Calor Específico para Gás Ideal

Pv
Z  1  gás ideal Z
RT

Energia interna e calor específico a volume constante

du
cv ( T )   du  cv (T ) dT
dT

Entre dois estados 1) e 2)

 du   c  u2 (T2 )  u1 (T1 )   cv (T ) dT
2 2 2
(T )dt
1 1 v 1

Entalpia e Cp

dh
C p (T )   dh  C p (T )dT
dT

Entre dois estados 1) e 2)

 dh   C  h2 (T2 )  h1 (T1 )   C p (T ) dT
2 2 2
p (T )dt
1 1 1

dh du
h(T )  u(T )  RT   R
dT dt

C p (T )  Cv (T )  R
C p (T )  Cv (T )

Assim, a razão entre os calores específicos Cp e Cv é função somente da


Temperatura

Cp
k 1
Cv

Combinando as equações

C p ( T )  Cv ( T )  R kR
C p (T ) 
k 1
C p (T )
k R
Cv ( T ) Cv ( T ) 
k 1

Os valores de Cp e Cv variam com a temperatura e são disponíveis para a maioria


dos gases de interesse.
Cp
Para os gases mono-atômicos Ar, He, Ne, a razão é praticamente constante
R
Cp
 2,5 (Ar, Ne, He).
R

Para os demais gases, os valores de C p podem ser obtidos de tabelas ou


expressões

Cp
   T  T 2  T 3  T 4
R

onde , , , ,  são listados na Tab. A-15 para vários gases na faixa de temperaturas
entre 300 e 1000 K.

Problema: Determine a variação da entalpia específica para vapor d'água, do estado 1)


T1=400 K e p=0,1 MPa até o estado 2) T2 = 900K P2=0,5 MPa, usando:

a) Tabela de vapor
b) Integração usando o modelo do calor específico para gás ideal
Cp
   T  T 2  T 3  T 4 , com os coeficientes , , , ,  da Tab. A-15.
R
c) Repetir a) e b) para o estado final.

a) Da Tab. A-4 por interpolação

kJ
h1  2730,5
kg
kJ
h2  h1  1031,7
kg
kJ
h2  3762,2
kg

b)
C p( T )
h2  h1   Cp(T )dT
T2
Cp(T ) 
T1 M

R
R
M

Cp
   T  T 2  T 3  T 4
R

C p (T )  R ( .......)

R
Cp(T )  ( ....)
M

Cp

T2
h2  h1  (  T  T 2  T 3  T 4 )dT
R T1

R   2  3  4  5 5 
h2  h1   (T2  T1 )  2 (T2  T1 )  3 (T2  T1 )   4 (T2  T1 )  5 (T2  T1 ) 
2 3 4
M

kJ
b) h2  h1  1025,0
kg
c) Para T1 = 400K T2=900K
P1 = 0,1 MPa P2 = 10 MPa
h1 = 2730,5 kJ/kg h2 = 3691,7 kJ/kg
h2-h1 = 961,2 kJ/kg

Por integração

kJ
h2  h1   Cp(T )dT  1025,0
T2

T1 kg

Comentários: Água: Tc = 647,3K


Pc = 220,9 bars
M = 18,02 kg/Kmol

Para: T1 = 400K T2 = 900K


P1 = 1 bar P2 = 5 bars
V1 =
Z1 = Pv/RT

1 5
PR1   0, 0045 PR2   0, 023
220, 9 220 , 9

400 900
TR1   0, 06 TR2   1, 4
647 , 3 647 , 2

3.5.2. Tabelas de Gás Ideal

Para os gases mais comuns, avaliações de valores de energia interna específica


e de entalpia são facilitados pelo uso de tabelas de gases ideais.
A determinação da entalpia é obtida pela equação

h( T )  
T
C p (T )dT  h(Tref ) onde Tref = temperatura arbitrária
Tref

h(Tref) = entalpia

As tabelas A-16 a A-22 são baseadas em Tref = 0K e h(0) = 0

Para essas temperaturas e entalpia de referências

h(T )   C p (T )dT
T

0
A energia interna foi tabulada a partir dos valores de entalpia usando:
u = h - RT
Esses valores podem também ser obtidos através de programas de computador.

3.5.3 - Hipótese de calores específicos constantes

u(T2) - u (T1) = Cv (T2 - T1)


h(T2) - h(T1) = Cp (T2 - T1)

Os valores de Cv e Cp constantes são os valores médios obtidos de

 
T2 T2
Cv (T )dT Cp(T )dT
T1 T1
Cv  Cp 
T2  T1 T2  T1

EXEMPLO 3.7

Determine a variação da entalpia específica do vapor d'água do estado 1 a T1=


400K e P1 = 0,1 MPa até T 2 = 900K e P2 = 0,5 MPa, usando a tabela de gás ideal para
vapor d'água.
Compare os resultados com as partes a e b do exemplo 3.6
Tab. A-19 Pg. 725

kJ kJ
T1  400 K h1  13. 356 h1  741, 18
kmol kg
M  18, 02
kJ kJ
T2  900 K h2  31828 h2  1. 766 , 26
kmol kg
kJ kJ kJ
h2  h1  1025, 08 h1  2. 730 , 5 h2  3762 , 2
kg kg kg

kJ
EX.: 3.6 a) h 2 - h 1 = 1031,7 (Tabela A.4)
kg
kJ
b) h 2 - h 1 = 1025,0
kg
R 2

T
h2 - h1 = (   T   T 2   T 3   T 4 )dT
M 1 T

EX.: 3.9 Dois tanques são conectados através de uma válvula. Um dos
tanques contem 2 kg de CO a 77ºC e P = 0,7 bars. O outro tanque tem 8 kg de CO a 27
ºC e P = 1,2 bars.
A válvula á aberta permitindo que o CO se misture enquanto recebe energia do
ambiente. A temperatura final de equilíbrio é 42ºC. Usando o modelo de gás Ideal
determine:
a) a pressão de equilíbrio em bars
b) o calor transferido para o processo em kJ.

CO CO
2Kg, 77ºC x 8Kg, 27ºC
0,7 bars 1,2 bars
Tq 1 Tq 2

Hipóteses: 1. A massa total de CO é o sistema


2. O CO é tratado como gás ideal
3. O gás em cada tanque está inicialmente em equilíbrio
O estado final é um estado de equilíbrio
4. Não há realização de trabalho
5.  KE =  PE = 

Solução a) Pelas condições dadas é possível determinar os volumes totais dos


tanques 1 e 2, nas condições iniciais.
Supondo que os tanques sejam rígidos, o volume final será igual ao
inicial Vf = V1 + V2 e assim é possível determinar o volume específico final, de forma
que
RT f V1  V2
Pf  vf 
vf m1  m2

(m1  m2 ) RT f m1 RT1
Pf  V1 
V1  V2 P1
m2 RT2
V2 
P2

(m1  m2 ) RT f (m1  m2 )T f
Pf  
m1 RT1 m2 RT2 m1 T1 m2 T2
 
P1 P2 P1 P2

10kg  315K
Pf   1,05 bars
 2 kg  250 K   8kg  300 K 
   
 0,7   1,2 bars 

b) O calor transferido pode ser obtido por um balanço de energia


U = Q- W
 U = Q = Uf - Ui
Uf = (m1 + m2) u (Tf)
Ui = m1 u (T1) + m2 u (T2)
Q = m1 (u (Tf) - u (T1) + m2 (u (Tf) - u (T1))
U = (Tf) - u (T1) = Cv ( T f -T1)
U = (Tf) - u (T2) = Cv (T f - T2)
Q = m1 Cv (Tf - T1) + m2 Cv (Tf - T2)

Cv - Tabela A - 14 - Pg. 717


Tomando o valor médio para Cv entre T = 300 e 350
kJ
Temos Cv = 0,745
kgK
 kJ   
Q  2 kg  0,745
kJ
  315K  350 K   8kg  0,745   315K  300 K 
 kgK   kgK 

Q  37,25kJ
-------------------------------------------------------------------------------------------------------
-

Tab. A 20 - Pg. 727

Q  m1 (u(315K )  u(350 K ))  m2 (u(315K )  u(300 K ))

kJ
kmol


u (300)  6.229  222,38
kg
u (315)  6.541 M CO  28,01  233,52
kmol
u (3500)  7.271  259,59

Q  2 x (233,52  259,59)  8(233,52  222,38)


 52,14  89,12  36,98

Q  36,98kJ
3.5.4 - Processo Politrópico para um gás ideal

Descrito por PV n = constante, com n = constante


Entre 2 estados 1 e 2
n
P V 
1 1  P2V
PV n
 1  2
n
P2  V1 
2

n pode variar de -  a +  , dependendo do processo.


n=o Processo isobárico  P = constante
n=  Processo isométrico  V = constante

Trabalho

P2V2  PV
  n  1
2
PdV  1 1
1 1 n
V2
1 PdV  PV
2
1 1 ln n 1
V1
Essas equações se aplicam para qualquer gás (ou líquido) em um processo
politrópico.
Quando o comportamento de gás ideal é apropriado podem ser obtidas as
seguintes equações.

n 1
Pv  RT
n 1
T2  P2  n V  PV  mRT
   1
T1  P1   V2  1 1  mRT1
PV
P2V2  mRT2

mR (T2  T1 )

2
PdV  n 1
1 1 n

 processo isotérmico
V2

2
PdV  mRT ln n 1
1 V1
Problema 3.96

Argônio inicialmente a 500 KPa, e 100 K passa por um processo prolitrópico,


com n=k, até atingir a temperatura final de 300 K
Determine o trabalho e o calor transferido por kg de Argônio. Admita
comportamento de gás perfeito.

RT2  T1 
W12 
1 k

kg
Tab. A.1 MAR=39,94
kmol
Tab. A.15 Gases monoatômicos

Fig. 3.12 - pag.97


kJ
R  8,314
KmolK
kJ
Cp R 8,314
 R 
KmolK
R M R AR kg
39,94
Kmol

Fig.3.2.  Pg.97

Cp Cp kJ
 2,5 Cp  R AR  0,21 STO
R M kgK
u  h  RT h  CpdT K 
du dh
 R Cp  Cv  R
dT dT
kJ
Cp AR  2,5xR  0,52
kgK Cp
k  1,67 
kJ Cv
Cv AR  0,31
kg
kJ  300  100 K 0,21x100 kJ
W12  0,21    62,69
kgK 1  1,67 1  1,67 kg
kJ
W12  62,69
kg
Calor Transferido
1a. Lei U  Q  W

U  CvT2  T1   0,31
kJ kJ
 300  100  62,00
kgK kg
Q12  U  W
kJ
Q12  62,00    62,69  0,69
kg

CAPÍTULO 4 - VOLUME DE CONTROLE - ANÁLISE ENERGÉTICA

Embora alguns dispositivos como turbinas, bombas e compressores, através dos


quais há fluxo de massa, possam ser analisados como sistema fechados, é normalmente
mais simples adotar o ponto de vista do "Volume de Controle" para analisar esses
dispositivos.
. .
H =m h
m i i i
i

.
M (t) w
vc
.
Q . .
A
---> m h =m h
e e e e

.
Q
B

O principal objetivo deste capítulo é estabelecer e ilustrar o uso dos princípios


de conservação da massa e da energia para volumes de controle.

4.1 - Conservação de massa para V.C.


Modelo de escoamento unidimensional

4.1.1- Desenvolvimento do balanço do fluxo de massa


Uma determinada quantidade de massa m, ocupa diferentes regiões em função
do tempo, como ilustrado nas figuras seguintes.

m
i

m (t + t) m
m (t) vc e
vc

a tempo (t) b tempo (t + t)

tempo (t) massa do sistema  m= mvc(t) + mi


massa do vol. controle  mvc(t)

tempo (t+  t) massa do sistema m = mvc(t+  t) + mc


-11+ do vol. controle  mvc(t+  t)

m = mvc(t) + mi = mvc(t+  t) + mc

mvc(t+  t) - mvc (t) = mi - mc   t

m vc (t  t)  m vc (t) mi me
 
t t t
Para  t  0 O sistema fechado e o volume de controle coincidem (ver do ponto de
vista físico)

 m  t  t   mvc (t)  d
lim t  0  vc t   mvc
  dt
mi
lim t  0 
 mi
t
Fluxos de massa instantâneos
mc
lim t  0 
 mc
t
Se existirem muitas entradas e muitas saídas do volume de controle o balanço
dos fluxos instantâneos pode assumir o formato de somatório.

n m
mvc   mi
   me

i 1 e i

4.1.2 - Formas do balanço do fluxo de massa.


Em muitos casos pode ser conveniente expressar o balanço de massa em função
das propriedades locais.

mvc (t )    dV
V

V t

dAelemento de Área
Vvelocidade do fluxo ao cruzar
esse elemento de Área

Quantidade de massa que cruza dA durante t 


 
 Lembrar que V deve ser sempre perpendicular à dA  Vm t . dA
 Assim é melhor escrever. 

 V dA
A
n

[Fluxo instantâneo de massa através de toda a área A] =


m  Vn dA
A

Assim o balanço da massa pode ser escrito


d    
  dV      Vn dA      Vn dA
dt V i A  e A 
i e

O estudo detalhado do princípio da conservação da massa é usualmente feito em


Mecânica dos Fluídos e adota-se em termodinâmica formas mais simplificadas.

Fluxo unidimensional

VA
m VA m 
VA  mv
v
d AiVi AeVe
mvc   
dt i vi e ve

Para processos em Regime Permanente

 mi
   me
i

e

EXEMPLO 4.1

Um alimentador de água quente opera em Regime Permanente e tem 02 entradas


e 01 saída. Na entrada 1, vapor d'água entra a P1 =7 bar e T1 = 200 ºC, com um fluxo
de massa m 1 = 40 Kg/s. Na entrada 2, entra água líquida na pressão P 2 = 7 bars, e
temperatura T2 = 40 ºC, através de uma área A2 =25 cm2. Pela única saída escoa líquido
saturado com uma vazão (fluxo volumétrico) de VA = 0,06 m3/s.
Determine o fluxo de massa na entrada 2( m  
2) e na saída ( m 3) e a velocidade
na entrada 2 em m/s.

