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CONSCIÊNCIA

- Alterações quantitativas:
Obnubilação: rebaixamento da consciência em grau leve a moderado. Paciente pode parecer sonolento ou desperto, mas há
sempre diminuição do grau de clareza do sensório com lentidão da compreensão e dificuldade de concentração.

Torpor: estado de turvação da consciência, onde o paciente pode ser despertado apenas por estímulo enérgico, sobretudo de
natureza dolorosa, sempre estará sonolento, incapaz de ações espontâneas.

Coma: é o grau mais profundo de rebaixamento do nível de consciência. Não é possível qualquer atividade voluntária consciente,
nem apresenta indícios de consciência. Sinais neurológicos observados: nistagmo, ausência de reflexo de acomodação (pupila),
pode-se observar decorticação ou decerebração.

- Síndromes associadas ao rebaixamento do nível de consciência

Delirium: termo mais adequado para designar a maior parte das síndromes confusionais agudas (paciente confuso). Diz respeito
aos vários quadros com rebaixamento leve a moderado do nível de consciência, acompanhado de desorientação temporoespacial,
dificuldade de concentração, perplexidade, ansiedade em graus variáveis, agitação ou lentificação psicomotora, discurso ilógico e
confuso, ilusões e/ou alucinações quase sempre visuais. Ocorre em pacientes com doenças somáticas (emergência) em estado
agudo. Paciente pode estar com sensório normal pela manhã e, ao longo do dia, seu nível de consciência afunda. (Não confundir
com delírio: alteração do juízo de realidade)

a. Hiperativo: ocorre nas sínd. de abstinência (delirium tremens), agitado, alucinações, agressividade, melhor prognóstico.
b. Hipoativo: ocorre em encefalopatias metabólicas e lesões, hiper sonolento, lentificação motora, pior prognóstico.
c. Misto

Estado onírico: “estado tipo sonho” alteração da consciência na qual o indivíduo paralelamente entra em um sonho muito vívido.
Predomina a atividade alucinatória visual intensa com caráter cênico e fantástico. Há forte carga emocional condizente com o
“vivido” no sonho, está cada vez mais sendo absorvido pelo delirium. Ocorre em síndromes de abstinência a substâncias e quadros
febris tóxicos.

- Alterações qualitativas:
Estados crepusculares: estado no qual uma obnubilação da consciência é acompanhada de relativa conservação da atividade
motora coordenada. Estreitamento do campo da consciência e afunilamento da consciência, ocorrência de atos automáticos, surge
e desaparece de forma abrupta com duração variável. Foram descritos associados a epilepsias (pós-ictal), intoxicações e quadros
dissociativos da histeria (síndrome neurótica).

Estado segundo: semelhante ao estado crepuscular, caracterizado por uma atividade psicomotora coordenada. Os atos são
geralmente incongruentes, extravagantes, alheios à personalidade do sujeito, decorrem mais de causas psicogenéticas.

Dissociação da consciência: designa a fragmentação ou divisão do campo da consciência, ocorrendo perda da unidade psíquica
comum do ser humano. Estado semelhante ao sonho, desencadeado por eventos psicologicamente significativos que geram
grande ansiedade. “Indivíduo se desliga da realidade para parar de sofrer”.

Transe: estado de dissociação da consciência que se assemelha a sonhar acordado, com atividade motora automática e
estereotipada acompanhada de suspensão parcial dos movimentos voluntários. Ocorre em contextos religiosos.

Estado hipnótico: Estado de consciência reduzida e estreitada com atenção concentrada, Estado de consciência semelhante ao
transe.

OBS: A consciência demarca um campo, no qual se pode delimitar um foco, ou parte central mais iluminada da consciência, e uma
margem, que seria a periferia menos iluminada dentro da qual surgem os chamados automatismos mentais e os estados ditos
subliminares.

Semiotécnica: Escala de coma de Glasgow, avaliar fácies, ver se está perplexo (dificuldade de integrar os estímulos ambientais),
observar se está desperto ou sonolento. Orientação é importante parâmetro para avaliar consciência. Teste da parede ou do papel
branco: Olhar fixamente para uma parede branca, alguns pacientes, nesse momento, podem ter alucinações visuais simples ou
complexas.
ATENÇÃO
Tenacidade: consiste na capacidade do indivíduo de fixar sua atenção sobre determinada área ou objeto.

Vigilância: definida como a qualidade da atenção que permite ao indivíduo mudar seu foco de um objeto para outro.

Hipoprosexia: perda básica da capacidade de concentração, com fatigabilidade aumentada, dificuldade aumentada nas demais
áreas psíquicas

Aprosexia: total abolição da capacidade de atenção, por mais fortes e variados que sejam os estímulos utilizados.

Hiperprosexia: estado da atenção exacerbada, no qual há uma tendência incoercível a obstinar-se a deter-se indefinidamente
sobre certos objetos com surpreendente infatigabilidade.

Distração: (hipertenacidade e hipovigilância) estado normal, aceitável, sinal de superconcentração ativa da atenção sobre
determinados conteúdos ou objetos, com inibição de tudo o mais. Cientista foca atenção em sua pesquisa e esquece onde
estacionou carro...

Distraibilidade: (hipervigilância e hipotenacidade) estado patológico de instabilidade marcante e mobilidade acentuada da


atenção voluntária, com dificuldade ou incapacidade para fixar-se ou deter-se em qualquer coisa que implique esforço produtivo.
Atenção facilmente desviada de um objeto para outro.

