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DEPÓSITO

- Conceito: contrato pelo qual uma pessoa, o depositário, recebe objeto móvel do depositante para
guardá-lo e restituí-lo quando solicitado (627).
- aperfeiçoa-se pela entrega da coisa.
- o contrato é feito no interesse do depositante.
- é a guarda de coisa alheia.
- é vedado o uso da coisa pelo depositário.
- Exemplos: seu vizinho vai viajar e pede para você ligar o carro dele toda semana para não arriar a
bateria, ou deixa com você a chave do apartamento para molhar as plantas; - - outro ex: você vai viajar e
deixa seu cachorro no veterinário;
- mais um ex: deixar a bagagem nos maleiros do aeroporto enquanto aguarda o vôo, etc.
- Também se considera depósito o carro que deixamos estacionado
no shopping/supermercado enquanto fazemos compras;
- igualmente o carro adquirido a prazo mediante alienação fiduciária em garantia.
- Objeto: apenas móveis, não há depósito de imóveis ou de móveis fungíveis/consumíveis.
- Depósito de dinheiro em banco é contrato bancário mais próximo do mútuo (645).
- A essência principal do depósito está na guarda, na custódia da coisa, de modo que, de regra, o
depositário não pode usar a coisa, mas apenas guardá-la (640).
- Ao término do contrato, a coisa deve ser restituída com os frutos (ex: a cadela deixada no veterinário
deu cria durante o depósito, 629).
- O depositário deve devolver a coisa imediatamente, o que é até vantajoso para o depositário já que
não pode usá-la, então quanto mais cedo devolver melhor, se livrando da responsabilidade (633 – é o
inverso do comodato no 581, pois o depósito beneficia o depositante enquanto o comodato beneficia o
comodatário).
- Se a coisa perecer o prejuízo é do depositante (642).
- Obrigações das partes:
- ao depositário cabe guardar, conservar e restituir a coisa quando solicitado.
- ao depositante cabe pagar a remuneração do depositário que pode exercer direito de retenção (643,
644).
- Se devidamente pago o depositário não devolver a coisa pode ser preso por até um ano (652).
- espécie de depósito: voluntário e o necessário.

Depósito voluntário

- é aquele livremente ajustado pelas partes, sem pressão das circunstâncias externas.
- o depositante escolhe o depositário.
- é contrato real, pois só se aperfeiçoa com a entrega da coisa.
- não solene – embora o artigo 646 diga que a sua prova só se faz por escrito.
- unilateral – surge obrigações somente para o depositário.
- gratuito – não há contraprestação.
- intuito personae – pois se baseia na confiança.
- alguns contratos são onerosos, como o de guarda de automóveis em garagens ou de móveis em
armazéns.
- obrigações do depositário:
a) guardar a coisa.
b) conservar a coisa.
c) devolver a coisa.
- o depositário somente responde por dolo ou falta grave.
- há presunção de culpa, que deve ser ilidida pelo depositário (júris tantum).
- a obrigação de restituir passa ao herdeiro do depositário.
- se recebeu o bem lacrado, fechado, selado, assim deve devolver e não deve violar o depósito, incorrerá
o depositário na presunção de culpa.
- não pode o depositário se recusar a entregar a coisa alegando compensação de crédito que tenha
contra o depositante.
- direito de retenção do art. 644 pelas despesas de guarda.

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Depósito irregular

- depósito de coisas fungíveis.


- não devolve a mesma coisa, mas a da mesma espécie, qualidade e quantidade.

Depósito necessário

- quando o depositante não pode escolher livremente a pessoa do depositário.


- obrigação legal e feito por ocasião de alguma calamidade.
- hóspedes em hotéis.