Superfície de Controle
(Fronteira do Vol. de Controle)
A = 25cm 2 2 1 T = 200ºC
2 1
T = 40ºC P = 7 bars
2 .1 = 40 kg/s
P = 7 bars m
2 1
3 Líquido Saturado
P = 7 bars
3
3
(VA) = 0,06 m /s
3
Solução:
2
d
m   mi    me
  0 R. P.
dt vc i 1
 mi
  m  m 1 2

 me
  m 3

m1  m2  m3 m2  ?


m3  ?
V2  ?
VA 2 VA 2
m2  2 (VA) 2  VA 2  V2  A2  V2 
v2 A2
VA 3 m3

m3   v 3  1108
,  10  3  Tab. A.3
v3 kg
0,06m 3 / 2 kg
m3  3  54,15
m s
, . 3
110810
kg
kg
m2  m3  m1  54,15  40  14,15
s
m2 v 2 m3
V2  . 3
 v 2  1,007810  Tab. A2 a 40º C
A2 kg
3
kg 3 m 1
V2  14,15  1,007810
.  5,7m / s
s kg 25,10  4 m 2
V2  5,7m / s
Respostas: m2 = 14,15 Kg/s
m3 = 54,15 Kg/s
V2 = 5,7 m/s

4.2 - Conservação da energia para um V.C.


O desenvolvimento das equações de balanço de energia para V.C. é efetuado de
modo similar àquele feito para o balanço de massa.

4.2.1 - Desenvolvimento do balanço de energia para um V.C.

m .e
i i
VC
w
w
Sistema fechado
Evc (t) E (t + t) me .e
(sombreado) vc e

tempo (t) tempo (t + t)

Vi 2 Ve 2
ei  ui   gzi ee  u e   gz e
2 2
E (t) = Energia do Sistema no tempo (t)

E (t) = Evc (t) + mi ei

 Vi 2 
E vc  t   mi  ui   gzi 
 2 
E  t  t   Energia do Sistema em  t  t 
 Ve2 
E  t  t   E vc  t  t   me  ue   gz e 
 2 

Balanço de Energia para o Sistema

E  Q  W W  trabalho de eixo, deslocamento de fronteira , elétrico


E  t  t   E  t   Q  W
  Ve2    V2 
 E vc  t  t   me  ue   gze     E vc  t   mi  ui  1  gzi    Q  W
  2    2 
 V12   Ve2 
E vc  t  t   E vc  t   Q  W  mi  ui   gzi   me  ue   gze 
 2   2 
 t
 V2   V2 
mi  ui  i  gzi  me  ue  e  gze 
E vc  t  t   E vc  t  Q W  2   2 
   
t t  t t t

Passando ao limite com  t  0


E vc  t  t   E vc  t  d
lim t  0  E vc
t dt
Q W
lim t  0  Q lim t  0  W
t t
  Vi 2 
 i i
m  u   gzi  
  2   Vi 2 
lim t  0    mi  ui   gzi 
t  2 
 
 
  Ve2 
 me  ue   gze  
  2   V2 
lim t  0  e  ue  e  gze 
m
 t   2 
 
 

Assim a equação para o balanço de energia para um V.C. fica.

dE vc  V2   V2 
 Q W mi  ui  i  gzi   me  ue  e  gze 
dt  2   2 

4.2.2 - Trabalho para um Volume de Controle


   
Wd  F  d d  Ve t

Trabalho associado ao deslocamento do fluido, no tempo t

Wd  Pe  Ae  Ve  t

A taxa de realização do trabalho de deslocamento é

Wd
 Pe Ae Ve
t

Assim, separando o trabalho associado do deslocamento do fluido dos outros


trabalhos (eixo, elétrico, etc), temos:

W Wvc  Pe AeVe  Pi AiVi W Wvc  m


(
e Pe ve )  m(
i Pi vi )
AeVe  me v e AiVi  mi vi
4.2.3. Forma do balanço do fluxo de energia para um VC

dE vc Vi 2
 Qvc  Wvc  m(
i ui  Pi Vi   gZ i )
dt 2

Ve2
 me (ue  Pe Ve   gZ e )
2

u  Pv  h

dE vc   Vi 2 Ve2
 Qvc  Wvc  m(
i hi   gZi )  m(
e he   gZ e )
dt 2 2

Para várias entradas e saídas a equação fica

dE vc n
Vi 2 m
Ve2
 Qvc  Wvc   m(i hi   gZ i )   
me ( he   gZ e )
dt i 1 2 e 1 2

A variação da energia do Volume de Controle é dada pelo balanço das taxas de


energia que cruzam a fronteira do volume de controle.
Os mecanismos são: Calor e Trabalho, como nos sistemas fechados
energia associada aos fluxos de massa que cruzam as
fronteiras

4.3. Análise para Volume de Controle em Regime Permanente

4.3.1. Balanços de Fluxo de Massa e Energia

Para operação em Regime Permanente

dmvc
0
dt
 mi   me

dE vc
0
dt

Vi 2 Ve2
0  Qvc  Wwc   m(
i hi   gZ i )   me (he   gZ e )
i 2 e 2
Vi 2 Ve2
Qvc   m(
i hi   gZ i )  Wvc   me (he   gZ e )
i 2 e 2

4.3.2. Ilustrações

Bocais e difusores

B OCAL

DIFUSOR

Exemplo 4.2.

Vapor entra em um bocal que opera em Regime Permanente com Pi=40 bars e
Ti = 400oC e velocidade de entrada Vi = 10m/s. O bocal é isolado e praticamente não
há troca de calor com o ambiente.
Na saída, a pressão é P2 = 15 bars e a velocidade é V2 = 665m/s. Para um fluxo
de massa de 2 kg/s determine a área de saída do bocal, em m2.

figura pg. 127

Pi = 40 bars P2 = 15 bars
Ti = 400ºC V2 = 665m/s
Vi = 10m/s

Equação da conservação da massa

d
m   mi   me
dt vc i e

Equação da conservação da energia


d Vi 2 Ve2
E  Qvc  Wvc   m(
 
i hi   gZ i )   me (he   gZ e )
dt vic i 2 e 2

Hipóteses:

d
m 0
dt vc
1) Regime Permanente
d
E 0
dt vc

2) Bocal Isolado Qvc  0

3) Trabalho
Só o trabalho de escoamento que está incluído no valor da entalpia
h = u + pv

4) Energia potencial
Se o bocal é horizontal PE = 0
Se não horizontal PE  0
Diferença de cota entre entrada e saída é pequena

5) Uma entra e uma saída


6)
 m  m
i
i
e
e  mi  m2  m

Determinar a área de saída

V1 A1 V2 A2
m VA  m 
v1 v2

1 2
mv
v A2  v2  ?
 V2
É necessário conhecer o estado 2)

V12 V22
m(h1   gZ1 )  m(h2   gZ 2 ) gZ1  gZ 2
2 2

V12  V22
h2   h1
2

Tab. A.4

kJ
hi  3213,6
kg

 10 2  6652  m 2 kJ
h2    2  3213,6
 2  s kg

m2 J N . m kg. m m m 2
   2 .  2
s 2 kg kg s kg s

  221100
.  kJ kJ kJ
h2     3213,6  2992,5
 1000  kg kg kg

Tab. A.4. P2 = 15bars


v2 = 0,1627 m3/kg

 2 2( ks / s)(0,1627)m 3 / kg
mv
A2    4,89.10  4 m 2
V2 665m / s

Comentários:
1) Tomar cuidado para converter as unidades de energia cinética específica
 m2  kJ
 2  para
s  kg
2) Embora as relações para estado de equilíbrio sejam aplicadas na entrada e na saída,
os estados do fluido não são necessariamente de equilibrio entre os estados 1) e 2) e
são representados por uma linha tracejada.

Turbinas
Turbina é um dispositivo que realiza trabalho como resultado da passagem de
um gás ou um líquido através das pás que são fixadas em um eixo.

Exemplo 4.3.

Vapor entra em uma turbina que opera em Regime Permanente com um fluxo
de massa de 4600 kg/h.
A turbina desenvolve uma potência de 1000 kW.
A pressão na entrada é de 60 bars, a temperatura é de 400oC e a velocidade é de
10m/s. Na saída a pressão é de 01, bars, o título é 0,9 (90%) e a velocidade é 50m/s.
Calcular a taxa de transferência de calor entre a turbina e o ambiente, kW.

Figura fl. 129


Eq. Cons. Massa R.P. m1 m
2 m

V12 V22
0 Qvc  Wvc  m(h1   gZ1 )  m(h2   gZ 2 )
2 2
Eq. Cons. Energia R.P.
  V22  V12  
 
Qvc  Wvc  mh2  h1   
  2  

kJ
Tab. A.4  h1 = 3177,2
kg

Tab. A.3

h2 = hf2 + x2 hfg2
hf2 = 191,83 kJ
hfg2 = 2392,8 kg
h2 = 191,83 + (0,9)(2392,8)
=2345,4
kJ
h h2 - h1 = 2345,4 - 3177,2 = -8,31,8
kg

KE  V22  V12   50 2  10 2  J kJ


     1200
.  1,2
m  2   2  kg kg

 4.600kg   kJ kJ 
Qvc  1000kW     831,8 kg  1,2 kg 
 3.600s   

Qvc   61,3kW

Dispositivos de estrangulamento

Uma significativa redução de pressão á conseguida por um estrangulamento na


tubulação onde o fluxo passa.
Isso é usualmente feito através da abertura parcial de uma válvula ou pela
introdução de um “plug” poroso, como ilustrado nas figuras.

1 2 1 2

Conservação da massa.
0  m
1  m
2  m

Conservação da energia.
. . . 2 2
. V
0 = Q - W + mi (h + V1 + g Z ) - m (h + 2 + g Z )
vc vc 1 2 1 2 2 2 2
Não há usualmente transferência significativa de calor para (do) ambiente e a
variação de energia potencial é desprezada.

V12 V22
h1   h2 
2 2

Embora as velocidades nas vizinhanças da redução sejam significativamente


elevadas, os experimentos realizados mostram que as variações de Energia são
desprezíveis resultando para o balanço da energia:
h =h
1 2

4.4 - Análise de Transitórios

Muitos dispositivos passam por períodos transitórios de operação, nos quais o


estado da massa que entra e que sai varia durante os períodos de operação transiente.

EX. 4.9

Dois décimos de libra de ar a 2 atm e 540ºR são mantidos dentro de uma seringa
por um êmbolo em uma extremidade e por uma válvula reguladora na outra. A válvula
reguladora é aberta e o êmbolo se move para injetar o gás dentro de um reservatório
que contém inicialmente 1 lb de ar a 1 atm e 540ºR. O êmbolo mantém o estado de gás
injetado constante até que todo ele passe pela válvula reguladora.
Desprezando os efeitos de transferência de calor para a vizinhança e também os
efeitos de energia cinética e potencial, determine a temperatura de equilíbrio em ºR, a
pressão em lbf/pol2 do gás no reservatório após a injeção de todo o ar da seringa.
Use o modelo de gás ideal para o ar.

Figura Fl. 141

Hipóteses

1. V.C. engloba o recipiente e a válvula controladora de fluxo.


2. O estado do ar da seringa permanece inalterado até que ele passe pela válvula
controladora.
3. Não há tranferência de calor.
4.
Qvc  0
Wvc  0
KE  0
PE  0

4. Considerar o ar como gás ideal.


5. Os estados inicial e final do ar no recipiente são estados de equilíbrio.
Conservação da massa
d
m  mi

dt vc
Conservação da energia
. . . 2
d E = Q - W + mi Vi
(h + +gZ )
dt vc vc vc i 2 i

. . 2
d E = m h = d (U + Vvc + g Z )
dt vc i i dt vc
2 vc

dU vc
i h i
m
dt
dU vc dm vc
 hi
dt dt

h i  relacionada com o ar que está na seringa. Por hipótese


h i = constante
h i = h (T s) Ts = temperatura do ar na seringa

 dU vc  dt  h Ts   dmvc dt
t1 t1

0 0

U vc  h Ts  mvc 
mvc  ms  massa de ar que estava na seringa e entrou no recipiente.

 Uvc = Uvc final - Uvc inicial Tf = temperatura final


= (mc + ms) cv Tf - mc cv Tc Tc = temperatura inicial

(mc+ms) cv Tf - mc cv Te = ms cp Ts

mc cv Tc ms cp Ts
Tf  
cv mc  ms cv mc  ms
mc Tc ms
Tf   Tc   k  Ts
 mc  ms (mc  ms
1lb 0,2
Tf   540º R   k .540
1,2lb 1,2

k  varia de 1,383 para T = 500ºR


até 1,377 para T = 600ºR

Considerando como uma primeira aproximação k médio

1,383  1,377
k med =
2
Tf = 574,2ºR Como a temperatura variou de 540º R até 574,2ºR vamos tomar
um valor de k med, entre essas duas temp. 557ºR.

500  1,383
 557  500 x1,377  1,383
557 x x  1,383
600  500 x
600 1,377
k  1,380
resultando
Tf = 574,16  574,2º R

A pressão final é calculada pela equação dos gases perfeitos.

