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RESUMO

DE DIREITO
PROCESSUAL CIVIL

2012
2

SUMÁRIO

1. JURISDIÇÃO...................................................................................................................................... 33

1.1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO ........................................................................................... 33


1.1.1. Conceito ................................................................................................................................... 33
1.1.1.1. Dinossauros da Jurisdição: Chiovenda e Carnelutti .......................................................................... 33
1.1.1.2. Teorias Modernas da Jurisdição ....................................................................................................... 34
1.1.2. Heterocomposição ................................................................................................................... 35
1.1.3. Jurisdição como Atividade Criativa .......................................................................................... 35
1.1.4. A Jurisdição Sempre Atua em uma Situação Concreta ............................................................ 36
1.1.5. Impossibilidade de Controle Externo ....................................................................................... 36
1.1.6. Escopos ou Finalidades da Jurisdição ....................................................................................... 36
1.2. EQUIVALENTES JURISDICIONAIS ............................................................................................................... 37
1.2.1. Autotutela ................................................................................................................................ 37
1.2.2. Autocomposição ...................................................................................................................... 38
1.2.2.1. Transação com o Poder Público ........................................................................................................ 38
1.2.3. Mediação ................................................................................................................................. 40
1.2.4. Arbitragem ............................................................................................................................... 40
1.2.4.1. Arbitragem e Poder Público .............................................................................................................. 44
1.2.5. Conciliação ............................................................................................................................... 47
1.2.6. Equivalentes Jurisdicionais – Tabela Síntese ............................................................................ 50
1.3. PRINCÍPIOS DA JURISDIÇÃO..................................................................................................................... 50
1.4. CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO ............................................................................................................ 52
1.5. ESPÉCIES DE JURISDIÇÃO ........................................................................................................................ 53
1.6. JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA OU INTEGRATIVA ............................................................................................... 53
1.6.1. Princípios .................................................................................................................................. 54
1.6.2. Natureza Jurídica ..................................................................................................................... 54
1.6.3. Características ......................................................................................................................... 55
1.7. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ..................................................................................................................... 55

2. COMPETÊNCIA ................................................................................................................................. 56

2.1. CONCEITO ........................................................................................................................................... 56


2.1.1. Fases da Determinação da Competência ................................................................................. 57
2.2. PRINCÍPIOS DA TIPICIDADE E DA INDISPONIBILIDADE DA COMPETÊNCIA ........................................................... 59
2.3. A PERPETUAÇÃO DA JURISDIÇÃO (ART. 87, CPC) ....................................................................................... 60
2.3.1. Exceções à Perpetuação da Jurisdição ..................................................................................... 61
2.4. COMPETÊNCIA POR DISTRIBUIÇÃO (ARTS. 251 E 252) ................................................................................. 61
2.5. CLASSIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 62
2.5.1. Competência do Foro (Territorial) e Competência do Juízo ..................................................... 62
2.5.2. Competência Originária e Derivada ......................................................................................... 62
2.5.3. Competência Relativa e Absoluta ............................................................................................ 63
2.5.3.1. Especificidades da Incompetência Relativa ...................................................................................... 64
2.5.3.2. Especificidades da Incompetência Absoluta ..................................................................................... 65
2.5.4. Síntese dos Pontos Vistos Anteriores ....................................................................................... 65
2.5.5. Competência Limitada e Competência Delimitada .................................................................. 66
2.6. COMPETÊNCIA INTERNACIONAL ............................................................................................................... 67
2.6.1. Introdução................................................................................................................................ 67
2.6.1.1. Competência Internacional Concorrente ou Cumulativa (art. 88, CPC) ................................ 67
2.6.1.2. Competência Internacional Exclusiva (art. 89, CPC) ......................................................................... 68
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2.6.1.3. Litispendência Internacional ............................................................................................................. 68


2.7. MÉTODO DE IDENTIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA .......................................................................................... 68
2.8. CRITÉRIOS DETERMINATIVOS DE DISTRIBUIÇÃO DA COMPETÊNCIA ................................................................. 69
2.8.1. A Competência Territorial (arts. 94 a 100, CPC) ...................................................................... 69
2.8.1.1. O Foro Comum, Geral ou Ordinário (art. 94, CPC) ............................................................................ 69
2.8.1.2. Direitos Reais Imobiliários (art. 95, CPC) .......................................................................................... 70
2.8.1.3. Ações Afetas às Sucessões ................................................................................................................ 71
2.8.1.4. Réu Ausente...................................................................................................................................... 71
2.8.1.5. Réu Incapaz ....................................................................................................................................... 71
2.8.1.6. União ................................................................................................................................................ 71
2.8.1.7. Competência por Delegação (art. 109, § 3º, CR/88) ......................................................................... 72
2.8.1.8. Separação, Conversão em Divórcio e Anulação de Casamento (art. 100, I) ..................................... 74
2.8.1.9. Ações de Alimentos (art. 100, II, CPC) .............................................................................................. 75
2.8.1.10. Outras Regras ................................................................................................................................. 75
2.8.1.11. Seções e Subseções Judiciárias ....................................................................................................... 76
2.9. COMPETÊNCIA FUNCIONAL..................................................................................................................... 77
2.9.1. Competência Funcional X Competência Territorial Absoluta ................................................... 78
2.9.2. O Princípio da Identidade Física do Juiz ................................................................................... 78
2.10. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA .................................................................................................. 79
2.10.1. Varas Especializadas: Competência Absoluta em Razão da Matéria .................................... 79
2.11. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA PESSOA .................................................................................................... 80
2.12. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO VALOR DA CAUSA....................................................................................... 80
2.12.1. Juizados Especiais Cíveis Estaduais – Lei nº 9.099/95............................................................ 80
2.12.2. Juizados Especiais Cíveis Federais – Lei nº 10.259/01 ........................................................... 81
2.12.2.1. Juizados Especiais Federais Adjuntos ............................................................................................. 82
2.13. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL....................................................................................................... 82
2.13.1. Características ....................................................................................................................... 82
2.13.2. Competência em Razão da Pessoa ........................................................................................ 83
2.13.2.1. Art. 109, I ........................................................................................................................................ 83
2.13.2.1.1. Exceções: Falência, Acidentes de Trabalho e Causas Sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do
Trabalho .................................................................................................................................................... 87
2.13.2.2. Art. 109, II ....................................................................................................................................... 87
2.13.2.3. Art. 109, VIII .................................................................................................................................... 88
2.13.3. Competência Funcional .......................................................................................................... 90
2.13.3.1. Art. 109, X, segunda parte .............................................................................................................. 90
2.13.4. Competência em Razão da Matéria....................................................................................... 91
2.13.4.1. Art. 109, III ...................................................................................................................................... 91
2.13.4.2. Art. 109, V-A ................................................................................................................................... 93
2.13.4.3. Art. 109, XI ...................................................................................................................................... 95
2.13.4.4. Art. 109, X, parte final ..................................................................................................................... 97
2.13.5. Competência Territorial da Justiça Federal ............................................................................ 98
2.13.5.1. A Competência Relativa das Subseções Judiciárias ...................................................................... 101
2.13.6. Juízo Estadual com Competência Federal ............................................................................ 104
2.13.6.1. Competência Delegada Prevista em Lei (Lei nº 5.010/66) ............................................................ 108
2.13.6.2. Conflitos em Sede Federal ............................................................................................................ 111
2.14. PRORROGAÇÃO OU MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA.............................................................................. 112
2.14.1. Conceito ............................................................................................................................... 112
2.14.2. Prorrogação Legal ................................................................................................................ 112
2.14.2.1. Conexão e Continência ................................................................................................................. 112
2.14.2.1.1. Conceito ................................................................................................................................ 112
2.14.2.1.2. Objetivos ............................................................................................................................... 116

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2.14.2.1.3. Obrigatoriedade ou Facultatividade? ................................................................................... 116


2.14.2.1.4. Competência na Conexão ..................................................................................................... 117
2.14.2.1.5. Distinção entre Alegação de Modificação de Competência e Alegação de Incompetência
Relativa ................................................................................................................................................... 119
2.14.2.2. Ausência de Ingresso pelo Réu de Exceção Declinatória de Foro ................................................. 119
2.14.3. Prorrogação Voluntária ....................................................................................................... 120
2.14.3.1. Eleição de Foro ............................................................................................................................. 120
2.14.3.2. Vontade Unilateral do Autor ........................................................................................................ 120
2.15. PREVENÇÃO .................................................................................................................................... 120
2.16. CONFLITO DE COMPETÊNCIA............................................................................................................... 121
2.16.1. Legitimidade e Participação do MP ..................................................................................... 122
2.16.2. Competência para Julgar o Conflito ..................................................................................... 123
2.16.3. Procedimento ....................................................................................................................... 123
2.17. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 123

3. PROCESSO ...................................................................................................................................... 129

3.1. TEORIAS DO PROCESSO........................................................................................................................ 129


3.1. PROCESSO X PROCEDIMENTO ............................................................................................................... 132
3.2. RELAÇÃO JURÍDICA PROCESSUAL ........................................................................................................... 134
3.2.1. Composição ............................................................................................................................ 134
3.2.2. Características ....................................................................................................................... 134
3.2.3. O Processo Como Aparato da Democracia ............................................................................ 134
3.3. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS ............................................................................................................... 135
3.3.1. Pressupostos de Existência e Requisitos de Validade ............................................................ 135
3.3.1.1. Pressupostos de Existência ............................................................................................................. 136
3.3.1.2. Requisitos de Validade.................................................................................................................... 137
3.3.2. Pressupostos Objetivos e Subjetivos ...................................................................................... 139
3.3.2.1. Pressupostos Subjetivos ................................................................................................................. 139
3.3.2.2. Pressupostos Objetivos Extrínsecos e Intrínsecos .......................................................................... 139
3.3.2.3.Pressupostos Processuais – Tabelas Síntese .................................................................................... 140
3.4. PRINCÍPIOS PROCESSUAIS..................................................................................................................... 140
3.4.1. Devido Processo Legal............................................................................................................ 140
3.4.2. Contraditório .......................................................................................................................... 142
3.4.3. Princípios Dispositivos e Inquisitivos ...................................................................................... 143
3.4.4. Motivação das Decisões......................................................................................................... 143
3.4.5. Isonomia ................................................................................................................................ 144
3.4.6. Economia Processual ............................................................................................................. 144
3.4.7. Instrumentalidade das Formas .............................................................................................. 144
3.4.8. Razoável Duração do Processo .............................................................................................. 144
3.4.8.1. Razoável Duração do Processo X Celeridade .................................................................................. 146
3.4.9. Duplo Grau de Jurisdição ....................................................................................................... 147
3.5. REGRAMENTO PROCESSUAL DAS PESSOAS CASADAS.................................................................................. 149
3.5.1. A Restrição da Capacidade Processual de Acordo com o CC/02 ............................................ 149
3.5.2. Forma e Prova do Consentimento.......................................................................................... 150
3.5.3. Aplicação das Disposições sobre o Consentimento do Cônjuge na União Estável ................. 150
3.5.4. O Controle da Legitimidade Processual do Cônjuge .............................................................. 150
3.6. CURADOR ESPECIAL ............................................................................................................................ 151
3.7. OS SUJEITOS DO PROCESSO .................................................................................................................. 151
3.7.1. Deveres e Direitos das Partes e Procuradores ....................................................................... 152
3.7.1.1. Atos Atentatórios ao Exercício da Jurisdição – Contempt of Court (art. 14, CPC) .......................... 152
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3.7.1.1.1. Contempt of Court X Astreintes .............................................................................................. 155


3.7.1.2. Responsabilidade das Partes por Danos Processuais (arts. 17 e 18, CPC) ...................................... 157
3.7.1.3. Despesas e Custas Processuais ....................................................................................................... 158
3.7.1.4. Advogados ...................................................................................................................................... 160
3.9. O NEOPROCESSUALISMO ..................................................................................................................... 161
3.9.1. Neoprocessualismo (Segundo Didier) .................................................................................... 167
3.10. O NEOPRIVATISMO NO PROCESSO CIVIL ............................................................................................... 168
3.10. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 168

4. AÇÃO ............................................................................................................................................. 174

4.1. TEORIAS DA AÇÃO .............................................................................................................................. 176


4.2. A DEMANDA E A RELAÇÃO JURÍDICA SUBSTANCIAL.................................................................................... 178
4.3. ELEMENTOS DA AÇÃO ......................................................................................................................... 178
4.3.1. Partes ..................................................................................................................................... 178
4.3.2. Pedido .................................................................................................................................... 179
4.3.3. Causa de Pedir ....................................................................................................................... 179
4.4. CONDIÇÕES DE AÇÃO .......................................................................................................................... 180
4.4.1. Momento de Verificação das Condições da Ação – Teoria da Asserção ou Prospecção X Teoria
da Exposição ou Apresentação ........................................................................................................ 180
4.4.2. A Possibilidade Jurídica do Pedido ......................................................................................... 182
4.4.3. Interesse de Agir .................................................................................................................... 183
4.4.4. Legitimidade .......................................................................................................................... 186
4.4.4.1. Classificação das Legitimidades ...................................................................................................... 187
4.4.4.2. Substituição Processual ou Legitimação Extraordinária ................................................................. 187
4.4.4.3. Substituição Processual e Representação Processual .................................................................... 188
4.5. TIPOLOGIA DAS AÇÕES ........................................................................................................................ 188
4.5.1. Ações de Prestação ................................................................................................................ 188
4.5.2. Ações Constitutivas ................................................................................................................ 190
4.5.3. Ações Meramente Declaratórias ........................................................................................... 190
4.5.4. Ações Dúplices ....................................................................................................................... 191
4.6. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................... 191

5. INTERVENÇÕES DE TERCEIROS ....................................................................................................... 192

5.1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................................... 192


5.2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS ................................................................................................................. 194
5.3. EFEITOS NA RELAÇÃO PROCESSUAL ........................................................................................................ 195
5.4. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS E PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS ..................................................................... 195
5.4.1. Intervenções no Processo/Fase de Execução ......................................................................... 196
5.4.2. Intervenções no Processo Cautelar ........................................................................................ 196
5.4.3. Tabela Sintética – Hipóteses de Cabimento da Intervenção de Terceiros.............................. 197
5.5. INTERVENÇÕES TÍPICAS E INTERVENÇÕES ATÍPICAS .................................................................................... 197
5.5.1. A Lei nº 9.469/97 – Intervenção Anômala ............................................................................. 197
5.6. ASSISTÊNCIA (ARTS. 50 A 55, CPC) ....................................................................................................... 200
5.6.1. Conceito ................................................................................................................................. 200
5.6.2. Assistência Simples ou Adesiva .............................................................................................. 201
5.6.2.1. Efeitos da Decisão para o Assistente .............................................................................................. 203
5.6.3. Assistência Litisconsorcial ou Qualificada .............................................................................. 204
5.6.3.1. Qualidade do Assistente Litisconsorcial.......................................................................................... 204
5.6.3.2. Efeitos da Decisão para o Assistente Litisconsorcial ....................................................................... 205

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5.6.4. Procedimento ......................................................................................................................... 205


5.6.4.1. Assistência Litisconsorcial na Ação Popular .................................................................................... 206
5.7. OPOSIÇÃO (ARTS. 56 A 61, CPC) .......................................................................................................... 206
5.7.1. Conceito ................................................................................................................................. 206
5.7.1.1. Diferença entre Oposição e Embargos de Terceiros ....................................................................... 207
5.7.1.2. Demanda Bifronte .......................................................................................................................... 207
5.7.2. Espécies de Oposição ............................................................................................................. 207
5.7.2.1. Oposição Interventiva ..................................................................................................................... 208
5.7.2.2. Oposição Autônoma ....................................................................................................................... 208
5.7.3. Procedimento ......................................................................................................................... 209
5.7.3.1. Recurso Cabível contra Decisão da Oposição ................................................................................. 211
5.7.4. Oposição Sucessiva ................................................................................................................ 211
5.8. NOMEAÇÃO À AUTORIA (ARTS. 62 A 69, CPC) ........................................................................................ 211
5.8.1. Hipóteses de Cabimento ........................................................................................................ 212
5.8.1.1. Nomeação à Autoria pelo Mero Detentor ...................................................................................... 212
5.8.1.2. Nomeação à Autoria pelo Mandatário em Demandas de Reparação de Dano .............................. 212
5.8.1.3. Procedimento ................................................................................................................................. 212
5.9. DENUNCIAÇÃO DA LIDE (ARTS. 70 A 76, CPC) ......................................................................................... 214
5.9.1. Obrigatoriedade da Denunciação .......................................................................................... 215
5.9.2. Situação Processual do Denunciado ...................................................................................... 215
5.9.3. Denunciação Sucessiva .......................................................................................................... 217
5.9.4. Hipóteses de Cabimento ........................................................................................................ 218
5.9.4.1. Denunciação da Lide Feita pelo Comprador Evicto (art. 70, I, CPC e art. 456, CC/02) .................... 218
5.9.4.2. Denunciação da Lide Feita pelo Possuidor Direto (art. 70, II, CPC) ................................................. 218
5.9.4.3. Denunciação do Obrigado, por Lei ou Contrato, a Indenizar Regressivamente (art. 70, III) ........... 219
5.9.5. Procedimento ......................................................................................................................... 220
5.9.5.1. Denunciação Formulada pelo Autor ............................................................................................... 220
5.9.5.2. Denunciação Formulada pelo Réu .................................................................................................. 220
5.9.5.3. Denunciação da Lide nas Relações de Consumo ............................................................................ 221
5.10. CHAMAMENTO AO PROCESSO (ARTS. 77 A 80, CPC) .............................................................................. 222
5.10.1. Hipóteses de Cabimento ...................................................................................................... 222
5.10.2. Procedimento ....................................................................................................................... 224
5.10.3. Chamamento ao Processo no CDC ....................................................................................... 224
5.10.4. Chamamento ao Processo em Cautelares ........................................................................... 224
5.11. RECURSO DE TERCEIRO PREJUDICADO .................................................................................................. 225
5.12. TABELAS SÍNTESE ............................................................................................................................. 228
5.13. OBSERVAÇÕES DE PROVA................................................................................................................... 231

6. LITISCONSÓRCIO ............................................................................................................................ 233

6.1. CONCEITO ......................................................................................................................................... 233


6.2. CLASSIFICAÇÃO .................................................................................................................................. 234
6.2.1. Litisconsórcio Inicial e Ulterior ............................................................................................... 234
6.2.2. Diferenças entre Litisconsórcios Unitário, Simples, Necessário e Facultativo........................ 236
6.2.2.1. Litisconsórcio Unitário .................................................................................................................... 236
6.2.2.2. Litisconsórcio Simples ou Comum .................................................................................................. 238
6.2.2.3. Litisconsórcio Necessário (art. 47) .................................................................................................. 238
6.2.2.4. Litisconsórcio Facultativo ............................................................................................................... 239
6.2.3. Conjugações entre as Várias Tipologias de Litisconsórcios .................................................... 240
6.2.3.1. Litisconsórcio Necessário Ativo ...................................................................................................... 240
6.2.3.2. Litisconsórcio Facultativo Ativo Simples e Unitário ........................................................................ 241

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6.2.3.3. Litisconsórcio Facultativo Unitário ................................................................................................. 242


6.2.3.4. Litisconsórcio Necessário Unitário .................................................................................................. 245
6.2.3.5. Litisconsórcio Necessário Simples .................................................................................................. 246
6.2.3.6. Litisconsórcio Facultativo Simples .................................................................................................. 247
6.2.4. Litisconsórcio Eventual, Alternativo e Sucessivo .................................................................... 248
6.2.5. Litisconsórcio Facultativo Impróprio, Recusável e Multitudinário ......................................... 248
6.3. CONSEQUÊNCIA DA NÃO FORMAÇÃO DO LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO ........................................................ 249
6.4. REGIME DE TRATAMENTO DOS LITISCONSORTES ....................................................................................... 250
6.4.1. Regras .................................................................................................................................... 250
6.5. INTERVENÇÃO IUSSU IUDICIS (ART. 47, P. ÚNICO) ..................................................................................... 252
6.6. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................... 253

7. ALIENAÇÃO DA COISA OU OBJETO LITIGIOSO (ART. 42, CPC) ......................................................... 255

8. TEORIA DOS FATOS JURÍDICOS PROCESSUAIS – PLANO DA EXISTÊNCIA ......................................... 256

8.1. ATO E PROCEDIMENTO ........................................................................................................................ 256


8.2. CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS ................................................................................................. 256
8.2.1. Ônus Processual, Dever Processual, Encargo Processual e Faculdade Processual ................. 257
8.3. CONCEITO DE ATO PROCESSUAL ............................................................................................................ 257
8.3.1. Atos Processuais dos Juízes Delegáveis aos Serventuários: Mero Expediente ....................... 257
8.4. ATO ILÍCITO PROCESSUAL ..................................................................................................................... 258
8.5. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................... 258

9.INVALIDADES PROCESSUAIS ........................................................................................................... 258

9.1. SISTEMA DE INVALIDADES PROCESSUAIS – REGRAS ................................................................................... 258


9.1.1. Sistema de Invalidades Processuais e Sistema de Invalidades do Direito Material ............... 258
9.1.1.1. Natureza Jurídica das Nulidades ..................................................................................................... 259
9.1.1.2. Natureza Jurídica da Decisão que Decreta a Nulidade ................................................................... 259
9.1.2. Os Tipos ou Espécies de Defeitos (ou Vícios) Processuais ...................................................... 259
9.1.3. Não Há Invalidades Sem Prejuízo – Princípios Regentes........................................................ 262
9.1.4. Intervenção do Ministério Público e Invalidade ..................................................................... 264
9.1.5. Princípio do Aproveitamento dos Atos Processuais Defeituosos – Fungibilidade .................. 264
9.1.6. Invalidade do Procedimento e Invalidade de Cada um dos Atos do Procedimento ............... 265
9.1.7. Invalidação de Atos do Juiz, das Partes e dos Auxiliares da Justiça ....................................... 265
9.1.7.1. Atos do Juiz ..................................................................................................................................... 265
9.1.7.2. Atos das Partes ............................................................................................................................... 265
9.1.7.3. Atos dos Auxiliares da Justiça ......................................................................................................... 266
9.1.8. Princípios da Proporcionalidade, da Cooperação e da Economia Processual ........................ 266
9.1.9. Princípio da Lealdade Processual (Venire Contra Factum Proprium) ..................................... 266
9.2. NULIDADES ABSOLUTAS E RELATIVAS ..................................................................................................... 266
9.3. SUPRIMENTO, SANAÇÃO, REPETIÇÃO E CONVALIDAÇÃO DAS NULIDADES....................................................... 267
9.4. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................... 268

10. PRECLUSÃO .................................................................................................................................. 269

10.1. CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................................................ 269


10.1.1. Preclusão Temporal ............................................................................................................. 269
10.1.2. Preclusão Lógica .................................................................................................................. 269
10.1.3. Preclusão Consumativa ........................................................................................................ 269
10.1.4. Preclusão Sanção ou Preclusão Punitiva .............................................................................. 270
10.2. NATUREZA JURÍDICA DA PRECLUSÃO .................................................................................................... 270

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10.3. PRECLUSÃO, PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA .............................................................................................. 270


10.4. EFEITOS DA PRECLUSÃO ..................................................................................................................... 270
10.5. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 270

11. TEORIA DA COGNIÇÃO JUDICIAL E TEORIA GERAL DO PROCEDIMENTO ....................................... 271

11.1. CONCEITO DE COGNIÇÃO ................................................................................................................... 271


11.2. CONCEITO DE QUESTÃO..................................................................................................................... 272
11.3. Resolução das Questões: Resolução Incidenter Tantum e Principaliter Tantum .................... 272
11.4. OBJETO DO PROCESSO E OBJETO LITIGIOSO DO PROCESSO ....................................................................... 273
11.5. OBJETO DA COGNIÇÃO JUDICIAL .......................................................................................................... 274
11.5.1. Questões de Fato e de Direito .............................................................................................. 274
11.5.2. Questões Preliminares e Questões Prejudiciais ................................................................... 275
11.5.3. Condições da Ação, Pressupostos Processuais e Mérito: Questões de Admissibilidade e
Questões de Mérito ......................................................................................................................... 275
11.6. O PROCEDIMENTO (VISÃO GERAL DO PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) .............................................. 275
11.7. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 277

12. PETIÇÃO INICIAL ........................................................................................................................... 277

12.1. REQUISITOS ESTRUTURAIS DA INICIAL NO PROCEDIMENTO ORDINÁRIO ....................................................... 277


12.2. EMENDA DA INICIAL .......................................................................................................................... 279
12.3. INDEFERIMENTO DA INICIAL (ARTS. 295 A 296) ..................................................................................... 279
12.3.1. Hipóteses de Indeferimento da Petição Inicial (art. 295) ..................................................... 281
12.4. O PEDIDO ....................................................................................................................................... 281
12.4.1. Conceito e Divisão ................................................................................................................ 281
12.4.2. Requisitos ............................................................................................................................. 282
12.4.3. Cumulação de Pedidos ......................................................................................................... 282
12.4.3.1. Cumulação Própria: Simples ou Sucessiva .................................................................................... 282
12.4.3.2. Cumulação Imprópria: Subsidiária ou Alternativa ........................................................................ 282
12.4.3.3. Cumulação Inicial e Cumulação Posterior..................................................................................... 284
12.4.3.4. Requisitos para a Cumulação........................................................................................................ 284
12.4.4. Tipologia .............................................................................................................................. 286
12.4.4.1. Pedido Implícito e Interpretação do Pedido ................................................................................. 286
12.4.4.2. Pedido Genérico (art. 286)............................................................................................................ 287
12.5. O VALOR DA CAUSA (ARTS. 258 A 261) ............................................................................................... 287
12.6. PRINCÍPIO DA ESTABILIZAÇÃO DA DEMANDA .......................................................................................... 291
12.7. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 293

13. JULGAMENTO PRELIMINAR DE MÉRITO – A IMPROCEDÊNCIA PRIMA FACIE ................................ 294

13.1. GENERALIDADES............................................................................................................................... 294


13.1.1. Indeferimento Liminar em Razão do Reconhecimento da Prescrição ou Decadência Legal 295
13.1.2. Julgamento de Causas Repetitivas (art. 285-A) ................................................................... 295
13.2. HIPÓTESES DE JULGAMENTO PRIMA FACIE – TABELA REPRESENTATIVA ....................................................... 297
13.3. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 298

14. CITAÇÃO E ATOS PROCESSUAIS .................................................................................................... 298

14.1. GENERALIDADES............................................................................................................................... 298


14.2. CITAÇÃO COMO PRESSUPOSTO PROCESSUAL.......................................................................................... 298
14.2.1. Nulidade da Citação – Não Convalescimento ...................................................................... 300
14.3. COMPARECIMENTO DO RÉU NÃO CITADO ............................................................................................. 302

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14.4. A RECORRIBILIDADE DO “CITE-SE” ....................................................................................................... 302


14.5. PESSOALIDADE (QUEM DEVE SER CITADO) ............................................................................................ 303
14.6. IMPEDIMENTO LEGAL PARA A CITAÇÃO (ART. 217) ................................................................................. 303
14.7. EFEITOS DA CITAÇÃO (ART. 219) ......................................................................................................... 303
14.7.1. Induz Litispendência............................................................................................................. 304
14.7.2. Torna Litigiosa a Coisa ......................................................................................................... 304
14.7.3. Torna Prevento o Juízo ......................................................................................................... 304
14.7.4. Constitui em Mora o Devedor .............................................................................................. 305
14.7.5. Interrompe a Prescrição, ainda que Ordenada por Juiz Incompetente ................................ 305
14.8. MODALIDADES DE CITAÇÃO................................................................................................................ 309
14.8.1. Citação por Correio (art. 222) .............................................................................................. 309
14.8.2. Citação por Mandado (art. 224) .......................................................................................... 311
14.8.3. Citação por Mandado com Hora Certa (arts. 227 a 229) ..................................................... 311
14.8.4. Citação por Edital (art. 231) ................................................................................................. 312
14.8.5. Citação Eletrônica ................................................................................................................ 313
14.9. ATOS PROCESSUAIS .......................................................................................................................... 313
14.9.1. Da Forma dos Atos Processuais (arts. 154 a 171) ................................................................ 313
14.9.2. Do Tempo e do Lugar dos Atos Processuais (arts. 172 a 176) ............................................. 314
14.9.3. Prazos Processuais (arts. 177 a 199) .................................................................................... 316
14.9.3.1. Prazos ........................................................................................................................................... 316
14.9.3.2. Curso dos Prazos ........................................................................................................................... 316
14.9.3.3. Contagem dos Prazos ................................................................................................................... 316
14.9.3.4. Prazos Especiais ............................................................................................................................ 317
14.9.4. Comunicações dos Atos – Cartas Precatórias, Rogatórias e de Ordem ............................... 318
14.9.5. Oficialidade das Informações Insertas em Sites dos Tribunais ............................................ 321
14.10. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................... 322

15. RESPOSTA DO RÉU E REVELIA ....................................................................................................... 324

15.1. TEORIA GERAL DA EXCEÇÃO ............................................................................................................... 325


15.1.1. Acepções de Exceção ........................................................................................................... 325
15.2. ESPÉCIES DE DEFESA ......................................................................................................................... 325
15.2.1. Admissibilidade/Mérito ....................................................................................................... 325
15.2.2. Objeções/Exceções ............................................................................................................... 325
15.2.2.1. Relação entre Questões Prévias e Objeções e Exceções .............................................................. 326
15.2.3. Defesa Indireta e Direta ....................................................................................................... 326
15.2.4. Defesa Interna e Instrumental ............................................................................................. 326
15.2.5. DEFESAS PROCESSUAIS ................................................................................................................... 327
15.2.6. Regras dos Prazos de Resposta ............................................................................................ 327
15.3. A CONTESTAÇÃO .............................................................................................................................. 328
15.3.1. Noção Geral ......................................................................................................................... 328
15.3.2. A Regra da Eventualidade ou Concentração da Defesa ....................................................... 328
15.3.3. Ônus da Impugnação Específica (art. 302) .......................................................................... 330
15.3.4. Formas e Requisitos da Defesa ............................................................................................ 330
15.3.5. Aditamento e Indeferimento da Contestação ...................................................................... 331
15.3.6. Pedido Contraposto em Contestação................................................................................... 331
15.3.7. Defesas Dilatórias ................................................................................................................ 332
15.3.7.1. Inexistência ou Nulidade de Citação (art. 301, I, CPC) .................................................................. 332
15.3.7.2. Incompetência Absoluta do Juízo (art. 301, II, CPC) ..................................................................... 332
15.3.7.3. Conexão/Continência (art. 301, VII, CPC) ..................................................................................... 332

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15.3.8. Defesas Peremptórias .......................................................................................................... 333


15.3.8.1. Inépcia da Petição Inicial (art. 301, III, CPC) .................................................................................. 333
15.3.8.2. Perempção (art. 301, IV, CPC)....................................................................................................... 333
15.3.8.3. Litispendência (art. 301, V, CPC) ................................................................................................... 334
15.3.8.4. Coisa Julgada (art. 301, VI, CPC) ................................................................................................... 334
15.3.8.5. Convenção de Arbitragem (art. 301, IX, CPC) ............................................................................... 334
15.3.8.6. Carência de Ação (art. 301, X)....................................................................................................... 334
15.4. RECONVENÇÃO (ARTS. 315 A 318) ..................................................................................................... 334
15.4.1. Noções Gerais ...................................................................................................................... 334
15.4.2. Condições da Ação Reconvencional ..................................................................................... 336
15.4.3. Pressupostos Processuais Reconvencionais ......................................................................... 336
15.4.4. Reconvenção e Substituição Processual (art. 315, p. único) ................................................ 337
15.4.5. Julgamento da Reconveção ................................................................................................. 337
15.4.6. Reconvenção X Ação Dúplice X Pedido Contraposto ............................................................ 337
15.4.7. Tabela Síntese ...................................................................................................................... 338
15.5. EXCEÇÕES INSTRUMENTAIS OU PROCESSUAIS ......................................................................................... 338
15.5.1. Generalidades ...................................................................................................................... 338
15.5.2. Arguição de Impedimento e Suspeição (arts. 134 a 138)..................................................... 339
15.5.2.1. Generalidades ............................................................................................................................... 339
15.5.3. Exceção de Incompetência ................................................................................................... 342
15.5.4. Impugnação ao Valor da Causa ........................................................................................... 342
15.5.5. Impugnação à Concessão da Justiça Gratuita ..................................................................... 342
15.6. RECONHECIMENTO JURÍDICO DO PEDIDO .............................................................................................. 343
15.7. AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL ....................................................................................................... 343
15.7.2. Diferenças entre Ação Declaratória Incidental e Reconvenção ........................................... 345
15.8. REVELIA (ARTS. 319 A 322) ............................................................................................................... 346
15.8.1. Conceito ............................................................................................................................... 346
15.8.2. Efeitos da Revelia ................................................................................................................. 347
15.8.3. Mitigações à Eficácia da Revelia .......................................................................................... 347
15.8.3.1. A Confissão Ficta Não é Efeito Necessário da Revelia .................................................................. 347
15.8.3.2. Intervenção do Réu-Revel............................................................................................................. 348
15.8.3.3. Revelia Ulterior ............................................................................................................................. 349
15.8.3.4. Revelia Formal e Material ............................................................................................................. 349
15.8.3.5. A Revelia na Justiça Federal .......................................................................................................... 349
15.8.3.6. Tabela Síntese ............................................................................................................................... 350
15.9. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 350

16. PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES E JULGAMENTO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO ............... 351

16.1. SANEAMENTO E FASE DE SANEAMENTO (OU FASE ORDINATÓRIA): AS PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES................ 351
16.2. JULGAMENTO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO................................................................................ 352
16.3. JULGAMENTO ANTECIPADO DO MÉRITO DA CAUSA ................................................................................. 352
16.3.1. Hipóteses de Cabimento do Julgamento Antecipado (art. 330) .......................................... 353
16.4. AUDIÊNCIA PRELIMINAR (ART. 331) .................................................................................................... 355
16.4.1. Generalidades ...................................................................................................................... 355
16.5. O DESPACHO SANEADOR ................................................................................................................... 357
16.6. TABELA SÍNTESE ............................................................................................................................... 359

17. EXTINÇÃO DO PROCESSO ............................................................................................................. 360

17.1. DECISÕES QUE NÃO EXAMINAM O MÉRITO (ART. 267) ........................................................................... 360
17.1.1. Decisões em Espécie ............................................................................................................ 361
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17.2. DECISÕES QUE EXAMINAM O MÉRITO (ART. 269) .................................................................................. 366


17.2.1. Homologação da Autocomposição das Partes .................................................................... 366
17.2.2. Prescrição e Decadência ...................................................................................................... 366
17.3. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 367

18. SUSPENSÃO DO PROCESSO (ARTS. 265 A 266) ............................................................................. 368

18.1. INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 368


18.2. HIPÓTESES DE SUSPENSÃO ................................................................................................................. 368
18.3. PRÁTICA DE ATOS DURANTE O PROCESSO ............................................................................................. 370
18.4. TABELA SÍNTESE – EXTINÇÃO E SUSPENSÃO DO PROCESSO ....................................................................... 371
18.5. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 372

19. PROVAS........................................................................................................................................ 372

19.1. DIREITO FUNDAMENTAL À PROVA ....................................................................................................... 372


19.2. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROBATÓRIO................................................................................................... 373
19.2.1. Princípio Inquisitivo. Poderes Instrutórios do Juiz (arts. 130 e 1.107, CPC) .......................... 373
19.2.2. Princípio da Aquisição Processual, da Comunhão ou da Comunidade da Prova ................. 375
19.2.3. Proibição do Uso de Prova Ilícita ......................................................................................... 376
19.2.4. Livre Convencimento Motivado. Sistemas de Valoração das Provas ................................... 377
19.2.4.1. O Livre Convencimento Motivado e os Resquícios de Provas Tarifada no Brasil .......................... 378
19.3. OBJETO DA PROVA ........................................................................................................................... 379
19.3.1. Características do Fato Probando ........................................................................................ 379
19.3.2. Fatos que Independem de Prova (art. 334, CPC) ................................................................. 380
19.3.3. Indeferimento de Provas pelo Juiz (art. 130) ....................................................................... 381
19.4. PROVA EMPRESTADA ........................................................................................................................ 383
19.5. MÁXIMAS DE EXPERIÊNCIA, INDÍCIOS OU PRESUNÇÕES ............................................................................ 385
19.5.1. Máxima de Experiência ........................................................................................................ 385
19.5.2. Presunções e Indícios ........................................................................................................... 385
19.5.3. A Prova Prima Facie, de Primeira Aparência ou por Verossimilhança ................................. 386
19.6. ÔNUS DA PROVA .............................................................................................................................. 387
19.6.1. Ônus Subjetivo e Objetivo .................................................................................................... 387
19.6.2. Ônus da Prova como Regra de Julgamento e Aplicação Subsidiária ................................... 388
19.6.3. Distribuição Ônus da Prova .................................................................................................. 389
19.6.3.1. Distribuição Estática (art. 333)...................................................................................................... 389
19.6.3.2. Distribuição Dinâmica do Ônus da Prova ...................................................................................... 389
19.6.4. Inversão do Ônus da Prova Ope Legis e Ope Judicis ............................................................ 392
19.6.5. Convenções sobre o Ônus da Prova (art. 333, p. único) ....................................................... 393
19.6.6. Prova Diabólica .................................................................................................................... 393
19.7. OUTRAS REGRAS GERAIS ................................................................................................................... 394
19.8. PROCEDIMENTO PROBATÓRIO ............................................................................................................ 394
19.8.1. Preclusão para o Juiz em Matéria de Prova ......................................................................... 395

PROVAS EM ESPÉCIE .......................................................................................................................... 395

19.9. DEPOIMENTO PESSOAL (ARTS. 342 A 347) ........................................................................................... 395


19.9.1. Noções Gerais ...................................................................................................................... 395
19.9.2. Espécies: Depoimento por Provocação e Interrogatório ...................................................... 396
19.9.3. Depoimento do Presentante e do Representante ................................................................ 396
19.9.4. Recusa de Depor .................................................................................................................. 397
19.9.5. Escusa de Depor ................................................................................................................... 397
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19.9.6. Procedimento do Depoimento ............................................................................................. 398


19.10. CONFISSÃO (ARTS. 348 A 354) ........................................................................................................ 398
19.10.1. Generalidades .................................................................................................................... 398
19.10.2. Distinções ........................................................................................................................... 399
19.10.3. Espécies de Confissão......................................................................................................... 399
19.10.4. Eficácia da Confissão ......................................................................................................... 400
19.10.5. Invalidação da Confissão ................................................................................................... 400
19.10.6. Confissão Extrajudicial ....................................................................................................... 401
19.10.7. A Eficácia da Confissão por Representante........................................................................ 401
19.10.8. Indivisibilidade da Confissão (art. 364) .............................................................................. 401
19.10.9. Confissão Feita por Incapaz ............................................................................................... 401
19.11. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS OU COISAS (ARTS. 355 A 363) ................................................................... 401
19.12. PROVA DOCUMENTAL ..................................................................................................................... 403
19.12.1. Conceito de Documento ..................................................................................................... 403
19.12.2. Documento e Prova Documental ....................................................................................... 403
19.12.3. Prova Documental e Prova Documentada ......................................................................... 403
19.12.4. Importância da Prova Documental .................................................................................... 403
19.12.5. Elementos do Documento .................................................................................................. 403
19.12.5.1. Autoria de Documento ............................................................................................................... 403
19.12.5.1.1. Autoria Material e Autoria Intelectual ................................................................................ 403
19.12.5.1.2. Documento Autógrafo e Heterógrafo ................................................................................. 404
19.12.5.1.3. Documentos Públicos e Particulares ................................................................................... 404
19.12.5.1.4. Subscrição e Identificação da Autoria ................................................................................. 404
19.12.5.1.6. Autenticidade ..................................................................................................................... 404
19.12.5.2. Conteúdo .................................................................................................................................... 405
19.12.5.3. Suporte ....................................................................................................................................... 406
19.12.6. Eficácia Probatória do Documento .................................................................................... 406
19.12.6.1. Força Probante dos Documentos Públicos ................................................................................. 406
19.12.6.1.1. Fé Pública e Presunção de Autenticidade e de Veracidade do Conteúdo do Documento
Público .................................................................................................................................................... 406
19.12.6.1.2. A Caracterização da Escritura Pública como Prova Plena ................................................... 406
19.12.6.1.3 O Instrumento Público como Forma Solene do Ato Jurídico (art. 366, CPC) ....................... 406
19.12.6.1.4. O Documento Público Irregular (art. 367, CPC) .................................................................. 407
19.12.6.2. Força Probante dos Documentos Particulares............................................................................ 408
19.12.6.2.1. Autenticidade e Veracidade do Conteúdo do Documento Particular (art. 368, CPC) ......... 408
19.12.6.2.2. Eficácia Probatória dos Documentos Testemunhais (art. 368, p. único, CPC) .................... 408
19.12.6.2.3. Eficácia Probatória do Telegrama, Fax e Outros Meios de Transmissão de Dados ............. 408
19.12.6.2.4. Eficácia Probatória dos Livros Comerciais e da Escrituração Contábil ................................ 409
19.12.6.2.5. Indivisibilidade do Documento Particular (art. 373, p. único) e da Escrituração Contábil (art.
380, CPC)................................................................................................................................................. 409
19.12.6.3. Originais, Cópias, Certidões e Traslados ..................................................................................... 409
19.12.7. Vícios do Documento: a Irregularidade e a Falsidade........................................................ 409
19.12.8. Produção da Prova Documental ........................................................................................ 410
19.12.8.1. Momento da Proposição e Produção da prova .......................................................................... 410
19.12.8.2. Juntada Posterior de Documentos ............................................................................................. 411
19.12.8.3. Possíveis Atitudes da Parte contra quem a Prova Documental é Produzida .............................. 411
19.12.9. Meios de Obtenção da Prova Documental ........................................................................ 412
19.12.9.1. Requisição de Documentos ........................................................................................................ 412
19.12.9.2. Exibição de Documento ou Coisa ........................................................................................... 412
19.12.10. Arguição de Falsidade (arts. 390 a 395) .......................................................................... 412
19.12.10.1. Noção ................................................................................................................................... 412

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13

19.12.10.2 Natureza Jurídica e Finalidade .............................................................................................. 413


19.12.10.3. Legitimidade e Interesse ...................................................................................................... 413
19.12.10.4. Procedimento ...................................................................................................................... 413
19.12.11. Prova Documental Eletrônica .......................................................................................... 414
19.13. PROVA TESTEMUNHAL .................................................................................................................... 415
19.13.1. Noções Gerais .................................................................................................................... 415
19.13.2. Limitações à Prova Exclusivamente Testemunhal: Negócio Jurídico cujo Valor Exceda 10
SM .................................................................................................................................................... 415
19.13.3. Capacidade para Testemunhar .......................................................................................... 416
19.13.4. Local e Tempo do Testemunho .......................................................................................... 417
19.13.5. Juntada do Rol e Intimação da Testemunha ...................................................................... 417
19.13.6. Substituição da Testemunha (art. 408) .............................................................................. 418
19.13.7. Procedimento de Colheita do Depoimento ........................................................................ 418
19.13.8. Contradita das Testemunhas ............................................................................................. 419
19.13.9. Documentação do Testemunho ......................................................................................... 419
19.14. PROVA PERICIAL............................................................................................................................. 419
19.14.1. Conceito e Generalidades .................................................................................................. 419
19.14.2. Fontes da Prova Pericial ..................................................................................................... 419
19.14.3. Espécies de Perícia ............................................................................................................. 420
19.14.4. O Perito e o Assistente Técnico .......................................................................................... 420
19.14.4.1. O Perito e suas Funções .............................................................................................................. 420
19.14.4.2. Requisitos para a Escolha do Perito ............................................................................................ 420
19.14.4.3. Nomeação de Mais de um Perito. Perícia Complexa .................................................................. 421
19.14.4.4. Escusa ou Recusa do Perito ........................................................................................................ 421
19.14.4.5. Substituição do Perito................................................................................................................. 421
19.14.4.6. Assistente Técnico e suas Funções ............................................................................................. 421
19.14.5. Admissibilidade da Prova Pericial ...................................................................................... 421
19.14.6. Procedimento da Produção da Prova Pericial .................................................................... 422
19.14.7. Contraditório ...................................................................................................................... 423
19.14.8. Avaliação. Possibilidade de Segunda Perícia ou Outra Perícia .......................................... 423
19.14.9. Despesas com os Honorários Periciais ............................................................................... 423
19.14.9.1. Honorários Periciais e Inversão do Ônus da Prova ..................................................................... 424
19.15. INSPEÇÃO JUDICIAL ......................................................................................................................... 426
19.16 OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................ 427

20. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO (ARTS. 444 A 457) .................................................... 429


20.1. CONCEITO E GENERALIDADES.............................................................................................................. 429
20.2. CONTEÚDO E ESTRUTURA .................................................................................................................. 429
20.2.1. Considerações Iniciais .......................................................................................................... 429
20.2.2. Abertura da Audiência. Pregão Inicial ................................................................................. 430
20.2.3. Conciliação e Fixação dos Pontos Controvertidos ................................................................ 430
20.2.4. Produção de Provas Orais .................................................................................................... 431
20.2.5. Alegações Finais. Memoriais. .............................................................................................. 431
20.2.6. Sentença .............................................................................................................................. 431
20.2.7. Conversão do Julgamento em Diligência ............................................................................. 431
20.3. DOCUMENTAÇÃO DA AUDIÊNCIA E LAVRATURA DO TERMO DE AUDIÊNCIA .................................................. 432
20.4. DESIGNAÇÃO, ANTECIPAÇÃO E ADIAMENTO DA AIJ ................................................................................ 432
20.4.1. Ausência de Testemunhas, Peritos e Partes ......................................................................... 432
20.4.2. Juntada de Novas Provas Após o Encerramento da Instrução ............................................. 433

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21. TEORIA DA DECISÃO JUDICIAL (ARTS. 458 A 466) ......................................................................... 434

21.1. SISTEMATIZAÇÃO DOS PRONUNCIAMENTOS JUDICIAIS.............................................................................. 434


21.1.1. Decisões Proferidas pelo Juízo Singular ............................................................................... 434
21.1.2. Decisões Proferidas em Órgãos Colegiados ......................................................................... 435
21.2. ELEMENTOS DA DECISÃO JUDICIAL (ART. 458) ....................................................................................... 435
21.2.1. Introdução............................................................................................................................ 435
21.2.2. Relatório .............................................................................................................................. 435
21.2.3. Fundamentação ................................................................................................................... 436
21.2.3.1. Conteúdo da Fundamentação ...................................................................................................... 437
21.2.3.2.1. Fundamentação no Âmbito dos Juizados Especiais .............................................................. 441
21.2.3.2. A Fundamentação e a Coisa Julgada Material .............................................................................. 441
21.2.3.3. Decisão sem Motivação ................................................................................................................ 442
21.2.3.4. Motivação das Decisões: Aprofundamentos ................................................................................ 442
21.2.3.4.1. Motivação como Antecedente de Norma Individual e Concreta .......................................... 444
21.2.3.4.2. Alcance/Limite Material da Motivação ................................................................................. 447
21.2.3.4.3. Decisão Omissa ..................................................................................................................... 447
21.2.3.4.4. Carência de Motivação ......................................................................................................... 447
21.2.3.4.5. Motivação Subentendida ou Implícita .................................................................................. 448
21.2.3.4.6. Motivação Referenciada ou Per Relationem ........................................................................ 449
21.2.3.4.7. Persuasão Racional X Direito Alternativo ou Uso Alternativo do Direito .............................. 451
21.2.3.4.8. Utilização de Princípios na Fundamentação: Técnicas de Fundamentação Adequada ......... 452
21.2.3.5. Convencimento Judicial ................................................................................................................ 454
21.2.3.5.1. Convicção de Verdade e Participação do Juiz ....................................................................... 455
21.2.3.5.2. A Tese Sueca sobre o Convencimento Judicial ..................................................................... 456
21.2.3.5.3. A Tese de Gerhard Walter .................................................................................................... 457
21.2.3.5.4. Objeções à Tese da Verossimilhança Preponderante ........................................................... 458
21.2.3.5.5. O Convencimento Judicial e a Regra do Ônus da Prova ........................................................ 459
21.2.3.5.6. Sentença de Improcedência por Falta de Provas na Tutela Coletiva .................................... 461
21.2.3.5.7. Standards do Convencimento Judicial .................................................................................. 463
21.2.3.6. Decisionismo X Jurisprudencialismo ............................................................................................. 500
21.2.4. Dispositivo ............................................................................................................................ 501
21.2.4.1. Conceito ........................................................................................................................................ 501
21.2.4.2. Teoria dos Capítulos da Sentença ................................................................................................. 501
21.3. REQUISITOS DA DECISÃO JUDICIAL ....................................................................................................... 502
21.3.1. Congruência, Correlação ou Adstrição da Decisão Judicial.................................................. 502
21.3.1.1. Congruência Externa ..................................................................................................................... 504
21.3.1.1.1. A Congruência Objetiva ........................................................................................................ 504
21.3.1.1.2. A Congruência Subjetiva ....................................................................................................... 510
21.3.1.2. Congruência Interna ..................................................................................................................... 510
21.3.1.2.1. Sentença Certa (art. 460, p. único) ....................................................................................... 510
21.3.1.1.2. Sentença Líquida ................................................................................................................... 514
21.3.1.2.3. Sentença Clara e Coerente.................................................................................................... 516
21.3.2. Sentença e Fato Superveniente (art. 462, CPC) .................................................................... 516
21.3.3. Decisões Objetivamente e/ou Subjetivamente Complexas .................................................. 519
21.4. DECISÕES DEFINITIVAS E TERMINATIVAS ............................................................................................... 519
21.4.1. Efeitos da Decisão Judicial ................................................................................................... 520
21.4.1.1. Conteúdo e Efeitos: Distinção....................................................................................................... 520
21.4.1.2. Eficácia Principal ........................................................................................................................... 520
21.4.1.3. Eficácia Reflexa ............................................................................................................................. 520
21.4.1.4. Eficácia Anexa ou de Fato ............................................................................................................. 520
21.4.1.5. Eficácia Probatória ........................................................................................................................ 521

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21.5. CLASSIFICAÇÃO DAS SENTENÇAS .......................................................................................................... 521


21.6. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS ............................................................................................................. 522
21.6.1. Princípio da Sucumbência e Princípio da Causalidade ......................................................... 525
21.6.2. Honorários Contratuais – Restitutio in Integrum ................................................................. 527
21.6.3. Honorários e Custas e Justiça Gratuita ................................................................................ 527
21.7. O PRECEDENTE JUDICIAL.................................................................................................................... 529
21.7.1. Conceito e Classificação ....................................................................................................... 529
21.7.2. Relevância do Tema ............................................................................................................. 530
21.7.2.1. O Precedente na Dimensão da Igualdade ..................................................................................... 531
21.7.2.2. O Precedente na Dimensão da Segurança Jurídica ....................................................................... 537
21.7.3. Jurisprudência como Fonte de Direito.................................................................................. 539
21.7.4. Holding, Ratio Decidendi e Obiter Dictum (ou Dictum)........................................................ 539
21.7.5. A Dinâmica do Precedente ................................................................................................... 540
21.7.5.1. Introdução .................................................................................................................................... 540
21.7.5.2. Técnicas de Confronto e Aplicação do Precedente. O Distinguishing e a Decisão Per Incuriam .. 541
21.7.5.3. Técnicas de Superação do Precedente. O Overrruling e o Overriding .......................................... 544
21.7.6. Alteração do Precedente e Eficácia Retroativa .................................................................... 546
21.7.7. As Súmulas Não Vinculantes dos Tribunais – Reclamação nelas Fundada .......................... 546
21.8. PUBLICAÇÃO, RETRATAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA DECISÃO (ART. 463)........................................................... 550
21.9. SENTENÇA BRANCA, SENTENÇA SUICIDA E SENTENÇA VAZIA ..................................................................... 550
21.10. SENTENÇAS DECLARATÓRIAS, CONSTITUTIVAS E CONDENATÓRIAS............................................................ 550
21.11. JUROS DE MORA NAS SENTENÇAS...................................................................................................... 551
21.11.1. Juros de Mora em Indenizações por Dano Moral .............................................................. 551
21.11.2. Juros e Correção Monetária em Face da Fazenda Pública ................................................. 552
21.12. JULGAMENTO COM EQUIDADE E JULGAMENTO POR EQUIDADE ............................................................... 553
21.13. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................... 554

22. COISA JULGADA ........................................................................................................................... 558

22.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................................................................... 558


22.2. COISA JULGADA FORMAL E COISA JULGADA MATERIAL ............................................................................ 559
22.3. PRESSUPOSTOS DA COISA JULGADA...................................................................................................... 560
22.4. NATUREZA JURÍDICA ......................................................................................................................... 561
22.5. REGIME JURÍDICO DA COISA JULGADA .................................................................................................. 561
22.5.1. Limites Objetivos .................................................................................................................. 562
22.5.2. Limites Subjetivos ................................................................................................................ 562
22.5.3. Modo de Produção ............................................................................................................... 563
22.6. COISA JULGADA NAS AÇÕES DE ESTADO................................................................................................ 563
22.7. EFEITOS DA COISA JULGADA ............................................................................................................... 564
22.7.1. Efeitos Negativos e Positivos ............................................................................................... 564
22.7.2. Efeito Preclusivo ou Eficácia Preclusiva da Coisa Julgada .................................................... 564
22.7.3. Efeito da Coisa Julgada Penal Condenatória na Esfera Cível ............................................... 566
22.7.4. Eficácia da Sentença X Eficácia da Coisa Julgada ................................................................ 566
22.8. COISA JULGADA E RELAÇÕES JURÍDICAS CONTINUATIVAS.......................................................................... 567
22.9. INSTRUMENTOS DE REVISÃO DA COISA JULGADA .................................................................................... 568
22.10. CONFLITO ENTRE COISAS JULGADAS ................................................................................................... 571
22.11. RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA ................................................................................................... 573
22.12. COISA JULGADA INCONSTITUCIONAL .................................................................................................. 573
22.13. POSICIONAMENTO DO STF QUANTO À RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA ............................................... 575
22.13.1. Pela Inadmissibilidade ....................................................................................................... 575
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22.13.1. Pela Admissibilidade – Leading Case ................................................................................. 586


22.14. LEADING CASE ............................................................................................................................... 592
22.15. COISA JULGADA NA TUTELA COLETIVA ................................................................................................ 597
22.16. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................... 601

23. RECURSOS – TEORIA GERAL ......................................................................................................... 604

23.1. CONCEITO DE RECURSO ..................................................................................................................... 604


23.2. OS RECURSOS NO SISTEMA DOS MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO JUDICIAL ........................................... 604
23.3. CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................................................ 604
23.3.1. Quanto à Extensão da Matéria: Recurso Parcial e Recurso Total ........................................ 604
23.3.2. Quanto à Fundamentação: Fundamentação Livre e Fundamentação Vinculada ................ 605
23.3.3. Ordinário ou Excepcional (ou Extraordinário) ...................................................................... 605
23.4. ATOS SUJEITOS A RECURSO ................................................................................................................ 605
23.4.1. Introdução............................................................................................................................ 605
23.4.2. Sistematização ..................................................................................................................... 606
23.5. DESISTÊNCIA DO RECURSO ................................................................................................................. 606
23.6. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER E AQUIESCÊNCIA À DECISÃO ............................................................. 607
23.7. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE E JUÍZO DE MÉRITO DO RECURSO.................................................................... 607
23.7.1. Juízo de Admissibilidade e Juízo de Mérito: Distinção ......................................................... 607
23.7.2. Generalidades sobre o Juízo de Admissibilidade .................................................................. 607
23.7.3. Objeto do Juízo de Admissibilidade ...................................................................................... 607
23.7.3.1. Introdução .................................................................................................................................... 607
23.7.3.2. Cabimento. Princípios da Fungibilidade, Taxatividade e Singularidade Recursais ........................ 608
23.7.3.3. Legitimidade (art. 499) ................................................................................................................. 609
23.7.3.4. Interesse ....................................................................................................................................... 609
23.7.3.5. Inexistência de Fato Impeditivo ou Extintivo do Poder de Recorrer............................................. 610
23.7.3.6. Tempestividade (art. 506)............................................................................................................. 610
23.7.3.6.1. Recurso Interposto Antes da Publicação da Decisão ............................................................ 614
23.7.3.7. Regularidade Formal. O Princípio da Dialeticidade dos Recursos ................................................. 616
23.7.3.8. Preparo ......................................................................................................................................... 617
23.7.4. Natureza Jurídica do Juízo de Admissibilidade..................................................................... 618
23.7.5. Juízo de Mérito ..................................................................................................................... 619
23.7.5.1. Conceito de Mérito do Recurso .................................................................................................... 619
23.7.5.2. A Causa de Pedir Recursal: o Error in Procedendo e o Error in Judicando.................................... 619
23.7.5.3. Cumulação de Pedidos no Recurso ............................................................................................... 619
23.7.5.4. Julgamento Rescindente e Substitutivo. O Efeito Substitutivo dos Recursos ............................... 619
23.8. PRINCÍPIO DO NE REFORMATIO IN PEJUS. VEDAÇÃO AO BENEFÍCIO COMUM DO RECURSO ............................. 620
23.9. EFEITOS DOS RECURSOS..................................................................................................................... 622
23.9.1. Impedimento ao Trânsito em Julgado ................................................................................. 622
23.9.2. Efeito Suspensivo ................................................................................................................. 623
23.9.3. Efeito Devolutivo: Extensão e Profundidade ........................................................................ 623
23.9.3.1. Efeito Devolutivo: Possibilidade de Não Devolução para Tribunal ............................................... 624
23.9.4. Efeito Translativo ................................................................................................................. 625
23.9.4. Efeito Regressivo ou de Retratação ..................................................................................... 626
23.9.5. Efeito Expansivo Objetivo .................................................................................................... 626
23.9.6. Efeito Expansivo Subjetivo ................................................................................................... 627
23.9.7. Efeito Substitutivo ................................................................................................................ 627
23.10. RECURSO ADESIVO E RECURSO INDEPENDENTE .................................................................................... 627
23.10.1. Recurso Adesivo Condicionado .......................................................................................... 628
23.11. TABELA SÍNTESE – ALGUMAS CARACTERÍSTICAS RECURSAIS .................................................................... 629
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23.12. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................... 630

24. RECURSOS EM ESPÉCIE ................................................................................................................. 632

24.1. APELAÇÃO (ARTS. 513 A 521)............................................................................................................ 632


24.1.1. Conceito ............................................................................................................................... 632
24.1.2. Situações Excepcionais......................................................................................................... 632
24.1.2.1. Embargos Infringentes de Alçada ................................................................................................. 632
24.1.2.2. Causas Internacionais ................................................................................................................... 632
24.1.2.3. Lei de Assistência Judiciária .......................................................................................................... 632
24.1.2.4. Sentença que Decreta a Falência .................................................................................................. 633
24.1.2.5. Juizados Especiais Cíveis ............................................................................................................... 633
24.1.3. Regularidade Formal............................................................................................................ 633
24.1.4. Efeitos .................................................................................................................................. 633
24.1.4.1. Efeito Devolutivo .......................................................................................................................... 633
24.1.4.2. Análise do Mérito pelo Tribunal, após Afastar o Motivo da Extinção do Processo (art. 515, § 3º) –
Teoria da Causa Madura .............................................................................................................................. 634
24.1.4.2.1. Inaplicabilidade da Teoria no Mandado de Segurança ......................................................... 635
24.1.4.2.2. Inaplicabilidade da Teoria no Recurso Especial .................................................................... 636
24.1.4.3. Apelação na Hipótese do Julgamento Prima Facie (art. 285-A) .................................................... 637
24.1.4.4. Efeito Suspensivo .......................................................................................................................... 637
24.1.4.5. Efeito Translativo .......................................................................................................................... 639
24.1.4.6. Meios para Concessão de Efeito Suspensivo à Apelação .............................................................. 642
24.1.5. Questões Anteriores à Sentença ainda Não Decididas (art. 516) ........................................ 642
24.1.6. Inovação em Sede de Apelo (art. 517) ................................................................................. 642
24.1.7. Procedimento ....................................................................................................................... 643
24.1.7.1. Procedimento em Primeira Instância. A Súmula Impeditiva de Recursos .................................... 643
24.1.7.2. Procedimento no Tribunal ............................................................................................................ 644
24.1.7.3. Correção de Defeitos Processuais no Procedimento da Apelação ............................................... 645
24.2. AGRAVO (ARTS. 522 A 529) .............................................................................................................. 645
24.2.1. O Agravo no CPC .................................................................................................................. 645
24.2.2. Agravo Retido ...................................................................................................................... 645
24.2.2.1. Agravo Retido e Reexame Necessário .......................................................................................... 646
24.2.2.2. Interposição de Agravo Retido pelo Terceiro Prejudicado ........................................................... 647
24.2.3. Impossibilidade de se Optar pelo Agravo Retido ou Agravo de Instrumento ...................... 647
24.2.4. O Agravo de Instrumento ..................................................................................................... 648
24.2.4.1. Peças Obrigatórias (art. 525, I) ..................................................................................................... 648
24.2.4.2. Peças Facultativas (art. 525, II) ..................................................................................................... 649
24.2.4.3. Peças Essenciais ou Necessárias ................................................................................................... 649
24.2.4.4. Comprovação da Interposição do AI (art. 526, p. único) .............................................................. 649
24.2.4.5. Procedimento (art. 527) ............................................................................................................... 650
24.2.4.6. Agravo de Instrumento e Sentença Superveniente ...................................................................... 651
24.2.4.7. Extinção do Processo em Julgamento de AI ................................................................................. 652
24.2.4.8. Multa por Agravo Manifestamente Protelatório .......................................................................... 652
24.2.5. Agravo Regimental e Agravo Interno ............................................................................................... 652
24.2.6. Agravo (Antigo Agravo de Instrumento) para o STJ e para o STF ........................................ 653
24.3. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (ARTS. 535 A 538) ................................................................................... 654
24.3.1. Os Embargos de Declaração como Recurso e suas Hipóteses de Cabimento ...................... 654
24.3.2. Efeitos dos Embargos de Declaração ................................................................................... 655
24.3.2.1. Efeito Devolutivo .......................................................................................................................... 655
24.3.2.2. Efeito Suspensivo .......................................................................................................................... 655
24.3.2.3. Efeito Modificativo (Embargo de Declaração com Efeito Infringente) ......................................... 655

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24.3.2.4. Interrupção do Prazo de Interposição Recursal ............................................................................ 658


24.3.3. Natureza da Decisão que Julga os Embargos de Declaração .............................................. 658
24.3.4. Prazo .................................................................................................................................... 659
24.3.5. Regularidade Formal dos Embargos de Declaração ............................................................ 659
24.3.6. Dispensa de Preparo ............................................................................................................ 659
24.3.7. Contraditório e Embargos de Declaração ............................................................................ 659
24.3.8. Multa pelo Caráter Protelatório .......................................................................................... 659
24.3.9. Embargos de Declaração e Prequestionamento .................................................................. 659
24.3.10. Embargos de Declaração e Princípio da Complementaridade ........................................... 660
24.3.11. Controle de Constitucionalidade e o Julgamento dos Embargos de Declaração ............... 660
24.3.12. Competência para Julgamento dos Embargos .................................................................. 661
24.3.13. Embargos de Declaração em Decisão Monocrática (Descabimento) – Conversão em Agravo
Regimental ....................................................................................................................................... 661
24.4. EMBARGOS INFRINGENTES (ARTS. 530 A 534) ...................................................................................... 663
24.4.1. Hipóteses de Cabimento – O Requisito da Dupla Conformidade ......................................... 663
24.4.2. Cabimento dos Embargos Infringentes Apenas de Acórdão de Mérito que Julgar Apelação
......................................................................................................................................................... 664
24.4.3. Embargos Infringentes em Ação Rescisória ......................................................................... 665
24.4.4. Situações Polêmicas ............................................................................................................. 666
24.4.4.1. Reexame Necessário ..................................................................................................................... 666
24.4.4.2. Embargos Infringentes em Embargos de Declaração ................................................................... 666
24.4.4.3. Embargos Infringentes em Julgamento de Agravo ....................................................................... 667
24.4.4.4. Cabimento de Embargos Infringentes em Acórdão “Terminativo” pela Teoria da Asserção........ 668
24.4.5. Efeitos dos Embargos Infringentes ...................................................................................... 670
24.4.6. Embargos Infringentes e a Ausência de Declaração do Voto Vencido ................................. 670
24.4.7. Razões de Decidir nos Embargos Infringentes ..................................................................... 671
24.4.8. Procedimento dos Embargos Infringentes ........................................................................... 671
24.4.9. Embargos Infringentes e o Prazo para os Recursos Extraordinários .................................... 671
24.5. RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL (ART. 539 A 540) ...................................................................... 674
24.5.1. Generalidades ...................................................................................................................... 674
24.5.1.1. Efeitos da Interposição ................................................................................................................. 674
24.5.2. Recurso Ordinário para o STF (art. 539, I) ............................................................................ 674
24.5.3. Recurso Ordinário para o STJ (art. 539, II) ........................................................................... 675
24.5.3.1. Recurso Ordinário em Mandado de Segurança ............................................................................ 675
24.5.3.2. Recurso Ordinário em Causas Internacionais ............................................................................... 675
24.6. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS – TEORIA GERAL ..................................................................................... 675
24.6.1. Características Gerais .......................................................................................................... 675
24.6.2. Recursos de Fundamentação Vinculada .............................................................................. 675
24.6.3. Recurso Excepcional e Reexame de Prova ........................................................................... 675
24.6.4. Recurso Excepcional e Interpretação de Cláusula Contratual .............................................. 676
24.6.5. Prequestionamento ............................................................................................................. 676
24.6.6. Exigência de Prévio Esgotamento das Instâncias Ordinárias ............................................... 680
24.6.7. Recurso Extraordinário e Especial Contra Provimento de Urgência .................................... 680
24.6.8. Recurso Extraordinário e Recurso Especial Retidos (art. 542, § 3º) ..................................... 681
24.6.9. Sistema de Admissibilidade Desdobrado ou Bipartido ........................................................ 682
24.6.10. Permissão de Execução Provisória – Efeito Suspensivo em Recursos Excepcionais ........... 682
24.6.11. O Julgamento dos Recursos Excepcionais e Outras Questões............................................ 684
24.6.12. Preparo .............................................................................................................................. 685
24.6.13. Interposição Simultânea de REsp ou RE. A Súmula 126, STJ .............................................. 685
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24.6.14. Processamento dos Recursos de Superposição (art. 543) .................................................. 687


24.6.15. Recurso Especial Repetitivo: o Art. 543-C do CPC – Writ of Certiorari ............................... 687
24.6.16. Agravo Contra Decisão que Nega Seguimento, na Origem, a Recurso Excepcional (art. 544)
......................................................................................................................................................... 691
24.6.17. Profundidade e o Efeito Devolutivo dos Recursos Excepcionais (súmulas 292 e 528, STF) 693
24.7. RECURSO ESPECIAL (ART. 105, III, CR/88) ........................................................................................... 693
24.7.1. Considerações Gerais ........................................................................................................... 693
24.7.2. Cabimento com Fundamento no art. 105, III, a ................................................................... 694
24.7.3. Cabimento com Fundamento no art. 105, III, b ................................................................... 698
24.7.4. Cabimento com Fundamento no art. 105, III, c.................................................................... 699
24.7.5. Recurso Extraordinário em Julgamento de Recurso Especial ............................................... 700
24.7.6. Controle Difuso da Constitucionalidade de Lei Federal Apontada como Violada ................ 700
24.7.7. Efeito Suspensivo em Recurso Especial ................................................................................ 701
24.7.8. Descabimento de REsp com Fulcro nos Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade .. 703
24.8. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (ART. 102, III, CR/88) ............................................................................... 704
24.8.1. Papel do STF ......................................................................................................................... 704
24.8.2. Considerações Gerais ........................................................................................................... 704
24.8.3. Cabimento com Fundamento na Letra “a” .......................................................................... 705
24.8.4. Cabimento com Fundamento na Letra “b” .......................................................................... 705
24.8.5. Recurso Extraordinário contra Julgamento que Contraria Tratado Internacional sobre
Direitos Humanos ............................................................................................................................ 705
24.8.6. Repercussão Geral ............................................................................................................... 705
24.8.6.1. Repercussão Geral no CPC (art. 543-A, CPC) ................................................................................ 708
24.8.6.2. Repercussão Geral por Amostragem – Art. 543-B ........................................................................ 710
24.8.6.3. Repercussão Geral e Direito Intertemporal .................................................................................. 714
24.8.6.4.. Repercussão Geral por Meio Eletrônico ...................................................................................... 716
24.8.6.5. A Objetivação do Recurso Extraordinário ..................................................................................... 716
24.9. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA (ARTS. 496, VIII, E 546)............................................................................ 717
24.9.1. Objetivos .............................................................................................................................. 717
24.9.2. Hipóteses de Cabimento ...................................................................................................... 718
24.9.3. Necessidade de a Divergência ser Atual e sua Comprovação (Confronto Analítico) ........... 720
24.9.4. Procedimento ....................................................................................................................... 721
24.10. TABELA SÍNTESE - RESP REPETITIVO E RE POR AMOSTRAGEM E AI DENEGADO .......................................... 721
24.11. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................... 722

25. AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO E SUCEDÂNEOS RECURSAIS ........................................... 732

25.1. AÇÃO RESCISÓRIA ............................................................................................................................ 732


25.1.1. Noção Geral ......................................................................................................................... 732
25.1.2. Pressupostos da Ação Rescisória ......................................................................................... 733
25.1.3. Objeto da Ação Rescisória ................................................................................................... 734
25.1.3.1. Objetos Controversos ................................................................................................................... 734
25.1.4. Legitimidade (art. 487) ........................................................................................................ 735
25.1.4.1. Legitimidade Ativa ........................................................................................................................ 735
25.1.4.2. Legitimidade Passiva ..................................................................................................................... 736
25.1.4.3. Ação Rescisória e Procuração Específica ...................................................................................... 737
25.1.5. Competência para Processar e Julgar a Ação Rescisória ..................................................... 737
25.1.6. Prazo para Ajuizamento da Ação Rescisória ........................................................................ 739
25.1.6.1. Prazo na Impugnação de Diferentes Capítulos da Sentença ........................................................ 741
25.1.7. Hipóteses de Cabimento (art. 485) ...................................................................................... 742

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25.1.7.1. A Causa de Pedir na Ação Rescisória ............................................................................................ 742


25.1.7.2. Prevaricação, Concussão e Corrupção (inciso I)............................................................................ 742
25.1.7.3. Impedimento do Juiz (inciso II) ..................................................................................................... 743
25.1.7.4. Incompetência Absoluta (inciso II)................................................................................................ 743
25.1.7.5. Dolo da Parte Vencedora (inciso III) ............................................................................................. 743
25.1.7.6. Conluio entre as Partes (inciso III) ................................................................................................ 744
25.1.7.7. Ofensa à Coisa Julgada (inciso IV) ................................................................................................. 744
25.1.7.7. Violação a Literal Disposição de Lei (inciso V) .............................................................................. 744
25.1.7.7.1. Efeitos do Controle Abstrato de Constitucionalidade e Cabimento de Ação Rescisória ....... 747
25.1.7.8. Prova Falsa (inciso VI) ................................................................................................................... 750
25.1.7.9. Documento Novo (inciso VII) ........................................................................................................ 750
25.1.7.10. Houver Fundamento para Invalidar Confissão, Desistência ou Transação, em que se Baseou a
Sentença (inciso VIII) ................................................................................................................................... 751
25.1.7.11. Fundada em Erro de Fato, Resultante de Atos ou de Documentos da Causa (inc. IX) ................ 752
25.1.8. Procedimento da Ação Rescisória ........................................................................................ 753
25.1.8.1. Introdução .................................................................................................................................... 753
25.1.8.2. Petição Inicial e Depósito Obrigatório de 5% ................................................................................ 754
25.1.8.3. O Valor da Causa........................................................................................................................... 755
25.1.8.4. Prazo de Defesa (art. 491) ................................................................................................ 756
25.1.8.5. Revelia na Ação Rescisória ............................................................................................................ 757
25.1.8.6. Reconvenção na Ação Rescisória .................................................................................................. 757
25.1.8.7. Produção de Provas na Ação Rescisória (art. 492) ........................................................................ 757
25.1.8.8. Intervenção do MP ....................................................................................................................... 757
25.1.8.9. Tutela de Urgência – Cautelar ou Antecipada .............................................................................. 758
25.1.8.10. Julgamento: O Iudicium Rescindens e o Iudicium Rescisorium .................................................. 758
25.1.8.11. Recursos na Ação Rescisória ....................................................................................................... 759
25.1.8.12. Ação Rescisória Proferida em Julgamento de Ação Rescisória ................................................... 759
25.1.8.12. Competência para Executar Acórdão Emanado de Ação Rescisória ........................................... 759
25.2. AÇÃO TRANSRESCISÓRIA OU QUERELLA NULLITATIS ................................................................................ 760
25.3. RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL .......................................................................................................... 762
25.3.1. Noções Gerais ...................................................................................................................... 762
25.3.1.1. Introdução......................................................................................................................... 762
25.3.1.2. Natureza Jurídica .......................................................................................................................... 762
25.3.1.2.1. Natureza Jurídica - Aprofundamentos .................................................................................. 763
25.3.1.3. A Reclamação como Demanda Típica (Fundamentação Vinculada) ............................................. 769
25.3.1.4. Reclamação contra Ato que Desrespeitou Enunciado de Súmula Vinculante .............................. 769
25.3.2. Reclamação e Decisão Transitada em Julgado .................................................................... 770
25.3.3. Procedimento (Lei nº 8.038/90) ........................................................................................... 770
25.3.4. Efeitos da Decisão ................................................................................................................ 770
25.3.5. Recursos ............................................................................................................................... 771
25.4.6. Proibição da Utilização da Reclamação como Sucedâneo Recursal .................................... 771
25.4.7. Reclamação e Juizados Especiais ......................................................................................... 772
25.4. REEXAME NECESSÁRIO (ART. 475) ...................................................................................................... 775
25.4.1. Natureza Jurídica ................................................................................................................. 775
25.4.2. Hipóteses de Cabimento ...................................................................................................... 776
25.4.3. Procedimento ....................................................................................................................... 777
25.4.4. Hipóteses em que Poder ser Dispensado o Reexame Necessário (art. 475, § § 2º e 3º) ...... 779
25.4.5. Reexame Necessário em Ações Coletivas ............................................................................ 780
25.5. PEDIDO DE SUSPENSÃO DE SEGURANÇA E/OU DE LIMINAR ....................................................................... 782
25.5.1. Previsão Legal ...................................................................................................................... 782
25.5.2. Natureza Jurídica ................................................................................................................. 782

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25.5.3. Legitimidade para o Ajuizamento do Pedido de Suspensão ................................................ 783


25.5.4. Competência para o Pedido de Suspensão .......................................................................... 784
25.5.5. Procedimento do Pedido de Suspensão ............................................................................... 785
25.5.6. Duração da Suspensão Concedida ....................................................................................... 785
25.5.7. Agravo Interno contra a Decisão do Pedido de Suspensão .................................................. 786
25.5.8. Renovação do Pedido de Suspensão para o Tribunal Superior ............................................ 786
25.5.9. Suspensão para Várias Decisões Similares e Pedido de Aditamento ................................... 786
25.5.10. Possibilidade de Utilização Concomitante de Agravo de Instrumento e de Pedido de
Suspensão dos Efeitos das Liminares ............................................................................................... 786
25.6. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ................................................................................................................. 787

26. ORDEM DOS PROCESSOS NOS TRIBUNAIS (ARTS. 547 A 465) ....................................................... 791

26.1. GENERALIDADES............................................................................................................................... 791


26.2. A FUNÇÃO DO REGIMENTO INTERNO DOS TRIBUNAIS .............................................................................. 791
26.3. PROTOCOLO, REGISTRO E DISTRIBUIÇÃO (ARTS. 547 A 549) .................................................................... 791
26.4. DISTINÇÕES: VOTO, JULGAMENTO E ACÓRDÃO ...................................................................................... 792
26.5. A TUTELA DE URGÊNCIA NO ÂMBITO RECURSAL ..................................................................................... 794
26.6. A PRODUÇÃO DE PROVA EM TRIBUNAL................................................................................................. 794
26.7. O RELATOR ..................................................................................................................................... 794
26.7.1. Generalidades ...................................................................................................................... 794
26.7.2. Análise do Art. 557, CPC – Julgamento Monocrático ........................................................... 795
26.8. REVISOR ......................................................................................................................................... 796
26.9. O JULGAMENTO ............................................................................................................................... 797
26.9.1. A Colegialidade como Regra ................................................................................................ 797
26.9.2. Convocação de Outros Juízes para a Composição do Quórum de Julgamento .................... 798
26.9.3. Ordem de Julgamento, Inclusão e Publicação da Pauta ...................................................... 800
26.9.4. Exposição da Causa pelo Relator ......................................................................................... 801
26.9.5. Sustentação Oral.................................................................................................................. 801
26.9.5.1. Generalidades ............................................................................................................................... 801
26.9.5.2. Momento para Sustentação Oral ................................................................................................. 801
26.9.5.3. Sustentação Oral e Esclarecimento de Fato ................................................................................. 801
26.9.6. Pedido de Vistas ................................................................................................................... 801
26.9.7. Julgamento Separado do Juízo de Admissibilidade e de Cada um dos Pedidos Cumulados 802
26.9.8. Correção de Defeito Processual no Julgamento em Tribunal............................................... 802
26.9.10. Dispersão de Votos – O Voto Médio .................................................................................. 802
26.10. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA E INCIDENTE DE DECRETAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
............................................................................................................................................................. 805
26.10.1. Considerações Gerais sobre os Incidentes em Julgamento de Tribunal ............................. 805
26.10.2. Uniformização de Jurisprudência (arts. 476 a 479) ........................................................... 806
26.10.3. Uniformização da Jurisprudência: Distinção dos Embargos de Divergência ..................... 806
26.10.4. Incidente de Decretação de Inconstitucionalidade (arts. 480 a 482) ................................. 807
26.11. TABELA SÍNTESE – SÚMULA IMPEDITIVA DE RECURSO E JULGAMENTO MONOCRÁTICO................................. 807