OBS: Atenção voluntária (concentração ativa e intencional sobre algo), espontânea (ocorre no interesse instantâneo, incidental
sobre algo. ex: Você está conversando com colega, seu professor começa a falar gritando e, então, você direciona sua atenção
para ele?). Atenção externa (direcionada para estímulos do ambiente, sons, luzes, sensorial), Interna (voltada para pensamentos,
mais introspectiva).

Semiotécnica: Avaliar dificuldade de concentrar-se, distração fácil, dificuldade para ouvir pessoas quando falam com você no
momento em que está realizando uma tarefa, problema em terminar tarefas? Teste: Pede para paciente observar tudo na sua
sala e depois cite-os. Teste da repetição de dígitos (enumere sequências numéricas e peça que ele os repita).

ORIENTACAO
Orientação autopsíquica: orientação do indivíduo a si mesmo -> se o sujeito sabe quem é.

Orientação alopsíquica: capacidade de orientar-se em relação ao mundo, isto é, quanto ao espaço e quanto ao tempo.

Desorientação por redução do nível de consciência: desorientação torporosa ou confusa, é aquela na qual o indivíduo está
desorientado por turvação da consciência.

Desorientação por deficit de memória imediata e recente (desorientação amnéstica): indivíduo não consegue reter as
informações ambientais básicas em sua memória. Não conseguimos fixar as informações e perde a noção do tempo. Desorientação
secundária a um déficit de memória.

Desorientação apática ou abúlica: por apatia ou desinteresse profundo. Torna-se desorientado devido a uma marcante alteração
do humor e da volição, comumente em quadro depressivo.

Desorientação delirante: em indivíduos que se encontram imersos em profundo estado delirante, vivenciando ideias delirantes
muito intensas, crendo com convicção plena que estão habitando o lugar de seus delírios. Atende pelo seu nome, mas acredita
ser outro personagem. ”Dupla orientação: orientação falsa do delírio coexiste com a verdadeira”

Desorientação demencial: déficit na memória de fixação por desorganização global das funções cognitivas.

Desorientação por déficit intelectual (oligofrênica): ocorre pela incapacidade ou dificulade em compreender o ambiente e de
reconhecer e interpretar as convenções sociais.

Desorientação por dissociação: ocorre em quadros histéricos graves, normalmente acompanhada de alterações da identidade
pessoal e de alterações da consciência secundárias à dissociação histérica.

Desorientação por desagregação: em pacientes psicóticos, geralmente esquizofrênicos em estado crônico, quando o indivíduo
apresenta toda a sua atividade mental desorganizada.

Desorientação quanto à própria idade: discrepância de cinco ou mais anos entre a idade real e aquela que o paciente diz ter.
Semiotécnica: Onde está? Que dia é hoje? Quem é você? O que faz?

MEMORIA
Memória imediata: capacidade de reter o material (palavras, números, imagens) imediatamente após ser percebido.

Memória recente: capacidade de reter a informação por curto período (de minutos a 3-6 horas).

Memória remota ou de longo prazo (de meses até anos): capacidade de evocar informações e acontecimentos ocorridos no
passado, geralmente após muito tempo do evento.

Priming: fenômeno do processo de recordação ou evocação, onde fragmentos de um conteúdo mnêmico são evocados e a partir
deles todo o resto é gradativamente recuperado.

Esquecimento normal: por desinteresse do indivíduo ou desuso.

Esquecimento por repressão: quando se trata de conteúdo desagradável ou pouco importante o indivíduo.

Esquecimento por recalque: certos conteúdos devido ao fato de serem emocionalmente insuportáveis são banidos da consciência.

Memória explícita: é adquira de forma plenamente consciente, sendo também a mais relevante do ponto de vista clínico.

Memória implícita: é adquirida de forma mais ou menos automática, o indivíduo não se dá conta de que está aprendendo esta ou
aquela habilidade.

Memória declarativa: fatos, eventos e conhecimentos que são memorizados, sendo possivel, inclusive, declarar verbalmente de
que forma foram memorizados.

Memória não-declarativa: hábitos e capacidades, em geral motores, sensoriais, sensório-motores ou eventualmente linguisticos
(como nadar, andar de bicicleta, tocar violão, soletrar), sobre os quais é difícil declara como são lembrados.

Memória de trabalho: é a combinação de habilidades de atenção e de memória imediata.

Memória episódica: forma de memória explícita e declarativa relacionada a eventos específicos da experiência pessoal do
indivíduo. Relatar o que foi feito na noite anterior é um típico exemplo.

Memória semântica: se refere a aprendizado, conservação e utilização de algo que pode ser designado como o arquivo geral de
conceitos e conhecimentos factuais do indivíduo. Exemplo: lembrar como foi um almoço com os avós em BH, durante as férias do
mês passado, depende da memória episódica. O conhecimento do significado de BH, almoçom férias, avós depende da memória
semântica.

Memória de procedimentos: tipo de memória automática, geralmente não consciente. Exemplos são atividades motoras e
perceptuais mais ou menos complexas (andar de bicicleta, digitar no computador etc). De modo geral é implícita e não-declarativa.

Hipermnésias: as representações afluem rapidamente, em tropel, ganhando em número, perdendo, porém em clareza e
precisão.(É mais um aumento do ritmo psíquico que uma alteração de memória)

Amnésias: perda da memória seja a da capacidade de fixar ou a da capacidade de manter e evocar antigos conteúdos mnêmicos.
Na anterógrada o indivíduo não consegue mais fixar elementos mnêmicos a partir do evento que lhe causou o dano cerebral. Por
exemplo, o indivíduo não lembra do que ocorreu nas semanas depois de um trauma cranioencefálico. Na retrógrada, o indivíduo
perde a memória para fatos ocorridos antes do início da doença.