O mandato
O mandato tem seu conceito esculpido pelo artigo 653 do CC de 2002, com idêntico teor do artigo 1288
do Código Civil de 1916.
O étimo de mandato advém do latim mandatum oriundo de manudare quem dava o encargo e quem o
recebia apertavam as mãos, demonstrando a confiança que um depositava no outro e, este a segurança
que corresponderia a esta confiança.
O mandato é contrato consensual, individual e pessoalíssimo. É também contrato causal, de duração. Por
sua função econômica consiste em um contrato de atividade, tipificada por prestação de uma conduta
de fato, mediante a qual se conseguirá uma utilidade econômica.
Evidentemente o contrato é acessório, com nítida finalidade preparatória, haja vista servir para a
realização de determinados atos ou administração de interesses. É contrato definitivo, apesar haver
doutrinadores que entendam diversamente.
O uso do trabalho alheio na defesa de interesses próprios surge sob duas formas: a representação e a
preposição.
A representação é a utilização de serviços alheios para a prática de negócios jurídicos.
A preposição decorre da prestação de serviço ou do contrato de trabalho, é o aproveitamento do esforço
alheio, para realização de atos materiais.
A representação pode surgir em virtude da lei como no caso dos absolutamente incapazes, ou de
decisões judiciais (nomeação do advogado dativo ou defensor público) ou de acordo de vontades.
Na representação, o representante atua no interesse do representado, podendo agir em nome próprio
(como por exemplo, comissão) ou em nome do representado, como ocorre no mandato.
A base do mandato é fiduciária, sendo contrato intuitu personae.
O art. 653 do CC dispõe que a representação é elemento essencial do mandado, de sorte que se pode
conceituar o mandato como relação contratual mediante a qual uma das partes (o mandatário) se
obriga a praticar em nome e por conta da outra parte (mandante), um ou mais atos jurídicos.
Cria obrigações recíprocas e regula os interesses dos contratantes (mandante e mandatário).
Para que possa legitimamente o mandatário exercer suas funções fora da relação contratual, é
necessário que sejam conferidos poderes de representação pelo mandante.
Daí decorrem duas relações jurídicas oriundas do mandato. O ato praticado pelo mandatário em face de
terceiros mediante o poder de representação. Essa é a tradução daexpressão “em nome de”. Assim o ato
do mandatário vincula diretamente o mandante, como se tivesse ele próprio agido.
A representação teve reconhecida sua autonomia pelo C.C. nos arts. 115 ao 120 não sendo
originalmente essencial do mandato. No entanto, o sistema positivo pátrio, o legislador a incluiu na
definição e tipificação jurídica do contrato de mandato.
No direito brasileiro se o mandatário atuar em nome próprio, desnaturaria o contrato de mandato.
Discute-se, a natureza jurídica dos atos praticados pelo mandatário. Para uns, são apenas atos jurídicos
negociais que seriam o objeto do contrato de mandato.
Já para outros juristas, estendiam a acepção do objeto do mandato também aos atos não-negociais,
alcançando os atos jurídicos stricto sensu e os atos somente materiais, e nesse sentido se posicionou
Caio Mário da Silva Pereira.
Assim, admite-se a atuação de outros atos que não somente os jurídicos. Exceto aqueles atos em que
somente a própria pessoa possa praticar diretamente, sendo inadmissível a representação. São
chamados de atos personalíssimos, tais como o pátrio poder ou poder familiar, o testamento, o exercício
do voto e o depoimento pessoal.