27. EXECUÇÃO ................................................................................................................................... 808

27.1. INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 808


27.2. A EXECUÇÃO DA SENTENÇA NO CPC .................................................................................................... 809
27.2.1. O Sistema Executivo do art. 461 (Obrigação da Fazer ou Não Fazer).................................. 809
27.2.2. O Sistema Executivo do Art. 461-A (Entrega de Coisa) ........................................................ 810
27.2.3. O Desaparecimento da Ação de Execução de Sentença ...................................................... 810
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27.2.4. A infiltração da Execução no Processo de Conhecimento .................................................... 810


27.2.5. Os Meios Executivos Relacionados ao Fazer, Não Fazer, Entrega de Coisa e ao Pagamento
de Quantia ....................................................................................................................................... 811
27.2.6. A Possibilidade de Cumulação de Demandas Executivas ..................................................... 811
27.3. AS FORMAS DE EXECUÇÃO ................................................................................................................. 813
27.3.1. Execução Direta e Execução Indireta ................................................................................... 813
27.3.2. Execução Frutífera e Execução Infrutífera ........................................................................... 813
27.3.3. Atuação Executiva Mediante o Constrangimento da Vontade do Devedor......................... 813
27.3.3.1. Execução Através de Multa .......................................................................................................... 813
27.3.3.2. Execução Mediante Outras Modalidades de Convencimento ...................................................... 815
27.3.4. Atuação Executiva Alheia à Vontade do Devedor ................................................................ 816
27.4. PRINCÍPIOS EXECUTIVOS .................................................................................................................... 817
27.4.1. Nulla Executio Sine Titulo ..................................................................................................... 817
27.4.2. Patrimonialidade ................................................................................................................. 817
27.4.3. Desfecho Único e Disponibilidade da Execução ................................................................... 817
27.4.4. Utilidade .............................................................................................................................. 818
27.4.5. Menor Onerosidade ............................................................................................................. 818
27.4.6. Lealdade Processual e Boa Fé Processual ............................................................................ 818
27.4.7. Contraditório ........................................................................................................................ 819
27.5. PARTES NA EXECUÇÃO....................................................................................................................... 819
27.5.1. Introdução............................................................................................................................ 819
27.5.2. Legitimação Ativa (Arts. 566 e 567) ..................................................................................... 819
27.5.2.1. Credor a quem a lei Confere o Título Executivo (art. 566, I) ......................................................... 819
27.5.2.2. Legitimidade do MP (art. 566, II) .................................................................................................. 820
27.5.2.3. Legitimidade do Espólio, Herdeiros e Sucessores (art. 567, I) ...................................................... 820
27.5.2.4. Legitimidade do Cessionário e dos Subrrogados (art. 567, I e II) .................................................. 821
27.5.3. Legitimação Passiva ............................................................................................................. 821
27.5.3.1. Sujeito que Figura como Devedor no Título (art. 568, I) ............................................................... 821
27.5.3.2. Legitimidade do Responsável Secundário (art. 568, IV e V).......................................................... 821
27.5.3.3. Legitimidade Passiva do Espólio, Herdeiros e Sucessores (art. 568, II)......................................... 822
27.5.3.4. Novo Devedor (art. 568, III) .......................................................................................................... 822
27.5.3.5. Fiador Judicial (art. 568, IV) .......................................................................................................... 822
27.5.3.6. Responsável Tributário (art. 568, V, CPC e art. 4º, V, LEF) ............................................................ 823
27.5.4. Intervenção de Terceiros na Execução ................................................................................. 823
27.5.4.1. Intervenções Típicas ..................................................................................................................... 823
27.5.4.2. Intervenções Atípicas.................................................................................................................... 823
27.6. COMPETÊNCIA NA EXECUÇÃO ............................................................................................................. 824
27.6.1. Competência da Execução de Título Executivo Judicial ....................................................... 824
27.6.1.1. Competência Executiva dos Tribunais (art. 475-P, I) .................................................................... 824
27.6.1.2. Competência do Juízo que Processou a Causa no Primeiro Grau de Jurisdição (art. 475-P, II) .... 826
27.6.1.3. Competência para a Fase de Satisfação de Sentença Arbitral, Decisão Homologatória de Sentença
Estrangeira e Sentença Arbitral (art. 475-P, III) ........................................................................................... 826
27.6.2. Competência da Execução de Título Extrajudicial ................................................................ 827
27.6.3. Competência no Processo de Insolvência Civil ..................................................................... 827
27.6.4. Inexistência de Conexão entre a Execução Coletiva e a Individual ...................................... 827
27.7. RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL ....................................................................................................... 828
27.7.1. Responsabilidade Patrimonial ............................................................................................. 828
27.7.2. Bens que Respondem pela Satisfação na Execução ............................................................. 829
27.7.3. Impenhorabilidade de Bens ................................................................................................. 829
27.7.3.1. As Hipóteses de Impenhorabilidade no Direito Brasileiro (art. 649) ............................................ 829

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27.7.3.1.1. Bens Inalienáveis e os Declarados, por Ato Voluntário, Não Sujeitos à Execução ................ 832
27.7.3.1.2. Móveis, Pertença e Utilidades Domésticas (art. 649, II) ....................................................... 832
27.7.3.1.3. Vestuários e Pertences de Uso Pessoal (art. 659, III) ............................................................ 832
27.7.3.1.4. Vencimentos, Salários, Remunerações, Pensões, Proventos, Ganhos do Trabalhador
Autônomo e Honorários de Profissional Liberal (art. 659, IV) ................................................................ 832
27.7.3.1.5. Bens Necessários ou Úteis ao Exercício Profissional (art. 659, V) ......................................... 833
27.7.3.1.6. Seguro de Vida, Materiais Necessários para Obra em Andamento (art. 659, VI e VII) ......... 833
27.7.3.1.7. Pequena Propriedade Rural Trabalhada pela Família, Recursos Públicos Ligados à Aplicação
Compulsória em Educação, Saúde e Assistência Social, Valores Depositados em Caderneta de Poupança
até 40 SM e os Recursos do Fundo Partidário (art. 659, VIII, IX, X e XI) .................................................. 833
27.7.3.1.7. Termo Final de Alegação, como Matéria de Defesa, da Impenhorabilidade de Bem ........... 833
27.7.4. Responsabilidade Patrimonial ou Secundária (art. 592) ...................................................... 834
27.7.4.1. Bens do Sucessor a Título Singular, Tratando-se de Execução Fundada em Direito Real ou
Obrigação Reipersecutória (art. 592, I)........................................................................................................ 834
27.7.4.2. Bens do Sócio, nos Termos da Lei (art. 592, II) ............................................................................. 835
27.7.4.2.1. Desconsideração da Personalidade Jurídica ......................................................................... 835
27.7.4.3. Bens do Devedor, Quanto Estiverem em Poder de Terceiros (art. 592, III) .................................. 836
27.7.4.4. Bens do Cônjuge, nos Casos em que os seus Bens Próprios, Reservados ou de Sua Meação
Respondem pela Dívida (art. 592, IV) .......................................................................................................... 836
27.7.4.5. Bens Alienados ou Gravados com Ônus Real em Fraude à Execução (art. 592, V) ....................... 836
27.7.5. Fraudes do Devedor ............................................................................................................. 836
27.7.5.1. Fraude Contra Credores (arts. 158 a 165, CC/02) ......................................................................... 837
27.7.5.2. Fraude à Execução (art. 593) ........................................................................................................ 839
27.7.5.2.1. O art. 615-A – Averbação no Registro ................................................................................... 839
27.7.5.2.2. Momento da Fraude à Execução quando o Exequente é a Fazenda Pública ........................ 840
27.7.5.3. Fraude de Bem Constrito Judicialmente ....................................................................................... 841
27.8. LIQUIDAÇÃO DA OBRIGAÇÃO (ARTS. 475-A A 475-H) ............................................................................ 841
27.8.1. Requisitos da Obrigação a Executar .................................................................................... 841
27.8.2. Liquidação da Obrigação. Considerações Gerais ................................................................. 842
27.8.2.1. Rito da Liquidação ........................................................................................................................ 843
27.8.2.2. Legitimidade para Requerer a Liquidação .................................................................................... 843
27.8.2.3. Competência para Julgamento da Liquidação .............................................................................. 844
27.8.2.4. Momento para Requerer a Liquidação ......................................................................................... 844
27.8.2.5. Limites da Cognição na Liquidação ............................................................................................... 844
27.8.2.6. Matéria de Defesa na Liquidação ................................................................................................. 845
27.8.3. Natureza Jurídica da Liquidação .......................................................................................... 845
27.8.4. Liquidação por Cálculos (art. 475-B) .................................................................................... 846
27.8.4.1. Necessidade de Dados em Poder do Devedor ou de Terceiros (art. 475-B, § 1º)......................... 846
27.8.4.1.1. Dados em Poder do Devedor ................................................................................................ 846
27.8.4.1.2. Dados em poder de Terceiros ............................................................................................... 847
27.8.4.2. Elaboração do Cálculo pelo Contador Judicial (art. 475-B, § 3º)................................................... 847
27.8.5. Liquidação por Arbitramento (art. 475-C) ........................................................................... 847
27.8.6. Liquidação por Artigos ......................................................................................................... 848
27.8.7. Princípio da Fidelidade ao Título .......................................................................................... 848
27.8.7.1. Liquidação de Valor Zero .............................................................................................................. 849
27.8.8. Natureza Jurídica da Decisão que Julga a Liquidação e Recurso Cabível ............................. 850
27.8.9. Liquidação e Coisa Julgada .................................................................................................. 851
27.8.10. Súmulas sobre Liquidação.................................................................................................. 851
27.9. TÍTULO EXECUTIVO ........................................................................................................................... 851
27.9.1. Introdução............................................................................................................................ 851
27.9.2. Títulos Executivos Judiciais (art. 475-N) ............................................................................... 853

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27.9.2.1. Sentença Proferida no Processo Civil que Reconheça a Existência de Obrigação de Fazer, Não
Fazer, Entregar Coisa ou Pagar Quantia (art. 475-N, I) ................................................................................ 853
27.9.2.2. Sentença Penal Condenatória Transitada em Julgado (art. 475-N, II) .......................................... 853
27.9.2.3. Sentença Homologatória de Conciliação ou de Transação, Ainda que Inclua Matéria não Posta em
Juízo (art. 475-N, III) .................................................................................................................................... 854
27.9.2.4. Sentença Arbitral (art. 475-N, IV) ................................................................................................. 854
27.9.2.5. Acordo Extrajudicial, de Qualquer Natureza, Homologado Judicialmente (art. 475-N, IV) .......... 855
27.9.2.6. Sentença Estrangeira Homologada pelo STJ (art. 475-N, VI) ........................................................ 855
27.9.2.7. Formal e a Certidão de Partilha, Exclusivamente em Relação ao Inventariante, aos Herdeiros e aos
Sucessores a Título Singular ou Universal (art. 475-N, VII) .......................................................................... 855
27.9.3. Títulos Executivos Extrajudiciais (art. 585, CPC) .................................................................. 855
27.9.3.1. Letra de Câmbio, a Nota Promissória, a Duplicata, a Debênture e o Cheque (art. 585, I) ............ 856
27.9.3.2. Escritura Pública ou Outro Documento Público Assinado pelo Devedor; o Documento Particular
Assinado pelo Devedor e por 02 Testemunhas; o Instrumento de Transação Referendado pelo Ministério
Público, pela Defensoria Pública ou pelos Advogados dos Transatores (art. 585, II) .................................. 856
27.9.3.3. Contratos Garantidos por Hipoteca, Penhor, Anticrese e Caução, bem como os de Seguro de Vida
(art. 585, III) ................................................................................................................................................. 857
27.9.3.4. Crédito Decorrente de Foro e Laudêmio (art. 585, IV) ................................................................. 857
27.9.3.5. Crédito, Documentalmente Comprovado, Decorrente de Aluguel de Imóvel, Bem como de
Encargos Acessórios, tais como Taxas e Despesas de Condomínio (art. 585, V) ......................................... 857
27.9.3.6. Crédito de Serventuário de Justiça, de Perito, de Intérprete, ou de Tradutor, quando as Custas,
Emolumentos ou Honorários forem Aprovados por Decisão Judicial (art. 585, VI)..................................... 858
27.9.3.7. Certidão de Dívida Ativa da Fazenda Pública da União, dos Estado, do Distrito Federal, dos
Território e Municípios, Correspondente aos Créditos Inscritos na Forma da Lei (art. 585, VII) ................ 858
27.9.3.8. Todos os Demais Títulos, a que, por Disposição Expressa, a Lei Atribuir Força Executiva (art. 585,
VIII) .............................................................................................................................................................. 858
27.10. EXECUÇÃO PROVISÓRIA ................................................................................................................... 858
27.10.1. Conceito ............................................................................................................................. 858
27.10.2. Execução Provisória de Título Executivo Extrajudicial ....................................................... 859
27.10.3. Desenvolvimento da Execução Provisória .......................................................................... 860
27.10.4. Caução na Execução Provisória (art. 475-O, III) ................................................................. 861
27.10.4.1. Dispensa da Caução (art. 475-O, § 2º) ........................................................................................ 862
27.10.5. Responsabilidade Objetiva do Exequente (art. 475-O, I) ................................................... 863
27.10.6. Autos da Execução Provisória (art. 475-O, § 3º) ................................................................ 863
27.10.7. Execução Provisória contra a Fazenda Pública .................................................................. 863
27.10.8. Impossibilidade de Aplicação da Multa do Art. 475-J na Execução Provisória .................. 865
27.11. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTIVA ............................................................................................. 866
27.12. NULIDADES NO PROCESSO DE EXECUÇÃO ............................................................................................ 866
27.13. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DA OBRIGAÇÃO DE FAZER E NÃO FAZER (ART. 461) ..................................... 867
27.13.1. Introdução.......................................................................................................................... 867
27.13.2. Espécies de Tutelas Cabíveis .............................................................................................. 868
27.13.2. Aspectos Procedimentais ................................................................................................... 869
27.13.3. Tutela Específica e Conversão em Perdas e Dano (art. 461, § 1º) ..................................... 870
27.13.3.1. Vontade do Exequente ............................................................................................................... 870
27.13.3.2. Procedimento da Conversão em Perdas e Danos ....................................................................... 871
27.13.4. Atipicidade das Formas Executivas (art. 461, § 5º)............................................................ 871
27.13.5. Multa Coercitiva ou Astreintes (art. 461, § § 4º, 5º e 6º) .................................................. 872
27.13.5.1. Valor da Multa ............................................................................................................................ 872
27.13.5.2. Beneficiado pela Multa ............................................................................................................... 872
27.13.5.3. Alteração do Valor e Periodicidade da Multa (art. 461, § 6º) ..................................................... 874
27.13.5.4. Exigibilidade da Multa ................................................................................................................ 875

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27.13.5.5. Defesa do Executado .................................................................................................................. 877


27.13.5.5. Cabimento das Astreintes ...................................................................................................... 877
27.14. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DA OBRIGAÇÃO DE ENTREGAR COISA (ART. 461-A) ..................................... 879
27.14.1. Introdução.......................................................................................................................... 879
27.14.2. Aspectos Procedimentais ................................................................................................... 880
27.15. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DA OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA (ART. 475-J, L E M) ................... 881
27.15.1. Fase Inicial do Cumprimento de Sentença: o Cumprimento Voluntário e a Multa Legal
Coercitiva de 10% (art. 475-J) .......................................................................................................... 881
27.15.1.1. Necessidade de Intimação do Devedor ...................................................................................... 882
27.15.1.2. Desnecessidade de Intimação do Devedor Revel ....................................................................... 884
27.15.1.3. Execução por Quantia Certa e Aplicação de Astreintes .............................................................. 884
27.15.1.4. Inaplicabilidade da Multa em Execuções Individuais na Tutela Coletiva .................................... 885
27.15.2. Multa e o Pagamento ........................................................................................................ 886
27.15.3. Necessidade de Provocação do Credor na Instauração da Fase de Cumprimento de
Sentença .......................................................................................................................................... 886
27.15.4. Procedimento ..................................................................................................................... 888
27.15.5. Honorários Advocatícios .................................................................................................... 889
27.16. EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER E NÃO FAZER POR TÍTULO EXTRAJUDICIAL ...................................... 890
27.16.1. Introdução.......................................................................................................................... 890
27.16.2. Obrigações de Fazer (arts. 632 a 638) ............................................................................... 891
27.16.2.1. Execução de Prestações Fungíveis .............................................................................................. 891
27.16.2.1.1. Posturas do Executado ....................................................................................................... 891
27.16.2.1.2. Posturas do Exequente ....................................................................................................... 891
27.16.2.2. Execução de Prestações Infungíveis ........................................................................................... 892
27.16.3. Execução das Obrigações de Não Fazer (arts. 642 e 643) ................................................. 893
27.17. EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE ENTREGAR COISA CERTA OU INCERTA (ARTS. 621 A 631) ............................. 893
27.17.1. Introdução.......................................................................................................................... 893
27.17.1.1. Entrega de Coisa Certa (arts. 621 a 628)..................................................................................... 894
27.17.1.2. Entrega de Coisa Incerta (arts. 629 a 631) .................................................................................. 895
27.17.1.2.1. Natureza Jurídica dos Efeitos da Impugnação ......................................................................... 896
27.18. EXECUÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR SOLVENTE ....................................................... 896
27.18.1. Introdução.......................................................................................................................... 896
27.18.2. Fase de Proposição ............................................................................................................ 897
27.18.2.1. Petição Inicial .............................................................................................................................. 897
27.18.2.2. Averbação da Execução (art. 615-A) ........................................................................................... 898
27.18.2.3. Arresto Executivo (arts. 653 e 654)............................................................................................. 899
27.18.2.4. Citação e Pagamento (art. 652) .................................................................................................. 900
27.18.2.5. Atuação do Oficial de Justiça (art. 652) ...................................................................................... 900
27.18.2.6. Não Localização do Devedor para a Intimação da Penhora (art. 652, § 5º) ............................... 900
27.18.3. Moratória Legal ou Parcelamento (art. 745-A, caput) ...................................................... 900
27.18.3.1. Introdução .................................................................................................................................. 900
27.18.3.2. Requisitos Formais ...................................................................................................................... 901
27.18.3.3. Procedimento ............................................................................................................................. 902
27.18.3.4. Inadimplemento das Parcelas ..................................................................................................... 902
27.18.3. Fase de Instrução ............................................................................................................... 902
27.18.3.1. Penhora ...................................................................................................................................... 902
27.18.3.1.1. Definição ............................................................................................................................. 902
27.18.3.1.2. Natureza Jurídica ................................................................................................................ 903
27.18.3.1.3. Função da Penhora ............................................................................................................. 903
27.18.3.1.5. Efeitos da Penhora – Consequências para o Terceiro de Boa Fé - Preferência ................... 903
27.18.3.1.6. Bens Absolutamente Impenhoráveis (art. 649) .................................................................. 906

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27.18.3.1.7. Bens Relativamente Impenhoráveis (art. 650) .................................................................... 908


27.18.3.1.8. Ordem Legal de Penhora (art. 655)..................................................................................... 908
27.18.3.1.9. Dever de Cooperação do Executado na Localização de Bens na Penhora .......................... 908
27.18.3.1.10. Local da Penhora............................................................................................................... 909
27.18.3.1.11. Penhora de Dinheiro (Online) ........................................................................................... 909
27.18.3.1.12. Penhora de Percentual do Faturamento de Empresa Devedora (art. 655-A, § 3º) ........... 912
27.18.3.1.13. Penhora de Imóvel ............................................................................................................ 913
27.18.3.1.14. Procedimento da Penhora (arts. 659 a 676) ..................................................................... 913
27.18.3.1.16. Intimação da Penhora ....................................................................................................... 914
27.18.3.1.17. Penhoras Especiais ............................................................................................................ 915
27.18.3.1.16. Modificação e Reforço da Penhora ................................................................................... 917
27.18.3.2. Avaliação (arts. 680 a 684).......................................................................................................... 918
27.18.4. Formas de Expropriação ou Alienação............................................................................... 919
27.18.4.1. Adjudicação (arts. 685-A e 685-B) .............................................................................................. 920
27.18.4.1.1. Valor da Adjudicação .......................................................................................................... 920
27.18.4.1.2. Legitimados a Adjudicar ...................................................................................................... 921
27.18.4.1.3. Concurso de Pretendentes à Adjudicação .......................................................................... 921
27.18.4.1.4. Auto de Adjudicação (art. 685-B) ........................................................................................ 921
27.18.4.1.5. Adjudicação Provisória........................................................................................................ 922
27.18.4.2. Alienação por Iniciativa Particular (art. 685-C) ........................................................................... 922
27.18.4.2.1. Alienação pelo Exequente e a Necessidade de seu Pedido ................................................ 922
27.18.4.2.2. Alienação por Corretor Credenciado perante a Autoridade Judiciária ............................... 922
27.18.4.2.3. Requisitos para a Alienação (art. 685-C, § 1º)..................................................................... 923
27.18.4.2.4. Aperfeiçoamento da Alienação Particular .......................................................................... 923
27.18.4.3. Alienação em Hasta Pública (arts. 687 a 707) ............................................................................. 924
27.18.4.3.1. Requisitos Formais e Publicação do Edital (arts. 686 e 687) ............................................... 924
27.18.4.3.2. Dispensa da Publicação de Editais (art. 686, § 3º) .............................................................. 925
27.18.4.3.3. Comunicações da Hasta Pública (art. 687, § 5º) ................................................................. 925
27.18.4.3.4. Realização da Hasta Pública ................................................................................................ 925
27.18.4.3.5. Legitimados a Arrematar (art. 690-A) ................................................................................. 926
27.18.4.3.6. Procedimento ..................................................................................................................... 926
27.18.4.3.7. Auto de Arrematação.......................................................................................................... 927
27.18.4.3.8. Arrematação Ineficaz (art. 694, § 1º) .................................................................................. 928
27.18.4.3.9. Carta de Arrematação ......................................................................................................... 929
27.18.4.3.10. Efeitos da Arrematação .................................................................................................... 929
27.18.4.3.11. Evicção .............................................................................................................................. 930
27.18.4.3.12. Vícios Redibitórios ............................................................................................................ 931
27.18.4.3.13. Ação Anulatória de Arrematação e Embargos à Arrematação ......................................... 932
27.18.4.4. Usufruto Executivo de Móvel ou Imóvel (arts. 716 a 724).......................................................... 933
27.18.4.4.1. Objeto do Usufruto ............................................................................................................. 933
27.18.4.4.2. Procedimento ..................................................................................................................... 933
27.18.5. Pagamento ........................................................................................................................ 934
27.18.5.1. Entrega de Dinheiro ao Credor (arts. 709 a 713) ........................................................................ 934
27.18.5.1.1. Concurso Singular de Credores ........................................................................................... 934
27.18.6. Honorários Advocatícios em Execução de Título ............................................................... 935
27.19. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA ............................................................................................ 937
27.19.1. Introdução.......................................................................................................................... 937
27.19.2. Execução por Quantia Certa em Face da Fazenda Pública ................................................ 937
27.19.3. A Defesa da Fazenda Pública e os Embargos à Execução (art. 741) .................................. 938
27.19.3.1. O P. Único do Art. 741 do CPC .................................................................................................... 939
27.19.4. Natureza Jurídica da Atividade do Presidente do Tribunal do Precatório.......................... 940
27.19.5. Atualização Monetária e Juros no Pagamento dos Precatórios ........................................ 941

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27.19.6. Casos de Dispensa de Precatório ....................................................................................... 941


27.19.7. Execução Provisória contra a Fazenda Pública .................................................................. 942
27.19.8. Execução de Fazer, Não Fazer e Entregar Coisa contra a Fazenda Pública ....................... 942
27.19.9. Ação Monitória contra a Fazenda Pública ......................................................................... 942
27.19.10. Aprofundamentos Finais .................................................................................................. 944
27.20. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS ................................................................................................................ 945
27.20.1. Execução por Quantia Certa contra Devedor Solvente vs. Prisão Civil .............................. 945
27.20.2. Prisão Civil e Alimentos Indenizatórios .............................................................................. 946
27.20.3. Execução de Alimentos e Lei nº 11.232/2005 .................................................................... 946
27.20.4. Execução de Liminar de Alimentos Provisionais e de Sentença Condenatória de Alimentos
......................................................................................................................................................... 947
27.21. EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR INSOLVENTE ............................................................ 947
27.21.1. Caracterização da Insolvência ........................................................................................... 948
27.21.2. Fases do Processo de Insolvência ....................................................................................... 948
27.21.3. Características da Execução Coletiva ................................................................................. 949
27.21.4. Efeitos da Declaração de Insolvência ................................................................................. 949
27.21.5. Legitimidade Ativa ............................................................................................................. 950
27.21.6. Competência ...................................................................................................................... 951
27.21.7. Sentença ............................................................................................................................ 951
27.21.8. Administrador Judicial ....................................................................................................... 952
27.21.9. Habilitação ......................................................................................................................... 952
27.21.10. Quadro Geral de Credores ............................................................................................... 953
27.21.11. Apuração do Ativo e Pagamento dos Credores ............................................................... 953
27.21.12. Encerramento e Suspensão do Processo .......................................................................... 954
27.21.13. Saldo Devedor .................................................................................................................. 954
27.21.14. Extinção das Obrigações .................................................................................................. 955
27.21.15. Disposições Gerais ........................................................................................................... 955
27.21.16. Ausência de Bens Penhoráveis do Devedor ..................................................................... 956
27.22. DEFESAS DO EXECUTADO ................................................................................................................. 956
27.22.1. Embargos à Execução (arts. 736 a 740) ............................................................................. 956
27.22.1.1. Natureza Jurídica ........................................................................................................................ 956
27.22.1.2. Garantia do Juízo ........................................................................................................................ 957
27.22.1.3. Prazo dos Embargos.................................................................................................................... 957
27.22.1.4. Rejeição Liminar dos Embargos .................................................................................................. 957
27.22.1.4.1. Intempestividade dos Embargos ......................................................................................... 958
27.22.1.4.2. Inépcia da Petição Inicial..................................................................................................... 958
27.22.1.4.3. Embargos Manifestamente Protelatórios ........................................................................... 958
27.22.1.5. Efeitos Suspensivo ...................................................................................................................... 958
27.22.1.5.1. Requisitos ........................................................................................................................... 958
27.22.1.5.2. Ausência de Preclusão Judicial ............................................................................................ 959
27.22.1.5.3. Limitação Objetiva e Subjetiva do Efeito Suspensivo ......................................................... 959
27.22.1.5.4. Suspensão Parcial do Processo ........................................................................................... 960
27.22.1.6. Procedimento dos Embargos ...................................................................................................... 960
27.22.1.6.1. Início do Procedimento ....................................................................................................... 960
27.22.1.6.2. Revelia ................................................................................................................................ 960
27.22.1.6.3. Decisão dos Embargos ........................................................................................................ 960
27.22.1.6.4. Competência para Conhecer dos Embargos ....................................................................... 961
27.22.1.6.5. Extinção dos Embargos por Desistência da Execução ......................................................... 961
27.22.1.7. Matérias que Podem ser Alegadas nos Embargos ...................................................................... 961
27.22.2. Embargos de Terceiros e Embargos do Executado ............................................................ 962

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28

27.22.3. Impugnação ao Cumprimento de Sentença ....................................................................... 965


27.22.4. Exceção de Pré- Executividade ........................................................................................... 968
27.22.4.1. Exceção de Pré-Executividade: Amparo Normativo ................................................................... 971
27.23. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................... 971

28. JUIZADO ESPECIAL FEDERAL CÍVEL ............................................................................................... 983

28.1. INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 983


28.2. COMPETÊNCIA ................................................................................................................................. 984
28.2.1. Controle da Competência dos Juizados Via Mandado de Segurança perante o Tribunal .... 989
28.3. DELEGAÇÃO PARA A JUSTIÇA ESTADUAL E APLICAÇÃO DA LEI DO JEF .......................................................... 991
28.4. VALOR DA CAUSA ............................................................................................................................. 993
28.5. PARTES .......................................................................................................................................... 994
28.6. SENTENÇA LÍQUIDA........................................................................................................................... 994
28.7. RECURSOS ...................................................................................................................................... 994
28.7.1. As Turmas Recursais ............................................................................................................ 995
28.7.2. Os Incidentes de Uniformização .......................................................................................... 996
28.7.3. Recurso Extraordinário ........................................................................................................ 998
28.7.4. Cabimento de Reclamação para o STJ ................................................................................. 999
28.7.5. Enunciados do FONAJEF sobre Recursos ............................................................................ 1001
28.7.6. Ação Rescisória e Ação Anulatória..................................................................................... 1001
28.7.7. Mandado de Segurança como Sucedâneo Recursal no JEF ............................................... 1004
28.8. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA........................................................................................................... 1006
28.8.1. Execução de Valor Condenatório Superior à Competência dos Juizados: Competência do JEF
....................................................................................................................................................... 1007
28.8.2. Execução de Astreintes nos Juizados: Comptência em Função do Valor ........................... 1008
28.9. CUSTAS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS .............................................................................................. 1010
28.10. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................. 1010

29. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS ...................................................................................................... 1014

29.1. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO ............................................................................................................. 1019


28.1.1. Ação de Desapropriação no Decreto-Lei nº 3.365/41 ........................................................ 1020
28.1.2. Ação de Desapropriação na LC nº 76/93 ........................................................................... 1025
28.2. AÇÃO MONITÓRIA.......................................................................................................................... 1028
28.2.1. Conceito ............................................................................................................................. 1028
28.2.2. Natureza Jurídica ............................................................................................................... 1028
28.2.3. Admissibilidade .................................................................................................................. 1028
28.2.4. Fazenda Pública e Ação Monitória .................................................................................... 1029
28.2.5. Ingresso da Monitória ........................................................................................................ 1030
28.2.6. Posturas do Réu ................................................................................................................. 1030
28.2.7. O Mérito no Processo Monitório e seu Julgamento ........................................................... 1030
28.2.8. Natureza Jurídica dos Embargos ao Mandado Monitório ................................................. 1031
28.2.9. Procedimento dos Embargos à Monitória ......................................................................... 1031
28.2.10. Cumprimento de Sentença ............................................................................................... 1032
28.2.11. Impossibilidade de Conversão de Ação Executiva em Ação Monitória ............................ 1032
28.2.12. Súmulas Aplicáveis ........................................................................................................... 1032
28.3. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO (ARTS. 890 A 900)................................................................ 1033
28.3.1. Consignação por Dúvida quanto à Titularidade do Crédito ............................................... 1036
28.3.2. Resgate da Enfiteuse.......................................................................................................... 1036
28.3.3. Consignação de Aluguéis e Acessórios da Locação ............................................................ 1037
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28.4. AÇÃO POSSESSÓRIA (ARTS. 920 A 933) ............................................................................................. 1037


28.4.1. Introdução.......................................................................................................................... 1037
28.4.2. Hipóteses de Cabimento e Competência ........................................................................... 1040
28.4.3. Legitimidade Ativa e Passiva ............................................................................................. 1041
28.4.4. Pedidos............................................................................................................................... 1042
28.4.5. Procedimento ..................................................................................................................... 1043
28.4.6. Confronto entre Ações Possessórias e Petitórias ............................................................... 1045
28.5. AÇÃO DE DEMARCAÇÃO DE TERRAS PARTICULARES ............................................................................... 1047
28.5.1. Legitimidade Ativa ............................................................................................................. 1047
28.5.2. Legitimação Passiva ........................................................................................................... 1048
28.5.3. Competência ...................................................................................................................... 1048
28.5.4. Conexão e Litispendência ................................................................................................... 1049
28.5.5. Petição Inicial ..................................................................................................................... 1049
28.5.6. Revelia................................................................................................................................ 1049
28.5.7. Pendência de Ação Possessória ......................................................................................... 1049
28.5.8. Coisa Julgada ..................................................................................................................... 1049
28.5.9. Registro de Imóveis ............................................................................................................ 1050
28.5.10. O Usucapião como Matéria de Defesa (Exceção de Usucapião) ...................................... 1050
28.5.11. Súmulas Aplicáveis ........................................................................................................... 1050
28.6. EMBARGOS DE TERCEIROS ................................................................................................................ 1051
28.7. AÇÃO DE DEPÓSITO (ARTS. 901 A 906) ............................................................................................. 1056
28.8. AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS (ARTS. 914 A 919) .......................................................................... 1056
28.8.1. Ação de Prestação de Contas em Contratos de Conta Corrente ........................................ 1057
28.9. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................... 1059

30. TUTELAS DE URGÊNCIA .............................................................................................................. 1061

30.1. TUTELA ANTECIPADA E CAUTELAR: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ............................................................ 1063


30.1.1. Tutela Definitiva: Satisfativa (Padrão) e Cautelar ............................................................. 1063
30.1.2. A Tutela Provisória (Sumária e Precária): Tutela Antecipada. Antecipação dos Efeitos da
Tutela Definitiva............................................................................................................................. 1063
30.1.3. Tutela Cautelar e Tutela Antecipada: Distinções ............................................................... 1064
30.1.4. A Fungibilidade entre Tutela Cautelar e Antecipada Satisfativa (art. 273, § 7º, CPC) ....... 1065
30.1.4.1. Não Há Fungibilidade de Mão Dupla .......................................................................................... 1065
30.1.5. Tutela de Urgência X Tutela de Evidência .......................................................................... 1066
30.2. TUTELA ANTECIPADA ...................................................................................................................... 1066
30.2.1. Diferença entre Liminar e Tutela Antecipada .................................................................... 1066
30.2.2. Tutela Antecipada e Julgamento Antecipado da Lide ........................................................ 1067
30.2.3. Análise do Art. 273 do CPC ................................................................................................. 1067
30.2.3.1. Efeitos Antecipáveis .................................................................................................................... 1067
30.2.3.1.1. Antecipação da Eficácia Social da Tutela ............................................................................ 1067
30.2.3.1.2. A Antecipação nas Ações Constitutivas e Declaratórias ..................................................... 1067
30.2.3.2. Cabimento .................................................................................................................................. 1068
30.2.3.3. Hipóteses de Antecipação: Assecuratória e Punitiva .................................................................. 1068
30.2.3.4. Pressupostos Gerais.................................................................................................................... 1069
30.2.3.4.1. Prova Inequívoca e Verossimilhança das Alegações ........................................................... 1069
30.2.3.4.2. Reversibilidade dos Efeitos do Provimento e Caução ......................................................... 1069
30.2.3.5. Pressupostos Alternativos .......................................................................................................... 1070
30.2.3.5.1. Noções Iniciais .................................................................................................................... 1070
30.2.3.5.2. Perigo da Demora ............................................................................................................... 1070
30.2.3.5.3. Atos Protelatórios e Abusivos da Parte ............................................................................... 1070
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30.2.3.6. Legitimidade ............................................................................................................................... 1071


30.2.3.6.1. Autor, Réu e Terceiro Interveniente ................................................................................... 1071
30.2.3.6.2. Antecipação de Tutela Negativa ......................................................................................... 1071
30.2.3.6.32. Ministério Público ............................................................................................................. 1071
30.2.3.6.4. Concessão Ex Officio ........................................................................................................... 1071
30.2.3.7. Forma de Requerimento ............................................................................................................. 1072
30.2.3.7.1. Concessão de Tutela Antecipada Diversa da Pedida pela Parte ......................................... 1073
30.2.3.8. Momento .................................................................................................................................... 1073
30.2.3.8.1. Considerações Iniciais ......................................................................................................... 1073
30.2.3.8.2. Liminarmente...................................................................................................................... 1073
30.2.3.8.3. Na Sentença ........................................................................................................................ 1073
30.2.3.8.4. Em Grau Recursal ................................................................................................................ 1073
30.2.3.9. Instrução e Audiência de Justificação Prévia .............................................................................. 1074
30.2.3.10. Manifestação do Requerido ..................................................................................................... 1074
30.2.3.11. Decisão ..................................................................................................................................... 1074
30.2.3.12. Efetivação ................................................................................................................................. 1074
30.2.3.13. Possibilidade de Revogação/Modificação ................................................................................ 1074
30.2.3.14. Eficácia Temporal da Tutela Antecipada ................................................................................... 1075
30.2.3.14.1. Eficácia da Tutela Antecipada e Julgamento de Agravo de Instrumento .......................... 1076
30.2.3.15. Recursos ................................................................................................................................... 1077
30.2.4. Resolução Parcial do Mérito da Causa (art. 273, § 6º) ...................................................... 1078
30.2.4.1. Introdução .................................................................................................................................. 1078
30.2.4.2. Natureza Jurídica ........................................................................................................................ 1078
30.2.4.3. Execução ..................................................................................................................................... 1079
20.2.4.4. Tutela Antecipada nas Obrigações de Entrega de Coisa ............................................................. 1079
30.2.5. Tutela Antecipada contra a Fazenda Pública ..................................................................... 1079
30.2.5.1. Generalidades ............................................................................................................................. 1079
30.2.5.2. Leis Fundamentais de Limitação da Tutela Antecipada e sua Constitucionalidade .................... 1079
30.2.5.3. Exigência do Trânsito em Julgado para a Expedição de Precatório (EC nº 62/09) ...................... 1080
30.2.5.4. Tutela Antecipada da Obrigação de Fazer, Não Fazer e Dar Coisa ............................................. 1080
30.2.5.5. Meios de Impugnação da Concessão de Tutela Antecipada contra a Fazenda Pública .............. 1081
30.3. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................... 1081

31. MEDIDAS CAUTELARES – TEORIA GERAL (ARTS. 796 A 812) ....................................................... 1083

31.1. CARACTERÍSTICAS ........................................................................................................................... 1083


31.1.1. Sumariedade ...................................................................................................................... 1083
31.1.2. Provisoriedade ou Temporariedade? ................................................................................. 1084
31.1.3. Instrumentalidade.............................................................................................................. 1084
31.1.4. Revogabilidade .................................................................................................................. 1085
31.2. COMPETÊNCIA (ART. 800) ............................................................................................................... 1085
31.2.1. Críticas ao Art. 800 do CPC ................................................................................................ 1085
31.2.2. Ações Cautelares Probatórias ............................................................................................ 1086
31.2.3. Competência e Prevenção do Juízo .................................................................................... 1086
31.2.3.1. Juiz Competente e Prevenção..................................................................................................... 1086
31.2.3.2. Juízo Incompetente e Prevenção ................................................................................................ 1086
31.2.3.3. Prevenção do Juízo e Cautelares Probatórias ............................................................................. 1086
31.2.3.4. Competência Cautelar em Grau Recursal (art. 800, p. único)..................................................... 1086
31.3. MÉRITO CAUTELAR ......................................................................................................................... 1087
31.4. PROCEDIMENTO ............................................................................................................................. 1087
31.4.1. Petição Inicial ..................................................................................................................... 1087
31.4.2. Contraditório na Demanda Cautelar (art. 802).................................................................. 1087
31.4.3. Revelia (art. 803, caput)..................................................................................................... 1088
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31.4.4. Instrução Probatória .......................................................................................................... 1088


31.4.5. Sentença ............................................................................................................................ 1089
31.5. LIMINAR (ART. 804) ....................................................................................................................... 1089
31.6. COISA JULGADA MATERIAL............................................................................................................... 1089
31.7. PODER GERAL DE CAUTELA .............................................................................................................. 1090
31.8. PRAZO DE EFICÁCIA DA MEDIDA CAUTELAR ......................................................................................... 1090
31.9. CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA TUTELA CAUTELAR (ART. 808) ..................................................................... 1091
31.9.1. Não Propositura da Ação Principal em 30 Dias (art. 808, I) ............................................... 1091
31.9.2. Ausência de Execução da Tutela Cautelar no Prazo de 30 Dias (art. 808, II) ..................... 1091
31.9.3. Extinção do Processo Principal com ou sem Resolução de Mérito..................................... 1091
31.10. RESPONSABILIDADE OBJETIVA (ART. 811) ......................................................................................... 1091
31.10.1. Introdução........................................................................................................................ 1091
31.10.2. Hipóteses de Responsabilidade Objetiva ......................................................................... 1092
31.10.3. Liquidação e Execução ..................................................................................................... 1092
31.11. CAUTELARES INOMINADAS ............................................................................................................. 1092
31.12. CAUTELARES NOMINADAS.............................................................................................................. 1093
31.12.1. Arresto ............................................................................................................................. 1093
31.12.1.1. Hipóteses de Cabimento........................................................................................................... 1094
31.12.1.2. Pressupostos de Concessão ...................................................................................................... 1094
31.12.1.3. Comprovação dos Pressupostos de Concessão ........................................................................ 1095
31.12.1.4. Procedimento ........................................................................................................................... 1095
31.12.1.5. Efeitos ....................................................................................................................................... 1095
31.12.1.6. Extinção .................................................................................................................................... 1096
31.12.2. Sequestro ......................................................................................................................... 1096
31.12.2.1. Cabimento (art. 812)................................................................................................................. 1096
31.12.2.2. Pressupostos de Concessão ...................................................................................................... 1097
31.12.2.3. Aplicação das Normas Relativas ao Arresto .............................................................................. 1097
31.12.3. Caução ............................................................................................................................. 1097
31.12.3.1. Procedimento ........................................................................................................................... 1098
31.12.4. Busca e Apreensão (arts. 839 a 843) ............................................................................... 1100
31.12.4.1. Procedimento ........................................................................................................................... 1100
31.12.5. Exibição (arts. 844 e 845) ................................................................................................. 1101
31.12.5.1. Hipóteses de Cabimento e Natureza ........................................................................................ 1101
31.12.5.2. Legitimidade ............................................................................................................................. 1102
31.12.5.3. Procedimento ........................................................................................................................... 1102
31.12.5.3.1. Exibição Proposta contra a Parte Titular do Dever de Exibir e da Relação Jurídica de Direito
Material ................................................................................................................................................ 1102
31.12.5.3.2. Exibição Proposta contra o Terceiro, Titular do Dever de Exibir mas não da Relação Jurídica
de Direito Material ............................................................................................................................... 1103
31.12.6. Produção Antecipada de Provas (arts. 846 a 851) ........................................................... 1103
31.12.6.1. Hipóteses de Cabimento ...................................................................................................... 1104
31.12.6.2. Procedimento ...................................................................................................................... 1105
31.12.7. Protestos, Notificações e Interpelações (arts. 867 a 873) ................................................ 1105
31.12.7.1. Protesto .................................................................................................................................... 1105
31.12.7.2. Notificação ................................................................................................................................ 1107
31.12.7.3. Interpelação .............................................................................................................................. 1107
31.12.8. Atentado (arts. 879 a 881) ............................................................................................... 1107
31.12.8.1. Pressupostos ............................................................................................................................. 1108
31.12.8.2. Legitimidade ............................................................................................................................. 1109
31.12.8.3. Procedimento ........................................................................................................................... 1109
31.12.8.4. Sentença: Efeitos e Execução ................................................................................................... 1110
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31.13. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................. 1110

32. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA........................................................ 1113

33. PROCEDIMENTO SUMÁRIO ........................................................................................................ 1113

33.1. OBSERVAÇÕES DE PROVAS ............................................................................................................... 1113

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1. Jurisdição
1.1. Conceito e Características da Jurisdição

1.1.1. Conceito
Trata-se da FUNÇÃO atribuída a terceiro imparcial (Estado) de aplicar o direito objetivo ao caso
concreto, resolvendo por decisão definitiva e não passível de controle externo uma situação de
crise e gerando pacificação social.

A jurisdição é um PODER, já que representa o poder estatal de interferir na esfera jurídica dos
jurisdicionados.

A jurisdição, apesar de típica, não é função exclusiva do Poder Judiciário, já que os demais
Poderes exercem também a função judicante. A diferença é que a decisão destes não se
acoberta da coisa julgada material.

Vista como ATIVIDADE, a jurisdição é o complexo dos atos praticados pelo agente estatal
investido de jurisdição no processo. Nesse sentido, a jurisdição se aproxima da noção de
processo. Logo, são óticas da jurisdição:

Função
Poder
Atividade

1.1.1.1. Dinossauros da Jurisdição: Chiovenda e Carnelutti


Sobre a jurisdição, há também duas concepções clássicas, a de Chiovenda e a de Carnelutti.

Carnelutti era adepto de uma teoria chamada de teoria unitária do ordenamento jurídico; por
esta teoria ele e seus adeptos entendiam que o direito processual não tinha vida própria, ele
era um adendo do direito civil; época em que era chamado de direito adjetivo. Então era uma
época em que Carnelutti estava tentando provar que o processo civil era uma ciência à parte e
tão ou mais importante o que direito civil.

Segundo ele, o direito material não cria direito subjetivo, cria apenas uma expectativa de
direito. Isso porque o Código Civil estabelece uma série de determinações que serão
respeitadas de maneira espontânea pelas partes. O direito material não assegura meio algum
para se dirigir ao indivíduo, então de acordo com Carnelutti, para se obter o cumprimento
adequado da obrigação você vai precisar se socorrer do processo.

Para o Estado exercer a jurisdição, será preciso um instrumento que é o processo, mas o que
irá assegurar o cumprimento da obrigação é a sentença que será proferida no processo.
Segundo Carnelutti, é a sentença proferida no processo que cria direito subjetivo.

O MPF gosta de perguntar o que é o ARCO DE CARNELUTTI: este é exatamente essa primeira
fase em que ele afirma que o direito material cria uma mera expectativa de direito; o que
efetivamente cria direito subjetivo é a sentença proferida em um processo, é o que completa o
todo. É ela, sentença, que cria direito subjetivo.

Para Carnelutti, o direito objetivo não tem condições para disciplinar, sempre, todos os
conflitos de interesses, sendo necessário, muitas vezes, o processo para a complementação

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dos comandos da lei. O comando contido na lei é incompleto; é como se fosse um arco, que a
sentença completa, transformando em círculo. Não é tão nítida assim a cisão entre o direito
material e o direito processual. O processo participa da criação de direitos subjetivos e
obrigações, os quais só nascem efetivamente quando existe uma sentença a respeito. O
processo tem, assim, o escopo de compor a lide, ou seja, de discipliná-la, ditando a regra que a
soluciona.

De acordo com a teoria de Carnelutti jurisdição seria simplesmente a busca da justa


composição da lide.

Mas esta não é a teoria predominante; o nosso sistema adota a teoria de Chiovenda.

Chiovenda era adepto da teoria dualista do ordenamento jurídico. Por ela o ordenamento é
dividido em dois planos: o do direito material, que efetivamente cria direito subjetivo; e um
segundo plano que é o do direito processual.

Quando o plano do direito material é objeto de algum tipo de violação ela precisa ser corrigida
e o Estado é chamado a dizer qual é a interpretação que efetivamente deve ser dada àquela
norma, o que foi feito de errado que precisa ser corrigido.

Essa solução é realizada no plano do direito processual onde o Estado declara a vontade
concreta da lei. É por isso que, segundo Chiovenda, o conceito de jurisdição é o de aplicação da
vontade concreta da lei.

Essa aplicação da vontade concreta da lei realizada no plano do direito processual será
realizada através da substituição por órgãos públicos da vontade dos particulares ou de outros
órgãos públicos. Seja para declarar a vontade da lei (processo de conhecimento), seja para
torná-la efetiva (processo de execução).

1.1.1.2. Teorias Modernas da Jurisdição


Outras correntes de pensamento são mencionadas aqui no Brasil: a primeira delas é a do
Marinoni, lançada em 2000, com o livro “Novas linhas de processo civil”. Nesse livro ele
defendia que o conceito de jurisdição é maleável, volúvel, e, por isso, depende do tipo de
Estado e da época em que a jurisdição é exercida.

Quer basicamente dizer que se a jurisdição foi exercida pelo Estado nazista na década de 40,
por exemplo, é um tipo de jurisdição; se exercida pelo estado comunista na década de 30,
outro tipo de jurisdição; se exercida pelo Estado democrático de direito no ano 2000, é um
outro tipo de jurisdição. Então, a jurisdição não tem um conceito definido porque ela é
maleável, depende do tipo de Estado e da época.

Mas no curso que Marinoni tem agora de processo civil, ele afirma que o conceito de jurisdição
é baseado na aplicação da lei, mas sempre pautado pela observância dos princípios
constitucionais especialmente aqueles relacionados aos direitos fundamentais.

Então, ele afirma que modernamente só se pode falar em jurisdição se o Estado aplicar a lei
observando sempre a Constituição e os direitos fundamentais. Na verdade, segundo ele, o
Estado precisa sempre aplicar a Constituição, pois só assim há jurisdição, observando os
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35

direitos constitucionais. É um conceito muito importante na área federal, já que Marinoni já


teve uma tremenda ingerência nesta área.

A mais moderna das posições é a de Fredie Didier, que no primeiro volume de sua obra afirma
que a jurisdição é uma função atribuída a um terceiro imparcial de realizar o direito de
maneira imperativa e criativa reconhecendo, efetivando e protegendo situações jurídicas
concretamente deduzidas em decisão insuscetível de controle externo e com aptidão para se
tornar imutável ou indiscutível.

O conceito dele foi o analisado no início.

Importante deixar consignado que Didier sempre rejeitou a teoria do Carnelutti, a ideia dele
aqui é de que quando o juiz julga um pedido, ele vai pegar a lei que é abstrata e aplicar àquele
caso. Para ele o juiz estaria moldando a lei de uma determinada forma específica para o caso.
Mas para a doutrina tradicional os tribunais não criam nada, eles vão até a lei, interpretam e
aplicam ao caso concreto.

1.1.2. Heterocomposição
A jurisdição é técnica de solução de litígios por heterocomposição, já que um terceiro substitui
a vontade das partes e soluciona o problema apresentado. Trata-se, pois, do fenômeno da
substitutividade, conforme prelecionava Chiovenda.

O juiz deve ser imparcial, sem interesse no litígio e tratando igualmente as partes; nunca será,
entretanto, neutro, pois a neutralidade implicaria em ausência de manifestação no processo. O
juiz se manifesta, tendendo a uma solução da lide.

1.1.3. Jurisdição como Atividade Criativa


A jurisdição é função criativa; cria-se a norma do caso concreto, bem como se cria, muitas
vezes, a própria regra abstrata que deve regular o caso concreto. A norma é individualizada na
medida em que se a adapta à situação posta sub judice.

TAMBÉM É POSSÍVEL QUE A NORMA SEJA MODIFICADA ABSTRATAMENTE, EM


FUNÇÃO DE UMA INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO, NO ÂMBITO DO
CONTROLE DIFUSO OU CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE.

A norma jurídica criada e contida na fundamentação do julgado compõe a ratio decidendi. Não
é essa a norma individual, a qual vem contida no dispositivo da sentença.

Logo, diferentemente do que propugnava a teoria clássica, o juiz não apenas declara a lei ou
cria a norma individual (dispositivo) a partir da norma geral. Ele efetivamente constrói a norma
jurídica.

Com o avanço do uso dos princípios, mais criativa ainda se tornou a jurisdição; isso. Por
evidente, gera muitas críticas que serão analisadas ao longo desse resumo.

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36

A criatividade judicial pode ser justificada ainda pelo princípio da inafastabilidade da jurisdição,
que proíbe a recusa da prestação jurisdicional ainda que não haja solução legal prevista
(vedação ao non liquet).

1.1.4. A Jurisdição Sempre Atua em uma Situação Concreta


A jurisdição sempre atua quando determinado problema é levado ao tribunal, ainda que se
trate dos processos de controle objetivo de constitucionalidade; isso porque no processo
objetivo, a situação concreta é a discussão sobre a higidez do ordenamento jurídico. Não se há
limitar situação concreta a uma situação fática.

Essa questão está intimamente ligada ao princípio da inércia da jurisdição, o qual veda o que
processo seja judicialiforme, iniciado de ofício.

Isso é diferente da atuação legislativa, por exemplo, a qual cria as normas abstratas.

1.1.5. Impossibilidade de Controle Externo


Trata-se da característica marcante da atividade jurisdicional, por produzir ela a última decisão
sobre a situação concreta deduzida em juízo, sem a possibilidade de controle algum por outro
Poder.

Veja que essa vedação de controle externo vem ganhando certa mitigação no cenário
internacional, com a possibilidade das Cortes Internacionais se pronunciarem sobre decisões
definitivas prolatadas em países sujeitos à elas.

1.1.6. Escopos ou Finalidades da Jurisdição


Diz-se que a jurisdição tem três escopos: o jurisdicional, o social e o político.

O escopo jurisdicional seria a aplicação da vontade concreta da lei.

Segundo Dinamarco, os escopos sociais seriam em primeiro lugar a pacificação da sociedade e,


em segundo, a realização do bem comum. O Estado, ao realizar a jurisdição, tem sempre em
vista o que a sociedade deseja. E, por fim, através da jurisdição se tem a educação com justiça,
o Estado educa os membros da coletividade através da justiça, ele ensina quais as condutas
que são permitidas e quais não são.

Além das finalidades sociais há o escopo político da jurisdição, que seria a garantia das
liberdades públicas, que nada mais significa do que garantia dos direitos fundamentais. Um
segundo escopo político seria a afirmação da autoridade Estatal, ou do poder Estatal. O poder
é uno, indivisível, e ele, Estado, é o único a exercê-lo proibindo a pessoa de exercer a
autotutela para satisfação, abrindo a oportunidade de nos dirigirmos a ele pleiteando a
atividade jurisdicional. O meio que nos possibilita dirigir ao Estado é o exercício do direito de
ação.

Para aqueles que defendem que a arbitragem é jurisdição, o Estado, através da lei, em
situação excepcional, preenchidas determinadas condições possibilita a escolha de um árbitro
para a solução de um conflito. A arbitragem não foge da regra, só que para encaixá-la aqui

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temos que lembrar que o Estado, através da lei, possibilita que preenchidas determinadas
condições possa ser escolhido um árbitro para a solução de um conflito.

E a última finalidade política é a garantia de participação nos destinos da nação, ou garantia


de participação democrática. Através da jurisdição o Estado oferece meios de qualquer um de
nós participar do destino da nação, então temos a ação popular, mandado de segurança
individual ou coletivo, mandado de injunção, habeas data, habeas corpus, demandas estas que
permitem nossa participação democrática no destino da nação.

Escopo jurisdicional Aplicar ou criar a norma geral e abstrata ao caso concreto


Pacificar a sociedade e educar os seus membros com o valor Justiça
Escopo social
Realizar o bem comum
Garantir os direitos fundamentais
Escopo político Afirmação da autoridade estatal
Garantia de participação democrática

1.2. Equivalentes Jurisdicionais


Trata-se das formas não jurisdicionais de solução de conflitos. São equivalentes porque, não
sendo jurisdição, funcionam como técnica de tutela dos direitos, resolvendo conflitos ou
certificando situações jurídicas.

Todas essas formas são não definitivas, já que passíveis de controle jurisdicional.

Importante ter em mente que as composições não judiciais de conflitos são completamente
fomentadas pela Constitução, a começar do preâmbulo:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional


Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o
exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-
estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de
uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na
harmonia social e COMPROMETIDA, NA ORDEM INTERNA E
INTERNACIONAL, COM A SOLUÇÃO PACÍFICA DAS CONTROVÉRSIAS,
promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

A passar pelos princípios que regem o Brasil nas relações internacionais:

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações


internacionais pelos seguintes princípios:

[...]

VII - solução pacífica dos conflitos;

1.2.1. Autotutela
É a solução de conflitos que se dá com a imposição da vontade por uma das partes; logo, se
diferencia da autocomposição por ser unilateral. Permitida em algumas situações excepcionais
(v.g., desforço imediato), é em regra vedada, chegando até mesmo a se configurar o tipo penal
de exercício arbitrário das próprias razões.
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38

1.2.2. Autocomposição
É a forma de solução de conflitos pelo consentimento espontâneo de um dos contendores em
sacrificar o interesse próprio, no todo ou em parte, em favor do interesse alheio. Pode ocorrer
fora ou dentro do processo. Ela é o gênero, dos quais são espécies:

a) Transação: as partes efetivam concessões mútuas extrajudicialmente. Pode também


ser judicial, sendo devidamente homologada pelo juiz.

RESPONSABILIDADE CIVIL. REALIZAÇÃO DE ACORDO EXTRAJUDICIAL.


QUITAÇÃO TOTAL E IRRESTRITA.

Trata-se de ação proposta visando à reparação de danos causados em


acidente de trânsito a qual foi ajuizada após a realização de acordo entre a
vítima e a empresa de transporte de passageiros. A recorrente alegou
invalidade do negócio celebrado com a transportadora e requereu
judicialmente a complementação da indenização dos danos sofridos no
acidente. No caso, quando da transação, a autora da ação foi acompanhada
por advogado, que também assinou o documento. Nessas circunstâncias, a
Turma entendeu que no acordo foi dada plena quitação da obrigação e que,
não havendo qualquer vício que pudesse macular a manifestação de
vontade da passageira, NÃO SE PODE REDISCUTIR JUDICIALMENTE O
QUE FOI TRANSACIONADO, SOB PENA DE OFENDER O PRINCÍPIO DA
SEGURANÇA JURÍDICA. REsp 1.265.890-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 1º/12/2011.

b) Submissão: reconhecimento da procedência do pedido pelo réu (se feita no curso do


processo).

c) Renúncia: o autor, titular do pretenso direito, a ele renuncia espontaneamente.

Nos termos do art. 269, V, do CPC, o provimento jurisdicional que acolhe a


renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação tem natureza de sentença de
mérito, produzindo coisa julgada material. Logo, cabe ação rescisória do
referido ato, caso presentes os pressupostos do art. 485 do CPC. (STJ, 1S,
Informativo 436, AR 3.506-MG)

1.2.2.1. Transação com o Poder Público


Fundados em um antigo preconceito, no sentido da necessária oposição entre o interesse
público e o particular, entendem alguns que a Administração Pública em juízo não pode
transigir, não pode desistir e está obrigada a prosseguir em qualquer feito, indefinidamente,
enquanto houver algum recurso abstratamente possível.

Mas os tempos são outros. ATUALMENTE, COM BASE NO PRINCÍPIO PARTICIPATIVO,


AFIRMADO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, JÁ SE DESENVOLVEM VÁRIAS AÇÕES CALCADAS
NA COLABORAÇÃO, NO ENTENDIMENTO E NA SOMA DE ESFORÇOS DE AGENTES PRIVADOS E
GOVERNAMENTAIS. A atividade legislativa já se desenvolve hoje em dia com ampla
participação popular. Nos serviços prestados pela Administração Pública, isso é ainda mais
nítido e mais frequente. Diante disso, não pode o Judiciário, nas ações judiciais, simplesmente
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39

vedar e proscrever qualquer entendimento, qualquer negociação, que leve à satisfação do


interesse público.

Nunca é demais lembrar o superprincípio da estabilidade das relações jurídicas. Conflitos


inevitavelmente surgem nas relações jurídicas, criando situações de incerteza e instabilidade.
Mas isso é um mal que não pode ser perpetuado. O objetivo da atividade jurisdicional é a
composição dos conflitos, inclusive aqueles envolvendo a satisfação do interesse público. Uma
das formas de composição do conflito é a conciliação, que pode e deve ser promovida pelo
juiz.

AO OPTAR PELA SOLUÇÃO AMIGÁVEL, A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NÃO ESTÁ


NECESSARIAMENTE TRANSIGINDO COM O INTERESSE PÚBLICO, NEM ABRINDO MÃO
DE INSTRUMENTO DE DEFESA DE INTERESSES PÚBLICOS. Está, sim, escolhendo uma
forma mais expedita ou um meio mais hábil para a defesa do interesse público. O interesse
público não se confunde com o mero interesse da Administração ou da Fazenda Pública. Não
há interesse público legítimo ao se procrastinarem pagamentos efetivamente devidos, pois o
interesse público está na correta aplicação da lei, de acordo com a melhor interpretação
possível diante do caso concreto, em benefício da coletividade e de seus cidadãos1.

SOBRE A QUESTÃO DA TRANSAÇÃO NA EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA: SOBRE O


TEMA TRATA A LEI Nº 9.469/97. PERFEITAMENTE POSSÍVEL TRANSAÇÃO SE O ACORDO
OCORRER NA FASE DE CONHECIMENTO, COM A HOMOLOGAÇÃO PELO JUÍZO.

JÁ NA EXECUÇÃO CONTRA A FP, EVENTUAL ACORDO IMPLICARIA QUEBRA NA ORDEM DE


PAGAMENTO DOS REQUISITÓRIOS. CLARO QUE PODEM SER SELADAS TRANSAÇÕES, POR
EXEMPLO, PARA ABREVIAR A EXECUÇÃO, COMO ACORDO APÓS O OFERTAMENTO DOS
EMBARGOS DA FP, NO QUAL O CREDOR CONCORDE EM RENUNCIAR A PARTE DE SEU VALOR
PARA RECEBER VIA RPV, E NÃO POR PRECATÓRIOS.

De qualquer forma, seja o acordo celebrado judicialmente na fase de conhecimento (nas


hipóteses do art. 1º da supracitada lei), seja na de execução, isso não terá o condão de escapar
do requisitório.

O que poderia ocorrer, conforme se vê em determinados casos ligados a servidores públicos, é


que haja um acordo administrativo no qual a entidade devedora reconhece um débito e
propõe pagamento em certos termos. Nesse caso, eventual ação judicial em trâmite acabará
sendo extinta com a notícia, nos autos, do acordo.

Há precedente do STF admitindo a transação:

EMENTA: Poder Público. Transação. Validade. Em regra, os bens e o


interesse público são indisponíveis, porque pertencem à coletividade. É, por
isso, o Administrador, mero gestor da coisa pública, não tem disponibilidade
sobre os interesses confiados à sua guarda e realização. Todavia, há casos
em que o princípio da indisponibilidade do interesse público deve ser

1 Texto de Adilson de Abreu Dallari. “Viabilidade da Transação entre o Poder Público e Particular”, em Interesse Público, Ano 4, nº
13, janeiro/março de 2002, Editora Nota Dez, Porto Alegre, 2002, pp. 15-16.
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40

atenuado, mormente quando se tem em vista que a solução adotada pela


Administração é a que melhor atenderá à ultimação deste interesse. Assim,
tendo o acórdão recorrido concluído pela não onerosidade do acordo
celebrado, decidir de forma diversa implicaria o reexame da matéria fático-
probatória, o que é vedado nesta instância recursal (Súm. 279/STF). Recurso
extraordinário não conhecido.

(RE 253885, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Primeira Turma, julgado em


04/06/2002, DJ 21-06-2002 PP-00118 EMENT VOL-02074-04 PP-00796)

1.2.3. Mediação
Trata-se de uma técnica não estatal de solução de conflitos pela qual um terceiro se coloca
entre os contendores e tenta conduzi-los a uma solução autocomposta. Daniel Assumpção
afirma que a principal diferença entre conciliação e mediação é a postura do terceiro, sendo
nesta o mediador muito mais propositivo do que naquele (tenta forçar um acordo).

Existe uma outra opinião, no sentido de o mediador não fazer propostas e se comportar como
terceiro imparcial que apenas aproxima as partes. Segundo essa corrente,

A mediação, por sua vez, embora também tenha como característica o fato
de objetivar conseguir das partes um acordo, por meio de terceiro imparcial,
distingue-se da conciliação exatamente pela forma como esse terceiro age.
Na mediação, o terceiro não estimula nem faz propostas para se chegar a
um acordo. O mediador, literalmente, fica no meio. Nem de um lado, nem
de outro. Não adere a nenhuma das partes nem emite juízos de valor ou
opiniões acerca da melhor forma de se chegar a uma solução. Ele atua
simplesmente aproxima as partes para que elas, por si próprias, encontrem
uma solução para a causa.

Ou seja, exatamente em sentido contrário. Ora cai uma, ora cai a outra posição em provas
objetivas.

1.2.4. Arbitragem
O STF entende que A ESCOLHA ENTRE ARBITRAGEM E JURISDIÇÃO É ABSOLUTAMENTE
CONSTITUCIONAL, afirmando que a aplicação da garantia constitucional da inafastabilidade é
naturalmente condicionada à vontade das partes2. Se o próprio direito de ação é disponível,
também o será o exercício da jurisdição na solução do conflito de interesse.

A arbitragem serve para dirimir litígios sobre direitos patrimoniais disponíveis.

Normalmente os doutrinadores indicam que a arbitragem é apenas um equivalente


jurisdicional. Didier defende diferente.

Trata-se de uma técnica de solução de conflitos mediante a qual os conflitantes buscam em


uma terceira pessoa, de sua confiança técnica, a solução amigável e imparcial do litígio.

2
Houve declaração incidental do STF no julgamento da homologação de sentença estrangeira SE 5.206-7, em 12.12.2001.
Fundamentou seu entendimento no fato de ela não afastar a jurisdição por ser facultativa.
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41

A arbitragem é regulada pela Lei nº 9.307/96, a qual será constituída por meio de um negócio
jurídico denominado de convenção de arbitragem, o qual compreende duas subespécies:

a) Cláusula compromissória: convenção em que as partes acordam que as divergências


oriundas de certo negócio jurídico serão resolvidas pela arbitragem, prévia e
abstratamente.

b) Compromisso arbitral: acordo de vontades que visa submeter uma controvérsia


concreta, já existente, ao juízo arbitral, prescindindo do Poder Judiciário. No CPC, o
compromisso arbitral não poder ser reconhecido de ofício (art. 301, §4º). Tal vedação
inexiste quanto à cláusula compromissória.

Ambas são formas de se abdicar à tutela jurisdicional estatal, seja previamente ou após um
caso concreto.

Ressalte-se que a elaboração de cláusula compromissória aberta, sem especificação, poderá


forçar as partes após o surgimento do conflito a reafirmarem sua vontade pela solução arbitral
por meio da elaboração de um compromisso arbitral3.

A sentença arbitral não precisa ser homologada, sendo ela um título executivo JUDICIAL, de
acordo com o art. 475-N, IV, CPC. O árbitro pode decidir, mas não tem poder para tomar
qualquer providência executiva; PODE, NO ENTANTO, DEFERIR TUTELAR DE URGÊNCIA, AS
QUAIS, SE NÃO CUMPRIDAS VOLUNTARIAMENTE PELAS PARTES, DEVERÃO SER EXECUTADAS
NO JUDICIÁRIO. Veja:

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ARBITRAGEM. MEDIDA CAUTELAR.


COMPETÊNCIA. JUÍZO ARBITRAL NÃO CONSTITUÍDO.

1. O Tribunal Arbitral é competente para processar e julgar pedido cautelar


formulado pelas partes, limitando-se, porém, ao deferimento da tutela,
estando impedido de dar cumprimento às medidas de natureza coercitiva,
as quais, havendo resistência da parte em acolher a determinação do(s)
árbitro(s), deverão ser executadas pelo Poder Judiciário, a quem se reserva
o poder de imperium.

2. Na pendência da constituição do Tribunal Arbitral, admite-se que a parte


se socorra do Poder Judiciário, por intermédio de medida de natureza
cautelar, para assegurar o resultado útil da arbitragem.

3. Superadas as circunstâncias temporárias que justificavam a intervenção


contingencial do Poder Judiciário e considerando que a celebração do
compromisso arbitral implica, como regra, a derrogação da jurisdição
estatal, os autos devem ser prontamente encaminhados ao juízo arbitral,
para que este assuma o processamento da ação e, se for o caso, reaprecie a
tutela conferida, mantendo, alterando ou revogando a respectiva decisão.

3
Carmona, Arbitragem, pp. 98-101
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42

4. Em situações nas quais o juízo arbitral esteja momentaneamente


impedido de se manifestar, desatende-se provisoriamente as regras de
competência, submetendo-se o pedido de tutela cautelar ao juízo estatal;
mas essa competência é precária e não se prorroga, subsistindo apenas para
a análise do pedido liminar.

5. Recurso especial provido.

(REsp 1297974/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,


julgado em 12/06/2012, DJe 19/06/2012)

SOMENTE EM RELAÇÃO À
Pode haver controle judicial da sentença arbitral?

SUA VALIDADE, NÃO SE PODENDO REVOGAR OU MODIFICAR


EM RELAÇÃO AO SEU MÉRITO. ESSA REVISÃO (JUDICIAL)
SOMENTE É POSSÍVEL SE AJUIZADA EM ATÉ 90 DIAS APÓS O
RECEBIMENTO DA INTIMAÇÃO DA SENTENÇA ARBITRAL OU DE
SEU ADITAMENTO. Logo, o máximo que se pode alcançar com a
arbitragem é a anulação da sentença arbitral.
A decisão arbitral fica imutável pela coisa julgada material, motivo pelo qual se trata de
jurisdição em si, para Didier (há doutrina contra: v.g., Marinoni)4.

O STJ publicou, recentemente, súmula sobre a arbitragem:

Súmula 485, STJ: “A Lei de Arbitragem aplica-se aos contratos que contenham cláusula arbitral,
ainda que celebrados antes da sua edição”. Isso porque a lei tem caráter eminentemente
processual, e não material; logo, deverá ser aplicada aos contratos celebrados antes de sua
vigência, mas cuja execução tenha se protraído no tempo, visto que as normas processuais são
de ordem pública, inderrogáveis pela vontade das partes.

Importante ter em mente que a propositura de ação, no Brasil, discutindo a validade de


cláusula arbitral porque inserida, sem destaque, em contrato de adesão, não impede a

4
Forte na doutrina contra: a maioria dos processualistas tem a arbitragem como um equivalente
jurisdicional e não como um exercício da própria jurisdição, tendo em vista os seguintes fundamentos: a
arbitragem é voltada apenas para direitos patrimoniais disponível, enquanto a jurisdição é irrestrita; a
arbitragem é manifestação da autonomia da vontade e a opção por árbitro implica a renúncia à
jurisdição; a jurisdição é atividade primária do Estado, própria dele mesmo, que não pode ser delegada a
particulares; a jurisdição só pode ser exercida por pessoa devidamente investida, que tenha a
autoridade de juiz, carreira cujo acesso dá-se exclusivamente mediante concurso púbico, enquanto a
arbitragem pode ser realizada por terceiro sem que tenha sido investido pelo Estado de parcela da
jurisdição; a jurisdição é indelegável, pois nenhum dos poderes pode delegar aquilo que é de sua
essência; as decisões dos árbitros, dentro de um determinado árbitro, estão sujeitas à revisão por juízes,
em obediência ao princípio da inafastabilidade da jurisdição (se as decisões de terceiros estão sujeitas à
revisão de um juiz de primeiro grau, é porque esses terceiros não exercem jurisdição). Finalizando, tem-
se que o árbitro não pode executar suas próprias decisões; quem o faz é o juiz.
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43

homologação de sentença arbitral estrangeira que, em procedimento instaurado de acordo


com essa cláusula, reputou-a válida. Nesse sentido:

HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ARBITRAL ESTRANGEIRA CONTESTADA.


COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (CF. Art. 105, I, "i"; LEI
9.307/96, Art. 35). PEDIDO ADEQUADAMENTE INSTRUÍDO. DEFERIMENTO.

I - A sentença estrangeira não terá eficácia no Brasil sem a prévia


homologação pelo e. Superior Tribunal de Justiça ou por seu Presidente
(Resolução n.º 9/STJ, art. 4º).

II - A atuação jurisdicional do e. STJ no processo de homologação de


sentença arbitral estrangeira encontra balizas nos artigos 38 e 39 da Lei de
Arbitragem (Lei 9.307/96). Se não houver transgressão aos bons costumes, à
soberania nacional e à ordem pública, não se discute a relação de direito
material subjacente à sentença arbitral.

III - In casu, verifica-se a existência de contrato assinado pelas partes com


cláusula compromissória. Sem embargo, no âmbito de processo de
homologação de sentença arbitral estrangeira, é inviável a análise da
natureza do contrato a ela vinculado, para fins de caracterizá-lo como
contrato de adesão. Precedente do e. STF.

IV - Não há inexistência de notificação e cerceamento de defesa "ante a


comprovação de que o requerido foi comunicado acerca do início do
procedimento de arbitragem, bem como dos atos ali realizados, tanto por
meio das empresas de serviços de courier, como também, correio eletrônico
e fax" (SEC 3.660/GB, Corte Especial, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de
25/06/2009 ) V - "A propositura de ação, no Brasil, discutindo a validade de
cláusula arbitral porque inserida, sem destaque, em contrato de adesão, não
impede a homologação de sentença arbitral estrangeira que, em
procedimento instaurado de acordo com essa cláusula, reputou-a válida"
(AgRg na SEC 854/GB, Corte Especial, Rel. p./ Acórdão Minª. Nancy Andrighi,
DJe de 14/04/2011) VI - Constatada a presença dos requisitos indispensáveis
à homologação da sentença estrangeira (Resolução n.º 9/STJ, arts. 5º e 6º),
é de se deferir o pedido.

Sentença Arbitral homologada.

(SEC 6335/EX, Rel. Ministro FELIX FISCHER, CORTE ESPECIAL, julgado em


21/03/2012, DJe 12/04/2012)

Segundo recente precedente do STJ, o Tribunal Arbitral é competente para processar e julgar
pedido cautelar formulado pelas partes, somente podendo elas se socorrerem da Justiça em
caso de impossibilidade de funcionamento do juízo arbitral:

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ARBITRAGEM. MEDIDA CAUTELAR.


COMPETÊNCIA. JUÍZO ARBITRAL NÃO CONSTITUÍDO.

1. O Tribunal Arbitral é competente para processar e julgar pedido cautelar


formulado pelas partes, limitando-se, porém, ao deferimento da tutela,
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44

estando impedido de dar cumprimento às medidas de natureza coercitiva,


as quais, havendo resistência da parte em acolher a determinação do(s)
árbitro(s), deverão ser executadas pelo Poder Judiciário, a quem se reserva
o poder de imperium.

2. Na pendência da constituição do Tribunal Arbitral, admite-se que a parte


se socorra do Poder Judiciário, por intermédio de medida de natureza
cautelar, para assegurar o resultado útil da arbitragem.

3. Superadas as circunstâncias temporárias que justificavam a intervenção


contingencial do Poder Judiciário e considerando que a celebração do
compromisso arbitral implica, como regra, a derrogação da jurisdição
estatal, os autos devem ser prontamente encaminhados ao juízo arbitral,
para que este assuma o processamento da ação e, se for o caso, reaprecie a
tutela conferida, mantendo, alterando ou revogando a respectiva decisão.

4. EM SITUAÇÕES NAS QUAIS O JUÍZO ARBITRAL ESTEJA


MOMENTANEAMENTE IMPEDIDO DE SE MANIFESTAR, DESATENDE-SE
PROVISORIAMENTE AS REGRAS DE COMPETÊNCIA, SUBMETENDO-SE O
PEDIDO DE TUTELA CAUTELAR AO JUÍZO ESTATAL; MAS ESSA
COMPETÊNCIA É PRECÁRIA E NÃO SE PRORROGA, SUBSISTINDO APENAS
PARA A ANÁLISE DO PEDIDO LIMINAR.

5. Recurso especial provido.

(REsp 1297974/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,


julgado em 12/06/2012, DJe 19/06/2012)

1.2.4.1. Arbitragem e Poder Público


Quanto à aplicabilidade da Lei nº 9.307/96 à Administração Pública, não há impedimento.
Inclusive, há um famoso caso dos anos 50, chamado “Caso Lage”, em que foi aceito. Porém, há
uma questão importante que merece ser destacada: poderá a Arbitragem que envolve o
Estado e suas empresas controladas ser fundada na equidade, tendo-se em vista o princípio da
legalidade?

Com relação a essa questão, José Emílio Nunes Pinto pondera que:

“(...) Na medida em que o Estado e suas empresas estão sujeitos ao princípio


da legalidade, entendemos que somente poderão prever na cláusula
compromissória que a arbitragem será baseada na lei, e jamais na equidade.
A arbitragem fundada na equidade seria uma violação flagrante, a nosso
ver, ao princípio da legalidade”

Outro aspecto levantado por este autor é a violação ao Princípio da Publicidade, considerando-
se que a Arbitragem tem por característica a sigilosidade. Entretanto, o autor acima
mencionado disserta que o procedimento arbitral permite que as partes optem por dar ou não
um tratamento sigiloso à arbitragem. PINTO, José Emílio Nunes. Revista Brasileira de
Arbitragem. V.1, n.1 (jul./out..2003) .Porto Alegre: Síntese, 2003, pág.21.

Importante o seguinte julgado sobre a arbitragem:


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ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PERMISSÃO DE ÁREA


PORTUÁRIA. CELEBRAÇÃO DE CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA. JUÍZO
ARBITRAL. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. POSSIBILIDADE. ATENTADO.

1. A sociedade de economia mista, quando engendra vínculo de natureza


disponível, encartado no mesmo cláusula compromissória de submissão do
litígio ao Juízo Arbitral, não pode pretender exercer poderes de supremacia
contratual previsto na Lei 8.666/93.

5. Questão gravitante sobre ser possível o juízo arbitral em contrato


administrativo, posto relacionar-se a direitos indisponíveis.

6. A doutrina do tema sustenta a legalidade da submissão do Poder Público


ao juízo arbitral, calcado em precedente do E. STF, in litteris: "Esse
fenômeno, até certo ponto paradoxal, pode encontrar inúmeras
explicações, e uma delas pode ser o erro, muito comum de relacionar a
indisponibilidade de direitos a tudo quanto se puder associar, ainda que
ligeiramente, à Administração." Um pesquisador atento e diligente poderá
facilmente verificar que não existe qualquer razão que inviabilize o uso dos
tribunais arbitrais por agentes do Estado.