-Alterações qualitativas (deformação da evocação da memória)

Ilusões mnêmicas: acréscimo de elementos falsos a um núcleo verdadeiro de memória. A lembrança adquire caráter fictício.
Deformação de lembranças reais. “Tive uma centena de filhos com minha mulher”, teve filhos, mas não uma centena.

Alucinações mnêmicas: verdadeiras criações imaginativas com a aparência de lembranças ou reminiscências que não
correspondem a qualquer elemento mnêmico, a qualquer lembrança verdadeira.
Fabulações ou confabulações: elementos da imaginação do doente ou mesmo lembranças isoladas completam artificialmente as
lacunas de memória, produzidas, em geral, por defict de fixação. O doente não é capaz de reconhecer como falsas as imagens
produzidas pela fantasia.

Criptomnésias: “Dori – procurando nemo” falseamento da memória, em que as lembranças aparecem como fatos novos ao
paciente, qe não as reconhece como lembranças, vivendo-as como uma descoberta.

Ecmnésia: “Filme da vida na situação de quase morte” recapitulação e revivescência intensa, abreviada e panorâmica, da
existência.

Lembrança obsessiva: “Ideia fixa” manifesta-se como o surgimento espontâneo de imagens mnêmicas ou conteúdos ideativos do
passado que, uma vez instalados, não podem ser repelidos voluntariamente.

Agnosias: deficits do reconhecimento de estímulos sensoriais, objetos ou fenômenos, que não podem ser explicados por um
déficit sensorial, por da linguagem ou por perdas cognitivas globais.

Astereognosia: Incapacidade de reconhecer objetos pelo tato.

Grafestesia: Reconhece escrita pelo tato “Braile”

Falso desconhecimento: paciente não reconhece pessoas muito familiares ou outra pessoa próxima.

Deja vu: já visto

Deja entendu: já ouvido

Jamais vu: Apesar de ter passado por uma experiência, tem a nítida sensação de que nunca a viu, ouviu, pensou.

Semiotécnica: Perguntas relativa a memória recente (O que fez ontem?) e a memória remota (Com que idade casou? Onde
nasceu?) Teste de memória visual, verbal.

LINGUAGEM

AFETIVIDADE
Humor: tônus afetivo do indivíduo, o estado emocional basal e difuso em que se encontra a pessoa em determinado momento.

Emoções: reações afetivas agudas, momentâneas, desencadeadas por estímulos significativos.

Sentimentos: estados e configurações afetivas estáveis; são mais atenuados que a emoções em intensidade e menos reativos a
estímulos passageiros.

Afetos: qualidade e o tônus emocional que acompanha uma ideia ou representação mental.

Paixões: estado afetivo extremamente intenso, que domina a atividade psíquica como um todo.

Catatimia: importante influencia que a vida afetiva, o estado de humor, as emoções, os sentimentos e as paixões exercem sobre
as demais funções psíquicas.

Sintonização afetiva: capacidade do indivíduo de ser influenciado afetivamente por estímulos externos.

Irradiação afetiva: capacidade que o indivíduo tem de transmitir, irradiar ou contaminar os outros com seu estado afetivo.

Rigidez afetiva: o indivíduo não deseja, tem dificuldade ou impossibilidade tanto de sintonização como de irradiação afetiva.

Angústia: afeito básico emergindo do eterno conflito entre o indivíduo, seus impulsos instintivos primordiais, seus desejos e suas
necessidades, diante das exigências de comportamento civilizado. Sensação de aperto no peito, nó na garganta, sufocamento,
associado a eventos passados.

Ansiedade: estado de humor desconfortável, apreensão negativa em relação ao futuro, inquietação interna desagradável, inclui
manifestações somáticas (taquicardia, tensão muscular).
Depressão ou melancolia: relaciona-se ao modo particular de elaboração inconsciente de perdas reais ou simbólicas.

Distimia: alteração básica do humor, tanto no sentido da inibição como no sentido da exaltação.

Disforia: distimia acompanhada de uma tonalidade afetiva desagradável, mal-humorada.

Hipotimia: refere-se à base afetiva de todo transtorno depressivo.

Hipertimia: refere-se a humor patologicamente alterado no sentido da exaltação e da alegria.

Euforia ou alegria patológica: humor morbidamente exagerado, no qual predomina um estado de alegria intensa e
desproporcional às circunstâncias.

Elação: além da alegria patológica, há expansão do Eu, uma sensação subjetiva de grandeza e de poder. O Eu vai além dos seus
limites.

Puerilidade: alteração do humor que se caracteriza pelo aspecto infantilizado, simplório, regredido.

Moria: forma de alegria muito pueril, ingênua, que ocorre principalmente em pacientes com lesões extensas dos lobos frontais.

Estado de êxtase: experiência de beatitude, sensação de dissolução do Eu no todo, de compartilhamento íntimo do estado afetivo
interior com o mundo exterior, muitas vezes com colorido hipertímico e expansivo. Não considerado fenômeno patológico, mas
cultural.

Irritabilidade patológica: hiperreatividade desagradável, hostil e eventualmente agressiva a estímulos do meio exterior.

Apatia: diminuição da excitabilidade emotiva e afetiva. Pacientes queixam-se de não sentir nem alegria, nem tristeza, nem raiva,
nem nada. Pacientes sabem que deveria sentir algo, no entanto, tornam-se hiporreativos para tudo na vida.