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A natureza jurídica do contrato de mandato é unilateral, pois normalmente, só cria obrigações para o
mandatário.Somente passa a ser bilateral quando o mandatário, em virtude da convenção ou decorrente
de profissão ou ofício, sendo portanto, remunerado.
É o mandato um contrato intuitu personae celebrado em razão da pessoa do mandatário, pois é a fidúcia
seu principal requisito. Trata-se também de contrato consensual,presumido como gratuito, salvo se
estipulada remuneração.
No entanto, se o mandato decorre de ofício ou profissão (despachante, advogado, representante
comercial) presumir-se-á oneroso e bilateral, traduz-se em obrigações recíprocas.
Frise-se a sua etiológica natureza unilateral como resultado da inexistência de sinalagma entre as
obrigações de ambas as partes. Não se aplica ao mandato, a exceção do contrato não cumprido,
extinguindo-se o mandato somente pelas hipóteses previstas no art. 682 do C.C.
A procuração constitui-se em negócio jurídico autônomo, abstrato e unilateral, pelo qual o representado
outorga ao representante os poderes de representação. É, em suma, instrumento de outorga da
representação.
Como é unilateral se forma somente com a expressão de vontade do interessado sem necessidade de
consentimento do procurador, nem de terceiro perante o qual será exercida. Não cria obrigação para o
procurador, mas o poder de agir em nome do outorgante. E desta forma se diferencia do mandato pela
geração de obrigações recíprocas.
É negócio jurídico autônomo ainda que acompanhe outro negócio jurídico, como por exemplo, o
contrato de mandato. A procuração como instrumento de representação é expediente pelo qual o
mandatário faz valer seus poderes em face de terceiros.
Possui a procuração o papel relevante de ser veículo externo dos poderes conferidos inter partes para
que se realize em função do mandato. A procuração liberta-se de sua causa e tal abstração lhe vale como
proteção de terceiro pois deverá o representado arcar com despesas da atuação de seu procurador.
Eventuais vícios na relação contratual interna entre representante e representado, não são relevantes a
princípio nas relações com terceiros. É projeção externa e probatória do mandato, a procuração traduz e
identifica a legitimidade e ainda os limites de atuação do mandatário em face de terceiros. A rigor, a
procuração é instrumento de representação e, não do mandato.
Pode a procuração ser verbal pois não dita a lei forma especial, e vige a liberdade de forma (art. 656 CC).
O art. 1.652, II do CC alude a um mandato tácito.No entanto, a procuração se vinculará à forma a qual se
realiza, o ato a que o contrato de mandato se destina.
Se houver conflito de interesses entre mandante e mandatário (art. 117, CC) e ocorre, por exemplo, no
autocontrato ou contrato consigo mesmo, será anulável. O legislador de 2002, contudo, regulou de
maneira expressa o instituto.
Por isso, em regra, o negócio jurídico é anulável, salvo se houver autorização da lei ou do representado.
De sorte que se exige a ratificação para que o vício seja plenamente sanado.
Uma das mais utilizadas modalidades contratuais é o mandato que é previsto nos arts. 653 ao 692 CC.
Traduz-se por ser negócio jurídico pelo qual uma pessoa mandatária, recebe poderes de outra,
denominada mandante, para, em nome desta última praticar atos ou administrar interesses.
Não há mais a distinção do mandato mercantil e civil, tendo em vista, a unificação do direito obrigacional
pelo novo codex.Manteve-se, no entanto, a presunção de ser o mandato, um contrato gratuito. Mas
podendo ser oneroso, ex vi art. 658 do CC.
O mandato só passa exigir depois de aceito pelo mandatário, sendo que, essa aceitação não precisa ser
necessariamente explícita, podendo ser tácita, decorrendo do comportamento do mandatário durante a
execução do contrato.
Gera o silêncio em caso de mandato profissional importa em presunção de aceitação do mandato. Sendo
consensual apesar de tácito.
É ainda contrato consensual e não solene. O mandato se distingue da comissão porque o comissário atua
em nome próprio embora no interesse e por conta do comitente, enquanto que o mandatário atua em
nome e por conta do mandante.
Distingue-se também o mandato da prestação de serviços que é, sempreonerosa, enquanto o mandato
a priori é presumido como gratuito e abrange negócios e atos materiais.
O mandato decorre da representação que pode ou não existir na prestação de serviço. Nada impede que
um contrato seja híbrido e atípico contendo traços de prestação de serviços e do mandato.
A procuração é negócio jurídico pelo qual se constitui o poder de representação voluntária, não é
contrato. É negócio unilateral receptício, autônomo e, não se confunde com o contrato subjacente.Que