Aliás, os anais do STF dão conta de precedente muito expressivo, conhecido


como 'caso Lage', no qual a própria União submeteu-se a um juízo arbitral
para resolver questão pendente com a Organização Lage, constituída de
empresas privadas que se dedicassem a navegação, estaleiros e portos.

A decisão nesse caso unanimemente proferida pelo Plenário do STF é de


extrema importância porque reconheceu especificamente 'a legalidade do
juízo arbitral, que o nosso direito sempre admitiu e consagrou, até mesmo
nas causas contra a Fazenda.' Esse acórdão encampou a tese defendida em
parecer da lavra do eminente Castro Nunes e fez honra a acórdão anterior,
relatado pela autorizada pena do Min. Amaral Santos.

NÃO SÓ O USO DA ARBITRAGEM NÃO É DEFESO AOS AGENTES DA


ADMINISTRAÇÃO, COMO, ANTES É RECOMENDÁVEL, POSTO QUE
PRIVILEGIA O INTERESSE PÚBLICO." (in "Da Arbitrabilidade de Litígios
Envolvendo Sociedades de Economia Mista e da Interpretação de Cláusula
Compromissória" , publicado na Revista de Direito Bancário do Mercado de
Capitais e da Arbitragem, , Editora Revista dos Tribunais, Ano 5, outubro -
dezembro de 2002, coordenada por Arnoldo Wald, esclarece às páginas
398/399).

7. Deveras, NÃO
É QUALQUER DIREITO PÚBLICO SINDICÁVEL NA
VIA ARBITRAL, MAS SOMENTE AQUELES COGNOMINADOS
COMO "DISPONÍVEIS", porquanto de natureza contratual ou privada.

8. A escorreita exegese da dicção legal impõe a distinção jus-filosófica entre


o interesse público primário e o interesse da administração, cognominado
"interesse público secundário". Lições de Carnelutti, Renato Alessi, Celso
Antônio Bandeira de Mello e Min. Eros Roberto Grau.

9. O Estado, quando atestada a sua responsabilidade, revela-se tendente ao


adimplemento da correspectiva indenização, coloca-se na posição de

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atendimento ao "interesse público". Ao revés, quando visa a evadir-se de


sua responsabilidade no afã de minimizar os seus prejuízos patrimoniais,
persegue nítido interesse secundário, subjetivamente pertinente ao
aparelho estatal em subtrair-se de despesas, engendrando locupletamento
à custa do dano alheio.

10. Destarte, é assente na doutrina e na jurisprudência que indisponível é o


interesse público, e não o interesse da administração.

11. Sob esse enfoque, saliente-se que dentre os diversos atos praticados
pela Administração, para a realização do interesse público primário,
destacam-se aqueles em que se dispõe de determinados direitos
patrimoniais, pragmáticos, cuja disponibilidade, em nome do bem coletivo,
justifica a convenção da cláusula de arbitragem em sede de contrato
administrativo.

12. As sociedades de economia mista encontram-se em situação paritária


em relação às empresas privadas nas suas atividades comerciais, consoante
leitura do artigo 173, § 1º, inciso II, da Constituição da República,
evidenciando-se a inocorrência de quaisquer restrições quanto à
possibilidade de celebrarem convenções de arbitragem para solução de
conflitos de interesses, uma vez legitimadas para tal as suas congêneres.

13. Outrossim, a ausência de óbice na estipulação da arbitragem pelo Poder


Público encontra supedâneo na doutrina clássica do tema, verbis: (...) AO
OPTAR PELA ARBITRAGEM O CONTRATANTE PÚBLICO NÃO ESTÁ
TRANSIGINDO COM O INTERESSE PÚBLICO, NEM ABRINDO MÃO DE
INSTRUMENTOS DE DEFESA DE INTERESSES PÚBLICOS, ESTÁ, SIM,
ESCOLHENDO UMA FORMA MAIS EXPEDITA, OU UM MEIO MAIS HÁBIL,
PARA A DEFESA DO INTERESSE PÚBLICO. Assim como o juiz, no
procedimento judicial deve ser imparcial, também o árbitro deve decidir
com imparcialidade, O interesse público não se confunde com o mero
interesse da Administração ou da Fazenda Pública; O INTERESSE
PÚBLICO ESTÁ NA CORRETA APLICAÇÃO DA LEI E SE
CONFUNDE COM A REALIZAÇÃO CORRETA DA JUSTIÇA." (No
sentido da conclusão Dalmo Dallari, citado por Arnold Wald, Athos Gusmão
Carneiro, Miguel Tostes de Alencar e Ruy Janoni Doutrado, em artigo
intitulado "Da Validade de Convenção de Arbitragem Pactuada por
Sociedade de Economia Mista", publicado na Revista de Direito Bancário do
Mercado de Capitais e da Arbitragem, nº 18, ano 5, outubro-dezembro de
2002, à página 418).

14. A aplicabilidade do juízo arbitral em litígios administrativos, quando


presentes direitos patrimoniais disponíveis do Estado é fomentada pela lei
específica, porquanto mais célere, consoante se colhe do artigo 23 da Lei
8987/95, que dispõe acerca de concessões e permissões de serviços e
obras públicas, e prevê em seu inciso XV, dentre as cláusulas essenciais do
contrato de concessão de serviço público, as relativas ao "foro e ao modo
amigável de solução de divergências contratuais" . (Precedentes do
Supremo Tribunal Federal: SE 5206 AgR / EP, de relatoria do Min.
SEPÚLVEDA PERTENCE, publicado no DJ de 30-04-2004 e AI. 52.191, Pleno,
Rel. Min. Bilac Pinto. in RTJ 68/382 - "Caso Lage". Cite-se ainda MS
199800200366- 9, Conselho Especial, TJDF, J. 18.05.1999, Relatora
Desembargadora Nancy Andrighi, DJ 18.08.1999.) 15. A aplicação da Lei
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9.307/96 e do artigo 267, inc. VII do CPC à matéria sub judice, afasta a
jurisdição estatal, in casu em obediência ao princípio do juiz natural (artigo
5º, LII da Constituição da República de 1988).

16. É CEDIÇO QUE O JUÍZO ARBITRAL NÃO SUBTRAI A GARANTIA


CONSTITUCIONAL DO JUIZ NATURAL, AO CONTRÁRIO, IMPLICA
REALIZÁ-LA, PORQUANTO SOMENTE CABÍVEL POR MÚTUA
CONCESSÃO ENTRE AS PARTES, INAPLICÁVEL, POR ISSO, DE FORMA
COERCITIVA, TENDO EM VISTA QUE AMBAS AS PARTES ASSUMEM O
"RISCO" DE SEREM DERROTADAS NA ARBITRAGEM. (Precedente:
Resp nº 450881 de relatoria do Ministro Castro Filho, publicado no DJ
26.05.2003)

17. Destarte, uma vez convencionada pelas partes cláusula arbitral, o árbitro
vira juiz de fato e de direito da causa, e a decisão que então proferir não
ficará sujeita a recurso ou à homologação judicial, segundo dispõe o artigo
18 da Lei 9.307/96, o que significa categorizá-lo como equivalente
jurisdicional, porquanto terá os mesmos poderes do juiz togado, não
sofrendo restrições na sua competência.

A arbitragem se revela, portanto, como o mecanismo adequado para a


solução da presente controvérsia, haja vista, tratar-se de relação contratual
de natureza disponível, conforme dispõe o artigo 1º, da Lei 9.307/96: "as
pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir
litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis." (fls. 472/473) 22. Ex
positis, concedo a segurança, para confirmar o teor da liminar dantes
deferida, em que se determinava a conservação do statu quo ante, face a
sentença proferida pelo Juízo da 42ª Vara Cível da Comarca do Rio de
Janeiro, porquanto o presente litígio deverá ser conhecido e solucionado
por juízo arbitral competente, eleito pelas partes. (STJ - MS 11308/DF, Rel.
Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/04/2008, DJe
19/05/2008)

1.2.5. Conciliação
A conciliação é medida prevista no Código de Processo Civil que visa obter das partes em litígio
um acordo amigável, mediante concessões mútuas. É sempre intermediada por um terceiro,
que pode ser o próprio juiz ou um conciliador (ou seja, pode ser judicial ou extrajudicial). Sua
característica marcante e a principal distinção entre ela e a mediação é a sua forte carga
indutiva, vez que o terceiro atua sugerindo opções, propostas para a solução da causa. Há,
portanto, um estímulo contínuo para a resolução da contenda, com uma participação ativa do
terceiro.

1.2.5.1. Notícias sobre a Conciliação

Conciliação é a melhor forma de solução dos conflitos5

Por Vladimir Passos de Freitas

5
Fonte: http://www.conjur.com.br/2012-out-14/segunda-leitura-conciliacao-melhor-forma-solucao-
conflitos
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Conciliar significa harmonizar, pôr de acordo, congraçar, combinar, grangear, captar, atrair,
conseguir, aliar, unir, harmonizar, no sempre bom ensinamento de Aurélio Buarque de
Holanda (Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, 11. ed., p.308).

Nos conflitos jurídicos, o acordo, seja qual for o nome que se lhe dê, põe fim à controvérsia e,
consequentemente, ao ódio e a outros sentimentos negativos. Já uma sentença, por mais
fundamentada que seja, nem sempre dá a solução definitiva. Mesmo que seja executada, o
conflito permanece latente e pode eclodir tempos depois por outro motivo.

Tudo isto não é novidade alguma. Na Constituição de 1824, o artigo 161 era taxativo: “Sem se
fazer constar, que se tem intentado o meio da reconciliação, não se começará processo
algum.” A Lei de 15 de outubro de 1827 criava em cada uma das freguesias e das capelas
curadas um Juiz de Paz, determinando no artigo 5º, parágrafo 1º, que ele conciliasse as partes
que desejassem demandar. O Regulamento 120, de 1842, que tratava das atividades policiais,
previa no artigo 111 a utilização do “termo de bem viver”, destinado a apaziguar as relações na
sociedade da época.

O tempo passou, o Brasil tornou-se uma República e as formas de soluções dos conflitos foram
aos poucos se alterando. Por exemplo, criando-se a Justiça do Trabalho em 1932 (ao início
órgão administrativo), através das Juntas de Conciliação e Julgamento, compostas por
representantes dos empregados e dos empresários e por um Juiz Presidente, sendo
obrigatória a tentativa de conciliação.

No CPC de 1939 o Judiciário ficou alheio a qualquer composição. Cabia-lhe só julgar. Nos
artigos 263 a 272 nenhuma palavra é dirigida à possibilidade de conciliar. Esta tarefa
continuava sendo atribuição dos delegados de Polícia, juízes de Paz, além do promotor de
Justiça, que atendia os pobres sobre assuntos gerais e, inclusive, propunha reclamações
trabalhistas. Este poder, pouco e mal definido nas leis, baseava-se mais do que tudo no
respeito que a população tinha pelas autoridades. Darei um exemplo.

Em agosto de 1971, na cidade de Apiaí (SP), eu respondia pela Promotoria. Eis que chegou um
senhora pobre, ao redor dos 40 anos de idade, e muito envergonhada narrou seu drama. O
marido, ao manter relações sexuais, “jogava a semente fora” e isto lhe causava problemas,
pois há mais de um ano se excitava e não alcançava o prazer. Chamei o homem e ele, na sua
simplicidade, disse que de nada sabia (ela nunca reclamou por vergonha) e que assim agia
porque não queria mais filhos. Solteiro, pouco mais que um adolescente, aconselhei o homem
a retardar o gozo dando a ela a possibilidade de satisfazer-se e que, para tanto, durante o ato
sexual pensasse em alguma coisa diferente. Respondeu ele, “já sei dr., vou pensar no
Corinthians e tá tudo resolvido”.

Pois bem, entre amadorismo e vontade de acertar, o fato é que a sociedade tinha seus meios
de solução das desavenças, principalmente as de pequeno porte. E as pessoas tinham quem as
ouvisse. Aqui um aspecto pouco tratado. Muitas vezes, quem reclama quer apenas atenção,
um pedido de desculpas.

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Com a chegada da Constituição de 1988, todas estas formas alternativas foram abolidas ou
reduzidas em suas atividades. E passou-se tudo para os Juizados Especiais. Estes começaram a
receber uma quantidade despropositada de processos e tornaram-se congestionados como as
Varas. O que antes se resolvia com uma simples admoestação passou a ser uma ação de
indenização por dano moral. Nenhum Estado tem orçamento para criar estruturas de Juizados
que atendam todas as reclamações, hoje assoberbados pela vulgarização das ações por danos
morais.

Muitos anos se passaram até que se tentaram iniciativas conciliadoras. Por exemplo, criando
Juizados Especiais dentro das universidades, atuando os alunos como cartorários e
conciliadores, sob a supervisão de um juiz (v.g., pioneiramente, a Universidade Regional de
Blumenau (SC) e na UNISANTA, em Santos (SP). Ou Juizados Especiais Avançados em cidades
menores, como os instalados pelo TRF-4 em 2004, agora espalhados por todo o RS
(vide entrevista juiz Eduardo Picarelli, Conjur, 8 de abril de 2012) e também no estado de
Rondônia.

Mas estas medidas não bastavam. Faltava um passo à frente. E este só poderia vir do CNJ,
único órgão capaz de elaborar uma política judiciária de alcance nacional. E assim foi editada a
RESOLUÇÃO CNJ nº 125/2012.

Referido ato administrativo, após recomendar nos considerandos a mediação e a conciliação,


determina no artigo 7º, incisos IV e V, que os tribunais instalem Centros Judiciários de Solução
de Conflitos e Cidadania e promovam capacitação, treinamento e atualização permanente de
magistrados, servidores, conciliadores e mediadores nos métodos consensuais de solução de
conflitos.

A iniciativa, sem dúvida relevante, estabelece as condições de funcionamento dos Centros


(v.g., junto aos Juizados Especiais) e fixa prazo para que os tribunais promovam sua instalação
(4 a 12 meses). A supervisão cabe a um magistrado e ele contará com servidores capacitados e
conciliadores.

Os conciliadores deverão ser capacitados e submeter-se a cursos de reciclagem. Com razão,


pois o amadorismo do passado não se sustenta no presente, onde os conflitos se apresentam
com maior complexidade. Assim, as aulas de desenvolverão em módulos temáticos, cada um
com um número mínimo de horas/aula e estágio, perfazendo, no mínimo, 80 horas/aula de
capacitação.

As matérias são vinculadas ao sucesso da iniciativa. Desde noções de comunicação, para


facilitar a interlocução com as partes, até fundamentos filosóficos. Imagine-se, por exemplo, a
dificuldade em receber uma reclamação de um imigrante do Haiti. A Resolução estipula
também requisitos mínimos de estrutura física (v.g., data show) e formas de avaliação dos
participantes.

Não se descuidou da parte ética e, para isto, criou-se um Código para os Conciliadores e
Mediadores. Por exemplo, no artigo 1º, parágrafo 1º, estabelece-se a confidencialidade,
exigindo-se resguardo das informações obtidas na sessão. E no artigo 7º proíbe o conciliador

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ou mediador de prestar serviços profissionais às partes envolvidas em processo sob sua


condução, durante dois anos.

A Resolução deixa espaço para que o TJ de cada estado adapte suas normas gerais à realidade
local, e cada Justiça, às suas especificidades. Por exemplo, remunerando os conciliadores e
mediadores (artigo 7º, inciso VII). O que pode ser imprescindível em uma unidade da
Federação, pode ser desnecessário em outra, onde o serviço voluntário pode suprir as
necessidades.

Em suma, a boa iniciativa do CNJ, que teve no Des. Kazuo Watanabe o principal articulador,
mostra-se de todo oportuna e deve, por todos, ser incentivada. E na medida em que vai se
tornando realidade, já justifica a ideia de um novo passo: tornar, por lei, a tentativa de
conciliação ou de mediação obrigatórias e não facultativas, tal como fez a Argentina nas ações
de natureza patrimonial, com sucesso. Não a formal tentativa prevista no artigo 277 do CPC,
mas sim a feita por magistrados e pessoas capacitadas na busca da solução amigável.

O caminho é longo, os empecilhos são muitos, mas com iniciativas como a Resolução CNJ 125,
boa vontade dos presidentes de tribunais e dos administradores judiciais, aliadas a uma boa
dose de obstinação, chegaremos lá.

1.2.6. Equivalentes Jurisdicionais – Tabela Síntese


EQUIVALENTES JURISDICIONAIS
Autotutela Solução extrajudicial do conflito por vontade unilateral de uma das partes.
Transação Partes efetivam concessões mútuas extrajudicialmente.
Autocomposição Submissão Parte reconhece direito daquele que lhe pede.
Renúncia Titular do pretenso direito a ele renuncia espontaneamente.
Técnica não estatal de solução de conflitos pela qual um terceiro se coloca entre os
Mediação
contendores e tenta conduzi-los a uma solução autocomposta.
Técnica de solução de conflitos mediante a qual os conflitantes buscam em uma
terceira pessoa, de sua confiança técnica, a solução amigável e imparcial do litígio.
Lei nº 9.307/96.
Didier afirma que é jurisdição por ser definitiva. Há controvérsias.
Cláusula compromissória e compromisso arbitral.
Sentença arbitral não precisa ser homologada, sendo ela um título executivo
Convenção de JUDICIAL
Arbitragem Árbitro pode decidir, mas não tem poder para tomar qualquer providência
executiva ou para conceder provimentos de urgência.
Não pode haver controle judicial do mérito da sentença arbitral, somente de sua
validade e dentro do prazo de 90 dias da intimação.
Cabível com o Poder Público (STF; art. 23, Lei nº 8.987/95).
A sentença arbitral pode revestir-se de eficácias condenatórias, declarativas e
constitutivas, mas não terá jamais caráter mandamental ou executivo

1.3. Princípios da Jurisdição


São eles:

a) Investidura: o juiz deve ter sido regularmente investido na função jurisdicional. Caiu
em um concurso a seguinte indagação: você foi aprovado na prova da magistratura,
passou na prova oral, na de títulos, aí você se dirige até a vara em que era estagiário
para comunicar a notícia aos seus colegas; chegando lá o juiz não está, o advogado
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está no balcão querendo uma sentença, você profere a sentença, assina, o cartório
com pressa de realizar os atos, pega a sentença, certifica, intima os advogados. Essa
sentença é válida? Dez dias depois você tomou posse ninguém até então reclamou da
sentença, ela é válida? Tecnicamente a sentença é inexistente, porque você só pode
ser considerado juiz depois que toma posse, pois ainda não está investido de
jurisdição, não tem que aplicar a teoria da aparência.Logo, por ser inexistente,
impassível é até mesmo de convalidação.

b) Territorialidade: cada magistrado exerce a jurisdição num determinado território. Esse


é o motivo que justifica a existência dos atos de comunicação entre órgãos
jurisdicionais. Há, entretanto, exceções, como a realização de citação fora da comarca,
no caso do artigo 107 do CPC, em que um imóvel que é compreendido em duas ou
mais comarcas. Pela prevenção, o juiz de uma das comarcas ficará competente pela
parte do imóvel que está localizado em outra comarca etc.

c) Indelegabilidade: pode ser resumido na premissa de que a função jurisdicional não


pode ser delegada. Essa vedação se aplica integralmente no caso de poder decisório:
não é possível delegar o poder decisório a outro órgão, o que implicaria derrogação de
regra de competência, em violação à garantia do juiz natural. Essa regra sofre algumas
mitigações constitucionais e legais, como a expedição de carta de ordem, a permissão
ao STF de delegar atribuições para a prática de atos processuais (art. 102, I, m, CR/88)
a juízes de primeira instância, delegação da competência do tribunal pleno para a
corte especial (art. 93, XI) etc.

d) Inevitabilidade: as partes hão de submeter-se ao quanto decidido pelo órgão


jurisdicional. “Tratando-se de emanação do próprio poder estatal, impõe-se a
jurisdição por si mesma. A ‘situação de ambas as partes perante o Estado-Juiz (e
particularmente a do réu) é de sujeição, que independe de sua vontade e consiste na
impossibilidade de evitar que sobre ela e sobre suas esferas de direitos se exerça a
autonomia estatal’” (Didier).

e) Inafastabilidade: está positivado na Constituição Federal nos seguintes termos: “a lei


não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito” (art. 5º,
inciso XXXV, CF/88). Por ele, o interessado em provocar o Poder Judiciário em razão de
lesão ou ameaça de lesão a direito não é obrigado a esgotar antes disso os possíveis
mecanismos de solução e conflito (salvo previsão expressa nesse sentido, como no
caso de questões deportivas). Além disso, conforme o referido princípio, havendo
decisão administrativa desfavorável ao interessado, isso não obsta que tente reverter
tal situação perante o Judiciário, que é o poder adequado para dizer o direito com
definitividade. As únicas imposições constitucionais de esgotamento de vias
extrajudiciais ocorre na Justiça Desportiva, e isso tão-somente se for observado o
prazo dado a ela para julgar; e nos dissídios coletivos, que devem antes ser submetidos
à negociação coletiva. A inafastabilidade, para ser efetiva, tem que partir da premissa
de que não basta garantir o acesso formal, mas também a paridade de armas, para
que seja possível o justo exercício do direito de ação.

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f) Juiz natural: sem previsão expressa, advém dos preceitos constitucionais da vedação
de tribunais de exceção (art. 5º, XXXVII) e de que ninguém será processado senão pela
autoridade competente (art. 5º, LIII).

Formalmente, juiz natural é o juiz competente de acordo com as regras gerais e abstratas
previamente estabelecidas; materialmente, consiste na exigência da imparcialidade e da
independência do magistrado. Sobre o tema:

CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL. COMPETÊNCIA. AÇÃO POPULAR.


Constituição, art. 102, I, "n". I. - Ação popular ajuizada para o fim de anular a
nomeação de todos os membros do Tribunal de Justiça do Estado de
Roraima, estando os Juizes de 1. grau do mesmo Estado em estágio
probatório, assim sem a garantia de independência da vitaliciedade,
dependentes do Tribunal cujos integrantes são litisconsortes passivos na
ação popular. Impossibilidade de realização do devido processo legal, dado
que um dos componentes deste, o juiz natural, conceituado como juiz com
garantias de independência, juiz imparcial, juiz confiavel, não existe, no
caso. II. - Hipótese em que ocorre a competência do Supremo Tribunal
Federal, para processar e julgar a ação popular, na forma do disposto no art.
102, I, "n", da Constituição Federal. III. - Reclamação julgada procedente.

(Rcl 417, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em


11/03/1993, DJ 16-04-1993 PP-06430 EMENT VOL-01699-01 PP-00155)

O juiz, além de imparcial, deve ser dotado da impartialidade (com t mesmo!). Impartialidade
significa que ele não é parte, mas sim um terceiro estranho à causa.

Não viola o princípio do juiz natural a criação de varas especializadas, regras de competência
determinadas por prerrogativas de função, convocação de juízes para compor órgãos de
tribunais e a redistribuição de processos em decorrência da criação de vara com idêntica
competência (STJ, HC 102.193/SP).

1.4. Características da Jurisdição


São elas:

a) Caráter substitutivo: ela substitui a vontade das partes pela vontade da lei no caso
concreto, resolvendo o conflito existente.

b) Lide: lide é o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida. Trata-se
de um fenômeno não processual, preexistente ao processo. NEM SEMPRE HAVERÁ
LIDE, como ocorre nos processos objetivos, nas tutelas inibitórias, exibição de
testamento do artigo 1.129 do CPC, arrecadação de bens de herança jacente do artigo
1.142, na arrecadação de bens de herança vacante do artigo 1.160 etc. Há quem
defenda que lide não é característica da jurisdição (Dinamarco, Marinoni, Alexandre
Câmara, Araken de Assis). O conflito não é necessário. Para que se tenha jurisdição é
indispensável uma pretensão; quando o autor ajuíza uma demanda e formula um
pedido, pode ser que o réu reconheça a procedência do pedido. Se assim o fizer não

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há conflito, mas existe uma pretensão. O autor exigiu que o réu abrisse mão do seu
interesse a seu favor, assim a pretensão é indispensável.

c) Inércia: a movimentação inicial da jurisdição fica condicionada à provocação do


interessado. Essa característica decorre diretamente da disponibilidade do direito de
ação. Chama-se essa característica de princípio da inércia. Existem, pois, exceções,
como a possibilidade do juiz iniciar de ofício o processo de inventário e partilha (art.
989, CPC), a concessão de HC de ofício, arrecadação de bens de ausente, arrecadação
de herança jacente, exibição de testamento, execuções penais e trabalhistas etc. Diz-
se também que é exceção à inércia a concessão de cautelares incidentais de ofício.

d) Definitividade: formação da coisa julgada material.

1.5. Espécies de Jurisdição


Trata-se das subdivisões da função jurisdicional sugeridas pela doutrina, a qual é una e
indivisível. São elas:

a) Jurisdição penal ou civil: espécie que leva em conta a natureza do objeto da demanda.

b) Jurisdição superior ou inferior: aquela é a que tem competência recursal; esta, a que
possui competência originária, ou seja, juízes de primeiro grau e competências
originárias dos tribunais.

c) Jurisdição comum e especial: especiais são as Justiças do Trabalho, Eleitoral e Militar.

d) Contenciosa e voluntária: a jurisdição contenciosa é aquela exercida com o objetivo de


dirimir um conflito. Tecnicamente hoje se fala que serve para dirimir uma pretensão
que, normalmente, significa um conflito entre duas ou mais pessoas, é a existência da
lide como diriam os clássicos. Se o Estado é chamado para solucionar um conflito isso
significa que a atividade é substitutiva porque as partes não conseguiram chegar a um
consenso. Elas precisaram se dirigir ao Estado para o juiz solucionar a pretensão. O
Estado, ao substituir a vontade das partes, vai aplicar a vontade concreta da lei para
aquele caso, é uma atividade declaratória. O juiz não exerce este papel de ofício,
precisa ser provocado, então teremos partes, parte autora e parte ré. Então, há aquele
que pede a atividade jurisdicional e aquele em face de quem essa atividade é
pleiteada. A voluntária será vista no próximo tópico.

1.6. Jurisdição Voluntária ou Integrativa


Trata-se de uma modalidade de atividade estatal ou judicial em que o órgão que a exerce
tutela assistencialmente interesses particulares, concorrendo com o seu conhecimento ou com
sua vontade para o nascimento, a validade ou a eficácia de um ato da vida privada, para a
formação, o desenvolvimento, a documentação ou a extinção de uma relação jurídica ou para
a eficácia de uma situação fático-jurídica.

A regra é que não exista um conflito. Nela há determinados negócios jurídicos que o
legislador considerou tão importantes que vinculou a existência dos efeitos desse negócio
jurídico à presença do juiz. Em outras palavras, determinados negócios jurídicos só produzem
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54

efeitos se realizados perante o juiz. O que existe é um interesse do Estado para que
determinados efeitos se produzam, o juiz tenha que participar do processo.

1.6.1. Princípios
São eles:

a) Inquisitoriedade: o juiz possui maior liberdade em tomar providências não requeridas


pelas partes, como dar início de ofício a determinados procedimentos, decidir contra a
vontade de ambas as partes, produzir provas etc.

b) Possibilidade de decisão fundada na equidade: o juiz não está obrigado a decidir com
base na legalidade estrita (art. 1.109, CPC), facultando-lhe o juízo por equidade, que se
funda em critérios de conveniência e oportunidade (discricionariedade).

Daniel Assumpção defende que o juiz poderá decidir até mesmo contrariamente à lei, desde
que tenha em vista o bem comum e observe o princípio da proporcionalidade.

c) Participação do MP como fiscal da lei: o MP deverá sempre ser intimado (art. 1.105,
CPC) em toda demanda de jurisdição voluntária. O STJ adota uma concepção restritiva
do dispositivo (para alguns, interpretação lógico-sistemática), defendendo só ser
necessária a intervenção do MP se presentes algumas das situações do art. 82 do CPC.

d) Obrigatoriedade: apesar do nome (voluntária), a maioria das demandas de jurisdição


voluntária é obrigatória, exigindo-se das partes a intervenção do Poder Judiciário para
que obtenham o bem de vida pretendido.

1.6.2. Natureza Jurídica


Para a teoria clássica ou administrativa, o juiz não exerceria atividade jurisdicional na
jurisdição voluntária. Tratar-se-ia de mera administração pública de interesses privados. Os
adeptos desta teoria defendem que se você tem relações jurídicas particulares que o legislador
elencou que para produzir efeitos precisam da participação do juiz, o juiz não está decidindo
nada só está assegurando a produção dos efeitos, então, na verdade, você não tem uma
atividade jurisdicional, uma atividade substitutiva. É uma atividade de criação, extinção ou
modificação de relação jurídica, tem natureza constitutiva e não declaratória. Se não existe
conflito, não há partes. O que existe são interessados. Uma última característica dos adeptos
da teoria administrativista é que a decisão proferida nesses processos não faz coisa julgada.

Para a teoria revisionista ou jurisdicionalista, o juiz efetivamente exerce atividade


jurisdicional. Para os adeptos dessa teoria a jurisdição voluntária é sim espécie de jurisdição,
porque, em primeiro lugar, o artigo 1º do CPC expressamente afirma que a jurisdição civil,
contenciosa e voluntária é exercida pelos juízes em todo território nacional:

“Art. 1o A jurisdição civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes,


em todo o território nacional, conforme as disposições que este Código
estabelece.”

Então, a jurisdição voluntária é espécie de jurisdição.

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55

Um segundo argumento para os adeptos da teoria revisionista é que tal como na jurisdição
contenciosa, na jurisdição voluntária o Estado precisa ser provocado e esta provocação é
realizada exatamente como nos casos de jurisdição contenciosa, ou seja, através do exercício
do direito de ação.

Eles vão além, e falam que se na jurisdição voluntária o Estado tem que ser provocado é
porque tem que existir um autor, pode não existir a parte ré, a chamada contraparte. Diante
disso, o último argumento é que de acordo com o artigo 1.111 do CPC a decisão na jurisdição
voluntária faz sim coisa julgada.

1.6.3. Características
São elas:

a) Inexistência de caráter substitutivo: o juiz apenas integra o acordo de vontades. Como


visto, isso é controverso, já que em alguns casos é imprescindível a manifestação do
juiz.

b) Ausência de lide: as vontades são convergentes.

c) Inexistência de partes, existência de interessados: pelo fato de inexistir uma situação


antagônica.

d) Inexistência de processo, existência de procedimento:

e) Existência de coisa julgada material: apesar de negada pela teoria clássica, não se
modificará ou discutirá novamente o que já foi decidido, salvo se sobrevierem novos
fatos, o que modificará a causa de pedir e não ofenderá a coisa julgada material.

1.7. Observações de Provas


1. TRF2 – XIII – CESPE – QUESTÃO 45. A jurisdição, como função criativa, pode criar regra
abstrata de regulação do caso concreto.

2. TRF4 – XIII – QUESTÃO 68. A sentença arbitral pode revestir-se de eficácias


condenatórias, declarativas e constitutivas, mas não terá jamais caráter
mandamental ou executivo6.

3. TRF5 – XI – CESPE – QUESTÃO 45. A figura do terceiro que conduz os interessados a


solução independentemente de intervenção judiciária indica a ocorrência de
mediação.

4. EMAGIS – 2012/27 – QUESTÃO 12. A propositura de ação, no Brasil, discutindo a


validade de cláusula arbitral porque inserida, sem destaque, em contrato de adesão,

6
Exatamente pela impossibilidade da sentença arbitral ser executada no próprio juízo arbitral. Para ter
caráter executivo, deve-se buscar a tutela do judiciário.
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56

não impede a homologação de sentença arbitral estrangeira que, em procedimento


instaurado de acordo com essa cláusula, reputou-a válida7.

5. EMAGIS – 2012/27 – QUESTÃO 12. De acordo com a jurisprudência pacificada pelo STJ,
a Lei de Arbitragem aplica-se aos contratos que contenham cláusula arbitral, ainda que
celebrados antes da sua edição.

6. EMAGIS – 2012/27 – QUESTÃO 12. Segundo recente precedente do STJ, o Tribunal


Arbitral é competente para processar e julgar pedido cautelar formulado pelas partes.

2. Competência
2.1. Conceito
Competência é o resultado de critérios para distribuir entre vários órgãos as atribuições
relativas ao desempenho da jurisdição, manifestação do poder estatal una e indivisível.

Todos os juízes de todos os órgãos jurisdicionais possuem jurisdição em todo o território


nacional, o que não significa que possam exercê-la de forma ilimitada. A competência é
justamente a limitação do exercício legítimo da jurisdição. Esse conceito é originado dos
ensinos de Liebman, que afirmava que competência é a medida da jurisdição.

Para outros autores, entretanto, a competência é o poder de exercer a jurisdição dentro de


determinados limites estabelecidos pela lei ou pela Constituição.

7
HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ARBITRAL ESTRANGEIRA CONTESTADA. COMPETÊNCIA DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA (CF. Art. 105, I, "i"; LEI 9.307/96, Art. 35). PEDIDO ADEQUADAMENTE INSTRUÍDO.
DEFERIMENTO.
I - A sentença estrangeira não terá eficácia no Brasil sem a prévia homologação pelo e. Superior Tribunal
de Justiça ou por seu Presidente (Resolução n.º 9/STJ, art. 4º).
II - A atuação jurisdicional do e. STJ no processo de homologação de sentença arbitral estrangeira
encontra balizas nos artigos 38 e 39 da Lei de Arbitragem (Lei 9.307/96). Se não houver transgressão aos
bons costumes, à soberania nacional e à ordem pública, não se discute a relação de direito material
subjacente à sentença arbitral.
III - In casu, verifica-se a existência de contrato assinado pelas partes com cláusula compromissória. Sem
embargo, no âmbito de processo de homologação de sentença arbitral estrangeira, é inviável a análise
da natureza do contrato a ela vinculado, para fins de caracterizá-lo como contrato de adesão.
Precedente do e. STF.
IV - Não há inexistência de notificação e cerceamento de defesa "ante a comprovação de que o
requerido foi comunicado acerca do início do procedimento de arbitragem, bem como dos atos ali
realizados, tanto por meio das empresas de serviços de courier, como também, correio eletrônico e fax"
(SEC 3.660/GB, Corte Especial, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 25/06/2009 ) V - "A propositura
de ação, no Brasil, discutindo a validade de cláusula arbitral porque inserida, sem destaque, em contrato
de adesão, não impede a homologação de sentença arbitral estrangeira que, em procedimento
instaurado de acordo com essa cláusula, reputou-a válida" (AgRg na SEC 854/GB, Corte Especial, Rel. p./
Acórdão Minª. Nancy Andrighi, DJe de 14/04/2011) VI - Constatada a presença dos requisitos
indispensáveis à homologação da sentença estrangeira (Resolução n.º 9/STJ, arts. 5º e 6º), é de se
deferir o pedido.
Sentença Arbitral homologada.
(SEC 6335/EX, Rel. Ministro FELIX FISCHER, CORTE ESPECIAL, julgado em 21/03/2012, DJe 12/04/2012)
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57

COMO PROVA DE QUE TODO ÓRGÃO JURISDICIONAL POSSUI JURISDIÇÃO MESMO


SEM COMPETÊNCIA, PODE-SE CITAR O PRINCÍPIO KOMPETENZ KOMPETENZ8, PELO
QUAL UM ÓRGÃO INCOMPETENTE TEM O PODER/DEVER DE DECLARAR A PRÓPRIA
INCOMPETÊNCIA. Isso é manifestação da jurisdição. Assim não fosse, esse pronunciamento
seria inexistente.

A competência é distribuída por meio de normas constitucionais, de leis processuais e de


organização judiciária, além da distribuição interna da competência nos tribunais feita por
meio de seus regimentos internos.

Na área federal, também é comum a distinção entre competência em sentido abstrato e


competência em sentido concreto. Qual é a diferença?

Competência em sentido abstrato

É o conjunto de atividades jurisdicionais atribuídas a um órgão ou grupo de órgãos pela


Constituição ou pelas leis.

Competência em sentido concreto

É a relação de adequação legítima entre o órgão jurisdicional (Juiz - Tribunal) e a função por ele
exercida perante cada caso que se põe para julgamento. Diz-se que um juiz é territorialmente
competente para determinada causa, guardando com ela uma relação de adequação legítima
(competência em sentido concreto) quando a causa considerada tem um elemento de ligação
com o território e a lei atribui a tal elemento a eficácia de fazer competente o território.
Assim, recebe o nome de competência em sentido concreto em decorrência de somente poder
ser verificada perante um caso concreto.

2.1.1. Fases da Determinação da Competência


Há várias propostas de fases para a determinação da competência. Trago aqui a de Nelson
Nery, que propõe quatro fases (competência internacional, competência da Justiça,
competência de foro e competência do juízo).

1ª Fase: é aquela em que ocorre a definição se o juiz brasileiro pode ou não examinar a causa.
Nessa primeira fase você tem a hipótese se é jurisdição ou, como preferem alguns,
competência internacional, ou se a hipótese é de jurisdição ou competência interna, brasileira.

Caso o juiz brasileiro tenha competência para o exame da causa, nós passamos à segunda fase.

2ª Fase: Na segunda fase, o que será definido é qual é a justiça competente para o exame da
causa. Aqui, teremos a definição se a competência é da justiça especial, ou seja, militar,
eleitoral ou trabalhista, ou se a competência é da justiça comum, entenda-se aqui, federal e
estadual.

8
Esse princípio se aplicaria aos órgãos arbitrais também, de forma que a incompetência da justiça
arbitral deveria ser determinada por ela mesma em caso de convenção com essa previsão.
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58

Nessa segunda fase, será preciso ser definido se a competência será chamada de justiça
especial ou jurisdição especial ou competência especial, que abrange a justiça militar, a
eleitoral e a trabalhista ou se a hipótese é de jurisdição ou competência comum que abrange a
justiça federal e estadual. Se a hipótese for da justiça especial seja, ela, militar ou eleitoral ou
trabalhista, você tem uma legislação específica para definir a competência em relação a essas
hipóteses aqui, então você tem a legislação militar, legislação eleitoral, legislação trabalhista
que tratam especificamente dessas hipóteses, o que não é nossa matéria, não é o nosso caso.
O nosso caso está na hipótese em que a competência comum é Federal ou Estadual.

3ª Fase: nessa terceira fase se define qual é o foro competente para o processamento e
julgamento da causa; quando se fala em foro se fala em comarca ou subseção judiciária.

Os critérios através dos quais o foro competente será definido estão expostos no Código de
Processo Civil como regra, então a regra é que o Código de Processo Civil é que estabeleça os
critérios através dos quais você vai saber qual é o foro competente para o julgamento da
causa.

É o foro do domicílio do réu, é o foro de situação da coisa, é o foro de eleição etc.

Qual é o foro? Qual é a cidade? Qual é a comarca? Qual é a subseção judiciária competente?

Se, porventura, o foro competente possuir apenas uma vara que julga todas as matérias é
chamado foro de juízo único ou, simplesmente, vara única, juízo único. Por exemplo: Sapucaia,
interior do Estado, Varre-Sai são comarcas de juízo único, tão pequenininhas que só tem um
juiz que examina qualquer material.

Em outras comarcas, dentro daquele foro você possui inúmeras varas, você tem, na Capital do
Estado do Rio de Janeiro, trinta Varas Cíveis, vinte e cinco Varas de Família, dezessete Varas
Criminais, dez Varas Empresariais.

Então, uma vez definido o foro, você não sabe exatamente qual é a vara competente, qual é o
juízo competente para examinar aquela pauta que você pretende apresentar, então você
passa para a quarta fase.

4ª Fase – que é a definição do juízo competente.

O juízo competente se refere à determinação da Vara. Por exemplo, se você quer ajuizar uma
demanda pedindo a declaração de inexistência de relação jurídico-tributária, você vai às
normas de organização e divisão judiciárias do TRF, são essas normas de organização
judiciárias que definem qual é a vara competente para o exame daquela causa. Por exemplo,
na subseção judiciária de Belo Horizonte, a 12ª Vara Cível é competente para todos os feitos
relativos à reforma agrária. Assim, somente ela poderá analisar essa matéria.

No caso da declaração de inexistência, todas as demais Varas cíveis federais são igualmente
competentes, de acordo com a organização e divisão judiciária. Nesse caso, determina-se a
competência pela livre distribuição.

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59

Na justiça federal, se você quer entrar com um pedido de naturalização, a competência é só da


primeira Vara Federal.

Questão muito ultrapassada, mas que ainda pode derrubar aí um ou outro.

O problema do foro regional:

A competência do foro regional é absoluta ou relativa? Você tem foro regional em que lugar
aqui do Estado? Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Meier, Madureira, Campinho, mas vejam, esses
lugares são comarcas? Tecnicamente qual é o foro? O foro é da capital do Estado do Rio de
Janeiro, para desinchar o foro sede, eles descentralizaram administrativamente o foro da
capital e criaram os foros regionais.

Qual é o foro competente? O foro é o da capital do Estado do Rio de Janeiro que foi
descentralizado administrativamente, então isso significa que quando você fala em foro
regional, tecnicamente não está falando em foro, o foro é o da capital do Estado do Rio de
Janeiro. Isso é o que se denomina de foro regional, são descentralizações administrativas, eles
apenas quiseram definir que as pessoas que residem nestes bairros que discutissem as suas
demandas naqueles bairros que é para não inchar o foro central, não inchar a sede. Então, na
verdade, há uma descentralização de juízos. Qual foi a lei que estabeleceu essa
descentralização? Normas de organização de divisão do Estado. Será competência de juízo,
portanto possui competência absoluta. Por isso que o foro regional é de competência
absoluta. A sua competência não é competência de foro, é competência de juízo. O foro é um
só, o foro da capital do Estado do Rio de Janeiro. É uma descentralização administrativa, é uma
competência de juízo, daí a razão pela qual a competência desses foros é absoluta.

2.2. Princípios da Tipicidade e da Indisponibilidade da Competência


Canotilho identifica esses dois princípios. Pelo primeiro, as competências dos órgãos
constitucionais são, em regra, apenas as expressamente enumeradas na Constituição; pelo
segundo, as competências constitucionalmente fixadas não podem ser transferidas para
órgãos diferentes daqueles a quem a Constituição as atribui.

Entretanto, o STF, de certa forma, admite a mitigação do princípio da tipicidade ao reconhecer


a existência de competências implícitas (implied power) quando não houver regra expressa,
mas tendo algum órgão jurisdicional que se manifestar sobre a questão sob pena de se agredir
o princípio da indeclinabilidade da jurisdição.

No âmbito do STJ, por sua vez, se reconhece o princípio da tipicidade ao se inadmitir recurso
especial em face de acórdãos de turmas recursais, por falta de previsão na Constituição
(também admitiu a mitigação ao determinar que o STJ conheça das reclamações propostas em
face de decisões das Turmas Recursais dos Juizados Especiais Estaduais Cíveis, enquanto não
criada a Turma Nacional de Uniformização nessa seara).

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2.3. A Perpetuação da Jurisdição (art. 87, CPC)


O termo “perpetuação da jurisdição” é tecnicamente equívoco, já que a jurisdição já existe
antes e continua existindo depois da propositura da demanda. O que ocorre, na verdade, é a
perpetuação da competência.

Não basta que as regras de competência sejam fixadas pela lei; é necessário que se saiba qual,
dentre os vários juízos competentes, será o juízo responsável concretamente pela demanda
ajuizada. A perpetuatio jurisdictionis consiste na regra segundo a qual a competência fixada
no momento da propositura9 da demanda não mais se modifica. Ela visa à estabilidade
processual.

Art. 87. Determina-se a competência no momento em que a ação é


proposta. São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito
ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou
alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia.

Assim, há dois momentos para se considerar a demanda proposta:

a) Quando distribuída, em comarcas com mais de uma vara com igual competência;

b) Quando protocoladas, em comarcas em que exista apenas uma vara.

Assim, após proposta a demanda, garante-se que nenhuma modificação no estado de fato ou
de direito superveniente poderá alterá-la. Por exemplo, proposta uma ação de alimentos no
foro do alimentando, conforme a regra, caso este mude de domicílio não haverá modificação
da competência para julgar o processo. O processo não será itinerante, seguindo o
alimentando aonde quer que vá.

Porém, importante ressaltar o seguinte: SOMENTE SE PERPETUARÁ A COMPETÊNCIA DE


JUÍZO COM A PROPOSITURA DA AÇÃO NAS HIPÓTESES EM QUE ESSE JUÍZO SEJA A
PRIORI COMPETENTE. Caso ele seja relativamente incompetente, por exemplo, tornar-se-á
competente não em função da perpetuação da competência, e sim em função da preclusão
para o réu operada por não ter proposto a exceção de incompetência. Haverá, nesse caso, a
prorrogação da competência, e não sua perpetuação.

Sobre a perpetuatio:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. MUDANÇA DE DOMICÍLIO.


INCOMPETÊNCIA RELATIVA.

A fixação de competência territorial se dá no momento da propositura da


ação, não sendo permitida sua alteração, seja por mudança de domicílio ou
por vontade da parte, sob pena de ofensa ao princípio do juiz natural.
Precedentes. Unânime. (TRF1, 1S, CC 009152-87.2012.4.01.0000/MG, rel.
Des. Federal Ângela Catão, em 17/04/2012.)

9
Cuidado: não fale que a competência é determinada no momento em que a ação é distribuída, pois
nem sempre haverá distribuição. Só se fala em distribuição quando existir dois ou mais juízos
igualmente competentes no mesmo foro.
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61

2.3.1. Exceções à Perpetuação da Jurisdição


Não haverá a perpetuação, ou restará ela fulminada, nos seguintes casos TAXATIVOS:

a) Modificação de competência absoluta: se houver uma modificação de competência


em razão da matéria, da hierarquia ou da pessoa, assim como de uma competência
territorial absoluta (ou qualquer outra considerada por lei como absoluta), será outro
o órgão do judiciário que julgará a causa.

MATÉRIA AMBIENTAL. CRIAÇÃO DE VARA ESPECIALIZADA. PRINCÍPIO DO


JUIZ NATURAL.

A redistribuição de processos em razão de criação de vara no interior dos


Estados não ofende o princípio da perpetuação da jurisdição nem a garantia
do juiz natural. Precedente. Unânime. (TRF1, 2S, CC 0005541-
63.2011.4.01.0000/ PA, rel. Juiz Federal Murilo Fernandes de Almeida
(convocado), em 31/08/2011.)

b) Supressão de órgão judiciário: evidentemente que se uma seção ou subseção judiciária


forem suprimidas, não haverá como ela continuar competente para julgar a causa.
Nesse caso, os processos deverão ser redistribuídos ou remetidos para o juízo
competente, se previamente definido.

Poderá ainda a competência deixar de ser perpetuada quando houver desmembramento de


seção ou comarca, desde que haja a alteração da competência absoluta (o que seria caso da
primeira hipótese).

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA.


CRIAÇÃO DE NOVA VARA POR LEI DE ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA.
REDISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS EM RAZÃO DO DOMICÍLIO TERRITORIAL.
IMPOSSIBILIDADE.

Exceções previstas no art. 87 do CPC. Rol taxativo.

- A criação de nova vara, em virtude de modificação da Lei de Organização


Judiciária, não autoriza a redistribuição dos processos, com fundamento no
domicílio do réu.

- AS EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA PERPETUATIO JURISDICTIONIS,


ELENCADAS NO ART. 87 DO CPC, SÃO TAXATIVAS, vedado qualquer
acréscimo judicial.

Recurso especial conhecido e provido.

(REsp 969.767/GO, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,


julgado em 10/11/2009, DJe 17/11/2009)

2.4. Competência por Distribuição (arts. 251 e 252)


A distribuição dos processos somente ocorre em comarcas ou seções judiciárias em que
houver mais de um juízo competente para conhecer do feito. Não há sentido em se falar em

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distribuição havendo apenas uma vara no local, já que o resultado desse ato somente poderia
ser um.

As regras de distribuição são corolário do princípio constitucional do juiz natural (art. 5º, LIII e
LIV, CR/88), já que não se fixará o juízo competente de acordo com critérios desconhecidos, e
sim com critérios rigorosamente equânimes para todos os jurisdicionados. Além disso, é forma
de impedir que as partes escolham o juiz que julgará a causa.

A distribuição serve para transformar a competência cumulativa de vários juízos em


competência exclusiva de um só entre todos eles no caso concreto. Importante uma
observação: a competência se fixa no juízo, e não na pessoa do juiz. Tanto que um juiz titular
de uma Vara, caso removido ou ascendido a desembargador, por exemplo, não levará consigo
os processos em que atuava; eles continuarão na Vara, devendo ser julgados por seu
substituto.

2.5. Classificação da Competência

2.5.1. Competência do Foro (Territorial) e Competência do Juízo


Foro é o local onde o juiz exerce as suas funções; trata-se de conceito geográfico. Sobre o
mesmo território, porém, podem existir vários juízes com atribuições iguais ou diversas, a
depender da matéria sobre a qual versa a causa, a qual será distribuída de acordo com as
regras de organização judiciária.

Assim, para uma mesma causa, primeiro deve-se identificar o foro competente, depois o juízo
(Vara).

A competência do foro é regulada pelo CPC, enquanto a competência do juízo é matéria


pertinente às leis de organização judiciária.

2.5.2. Competência Originária e Derivada


Competência originária é aquela atribuída ao órgão jurisdicional diretamente, para conhecer
da causa em primeiro lugar; pode ser atribuída tanto ao juízo monocrático, o que é a regra,
como ao tribunal, o que geralmente é feito pela Constituição.

A competência derivada ou recursal é atribuída ao órgão jurisdicional destinado a rever a


decisão já proferida; normalmente ela é atribuída ao tribunal, havendo as seguintes exceções:

a) Embargos infringentes de alçada, cabíveis na forma do art. 34 da LEF, que serão


julgados pelo mesmo juízo prolator da sentença;

b) Embargos de declaração;

c) Recursos dos Juizados Especiais, que serão julgados pelas Turmas Recursais,
compostas por juízes de primeiro grau.

Ambas são espécies de competência absoluta.

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63

2.5.3. Competência Relativa e Absoluta


As regras de competência relativa e absoluta existem em função do reconhecimento de que
existem interesses jurídicos diferenciados na sociedade, alguns de ordem pública e outros
afetos estritamente à ordem particular. Assim, visa a equilibrar razões políticas divergentes.

A competência absoluta se funda em razões de ordem pública, para as quais a liberdade das
partes deve ser desconsiderada em virtude da prevalência do interesse público sobre os
particulares.

Já a competência relativa visa a prestigiar a vontade das partes, por meio da criação de normas
que buscam protegê-las, franqueando a elas a opção de aplicação ou não no caso concreto.

Exatamente em função dessas diferenças apresentadas, decorre uma série de pontos


divergentes entre ambas, sobremodo relevantes para o processo civil e com aplicações
práticas de alta incidência nos casos concretos, especialmente para os magistrados, que
devem ficar atentos ao que lhes é submetido, sob pena de causarem custos desnecessários e
demora indevida na prestação jurisdicional.

O defeito de competência gera a incompetência, a qual, em regra, não leva à extinção do


processo (natureza dilatória), mesmo em se tratando de incompetência absoluta, salvo nas
excepcionais hipóteses do inciso III, art. 51, da Lei nº 9.099/95 e da incompetência
internacional (arts. 88 e 89, CPC).

Há outro caso: se a demanda é proposta, por exemplo, na Justiça Federal, sendo que um dos
pedidos é afeto ao Juizado Especial Federal e outro, à Justiça do Trabalho, deve o processo ser
extinto com fundamento na incompetência absoluta. Isso porque não pode o juiz
desentranhar o pedido e elaborar petições diversas a cada Justiça para sanear a incompetência
intelectual do advogado.

Nos casos em que há extinção do processo, fala-se em natureza peremptória.

Quadro Esquemático – Incompetência Absoluta e Relativa

INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA INCOMPETÊNCIA RELATIVA


Ofende interesse de ordem pública Ofende interesse particular
Pode ser alegada a qualquer tempo, por qualquer Somente pode ser alegada pelo réu, no prazo de
das partes, pelo MP e reconhecida de ofício resposta10, sob pena de preclusão e prorrogação
A parte que deixar de alegá-la no primeiro da competência. O magistrado não pode conhecê-
momento que lhe couber falar nos autos arcará la de ofício (súmula 33, STJ). O MP pode suscitá-la
com as custas do retardamento. apenas em benefício de réu incapaz ou se for
parte.
Se alegada pelas partes, deverá ser feita como Deve necessariamente ser alegada por exceção
preliminar de contestação ou por meio de petição instrumental11, a qual será distribuída por

10
Esse prazo não será necessariamente de 15 dias. Por exemplo, aplica-se o prazo em quádruplo para a
Fazenda Pública e MP (art. 188, CPC) e o prazo em dobro para réus com patronos diferentes (art. 191,
CPC).
11
Nem tão necessariamente assim. Nos Juizados Especiais, não há previsão legal de oferta de exceção
de incompetência. Assim, se a defesa for apresentada por escrito, deverá a incompetência relativa ser
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incidental. Não há forma definida, não podendo, dependência ao processo principal e autuada em
entretanto, ser promovida por exceção apenso. Entretanto, o STJ tem considerado que a
instrumental; além disso, a alegação não alegação de incompetência relativa no bojo da
suspende o processo. contestação, como preliminar, por não causar
prejuízo, não pode ser desconsiderada,
Não suspende o andamento do processo. Seu ajuizamento suspende o andamento do
processo.
A incompetência absoluta pode ser originária ou A incompetência relativa é sempre originária. Não
derivada. Se ocorrer algumas das causas de existe incompetência relativa por fato posterior
incompetência absoluta, mesmo superveniente, ao ajuizamento do processo, em decorrência da
inaplicável a perpetuação da jurisdição. prorrogação da jurisdição.
Reconhecida, remetem-se os autos ao juízo Reconhecida, remetem-se os autos ao juízo
competente e reputam-se nulos os atos competente SEM ANULAR os atos decisórios já
decisórios praticados12. praticados.
Não podem as regras de incompetência absoluta Pode ser alterada pela vontade das partes, quer
ser alteradas pela vontade das partes. pelo foro eletivo, quer pela não oposição de
exceção de incompetência.
Não podem suas regras ser alteradas por conexão Podem suas regras ser modificadas por conexão
ou continência. ou continência.
São absolutas as competências materiais, São relativas, em regra, as competências em razão
funcionais, hierárquicas, da pessoa etc., assim do valor da causa, quando ele ficar aquém do
como a em valor da causa quando superar os limite previsto, e a territorial.
limites fixados

2.5.3.1. Especificidades da Incompetência Relativa


Como visto, o MP em regra não poderá alegá-la, salvo se for parte demandada, o que é
raríssimo, ou se houver réu incapaz no processo.

O assistente do autor não pode alegá-la, podendo fazê-lo o do réu. Entretanto, se a assistência
for simples, somente poderá prosperar a exceção se o assistido anuir com a exceção interposta
pelo assistente, caso contrário ela não poderá ser acolhida. Isso porque tal tipo de assistência
não permite a atuação deste contra a vontade daquele.

O juiz, apesar da súmula 33 do STJ, poderá alegar de ofício a incompetência relativa quando
se tratar de cláusula de eleição de foro prevista em contrato de adesão reputada por ele nula
por ser abusiva. Isso protege não somente o consumidor, mas todas as outras relações
jurídicas cuja contratação se dê mediante tal técnica contratual (art. 112, p. único, CPC).

Porém, de acordo com os arts. 112, p. único c/c art. 144, haverá preclusão temporal para o
juiz alegar de ofício essa incompetência caso deixe de fazê-lo no prazo de resposta do réu.

No procedimento sumário, o réu somente pode apresentar a exceção durante a audiência;


caso contrário, haveria a suspensão do processo antes mesmo da tentativa de conciliação, em
nítida incompatibilidade com a agilização pretendida por esse procedimento. Porém, o juiz não

alegada como preliminar de contestação. Já no procedimento sumário, caso o réu opte por resposta
oral, a exceção será dispensada, devendo constar a alegação no termo de audiência.
12
Pela lei, os atos decisórios são nulos, mas, na jurisprudência, os Tribunais admitem a ratificação de
todos os atos pelo juiz competente desde que ele faça expressamente, ele tem que dizer que confirma
todos os atos praticados porque ele os iria fazer da mesma maneira e, portanto, pelo princípio da
economia processual, pelo princípio da celeridade, a demanda seria processada daí por diante.
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65

deve determinar o desentranhamento do feito caso apresentado antes; deve apenas deixar
para apreciá-lo a partir da frustração da audiência de conciliação.

2.5.3.2. Especificidades da Incompetência Absoluta


Daniel Assumpção defende que até mesmo terceiros desinteressados, ou com interesses não
jurídicos, podem alegar a incompetência absoluta, já que cabe a todos resguardar a ordem
pública.

Como visto, a forma de alegação é livre.

Por fim, somente os atos decisórios de mérito serão nulos, APROVEITANDO-SE, POIS, OS
ATOS POSTULATÓRIOS, DE SANEAMENTO E PROBATÓRIOS. Decisões de questões incidentais,
tais como as decisões proferidas no saneamento, que determinam a exclusão de um
litisconsorte ou que decidem o valor da causa, são atos decisórios válidos.

Digamos que a parte tenha alegado a incompetência absoluta e o juiz a rejeitou, assim como o
Tribunal. Essa matéria, incompetência absoluta, pode ser matéria de ação rescisória? Pode. O
fato do juiz ou Tribunal tê-la rejeitado não impede que ela venha a ser novamente
apresentada em ação rescisória, é o art. 485, II CPC, A MATÉRIA É DE TANTA GRAVIDADE QUE
MESMO QUE O JUIZ OU TRIBUNAL TENHA REJEITADO ELA PODE SER OBJETO NOVAMENTE
DE AÇÃO RESCISÓRIA.

A incompetência absoluta pode ser alegada em grau de recursos excepcionais (REsp e RE)?

A corrente clássica defende que a incompetência absoluta só pode ser alegada em recurso
especial e em recurso extraordinário se ela tiver sido objeto de prequestionamento.

Para a corrente moderna, se o recurso especial ou o recurso extraordinário foram admitidos


por qualquer motivo que seja e agora eles terão o mérito examinado, no exame do mérito, as
partes e até o Tribunal, de ofício, podem examinar a incompetência absoluta, mesmo que ela
não tenha sido alegada anteriormente, é o que se chama de TEORIA DA JURISDIÇÃO ABERTA.

2.5.4. Síntese dos Pontos Vistos Anteriores


1. Competência: limitação do exercício legítimo da jurisdição por critérios pré-
determinados. Todos os juízes têm jurisdição em todo o território nacional,
competência não.

2. Princípio do Kompetenz kompetenz: prova que todo juiz tem jurisdição nacional, visto
que um órgão incompetente tem o poder/dever de declarar a própria incompetência.

3. Competência em sentido abstrato: conjunto de atividades jurisdicionais atribuídas a


um órgão ou grupo de órgãos pela Constituição ou pelas leis

4. Competência em sentido concreto: relação de adequação legítima entre o órgão


jurisdicional (Juiz - Tribunal) e a função por ele exercida perante cada caso que se põe
para julgamento.

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66

5. Tipicidade e indisponibilidade da competência: princípios constitucionais


reconhecidos por Canotilho. Pelo primeiro, as competências dos órgãos
constitucionais são, em regra, apenas as expressamente enumeradas na Constituição;
pelo segundo, as competências constitucionalmente fixadas não podem ser
transferidas para órgãos diferentes daqueles a quem a Constituição as atribui.
Exceções à tipicidade reconhecidas pelo STF com base no princípio dos poderes
implícitos.

6. Perpetuação da jurisdição: nenhuma alteração posterior irá modificar a competência


fixada no momento da propositura da ação, se o juiz era o competente (se não era e a
incompetência era relativa, fala-se em prorrogação da competência). Exceções:
supressão de órgão judiciário e modificação de competência absoluta.

7. Teoria da jurisdição aberta: permite que matérias de ordem pública sejam


questionadas ou reconhecidas de ofícios em recursos excepcionais, ainda que não
prequestionadas, desde que tenha sido o recurso admitido por qualquer outro motivo.

2.5.5. Competência Limitada e Competência Delimitada


Competência limitada é aquela que não se mostra plena, por não poder incidir em toda e
qualquer hipótese. A limitação ocorre, normalmente, com a instituição de normas proibitivas
do exercício da competência. Em analogia ao direito tributário, seriam, por exemplo, as causas
de imunidade tributária, em que, mesmo querendo e tendo competência para instituir
tributos, determinado ente não poderá exercer tal competência em hipóteses específicas.
Outro exemplo que pode ser dado é a limitação da competência que impõe o ordenamento
interno proibindo que decisões jurisdicionais de outros países decidam sobre bens imóveis
situados no Brasil.

Por sua vez, a competência delimitada é aquela restrita por outra norma. Não se trata de
proibição do exercício da competência em determinada hipótese, mas sim de delimitação de
seu âmbito, de modo que, ainda que praticado um ato fora do âmbito previsto, pode ele ser
eventualmente convalidado por aquele que de fato é competente (no caso de competência
relativa, é claro, pois em caso de competência absoluta os atos decisórios devem ser
repetidos).

Note-se que efeito prático é o de que, os casos de competência limitada não admitem
convalidação, por serem absolutas exclusões de atuação de um determinado juízo. Já os casos
de competência delimitada podem gerar atos passíveis de convalidação, por não se tratar de
exclusão absoluta da possibilidade de atuação do juízo.

A competência limitada é definida, em regra, em razão da matéria ou da função


(competência funcional ou competência material). A competência do STF, por exemplo, é
limitada aos casos expressos na CF/88.

De outro modo, a competência delimitada é definida por normas processuais. É a


competência de juízos (o juiz da primeira vara tem competência apenas para os processos
distribuídos para tal órgão jurisdicional e não para os feitos das outras varas, por exemplo).

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2.6. Competência Internacional

2.6.1. Introdução
A competência internacional visa, na verdade, a definir quais causas serão submetidas à
jurisdição nacional, delimitando o espaço em que deve haver jurisdição na medida em que o
Estado possa fazer cumprir soberanamente as suas sentenças. Por isso há várias críticas ao
termo utilizado, sendo que muitos doutrinadores sugerem a adoção do termo “competência
nacional”.

Para ser fixada, ela deve se basear no princípio da efetividade, já que a Justiça brasileira
somente deve se preocupar em julgar aquelas demandas cuja decisão gere efeitos em
território nacional ou em Estado estrangeiro que a reconheça. De nada adianta, por exemplo,
decretar um divórcio no Brasil entre dois russos que residem e se casaram na Rússia, já que
eles continuariam juridicamente casados naquele país.

Também informa a competência internacional o princípio da exclusividade, pelo qual cada


Estado tem a soberania interna de aplicar o seu Direito. Aplicará, pois, as decisões estrangeiras
se obrigou-se a tanto por tratado ou convenção.
Princípio da Efetividade
Assim, informam a competência internacional:
Princípio da Exclusividade
Em síntese, a competência internacional brasileira diz quais as causas que deverão ser
conhecidas e decididas pela justiça brasileira.

A disciplina legal reside nos arts. 88 e 89 do CPC e no art. 12 da LICC.

2.6.1.1. Competência Internacional Concorrente ou Cumulativa (art. 88, CPC)


Trata-se das hipóteses em que tanto a Justiça brasileira como a estrangeira terão competência
para conhecer da matéria.

Não quer dizer o artigo, evidentemente, que a legislação brasileira pretende conceder
competência a determinado país. Quer dizer apenas que, se ele vier a prolatar sentença sobre
as matérias abaixo, elas terão força executiva aqui, desde que homologadas pelo STJ. São elas
as seguintes:

Art. 88. É competente a autoridade judiciária brasileira quando:

I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no


Brasil;

II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;

III - a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil.

Parágrafo único. Para o fim do disposto no n o I, reputa-se domiciliada no


Brasil a pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver agência, filial ou sucursal.

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2.6.1.2. Competência Internacional Exclusiva (art. 89, CPC)


O fato de a competência ser exclusiva significa que a Justiça nacional não reconhecerá as
decisões proferidas em território estrangeiro, ainda que tenham sido lá regularmente julgadas.
Assim, elas não produzirão quaisquer efeitos aqui, sendo, pois, inomologáveis pelo STJ em
função do resguardo dos interesses e da segurança nacionais.

Ocorre a competência internacional exclusiva nos seguintes casos:

Art. 89. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de


qualquer outra:

I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;

II - proceder a inventário e partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o


autor da herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território
nacional.

2.6.1.3. Litispendência Internacional


A existência de um processo em trâmite no estrangeiro com identidade em relação a outro
presente no Brasil não induzirá a litispendência.

Art. 90. A ação intentada perante tribunal estrangeiro não induz


litispendência, nem obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da
mesma causa e das que Ihe são conexas.

Não se trata, entretanto, de regra constitucional, podendo vir a ser permitido o conhecimento
desse fenômeno processual desde que previsto em acordo internacional e desde que
respeitados os direitos fundamentais, em especial a inafastabilidade da jurisdição.

Há, entretanto, duas importantes regras a serem conhecidas:

a) Homologada sentença estrangeira em que se verifique identidade com ação aqui em


trâmite, deverá o processo nacional ser extinto sem resolução de mérito, por ofensa à
superveniente coisa julgada material;

b) Transitada em julgado decisão proferida em processo nacional, o STJ não poderá


homologar sentença estrangeira a fim de não agredir a coisa julgada material e,
mediatamente, a soberania nacional.

2.7. Método de Identificação da Competência


Nery-Nery indicam o seguinte roteiro, na ordem apresentada:

a) Identificar se a justiça brasileira é competente para julgar a causa (competência


internacional);

b) Identificar se é caso de competência originária de Tribunal ou de órgão jurisdicional


atípico;

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c) Não sendo de competência originária de Tribunal, verificar se é afeto às Justiças


Especiais ou à Comum;

d) Sendo da Justiça comum, verificar se compete à Justiça Federal nas hipóteses taxativas
do art. 109, CR/88; caso negativo, competirá à justiça comum estadual;

e) Sendo da Justiça Federal ou da estadual, verificar o foro competente (seção e subseção


judiciária/comarca);

f) Determinado o foro, verificar o juízo competente (Vara), de acordo com o CPC


(prevenção, conexão, continência etc.) e com as normas de organização judiciária que
criam varas especializadas);

g) Por fim, se necessário, verificar a competência recursal.

2.8. Critérios Determinativos de Distribuição da Competência

2.8.1. A Competência Territorial (arts. 94 a 100, CPC)


Trata-se da regra que determina em que território a causa deve ser processada. Trata-se do
critério que distribui a competência em razão do lugar, sendo, regra geral, relativa e
derrogável pela vontade das partes.

2.8.1.1. O Foro Comum, Geral ou Ordinário (art. 94, CPC)


O foro comum adotado no Brasil (art. 94) é o domicílio do réu.

Art. 94. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real
sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu.

§ 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de


qualquer deles.

§ 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele será demandado


onde for encontrado ou no foro do domicílio do autor.

§ 3o Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil, a ação será
proposta no foro do domicílio do autor. Se este também residir fora do
Brasil, a ação será proposta em qualquer foro.

§ 4o Havendo dois ou mais réus, com diferentes domicílios, serão


demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor.

Como se observa, esse foro geral se aplica, entretanto, apenas sobre ações fundadas em
direito pessoal e direito real mobiliário. Isso inclui, portanto:

a) Direito pessoal sobre imóvel, v.g., relação locatícia de apartamentos;

b) Direito pessoal sobre móvel, v.g., contrato de comodato;

c) Direito real sobre móvel, v.g., usufruto de veículos pesados.

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70

A ação deverá ser proposta, pois, no local de domicílio13 do réu. Em sendo o réu pessoa
jurídica, considerar-se-á domicílio o local onde está a sua sede. Sendo a União, o Distrito
Federal; Estados, Capitais; Municípios, onde funcionar a administração municipal; autarquias,
fundações, EP e SEM, no local indicado na lei instituidora ou no Estatuto ou contrato social.

Se o réu tiver mais de um domicílio, poderá ser proposta a ação em qualquer deles, à escolha
do autor.

Se desconhecido ou incerto, o autor proporá a ação onde for o réu encontrado (em sua
residência) ou na subseção judiciária do próprio domicílio autoral, respeitando essa ordem, de
acordo com Daniel Assumpção.

Se não residir o réu no Brasil, deve o autor propor a ação em seu domicílio. Se o autor também
for outsider, deverá ser proposta a ação em qualquer lugar. Trata-se essa segunda hipótese de
um foro subsidiário.

Por fim, em havendo corréus com domicílios diferentes, proporá o autor a ação em qualquer
deles.

2.8.1.2. Direitos Reais Imobiliários (art. 95, CPC)


Art. 95. Nas ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o
foro da situação da coisa. Pode o autor, entretanto, optar pelo foro do
domicílio ou de eleição, não recaindo o litígio sobre direito de propriedade,
vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de
obra nova.

A regra quando se tratar de direitos reais imobiliários (lembrar que o rol de direitos reais é
taxativo) é que a ação seja proposta no local da situação da coisa, forum rei sitae. Trata-se de
uma regra de competência absoluta quando recair o litígio sobre direito de propriedade,
vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova.

A razão de ser absolutamente competente esse foro é:

a) Conveniência de decidir no local as demandas referentes a imóveis;

b) Facilidade de produção probatória;

c) Repercussão na vida econômica e social da localidade em que se situa o imóvel.

Se o imóvel estiver localizado nos limites de mais de uma subseção judiciária/comarca, será
competente qualquer delas, podendo o autor optar, tornando-se o juiz que receber a inicial
prevento para conhecer qualquer outra ação conexa.

Relativamente aos demais direitos reais, como uso, direito real de uso, enfiteuse etc., o art.
95 expressamente permite ao autor optar pelo foro da situação da coisa, do domicílio do réu

13
Domicílio é o local onde a pessoa fixa residência com ânimo definitivo, além dos domicílios legais
previstos no Código Civil.
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71

ou de eleição. Logo, somente é absoluta a competência relativamente àqueles direitos reais


citados no art. 95.

2.8.1.3. Ações Afetas às Sucessões

Art. 96. O foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente


para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições
de última vontade e todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o
óbito tenha ocorrido no estrangeiro.

Parágrafo único. É, porém, competente o foro:

I - da situação dos bens, se o autor da herança não possuía domicílio certo;

II - do lugar em que ocorreu o óbito se o autor da herança não tinha


domicílio certo e possuía bens em lugares diferentes.

Logo, a regra é o foro do domicílio do autor da herança, ainda que a morte tenha se dado no
estrangeiro. Não tendo ele domicílio certo, a ação deverá ser proposta no lugar da situação
dos bens. Somente em último caso, com bens em múltiplos locais, se proporá a ação no local
do óbito.

As regras previstas no art. 96 são de competência relativa.

2.8.1.4. Réu Ausente


O foro será o do seu último domicílio (art. 97). Porém, assim como ocorre nas situações do art.
96, se a ação versar sobre alguma das matérias previstas no art. 95, prevalece o foro previsto
nesse artigo (forum rei sitae), já que se trata de foro absoluto.

2.8.1.5. Réu Incapaz


Devem ser propostas as ações no domicílio de seu representante legal (art. 97). Trata-se, pois,
de foro especial falso, já que, de qualquer jeito, o domicílio legal do incapaz é, de acordo com
o Código Civil, o de seu representante legal.

2.8.1.6. União
Figurando a União como autora, deverá propor a ação na seção judiciária do domicílio do réu,
mais especificamente na subseção judiciária que abrange o domicílio do réu. Se vários forem
os réus, aplica-se o critério do CPC, que faculta ao autor promover a ação no domicílio de
qualquer deles.

Porém, em sendo esse ente político o réu, o autor poderá optar entre a seção judiciária de seu
domicílio, a em que houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda, naquela onde
esteja situada a coisa objeto da demanda ou no Distrito Federal, tratando-se de verdadeira
competência concorrente.

E se houver litisconsórcio ativo facultativo nestes casos? Veja o seguinte:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO.


DEMANDA CONTRA A RFFSA. AUTORES DOMICÍLIOS EM DIFERENTES
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ESTADOS. FORO COMPETENTE. ESCOLHA DOS AUTORES. 28.ª VARA


FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO. COMPETÊNCIA
RECONHECIDA PARA O JULGAMENTO E PROCESSAMENTO DA AÇÃO
ORDINÁRIA N.º 2000.5101030867-0, RELATIVAMENTE A TODOS OS
AUTORES.

1. Havendo litisconsórcio ativo facultativo, a União, o INSS, e a Rede


Ferroviária Federal - RFFSA podem ser demandados no foro de qualquer
unidade da federação escolhida pelos Autores, ainda que sejam eles
domiciliados em Estados-membros diferentes. Precedentes.

2. Agravo regimental desprovido.

(AgRg no REsp 888.952/RJ, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA,


julgado em 28/10/2008, DJe 17/11/2008)

Porém, se houver qualquer hipótese determinadora da competência absoluta, como no caso


de direito real sobre bens imóveis, em sendo a União ré, deverá o autor observar a regra do
art. 95 do CPC.

Art. 109. (CR/88) ...

[...]

§ 1º - As causas em que a União for autora serão aforadas na seção


judiciária onde tiver domicílio a outra parte14.

§ 2º - As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção


judiciária em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o
ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou,
ainda, no Distrito Federal.

2.8.1.7. Competência por Delegação (art. 109, § 3º, CR/88)

§ 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio


dos segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de
previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara
do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que
outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.

§ 4º - Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para


o Tribunal Regional Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau.

O que deve acontecer se, após proposta a ação perante a Justiça Estadual, por delegação, for
criada sede de Vara federal no Município de domicílio do réu? O processo deve ser

14
Se a União quiser, por exemplo, ajuizar ação em face de pessoa domiciliada em Nanuque/MG, a qual
não é sede de subseção judiciária, deverá fazê-lo em Teófilo Otoni/MG, sede dessa subseção, salvo se
for caso de competência delegada.
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73

imediatamente enviado para a Justiça Federal; todos os atos decisórios de mérito praticados,
entretanto, serão válidos, já que a incompetência absoluta é superveniente, e não
contemporânea às decisões.

PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO


FISCAL. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
DO TRABALHO. JUIZ DE DIREITO INVESTIDO DE JURISDIÇÃO FEDERAL.
CRIAÇÃO SUPERVENIENTE DE VARA FEDERAL. DESLOCAMENTO.
COMPETÊNCIA ABSOLUTA EM RAZÃO DA MATÉRIA. ART. 87 DO CPC.

1. O fundamento legal da certidão de dívida ativa não é a violação à


Consolidação das Leis Trabalhistas, mas ofensa à legislação tributária (não-
recolhimento de IR, IPI e PIS). Assim sendo, é certo que não há competência
da Justiça do Trabalho.

2. Durante o trâmite do presente conflito, foi instalada em Ipatinga/MG a


Justiça Federal, motivo pelo qual cessa a delegação da jurisdição federal no
caso - por motivos de competência absoluta em razão da matéria (art. 87 do
Código de Processo Civil). Precedentes.

3. Conflito conhecido para declarar a competência da Vara da Subseção


Judiciária Federal de Ipatinga/MG (que não é suscitante nem suscitada).

(STJ, CC 60.807/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA


SEÇÃO, julgado em 10/12/2008, DJe 19/12/2008)

PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. CONFLITO NEGATIVO DE


COMPETÊNCIA. JUÍZO FEDERAL E JUÍZO ESTADUAL. INEXISTÊNCIA DE VARA
FEDERAL. SUBSISTÊNCIA DO ART. 109, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA. COMPETENCIA DO JUIZO ESTADUAL.

1. Nos termos do art. 109, § 3º da Constituição da República, a justiça


estadual tem competência para processar e julgar as causas em que forem
partes instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca
não seja sede de vara ou juízo federal.

2. Não sendo a comarca sede de vara federal, SUBSISTE A COMPETÊNCIA


CONSTITUCIONALMENTE DELEGADA AO JUIZ ESTADUAL PARA O
CONHECIMENTO E JULGAMENTO DE FEITOS PREVIDENCIÁRIOS, MESMO
APÓS A CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DE VARA FEDERAL CUJA JURISDIÇÃO
ABRANJA A DA COMARCA. (AC 2007.01.99.027843-7/GO, Rel.
Desembargador federal José Amilcar Machado, Primeira Turma, e-DJF1
p.204 de 20/10/2009)"

3. O DESLOCAMENTO DA COMPETÊNCIA SÓ OCORRERÁ QUANDO A


COMARCA PASSAR A SER SEDE DE VARA FEDERAL, hipótese não
vislumbrada na espécie, pois não existe sede de juízo federal em Itaúna/MG,
cuja jurisdição está abrangida pela Subseção Judiciária de Divinópolis/MG.

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4. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo de Direito da 1ª Vara


Cível da Comarca de Itaúna/MG, ora Suscitado.

(TRF1, CC 0047244-76.2008.4.01.0000/MG, Rel. Desembargadora Federal


Ângela Maria Catão Alves, Conv. Juiz Federal Miguel Angelo De Alvarenga
Lopes (conv.), Primeira Seção,e-DJF1 p.43 de 26/04/2010)

2.8.1.8. Separação, Conversão em Divórcio e Anulação de Casamento (art. 100, I)


Trata-se de regra de competência relativa de duvidosa constitucionalidade que fixa a
competência no foro da residência da mulher. O STJ tem se posicionado constantemente
contrário à aplicação da regra em relação às uniões estáveis, interpretando restritivamente o
dispositivo legal.