Hipomodulação do afeto: incapacidade do paciente de modular a resposta afetiva de acordo com a situação existencial, indicando
rigidez na relação com o mundo.

Inadequação do afeto ou paratimia: reação incongruente a situações existenciais ou a determinados conteúdos ideativos.

Pobreza de sentimentos e distanciamento afetivo: perda progressiva e patológica das vivências afetivas.

Embotamento afetivo e devastação afetiva: perda profunda de todo tipo de vivência afetiva. Observável pela mímica, postura e
da atitude do paciente.

Sentimento de falta de sentimento: vivência de incapacidade para sentir emoções, experimentada de forma muito penosa pelo
paciente. É percebido pelo doente. Sente-se pesaroso de não conseguir sentir.

Anedonia: Incapacidade total ou parcial de obter e sentir prazer com determinadas atividades e experiências de vida.

Indiferença afetiva: frieza afetiva incompreensível diante dos sintomas que o paciente apresenta, uma frieza e uma indiferença
que parecem indicar que no fundo o paciente sabe que seus sintomas são psicogênicos e potencialmente reversíveis.

Labilidade afetiva: ocorrem mudanças súbitas e imotivadas de humor, sentimentos ou emoções. O indivíduo oscila de forma
abrupta, rápida e inesperada de um estado afetivo para outro.

Incontinência afetiva: Paciente não consegue controlar suas emoções.

Ambivalência afetiva: sentimentos opostos a um mesmo estímulo ou objeto, sentimentos que ocorrem de modo absolutamente
simultâneo.

Neotimia: designação para sentimentos e experiências afetivas inteiramente novos vivenciados por pacientes em estado psicótico.

Medo: estado de progressiva insegurança e angústia, de impotência e invalidez crescentes, ante a impressão iminente de que
sucederá algo que o indivíduo quer evitar.

Fobias: são medos determinados psicopatologicamente, desproporcionais e incompatíveis com as possibilidades de perigo real
oferecidas pelos desencadeantes, chamados de objetos ou situações fobígenas.

Fobia simples: medo intenso e desproporcional de determinados objetos, geralmente pequenos animais.
Fobia social: medo de contato e interação social, principalmente com pessoas pouco familiares ao indivíduo e em situações nas
quais o paciente possa se sentir examinado ou criticado por tais pessoas.

Agorafobia: medo de espaços amplos e de aglomerações.

Claustrofobia: medo de entrar em espaços fechados.

Semiotécnica: Avaliar humor ansioso, irritado, triste, apático, hipertímico (alegre), emoções e sentimentos.

PSICOMOTRICIDADE
Agitação psicomotora: Aceleração e exaltação de toda atividade motora. Comumente, associa-se à hostilidade e à
heteroagressividade.

Inquietação psicomotora (acatisia): “Parece que tem formigas pelo corpo” Não para, há certo aumento da atividade motora
relacionado a ansiedade.

Lentificação psicomotora: Toda a movimentação voluntária torna-se lenta, “pesada”.

Estupor: Preservação da consciência, perda de toda atividade espontânea. Fica restrito ao leito, acordado, porém sem reagir.
Suas reações estão como que congeladas. Hipertônico e hipotônico.

Catalepsia: Acentuado exagero do tônus postural, com grande redução da mobilidade passiva dos vários segmentos corporais e
hipertonia muscular global.

Flexibilidade cerácea: O indivíduo, ou parte do seu corpo, fica como que congelado, ele fica na posição que o examinador
colocar, mesmo que desconfortável.

Cataplexia: Perda abrupta do tônus, paciente cai no chão.

Estereotipia motora: Repetições automáticas e uniformes de determinado ato motor, indicando, geralmente, perda do controle
voluntário sobre a esfera motora.

Maneirismo: É uma estereotipia com movimentos bizarros.

Ecopraxia: repete movimentos ou imita gestos que vê.

Tiques: Atos coordenados, voluntários ou involuntários, repetitivos, resultante de contrações súbitas e breves.

Ambitendência: Vacila na tomada de decisão. Falar com alguém ou abrir porta.

Conversão: Surgimento abrupto de sintomas físicos (paralisias, anestesia, cegueira) de origem psicogênica. Decorre de situação
estressante, ameaça ou conflito intrapsíquico.

Abasia: Impossibilidade da marcha

Apraxia: Impossibilidade ou dificuldade de realizar atos intencionais, gestos complexos, voluntários e conscientes sem que haja
paralisias, paresias e sem que falte entendimento na execução da ordem.

Apragmatismo: Dificuldade ou incapacidade de realizar condutas volitivas e psicomotoras como cuidar da higiene pessoal,
limpar o quarto. Geralmente, está associado a hipobulia, apatia e desorganização psíquica).

Semiotécnica: Avaliar pragmatismo. Como tem feito as coisas em casa? Tem executado seus tarefas?

VONTADE
Hipobulia/abulia: Indivíduo refere que não tem vontade de fazer nada, sente-se muito desanimado, sem forças, sem pique.

Impulso (egossintônica: não evita a vontade, nem tenta adiar/ desconsidera o desejo dos outros/ sem fase de processo volitivo)

Compulsão (egodistônico: sente-se desconfortável, contrário aos valores/ há alívio ao realizar o desejo, sente-se mal depois,
algum tempo depois volta a vontade/ associado a uma ideia obsessiva).

Automutilação: impulso ou compulsão seguido de comportamento de autolesão voluntária.


Frangofilia: Impulso de destruir objetos que circundam o indivíduo.

Piromania: Impulso de atear fogo em objetos, prédios..

