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Isto foi escrito há 100 anos atrás. Infelizmente, não é que aconteceu?

Escolas laicas, isto é, ímpias.

Ouvistes falar, meus amigos, de uma novidade que foi introduzida entre nós com o título
de escolas laicas ou escolas livres? Pois entendei bem para vosso governo. São pura e
simplesmente escolas do diabo e laços de perdição. São a última calamidade que lançaram do
inferno sobre este país católico que tanto vem sofrendo desde o início deste século. É a última
máscara com que a Revolução pretende vos seduzir e fazer de besta a todos.
Falemos claramente e sem dissimulação.
O erro não faria conquista alguma se se apresentasse aos incautos chamando-se com o
seu próprio nome e mostrando-se como é em si. Não, para fazer seu caminho, primeiro necessita
se disfarçar. Seu disfarce costuma ser um nome mais ou menos simpático que possa chamar a
atenção. Eis aqui porque, esses centros de impiedades modernamente estabelecidos em nossas
populações, passaram a chamar escolas laicas de Satanás, seu verdadeiro pai. Escolas, isto é,
lugares onde não se procura, aparentemente, mais que a instrução, que é, em si mesma, coisa
boa. Laica, isto é, em aparência. Dirigidas por seculares que, é claro, podem desempenhar tal
função tão bem e tão acertadamente como os mais habilidosos eclesiásticos. Até aqui não há
nada à primeira vista de particular.
Mas há! Esta é a máscara e nada mais: a tampa coberta de flores, o anzol para pescar
inocentes. Tais escolas não se chamam assim pelo fato de seus fundadores por serem laicos ou
seculares os que trabalham nelas, mas porque o ensino que nelas se dá se proclama laico ou
independente de toda religião. Seu ensino é o ensino sem Deus, é o ensino ateu, é o ensino que
procura se apoderar, desde a tenra idade, do coração da criança ou do jovem para fazer dele
não o que deve ser, um fiel e temente cristão, mas um homem sem fé e sem lei, homem sem
religião.
Caluniamos as escolas laicas ou livres ao qualificá-las desta maneira?
Não, porque elas cuidaram bastante de qualificar a si próprias com seus ditos e feitos.
Com seus ditos nos periódicos e revistas. Aqui está em nossa cidade o que lhes serve de
órgão oficial o qual não cessa de nos dizer semanalmente que o laicismo é a emancipação de
toda ideia religiosa, do jugo do sacerdote, do despotismo de Roma, das ideias do Syllabus, isto
é, do quanto constitui o verdadeiro Catolicismo. E, consequentemente a este plano diabólico,
não deixa nem um dia de blasfemar contra o mais santo e sagrado, de recolher todo o lodo e
lixo da imprensa imunda de Paris para jogá-los no rosto das pessoas e coisas católicas.
De igual sorte, falam em seus programas e alocuções os fundadores e promovedores de
tais escolas, apregoando em alta voz as excelências do Livre Pensamento, da ciência sozinha, da
razão emancipada, e outras palavras do dicionário livre-pensador que não significam nada mais
que uma coisa aberta e clara: guerra à Religião Católica.
E se qualificam, ademais, com seus feitos. Em tais escolas, se começa a suprimir como
coisa inútil o Catecismo, arrancam do lugar de honra a imagem de Cristo crucificado, abandonam
por completo as práticas piedosas e se reduz a visita paroquial. Em seus livros nada se encontra
que se fale da fé, nem de suas máximas, nem de seus preceitos, nem de suas festas, nem de
seus Sacramentos, nem de seus Santos, nem de suas cerimônias. Em um estudo vazio com que
se quer asfixiar deste a infância o coração da criança, matando nele toda ideia de Deus, todo
sentimento de culto, toda aspiração à outra vida.
Não nos digam, pois, os fundadores das Escolas Laicas que lhes caluniamos. Não fazemos
mais que levantar ligeiramente uma ponta do véu que lhes serve de disfarce. São escolas ímpias
e nada mais.