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tanto pode ser de prestação de serviços, trabalho, compra e venda ou corretagem. Mas comumente é o
mandato.
Já o mandato pode ser com ou sem representação; se o mandatário atua em nome do mandante, há
representação; se só atua por conta do mandante, não o representa.
Exige-se capacidade jurídica plena das partes no contrato de mandato. Podem os incapazes outorgar
mandato, devendo a procuração ser dada pelos seus representantes legais, ou pelos seus assistentes.
Em casos especiais, admite-se a procuração dada pelo relativamente incapaz (entre 16 e 18 anos) sem a
intervenção de seu assistente, assim dispondo a lei em relação aos conflitos trabalhistas (art. 792 da
Consolidação das Leis do trabalho), a faculdade de apresentar queixa-crime (arts. 34 e 50 do CPP) e de
requerer o registro de nascimento (Lei 6.015/73, art. 50, § 3°).
Pode o relativamente incapaz figurar como mandatário, mas nesse caso o mandante não terá ação
contra este, salvo em decorrência das regras e princípios gerais e princípios aplicáveis às obrigações
contraídas pelos menores (artigo 666 do CC).
É importante advertir que o instrumento do mandato, ou seja, a procuração deve conter nomes
completos e as qualificações tanto do mandante quanto do mandatário (nacionalidade, estado civil,
profissão, residência e domicílio, número da carteira de identidade e CPF) e, também a indicação do
lugar e da data em que foi passada, seu fim e conter o rol de poderes concedidos, bem como o seu prazo
de validade.
Com relação ao domicílio deve conter o endereço completo, pois com se sabe, a citação padronizada
pelo atual CPC é via postal, daí ser relevante a menção do CEP (Código de Endereçamento Postal).
Dirimindo a antiga dúvida veio o CC de 2002 determinar que a outorga do mandato está sujeita à forma
exigida por lei para o ato a ser praticado (art. 657, 1ª parte do CC).
De sorte que se havia a exigência de documento público para a procuração nos casos em que os atos do
procurador devam revestir tal forma.
Relevante também frisar que o analfabeto só pode outorgar procuração por instrumento público, uma
vez que não pode ler e assinar o instrumento particular (art. 654 do CC).
Também quanto aos incapazes, mesmo quando assistidos só podem dar procuração mediante
instrumento público.
A procuração para o advogado pode, no entanto, por instrumento particular.Excepcionalmente, pode ser
admitida procuração por telegrama, telefonema ou radiograma (era a previsão do art. 31, § 1º, da Lei de
Falências, revogada pela Lei 11.101/2005).
Classifica-se ainda o mandato como geral quando se referir a todos negócios do mandante, e especial
quando for para fim específico e determinado.
Quando conferido o mandato em termos gerais, só confere poderes de administração ou gestão, o que
não inclui o poder de alienar, hipotecar, transigir, firmar compromisso, dar quitação, renunciar direitos,
desistir de ação proposta, emitir ou endossar títulos de crédito, dar fiança ou cometer liberalidades em
geral (arts. 660 e 661 do CC).
Traça a lei os casos em que os poderes especiais devem ser expressos, admitindo-se, todavia que a
existência de poderes mais amplos impliquem na faculdade de exercer as faculdades mais restritas.Desta
forma, quem pode acordar, transigir certamente também poderá desistir da ação demandada.
A inexistência de mandato ou excesso de poderes, os arts. 662 e 665 do CC estabeleceram a ineficácia
dos atos praticados em relação ao mandante, salvo se este a posteriori vier ratificá-los.
O mandato extrajudicial em geral é ad negotia, enquanto que o mandato judicial inclui a cláusula ad
judicia onde apenas supletivamente se aplicam às normas civis (art. 692 do CC).
O mandato em causa própria é outorgado no interesse do mandatário daí ficar isento de prestação de
contas, contendo poderes amplo. É muito usada na cessão de títulos e alienação de bens imóveis e,
subsiste mesmo após a morte do mandante (nos chamados impropriamente de “contratos de gaveta”).
É preciso não confundir procuração em causa própria com postulação em causa própria.Consiste na
atuação de advogado em seu próprio interesse, não precisa de procuração e nem de prestação de
contas.
Substabelecimento é ato unilateral derivado da procuração, em que o procurador transfere no todo ou
em parte, os poderes recebidos do outorgante.
Mesmo o caráter intuitu personae do mandato, não impede que o mandatário originário possa transferir
os poderes que lhe foram outorgados pelo mandante para terceira pessoa, de modo a facilitar o seu
cumprimento.
Pode o substabelecimento ser com ou sem reservas de poderes. Pode se dar para atuação
separadamente ou em conjunto. A prerrogativa de substabelecer o mandato é direito subjetivo do