Pv = RT ou Pf V = mRTf

mRTf  mc  ms  RTf


Pf = 
V RTc
mc
Pc

V permanece constante

mc RTc
V
Pc
 mc  ms  Tf 574,2
Pf      Pc  1,2   1atm
 mc  Tc 540

Pf= 1,276 atm Pf =18,76 psi

EXEMPLO 4.10

Vapor a pressão de 15 bar e temperatura de 320ºC está contido em um grande


tanque. Uma turbina que descarrega em um pequeno vaso, inicialmente evacuado, de
volume 0,6 m3, está conectada ao tanque grande, de vapor. A válvula é aberta e o
pequeno vaso é cheio com vapor até a pressão de 15 bar e temperatura de 400ºC. A
válvula é então fechada. O processo de enchimento é adiabático e as variações de
energia cinética e potencial podem ser desprezadas. Determine o trabalho desenvolvido
pela turbina, em kJ.

Figura Fl. 143


Hipóteses

1. V.C. compreende a válvula, a turbina e o tanque pequeno


2. O estado do vapor no tanque grande permanece constante
3. O estado do vapor no final do processo, no tanque pequeno é um estado de equilíbrio
4. A quantidade de massa dentro da turbina e tubos de conecção é desprezível
5. Q
vc  0 kE  PE  0

Conservação da massa

dmvc
 mi

dt
Conservação da energia

. . . 2
d E = Q - W + mi Vi
(h + +gZ )
dt vc vc vc i 2 i

. .
d Evc = - W + m h = d Uvc
dt vc i i dt

hi = constante  hipóteses 2

d d
Wvc  hi  mvc  Uvc
dt dt
Wvc  hi mvc  Uvc
Uvc  mvc f U final  mvc inicial U inicial
Uvc  mvcUf
mvc  mvc
Wvc  hi mvc  mvcUf  mvc(hi  Uf )
Wvc  mvc(hi  Uf )

hi  Pi  15 bars kJ
hi  3081,9
Ti  320º C kg
m3
vi  0,1765
kg

U f  Pf  15 bars kJ
U f  2951,3
T f  400º C kg
m3
v f  0,2030
kg
V 0,6m3
mvc    2,956kg
vf m3
0,2030
kg
kJ
Wvc  2,956kg x 3081,9  2951,3  386kJ
kg

W = 386 kJ
vc

Este problema é interessante para verificar a influência do trabalho de


escoamento.
Se o tanque pequeno fosse conectado diretamente ao tanque grande, sem a
turbina, a temperatura final no tanque seria 477ºC, para a mesma pressão final.

EXEMPLO 4.13

Um tanque contendo 45 kg de água, inicialmente a 45ºC tem uma entrada e uma


saída com igual fluxo. Água líquida entra a 45ºC com um fluxo de 270 kg/h. Uma
serpentina de resfriamento imersa na água remove energia a uma taxa de 7,6 KW. A
água dentro do tanque é misturada por meio de uma hélice, de forma que a temperatura
é uniforme dentro do tanque. A potência fornecida à água pela hélice é de 0,6 KW. As
pressões são iguais na entrada e na saída e os efeitos de energia cinética e potencial
podem ser desprezados.
Determine a variação da temperatura da água com o tempo.

Figura fl. 148

Probl. 3.72 Determine o volume em pé3, ocupado por 5 lbmol de N2 a 360oR e pressão
de 3000 lbf/pol2

T = 360º R
5 lbmol lbf
1 atm = 14,696 2
N pol
2 P = 3000 PS1

a) Usando as relações de Gás Perfeito.


Pv  RT  PV  nRT PV  mRT
V
Pv  RT v
m
M N 2  28,01
nRT
Te  227º R V 
P
Pe  33,5 atm

pé. lbf 1 pé  12 pol


R  1545
lbmol º R 1
1 pol  pé
1BTU  778,17 lbf . pé 12
1kcal  4,1868kJ

nRT
V
R
1545 pé. lbf 360º R
V  5lbmol   6,44 pé 3
lbmol º R 3000lbf  pol 2

 144 
pol 
2
pé 2 

b) Usando as cartas de compressibilidade generalizadas.

P 3000 PS1
Pr    6,09
Pc PS1
33,5atm  14,696
atm
T 360º R
Tr    1,59
Tc 227º R
Pv
Z  0,925 
RT
0,925  RT
v
P
mRT
V  v . m  0,925.  5,96 pé 3
P

3.75 - Butano (C4H10) passa por um processo em um conjunto pistão cilindro de P1 =


5MPa, T1 = 500 K até P2 = 3MPa, durante o qual a relação entre a pressão e o volume
é pv1,05 = constante. A massa de butano é 5 kg.
Determine a temperatura final (K) e o trabalho em kJ
Resp. T = 450,7K
W = 120 kJ

a) G.P.
b) M = 58,12
Tc = 425 K
Pc = 38,0 bar

500
Tr1   118
,
425
Z1  0,71
50 bars
Pr1   1,32
38.0

n 1 1, 051
T2  P2  n
 3 1, 05
a)    T2  T1   
T1  P1   5
0 , 05
 3 1,05
T2  500   488k
 5
mR T2  T1 

2
Trabalho W  pdV 
1 1 m
8,314 kJ 488  500
W  5kg    171,66kJ
kg 1  1,05
58,12 kmol
kmol

b) Não considerar gás ideal

mRT
PV  mRT  Z
PV
T2  ? Tomando o valor de T2 do item anterior . T2  488k
Z2
P2  3 MPa  30bars TR2  115
,
30
Pr2   0,79
38
Z 2  0,82
W12   pdV
2
PV n 
1


P
Vn
dV  V21 n  V11 n 
W12  
2
  
1 Vn  1 n 
P1 n
1 1  P2V2 V2n  V
n n
PV
P2 1
W12
CAPÍTULO 5

A 2a. Lei da Termodinâmica

Até este ponto foi enfatizado o uso dos princípios de conservação da massa e da
energia, juntamente com as relações entre propriedades para a análise termodinâmica.
No capítulo 2 até o capítulo 4 esses fundamentos foram aplicados para situações
de crescente complexidade.
Os princípios de conservação nem sempre são suficientes e muitas vezes a
aplicação da 2a. lei é também necessária para a análise termodinâmica.

5.1 - Introdução

Objetivo é motivar sobre a necessidade e utilidade da 2a. lei.

5.1.1 - Direção dos Processos

Os processos espontâneos possuem uma direção definida.


 Corpo quente - esfriamento - equilíbrio
 Vaso pressurizado  vazamento - equilíbrio
 Queda de um corpo  repouso
Todos esses casos podem ser revertidos, mas não de modo espontâneo.
Nem todos os processos que satisfazem a 1a. lei podem ocorrer.
Em geral, um balanço de energia não indica a direção em que o processo irá
ocorrer, nem permite distinguir um processo possível de um impossível.
Para os processos simples a direção é evidente, mas para os casos mais
complexos, ou aqueles sobre os quais haja incertezas, um princípio que serve de guia é
muito útil.

5.1.2 - Oportunidade para desenvolver trabalho

Toda vez que existir um desequilíbrio entre 2 sistemas haverá a oportunidade


de realização de trabalho.
Se for permitido que os 2 sistemas atinjam o equilíbrio de forma não controlada,
a oportunidade de realizar trabalho estará irremediavelmente perdida.
 Qual é o limite teórico para a realização do máximo trabalho?
 Quais são os fatores que impedem que esse máximo seja atingido?
A 2a. lei da Termodinâmica propicia os meios para a determinação desse
máximo teórico, e a avaliação quantitativa dos fatores que impedem que esse máximo
seja alcançado.

5.1.3 - Aspectos da 2a. lei

A 2a. lei e suas deduções propiciam meios para:

1. predizer a direção dos processos


2. estabelecer condições de equilíbrio
3. determinar qual o melhor desempenho teórico dos ciclos, motores e outros
dispositivos
4. avaliar quantitativamente os fatores que impedem que esse melhor
desempenho seja atingido

Uma utilização adicional da 2a. lei inclui suas regras:

5. na definição de uma escala de temperatura que é independente das


propriedades de qualquer substância
6. no desenvolvimento de meios para avaliar as propriedades, como u e h em
termos de outras propriedades que são mais facilmente obtidas
experimentalmente.

Esses seis pontos devem ser pensados como aspectos da 2a. lei e não como
idéias independentes e não relacionadas.
A 2a. lei tem sido utilizada também em áreas bem distantes da engenharia, como
a economia e a filosofia.
Dada essa complexidade de utilização, existem muitas definições para a 2a. lei
e neste texto, como ponto de partida serão apresentadas duas formulações.
A 2a. lei tem sido verificada experimentalmente em todas as experiências
realizadas.

5.2 - Enunciados da 2a. lei da Termodinâmica

Enunciado de Clausius  mais evidente e de acordo com as experiências de


cada um e, assim, mais facilmente compreendida e aceita.

Enunciado de Kelvin-Planck  Embora mais abstrato, propicia um meio


eficiente de expressar importantes deduções relacionadas com sistemas operando em
ciclos termodinâmicos.

5.2.1 - Enunciados de Clausius e de Kelvin-Pank

Clausius: É impossível um sistema operar de modo que o único efeito resultante


seja a transferência de energia na forma de calor, de um corpo frio para um corpo
quente.
Citar: Refrigerador
Reservatório Térmico: Classe especial de sistema fechado que mantém
constante sua temperatura mesmo que energia esteja sendo recebida ou fornecida pelo
sistema (RT).
Ex.: Atmosfera
Grandes massas de água: oceanos, lagos
Grande bloco de cobre (relativo)

Kelvin-Planck: É impossível para qualquer sistema operar em um ciclo


termodinâmico e fornecer trabalho líquido para sua vizinhança trocando energia na
forma de calor com um único reservatório térmico.

5.2.2 - Equivalência entre os enunciados de Clausius e Kelvin-Planck.

A equivalência entre os enunciados de Clausius e de Kelvin-Planck pode ser


demonstrada mostrando que a violação de um enunciado implica na violação de outro
enunciado.
RT
Qc (Quente) Qh
(Hot)

A B W ci clo = Qh - Qc

RT
Qc (frio) Qc
(Cold) Si s tem as A e B com binados

Se A transfere calor do reservatório frio para o reservatório quente, sem


nenhum outro efeito, viola o enunciado de Claussius.
B opera em ciclo, recebendo Qh do TR quente, produzindo um trabalho W e
rejeitando Qc para o RT frio.
Como A recebe Qc do RT frio e B fornece Qc para o mesmo RT, podemos
imaginar um dispositivo constituído por A , B e RT frio, que estaria trabalhando em
ciclo, recebendo Qh de RT quente, produzindo um trabalho líquido Wc = Qh - Qc e
rejeitando Qc para o mesmo RT quente.
Essa situação viola o enunciado de Clausius.

RT quente RT quente

Qh Qc + Qh Qc

W =Qh
Ciclo Ciclo
W =Qh
Qc
Qc
RT frio
RT frio
5.3 - Processos Reversíveis e Irreversíveis

5.3.1 - Processos Irreversíveis

Um processo é irreversível quando o sistema e todas as partes de sua vizinhança


não conseguem voltar ao estado inicial.
Um sistema que passa por um processo irreversível não está impedido de
retornar ao seu estado inicial. No entanto se o sistema retornar ao estado inicial não será
possível fazer o mesmo com sua vizinhança.
Alguns efeitos que tornam os processos irreversíveis.
 Transferência de calor com diferença finita de temperatura.
 Expansão não resistida de um gás ou líquido para pressões mais baixas.
 Reações químicas espontâneas.
 Misturas espontâneas de matéria em diferentes composições ou estados.
 Atrito - por escorregamento ou de fluidos.
 Magnetização ou Polarização com histerese.
 Deformação não elástica.
Embora esta lista não seja exaustiva ela sugere que todos os processos reais são
irreversíveis.
As irreversibilidades ocorrem dentro do sistema e na vizinhança e podem ser
mais pronunciadas em um ou no outro.
Nesse sentido as irreversibilidades podem ser classificadas como internas ou
externas.
Como a definição da fronteira é arbitrária, a classificação das irreversibilidades
como internas (relacionadas com o sistema) ou externas (relacionadas com a
vizinhança) depende da localização da fronteira.
Os engenheiros precisam ter habilidade para reconhecer as irreversibilidades,
avaliar sua influência e desenvolver os mecanismos adequados para reduzi-las.
Alguns processos, como a frenagem, necessitam do efeito da irreversibilidade
em suas operações.
Taxas elevadas de transferência de calor, aceleração rápida, taxas de produção
elevadas, etc., invariavelmente implicam em irreversibilidade significativas.
Irreversibilidades são toleradas em vários graus, para qualquer processo porque
as mudanças no projeto e operação necessárias para reduzi-las, implicam em elevados
custos.
Assim, embora a melhoria do desempenho termodinâmico possa acompanhar a
redução das irreversibilidades, o fator custo é um impedimento importante.

5.3.2 - Processos Reversíveis

Um processo é dito reversível se o sistema e todas as partes da sua vizinhança


puderem retornar exatamente ao estado inicial.
Todos os processos são irreversíveis, e processos reversíveis não podem
ocorrer. No entanto, alguns processos, como o escoamento através de um bocal
apropriadamente projetado é aproximadamente reversível.

EXEMPLO 5.1

Um sistema é constituído por um bloco de massa m e um plano inclinado.


Inicialmente o bloco está em repouso sobre o plano inclinado, numa cota Zi. Ocorre um
processo no qual o bloco desliza sobre o plano inclinado, até ficar novamente em
repouso numa cota inferior Zf. Não há transferência de calor significativa entre o
sistema e a vizinhança durante o processo. Use o enunciado de Kelvin-Planck da 2a. lei
para demonstrar que esse processo, que envolve atrito é irreversível.
Si tuação ori gi nal
B l oco

Pl ano
Zi
i ncl i nado
Zf

Hipóteses:

1. O bloco e o plano inclinado formam o sistema.


2. O bloco está em repouso, no início e no final do processo.
3. Durante o processo não há realização de trabalho nem transferência de calor
para o ambiente.