Dipsomania: Impulso ou compulsão periódica para ingerir grandes quantidades de álcool.

Bulimia: Impulso irresistível de ingerir rapidamente um alimento como “ataque à geladeira”.

Potomania: Compulsão de beber água ou outros líquidos sem que haja sede exagerada.

Fetichismo: Impulso e o desejo sexual concentrado em partes da vestimenta ou do corpo da pessoa desejada.

Exibicionismo: Impulso de mostrar os órgãos genitais

Voyeurismo: Impulso de obter prazer ao ver pessoas nuas ou observação de relação sexual.

Poriomania: Impulso e compulsão de “desaparecer de casa”, “ganhar o mundo”.

Cleptomania: roubo patológico

Mutismo: Negativismo verbal

SENSOPERCEPCAO
Sensação: fenômeno elementar gerado por estímulos físicos, químicos ou biológicos variados, originados dentro ou fora do
organismo.

Percepção: a tomada de consciência, pelo indivíduo, do estímulo sensorial. Diz respeito à dimensão propriamente
neuropsicológica do processo. Tomada de conhecimento sensorial de objetos ou de fatos exteriores mais ou menos complexos.

Imagem representativa ou mnêmica se caracteriza por ser apenas uma revivescência de uma imagem sensorial determinada, sem
que esteja presente o objeto original que a produziu.

Imaginação é uma atividade psíquica, geralmente voluntária, que consiste na evocação de imagens percebidas no passado ou na
criação de novas imagens.

Fantasia é uma produção imaginativa, produto minimamente organizado da imaginação. Pode ser consciente ou inconsciente e
se origina de desejos, tremores e conflitos.

Hiperestesia: condição na qual as percepções encontram-se anormalmente aumentadas em sua duração ou intensidade.

Hiperpatia: quando uma sensação desagradável é produzida por um leve estímulo da pele. Ocorre tipicamente em síndromes
talâmicas.

Hipoestesia: no sentido psicopatológico, é observada em alguns pacientes depressivos, nos quais o mundo circundante é
percebido como mais escuro; as cores tornam-se mais pálidas e sem brilho; os alimentos não têm mais sabor; e os odores perdem
sua intensidade.

Parestesias: sensações táteis desagradáveis, em geral espontâneas, descritas pelos pacientes como formigamento,
adormecimento, picadas, agulhadas etc.

Disestesias táteis: são sensações anômalas, em geral dolorosas, desencadeadas por estímulos externos. Ao estimular a pele do
paciente com calor ele sente frio, por exemplo.

Ilusão: se caracteriza pela percepção deformada, alterada, de um objeto real e presente.

Alucinação: percepção de um objeto, sem que este esteja presente, sem o estímulo sensorial respectivo.

Alucinações auditivas simples: são aquelas que se ouvem apenas ruídos primários.

Tinnitus: corresponde à sensação subjetiva de ouvir ruídos, tais como zumbidos, burburinhos, cliques etc.

Alucinação audioverbal: paciente escuta vozes sem qualquer estímulo real. São vozes que geralmente o ameaçam ou insultam.

Sonorização do pensamento: é experimentada como a vivência sensorial de ouvir o pensamento, no momento que está sendo
pensado ou de forma repetida, logo após ter sido pensado (como eco do pensamento).
Publicação do pensamento: paciente tem a nítida sensação de que as pessoas ouvem o que ele pensa no exato momento em que
está pensando.

Alucinações musicais: audição de tons musicais, ritmos, harmonias e melodias sem o correspondente estímulo auditivo externo.

Alucinações visuais: visões nítidas que o paciente experimenta, sem a presença de estímulos visuais. As alucinações visuais
simples são denominadas fotopsias (indivíduo vê cores, bolas e pontos). As complexas incluem figuras e imagens de pessoas, de
partes do corpo, de entidades, de objetos inanimados, animais ou crianças.

Alucinação liliputiana: indivíduo vê cenas com personagens diminutos, minúsculos, entre os objetos e pessoas reais de sua casa.

Alucinações táteis: paciente sente espetadas, choques ou insetos ou pequenos animais correndo sobre sua pele.

Alucinações olfativas: manifestam-se como o “sentir” o odor de coisas podre, de cadáver, de fezes, de pano queimado, etc.

Alucinações cenestésicas: sensações como sentir o cérebro encolhendo ou fígado despedaçando.

Alucinações cinestésicas: (Cine ma – vê seu próprio corpo) vivenciadas pelo paciente como sensações alteradas de movimentos
do corpo, como sentir o corpo afundando, as penas encolhendo ou um braço se elevando.

Alucinações funcionais: desencadeadas por estímulos sensoriais reais. Ex: quando abre o chuveiro ou torneira da pia, começam
a ouvir vozes.

Alucinações combinadas: são experiências alucinatórias nas quais ocorrem alucinações de várias modalidades sensoriais (auditiva,
visual etc).

Alucinações extracampinas: quando o indivíduo vê uma imagem às suas costas ou atrás de uma parede.

Alucinação autoscópica: indivíduo enxerga a si mesmo, vê o seu corpo, como se estivesse fora dele, contemplando-o.

Alucinações hipnagógicas: são auditivas, visuais ou táteis, relacionadas à transição sono-vigília. Acontecem quando o indivíduo
está adormecendo.

Alucinações hipnopômpicas: ocorrem na fase em que o indivíduo está despertando.

Estranheza do mundo percebido: o mundo é percebido alterado, bizarro, difícil de definir.

