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ESTADO DO AMAPÁ

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR


DIRETORIA DE ENSINO E INSTRUÇÃO

Instrutor Elaborador: 3º SGT BM Paixão


Instrutor Ministrante: 3° SGT BM Eros
Disciplina: Fundamentos de Direito
PARTE I

I – CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

1 – Direito

Etimologia –A palavra direito não foi utilizada pelos romanos para designar o fenômeno que
hoje recebe seu nome. Apenas no final da Idade Média os estudiosos passam a utilizá-la. Seu
radical latino é rectum e directum, que significam, basicamente, “reto” e “em linha reta”. Podemos
dizer que uma coisa está directum se estiver conforme uma regra (“reta”).
Se pensarmos nas principais línguas ocidentais, todas possuem um termo derivado dessas
palavras latinas: em alemão, Rechts e, em inglês, right, derivadas de rectum; em português,
direito, em espanhol, derecho, em italiano, diritto e, em francês, droit, derivadas de directum.
Etnologia – As comunidades primitivas possuíam uma relação de troca com seus deuses, esta
relação gera uma “obrigação” entre os seres humanos e seus deuses.
Jusnaturalismo - Doutrina que parte do princípio de que os direitos naturais assim o são, ou
porque foram estabelecidos e revelados por Deus aos homens (jusnaturalismo teológico), ou
derivam da própria ideia de que existem leis naturais no universo (jusnaturalismo cosmológico),
ou constituem leis naturais da vida e cabe ao homem, usando a razão, descobri-las
(jusnaturalismo racionalista).
JusPositivismo - Ao contrário do que defende a corrente jusnaturalista (jusnaturalismo), a
Corrente Juspositivista (juspositivismo) acredita que só pode existir o direito e consequentemente
a justiça através de normas positivadas, ou seja, normas emanadas pelo Estado com poder
coercivo, podemos dizer que são todas as normas escritas, criadas pelos homens por intermédio
do Estado.
É extremamente importante saber diferenciar a Ética da Moral e do Direito. Estas três áreas
de conhecimento se distinguem, porém têm grandes vínculos e até mesmo sobreposições.
Tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras que visam estabelecer uma certa
previsibilidade para as ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam.
A Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o
seu bem-viver. A Moral independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre
pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum.
O Direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do
Estado. As leis têm uma base territorial, elas valem apenas para aquela área geográfica onde
uma determinada população ou seus delegados vivem. O Direito Civil (Civil Law), que é
referencial utilizado no Brasil, baseia-se na lei escrita. A Common Law (Direito Comum), dos
países anglo-saxões, baseia-se na jurisprudência. As sentenças dadas para cada caso em
particular podem servir de base para a argumentação de novos casos. O Direito Civil é mais
estático e a Common Law mais dinâmica.
Alguns autores afirmam que o Direito é um sub-conjunto da Moral. Esta perspectiva pode
gerar a conclusão de que toda a lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a
existência de conflitos entre a Moral e o Direito. A desobediência civil ocorre quando argumentos
morais impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um exemplo de que a Moral
e o Direito, apesar de referirem-se a uma mesma sociedade, podem ter perspectivas
discordantes.
A Ética é o estudo geral do que é bom ou mau. Um dos objetivos da Ética é a busca de
justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. Ela é diferente de ambos -
Moral e Direito - pois não estabelece regras. Esta reflexão sobre a ação humana é que a
caracteriza.