1a. lei para o sistema

V f2  Vi 2
Uf  Ui   mg Zf  Zi   m 2
 Q W

Uf  Ui   mg Zi  Zf 
Solução:

a) Processo 1 . O bloco retorna espontaneamente para sua posição original


recuperando sua energia potencial original.
b) Processo 2 . O bloco é ligado a um conjunto cabo + polia, que levanta
um peso a medida que o bloco desliza para sua posição de repouso
inferior.
c) Processo 3 . Um reservatório térmico, em comunicação com o sistema
eleva sua energia interna de Ui para Uf.

FIGURA
O resultado final deste ciclo onde o bloco sobe espontaneamente a rampa
(reverso do processo original), desce realizando trabalho e tem sua energia interna final
restituída por transferência de calor de um reservatório térmico, é a realização de
trabalho para o ambiente com transferência de calor de um único RT. Isso viola o
enunciado de Kelvin-Planck.
Como os processos 2 e 3 são processos possíveis o processo 1 é o processo
impossível de ser realizado. Ou seja, o processo original não pode ser revertido (é um
processo irreversível).

5.3.3 - Processos internamente reversíveis.

Em um processo irreversível, as irreversibilidades estão presentes dentro do


sistema, na vizinhança ou em ambos.
Um sistema experimenta um processo internamente reversível quando todas as
irreversibilidades estiverem na vizinhança. Não há irreversibilidades internas.
O conceito de "processos internamente reversíveis" em termodinâmica é
equivalente aos conceitos de: localização da massa de um sistema em um ponto; polias
sem atrito; viga rígida; corpo inelástico, etc, muito utilizadas em mecânica.
Esse conceito é muito útil para tratamento de problemas complexos, e para
determinar qual o melhor desempenho termodinâmico do sistema.
Para definição de Reservatório Térmico, todos os processos que ocorrem nos
RT serão processos internamente irreversíveis.

5.3.4 - Forma analítica do enunciado de Kelvin-Planck

O princípio da conservação da energia (1a. lei) para um ciclo é:

Wciclo = Qciclo

O enunciado de Kelvin-Planck estabelece que em sistema operando em ciclo


não pode trocar calor com um único reservatório térmico e fornecer um trabalho líquido
(+) para a vizinhança. Não impede que o ciclo receba o trabalho da vizinhança.

Assim

Wciclo  0 (só um reservatório)


1a. lei Wciclo = Q ciclo

2a. lei Wciclo 0 Essas duas desigualdades podem ser


tomadas como expressões analíticas
 Qciclo  0 da 2a. lei da termodinâmica
O sinal = 0 é para processos reversíveis

O sinal < 0 é para processos irreversíveis

Para o caso Wciclo < 0, serão tratados inicialmente os processos onde as


irreversibilidades ocorrem dentro do sistema.
Os reservatórios térmicos estão livres de irreversibilidades.

FIGURA

Assim nenhuma mudança é notada na vizinhança ou no sistema, pois

+ Wa - Wb = 0 Trabalho do ciclo Processo reversível


+ Qa - Qb = 0 Calor trocado

5.4. - Corolários da 2a. lei para ciclos termodinâmicos.

5.4.1 - Corolário de Carnot. Limitações da 2a. lei para ciclos de potência.

Corolário 1

A eficiência térmica de um ciclo irreversível é sempre menor que a eficiência


térmica de um ciclo reversível entre os dois mesmos Reservatórios Térmicos.

Corolário 2

Todos os ciclos reversíveis de potência operando entre os mesmos 2


Reservatórios Térmicos apresentam a mesma eficiência térmica.
Um ciclo é considerado reversível quando não há irreversibilidades dentro do
sistema quando ele percorre o ciclo e as trocas de calor entre o sistema e os reservatórios
térmicos ocorrem de modo reversível.

FIGURA

Como o ciclo R é reversível ele pode operar com um ciclo de refrigeração,


retirando Qc do Reservatório frio e fornecendo Qh para o Reservatório quente,
enquanto recebe um trabalho Wr. Assim podemos imaginar um ciclo constituído por
RT(h), (R) e (I), trocando calor apenas com o RT frio
Como o ciclo combinado é um ciclo irreversível e troca calor com um único
reservatório, Wciclo < 0.

Wciclo  Wi  Wr  0
  negativo, pois recebido pelo sistema
 positivo pois realizado pelo sistema
Wi  Wr    
i r

Demonstração do Corolário 2

FIGURA

Wciclo = 0  pois os dois ciclos são reversíveis.


Wr2  Wr1  0  Wr2  Wr1
R 2  R1Independente do fluido de trabalho.

5.4.2 - Limitações de 2a. lei para os ciclos de Refrigeração e Bomba de calor.

FIGURA

Ciclo de refrigeração
Qc Qc
Coeficiente de desempenho   
Wciclo Qh  Qc
Ciclo de bomba de calor
Qh Qh
Coeficiente de desempenho   
Wciclo Qh  Qc
Se o trabalho do ciclo, tende a zero
 tende ao infinito.
No limite, com Wciclo = 0 Qh = Qc
e isso viola a 2a. lei.
Isso significa que o coeficiente de desempenho precisa ter um valor finito.
O valor máximo teórico para o coeficiente de desempenho será visto após a
discussão sobre a Escala Termodinâmica de Temperatura.
Os ciclos de refrigeração irreversíveis apresentam sempre um coeficiente de
desempenho menor que os ciclos reversíveis.

FIGURA

Se os dois ciclos retiram Qc do reservatório frio e estão conectados com o


mesmo RT quente o trabalho requerido pelo ciclo irreversível deve ser maior que o
trabalho requerido pelo ciclo reversível, uma vez que as irreversibilidades representam
uma penalidade.
Wi > Wr

Invertendo o ciclo R de modo que ele passe a operar como um ciclo motor, que
retira Qh de RT H e fornece Q C a RT C , os ciclo combinados R e I + RT C passam a
funcionar como um ciclo irreversível trocando calor com apenas RT H
Nesse caso Wciclo < 0 (2a. lei)

+Wr - Wi < 0

Wi > Wr

5.5 - Escala Kelvin de Temperatura

Carnot. Corolário 2
Todos os ciclos reversíveis de potência, operando entre os dois mesmos
Reservatórios Térmicos apresentam a mesma eficiência térmica.
Como esta igualdade na eficiência térmica não depende da substância, nem do
arranjado ciclo, os únicos fatores que influenciam são as temperaturas dos
Reservatórios Térmicos.

W Qh  Qc Qc
   1
Qh Qh Qh

Qc
  1
Qh

Tomando as temperaturas dos Reservatórios Térmicos quente  h e frio  c


e como a eficiência depende somente das temperaturas pode-se escrever.
  c, h
Qc
c, h  1 
Qh
Qc
 1  c, h
Qh

Para os ciclos reversíveis, a eficiência é a mesma.

 Qc 
    c, h
 Qh  ciclo rev .
Tc
Escolhendo  c, h 
Th

 Qc  Tc
  
 Qh  Ciclo rev Th
O significado dessa expressão é que a razão entre as temperaturas absolutas é a
mesma que a razão entre os fluxos de calor recebido e rejeitado pelo ciclo reversível
que opera entre esses dois reservatórios.
Se um ciclo reversível operar em direção oposta como um ciclo de refrigeração
ou bomba de calor, a magnitude da energia transferida Qc e Qh permanecerão as
mesmas.
Adotando um ponto fixo para temperatura, como o ponto triplo da água em
273,16 a temperatura de um outro reservatório qualquer pode ser obtida pela relação

 Q 
T  273,16 
 QTP  Ciclo
Reversível

com QTP e Q sendo os fluxos de calor entre o ciclo e os reservatórios a 273,16 K e a


temperatura T respectivamente.
Se consideramos um ciclo reversível operando entre 273,16 K e outro
reservatório em temperatura menor podemos observar que quanto menor Q, menor será
T.
Como Q não poderá ser negativo, T deverá sempre ser um número positivo, ou
nulo.

5.6 - Máximo desempenho para ciclos operando entre dois reservatórios.

5.6.1 - Ciclos de Potência.

A eficiência máxima de um ciclo de potência operando entre dois RT pode ser


determinada por.
Tc
  1
Th
Adotando Tc = 298 K = 25ºC, como a temperatura de rejeição de calor para o
ambiente (atmosfera, mar, rio) a curva da eficiência em função de Th fica.

FIGURA

Notar que um aumento na temperatura do RTh no trecho a - b representa um


significativo aumento na eficiência do ciclo.
Os sistemas térmicos usuais de potência apresentam eficiência da ordem de
40%.
Tomando um sistema que receba calor de RTh 745 K e rejeite calor a RT c a
298 K, sua eficiência máxima teórica seria 60%.
Observar que os 40% reais obtidos, não está distante dos 60% teóricos.

5.6.2 - Ciclos de Refrigeração. Bomba de calor.

Ciclo de Refrigeração Reversível


Qc Qc
 
Wciclo Qh  Qc

Tc
max . 
Th  Tc

Bomba de calor

Qh Qh
  
Wciclo Qh  Qc

Th
 max . 
Th  Tc

EXEMPLO: Um inventor afirma ter desenvolvido um ciclo de potência que


fornece um trabalho líquido de 410 kJ a partir de 1000 kJ que recebe por transferência
de calor. O sistema operando em ciclo recebe calor de gases quentes à temperatura de
500 K e rejeita parte do calor para a atmosfera a 300 K. Avaliar a afirmação.

FIGURA
Hipóteses: 1) Os gases quentes e a atmosfera são considerados Reservatórios Térmicos.
W 410
   0,41
Qh 1000
A eficiência máxima de qualquer ciclo operando entre 500 e 300 K será
Tc 300
max  1   1  0,40
Th 500

Assim, o ciclo proposto não é possível pois teria um rendimento maior que um
ciclo reversível operando entre os dois reservatórios.

NOTA => Usar sempre temperaturas absolutas.


K ou ºR

5.7 - O Ciclo de CARNOT

O ciclo de CARNOT introduzido neste item propicia um exemplo específico de


um ciclo reversível de potência, operando entre dois Reservatórios Térmicos. Outros
dois exemplos de ciclos reversíveis serão vistos no Cap. 9 - Ciclos Ericsson e Stirling,
que apresentam a mesma eficiência do ciclo de CARNOT.
Em um ciclo de Carnot, o sistema que executa o ciclo, passa por uma série de
quatro processos internamente reversíveis: dois processos adiabáticos, alternados com
dois processos isotérmicos.
A Figura mostra os quatro processos em um diagrama P-v, para um ciclo de
potência de Carnot, executado por um gás.

(fig. 5.9 )

Processo 1 - 2 : O gás é comprimido adiabaticamente, do estado 1 até o estado 2, onde


a temperatura é TH.

Processo 2 - 3: O conjunto é colocado em contato com um Reservatório à TH. O gás


se expande isotermicamente enquanto recebe energia QH do
reservatório quente, por transferência de calor.

Processo3 - 4: O conjunto é colocado novamente sobre uma base isolante e o gás


continua se expandindo adiabaticamente até que sua temperatura
caia até TC.
Processo 4 - 1: O conjunto é colocado em contato com um reservatório térmico à TC.
O gás é comprimido isotermicamente até seu estado inicial enquanto
perde energia QC para o reservatório frio, por transferência de calor.

Para cada um dos quatro processos do ciclo de CARNOT, mostrados no


diagrama P-v, o trabalho pode ser representado pela área sob a curva. O trabalho sob a
linha 1-2, do processo de compressão adiabática, representa o trabalho por unidade de
massa, para a compressão do gás neste processo. As áreas sob as linhas dos processos
2-3 e 3-4, representam o trabalho por unidade de massa, realizado pelo gás, quando ele
se expande nesses processos. Finalmente o trabalho sob a linha 4-1, é o trabalho por
unidade de massa, para comprimir o gás nesse processo. A área delimitado pelas linhas
que passam pelos ponto 1,2,3,4, representam o trabalho líquido desenvolvido pelo ciclo,
por unidade de massa do gas.
O ciclo de Carnot não está limitado a processos em sistemas fechados que
ocorrem em um conjunto pistão-cilindro. A figura seguinte, mostra esquematicamente
um ciclo de Carnot sendo executado por água circulando em regime permanente entre
quatro componentes interconectados, de modo semelhante a uma planta comum de
potência, usando vapor.

(fig. 5.11 )

Se o ciclo de CARNOT for operado em direção contrária, as magnitudes de


todas as energias transferidas permanecem as mesmas, mas as direções dessas
transferências são opostas àquelas do ciclo original. Na direção reversa o ciclo é um
ciclo reversível de refrigeração , ou de bomba de calor, constituído pelos quatro
seguintes processos, em série:

Processo1 - 2: O gás se expande isotermicamente à temperatura TC, enquanto recebe


energia QC do reservatório frio por transferência de calor.

Processo 2 - 3: O gás é comprimido adiabaticamente até sua temperatura atingir TH.

Processo 3 - 4: O gás é comprimido isotermicamente à TH enquanto perde energia


QH para o reservatório quente, por transferência de calor.

Processo 4 - 1: O gás expande adiabaticamente até sua temperatura cair para TC

(fig. 5.12 )

CAPÍTULO 6 - ENTROPIA
Até este ponto nosso estudo de Entropia tem se restringido aos sistemas que percorrem um ciclo.
Neste capítulo serão introduzidos meios para analisar processos não cíclicos.
Energia e Entropia são conceitos abstratos. O conceito de energia á mais familiar e de uso diário,
enquanto o conceito de Entropia raramente aparece em publicações diárias e menos ainda nos aspectos
quantitativos.

6.1 - Inequação de Clausius. (Desigualdade de Clausius).