Alucinose: fenômeno pelo qual o paciente percebe tal alucinação como estranha à sua pessoa. Embora o doente veja a imagem
ou ouça a voz ou ruído, falta a crença que comumente o alucinado tem em sua alucinação.

Alucinose peduncular: experiência alucinatória, em geral visual, tipicamente vívida e brilhante, incluindo cenas, pessoas, animais
e figuras geométricas. Ocorre mais comumente no final do dia, juntamente com obnubilação da consciência.

Alucinose auditiva: é mais comum em indivíduos com dependência alcoólica e consiste tipicamente em vozes que falam do
paciente na terceira pessoa.

Pseudo-alucinação: fenômeno que, embora pareça com alucinação, dela se afasta por não apresentar os aspectos vivos e
corpóreos de uma imagem perceptiva real. Apresenta mais as características de uma imagem representativa.

Alucinação negativa (ou cegueira histérica ou escotomização parcial): ausência de visão de objetos reais, presentes no campo
visual do paciente. Paciente abole por meio de um processo inconsciente uma imagem do seu campo perceptivo.

Semiotécnica: Avalia percepção visual, auditiva, olfativa, tátil, gustativa, cinestésica, cenestésicas.

PENSAMENTO

JUÍZO DE REALIDADE (DELÍRIOS)


SÍNDROMES
ANSIOSAS

1. Ansiedade generalizada (ansiedade


permanente e constante).
 Síndromes ansiosas
2. Crises de ansiedade ou crise do
pânico (ansiedade intermitente e
abrupta)
1. Ansiedade generalizada
 Sintomas ansiosos excessivos por pelo menos 6 meses.
Sintomas gerais: angustiada, tensa, preocupada, nervoso ou irritada, insônia, dificuldade em relaxar, dificuldade em
concentrar-se.
Sintomas físicos: cefaleia, dores musculares, dores ou queimação no estômago, taquicardia, tontura, formigamento e
sudorese fria. Popular= gastura, cabeça ruim.

 Além dos sintomas e da duração de pelo menos 6 meses, é necessário saber se os sintomas ansiosos causam
sofrimento clinicamente significativo e se prejudicam a vida social e ocupacional.

2. Crises de ansiedade ou crise de pânico


 Crises de início abrupto, geralmente, não ultrapassam 1 hora, atingem o pico dos sintomas em 5 a 10
minutos após o início da crise.
 Sintomas característicos de descarga autonômica: taquicardia, sudorese fria, tremores, desconforto
respiratório ou sensação de asfixia, náuseas, formigamento em membros ou lábios.
 Fatores desencadeantes: aglomeramento humano, ficar “preso” no trânsito, supermercados com muita
gente, shopping, situações de ameaça.
 Outras alterações: despersonalização (estranhar a si mesmo, cabeça leve, sensação de perda de controle,
corpo fica estranho) / desrealização (sensação de que o ambiente, antes familiar, parece agora estranho,
diferente).

Crises recorrentes

Medo de ter novas crises, preocupação sobre as consequências


de uma nova crise (infarto, enlouquecer)

Acompanhado de sofrimento significativo.


TRANSTORNO DE PÂNICO

3. Síndrome mista de ansiedade e depressão


 Concomitância de sintomas ansiosos e depressivos que não são graves o suficiente para serem enquadrados
em uma síndrome apenas ansiosa ou apenas depressiva.
4. Síndrome ansiosa de causa orgânica
 Configuram-se os casos de ansiedade (generalizada ou em crises) decorrente de uma doença orgânica (ex.
hipertireoidismo), condição orgânica (em uso de medicamento, ex. corticoide) e de base orgânica (TPM).

PSICÓTICAS
Paranoide

1. Esquizofrenia Catatônica

Hebefrênica

Síndromes psicóticas 2. Transtorno delirante (paranoia)

3. Esquizofrenia tardia (parafrenia)

4. Psicoses psicoativas

Considerações iniciais: Síndromes psicóticas caracterizam-se por sintomas típicos como alucinações, delírios,
pensamento desorganizado, comportamento claramente bizarro (falas e risos imotivados). Alguns autores definem
como a perda de contato com a realidade, o paciente passaria a viver fora da realidade, viveria sob a égide do prazer
e narcisismo.

1. Esquizofrenia: Classificação em paranoide, catatônica, hebefrênica data do sec. XX (mas é a mesma


apresentada na aula do professor, há uma classificação mais atual em síndrome negativa ou deficitária,
síndrome positiva ou produtiva e síndrome desorganizada – que corresponde a hebefrênica).
 Paranoide (Semelhante a síndrome positiva): Alucinações, ilusões, ideias delirantes principalmente
persecutórias, atos impulsivos, agressividade. “Quadro florido da esquizofrenia”
 Catatônica (Semelhante a síndrome negativa): Hipocinesia, estupor, bradilalia, mutismo, rigidez,
flexibilidade cerácea (permanece na postura em que foi colocado), postura inadequada, maneirismos
(modo bizarro de executar tarefas: pegar em uma colher...), obediência automática, perseveração de
frases ou palavras, diminui vontade, negligência quanto a si mesmo.
 Síndrome hebefrênica ou desorganizada: Pensamento e comportamento progressivamente
desorganizado, afeto inadequado, ambivalente, estado pueril (reage globalmente de forma infantil:
boboca).