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mandatário que só pode ser suprimida expressamente por previsão legal específica ou cláusula
contratual impeditiva.
O eventual danoso causados pelo substabelecido (art. 667 CC) responderá o mandatário original, se tiver
agido com culpa na escolha deste ou na inobservância das instruções fornecidas a este.
É possível mesmo num mandato por instrumento público ocorrer substabelecimento por instrumento
particular (art. 655 C. C). Porém para os atos que exigirem instrumento público de mandato, será preciso
que o substabelecimento siga a mesma forma pública.
É benfazejo conhecer o Enunciado 1182 da III Jornada de Direito Civil da Justiça Federal: “O mandato
outorgado por instrumento público previsto no art. 655 C.C. somente admite substabelecimento por
instrumento particular quando a forma pública for facultativa e não integrar a substância do ato”.
Pode ser de todos os poderes (sem reserva) ou só de alguns poderes (com reserva). De sorte que se feito
o substabelecimento com reserva de poderes o procurador permanece cumulativamente ou se afasta
apenas temporariamente.
A responsabilidade do mandatário ao substabelecer é prevista no art. 667 e seus parágrafos, Código
Civil.No caso do mandatário advogado é importante elucidar não ser incidente na relação o CDC, vigendo
a responsabilidade subjetiva que determina a apuração da culpa ou dolo do advogado-mandatário.
E, mesmo a revogação ulterior do mandato não impede que o advogado venha a cobrar suas verbas
honorárias pela prestação assistência jurídica efetivada. (
São obrigações do mandatário:
a) atuar com diligência na execução do contrato, principalmente em atenção que tem a gestão de seus
próprios negócios;
b) executar pessoalmente o mandato, exceto quando permitido o substabelecimento (art. 667, CC);
c) prestar contas de sua atuação, transferir ao mandante as vantagens decorrentes do mandato, exceto
no caso de procuração em causa própria (art. 668, CC);
d) pagar juros ao mandante se utilizou dinheiro dele para fins de interesse pessoal (art. 670, CC);atuar
dentro dos limites dos poderes outorgados e ter conduta conforme instruções do mandante;
e) indenizar os prejuízos causados ao mandante por culpa ou dolo, não podendo compensar tais
prejuízos com os proveitos que obteve pelo contrato para o mandante (arts. 669, 186 e 927, CC).
Havendo perigo na demora, continuar a praticar os atos inerentes ao mandato, mesmo na hipótese de
morte, interdição ou mudança de estado do mandante (art. 674, CC).
Quando o mandatário comprar para si algo que deveria adquirir em nome do mandante e tiver fundos
ou créditos do mandante, fica obrigado a entregar a coisa comprada (art. 671, CC).
O substabelecimento sem reservas da parte dos mandatários, importa em renúncia ao mandato.O
mandatário que atua em seu próprio nome, não é considerado como mandatário, mas como comissário
(ocorre mandato sem representação).
O contrato é a causa do vínculo jurídico e, é distinto de seu eventual instrumento que é a procuração.
Curial, também distinguir mandato de mandado, pois este corresponde à formalização, por escrito, de
uma ordem judicial, (um mando) sendo decorrente de uma relação jurídica processual, nada tendo
haver a celebração de negócio jurídico.
A procuração é documento, é instrumento seja público ou particular por meio do qual uma pessoa
estabelece quais são os poderes outorgados a outrem para que possa praticar atos ou administrar
negócios em seu interesse.
A outorga de poderes de representação ocorre por meio de declaração unilateral de vontade (que é
negócio jurídico unilateral). Há de se distinguir pois, o contrato do ato jurídico unilateral, o mandato da
procuração em sentido técnico. O contexto da procuração já denuncia o caráter unilateral do negócio
jurídico, consubstanciando a representação.
A representação pode ser legal ou voluntária. E, é possível haver mandato sem representação pois o
estabelecimento da relação contratual de mandato não, outorga automaticamente os poderes de
representação, sendo necessária a declaração unilateral de vontade fixando tais poderes).
Tradicionalmente conhecemos o contrato de comissão como mandato sem representação.
E, existe o que é mais comum representação sem mandato, como por exemplo, na representação legal
de incapazes, da tutela, da curatela e, ainda, na representação judicial do inventariante ou do
administrador da falência (síndico).
É possível haver mandato verbal, mas é impróprio cogitar-se em instrumento verbal de procuração posto
que todo instrumento deverá ser forçosamente escrito. O mandato é em suma uma figura contratual
típica, nominada, unilateral e, em geral, gratuito.