A desigualdade de Clausius é aplicada a qualquer ciclo, independente do corpo ou dos corpos
dos quais o ciclo recebe ou rejeita calor.
A desigualdade de Clausius fornece as bases para a introdução de duas idéias instrumentais para
a avaliação quantitativa de sistemas fechados ou volumes de controle, de uma perspectiva da 2a. lei da
termodinâmica: a propriedade ENTROPIA e o conceito de PRODUÇÃO DE ENTROPIA.
A desigualdade de Clausius estabelece que

  Q
   0
T b

onde  Q representa o calor transferido em uma parte da fronteira (boundary) do sistema, durante
uma porção do ciclo e T é a temperatura absoluta daquela parte da fronteira.
O subscrito “b” serve para lembrar que o integrado é avaliado na fronteira (boundary) do sistema
que executa o ciclo.
O símbolo  significa que a integral precisa ser avaliada em toda a fronteira e no ciclo
completo.
A igualdade se aplica quando não há irreversibilidades internas e a desigualdade quando há
irreversibilidades internas.
R e s e rv a tó rio a

 Q '

C ic lo In te r m e d iá r io

 W '

 Q

S IS T E M A  W

F r o n te ir a d o S is te m a

F r o n te ir a d o S is te m a + C ic lo

Ilustração usada para mostrar a desigualdade de Clausius.


Sistema recebe  Q em uma fronteira a T e realiza um trabalho  W.

Para garantir que o calor recebido do Reservatório Térmico não está associado a
irreversibilidades, supor um ciclo reversível entre o sistema e o reservatório térmico.
Este Ciclo recebe  Q1 do reservatório térmico e fornece  Q ao sistema realizando um
trabalho W . 1

Pela definição da escala Kelvin de Temperatura temos

 Q1   Q
 
TRES  T b

Um balanço de energia para o sistema combinado (sistema + ciclo) mostrado pela linha
pontilhada fornece:
 
dEc   Q 1    W 1   W 
     
 Wc 
  Q
 Wc  TRe s    dEc
 T b

Para o sistema combinado realizando um ciclo e o sistema intermediário um ou mais ciclos tem-
se

  Q   Q
Wc  T RES     dEc  T RES 
 T b

 T b

Como o sistema combinado troca calor com um único reservatório térmico


Wciclo  0 (troca de calor com um simples RT)

  Q
TRES    0
 T b

Esta desigualdade pode ser escrita como

  Q
     ciclo
T b
onde  ciclo representa o tamanho da desigualdade, sendo que:
 ciclo = 0 não há irreversibilidades dentro do sistema
 ciclo > 0 irreversibilidades presentes dentro do sistema
 ciclo < 0 impossível.
Assim,  ciclo é uma medida das irreversibilidades que ocorrem dentro do sistema quando este
passa por um ciclo. É a Entropia produzida pelas irreversibilidades.

6.2 - Definição da Variação de Entropia


Uma quantidade é uma propriedade se sua variação entre dois estados for independente do
processo.

C Dois ciclos executados por um sistema fechado


2
representados na figura.
ciclos AC e BC

A
1

  Q 1  Q
   2 
2
Para o ciclo AC     ciclo
1  T A  T C
  Q 1  Q
   2 
2
Para o ciclo BC     ciclo
1  T B  T C

 ciclo = 0 para ambos os ciclos, pois são reversíveis.


  Q   Q
 
2 2
Assim,     
1  T A 1  T B

  Q
Como os valores de   são os mesmos para os dois ciclos, serão iguais para quaisquer
 T 
outros ciclos reversíveis operando entre os estados 1 e 2.
  Q
Conclui-se que os valores de   dependem apenas dos estados 1 e 2 e representam uma
 T 
propriedade (pela própria definição de propriedade).
Esta propriedade é chamada de Entropia e é usualmente representada pela
letra (S).
Dessa forma, a variação de Entropia entre os estados 1 e 2, para um ciclo internamente reversível
pode ser obtida por:

2   Q
S 2  S1    
1  T 

Se tivermos um sistema executando um ciclo irreversível entre os estados 1 e 2, a variação da


Entropia entre 1 e 2 será a mesma pois a Entropia é uma propriedade e portanto função do estado, apenas.
Entretanto a variação da Entropia não poderá ser calculada por
2   Q
S 2  S1     irreversível .
1  T 

6.3 - Entropia de uma substância, pura, compressível simples.


2   Q
A equação S 2  S1     serve como base para a construção de tabelas e
1  T  int ernamente
reversível
diagramas para a avaliação da Entropia.
y   Q
Sy  Sx     internamente reversível
x  T 

Sx é a Entropia do estado de referência, arbitrariamente escolhido.


A utilização dos valores de Entropia relativos a um estado de referência arbitrário para cálculo
de variações de Entropia é satisfatória porque o valor de referência desaparece.
Quando ocorrem reações químicas é necessário trabalhar em termos de valores absolutos de
Entropia que são determinados da 3a. lei da Termodinâmica que será vista no capítulo 13.

6.3.1- Tabelas de Entropia


As tabelas de Entropia são similares às de h, u, v e os valores de Entropia são listados nas
mesmas tabelas.
Os procedimentos para determinação dos valores da Entropia são os mesmos empregados para
determinação das outras propriedades.

EXEMPLOS

1) Considere água em 2 estados, mostrados na Figura

T
P1=3M Pa T1=500 C
1
.
.
P2=0,3M Pa
2

s
Determinar T2
kJ
1) P1  3 MPa Tab.4 s1  7,2338
kgK
2) P2  0,3 MPa
kJ
s2  s1  7,2338 T2  183 C
kgK

Na região de saturação os valores são determinados através do título, e dos valores de sg


Entropia do vapor saturado e s l Entropia do líquido saturado

s = (1-x) sl + xsg = sl + x (sg - sl)


Para líquidos comprimidos o procedimento é também análogo, ao já visto para energia interna
e entalpia..
Se existirem dados tabelados de propriedades do líquido comprimido, os valores da Entropia
são obtidos diretamente da tabela.
Quando essas tabelas não forem disponíveis usam-se os valores do líquido saturado à
temperatura de saturação.

sT1 P  sl  T 

6.3.2- Gráficos de Entropia


São úteis para a solução de problemas e são apresentados com a Entropia na abcissa e
temperatura ou entalpia na ordenada.
(T-s) ou (h-s)

Diagrama Temperatura x Entropia (Txs)


v cont
T
P cont
P.C.
.
v
s
S. P cons t
L. h cons t

v cons t

Diagrama Entalpia x Entropia

h P cont

t=cons t

S.
V.
. x =0,96
P.C.
x =0,90

6.3.3- Equações TdS


As variações de Entropia entre 2 estados podem ser obtidos através da equação

y   Q
Sy  Sx    
x  T  internamente
reversível

ou através das relações TdS.


A importância das relações TdS é entretanto maior que a simples determinação dos valores de
Entropia.
Será visto no Capítulo 11 que elas são o ponto de partida para a derivação de importantes
propriedades para substâncias puras, compressíveis simples, incluindo meios para a obtenção das tabelas
que fornecem u, h e s.
Considere um sistema constituído por uma substância pura, compressível simples, que passa
por um processo internamente reversível. A equação da 1ª lei para esse sistema é

dE = Q - W

Considerando KE e PE = 0 , dE = dU
Q INT
REV
 dU  W  INT
REV

W  INT
REV
 pdV
 Q 
dS    INT  Q int  TdS
 T  REV rev

Assim
TdS  dU  pdV
H  U  pV  dH  dU  PdV  VdP
dU  pdV  dH  VdP
 TdS  dH  VdP
Por unidade de massa essas relações ficam

Tds = du + pdv
Tds = dh - vdp

ou em base molar

Tds  du  pdv
Tds  dh  vdp

Uma vez que a Entropia é uma propriedade, ela depende somente dos estados. Assim, embora
essas expressões tenham sido obtidas a partir da hipótese de processo internamente reversível elas podem
ser utilizadas para calcular as variações de Entropia entre dois estados, qualquer que tenha sido o
processo ligando esses dois estados.

Como exercício considere a mudança de fase de líquido saturado para vapor saturado, em um
processo onde a pressão e temperatura seja constantes
Tds  dh  vdp vdp  0, pcons tan te
dh hg  hl
ds   sg  sl   T  cons tan te
T T
considere R12 a 0 C
kJ
Tab. A.7  hg  hl  151,48 
kg
kJ
sg  sl  0,6965  0,1420  0,5545
kgK
151,48 kJ
sg  sl   0,5546
273,15 kgK

6.3.4. - Variação de Entropia para um gás Ideal


Partindo das equações
du P
Tds  du  Pdv  ds   dv
T T
dh v
Tds  dh  vdP  ds   dP
T T
Para gás ideal
du dT
du  Cv (T )dT  T   Cv (T )
T T
dh dT
dh  Cp(T )dT  T   Cp(T )
T T
P R
Pv  RT 
T v
v R

T P

Substituindo em ds

dT dv
ds  Cv (T ) R
T v
dT dP
ds  Cp(T ) R
T P

Entre dois estados 1 e 2

dT dv
 ds    R
2 T2 v2
Cv (T ) s  s( T , v )
1 T1 T v1 v
dT v

T2
s(T2 , v 2 )  s(T1 , v1 )  cv (T )  R ln 2
T1 T v1
dT dP
 ds    R
2 T2 P2
Cp(T ) s  s( T , P )
1 T1 T P1 P
dT P

T2
s(T2 , P2 )  s(T1 , P1 )  Cp(T )  R ln 2 (6.23)
T1 T P

Da mesma forma utilizada para energia interna e entalpia, a avaliação da variação de Entropia
para os gases ideais pode ser efetuada através de tabulação dos valores.
É selecionado um estado de referência e um valor de referência para Entropia neste estado.

Estado de referência TREF  0 K s REF  0 PREF  1atm

Assim, para determinar a Entropia a uma temperatura T e pressão de l atm, tem-se:


dT 1
s(T ,1)  s0,1   Cp(T )
T
 R ln
0 T 1

0
dT
s(T ,1)  s o (T )   Cp(T )
T

o T
Como a pressão está fixada em 1 atm so depende somente da temperatura.

Para gás Ideal so está na Tab A.16


Para outros gases comuns so está nas Tabs. A.17 a A.22

Expressando a equação 6.23 em termos de so

dT dT dT
   Cp(T )   Cp(T ) )
T2 v2 T1
Cp(T )
T1 T 0 T 0 T
 s (T2 )  s (T1 )
o o

Assim a equação 6.23 pode ser escrita

P2
s(T2 , P2 )  s(T1 , P1 )  so (T2 )  so (T1 )  R ln
P1
ou
P2
s (T2 , P2 )  s (T1 , P1 )  s o (T2 )  s o (T1 )  R ln
P1

6.3.5 -Variação de Entropia para uma Substância Incompreensível.


Quando o modelo de substância incompressível é adotado v= constante, o calor específico à
volume constante fica cv = c(T) e

du  c(T )dT
du P
ds   dv
T T
c( T )
ds  dT
T
dT
s2  s1   c(T )
T2
( substância imcompressível )
T1 T
Admitindo c(T )  cons tan te
T2
s2  s1  c ln
T1

Exemplo 6.1
Vapor de água a 400 k e 0,1 Mpa passa por um processo até 900 k e 0,5 MPa. Determine a
kJ
variação da Entropia específica em utilizando
kmolK
a) as tabelas de vapor superaquecido
b) a tabela de gás ideal para vapor d’água
c) integração com cp(T ) da tab. A.15
Solução

Estado Estado
1 2
T1  400 K  127 C T2  900 K  627 C
P1  0,1 MPa P2  0,5 MPa
kJ kJ
s1  7,501 s2  8,418
kgK kgK
kJ kg
a ) s2  s1  0,917 M agua  18,02
kgK kmol
kJ kg kJ
s2  s1  0,917 x 18,02  16,524
kgK kmol kmolK
kJ
s2  s1  16,524
kmolK
b) Água M = 18,02
Tc = 647,3K
Pc = 220,0 bars
400 
Tr2   0,618
647,3 
z  0,95
1,0
Pr2   0,005
220,9 
comportamento de gás ideal
900 
Tr2   2,008
647,3  ~
z  10
.
5 
Pr2   0,023
220,9 
s 1  198,673 kJ
s  2  228,321 kmolK
P2
s (T2 , P2 )  s (T1 , P1 )  s o (T2 )  s o (T1 )  R ln
P1
s2  s1  228,321  198,673  8,314 ln 5
kJ
s2  s1  16,267
kmolK
16,627 kJ kg
s2  s1   0,903
kg kmolK kgK
18,02
kmol

c) Integrando, com utilização de Cp da Tabela A - 15


s(T2 , P2 )  s(T1 , P1 )  s2  s1
dT P
s2  s1   Cp(T )
T2
 R ln 2
T1 T P1

   TT 2  T 3T 4 
C p( T )
R
R
R R  MR
M
dT P
s2  s1   C p(T )
T2
 R ln 2  R
T1 T P1
s2  s1 T2 C p( T ) dT P
 ln 2
R T1 R T P1
s2  s1 T2    TT  T T 
2 3 4
P
 dT  ln 2
R T1 T P1
s2  s1   
  ln 2   T2  T1   T2 2  T12   T2 3  T13   T2 4  T14   ln 2
T P
R T1 2 3 4 P1
  4 ,07  2,964.10  9
T2  900
  110810
, . 3   0,807.1012 T1  400
6
 4 ,152.10
1 2 3
s2  s1  900  400  4,152  900  400 
2 2
900
 4,07 ln  1108
,     
R 400  10 3  2  10 6 
4 5 6
2,964  900 3  400 3  0,807  900 4  400 4 
      ln 5
3  109  4  1012 
s2  s1
 1,957
R
kJ kJ
s2  s1  8,314  1,957  16,267  s2  s1
kmol kmol
OBS.: Os resultados da variação de Entropia, calculados pelos 3 processos são praticamente
coincidentes porque o vapor d’água nestas condições se comporta como um gás ideal.
6.4. Variação de Entropia nos processos internamente reversíveis
Nesta seção a relação entre variação de Entropia e transferência de calor é considerada.
Inicialmente será tratado o caso de Sistema Fechado, e posteriormente o caso de Volume e
Controle.
Quando um sistema passa por um processo internamente reversível, sua Entropia pode diminuir,
aumentar ou permanecer constante.