2. Transtorno delirante (paranoia): Delírio geralmente organizado e sistematizado (histórias ricas, típico
delírio inteligente) cristalizado em um domínio da personalidade, sem comprometer todo o resto.
3. Parafrenia ou esquizofrenia tardia: Semelhante a paranoia, mas acomete indivíduos mais tardiamente,
cerca de 45 ou 50 anos de idade, há certa preservação da personalidade do doente.
4. Psicose psicoativa: Quadros de surgimento agudo, com remissão rápida, que não causam “sequelas” ou
deterioração da personalidade. 50% surgem após traumas psíquicos (assaltos, sequestros). Nesses casos,
predominam sintomas floridos, podendo-se se confundir com transtorno de estresse pós-traumático.

DEPRESSIVAS
Sintomas: afetivos (irritabilidade, choro fácil, aborrecimento, tristeza); instintivos e neurovegetativos (anedonia,
fadiga, desânimo, insônia ou hipersomnia, perda ou aumento do apetite, diminuição do libido); ideativos (morte,
arrependimento, pessimismo); cognitivos (diminuição da atenção, concentração, memória, tomar decisões,
pseudodemência); relativos a autovaloração (auto-estima diminuída, insuficiência, vergonha); volição e
psicomotricidade (estupor, mutismo, tendência a permanecer na cama, negativismo (não quer comer nem ver
ninguém); psicóticos (ideias delirantes, alucinações, ilusões auditivas, ideia paranoide) orgânicos (inversão
cronobiológica do sono, ausência de resposta ao teste de supressão do cortisol, redução do volume do hipocampo e
ventrículos alargados, alterações vasculares).

Subtipos da síndrome depressiva

1) Episódio ou fase depressiva e transtorno depressivo recorrente: sintomas depressivos por pelo menos 2
semanas e não mais que por 2 anos de forma ininterrupta. Dura de 3 a 12 meses. Pode ser leve, moderado
ou grave. Quando mais de 1 episódio sem intercalação de um episódio maníaco, fala-se em transtorno
depressivo recorrente.
2) Distimia: Depressão crônica de intensidade leve, muito duradoura. Os sintomas depressivos devem estar
presentes de forma ininterrupta por, pelo menos, 2 anos.
3) Depressão atípica: Sintomas de intensidade leve a grave, em transtorno unipolar ou bipolar. Apresenta-se
com sintomas depressivos gerais acompanhado de sintomas atípicos como aumento do apetite,
hipersomnia, sensação do corpo pesado (paralisia plúmbea), sensibilidade exacerbada (qualquer coisa se
sente rejeitada), reatividade do humor aumentada (melhora com eventos positivos e piora com negativos),
fobias e aspecto histriônico (teatralidade, afetação).
4) Depressão melancólica: Lentificação psicomotora, anedonia, alterações do sono e do apetite (sintomas
gerais). Piora dos sintomas na manhã e melhora durante a tarde e a noite e acompanha ideias de culpa.
5) Depressão psicótica: Depressão mais sintomas psicóticos, como delírio de ruína e de culpa, delírios
hipocondríacos ou de negações de órgãos ou alucinações com conteúdos depressivos. Podem ser
classificados os sintomas de acordo com seu conteúdo positivo ou negativo (humor-congruentes/negativos e
humor-incongruentes/positivos).
6) Estupor depressivo: Estado de catalepsia, dias na cama imóvel, negativismo em relação ao ambiente,
mutismo, urinando e defecando no leito. O paciente pode ter complicações como pneumonias,
desequilíbrio hidroeletrolítico e insuficiência pré-renal.
7) Depressão agitada ou ansiosa: Depressão mais ansiedade e inquietação psicomotora. Paciente queixa-se de
angústia, insone, irritado, não para quieto, desespero. Candidato ao suicídio.
8) Depressão secundária ou orgânica: Associada a alguma doença. Hiper ou Hipotireoidismo, lúpus, Parkinson,
AVCs, etc

MANÍACAS
Sintomas:

- Euforia, elação, taquipsiquismo, agitação psicomotora, exaltação, loquacidade ou logorreia e pensamento acelerado, aumento
da auto-estima, insônia, pressão para falar, distraibilidade, irritabilidade, arrogância, heteroagressividade, desinibição social e
sexual, tendência exagerada a comprar objetos ou a dar seus pertences indiscriminadamente, ideias de grandeza, de poder, de
importância social.
Subtipos de síndromes maníacas:

- Mania franca ou grave: forma mais intensa da mania, com mto taquipsiquismo, agitação psicomotora, fuga de ideias e delírio de
grandeza.

- Mania irritada ou disfórica: predomina a irritabilidade, o mau humor, a hostilidade em relação às pessoas, podendo ocorrer
heteroagressividade e destruição de objetos.

- Mania mista: há sintomas de maníacos e depressivos (culpa desânimo, tristeza, ideias de suicídio etc) ao mesmo tempo ou
alternando rapidamente.

- Hipomania: forma atenuada de episódio maníaco. Indivíduo mais disposto que o normal, fala muito, conta piadas. Indivíduo e
seu meio não são tão prejudicados.

- Ciclotimia: pacientes apresentam períodos de poucos e leves sintomas depressivos seguidos de certa elação e discreta elevação
do humor.

- Mania com sintomas psicóticos: episódio maníaco grave com sintomas psicóticos, tais como delírio de grandeza ou poder, delírios
místicos.

Subtipos de transtorno bipolar:

- Transtorno bipolar tipo 1: episódios depressivos leves a graves, intercalados com fases de normalidade e fases maníacas bem-
caracterizadas.

- Transtorno bipolar tipo 2: episódios depressivos leves a graves, intercalados com períodos de normalidade e seguidos de fases
hipomaníacas.