O STF, entretanto, se manifestou recentemente sobre a hipótese:

Foro privilegiado e princípio da isonomia - 1

O art. 100, I, do CPC (“Art. 100. É competente o foro: I - da residência da


mulher, para a ação de separação dos cônjuges e a conversão desta em
divórcio, e para a anulação de casamento”) NÃO AFRONTA O PRINCÍPIO DA
IGUALDADE ENTRE HOMENS E MULHERES (CF, ART.5º, I), TAMPOUCO A
ISONOMIA ENTRE OS CÔNJUGES (CF, art. 226, § 5º). Com base nesse
entendimento, a 2ª Turma desproveu recurso extraordinário por reputar
que a norma processual fora recepcionada pela Constituição. Em preliminar,
o Min. Joaquim Barbosa, relator, enfatizou a competência da Turma para
processar e julgar o recurso extraordinário porque não se trataria de
declaração de inconstitucionalidade da mencionada norma processual, o
que requereria a observância da cláusula de reserva de plenário, cingindo-se
a discussão quanto à recepção, pela CF/88, do referido dispositivo.
Destacou-se que a Constituição seria marco histórico no processo de
proteção dos direitos e garantias individuais e, por extensão, dos direitos
das mulheres.

RE 227114/SP, rel. Min. Joaquim Barbosa, 22.11.2011. (RE-227114)

Foro privilegiado e princípio da isonomia - 2

Ressaltou-se que, ao longo de mais de 2 décadas de vigência da


Constituição, a doutrina e a jurisprudência alinhar-se-iam segundo 3
concepções distintas acerca do dispositivo em discussão, que preconizariam:
a) a sua não-recepção; b) a sua recepção; e c) a recepção condicionada às
circunstâncias específicas do caso, em especial levando-se em conta o fato
de a mulher se encontrar em posição efetivamente desvantajosa em relação
ao marido. Asseverou-se não se cuidar de privilégio estabelecido em favor
das mulheres, mas de norma que visaria a dar tratamento menos gravoso à
parte que, em regra, se encontrava e, ainda hoje se encontraria, em
situação menos favorável do ponto de vista econômico e financeiro. Assim,
a propositura da ação de separação judicial no foro do domicílio da mulher
seria medida que melhor atenderia ao princípio da isonomia, consistente em
“tratar desigualmente os desiguais na medida em que se desigualam”.
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75

Ademais, A COMPETÊNCIA PREVISTA NO INCISO I DO ART. 100 DO CPC


SERIA RELATIVA, ou seja, se a mulher não apresentasse exceção de
incompetência em tempo hábil, a competência prorrogar-se-ia; ou, a própria
mulher poderia ajuizar a ação no foro do domicílio do ex-marido, de forma a
inexistir óbice legal a que a ação prosseguisse.

RE 227114/SP, rel. Min. Joaquim Barbosa, 22.11.2011. (RE-227-114)

2.8.1.9. Ações de Alimentos (art. 100, II, CPC)


Sempre deverão ser propostas no foro do domicílio ou residência do alimentando, ainda que a
ação seja proposta pelo autor a fim de oferecer alimentos àquele.

O mesmo ocorre se o pedido da ação for a declaração de origem genética, paternidade ou


maternidade cumuladas com pedido de alimentos.

2.8.1.10. Outras Regras

Art. 100. É competente o foro:

[...]

III - do domicílio do devedor, para a ação de anulação de títulos extraviados


ou destruídos;

IV - do lugar:

a) onde está a sede, para a ação em que for ré a pessoa jurídica;

b) onde se acha a agência ou sucursal, quanto às obrigações que ela


contraiu;

c) onde exerce a sua atividade principal, para a ação em que for ré a


sociedade, que carece de personalidade jurídica;

d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se Ihe exigir o
cumprimento;

V - do lugar do ato ou fato:

a) para a ação de reparação do dano;

b) para a ação em que for réu o administrador ou gestor de negócios


alheios.

Parágrafo único. Nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito


ou acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do autor ou do
local do fato.

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2.8.1.11. Seções e Subseções Judiciárias


O Brasil atualmente tem a Justiça Federal dividida em cinco regiões. Em cada região
encontram-se determinadas seções judiciárias, as quais correspondem, cada uma, a um
estado-membro.

As seções judiciárias são ou podem ser, por sua vez, subdivididas em subseções judiciárias,
conforme lei de organização judiciária (as comarcas também podem ser subdivididas em
distritos).

TEM-SE ENTENDIDO QUE A CRIAÇÃO DE DISTRITOS E SUBSEÇÕES JUDICIÁRIAS É


HIPÓTESE DE CRIAÇÃO DE FOROS ABSOLUTOS, POIS A SUA INSTITUIÇÃO
DECORRERIA DE RAZÕES DE ORDEM PÚBLICA. Por isso, o desrespeito admite o
reconhecimento da incompetência de ofício pelo magistrado, sendo esta uma orientação
bastante consolidada.

Essa é a razão pela qual se considera lícita a redistribuição dos processos para novas
subseções, de acordo com a nova divisão territorial da competência: como se trata de
alteração superveniente de competência absoluta territorial, excepciona-se a regra da
perpetuação da jurisdição prevista no art. 87 do CPC.

Porém, se as duas subseções judiciárias já existirem, não será caso de incompetência absoluta,
e sim de incompetência relativa, somente podendo ser suscitada pelas partes. Nesse sentido:

PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. COMPETÊNCIA


TERRITORIAL INSUSCETÍVEL DE SER DECLARADA DE OFÍCIO.

1. Não cabe ao Magistrado suscitado - que determinou a remessa dos


autos à Subseção Judiciária de Juiz de Fora/MG - declarar, de ofício, sua
incompetência, por se tratar, na espécie, de competência relativa
(territorial), a qual só pode ser arguida por meio de exceção (CPC, art. 112).

2. Aplicação, na espécie, da Súmula 33 do egrégio STJ.

3. De todo modo, não há que se falar em competência absoluta do Juízo em


razão da Resolução TRF/1ª Região 600-17/2005, pois a situação da causa
não se subsume aos termos da aludida resolução, uma vez que não se trata
de redistribuição de processos em face da criação de vara federal no interior
do Estado.

4. Demais disso, o sujeito passivo da ação de origem (INSS) é sediado, por


seu órgão regional, na cidade de Belo Horizonte/MG, incidindo, pois, na
espécie, a regra do art. 100, IV, b, do CPC.

5. Conflito julgado procedente, para declarar competente o Juízo Federal da


21ª Vara da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais.

(TRF1, CC 2008.01.00.061369-7/MG, Rel. Desembargador Federal Fagundes


De Deus, Conv. Juiz Federal Pedro Francisco Da Silva (conv.), Terceira
Seção,e-DJF1 p.19 de 25/05/2009)

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2.9. Competência Funcional


Trata-se de competência relacionada com a distribuição das funções que devem ser exercidas
num mesmo processo, podendo ela se dar de forma horizontal, entre juízos de mesmo nível
hierárquico, e de forma vertical, em instâncias diversas.

É espécie de competência absoluta cujo desrespeito enseja nulidade dos atos posteriores.

Daniel Assumpção defende os seguintes critérios para se determinar a competência funcional:

a) Pelas fases do processo: o juízo que praticou determinado ato processual se torna
competente para os demais, como ocorre com o juízo que prolatou sentença ilíquida
em relação à competência para a liquidação.

DESAPROPRIAÇÃO POR INTERESSE SOCIAL PARA FINS DE REFORMA


AGRÁRIA. FASE DE EXECUÇÃO. CRIAÇÃO DE VARA FEDERAL NO FORO DA
SITUAÇÃO DO IMÓVEL. REDISTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.

Em sede de ação expropriatória por interesse social para fins de reforma


agrária, prevalece a competência funcional absoluta do juízo prolator da
sentença na fase de execução, independentemente da criação de nova vara
federal no foro da situação do imóvel. Unânime. (TRF1, 3T, AI 0046753-
64.2011.4.01.0000/GO, rel. Des. Federal Assusete Magalhães, em
30/07/2012.)

b) Relação entre ação principal e ações acessórias ou incidentais: o juízo que atua na
principal terá competência absoluta para atuar na acessória, como ocorre com a
reconvenção, com os embargos à execução, com as medidas cautelares preparatórias
etc.

c) Pelo grau de jurisdição: ocorre, por exemplo, com a competência recursal, na qual é
absoluta a função do tribunal de conhecer do recurso interposto por juízo a ele
vinculado.

d) Pelo objeto do juízo: o fenômeno ocorre quando numa única decisão atuam dois
órgãos jurisdicionais, cada um competente para certa parte do julgamento. No
processo penal, o exemplo clássico é o da sentença do Tribunal do Júri, em que os
jurados decidem predominantemente sobre as questões de fato, respondendo os
quesitos formulados sobre a materialidade do crime, a autoria, as circunstâncias
excludentes de pena etc., e cabe ao juiz togado, Presidente, obedecendo à
manifestação dos jurados, aplicar a pena, fixando-lhe o quantum. No processo civil, há
casos de competência funcional por objeto do juízo no procedimento de
uniformização da jurisprudência (arts. 476 e s.) e no de declaração incidental de
inconstitucionalidade (arts. 480 e s.), nos quais a Câmara ou Turma do Tribunal em
que são suscitados qualquer desses incidentes é competente para a aplicação da lei ao
caso concreto, mas a fixação da interpretação da lei ou sua declaração de
inconstitucionalidade é de competência do Tribunal Pleno. O julgamento se
desmembra, cada órgão decide uma parte do objeto da decisão que, no final, é única.

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78

Cuidado! Alguns afirmam que a competência hierárquica é sinônimo de competência


funcional. Não é sinônimo, é apenas uma das hipóteses de competência funcional que é a
competência funcional vertical (hierárquica).

2.9.1. Competência Funcional X Competência Territorial Absoluta


De acordo com Didier, o legislador brasileiro e parte da doutrina nacional adotam a concepção
chiovendiana, segundo a qual também se visualiza a competência funcional quando uma causa
é confiada ao juiz de determinado território, pelo fato de ser a ele mais fácil ou mais eficaz
exercer a sua função.

Tanto Didier quanto Daniel Assumpção consideram essa posição errada (para não dizer
imbecil), reconhecendo tratar-se apenas de competência territorial absoluta, como ocorre no
caso da ação civil pública e das ações que versam sobre direito real imobiliário.

2.9.2. O Princípio da Identidade Física do Juiz


O art. 132 do CPC estabelece que o juiz da sentença deve ser o mesmo que ultimou a
audiência de instrução e julgamento. Trata-se da consagração da identidade física do juiz,
decorrente diretamente do princípio da oralidade.

A vinculação do juiz ao processo exige, pois, o preenchimento de alguns requisitos:

a) Ter o juiz concluído a AIJ;

b) Ter havido colheita de prova oral;

c) Não estiver o juiz, por qualquer motivo, afastado ou impedido.

O desrespeito a essas regras é causa de nulidade absoluta, pois fere norma cogente de
competência, sendo, inclusive, motivo que autoriza o ajuizamento de ação rescisória (art. 485,
II, CPC).

TRATA-SE, POIS, DE REGRA DE COMPETÊNCIA FUNCIONAL PELA VINCULAÇÃO DO JUIZ AO


PROCESSO.

Porém, para mitigar modificações constantes na Justiça, foram excepcionados alguns casos,
como quando o juiz é promovido para comarcas distantes, quando é removido, promovido ou
aposentado etc.

É muito comum, infelizmente, que a audiência, principalmente em casos mais complexos, seja
realizada por dois ou até três magistrados, como também que aquele que concluiu a instrução
não seja o que proferirá a sentença, pois já não mais atua naqueles autos, por variadas razões,
de forma que a sentença, necessariamente, será proferida por juiz que não participou da
instrução. O que o CPC faculta, nesses casos, caso o magistrado sentenciante considere
necessário, é mandar repetir as provas já produzidas (p.ún. do art. 132 do CPC).

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2.10. Competência em Razão da Matéria


Trata-se de espécie de competência absoluta determinada em razão da natureza da causa.
Suas regras estão previstas na CR/88, em leis esparsas, em leis de organização judiciária e no
próprio CPC.

Quando previstas na lei de organização judiciária, fixarão a competência do juízo, como ocorre
quando se cria uma vara cível específica para questões agrárias em determinada seção
judiciária.

Na Constituição da República, a matéria determina a competência das Justiças, matéria que


deve ser estudada no Direito Constitucional.

2.10.1. Varas Especializadas: Competência Absoluta em Razão da Matéria

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL.


VARA ESPECIALIZADA. COMPETÊNCIA ABSOLUTA.
Conforme regulamentação dada pela Lei 5.010/1966, o TRF 1ª Região, com
suporte na Resolução 102/2010 do CJF, editou a Portaria/Presi/Cenag
200/2010, atribuindo à 9ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Pará a
competência para “todas as ações (cíveis, criminais e de execuções fiscais)
de todas as classes e ritos que direta, ou indiretamente, versem sobre o
Direito Ambiental ou Agrário”, com “jurisdição em todo o Estado do Pará”.
A competência das varas especializadas, em razão da matéria, é de caráter
absoluto, ATRAINDO O JULGAMENTO DAS CAUSAS CONEXAS COM
AQUELAS DISTRIBUÍDAS A ELA ANTERIORMENTE, conforme REsp
127.082/MG. Unânime. (TRF1, 3S, CC 0041327- 71.2011.4.01.0000/PA, rel.
Juiz Federal Evaldo de Oliveira Fernandes, filho (convocado), em
20/09/2011)

PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO


ORDINÁRIA JÁ SENTENCIADA. CONEXÃO. SÚMULA 235 DO STJ.

1. Nos termos da Súmula 235 do STJ, "a conexão não determina a reunião
de processos, se um deles já foi julgado".

2. A EXISTÊNCIA DE VARA ESPECIALIZADA EM RAZÃO DA MATÉRIA


CONTEMPLA HIPÓTESE DE COMPETÊNCIA ABSOLUTA, sendo, portanto,
improrrogável, nos termos do art. 91 c/c 102 do CPC. Dessarte, seja porque
a conexão não possibilita a modificação da competência absoluta, seja
porque é vedada a cumulação em juízo incompetente para apreciar uma das
demandas, não é possível a reunião dos feitos no caso em análise, devendo
ambas as ações tramitarem separadamente. (STJ - CC 106041/SP, Relator
Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJe 09/11/2009).

3. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo Suscitado, ou seja, o


da 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Juiz de Fora - MG.

(TRF1, CC 0044817-09.2008.4.01.0000/MG, Rel. Desembargadora Federal


Neuza Maria Alves Da Silva, Primeira Seção,e-DJF1 p.7 de 29/03/2010)

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2.11. Competência em Razão da Pessoa


Competência sempre absoluta não prevista no CPC. Ela está prevista na CR/88, nas
Constituições Estaduais e nas leis de organização judiciária, sendo que estas fixarão o juízo, no
interesse da administração da justiça.

Seria o caso das Varas da Fazenda Pública estaduais, que concentram feitos envolvendo
Estados e Municípios.

A competência da Justiça Federal em razão do art. 109, I, da CR/88 é outro exemplo de


competência fixada em razão da pessoa.

2.12. Competência em Razão do Valor da Causa


Trata-se de regra de determinação de competência que atualmente somente tem relevância
para os Juizados Especiais. Diz-se que o valor da causa não tem qualquer importância, sendo
relativa quando inferior ao limite previsto para o órgão (não se aplica nos JEF’s), sendo,
entretanto, absoluta quando superior.

Logo, ultrapassado o teto, não poderá a causa ser afeta a Juizado. Porém, se inferiores ao teto
e ajuizada a ação na Justiça estadual comum pelo procedimento ordinário, a incompetência é
relativa. Se igual ou inferior a 60 SM, no entanto, será hipótese de competência absoluta dos
juizados especiais federais, salvo se a matéria for uma daquelas vedadas na Lei nº 10.259/01.

2.12.1. Juizados Especiais Cíveis Estaduais – Lei nº 9.099/95


Relativamente ao valor da causa, esse órgão judiciário somente poderá conhecer de matérias
cujo valor máximo seja igual ou inferior a 40 salários mínimos e desde que não envolvam os
seguintes sujeitos:

a) Incapaz;

b) Preso;

c) Pessoa jurídica de direito público;

d) Empresas públicas da União;

e) Massa falida;

f) Insolvente civil.

Importantíssima uma observação: a competência em razão do valor da causa somente se


aplica se não houver concomitância com as demais hipóteses ensejadoras da competência do
Juizado Especial Cível previstas no art. 3º, II a IV.

Isso porque essas hipóteses prevêem competências determinadas em razão da matéria,


sendo irrelevante o valor da causa. Logo, poderá ser proposta uma ação de despejo perante o
JEC ainda que o valor da causa seja de um bilhão de reais.

No JEC, relevante captar a facultatividade do procedimento, podendo o autor optar pela


Justiça comum ainda que o objeto processual esteja previsto na lei.
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81

Porém, se o objeto da demanda superar 40 salários mínimos e não renunciando ao excedente


o autor, deverá o juiz extinguir o processo sem resolução do mérito, sem nem mesmo se
cogitar em remessa a outro órgão judicial, sendo excepcional hipótese de peremptoriedade da
incompetência.

2.12.2. Juizados Especiais Cíveis Federais – Lei nº 10.259/01


A competência em razão do valor da causa dos JEF’s se estabelece mediante o valor máximo
de 60 salários mínimos calculados à data da propositura da ação, e desde que, obviamente, a
causa trate de matéria afeta à competência da Justiça Federal.

Para o cálculo do valor da causa, quando a pretensão tratar de prestações vincendas, não
poderá a soma de 12 parcelas exceder aos 60 salários mínimos. Porém, se a ação também visar
à obtenção de parcelas já vencidas, deverão ser somadas estas + 12 parcelas vincendas, para,
aí sim, se obter o verdadeiro valor da causa parâmetro do JEF.

Trata-se, pois, de órgão com competência absoluta e de caráter obrigatório, não podendo a
parte optar pela Justiça comum federal se possível valer-se do JEF.

Entretanto, não poderão ser julgados pelos JEF’s as causas:

a) Referidas no artigo 109, incisos II, III e XI, da Constituição da República15;

b) As ações de mandado de segurança;

c) De desapropriação, de divisão e demarcação;

d) Ações populares;

e) Execuções fiscais;

f) Ações de improbidade administrativa;

g) Demandas sobre direitos ou interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos;

h) Sobre bens imóveis da União, autarquias e fundações públicas federais;

i) Para a anulação ou cancelamento de ato administrativo federal, salvo o de natureza


previdenciária e o de lançamento fiscal;

j) Que tenham como objeto a impugnação da pena de demissão imposta a servidores


públicos civis ou de sanções disciplinares aplicadas a militares.

Por fim, sobra ressaltar que, caso o juiz verifique que o valor da condenação ultrapassará o
montante limite do JEF, deverá ele intimar a parte para expressamente renunciar, se quiser, ao

15
II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada
ou residente no País;
III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo
internacional;
XI - a disputa sobre direitos indígenas.
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82

excedente, não se admitindo renúncia tácita16. Caso ela não renuncie, deverão os autos ser
enviados à Justiça Federal Comum.

Há, no entanto, orientações que defendem que o valor da condenação no JEF pode ser
qualquer um no momento da prolação da sentença, desde que a inicial se submeta ao limite
de 60 SM.

Não se aplica no JEF a regra do JEC de extinção do processo em caso de incompetência


absoluta. Deve o juiz, se for o caso, remeter os autos à Justiça competente.

2.12.2.1. Juizados Especiais Federais Adjuntos


CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PROCESSUAL PENAL. CRIME DE MENOR
POTENCIAL OFENSIVO. SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA SEM JUIZADO ESPECIAL
AUTÔNOMO. FUNCIONAMENTO DO JEF ADJUNTO CONDICIONADO À
DESIGNAÇÃO DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO. COMPETÊNCIA DA SUBSEÇÃO
JUDICIÁRIA.

1. A Resolução PRESI 600-018 estabelece, na redação dada pela Resolução


PRESI 600-001, de 09/05/2006, que as Varas Federais integrantes das
Subseções Judiciárias possuem competência geral e do Juizado Especial cível
e criminal (art. 1º, § 1º), ficando condicionado o exercício desta
competência apenas à designação de Juiz Federal Substituto.

2. Os Juizados Especiais funcionarão, de acordo com a Resolução de


regência, de forma autônoma ou adjunta. Autônomo será o seu
funcionamento quando instalada uma Vara Especializada, dirigida ao
exercício das competências previstas em lei como dos Juizados Especiais. DE
OUTRO LADO, O JUIZADO ESPECIAL ADJUNTO É AQUELE QUE FUNCIONA
VALENDO-SE DA MESMA ESTRUTURA DA VARA COMUM, QUE CUMULA,
NESSE CASO, AS COMPETÊNCIAS GERAIS E DOS JUIZADOS ESPECIAIS.

3. Nas Subseções Judiciárias em que não exista Juizado Especial funcionando


de forma autônoma, deverá, no entanto, funcionar de forma adjunta, pois
as Varas que compõe as Subseções possuem tanto as competências gerais
como as específicas dos Juizados Especiais.

4. Conflito de competência conhecido para declarar competente o juízo


suscitado.

(TRF1, CC 2007.01.00.057001-9/BA, Rel. Desembargador Federal Olindo


Menezes, Conv. Juiz Federal César Cintra Fonseca (conv.), Segunda Seção,e-
DJF1 p.18 de 10/03/2008)

2.13. Competência da Justiça Federal

2.13.1. Características
A competência da Justiça Federal é constitucional e taxativa, não comportando ampliação,
alteração ou redução por norma infraconstitucional. Ela está prevista no art. 108 (competência

16
Súmula 16, TNU: “Não há renúncia tácita no Juizado Especial Federal, para fins de competência”.
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83

recursal) e 109 da CR/88, e é fixada em razão da matéria e da pessoa (Didier acrescenta que
ela também é fixada com base em critérios funcionais).

A COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL É ABSOLUTA, MAS, INTERNAMENTE, OS CRITÉRIOS


DETERMINADORES DE COMPETÊNCIA SÃO OS CRITÉRIOS NORMAIS, ou seja, competência em
razão da matéria, competência em razão da pessoa, competência em razão do valor da causa,
competência territorial e competência funcional. Esses critérios definem a competência
interna entre os vários juízes federais competentes. Mas a competência é sempre da Justiça
Federal.

2.13.2. Competência em Razão da Pessoa

2.13.2.1. Art. 109, I


Assim dispõe referido dispositivo:

I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública


federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à
Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;

Esse artigo cuida essencialmente de causas cíveis, inclusive mandados de segurança impetrado
por um desses entes em face de ato de autoridade estadual ou municipal, excetuadas as
hipóteses em que estas autoridades tiverem foro privilegiado fixado na CR. Nesses casos, a
competência poderá ser do TRF, STJ ou STF.

A jurisprudência é pacífica em incluir as fundações federais como aptas a ensejar a


competência da Justiça Federal (por terem natureza de autarquia), sendo certo também que
as sociedades de economia mista constituídas pela União têm suas causas julgadas perante a
Justiça estadual.

Todas as causas que envolverem conselhos de fiscalização profissional devem tramitar perante
a Justiça Federal (pois são autarquias), inclusive a OAB, autarquia sui generis, segundo o STF,
cujas ações são propostas perante a Justiça Federal ainda que propostas por seccionais, ou
contra elas.

A simples presença do MPF na demanda não é motivo suficiente para afirmar a competência
federal, devendo a norma ser interpretada restritivamente17. Porém, sempre que for ACP
proposta pelo MPF, a competência será da JF:

A competência cível da Justiça Federal é definida ratione personae,


consoante o art. 109, I, da Carta Magna de 1988. Consectariamente, a
propositura de Ação Civil Pública pelo Ministério Público Federal, órgão da
União, conduz à inarredável conclusão de que somente a Justiça Federal
está constitucionalmente habilitada a proferir sentença que vincule tal
órgão, ainda que negando a sua legitimação ativa, a teor do que dispõe a

17
Isso porque se a causa não for de competência da Justiça Federal, não possui o MPF legitimidade
para atuar no feito. Caberá ao MPE. Por isso que deve ser analisado caso a caso se a ação ajuizada
pelo MPF é ou não passível de ter seguimento perante a JF.
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84

Súmula 150/STJ.” STJ, rel. Min. Herman Benjamin, RESP 1.060.759/AC,


18/08/2009) “Por se tratar de órgão da União, o ajuizamento da ação pelo
Ministério Público Federal é suficiente para determinar a competência da
Justiça Federal (art. 109, I, da Constituição), o que não afasta a necessidade
de verificação, pelo juiz, da legitimidade ad causam”.

CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÕES CIVIS PÚBLICAS PROPOSTAS


PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E ESTADUAL. CONSUMIDOR.
CONTINÊNCIA ENTRE AS AÇÕES. POSSIBILIDADE DE PROVIMENTOS
JURISDICIONAIS CONFLITANTES. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.

1. A presença do Ministério Público federal, órgão da União, na relação


jurídica processual como autor faz competente a Justiça Federal para o
processo e julgamento da ação (competência 'ratione personae')
consoante o art. 109, inciso I, da CR/88.

2. Evidenciada a continência entre a ação civil pública ajuizada pelo


Ministério Público Federal em relação a outra ação civil pública ajuizada na
Justiça Estadual, impõe-se a reunião dos feitos no Juízo Federal.

3. Precedentes do STJ: CC 90.722/BA, Rel. Ministro José Delgado, Relator p/


Acórdão Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJ de 12.08.2008;
CC 90.106/ES, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJ de
10.03.2008 e CC 56.460/RS, Relator Ministro José Delgado, DJ de
19.03.2007.

4. DECLARAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO JUÍZO FEDERAL DA 15ª VARA CÍVEL


DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO PARA O JULGAMENTO DE
AMBAS AÇÕES CIVIS PÚBLICAS.

5. CONFLITO DE COMPETÊNCIA JULGADO PROCEDENTE.

(STJ, CC 112.137/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO,


SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/11/2010, DJe 01/12/2010)

PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL. COMPETÊNCIA DA


JUSTIÇA FEDERAL. VIOLAÇÃO DO ART. 333, I, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA.

1. Na ação civil pública ambiental em que o Ministério Público Federal seja


o autor, a competência é da Justiça Federal (art. 109, I, e § 3º, da CR).

2. "Aquele que cria ou assume o risco de danos ambientais tem o dever de


reparar os danos causados e, em tal contexto, transfere-se a ele todo o
encargo de provar que sua conduta não foi lesiva." (REsp 1.049.822/RS, Rel.
Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 23.4.2009, DJe
18.5.2009.) Agravo regimental improvido.

(STJ, AgRg no REsp 1192569/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS,


SEGUNDA TURMA, julgado em 19/10/2010, DJe 27/10/2010)

Somente o juiz federal poderá avaliar a existência de interesse jurídico de um desses entes.

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85

Súmula 224, STJ: “Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a
declinar da competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e não suscitar conflito”.

Súmula 254, STJ: “A decisão do Juízo Federal que exclui da relação processual ente federal não
pode ser reexaminada no Juízo Estadual”. A base do raciocínio é simples. Compete à Justiça
Federal, e não a qualquer outra, dizer do interesse de ente federal a que intervenha no feito. E
a palavra da Justiça Federal é a última no tema, cabendo à Justiça Estadual apenas dar
prosseguimento ao feito, caso negada a intervenção do ente federal pela Justiça Federal. Em
resumo: se a Justiça Federal excluir o ente federal da lide, remetendo os autos à Justiça
Estadual, é preciso ressaltar duas conclusões: 1) não caberá suscitar conflito de competência;
2) a Justiça Estadual não poderá rever a decisão.

Súmula 270, STJ: “O protesto pela preferência de crédito, apresentado por ente federal em
execução que tramita na Justiça Estadual, não desloca a competência para a Justiça Federal”.
O fundamento de que partiu o STJ para assim decidir, seguindo a linha do que já deduzia o
extinto Tribunal Federal de Recursos, é o de que nessas hipóteses não há a intervenção do
ente federal como autor, réu, assistente ou opoente, o que faria atrair o art. 109, I, da CR/88.
Na verdade, tem-se uma simples intervenção em execução que corre na Justiça Estadual, para
solicitar preferência de crédito, o que, à míngua de expressa determinação constitucional, não
retira a competência dela (STJ; CC 1576; j. em 27.05.91).

A Lei nº 9.649, art. 58, § 8º, dizia competir à Justiça Federal a apreciação de controvérsias que
envolvessem os Conselhos de Fiscalização de Profissões, quando no exercício dos serviços a ele
delegados. Porém, o STF (ADIN 1.717), entendeu que toda causa que envolver Conselho de
Fiscalização Profissional, ainda que o Regional, deve tramitar na Justiça Federal18. Neste
sentido, há decisão do STJ no CC 69839/SP, rel, Min. Humberto Martins, 1ª Seção, 22/11/2006:
“1. O Supremo Tribunal Federal, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 58, § § 1º, 2º, 4º,
5º, 6º, 7º e 8º, da Lei nº 9.649/98, por ocasião do julgamento do mérito da ADIn 1.717-DF,
reconheceu que os serviços de fiscalização de profissões regulamentadas constituem atividade
típica do Estado, preservando, assim, a natureza de autarquias federais dos conselhos de
fiscalização profissional.

O Interesse

O dispositivo prevê que a União e as entidades devem participar do processo na qualidade de


autor, réu, opoente e assistente. A assistência pode ser tanto simples quanto litisconsorcial.
Apesar de não escrito no texto, incluem-se também a nomeação à autoria19, a denunciação à
lide e o chamamento ao processo (na verdade, qualquer forma de participação). Isso porque,
nessas hipóteses, a União ou suas entidades passarão a integrar a lide na condição de autoras
ou rés supervenientes, em litisconsórcio ou não.

18
Inclusive a OAB.
19
A nomeação à autoria pressupõe a concordância da União, se ela não concordar, a nomeação à
autoria não é realizada e o processo segue entre as partes originárias. Se o juiz entender que a União
devesse estar no processo, ele vai extinguir o processo por ilegitimidade das partes e vai determinar que
o autor ajuíze a demanda contra os verdadeiros legitimados.
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A Lei nº 9.469/97 determinou que a mera intervenção DA UNIÃO em qualquer processo em


que figurem como autoras ou rés autarquias, fundações, EP e SEM, já é suficiente para atrair a
competência da Justiça Federal, ainda que o interesse seja meramente econômico.

Art. 5º A União poderá intervir nas causas em que figurarem, como autoras
ou rés, autarquias, fundações públicas, sociedades de economia mista e
empresas públicas federais.

Parágrafo único. As pessoas jurídicas de direito público poderão, nas causas


cuja decisão possa ter reflexos, ainda que indiretos, de natureza econômica,
intervir, independentemente da demonstração de interesse jurídico, para
esclarecer questões de fato e de direito, podendo juntar documentos e
memoriais reputados úteis ao exame da matéria e, se for o caso, recorrer,
hipótese em que, para fins de deslocamento de competência, serão
consideradas partes.

As demais pessoas jurídicas de direito público também poderão intervir no processo. Porém,
SOMENTE HAVERÁ DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA PARA A JUSTIÇA FEDERAL, EM SENDO
ELAS FEDERAIS, SE INTERPUSEREM RECURSO.

Não obstante a doutrina ter esbravejado, defendendo que o interesse há de ser jurídico, o STJ
já pacificou o entendimento de que essa forma de intervenção é apta a levar o processo para a
Justiça Federal.

Para aprofundar o tema, vide item 5.5.1. A Lei nº 9.469/97 – Intervenção Anômala.

Se a demanda estiver tramitando perante a Justiça estadual e houver a intervenção de alguma


das pessoas aptas a ensejar a competência da Justiça Federal, nos termos do art. 109, I da
CR/88, não é o juiz estadual quem deverá analisar se possui ou não competência; A MERA
INTERVENÇÃO JÁ OBRIGA O JUIZ ESTADUAL A ENVIAR OS AUTOS À JUSTIÇA FEDERAL, órgão
competente para analisar sobre o cabimento ou não de intervenção de tais sujeitos no
processo (salvo na intervenção anômala, na qual, repita-se, só há deslocamento automático
para a JF se houver recurso).

Súmula 150, STJ: “Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que
justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas”.

Se houver alegação de incompetência absoluta em sede recursal, após prolatada sentença


pelo juízo estadual, a quem caberá julgar o recurso? Inegavelmente ao Tribunal de Justiça a
que está vinculado o órgão prolator da decisão, o qual deverá anular a sentença proferida e
remeter o processo ao juízo federal de primeiro grau se ela for reconhecida.

E se o processo for deslocado para a Justiça Federal e lá o juiz federal reconhecer a ausência de
interesse do interveniente, determinando o retorno dos autos à Justiça estadual? Nesse caso,
deve-se interpor agravo de instrumento para o TRF. Haverá um excepcional caso de um agravo
de instrumento correndo no TRF relativo a processo já remetido para a JE.

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87

2.13.2.1.1. Exceções: Falência, Acidentes de Trabalho e Causas Sujeitas à Justiça Eleitoral e à


Justiça do Trabalho
PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO (NEGATIVO) DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA
FEDERAL E JUSTIÇA ESTADUAL. INSOLVÊNCIA CIVIL REQUERIDA PELA UNIÃO.
COMPETÊNCIA DO JUÍZO UNIVERSAL PARA PROMOVER A EXECUÇÃO
CONCURSAL.

1. Nos termos do art. 109, I, da CF/88, aos juízes federais compete processar
e julgar "as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública
federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à
Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho" (grifou-se). NÃO OBSTANTE A
CONSTITUIÇÃO FEDERAL NÃO TENHA EXCEPCIONADO A
INSOLVÊNCIA CIVIL, NÃO HÁ RAZÕES QUE JUSTIFIQUEM A ADOÇÃO
DE CRITÉRIO DISTINTO DE FIXAÇÃO DE COMPETÊNCIA ENTRE A
FALÊNCIA E A INSOLVÊNCIA CIVIL.

2. Corroboram esse entendimento: (a) o princípio estabelecido na Súmula


244 do extinto TFR ("a intervenção da União, suas autarquias e empresas
públicas em concurso de credores ou de preferência não desloca a
competência para a Justiça Federal"); (b) os precedentes da Segunda Seção
deste Tribunal: CC 9.867/MG, 2ª Seção, Rel. Min. Waldemar Zveiter, DJ de
20.2.95; REsp 292.383/MS, 3ª Turma, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes
Direito, DJ de 8.10.2001; REsp 45.634/MG, 4ª Turma, Rel. Min. Sálvio de
Figueiredo Teixeira, DJ de 23.6.97; (c) o entendimento doutrinário de Nelson
Nery Junior (e Rosa Maria de Andrade Nery), Humberto Theodoro Junior e
Cândido Rangel Dinamarco.

3. Destarte, ainda que se trate de insolvência requerida pela União, entidade


autárquica ou empresa pública federal, subsiste a competência do juízo
universal, sobretudo em razão das peculiaridades existentes no processo de
insolvência civil (processo concursal — aspecto em que se assemelha ao
processo de falência), ou seja, compete à Justiça Comum Estadual promover
a execução concursal, excluída a competência da Justiça Federal.

4. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo de Direito da 2ª


Vara Cível e Criminal de Santana do Ipanema/AL, o suscitante.

(CC 117210/AL, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA


SEÇÃO, julgado em 09/11/2011, DJe 18/11/2011)

2.13.2.2. Art. 109, II


Assim dispõe referido dispositivo:

II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e


Município ou pessoa domiciliada ou residente no País;

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Ou seja, a partir da constatação de que é da União a atribuição de manter relações com


Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais (art. 21, I, CF), compete aos
Juízes Federais processar e julgar causas entre:

a) Estado estrangeiro e Município brasileiro;

b) Estado estrangeiro e pessoa fisica ou jurídica domiciliada ou residente no Brasil;

c) Organismo internacional e Município brasileiro;

d) Organismo internacional e pessoa fisica ou jurídica domiciliada ou residente no Brasil.

A redação ampla do dispositivo em comento (art. 109, lI) não serviu, segundo a doutrina e a
jurisprudência, para deslocar à Justiça Federal o julgamento de matéria trabalhista, eleitoral,
de falência e de acidente de trabalho, já excepcionadas pela regra geral de competência da
Justiça Federal contida no inciso I do art. 109 da CF.

A pessoa domiciliada ou residente no País pode ser física ou jurídica, não tendo sido feita
qualquer restrição.

Ademais, para a determinação da competência territorial, devem ser utilizados os critérios


previstos no CPC.

Não se pode confundir essa competência com a competência cível originária do STF prevista
no art. 102, I, e, da CR/88, de julgar litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional
e a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território.

A Carta Magna criou ainda outra peculiaridade em relação às causas envolvendo Estado
estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no
Brasil. É que a sentença do Juiz Federal não possui recurso de apelação para o Tribunal
Regional Federal. Sua impugnação deve ser dirigida diretamente ao Superior Tribunal de
Justiça, por meio de recurso ordinário (art. 105, lI, c, CF).

A solução da controvérsia em face de Estado estrangeiro ou de organismo internacional


esbarra, entretanto, na imunidade de jurisdição conferida aos aludidos entes, que significa,
segundo compreensão mais recente do Supremo Tribunal Federal, a impossibilidade de
exercício de atos constritivos contra os mesmos. A execução do julgado, assim, dependerá de
aquiescência do vencido, ou de homologação da sentença brasileira no estrangeiro, ali
buscando-se sua realização.

2.13.2.3. Art. 109, VIII


Assim dispõe referido dispositivo:

VIII - os mandados de segurança e os "habeas-data" contra ato de


autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais
federais;

Autoridade federal aqui deve ser interpretada em sentido amplo, que compreende tanto a
autoridade pública sctricto sensu e o agente de pessoa jurídica de direito privado no exercício
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de atribuições do Poder Público por delegação, tal como nos serviços públicos delegados pela
União.

SÚMULA VINCULANTE Nº 27: “COMPETE À JUSTIÇA ESTADUAL JULGAR CAUSAS ENTRE


CONSUMIDOR E CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO DE TELEFONIA, QUANDO A ANATEL
NÃO SEJA LITISCONSORTE PASSIVA NECESSÁRIA, ASSISTENTE, NEM OPOENTE”

Porém, importante ressaltar que, para que haja competência do juízo de primeiro grau federal,
deverá antes ser eliminada a competência originária dos Tribunais (TRF, STJ e STF).

No caso de mandado de segurança impetrado em face de dirigente de universidade particular,


a competência é da Justiça Federal, já que ele atua por delegação do MEC.

[...]

2. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do CC 38.130/SP, Rel. Min.


Teori Albino Zavascki, DJ de 13.10.2003, firmou entendimento no sentido de
que, em se tratando de ação diversa à do mandado de segurança, a
competência para o seu processamento e julgamento, quando se discute a
matrícula de aluno em entidade de ensino particular, é da Justiça Estadual,
portanto inexistentes quaisquer dos entes elencados no art. 109 da CF/88.

(AgRg no REsp 1274304/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA


TURMA, julgado em 17/04/2012, DJe 25/04/2012)

A competência é federal quando o mandando de segurança for contra universidade pública


federal ou universidade particular. Por outro lado, em ações contra universidades públicas
estaduais e municipais a competência é da Justiça Estadual.

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CAUTELAR. ATO DE


FACULDADE PRIVADA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL.
PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.

1. A Primeira Seção do STJ, no CC n. 108.466/RS, de Relatoria do Exmo.


Ministro Castro Meira, julgado em 10 de fevereiro de 2010, nos processos
que envolvem o ensino superior, fixou regras de competência em razão da
natureza do instrumento processual utilizado.

2. Em se tratando de mandado de segurança, a competência será federal,


quando a impetração voltar-se contra ato de dirigente de universidade
pública federal ou de universidade particular; ao revés, será estadual
quando o mandamus for impetrado contra dirigentes de universidades
públicas estaduais e municipais, componentes do sistema estadual de
ensino.

3. Se forem ajuizadas ações de conhecimento, cautelares ou quaisquer


outras de rito especial, que não o mandado de segurança, a competência
será federal quando a ação indicar no polo passivo a União ou quaisquer
de suas autarquias (art. 109, I, da CR/88); será de competência estadual,

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entretanto, quando o ajuizamento voltar-se contra entidade estadual,


municipal ou contra instituição particular de ensino.

4. In casu, trata-se de ação cautelar inominada ajuizada contra instituição


particular de ensino, o que fixa a competência da Justiça Estadual.

5. Recurso especial provido.

(STJ, REsp 1.195.580/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,


SEGUNDA TURMA, julgado em 10/08/2010, DJe 10/09/2010)

Por que disso? Pois as universidades particulares atuam por delegação da União. Logo, são
tidas como se pela União atuassem, motivo pelo qual o STJ (bizarramente) reconhece a
competência da JF.

Importante, entretanto, ter em mente que É A AUTORIDADE COATORA QUE DEFINE A


COMPETÊNCIA DO MS. Assim, não se deve considerar a pessoa do impetrante, somente o
impetrado. Nesse sentido:

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA.


MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO PELA ORDEM DOS ADVOGADOS DO
BRASIL CONTRA ATO DE PREFEITO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO ESTADUAL.

1. A competência para processar e julgar mandando de segurança decorre


da categoria da autoridade coatora ou de sua sede funcional, e não da
natureza do ato impugnado ou da matéria ventilada no writ ou em razão
da pessoa do impetrante, consoante assente na jurisprudência da egrégia
Primeira Seção deste sodalício (Precedentes: (CC 98.289/PE, Rel. Ministro
CASTRO MEIRA, DJe 10/06/2009; CC 99.118/RS, Rel. Ministro MAURO
CAMPBELL MARQUES, DJe 27/02/2009; CC 97.722/AM, Rel. Ministro
BENEDITO GONÇALVES, DJe 24/11/2008; CC 97.124/SP, Rel. Ministro TEORI
ALBINO ZAVASCKI, DJe 20/10/2008; CC 50.878/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX,
DJe 19/05/2008; CC 68.834/SC, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, DJ
01/02/2008; CC 47.219 - AM, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, DJe 03/04/2006;
CC 38.008 - PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, DJe 01/02/2006).

2. In casu, a competência da Justiça Estadual resta evidenciada, porquanto


o mandando de segurança em questão foi impetrado contra ato do
Prefeito do Município de Santo André.

3. Conflito conhecido para declarar competente o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO


ESTADO DE SÃO PAULO, o suscitado.

(STJ, CC 107.198/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em


28/10/2009, DJe 19/11/2009)

2.13.3. Competência Funcional

2.13.3.1. Art. 109, X, segunda parte


Assim dispõe referido dispositivo:

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X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a


execução de carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira,
após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a
respectiva opção, e à naturalização;

Há quem defenda que essa competência é material, e não funcional. Porém, talvez seja mais
correto entender que se trata efetivamente de competência funcional, visto se constituírem
em fase posterior ao processo de homologação ou de concessão do exequatur.

Após regularmente internalizada pelo STJ a carta rogatória, deverá haver o ajuizamento da
ação competente de acordo com os critérios normais fixadores de competência, devendo-se
atentar para a natureza executiva dos procedimentos.

Porém, independentemente da matéria, que poderá até mesmo ser uma típica da Justiça
estadual, deverá o processo tramitar perante a Justiça Federal.

2.13.4. Competência em Razão da Matéria

2.13.4.1. Art. 109, III


Assim dispõe referido dispositivo:

III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado


estrangeiro ou organismo internacional;

É competência fixada em razão da causa de pedir, logo, da matéria. É irrelevante, aqui, a


indagação de quem são os sujeitos do litígio. Não há, portanto, qualquer necessidade da
presença de ente federal.

Inicialmente, deve-se compatibilizar esta previsão com aquela trazida pelo art. 102, e, da
Constituição Federal (que atribui ao Supremo Tribunal Federal o julgamento das causas entre
Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União).

Se a controvérsia ocorrer entre a União e Estado estrangeiro (ou organismo internacional),


ainda que fundada em tratado·ou contrato celebrado entre ambos, a competência originária
para a causa deve ser garantida ao STF, como previsto no art. 102, e, da CR.

É evidente que a regra do art.109, III, da CR, não precisaria ser editada para conferir aos juízes
federais a competência para julgar causas (originadas a partir de tratado ou contrato
celebrado pela União e Estado estrangeiro ou organismo internacional) entre a União (como
também a autarquia e a empresa pública federal) e qualquer pessoa de direito interno, pois a
aludida competência já se encontrava assegurada por força do inciso I do art. 109 da Carta
Magna.

Resta entender, assim, que a intenção constituinte dirigiu-se verdadeiramente a deslocar à


Justiça Federal as causas entre qualquer pessoa de direito público ou privado, desde que:

a) Fundadas em tratado ou contrato da União com Estado esfrangeiro ou organismo


internacional;

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b) Não envolvam, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo internacional, e, de


outro, a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território.

Como exemplo desta hipótese, podese imaginar o conflito entre uma empresa brasileira e
outra argentina, onde uma das partes invoque regra de tratado internacional firmado no
âmbito do Mercosul como direito a ser aplicado no caso concreto. Ou de uma lide entre um
Estado-membro da federação e fornecedor nacional ou estrangeiro, que alegue obrigação
surgida para o adquirente por força de tratado normativo sobre relações de compra e venda
públicas.

Para mitigar a amplitude dessa competência, já que são inúmeras as matérias reguladas por
tratados internacionais, o STF e o STJ têm decidido que somente estarão afetas à
competência federal as causas QUE TENHAM POR OBJETO ESSENCIAL OBRIGAÇÕES
DERIVADAS DE DISPOSIÇÕES CONTIDAS NO PRÓPRIO TRATADO.

Por exemplo, os títulos de crédito estão definidos na LUG. Isso, no entanto, não basta para
configurar a competência da Justiça Federal para conhecer de qualquer causa que envolva tais
documentos representativos de obrigações.

Um bom exemplo de demanda que atrai a competência da JF é a ação de alimentos


internacionais, envolvendo sujeitos que estejam em países diversos, regulada pelo Decreto
Legislativo nº 10/58 e Decreto nº 56.826/65. Nesse tipo de causa, NECESSARIAMENTE SERÁ
INVOCADO O TRATADO COMO FUNDAMENTO DE DIREITO, o que mostra a sua imediata
relação com a lide.

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. UNIVERSIDADE FEDERAL. REVALIDAÇÃO E


REGISTRO DE DIPLOMA ESTRANGEIRO. AÇÃO ORDINÁRIA FUNDADA EM
CONVENÇÃO E ACORDO INTERNACIONAIS. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
FEDERAL COMUM.

1. A causa fundada em Convenção e Acordo Internacionais encontra-se


inserida no rol de exceções da regra que disciplina a competência do Juizado
Especial Federal (art. 3º, § 1º, I, da Lei nº 10.259/01).

2. De acordo com o art. 109, III, da Constituição da República, "as causas


fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou
organismo internacional" são da competência da Justiça Federal.

3. É competente a Justiça Federal Comum para a análise da ação ordinária


que busca a revalidação e registro de diploma estrangeiro, com base em
Convenção e Acordo Internacionais, como se deduz do exame conjunto
dos arts. 3º da Lei nº 10.259/01 e 109, da CR.

4. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo Federal da 3ª Vara


da Seção Judiciária do Estado do Maranhão, ora suscitado.

(STJ, CC 104.102/MA, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO,


julgado em 24/06/2009, DJe 01/07/2009)

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2.13.4.2. Art. 109, V-A


Assim dispõe referido dispositivo:

V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste


artigo;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Trata o dispositivo das graves violações aos direitos humanos. Ela somente pode ensejar o
deslocamento para a Justiça Federal da competência se o Procurador-Geral da República
suscitar incidente de deslocamento para a Justiça Federal perante o STJ, com a finalidade de
assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos
humanos dos quais o Brasil seja parte.

Por que se deslocar para a Justiça Federal? Pois é interesse da União, representanto da
República Federativa do Brasil, que ela não seja internacionalmente responsabilizada por
acontecimentos internos. Assim, desloca para órgão de sua estrutura.

Importante realizar as seguintes observações:

a) Se o STJ negar o pedido de deslocamento de competência, caberá recurso


extraordinário para o STF;

b) Não houve a criação de foro privilegiado, pois a causa será julgada, se deslocada,
perante a Justiça Federal de primeira instância;

c) Acolhido o pedido de deslocamento da competência, os atos até então praticados são


válidos, pois a autoridade era a competente;

d) O STJ tem considerado como pressuposto para a federalização da competência a


incapacidade das autoridades estaduais de desincumbirem-se de suas funções,
motivo pelo qual será exigido o contraditório, com a oitiva do juiz de direito e do
promotor de justiça, os quais poderão demonstrar que estão cumprindo
satisfatoriamente seus deveres e que é desnecessário o deslocamento.

IMPORTANTE: APESAR DE SER A PRIMEIRA IDEIA QUE VEM À CABEÇA, NÃO É SOMENTE
CAUSA DE NATUREZA PENAL QUE ATRAI ESSE DISPOSITIVO. A VIOLAÇÃO A DIREITOS
HUMANOS PODE MUITO BEM GERAR UMA CAUSA DE NATUREZA CÍVEL, QUE TAMBÉM
CORRERÁ, SE FOR O CASO DESSE DISPOSITIVO, PERANTE A JF.

O deslocamento de competência – em que a existência de crime praticado com grave violação


aos direitos humanos é pressuposto de admissibilidade do pedido – deve atender ao princípio
da proporcionalidade (adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito),
compreendido na demonstração concreta de risco de descumprimento de obrigações
decorrentes de tratados internacionais firmados pelo Brasil, resultante da inércia, negligência,
falta de vontade política ou de condições reais do Estado-membro, por suas instituições, em
proceder à devida persecução penal.

Importante esse julgado que acatou o pedido de deslocamento da competência:

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INCIDENTE DE DESLOCAMENTO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇAS ESTADUAIS


DOS ESTADOS DA PARAÍBA E DE PERNAMBUCO. HOMICÍDIO DE VEREADOR,
NOTÓRIO DEFENSOR DOS DIREITOS HUMANOS, AUTOR DE DIVERSAS
DENÚNCIAS CONTRA A ATUAÇÃO DE GRUPOS DE EXTERMÍNIO NA
FRONTEIRA DOS DOIS ESTADOS. AMEAÇAS, ATENTADOS E ASSASSINATOS
CONTRA TESTEMUNHAS E DENUNCIANTES. ATENDIDOS OS PRESSUPOSTOS
CONSTITUCIONAIS PARA A EXCEPCIONAL MEDIDA.

1. A teor do § 5.º do art. 109 da Constituição da República, introduzido pela


Emenda Constitucional n.º 45/2004, o incidente de deslocamento de
competência para a Justiça Federal fundamenta-se, essencialmente, em três
pressupostos: A EXISTÊNCIA DE GRAVE VIOLAÇÃO A DIREITOS HUMANOS;
O RISCO DE RESPONSABILIZAÇÃO INTERNACIONAL DECORRENTE DO
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES JURÍDICAS ASSUMIDAS EM
TRATADOS INTERNACIONAIS; E A INCAPACIDADE DAS INSTÂNCIAS E
AUTORIDADES LOCAIS EM OFERECER RESPOSTAS EFETIVAS.

2. Fatos que motivaram o pedido de deslocamento deduzido pelo


Procurador-Geral da República: o advogado e vereador pernambucano
MANOEL BEZERRA DE MATTOS NETO foi assassinado em 24/01/2009, no
Município de Pitimbu/PB, depois de sofrer diversas ameaças e vários
atentados, em decorrência, ao que tudo leva a crer, de sua persistente e
conhecida atuação contra grupos de extermínio que agem impunes há mais
de uma década na divisa dos Estados da Paraíba e de Pernambuco, entre os
Municípios de Pedras de Fogo e Itambé.

3. A existência de grave violação a direitos humanos, primeiro pressuposto,


está sobejamente demonstrado: esse tipo de assassinato, pelas
circunstâncias e motivação até aqui reveladas, sem dúvida, expõe uma lesão
que extrapola os limites de um crime de homicídio ordinário, na medida em
que fere, além do precioso bem da vida, a própria base do Estado, que é
desafiado por grupos de criminosos que chamam para si as prerrogativas
exclusivas dos órgãos e entes públicos, abalando sobremaneira a ordem
social.

4. O risco de responsabilização internacional pelo descumprimento de


obrigações derivadas de tratados internacionais aos quais o Brasil anuiu
(dentre eles, vale destacar, a Convenção Americana de Direitos Humanos,
mais conhecido como "Pacto de San Jose da Costa Rica") é bastante
considerável, mormente pelo fato de já ter havido pronunciamentos da
Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com expressa
recomendação ao Brasil para adoção de medidas cautelares de proteção a
pessoas ameaçadas pelo tão propalado grupo de extermínio atuante na
divisa dos Estados da Paraíba e Pernambuco, as quais, no entanto, ou
deixaram de ser cumpridas ou não foram efetivas. Além do homicídio de
MANOEL MATTOS, outras três testemunhas da CPI da Câmara dos
Deputados foram mortos, dentre eles LUIZ TOMÉ DA SILVA FILHO, ex-
pistoleiro, que decidiu denunciar e testemunhar contra os outros
delinquentes. Também FLÁVIO MANOEL DA SILVA, testemunha da CPI da

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Pistolagem e do Narcotráfico da Assembleia Legislativa do Estado da


Paraíba, foi assassinado a tiros em Pedra de Fogo, Paraíba, quatro dias após
ter prestado depoimento à Relatora Especial da ONU sobre Execuções
Sumárias, Arbitrárias ou Extrajudiciais. E, mais recentemente, uma das
testemunhas do caso Manoel Mattos, o Maximiano Rodrigues Alves, sofreu
um atentado a bala no município de Itambé, Pernambuco, e escapou por
pouco. Há conhecidas ameaças de morte contra Promotores e Juízes do
Estado da Paraíba, que exercem suas funções no local do crime, bem assim
contra a família da vítima Manoel Mattos e contra dois Deputados Federais.

5. É notória a incapacidade das instâncias e autoridades locais em oferecer


respostas efetivas, reconhecida a limitação e precariedade dos meios por
elas próprias. Há quase um pronunciamento uníssono em favor do
deslocamento da competência para a Justiça Federal, dentre eles, com
especial relevo: o Ministro da Justiça; o Governador do Estado da Paraíba; o
Governador de Pernambuco; a Secretaria Executiva de Justiça de Direitos
Humanos; a Ordem dos Advogados do Brasil; a Procuradoria-Geral de Justiça
do Ministério Público do Estado da Paraíba.

6. As circunstâncias apontam para a necessidade de ações estatais firmes e


eficientes, as quais, por muito tempo, as autoridades locais não foram
capazes de adotar, até porque a zona limítrofe potencializa as dificuldades
de coordenação entre os órgãos dos dois Estados. Mostra-se, portanto,
oportuno e conveniente a imediata entrega das investigações e do
processamento da ação penal em tela aos órgãos federais.

7. Pedido ministerial parcialmente acolhido para deferir o deslocamento de


competência para a Justiça Federal no Estado da Paraíba da ação penal n.º
022.2009.000.127-8, a ser distribuída para o Juízo Federal Criminal com
jurisdição no local do fato principal;

bem como da investigação de fatos diretamente relacionados ao crime em


tela. Outras medidas determinadas, nos termos do voto da Relatora.

(STJ, IDC 2/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
27/10/2010, DJe 22/11/2010)

2.13.4.3. Art. 109, XI


Assim dispõe referido dispositivo:

XI - a disputa sobre direitos indígenas.

Como é cediço, a mera presença de indígena como parte da demanda não é suficiente para a
aplicação desse dispositivo. É necessário que a situação seja relevante para toda a coletividade
indígena. Seria o caso, por exemplo, de ação civil pública em favor de indígenas.

PROCESSUAL PENAL - AÇÃO PENAL - ARTS. 147, 214, C/C ART. 224, A E 225,
§ 1º, II, DO CP - ART. 7º, I E II DA LEI 11.340/2006 - ART. 59 DA LEI 6001/1973
- AUSÊNCIA DE OFENSA A INTERESSES COLETIVOS DA COMUNIDADE
INDÍGENA - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL - RECURSO IMPROVIDO.
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I - A competência constitucional da Justiça Federal para julgar disputa


sobre direitos indígenas deve ser interpretada restritivamente, limitando-
se a situações em que, de fato, interesses coletivos da comunidade
indígena estejam em risco ou tenham sido lesados. Precedentes.

II - "O crime perpetrado em desfavor de índios determinados, não sendo o


caso de afetação de interesses da coletividade dos povos indígenas, não
conduz à especializada competência da Justiça Federal - inteligência da
Súmula 140 desta Corte. (...)" (STJ, HC 200700274938, Maria Thereza de
Assis Moura, 6ª Turma, 12/04/2010)

III - A prática delituosa em apuração não atinge interesses da comunidade


indígena, de modo a afastar a competência da Justiça Federal para processar
e julgar o feito.

IV - Recurso improvido.

(TRF1, RSE 0001562-91.2010.4.01.3310/BA, Rel. Desembargadora Federal


Assusete Magalhães, Conv. Juiz Federal Murilo Fernandes De Almeida
(conv.), Terceira Turma,e-DJF1 p.86 de 11/02/2011)

CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA. ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO. PEDIDO


DE INDENIZAÇÃO CONTRA INDÍGENAS. AUSÊNCIA DE INTERESSES
INDÍGENAS ENQUANTO COMUNIDADE SOB PROTEÇÃO DA UNIÃO.
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL.

1. Trata-se de Ação Ordinária proposta, no âmbito da justiça estadual, em


face de indígenas, em que se busca a reparação por danos morais e
materiais. Alega o autor que se encontrava passando pela Rua Curitiba c/c T-
11 quando parou para ajudar um conhecido, oportunidade em que foi
colhido pelo veículo Toyota, de propriedade do primeiro réu e conduzido
pelo segundo, que trafegava em alta velocidade, sendo imprensado contra
uma caçamba e tendo a bacia quebrada e a perna direita amputada.

2. A sentença julgou parcialmente procedente o pedido inicial para


condenar os réus a indenizarem o requerente.

3. A parte autora apelou alegando que o valor da indenização deveria ser


majorado, uma vez que o acidente resultou na perda de um membro,
gerando grande prejuízo patrimonial e moral a este.

4. O TJRO, apreciando o recurso de apelação, julgou-se incompetente, e


remeteu o feito a esta Corte.

5. Ao mencionar "a disputa sobre direitos indígenas" como sendo da


competência da Justiça Federal, a CR (art. 109, XI) o faz para abranger as
questões surgidas em torno da cultura dessas comunidades, tais como sua
organização social, seus costumes, línguas, crenças e tradições; sobretudo
as questões relacionadas aos direitos originários sobre as terras que
tradicionalmente ocupam.

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6. Súmula 140 do STJ: "Compete à Justiça Comum Estadual processar e


julgar crime em que o indígena figure como autor ou vítima."

7. Desta forma, tampouco deve uma pretensão indenizatória movida contra


indígenas, em razão de acidente automobilístico, ser processada e julgada
pela Justiça Federal, vez que tal litígio, assim como os crimes em que índio
figura como autor ou vítima, não envolve interesses indígenas enquanto
comunidade sob proteção da União.

8. Reconhecida, de ofício, a incompetência da Justiça Federal, com a


determinação da remessa dos autos ao eg. Tribunal de Justiça do Estado de
Rondônia.

(TRF1, AC 2000.01.99.087880-6/RO, Rel. Desembargadora Federal Selene


Maria De Almeida, Conv. Juiz Federal Avio Mozar Jose Ferraz De Novaes,
Quinta Turma,DJ p.95 de 16/10/2006)

2.13.4.4. Art. 109, X, parte final


Assim dispõe referido dispositivo:

X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a


execução de carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira,
após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a
respectiva opção, e à naturalização;

As controvérsias versando sobre quaisquer dessas questões, assim, encontrarão na Justiça


Federal o ramo do Poder Judiciário apto a dirimí-Ias (exceto quando se tratar de mandado de
segurança contra ato de Ministro de Estado, onde o Superior Tribunal de Justiça será
originariamente competente -art. 105, I, b). É o caso da declaração da perda da nacionalidade
brasileira daquele que "tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de
atividade nociva ao interesse nacional" (art. 12, §4°, 1). Vladimir Souza Carvalho, explicitando
serem as controvérsias relativas à nacionalidade de natureza cível (não penal), elenca ainda as
ações para concessão de passaporte, para registro de nacionalidade brasileira, para declaração
de direito não vedado a estrangeiro, dentre outras.

A ação para a perda de nacionalidade por atividade nociva ao interesse nacional é proposta
pelo Ministério Público Federal (LC 75/93, art. 6°, IX), e seu rito é previsto pela Lei nº 818/49.
Nela, o réu é citado para ser qualificado em audiência, após a qual terá cinco dias para
oferecer alegações escritas, requerer diligências e indicar o rol de testemunhas. Realizada a
instrução, e ultrapassada a fase de diligências, o MPF e o réu terão o prazo de três dias cada
um para alegações finais, seguindo-se a sentença do juiz, da qual cabe apelação apenas no
efeito devolutivo.

Mesmo alguns procedimentos de jurisdicão voluntária foram constitucional e legalmente


previstos de modo expresso. É o caso da opção pela nacionalidade brasileira, onde serão
considerados brasileiros natos "os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe
brasileira, desde que venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer
tempo, pela nacionalidade brasileira” (art. 12, I, c). Também a aquisição da nacionalidade

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brasileira derivada (naturalização) envolve procedimento legal que envolve a participação do


juiz federal (art. 12, 11, a e b), eventualmente através da forma de opção ["quando um dos
pais for estrangeiro, residente no Brasil a serviço de seu governo, e o outro for brasileiro, o
filho, aqui nascido, poderá optar pela nacionalidade brasileira na forma do art. 129, 11, da
Constituição (de 1946) -Lei 818/49, art.2°".]

Quanto à opção que garante a nacionalidade brasileiraorigináriaao optante nos termos do art.
12, I, c, da CF, é este o modo utilizado por estrangeiro não registrado em consulado brasileiro
no exterior (caso este em que seria desnecessária a opção). A opção é homologada, por
sentença, pelo juiz federal, após ser protocolada e autuada petição para este fim, ouvindo-se o
Ministério Público Federal, em cinco dias, sem necessidade de audiência. Há recurso de oficio
ao Tribunal Regional Federal, que, observados os requisitos próprios, e confirmando a
sentença homologatória, determina o retorno dos autos ao juízo de origem, onde os mesmos
são entregues ao requerente para inscrição da opção no registro civil de pessoas naturais.

A opção relativa à aquisição de nacionalidade derivada é prevista no art. 2° da Lei 818/49, e


não deve haver dúvida quanto à existência desse segundo modo de opção, ou quanto à
espécie de nacionalidade que confere, já que a Constituição permitiu a aquisição de
nacionalidade derivada "na forma da lei" (art. 12, 11, a)6. O procedimento no âmbito da Justiça
Federal, no caso, é idêntico ao previsto para a opção cuidada no art. 12, I, c, da Constituição
Federal.

A naturalização também pode ocorrer por processo diverso da opção cuidada no art. 2° da Lei
818/49, e é o que mais geralmenfe acontece. A participação do juiz federal é também bastante
diversa daquela ocorrente no rito da opção. A atribuição da nacionalidade derivada dá-se, in
casu, por Portaria do Ministro da Justiça, no uso do poder discricionário reservado à
Administração. Consuma-se com a entrega do certificado de naturalização ao naturalizando,
entrega esta que é feita pelo juiz federal da 1º Vara onde o naturalizando tenha domicílio (Lei
6.815/80, art. 119).

Importante ter em mente o seguinte: apesar de o art. 110 do Estatuto do Estrangeiro prever
que cabe ao juízo da 1ª Vara Federal promover a solenidade de entrega do certificado de
naturalização à pessoa, as ações sobre esses temas estão sujeitas à livre distribuição, não
sendo caso de competência necessária desse juízo.

Assim, se o MPF ajuizar uma ação de cancelamento de naturalização, deve-se distribuir.

2.13.5. Competência Territorial da Justiça Federal


A Justiça Federal se organiza em Regiões, atualmente no número de 05, sendo que em cada
uma delas presentes estão seções judiciárias, no mínimo uma por Estado, com sede na capital,
podendo haver ainda uma série de subseções judiciárias no interior.

Art. 109, CR/88

[..]

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§ 1º - As causas em que a União for autora serão aforadas na seção


judiciária onde tiver domicílio a outra parte.

§ 2º - As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção


judiciária em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o
ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou,
ainda, no Distrito Federal.

Apesar do texto do § 1º se referir apenas a seção judiciária, evidentemente deve-se incluir a


possibilidade de ajuizamento da ação na subseção judiciária do domicílio da parte.

Relativamente à União como ré, há verdadeira competência concorrente territorial, podendo


o autor escolher onde proporá a ação. Se o local onde ele reside não for sede de Vara Federal,
terá que ir para a Vara Federal que abrange aquele local.

O art. 109, § 2º, da Constituição deixou exclusivamente a critério do autor a escolha do juízo
no qual pretende propor a demanda, dentre aqueles nele previstos, sem estabelecer nenhuma
ressalva quanto a essa opção. Assim, ela acabou por permitir ao autor ajuizar a ação em face
da União em quatro locais diferentes:

a) Perante as Varas Federais do juízo federal de seu domicílio se houver;

b) Perante as Varas Federais da Capital do Estado;

c) Perante as Varas Federais onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à
demanda ou onde esteja situada a coisa;

d) Perante as Varas Federais do Distrito Federal.

EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Ações propostas


contra a União. Competência. Justiça Federal. 1. A jurisprudência desta
Corte firmou entendimento no sentido de que a parte autora pode optar
pelo ajuizamento da ação contra a União na capital do Estado-membro,
mesmo quando instalada Vara da Justiça Federal no município do mesmo
Estado em que domiciliada. 2. Agravo regimental não provido.

(RE 641449 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em
08/05/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-106 DIVULG 30-05-2012 PUBLIC
31-05-2012)

Se houver litisconsórcio ativo, caberá a regra do art. 94 do CPC. Vide:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. AÇÃO


CONTRA A UNIÃO. LITISCONSÓRCIO ATIVO FACULTATIVO. AUTORES COM
DIFERENTES DOMICÍLIOS.

1. Proposta ação contra União Federal, a Constituição da República, art. 109,


§ 2º possibilita-se à parte autora o ajuizamento no foro de seu domicílio.

2. Sendo o polo ativo da demanda constituído por autores litisconsorciados


com diferentes domicílios, faz-se necessária a aplicação análoga e inversa da
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norma de competência expressa no CPC, art. 94, § 4º, possibilitando, a


demanda da União no foro de qualquer um deles à sua escolha. Caso em
que a competência se estende a todos os integrantes do litisconsórcio.

3. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo Federal da 4ª


Vara da Seção Judiciária do Estado do Paraná.

(STJ, CC 29.274/PR, Rel. Ministro EDSON VIDIGAL, TERCEIRA SEÇÃO, julgado


em 14/02/2001, DJ 12/03/2001, p. 87)

Importante relevar que os dispositivos (§ § 2º e 3º) se referem apenas à União, não se


manifestando sobre a competência territorial para julgar as causas intentadas contra
fundações, autarquias e empresas públicas. Nesses casos, deve-se seguir a regra de
competência do CPC, já que as entidades não têm procuradores lotados em todas as seções,
diferentemente da representação da União pela AGU. Essa é a interpretação da maioria da
doutrina, como Daniel Assumpção etc.

Súmula 689, STF: “O segurado pode ajuizar ação contra a instituição previdenciária perante o
Juízo Federal do seu domicílio ou nas varas federais da capital do Estado-Membro”.

Por fim, colaciono os seguintes julgado:

O rol de situações contempladas no § 2º do art. 109 da Carta Federal, a


ensejar a escolha pelo autor de ação contra a União, É EXAUSTIVO.
Descabe conclusão que não se afine com o que previsto
constitucionalmente – por exemplo, a possibilidade de a ação ser ajuizada
na capital do Estado.” (RE 459.322, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em
22-9-2009, Primeira Turma, DJE de 18-12-2009.)

Os litisconsortes, nas ações contra a União, podem optar pela propositura


da ação no domicílio de qualquer deles.” (RE 484.235-AgR, Rel. Min. Ellen
Gracie, julgamento em 25-8-2009, Segunda Turma, DJE de 18-9-2009.) Vide:
RE 234.059, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2-9-2008, Primeira
Turma, DJE de 21-11-2008

O art. 109, § 2º, da CR, não impede a formação de litisconsórcio ativo de


autores domiciliados em Estados-membros diversos daquele em que
ajuizada a causa. Aos litisconsortes é facultada a opção pela propositura da
ação em qualquer das possibilidades previstas no dispositivo
constitucional.” (RE 234.059, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2-9-
2008, Plenário, DJE de 21-11-2008.) Vide: RE 484.235-AgR, Rel. Min. Ellen
Gracie, julgamento em 25-8-2009, Segunda Turma, DJE de 18-9-2009

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. SERVIDOR


PÚBLICO. AÇÃO CONTRA A UNIÃO. COMPETÊNCIA. SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA.
AGRAVO NÃO PROVIDO.

1. O Juízo Federal da Subseção Judiciária em que é domiciliado o autor da


ação é competente para processar e julgar a ação, e não o da capital do
Estado Membro. Precedente do Supremo Tribunal Federal e deste Tribunal
Regional Federal.

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2. Agravo regimental a que se nega provimento.

(AGA 2008.01.00.050490-4/MG, Rel. Juiz Federal Rodrigo Navarro De


Oliveira (conv.), Primeira Turma,e-DJF1 p.36 de 15/06/2010)

CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO DE


INSTRUMENTO. FERROVIÁRIOS. AÇÃO PROPOSTA POR SEGURADO
DOMICILIADO UBERADA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL EM BELO
HORIZONTE. UNIÃO, INSS E REDE FERROVIÁRIA FEDERAL NO POLO PASSIVO
DA DEMANDA. ART. 109, § 2º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. SÚMULA 689 do
STF.

1. Em se tratando de competência territorial (relativa), não poderia o juiz, de


ofício, extinguir o feito sem resolução do mérito, a menos que provocado
oportunamente pela parte ré, não podendo, pelo mesmo fundamento,
excluir o litisconsorte ativo, sob o fundamento de possuir domicílio não
localizado na capital daquele Estado.

2. Inclusive, nos termos do § 2º do art. 109 da Constituição Federal de 1988,


bem assim da regra de competência expressa no art. 94, § 4º, do CPC, em
caso de litisconsórcio ativo facultativo, com autores domiciliados em locais
diversos, a ação movida contra a União Federal pode ser proposta no
domicílio de qualquer um dos litisconsortes.

3. Ainda, SENDO A DEMANDA PROPOSTA POR SEGURADO DA


PREVIDÊNCIA SOCIAL CONTRA, TAMBÉM, A AUTARQUIA PREVIDENCIÁRIA,
O AJUIZAMENTO DA AÇÃO PODE SER FEITO PERANTE AS VARAS FEDERAIS
DA CAPITAL DO ESTADO-MEMBRO. Reinclusão no polo ativo do autor José
Marciolino Marciano.

4. Estabelece a SÚMULA Nº 689 do STF: O segurado pode ajuizar ação


contra a instituição previdenciária perante o juízo federal do seu domicílio
ou nas varas federais da capital do Estado-Membro.

3. Agravo a que dá provimento, para reincluir no polo ativo dos autos


principais o autor José Marciolino Marciano.

(TRF1, AG 2005.01.00.004183-4/MG, Rel. Desembargador Federal Francisco


De Assis Betti, Segunda Turma,e-DJF1 p.49 de 15/01/2010)

2.13.5.1. A Competência Relativa das Subseções Judiciárias


A competência das Subseções judiciárias é territorialmente fixada, logo, é relativa. Não pode o
juiz, se ajuizada a ação em outra Subseção judiciária da mesma Seção, reconhecer de ofício a
incompetência, dependendo de exceção de incompetência relativa da parte. Nesse sentido:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL AJUIZADA


CONTRA DEVEDOR DOMICILIADO NO INTERIOR. INAPLICABILIDADE DO
PROVIMENTO COGER Nº 19/2005. DECLARAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA, DE
OFÍCIO, PELO JUÍZO DA CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA
RELATIVA.

[...]

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2. A competência territorial, que é de natureza relativa, carece de


provocação do interessado, por meio de exceção de incompetência, para
ser modificada.

3. A regra de ajuizamento de execução fiscal no domicílio do executado


define competência relativa, não podendo ser alterada de ofício.
Precedentes do STJ e desta Corte.

4. Conflito conhecido e julgado procedente, declarando-se competente o


Juízo suscitado, da 18ª Vara da Seção Judiciária da Bahia.

(TRF1, CC 2006.01.00.027010-7/BA, Rel. Desembargador Federal Antônio


Ezequiel Da Silva, Quarta Seção,DJ p.7 de 20/10/2006)

Entretanto, há vários casos em que o Tribunal expede provimento criando Varas e atribuindo a
elas competência sobre determinado território, no qual não existia Vara Federal (e continua a
não existir enquanto sede). Nesses casos, em que a Vara Federal é superveniente, pode o
processo continuar tramitando perante a Vara estadual em que estava:

PROCESSO CIVIL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CRIAÇÃO DE VARAS.


REDISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS.

A criação de novas varas não implica incompetência superveniente do juízo


em que se iniciou a ação. O art. 87 do Código de Processo Civil leva à
perpetuação do foro, em respeito ao princípio do juiz natural.

(TRF1, CC 0053794-19.2010.4.01.0000/MA, Rel. Juiz Tourinho Neto, Segunda


Seção,e-DJF1 p.85 de 28/01/2011)

No entanto, muitas vezes a criação da nova Vara ocorre exatamente para que haja
redistribuição de processos, otimizando a prestação jurisdicional. Nesse caso, tem-se
entendido inexistir ofensa a qualquer princípio processual:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO MONITÓRIA. POSSIBILIDADE


DE REDISTRIBUIÇÃO DAS AÇÕES AJUIZADAS ANTES DA INSTALAÇÃO DE
NOVAS VARAS FEDERAIS. APLICAÇÃO DO PROVIMENTO COGER 19/2005.
NÃO CARACTERIZAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PERPETUAÇÃO DA
JURISDIÇÃO E DO JUIZ NATURAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO SUSCITADO.

1. O presente conflito negativo de competência que tem como suscitante o


Juízo da Vara Única da Subseção Judiciária de Manhuaçu/MG e como
suscitado, Juízo da Vara Única da Subseção Judiciária de Ipatinga/MG em
sede de ação monitória proposta pela Caixa Econômica Federal.

2. A ação originária foi proposta em 25/11/2010, antes da instalação da


Subseção Judiciária de Manhuaçu (instalada em 14/06/2011).

3. A jurisprudência desta Corte tem entendido que o Provimento COGER n.


19/2005 (que determinou a redistribuição, em razão da instalação de novas
varas federais, dos processos que se encontrassem em tramitação e que
fossem alcançados pela jurisdição territorial da nova vara) se aplica
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exatamente aos processos em tramitação no momento da instalação da


nova vara federal.

4. "A instalação de novas varas federais, regularmente criadas por lei,


autoriza a redistribuição dos feitos, no âmbito da competência territorial
antes fixada, não configurando, na espécie, nenhuma ofensa aos princípios
da perpetuação da jurisdição e do juiz natural." (CC 0019554-
33.2012.4.01.0000/MG, Rel. Desembargador Federal Souza Prudente,
Terceira Seção,e-DJF1 p.28 de 12/06/2012)

5. Correta a redistribuição dos processos à subseção judiciária recém


instalada, estabelecendo-se no caso um novo foro competente, que
apenas poderá ser considerado relativo em relação às demandas
propostas após sua instalação.

6. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo da Vara Única da


Subseção Judiciária de Manhuaçu/MG, o suscitante (CC 0019565-
62.2012.4.01.0000/MG, Relator DESEMBARGADORA FEDERAL SELENE
MARIA DE ALMEIDA, TERCEIRA SEÇÃO, Publicação 31/07/2012 e-DJF1 P. 22,
Data Decisão 03/07/2012).

Porém, se a Vara Federal é criada no Município da pessoa, o juiz estadual que agia com
competência delegada deverá necessariamente declinar da competência, ante a
incompetência absoluta superveniente. Veja bem: a Vara Federal deve ter sido criada no
Município da pessoa, não sendo o caso de criação de Vara em outro Município, mas cuja
competência abranja ele.

E as Seções e Regiões, possuem competência territorial absoluta ou relativa?

Isso é complicado. Primeiro porque as Seções Judiciárias estão previstas na Constituição da


República, o que, em tese, seria caso de competência territorial absoluta:

Art. 110. Cada Estado, bem como o Distrito Federal, constituirá uma seção
judiciária que terá por sede a respectiva Capital, e varas localizadas segundo
o estabelecido em lei.

As Regiões dos TRF’s estão previstas na Constituição da República, art. 27, § 6º20, ADCT. Cabe
ao STF e ao STJ propor a criação de Tribunais Regionais Federais:

Art. 96 [...]

II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de


Justiça propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no art.
169:

[...]

20
Art. 27 [...]
§ 6º - Ficam criados cinco Tribunais Regionais Federais, a serem instalados no prazo de seis meses a
contar da promulgação da Constituição, com a jurisdição e sede que lhes fixar o Tribunal Federal de
Recursos, tendo em conta o número de processos e sua localização geográfica.
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104

c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores;

Relativamente às Seções, certamente a competência é relativa. No que se refere às Regiões, há


controvérsias. Pela fórmula geral, seria também relativa, visto que é competência territorial.

2.13.6. Juízo Estadual com Competência Federal


Previsão no seguinte diploma da Constituição da República:

Art. 109 [...]

[...]

§ 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio


dos segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de
previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara
do juízo federal, e, se verificada essa condição, a LEI poderá permitir que
outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.

§ 4º - Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para


o Tribunal Regional Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau.

Súmula 689, STF: “O segurado pode ajuizar ação contra a instituição previdenciária perante o
juízo federal do seu domicílio ou nas varas federais da capital do Estado-membro”.