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Tal qual o contrato de depósito enquadra-se o mandato na classificação de bilateral imperfeito quando
de sua execução surgir eventual e superveniente obrigações para o depositante. Se oneroso o mandato,
naturalmente torna-se bilateral a avença e dotada das características comutativas e evolutivas.
Trata-se de modalidade não-solene (podendo assumir feição verbal ou mesmo tácita). Somente por
exceção, quando se exige solenidade essencial no mandato, o que decorre mais da natureza do negócio
jurídico, é o caso do casamento por procuração que requer instrumento público com poderes especiais e
específicos.

A prática de qualquer negócio jurídico pode ser objeto de mandato. A adoção e o reconhecimento do
filho natural podem ser efetuados por meio de mandato. E até casamento, mas não o testamento por
causa de sua natureza personalíssima. Bem como a prestação de concurso público, mandato eletivo e o
exercício do poder familiar e dos deveres conjugais.
Sobre o mandato em termos gerais, é relevante o que disciplina o art. 661 do C.C. E, por exclusão o que
exorbitar da esfera da administração ordinária, são definidos como poderes especiais tais como alienar,
hipotecar, transigir, dar quitação e desistir.
Não há óbice legal para a prática de estabelecer procuração com poderes especiais com poderes gerais
de administração cumulada com poderes específicos.
A procuração que confere poderes especiais deve conter a identificação plena do objeto. Também é
possível doação por procuração desde que o doador especifique o objeto da doação e o beneficiário do
ato (donatário).
Quando o mandato for outorgado a mais de uma pessoa, podem ser conjuntas (quando devem os
mandatários atuar conjuntamente), sucessivos ou solidários. O mandato pode ser ainda judicial ou
extrajudicial.
A procuração judicial pode ter dois tipos de cláusulas:
a) cláusula ad judicia – a que outorga poderes gerais para foro, credenciando o advogado ou patrono a
atuar em todos os atos processuais na defesa dos interesses do cliente (mandante);
b) cláusula extra judicia – quando outorga poderes especiais para atos de maior relevância e
disponibilidade sobre o processo e os direitos. E, que deveriam ser feitos pessoalmente pela parte.
A cláusula ad judicia et extra corrobora o somatório dos poderes para foro em geral adicionando os
poderes especiais que credenciam a disponibilidade sobre o processo e direitos envolvidos.
Os poderes especiais estão elencados no bojo do art. 38 do CPC, a saber: receber citação inicial,
confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar a direito sobre o qual se
funda a ação, dar quitação e formar compromisso.
A extinção do mandato judicial implicará na constituição de outro advogado para prosseguir no
patrocínio da causa (art.44 do CPC). O mandatário que exceder aos poderes outorgados pelo mandante
atuará como mero gestor de negócios enquanto o mandante não os ratificar (art. 665 do CC).
O art. 668 CC estabelece que o mandatário deve prestar contas ao mandante, seja o mandato judicial ou
não. Não trouxe o codex em vigor, norma correspondente ao art. 1.305 do CC de 1916.
Porém, prevalece o direito de terceiro de exigir a apresentação do instrumento de mandato para
conhecer dos limites dos poderes conferidos pelo mandatário. (art. 673 CC). Mas, me parece que por
força do princípio da boa-fé objetiva não pode haver a legítima recusa em exigir o instrumento de
mandato se, questionado ou exigido durante a execução do referido contrato.
O art. 671 do CC cria norma protetiva do mandante para eventuais atos ímprobos e exorbitantes
praticados pelo mandatário em flagrante desrespeito À boa-fé e à fidúcia tão peculiares a essa figura
contratual.
O mandato com representação onde temos o mandatário que tem simultaneamente uma obrigação e
um poder, com relação ao mandante e aos terceiros, respectivamente. A unilateralidade genética do
mandato gratuito, modifica radicalmente se assumir a feição onerosa, posto que o mandante é obrigado
a satisfazer as obrigações contraídas pelo mandato, dentro de seus estritos limites.
O segundo dever do mandante é custear as despesas para pleno cumprimento do mandato (art. 675CC).
O direito do mandatário de ser ressarcido de todas as despesas e perdas que teve no cumprimenta do
mandato, é prerrogativa duplamente positivada no atual codex (art. 664 e 681 CC).
Podendo o mandatário ter o direito de retenção entendida como reforço para atribuir a retribuição
quanto às despesas contraídas pelo mandatário. Atuando o mandatário nos exatos limites dos poderes
outorgados, ainda que em resultado não desejado pelo mandante, este se obriga perante a terceiros.