  Q
dS   
 T  INT
REV

 Q INT
REV
 TdS

Se o sistema recebe calor sua Entropia aumenta, se perde calor, sua Entropia diminui. Se o
processo é adiabático (e internamente reversível), não ocorrerá variação na Entropia do sistema.
Transferência de calor  Transferência de Entropia
possuem a mesma direção e sentido
Processo adiabático  Calor transferido = 0
Entropia transferida = 0
Se o processo for também internamente reversível ele é dito isoentrópico.

Para um processo entre dois estados 1 e 2

QINT   TdS
2 Em um diagrama T x S o calor transferido será a Área sob a
1 curva. Notar que isso é válido
REV
SOMENTE PARA PROCESSOS REVERSÍVEIS

T 2

 Q  TdS
2
1
ÁREA =  TdS
1

Observar que a temperatura deve ser a temperatura absoluta e que a Área não representa o calor
para os processos irreversíveis.

Ilustração para o Ciclo de CARNOT


O ciclo de CARNOT é composto por 4 processos , sendo 2 ISOTÉRMICOS e 2
ADIABÁTICOS.

2  3
T Is otérm i cos
4  1
2 3

3  4
Adi abáti cos
4 1  2
1

b a
s

Processos 2  3 Sistema recebe calor  Entropia aumenta


4  1 Sistema perde calor  Entropia diminui

3  4 Transferência de calor nula = variação na Entropia = 0


1  2 Transferência de calor nula = variação na Entropia = 0

2Q3   TdS  TH  s3  s2 
3

4Q1   TcdS  Tc s1  s4 


1

QH  Qc 2Q3  4Q1 Área 2  3  4  1  2


c   
QH 2 Q3 Área 2  3  a  b  2

2Q3  TH ( s3  ss ) s3  s4
4Q1  Tc ( s1  s4 ) s2  s1

2Q3  4Q1  (TH  Tc )( s3  s2 )


T  Tc  s3  s2  Tc
c   1
H

TH  s3  s2  TH

Considerando o ciclo de refrigeração teremos

Q
H
4 3

1 2
Q
c

EXEMPLO 6.2

PROBLEMA: Água está contida como líquido saturado em um conjunto pistão cilindro a 100ºC. A
água passa por um processo até ficar no estado de vapor saturado. Durante esse processo o pistão se
movimenta livremente no cilindro. Se a mudança de estado acontece por fornecimento de calor a pressão
e temperatura constantes, com a água passando por um processo internamente reversível, determine o
kJ
calor transferido e o trabalho realizado, por unidade de massa, em
kg

Fronteira do s i s tem a
Água
P
T

P=cons tante

f g 100oC
o f g
W 100 C
Q C
m m

v
s
W g Q g
m f m f
Pdv Tds

Hipóteses: 1 - a água é o sistema fechado


2 - o processo é internamente reversível
3 - pressão e temperatura são constantes no processo
4 - não há variação de energia cinética e potencial.

a) calor transferido por unidade de massa

  TdS  T  sg  sf 
Q g

m f

f) sf  1,3069 kJ / kgK g) sg = 7,3549 kJ / kgK


.  3 m 3 / kg
vf  1,043510 vg = 1,673
hf  419,04 kJ / kgK hg = 2676,1kJ / kgK
Q
m

 100  273,15 7,3549  1,3069 K
kJ
kgK

Q kJ
 2.256,81
m kg

  Pdv  P vg  vf 
W g
b) trabalho realizado
m f

kN
P  1,014 bars  101,4
m2
m3
 101,4 2  1,673  1,043510
. 3 
W kN
m m kg
W kN . m kJ
 169,54  169,54
m kg kg
c) equacionamento pela 1a. lei

d E   Q  W com dKE  dPE  0


kJ f Qg
u g  u f  (2676,1  419,04) 
kg m
f Qg kJ
 2257,1
m kg
6.5 - Balanço de Entropia para Sistemas Fechados
Como decorrência da desigualdade de Claussius, vimos que
  Q
     ciclo onde  ciclo representa o " tamanho" da desigualdade.
T b
 c  0 processo internamente reversível
 c  0 impossível
 c  0 irreversibilidades presentes dentro do sistema
Esta equação, juntamente com a equação da variação da entropia
Tds =  Q INT serão utilizadas para desenvolver o balanço de entropia para sistemas fechados.
REV

O balanço de entropia é uma expressão da 2a. lei que é particularmente conveniente para a
análise termodinâmica.

6.5.1 - Desenvolvimento do Balanço de Entropia


A figura mostra um ciclo executado por um sistema fechado.

2 O ciclo é constituído por dois


processo. O processo I no qual pode
R haver irreversibilidades presentes e o
processo R que é um processo
internamente reversível.
I

1
Para esse ciclo
  Q 1  Q
   2 
2
   
1  T b  T  INT
REV
O subscrito “b” da 1a. integral serve para indicar que o integrando é avaliado ao longo da
fronteira do sistema.
O subscrito não é requerido para a segunda integral porque o processo sendo internamente
reversível a temperatura deve ser uniforme através do sistema, a cada estado intermediário.
O termo  refere-se somente ao processo I, pois o processo R é internamente reversível

Para o processo R

  Q
 
1
  s1  s2
2 T  INT
REV

Pr ocessos.. R  I
  Q

12
   s  s  
1  T b 1 2
2   Q
s1  s2       (6,31)
 1  T 
variação de entropia      b entropia
produção de
entre os estados 1 e 2 Entropia
transferida
Se os estados inicial e final estão fixados, a variação de entropia pode ser avaliada
independentemente dos detalhes do processo.
Os dois termos do lado direito da equação dependem explicitamente da natureza do processo e
não podem ser determinados somente a partir dos estados inicial e final.
  Q

2
O termo   representa a transferência de calor em direção e sinal.
1  T b
O termo  representa a entropia gerada internamente.
Is olam ento Para o sistema constituído pelo gás ou líquido
2   Q
s 2  s1     
Gas 1  T 
Res erv atório ou b
a Tb Q Liq
como Tb = constante
s
Q2
s 2  s1  1

Tb
Fronteira a Tb
QRES
Para o reservatório S RES   
Tb
  0  os processos nos RT são internamente Rev po
Q
S RES   O reservatório perde calor portanto sua
Tb
A entropia do Res. diminui na mesma quantidade que a entropia do sistema aumenta por causa
do calor transferido.
No entanto, o aumento da entropia do sistema é maior que a entropia transferida pela
transferência de calor, devido as irreversibilidades internas.

  0 irreversibilidades presentes dentro do sistema


 = 0 sem irreversibilidades internas

A variação global da entropia do sistema pode ser


 0

s2  s1 :  0
 0

dependendo das magnitudes da entropia gerada internamente e das entropias associadas ao fluxo
de calor (+ ou -).

6.5.2 - Formas do balanço de entropia para Sistema Fechado


O balanço de entropia pode ser expresso em várias formas que podem ser convenientes para
casos particulares.
Por exemplo, se a transferência de calor ocorre em várias regiões da fronteira e não varia com
o tempo ou com a posição, a equação 6.31 fica
Qj
s2  s1   
j Tj
Para expressar a variação da entropia em função do tempo podemos fazer
dS Qj
  
dt j Tj
Na forma diferencial
  Q
dS     
 T b

Independentemente da forma da expressão para o balanço de entropia, o objetivo em muitas


aplicações é determinar o valor do termo de produção de entropia  .
No caso dos sistemas, a produção de entropia de um componente isolado não possui muita
significância. É necessário efetuar os cálculos para todos os componentes e ordená-los segundo a
produção de entropia, para determinar para aquele sistema quais componentes são mais significativos na
contribuição para a ineficiência global.

6.5.3 - Ilustrações
Os exemplos seguintes ilustram o uso dos balanços de energia e entropia para análise de
sistemas fechados.

o
Exemplo 6.3 - Água inicialmente um líquido saturado a 100 C está contida em um conjunto cilindro
pistão. A água passa por um processo até o estado de vapor saturado e durante o processo, o pistão se
move livremente no cilindro. Não há transferência de calor com o ambiente. Se a mudança de estado for
kJ kJ
provocada pela ação de uma hélice, determine o trabalho em e a quantidade de entropia em .
kg kg

Figura
Hipóteses: 1) A água é o sistema fechado
2) Processo adiabático
3) Estados inicial e final são de equilíbrio
4) Não há variação de KE e PE

a) 1a. lei E = Q - W = U + KE + PE


U  m u g  u f  100 C Sat
f ) u f  418,94

W
m

  ug  u f  s f = 1,3069

W kJ
 2506,5  418,94  2087,56 g) u g  2506,5
m kg
sg  7,3549

b) Entropia produzida
g   Q
S =    
f  T 
b


S =  = m s g  s f 
S kJ
 7,3549  1,3069  6,05
m kgK
Comentários: 1) Observar que, embora os estados inicial e final sejam estados de equilíbrio, nada se
pode afirmar sobre os estados intermediários. O caminho não é bem definido. Dessa forma, nos
diagramas Pxv e Txs, as áreas não representam trabalho e calor.
2) Notar que os estados inicial e final dos exemplos 6.2 e 6.3 são os mesmos. No
entanto, no ex. 6.2 não há geração de entropia pois o processo é internamente reversível e a entropia é
transferida do ambiente para o sistema pelo calor transferido. No ex. 6.3, nenhuma entropia é transferida
e toda variação é devida aos efeitos da produção de entropia (irreversibilidades internas).

Exemplo 6.4 - R 12 é comprimido adiabaticamente em um conjunto pistão cilindro, da condição de vapor


saturado a 10ºF até a pressão de 120 PSI. Determine o trabalho teórico mínimo por unidade de massa de
refrigerante em Btu/lbm.

Figura

Hipóteses: 1) Para o caso (a) a temperatura da fronteira é Tb (uniforme).


2) Para o caso (b) a temperatura da fronteira é To (uniforme) e igual a temp. ambiente.

Solução: Equação do balanço de entropia


dS 
Qj
   j=1
dt j Tj

Tj = Tb
dS
R.P. 0
dt
Q
 
Tb
e Tb
Para avaliar  é necessário conhecer Q
Balanço de 1a. lei R.P.
dE    
 Q W  Q W
dt
W   600kw  588kw  12 kw
Utilizando a expressão para transferência de calor
= -hATb - To podemos calcular Tb
Q
-Q
Tb =  To
hA
   12 kw
Tb   293K
kw 2
0,17 2 .1,8m
m K
12
Tb   293  332 K
0,17 x1,8
 Q    12 kw kw
   0,0361
Tb 332 K K

kw
a )  0,0361
K

 Q    12 kw kw
b)     0,0410
To 293K K
Comentários: A variação total de entropia do sistema e do ambiente deve ser a mesma nos dois casos.
No caso (a) só está sendo considerada a geração de entropia que ocorre dentro da caixa
de engrenagens. A geração de entropia devido a transferência de calor com diferença finita de
temperatura Tb  To está sendo deixada para o ambiente.
TERMODINÂMICA I

(final do Cap. 6 - não inclui o item 6.9)

6.5.4 - Princípio do Aumento de Entropia


Nosso estudo da 2a. lei começou com a indicação da direção dos processos. No presente
desenvolvimento será mostrado que os balanços de 1a. e 2a. leis podem ser usados conjuntamente para
determinar a direção do processo.
A presente discussão será centrada em um sistema aumentado, que compreende o sistema e a
parte da vizinhança que é afetada pelo processo pelo qual passa o sistema.
Esse sistema aumentado é um sistema isolado, e para sistemas isolados, o balanço de 1a. lei fica
E  ISOL  0
pois não ocorre nenhuma transferência de energia através da fronteira do sistema aumentado.
A energia de um sistema isolado permanece constante. Como a energia é uma propriedade
extensiva, seu valor para o sistema isolado é a soma da energia do sistema + a energia da parte da
vizinhança incorporada ao sistema aumentado, de modo que
E  SIST .  E VIZ .  0
Para que um processo ocorra é necessário que a energia do sistema isolado permaneça constante.
No entanto, nem todos os processos que atendem os preceitos da 1a. lei podem ocorrer. É
necessário que a 2a. lei também seja satisfeita
Balanço da 2a. lei

2   Q
S  ISOL       ISOL
1  T 
b

  Q

2
   0   sistema.isolado
1  T b
S  ISOL   ISOL

Como em todos os processos reais ocorre produção de entropia, os únicos processos que podem
ocorrer são aqueles para os quais a entropia do sistema isolado aumenta.

Princípio do

S  ISOL   ISOL  0  aumento da
entropia

Desmembrando em Sistema Isolado = Sistema + Vizinhança
S SIST  S VIZ   ISOL
Observar que as variações de entropia para o sistema ou para a vizinhança podem ser
individualmente positivas, negativas ou nulas, mas sua soma deverá sempre necessariamente ser positiva
para os processos reais e nula para os processos reversíveis.

Exemplo 6.6 - Uma barra de metal com 0,8 libras massa inicialmente a temperatura de 1900ºR é
removida de um forno, esfriada por imersão em um tanque isolado que contém água, inicialmente a
530ºR. Cada substância pode ser considerada incompressível. Adotar cw=1,0 BTU/lbmºR para água e
cm = 0,1 BTU/lbmºR para o metal como calores específicos constantes.
Determine:
a) A temperatura de equilíbrio final entre a barra de metal e a água em ºR
b) A quantidade de entropia gerada em BTU/R
Solução
Figura
Hipóteses

a) A barra de metal e a água formam o sistema


b) O sistema é isolado
c) KE e PE  0
d) A água e o metal são considerados incompressíveis e com calores específicos constantes.