Porém, somente poderá o jurisdicionado propor a ação em seu domicílio, no juízo federal com
jurisidição sobre seu domicílio ou na capital, não em outro local. Vide:

EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA


ABSOLUTA. AFORAMENTO PERANTE COMARCA ESTADUAL DISTINTA DO
DOMICÍLIO DA PARTE. ART. 109, § 3º, CR. EXTINÇÃO DO FEITO. 1. Segundo
interpretação jurisprudencial e à vista do contido no § 3º do artigo 109 da
CR, o segurado, cujo domicílio não seja sede de Vara Federal, poderá aforar
a ação previdenciária perante o Juízo Estadual da comarca de seu domicílio;
no Juízo Federal com jurisdição sobre o seu domicílio ou, ainda, perante
Varas Federais da capital do Estado-membro. 2. Optando o segurado por
ajuizar a contenda perante Juízo Estadual, TERÁ DE FAZÊ-LO EM RELAÇÃO
À COMARCA QUE SEJA DE SEU DOMICÍLIO, NÃO EM OUTRO JUÍZO
ESTADUAL ONDE NÃO RESIDA, como na hipótese presente, pois, em
relação a esse foro, não há competência delegada. É que, em se tratando
de conflito de competência estabelecido entre dois Juízes Estaduais,
somente um deles detém a delegação da competência federal, não havendo
falar em prorrogação de competência, nem em aplicação do princípio da
perpetuatio jurisdictionis, por estar-se diante de regra de competência
absoluta decorrente de norma constitucional (§ 3º do art. 109 da CR). (TRF4,
AC 2009.70.99.001717-0, Quinta Turma, Relator Fernando Quadros da Silva,
D.E. 15/03/2010)

O constituinte expressamente autorizou que as causas previdenciárias sejam julgadas no foro


do segurado ou beneficiário, se lá não houver sede da Justiça Federal. Nada impede,
entretanto, que o segurado opte por ajuizar a ação perante um juízo federal da capital, não
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obstante tenha domicílio no interior em que não haja vara federal; porém, não se lhe
autoriza demandar em outra cidade, perante juízo estadual, se em sua cidade houver vara
federal. Essa competência delegada abrange a competência do procedimento de justificação e
do de ausência para fins previdenciários.

A criação ulterior de sede de vara federal no Município implica deslocamento da causa para
o juízo federal, porque se trata de fato superveniente que altera competência absoluta.

Por fim, ressalta-se que o dispositivo autoriza ainda, qualquer que seja a causa (excetuadas,
por evidente, as hipóteses de ações originárias previstas na CR/88), que o legislador
infraconstitucional atribua competência ao juízo estadual para julgar feitos quando não for o
local sede da Justiça Federal.

Relativamente aos recursos, ainda que quem decida seja o juiz estadual, como ele está
investido de jurisdição Federal, os recursos são sempre para o TRF da região. Ele proferiu
uma decisão interlocutória, agravo de instrumento para o TRF. Ele proferiu sentença, apelação
para o TRF. Repita-se, os recursos são sempre dirigidos ao Tribunal Regional Federal daquela
região.

Se, no entanto, o juiz de direito não estiver investido de jurisdição federal, mas analisar
matéria federal, caberá ao TJ conhecer do recurso para anular a sentença. Nesse sentido:

MANDADO DE SEGURANÇA. RESTABELECIMENTO DO BENEFÍCIO DE


APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. IMPETRAÇÃO E SENTENÇA
PROLATADA EM VARA DA JUSTIÇA ESTADUAL. INCOMPETÊNCIA DO
TRIBUNAL FEDERAL PARA APRECIAÇÃO DE ATO DO JUIZ SENTENCIANTE.
COMPETÊNCIA. TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. A Terceira Seção do colendo
Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência no sentido de que a
delegação de competência inserta no art. 109, § 3.º, da Constituição da
República, não incide em mandado de segurança no qual é discutida matéria
previdenciária, sendo ainda aplicável o verbete da Súmula n. 216 do extinto
Tribunal Federal de Recursos. 2. NÃO INVESTIDO O JUÍZO DE DIREITO DE
JURISDIÇÃO FEDERAL, CABE À CORTE ESTADUAL ANALISAR OS RECURSOS
INTERPOSTOS CONTRA SUAS DECISÕES, AINDA QUE SEJA PARA ANULÁ-LAS
E REMETER O FEITO AO ÓRGÃO JUDICIÁRIO COMPETENTE. 3. ASSIM, CABE
AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA, E NÃO AO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL,
JULGAR APELAÇÃO DE SENTENÇA PROLATADA POR JUIZ DE DIREITO A ELE
VINCULADO, AINDA QUE SEJA PARA ANULAR A DECISÃO RECORRIDA, POR
INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA, E REMETER OS AUTOS À JUSTIÇA
COMPETENTE. 4. Determinada a remessa dos autos ao egrégio Tribunal de
Justiça de São Paulo. Apelação do INSS e remessa oficial prejudicadas no
âmbito do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região.

(TRF3, AMS 200103990477334, JUIZ CONVOCADO JOÃO CONSOLIM,


JUDICIÁRIO EM DIA - TURMA F, DJF3 CJ1 DATA:13/01/2011 PÁGINA: 645.)

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Nunca, entretanto, poderá o juiz estadual exercer competência delegada para julgar mandado
de segurança, já que o writ tem a competência determinada em função da pessoa, da
autoridade que comete o ato ilegal. Vide o seguinte julgado:

COMPETENCIA. MANDADO DE SEGURANÇA - JUIZ ESTADUAL. EXERCICIO DE


COMPETENCIA DELEGADA. NÃO ABRANGENCIA.

I - CONSOANTE O DISPOSTO NO ART. 108, II, DA CR/88, A UNICA HIPOTESE


EM QUE A SENTENÇA PROLATADA POR JUIZ ESTADUAL VEM A SER
EXAMINADA POR TRIBUNAL FEDERAL E A DE QUE AQUELE ESTEJA NO
EXERCICIO DE COMPETENCIA FEDERAL DELEGADA, AUTORIZADA PELO
PARAGRAFO 3. DO ART. 109 DA CR/88.

II - A COMPETENCIA PARA PROCESSAR E JULGAR MANDADO DE SEGURANÇA


CONTRA ATO DE AUTORIDADE FEDERAL, SEGUNDO O ART. 109, VIII, DA
CR/88, E DOS JUIZES FEDERAIS. NESSE SENTIDO, TAMBEM A SUMULA 216
DO EX-TFR.

III - CONFLITO DE QUE SE CONHECE PARA DECLARAR A COMPETENCIA DO


MM. JUIZO FEDERAL, ANULADA A SENTENÇA PROFERIDA PELO MM. JUIZO
ESTADUAL.

(CC 15.203/RS, Rel. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO, PRIMEIRA


SEÇÃO, julgado em 12/12/1995, DJ 26/02/1996, p. 3910)

Mais esclarecedor ainda o seguinte julgado:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA


IMPETRADO CONTRA AUTORIDADE FEDERAL CHEFE DE FISCALIZAÇÃO DA
AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO - ANP - LIMINAR CONCEDIDA POR JUÍZO
ABSOLUTAMENTE INCOMPETENTE. ANULAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA
JULGAR O FEITO DE UMA DAS VARAS DA JUSTIÇA FEDERAL DO ESTADO DE
ALAGOAS.

1. Cuidam os autos de conflito de competência suscitado pelo TRF 5ª Região


nos seguintes termos: O Juiz de Direito da Comarca de São Sebastião não
tem competência para processar e julgar mandado de segurança impetrado
contra ato de autoridade federal, pois tal hipótese não se encontra nas
exceções previstas no § 3º do art. 109 da CR.

O Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas declarou-se incompetente para o


julgamento do agravo de instrumento interposto, mas não declarou a
nulidade do ato proferido pelo Juiz de Direito. Este Tribunal, por outro lado,
não tem jurisdição sobre o Juízo Estadual, para declarar, por incompetência
absoluta, a nulidade da decisão agravada. Em resumo: a) Compete ao Juízo
Federal de Alagoas processar e julgar mandado de segurança contra ato de
autoridade federal, domiciliado em sua jurisdição - art. 109, VIII, CR; b)
compete ao eg. Tribunal de Justiça de Alagoas decidir recurso interposto
contra ato de Juiz de Direito não investido de competência delegada, ainda
que para declarar a nulidade do ato recorrido. Diante do exposto, suscito o

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conflito de competência e determino a remessa dos autos ao Superior


Tribunal de Justiça.

2. A competência para julgar mandado de segurança impetrado contra


autoridade federal, in casu, o Chefe de Fiscalização da Agência Nacional do
Petróleo e Gerente Regional de Administração Fazendária, é da Justiça
Federal nos moldes do artigo 109, VIII, da Constituição da República.

3. "A regra que confere competência à Justiça Federal para julgamento de


mandado de segurança de autoridade federal não se submete à permissão
constitucional de delegação à Justiça Estadual comum do art. 109, § 3º da
Constituição da República de 1988, quando inexistir Vara Federal no local
de domicílio do Autor, porque se trata de competência rationae personae
de natureza absoluta e indelegável." 4. Este Superior Tribunal de Justiça
por exercer jurisdição sobre as justiças estadual e federal, possui
autoridade para, ao examinar conflito de competência, anular decisão
proferida por juiz absolutamente incompetente de qualquer dessas
justiças.

5. Conflito conhecido para declarar nula a decisão proferida pelo Juízo


estadual da Comarca de São Sebastião/AL e determinar a competência de
uma das Varas de Justiça Federal/AL para apreciar e julgar o presente feito.

(STJ, CC 85.217/PE, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado


em 10/10/2007, DJ 29/10/2007, p. 173)

Esse julgado do TRF1 é interessante, não sei, entretanto, se os juízes estaduais teriam a
mesma opinião:

PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. OAB. VIOLAÇÃO DE


PRERROGATIVAS PREVISTA NO CPP. SENTENÇA PROFERIDA POR JUIZO
ESTADUAL. APELAÇÃO ENCAMINHADA A ESTA CORTE POR TRIBUNAL
ESTADUAL QUE SE DECLARA INCOMPETENTE RATIONE PERSONAE.
COMPETÊNCIA FEDERAL. ANULAÇÃO DA SENTENÇA PELO TRF: CELERIDADE
E ECONOMIA PROCESSUAL: POSSIBILIDADE.

1. Nos termos do art. 109, I, da Constituição Federal de 1988, compete à


Justiça Federal o julgamento das causas ajuizadas pela Ordem dos
Advogados do Brasil.

2. Julgada a causa por Juízo Estadual, incompetente, caberia ao respectivo


Tribunal Estadual anular a sentença e determinar a remessa do feito ao Juízo
Federal competente.

3. Não estando o Juízo Estadual que proferiu a sentença recorrida, no


exercício de jurisdição federal, o Tribunal Regional Federal não é
competente para julgar o recurso contra ela interposto (Súmula 55/STJ).

4. PRECEDENTES DO STJ E DESTE TRIBUNAL ENTENDEM QUE, POR


QUESTÃO DE ECONOMIA PROCESSUAL E CELERIDADE DA PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL, PODE O TRIBUNAL REGIONAL ANULAR JULGADO DE JUÍZO
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INCOMPETENTE, SEM NECESSIDADE DE SUSCITAR CONFLITO DE


COMPETÊNCIA, DETERMINANDO A REMESSA DOS AUTOS AO JUÍZO
COMPETENTE PARA CONHECER DA LIDE.

5. Declaração, de ofício, da nulidade da sentença, em face da


incompetência do Juízo de Direito da 1ª Vara de Parnaíba, determinando a
remessa dos autos ao Juízo Federal competente para processar e julgar a
causa.

(TRF1, AMS 0002787-73.2011.4.01.4002/PI, Rel. Desembargador Federal


Carlos Olavo, Terceira Turma,e-DJF1 p.1209 de 10/02/2012)

2.13.6.1. Competência Delegada Prevista em Lei (Lei nº 5.010/66)


O art. 109, § 3º, da CR/88 permite que a lei delegue em outras hipóteses a competência para a
Justiça estadual, quando a comarca não for sede de vara federal.

Quais são as outras hipóteses que podem ser adotadas para a aplicação do § 3º? Você vai
encontrar no art. 15, I da lei 5.010/66 (é a lei que criou a Justiça Federal), as execuções fiscais
entram nesse rol. As execuções fiscais são ajuizadas pela União em face do particular. Em tese,
teriam que ser ajuizadas em Vara Federal, só que a lei autoriza a aplicação do art. 109, § 3º. As
execuções fiscais podem ser ajuizadas no foro do domicílio do executado. Teremos, aqui, um
caso em que o juiz estadual também estará investido de jurisdição federal.

EXECUÇÃO FISCAL AJUIZADA EM SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA NA QUAL NÃO É


SEDIADO O EXECUTADO. INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA DA VARA FEDERAL
INTERIORANA. JURISDIÇÃO FEDERAL DELEGADA.

Se o executado é domiciliado em comarca diversa da subseção federal em


que foi ajuizada a execução fiscal, ainda que o Município ou comarca
pertença à jurisdição da subseção judiciária, o ajuizamento deve respeitar o
domicílio do devedor (jurisdição federal delegada). A delegação de
competência aos juízos estaduais para processar e julgar executivo fiscal
contra devedor domiciliado em comarca que não é sede de vara federal (art.
109, § 3º, da CF/1988 e art. 15, I, da Lei 5.010/1966), É ERIGIDA À
CONDIÇÃO DE COMPETÊNCIA ABSOLUTA, ABRANGENDO AS AÇÕES
INCIDENTAIS. Precedentes. Maioria. (TRF1, 7T, AI 0006571-
02.2012.4.01.0000/PA, rel. Des. Federal Tolentino Amaral, em 28/02/2012.)

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. COMPETÊNCIA ABSOLUTA.


DOMICÍLIO DO DEVEDOR. AUSÊNCIA DE SEDE DE FORO FEDERAL.

O juízo estadual é absolutamente competente para processar execução


fiscal ajuizada contra devedor domiciliado em comarca que não seja sede de
vara federal, ainda que o juízo federal tenha jurisdição sobre o território em
que se localiza a comarca e independentemente da natureza da dívida
inscrita. Maioria. (TRF1, 1T, CC 0051539- 20.2012.4.01.0000/BA, rel. Des.
Federal Novély Vilanova, em 21/11/2012.)

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Se, no domicílio do executado, existir sedede Vara Federal, tem que ser na Vara Federal.
Mesma coisa do benefício previdenciário. Se, no domicílio do segurado ou beneficiário, existir
Vara Federal, tem que ser na Vara Federal.

É por isso que, às vezes, acontece o seguinte: você tem uma Comarca com competência para
benefício previdenciário, a Comarca aplica o art. 109, § 3º. Digamos, Nova Iguaçu, o juiz
Estadual estava investido de competência delegada, não tinha Vara Federal, só que, quando
avisaram que iam instalar Vara Federal na Comarca, o que os juízes estaduais fazem? Eles,
simplesmente, mandam estocar todos os processos para, assim que a Vara Federal for criada,
mandar tudo pra lá.

Então, quando eles criam a Vara Federal, eles já têm que se organizar com o Tribunal de
Justiça: “a partir de agora, nós pegamos, mas o que já estava com o juiz estadual continua”.
Porque se não eles vão parar de mexer nos processos e, assim que a Vara Federal for criada,
eles mandam quinze mil processos de um dia para o outro para lá.

Outra hipótese é a do II, do art. 15 da lei 5.010/66, é a HIPÓTESE ENVOLVENDO


JUSTIFICAÇÕES OU INTERPELAÇÕES OU NOTIFICAÇÕES QUE TENHAM COMO
FINALIDADE PRODUZIR PROVA PERANTE A ADMINISTRAÇÃO FEDERAL, TAMBÉM
PODEM FAZER PARTE DESSE ROL.

Você pode ajuizar a justificação no juiz estadual que ele está investido na jurisdição federal
para praticar os atos pertinentes para que você produza provas perante a administração
federal.

Nessas hipóteses, juiz estadual está investido de jurisdição federal. Nas outras, aplicamos os
parágrafos 1º e 2º, Vara Federal.

PROCESSUAL CIVIL – CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA – AÇÃO


ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL – CONEXÃO COM A CORRESPONDENTE
EXECUÇÃO FISCAL – ALCANCE DA COMPETÊNCIA FEDERAL DELEGADA (ART.
15, I, DA LEI N. 5.010/1.966) – PRECEDENTES.

1. É possível a conexão entre a ação anulatória e a execução fiscal, em


virtude da relação de prejudicialidade existente entre tais demandas,
recomendando-se o simultaneus processus.

2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que


competência federal delegada para processar a ação de execução fiscal
proposta pela Fazenda Nacional (art. 15, I, da Lei n. 5.010/66), SE ESTENDE
TAMBÉM PARA A OPOSIÇÃO DO EXECUTADO, SEJA ELA PROMOVIDA
POR EMBARGOS, SEJA POR AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DA
OBRIGAÇÃO OU DESCONSTITUTIVA DO TÍTULO EXECUTIVO.

[..]

(STJ, AgRg no CC 96.308/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA


SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 20/04/2010)

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CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. FAZENDA


NACIONAL. JUSTIÇA ESTADUAL. EMBARGOS DE TERCEIROS. CONEXÃO. ART.
1.049 DO CPC. ART. 15, I, LEI 5.010/66. ART. 109, § 3º CR/88. COMPETÊNCIA
DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. A DELEGAÇÃO DE QUE TRATA O ART. 15, I,
DA LEI 5.010, DE 1966, PREVISTA NO ART. 109, § 3º DA
CONSTITUIÇÃO, ABRANGE TAMBÉM AS AÇÕES PARALELAS À
EXECUÇÃO FISCAL PROMOVIDA PELA FAZENDA PÚBLICA FEDERAL,
POIS QUEBRARIA TODA A LÓGICA DO SISTEMA PROCESSUAL
DISTRIBUIR A JUÍZOS DIFERENTES A COMPETÊNCIA PARA A AÇÃO E
A COMPETÊNCIA PARA A OPOSIÇÃO. 2. Assim, por imposição do
sistema, é de se entender que o juiz de direito ao qual for delegada a
competência para a ação de execução, será também competente para as
ações decorrentes e anexas a ela. 3. Deve ser observado, também nesses
casos, o disposto no art. 1049 do CPC. 4. Conflito conhecido e declarada a
competência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o suscitado.

(STJ, CC 34.513/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA


SEÇÃO, julgado em 12/11/2003, DJ 01/12/2003, p. 255)

Outras hipóteses de conexão aptas a atrair o foro estadual delegado do federal são as ações
cautelares conexas ao objeto da execução fiscal federal que já corre perante o juízo estadual.
Nesse sentido:

COMPETÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR FISCAL. COMARCA SEM VARA


FEDERAL. INTERESSE DE AGIR. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
PARCELAMENTO POSTERIOR À CONSTRIÇÃO.

Em preliminar, a Turma decidiu que a incompetência relativa para


julgamento de medida cautelar fiscal deve ser arguida por meio de exceção,
no prazo da resposta, sob pena de a matéria ficar preclusa. No caso, a
cautelar foi ajuizada na Justiça Federal com competência territorial sobre a
comarca da sede da empresa. Por força do disposto no art. 109, § 3º, da CF
e art. 15, I, da Lei n. 5.010/1966, a Justiça estadual também seria
competente, por delegação, para apreciar a ação. Em outras palavras, por
tratar-se de competência federal delegada à Justiça estadual, os dois juízos
teriam competência para apreciar a matéria. Nesse contexto, se o
contribuinte tivesse o interesse de ser a ação processada no seu domicílio,
deveria apresentar exceção para que a incompetência territorial fosse
reconhecida. Como a arguição da incompetência foi feita fora do prazo da
resposta, ficou perpetuada a competência do juízo federal. Em outra
preliminar, a Turma entendeu que o parcelamento requerido após a
realização de constrição patrimonial e ajuizamento da execução fiscal não
afeta o interesse de agir do fisco. Assim, se a suspensão da exigibilidade do
crédito em razão do parcelamento for posterior à constrição, ou a garantia
permanece na medida cautelar fiscal, ou se transfere para a execução fiscal,
na qual poderá ser pleiteada a sua substituição, conforme a ordem prevista
no art. 655 do CPC. O que não pode ocorrer é o crédito tributário ficar sem
garantia alguma, já que a constrição foi realizada antes mesmo do pedido de

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parcelamento e já havia execução fiscal em curso. REsp 1.272.414-SC, 2T,


Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24/4/2012.

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CAUTELAR INCIDENTAL. CONEXÃO COM


EXECUÇÃO FISCAL. JUÍZO ESTADUAL. EXTENSÃO DA COMPETÊNCIA FEDERAL
DELEGADA.

A competência federal delegada para processar e julgar a ação de execução


fiscal proposta pela Fazenda Nacional, nos termos do art. 15, I, da Lei
5.010/1966, se estende ao processo cautelar ajuizado incidentalmente
quando há manifesta conexão entre os feitos. Maioria. (TRF1, 4S, CC
0006607-44.2012.4.01.0000/MG, rel. Des. Federal Leomar Amorim, em
14/03/2012.)

Porém, somente se aplica a lei quando for o ente federal exequente, e não o executado. Nesse
sentido:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL AJUIZADA POR


MUNICÍPIO CONTRA EMPRESA PÚBLICA FEDERAL. COMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA FEDERAL.

O art. 15, I, da Lei 5.010/1966, recepcionado pelo art. 109, § 3º da CF, prevê
hipótese de delegação de competência federal à justiça estadual
relativamente a executivos fiscais em que a União ou suas autarquias
figurem como exequentes. NÃO SE ENQUADRA NESSA DELEGAÇÃO A
EXECUÇÃO FISCAL PROMOVIDA POR MUNICÍPIO CONTRA EMPRESA
PÚBLICA FEDERAL. Precedentes. Unânime. (TRF1, CC 0032064-
15.2011.4.01.0000/BA, rel. Des. Federal Reynaldo Fonseca, em 05/10/2011.)

2.13.6.2. Conflitos em Sede Federal


Conflito entre juiz estadual e juiz federal, de quem é a competência para dirimir esse conflito?
Juiz estadual investido de jurisdição federal em conflito com juiz federal, de quem é a
competência para dirimir o conflito? TRF, porque, se o juiz estadual está investido de jurisdição
federal, o conflito com juiz federal só pode ser dirimido pelo TRF.

Se for conflito entre juiz estadual sem jurisdição federal e juiz federal, de quem é a
competência para dirimir o conflito? É do STJ. E se for entre juiz estadual que está negando ter
competência delegada e o juiz federal? Predomina entendimento de que a competência
também é do STJ.

Se o conflito for entre juiz federal e o TRF ao qual ele está subordinado, de quem é a
competência para dirimir o conflito? Não existe conflito, não pode existir conflito, esse juiz
cumpre a determinação desse Tribunal ao qual está subordinado.

Se for entre juiz federal e Tribunal ao qual ele não está sujeito, a competência é do STJ, é como
se fosse conflito entre Tribunais.

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2.14. Prorrogação ou Modificação da Competência

2.14.1. Conceito
As hipóteses de prorrogação de competência previstas no CPC aplicam-se exclusivamente às
regras de competência relativa (arts. 102 e 114, CPC). A única exceção fica por conta da tutela
coletiva, que permite a reunião de demandas conexas mesmo com a determinação de
competência absoluta do local do dano.

Havendo para uma determinada situação uma regra modificadora de competência, o órgão
jurisdicional que era abstratamente incompetente poderá no caso concreto se tornar
competente, enquanto aquele apontado como competente pela regra determinadora tornar-
se-á concretamente incompetente. Logo, isso é prorrogar a competência, fazer um órgão não
competente abstratamente ser competente concretamente, em função de uma hipótese
prevista em lei ou voluntária21.

Costuma-se dividir as espécies de prorrogação de competência em:

a) Prorrogação legal:

i. Por conexão;

ii. Por continência;

iii. Por ausência de oposição de exceção de incompetência relativa.

b) Prorrogação voluntária:

i. Cláusula de eleição de foro;

ii. Prorrogação por vontade unilateral do autor.

A conexão/continência preferem à ausência de oposição de exceção, que prefere à cláusula de


eleição de foro, nessa ordem, em caso de conflito das normas de prorrogação da competência.

2.14.2. Prorrogação Legal

2.14.2.1. Conexão e Continência

2.14.2.1.1. Conceito
Ambas são espécies de relação entre causas, quando elas não são idênticas (caso contrário
CONEXÃO E
haveria litispendência), mas são semelhantes em função de seus elementos.
CONTINÊNCIA SÃO FATOS, NÃO SE CONFUNDINDO COM OS EFEITOS
JURÍDICOS QUE PODEM GERAR (modificação da competência com reunião das causas
num mesmo juízo).

21
É diferente da prevenção da competência. O que é a prevenção da competência? Prevenção da
competência é o critério, é o meio utilizado para definir qual dentre os juízos competentes irá processar
e julgar as demandas conexas.
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É perfeitamente possível que exista conexão/continência sem a verificação de seus efeitos,


caso pendentes, v.g., causas conexas em juízos com competência absoluta distinta.

Embora tenham pressupostos diversos, elas têm idêntico tratamento normativo.

A conexão está prevista no art. 103, CPC:

Art. 103. Reputam-se conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o
objeto ou a causa de pedir.

O artigo, na verdade, define uma hipótese restrita de conexão. Porém, ela é incompleta, sendo
a conexão fenômeno mais amplo do que o legalmente posto. Existem as seguintes teorias:

a) Teoria tradicional: adotada pelo CPC.

b) Teoria de Carnelutti: para que as demandas sejam conexas, bastará que ambas sejam
sede de discussões acerca de determinadas razões de fato e de direito comuns.

c) Teoria materialista: defende que as causas são conexas quando decidirem mesma
relação de direito material, ainda que sob enfoques diversos. A consequência de sua
adoção é a garantia de julgamentos uniformes e a economia processual. É a teoria
adotada na prática e na jurisprudência.

A conexão ocorre quando existe comunhão entre o objeto que nós conhecemos com o nome
de pedido ou entre a causa de pedir. A comunhão pode existir entre um desses elementos,
pedido ou causa de pedir, ou ela pode existir entre os dois elementos. Pode ser que em duas
ou mais demandas você tenha simultaneamente conexão com base no pedido e na causa de
pedir, não há problema nenhum, mas um desses elementos sendo comum a duas ou mais
demandas, você já teria caracterizada a conexão, não são necessários ambos os elementos
para que fique caracterizada a conexão.

A conexão deve ser definida à luz do direito material, defendendo Didier uma concepção ainda
mais ampla do instituto, no sentido de se reunirem causas ainda que sejam apenas
semelhantes, como ocorreria com ações diferentes em que, v.g., pede-se a declaração da
paternidade e, noutra, alimentos.

Por isso mesmo entende a doutrina que a identidade de causa de pedir pode ser parcial, não
precisa ser total, bastando que um de seus elementos seja coincidente para que haja conexão
entre as ações.

ADMITE-SE A REUNIÃO DE PROCESSOS EM RAZÃO DA CONEXÃO POR


PREJUDICIALIDADE, INCLUSIVE ENTRE AÇÃO DE CONHECIMENTO E AÇÃO EXECUTIVA,
SENDO ESSA A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ.

PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PROCESSO JUDICIAL


TRIBUTÁRIO. EXACIONAL (EXECUÇÃO FISCAL) X ANTIEXACIONAL (AÇÃO
DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA DA

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QUAL DEFLUI O DÉBITO EXECUTADO). CONEXÃO. ARTIGO 103, DO CPC.


REGRA PROCESSUAL QUE EVITA A PROLAÇÃO DE DECISÕES INCONCILIÁVEIS.

1. A propositura de qualquer ação relativa ao débito constante do título


executivo não inibe o credor de promover-lhe a execução (§ 1º, do artigo
585, do CPC).

2. A finalidade da regra é não impedir a execução calcada em título da dívida


líquida e certa pelo simples fato da propositura da ação de cognição, cujo
escopo temerário pode ser o de obstar o processo satisfativo
desmoralizando a força executória do título executivo.

3. À luz do preceito e na sua exegese teleológica, colhe-se que a recíproca


não é verdadeira, vale dizer: proposta a execução torna-se despiscienda e,
portanto, falece interesse de agir a propositura de ação declaratória
porquanto os embargos cumprem os desígnios de eventual ação
autônoma.

4. Conciliando-se os preceitos, tem-se que, PRECEDENDO A AÇÃO


ANULATÓRIA À EXECUÇÃO, AQUELA PASSA A EXERCER PERANTE ESTA
INEGÁVEL INFLUÊNCIA PREJUDICIAL A RECOMENDAR O SIMULTANEUS
PROCESSUS, posto conexas pela prejudicialidade, forma expressiva de
conexão a recomendar a reunião das ações, como expediente apto a evitar
decisões inconciliáveis.

5. O juízo único é o que guarda a mais significativa competência funcional


para verificar a verossimilhança do alegado na ação de conhecimento e
permitir prossiga o processo satisfativo ou se suspenda o mesmo.

6. Refoge à razoabilidade permitir que a ação anulatória do débito caminhe


isoladamente da execução calcada na obrigação que se quer nulificar, por
isso que, exitosa a ação de conhecimento, o seu resultado pode frustrar-se
diante de execução já ultimada (Recentes precedentes desta Corte sobre o
tema: REsp 887607/SC, Relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma,
publicado no DJ de 15.12.2006; REsp 722303/RS, desta relatoria, Primeira
Turma, publicado no DJ de 31.08.2006; REsp 754586/RS, Relator Ministro
Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, publicado no DJ de 03.04.2006).

7. In casu, a execução fiscal restou ajuizada enquanto pendente a ação


declaratória da inexistência da relação jurídica tributária, o que reclama a
remessa dos autos executivos ao juízo em que tramita o pleito ordinário, em
razão da patente conexão.

8. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo da 7ª Vara


Federal de Campinas/SP.

(STJ, CC 81.290/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em


12/11/2008, DJe 15/12/2008)

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CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL E AÇÃO DECLARATÓRIA.


CONEXÃO. RISCO DE DECISÕES CONFLITANTES. COMPETÊNCIA DA VARA
ESPECIALIZADA EM EXECUÇÕES FISCAIS.

É competente a vara federal especializada em execuções fiscais para o


julgamento das ações que lhes sejam conexas, consoante o disposto no art.
103 do CPC. Unânime. (TRF1, 4S, CC 0029032-65.2012.4.01.0000/MG, rel.
Des. Federal Catão Alves, em 15/08/2012.)

Já a CONTINÊNCIA vem tratada no art. 104, CPC:

Art. 104. Dá-se a continência entre duas ou mais ações sempre que há
identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por
ser mais amplo, abrange o das outras.

A doutrina defende que continência nada mais é do que uma espécie de conexão.

Suponha duas demandas. Uma demanda de João em face de Maria, com base na causa de
pedir X, formulando o pedido A. Uma segunda demanda de João em face de Maria, com base
na causa de pedir X formulando os pedidos A, B e C.

Qual das duas varas está preventa para reunião, processamento e julgamento das duas? Como
vocês vão saber se eu não dei data nenhuma? Quais são os critérios de prevenção? Despacho
liminar positivo e citação válida.

O fato de possuir um pedido mais amplo é critério de prevenção? Não. Embora, na


jurisprudência se encontre vários acórdãos dizendo que, se é mais amplo, está prevento. Isso
não é critério de prevenção. Critérios de prevenção são aqueles do art.106 e 219 CPC.

Art. 106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a
mesma competência territorial, considera-se prevento aquele que
despachou em primeiro lugar.

Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz
litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui
em mora o devedor e interrompe a prescrição. (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1º.10.1973)

Quando a demanda chegar ao juízo continente, por que ele não pode extinguir aquela que
está contida no processo mais amplo? Qual o motivo jurídico, legal?

Porque não se pode extinguir o processo que deu origem à prevenção. Se a prevenção tem
origem nesse processo, como é que você vai extinguir o processo que deu origem à sua
prevenção? Foi ele que lhe permitiu ser prevento, você não pode extinguir o processo que lhe
permitiu ser prevento. Você tem que processar, tem que dar andamento a ele. Esse é o motivo
jurídico.

Sobre a continência, há súmula relacionada ao processo coletivo:

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Súmula 489, STJ: “Reconhecida a continência, devem ser reunidas na Justiça Federal as ações
civis públicas propostas nesta e na Justiça estadual”. Isso porque a competência da Justiça
Federal é absoluta. Se há interesse federal envolvido e presente a conexão, não cabe ao juízo
estadual suscitar competência, tão simplesmente remeter os autos à JF, em decorrência do
art. 109 da CR/88. Esclarecedor, quanto á súmula, o julgado abaixo:

CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA (JUSTIÇA


FEDERAL). AÇÃO CAUTELAR (JUSTIÇA ESTADUAL). DANOS AO MEIO
AMBIENTE. CONEXÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.

1. Hipótese em que o Parquet federal e o Ministério Público do Estado do


Rio de Janeiro, individual e respectivamente, ajuizaram Ação Civil Pública
(Justiça Federal) e Ação Cautelar com base na mesma situação jurídica:
edificação supostamente irregular em imóvel localizado em área sujeita à
proteção ambiental.

2. A concorrência de atribuições administrativas relacionadas às medidas de


fiscalização ambiental deu ensejo à propositura de demandas similares nas
Justiças Comum e Federal.

3. Havendo, porém, inequívoca conexão entre as causas, impõe-se a reunião


no mesmo juízo, para o fim de evitar decisões conflitantes.

4. A competência da Justiça Federal, disciplinada no art. 109, I, da


Constituição, é fixada em razão da pessoa. Um dos fatores que a justificam,
portanto, é a presença do Ibama, réu na Ação Civil Pública proposta pelo
Ministério Público Federal.

5. Ademais, o princípio federativo impede que a União ou suas autarquias


fiquem sujeitas à jurisdição comum. Precedente do STJ.

6. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo Federal.

(CC 78.058/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado


em 24/11/2010, DJe 01/02/2011)

2.14.2.1.2. Objetivos
Conexão e continência visam à economia processual e à harmonização dos julgados.
Entretanto, a economia deve ser considerada de forma secundária, visto que nem sempre
ocorre; pelo contrário, a reunião de processos distintos num único juízo pode causar ainda
mais demora.

Entretanto, necessária é, já que a prolação de decisões conflitantes pela Justiça acaba por
minar sua legitimidade e a confiança que deveria ensejar.

Logo, o objetivo primário dos institutos é evitar julgamentos contraditórios.

2.14.2.1.3. Obrigatoriedade ou Facultatividade?


De acordo com o art. 105 do CPC

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Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de


qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em
separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente.

Entretanto, o texto da lei não é suficiente. Apesar de parcela da doutrina defender que a
reunião é regra cogente quando houver identidade entre alguns dos elementos da ação, não
deve ocorrer a aplicação automática da reunião dos feitos, somente devendo se dar quando o
juiz verificar que efetivamente haverá harmonização dos julgados e economia processual.

Alexandre Câmara e Luiz Fux defendem que a reunião é obrigatória para evitar decisões
contraditórias e é facultativa no caso de economia processual.

A corrente majoritária, entretanto, defende que ela é sempre facultativa.

Obrigatória ou não, O TRATAMENTO DA CONEXÃO EM MATÉRIA PROCESSUAL É DE


ORDEM PÚBLICA, O QUE JUSTIFICA LEGITIMIDADE PLENA E AMPLA PARA
ARGUI-LA (de ofício, pelas partes, pelo MP, por terceiros intervenientes).
Ela NÃO ESTÁ SUJEITA À PRECLUSÃO, não havendo prazo e tampouco forma específica
para sua alegação no processo. Ademais, NÃO SE SUSPENDE O PROCESSO PARA SUA
ANÁLISE; por fim, se o juiz desrespeitar a regra de conexão, mesmo que evidente, NÃO
HAVERÁ NULIDADE DE IMEDIATO, devendo a parte recorrente provar o prejuízo
decorrente da não reunião dos processos para que a decisão possa ser anulada.

Há, entretanto, problema se a parte quiser alegar conexão com processo que já foi decidido,
processo findo. Tem uma súmula do STJ, 235.

Súmula 235, STJ: “A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi
julgado”.

Se um dos processos já foi julgado e um ainda está sendo processado, não tem mais como
reunir.

Cuidado: essa reunião pode ser determinada nos Tribunais. Por exemplo, está em fase de
apelação, ninguém havia identificado conexão até então. Foi identificado, agora, na fase de
apelação, logo, as apelações podem ser reunidas. Podem ser reunidos os recursos especiais,
podem ser reunidos os recursos extraordinários. Não tem problema nenhum, DESDE QUE
OS PROCESSOS ESTEJAM NA MESMA INSTÂNCIA.

2.14.2.1.4. Competência na Conexão


Se duas demandas já foram propostas e estão em andamento, isso significa que elas estão em
duas varas, dois juízos diferentes. Assim, será necessário definir qual o juízo competente.

Digamos que a primeira demanda está na décima primeira vara cível federal do Rio de Janeiro,
a segunda demanda está na vigésima quinta vara cível federal do RJ. Qual é o critério utilizado

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para se definir qual das duas varas é a competente para o julgamento e processamento das
duas causas? É a chamada prevenção.

A prevenção é um meio, é um critério através do qual será definido qual, dentre esses juízos, é
o competente para o processamento e julgamento de ambas as causas.

O CPC trata da prevenção no art.106.

Art. 106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a
mesma competência territorial, considera-se prevento aquele que
despachou em primeiro lugar.

É qualquer despacho? Não. É o que se chama de despacho liminar positivo ou, simplesmente,
é o que nós conhecemos como “cite-se”.

Quando o juiz determina a citação do réu é que torna prevento o juízo, desde que os juízes
estejam no mesmo foro, possuam a mesma competência territorial. Se a competência
territorial for diferente, será competente aquele no qual primeiro ocorreu a citação válida, ou
seja, naquele em que primeiro foi juntado aos autos o mandado citatório cumprido.
Mesma competência territorial Competente o que despacha primeiro
Competência territorial diferente Competente o que faz a citação válida
E se a citação válida nos dois juízos se deu na mesma data? Aí deve prevalecer o primeiro
critério, do despacho positivo (cite-se). E se a data do despacho é a mesma? Prevalece a data
da distribuição. E se essa for a mesma? Prevalece o horário de registro da distribuição. E se
ainda forem iguais? Se mata!

O STJ publicou uma súmula referente à competência na conexão entre ações civis públicas
movidas pelo MPE e pelo MPF:

Súmula 489, STJ: “Reconhecida a continência, devem ser reunidas na Justiça Federal as ações
civis públicas propostas nesta e na Justiça estadual”. Isso porque a competência da Justiça
Federal é absoluta. Se há interesse federal envolvido e presente a conexão, não cabe ao juízo
estadual suscitar competência, tão simplesmente remeter os autos à JF, em decorrência do
art. 109 da CR/88. Esclarecedor, quanto á súmula, o julgado abaixo:

CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA (JUSTIÇA


FEDERAL). AÇÃO CAUTELAR (JUSTIÇA ESTADUAL). DANOS AO MEIO
AMBIENTE. CONEXÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.

1. Hipótese em que o Parquet federal e o Ministério Público do Estado do


Rio de Janeiro, individual e respectivamente, ajuizaram Ação Civil Pública
(Justiça Federal) e Ação Cautelar com base na mesma situação jurídica:
edificação supostamente irregular em imóvel localizado em área sujeita à
proteção ambiental.

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2. A concorrência de atribuições administrativas relacionadas às medidas de


fiscalização ambiental deu ensejo à propositura de demandas similares nas
Justiças Comum e Federal.

3. Havendo, porém, inequívoca conexão entre as causas, impõe-se a reunião


no mesmo juízo, para o fim de evitar decisões conflitantes.

4. A competência da Justiça Federal, disciplinada no art. 109, I, da


Constituição, é fixada em razão da pessoa. Um dos fatores que a justificam,
portanto, é a presença do Ibama, réu na Ação Civil Pública proposta pelo
Ministério Público Federal.

5. Ademais, o princípio federativo impede que a União ou suas autarquias


fiquem sujeitas à jurisdição comum. Precedente do STJ.

6. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo Federal.

(CC 78.058/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado


em 24/11/2010, DJe 01/02/2011)

2.14.2.1.5. Distinção entre Alegação de Modificação de Competência e Alegação de


Incompetência Relativa
ALEGAÇÃO DE MODIFICAÇÃO DE
ALEGAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA
COMPETÊNCIA RELATIVA POR
RELATIVA
CONEXÃO/CONTINÊNCIA
Qualquer das partes pode suscitar,
Legitimidade além de o órgão jurisdicional poder Somente o réu pode suscitar.
conhecê-la de ofício.
Remessa dos autos ao juízo Remessa dos autos ao juízo
Efeito do acolhimento
prevento. relativamente competente.
No bojo da petição inicial ou
Forma de alegação contestação, por simples petição Exceção instrumental.
ou até mesmo oralmente.
Enquanto o processo estiver No primeiro momento que couber
Momento
pendente. ao réu falar nos autos.

2.14.2.2. Ausência de Ingresso pelo Réu de Exceção Declinatória de Foro


É uma causa de prorrogação legal de competência, conforme o seguinte dispositivo do CPC:

Art. 114. Prorrogar-se-á a competência se dela o juiz não declinar na forma


do parágrafo único do art. 112 desta Lei ou o réu não opuser exceção
declinatória nos casos e prazos legais. (Redação dada pela Lei nº 11.280, de
2006)

Não é causa de prorrogação voluntária, porque é impossível presumir, na omissão da parte, a


manifestação de uma vontade. Não interessa no caso concreto o motivo que levou o réu a não
excepcionar o juízo, a prorrogação corre por determinação legal. É um fato processual em
sentido estrito.

Ademais, o juiz que era relativamente incompetente passará a ser competente no caso
concreto.
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2.14.3. Prorrogação Voluntária

2.14.3.1. Eleição de Foro


A validade da cláusula eletiva de foro está limitada às ações oriundas de direitos e obrigações,
o que significa dizer que só se admite cláusula de eleição de foro nas demandas fundadas em
direito obrigacional.

A cláusula deverá ser necessariamente escrita, indicando um negócio jurídico específico (não
é válida cláusula que estabeleça que todas as demandas envolvendo os sujeitos serão
decididas em determinado foro).

Ademais, evidentemente que a eleição de foro somente pode modificar competência relativa,
nunca absoluta.

Art. 111. A competência em razão da matéria e da hierarquia é inderrogável


por convenção das partes; mas estas podem modificar a competência em
razão do valor e do território, elegendo foro onde serão propostas as ações
oriundas de direitos e obrigações.

§ 1o O acordo, porém, só produz efeito, quando constar de contrato escrito


e aludir expressamente a determinado negócio jurídico.

§ 2o O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.

Deve-se tomar cuidado com o caput do dispositivo acima, já que a modificação da


competência por eleição poderá se dar somente em caso de competência em razão do valor e
do território, mas nem sempre poderá ser modificada, ainda que fundada nesses critérios
(caso da competência territorial absoluta).

2.14.3.2. Vontade Unilateral do Autor


Trata-se daquelas hipóteses em que o autor possui a faculdade de propor uma ação, por
exemplo, no foro de seu domicílio, ou no do réu (foro geral). Nesse caso e em casos
semelhantes, ainda que o autor devesse utilizar a prerrogativa legal que lhe foi conferida,
poderá ele afastá-la, fazendo tornar-se competente o foro do domicílio do réu.

2.15. Prevenção
A prevenção é CRITÉRIO DE EXCLUSÃO DOS DEMAIS JUÍZOS COMPETENTES DE UM MESMO
FORO ou tribunal, não sendo uma forma de prorrogação ou determinação da competência.

Veja então que prevenção é algo diametralmente oposto da prorrogação de competência:


ENQUANTO A PREVENÇÃO EXCLUI OS DEMAIS JUÍZOS TAMBÉM COMPETENTES, A
PRORROGAÇÃO TORNA COMPETENTE UM JUÍZO , A PRIORI, RELATIVAMENTE
INCOMPETENTE.

A prevenção funciona como mecanismo de integração em casos de conexão, sendo o


instrumento de fixação do juízo no qual serão reunidas as causas conexas, dentre vários
abstratamente competentes, independentemente da data de ajuizamento das mesmas.

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O CPC traz duas regras de prevenção, que tratam de situações diferentes:

a) Se a conexão se der em juízos de comarcas diversas, prevento será aquele em que


tenha havido a primeira citação válida (art. 219, CPC);

b) Se a conexão se der em juízos da mesma comarca, prevento será o juiz que despachou
em primeiro lugar (art. 106, CPC).

Importante ter em mente que a prevenção não ocorrerá se uma das causas já foi julgada.

PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CONEXÃO. PREVENÇÃO.


DESPACHO QUE ORDENA A CITAÇÃO. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL
POSITIVO. CPC, ARTS. 106 E 219.

1. Nos termos do art. 106 do CPC, "correndo em separado ações conexas


perante juízes que têm a mesma competência territorial, considera-se
prevento aquele que despachou em primeiro lugar".

O
2. De acordo com entendimento doutrinário e jurisprudencial,
DESPACHO QUE GERA A PREVENÇÃO É O PRIMEIRO
PRONUNCIAMENTO JUDICIAL POSITIVO QUE ORDENA A
CITAÇÃO.

3. No caso dos autos, o Juízo suscitante despachou em primeiro lugar,


porém, tal despacho, de conteúdo meramente ordinatório, apenas
concedeu vista dos autos ao Réu, nada decidiu, portanto. Por sua vez, o
Juízo suscitado deferiu pedido de liminar e determinou a citação do Réu,
razão por que é ele o Juízo prevento.

4. Conflito conhecido e julgado procedente para declarar competente o


Juízo Federal suscitado da 4ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal.

(TRF1, CC 2008.01.00.038756-0/DF, Rel. Desembargador Federal Fagundes


De Deus, Conv. Juiz Federal César Augusto Bearsi (conv.), Terceira Seção,e-
DJF1 p.39 de 03/11/2008)

Assim, veja que é importante saber o conteúdo do despacho do juiz, não sendo qualquer
manifestação que serve para fixar a competência por prevenção.

2.16. Conflito de Competência


Ocorre quando dois ou mais juízes se declaram competentes para julgar determinada causa
(conflito positivo, art. 115, I, CPC) ou quando se declaram incompetentes (conflito negativo,
art. 115, II, CPC).

Somente pode haver conflito se ainda não houver sido julgada uma das causas; não haverá
conflito, também, entre juízos de hierarquia diferentes, quando o de menor hierarquia estiver
subordinado, quanto aos recursos de suas decisões, ao tribunal.

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Súmula 254, STJ: “A decisão do Juízo Federal que exclui da relação processual ente federal não
pode ser reexaminada no Juízo Estadual”. Aqui não há conflito de competência, pois o juízo
estadual simplesmente não tem competência para examinar esta matéria.

Súmula 235, STJ: “A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi
julgado”.

Súmula 224, STJ: “Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a
declinar da competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e não suscitar conflito”.

Súmula 150, STJ: “Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que
justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas”.

Súmula 59, STJ: “Não há conflito de competência se já existe sentença com trânsito em julgado,
proferida por um dos juízos conflitantes”.

Súmula 59, STJ: “TRF não é competente para julgar recurso de decisão proferida por juiz
estadual não investido de jurisdição federal”.

CC. DECISÕES CONFLITANTES. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. ART. 115 DO


CPC.

A Seção reafirmou o entendimento de que é suficiente para caracterizar o


conflito de competência a mera possibilidade ou risco de que sejam
proferidas decisões conflitantes por juízes distintos, consoante
interpretação extensiva dada por esta Corte ao artigo 115 do CPC. Na
hipótese, busca a suscitante – sob alegação de evitar decisões conflitantes –
a suspensão do decisum proferido pela Justiça estadual que determinou a
imissão na posse dos terceiros que arremataram o imóvel litigioso, uma vez
que, na Justiça Federal, questiona-se a validade do contrato de
financiamento do referido bem, realizado com a Caixa Econômica Federal.
Inicialmente, destacou-se não ser possível reunir os processos por conexão,
diante da impossibilidade de modificação da competência absoluta. Em
seguida, reconhecida a existência de prejudicialidade entre as demandas,
determinou-se, nos termos do art. 265, IV, a, do CPC, a suspensão da ação
de imissão na posse proposta no juízo estadual pelos arrematantes do
imóvel em hasta pública. Precedentes citados: MS 12.481-DF, DJe 6/8/2009,
e EREsp 936.205-PR, DJe 12/3/2009. AgRg no CC 112.956-MS, 2S, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 25/4/2012.

2.16.1. Legitimidade e Participação do MP


Podem suscitar o conflito o juiz, membro do MP ou qualquer das partes. Se o MP não o tiver
suscitado, deverá obrigatoriamente ser ouvido.

A parte não poderá suscitar o conflito se já tiver interposto exceção declinatória de foro.

Art. 117. Não pode suscitar conflito a parte que, no processo, ofereceu
exceção de incompetência.

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123

Parágrafo único. O conflito de competência não obsta, porém, a que a parte,


que o não suscitou, ofereça exceção declinatória do foro.

Entretanto, caso o motivo da incompetência seja superveniente, poderá ser suscitado o


conflito. A DOUTRINA DEFENDE QUE O QUE NÃO SE PODE FAZER É A UTILIZAÇÃO
SIMULTÂNEA DE AMBOS OS MEIOS DE CONTROLE DA COMPETÊNCIA; SE FOREM
SUCESSIVOS, PODE.

2.16.2. Competência para Julgar o Conflito


Será sempre de um tribunal. Deve-se verificar na Constituição as regras estabelecidas.
Importante mesmo saber das recentes decisões:

Compete ao TRF o julgamento de conflito de competência estabelecido


entre Juizado Especial Federal e juiz de primeiro grau da Justiça Federal da
mesma Seção Judiciária. (STF, Plenário, RE 590.409/RJ)

Se o JEF e o juiz de primeiro grau forem de seções judiciárias distintas, a competência será do
STJ.

2.16.3. Procedimento
Deverá o conflito ser suscitado por PETIÇÃO DIRIGIDA AO PRESIDENTE DO
TRIBUNAL competente, já acompanhada a inicial dos documentos necessários à prova do
conflito. Após distribuição para um relator, este deverá SOBRESTAR o feito, indicando qual o
juízo que deverá praticar atos urgentes enquanto o incidente não for decidido (ainda que o
conflito seja negativo).

Todos os atos já praticados, como, v.g., liminares concedidas, continuarão a gerar efeitos.

O relator poderá decidir liminarmente o conflito se houver jurisprudência dominante do


tribunal sobre a questão suscitada, decisão esta que poderá ser combatida por agravo interno.

No julgamento do conflito, o tribunal declarará qual aquele competente, PODENDO,


INCLUSIVE, SER DIFERENTE DAQUELES ENVOLVIDOS NO CONFLITO. Além disso, declarará
sobre a validade dos atos praticados pelo juiz incompetente, sempre levando em conta o
princípio da instrumentalidade das formas.

O conflito sempre terá natureza declaratória, visto não constituir qualquer nova situação
jurídica.

2.17. Observações de Provas


1. TRF1 – XIV – CESPE – QUESTÃO 43. Se o órgão competente tiver jurisdição nacional,
não será obrigatória a apresentação, com a inicial do mandado de segurança coletivo,
de relação nominal e endereço dos associados substituídos22.

22
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROCURADORES DO TRABALHO.
COMPOSIÇÃO DOS TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DA
REPRESENTAÇÃO CLASSISTA NA JUSTIÇA LABORAL. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 24/99. VAGAS
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124

2. TRF1 – XII – QUESTÃO 75. Havendo conflito de competência entre Tribunal de Justiça e
TRF, competirá ao STJ resolvê-lo, PODENDO O MINISTRO RELATOR JULGAR DE
FORMA MONOCRÁTICA, NA HIPÓTESE DE A MATÉRIA SUSCITADA SER
JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO TRIBUNAl, sendo-lhe facultativo ser ouvido o MP.

3. TRF2 – XIII – CESPE – QUESTÃO 44. É da justiça federal a competência para processar e
julgar execução de dívida ativa inscrita pela fazenda nacional para cobrança de custas
processuais23 oriundas de reclamatória trabalhista.

4. TRF3 – XVI – CESPE – QUESTÃO 46. É de competência da Justiça Federal a ação de


alimentos proposta em favor de alimentando residente em outro país contra
alimentante residente no Brasil, conforme a Convenção de Nova Iorque.

5. TRF4 – XIV – QUESTÃO 51. Compete à Justiça estadual julgar causas entre consumidor
e concessionária de serviço público de telefonia quando a Anatel não for litisconsorte
passiva necessária, assistente ou opoente.

6. TRF4 – XIII – QUESTÃO 69. A competência da autoridade judicial brasileira para julgar
causas relativas a imóveis situados no Brasil é chamada de “internacional exclusiva”.

7. TRF4 – XII – QUESTÃO 61. Em ação proposta por particular, a exclusão, pelo juiz
federal, de empresa pública federal, litisconsorte passiva, remanescendo na lide
apenas sociedade de economia mista, desloca a competência para a Justiça estadual,
não se aplicando a regra da perpetuatio jurisdictionis.

8. TRF4 – XII – QUESTÃO 61. Em execução fiscal movida na Justiça estadual pela Fazenda
Nacional, opostos embargos de terceiros pela CEF, a competência para julgamento
destes, segundo entende o STJ, será da Justiça Estadual, pois que compreendida a

DESTINADAS A ADVOGADOS E MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. CRITÉRIO DE


PROPORCIONALIDADE. 1 - Legitimidade do Presidente da República para figurar no polo passivo do writ,
tendo em vista ser ele o destinatário da lista tríplice prevista no § 2º do art. 111 da Constituição Federal,
visando ao provimento dos cargos em questão. Precedente: MS nº 21.632, rel. Min. Sepúlveda Pertence.
2 - Não aplicação, ao mandado de segurança coletivo, da exigência inscrita no art. 2º-A da Lei nº
9.494/97, de instrução da petição inicial com a relação nominal dos associados da impetrante e da
indicação dos seus respectivos endereços. Requisito que não se aplica à hipótese do inciso LXX do art. 5º
da Constituição. Precedentes: MS nº 21.514, rel. Min. Marco Aurélio, e RE nº 141.733, rel. Min. Ilmar
Galvão. 3 - Composição do Tribunal Superior do Trabalho. Proporcionalidade. Emenda nº 24/99. Artigos
111, § 1º, 94 e 115, caput da Constituição Federal. Por simetria com os TRF's e todos os demais tribunais
de grau de apelação, as listas tríplices haverão de ser extraídas das listas sêxtuplas encaminhadas pelos
órgãos representativos de ambas as categorias, a teor do disposto no art. 94, in fine. A regra de escolha
da lista tríplice, independentemente de indicação pelos órgãos de representação das respectivas classes
é restrita aos tribunais superiores (TST e STJ). Não procede a pretensão da impetrante de aplicar aos
Tribunais Regionais do Trabalho a regra especial de proporcionalidade estatuída pelo § 1º do art. 111 da
Constituição, alusiva ao Tribunal Superior do Trabalho. Segurança denegada. (MS 23769, Relator(a):
Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/04/2002, DJ 30-04-2004 PP-00033 EMENT VOL-
02149-07 PP-01231 RTJ VOL-00191-02 PP-00519)
23
Isso porque se trata de taxa por serviço público prestado pela União.
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125

ação incidental nominada no âmbito da competência federal delegada e as demais


ações conexas24.

9. TRF5 – XI – CESPE – QUESTÃO 45. O interesse jurídico do ente submetido à


competência da justiça federal é avaliado pelo juiz federal, PODENDO O PROTESTO
PELA PREFERÊNCIA DE CRÉDITO APRESENTADO POR ENTE FEDERAL EM EXECUÇÃO
QUE TRAMITE NA JUSTIÇA ESTADUAL DESLOCAR A COMPETÊNCIA PARA A JUSTIÇA
FEDERAL, SE ASSIM ENTENDER O JUIZ FEDERAL25.

10. MPF – XXVI – 2012 – QUESTÃO 81. Quanto às regras de competência, é correto afirmar
que o juizo é um órgão jurisdicional que se coloca dentro do foro competente, o qual
diz respeito ao território em que é exercida a jurisdição.

11. MPF – XXV – 2011 – QUESTÃO 90. Em geral o princípio da perpetuatio iurisdictionis
visa proteger o autor da demanda, quando é fixada pela regra geral, mas pode
proteger o réu em determinadas situações26.

12. MPF – XXV – 2011 – QUESTÃO 90. Havendo extinção do órgão jurisdicional, é possível
a não aplicação do princípio da perpetuatio iurisdictionis, devendo a causa ser julgada
pelo órgão que o substituiu.

13. EMAGIS – 2012/23 – QUESTÃO 11. Alberto ajuizou ação indenizatória contra seu ex-
empregador em razão de acidente de trabalho, pleiteando compensação por danos
materiais e morais. A ação foi ajuizada em 17/03/2004. Reputando-se incompetente
para processar e julgar a demanda, o Juiz Estadual da Comarca de Alô Brasil/MT
declinou de sua competência para a Justiça do Trabalho desta mesma localidade, cujo
magistrado, por sua vez, suscitou conflito negativo de competência perante o STJ,
decidido em 1º/04/2009, em acórdão transitado em julgado que deu pela
competência da Justiça Estadual. Retornados os autos ao Juízo Estadual - o suscitante,
este, mais uma vez, em 03/12/2009, declinou da competência para a Justiça

24
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. FAZENDA NACIONAL. JUSTIÇA ESTADUAL.
EMBARGOS DE TERCEIROS. CONEXÃO. ART. 1.049 DO CPC. ART. 15, I, LEI 5.010/66. ART. 109, § 3º CR/88.
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. A delegação de que trata o art. 15, I, da Lei 5.010, de 1966,
prevista no art. 109, § 3º da Constituição, abrange também as ações paralelas à execução fiscal
promovida pela Fazenda Pública Federal, pois quebraria toda a lógica do sistema processual distribuir
a juízos diferentes a competência para a ação e a competência para a oposição. 2. Assim, por
imposição do sistema, é de se entender que o juiz de direito ao qual for delegada a competência para
a ação de execução, será também competente para as ações decorrentes e anexas a ela. 3. Deve ser
observado, também nesses casos, o disposto no art. 1049 do CPC. 4. Conflito conhecido e declarada a
competência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o suscitado.
(CC 34.513/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/11/2003, DJ
01/12/2003, p. 255)
25
Em regra, o protesto não desloca. Mas nesse caso, a questão trouxe explícito que o juiz federal
entendeu haver elemento concreto apto a ensejar o deslocamento.
26
Isso porque a ação geralmente é proposta no domicílio do réu. Se este se mudar, não altera a
competência. No entanto, se o autor tinha a faculdade de propor a ação em seu domicílio, mas ajuíza no
do réu, não pode depois voltar atrás.
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126

Trabalhista. Nesse caso, nenhum equívoco foi cometido pelo Juiz Estadual com essa
sua segunda decisão27.

14. EMAGIS – 2012/23 – QUESTÃO 11. Joana ajuizou reclamatória trabalhista contra sua
ex-empregadora. Proferida sentença de procedência, transitada em julgado, o valor da
execução chegou a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Não satisfeita, Joana pretende
aforar nova ação contra sua ex-empregadora, agora para pleitear a restituição dos
honorários advocatícios contratuais desembolsados com vistas ao patrocínio da
anterior reclamatória trabalhista. Nessa hipótese, segundo recente posicionamento do
STJ, essa nova ação deverá ser ajuizada perante a Justiça do Trabalho28.

15. EMAGIS – 2012/22 – QUESTÃO 11. O julgamento de ação movida por particular,
usuário de serviço de telefonia, contra concessionária de serviço público federal, em
que se discuta ser indevida a cobrança de pulsos além da franquia, será da
competência da justiça estadual, carecendo de legitimidade para compor o pólo
passivo a Agência Nacional de Telecomunicações, por não figurar na relação jurídica de
consumo.

16. EMAGIS – 2012/22 – QUESTÃO 11. Dispõe o art. 90 do CPC que “A ação intentada
perante tribunal estrangeiro não induz litispendência, nem obsta que a autoridade
judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas”. Vale dizer, se
o Judiciário brasileiro for competente para julgar uma demanda, o fato de a ação já ter

27
O ponto de partida para sua análise é a Súmula Vinculante n. 22, a apregoar que "A Justiça do
Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais
decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas
que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda
Constitucional nº 45/04". Esse verbete sumular, importa notar, somente foi editado após deliberação do
plenário do Supremo em 02/12/2009.
No caso, relevantíssimo também lembrar que a EC 45/04 passou a viger em 31/12/2004. Assim, embora
a ação ajuizada por Alberto, em 17/03/2004, o tenha sido antes da promulgação da EC 45/04, verdade é
que não se tem notícia de que houvesse sido prolatada sentença anteriormente a 31/12/2004. Desse
modo, a competência, na espécie, recai na Justiça do Trabalho, em atendimento à posição sufragada
pelo STF na Súm. Vinc. 22.
Por outro lado, o fato de já ter sido decidido pelo STJ, em 1º/04/2009, pela competência da Justiça
Estadual, não impede que o Juiz de Direito da Comarca de Alô Brasil/MT, no caso, tornasse a declinar da
competência para a Justiça do Trabalho. Aliás, deveria fazê-lo, diante da força vinculante do
entendimento do Supremo, consagrado na Súm. Vinc. 22 (somente editada após a decisão do STJ no
conflito de competência).
28
Com efeito, começam a se avolumar as ações nas quais se pede a restituição dos honorários
advocatícios contratuais desembolsados pelo trabalhador em reclamatória trabalhista ganha na Justiça
Laboral. Tal fenômeno tem ocorrido por dois fatores: primeiro, porque, de regra, não há condenação em
honorários na Justiça Trabalhista; segundo, porque não se admite que o vencedor da causa tenha que
arcar com prejuízo pelo fato de ter sido compelido a ingressar na Justiça para fazer valer o seu direito.
Dúvida paira, contudo, no que se refere ao Juízo competente para apreciar esse tipo de demanda. Seria
do Juízo Estadual ou do Juízo Trabalhista, porquanto a discussão estaria ligada à reclamatória trabalhista
anteriormente aforada?
Embora a linha majoritária indicasse que a competência, na hipótese, recairia sobre a Justiça Estadual -
porque a situação não se amoldaria a nenhuma das previsões do art. 114 da CF -, fato é que o STJ,
recentemente, entendeu, por meio de sua Segunda Seção, que compete ao Juiz Trabalhista julgar essa
nova ação indenizatória.
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127

sido ajuizada em Estado estrangeiro, também competente (as hipóteses de


competência concorrente estão no art. 88 do CPC), não obsta que ela seja também
intentada no Brasil.

17. EMAGIS – 2012/17 – QUESTÃO 10. Compete à Justiça Federal o processamento e o


julgamento de mandado de segurança impetrado contra ato do Gerente Executivo do
Instituto Nacional do Seguro Social, MESMO QUE A MATÉRIA DE FUNDO SEJA DE
ÍNDOLE ACIDENTÁRIA29.

18. EMAGIS – 2012/17 – QUESTÃO 10. Compete à Justiça Estadual processar e julgar
pedido de insolvência civil formulado por autarquia federal ou empresa pública
federal30.

19. EMAGIS – 2012/17 – QUESTÃO 10. Cabe ao próprio TRF a competência para processar
e julgar mandado de segurança contra ato colegiado de órgão especial de Tribunal
Regional Federal31.

20. EMAGIS – 2012/16 – QUESTÃO 12. É firme a compreensão do STJ no sentido de que
COMPETE À JUSTIÇA ESTADUAL processar e julgar a ação mediante a qual se discute a
concessão, estabelecimento ou revisão de benefício previdenciário decorrente de
acidente de trabalho.

21. EMAGIS – 2012/16 – QUESTÃO 12. Segundo entende o STJ, a Justiça do Trabalho é
competente para processar e julgar as reclamações trabalhistas propostas por
servidores públicos municipais contratados sob o regime celetista, instituído por meio
de legislação municipal própria.

29
A competência da Justiça Federal em se cuidando de mandado de segurança é definida ratione
personae (CF, art. 109, VIII), e não de acordo com a matéria deduzida. Por isso, ainda que uma ação
previdenciária de um segurado contra o INSS, fundada em acidente de trabalho, seja, de fato, da alçada
estadual, mercê da parte final do inciso I do art. 109 da CF, a verdade é que, em sede de mandado de
segurança, a circunstância de a matéria de fundo tangenciar a ocorrência de um acidente de trabalho
não afasta a incidência do art. 109, VIII, da CF, se a autoridade coatora for federal.
30
É que na hipótese de demanda de insolvência civi movida pela União, suas autarquias ou empresas
públicas, o caso cai nas raias do inciso I do art. 109 da CF/88, cuja parte final ressalva da competência da
Justiça Federal as causas de falência, e, numa interpretação teleológica, também as de insolvência civil,
porquanto em ambas há o juízo universal adequado ao 'par conditio creditorum'.
31
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPETRAÇÃO CONTRA
DECISÃO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA QUE NÃO ADMITIU RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. SÚMULA
41/STJ. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. "Compete ao Superior Tribunal de Justiça, processar e julgar, originariamente os mandados de
segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército
e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal" (art. 105, I, "b", da CF).
2. "O Superior Tribunal de Justiça não tem competência para processar e julgar, originariamente,
mandado de segurança contra ato de outros tribunais ou dos Respectivos órgãos" (Súmula 41/STJ).
3. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no MS 14174/MG, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em
28/03/2012, DJe 09/04/2012)
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22. EMAGIS – 2012/16 – QUESTÃO 12. Mudando sua clássica jurisprudência, o STF passou
a entender que é da Justiça do Trabalho a competência para processar e julgar as
ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de
trabalho. Mais: como imperativo de política judiciária, decidiu que o marco temporal
da competência da Justiça trabalhista é o advento da EC 45/2004, de sorte QUE A
NOVA ORIENTAÇÃO NÃO ALCANÇA OS PROCESSOS EM TRÂMITE NA JUSTIÇA
ESTADUAL QUE JÁ TENHAM SENTENÇA DE MÉRITO PROFERIDA.

23. EMAGIS – 2012/08 – QUESTÃO 11. Segundo entendimento firmado pelo STF,
COMPETE À JUSTIÇA ESTADUAL O JULGAMENTO DE CAUSAS QUE DIGAM RESPEITO A
CONTRATOS TEMPORÁRIOS celebrados pela Administração Pública municipal32.

24. EMAGIS – 2012/08 – QUESTÃO 11. De acordo com recente precedente do STJ,
compete à Justiça do Trabalho processar e julgar ação proposta por servidor público
municipal contratado temporariamente com base em legislação do respectivo ente
federativo na qual é determinada a aplicação do regime jurídico da CLT a esses
contratos33.

25. EMAGIS – 2012/08 – QUESTÃO 11. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar
ação indenizatória proposta por viúva e filhos de empregado falecido em acidente de
trabalho.

26. EMAGIS- 2011/40– QUESTÃO 09. O julgamento de ação ordinária, com pedido de
tutela antecipada, para ver declarada a nulidade de ato normativo praticado pelo
ministro da Justiça, proibindo o gozo de férias no mês de janeiro, é de competência de
vara federal34.

27. EMAGIS- 2011/39 – QUESTÃO 19. A CAIXA pretende discutir a inconstitucionalidade da


cobrança do imposto sobre serviços que lhe está sendo imposta pelo município de
Itaperuna – RJ. Considerando essa situação hipotética, é correto afirmar que o
advogado da CAIXA deverá ajuizar a ação na vara federal da subseção judiciária de

32
As causas dos temporários, não sendo em face da União, serão sempre julgadas na JE, salvo se seu
regime jurídico prever aplicação da CLT, caso em que irá para a Justiça do Trabalho. Se for da União, será
na JF ou, celetista, na JT. Vide nota seguinte.
33
A Justiça do Trabalho é a competente para processar e julgar as reclamações trabalhistas propostas
por servidores públicos municipais contratados sob o regime celetista instituído mediante legislação
municipal própria. Acolhido esse entendimento, a Primeira Seção deu provimento ao agravo regimental
para reformar a decisão atacada, reconhecendo a competência do Juízo da Vara do Trabalho para
análise da matéria. No caso dos autos, os servidores públicos municipais foram contratados
temporariamente, com base em legislação municipal específica na qual foi determinada a aplicação do
regime jurídico da CLT. Desse modo, diante da expressa determinação legal de que os servidores
públicos municipais têm seu vínculo com o poder público regido pela CLT, fica afastada a competência
da justiça comum para processar e julgar a demanda. AgRg no CC 116.308-SP, Min. Rel. Castro Meira,
julgado em 8/2/2012.
34
A ação revelada na espécie vai impugnar um ato praticado pelo Ministro da Justiça, que é um agente
da União. Fosse a espécie um mandado de segurança, e a competência seria do STJ, por força do art.
105, I, da CF. Mas o enunciado revela uma ação ordinária, a ser ajuizada, então, contra a União, o que
atria o art. 109, I, da CF, ficando a competência mesmo na Justiça Federal de 1º grau.
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129

Itaperuna, por se tratar de causa em que empresa pública federal é interessada na


condição de autora e por ser esta a subseção que jurisdiciona territorialmente o
município de Itaperuna.

28. EMAGIS- 2011/36 – QUESTÃO 20. Não pode suscitar conflito a parte que, no processo,
ofereceu exceção de incompetência35.

29. EMAGIS- 2011/31 – QUESTÃO 11. O conflito de competências em determinado


processo pode ser suscitado pelas partes, pelo juiz ou pelo MP.

30. GEMAF – 2010/03 – QUESTÃO 04. A decisão do juízo federal que exclui da relação
processual ente federal não pode ser reexaminada no juízo estadual.

3. Processo
3.1. Teorias do Processo
O processo já foi concebido de várias formas. Todas inúteis, mas seguem abaixo para fins de
concurso:

a) Teoria imanentista ou praxista: nessa fase, em que se via o direito de ação de forma
imanentista, sendo ele o próprio direito material reagindo contra uma agressão ou
ameaça de agressão, o processo era entendido como mero procedimento,
absolutamente acessório. O processo não é uma ciência autônoma, o processo seria
um adendo do direito civil, não teria vida própria. Para essa teoria, quando o direito
material sofre algum tipo de violação, ele reage, essa reação é exatamente conhecida
com o nome de processo, é por isso que o código civil de 1.916 tinha o art.75 que
afirma que para toda a violação do direito existia uma ação correspondente, para toda
a violação ao direito material corresponde uma ação que pode ser ajuizada para
corrigir essa violação. Havia uma certa vinculação entre a violação ao direito material e
o próprio direito material reagindo a essa violação, isso se denominava pelos adeptos
da Teoria Imanentista de processo. Eles entendiam o processo como o próprio direito
material reagindo a uma violação.

b) Teoria do contrato: teoria advinda do direito romano. Existia uma primeira fase que
era chamada in iure, onde o autor apresentava um pedido para o pretor (pretor era
uma espécie de governante, uma espécie de prefeito), que tinha como uma de suas
funções, ao receber o pedido formulado pelo autor, observar uma fórmula. O pretor
não decidia o pedido, ele verificava o pedido do autor, ouvia as alegações do réu e,
com base no que havia sido pedido, com base nas alegações do réu, ele estabelecia
uma fórmula em relação às quais o pedido deveria ser decidido. Autor e réu, eles, de

35
De fato, se a parte ofereceu exceção de incompetência, não pode suscitar conflito, hipótese
expressamente regulada no art. 117 do CPC. Seria mesmo uma contradição de comportamento permitir
que o sujeito que interpusesse exceção de incompetência pudesse ajuizar o conflito de competência. No
entanto, se a causa do conflito de competência for superveniente, abre-se a oportunidade de suscitar o
conflito.
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plena vontade, se sujeitavam a essa forma, reconheciam que o que quer que ficasse
decidido nessa fórmula, seria cumprido. Essa fórmula era remetida para um árbitro
que, em uma segunda fase do procedimento, chamada in iudicium, decidia. Qualquer
que fosse a decisão do árbitro, como as partes já haviam se comprometido a
reconhecer a decisão que constava da fórmula, qualquer que fosse a decisão, autor e
réu estavam a ela vinculados.

c) Teoria do quase contrato: teoria surgida em decorrência da constatação de que a


teoria anterior não estava certa, pois o processo não poderia ser um contrato, já que
este é uma relação jurídica que envolve apenas a vontade dos sujeitos. Contrato é
relação entre particulares. Mas como os romanos não sabiam categorizar essa
fórmula, como eles não tinham nenhuma categoria jurídica para incluir o processo,
como eles concluíram que o processo não era um contrato, surgiu a teoria do quase
contrato. Segundo o entendimento do professor Rosemiro Pereira Leal o processo era
considerado um quase contrato pelos teóricos, por que, “a parte que ingressava em
juízo já consentia que a decisão lhe fosse favorável ou desfavorável, ocorrendo um
nexo entre o autor e o juiz, ainda que o réu não aderisse espontaneamente ao debate
da lide” (LEAL, p.78, 2008)

Essas três teorias acima são as chamadas teorias do processo como direito privado.

Se perguntarem para vocês qual é a certidão de nascimento do processo civil moderno: é a


publicação do livro “Teoria das Exceções e dos Pressupostos Processuais” de Oskar Von
Bulow de 1.868, porque foi nesse livro que, pela primeira vez, se defendeu a natureza
jurídica do processo como sendo de direito público, a partir daqui surgem as chamadas
Teorias de Direito Público do Processo.

d) Teoria da relação jurídica processual: essa é a teoria clássica, ainda hoje é a teoria
majoritária no nosso ordenamento. Teoria criada por Von Bulow, foi a primeira que
separou definitivamente direito material de direito processual. Para Bulow, a relação
de direito material é o objeto de discussão no processo, enquanto a relação de direito
processual é a estrutura por meio da qual essa discussão ocorrerá. O processo, na
verdade, seria uma relação jurídica intersubjetiva de direito público com seus próprios
sujeitos, requisitos e conteúdo. Essa relação jurídica intersubjetiva de direito público
tem uma única finalidade, que é decidir a relação jurídica de direito material que lhe é
apresentada para julgamento. O conteúdo do processo é a relação jurídica de direito
material que foi apresentada para julgamento. Os sujeitos são Juiz, as partes e os
auxiliares da justiça.

e) Teoria da situação jurídica: teoria desenvolvida por James Goldschmidt. O teórico não
“admitia que o processo fosse uma relação jurídica, porque não concebia a existência
de relação (nexo) entre as partes e o juiz e nem entre as próprias partes” (ALVIM,
p;158, 2003). Portanto, sua teoria, vem intitular um processo como situação jurídica,
reconhecida e estabelecida por lei.

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Goldschimidt, não admite tal relação entre os sujeitos (juiz, autor, réu) porque para ele
“o juiz atua por dever funcional, de caráter administrativo, e as partes simplesmente
estão sujeitas à autoridade do órgão jurisdicional” (ALVIM, p.158, 2003). Portanto, as
partes no processo, atuam como sujeitas ao órgão da jurisdição, enquanto que o juiz
atua no processo por dever de sua função. Vê-se que não se relacionam. Sob este
ponto de vista, observa-se que nem mesmo as partes se relacionam.

f) Teoria da categoria jurídica autônoma: defendida por Afrânio Silva Jardim, Humberto
Dalla, Luiz Fux, Alexandre Câmara. Para os adeptos da categoria jurídica autônoma, o
processo não pode ser enquadrado como espécie de nenhum gênero conhecido.
Processo é simplesmente processo, como você não consegue enquadrá-lo em
nenhuma categoria jurídica conhecida, você tem que defender que ele é uma
categoria jurídica autônoma.

g) Teoria do procedimento em contraditório: propagada por um juiz mineiro chamado


Aroldo Gonçalves. O Aroldo Gonçalves foi estudar na Itália durante um tempo com um
processualista cuja especialidade é processo administrativo. Esse processualista
italiano é chamado de Elio Fazalari, mais vinculado à ideia de processo administrativo,
ele defendia que o gênero é o procedimento. Para ele, procedimento é gênero, e
desse gênero você tem várias espécies. Teríamos, como espécie de procedimento, o
processo legislativo, o processo executivo e, por fim, o processo judicial. Só que o
processo judicial tinha uma característica que nenhum dos outros dois possuía: o
processo judicial tem que ser realizado sempre em contraditório. No direito italiano, o
processo administrativo e o processo executivo não necessariamente precisariam
obedecer ao contraditório, somente o processo judicial. Assim, o processo nada mais
seria do que o procedimento em contraditório.

h) Teoria da identidade complexa: é a teoria mais moderna, adotada por Dinamarco.


Segundo Dinamarco, a Teoria da Identidade Complexa propugna o seguinte: o
processo tem que ser visualizado sob dois aspectos distintos, um aspecto externo que
é a maneira pela qual você visualiza o processo no dia a dia. Como ele se apresenta
externamente? Ele se apresenta como sendo uma série de atos processuais
encadeados, um após o outro, realizados em contraditório. Pelo aspecto interno, o
processo seria uma relação jurídica diferente da relação jurídica de direito material,
tem seus próprios sujeitos, tem seus próprios requisitos, tem seu próprio conteúdo,
ele é voltado para decidir a relação jurídica de direito material que lhe é apresentada.

Se perguntarem qual é o conceito de processo, deve-se responder: o conceito mais moderno é


baseado na Teoria da Identidade Complexa, no qual processo é o procedimento em
contraditório animado pela relação jurídica processual. Inclusive, autores que não adotam essa
teoria adotam o conceito dessa teoria. Por exemplo, Alexandre Câmara defende a categoria
jurídica autônoma, mas, quando vai conceituar, conceitua aqui. Marcelo Abelha Rodrigues
adota a majoritária, mas, quando vai conceituar, conceitua aqui. Fredie Didier fica no meio do
caminho, mas, quando vai conceituar, conceitua com base nessa teoria. Então, o conceito mais
moderno é esse.