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Em verdade, o mandatário assume obrigação de fazer e, não obrigação de resultado ou fim. O risco da
atividade é do mandante. Mas possui o mandante o direito subjetivo de demandar pelas perdas e danos
sofridos em face do mandatário que descumpriu. Suas instruções e limites estão no contrato (art. 679
CC).
A revogabilidade do mandato é a regra e, como é tipicamente contrato temporário e é perfeitamente
possível ocorrer a resilição unilateral (seja por parte do mandatário que é também chamada de
renúncia), seja por parte do mandante (chamada de revogação ou cassação).
Mas, por exceção, admite-se a irrevogabilidade do mandato que pode ser relativa (quando derivada da
autonomia privada) ou absoluta (quando imposta por norma de ordem pública), arts. 684 e 685 C.C.
O mandato em causa própria representa uma exceção à vedação do autocontrato. A revogação do
mandato pode ser expressa ou tácita (art. 687 C.C.) e quanto à renúncia vide ainda o art. 688 do C. C.

DO EMPRÉSTIMO

- é o contrato pelo qual uma das partes entrega uma coisa à outra, para ser devolvida em espécie ou
gênero.
- espécies de empréstimo: comodato e mútuo.

DO COMODATO

- art. 579 do CC.


- empréstimo gratuito de coisas não fungíveis que se perfaz com a tradição do objeto.
- elementos:
1) gratuidade do negócio.
2) infungibilidade do objeto.
3) necessidade de tradição.
- natureza jurídica: gratuito, real, unilateral, não solene.
- é real, pois o comodatário recebe a coisa emprestada para uso, devendo devolver a mesma coisa, ao
termo do contrato.
- só se considera perfeito com a entrega do bem, com a tradição.
- daí decorre de sua natureza unilateral.
- com a entrega do bem, obrigações só incumbem ao comodatário, e nenhuma ao comodante.
- mas o comodante tem algumas obrigações:
1) não reclamar a coisa antes do prazo ou do temo necessário para o uso.
2) dever reembolsar ao comodatário as despesas extraordinárias e urgentes que este teve de fazer.
3) indenizar os prejuízos experimentados pelo comodatário, oriundos de defeitos da coisa, se os
conhecendo, deixou de advertir o interessado.
- obrigações do comodatário:
1) velar pela conservação da coisa.
2) dela servir-se de modo adequado.
3) restituí-la no momento devido.
- o comodante pode exigir a devolução do objeto antes do prazo, provando a necessidade urgente e
imprevista.
- é contrato não solene, eis que a lei não exige qualquer forma (art. 227)
- no comodato, a coisa perde para o dono, que é o comodante, que é o proprietário da coisa, por caso
fortuito ou força maior.
- o descumprimento de devolver o bem deixa o comodatário em mora, devendo a partir daí, pagar
aluguel e comete esbulho.
- é intuito personae e não se transfere aos herdeiros.

DO MÚTUO

- art. 586 do CC.


- é o empréstimo de coisa fungível.
- destinado ao consumo.
- o mutuário, ao receber a coisa, torna-se proprietário, podendo destruir a substancia, visto que não
precisa devolver a mesma coisa.

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- o mutuário tem que devolver uma coisa da mesma espécie, qualidade e quantidade.
- pode ser gratuito ou oneroso, visando lucro.
- a circunstância de no mútuo o mutuário tornar-se proprietário da coisa emprestada, transfere-lhe os
riscos por sua perda – res perit domino.
- natureza jurídica: real, unilateral, em princípio gratuito, e não solene.
- é real porque só se aperfeiçoa com a entrega do bem.
- é unilateral, pois só tem obrigações por parte do mutuário.
- geralmente é gratuito, mas pode ser oneroso.
- juro – que é a remuneração do capital.
- não solene, pois a lei não estabelece sua forma.
- o objeto é de coisas fungíveis: dinheiro,
- art. 588, menor não pode emprestar sem consentimento dos representantes.
- art. 590 – proteção do credor, quando o devedor perdeu a capacidade de pagamento ou solvabilidade.