A escola sem Deus é, necessariamente, a escola contra Deus: a escola sem Catecismo é,
necessariamente, a escola contra o Catecismo. Quem isto não compreender, lhe diremos
sinceramente que não sabe o que seja uma criança, nem sequer o que seja a educação.
Educar uma criança não é somente ensinar-lhe letras e algarismos, caligrafia e geografia,
física ou matemáticas. Educar, é formar o coração com bons sentimentos e nutrir a inteligência
com ideias elevadas: educar, é, além de refrear apetites, acostumar-se às limitações e
austeridades do dever; podar a árvore de todas as suas tendências viciosas, corrigir o desejo
natural de liberdade com a rigidez da lei e de seus preceitos imperiosos. Para isto, é
indispensável acostumar o menino à ideia de um Ser superior e de uma lei superior que não foi
feita por homens como ele, mas que provém da mais alta origem: Ser e lei que exercem sua
rigorosa jurisdição sobre os mais íntimos e secretos pensamentos e desejos de sua alma; Ser e
lei dos quais, haja o que houver, não se poderá desvencilhar jamais; Ser e lei que lhe têm por
súdito quando nasce, acompanham-lhe como fiscal enquanto vive, hão de julgar-lhe
severamente quando morrer, e hão de castigá-lo ou recompensá-lo por toda a eternidade. Esta
é a base de toda educação: sem ela se pode saber ler muito bem, escrever ou contar, e saber
até mesmo física, química e educação física o quanto desejar, mas nada mais. Quem sabe até
haja instruções brilhantes, mas nada, absolutamente nada, de sólida educação. Por confundir
estas duas coisas, muitos pais erram lastimosamente ao tratar da escola que hão de colocar os
seus filhos. Observam muito o entendimento e nada em relação ao coração. Contentam-se, pois,
com mestre que bem ou mal os instrua, sem dar pouca nem muita importância a que lhes
eduque ou não.
Mas, se todo o mal consistisse em não os educar, menos mal seria; mas a questão é que
realmente se lhes educam, é para a perversidade. Gabando-se de indiferente, o professor educa-
os no indiferentismo gabando-se de não praticar coisa alguma de Religião, ensina-lhes a olhá-la
como coisa sem importância.
Coloque-se uma criança cinco ou seis horas por dia a conversar com um ateu, e não há
de tardar, a infeliz criança, encontrar-se contagiada de ateísmo. É a infância uma idade em que
quase tudo se adquire por impressão, pouco ou nada por convicção: por isso, nela são tão
poderosos e quase unicamente decisivos os bons quanto os maus exemplos. Do mestre ímpio
hão de sair, pois, quase sempre, discípulos ímpios inevitavelmente.
O diabo bem sabe o que faz quando procura, com todas as suas forças, aumentar em
todas as partes este abominável sistema de corrupção. Há um plano vasto e horrivelmente
satânico tendendo sobre nossa infeliz nação como que uma espessa rede dessas escolas
infernais, em cujas malhas fique emaranhada grande parte da infância pescada para o ateísmo.
É a última etapa do programa franco-maçônico que dissimuladamente procura se implantar.
Hoje a escola ateia, disfarçada de escola laica ou livre, quer unicamente o direito de viver
fraternalmente entre nós ao lado e em companhia da escola católica. Se contenta em seduzir
sob o pomposo lema de iluminar aos desventurados que não sabem conhecer a malícia da
reivindicação. Amanhã, como já acontece na França, desejará a ditadura mais feroz sobre nossas
consciências e, com o slogan de ensino laico e obrigatório, terá governos que obriguem até com
multa ou cárcere o cidadão que não lhes entregue seus filhos. A escola laica é o demônio
convertido em preceptor. Hoje pede somente ser admitida como hóspede: amanhã se levantará
como tirana. Este é o plano das escolas laicas, que pela primeira vez se anunciam em nossa
pátria e que deveriam ser combatidas por todos os espanhóis como a pior calamidade social.