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Processo não tinha autonomia, era um medo adendo do


IMANENTISTA OU
direito civil, uma reação do direito material a uma
PRAXISTA violação.
TEORIAS DO Aplicada no direito romano, o processo era um acordo
PROCESSO COMO CONTRATO entre as partes regido por fórmulas sacramentais fixadas
DIREITO PRIVADO pelo pretor.
Semelhante à anterior, apenas acrescia que não poderia
QUASE CONTRATO ser um contrato puro pois não se submetia puramente à
vontade das partes.
Criada por Von Bulow, foi a que separou direito material
de processo, sendo aquele o objeto de discussão deste. O
RELAÇÃO JURÍDICA
processo, na verdade, seria uma relação jurídica
PROCESSUAL intersubjetiva de direito público com seus próprios
sujeitos, requisitos e conteúdo.
Goldschimidt, não admite o processo como relação, por
SITUAÇÃO JURÍDICA inexistir relação entre os sujeitos, mas trata-se de uma
TEORIAS DO situação jurídica, reconhecida e estabelecida por lei.
PROCESSO COMO CATEGORIA JURÍDICA Processo seria simplesmente processo, não se enquadra
DIREITO PÚBLICO AUTÔNOMA em nenhum outro instituto jurídico.
Ressalta o fato de que processo é um procedimento como
PROCEDIMENTO EM
o administrativo e o executivo, com a particularidade de
CONTRADITÓRIO sempre ser submetido ao contraditório.
Processo apresenta dois aspectos: externo, conjunto de
atos processuais encadeados regidos pelo contraditório;
IDENTIDADE COMPLEXA interno, relação jurídica processual estabelecida entre os
sujeitos, que não se confunde com a relação material.

3.1. Processo X Procedimento


Procedimento é a exteriorização do processo, seu aspecto visível, considerando-se a noção de
que processo é teleológico, voltado para a finalidade de exercício da função jurisdicional no
caso concreto, enquanto a noção de procedimento é formal, significando essa sucessão de
atos como um objetivo final.

Distinguindo processo de procedimento, abaixo seguem linhas escritas por Dinamarco,


extraídas de seu livro “INSTITUIÇOES DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL - Volume I - Livro I - Os
Fundamentos e as Instituições Fundamentais”:

O processo, como realidade fenomenológica, é uma entidade complexa em que figuram dois
elementos distintos e interligados: o procedimento, como série de atos coordenados a partir de
uma iniciativa de parte (demanda) e direcionados a um provimento do juiz (no processo de
conhecimento, sentença de mérito); e a relação jurídica processual, que é um vínculo dinâmico
e complexo entre os sujeitos processuais (juiz, autor e réu) e se expressa nas inúmeras
situações ocupadas por eles do princípio ao fim (deveres, poderes, faculdades, ônus, sujeição,
autoridade). Em preciosa síntese, disse a doutrina que o processo se constitui, ao mesmo
tempo, de uma relação entre seus sujeitos e de uma relação entre seus atos (Liebman) (infra, n.
387).

Mas existem vozes na doutrina, a sustentar uma precisa distinção entre normas processuais
stricto sensu e normas procedimentais, mas essa distinção só em modesta medida e sob
ressalvas compatibiliza-se com a natureza complexa do processo, porque se apóia na premissa
de que processo e procedimento fossem fenômenos independentes e autônomos. Superada
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essa visão inadequada dos fenômenos processo e procedimento, não há como distinguir, com
nitidez e generalidade, normas alusivas a um e normas alusivas a outro. Toda norma sobre o
procedimento em juízo é norma processual porque o procedimento integra o conceito de
processo. É impossível distinguir normas que disciplinem o procedimento sem influir no modo-
de-ser da relação jurídica processual que lhe está à base e, portanto, também impossível
encontrar normas de direcionamento exclusivo ao procedimento e normas direcionadas só à
relação processual (infra, n. 387).

A Constituição Federal de 1988, todavia, veio a realimentar essa distinção ao estabelecer a


competência concorrente da União e Estados para legislarem sobre procedimentos em
matéria processual (art. 24, me. XI), em confronto com a competência federal exclusiva para
ditar normas de direito processual (art. 22, me. 1). Essas disposições obrigam o intérprete a
renunciar à precisão dos conceitos e admitir que, na ordem jurídica brasileira, podem existir
normas puramente procedimentais ao lado de normas processuais stricto sensu. É preciso
penetrar no pensamento do constituinte e, em consonância com o sistema processual como um
todo, buscar o significado útil da distinção (interpretação sistemática).

Dado que no processo entrelaçam-se o procedimento e a relação jurídica vinculativa de seus


sujeitos, ENTENDE-SE QUE AS NORMAS PROCESSUAIS STRICTO SENSU SERIAM OS PRECEITOS
DESTINADOS A DEFINIR OS PODERES, DEVERES, FACULDADES, ÔNUS E SUJEIÇÃO DOS
SUJEITOS PROCESSUAIS (RELAÇÃO JURÍDICA PROCESSUAL), SEM INTERFERIR NO DESENHO
DAS ATIVIDADES A REALIZAR (PROCEDIMENTO). Normas procedimentais, nesse contexto,
seriam aquelas que descrevem os modelos a seguir nas atividades processuais, ou seja, (a) o
elenco de atos que compõem cada procedimento, (b) a ordem de sucessão a presidir a
realização desses atos, (c) a forma que deve ser observada em cada um deles (modo, lugar e
tempo) e (d) os diferentes tipos de procedimentos disponíveis e adequados aos casos que a
própria norma estabelece (infra, nn. 625-626).

Mesmo aceitando a (relativa) imposição constitucional de distinguir normas processuais stricto


sensu e normas procedimentais, continuemos a empregar ordinariamente a locução normas
processuais no sentido amplo, desconsiderada a distinção.

Existem ainda as normas de organização judiciária, que convivem com as duas categorias
precedentes e também são sujeitas a critérios diferentes de competência legislativa. Constitui
tendência entre os processualistas modernos a absorção da organização judiciária no objeto de
seus estudos, embora preponderem entre essas normas organizacionais as que disciplinam a
administração do Poder Judiciário, sem natureza processual. As normas gerais da organização
judiciária brasileira são ditadas superiormente pela Constituição Federal (arts. 92 ss.) e pela Lei
Orgânica da Magistratura Nacional (lei compl. n. 35, de 14.3.79, na medida de sua recepção
constitucional), sendo esperado o Estatuto da Magistratura, que a Constituição prevê mas não
foi editado até hoje (Const., art. 93). A essas normas superiores devem ater-se as que a própria
União e os Estados editam para a organização de suas Justiças (infra, n. 153).

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134

3.2. Relação Jurídica Processual

3.2.1. Composição
Afirma-se na doutrina que a relação jurídica de direito processual é formada por demandante,
demandado e pelo Estado-juiz, sendo essa sua composição mínima, ainda que
excepcionalmente possam existir processos sem autor ou réu (processos objetivos).

O entendimento doutrinário corrente é no sentido de ser o processo uma relação tríplice, com
dois sujeitos parciais (demandante e demandado) e um imparcial (juiz).

A relação processual é triangular36, já que as partes têm deveres entre si e perante a Justiça.

O processo existirá desde a propositura da demanda pelo autor, ainda que fique sua relação
limitada a demandante e juiz. A relação jurídica é incompleta, aperfeiçoando-se com a citação
válida.

Assim, completamente errada é a afirmativa de que somente a citação do réu faz surgir a
relação processual.

3.2.2. Características
Existem cinco principais características na relação jurídica de direito processual:

a) Autonomia: a relação processual é autônoma em relação ao direito material discutido,


exercendo-se o direito de ação mesmo que o direito material seja improcedente.

b) Complexidade: trata-se da série de atos e fatos processuais que ocorrem no curso do


processo, tornando-o complexo.

c) Dinamismo: o processo é dinâmico, segue um rito contínuo a fim de que possa, no


futuro, ser extinto.

d) Unidade: entende-se que os atos praticados pelos sujeitos processuais estão todos
interligados de forma lógica, dependendo o posterior de como foi praticado o anterior.

e) Natureza pública: a natureza pública decorre da participação do Estado no processo,


formalizada pelo juiz.

3.2.3. O Processo Como Aparato da Democracia


Linhas escritas pelo professor Eduardo Cambi em artigo intitulado “Norma e processo na
crença democrática”.

36
Teoria linear de KOHLER – exclui o juiz da relação processual, que se estabelece apenas entre as
partes. O juiz seria estranho à relação processual. Teoria bilateral de Carnelutti, Hellwig Plank e outros:
a relação é bilateral, compreendendo que os vínculos se dariam, de um lado entre autor e juiz e de
outro entre réu e juiz, reciprocamente. Teoria triangular de Bülow, Wach, Chiovenda, Calamandrei e
outros. É a majoritária. Há vínculos entre as partes e o juiz e entre as próprias partes. Humberto
Teodoro Júnior fala ainda em teoria angular, atribuindo-a Hellwig, perante a qual o juiz ocuparia uma
posição superior em relação às partes em razão do poder estatal que representa. As partes se
submeteriam à sua soberania, como representante do Estado. As pares teriam direitos e deveres
voltados para o Juiz.
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135

É o processo, enquanto espaço público de comunicação que permite a construção da norma


jurídica. Essa afirmação tem um alcance democrático extraordinário, pois rompe com as
vertentes filosóficas do positivismo jurídico que visavam à criação de um Estado neutro quanto
aos valores. Calcada na ideia de que a lei representava sempre a vontade geral, acreditava-se
que o sentido contido na regra legal era unívoco, devendo o juiz ser apenas a “boca da lei”
(Montesquieu).

Isso nada mais foi que um reflexo da desconfiança que a burguesia, ao proclamar a Revolução
Francesa, atribuía aos juízes, considerados aliados da nobreza e do clero. Felizmente, a
construção democrática do Estado e da sociedade contemporâneas está baseada no
pluralismo político, social, cultural e religioso, a fim de permitir a convivência dos contrários, a
tolerante, harmoniosa e pacífica coexistência de toda espécie de antagonismos. Por isso, a lei
não pode ser concebida como sendo a expressão da vontade geral, mas apenas a vitória em
um conflito político; vale dizer, o resultado da vontade da força política dominante no
Parlamento ou dessa vontade acordada com as outras vontades políticas também
representadas no seio do Poder Legislativo.

Como a lei é parcial e, sobretudo, procura oferecer condições para um determinado plano de
governo, o grupo político dominante dela se serve para constituir o seu próprio projeto
(político) de administração pública. Por isso, é importante não só recuperar a missão
democrática do Poder Judiciário que, ao interpretar a lei, tem o dever de controlar a sua
legitimidade, mas também ressaltar a importância de todos aqueles que, pelo acesso ao
Judiciário, têm oportunidade de fazer frente ao “império da lei”.

Com efeito, o real alcance da cidadania, que é um dos alicerces do Estado Democrático de
Direito (art. 1o, inc. II, da CF), é resgatar, principalmente pelo mecanismo processual, a
possibilidade dos cidadãos questionarem criticamente as regras que lhes são impostas, já
que não são escravos do poder (ao contrário, o poder a eles pertence; art. 1o, par. 1o, da CF),
nem se confundem com meros intérpretes passivos de textos legislativos, mas são os
verdadeiros vigilantes da Democracia, rompendo a inércia do Poder Judiciário, para que este,
valendo-se do exercício legítimo da jurisdição, construa, após a indispensável participação das
partes a serem atingidas pela decisão judicial (art. 5o, inc. LIV e LV, CF), a norma jurídica que
seja a mais adequada à promoção dos valores mais relevantes para a dignidade da pessoa
humana e para o bem-estar social.

3.3. Pressupostos Processuais


Os pressupostos processuais estão expressamente previstos no art. 267, IV CPC. Ele fala em
pressupostos processuais de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo.
Mas, na doutrina, os pressupostos de constituição são chamados de pressupostos de
existência. E os pressupostos de desenvolvimento válido e regular do processo são os
chamados de pressupostos processuais (ou requisitos) de validade.

3.3.1. Pressupostos de Existência e Requisitos de Validade


Importante ressaltar que essa divisão é uma opção doutrinária, sendo bem diversa a doutrina
a respeito dos pressupostos processuais.

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Essa subdivisão entre pressupostos de existência e requisitos de validade é a adotada por


Didier. A seguinte, que o divide em pressupostos subjetivos e objetivos, é a apresentada por
Daniel Assumpção.

O processo, do ponto de vista interno, é uma relação jurídica; do ponto de vista externo, um
procedimento. Possui, pois, como em toda relação jurídica, a coexistência de elementos
subjetivos (sujeitos) e objetivos (fato jurídico e objeto).

A presença ou não desses elementos é que caracteriza os pressupostos de existência. Já os


requisitos de validade se referem à necessidade de se respeitar a forma do ato e de se verificar
a capacidade das partes.

3.3.1.1. Pressupostos de Existência


São eles:

a) Investidura: é a existência de um órgão investido de jurisdição, apto a representar o


Estado na relação jurídica processual. O processo ajuizado perante não juiz é
considerado inexistente.

b) Existência de um ato inicial do procedimento (demanda): trata-se do ato de pedir, o


qual delimita a prestação jurisdicional.

Assim, verifica-se que o processo tem existência a partir do momento em que a petição
inicial é apresentada à Justiça, e não do despacho da inicial ou da citação do réu.

O processo só existe para o réu quando ele é citado, art. 219 CPC. O art. 214, § 1º, diz que o
processo é válido se o réu comparece voluntariamente ao processo.

Então isso é o que se chama de FORMAÇÃO GRADUAL DO PROCESSO, o processo se forma


primeiro para o autor e depois para o réu, enquanto o réu não for citado, em tese, para o réu
não existe processo. Existe processo para o autor, mas ainda não existe para o réu.

Essa é a corrente mais moderna e acertada, defendida por Didier e Dinamarco. Há outras
correntes:

1.Teoria básica do Alexandre Câmara:

Quais são os pressupostos processuais de existência?

São a Demanda, o órgão jurisdicional e as partes.

2.Para os autores tradicionais: Nelson Nery, Marcelo Abelha Rodrigues, Teresa Arruda Alvim,
Luiz Rodrigues Wambier.

Quais os pressupostos processuais de existência?

Petição inicial, jurisdição, citação e capacidade postulatória.

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Essas outras correntes estão erradas, especialmente a última, já que o processo existe, sem
dúvidas, antes da citação. Ademais, capacidade postulatória é requisito de validade.

3.3.1.2. Requisitos de Validade


São eles:

a) Imparcialidade: trata-se de pressuposto existencial para a validade do processo; não se


refere à existência, visto que, por mais parcial que seja o juiz, o processo nunca deixará
de existir juridicamente. Lembrar que a imparcialidade do juiz é pressuposto para a
obediência ao princípio do devido processo legal substantivo.

b) Capacidade de ser parte: trata-se da legitimidade ad causam ou personalidade


judiciária, aptidão para, em tese, ser sujeito da relação jurídica processual ou assumir
uma situação jurídica processual (autor, réu, assistente etc.)

Todos os que podem ser sujeitos de uma relação jurídica material como as pessoas
naturais, jurídicas, nascituro, condomínio, sociedade em comum etc., tem
personalidade judiciária, ou seja, poderão demandar ou ser demandados em juízo,
ainda que por representação. IMPORTANTE: A LEGITIMIDADE AD CAUSAM É UMA
CONDIÇÃO DA AÇÃO (LEGITIMIDADE), ENQUANTO A LEGITIMIDADE AD PROCESSUM
É, REALMENTE, UM REQUISITO PROCESSUAL DE VALIDADE.

c) Capacidade de estar em juízo ou capacidade processual: trata-se da legitimatio ad


processum, a capacidade que tem a parte de praticar atos processuais, espécie de ato
jurídico, de demandar e ser demandado (independentemente de assistência e/ou
representação). Assim, não têm capacidade processual os menores de idade, os quais
a adquirem mediante a assistência ou representação. Já os maiores têm capacidade de
serem parte e capacidade de estar em juízo, pois os atos que praticam são válidos,
sendo eles sujeitos capazes de assumir direitos e obrigações na vida civil.

A capacidade processual pressupõe a capacidade de ser parte e a sua falta é sempre sanável,
gerando como consequência, se sanada não for: extinção do processo, se por culpa do autor;
revelia, se por culpa do réu; exclusão do processo, se por culpa de terceiro.

d) Capacidade postulatória: trata-se da necessidade de capacidade técnica para a


realização válida de alguns atos processuais, abrangendo a capacidade de pedir e de
responder processualmente. Somente poderá ser vista como requisito de
admissibilidade a falta de capacidade postulatória por parte do autor, já que somente
ela tem a força de causar a não instauração do processo. Possuem capacidade
postulatória o advogado e o estagiário de direito, esse com capacidade reduzida.

Os atos privativos de advogados praticados por pessoas não inscritas na OAB são nulos, ou
seja, inválidos. Por vezes a capacidade postulatória é dispensada POR LEI, como pode ocorrer
nos Juizados Especiais Cíveis (até 20 SM), no HC, na Justiça do Trabalho (1ª instância) etc.

e) Ausência dos pressupostos processuais extrínsecos negativos: pressupostos


extrínsecos são a litispendência, coisa julgada, perempção, transação, convenção de
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arbitragem e ausência de pagamento de custas processuais em demanda idêntica


extinta anteriormente por sentença terminativa. Trata-se de pressuposto negativo, já
que a presença dele torna inválida a relação processual.

f) Petição inicial apta:

g) Citação válida: a citação inválida gera uma nulidade absoluta, a qual excepcionalmente
não se convalida com o trânsito em julgado.

O exposto acima é o defendido por Didier, e o que eu adoto. Evidentemente que há variações
na doutrina.

1. Para Câmara:

Pressupostos processuais de validade:

1.1- Demanda regularmente proposta, ou seja, com a observância dos arts. 282,
283 e 39, I do CPC.

1.2- Um órgão jurisdicional investido de jurisdição e partes capazes. O termo


partes capazes abrange a capacidade de ser parte, a capacidade de estar em juízo
e a capacidade postulatória.

2. Para a Teoria Tradicional:

Pressupostos processuais de validade:

2.1- Petição inicial apta, observância dos arts. 282, 283 e 39, I do CPC.

2.2 – A competência do juízo.

2.3 – A imparcialidade do Juiz.

2.4 – Citação válida.

2.5 – A capacidade processual e legitimidade processual.

3. Para Dinamarco:

Pressupostos processuais de validade:

3.1-Demanda regularmente proposta com a observância dos arts. 282, 283 e 39, I
do CPC.

3.2 – Personalidade jurídica plena do autor.

3.3 – personalidade judiciária do réu.

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3.3.2. Pressupostos Objetivos e Subjetivos

3.3.2.1. Pressupostos Subjetivos


Podem dizer respeito ao Juiz ou podem dizer respeito às partes. São eles:

a) Investidura: órgão judicial devida e oficialmente munido dos poderes judiciais;

b) Imparcialidade: se o juiz não for imparcial, a tutela jurisdicional prestada terá sido
absolutamente nula; não se pode falar em inexistência, mas em nulidade;

c) Competência: decisão tomada por juiz incompetente é nula, salvo se puder ser
aproveitada;

d) Capacidade de ser parte: todos têm capacidade de ser parte;

e) Capacidade de estar em juízo ou capacidade processual:

f) Capacidade postulatória:

3.3.2.2. Pressupostos Objetivos Extrínsecos e Intrínsecos


Pressupostos objetivos dizem respeitos à demanda. Os pressupostos objetivos podem ser
extrínsecos ou intrínsecos.

Pressupostos extrínsecos

Os pressupostos objetivos extrínsecos são analisados fora da relação jurídica processual,


considerados como pressupostos processuais negativos, já que a presença do vício torna
inviável a validade do processo. São pressupostos dessa espécie:

a) Coisa julgada material;

b) Litispendência;

c) Perempção;

d) Transação;

e) Convenção de arbitragem;

f) Ausência de pagamento de custas processuais.

Pressupostos intrínsecos

São pressupostos que devem ser analisados na própria relação processual. Eles são
pressupostos positivos, pois, ao contrário dos pressupostos extrínsecos, devem estar
presentes para a validade do processo. São eles:

a) Demanda: trata-se da ação em movimento, deve ser pedido algo;

b) Petição inicial apta: é o instrumento pelo qual se materializa a demanda. Será apta
quando inepta não for;
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c) Citação válida:

d) Regularidade formal:

3.3.2.3.Pressupostos Processuais – Tabelas Síntese


PRESSUPOSTOS DE INVESTIDURA Deve haver um órgão oficial que represente o Estado.
EXISTÊNCIA DEMANDA Inicia a tutela jurisdicional.
O juiz deve ser imparcial, sob pena de agressão ao devido
IMPARCIALIDADE processo legal substantivo.
É a capacidade de ser parte, todas as pessoas a possuem.
LEGITIMATIO AD CAUSAM Confunde-se com a condição de ação legitimidade
processual.
É a capacidade processual ou de estar em juízo, ou seja,
LEGITIMATIO AD
de praticar atos processuais sem representante ou
REQUISITOS DE PROCESSUM assistente.
VALIDADE CAPACIDADE Conferida aos advogados para a prática de atos de
POSTULATÓRIA natureza técnica.
AUSÊNCIA DE Litispendência, coisa julgada, perempção, convenção de
PRESSUPOSTOS arbitragem e transação.
EXTRÍNSECOS NEGATIVOS
PETIÇÃO INICIAL APTA Se inepta, pode levar à extinção do processo.
CITAÇÃO VÁLIDA É causa de nulidade processual a citação inválida.

PRESSUPOSTOS Investidura; Imparcialidade; Competência; Capacidade de ser parte; Capacidade de


SUBJETIVOS estar em juízo ou capacidade processual; Capacidade postulatória
Demanda; Petição inicial apta; Citação válida;
INTRÍNCECOS Regularidade formal.
PRESSUPOSTOS
Coisa julgada material; Litispendência; Perempção;
OBJETIVOS EXTRÍNSECOS Transação; Convenção de arbitragem; Ausência de
pagamento de custas processuais.

3.4. Princípios Processuais

3.4.1. Devido Processo Legal


Consagrado no art. 5º LIV, da CR/88, cuida ele de um supraprincípio norteador de todos os
demais que devem ser observados no processo.

Atualmente esse princípio é analisado sob duas vertentes, o devido processo legal substantivo
e o devido processo legal formal.

No sentido substantivo (ou material), o devido processo legal diz respeito ao campo da
elaboração e interpretação das normas jurídicas, ditando que estas devem ser interpretadas
de maneira razoável, evitando-se a atividade legislativa abusiva e irrazoável. Ele funciona como
parâmetro de controle dos abusos, principalmente do Poder Público (mas também dos
particulares), balizando-se na proporcionalidade.

Due process of law, com conteúdo substantivo - substantive due process -


constitui limite ao Legislativo, no sentido de que as leis devem ser
elaboradas com justiça, devem ser dotadas de razoabilidade

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(reasonableness) e de racionalidade (racinality), devem guardar, segundo


W. Holmes, um real substancial nexo com o objetivo que se quer atingir

E M E N T A: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - ELEIÇÕES


MUNICIPAIS DE 1996 - COLIGAÇÕES PARTIDÁRIAS APENAS PARA ELEIÇÕES
PROPORCIONAIS - VEDAÇÃO ESTABELECIDA PELA LEI N. 9.100/95 (ART. 6º) -
ALEGAÇÃO DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PARTIDÁRIA (CF,
ART. 17, § 1º) E DE VIOLAÇÃO AOS POSTULADOS DO PLURIPARTIDARISMO E
DO REGIME DEMOCRÁTICO - AUSÊNCIA DE PLAUSIBILIDADE JURÍDICA -
MEDIDA CAUTELAR INDEFERIDA. PARTIDO POLÍTICO - AÇÃO DIRETA -
LEGITIMIDADE ATIVA - INEXIGIBILIDADE DO VÍNCULO DE PERTINÊNCIA
TEMÁTICA. [...] VEDAÇÃO DE COLIGAÇÕES PARTIDÁRIAS APENAS NAS
ELEIÇÕES PROPORCIONAIS - PROIBIÇÃO LEGAL QUE NÃO SE REVELA
ARBITRÁRIA OU IRRAZOÁVEL - RESPEITO À CLÁUSULA DO SUBSTANTIVE DUE
PROCESS OF LAW. - O ESTADO NÃO PODE LEGISLAR ABUSIVAMENTE. A
ATIVIDADE LEGISLATIVA ESTÁ NECESSARIAMENTE SUJEITA À RÍGIDA
OBSERVÂNCIA DE DIRETRIZ FUNDAMENTAL, QUE, ENCONTRANDO
SUPORTE TEÓRICO NO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE, VEDA OS
EXCESSOS NORMATIVOS E AS PRESCRIÇÕES IRRAZOÁVEIS DO PODER
PÚBLICO. O princípio da proporcionalidade - que extrai a sua justificação
dogmática de diversas cláusulas constitucionais, notadamente daquela que
veicula a garantia do substantive due process of law - acha-se vocacionado a
inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas
funções, qualificando-se como parâmetro de aferição da própria
constitucionalidade material dos atos estatais. A norma estatal, que não
veicula qualquer conteúdo de irrazoabilidade, presta obséquio ao postulado
da proporcionalidade, ajustando-se à cláusula que consagra, em sua
dimensão material, o princípio do substantive due process of law (CF, art.
5º, LIV). Essa cláusula tutelar, ao inibir os efeitos prejudiciais decorrentes do
abuso de poder legislativo, enfatiza a noção de que a prerrogativa de legislar
outorgada ao Estado constitui atribuição jurídica essencialmente limitada,
ainda que o momento de abstrata instauração normativa possa repousar em
juízo meramente político ou discricionário do legislador.

(ADI 1407 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em
07/03/1996, DJ 24-11-2000 PP-00086 EMENT VOL-02013-10 PP-01974)

No sentido formal (devido processo legal adjetivo) está a definição tradicional do princípio,
dirigido ao processo em si, obrigando-se o juiz no caso concreto a observar os princípios
processuais na condução do instrumento estatal oferecido aos jurisdicionados para a tutela de
seus direitos materiais.

Hodiernamente o devido processo legal vem associado com a ideia de um processo justo, que
permite a ampla participação das partes e a efetiva proteção de seus direitos.

O procedural due process, também chamado de devido processo adjetivo ou procedimental, é


considerado mais restrito que o devido processo material e caracteriza-se pela simples norma
de respeito ao procedimento previamente regulado. Inobstante o alcance diminuto, esta
faceta do devido processo legal é mais empregada pela doutrina e pelos usuários do Direito,
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142

talvez exatamente por conta do vocábulo "processo" do princípio estudado, foi ele apenas
sub-utilizado nesta acepção.

3.4.2. Contraditório
Previsto no art. 5º, LV, da CR/88.

Tradicionalmente, o contraditório se consagra ante a possibilidade das partes se informarem e


de reagir aos atos processuais, devendo ser devidamente comunicadas dos atos a fim de se
lhes oportunizar a manifestação.

Entretanto, o contraditório enquanto reação depende da vontade da parte, pois após


garantida a informação mediante os atos de comunicação processual, é ela quem deve arcar
com o ônus processual de agir ou se omitir. Logo, não há contraditório ante a inércia da parte.

Porém, há outros aspectos sob o qual o princípio pode ser analisado.

a) Poder de influenciar no convencimento do juiz: se o juiz não aprecia a manifestação da


parte, o contraditório não tem qualquer valia. Ele deve efetivamente analisar o que a
parte alegou.

b) Contraditório como forma de evitar surpresas às partes: é o que deve ser feito se, por
exemplo, o juiz quiser conferir efeitos infringentes aos embargos de declaração.
Consubstancia essa vertente o seguinte julgado:

RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE POR VÍCIO NO


PRODUTO (ART. 18 DO CDC). ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO 'OPE JUDICIS'
(ART. 6º, VIII, DO CDC). MOMENTO DA INVERSÃO. PREFERENCIALMENTE NA
FASE DE SANEAMENTO DO PROCESSO.

A inversão do ônus da prova pode decorrer da lei ('ope legis'), como na


responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço (arts.

12 e 14 do CDC), ou por determinação judicial ('ope judicis'), como no caso


dos autos, versando acerca da responsabilidade por vício no produto (art. 18
do CDC). Inteligência das regras dos arts. 12, § 3º, II, e 14, § 3º, I, e. 6º, VIII,
do CDC.

A distribuição do ônus da prova, além de constituir regra de julgamento


dirigida ao juiz (aspecto objetivo), apresenta-se também como norma de
conduta para as partes, pautando, conforme o ônus atribuído a cada uma
delas, o seu comportamento processual (aspecto subjetivo). Doutrina.

Se o modo como distribuído o ônus da prova influi no comportamento


processual das partes (aspecto subjetivo), não pode a a inversão 'ope judicis'
ocorrer quando do julgamento da causa pelo juiz (sentença) ou pelo tribunal
(acórdão).

Previsão nesse sentido do art. 262, § 1º, do Projeto de Código de Processo


Civil.

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143

A inversão 'ope judicis' do ônus probatório deve ocorrer preferencialmente


na fase de saneamento do processo ou, pelo menos, assegurando-se à parte
a quem não incumbia inicialmente o encargo, a reabertura de oportunidade
para apresentação de provas.

Divergência jurisprudencial entre a Terceira e a Quarta Turma desta Corte.

RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.

(REsp 802.832/MG, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO,


SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/04/2011, DJe 21/09/2011)

c) Contraditório inútil: em alguns casos, a ofensa ao contraditório não faz qualquer


diferença em relação ao resultado do processo. Apesar de ser um princípio
fundamental, ele é mitigado em várias ocasiões. Há inutilidade, por exemplo, quando
se desrespeitou o contraditório acerca da juntada de um documento, tendo a parte
cuja vista era exigida sido vencedora na demanda. Nenhum prejuízo houve, apesar de
ela não ter se manifestado numa situação específica.

d) Contraditório diferido: há vários casos em que a lei permite o diferimento do


contraditório, como naqueles casos de tutela de urgência, de pedidos em caráter
liminar que devem ser concedidos inaudita altera parte.

3.4.3. Princípios Dispositivos e Inquisitivos


No sistema inquisitivo puro, o juiz é colocado como a figura central do processo, cabendo a ele
a sua instauração e condução sem a necessidade de qualquer provocação das partes. A
liberdade do juiz é ampla e irrestrita.

No sistema dispositivo puro, o juiz passa a ter uma participação condicionada à vontade das
partes, que definem não só a existência do processo como também o seu desenvolvimento.

O sistema brasileiro adotou um sistema misto, preponderando o princípio dispositivo.

Comprova isso, por exemplo, o fato de o juiz estar vinculado aos pedidos e à causa de pedir
delimitados apenas pelas partes (princípio da congruência, art. 460, CPC), mas ainda assim
poder ele determinar a produção de provas de ofício (art. 130, CPC).

Esses poderes foram sendo conferidos ao juiz com a evolução da legislação decorrente do
publicismo processual, que retira parte da autonomia privada exclusiva no desenrolar
processual. É movimento que tem como contrários os neoprivatistas, que abominam o fato de
o juiz ter poderes instrutórios.

3.4.4. Motivação das Decisões


Princípio consagrado no art. 93, IX, da CR/88, pelo qual todas as decisões proferidas em
processo judicial ou administrativo devem ser motivadas de forma exteriorizada, com a
demonstração concreta do raciocínio fático e jurídico que se desenvolveu para chegar às
conclusões contidas na decisão.

Para aprofundar nesse tema, vide o capítulo sobre a teoria da decisão judicial.
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144

3.4.5. Isonomia
A isonomia é constitucionalmente exigida; ela permite, junto aos demais princípios
(especialmente o contraditório) a consagração da paridade de armas, além de ser meio de se
demonstrar concretamente a imparcialidade do juiz.

A isonomia é consagrada também mediante o tratamento diferenciado conferido a


determinadas pessoas, como o direito à justiça gratuita ao jurisdicionado pobre na forma da
lei, o direito a prazos em dobro às partes com procuradores diferentes e os privilégios (ou
prerrogativas, a depender do ponto de vista) da Fazenda Pública.

Trata-se, nesse caso, da isonomia em sua acepção vertical, igualando os desiguais.

3.4.6. Economia Processual


Esse princípio deve ser analisado sob dois enfoques diferentes: do ponto de vista sistêmico,
significa que quanto menos demandas existirem para se chegar aos mesmos resultados,
melhor será em termos de qualidade da prestação jurisdicional como um todo. Seria uma
forma de consagrar a economia processual a difusão das demandas coletivas, em substituição
às demandas fragmentárias ajuizadas individualmente por cada pessoa.

No mesmo sentido vai a permissão do litisconsórcio.

De um ponto de vista microscópico, a economia processual pode ser entendida como a


tentativa de ser o processo o mais barato possível, gerando o menor valor de gastos, tanto
relativamente às questões financeiras quanto aos atos processuais desnecessários.

3.4.7. Instrumentalidade das Formas


Princípio que consagra o afastamento da nulidade em decorrência da inobservância de uma
determinada formalidade prevista em lei, quando dela não advier prejuízo a ninguém, quando
o erro for demasiado grosseiro e quando se consiga o mesmo resultado que a adoção da forma
ideal implicaria.

3.4.8. Razoável Duração do Processo


A Emenda Constitucional nº 45/2004 inseriu o princípio da razoável duração do processo
dentro das garantias fundamentais asseguradas a cada indivíduo, insculpido no inciso LXXVIII
do art. 5º da Constituição da República de 1988.

Os motivos que levaram o legislador a erigir a questão do tempo do processo ao nível de


garantia fundamental demonstra uma insatisfação da sociedade com a prestação da tutela
jurisdicional e o entendimento de que a jurisdição não deve ser apenas "prestada" pelo
Estado como decorrência do direito de ação, mas que a tutela jurisdicional deve ser efetiva,
tempestiva e adequada, sendo atribuição do Estado alcançar este objetivo.

A ampliação dos direitos fundamentais com o reconhecimento de novos direitos faz surgir
também no panorama jurídico novas formas de conflito, especialmente as decorrentes dos
direitos de segunda e terceira dimensão, que trazem à baila questões relativas às relações de
emprego, habitação, educação, transporte, consumo, meio ambiente, entre outros,
aumentando sobremaneira o número de demandas levadas à apreciação do Poder Judiciário.
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145

O surgimento desses novos conflitos é indicado por alguns autores como o principal fator
responsável pela chamada ‘explosão da litigiosidade’, que deflagrou a CRISE NA
ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA, apontando a necessidade premente de desburocratização do
sistema e de simplificação dos procedimentos

O princípio da razoável duração do processo, inserto na Carta Constitucional no art. 5º, LXXVII,
por ocasião da Emenda Constitucional n. 45/2004 não é instituto novo. A Convenção
Americana de Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San José da Costa Rica,
que tem o Brasil como signatário, estabelece em seu art. 8º, que o direito a ser ouvido com
as devidas garantias e dentro de um prazo razoável por um juiz, imparcial, independente e
competente para o exame da matéria, é pertinente a todos os indivíduos.

Como paradigma, temos também o modelo americano, que no art. 6º de sua Emenda à
Constituição, trata do speedy trial clause (cláusula do julgamento rápido).

No dizer de Humberto Theodoro Júnior, tal garantia "trata-se de uma aproximação com o ideal
do processo justo que entre os constitucionalistas contemporâneos funciona como um
aprimoramento da garantia do devido processo legal. Para merecer esse nomen iuris, a
prestação jurisdicional, além de atender aos requisitos tradicionais – juiz natural, forma legal,
contraditório e julgamento segundo a lei – têm de proporcionar à parte um resultado
compatível com a efetividade e a presteza".

A introdução da garantia da razoável duração do processo, através da Emenda Constitucional


nº 45, de 2004, possibilitou à ciência processual deflagrar a efetiva necessidade de repensar a
prestação jurisdicional, não apenas como tarefa do Estado, mas um direito de todo indivíduo.

Nesse sentido, espera-se não apenas uma resposta do Estado para a solução da lide, mas uma
tutela efetiva, adequada e tempestiva, uma vez que o indivíduo enxerga na Justiça não
somente o lugar onde vai conseguir solucionar todos os seus problemas, mas também o
único lugar onde podem buscar isso.

Assegurado constitucionalmente, o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional


preconiza em termos mais amplos não somente o direito à prestação jurisdicional, mas ao
efetivo acesso à justiça, através da criação de novos procedimentos que buscam acelerar a
solução do litígio, através de juízos de cognição sumária.

A emenda constitucional nº 45, ao acrescentar ao artigo 5º o inciso LXXVIII, que conjugado


com a inafastabilidade do controle jurisdicional, garante também a "razoável duração do
processo" e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação, demonstrou a
preocupação (mesmo que tardia) do Estado com a "explosão da litigiosidade" existente na
sociedade brasileira.

O Estado, entretanto, deixou de lado uma questão lógica decorrente da nova garantia: a forma
de cumpri-la.

Isso porque há uma exigência de rapidez sem que exista uma estrutura judiciária que
comporte este ideal, o que acaba sendo motivo de deslegitimização do Estado, bem como
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146

desmoralização do próprio Judiciário, uma vez que a garantia por ele criada é meramente
programática, e sua aplicação depende de recursos outros além da boa vontade e agilidade do
Poder Judiciário na solução dos conflitos.

A tarefa a qual nos propomos é árdua, mas tangível: repensar os institutos processuais e
adequá-los à realidade social. Infelizmente, ocorre que a orientação ainda seguida pelas
universidades de direito remonta à concepção kantiana (racionalista) da ideia de direito, em
que temos o "ser" e o "dever ser" como divisores de águas entre o direito e o fato. O direito,
assim, preocupa-se tão somente com a norma positiva, deixando de lado a realidade social
existente fora do sistema jurídico.

Muito embora o sistema jurídico seja um sistema fechado, no sentido de que tem normas,
institutos e linguagem próprios, isso não quer dizer que o sistema do direito não possa
absorver dos demais sistemas a ideologia integradora da sociedade para a efetivação da
norma incompleta e/ou inexistente. A partir do momento em que o direito observa a
sociedade não com os "frios olhos da lei", mas como indivíduos receptores da norma jurídica,
mas também detentores de direitos não alcançados, na maioria das vezes, pela ineficiência do
Estado, o sistema do direito renova-se, multiplica-se, viabilizando o que então chamamos de
efetiva tutela jurisdicional.

Entretanto, a justiça, mesmo que rápida, deve sempre atentar para os princípios e garantias
constitucionalmente revestidas e de incondicional aplicação ao processo, sob pena do Estado
falhar pelo desejo de proteger os cidadãos da morosidade da Justiça e, com isso, forçando
decisões rápidas, advindas de uma cognição sumariamente instruída, afastando-se, portanto,
do ideal do "justo direito".

Isso costuma ocorrer quando os juízes, no anseio de julgar rapidamente as causas, “queimam
etapas” do processo, eliminando, por exemplo, a impugnação à contestação etc.

3.4.8.1. Razoável Duração do Processo X Celeridade


Não se confundem. A celeridade guarda relação com a velocidade rápida do processo. Já a
duração razoável do processo, princípio constitucional, estabelece uma relação de adequação
entre o tempo do processo e os instrumentos necessários para a sua tramitação, de modo a
se ter um tempo razoável - nem mais, nem menos que o necessário para a entrega da
prestação jurisdicional.

A relação de proporção acima citada deve observar três critérios para determinar a razoável
duração do processo:

a) A complexidade do assunto;

b) O comportamento dos litigantes e de seus procuradores ou da acusação e da


defesa no processo; e

c) A atuação do órgão jurisdicional.

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O reconhecimento destes critérios traz como imediata consequência a visualização das


dilações indevidas, permitindo o controle dos atos e as manobras processuais dos sujeitos
envolvidos.

Segundo Didier, “não existe um princípio da celeridade. O processo não tem que ser
rápido/célere: o processo deve demorar o tempo necessário e adequado à solução do caso
submetido ao órgão jurisdicional.

3.4.9. Duplo Grau de Jurisdição


Não se trata de um princípio constitucional explícito. Há mesmo quem diga que nem princípio
constitucional é.

Está previsto, para parte da doutrina, implicitamente na CR/88, no ponto em que dispõe ter o
réu a garantia do direito a todos os recursos inerentes à defesa. Além desse fundamento, há
quem defenda ser o princípio decorrência da própria estrutura constitucional do Poder
Judiciário, ao prever os tribunais de apelação. Essa posição NÃO é pacífica, há quem diga que
esse princípio NÃO tem amparo constitucional.

O princípio, de todo modo, está previsto no ordenamento jurídico brasileiro, na Convenção


Americana de Direitos Humanos, ou seja, no Pacto de San José da Costa Rica (artigo 8 o), e
sofre exceção nos casos de competência originária dos tribunais de segundo grau. Em se
tratando de competência originária, não há direito de apelação, mesmo que sejam, como são,
permitidos outros recursos, mas, que não são amplos como a apelação.

NA VISÃO DO STF, NÃO HÁ NENHUMA INCONSTITUCIONALIDADE NA PREVISÃO LEGAL QUE,


INIBINDO O ACESSO AO TRIBUNAL DE SEGUNDA INSTÂNCIA, ESTABELECE HIPÓTESES EM
QUE NÃO É CABÍVEL O RECURSO DE APELAÇÃO. Bem por isso, aliás, o STF reputa válido o art.
34 da Lei nº 6.830/80, que veda a interposição de recurso de apelação em se cuidando de
execuções fiscais de pequeno valor. Nesse sentido:

RECURSO EXTRAORDINÁRIO - ARTIGO 108, INCISO II, DA CONSTITUIÇÃO


FEDERAL - DESPROVIMENTO DO AGRAVO. Consoante a jurisprudência do
Supremo, o inciso II do artigo 108 da Lei Fundamental não é norma
instituidora de recurso. O dispositivo apenas define a competência para o
julgamento daqueles criados pela lei processual. Nada impede a opção
legislativa pela inviabilidade de inconformismo dirigido à segunda
instância. (STF, Primeira Turma, RE 460162 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio,
DJe de 12/03/2009)

Outros julgados que envolvem o princípio:

Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO


AGRAVO DE INSTRUMENTO, COM PEDIDO DE ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS
INFRINGENTES. SUPRIMENTO DE OMISSÃO QUANTO À ALEGAÇÃO DE
VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DUPLO GRAU DE
JURISDIÇÃO E DO JUIZ NATURAL. MATÉRIA DE CUNHO
INFRACONSTITUCIONAL, CONSTITUINDO EVENTUAL OFENSA INDIRETA OU
REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PERSISTÊNCIA DA INADMISSIBILIDADE
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DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. A garantia constitucional do duplo grau


de jurisdição (art. 5º, LV) insere-se no âmbito de proteção do princípio
constitucional da ampla defesa, insculpido no mesmo enunciado
normativo da Carta Magna, razão pela qual o tema foi enfrentado no
acórdão embargado sob essa ótica, consignando-se a natureza
infraconstitucional da controvérsia. 2. A violação do princípio constitucional
do juiz natural (art. 5º, LIII), implica suprir a omissão do acórdão embargado
para assentar que, também nessa hipótese, há eventual ofensa indireta ou
reflexa, que não autoriza a interposição do recurso extraordinário. 3.
Mantida a inadmissibilidade do recurso extraordinário, é de se rejeitar a
atribuição dos pretendidos efeitos infringentes. 4. Embargos declaratórios a
que se dá provimento parcial.

(AI 845223 AgR-ED, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em
13/03/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-066 DIVULG 30-03-2012 PUBLIC
02-04-2012)

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL PENAL. ALEGAÇÃO DE


OFENSA AO ARTIGO 5°, PARÁGRAFOS 1° E 3°, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO E CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS
HUMANOS. EMENDA CONSTITUCIONAL 45/04. GARANTIA QUE NÃO É
ABSOLUTA E DEVE SE COMPATIBILIZAR COM AS EXCEÇÕES PREVISTAS NO
PRÓPRIO TEXTO CONSTITUCIONAL. PRECEDENTE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO
AO PRINCÍPIO DA IGUALDADE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1.
Agravo que pretende exame do recurso extraordinário no qual se busca
viabilizar a interposição de recurso inominado, com efeito de apelação, de
decisão condenatória proferida por Tribunal Regional Federal, em sede de
competência criminal originária. 2. A Emenda Constitucional 45/04 atribuiu
aos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, desde
que aprovados na forma prevista no § 3º do art. 5º da Constituição Federal,
hierarquia constitucional. 3. Contudo, não obstante o fato de que o
princípio do duplo grau de jurisdição previsto na Convenção Americana de
Direitos Humanos tenha sido internalizado no direito doméstico brasileiro,
isto não significa que esse princípio revista-se de natureza absoluta. 4. A
própria Constituição Federal estabelece exceções ao princípio do duplo
grau de jurisdição. Não procede, assim, a tese de que a Emenda
Constitucional 45/04 introduziu na Constituição uma nova modalidade de
recurso inominado, de modo a conferir eficácia ao duplo grau de
jurisdição. 5. Alegação de violação ao princípio da igualdade que se repele
porque o agravante, na condição de magistrado, possui foro por
prerrogativa de função e, por conseguinte, não pode ser equiparado aos
demais cidadãos. O agravante foi julgado por 14 Desembargadores Federais
que integram a Corte Especial do Tribunal Regional Federal e fez uso de rito
processual que oferece possibilidade de defesa preliminar ao recebimento
da denúncia, o que não ocorre, de regra, no rito comum ordinário a que são
submetidas as demais pessoas. 6. Agravo regimental improvido.

(AI 601832 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma,


julgado em 17/03/2009, DJe-064 DIVULG 02-04-2009 PUBLIC 03-04-2009
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EMENT VOL-02355-06 PP-01129 RSJADV jun., 2009, p. 34-38 RT v. 98, n. 885,


2009, p. 518-524)

EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. SENTENÇA CONDENATÓRIA.


RECURSO DE APELAÇÃO. PROCESSAMENTO. POSSIBILIDADE.
DESNECESSIDADE DE RECOLHIMENTO DO RÉU À PRISÃO. DECRETO DE
CUSTÓDIA CAUTELAR NÃO PREJUDICADO. PRISÃO PREVENTIVA
SUBSISTENTE ENQUANTO PERDURAREM OS MOTIVOS QUE A MOTIVARAM.
ORDEM CONCEDIDA I - Independe do recolhimento à prisão o regular
processamento de recurso de apelação do condenado. II - O decreto de
prisão preventiva, porém, pode subsistir enquanto perdurarem os motivos
que justificaram a sua decretação. III - A garantia do devido processo legal
engloba o direito ao duplo grau de jurisdição, sobrepondo-se à exigência
prevista no art. 594 do CPP. IV - O acesso à instância resursal superior
consubstancia direito que se encontra incorporado ao sistema pátrio de
direitos e garantias fundamentais. V - Ainda que não se empreste
dignidade constitucional ao duplo grau de jurisdição, trata-se de garantia
prevista na Convenção Interamericana de Direitos Humanos, cuja
ratificação pelo Brasil deu-se em 1992, data posterior à promulgação Código
de Processo Penal. VI - A incorporação posterior ao ordenamento brasileiro
de regra prevista em tratado internacional tem o condão de modificar a
legislação ordinária que lhe é anterior. VII - Ordem concedida.

(HC 88420, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma,


julgado em 17/04/2007, DJe-032 DIVULG 06-06-2007 PUBLIC 08-06-2007 DJ
08-06-2007 PP-00037 EMENT VOL-02279-03 PP-00429 LEXSTF v. 29, n. 345,
2007, p. 466-474)

3.5. Regramento Processual das Pessoas Casadas

3.5.1. A Restrição da Capacidade Processual de Acordo com o CC/02


As restrições existentes no CC/02, as quais se relacionam, sobretudo, à necessidade de
consentimento do cônjuge, não se aplicam aos regimes de separação total convencional ou
obrigatória de bens e participação final nos aquestos em que o pacto antenupcial preveja a
não aplicação.

Assim, aplicam-se aos regimes de comunhão parcial, comunhão total e participação final nos
aquestos sem exclusão da comunhão no pacto antenupcial.

Nesses casos, o cônjuge somente poderá demandar em juízo, sobre direitos reais imobiliários,
se o outro lhe der autorização expressa. Há outras hipóteses:

a) Ações resultantes de fatos que digam respeito a ambos os cônjuges ou de atos por eles
praticados;

b) Fundadas em dívidas contraídas pelo cônjuge a bem da família, mas cuja execução
recaia sobre o produto do trabalho do outro.

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Não é caso de litisconsórcio ativo necessário – o qual, aliás, não existe em nosso direito; após
o consentimento, somente o cônjuge que propôs a ação será parte no processo. Se não houver
o consentimento, opera-se conforme o art. 11 do CPC:

Art. 11. A autorização do marido e a outorga da mulher podem suprir-se


judicialmente, quando um cônjuge a recuse ao outro sem justo motivo, ou
lhe seja impossível dá-la.

Parágrafo único. A falta, não suprida pelo juiz, da autorização ou da outorga,


quando necessária, invalida o processo.

Porém, se o cônjuge figurar como réu na ação que tenha o objeto citado (direito real
imobiliário), o outro também deverá ser citado, sendo, pois, caso de litisconsórcio passivo
necessário.

Caso o cônjuge não seja ouvido, ou não autorize, poderá ingressar no processo e pedir a
anulação dos atos até então praticados, ajuizar ação rescisória ou ajuizar ação
transrrecisória.

Também é obrigatória a intimação do cônjuge do devedor, quando houver penhora de bem


imóvel. Com a intimação, haverá formação de um litisconsórcio necessário superveniente; sua
falta é vício que pode ser arguido a qualquer tempo e grau de jurisdição, já que a sentença
prolatada nesta condição não possui eficácia (art. 47, CPC).

3.5.2. Forma e Prova do Consentimento


O consentimento é ato de prova livre, que poderá se manifestar sob qualquer forma, desde
que inequívoco.

3.5.3. Aplicação das Disposições sobre o Consentimento do Cônjuge na União Estável


Deverão ser aplicadas as disposições vistas para as pessoas casadas, observado o princípio da
proporcionalidade para se solucionar o conflito existente entre a proteção do instituto pela
CR/88 e as garantias processuais das partes. Deve-se seguir a seguinte orientação (Didier):

a) Caso se trate de união estável notória, o companheiro deve ser intimado;

b) Não sendo notória, mas for alegada nos autos, deve-se providenciar a integração do
ato com a intimação do companheiro faltante;

c) Se não se tratar de união notória e nem houver alegação nos autos, após o trânsito em
julgado somente caberia ao companheiro ação regressiva contra o outro, sem
possibilidade de se rescindir a sentença.

3.5.4. O Controle da Legitimidade Processual do Cônjuge


O embate aqui reside na dúvida sobre se o juiz poderá ou não exercer o controle de ofício, já
que o art. 1.649 do CC/02 dispõe que somente o cônjuge preterido teria legitimidade para
pleitear a invalidação dos atos praticados sem o seu consentimento.

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Nesses casos, Didier afirma que a melhor postura seria o juiz determinar que o cônjuge
apresente a prova do consentimento; não apresentada, utilizando-se do poder geral de
cautela, poderá o juiz mandar intimar o cônjuge preterido.

O silêncio do cônjuge preterido, após citado, deve ser interpretado como se autorizado
tivesse.

A outorga uxória, que é a concedida pelo juiz mediante a negativa de consentimento


injustificada, pelo outro cônjuge, será procedida mediante procedimento de jurisdição
voluntária e deve ter a obrigatória participação do MP como custos legis.

3.6. Curador Especial


É uma espécie de representante processual, nomeado ad hoc, para o incapaz que não tenha
representante ou com ele esteja em litígio, para o réu preso e para o revel, ambos sem
representante.

Estes dois últimos são materialmente capazes, mas processualmente incapazes, já que
ausentes fisicamente. Se o revel comparecer, a presença do curador especial tornar-se-á
desnecessária.

A nomeação do curador especial é uma técnica para equilibrar o direito de ação e o de defesa.

O curador especial é representante processual. Sua função será sempre temporária, podendo
durar, no máximo, até o trânsito em julgado da decisão final. O curador não é parte no
processo e terá função apenas defensiva, não podendo reconvir por não ter legitimidade para
fazer pedido em nome do réu.

PODERÁ, NO ENTANTO, FORMULAR DEFESA GENÉRICA.

O autor não poderá desistir da demanda sem que o consinta o curador especial; hoje, a função
de curador especial foi expressamente atribuída à Defensoria Pública.

3.7. Os Sujeitos do Processo


Sujeitos processuais são o juiz, as partes, seus advogados e quaisquer terceiros intervenientes,
como os opoentes, denunciantes etc.

Sobre o juiz:

O Min. Relator ressaltou que, apesar de o juiz não ser apenas um espectador
da lide, sua atuação não pode sobrepor-se aos deveres impostos às partes
na condição de sujeitos processuais, quanto mais se o CPC, quando permite
uma participação mais efetiva do juízo, faz isso expressamente (vide art. 130
desse código). REsp 1.133.706-SP, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em
1º/3/2011.

Quais são os deveres do Juiz? Embora na doutrina se encontre várias discussões sobre quais
sejam os deveres do Juiz, basicamente eles se condensam em dois deveres: primeiro, garantir
O CONTRADITÓRIO E O SEGUNDO DE DECIDIR AS QUESTÕES APRESENTADAS. Alguns

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autores falam em sentenciar, mas decisão, aqui, abrange qualquer tipo de decisão, decisão
interlocutória, sentença, acórdão, no caso dos Tribunais.

O Juiz possui poderes administrativos e poderes jurisdicionais. Os administrativos são


baseados num poder de polícia, sempre que o Juiz atuar no poder de polícia que dispõe, está
falando em poderes administrativos do Juiz, por exemplo, o Juiz manda retirar uma
testemunha da sala de audiência porque está se comportando inadequadamente, o Juiz
manda retirar uma das partes porque está intimidando a outra; os atos que o Juiz pratica no
cartório, na secretaria, são todos atos praticados com base no poder administrativo do juiz,
baseados no poder de polícia que lhe é atribuído. Mas também tem poderes jurisdicionais, são
aqueles praticados no curso do processo para realizar uma decisão e seu efetivo cumprimento.
Esses poderes podem ser poderes meios e poderes fim. Os chamados poderes meios são
todos aqueles que o Juiz pratica no sentido de viabilizar o julgamento da causa, todos os atos
que ele vai praticar no curso do processo, atos ordinatórios, atos de saneamento, atos
instrutórios, todos têm como finalidade permitir que, ao final, ele possa julgar a causa.

Os poderes fim são os atos decisórios praticados pelo Juiz e os atos de execução voltados para
o cumprimento dessa decisão, os atos de decisão e os atos de execução são chamados poderes
fim do Juiz.

3.7.1. Deveres e Direitos das Partes e Procuradores

3.7.1.1. Atos Atentatórios ao Exercício da Jurisdição – Contempt of Court (art. 14, CPC)
Trata-se de atos dirigidos contra a própria Justiça, o que em muito ultrapassa o atentado
contra a parte contrária. Esses atos são punidos com multa bastante elevada, que podem
chegar até 20% do valor da causa.

Evidentemente que ela será devida EM FAVOR DOS COFRES PÚBLICOS, não para a parte
contrária. São atos atentatórios o descumprimento das seguintes disposições do artigo 14 do
CPC. Porém, SOMENTE O DESCUMPRIMENTO DO INCISO V ENSEJA APLICAÇÃO DE MULTA DE
ATÉ 20%:

I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;

II - proceder com lealdade e boa-fé;

III - não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são
destituídas de fundamento;

IV - não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à


declaração ou defesa do direito.

V - cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar


embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória
ou final.

Parágrafo único. Ressalvados os advogados que se sujeitam exclusivamente


aos estatutos da OAB, a violação do disposto no inciso V deste artigo

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constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição, podendo o juiz, sem


prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao
responsável multa em montante a ser fixado de acordo com a gravidade da
conduta e não superior a vinte por cento do valor da causa; não sendo paga
no prazo estabelecido, contado do trânsito em julgado da decisão final da
causa, a multa será inscrita sempre como dívida ativa da União ou do
Estado.

Quem se sujeita à multa de 20%? Como visto, os advogados não se sujeitam. Defensores
públicos, procuradores e membros do MP também não. Igualmente, não se sujeitam os juízes,
os quais respondem a processo administrativo perante as Corregedorias. Logo, somente
restam as partes e terceiros intervenientes.

Porém, como visto, o conceito de parte é bem amplo. Assim, peritos, assistentes, opoentes
etc., todos podem sofrer a punição pela violação do art. 14, V. Nesse sentido:

PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE LAUDO DE


AVALIAÇÃO. EMBARAÇO À EFETIVAÇÃO DE PROVIMENTO JUDICIAL.
APLICAÇÃO DA MULTA DO ART. 14, V, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC.

1 – O art. 14, V, parágrafo único, do CPC apenas especificou o dever


genérico de obediência às ordens e decisões judiciais que já existia no
ordenamento jurídico, estabelecendo ainda sanção específica para a
hipótese de descumprimento. Seus preceitos evidenciam a censura ao
chamado Contempt of Court37, também presente no código de processo civil
alemão (Missachtung des Gerichts).

2 - Os deveres contidos no art. 14 do CPC são extensivos a quem quer que


cometa o atentado ao exercício da jurisdição. Por esse motivo, A MULTA
POR DESACATO À ATIVIDADE JURISDICIONAL PREVISTA PELO PARÁGRAFO
ÚNICO DESTE ARTIGO É APLICÁVEL NÃO SOMENTE ÀS PARTES E
TESTEMUNHAS, MAS TAMBÉM AOS PERITOS E ESPECIALISTAS QUE, POR
QUALQUER MOTIVO, DEIXAM DE APRESENTAR NOS AUTOS PARECER OU
AVALIAÇÃO. Na hipótese julgada, a empresa que estava incumbida da
entrega do laudo desempenhava função de perito.

Recurso conhecido e não provido.

37
Para o direito anglo-saxônico, o contempt of court significa a prática de qualquer ato que tenda a
ofender um tribunal na administração da justiça ou a diminuir sua autoridade ou dignidade, incluindo
a desobediência a uma ordem. O contempt of court se divide em criminal e civil, sendo que o criminal
destina-se à punição pela conduta atentatória praticada, enquanto o civil destina-se ao cumprimento da
decisão judicial, usando para tanto meios coercitivos. É possível que uma conduta desrespeitosa seja
passível, ao mesmo tempo, de contempt civil e criminal, seja no processo civil, seja no processo penal.
No contempt criminal (punitivo), o processo, autônomo, sumário, é instaurado de ofício ou por
provocação da parte interessada; no civil (coercitivo), a aplicação ocorre nos mesmos autos, mediante
provocação do interessado, garantida a ampla defesa. Admite-se transação sobre o contempt civil. As
sanções ensejadas pelo contempt, em qualquer de suas modalidades, são a prisão, a multa, a perda de
direitos processuais e o sequestro. No civil, a punição é por tempo indeterminado, até que haja o
cumprimento da ordem judicial. Se a decisão se tornar de impossível cumprimento, a sanção também
deve cessar, motivando, entretanto, o contempt criminal. A multa pode ser compensatória, ou não.
Quando compensatória, reverte ao prejudicado; quando coercitiva, reverte ao Estado, considerado o
grande prejudicado pela recalcitrância. A prisão, aplicada com prudência, é considerada medida de
grande praticidade para a efetividade do processo (GRINOVER, 2001, p. 104).
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(STJ, REsp 1013777/ES, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,


julgado em 13/04/2010, DJe 01/07/2010)

Essa multa pode ser imposta à Fazenda Pública?

Na doutrina há quatro correntes.

Primeira corrente de pensamento defende que a multa não pode ser imposta à Fazenda
Pública, porque se ela for imposta à Fazenda Pública e não for paga voluntariamente, será
inscrita na dívida ativa. Então, se você condenar a Fazenda Pública a pagar essa multa, no final
das contas quando inscrita na dívida ativa da União e Estado, vai ocorrer hipótese de confusão,
a mesma pessoa jurídica de direito público pode ser credora e devedora dela mesma. Existe
uma corrente que defende que a Fazenda Pública não pode ser condenada ao pagamento
dessa multa. Jose Rogério Cruz e Tutti em SP, mas não é a posição dominante.

Segunda corrente, do Ceara de Gilvencio Vasconcelos Vianna, defende que é possível a


imposição de multa contra a Fazenda Pública, mas quem paga é o servidor que deu causa ao
descumprimento da decisão judicial. A multa é imposta para a Fazenda, mas sai do bolso do
servidor que descumpriu a decisão, exemplo: o chefe do posto de benefício do INSS, ele não
cumpriu decisão judicial, é do bolso dele que vai sair o valor da multa, a multa é imposta à
Fazenda, mas ele é intimado para depositar o valor da multa.

Luiz Rodrigues Wambier passou a defender esse entendimento agora.

Existe uma terceira corrente que é do Alexandre Câmara que entende que cabe a imposição da
multa, mas ela deveria ser revertida para um fundo do Poder Judiciário, uma posição isolada
porque a lei expressamente prevê que ela será inscrita na dívida ativa da União ou do Estado.
Na doutrina e na jurisprudência é boa a posição do Alexandre Câmara, tem fundamento nos
EUA, mas aqui no Brasil não conseguiu adeptos.

Última posição é do Dinamarco e na doutrina é muito adotada. Dinamarco entende que cabe a
imposição da multa e, para evitar a confusão entre credor e devedor, ele diz assim: por
exemplo, 13ª Vara Federal do RJ, a multa foi imposta em face da União. A União foi condenada
a pagar a multa, vai chegar no final, essa multa vai ser inscrita na dívida ativa da União, ela vai
cobrar dela mesma, será hipótese de confusão. É essa confusão que se quer evitar. Então ele
diz assim: toda multa que é imposta para a União, o Juiz terá que verificar em qual Estado da
Federação tramitava e vai inscrever em dívida ativa em favor do Estado por onde a demanda
tramitava. No caso no Estado do RJ, o Estado do RJ é que vai ser credor, no caso dessa multa e
vice-versa.

O STJ SÓ FALA QUE A APLICAÇÃO DA MULTA É PERFEITAMENTE CABÍVEL À FAZENDA SÓ


QUE, COMO ELA SERÁ EXECUTADA, NÃO HÁ ESCLARECIMENTO NENHUM.

Veja que a multa deverá ser paga no prazo determinado pelo juiz, após o trânsito em
julgado, devendo ser inscrita na dívida ativa da JF ou na JE (logo, nunca será credora a
fazenda pública municipal).

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3.7.1.1.1. Contempt of Court X Astreintes


O Código de Processo Civil prevê diversas multas, vinculando cada uma delas a fatos geradores
distintos. No tema, ganha relevância, de um lado, o chamado contempt of court, significando,
em tradução literal, atentado à corte; de outro, vem à baila as chamadas astreintes.

Tem a doutrina apontado, em linhas gerais, o art. 14, parágrafo único do CPC, como a fonte do
contempt of court. Mas se esse é o dispositivo que mais intensamente se relaciona com o
instituto, não se pode deixar de também vinculá-lo ao art. 601 do CPC, que trata dos atos
atentatórios do exercício da jurisdição. Seja como for, pela novidade que representou, o art.
14, par. único, do CPC, merece específica abordagem, em ordem a decifrá-lo e diferenciá-lo da
não menos importante multa do art. 461, § § 4º e 5º, do CPC.

Com efeito, tem-se na multa do contempt of court a finalidade de se atingir aquele que atua
em desrespeito à própria função jurisdicional. Especificamente quanto à norma tratada, pune-
se aquele que não cumpre com exatidão os provimentos mandamentais, ou aquele que cria
embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final.

Embora ambas as multas, a do contempt of court e a astreinte, se encaixem dentro do


mesmo contexto de um processo civil de resultados, e produzam uma pressão psicológica no
infrator da conduta requerida, diferenças significantes existem.

A primeira se refere aos seus objetos imediato e mediato. Valemo-nos, então, de artigo escrito
pelo Desembargado Federal Paulo Afonso Brum Vaz, do TRF4, quando publicou na Revista do
Processo n. 118, o artigo intitulado O Contempt of Court no Novo Processo Civil:

“No contempt of court, a multa tem a função imediata de punir o menoscabo à função
jurisdicional (desrespeito à corte), e apenas mediatamente dirige-se a punir o prejuízo à
efetividade da prestação jurisdicional. As astreintes, ao contrário, estão imediatamente
vinculadas à efetividade da prestação jurisdicional e apenas mediatamente dirigidas a coibir o
ato atentatório à dignidade da Justiça. Dessarte, UMA MESMA CONDUTA DE QUE RESULTE O
DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO MANDAMENTAL DE FAZER OU NÃO FAZER PODERÁ
ENSEJAR A DUPLA INCIDÊNCIA DE MULTA: A DO ART. 14, PAR. ÚNICO (CONTEMPT OF
COURT), EM PROVEITO DO ESTADO, E A PREVISTA NO ART. 461, § 4º (§ 5º), EM FAVOR DA
PARTE QUE TENHA SIDO PREJUDICADA PELO DESCUMPRIMENTO DA ORDEM. Concedida, por
exemplo, uma antecipação de tutela determinando que o credor de um título de crédito se
abstenha de levá-lo a protesto, o descumprimento desta ordem de abstenção poderá ensejar a
dupla penalidade (astreintes e decorrente do contempt of court)”.

Nesse trecho, o autor já anunciou uma outra diferença entre essas multas: enquanto no
contempt of court do art. 14, par. único, o credor do montante é a União ou o Estado,
dependendo se se trata de Justiça da União ou estadual, no caso do art. 461, § 5º, o credor é a
parte adversária.

Aliás, o alcance subjetivo do art. 14, par. único, do CPC, mereceu o seguinte comentário do
autor citado:

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156

“Poderá a multa do par. único do art. 14 ser inflingida à pessoa física ou jurídica que deixa de
dar cumprimento à ordem; também ao empregado ou AGENTE PÚBLICO QUE, AGINDO
DELIBERADAMENTE OU APENAS COM CULPA, TENHA DADO CAUSA À DESATENÇÃO DA
ORDEM JUDICIAL, MESMO QUE NÃO FIGURE ELE COMO PARTE NO PROCESSO (…). O
empregado ou agente público que, encarregado de praticar determinado ato ou de abster-se
de praticá-lo, desatende à ordem judicial, sem justificativa legítima, poderá responder
pessoalmente pelo pagamento da multa em questão. (…) Hugo de Brito Machado entende que
a multa deve ser aplicada diretamente a quem corporifica a pessoa a não a esta: ‘(…) Quando a
parte seja a Fazenda Pública, a interpretação segundo a qual a multa seria aplicável à parte e
não a quem a corporifica mostra-se ainda mais inaceitável, pois na generalidade dos casos
implicaria anular a própria norma instituidora da sanção’.

A tese de Hugo de Brito Machado tem perfeita adaptabilidade às multas que devam ser pagas
pela União à própria União ou à multa que deva ser paga pelo Estado membro a ele próprio,
em caso de ato atentatório contra a dginidade da justiça cometido na Justiça Estadual. Não se
aplica, porém, quando demandadas entidades da administração indireta, que têm
personalidade jurídica própria e autonomia orçamentária e financeira”.

Também existe diferença no que toca à forma de se fixar a multa, é dizer, ao seu montante:

“O par. único do art. 14 do CPC, ao conferir poder judicial de aplicação de multa, em razão do
cometimento das condutas previstas no seu inc. V, não faz referência a dia-multa, dando a
entender que o valor da multa, que está limitado a 20% do valor da causa, será estabelecido
em montante fixo. De fato, em outra situação, no art. 461, § 4º, o legislador aludiu à multa
diária. Da mesma forma, na nova redação do § 5º do art. 461 possibilitou o legislador a
aplicação de multa por tempo de atraso, deixando margem ao juiz para fixar a periodicidade
em que a multa se renovaria, podendo ser diária, mensal ou observar outro critério que o
magistrado entenda adequado. Parece-nos, dessarte, que a multa do art. 14, par. único, à
míngua de previsão legal para fixação por tempo de atraso no cumprimento da decisão ou de
embaraço à efetividade do provimento judicial, deve ser estipulada em valor fixo”.

Cabe, por fim, tratar da exigibilidade e da exequibilidade da multa disposta no art. 14, par,
único do CPC, ainda seguindo feliz resumo de Paulo Afonso Brum Vaz:

“Pode-se dizer, em síntese, que a multa incide com o descumprimento da ordem no prazo
fixado, torna-se exigível com o trânsito em julgado da sentença e pode ser executada depois
de lançada em dívida ativa”.

Cabível, em arremate, formalizar este quadro:

CONTEMPT OF COURT (ART. 14, PAR. ASTREINTES (ART. 461, § § 4º E 5º,


ÚNICO, DO CPC) DO CPC)
Punir o menoscabo em relação Diretamente ligadas à
FINALIDADE IMEDIATA ao descumprimento de um efetividade do provimento
comando judicial judicial
União/Estado, com inscrição da
CREDOR Parte adversária
multa em dívida

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157

De livre fixação pelo magistrado,


que pode estabelecer a sua
periodicidade. Como se trata de
multa a impor o cumprimento
MONTANTE Até 20% sobre o valor da causa
de uma obrigação, o seu
montante a rigor não guarda
vinculação com o próprio
montante da obrigação principal

3.7.1.2. Responsabilidade das Partes por Danos Processuais (arts. 17 e 18, CPC)
Da má fé das partes resulta o dever de indenizar a parte contrária. Essa má fé é denominada
de litigância de má fé, e gera o dever de indenizar, IMPOSTO DE OFÍCIO OU A
REQUERIMENTO, fixado em até 1% do valor da causa.
Essa multa, diferentemente da multa do art. 14, p. único, SOMENTE SE APLICA AOS
LITIGANTES (AUTOR E RÉU).

AS HIPÓTESES DE LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ SÃO TAXATIVAS, somente podendo ser aplicada a


multa de 1% se subsumida a ocorrência a elas. São elas:

Art. 17. Reputa-se litigante de má-fé aquele que:

I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato


incontroverso;

II - alterar a verdade dos fatos;

III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;

IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo;

V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;

VI - provocar incidentes manifestamente infundados;

VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.

Art. 18. O juiz ou tribunal, DE OFÍCIO OU A REQUERIMENTO, condenará o


litigante de má-fé a pagar multa não excedente a um por cento sobre o
valor da causa e a indenizar a parte contrária dos prejuízos que esta sofreu,
mais os honorários advocatícios e todas as despesas que efetuou.

A litigância de má fé é punida de forma subjetiva, ou seja, deve ser demonstrado o dolo da


pessoa. Assim, mesmo em sendo a parte contrária ente público ou alguma das pessoas
previstas no art. 37, § 6º, da CR/88, não se poderá fazer em responsabilidade objetiva.

Essa multa do art. 18 pode ser cumulada com a multa do art. 14, V, p. único? Perfeitamente, já
que os destinatários das multas e seus fatos geradores são diferentes, não obstante as duas
terem caráter punitivo.

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Aquele que causar dano com sua conduta processual responde por litigância
de má-fé (arts. 17 e 18 do CPC). Porém, conforme o art. 16 do referido
codex, somente as partes, assim entendidas como autor, réu ou
interveniente, em sentido amplo, podem praticar o ato. Com efeito, todos
que, de qualquer forma, participam do processo têm o dever de agir com
lealdade e boa-fé (art. 14 do CPC). Apenas os litigantes estarão sujeitos à
multa e à indenização a que se refere o art. 18 do CPC em caso de má-fé.
Ademais, os danos eventualmente causados pela conduta do advogado
deverão ser aferidos em ação própria para esse fim, não podendo o
magistrado condenar o patrono da parte nas penas a que se refere o art. 18
do referido código, nos próprios autos do processo em que for praticada a
conduta de má-fé ou temerária (STJ, REsp 1.173.848-RS).

RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO PENAL. CONDENAÇÃO


DO ADVOGADO POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ NOS MESMOS AUTOS EM QUE
CONDENADA A PARTE POR ELE PATROCINADA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO
PROVIDO.

1. A utilização de mandado de segurança contra ato judicial é admitida


excepcionalmente, desde que o referido ato seja manifestamente ilegal ou
revestido de teratologia, o que ocorre na hipótese.

2. "Os danos eventualmente causados pela conduta do advogado deverão


ser aferidos em ação própria para esta finalidade, SENDO VEDADO AO
MAGISTRADO, NOS PRÓPRIOS AUTOS DO PROCESSO EM QUE FORA
PRATICADA A ALEGADA CONDUTA DE MÁ-FÉ OU TEMERÁRIA, CONDENAR
O PATRONO DA PARTE nas penas a que se refere o art. 18, do Código de
Processo Civil" (Resp 1173848/RS, 4.ª Turma, Rel. Min. LUÍS FELIPE
SALOMÃO, DJe de 10/05/2010 - sem grifos no orignal).

3. Recurso provido para cassar o acórdão impugnado e determinar a


devolução dos autos ao Tribunal de origem, para que se manifeste quanto
ao mérito do Mandado de Segurança n.º 2007.00.2.012946-7.

(RMS 27868/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em


25/10/2011, DJe 11/11/2011)

Essa multa por litigância de má fé somente se aplica aos litigantes, conforme julgado acima
transcrito. Não se aplica aos demais intervenientes do processo, os quais, entretanto, estão
sujeitos à multa por atos atentatórios contra o exercício da jurisdição.

3.7.1.3. Despesas e Custas Processuais


Regra geral, cabe a cada parte arcar com as despesas dos atos que realizarem, de forma
antecipada; as mesmas poderão ser ressarcidas ao final do processo, dever esse imposto à
parte sucumbente.

Assim, ao sucumbente cabe arcar com as custas (verbas pagas pela prática dos atos
processuais, conforme tabela da lei ou regimento interno do tribunal) e honorários
advocatícios da parte contrária.

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Caso a parte sucumbente seja beneficiada pela Justiça Gratuita, deve o juiz suspender a
execução da cobrança da custas e emolumentos pelo prazo de 05 anos, conforme a Lei nº
1.060/50, até que a parte tenha condições de pagar ou que prescreva a pretensão.

Os honorários serão fixados entre o mínimo de 10% e o máximo de 20% do valor da


condenação. Havendo sucumbência recíproca, as custas serão proporcionalmente distribuídas
e compensados os honorários advocatícios, salvo se a sucumbência de uma das partes for
mínima, hipótese em que a outra responderá por inteiro.

Serão fixados mediante apreciação equitativa do juiz os honorários nas causas em que:

a) Não houver condenação;

b) De pequeno valor;

c) De valor inestimável;

d) Causas em que for vencida a Fazenda Pública;

e) Nas execuções, embargadas ou não.

São isentos de pagamento de custas perante a Justiça Federal (Lei nº 9.289/96, art. 4º):

I - a União, os Estados, os Municípios, os Territórios Federais, o Distrito Federal e as


respectivas autarquias e fundações;

II - os que provarem insuficiência de recursos e os beneficiários da assistência judiciária


gratuita;

III - o Ministério Público;

IV - os autores nas ações populares, nas ações civis públicas e nas ações coletivas de que
trata o Código de Defesa do Consumidor, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé.

Parágrafo único. A isenção prevista neste artigo não alcança as entidades fiscalizadoras do
exercício profissional, nem exime as pessoas jurídicas referidas no inciso I da obrigação de
reembolsar as despesas judiciais feitas pela parte vencedora.

Há recente súmula do STJ que precisa ser conhecida e entendida:

Súmula 483, STJ: “O INSS não está obrigado a efetuar depósito prévio do preparo por gozar das
prerrogativas e privilégios da Fazenda Pública”. Por que o STJ editou essa súmula se o INSS é
autarquia e, por isso, é isento? Pois a isenção dele somente se aplica na Justiça Federal.
Perante a Justiça estadual, ele não tem isenção (salvo se o Estado a ele conceder). Assim, ele
precisa recolher custas. Ocorre que, por ser Fazenda Pública, possui o benefício do art. 27 do
CPC, que dispõe que as despesas dos atos por ele requeridos serão pagas apenas ao final, pelo
vencido.

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3.7.1.4. Advogados
A capacidade postulatória compete exclusivamente aos advogados, e aos estagiários, para
alguns atos. Munido da procuração, ele poderá realizar todos os atos do processo, salvo se
exigirem poderes especiais, quando a procuração deverá concedê-los.

Requerem poderes especiais os atos de receber citação, confessar, desistir, renunciar, receber,
dar quitação e firmar compromisso. Isso está previsto no art. 38, que deve ser interpretado de
forma estrita. Sobre a procuração nos autos:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO DO JUIZ. ART. 312


DO CPC. PROCURAÇÃO COM PODERES ESPECÍFICOS. DESNECESSIDADE. ART. 538,
PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 98/STJ.
1. Hipótese em que, apresentada exceção de suspeição em face de juiz de piso, a
medida não foi conhecida por ausência de procuração com poderes específicos em
nome do advogado peticionante.
2. No que tange à necessidade de poderes específicos para a apresentação de
exceção de suspeição, importante frisar que o art. 38 do CPC estabelece as regras
gerais de representação processual das partes por seus patronos, instituindo a
chamada cláusula ad judicia, referente à capacidade para prática de todos os atos
processuais.
3. O mesmo dispositivo, em sua parte final, enumera as exceções, que, como tais,
devem ser interpretadas restritivamente. Dentre as as exceções, a exigir poderes
específicos, não consta a apresentação de exceção de impedimento ou suspeição,
RAZÃO PELA QUAL O NÃO-CONHECIMENTO DA MEDIDA SOB O FUNDAMENTO DE
INEXISTÊNCIA DE PROCURAÇÃO COM PODERES ESPECÍFICOS É ILEGAL 38.
Precedentes.
[...](REsp 1233727/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 05/04/2011, DJe 05/05/2011)

O advogado poderá praticar atos reputados urgentes sem procuração, tendo o prazo de 15
dias para exibir o instrumento do mandato, prorrogável por mais 15. Se não sanada a falta de
procuração, os atos serão tidos por inexistentes (art. 37, CPC).

Sobre isso, entretanto, já se manifestou o STJ:

A representação processual do causídico é vício sanável nas instâncias


ordinárias, não estando o advogado adstrito ao prazo quinzenal (art. 37,
CPC) para juntar procuração aos autos e retificar o ato processual praticado.
É prazo de natureza dilatória, e não peremptória (STJ, REsp 264.101/RJ).

Deverá o advogado apor na inicial o endereço em que receberá as intimações (art. 39, I), sob
pena de indeferimento da inicial.