2 – Justiça

A justiça é considerada por Aristóteles a virtude ética mais importante, pois é a única que se
relaciona com o próximo e com o bem do próximo. A justiça é a disposição de caráter que torna
as pessoas propensas a fazer o que é justo, a desejar o que é justo e a agir justamente, e
injustiça é a disposição que leva as pessoas a agir injustamente e a desejar o que é injusto.
O filosofo afirma que existem duas formas distintas de justiça, uma é a justiça como virtude
completa, outra a Justiça como virtude particular e, por fim, a justiça Política.
2.1 – Justiça como Virtude Completa
A justiça como virtude completa é representada pela lei, pois a lei bem elaborada é justa e
direciona a conduta dos homens à prática de atos virtuosos. Sendo assim, o homem que obedece
a lei é justo e virtuoso. Nesta forma de justiça estão englobadas todas as outras virtudes.
A justiça não está no cego cumprimento da lei, mas na disposição de caráter interior e
permanente do cidadão, que o leva a cumprir seus deveres legais, tornando-o um homem
virtuoso pela prática de atos voluntários.
Para Aristóteles, a justiça é a única virtude, e significa de acordo com a lei, ao tempo que o
injusto no sentido amplo significa contrário à lei. Nesse sentido a justiça não é uma parte da
virtude, mas a virtude inteira; e a injustiça não é uma parte do vício, mas o vício inteiro.
Mas uma pergunta sempre vem à tona: obedecer à lei é ser justo (não cegamente como já foi
tratado), mas o que garante que a lei é justa? E a resposta é: os legisladores. Estes devem ser
grandes estudiosos das virtudes para ter o conhecimento suficientemente capaz de criar leis que
conduzam os cidadãos à virtude completa.
2.2 – Justiça como Virtude Particular
O filósofo ressalta que o objeto da investigação é a justiça como parte da virtude, e sustenta
que essa justiça existe, como também existe a injustiça no sentido particular. Dessa forma, a
justiça se divide em duas espécies: justiça distributiva e justiça corretiva, ambas tendo a
igualdade como princípio norteador.
A justiça distributiva surge quando o Estado deve distribuir dentre os cidadãos as
magistraturas, o dinheiro ou qualquer outra coisa que deva ser distribuída. Será levado em
consideração o mérito de cada um. Nessa espécie de justiça, o justo é o proporcional, segundo
uma proporção geométrica, na qual os indivíduos recebem de acordo com seu merecimento, ou
necessidade.
No que concerte à justiça corretiva o aspecto é outro. Aristóteles acredita em uma justiça
retributiva, na qual o objetivo é restabelecer a igualdade existente antes da ocorrência do fato
injusto. Nesse caso a igualdade aplicada é a proporção aritmética. A justiça é o meio termo entre
o ganho e a perda, se um sujeito machuca outro, o juiz deve estabelecer novamente a igualdade
inicial através da pena, que “devolverá” o que um perdeu e “retirará” o que o outro ganhou,
embora estes termos não sejam sempre adequados.
2.3 – Justiça Política
Após a definição das duas formas de justiça, Aristóteles discute a justiça política, e afirma ser
ela em parte natural e em parte legal. A primeira é eterna (o que não significa dizer imutável),
enquanto a segunda muda a depender do tempo e local.
A justiça política legal é a realização das leis da polis, portanto, como cada lugar tem suas
leis esta justiça não é igual em todas as partes, pois os valores de cada povo são diferentes e
mudam também com o passar do tempo. Com a justiça política natural é diferente, pois esta é
identificada com as relações justas dentro da sociedade, fundadas na igualdade e na
honestidade, e estas não mudam de forma alguma, permanecem eternas e iguais em todos os
lugares e épocas.

3 – Estado

A definição de que Estado é a nação politicamente organizada, tornou-se trivial. Para


compreender essa assertiva, porém, é preciso discernir entre Estado, país, povo e nação. Por
país entende-se o território que abriga uma coletividade. A população, elemento humano do
Estado constitui o povo. Mas não é sempre que o povo constitui uma nação. Esta só aparece
quando um grupo de indivíduos, tendo a mesma origem ou religião, ou os mesmos interesses
econômicos e morais, mas principalmente um passado comum de tradições, unem-se em torno
de ideais e aspirações comuns.
Os judeus, mesmo quando inexistia o Estado de Israel, nunca deixaram de constituir uma
nação, embora fisicamente dispersos, espalhados por muitos países. É um dos mais palpáveis
exemplos de que a nação pode sobreviver mesmo sem o Estado. A Iugoslávia, ao contrário,
mostrou ser um Estado dividido em raças, religiões e interesses divergentes. Com a morte de
Tito, e em face das transformações ocorridas no Leste europeu, desde o fim do socialismo real,
essas nações despontaram, e hoje o Estado Iugoslávia foi desmembrada, dando origem aos
países : Croácia, Bósnia e Herzegovina, Eslovênia, Macedônia, Montenegro, Sérvia e Kosovo.
Podemos utilizar tal conceito genérico: A palavra Estado, grafada com inicial maiúscula, é
uma forma organizacional cujo significado é de natureza política. É uma entidade com poder
soberano para governar um povo dentro de uma área territorial delimitada.
3.1 – Elementos do Estado