- Transtorno afetivo bipolar, tipo “ciclador” rápido: muitas fases depressivas, maníacas, hipomaníacas ou mistas em curto período.
Paciente apresenta nos últimos 12 meses pelo menos 4 episódios bem caracterizados e distintos de mania e/ou depressão.

NEURÓTICAS
(fobias, quadros obsessivo-compulsivos, histeria, somatizações).

Segundo Van Den Berg, a neurose é uma perturbação nas relações com outrem, sem que, para explicá-la, se possa apelar
exclusivamente a defeitos corporais, doenças corporais, psicoses, falhas constitucionais ou anomalias de caráter. Para Henri Ey,
as neuroses são transtornos caracterizados por conflitos intrapsíquicos que inibem e perturbam as condutas sociais. As neuroses
produzem antes uma perturbação do equilíbrio interior do sujeito neurótico que uma mudança em seu sistema de realidade. São
dificuldades e conflitos intrapsíquicos e interpessoais que mantêm o sofrimento, a frustração, a angústia, o empobrecimento e a
inadequação tanto do Eu como das relações interpessoais. As principais síndromes são: fóbicas, obsessivo-compulsivas, histéricas,
hipocondríacas e neurastênicas.

Quadros fóbicos: medos intensos e irracionais, por situações, objetos ou animais que não oferecem ao indivíduo perigo real e
proporcional à intensidade de tal medo.

- Agorafobia: medo e angústia relacionados a espaços amplos ou com muitas pessoas, à possibilidade de ser difícil de escapar. Há
tendência de evitar situações como congestionamento, viajar de ônibus ou avião.

- Fobia simples ou específica: medo intenso, persistente, desproporcional e irracional (pode ser por barata, sapo, cobra), medo de
ver objetos como seringas, sangue etc. A exposição ao objeto fobígeno geralmente deflagra crise de angústia.

- Fobia social: medo intenso e persistente de situações sociais que envolvam expor-se ao contato interpessoal, demonstrar certo
desempenho ou situações competitivas e de cobrança.

Síndromes obsessivo-compulsivas: caracterizam-se por ideias, fantasias e imagens obsessivas e por atos, rituais ou
comportamentos compulsivos. Esses quadros são vividos como uma pressão, como algo que o obriga e submete. Dividem-se em
dois subgrupos básicos: aquelas nas quais predominam as ideias obsessivas e aquelas que predominam comportamentos
compulsivos.

- Síndromes obsessivas: caracterizam-se por ideias, pensamentos, fantasias ou imagens persistentes, que surgem de forma
recorrente na consciência; são vivenciadas com angústia e como algo que “invade” a consciência. O indivíduo reconhece o caráter
absurdo dos pensamentos, tentando neutralizá-los.
- Síndromes compulsivas: predominam comportamentos e rituais repetitivos, como lavar as mãos, tomar muitos banhos, verificar
se as portas estão trancadas etc. Outras razões para os atos e rituais compulsivos são pensamentos mágicos que vinculam a
realização do ato compulsivo com o afastamento de algum evento temível ou indesejado.

Quadros histéricos: caracterizam-se por apresentar manifestações clínicas tanto referentes ao corpo como à mente e ao
comportamento. Ocorrem alterações sensoriais e motoras (corpo), relacionadas à consciência vigil, memória e percepções (mente)
e o comportamento é dramático, teatral, infantil, sedutor e manipulativo. Os indivíduos histéricos vivem em um contexto de
inautenticidade no contato interpessoal; suas relações soam falsas, eles parecem que representam nos relacionamentos.

- Histeria de conversão: paciente apresenta paralisias histéricas, anestesias e analgesias histéricas, cegueira histérica, perturbações
histéricas no andar e no ficar de pé. Pacientes reagem com indiferença exemplar aos sintomas aparentemente muito graves.

- Histeria dissociativa: podem ocorrer alterações da consciência com pseudocrises semelhantes às crises epilépticas. Ocorrem
crises histérico-dissociativas, com rebaixamento e afunilamento da consciência (estado crepuscular histérico). Também são
consideradas histeria de dissociação as amnésias histéricas, onde o indivíduo esquece elementos seletivos e significativos do ponto
de vista psicológico. Podem ocorrer ilusões e pseudoalucinações.

Síndromes Hipocondríacas e somatização:

- Hipocondríacos: predominam os temores e as preocupações intensas com a ideia de ter uma doença grave. Embora haja uma
preocupação enorme com a possibilidade de sofrer de tais doenças, essas preocupações não possuem caráter delirante. Indivíduo
procura bastante serviço médico, embora não tenha a doença.

- A somatização se refere ao processo pelo qual o indivíduo usa (consciente ou inconscientemente) seus sintomas para fins
psicológicos ou para obter ganhos pessoais. Pode ocorrer na presença de doença física demonstrável, assim como na ausência de
qualquer patologia física. Podem ser situacionais e transitórios, ou estáveis, passando a ser estilo ou modo de conduzir a vida.

- Alexitimia dificuldade de identificar sentimentos e diferenciá-los de sensações corporais. Parece ser mais comum em certos
grupos sociais e culturais e possivelmente se associa a certos traços de personalidade.

Síndromes Neurastênicas: tendência a ser substituída pelo conceito da fadiga crônica. Caracteriza-se pela fadiga fácil depois de
esforço físico ou mental, dores musculares, dificuldade em relaxar, irritabilidade, dificuldade em concentrar-se, tonturas, cefaleias
etc. Esses sintomas estão associados a estresses emocionais e sociais dos mais variados, não sendo sempre adequado reduzi-los à
categoria de somatização ou transtorno psicossomático.