Caso a parte destitua seu advogado, deverá nomear outro no mesmo ato. Já se o advogado se
destituir, deverá continuar praticando os atos pela parte no prazo de 10 dias ou até que outro

38
Assim, agiu ilegalmente o TRF1 no julgado abaixo:
EXCEÇÃO DE IMPEDIMENTO. PROCURAÇÃO SEM PODERES ESPECÍFICOS. NÃO CONHECIMENTO.
A exceção de impedimento arguida por procurador constituído deverá ser acompanhada de
procuração específica para tal mister, sob pena de não ser conhecida por não cumprimento dos
requisitos impostos no procedimento reservado à exceção de suspeição, que se aplica
analogicamente. Unânime. (TRF1, 3T, Impedi 0009280- 83.2012.4.01.3500/GO, rel. Des. Federal
Tourinho Neto, em 11/06/2012.)
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seja nomeado. Ademais, a destituição deve ser expressa nos autos, com prova de
comunicação ao cliente. Se ele morrer, terá a parte 20 dias para nomear outro.

Recursos excepcionais interpostos por advogado sem procuração nos autos é considerado
INEXISTENTE. Nesse sentido:

Súmula 115, STJ: “Na instância especial é inexistente recurso interposto por advogado sem
procuração nos autos”.

3.9. O Neoprocessualismo39
A Constituição brasileira de 1988 ao contemplar amplos direitos e garantias fundamentais
tornou constitucionais os mais importantes fundamentos dos direitos materiais e processuais
(fenômeno da constitucionalização do direito infraconsticiocional).

Desse modo, alterou-se, radicalmente, o modo de construção (exegese) da norma jurídica.


Antes da constitucionalização do direito privado, como a Constituição não passava de uma
Carta Política, destituída de força normativa, a lei e os Códigos se colocavam no centro do
sistema jurídico.

A necessidade de legislação escrita como uma decorrência de segurança jurídica encontrou


seu ápice no século XIX. Foi exigência do iluminismo a sistematização racional do Direito, em
um ordenamento dotado de unidade, coerência e hierarquia. A codificação serviu para tornar
o ordenamento jurídico claro, harmônico e ordenado, mediante a previsão de princípios gerais
que informassem todo o corpo legislativo, evitando contradições, simplificando o
conhecimento do Direito e possibilitando a sua melhor aplicação e controle.

Em torno ao Code Napoleón, formou-se a Escola da Exegese, que erigiu este Código como
sendo a única fonte do Direito Civil, reduzindo o trabalho exegético à explicação literal dos
textos legais (dura lex sed lex). Houve, com efeito, uma tentativa de manipular
ideologicamente o Direito, com o fundamento de que a lei seria a tradução da vontade geral e
do bem comum. Essa manipulação ideológica partiu da burguesia que, pretendendo a
manutenção do status quo, visou ocultar o conflito de classes e de interesses, difundindo a
ideia de paz e harmonia, ordem e progresso, consenso e felicidade geral. Tratava-se, também,
de uma reação ao ancien régime, pois a codificação visava prevenir o arbítrio estatal contra
possíveis inovações judiciais. O juiz, portanto, deveria ser neutro aos interesses em jogo e aos
valores plasmados no Código, sendo considerado simplesmente como la bouche de la loi (a
boca da lei). A sentença deveria subsumir-se, direta e automaticamente, à lei para que, desta
forma, ficasse mais fácil controlar a atividade jurisdicional.

No entanto, neutralidade da lei e da jurisdição se justificam na identificação da “lei” com a


“vontade geral” e, portanto, na “lei” como sinônimo de “direito”. A premissa da lei geral e
abstrata, desenvolvida pelo Estado Liberal, propunha que todos os homens são livres e iguais,
bem como são dotados das mesmas necessidades. Tal concepção, ao afirmar que todos são
iguais perante a lei, pretendia acabar com os privilégios existentes no ancien regime e teve a

39
Retirado do artigo “Neoconstitucionalismo e Neoprocessualismo”, do Prof. Eduardo Cambi.
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162

sua importância histórica. Porém, não se sustenta, na medida em que ignora as diferenças
entre as pessoas e, assim, assegura a liberdade somente àqueles que têm condições
materiais mínimas de usufruir uma vida digna. A vontade geral da burguesia que ocupava o
Parlamento, no século XIX, e se expressava na lei perdeu o caráter genérico e abstrato. A lei,
no Estado Contemporâneo, é resultado de ajustes legislativos marcados pela vontade dos
lobbys e dos grupos de pressão. O fracasso da soberania do Parlamento e da concepção da lei
como vontade geral sepultaram o positivismo jurídico clássico centrado na identificação da lei
como expressão do direito.

A lei (e sua visão codificada do século XIX) perdeu sua posição central como fonte do direito
e passou a ser subordinada à Constituição, não valendo, por si só, mas somente se
conformada com a Constituição e, especialmente, se adequada aos direitos fundamentais. A
função dos juízes, pois, ao contrário do que desenvolvia Giuseppe Chiovenda, no início do
século XX, deixou de ser apenas atuar (declarar) a vontade concreta da lei e assumiu o caráter
constitucional, possibilitando, a partir da judicial review desenvolvida historicamente em 1.803
no caso Marbury v. Madison, o controle da constitucionalidade das leis e dos atos normativos.

A supremacia da Constituição sobre a lei e a repulsa à neutralidade da lei e da jurisdição


encontram, no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal um importante alicerce teórico.
Ao se incluir no rol do artigo 5º da CR a impossibilidade da lei excluir da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça ao direito, consagrou-se não apenas a garantia de inafastabilidade
da jurisdição (acesso à justiça), mas um verdadeiro direito fundamental à tutela jurisdicional
efetiva, célere e adequada (acesso à ordem jurídica justa).

Direito fundamental à ordem jurídica justa, direito fundamental ao processo justo e a visão
publicística do processo

O direito fundamental de acesso à justiça, previsto no artigo 5º, inciso XXXV, da CF, significa o
direito à ordem jurídica justa. Assim, A DESIGNAÇÃO ACESSO À JUSTIÇA NÃO SE LIMITA
APENAS À MERA ADMISSÃO AO PROCESSO OU À POSSIBILIDADE DE INGRESSO EM
JUÍZO, MAS, AO CONTRÁRIO, ESSA EXPRESSÃO DEVE SER INTERPRETADA
EXTENSIVAMENTE, COMPREENDENDO A NOÇÃO AMPLA DO ACESSO À ORDEM
JURÍDICA JUSTA, QUE ABRANGE: I) O INGRESSO EM JUÍZO; II) A OBSERVÂNCIA DAS
GARANTIAS COMPREENDIDAS NA CLÁUSULA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL; III) A
PARTICIPAÇÃO DIALÉTICA NA FORMAÇÃO DO CONVENCIMENTO DO JUIZ, QUE IRÁ
JULGAR A CAUSA (EFETIVIDADE DO CONTRADITÓRIO); IV) A ADEQUADA E
TEMPESTIVA ANÁLISE, PELO JUIZ, NATURAL E IMPARCIAL, DAS QUESTÕES
DISCUTIDAS NO PROCESSO (DECISÃO JUSTA E MOTIVADA); V) A CONSTRUÇÃO DE
TÉCNICAS PROCESSUAIS ADEQUADAS À TUTELA DOS DIREITOS MATERIAIS
(instrumentalidade do processo e efetividade dos direitos).

Por isso, para a noção de acesso à ordem jurídica justa converge o conjunto das garantias e
dos princípios constitucionais fundamentais ao direito processual, o qual se insere no
denominado direito fundamental ao processo justo.

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Esse direito ao processo justo compreende as principais garantias processuais, como as da


ação, da ampla defesa, da igualdade e do contraditório efetivo, do juiz natural, da publicidade
dos atos processuais, da independência e imparcialidade do juiz, da motivação das decisões
judiciais, da possibilidade de controle recursal das decisões etc. Desse modo, pode-se afirmar
que o direito ao processo justo é sinônimo do direito fundamental à tutela jurisdicional efetiva,
célere e adequada.

É IMPORTANTE FRISAR O FENÔMENO DA CONSTITUCIONALIZAÇÃO DOS DIREITOS E


DE RETIRAR DO CÓDIGO DE
GARANTIAS PROCESSUAIS, PORQUE, ALÉM
PROCESSO A CENTRALIDADE DO ORDENAMENTO PROCESSUAL
(FENÔMENO DA DESCODIFICAÇÃO), RESSALTA O CARÁTER PUBLICÍSTICO DO
PROCESSO.

Com efeito,
O PROCESSO DISTANCIA-SE DE UMA CONOTAÇÃO
PRIVATÍSTICA, DEIXANDO DE SER UM MECANISMO DE EXCLUSIVA
UTILIZAÇÃO INDIVIDUAL PARA SE TORNAR UM MEIO À DISPOSIÇÃO DO
ESTADO PARA A REALIZAÇÃO DA JUSTIÇA, QUE É UM VALOR
EMINENTEMENTE SOCIAL. O PROCESSO ESTÁ VOLTADO À TUTELA DE
UMA ORDEM SUPERIOR DE PRINCÍPIOS E DE VALORES QUE ESTÃO
ACIMA DOS INTERESSES CONTROVERTIDOS DAS PARTES (ordem pública) e
que, em seu conjunto, estão voltados à realização do bem comum. A preponderância da
ordem pública sobre os interesses privados em conflito manifesta-se em vários pontos da
dogmática processual, tais como, por exemplo, na garantia constitucional de inafastabilidade
da jurisdição, na garantia do juiz natural, no impulso oficial, no conhecimento de ofício
(objeções) e na autoridade do juiz, na liberdade de valoração das provas, no dever de
fundamentação das decisões judiciais, nas nulidades absolutas, nas indisponibilidades, no
contraditório efetivo e equilibrado, na ampla defesa, no dever de veracidade e de lealdade, na
repulsa à litigância de má fé etc.

Desse modo, os fins públicos buscados pelo processo, como instrumento democrático do
poder jurisdicional, transcendem os interesses individuais das partes na solução do litígio.
Esta visão publicística, imposta pela constitucionalização dos direitos e garantias processuais
(neoprocessualismo), não se esgota na sujeição das partes ao processo.

Direito fundamental à tutela jurisdicional, instrumentalidade do processo e a construção de


técnicas processuais adequadas à realização dos direitos materiais

A percepção de que a tutela jurisdicional efetiva, célere e adequada é um direito fundamental


(art. 5º, inc. XXXV, CF) vincula o legislador, o administrador e o juiz, isso porque os direitos
fundamentais possuem uma dimensão objetiva, ou seja, constituem um conjunto de valores
objetivos básicos e fins diretivos da ação positiva do Estado.

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Assim, é possível quebrar a clássica dicotomia entre direito e processo (substance-procedure),


passando-se a falar em instrumentalidade do processo e em técnicas processuais.

A INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO, COMO EXPLICA CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO,


TEM ASPECTOS NEGATIVOS E POSITIVOS. Sob o viés negativo, a instrumentalidade pretende
combater o formalismo (isto é, sem tornar o processo um conjunto de armadilhas
ardilosamente preparadas pela parte mais astuciosa em detrimento da mais incauta), capaz de
menosprezar o caráter instrumental (como bem sentiu o legislador ao adotar a fungibilidade
entre tutela cautelar e antecipada, no parágrafo 7º, do art. 273 do CPC), mas, ao mesmo
tempo, sem cair em um alternativismo destrambelhado, capaz de produzir a insegurança
jurídica. Por exemplo, a tese da relativização da coisa julgada material merece ser acolhida
para se tutelar os direitos da personalidade do filho que, com a chegada do DNA, pretende a
descoberta da verdade científica a respeito de seu suposto pai, mas não deve ser estendida de
forma desmensurada a gerar a instabilidade jurídico-social.

Sob o aspecto positivo, o processo deve ser apto a produzir todos os seus escopos
institucionais (jurídicos-políticos-sociais), em quatro campos fundamentais:

a) a admissão em juízo (envolvendo temas como o Juizado Especial Cível, a efetiva ampliação
das defensorias públicas e a consolidação do papel do Ministério Público na defesa de
interesses individuais homogêneos, coletivos e difusos);

b) o modo-de-ser do processo (abrangendo a dinâmica relação entre as partes, entre elas e o


juiz, bem como entre o juiz e o processo; a plenitude e a restrição das garantias processuais,
dentro do contexto do princípio da proporcionalidade; a elaboração de procedimentos
diferenciados à tutela dos direitos materiais etc);

c) a justiça das decisões (seja pela utilização de um procedimento válido e justo para se chegar
a decisão, seja pela reconstrução fiel dos fatos relevantes para a causa, seja ainda pela
adequada interpretação das regras e princípios aplicáveis ao caso concreto);

d) a efetividade das decisões (envolvendo temas como a melhor distribuição do ônus do tempo
do processo entre as partes, a ampliação das sentenças mandamentais e executivas lato sensu,
a concretização dos provimentos urgentes baseados em cognição sumária, o abandono da
rígida separação entre cognição e execução, a desmitificação da verdade processual “obtida”
formalmente com a coisa julgada etc).

O grande desafio do legislador e do juiz, na concretização do direito fundamental à tutela


jurisdicional adequada, célere e efetiva é a construção de técnicas processuais capazes de
tutelarem os direitos materiais.

No âmbito do processo civil, a depender do bem jurídico lesado, nem tudo deve ser
solucionado por intermédio do processo, mas aquilo que depender da técnica processual deve
ser resolvido de modo adequado.

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Por isto, a adoção do procedimento ordinário, prevista no Código de Processo Civil, deve ser a
exceção, não a regra, e ser utilizado tão somente quando não houver, no ordenamento
jurídico, outros instrumentos processuais mais adequados à realização do direito material.

O princípio da adequação do procedimento à causa assume grande relevância, na medida em


que o legislador, atendo às necessidades do direito material, permite uma tutela jurisdicional
mais célere e efetiva. O procedimento do mandado de segurança, permitindo apenas provas
pré-constituídas, é um bom exemplo de como um procedimento diferenciado pode contribuir
com a tutela célere dos direitos.

Não se pode ignorar que, em sua gênese, o processo civil estava ligado ao direito civil e, por
isto, seus institutos sempre estiveram voltados muito mais à tutela do patrimônio do que de
qualquer outro bem jurídico. Entretanto, o processo civil não se aplica somente ao direito
privado e, ainda que assim fosse, não se ignora que o próprio direito civil se alterou nos dois
últimos séculos, distanciando-se das matrizes liberais que marcaram o Código de Napoleão,
para assumir contornos publicísticos, aumentando a interferência do Estado-juiz nas relações
outrora reservadas apenas aos entes privados.

O Código de Processo Civil foi pensado para a tutela dos interesses individuais (direitos
subjetivos), sobretudo os de caráter patrimonial. A titularidade do direito subjetivo, irradiada
no ordenamento processual pelo princípio dispositivo (pelo qual a sorte do processo está, em
certa medida, entregue à vontade das partes), projetou o caráter eminentemente
individualista do CPC. Esta compreensão está expressa, por exemplo, em regras como as dos
artigos 6º (sobre a legitimação ordinária) e 472 (sobre os limites subjetivos da coisa julgada
material), cabendo ao titular do direito subjetivo o poder de fruir ou não dele, ou dele desistir,
transacionar etc, não podendo os efeitos da decisão ultrapassar a pessoa dos litigantes.

Assim, institutos como o da legitimidade ad causam, a prova, a sentença e a coisa julgada,


porque moldados sob o paradigma do Estado Liberal Clássico, impossibilitavam que a
sociedade civil organizada e os órgãos públicos de defesa dos interesses coletivos pudessem
levar e ver tutelados pelo Judiciário tais direitos de caráter transindividual. Com efeito, esses
institutos não acompanharam a passagem do Estado Liberal para o de Bem-Estar Social.

Três fatores acentuaram uma nova era de direitos, a partir de meados do século passado: i)
aumentaram os bens merecedores de tutela (as meras liberdades negativas, de religião,
opinião, imprensa etc, deram lugar aos direitos sociais e econômicos, a exigir uma intervenção
positiva do Estado); ii) surgiram outros sujeitos de direitos, além do indivíduo (singular), como
a família, as minorias étnicas e religiosas e toda a humanidade em seu conjunto; iii) o próprio
homem deixou de ser considerado em abstrato, para ser visto na concretude das relações
sociais, com base em diferentes critérios de diferenciação (sexo, idade, condições físicas etc),
passando a tratado especificamente como homem, mulher, homossexual, criança, idoso,
deficiente físico, consumidor etc.

Fatores como a circunstância do Código Civil ter deixado de ser o centro do ordenamento
jurídico, o surgimento dos microssistemas (Estatuto da Criança e do Adolescente, Código do
Consumidor, Estatuto do Idoso etc), o fenômeno da constitucionalização dos direitos
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166

materiais e processuais fundamentais, a crescente adoção da técnica legislativa das cláusulas


gerais e o aumento dos poderes do juiz EXPLICAM O SURGIMENTO DO
NEOPROCESSUALISMO.

Com o sepultamento do modelo liberal de direito, de cunho eminentemente patrimonial,


passando o Estado, por imposição constitucional, a tutelar bens jurídicos de caráter
extrapatrimonial (direitos da personalidade, direitos do consumidor, direito ao meio ambiente
saudável etc) os conceitos e institutos processuais clássicos precisaram ser revistos.

A descrença de que, pelo direito, se poderia obter a verdade, herança do pensamento


iluminista, permitiu a construção de técnicas cognitivas diferenciadas. A visualização do
tempo, como um ônus, a ser distribuído, de forma isonômica, entre as partes, contribuiu para
adiantar (para antes da sentença e do seu trânsito em julgado) à adequada e mais rápida
tutela jurisdicional.

A tutela antecipada, por isto, representa uma grande revolução conceitual na estrutura do
processo civil clássico, porque, em nome de uma técnica processual mais adequada a
realização dos direitos substanciais, quebra-se o mito do juiz que simplesmente servia para,
após tomar amplo conhecimento dos fatos, revelar a verdade, pela intermediação dos
acontecimentos com a lei.

Conhecer e Executar (efetivar) passou a ser duas necessidades contemporâneas à


concretização da tutela jurisdicional, superando-se o princípio liberal da nulla executio sine
titulo. Com efeito, a sentença condenatória e o meio de execução por sub-rogação (execução
forçada), que eram a regra no Código de Processo Civil, voltada somente para a tutela
ressarcitória, mostraram-se extremamente ineficientes, pois, a distribuição do ônus do tempo
do processo implicou a necessidade de se assumir alguns riscos, sem os quais sempre o autor
pagaria o preço da morosidade processual e direitos de caráter não-patrimonial não poderiam
ser adequadamente protegidos.

A aproximação da cognição à execução fez ruir a estrutura da classificação trinária das


sentenças, a qual, destituindo o juiz de poder de efetivar a decisão, impossibilitava a efetiva
tutela jurisdicional, sobretudo quando se pretendida evitar a lesão a bens jurídicos não
patrimoniais, os quais, para serem adequadamente protegidos, não poderiam ser sempre
convertidos em perdas e danos.

Logo, eram necessárias técnicas preventivas demandando, inclusive, a técnica da tutela


inibitória atípica a evitar que a ilicitude ocorresse ou continuasse a ocorrer, considerando que
a prevenção, nestas hipótese, é mais importante que a reparação. Por exemplo, se um
medicamento nocivo à saúde do consumidor (que, por hipótese, possa gerar câncer) seja
colocado no mercado, mais importante que buscar a proteção pecuniária ao consumidor
doente é evitar que o produto seja vendido.

Instrumentalidade e garantismo

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167

O grande desafio do neoprocessualismo, imposto pela constitucionalização das garantias


constitucionais fundamentais, é conciliar a instrumentalidade do processo, ramos do direito e,
por isto, influenciando a construção do neoprocessualismo.

Em outras palavras, a instrumentalidade do processo, relativizando o binômio substance-


procedure, permite a construção de técnicas processuais efetivas, rápidas e adequadas à
realização do direito processual. Este viés metodológico do neoprocessualismo, contudo,
precisa ser compatibilizado com o respeito aos direitos e garantias fundamentais do
demandado, no processo civil, e do acusado, no processo penal, que estão na essência do
garantismo.

3.9.1. Neoprocessualismo (Segundo Didier)


A evolução histórica do direito processual costuma ser dividida em três fases:

a) praxismo ou sincretismo, em que não havia distinção entre o processo e o direito material:
o processo era estudado apenas em seus aspectos práticos, sem preocupações científicas;

b) processualismo, em que se demarcam as fronteiras entre o direito processual e o direito


material, com o desenvolvimento científico das categorias processuais;

c) instrumentalismo, em que, não obstante se reconheçam as diferenças funcionais entre o


direito processual e o direito material, se estabelece entre eles uma relação circular de
interdependência: o direito processual concretiza e efetiva o direito material, que confere
ao primeiro o seu sentido (sobre a instrumentalidade, ver item anterior). Parece mais
adequado, porém, considerar a fase atual como uma quarta fase da evolução do direito
processual.

Não obstante mantidas as conquistas do processualismo e do instrumentalismo, a ciência teve


de avançar, e avançou. Fala-se, então, de um Neoprocessualismo: o estudo e a aplicação do
Direito Processual de acordo com esse novo modelo de repertório teórico. Já há significativa
bibliografia nacional que adota essa linha. O termo Neoprocessualismo tem uma interessante
função didática, pois remete rapidamente ao Neoconstitucionalismo, que, não obstante a sua
polissemia, traz a reboque todas as premissas metodológicas apontadas, além de toda
produção doutrinária a respeito do tema, já bastante difundida. Demais disso, o termo
Neoprocessualismo também pode ser útil por bem caracterizar um dos principais aspectos
deste estágio metodológico dos estudos sobre o direito processual: a revisão das categorias
processuais (cuja definição é a marca do processualismo do finaldo século XIX e meados do
século XX), a partir de novas premissas teóricas, o que justificaria o prefixo ‘neo’ . Na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil), sob a liderança de Carlos Alberto Alvaro de
Oliveira, costuma-se denominar esta fase do desenvolvimento do direito processual de
formalismo-valorativo, exatamente para destacar a importância que se deve dar aos valores
constitucionalmente protegidos na pauta de direitos fundamentais na construção e aplicação
do formalismo processual. As premissas deste pensamento são exatamente as mesmas do
chamado Neoprocessualismo, que, aliás, já foi considerado um formalismo ético, na feliz
expressão de RODRÍGUEZ URIBES. Embora seja correto afirmar que se trate de uma construção
teórica que nasce no contexto histórico do Neoconstitucionalismo, o formalismo-valorativo
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168

pauta-se, também, no reforço dos aspectos éticos do processo, com especial destaque para a
afirmação do princípi da cooperação (examinado no capítulo sobre os princípios do processo),
que é decorrência dos princípios do devido processo legal e da boa fé processual. Agrega-se,
aqui, o aspecto da moralidade, tão caro a boa parte dos pensadores neoconstitucionalistas´.

3.10. O Neoprivatismo no Processo Civil


A denominação “neoprivatismo” foi usada entre nós pelo professor Barbosa Moreira e parte
de um pressuposto historicamente acertado, de que a concepção originária do processo civil
era eminentemente privatista, onde a atuação do juiz era totalmente vinculada à iniciativa
das partes. Daí veio o movimento publicista, fenômeno que caracterizou o direito processual
privado ao longo dos últimos decênios, tanto no Brasil quanto no direito comparado,
consistente no reconhecimento de poderes mais incisivos aos juízes na condução das causas,
entre os quais ressalta-se o poder de requerer provas de ofício.

O neoprivatismo critica essa situação, argumentando que a concessão de poderes amplos


aos juízes desborda no ativismo judiciário e compromete os princípios cardinais do processo
civil, ou seja, a liberdade das partes e a segurança jurídica.

O neoprivatismo certamente ganhou relevante ressonância na legislação e prática forense


atuais. Pense-se por exemplo ao impulso que recebeu a arbitragem no Brasil, com respaldo e
respeito do Poder Judiciário. Pense-se, mais ainda, nos mutirões de conciliação, cujas
atividades de intermediação no mais das vezes são conduzidas por um leigo.

No entanto, isso não basta para dizer que o “publicismo” perdeu sua utilidade. Antes, num
contexto em que há notória disparidade econômica entre as partes, a existência de um juiz
atuante evita que a parte seja prejudicada por desídia de seu advogado. Além disso, a
tendência de ampliação “ultra partes” dos efeitos da coisa julgada (como acontece nos
processos coletivos e nas ações declaratórias de constitucionalidade), faz com que seja ainda
mais oportuno dar ao juiz poderes para que seu conhecimento de fatos e circunstâncias não
fique adstrito ao que as partes processuais desejam apresentar.

3.10. Observações de Provas


1. TRF3 – XVI – CESPE – QUESTÃO 47. A consideração pelo juiz da possibilidade de
existência de propósito protelatório do réu indica análise da situação conforme o
princípio da boa fé processual, sob o ângulo objetivo.

2. TRF3 – XIII – QUESTÃO 65. Começa a existência do processo desde o momento em que
a petição inicial é apresentada à Justiça.

3. TRF3 – XIII – QUESTÃO 63. O estrangeiro tem, no processo civil brasileiro, os mesmos
direitos que os nacionais.

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4. TRF3 – XIII – QUESTÃO 62. Relativamente à vigência da lei processual, tem-se que cada
ato processual rege-se pela lei de seu tempo40.

5. TRF4 – XIV – QUESTÃO 47. O juiz ou tribunal condenará o litigante de má fé a pagar a


multa não excedente a 1% do valor da causa, de ofício ou a requerimento da parte,
recaindo a multa sobre a parte contrária, VEDADA A CONDENAÇÃO SOLIDÁRIA AO
SEU ADVOGADO.

6. TRF4 – XIII – QUESTÃO 68. Os absolutamente incapazes serão representados em juízo


na forma da lei, tendo nada obstante, capacidade para figurar no polo ativo ou passivo
da lide.

7. TRF4 – XIII – QUESTÃO 60. Atribui-se a Alfredo Buzaid a criação da “Escola Processual
de São Paulo”, que influenciou decisivamente no plano de política legislativa do atual
CPC e em diversos institutos jurídicos, como, por exemplo, o da coisa julgada.

8. MPF – XXV – 2011 – QUESTÃO 82. O requisito da capacidade postulatória admite


exceções previstas em lei.

9. DPU – 2010 – CESPE – QUESTÃO 40. O máximo resultado com o mínimo de emprego
de atividade processuais é ideia que sintetiza o chamado princípio da economia
processual, sendo a reunião de processos conexos exemplo de aplicação desse
princípio, assim como a ação declaratória incidente.

10. EMAGIS – 2012/31 – QUESTÃO 11. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de


que os honorários de advogado são devidos pelo sucumbente ao curador especial
nomeado ao réu citado por edital41.

11. EMAGIS – 2012/31 – QUESTÃO 11. Embora o Defensor Público que funciona como
curador especial do réu preso, contra quem é movida ação de indenização por danos
morais, não faça jus a honorários advocatícios por conta dessa atuação, será o caso de
condenar a parte autora ao pagamento dos honorários sucumbenciais na hipótese da
demanda ser julgada improcedente42.

40
Assim, havendo alteração da lei no curso do processo, os novos atos deverão ser regidos pela nova lei,
salvo se esta prever determinada vacatio legis.
41
PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CURADOR ESPECIAL. RÉU REVEL CITADO POR
EDITAL. CABIMENTO. PARTE VENCIDA. 1. A jurisprudência do STJ já apontou no sentido de que os
honorários de advogado são devidos pelo sucumbente ao curador especial nomeado ao réu citado por
edital. Precedentes. 2. Recurso especial provido. (STJ, REsp 1308550, Rel. Min. Mauro Campbell, DJe de
25/04/2012)
42
Com efeito, entende o STJ que, embora não faça jus o Defensor Público a honorários advocatícios
simplesmente pelo exercício da curadoria especial - uma vez que essa é uma das suas atribuições legais
(art. 4º, XVI, da LC 80/84), para a qual é remunerado pelo Estado -, não há que se eximir a parte vencida
ao pagamento dos honorários sucumbenciais à parte vencedora (CPC, art. 20), ainda que esta estivesse
representada por Defensor Público atuando na função de curador especial (réu preso: CPC, art. 9º, II,
primeira parte). Noutras palavras: o Defensor Público que atua como curador especial não tem direito a
honorários advocatícios pelo só-fato de ter atuado como tal, mas, caso a parte a quem representara
tenha se saído vencedora do litígio, haverá a condenação da parte vencida nos honorários
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12. EMAGIS – 2012/31 – QUESTÃO 11. Conquanto se saiba que o CPC prevê a nomeação
de curador especial caso os interesses do incapaz colidam com os de seus
representantes legais (art. 9º, I), firmou-se a jurisprudência em que não é necessário
nomear-lhe tal curador na ação de destituição de poder familiar ajuizada pelo
Ministério Público, uma vez que o órgão ministerial, nessa hipótese, já está zelando
pelo respeito aos direitos e interesses da criança ou adolescente.

13. EMAGIS – 2012/24 – QUESTÃO 10. A procuração geral para o foro, conferida por
instrumento público, ou particular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar
todos os atos do processo, salvo para receber citação inicial, confessar, reconhecer a
procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre que se funda a
ação, receber, dar quitação e firmar compromisso (art. 38, CPC).

14. EMAGIS – 2012/29 – QUESTÃO 11. Em caso de litigância de má-fé (CPC, art. 18), o juiz
não pode fixar multa superior a 1% (um por cento) sobre o valor da causa43.

15. EMAGIS – 2012/29 – QUESTÃO 11. Em determinada ação de rito sumário que tramita
perante a Justiça Estadual da Comarca de Augusto Pestana/RS, o juiz identificou que o
representante legal de uma certa empresa, no interesse desta, criou embaraços à
efetivação de um provimento judicial antecipatório. Aplicou-lhe, então, multa no valor
de R$ 10.000,00 (dez mil reais), determinando o seu pagamento no prazo de 48
(quarenta e oito) horas a contar do trânsito em julgado. Nesse caso, não havendo
pagamento no prazo estabelecido, a multa será inscrita como dívida ativa do Estado.

16. EMAGIS – 2012/29 – QUESTÃO 11. De acordo com recente julgado do STJ, as
astreintes aplicadas pelo juiz em razão do descumprimento da obrigação de fazer
fixada na sentença são devidas ao credor da obrigação, e não ao Estado.

17. EMAGIS – 2012/24 – QUESTÃO 10. Na instância especial é inexistente recurso


interposto por advogado sem procuração nos autos.

18. EMAGIS – 2012/24 – QUESTÃO 10. Não se exige procuração com poderes especiais a
fim de que o causídico possa suscitar exceção de suspeição do magistrado da causa44.

sucumbenciais (CPC, art. 20). Esclareça-se, apenas, que, nesse caso, os honorários sucubenciais serão
destinados à instituição (Defensoria Pública), e não propriamente àquele Defensor Público que tenha
atuado como curador especial.
43
Com efeito, tecnicamente, em caso de litigância de má-fé, a multa aplicada pelo juiz tem um limite
prefixado pelo legislador: 1% sobre o valor da causa. O que pode ocorrer, sim, é a condenação
cumulativa desse litigante a indenizar a parte contrária quanto a prejuízos por esta efetivamente
suportados, afora os honorários advocatícios e todas as despesas que realizou; tal indenização, importa
frisar, poderá ser fixada desde logo pelo juiz, em quantia não superior a 20% sobre o valor da causa, ou,
então, deixar para ser apurada em liquidação de sentença. Tais conclusões podem ser extraídas do art.
18, caput ("O juiz ou tribunal, de ofício ou a requerimento, condenará o litigante de má-fé a pagar multa
não excedente a um por cento sobre o valor da causa e a indenizar a parte contrária dos prejuízos que
esta sofreu, mais os honorários advocatícios e todas as despesas que efetuou") e § 2º ("O valor da
indenização será desde logo fixado pelo juiz, em quantia não superior a 20% sobre o valor da causa, ou
liquidado por arbitramento"), do CPC.
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19. EMAGIS – 2012/19 – QUESTÃO 12. O acordo ou a transação celebrados diretamente


pela parte ou por intermédio de procurador para extinguir ou encerrar processo
judicial, inclusive nos casos de extensão administrativa de pagamentos postulados em
juízo, implicará sempre a responsabilidade de cada uma das partes pelo pagamento
dos honorários de seus respectivos advogados, mesmo que tenham sido objeto de
condenação transitada em julgado.

20. EMAGIS – 2012/19 – QUESTÃO 12. De acordo com recente julgado do STJ, se, numa
determinada ação, o Município litigar ao lado de litisconsorte que tenha procurador
diverso, não cabe a aplicação conjugada dos arts. 188 ("Computar-se-á em quádruplo
o prazo para contestar e em dobro para recorrer quando a parte for a Fazenda Pública
ou o Ministério Público") e 191 do CPC ("Quando os litisconsortes tiverem diferentes
procuradores, ser-lhes-ão contados em dobro os prazos para contestar, para recorrer
e, de modo geral, para falar nos autos"), de forma a reconhecer-lhe prazo em
quádruplo para recorrer.

21. EMAGIS – 2012/19 – QUESTÃO 12. A Corte Especial do STJ firmou compreensão no
sentido de que a exigência do prévio depósito da multa prevista no art. 557, § 2º, do
CPC ("Quando manifestamente inadmissível ou infundado o agravo, o tribunal
condenará o agravante a pagar ao agravado multa entre um e dez por cento do valor
corrigido da causa, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao
depósito do respectivo valor") não se aplica à Fazenda Pública.

22. EMAGIS – 2012/18 – QUESTÃO 10. É dever das partes e de todos aqueles que de
qualquer forma participam do processo cumprir com exatidão os provimentos
mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de
natureza antecipatória ou final. Ressalvados os advogados públicos45 e os advogados

44
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO DO JUIZ. ART. 312 DO CPC.
PROCURAÇÃO COM PODERES ESPECÍFICOS. DESNECESSIDADE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC.
MULTA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 98/STJ.
1. Hipótese em que, apresentada exceção de suspeição em face de juiz de piso, a medida não foi
conhecida por ausência de procuração com poderes específicos em nome do advogado peticionante.
2. No que tange à necessidade de poderes específicos para a apresentação de exceção de suspeição,
importante frisar que o art. 38 do CPC estabelece as regras gerais de representação processual das
partes por seus patronos, instituindo a chamada cláusula ad judicia, referente à capacidade para
prática de todos os atos processuais.
3. O mesmo dispositivo, em sua parte final, enumera as exceções, que, como tais, devem ser
interpretadas restritivamente. Dentre as as exceções, a exigir poderes específicos, não consta a
apresentação de exceção de impedimento ou suspeição, RAZÃO PELA QUAL O NÃO-CONHECIMENTO
DA MEDIDA SOB O FUNDAMENTO DE INEXISTÊNCIA DE PROCURAÇÃO COM PODERES ESPECÍFICOS É
ILEGAL. Precedentes.
[...](REsp 1233727/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
05/04/2011, DJe 05/05/2011)
45
O CPC não prevê os advogados públicos. Trata-se de questão sobre a qual o STF teve de se manifestar:
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPUGNAÇÃO AO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 14
DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, NA REDAÇÁO DADA PELA LEI 10358/2001. PROCEDÊNCIA DO
PEDIDO. 1. Impugnação ao parágrafo único do artigo 14 do Código de Processo Civil, na parte em
que ressalva "os advogados que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB" da imposição de
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172

que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB, a violação desse dever constitui
ato atentatório ao exercício da jurisdição, podendo o juiz, sem prejuízo das sanções
criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa em montante a ser
fixado de acordo com a gravidade da conduta e não superior a vinte por cento do valor
da causa; não sendo paga no prazo estabelecido, contado do trânsito em julgado da
decisão final da causa, a multa será inscrita sempre como dívida ativa da União ou do
Estado (art. 14, c/c p. único, CPC).

23. EMAGIS – 2012/18 – QUESTÃO 10. O juiz ou tribunal, de ofício ou a requerimento,


condenará o litigante de má-fé a pagar multa não excedente a um por cento sobre o
valor da causa e a indenizar a parte contrária dos prejuízos que esta sofreu, mais os
honorários advocatícios e todas as despesas que efetuou. É certo dizer, ademais, que o
valor dessa indenização será desde logo fixado pelo juiz, em quantia não superior a
20% (vinte por cento) sobre o valor da causa, ou liquidado por arbitramento (art. 18,
CPC).

24. EMAGIS – 2012/18 – QUESTÃO 10. Não é possível ao juiz, nos próprios autos do
processo em que fora praticada a conduta maliciosa, condenar o patrono da parte a
multa por litigância de má-fé.

25. EMAGIS – 2012/01 – QUESTÃO 12. O juiz dará curador especial ao incapaz, se não tiver
representante legal, ou se os interesses deste colidirem com os daquele.

26. EMAGIS – 2012/01 – QUESTÃO 12. Ao executado que, citado por edital ou por hora
certa, permanecer revel, será nomeado curador especial, com legitimidade para
apresentação de embargos46.

27. EMAGIS – 2012/01 – QUESTÃO 12. Segundo entendimento pacificado pelo Superior
Tribunal de Justiça, o curador especial é dispensado de oferecer garantia ao Juízo para
opor embargos à execução, mesmo antes da Lei 11.382/0647.

multa por obstrução à Justiça. Discriminação em relação aos advogados vinculados a entes estatais,
que estão submetidos a regime estatutário próprio da entidade. Violação ao princípio da isonomia e
ao da inviolabilidade no exercício da profissão. Interpretação adequada, para afastar o injustificado
discrímen. 2. Ação Direta de Inconstitucionalidade julgada procedente para, sem redução de texto,
dar interpretação ao parágrafo único do artigo 14 do Código de Processo Civil conforme a
Constituição Federal e declarar que a ressalva contida na parte inicial desse artigo alcança todos os
advogados, com esse título atuando em juízo, independentemente de estarem sujeitos também a
outros regimes jurídicos. (STF, ADI 2652, Rel. Min. Maurício Correa, DJ de 14/11/2003)
46
Súmula 196, STJ.
47
RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO.
REVELIA. NOMEAÇÃO DE CURADOR ESPECIAL. DEFENSORIA PÚBLICA. GARANTIA DO JUÍZO, NOS TERMOS DO
REVOGADO ART. 737, INCISO I, DO CPC. INEXIBILIDADE. [...] 3. É dispensado o curador especial de oferecer
garantia ao Juízo para opor embargos à execução. Com efeito, seria um contra-senso admitir a legitimidade do
curador especial para a oposição de embargos, mas exigir que, por iniciativa própria, garantisse o juízo em nome
do réu revel, mormente em se tratando de defensoria pública, na medida em que consubstanciaria
desproporcional embaraço ao exercício do que se constitui um munus publico, com nítido propósito de se garantir
o direito ao contraditório e à ampla defesa. (STJ, REsp 1110548/PB, Rel. Ministra LAURITA VAZ, CORTE ESPECIAL,
julgado em 25/02/2010, DJe 26/04/2010)
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28. EMAGIS – 2012/01 – QUESTÃO 12. Se a parte, mesmo estando presa, tem patrono
nomeado nos autos, torna-se absolutamente despicienda a indicação de um curador
especial para representá-la.

29. EMAGIS – 2011/43 – QUESTÃO 10. É desnecessária a autenticação de cópia de


procuração e de substabelecimento, porquanto se presumem verdadeiros os
documentos juntados aos autos pelas partes, cabendo a elas argüir a falsidade48.

30. EMAGIS – 2011/43 – QUESTÃO 10. Na instância especial é inexistente recurso


interposto por advogado sem procuração nos autos49.

31. GEMAF – 2010/08 – QUESTÃO 07. Existe estreita relação entre a capacidade
processual e a capacidade para o exercício de direitos, de modo que a primeira quase
sempre pressupõe a segunda, sem embargo da existência de exceções, como na
hipótese da ação popular, que pode ser ajuizada por eleitor de dezesseis anos de
idade.

32. Capacidade postulatória é a capacidade deferida pela lei ao advogado de poder agir e
falar em nome das partes em juízo.

33. A colusão, que ocorre quando autor e réu se utilizam do processo para simular algo ou
para fim proibido por lei, pode ser conhecida de ofício e suscitada por terceiros.

34. Se o representante legal do incapaz tiver interesses colidentes com os do


representado, nomear-lhe-á curador especial.

35. O menor relativamente incapaz deve ser citado pessoalmente, mesmo assistido pelos
pais.

36. O interdito é absolutamente incapaz e deve ser representado em juízo por seu
curador.

37. A União, se for parte na causa, deve depositar previamente os honorários do perito,
relativamente à perícia por ela requerida.

38. As despesas dos atos processuais efetuadas a requerimento do MP serão pagas a final
pelo vencido.

48
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL.
PROCURAÇÃO. AUTENTICAÇÃO. DESNECESSIDADE. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM DE AUTENTICIDADE. AUSÊNCIA DE
IMPUGNAÇÃO DA FIDELIDADE DO DOCUMENTO. SÚMULA N. 168/STJ.
1. É desnecessária a autenticação de cópia de procuração e de substabelecimento, porquanto se presumem
verdadeiros os documentos juntados aos autos pelas partes, cabendo a elas argüir a falsidade. Precedentes da
Corte Especial.
[...]
(EREsp 725740/PA, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 18/12/2009, DJe
08/02/2010)
49
Súmula 115, STJ.
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174

39. Os honorários advocatícios em desapropriação direta são calculados sobre a diferença


entre a indenização e a oferta, corrigidos monetariamente.

40. Os honorários advocatícios em ações previdenciárias não incidem sobre prestações


vincendas.

4. Ação
A palavra ação pode ser entendida de várias formas: ação como direito cívico, ação como
direito a um processo justo e équo, ação como direito à jurisdição, ação no sentido de
demanda e ação de direito material. São estas as cinco acepções como a palavra ação pode ser
compreendida.

Ação como direito cívico é aquela ação a que se refere a Constituição da República, no artigo
5º, XXXV, é a palavra ação abstratamente concebida, ou seja, qualquer um de nós possui
direito de ação. Aquela ideia de que nenhuma lesão ou ameaça de lesão estará excluída de
análise do poder judiciário é exatamente esta como direito cívico. Por isso, ela tem um
conteúdo constitucional, ampla, aberta.

“XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça


a direito;”

A palavra ação como direito justo e équo está mais ligada à ideia de processo sob o
contraditório. Afirma que autor e réu possuem as mesmas faculdades, direitos, obrigações,
ônus e sujeições. Autor e réu devem ser tratados de maneira equânime, paritária, justa.
Devem ter os mesmos poderes de influir no convencimento do juiz. É uma acepção muito
adotada na Procuradoria da República.

A palavra ação como direito a jurisdição tem um sentido processual. É o meio através do qual
se provoca o Estado para prestar a atividade jurisdicional, mas para que esta provocação surta
efeito, eu, interessado, tenho que preencher determinados requisitos ou, como diz a lei, tenho
que preencher determinadas condições, as chamadas condições da ação.

A palavra ação como demanda. Sempre que se utilizar a palavra ação lembre-se que possui
uma concepção abstrata. Fica no plano das ideias: eu pretendo ajuizar uma ação, eu vou
ajuizar uma ação. A partir do momento em que se materializa este direito de ação em uma
petição, saindo do plano das ideias, passa-se a falar em demanda, que é a materialização do
direito de ação50. É a concretização do direito de ação. Quando o CPC fala em suspensão da
ação, na verdade, fala em suspensão da demanda. Se você vai ajuizar não é uma ação é uma
demanda porque está materializada. Passou para o plano concreto não se chama mais de
ação, mas de demanda.

50
É por isto que alguns doutrinadores defendem ser errado afirmar que foi ajuizada uma ação, pois o
correto é dizer ajuizar uma demanda: parte-se do pressuposto que apenas uma relação materializada (e
por isto, uma demanda) pode ser ajuizada
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175

A palavra ação como direito material deve ser analisada com mais calma. No sul do país
muitos afirmam que ação de direito material continua existindo, mas tirando esta região do
país, no norte, nordeste, sudeste a ação de direito material está extinta. O problema é
examinar se ainda existe ou se foi extinta, e como se chegou a esta conclusão.

Caracterizado que o devedor não irá cumprir a obrigação surge o que se denomina de ação de
direito material. Ela representa atos, que eu, credor, poderia praticar por minhas próprias
forças para obter a satisfação da obrigação. Só que o problema é que o Estado proibiu a
autotutela, inclusive existe um tipo penal para esta hipótese, que é o exercício arbitrário das
próprias razões. Surge um problema: a ação de direito material ainda existe ou foi extinta do
nosso ordenamento?

Existem duas correntes:

Uma primeira corrente afirma que ela foi extinta salvo nas exceções expressamente
mencionadas no ordenamento. São as hipóteses de desforço imediato, se lembra das
hipóteses em que o proprietário por suas próprias forças pode repelir esbulho, turbação é o
desforço pessoal imediato, ainda há outras hipóteses como o direito de defesa, o direito de
greve, a retenção de bagagem, a retenção por benfeitorias. Então, para os adeptos desta
primeira corrente, a ação de direito material está extinta salvo nas exceções expressas no
ordenamento.

Para uma segunda corrente, com destaque no sul do país, além das exceções a ação de direito
material agora também seria relacionada àqueles atos de execução praticados pelo Estado.
Então, entenderam que se o indivíduo não pode exercer mais ação de direito material porque
o Estado proibiu, o Estado, no entanto, possibilitou que o indivíduo exercesse o direito de ação
para provocá-lo (ao Estado) a exercer o direito material. Proibiu a ação de direito material, mas
abriu a possibilidade da ação de direito processual.

Para exercer a jurisdição ele precisa de um processo, dentro deste processo o interessado fará
um pedido, esse pedido nada mais significa do que uma pretensão feita dentro do processo, a
chamada pretensão processual. Formulada no processo dentro do pedido, feito o pedido ele
vai ser julgado por uma sentença que vai transitar em julgado fazendo coisa julgada formal e
material. Passa-se para a fase de execução. Dependendo do tipo de obrigação a fase de
execução pode variar. Mas nesta fase de execução o Estado pratica atos de execução:
bloquear verbas em conta corrente, bloquear bens, arrestar bens. São esses atos de execução
que para esta segunda corrente passaram a ser ação de direito material.

Impossibilidade da lei excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou


AÇÃO COMO DIREITO CÍVICO
ameaça a direito
Ideia de processo sob o contraditório. Afirma que autor e réu possuem
AÇÃO COMO DIREITO JUSTO
as mesmas faculdades, direitos, obrigações, ônus e sujeições. Autor e
E ÉQUO
réu devem ser tratados de maneira equânime, paritária, justa.
AÇÃO COMO DIREITO À Possibilidade abstrata que todos possuem de buscar a tutela do
JURISDIÇÃO Judiciário, preenchidas as condições de ação.
AÇÃO COMO DEMANDA É a ação ajuizada, exercício concreto do direito de ação.
AÇÃO COMO DIREITO Atos exercidos pela pessoa de satisfação do próprio direito. Vedado pelo

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176

MATERIAL ordenamento, salvo em casos excepcionais como no desforço imediato.

4.1. Teorias da Ação


O CPC expressamente consagrou a teoria eclética da ação. Entretanto, imprescindível
conhecer todas as concepções.

a) Teoria imanentista (civilista): teoria em que o direito de ação é considerado o próprio


direito material em movimento, reagindo a uma agressão ou a uma ameaça de
agressão. Trata-se de uma teoria romanista completamente ultrapassada.

b) Teoria concreta da ação: também conhecida como teoria do direito concreto de ação,
foi a primeira que fez distinção entre direito de ação e direito material. O erro dessa
teoria foi afirmar que o direito de ação só existe quando existir o direito material,
condicionando a existência do primeiro à do segundo, ao provimento do pedido. Caso
improcedente, não teria o autor direito de ação desde o início. É teoria errada e
ultrapassada, que confunde alhos com bugalhos.

c) Teoria potestativa do direito de ação: seu mentor é Chiovenda, os adeptos desta teoria
também eram concretistas, para eles, só possui direito de ação quem possui direito
material. Eles se distinguiam da concretista porque, segundo eles, o direito de ação
não era um direito subjetivo, porque não era exercido somente em face do Estado, o
direito de ação era exercido em face do réu e o réu se sujeitava a esse direito, não
tinha como se opor. Então, se não tinha o que fazer não era um direito subjetivo, era
um direito potestativo. Porque este impõe a outra parte aquela obrigação. A teoria foi
banida porque sendo também concretista não respondia às indagações.

d) Teoria abstrata: o direito de ação seria um direito abstrato incondicionado e


autônomo de obter um pronunciamento do Estado, por meio de decisão judicial. Por
ser incondicionado, para os abstrativistas puros inexistem as condições de ação, não se
podendo falar, v.g., em carência de ação.

e) Teoria eclética: teoria atribuída a Liebman, consiste na teoria abstrata com


temperamentos. Para essa teoria, o direito de ação é completamente independente
do direito material, existindo de forma autônoma. Não é, entretanto, incondicional e
genérico, porque só existe quando o autor tem o direito a um julgamento de mérito, o
qual só ocorrerá se preenchidos determinado requisitos.

Essa teoria defende o preenchimento das condições de ação, as quais não se


confundem com o mérito, sendo analisadas preliminarmente e, quando ausentes,
geram uma sentença terminativa de mérito sem a formação da coisa julgada material.

Imanentista ou Civilista
Concreta
Teorias da Ação Potestativa
Abstrata
Eclética (ADOTADA NO BRASIL)

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177

Por que Liebman inseriu as condições de ação? Liebman concebeu que há uma infinidade de
processos nos quais, ao final, o juiz verifica que a parte, autor ou réu, não era legítima ou
carecia de interesse de agir; então, havia um grande dispêndio de dinheiro com a prática
desses atos processuais para somente no final o juiz dizer que não havia interesse. Com isso,
ele retirou a legitimidade e o interesse do final para que fossem analisados antes, no momento
anterior, nesse momento anterior de análise, ele acrescentou a possibilidade jurídica do
pedido, porque ele entendia que determinados pedidos eram proibidos pela lei.

Posteriormente, ele reformou sua teoria. Com a exclusão da impossibilidade do divórcio no


ordenamento italiano, ele retirou a possibilidade jurídica do pedido como uma das condições
da ação

Podem te perguntar em concurso se a legitimidade e o interesse são matérias de mérito ou


não. Originariamente a legitimidade e o interesse estavam no final, ou seja, eram matérias de
mérito, mas passaram para um momento anterior, então alguns chamam de mérito lato sensu
e o pedido que ficou para ser analisado no final é mérito stricto sensu. A antecipação da
análise da legitimidade e do interesse, para boa parte da doutrina, não mudou sua natureza.
Só que o legislador escolheu que a análise da legitimidade e do interesse como condição da
ação não faz coisa julgada. Artigo 267 do CPC.

“Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de mérito:

Vl - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a


possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual;”

Se só for analisar a legitimidade e o interesse no mérito, aí faz coisa julgada que é o que
veremos quando analisarmos a teoria da asserção, que diz que depende do local em que se
examinar esta matéria, se examinar como condição da ação não faz coisa julgada, mas se
examinar no final tem gente que entende que faz.

Para a melhor doutrina, AS CONDIÇÕES DE AÇÃO DEVEM ESTAR PRESENTES NO MOMENTO


DA PROLAÇÃO DA SENTENÇA, DE FORMA QUE EVENTOS SUPERVENIENTES DEVEM SER
LEVADOS EM CONSIDERAÇÃO EM SUA ANÁLISE. Proposta uma ação que não atenda às
condições de ação, não caberá extinção do processo caso as condições sejam
supervenientemente observadas. Da mesma forma, proposta a ação com as condições de
ação, caso estas deixem de existir, o processo deve ser imediatamente extinto sem julgamento
de mérito.

O STJ, no entanto, não adota esse posicionamento, mas preceitua a adoção da teoria da
asserção: AgRg no AREsp 53.146/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado
em 16/02/2012, DJe 05/03/2012; REsp 595.188/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA,
QUARTA TURMA, julgado em 22/11/2011, DJe 29/11/2011; REsp 1052680/RS, Rel. Ministra
NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/09/2011, DJe 06/10/2011; AgRg no REsp
877.161/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/12/2006, DJ
01/02/2007, p. 442

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4.2. A Demanda e a Relação Jurídica Substancial


Demanda significa:

a) Ato de ir a juízo provocar a atividade jurisdicional;

b) Conteúdo da postulação, ou seja, ação concretamente exercida.

A demanda, enquanto postulação, seria o nome processual que recebe a relação jurídica
substancial quando posta à apreciação do Poder Judiciário. Os elementos desta se manifestam
naquela. Pode-se traçar o seguinte paralelo:

RELAÇÃO JURÍDICA DE DIREITO SUBSTANCIAL DEMANDA


Sujeitos Parte
Fato jurídico Causa de pedir [fato (remota) + fundamento
jurídico (próxima)]
Objeto Pedido (imediato + mediato)

Assim, demanda difere-se de ação pois ação é abstratamente analisada, enquanto


DEMANDA É A AÇÃO AJUIZADA, QUE ESTÁ SENDO EXERCIDA. Ademais,
demanda se difere da relação jurídica de direito substancial pois os elementos desta
passam a ser analisados sob outro prisma, um prisma processual .

4.3. Elementos da Ação


Os elementos da ação são de extrema importância, já que com base neles que é possível saber
se existe litispendência e se a coisa julgada pode obstar a existência de um novo processo.

4.3.1. Partes
Parte processual é aquela que figura na relação jurídica processual, fazendo parte do
contraditório. Parte material ou do litígio é o sujeito da situação jurídica discutida em juízo. Em
geral ambas se confundem, havendo exceções, como ocorre, v.g., na substituição processual.

Porém, parte não se resume a autor e réu, sendo parte também os terceiros intervenientes e
os demais que participam da relação jurídica processual em contraditório defendendo
interesse próprio (essa ampliação subjetiva se chama de PARTES NO PROCESSO. PARTES
NA DEMANDA se resumiriam a autor e réu).

Segundo a melhor doutrina, existem quatro formas de adquirir a qualidade de parte:

a) Pelo ajuizamento da demanda (autor/opoente);

b) Pela citação;

c) De maneira voluntária (assistente, recurso de terceiro prejudicado e demais


intervenções de terceiros);

d) Sucessão processual.

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4.3.2. Pedido
O conceito de pedido será analisado detidamente em momento posterior, quando do estudo
da petição inicial, em face da relevância do tema.

4.3.3. Causa de Pedir


Existem duas doutrinas fundamentais que explicam a causa de pedir:

a) Teoria da individuação: causa de pedir seria tão-somente a relação jurídica afirmada


pelo autor. Ou seja, ao autor bastaria demonstrar as consequências jurídicas de
determinado fato, sem precisar nem mesmo narrar o fato. V.g., na petição inicial o
autor somente pediria para ser indenizado, sem esclarecer os fatos que geram o
direito à indenização, podendo o juiz investigar e apreciar todos os fatos e
fundamentos a ela relativos. Isso geraria o revés de não poder o autor retornar em
juízo para discutir o direito à indenização fundado em outros fatos ou fundamentos.

b) Teoria da substanciação: determina que a causa de pedir, independentemente da


natureza da ação e da relação jurídica afirmada pelo autor, é formada apenas pelos
fatos jurídicos narrados pelo autor. A doutrina majoritária afirma que essa é a
corrente adotada, não obstante o CPC ser expresso ao exigir a narração dos fatos E dos
fundamentos jurídicos.

Relevância dessa distinção com exemplo: ação para anular um contrato por dolo e ação para
anular um contrato por erro: pela Teoria da Substanciação as causas de pedir são distintas
(porque erro não é dolo); já para a Teoria da Individualização, se esta valesse entre nós, essas
causas de pedir seriam idênticas, porque em ambas se discutiria o mesmo direito (o direito de
anular). Esta é a importância de se saber qual a teoria por nós adotada.

Nas palavras de MOACYR AMARAL DOS SANTOS:

"A teoria da substanciação impõe que na fundamentação do pedido se


compreendam a causa próxima e a causa remota (fundamentum actionis
remotum), a qual consiste no fato gerador do direito pretendido" ("in"
PRIMEIRAS LINHAS DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL. 2° vol. São Paulo:
Saraiva, 1997. p. 134).

No mesmo sentido, a lição de CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO:

"O direito brasileiro adota, quanto à causa de pedir, a chamada doutrina da


substanciação, que se difere da individuação, para a qual o que conta para
identificar a ação proposta é a espécie jurídica invocada (coação, crime de
homicídio, etc.) e não as meras circunstâncias de fato" ("in" TEORIA GERAL
DO PROCESSO. São Paulo: Malheiros, 1997. p. 264).

Assim: Individuação => indica a relação jurídica


Substanciação => indica os fatos fundantes

A causa de pedir se classifica em próxima ou remota: a próxima é o fundamento jurídico do


pedido, enquanto a remota seria o fato constitutivo do direito, o fato da vida real. De acordo
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180

com Marinoni: causa de pedir remota: relação jurídica indicada ou fatos constitutivos,
próxima: fundamento do pedido e ou lesão à relação jurídica.

Fundamento jurídico não é o fundamento legal, a mera indicação do dispositivo de lei. Isso é
inútil, já que iura novit curia. Fundamento jurídico é o liame jurídico entre os
fatos e o pedido, ou seja, a explicação à luz do ordenamento jurídico do por quê o autor
merece o que está pedindo ante os fatos que narrou. Por exemplo, tenho o direito de receber
indenização porque a pessoa X, no dia tal, proferiu grave injúria contra mim, lesando minha
dignidade e surgindo, para ela, a responsabilidade civil.

4.4. Condições de Ação


O CPC adotou a concepção eclética sobre o direito de ação, segundo o qual o direito de ação é
o direito ao julgamento do mérito da causa, condicionado ao preenchimento de determinadas
condições.

De acordo com o CPC, a falta de qualquer das condições implicaria a extinção do processo sem
resolução de mérito (art. 267, VI), PODENDO A AUSÊNCIA DE UMA CONDIÇÃO DE AÇÃO,
QUE SIGNIFICA CARÊNCIA DE AÇÃO, SER RECONHECIDA DE OFÍCIO, EM QUALQUER
GRAU DE JURISDIÇÃO E A QUALQUER TEMPO (art. 267, § 3º, CPC).

4.4.1. Momento de Verificação das Condições da Ação – Teoria da Asserção ou Prospecção X


Teoria da Exposição ou Apresentação
Como visto, a carência de ação pode ser reconhecida a qualquer tempo. Essa é a posição do
CPC e da jurisprudência esmagadora.

Entretanto, esta posição do CPC é bastante prejudicial e criticável, já que permitiria, após
longos anos de debates processuais, que se reconhece-se a carência de ação e a consequente
extinção do processo sem julgamento de mérito.

A teoria da asserção ou prospecção (Teoria della prospettazione) defende que a análise


definitiva das condições de ação seja realizada no momento de prolação do juízo de
admissibilidade inicial do procedimento. Se positivo, não há mais discussão sobre elas, a não
ser que haja a perda superveniente de uma condição.

Tudo o que vier após a admissão da inicial será decisão de mérito; se a questão da existência
ou não de carência de ação requerer exame mais aprofundado, não podendo ser decidida
initio litis, o que antes era questão processual passará a ser questão de mérito. Logo, restará
formada a coisa julgada material.

Essa teoria, apesar de poupar alguns contratempos, é bastante criticada pois ao autor bastaria
mentir na inicial para que não houvesse reconhecimento da carência de ação, a fim de que
merecesse uma resolução de mérito.

Ademais, formaria coisa julgada sobre uma questão de condição da ação, impedindo a
repropositura da demanda futuramente, quando sanada.

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181

A teoria da asserção é, na concepção italiana tradicional, para ser aplicada, como visto, na fase
do juízo de admissibilidade da inicial51. Por quê? Pois a presença das condições de ação seriam
detectadas tão somente com base nas afirmativas do autor na inicial. A partir daí, o que vier
seria mérito. Entretanto, no Brasil ela foi ampliada, possibilitando que o réu fosse citado para
apresentar contestação e depois, em tese, as condições da ação e os pressupostos processuais
deveriam ser verificados.

Assim, hoje, até que momento as condições da ação podem ser analisadas como sendo
condições da ação? Até o momento anterior à fase instrutória. Isso pela doutrina. Após a
fase instrutória, após o começo da formação de provas no processo, haveria somente decisão
de mérito, haveria a efetiva formação da coisa julgada.

Quem adota a teoria da asserção? Barbosa Moreira, Alexandre Câmara, Fredie Didier,
Leonardo Greco, Marcelo Abelha, Teresa Arruda Alvim, Luiz Rodrigues Wambier.

Sobre a teoria da asserção na jurisprudência:

PROCESSUAL CIVIL – ADMINISTRATIVO – RESPONSABILIDADE CIVIL DO


ESTADO – AUSÊNCIA DE NEXO CAUSAL NA NARRAÇÃO CONTIDA NA
PETIÇÃO VESTIBULAR – CONDIÇÕES DA AÇÃO – LIMITES RAZOÁVEIS E
PROPORCIONAIS PARA A APLICAÇÃO DA TEORIA DA ASSERÇÃO –
ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO ENTE ESTATAL.

1. A teoria da asserção estabelece direito potestativo para o autor do


recurso de que sejam consideradas as suas alegações em abstrato para a
verificação das condições da ação, entretanto essa potestade deve ser
limitada pela proporcionalidade e pela razoabilidade, a fim de que seja
evitado abuso do direito.

2. O momento de verificação das condições da ação, nos termos daquela


teoria, dar-se-á no primeiro contato que o julgador tem com a petição
inicial, ou seja, no instante da prolação do juízo de admissibilidade inicial
do procedimento. Logo, a verificação da legitimidade passiva ad causam
independe de dilação probatória na instância de origem e de reexame
fático-probatório na esfera extraordinária.

3. Não se há falar em legitimidade passiva ad causam quando as alegações


da peça vestibular ilustrarem de maneira cristalina que o réu não figura na
relação jurídica de direito material nem em qualquer relação de causalidade.

Agravo regimental provido.

51
Em tese a análise deveria ser realizada inicialmente, porém, com base na teoria da asserção, por
relapso do juízo, ou por agravo de instrumento, é possível que o momento seja ulterior, pois as
condições da ação podem ser reconhecidas a qualquer tempo, por expressa disposição do §3º do art.
267 do CPC. O que é importante é que para seu reconhecimento seja desnecessária a análise
probatória.: ou seja, que as condições pudessem ser reconhecidas em tese no início, embora possam
reconhecidas a qualquer momento.
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182

(AgRg no REsp 1095276/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA


TURMA, julgado em 25/05/2010, DJe 11/06/2010)52

Quem adota a teoria do Código, chamada da EXPOSIÇÃO OU DA APRESENTAÇÃO?


Dinamarco, Ada, Nery Jr. No que diz respeito às condições da ação, afirma-se que a teoria de
Liebman seria uma teoria da exposição ou apreciação, de forma que a presença das condições
deveria ser comprovada pelo autor. Nesses termos, em inúmeras situações, o processo
terminaria sem uma análise do mérito, ou seja, sem apreciação de seu objeto, daquilo para o
que se propôs o procedimento. A atividade processual, nesses moldes, teria sido inútil, e a
sentença judicial (terminativa) não inviabilizaria a propositura de nova demanda, envolvendo o
mesmo objeto litigioso.

Isso conduz à seguinte situação: a ausência de condição da ação para Liebman (condição não
comprovada pelo autor) conduz à extinção do processo sem resolução do mérito (com o
proferimento de uma sentença terminativa), mesmo que esta se dê após o julgamento do
mérito (sentença definitiva), em grau de recurso, uma vez que as condições podem ser
analisadas e demonstradas em qualquer momento e grau de jurisdição, conduzindo assim, à
anulação da sentença definitiva; já para a teoria da asserção, as condições da ação serão
analisadas com base tão-somente nas alegações feitas pela parte na peça de ingresso (petição
inicial do autor), deste modo as matérias referentes à legitimidade, interesse e possibilidade
jurídica serão analisadas junto com o mérito, o que conduz, caso não estejam presentes, à
improcedência do pedido, sentença de mérito (definitiva), em qualquer momento ou grau de
jurisdição, ou seja, no tribunal ocorrerá, assim, a reforma (não anulação) da sentença de
mérito.
ASSERÇÃO => Autor não precisa provar as condições de ação
EXPOSIÇÃO => Autor precisa provar as condições de ação
4.4.2. A Possibilidade Jurídica do Pedido
A teoria tradicional defende a possibilidade jurídica do pedido como a amparabilidade do
pedido formulado pelo autor perante o ordenamento jurídico (do pedido imediato). Isso,
entretanto, é uma lástima propagada por alguns doutrinadores.

A possibilidade jurídica do pedido somente pode ser apreciada à luz da vedação legal: é
possível todo pedido mediato que não seja juridicamente vedado, como seria o caso de uma
ação em que um Município pede para ser emancipado da República Federativa do Brasil.

Isso porque, de início, presume-se que todo pedido é amparável pelo Poder Judiciário, já que é
proibido aos particulares exercer a autotutela (em regra); trata-se de uma decorrência do
princípio da inafastabilidade da jurisdição.

52
IMPORTANTE: o STJ fala em teoria da asserção em diversos julgados, mas trata ela de forma diferente
do que prega a doutrina. De acordo com o inteiro teor do julgado acima colacionado, as condições da
ação devem ser analisadas de acordo com o que foi alegado pelo autor da ação na inicial sem sindicar as
questões meritórias. Isso não quer dizer, entretanto, que posteriormente não poderá a superveniente
falta de uma condição de ação levar à extinção do processo sem julgamento de mérito.
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183

O CPC de 1973 é baseado nas lições o jurista italiano Liebman, o qual elencava 03 condições da
ação: legitimidade de parte, interesse de agir e possibilidade jurídica do pedido. Todavia, esse
autor, ao evoluir seu pensamento, excluiu a possibilidade jurídica do pedido do rol das
condições da ação sem ser acompanhado pelo nosso CPC.

A evolução do pensamento de Liebman se dera no sentido cassar a autonomia da possibilidade


jurídica do pedido para incluí-la no interesse de agir, em sua dimensão utilidade. Além do mais,
por ser a possibilidade jurídica do pedido conceituada como “conformidade do pedido com o
ordenamento jurídico” ou ainda como “a ausência de vedação explícita no ordenamento
jurídico para a concessão do provimento jurisdicional”, para muitos a possibilidade jurídica do
pedido não passava de uma análise de mérito.

No projeto do Novo CPC a possibilidade jurídica do pedido não é mais uma das condições da
ação. Para seus juristas idealizadores, a sentença que, à luz da lei revogada seria de carência
da ação, à luz do Novo CPC é de improcedência e resolve definitivamente a controvérsia.

Enfim, excluir a possibilidade jurídica do pedido do rol das condições da ação, significa trazer
maior estabilidade às relações sociais, tendo em vista que, verificado que o pedido não se
conforma ao ordenamento jurídico, haverá uma sentença de improcedência do pedido. Uma
sentença de mérito, que tende à formação da coisa julgada material. E que, por consequencia,
impede a rediscussão da matéria.

É melhor para os sujeitos processuais que suas pretensões sejam resolvidas definitivamente, a
fim de evitar reiteradas rediscussões daquilo que já se sabe não autorizado pelo ordenamento
e isto contribui a um só tempo para a economia processual (evitando-se a repetição de causas)
e para a pacificação social.

4.4.3. Interesse de Agir


O interesse de agir, ou interesse processual, está associado à utilidade e necessidade da
prestação jurisdicional que se pretende obter perante o Judiciário. Cabe ao autor demonstrar
que o provimento jurisdicional pretendido será capaz de lhe proporcionar uma melhora em
sua situação fática.

O juiz deve analisar, abstrata e hipoteticamente, se o autor, sagrando-se vitorioso, terá


efetivamente a melhora que pretendeu obter com o pedido de concessão de tutela
jurisdicional.

Pode o juiz indeferir a inicial, declarando a carência de ação por falta de interesse de agir por
não ter a demanda conteúdo econômico? Isso é controverso. O direito de ação é um direito
subjetivo que pode ser exercido independentemente do direito material subjacente. Porém, se
a demanda for de caráter estritamente patrimonial e for patente na inicial a impossibilidade de
qualquer melhora para o autor, a absoluta ausência de interesse econômico, poderá (em tese)
ser extinto o processo sem julgamento de mérito. Exemplo jurisprudencial disso é a liquidação
de valor zero:

EMBARGOS À EXECUÇÃO. LIQUIDAÇÃO DE VALOR ZERO. EXTINÇÃO DO


FEITO EXECUTIVO. 1-O cálculo homologado pelo julgador a quo observou
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184

estritamente os critérios e parâmetros especificados no título executivo


judicial, oferecendo subsídios à solução da controvérsia. A hipótese cuida de
liquidação zero e, conseqüentemente, de inexigibilidade do título, o que não
atenta contra o princípio da coisa julgada. 2- Apelação não provida.

(TRF2, AC 200251015098250, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO


SOARES, QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, E-DJF2R - Data::27/04/2010 -
Página::191/192.)

Entretanto, caso se tratasse de uma ação declaratória ou ainda constitutiva, a ausência de


proveito econômico não implicaria na extinção do processo.

O interesse de agir não se confunde com o interesse substancial primário, com o bem de vida
que pede o autor. O seu objeto é a tutela jurisdicional.

a) Interesse-utilidade: há utilidade toda vez que o processo puder propiciar ao


demandante o resultado favorável pretendido, ou puder de alguma forma melhorar
a sua situação. É por isso que se afirma que há falta de interesse processual quando
não for mais possível a obtenção daquele resultado almejado. Por exemplo, não há
qualquer interesse-utilidade em manter o trâmite de uma ADIN quando a lei
questionada como inconstitucional for revogada. Perde-se o objeto, por superveniente
perda de interesse de agir.

Também faltará utilidade quando, v.g., o valor do crédito exequendo for absorvido
pelas custas do processo de execução, de tão ínfimo que é (art. 659, § 2º, CPC).

b) Interesse-necessidade: o exame da necessidade de jurisdição fundamenta-se na


premissa de que a jurisdição tem de ser encarada como a última forma de solução de
conflitos. Há necessidade sempre que o autor não puder obter o bem da vida
pretendido sem a devida intervenção do Poder Judiciário. Em regra, havendo lesão
ou ameaça de lesão a direito, há interesse de agir por presença da necessidade.
Interesse necessidade significa que aquele é o único meio através do qual é possível
obter a proteção à relação jurídica que está sendo apresentada. Em outras palavras, a
parte não dispõe de outra maneira de proteger o direito que ela julga ter sido violado.
Questiona-se, por exemplo, se no âmbito dos juizados especiais federais pode o
segurado ajuizar ação ante a ausência de requerimento administrativo do benefício.
Muitos juízes consideram que não podem, pois não houve pretensão resistida, logo,
inexistiria interesse-necessidade. Porém, não considero correto esse entendimento;
como o INSS não funciona direito, é certo que há interesse em ir direto à Justiça.
Ademais, não há norma que limite o acesso do jurisdicionado ao Poder Judiciário ou
que condicione a determinado ato, salvo na justiça desportiva.

O STJ tem entendimento recente nos dois sentidos, mas prevalece amplamente a
desnecessidade:

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PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO CONCESSÓRIA DE BENEFÍCIO. PROCESSO CIVIL.


CONDIÇÕES DA AÇÃO. INTERESSE DE AGIR (ARTS. 3º E 267, VI, DO CPC).
PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE, EM REGRA.

1. Trata-se, na origem, de ação, cujo objetivo é a concessão de benefício


previdenciário, na qual o segurado postulou sua pretensão diretamente no
Poder Judiciário, sem requerer administrativamente o objeto da ação.

2. A presente controvérsia soluciona-se na via infraconstitucional, pois não


se trata de análise do princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5º,
XXXV, da CF). Precedentes do STF.

3. O interesse de agir ou processual configura-se com a existência do


binômio necessidade-utilidade da pretensão submetida ao Juiz. A
necessidade da prestação jurisdicional exige a demonstração de resistência
por parte do devedor da obrigação, já que o Poder Judiciário é via destinada
à resolução de conflitos.

4. Em regra, não se materializa a resistência do INSS à pretensão de


concessão de benefício previdenciário não requerido previamente na esfera
administrativa.

5. O interesse processual do segurado e a utilidade da prestação


jurisdicional concretizam-se nas hipóteses de a) recusa de recebimento do
requerimento ou b) negativa de concessão do benefício previdenciário, seja
pelo concreto indeferimento do pedido, seja pela notória resistência da
autarquia à tese jurídica esposada.

6. A aplicação dos critérios acima deve observar a prescindibilidade do


exaurimento da via administrativa para ingresso com ação previdenciária,
conforme Súmulas 89/STJ e 213/ex-TFR.

7. Recurso Especial não provido.

(REsp 1310042/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,


julgado em 15/05/2012, DJe 28/05/2012)

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS


INSUFICIENTES PARA REFORMAR A DECISÃO AGRAVADA. BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO. POSTULAÇÃO PERANTE O PODER JUDICIÁRIO. PRÉVIO
REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. AGRAVO
REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO

1. O agravante não trouxe argumentos novos capazes de infirmar os


fundamentos que alicerçaram a decisão agravada, razão que enseja a
negativa de provimento ao agravo regimental.

2. O entendimento deste Superior Tribunal de Justiça está cristalizado no


sentido de ser prescindível o requerimento administrativo prévio à
propositura de ação judicial para caracterização do interesse de agir.

3. Agravo regimental a que se nega provimento.


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(AgRg no REsp 1129119/RS, Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA


(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/RS), SEXTA TURMA, julgado em
13/12/2011, DJe 19/12/2011)

4.4.4. Legitimidade
No processo, impõe-se a existência de um vínculo entre os sujeitos da demanda e a situação
jurídica afirmada. Deve-se investigar a legitimidade no elemento subjetivo da demanda, as
partes.

LEGITIMIDADE PARA AGIR É A PERTINÊNCIA SUBJETIVA DA DEMANDA, a situação


prevista em lei que permite a um determinado sujeito propor a demanda judicial e a um
determinado sujeito formar o polo passivo dessa demanda.

No Brasil, para se examinar a legitimidade adota-se a posição do Liebman.

Liebman dizia que parte legítima ou legitimidade significa a pertinência subjetiva da lide. Mas
isso não quer dizer nada, é algo abstrato.

Quem possui legitimidade? Aquelas pessoas que irão obter um provimento favorável na
sentença de mérito ao final. Agora, quem são essas pessoas? Só se pode analisar isso com base
na relação jurídica de direito material, com base no caso concreto. É por isso que surge a
distinção entre legitimidade ad causam e legitimidade ad processum. Por que isso? Porque a
legitimidade ad causam é a legitimidade para aquela causa específica, para aquela demanda
em particular. Como é que o juiz vai saber se o autor e o réu possuem legitimidade para aquela
causa, de onde ele vai extrair essas informações, de onde ele vai tirar elementos para saber se
o autor e réu são partes legítimas para figurar naquele caso em particular? Ele vai ter que se
dirigir à relação jurídica de direito material.

O juiz faz um exame superficial da relação jurídica de direito material para saber se o
autor e o réu são partes legítimas para aquela demanda. Por isso que quando o juiz
faz esse exame, mesmo superficialmente, para caracterizar a legitimidade ad causam
está-se falando de uma condição da ação. A legitimidade ad causam é uma condição
da ação.

Se ele se aprofundasse no exame, ele iria passar das condições da ação e chegar no mérito.

A DIFERENÇA ENTRE AS CONDIÇÕES DA AÇÃO E O MÉRITO É A PROFUNDIDADE DO


EXAME. SE O JUIZ EXAMINA SUPERFICIALMENTE, É UMA CONDIÇÃO DA AÇÃO. QUANDO ELE
EXAMINA DE FORMA PROFUNDA COM BASE EM PROVAS, ELEMENTOS, ALEGAÇÕES, É
MÉRITO.

A legitimidade ad processum é o que se chama de capacidade de estar em juízo. Quem possui


capacidade de estar em juízo? Art. 3º e seguintes do CPC. Possuem capacidade de estar em
juízo todos aqueles maiores de idade que estejam no pleno exercício de suas faculdades
mentais.

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Há legitimação extraordinária autônoma quando o legitimado extraordinário está autorizado


a conduzir o processo independentemente da participação e da aquiescência do titular do bem
litigioso. É o caso dos legitimados a promover ação civil pública53.

Já a legitimação extraordinária subordinada é aquela em que a presença do titular da relação


jurídica controvertida é essencial para a regularidade do contraditório. É o caso, v.g., da
assistência simples.

HÁ CASOS EM QUE O SUJEITO PODE ESTAR, AO MESMO TEMPO, NA CONDIÇÃO DE


LEGITIMADO ORDINÁRIO E EXTRAORDINÁRIO. É o caso, por exemplo, do condômino que
está em juízo defendendo bem que é dele e também dos outros condôminos.

4.4.4.1. Classificação das Legitimidades


a) Legitimação ordinária: há correspondência entre a situação legitimante e as situações
jurídicas estabelecidas em juízo (os pretensos titulares dos bens discutidos são as
partes processuais). É o caso daquele que defende em juízo interesse próprio, ainda
que representado por advogado.

b) Legitimação extraordinária: é aquele que defende interesse alheio em nome próprio,


como ocorre com os legitimados para propor ação civil pública ou com o alienante do
bem litigioso que continua a atuar no processo.

c) Legitimação exclusiva: quando a relação jurídica somente pode ser estabelecida com a
presença de um determinado sujeito de direito. É o caso das ações penais públicas
incondicionadas.

d) Legitimação concorrente ou colegitimação: ocorre quando mais de um sujeito de


direito estiver autorizado a discutir em juízo determinada situação jurídica.

4.4.4.2. Substituição Processual ou Legitimação Extraordinária


Somente pode ocorrer quando autorizado por lei, já que deve ser encarada como algo
excepcional. O legitimado extraordinário atua no processo como parte, e não como
representante, ficando submetido ao regime jurídico do sujeito processual. É em face dele que
se examina o preenchimento dos pressupostos processuais subjetivos.