Pais e mães! Os Governos não as combaterão, porque eles há anos estão às ordens da
Revolução. Sois vós que deveis fazer: querem estes astutos agentes da franco-maçonaria
roubar-lhes vossos filhos para o inferno e não deveis consentir! Querei-lhes antes ignorantes
que maus. Mas não, não os tereis ignorantes por isso; educação boa, sólida e cristã, há por sorte
entre nós; escolas públicas e privadas, com mestre seculares e eclesiásticos como manda Deus,
há em todas as partes [Nota do tradutor: havia em maior quantidade. Hoje é raríssima, mesmo
em escolas ditas católicas. Infelizmente o que ele disse se concretizou. O combate das escolas
católicas por aqui já passou. Agora o combate é para o Ensino Domiciliar. Vamos deixar que nos
tomem também a isso? ]. A estes mestres realmente católicos deveis confiar vossos filhos, aos
outros não. Àquele que não gosta do Catecismo não lhe deveis confiar um centavo, quanto mais
a alma de vossos filhos. Não olheis como professor àquele que não venera o Crucifixo, olhai-o
como agente da perdição. Ao que não ensina aos vossos filhos o sinal da cruz e o Pai Nosso, não
lhe tenhais confiança alguma, mesmo que saiba tudo o mais. Se é mal cristão, quanto mais
souber, mais perigoso é; assim como o assassino é mais temível quanto mais afiado é o seu
punhal.
Pais e mães! Antes deveis desejar a morte de vossos filhos que os ver em tais centros de
corrupção. Que esperais de um filho ou filha educados sem temor de Deus? Quem não teme a
Deus não temerá nem amará seus pais; quem começa por depreciar a Religião Católica será com
o tempo o verdugo de sua família. Olhai que até os maus pais querem que seus filhos sejam
bons. Vós que sois bons não permitais que vossos filhos sejam educados para o mau.
Pais e mães! Quanto lerdes o rótulo ou receberdes o prospecto da Escola Laica, dizei
imediatamente:
Escola Laica significa escola sem Religião, sem Catecismo, sem Missa, sem orações, sem
Deus.
Escola laica, significa escola de ateus, campo de apóstatas da Religião Católica, criadouro
de maus filhos, maus pais e maus cidadãos.
Escola laica, significa instrução, mas instrução envenenada; letras, anzol de corrupção;
ciências, bandeirolas para as lojas franco-maçônicas.
Isto é a escola laica, isto e nada mais!
Há grave pecado no enviar a ela os filhos. Pecam mortalmente os pais que cometem
esta iniquidade. Pecam como se jogassem seus filhos de um despenhadeiro, como se vendessem
suas filhas para a prostituição.
Pecam gravemente os que, podendo impedir estas escolas, as consentem e autorizam.
Pecam gravemente os que as aplaudem e favorecem. Pecam gravemente os que, devendo falar
claramente sobre ela, calam-se e dissimulam.
Todos estes pecam, como pecaria o que incendiasse os campos, contaminasse as águas,
envenenasse o pão e demais alimentos.
Oh! Grande coisa é a instrução, mas com a condição de que seja boa. Entretanto,
péssima coisa é a instrução, horrível coisa é, quando é má. Não podem os inimigos da fé nos
fazer pior dano do que envenenar a instrução. O imperador Juliano cria que desta maneira
destruiria o Catolicismo com mais segurança e prontidão do que com ferro e fogo. A mesma
coisa pensam os perseguidores de hoje. Creem que com a escola satânica chegarão ao seu
objetivo. Vã ilusão! Farão suas muitas almas desventuradas, perverterão não poucos corações,
roubarão a paz e a honradez a muitas famílias, semearão o joio do erro em muitas regiões, mas...
desenganem-se os inimigos de Cristo e de sua Igreja. Cristo não cairá! A Igreja não cairá!
Entretanto, salvemos desse laço de perdição as almas que pudermos. Gritemos sempre
e em toda parte: Alerta! Alerta! Cuidado! Cuidado! Pais, não vendais a vossos filhos! Mães, não
descuideis de vossas filhas! Cuidado com a escola laica que os quer sequestrar!

[Nota do tradutor: hoje este alerta se aplica a quase todas as escolas, devido ao trabalho da
Revolução, não se excluindo muitas ditas católicas]