(a) Temperatura de equilíbrio

1a. lei E  Q  W  U  KE  PE


U  0  U f  U i  0
U f  U i  U fm  U fw  U im  U iw
U fm  U im  U fw  U iw  0
       
U m U w

U m  U w  0


U m  mm cm T f  Tim 
U w  m c T
w w f  Tiw 
mm cm T f  mm cm Tim  mw cw T f  mw cw Tiw
T f mm cm  mw cw   mm cm Tim  mw cw Tiw
mm cm Tim  mw cw Tiw
Tf 
mm cm  mw cw
BTU BTU
0,8lb0,1 1900º R  20lb 1,0 x530º R
lbº R lbº R
Tf 
BTU BTU
0,8lb0,1  20lb 1,0
lbº R lbº R
 152  10.600 
Tf    º R  535,5º R
 0,08  20 
T f  535,5º R

(b) Quantidade de entropia gerada


2   Q
S  ISOL       ISOL
1  T 
b

S  ISOL   ISOL  S m  S  w
Tf BTU 535,5
 S m  mm cm ln  0,8lb0,1 .ln  0,193
Tim lbº R 1900
Tf BTU 535,5
 S  w  mw cw ln  20lb0,1 .ln  0,2065
Tiw lbº R 530
BTU
 ISOL  0,103  0,2065  0,1035
ºR
BTU
A entropia da barra de metal diminui 0,103 e
ºR
BTU
a entropia da água aumenta 0,2065
ºR
BTU
O resultado final é um aumento de 0,1035 na entropia do sistema isolado.
ºR

6.6 - Balanço de Entropia para Volumes de Controle.


A entropia é uma propriedade extensiva e portanto depende da massa e assim pode ser
transferida para dentro ou para fora do volume de controle.
Dessa forma o balanço de entropia para v.c. pode ser derivado de modo muito similar ao usado
para a obtenção do balanço de energia e massa, partindo do sistema fechado.

Balanço de entropia para um sistema fechado, em função do tempo


dS Qj
  
dt j Tj

Para um volume de controle a expressão fica


d Qj
Svc     misi
   mese
  
v v .c.
dt  j Tj
           Taxa
i e de produção
Taxa de variação de entropia
de entropia Taxa de transferência de entropia

 mi
. si

Esta equação representa a forma geral para o balanço de entropia e será a mais empregada neste
capítulo.
No entanto, seus termos podem ser escritos de modo a contemplar desuniformidades locais
  densindade local
s = entropia local
S v .c.  t     s dV dV = elemento de volume
v


v
 integral sobre todo o v.c.

q= fluxo de calor


Qj  q Taxa de transferência de calor por
T
j
     dA
T unidade de área de superfície, onde
j A b
a temperatura instantânea é T

 Fluxos de entropia
 ms     s V dA
i i
i i n
associados aos fluxos
A i

  de massa, avaliados
e me se  e   s Vn dA em cada área de

A e
entrada e saída do v.c.

Agrupando todos os termos tem-se


d  q    
 psdv     dA     s Vn dA     s Vn dA  v c
dt V A
T i A i e A e
b

6.6.1 - Análise do volume de controle para Regime Permanente

Conservação da massa

 m   m
i
i
e
e

Balanço de energia

 Vi 2   V e2 
0  QVC  WVC   m
  i  hi   gZi    me
  he   gZ e 
i  2  e  2 

Balanço de entropia

Qj
0  m
i si   m
e se  
VC
j Tj i e

Essas equações precisam, muitas vezes, serem resolvidas simultaneamente, junto com as
relações entre as propriedades.

Massa e energia são quantidades que se conservam.

Entropia, em geral, não se conserva. A taxa de entropia transferida para fora do v.c. precisa
exceder a taxa de entropia transferida para o v.c. A diferença é a taxa de produção de entropia dentro do
volume de controle devido a irreversibilidades.
Em muitos casos existe somente uma entrada e uma saída de massa no v.c. e expressão para o
balanço de entropia assume a forma.
Qj
0  m si  se   VC  m
j Tj
1 Qj 
0 
m j T j
 si  se  VC
m
1 Qj VC
se  si   
m j T j m

Observar que s2 só poderá ser menor que s1 se o fluxo de entropia associado ao fluxo de calor
que sai for maior que o fluxo de entropia associado ao calor que entra mais o fluxo de entropia gerado
internamente (que é sempre maior).

Ilustrações

Os exemplos seguintes ilustram a utilização dos balanços de massa, energia e entropia para
volumes de controle em regime permanente.

Exemplo 6.7 - Vapor entra em uma turbina com a pressão de 30 bar e temperatura de 400ºC, com uma
velocidade de 160 m/s. Vapor saturado a 100ºC sai com uma velocidade de 100 m/s. Em regime
permanente a turbina desenvolve 540 kJ/kg de vapor. Transferência de calor entre a turbina e a
vizinhança ocorre a temperatura média de superfície de 500K. Determine a taxa de produção de entropia
dentro da turbina, por kg de vapor que escoa, em kJ/kg K. Despreze a variação de energia potencial entre
entrada e saída.

Figura

Hipóteses: 1) V.C. especificado na figura


2) Temperatura de transferência de calor conhecida
3)  PE=0
continuidade m1  m2
QVC WVC V2 V2
Conservação da Energia 0    h1  1  h2  2
m m 2 2
QVC  V 2  V12 
 WVC   h2  h1    2 
m  2 
QVC kJ  100 2  160 2 
 540  2676,1  3230,9   
m kg  2 
m2
+ 540,0 - 554,8 - 7.800
s2
QVC kJ m 2 J Nm kg. m m
 22,6 2    2 .
m kg s kg kg s kg
Qj
Balanço de Entropia 0    m1 s1  m2 s2  VC
j Tj

VC
 m s1  s2   VC
Q
0=
Tb
VC QVC / m
   s2  s1 
m Tb
VC 1  kJ   kJ 
   22,6   7,3549  6,9212 
m 500  kg   kgK 
VC kJ
 0,479
m kgK

Obs.: Se a fronteira do v.c. fosse escolhida de modo a conter a vizinhança imediata até o ponto onde a
temperatura é igual a do ambiente, digamos 293 K, a produção de entropia do v.c. aumentado seria de

VC
 0,511kJ / kgK . Explicar porque.

m

Exemplo 6.8 : Dois sistemas alternativos para aquecimento de ar, são imaginados. Ambos aquecem o ar
de 17ºC até 52ºC a pressão de 1 bar.
Sistema 1 - O ar é aquecido ao passar por um tubo envolto em um líquido fortemente agitado.
Sistema 2 - O ar é aquecido ao passar por um trocador de calor que recebe vapor d’água saturado
a 1 bar. A água deixa o trocador de calor na forma de líquido saturado, também a
1 bar.
Ambos os sistemas operam em R.P. Os efeitos de energia cinética e potencial são desprezados
e não há troca de calor com o ambiente. Determinar a taxa de produção de entropia para cada caso, em
kJ/K por quilo de ar que passa pelos sistemas.

Figura

Hipóteses: 1) Para ambos os dispositivos RP


2) Não há transferência de calor para a vizinhança
3)  KE =  PE = 0
4) Ar considerado gás ideal
5) A pressão é constante, tanto para o vapor que condensa, quanto para o ar que escoa
Sistema 1

1  m2  m

Conservação da massa m  
Qj
Balanço de entropia 0  T
j
m s ss  VC
1 s1  m
j

VC
s2  s1 
m

s2  s1  sº T2   sº T1   R ln
P2
P1
Tab.16 sº (325K) = 1,78249
sº (290K) = 1,66802
kJ kJ
s2  s1  1,78249  1,66802  0,1145
kgK kgK
VC kJ
 0,1145
m kgK

Sistema 2

1  m2
Conservação da massa 
m
3  m4
m
Balanço de Entropia

Qj
0  m1 s1  m2 s2  m3 s 3  m4 s4  VC
j Tj

 
VC  s  s1 m1   s4  s3 m3  m1
VC  m 
 s  s     s 3
 s3 
m1 1
 m  1
4


A relação m 
3 / m1 deve ser obtida através do balanço de energia.

0  QVC  wVC  m1h1  m2 h2  m3 h3  m4 h4


m1 h2  h1   m3 h3  h4 
m3  h2  h1 
 
m1  h3  h4 

Tab. A.16 = h1  290,16kJ / kg


h2  325,31kJ / kg

kJ
Tab. A.3 = h3  2675,5 s 3  7,3594 kJ / kg
kg
h4  417,46 s 4  1,3026
m3 325,31  290,16
  0,0156
m1 2675,5  417,46
VC
 0,1145  0,01561,3026  7,3594  0,02 kJ / kgK
m
Obs.: 1) A taxa de produção de entropia no sistema 1 é consideravelmente maior que no sistema
2.
VC
 sistema 1  0,1145
m sist. 1
 5,725

VC sist. 2
 sistema 2  0,02
m
O sistema 2 é termodinamicamente muito melhor que o 1.

2) As considerações de ordem econômica tem um papel decisivo na escolha das


alternativas.

6.7 - Processos Isentrópicos

Processos que ocorrem com entropia constante.


O objetivo dessa sessão é apresentar como as variações de propriedade podem ser avaliadas
entre 2 estados quaisquer de um processo no qual não há variação de entropia específica.

6.7. 1 - Uso de Gráficos e Tabelas de Propriedades

Se a entropia permanece constante durante o processo, essa informação deverá ser usada para
identificar o estado, juntamente com uma outra propriedade independente.

Figura

6.7.2 - Utilização de Modelo de Gás Ideal

Figura

A figura mostra dois estados de um gás ideal, com a mesma entropia específica.
Vamos considerar as relações entre pressão, volume específico e temperatura nesses dois
estados.

0  sT2 P2   sT1 P1   s T2   s T1   R ln 2


P
    P1
S2 S1

s T2   s T1   R ln
P2
0
P1

Esta equação envolve 4 propriedades T1 , T2 , P1 , P2 . Se 3 delas forem conhecidas, a quarta


poderá ser determinada.
Por exemplo, se a temperatura T1 e a relação P2 / P1 são conhecidas, a temperatura do estado
2 T2 poderá ser determinada, por
sº T2   sº T1   R ln
P2
P1

Com ( T1) obtêm-se da tabela apropriada (Tab.A.16 P. exemplo) o valor de sº ( T1) e com a
relação P2 / P1 calcula-se sº ( T2 ). Da mesma tabela obtêm-se por interpolação o valor de T2 .
Se T1 P1 e T2 são especificados, P2 obtêm-se de

 sº T1   sº T2  
P2  P1 exp  
 R 

Esta expressão serve para produzir uma tabela alternativa relacionando pressões e temperaturas
entre 2 estados para um gás ideal com mesma entropia específica.

P2
 exp  

 sº T2   sº T1   exp sº T2  / R 
P1  R 
 exp sº T1  / R 
A quantidade exp sº  T  / R é somente função da temperatura. É comumente chamada de
pressão relativa Pr  T  .
Esta quantidade Pr  T  é tabelada versus temperatura para o ar, como gás ideal (Tab.A.16).

s  s1 
P2 Pr 2

P1 Pr 1 2
Observar que Pr não é realmente uma pressão, de modo que o nome pressão relativa é enganoso.
Assim, não confundir Pr com a pressão reduzida dos diagramas de compressibilidade

A relação entre os volumes específicos e duas temperaturas para dois estados de uma gás ideal
com a mesma entropia pode ser desenvolvida
Pv=RT (gás ideal)

RT1 RT2
Para os estados (1) e (2)  v1  ,
P1 P2

v 2  RT2   P1  P1 T2 R
   . .
v1  P2   RT1  P2 T1 R
Como os dois estados tem a mesma entropia específica
v2 P T R  RT   P 
 r1 . 2 .   2   1 
v1 Pr 2 T1 R  Pr 2   RT1 
Pr 1  Pr T1  Pr 2  Pr T2 

RT
A razão é somente função da temperatura e é comumente chamada de volume relativo
Pr  T 
v r  T  , e para o ar está tabelado na Tab. A.16.
Assim
s  s2 
v2 vr 2
 1
v1 v r1

Do mesmo modo que a pressão relativa não é uma pressão, o volume relativo v r  T  também
não é um volume. É necessário tomar cuidado para não confundir com o pseudo específico reduzido do
diagrama de compressibilidade
Vamos considerar como as propriedades estão para os processo isentrópicos de um gás ideal,
quando os calores específicos são constantes.

T2 P2
s2  s1  0  C p ln  R ln
T1 P1
T2 V2
s2  s1  0  Cv ln  R ln
T1 V1

Recordando para gás ideal Cap. 3


h  u  Pv  u  RT

h T   u T   RT  dh
 C p 
dh du dT
 R 
dT dT C  du
 v dT
C p  Cv  R  kR
 C p  k  1
Cp 
k
Cv
gás ideal C  R
 v k  1

Para processos isentrópicos, as equações podem ser escritas


T2 P
C p ln  R ln 2
T P1
Cp
T  P 
ln 2   ln 2  R
 T1   P1 
R
Cp
 T2  P   T   P  Cp
    2R   2   2
 T1   P1   T1   P1 
R R k 1
 
Cp kR k
k 1
k 1
T2  P2 
s  s1 , k const.
k
 
T1  P1  2

T2 v 
Cv ln  R ln 2   0
T1  v1 
Cv R
T v  T  v 
Cv ln 2  R ln 1   0   2   1
T1  v2   T1   v2 
R
T2  v1  Cv
 
T1  v 2 
R R
  R 1
Cv R
k 1
k 1
T2  v1 
 
T1  v 2 
s2  s1 , k const.