Salvo disposição legal, a coisa julgada surgida em processo conduzido pelo substituto
estenderá seus efeitos para o substituído.

O substituto processual pode ser sujeito passivo de sanções processuais, como ser punido por
litigância de má fé e ter contra si aplicadas multas.

53
Nelson Nerye usa a legitimação autônoma de uma forma diferente: “A terceira corrente tem em
NELSON NERY seu principal defensor. Inspirada no direito alemão, pugna por um abandono da
tradicional divisão em legitimação ordinária e extraordinária, pois que se trataria de conceituação
insuficiente para explicar o fenômeno da legitimidade no processo coletivo. Defende, assim, que os
entes legitimados à propositura da ação coletiva seriam dotados, pela lei, de uma legitimação
autônoma para a condução do processo.”
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188

A inexistência de legitimação extraordinária não leva à resolução do mérito, devendo a


demanda ser inadmitida por carência de ação.

IMPORTANTE: há quem distinga substituição processual de legitimação extraordinária


(Barbosa Moreira, por exemplo).

4.4.4.3. Substituição Processual e Representação Processual


Em nada se confundem. Há representação quando um sujeito está em juízo em nome alheio
defendendo direito alheio. Logo, esse sujeito “fala pelo representado” e em nome dele, ainda
que assine o próprio nome. Já na substituição, defende-se em nome próprio direito alheio.

É o caso dos advogados, que representam processualmente o autor ou réu. O representante


não é parte (na demanda não; é parte no processo); parte é o representado.

Tanto não se confundem que um substituto processual, v.g., uma associação legitimada para
propor ACP, deverá ser representada processualmente por um advogado. Logo, haverá
substituição processual exercida necessariamente com representação processual, ante a
inexistência de capacidade postulatória.

4.5. Tipologia das Ações

4.5.1. Ações de Prestação


Direito a uma prestação é o poder jurídico conferido a alguém de exigir de outrem
cumprimento de uma prestação. Ele precisa ser efetivado no mundo físico. Quando o sujeito
passivo não cumpre a prestação, há o inadimplemento, surgindo a responsabilidade e a
pretensão, devendo o titular recorrer ao Judiciário para obter a tutela. As ações de prestação
podem ser:

a) Declaratória: tem por objetivo certificar a existência ou inexistência de uma situação


jurídica. Não se busca nada no processo além da certificação, não havendo qualquer
alteração em situação jurídica existente. Não há prazo para ajuizamento de demanda
declaratória, ela é imprescritível. Não se admite ação meramente declaratória de fato,
ressalvada a ação sobre autenticidade de documento. O Judiciário declarará uma
situação jurídica, jamais um evento. Para declarar eventos, a pessoa pode se valer de
Cartórios oficiais.

Súmula 242, STJ: “Cabe ação declaratória para reconhecimento de tempo de serviço para fins
previdenciários”.

Súmula 181, STJ: “É admissível ação declaratória, visando a obter certeza quanto a exata
interpretação de cláusula contratual”. Nesse caso, há uma dúvida quanto ao direito, quanto a
uma situação jurídica, e não quanto a um fato, gerando insegurança social e justificando a
possibilidade do exercício do direito de ação.

b) Condenatórias: ações que reconhecem uma determinada situação jurídica e


condenam o réu a realizar determinada conduta, como pagar, fazer ou não fazer. Toda

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189

ação condenatória, de certa forma, traz em si algo declaratório, pois para se condenar
primeiro é necessário declarar (reconhecer) o direito. Em regra, tem efeitos ex tunc.

c) Constitutivas: ação de conhecimento que tem por fim a criação, modificação ou a


extinção de uma relação jurídica, sem estatuir qualquer condenação do réu ao
cumprimento de uma prestação, produzindo efeitos ex tunc ou ex nunc. Ação que tem
por objetivo certificar e efetivar direitos potestativos 54. A sentença que reconhece o
direito potestativo já o efetiva com o simples reconhecimento e implementação da
nova situação jurídica almejada, como, por exemplo, a anulação de um lançamento
fiscal: a própria sentença já promove a desconstituição do lançamento. Sempre que do
processo resultar uma nova situação jurídica ou a modificação/extinção de uma já
existente, é o caso de demanda constitutiva.

d) Mandamentais: ações que não precisam de fase de execução para se implementarem,


possuindo força executiva. A ação mandamental tem por fim obter, como eficácia
preponderante da respectiva sentença de procedência, a emissão de uma ordem pelo
juiz a ser observada pelo demandado, em vez de limitar-se a condená-lo a fazer ou não
fazer alguma coisa. É da essência, portanto, da ação mandamental que a sentença que
lhe reconheça a procedência contenha uma ordem para que se expeça um mandado.
Daí a designação de sentença mandamental. Neste tipo de sentença, o juiz ordena, e
não simplesmente condena. E nisso residem, precisamente, o elemento eficacial que a
faz diferente das sentenças próprias do processo de conhecimento

e) Executivas lato sensu: representa a possibilidade de ações que tragam embutidas no


processo de conhecimento capacidade executória, possibilitando ao juízo determinar,
desde logo, e independentemente de qualquer outra providencia, a entrega do bem
da vida objeto da lide, isto porque o provimento jurisdicional tem caráter executório.

Segundo Pontes de Miranda toda ação ou sentença carrega em si mesma, no bojo do


projeto de provimento jurisdicional esperado, por quem pede ao Estado, a satisfação
de seu interesse ofendido, existe uma carga maior, uma eficácia maior,
preponderante, sobre as demais provisões satisfativas de direito material contidas na

54
Há severas críticaas a essa definição. A primeira consiste em creditar na vinculação do direito
potestativo à ação constitutiva, o que seria retornar ao problema da teoria das ações, pois, se o direito
material está vinculando ao exercício do direito processual, tem-se a ação imanentista, ou na melhor
das hipóteses, como concreta. Lembre-se que esta questão não é de menor importância e impediu que
o próprio ALFREDO ROCCO, por tantos citado, aceitasse a categoria das ações constitutivas, porque fere
a lógica abstrata da ação. Também pela aguda percepção de ALFREDO ROCCO vem revelado o segundo
engano da doutrina que defende a sentença constitutiva, apoiada em um direito potestativo
preexistente como pressuposto da ação. ROCCO era defensor da ideia do “juízo lógico”, ou seja, o juiz
não pode intervir na prolação da sentença com um ato de vontade, este é reservado ao legislador, por
isso via na sentença constitutiva mera declaração. Ora, pretendendo-se a sentença vinculada a um
direito preexistente, a atividade do juiz é de simples “accertamento”, “Feststellung”, declaração da
existência daquele direito.Como já ficou claro acima não se trata de dupla declaração, mas de eficácia
própria, com características específicas. Portanto, engana-se ROCCO ao afirmar a não existência da
sentença constitutiva porque esta não se vincula aos chamados direitos potestativos e, sim, a formação,
extinção ou modificação dos direitos, que é atividade criadora do juiz.
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sentença. Desta forma, em toda ação declaratória a eficácia maior é a de declarar; na


constitutiva, é a de constituir; na condenatória, a de condenar; na mandamental a de
mandar e, na executiva, a de executar. Eis, os cinco verbos que emprestam a cada
ação ou sentença sua força ou eficácia preponderante.

4.5.2. Ações Constitutivas


São as demandas que têm por objeto certificar e efetivar direitos potestativos. O direito
potestativo é o poder conferido a alguém de submeter outrem à alteração, criação ou extinção
de situações jurídicas. Ele se efetiva no mundo jurídico das normas, e não no mundo dos fatos.

Sempre que do processo resultar uma situação jurídica nova ou na modificação/extinção de


uma já existente, o caso é de demanda constitutiva. Seus efeitos são, regra geral, ex nunc,
podendo, em alguns casos, ser ex tunc.

Exemplo de ação constitutiva seria o desfazimento de um contrato administrativo, pelo


particular, ante o inadimplemento prolongado da Administração Pública. A desconstituição da
relação jurídica será feita na sentença, liberando definitivamente o particular.

4.5.3. Ações Meramente Declaratórias


São aquelas que têm o objetivo de certificar a existência ou inexistência de uma situação
jurídica. Elas não possuem prazo de ajuizamento, são imprescritíveis. Elas não podem objetivar
a mera declaração de fato (salvo na ação de autenticidade documental), deve-se buscar a
declaração de uma situação jurídica.

Até mesmo as ações meramente declaratórias, se requerido pelo autor, poderão ter eficácia
executiva (art. 475-N, I, CPC)55.

Exemplo clássico são as ações de filiação, que não criam nada novo, apenas declaram quem é
o pai ou a mãe da pessoa.

55
Sobre esse dispositivo, Didier: “É preciso fazer algumas observações sobre essa novidade. a) A
mudança do texto legal ocorreu durante a tramitação do projeto de lei no Senado. O projeto não voltou
à Câmara de Deputados, para a aprovação da emenda. Discute-se, então, se o inciso I do art. 475-N é
formalmente inconstitucional. A questão passa pelo seguinte: o novo texto proposto pelo Senado
inovou em termos normativos ou se trata de apenas um aprimoramento da redação anterior? Como
sempre defendemos a possibilidade de execução de decisão meramente declaratória que reconhecesse
a existência de um dever de prestar, mesmo sob a égide do texto anterior, seja como consequência do
direito fundamental à efetividade, seja em razão da absoluta desnecessidade e impossibilidade de
instauração de nova atividade cognitiva judicial para apurar o que já está acobertado pela coisa julgada,
a redação proposta pelo Senado apenas aprimora o texto anterior, sem inovar substancialmente. Para
quem não admitia a possibilidade de decisões declaratórias terem força executiva, realmente é possível
alegar o vício formal de inconstitucionalidade. A solução da questão passará, necessariamente, pelo
exame da premissa de que parte cada doutrinador sobre a interpretação que se deveria dar ao texto
anterior, e, ainda, pela resposta à seguinte questão epistemológica: emprestar executividade a uma
decisão meramente declaratória é interpretação que está de acordo com o direito fundamental à
efetividade e, portanto, vale a pena ser adotada?”
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4.5.4. Ações Dúplices


São ações em que a condição dos litigantes é a mesma, não se podendo falar em autor e réu
no sentido clássico dos institutos, pois ambos possuem concomitantemente as duas posições.
Essa situação decorre da pretensão deduzida em juízo.

A ação dúplice pode ser compreendida na acepção processual e material.

Na acepção processual, a ação dúplice é aquela em que se permite ao réu a formulação de um


pedido contra o autor no bojo da contestação. O réu pode contestar e formular um pedido.
Nessa acepção, ela é sinônimo de pedido contraposto, e é possível nas hipóteses admitidas
em lei, como no procedimento sumário e na Lei dos Juizados Especiais.

Embora bastante utilizada, esta não é a acepção mais correta.

No sentido material, a ação dúplice é aquela em que o autor e o réu ocupam posições jurídicas
ativas e passivas na demanda simultaneamente, o que permite ao réu, independentemente de
pedido expresso obter a tutela jurisdicional do bem da vida, como resultado lógico e
automático da rejeição do pedido do autor. De acordo com Didier, “É como uma luta em cabo
de guerra: a defesa de uma equipe já é, ao mesmo tempo, também o seu ataque. São
exemplos: a) as ações declaratórias; b) as ações divisórias; c) as ações de acertamento, como a
prestação de contas e oferta de alimentos. A relação jurídica deduzida em juízo poderia ter sido
posta por qualquer das partes e, com a defesa, o réu já exercita a sua pretensão, sem a
necessidade de reconvenção ou pedido contraposto”.

A relação jurídica deduzida em juízo poderia ter sido posta por qualquer das partes e, COM A
DEFESA, O RÉU JÁ EXERCITA A SUA PRETENSÃO, SEM A NECESSIDADE DE
RECONVENÇÃO OU PEDIDO CONTRAPOSTO.

São dúplices as ações nos procedimentos sumário e sumaríssimo. Por que não é necessário
pedido contraposto? Pois se, por exemplo, no procedimento sumário o autor busca o
reconhecimento de seu direito de propriedade sobre um bem em posse do réu, o
indeferimento do pedido gerará o automático reconhecimento do direito de propriedade do
réu, salvo se, evidentemente, o argumento defensivo for que a propriedade é de terceiros.

Admite-se reconvenção em ação dúplice? Em regra, ela não é admitida. Não obstante,
excepcionalmente, a reconvenção pode ser ajuizada em ação dúplice, na hipótese em que o a
pretensão do réu é algo diferente do que alcançaria com o mero julgamento de improcedência
do pedido do autor. Exemplo disso é o disposto no enunciado n. 258 da Súmula do STF,
segundo o qual “é admissível a reconvenção em ação declaratória”, obviamente que, quando o
pedido não se limitar à declaração de improcedência. Ou seja, o pedido contraposto deve
agregar um elemento conexo. Por exemplo: sujeito ajuíza ação declaratória negativa de
paternidade. Réu contesta e, ao mesmo tempo, formula pedido de alimentos.

4.6. Observações de Provas


1. TRF3 – XIII – QUESTÃO 66. Em regra, as sentenças condenatórias e declaratórias têm
efeitos ex tunc.

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2. TRF3 – XIII – QUESTÃO 62. Proposta ação de usucapião de terras da União, o juiz deve
extinguir o processo por impossibilidade jurídica.

3. TRF4 – XIII – QUESTÃO 60. Atribui-se a Chiovenda a primazia de ter afirmado, na Itália,
a autonomia da ação, enquanto direito potestativo conferido ao autor, de obter, em
face do adversário, uma atuação concreta da lei.

5. Intervenções de Terceiros
5.1. Introdução
O normal é que, em uma relação processual envolvendo o autor e réu, todas as decisões que
porventura sejam proferidas no curso desse processo atinjam, num primeiro momento,
apenas autor e réu. Há casos, entretanto, em que a coisa julgada terá eficácia processual com
escopo que excede às partes que participaram do processo. Isso ocorre não somente nas
causas coletivas, mas em situações em que terceiros deveriam ter participado de processo
alheio e não o fizeram, sofrendo efeitos pro et contra.

Por isso mesmo que o direito criou técnicas para evitar ou minimizar as consequências dessa
ultraeficácia, tais como:

a) As modalidades de intervenção de terceiros;

b) A restrição da eficácia subjetiva da coisa julgada;

c) A permissão de processos incidentes.

É fundamental perceber que a correta compreensão das intervenções de terceiros passa,


necessariamente, pela constatação de que haverá, sempre, um vínculo entre o terceiro, o
objeto litigioso do processo e a relação jurídica material deduzida.

O vínculo há de ser jurídico, não basta que seja meramente econômico ou moral.

Por intervenção de terceiros entende-se a permissão LEGAL para que um sujeito alheio à
relação jurídica processual originária ingresse em processo JÁ EM ANDAMENTO.

Na prática são muito comuns decisões que, proferidas no curso de um determinado processo,
possam atingir outras pessoas que dele não participem. Então, o critério utilizado para definir
quem é o terceiro é o chamado critério da exclusão ou também chamado de critério da
negação.

Terceiro é todo aquele que não é parte. Se quem não é parte no processo é terceiro, quem são
as partes?

O conceito técnico de parte é dado por Liebman, que a maioria da doutrina adota aqui no
Brasil. Partes são sujeitos do contraditório instituídos perante o juiz.

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Logo, seriam partes aqueles que figuram no polo ativo e no polo passivo da relação
processual e que exercem todos os seus poderes, deveres, faculdades, sujeições e ônus no
processo. Quem não é parte é terceiro.

Dessa forma, por vezes, a decisão judicial proferida no processo ou mesmo uma decisão
judicial que pode vir a ser proferida terá a força de atingir a relação jurídica da qual o terceiro é
titular.

Se esse terceiro pode ter a sua relação jurídica, da qual é titular, atingida por uma decisão
proferida em processo do qual ele não faz parte, a lei autoriza a sua intervenção nesse
processo para defender a sua relação jurídica.

Então, tecnicamente, o que é a intervenção de terceiros? A INTERVENÇÃO DE TERCEIROS É


FENÔMENO PROCESSUAL ATRAVÉS DO QUAL UM TERCEIRO INGRESSA, MEDIANTE
PERMISSÃO LEGAL, EM RELAÇÃO PROCESSUAL ALHEIA, ADQUIRINDO A QUALIDADE DE
PARTE, PRINCIPAL OU ACESSÓRIA (secundária), A DEPENDER DO TIPO DE INTERVENÇÃO,
PARA DEFENDER INTERESSE JURÍDICO PRÓPRIO.

Para o terceiro intervir, a lei exige três pressupostos genéricos:

a) Pendência da relação processual: só existe intervenção de terceiro em processo


pendente. Tem que estar em curso.

b) Que o terceiro adquira a qualidade de parte quando ingressar no processo: cuidado,


por exemplo, com o amicus curiae. Muitos livros de constitucional atribuem a ele a
qualidade de parte. Está errado, visto que é uma participação autorizada pela lei de
determinados indivíduos com força representativa, sem ser intervenção de terceiros.

c) Previsão legal da espécie de intervenção de terceiros: só existe intervenção de


terceiros se ela estiver prevista na lei.

Quais são as espécies normalmente tratadas na doutrina como sendo intervenção de terceiro?
Quais as intervenções de terceiros previstas no CPC?

a) Assistência;

b) Oposição;

c) Nomeação à autoria;

d) Chamamento ao processo;

e) Denunciação da lide.

Então, na doutrina processual, o mais comum é que quando vem a ser examinada a
intervenção de terceiro, eles examinem a oposição, a nomeação à autoria, o chamamento ao
processo, a denunciação da lide, a assistência e o recurso de terceiro prejudicado.

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194

A intervenção fundada em contrato de seguro no procedimento sumário, como será visto


adiante, para alguns tem na verdade natureza de chamamento ao processo e, para outros, tem
natureza de denunciação da lide. Esse último entendimento é o que prepondera.

São espécies de intervenções de terceiros:

a) Intervenção voluntária ou espontânea: aquela na qual o interveniente solicita seu


próprio ingresso na relação processual: assistência, oposição e recurso de terceiro
prejudicado.

b) Intervenção forçada: aquela na qual o interveniente somente ingressa na relação por


provocação das partes originárias: nomeação à autoria, chamamento ao processo e
denunciação da lide.

c) Intervenção por inserção: aquela em que o terceiro ingressa em relação processual


alheia, mas não apresenta nenhum pedido novo, não existe uma nova demanda. São
os casos da assistência, nomeação à autoria e chamamento ao processo.

d) Intervenção por ação: dá ensejo a um novo pedido, a uma nova demanda, a uma nova
pretensão formulada. Ocorre nos casos de oposição e de denunciação da lide.

5.2. Conceitos Fundamentais


a) Parte: de acordo com Dinamarco, partes são os sujeitos do contraditório instituído
perante o juiz, ou seja, os sujeitos interessados da relação processual. A pessoa pode
ser parte propondo uma ação, sendo processada ou intervindo em processo já
existente.

b) Terceiro: terceiro é quem não seja parte, quer nunca o tenha sido, quer haja deixado
de sê-lo em momento anterior àquele que se profira a decisão.

c) Intervenção de terceiro: é fato jurídico processual que implica modificação de relação


jurídica processual já existente. Trata-se de ato jurídico processual pelo qual um
terceiro, autorizado por lei, ingressa em processo pendente, transformando-se em
parte. A intervenção de terceiros não importa criação de processo novo ou nova
relação processual, apenas torna mais complexa relação já existente, subjetiva e,
algumas vezes, objetivamente.

d) Processo incidente: é uma relação jurídica processual nova, assentada sobre novo
procedimento. Considera-se incidente porque instaurado sempre de modo
relacionado com algum processo pendente e porque visa a um movimento
jurisdicional que de algum modo influirá sobre este ou seu objeto. É o caso, v.g., dos
embargos de terceiros ou embargos do executado. Costumam ser sempre
potencialmente prejudiciais ao processo principal, dito prejudicado.

e) Incidente do processo: é ato ou série de atos realizados no curso de um processo. É


um procedimento menor, inserido no procedimento desse processo, sem que surja
nova relação jurídica processual. Toda intervenção de terceiros é um incidente

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processual, em alguns casos, entretanto, é um processo incidente numa demanda


em curso.

5.3. Efeitos na Relação Processual


A intervenção de terceiros pode, subjetivamente, apenas modificar as partes do processo,
como ocorre na nomeação à autoria, ou ampliá-las, como ocorre na assistência.

Objetivamente, o mesmo poderá ocorrer, permanecendo o objeto litigioso idêntico ao do


início da relação processual ou sendo ele ampliado, se for deduzida nova pretensão.

5.4. Intervenção de Terceiros e Procedimentos Específicos


Não se admite intervenção de terceiros no rito dos Juizados Especiais; o máximo que se admite
é o litisconsórcio (art. 10, Lei nº 9.099/95). Na doutrina há quem defenda o cabimento de
recurso de terceiro prejudicado, tal como o faz Didier. O argumento é que não haveria
qualquer prejuízo à celeridade do processo. É algo bom de saber, mas não se deve marcar isso
em prova objetiva.

Não se admite intervenção de terceiros no rito sumário, salvo:

d) A assistência;

e) O recurso de terceiro prejudicado;

f) Intervenção fundada em contrato de seguro, que pode ser a denunciação da lide ou


o chamamento ao processo.

Também não se admite, em sede de causas de defesa do consumidor, a denunciação da lide


(art. 88), salvo no caso do art. 101 do CDC:

Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e


serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, serão
observadas as seguintes normas:

[...]

II - o réu que houver contratado seguro de responsabilidade poderá


chamar ao processo o segurador, vedada a integração do contraditório
pelo Instituto de Resseguros do Brasil. Nesta hipótese, a sentença que
julgar procedente o pedido condenará o réu nos termos do art. 80 do
Código de Processo Civil. Se o réu houver sido declarado falido, o síndico
será intimado a informar a existência de seguro de responsabilidade,
facultando-se, em caso afirmativo, o ajuizamento de ação de indenização
diretamente contra o segurador, vedada a denunciação da lide ao Instituto
de Resseguros do Brasil e dispensado o litisconsórcio obrigatório com este.

Em sede de controle concentrado de constitucionalidade, a Lei nº 9.868/99 taxativamente


afasta a possibilidade de intervenção de terceiros:

Art. 7o Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta


de inconstitucionalidade.

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196

§ 1o (VETADO)

§ 2o O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade


dos postulantes, poderá, por despacho irrecorrível, admitir, observado o
prazo fixado no parágrafo anterior, a manifestação de outros órgãos ou
entidades.

[...]

Art. 18. Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação


declaratória de constitucionalidade.

Então, embora a lei afirme taxativamente que não trata de nenhuma hipótese de intervenção
de terceiros, Fredie Didier, Marinoni e alguns acórdãos do Supremo admitem, em tese, a
possibilidade de assistência litisconsorcial, sempre por algum dos colegitimados ao
ajuizamento da demanda.

5.4.1. Intervenções no Processo/Fase de Execução


Somente se considera possível a assistência no processo/fase de execução. Há, entretanto,
outras formas de ingresso de terceiros na demanda executiva, formas estas atípicas, como
ocorre com a adjudicação (art. 685-A, § § 2º e 4º), quando outros credores ingressarem na
demanda para discutir direito de preferência etc.

5.4.2. Intervenções no Processo Cautelar


São inadmissíveis no processo cautelar as intervenções de terceiros típicas, salvo a assistência.

Há de se ressaltar uma situação: na cautelar de produção antecipada de provas, como poderia


a prova ter eficácia contra terceiros que não tiverem dela participado? Se, por exemplo, A
manda citar B, o qual, se perder a demanda principal, desejará o regresso de C, poderá esse B
pedir a citação, no processo cautelar, de C, sendo isso chamado de “assistência provocada” e
sendo admitido nos tribunais (STJ, REsp 213.556RJ).

Processo civil. Recurso especial. Ação cautelar. Produção antecipada de


prova. Denunciação da lide. Assistência.

- Não cabe denunciação da lide em medida cautelar de produção


antecipada de prova. Precedente.

- É admissível a intervenção de terceiro em ação cautelar de produção


antecipada de prova, na forma de assistência provocada, pois visa a
garantir a efetividade do princípio do contraditório, de modo a assegurar a
eficácia da prova produzida perante aquele que será denunciado à lide,
posteriormente, no processo principal.

- Recurso especial a que se conhece pelo dissídio e, no mérito, nega-se


provimento.

(STJ, REsp 213.556/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,


julgado em 20/08/2001, DJ 17/09/2001, p. 161)

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Logo, não cabe denunciação a lide, mas cabe a assistência provocada para que o terceiro que
será denunciado no processo principal sofra as consequências da prova produzida, garantindo-
se o contraditório e o devido processo legal neste.

5.4.3. Tabela Sintética – Hipóteses de Cabimento da Intervenção de Terceiros


HIPÓTESE INTERVENÇÃO DE TERCEIRO CABÍVEL
Ação pelo rito ordinário Todas
Assistência, recurso de terceiro prejudicado, denunciação da lide ou
Ação pelo rito sumário
chamamento ao processo baseados em contrato de seguro
Juizados Litisconsórcio
Controle concentrado Amicus curiae (não é, tecnicamente, intervenção de terceiro)
Ação executiva Assistência
Assistência e assistência provocada, na cautelar de produção antecipada
Ação cautelar
de provas

5.5. Intervenções Típicas e Intervenções Atípicas


O CPC prevê cinco modalidades de intervenção de terceiros, a oposição, a nomeação à autoria,
a denunciação à lide, o chamamento ao processo e a assistência. Tais são as intervenções
típicas.

Entretanto, nem todas as intervenções encontram sua justificativa nessas cinco modalidades
típicas de intervenção de terceiro, o que demonstra que o rol legal é meramente
exemplificativo. Há previsões esparsas, denominadas de intervenções atípicas.

5.5.1. A Lei nº 9.469/97 – Intervenção Anômala


Essa lei prevê a possibilidade de intervenção da União nas causas em que figurarem, como
autoras ou rés, autarquias, fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas
públicas federais.

Prevê também a possibilidade de intervenção de pessoas DE DIREITO PÚBLICO


federais, estaduais e municipais EM QUAISQUER DEMANDAS,
INDEPENDENTEMENTE DE QUEM SEJA AUTOR OU RÉU, já em trâmite com fundamento no
eventual prejuízo indireto, mesmo que de natureza meramente econômica. Essa intervenção é
anômala e não se confunde com a assistência (não obstante o STJ já a ter considerado como
assistência simples), já que não há interesse jurídico, tem fundamento apenas no interesse
econômico.

A função da União e dos entes públicos federais é ESCLARECER QUESTÕES DE FATO E DE


DIREITO E JUNTAR DOCUMENTOS E MEMORIAIS, passando a ser considerada como parte se
recorrer de decisões.

Art. 5º A União poderá intervir nas causas em que figurarem, como autoras
ou rés, autarquias, fundações públicas, sociedades de economia mista e
empresas públicas federais.

Parágrafo único. As pessoas jurídicas de direito público poderão, nas causas


cuja decisão possa ter reflexos, ainda que indiretos, de natureza econômica,
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198

intervir, independentemente da demonstração de interesse jurídico, para


esclarecer questões de fato e de direito, podendo juntar documentos e
memoriais reputados úteis ao exame da matéria e, se for o caso, recorrer,
hipótese em que, para fins de deslocamento de competência, serão
consideradas partes.

Assim, verifica-se que essa lei permite uma intervenção sem interesse jurídico, com base
apenas em aspectos econômicos. Se a intervenção for da União, de autarquia, fundação ou
empresa pública federal, o feito que tramitava perante a Justiça Estadual deverá ser remetido
para a Justiça Federal. ISSO OCORRE, ENTRETANTO, APENAS SE A UNIÃO OU AS
DEMAIS ENTIDADES FEDERAIS RECORREREM. Se eles pedirem o ingresso apenas para
esclarecer questões de fato e de direito e juntar documentos e memoriais reputados úteis,
praticamente ficam na condição de amicus curiae, sem deslocar a competência. Quando o juiz
decidir a causa, se eles quiserem recorrer, aí, a situação muda de figura. Porque, para recorrer,
um dos requisitos do recurso é o interesse jurídico. Ora, SE ELE QUER RECORRER, PRECISA
DEMONSTRAR O INTERESSE JURÍDICO, SE ELE DEMONSTRAR ESSE INTERESSE JURÍDICO56, O
DISPOSITIVO FALA QUE ELE ADQUIRE A QUALIDADE DE PARTE. SE ELE ADQUIRE A
QUALIDADE DE PARTE, AÍ DESLOCA A COMPETÊNCIA PARA A JUSTIÇA FEDERAL. Antes disso,
não desloca, fica no Justiça Estadual.

Se, após enviado o recurso para o tribunal, o juiz federal reconhecer que inexiste interesse
jurídico para o recurso o que deve fazer? Remeter imediatamente os autos para a Justiça
Estadual. Dessa decisão caberá agravo de instrumento para o TRF, criando a estranha situação
de um processo correndo na JE enquanto um recurso sobre ele sendo processado na JF.

Súmula 150, STJ: “Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que
justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas”.

Súmula 224, STJ: “Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a
declinar da competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e não suscitar conflito”.

Súmula 254, STJ: “A decisão do Juízo Federal que exclui da relação processual ente federal não
pode ser reexaminada no Juízo Estadual”.

Todos os atos anteriores, porém, serão válidos, inclusive os decisórios, já que não havia
qualquer inadequação ou incompetência a ensejar alguma nulidade. A incompetência é
superveniente.

Bastante esclarecedor esse julgado proferido pela 1ª Seção do STJ:

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE ERRO


MATERIAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO
SOBRE ENERGIA ELÉTRICA. PARTICIPAÇÃO DA UNIÃO NA FORMA DE
INTERVENÇÃO ANÔMALA PREVISTA NO ART. 5º DA LEI 9.469/97. INTERESSE
ECONÔMICO DEMONSTRADO. AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO.

56
Para recorrer, tem que ter legitimidade e interesse, alguns dos requisitos e pressupostos recursais.
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199

IMPOSSIBILIDADE DE DESLOCAMENTO DO FEITO PARA A JUSTIÇA FEDERAL.


EMBARGOS ACOLHIDOS SEM EFEITOS MODIFICATIVOS.

1. Os embargos de declaração merecem acolhimento, pois, ao contrário do


que consta na decisão embargada, o MM. Juízo Federal não afastou a
participação da União na ação originária, mas permitiu sua permanência na
lide, na forma de intervenção anômala (art. 5º da Lei 9.469/97) diante da
demonstração do interesse econômico da União, declinando, todavia, de
sua competência para apreciar e julgar o feito, na medida em que não
demonstrado o interesse jurídico capaz de ensejar o julgamento da lide por
aquela justiça especializada.

2. A Lei 9.469/97, em seu art. 5º, autorizou a intervenção da União nas


ações em figurem como autoras ou rés autarquias, fundações públicas,
sociedades de economia mista e empresas públicas federais, ainda que haja
interesse meramente econômico, e não jurídico.

3. O dispositivo em comento traz nova forma anômala de intervenção de


terceiros, embasada apenas no interesse econômico, ainda que reflexo ou
indireto, dispensando a comprovação do interesse jurídico.

4. É de se considerar que, embora permitida essa peculiar modalidade de


intervenção da União e de outras pessoas jurídicas de direito público,
quando constatada a potencialidade de eventual lesão econômica, a
admissão do ente público não traz comando suficiente a modificar a
competência originária para julgamento da demanda. E ISSO PORQUE A
LEI ORDINÁRIA NÃO TEM A FORÇA DE AMPLIAR A ENUMERAÇÃO
TAXATIVA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL ESTABELECIDA NO
ART. 109, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, RAZÃO PELA QUAL O
DESLOCAMENTO DA COMPETÊNCIA PARA A JUSTIÇA ESPECIALIZADA
SOMENTE SE VERIFICARIA SE CONFIGURADO O EFETIVO INTERESSE
JURÍDICO DA UNIÃO OU DE OUTRO ENTE FEDERAL.

5. Impende relevar que, embora o ente público interveniente tenha sua


atuação limitada (o dispositivo legal apenas lhe permite esclarecer questões
de fato e de direito, além de juntar documentos ou memoriais úteis ao
esclarecimento da matéria sub judice), a parte final do parágrafo único do
art. 5º da Lei n. 9.469/97 permite-lhe a interposição de recurso cabível na
espécie, momento no qual passará a revestir a condição de parte, exercendo
os ônus, poderes, faculdades e deveres que são atribuídos a qualquer parte
no processo. E, PASSANDO A OSTENTAR A CONDIÇÃO DE PARTE NO
PROCESSO POR TER RECORRIDO DA DECISÃO QUE LHE FOR
DESFAVORÁVEL, HÁ, POR CONSEGUINTE, O DESLOCAMENTO DA
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM PARA A JUSTIÇA FEDERAL.

6. APRECIANDO CONTROVÉRSIAS ADVINDAS DA INTERVENÇÃO ANÔMALA


DE QUE TRATA O ART. 5º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 9.469/1997, A
JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE TEM SE FIRMADO NO SENTIDO DE QUE,
QUANDO NÃO SE CONFIGURAR O INTERESSE JURÍDICO DO ENTE FEDERAL
PARA INTEGRAR A LIDE, A JUSTIÇA FEDERAL NÃO TERÁ COMPETÊNCIA
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PARA APRECIAR E JULGAR O FEITO. SOMENTE SE A PESSOA DE DIREITO


PÚBLICO RECORRER, HAVERÁ O DESLOCAMENTO. Precedentes: CC
101151/RS, Primeira Seção, rel. Ministro Castro Meira, 18/06/2009; REsp
1.097.759/BA, Rel. Ministro Luís Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de
1º.06.09. REsp 574.697/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma,
DJ de 06.03.06.

7. No caso em análise, considerando que o MM. Juízo Federal autorizou a


intervenção da União na lide na forma prescrita pelo art. 5º da Lei 9.469/97,
por não verificar na hipótese o interesse jurídico daquele ente federal, deve
ser conhecido o presente conflito para declarar competente o Juiz de Direito
da 5ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Rio Grande do Sul.

8. Embargos de declaração acolhidos sem efeitos modificativos.

(STJ, EDcl no AgRg no CC 89.783/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL


MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 18/06/2010)

Interposto o recurso pela União ou ente federal, o juiz estadual deve remeter
imediatamente os autos à Justiça Federal para que esta verifique se há ou não o interesse
jurídico recursal, não cabendo ao juiz estadual o exame de admissibilidade do recurso. Isso é o
que se depreende da súmula a seguir:

Súmula 150, STJ: “Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que
justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas”.

5.6. Assistência (arts. 50 a 55, CPC)

5.6.1. Conceito
Trata-se da modalidade de intervenção de terceiro pela qual ele ingressa em processo alheio
para auxiliar uma das partes em litígio. Pode ocorrer em qualquer tempo e grau de jurisdição,
assumindo o terceiro o processo no estado em que se encontra.

O pressuposto da assistência é que haja INTERESSE JURÍDICO do terceiro na solução do


processo, não se admitindo que um interesse econômico, moral ou de qualquer outra natureza
legitime a intervenção por assistência.

O interesse jurídico fica caracterizado quando a relação jurídica, da qual o terceiro é o titular,
pode ser modificada por decisão proferida em processo do qual ele não faz parte. É isso que
caracteriza o interesse jurídico.

Então cuidado, porque no âmbito do processo civil o interesse jurídico só fica caracterizado se
a relação jurídica do terceiro pode ser modificada, alterada, atingida por força dessa decisão
proferida em processo do qual ele não faz parte. Porque, no Direito Civil, para os civilistas,
tudo é interesse jurídico, qualquer interesse que tenha é jurídico57.

57
Digamos que um terceiro é credor do réu, e ele está assistindo o autor a cobrar uma dívida do réu, só
que, agora, foi proferida uma decisão do processo que penhorou o único bem que o réu possui, um
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201

A natureza do interesse jurídico varia conforme a natureza da assistência, simples ou


litisconsorcial.

5.6.2. Assistência Simples ou Adesiva


Hipótese em que o terceiro ingressa no feito afirmando-se titular de relação jurídica conexa
àquela que está sendo discutida, devendo essa relação ser não controvertida e distinta
daquela discutida no processo em que haverá a intervenção, podendo vir a ser afetada pela
decisão a ser proferida no processo do qual não participa.

Na assistência simples, a relação jurídica que está sendo discutida em juízo é do assistido, e
não do assistente, que poderá ter a sua esfera jurídica afetada a depender do resultado do
processo.

Assim, caberá assistência, por exemplo, no caso em que o locador move ação de despejo
contra o locatário, o que afetará o direito do sublocatário de se manter no imóvel. Há relação
jurídica entre o locatário e o sublocatário apta a ser prejudicada pela decisão na ação de
despejo, o que justifica a intervenção de terceiro.

Não caberá, entretanto, assistência quando o devedor de algum credor é cobrado em juízo por
outrem, já que, ainda que o patrimônio desse outrem venha a diminuir em eventual
sucumbência, o interesse apresentado será meramente econômico, não jurídico.

Sobre a assistência:

PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO.


ASSISTÊNCIA SIMPLES. ARTIGO 50, DO CPC. INTERESSE JURÍDICO.
INEXISTÊNCIA. INTERESSE MERAMENTE ECONÔMICO.

1. O instituto da assistência é modalidade espontânea, ou voluntária, de


intervenção de terceiro, que reclama, como pressuposto, interesse jurídico
que se distingue do interesse meramente econômico (Precedentes do STJ:
REsp 1.093.191/PE, Rel.

2. O assistente luta pela vitória do assistido ou porque a sua relação


jurídica é vinculada àquele, ou a res in iudicium deducta também lhe
pertence. De toda sorte, além desses fatores, o assistente intervém
porque a decisão proferida na causa entre o assistido e a parte contrária
interferirá na sua esfera jurídica.

carro. O réu só possui esse bem para quitar suas dívidas. Ora, eu sou o credor do réu, mas, a partir do
momento em que é determinada a penhora do carro e ela seja realizada, mesmo que ela não tenha sido
realizada, mas só determinada, eu já vislumbro a possibilidade de ser prejudicado. Porque se o réu só
possui esse bem e o bem vai ser penhorado em favor do autor, por aquele princípio prior in tempore,
melior in iure, quem penhora em primeiro lugar recebe em primeiro lugar, isso significa que, quando eu
for cobrar a minha dívida, pode ser que o réu não tenha mais bem nenhum para quitá-la, já não tenha
mais qualquer bem suficiente para me pagar. Mas, perceba, eu sou credor do réu, a decisão de penhora
modifica alguma coisa na minha relação de credor? Não. Eu sou credor e continuo sendo credor, posso
ajuizar a ação que eu bem entender, ação de cobrança, ação de execução de título extrajudicial, tudo o
que eu posso fazer até agora continuo podendo fazer. A minha relação jurídica não é alterada. O que é
alterada é a situação econômica do réu. Logo, nesse caso não caberia assistência.
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3. Doutrina abalizada pontifica que: "Somente pode intervir como assistente


o terceiro que tiver interesse jurídico em que uma das partes vença a ação.
Há interesse jurídico do terceiro quando a relação jurídica da qual seja
titular possa ser REFLEXAMENTE atingida pela sentença que vier a ser
proferida entre assistido e parte contrária. Não há necessidade de que o
terceiro tenha, efetivamente, relação jurídica com o assistido, ainda que isto
ocorra na maioria dos casos. Por exemplo, há interesse jurídico do
sublocatário em ação de despejo movida contra o locatário. O interesse
meramente econômico ou moral não enseja a assistência, se não vier
qualificado como interesse também jurídico." (Nelson Nery Júnior e Rosa
Maria de Andrade Nery, in Código de Processo Civil Comentado e Legislação
Extravagante, 9ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2006, pág. 232).

[...]

(STJ, AgRg na RCDESP no REsp 735.314/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
TURMA, julgado em 15/12/2009, DJe 02/03/2010)

O assistente NÃO TERÁ QUALQUER VÍNCULO JURÍDICO COM O ADVERSÁRIO DO ASSISTIDO,


intervindo para ser parte auxiliar parcial subordinada à vontade do assistido.

Isso significa que o assistente se limita a utilizar dos meios processuais postos à disposição do
assistido, assumindo a responsabilidade pelo pagamento das custas na proporção da
atividade que tiver exercido (art. 32, CPC).

O assistente simples atua no processo como legitimado extraordinário, pois em nome próprio
auxilia a defesa de direito alheio. Trata-se de legitimação extraordinária subordinada.

Por ser subordinada, o assistente fica sujeito aos atos de disposição do assistido, pois é deste o
objeto da relação jurídica discutida. Ele pode fazer tudo o que o assistido poderia. Ele pode
juntar documentos, pode pedir perícia, pode indagar as testemunhas etc., desde que a
vontade dele não entre em confronto com a vontade do assistido. Em outras palavras, não
pode existir antagonismo de vontades.

Se o assistente praticar algum ato em função da omissão do assistido, sua eficácia ficará
condicionada à ausência de uma manifestação posterior contrária expressa da parte deste.
Assim, v.g., se o assistente recorrer, caso o assistido se manifeste em sentido contrário, o
recurso não deverá ser julgado pelo tribunal.

Se existir antagonismo de ressalvas, prevalece a do assistido. Agora, se o assistido permanecer


inerte, não existe antagonismo de vontades. Se não existe antagonismo de vontades,
prevalece a vontade de quem quer praticar o ato.

Sendo revel o assistido, será considerado o assistente seu gestor de negócios: a revelia do
assistido não produz efeitos ante a atuação do assistente. A gestão restringe-se ao campo
processual, somente podendo o assistente praticar atos benéficos ao assistido em nível
processual, nunca atos que lhe tragam prejuízos, como v.g., reconhecer a procedência do
pedido. Também não poderá ele celebrar acordo com a parte contrária, ainda que

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203

manifestamente benéfico ao assistido revel, já que não pode dispor sobre a esfera jurídica
alheia.

Não cometa burrice: o assistente não pode evitar a revelia do réu; o que ele faz é obstar a
consumação do principal efeito da revelia, qual seja, presunção de veracidade dos fatos.

5.6.2.1. Efeitos da Decisão para o Assistente


Para Marinoni, o efeito da decisão em relação ao assistente é, ao mesmo tempo, mais e menos
restrito do que a coisa julgada.

Mais abrangente porque, de acordo com o art. 55 do CPC, o assistente não poderá discutir a
justiça da decisão do processo em que intervir. Logo, ele não poderá, futuramente, se tiver
demanda contra o assistido, discutir novamente o que foi colocado no dispositivo e na
fundamentação da sentença/acórdão (na coisa julgada, somente não se pode discutir o
conteúdo do dispositivo).

Mais restrita porque a justiça da decisão (fundamentação e dispositivo) poderá ser afastada,
diferentemente do que ocorre na coisa julgada, se o assistente provar que:

a) Fora impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença;

b) Desconhecia a existência de alegações ou de provas de que o assistido, por dolo ou


culpa, não se valeu.

PROCESSUAL CIVIL. COISA JULGADA. LIMITES OBJETIVOS. ASSISTENTE


SIMPLES QUE, POSTERIORMENTE AO TRÂNSITO EM JULGADO DO PROCESSO
EM QUE SE DEU A INTERVENÇÃO, PODE AJUIZAR NOVA AÇÃO PARA
DISCUTIR OBJETO DIVERSO.

- A coisa julgada deve respeitar seus limites objetivos. O fundamento e as


razões de decidir não se tornam imutáveis, podendo ser rediscutidos em
processo futuro.

- Na intervenção que faz em processo havido entre terceiros, o assistente


simples não formula pedido, limitando-se a auxiliar uma das partes (art. 52,
CPC). Por isso, se sujeita à coisa julgada havida naquele processo, mas
respeitados seus limites objetivos (art. 55, CPC).

- Assim, embora não possa mais discutir a justiça da decisão que proíbe sua
licenciada de utilizar marca, o assistente simples pode, em novo processo,
ajuizado contra o oponente da parte outrora assistida, pleitear a abstenção
de uso de expressão que integra sua denominação social. O objeto deste
novo processo é diverso daquele em que se deu sua assistência.

Recurso especial provido.

(STJ, REsp 1087353/PB, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,


julgado em 17/02/2009, DJe 05/03/2009)

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5.6.3. Assistência Litisconsorcial ou Qualificada


Prevista no art. 54, se diferencia em muito da assistência simples.

Na assistência litisconsorcial, O TERCEIRO É TITULAR DA RELAÇÃO JURÍDICA DE DIREITO


MATERIAL DISCUTIDA NO PROCESSO (pelo menos afirma ser), sendo, portanto,
diretamente atingido em sua esfera jurídica pela decisão a ser proferida. Ou seja, o terceiro
alega um interesse jurídico imediato na causa, enquanto na assistência simples, o interesse é
mediato.

Mantém o terceiro relação jurídica com a parte adversária daquela a quem pretende ajudar,
diferentemente da assistência simples, em que essa relação não existe.

Por que, então, a parte estaria litigando se não estava o assistente, titular do direito material,
compondo o processo? Pois ou ele estava agindo como legitimado extraordinário ou pois era a
parte cotitular do direito.

Assim, A ASSISTÊNCIA LITISCONSORCIAL SOMENTE É POSSÍVEL NOS CASOS DE


LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO, PORQUE SOMENTE NESSE CASO O TITULAR DO
DIREITO PODERÁ SER EXCLUÍDO DA DEMANDA POR VONTADE DAS PARTES. Logo, se
porventura o autor já tivesse formado o litisconsórcio entre todos os titulares do direito, não
haveria terceiros a ingressar como assistentes.

Também não é caso de assistência o litisconsórcio necessário. Não se confundem. A


ASSISTÊNCIA LITISCONSORCIAL É INTERVENÇÃO DE TERCEIROS VOLUNTÁRIA; O
LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO É CONDIÇÃO DE LEGÍTIMO EXERCÍCIO DO DIREITO DA AÇÃO,
JÁ QUE SE REMETE À LEGITIMIDADE.

Desse modo, vê-se que se for caso de litisconsórcio processual necessário, será a assistência
litisconcorcial totalmente incompatível com o processo. Por quê? Pois o litisconsorte deveria
integrar a relação jurídica desde o início do processo, como parte originária. Houve formação
irregular do processo, sendo todos os atos praticados sem a presença da parte cujo direito
estava sendo discutido nulos. A citação tinha que ter se dirigido a todos.

São casos que permitem a assistência litisconsorcial, v.g., a defesa de interesses do


condomínio por apenas um ou alguns dos condôminos e a alienação da coisa litigiosa.

5.6.3.1. Qualidade do Assistente Litisconsorcial


Parcela da doutrina defende que o caráter de assistência prepondera sobre o caráter de
litisconsórcio em relação ao assistente litisconsorcial, com fundamento no fato de que o
assistente nada pede e contra ele nada é pedido no processo, de forma que o seu ingresso não
inclui no processo qualquer nova demanda. Errado.

Na verdade, correta a doutrina que defende que o assistente é verdadeiro litisconsorte, já que,
ainda que não haja modificação objetiva na demanda, por ser ele titular do direito material, o
acolhimento ou rejeição dos pedidos o atingirá da mesma forma que o atingiria se o sujeito
tivesse feito pedido diretamente contra ele.

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Logo, como o assistente litisconsorcial é reputado autor ou réu a partir do momento em que
ingressa no processo, tem-se verdadeira hipótese de litisconsórcio facultativo ulterior.

5.6.3.2. Efeitos da Decisão para o Assistente Litisconsorcial


Ele sofrerá normalmente os efeitos da coisa julgada, já que é parte cotitular do direito
discutido. Por isso que deve avaliar bem o estado do processo antes de intervir, já que o
receberá no estado em que se encontra.

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. EXECUÇÃO DE


SENTENÇA. ASSISTÊNCIA LITISCONSORCIAL. LEGITIMIDADE.
PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF.

1. É cediço que, para o conhecimento do recurso especial pela alínea "a" do


permissivo constitucional, se faz necessário que a norma infraconstitucional
tida como contrariada tenha sido objeto de análise pela instância de origem,
sob pena de não ser conhecido por ausência de prequestionamento.
Incidência da Súmula 282/STF.

2. Em caso de ocorrência de omissão, obscuridade, contradição ou erro


material, cabe à parte inconformada opor embargos de declaração,
suscitando o debate da matéria. Caso sejam rejeitados, deve apontar
violação do artigo 535 do Código de Processo Civil para a abertura da via
especial, a fim de permitir a análise de eventual omissão.

3. O ASSISTENTE LITISCONSORCIAL DETÉM RELAÇÃO DE DIREITO


MATERIAL COM O ADVERSÁRIO DO ASSISTIDO, DE MODO QUE A
SENTENÇA QUE VIER A SER PROFERIDA, EM RELAÇÃO A ELE,
CONSTITUIRÁ COISA JULGADA MATERIAL.

Assim, não há como afastar a legitimidade passiva ad causam do recorrente.

4. Recurso especial conhecido em parte e não provido.

(STJ, REsp 623.055/SE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA,


julgado em 19/06/2007, DJ 01/08/2007, p. 434)

5.6.4. Procedimento
O terceiro deverá fazer petição devidamente fundamentada a qualquer tempo, a qual deverá
ser protocolada no processo. Caso não haja impugnação no prazo de 05 dias, o pedido de
assistência será deferido (evidentemente que o juiz pode indeferir o pedido liminarmente).

Porém, ainda que as partes não impugnem, não necessariamente o pedido será acatado, já
que não ocorre preclusão para o juiz.

Havendo impugnação, o pedido será desentranhado dos autos principais e autuado em


apenso. A instauração desse incidente NÃO SUSPENDERÁ O ANDAMENTO DO
PROCEDIMENTO PRINCIPAL.

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206

Se indeferido o pedido, com ou sem a criação do incidente, caberá agravo de instrumento. O


mesmo recurso é cabível no caso de deferimento do pedido, somente tendo legitimidade
recursal as partes que não concordarem com a intervenção do terceiro.

5.6.4.1. Assistência Litisconsorcial na Ação Popular


ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL – AGRAVO REGIMENTAL – AÇÃO
POPULAR – INGRESSO DE ASSISTENTES LITISCONSORCIAIS – POSSIBILIDADE.

1. O art. 6º, § 5º, da Lei n. 4.717/65 estabelece que: "É facultado a qualquer
cidadão habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação
popular".

2. É possível o ingresso dos assistentes litisconsorciais na ação popular a


qualquer tempo, desde que comprovado o requisito da cidadania, mediante
cópia dos títulos de eleitor exigida pelo art. 1º, § 3º, da mencionada lei, o
que, in casu, ocorreu.

3. Na hipótese dos autos, a assistência é qualificada ou litisconsorcial,


porquanto o assistente atua com poderes equivalentes ao do litisconsorte,
uma vez que a quaestio iuris em litígio também é do assistente, o que lhe
confere a legitimidade para para discutí-la individualmente ou em
litisconsórcio com o assistido.

4. A assistência litisconsorcial se assemelha "a uma espécie de litisconsórcio


facultativo ulterior, ou seja, o assistente litisconsorcial é todo aquele que,
desde o início do processo, poderia ter sido litisconsorte facultativo-unitário
da parte assistida" (CPC Comentado por Nélson Nery Júnior e Rosa Maria de
Andrade Nery, 9ª Edição, Editora RT, p. 235, comentários ao art. 54 do CPC).

5. O simples fato dos assistentes litisconsorciais ostentarem a condição de


cidadãos já pressupõe a existência de interesse jurídico na causa,
representado pela pretensão de ter um governo probo e eficaz.

Agravo regimental improvido.

(AgRg no REsp 916.010/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA


TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010)

5.7. Oposição (arts. 56 a 61, CPC)

5.7.1. Conceito
Trata-se de demanda por meio da qual terceiro deduz em juízo pretensão incompatível com os
interesses conflitantes de autor e réu de um processo cognitivo pendente. Visa o terceiro
(opoente) excluir o direito de autor e réu (opostos).

Cabe a oposição quando terceiro pretende a coisa/direito que está sendo disputada por duas
ou mais pessoas. Logo, o terceiro agrega um novo pedido ao processo, devendo a sentença
examinar as pretensões do autor originário e do terceiro/opoente.

Por isso que se diz que a oposição torna o processo objetiva e subjetivamente mais complexo.

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207

Impossível a pretensão após a prolação de sentença, por meio de recurso, pois haveria
supressão de instância. Somente pode essa medida interventiva ser implementada no
processo de conhecimento e antes da sentença.

A oposição tem natureza jurídica de ação, é verdadeiro processo incidente.

5.7.1.1. Diferença entre Oposição e Embargos de Terceiros


A diferença diz respeito ao objeto de ambos os institutos: nos embargos de terceiro não
interessa ao terceiro o direito material discutido na ação principal, porque para ele é
irrelevante a determinação de ter razão nessa demanda autor ou réu, bastando a
demonstração de que a constrição foi realizada indevidamente e que o bem constrito deve ser
liberado; já na oposição, o terceiro terá que discutir o direito material controvertido no
processo entre autor e réu, porque será do convencimento de que o direito material não é de
um nem de outro, mas seu, que dependerá a vitória do opoente.

5.7.1.2. Demanda Bifronte


O opoente tem uma dupla pretensão, dirigida contra o autor e réu da ação originária, tendo
natureza declaratória contra o autor (declara que ele não tem o direito) e condenatória
contra o réu (condena-o a uma prestação), sendo invertidas tais pretensões quando a
demanda originária for declaratória negativa.

Fala-se, pois, que a oposição tem natureza bifronte, de forma que, extinta a ação originária por
qualquer razão, não há motivo para a extinção da oposição.

5.7.2. Espécies de Oposição


Há duas espécies de oposição: a oposição interventiva (art. 59) e a oposição autônoma (art.
60).

Em ambas as espécies, a oposição será de competência funcional (logo, absoluta) do juiz da


causa originária, devendo ser distribuída (e não protocolada) por dependência; será autuada
em apenso aos autos principais.

Também há outro ponto em comum: as duas permitem a citação no advogado das partes58,
citação que deverá ser feita tanto ao autor quanto ao réu da outra demanda, já que ambos
atuarão semelhantemente a litisconsortes passivos na oposição.

Entretanto, se na causa originária o réu for revel, a sua citação para a oposição será feita
normalmente, ou seja, será pessoal (art. 57, p. único).

Finalmente, em ambas as espécies, se um dos opostos reconhecer a procedência do pedido,


contra o outro prosseguirá o opoente.

58
O legislador entendeu que o advogado do autor e do réu já possuem pleno conhecimento da causa,
que eles não precisam ter a citação realizada na pessoa das partes, os seus advogados podem ser
citados, e eles terão plena condição de apresentar defesa ao pedido formulado pelo opoente. Foi uma
maneira do legislador dar celeridade ao processo.
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5.7.2.1. Oposição Interventiva


A oposição interventiva é aquela ajuizada antes da AIJ; terá um procedimento conjunto ao da
ação originária e será julgada na mesma sentença. Nesse caso, ela deverá ser resolvida antes
do objeto da ação originária, num capítulo anterior, em razão da evidente prejudicialidade; se
julgada procedente a oposição, a ação principal perde o objeto, porque, sendo o direito ou
coisa do opoente, não há sentido em se continuar julgando a causa.

PROCESSUAL CIVIL. OPOSIÇÃO. JULGAMENTO SIMULTÂNEO COM A CAUSA


PRINCIPAL. INVERSÃO DA ORDEM DE CONHECIMENTO DOS PEDIDOS. ART.
61 DO CPC. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA
INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS.

1 - Não obstante tenha sido a causa principal decidida antes da oposição,


em afronta a letra do art. 61 do CPC, a sentença deu a cada parte o que lhe
era de direito. Apesar de não obedecida a forma, criada, aliás, por uma
questão de lógica, o fim visado pelo dispositivo foi atingido. Aplicação do
princípio da instrumentalidade das formas.

2 - Recurso não conhecido.

(STJ, REsp 420.216/SP, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, SEXTA


TURMA, julgado em 01/10/2002, DJ 21/10/2002, p. 428)

A oposição interventiva é verdadeiramente uma intervenção de terceiro, sendo um


incidente processual.

5.7.2.2. Oposição Autônoma


Trata-se da oposição ajuizada após o início da AIJ e antes da sentença. O art. 60 prevê a
possibilidade do juiz sobrestar pelo prazo máximo de 90 dias a ação principal a fim de obter
identidade procedimental e harmonizar os julgados.

A OPOSIÇÃO AUTÔNOMA É UM PROCESSO INCIDENTE PROPOSTO POR TERCEIRO.

Importante destacar que na oposição autônoma poderá não haver o julgamento numa
mesma sentença da oposição e da ação principal. Assim perfeitamente possível que o autor
na ação principal perca para o opoente o direito que a ele foi reconhecido na sentença
primeva.

Se o terceiro não ingressar até o momento da sentença, ele pode se utilizar de recurso de
terceiro prejudicado? Não, porque o terceiro possui um direito que independe do que ficar
decidido entre autor e réu. O direito do terceiro é independente, ele vai apresentar o seu
pedido em face dos dois ou em face de ambos, mas é um pedido que independe do que ficou
decidido entre autor e réu.

Se fosse possível ao opoente apresentar o recurso de terceiro prejudicado, o pedido dele iria
pular um grau de jurisdição, sendo apresentado diretamente no segundo grau, pulando o
primeiro, e isso, ele não pode fazer.

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5.7.3. Procedimento
Deve o opoente apresentar petição inicial, preenchendo todos os pressupostos dos arts. 282 e
283 do CPC. O litisconsórcio que se forma na oposição é:

a) Inicial: é inicial pois existirá desde o início da demanda opositiva.

b) Passivo:

c) Necessário: pois prevista expressamente em lei a necessidade de sua formação.

d) Simples: porque o juiz não está obrigado a decidir da mesma forma para ambos os
litisconsortes. Ademais, pode um opoente reconhecer a procedência do pedido e o
outro não, o que demonstra a não obrigatoriedade de decisões iguais para todos os
opostos.

Os opostos serão citados na pessoa de seus advogados, sendo desnecessário poder especial
para tanto por ser o mesmo conferido pela lei. A citação deverá ser feita por AR, oficial, edital
ou meio eletrônico, conforme pedir o opoente, salvo, como visto, se o réu da demanda
originária era revel, hipótese em que deverá ser citado pessoalmente.

O prazo de contestação será de 15 dias, prazo este comum, NÃO SE APLICANDO


CONTAGEM EM DOBRO. Entretanto, isso somente para a resposta. O prazo das demais
manifestações no processo será em dobro, nos termos do art. 191.

PROCESSUAL CIVIL. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS. OPOSIÇÃO. NATUREZA AD


EXCLUDENDUM. INDEFERIMENTO DA INICIAL. INADEQUAÇÃO DA VIA
ELEITA. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO
SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. APELAÇÃO NÃO PROVIDA.

1. No processo de oposição o terceiro busca ter reconhecido em juízo o


direito sobre o qual controvertem autor e réu. Assim, um dos requisitos
para o ajuizamento da oposição é que o opoente deduza pretensão contra
autor e réu ao mesmo tempo, já que essa espécie de intervenção de
terceiro tem natureza ad excludendum.

2. Considerando que uma das autoras figurou no polo passivo da demanda


originária e que a outra demandante poderia ter atuado naquela mesma
ação, para obter o benefício de pensão por morte como uma das
dependentes do ex-servidor militar, falta-lhes interesse processual para
propor ação de oposição.

3. A inadequação da via processual eleita implica ausência do interesse de


agir e gera o indeferimento da inicial, com a extinção do processo, sem a
resolução do mérito (art. art. 267, I, c/c art. 295, inc. III, do CPC).

4. Apelação a que se nega provimento.

(TRF1, AC 2003.38.01.002475-4/MG, Rel. Juiz Federal Antônio Francisco Do


Nascimento (conv.), Primeira Turma,e-DJF1 p.52 de 24/11/2009)

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PROCESSUAL CIVIL. OPOSIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DO OBJETO


DAS DEMANDAS PRINCIPAL E OPOSICIONAL. AUSÊNCIA DE INTERESSE DE
AGIR. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DO RITO. CARÊNCIA DA AÇÃO NÃO
ARGUIDA NO MOMENTO OPORTUNO. CUSTAS DE RETARDAMENTO.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE CONDENAÇÃO. FIXAÇÃO
AQUÉM DO LIMITE LEGAL. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA.

1. A oposição é modalidade de intervenção de terceiros na qual se permite


que o objeto de lide preexistente seja demandado por sujeito alheado da
relação processual, diverso das partes que a integram, SEM QUE SE FAÇA
NECESSÁRIA A INSTAURAÇÃO DE NOVO PROCESSO.

2. Caso em que inexiste identidade entre os objetos da ação principal e da


oposição, pois que a primeira versa sobre obrigação de indenizar decorrente
de locupletamento indevido da Administração Pública, ao passo que a
segunda concerne à cobrança de valores devidos pela Autora/Oposta
(empresa privada) à Opoente (outra empresa privada) por força de
inadimplemento em contrato por esta celebrado.

3. Se o instrumento utilizado pelo demandante para formular o pedido não


se compatibiliza com o delineamento abstrato que lhe foi conferido pela
legislação, carece o Opoente de condição para o exercício do direito de
ação, qual seja, o interesse de agir, por inadequação da via eleita.

4. A oposição interventiva, quando proposta antes do término da instrução


processual, integra com a ação principal um processo uno, embora
ambivalente, razão porque não se pode destacar deste para prosseguir sob
título e natureza diversas, sendo descabida, portanto, a alusão a
possibilidade de conversão para o rito adequado.

5. O art. 267, § 3º, do CPC, determina que, se a parte Ré não argüir a


carência da ação no primeiro momento em que lhe for oportunizado o
pronunciamento nos autos, imputar-se-lhe-ão as custas decorrentes do
retardamento. Na hipótese, a ausência de interesse de agir remonta à
propositura da ação, deixando de ser suscitada por qualquer das Apeladas
em sede de contestação.

6. À luz do art. 20, § 4º, do CPC, a inexistência de condenação autoriza a


fixação dos honorários advocatícios sem adstrição ao limite estabelecido no
caput do mesmo dispositivo, consoante apreciação eqüitativa, observando a
complexidade da causa e os esforços empreendidos pelo profissional.
Redução, no caso, para o equivalente a 5% (cinco por cento) do valor da
causa.

7. Apelação a que se dá parcial provimento para imputar às Opostas as


custas de retardamento, bem como para reduzir o valor dos honorários
advocatícios de R$ 5.000,00 para R$ 1.750,00.

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(TRF1, AC 1998.36.00.000731-2/MT, Rel. Desembargadora Federal Maria


Isabel Gallotti Rodrigues, Conv. Juiz Federal David Wilson De Abreu Pardo
(conv.), Sexta Turma,e-DJF1 p.52 de 16/06/2008)

5.7.3.1. Recurso Cabível contra Decisão da Oposição


Se a oposição e a ação originária forem julgadas em conjunto, mediante sentença comum, o
recurso cabível evidentemente será apelação, se o processo correr perante juízo de primeiro
grau.

O mesmo recurso será cabível contra a decisão que julga a oposição autônoma.

Porém, se inadmitido o pedido de oposição, caberá agravo de instrumento, se interventiva for


a oposição. E se for autônoma? Creio que caberá apelação, já que é um processo incidente, e
não um incidente processual.

5.7.4. Oposição Sucessiva


Pode um terceiro ajuizar à oposição oposta por um outro terceiro em processo existente? Sim,
perfeitamente cabível, só que o segundo opoente terá que colocar no polo passivo o autor, o
réu e o primeiro opoente. Tem que figurar no polo passivo todos que anteriormente estavam
discutindo a relação jurídica de direito material.

Pode acontecer, por exemplo, da segunda oposição ser apresentada sem que o opoente saiba
da primeira oposição, e com isso, vai colocar no polo passivo só o autor e o réu, faltando o
primeiro opoente. Nesse caso, essa hipótese do primeiro opoente e o segundo opoente
apresentarem oposições sem apresentarem esclarecimentos de um e de outro é o que se
chama de oposição convergente.

O juiz deverá intimar, nesse caso, o segundo opoente para que inclua no polo passivo o
primeiro.

5.8. Nomeação à Autoria (arts. 62 a 69, CPC)


Instituto processual pelo qual se convoca, coativamente, o sujeito oculto das relações de
dependência, corrigindo-se o polo passivo da relação jurídica processual. Ela tem dois
objetivos:

a) Indicar ao autor o real titular da situação legitimamente passiva;

b) Retirar do sujeito dependente o ônus de conduzir um processo que não lhe diz
respeito.

Esse instituto VISA A EVITAR A EXTINÇÃO DO PROCESSO POR ILEGITIMIDADE PASSIVA.


O legislador entendeu que em determinadas situações concretas, a possibilidade de equívoco
na definição do legitimado passivo era tão viável de acontecer que seria por bem permitir que
nessas hipóteses, expressamente por ele fixadas, o réu ao ser citado nomeasse o verdadeiro
legitimado.

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Ocorre uma espécie de sucessão processual mediante extromissão de parte, que não se
confunde com a sucessão processual tradicional, já que o sujeito passivo nunca deveria ter
figurado na relação jurídica.

Não haverá ampliação subjetiva do processo, motivo pelo qual não é uma autêntica
modalidade de intervenção de terceiros.

5.8.1. Hipóteses de Cabimento


O CPC somente prevê DUAS HIPÓTESES TAXATIVAS DE NOMEAÇÃO À
AUTORIA. Fora dessas duas situações, a ilegitimidade de parte gera a extinção do processo
sem resolução de mérito por carência de ação.

5.8.1.1. Nomeação à Autoria pelo Mero Detentor


O réu, quando mero detentor, deve nomear à autoria o possuidor ou proprietário, quando o
objeto discutido na demanda for a posse ou a propriedade, respectivamente.

5.8.1.2. Nomeação à Autoria pelo Mandatário em Demandas de Reparação de Dano


O mandatário deverá nomear o mandante em ação de reparação de danos sempre que for
demandado como réu, ainda que ele tenha praticado o ato, desde que por ordem ou
instruções de terceiros.

No entanto, essa hipótese é juridicamente questionada. Isso porque o art. 942, p. único, do
CC/02 determina que todo aquele que concorreu para o dano, praticando ato ilícito, é por ele
responsável.

Assim, mesmo que o mandatário tenha praticado o ato em nome do mandante, deverá
também arcar com a responsabilidade. Logo, não seria caso de nomeação à autoria, e sim de
chamamento ao processo (entendimento do Didier, Câmara etc.).

Logo, se realmente, no caso concreto, o mandatário não tiver responsabilidade, deverá


nomear. Mas se tiver, o juiz, utilizando-se do princípio da fungibilidade, poderá receber a
nomeação como chamamento ao processo, determinando a citação do mandante para
integrar o polo passivo juntamente ao mandatário.

5.8.1.3. Procedimento
A nomeação à autoria É CONSIDERADA UM DEVER DO RÉU, porque, não o fazendo ou
nomeando um terceiro diverso daquela pessoa que deveria ter sido nomeada responderá por
perdas e danos59 (art. 69, CPC). E por que as perdas e danos? Pois o réu que deveria nomear

59
Quem é que pode cobrar essas perdas e danos? Quem é que pode vir a ser prejudicado pela falta de
nomeação à autoria? Por estranho que possa parecer – não é o autor! É o nomeado. O autor ajuizou a
demanda de maneira incorreta – azar o dele! Deveria ter ajuizado de maneira adequada; então quem
pode cobrar as perdas e danos, aquele a quem as perdas e danos dizem respeito é o nomeado. Poderia
participar do processo para se defender e não foi nomeado adequadamente, não tem o que fazer.
Porém, na prática, como a lei não diz quem é o nomeado, o autor vai tentar cobrar também. A doutrina
majoritária defende que essa cobrança tem que ser cobrada em ação autônoma. Por quê? Pra evitar
complicação no andamento da causa principal.
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213

fará o autor perder tempo e recursos, além de gerar uma sentença absolutamente ineficaz e
inexigível contra quem deveria ser nomeado, já que não participou do processo.

É um dever processual com consequências de direito material.

A nomeação à autoria deverá ser feita no prazo de resposta (art. 64), SUSPENDENDO-SE
O PROCEDIMENTO PRINCIPAL DESDE QUANDO PROTOCOLADA.
Sugere-se que o réu não apresente contestação concomitante à nomeação pois, frustrando-se
a nomeação, O PRAZO DE RESPOSTA SERÁ A ELE DEVOLVIDO NA ÍNTEGRA . Nesse
sentido:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO.


RECUSA DE NOMEAÇÃO À AUTORIA PELOS RÉUS. DEVOLUÇÃO DO PRAZO
PARA CONTESTAR. NECESSIDADE. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO
CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL. PRECLUSÃO.
INEXISTÊNCIA. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA.

1. A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça possui entendimento


pacífico no sentido de que a recusa pelo autor da nomeação à autoria
pleiteada pela ré não impede a abertura de novo prazo para que a
nomeante apresente contestação.

2. A falta de prazo para contestação, nos termos do artigo 67 do Código de


Processo Civil, consiste em violação aos princípios do contraditório e ampla
defesa, hipótese de nulidade insanável, não sujeita à preclusão.

3. É possível, excepcionalmente, a consideração dos litisconsortes


facultativos como um todo, quando presente intensa identidade fático-
posicional entre eles, a ponto de impedir, para o julgador, a sua
consideração como litigantes autônomos.

4. Agravo regimental a que se nega provimento.

(STJ, AgRg no Ag 1293825/GO, Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA


(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/RS), TERCEIRA TURMA, julgado em
14/04/2011, DJe 25/04/2011)

Melhor explicando o entendimento dessa decisão:

PROCESSUAL CIVIL - NOMEAÇÃO À AUTORIA - OFENSA AO ARTIGO 67 DO


CPC.

I - Não há no artigo 67 do CPC qualquer ressalva quanto à hipótese de ter a


parte, quando da nomeação à autoria, apresentado peça de defesa,
devendo, portanto, este dispositivo ser aplicado mesmo que já tenha sido
apresentada contestação. Isso porque, após o indeferimento do pedido,
constata-se nova situação jurídica para o nomeante que a partir daí será
considerado, efetivamente, parte legítima no processo. Ofender-se-ia a

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214

ampla defesa e o contraditório se ficasse a parte, diante da confirmação de


sua legitimidade ad causam, impedida de apresentar resposta.

II - Recurso Especial conhecido e provido.

(STJ, REsp 235.644/SP, Rel. Ministro WALDEMAR ZVEITER, TERCEIRA


TURMA, julgado em 16/02/2001, DJ 09/04/2001, p. 354)

Deferido o pedido, o juiz intimará o autor para se manifestar sobre o pedido de nomeação no
prazo de 05 dias, sendo o seu silêncio entendido como aceitação tácita.

Aceitando o autor, será citado o terceiro, que poderá aceitar, se calar ou recusar. Aceitando
expressamente a nomeação, ocorre a extromissão de parte, devendo o terceiro, agora réu, ser
intimado para apresentação de resposta, o mesmo ocorrendo se ele se calar, hipótese em que
haverá aceitação tácita.

Aceita a nomeação pelo nomeado, nada impede que o nomeante remanesça nos autos como
assistente simples do nomeado, desde que haja interesse jurídico, claro.

Se o nomeado não aceitar a nomeação, o processo prossegue contra o nomeante. Parcela da


doutrina defende que, verificando o juiz, ao final do processo, que o nomeado realmente era a
pessoa legítima para figurar no processo, a nomeação contra ele deverá formar coisa julgada.
Isso, entretanto, não é pacífico.

5.9. Denunciação da Lide (arts. 70 a 76, CPC)


A denunciação da lide é uma intervenção de terceiros provocada. Trata-se de uma demanda
nova em processo já existente; por ela, não se forma processo novo. Possui, então, natureza
jurídica de ação regressiva condenatória incidental.

Ela serve para que uma das partes traga ao processo um terceiro que tem responsabilidade de
ressarci-la pelos danos de eventual sucumbência na lide. O direito regressivo da parte contra
terceiros, portanto, é o fator principal que legitima a denunciação.

A denunciação é coercitiva, pois não existe a possibilidade do denunciado negar sua


qualidade de parte, restando vinculado ao processo desde sua regular citação. O que ele
poderá fazer, evidentemente, é se defender da responsabilidade de indenizar.

Porém, assim que determina a citação, o juiz já terá feito um exame prévio de legitimidade do
denunciado, motivo que justifica a coercibilidade da denunciação.

Ela apresenta as seguintes características:

a) Incidente: será instaurada em processo já existente.

b) Regressiva: fundada no direito de regresso da parte contra o terceiro.

c) Eventual: guarda uma relação de prejudicialidade com a demanda originária,


considerando-se que, se o denunciante não suportar dano algum em razão de seu
resultado, a denunciação da lide perderá seu objeto.
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215

d) Antecipada: no confronto entre o interesse de agir e a economia processual, o


legislador prestigiou o primeiro, já que o denunciado participará do processo antes de
ter alguma responsabilidade.

5.9.1. Obrigatoriedade da Denunciação


A obrigatoriedade está prevista no caput do art. 70. Essa obrigatoriedade, entretanto, não
obriga em nada.

Isso porque a parte que deixar de denunciar poderá promover o direito de regresso
posteriormente, em ação autônoma. Lembrar que normas legais processuais não podem
criar, extinguir ou modificar direitos materiais.

A parte simplesmente arcará com o ônus da preclusão temporal, impedindo que a


denunciação seja feita após o decurso do prazo legal, arcando com os custos de
posteriormente ter que ajuizar uma ação regressiva.

O art. 456, caput, do CC/02 determina que o adquirente evicto promova a denunciação para
que possa exercer os direitos que da evicção resultam. Entretanto, até mesmo essa hipótese
é AFASTADA pelo STJ, já que a perda da possibilidade de propositura de demanda contra o
alienante geraria o ENRIQUECIMENTO ILÍCITO deste. Nesse sentido:

PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR


PERDAS E DANOS. VEÍCULO IMPORTADO. EVICÇÃO. DENUNCIAÇÃO DA
LIDE. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE.

1. Esta Corte tem entendimento assente no sentido de que "direito que o


evicto tem de recobrar o preço, que pagou pela coisa evicta, independe,
para ser exercitado, de ter ele denunciado a lide ao alienante, na ação em
que terceiro reivindicara a coisa" (REsp 255639/SP, Rel. Min. CARLOS
ALBERTO MENEZES DIREITO, Terceira Turma, DJ de 11/06/2001).

2. Agravo regimental desprovido.

(STJ, AgRg no Ag 917.314/PR, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES,


QUARTA TURMA, julgado em 15/12/2009, DJe 22/02/2010)

5.9.2. Situação Processual do Denunciado


O CPC trata o denunciado como um litisconsorte do denunciante. Entretanto, isso é
questionável, já que o denunciado não é titular do direito discutido na ação originária.

Assim, combatendo a lei, a doutrina diverge entre definir a situação dele como de assistente
simples, já que ele teria o interesse de ver o sucesso do denunciante na causa, ou de assistente
litisconsorcial.

Porém, até mesmo a posição de assistente simples é questionável, já que o denunciado estaria
limitado à vontade do denunciante. E isso não se mostraria juridicamente correto. Inclusive o
próprio STJ já rejeitou essa tese, ao afirmar que o acordo celebrado entre autor e réu
denunciante na ação principal não vincula o denunciado.

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De fato, o entendimento mais correto é que DENUNCIANTE E DENUNCIADO SÃO


LITISCONSORTES, permitindo a condenação direta do denunciado, principalmente nos
casos em que ele é empresa seguradora (STJ já entendeu assim, inclusive permitindo a
execução apenas e isoladamente da seguradora!).

ACIDENTE. TRÂNSITO. DENUNCIAÇÃO. SEGURADORA.

Cuida-se de ação de indenização ajuizada por companheira, filho e mãe de


falecido em consequência de atropelamento na calçada ocasionado por
caminhão conduzido por preposto de sociedade empresária. Discute a
empresa, no REsp, entre outras matérias, sua condenação solidária com a
seguradora denunciada e o termo final para a pensão. Quanto à idade para
o término da pensão, explica o Min. Relator que este Superior Tribunal tem
adotado a tabela de provável sobrevida utilizada pela Previdência Social,
que, por sua vez, segue a tabela do IBGE, que calcula a longevidade com
base no tempo de vida já decorrido de cada pessoa. Quanto à solidariedade
entre a empresa denunciante e a seguradora denunciada, assevera que,
assumindo a seguradora a condição de litisconsorte em razão da
denunciação da lide, a responsabilidade dela passa a ser solidária em
relação à empresa segurada, DE SORTE QUE A CONDENAÇÃO NO
PROCESSO DE CONHECIMENTO FORMA TÍTULO EXECUTIVO
JUDICIAL CUJA EXECUÇÃO PODE SER DIRIGIDA A AMBOS OU A
QUALQUER UMA DELAS. Com esse entendimento, a Turma deu parcial
provimento ao recurso, reconhecendo a pensão até a longevidade provável
da vítima segundo a tabela da Previdência Social, baseada nos cálculos do
IBGE, se a tanto sobreviverem os recorridos, e a solidariedade entre a
recorrente e a seguradora. (STJ, 4T, Informativo 450 REsp 736.640-RS).

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. LITISDENUNCIAÇÃO.


SEGURADORA. CONDENAÇÃO E EXECUÇÃO DIRETA E SOLIDÁRIA.
POSSIBILIDADE. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO DE SEGURO. SÚMULA
83/STJ.

1. Comparecendo a seguradora em juízo, aceitando a denunciação da lide


feita pelo réu e contestando o pedido principal, assume a condição de
litisconsorte passiva.

2. Possibilidade de ser condenada e executada, direta e solidariamente,


com o réu.

3. Por se tratar de responsabilidade solidária, a sentença condenatória


pode ser executada contra qualquer um dos litisconsortes.

4. Concreção do princípio da função social do contrato de seguro, ampliando


o âmbito de eficácia da relação contratual.

5. Precedentes específicos da Terceira e da Quarta Turma do STJ.

6. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.


Grupo de Estudos para a Magistratura Feder