Eliminando as razões de temperaturas nas equações tem-se

k
P2  v1 
 
P1  v 2 

Dessa equação pode ser concluído que um processo politrópico com Pv k = constante, para um
gás ideal é um processo isentrópico

Figura

Como visto no capítulo 3, o processo politrópico para um gás ideal com n=1 é um processo
isotérmico
Para qualquer fluido, n=0 corresponde a um processo isobárico, e n+  corresponde a um
processo isométrico.

Exemplo 6.9
Ar passa por um processo isentrópico de P1  1 atm T1  540 R até o estado final onde a
temperatura é T2  1160 R. Usando o modelo de gás ideal, determine a pressão final em atmosferas.
Resolva, usando:
a) Dados de Pr da tabela A.16E e
b) Relação de calor específico k = constante, avaliada à temperatura média de 850ºR, da Tab.
A. 14E.

Figura

Hipóteses: 1) o ar é o sistema
2) o ar pode ser modelado como gás ideal
3) na parte (b) os calores específicos são constantes

a)
P2 Pr 2  Pr 2 
  p2  p1  
P1 Pr 1  Pr 1 
T1  540 R  Pr 1  1,3860
Tab. A.16 E
T2  1160 R  Pr 2  2118
,
2118
,
P2  1 atm.  15,28atm
1,3860

b)
k
 T2  k 1
P2  P1  
 T1 
k  Tab. A.14 E
k  1,39
Tmédia  850º R  390º F
1, 39
 1160  0,39
P2  1atm   15,26atm
 540 

Obs.: Os resultados de (a) e (b) são muito próximos devido à escolha adequada do valor de k.

Exemplo 6.10

Um tanque rígido bem isolado, é enchido com 5 kg de ar a uma pressão de 5 bar e temperatura
de 500K. Um pequeno vazamento se desenvolve e o ar escapa vagarosamente até que a pressão final do
ar remanescente atinja 1 bar. Empregando o modelo de gás ideal, determine a massa remanescente no
tanque e sua temperatura.

Solução:

Hipóteses: (1) O sistema fechado é a massa que permanece no tanque


(2) Tanque isolado 1 Q 2  0
(3) Ignorar as irreversibilidades dentro do tanque, uma vez que o processo é lento
(4) O ar é modelado como gás ideal

(1) estado inicial


(2) estado final
P2V P2V
massa final m 2 
R R
  T2  T
 M m2  M  2

PV m1 PV
massa final m1  1 1

R R
  T1   T1
 M  M
m2  P2   T1 
   
m1  P1   T2 
P2 T1
m2  m1 
P1 T2
Balanço de entropia
2  Q 
S        0 Process isentrópico
1  T 
b

P2  PR 2  PR1  Tab.A 16
Eq.6.48    Pr 1  8,411
P1  PR1  T1  500 K
 P2  1
Pr 2     Pr 1  8,411 PR 2  1,6822
 P1  5
Da tab. A.16 com PR 2  1,6822  T2  317 K , por interpolação
1bar  500 K 
m2    5,0kg   1,58kg
5bars  317 K 

Obs.: Considerar um volume de controle em torno do tanque e resolver.

Figura

Hipóteses: (1) V.C. constituído pelo tanque


(2) Tanque isolado termicamente 1 Q 2  0
(3) Ar considerado gás ideal
(4) Processo internamente reversível
dM VC
Equação conserv.massa   mi
   me 
dt i e

Balanço 1a. lei


dEVC
dt
  Qj
j
VC
 
  Wk VC   mi hi   me he
k i e

dSVC  Qj 
Equação 2a. lei       mi si   me se   VC
dt j  Tj  i e

 dM
2
continuidade Vc  0  me
1

m2  m1   me
m2  m1  me

 dE  U  U
2
Balanço de 1a. lei VC 2 1  desprezando KE, PE
1

 Q   0 
j
j VC tanque isolado

 W 
k
k  0  não há interação tipo trabalho
VC

 mh
i
i i 0 mi  0

 mh
e
e e  me he

Figura

Durante o vazamento a temperatura do ar vai de T1 a T2

Como o ar se comporta como um gás perfeito

h e  h T 

6.8. Eficiência Isentrópica de Turbinas, Bocais, Compressores e Bombas

Os engenheiros usam frequentemente o conceito de eficiência e diferentes definições são


empregadas para expressar o conceito de eficiência.
Eficiência isentrópica envolve a comparação entre o desempenho real de um dispositivo e o
desempenho que esse mesmo dispositivo teria se operasse em condições idealizadas para o mesmo estado
na entrada e mesma pressão na saída.

Figura

Comparação entre as expansões reais e isentrópicas para turbina Diagrama de Mollier.

Considerando: uma turbina que opera entre as pressões P1 e P2 , com o estado (1) definido por
P1 e T1 .

: transferência de calor para o ambiente


1 Q2  0
  PE
: KE  0

Figura

Volume de Controle na Turbina para balanço de 1a.


lei
 v12   v 22 
Balanço de Energia:  
0 1 Q2  WVC  m1  h1   gz1   m2  h2   gz2 
 2   2 
Regime Permanente

Conservação da massa

m1  m2  m
WVC
 h1  h2
m
Como o estado (1) está fixado e portanto o valor de h1 está definido, o trabalho específico
depende apenas do valor de h 2 . O trabalho específico será máximo para h 2 mínimo.

Q2
0 1
 m1 s1  m2 s2  VC
Ta
Balanço de 2a. lei: R.P.
VC
 s2  s1  0
m
Nos casos reais todos os processos resultarão em s2  s1 .
O menor valor s 2 será obtido para um processo internamente reversível com 
VC  0 e nesse
caso s2  s1 , que corresponde ao ponto (2s) na figura.
Para essa condição

 WVC 
   h1  h2 s
 m s

A eficiência isentrópica é definida como a razão entre o processo real e o processo isentrópico.
 WVC 
 
 m  h1  h2
t   
 WVC  h1  h2 s
 
 m  s

Os valores de  t situam-se na faixa 0,7 - 0,9 (70% a 90%).


Para bocais, usando uma abordagem similar a esta para turbinas obtêm-se
V22
2
bocais 
 V22 
 
 2 s

Lembrar que as condições (estado) de entrada estão fixadas e a pressão na saída é a mesma.

Figura

Bocal operando em regime permanente: (1) entrada


e (2) saída
Balanço de massa: R.P. 1  m
m 2  m

 V12   V22 
Balanço de energia:   
0 1 Q2  1W2  m1  h1  
 gz1   m2  h2   gz2 
 2   2 

 V22 V12 
h1  h2    2  2 

Figura

Diagrama T s mostrando o processo (1) - (2)

Como o objetivo dos bocais é proporcionar a maior velocidade de saída v 2 , a maior 


velocidade será obtida para o valor mínimo de h 2 , que de modo similar ao caso das turbinas será obtido
em um processo isentrópico.
V22
2
V  2

h  h2  s 
V1
   boc2
 22
2  2 s  V2 
1

 
 2 s

Eficiências isentrópicas de 95% ou maiores são comuns para bocais, indicando que para os bons
projetos as irreversibilidades internas são pequenas.

Figuras

Compressor. Ponto (1) entrada, Ponto (2) saída e


Diagrama h s, mostrando os processos, real e
isentrópico.
Com KE  PE  0 , o trabalho requerido pelo compressor em Regime Permanente é
0 1 Q2 WVC  m1h1  m2 h2
WVC  
-W
 h1  h2 ou  VC
  h2  h1
m  m 

Como h1 está fixado, o menor trabalho requerido será obtido para um menor valor de h 2 , que
corresponde ao processo isentrópico s2  s1

  WVC 
   h2 s  h1
 m  s
Assim
W / m
VC h2 s  h1
c  s
 c 
W / m
VC
h2  h1

Lembrar que ambos, numerador e denominador são avaliados para o mesmo estado de entrada
e mesma pressão de saída.
Para os compressores  c tem valores típicos na faixa de 75% a 85%.
Para bombas, a eficiência isentrópica é definida de modo similar   .
b

Exemplo 6.11 - Uma turbina a vapor opera em R.P. para as condições de entrada P1 = 5 bar, T1 = 320ºC.
O vapor deixa a turbina na pressão de 1 bar. Não há troca de calor significativa entre a turbina e a
vizinhança e as variações de energia cinética e potencial entre a entrada e saída são negligíveis. Para uma
eficiência isentrópica de 75% determine o trabalho por unidade de massa, realizado pela turbina, em
(kJ/kg).

Figura

Esquema da turbina e Diagrama h s


 WVC 
 
h1  h2  m 
tb  
h1  h2 s  WVC 
 
 m  s
 WVC   W 
   tb   VC 
 m   m  s
 WVC 
   tb h  h2 s 
 m 

(1) P1  5bars h1  3105,6kJ / kg


T1  320º C s1  7,5308kJ / kgK
(2) P2  1bar
kJ
kJ h2 s  2743,0
s 2s  s1  7,5308 kg
kgK
 WVC  kJ
   0,753105,6  2743,0  271,95
 m  kg

Obs.: Observar que as irreversibilidades atuam como uma penalidade sobre o trabalho da turbina.
Neste caso, reduziu em 25% o trabalho.

Exemplo 6.12 - Uma turbina operando em Regime Permanente recebe ar a uma pressão P1 = 3,0 bars e
a uma temperatura T1 = 390 K. O ar deixa a turbina a uma pressão P2 = 1,0 bar. O trabalho realizado é
de 74 kJ/kg de ar que escoa pela turbina. A turbina opera adiabaticamente e as variações de energia
cinética e potencial entre a entrada e saída são desprezíveis.
Utilizando o modelo de gás ideal para o ar, determine a eficiência da turbina

Figura

Volume de controle para a Turbina e Diagrama T s


Hipóteses: 1) V.C. mostrado no esquema
2) Q  0 KE  PE  0
VC
3) O ar é modelado como gás ideal

A eficiência é a razão entre os trabalhos realizados na expansão real e na expansão isentrópica

Estado (1) definido P1  3,0bars h1  390,88kJ / kg


T1  390 K sº 1  1,96633kJ / kgK
Pr 1  3,481

Como a pressão relativa Pr é função apenas da temperatura, determinando-se Pr 2 , localiza-se


o estado (2s).

P2 Pr 2

P1 Pr 1
P2
Pr 2  P
P1 r 1
1,0
Pr 2   3,481  11603
,
3,0

Da tab. A.16 por interpolação


h2s  285,27kJ / kg
 WVC 
   h1  h2 s  390,88  285,27  105,61 kJ / kg
 m 
W/ m 74,0
tb     0,70
W / ms 105,61
tb  70%

Exemplo 6.13

Vapor entra em um bocal que opera em Regime Permanente. As condições de entrada são:
P1  140 lbl / pol 2 e T1  600º F e V1  100 pé s/ s e as condições de saída são:
P2  40 PSI e T2  350º F. Não há troca de calor significativa entre o bocal e a vizinhança e as
variações de energia potencial podem ser desprezadas. Determine a eficiência do bocal.

Figura

Bocal e Diagrama h s
Hipóteses: 1) Volume de controle específico na figura
2) WVC  0 PE  0

Solução:

Balanço de energia
 V22 V12 
h1  h2   
 2

2 

V22 V12
  h1  h2  
2 2
 V2 
2
V2
    h1  h2 s   1
 2 s 2
V22
boc  22
 V2 
 
 2 s

Estados (1) T1  600º F h1  1326,4 BTU / lbm


Tab.A 4E
P1  140 PSI s1  1,7191 BTU / lbmº R
(2) T2  350º F h2  1211,8 BTU / lbm
P2  40 PSI
 pe  2   BTU 
v2  2    
 s   lbm 
pe 
1 BTU  778 pe . lbf  1 BTU   778 pe   1 lbm  32,2
s2
pe 
1lbf  1lbm  32,2
s2
pe  2
1 BTU  778  32,2  lbm  2
s
 pe   
2
1  BTU
 2   
 s   778  32,2  lbm
V22 BTU 100 2 BTU
 1326,4  1211,8   114,8 BTU / lbm
2 lbm  2778  32,2 lbm

v 22 BTU
 114,8
2 lbm

O ponto 2s é determinado pela pressão P2 e entropia s 


2 s  s1

( 2 s) P2 s  40 PSI
h2 s  1202,3BTU / lbm
s 
2 s  1,7191BTU / lbmº R
 V22  100 2
   1326,4  1202,3   124,3BTU / lbm
 2 s 2 x 779 x 32,2
114,8
bocal   0,92492,4% 
124,3
V2  2.398 pe / s
V 2 s  2.495 pe / s

Obs.: Um fator importante para as irreversibilidades em bocais é o atrito do fluído que escoa, com as
paredes do bocal.
A consequência é uma redução na velocidade de saída.

Exemplo 6.14 - Um compressor de ar operando em Regime Permanente recebe ar a P1 = 0,95 bar e T1


= 22ºC. A razão entre as pressões de saída e entrada é 6. Não há transferência de calor significativa entre
o compressor e a vizinhança e as variações de energia cinética e potencial entre a entrada e a saída são
desprezíveis. Se a eficiência isentrópica do compressor é 82%, determine a temperatura do ar na saída
do compressor. Utilize o modelo de gás ideal para o compressor.

Figura

Volume de controle no Compressor e Diagrama T


s, mostrando o processo.
Hipóteses: 1) O V.C. está mostrado no esquema
2) KE  PE  0
3) Usar modelo de gás ideal

  W   h
VC 2  h1
h2 s  h1
c   0,82
h2  h1
  W 
VC s  h2 3  h1
P2 Pr 2

P1 Pr 1

Como o estado (1) está definido, da Tabela A-16, com T1 = 295 K, tem-se

h1=295,17 kJ/kg.

A entalpia do ponto 2s, é obtida através de Pr2

Pr2 = 7,841. Com Pr2 obtêm-se da Tabela A-16, por interpolação h2 = 536,4 kJ e T2 = 532 K.
Obs. Por causa das irreversibilidades, o compressor requer um trabalho maior que aquele necessário para
o processo isentrópico.

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