População. Esta é o centro de vida do Estado e de suas instituições. A organização política


tem por finalidade controlar a sociedade e, ao mesmo tempo, protegê-la. Conforme assinala
Máynez, a população atua como objeto e como sujeito da atividade estatal. Sob o primeiro
aspecto, subordina-se ao império do Estado, suas leis e atividades. Como sujeito, os indivíduos
revelam-se como membros dacomunidade política.
Território. A sede do organismo estatal é constituída por seu território – base geográfica que
se estende em uma linha horizontal de superfície terrestre ou de água e uma vertical, que
corresponde tanto à parte interior da terra, do mar e do espaço aéreo. Em relação ao território,
também não há limite máximo ou mínimo de extensão.
Há de ser o suficiente, porém, para que a sua população possaviver e extrair da natureza os
recursos necessários à sua sobrevivência. Cada Estado, por suas fronteiras, possui demarcado o
seu limite territorial. Dentro de sua base geográfica, o Estado exerce a suasoberania.
Soberania. É o necessário poder de autodeterminação do Estado. Expressa o poder de
livreadministração interna de seus negócios. É a maior força do Estado, pela qual dispõesobre a
organização política, social e jurídica, aplicável em seu território. No plano externo, a soberania
significa a independência do Estado em relação aos demais; a inexistência do nexo de
subordinação àvontade de outros organismos estatais. Isto não quer dizer, porém, que o Estado
não se acha condicionadoa uma ordem jurídica internacional. O Direito Internacional Público, que
disciplina as relações jurídicasentre Estados soberanos e entidades análogas, estabelece
princípios e normas para o convívio internacional, que devem ser acatados pelos membros da
comunidade internacional.

II – NORMA JURÍDICA

As normas jurídicas são estruturas fundamentais do Direito e nas quais são gravados
preceitos e valores que vão compor a ordem jurídica.
A norma jurídica é responsável por regular a conduta do indivíduo, e fixar enunciados
sobre a organização da sociedade e do Estado, impondo aos que a ela infringem, as penalidades
previstas, e isso se dá em prol da busca do bem maior do Direito, que é a Justiça.
1 - Redação da Norma Jurídica
Nas leis mais extensas, as normas podem ser divididas em blocos de artigos,
denominados Partes, Livros, Títulos, Capítulos, Seções e Subseções. Exemplo de lei que adota
essa divisão é o Código Civil (Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002).
As normas são dispostas em ARTIGOS, que geralmente se indicam pela abreviatura “art.”
Artigos podem adotar divisões em parágrafos, incisos e alíneas, quando necessário.
Às vezes se usa o termo CAPUTem textos jurídicos. Significa “cabeça”, em latim. O caput
indica a parte principal de um artigo, para diferenciá-la de parágrafos, incisos e alíneas.
Parágrafos, incisos e alíneas servem para tratar de aspectos específicos de um artigo em
um texto normativo.
Quando um artigo possui apenas um parágrafo, este é identificado como “parágrafo único”.
Quando possui mais de um parágrafo, estes usam numeração ordinal com o símbolo § (que se lê
“parágrafo”): § 1.º, § 2.º etc.
Incisos de artigos são numerados com algarismos romanos: incisos I, II, III etc.
Alíneas de artigos são identificadas por letras minúsculas, às vezes em itálico (alíneas a, b,
c etc.).
Dessa forma, por exemplo, a indicação “art. 2.º, § 1.º, III, b” significa “artigo segundo,
parágrafo primeiro, inciso terceiro, alínea b”. Exemplo de norma que usa algumas dessas divisões
é o art. 33 do Código Penal, o qual, em seus parágrafos e alíneas, regulamenta os regimes de
cumprimento das penas:
Art. 33. A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado,
semiaberto ou aberto. A de detenção, em regime semiaberto, ou aberto,
salvo necessidade de transferência a regime fechado.
§ 1.º Considera-se:
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança
máxima ou média;
b) regime semiaberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou
estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou
estabelecimento adequado.
[…]
Nem todo artigo utiliza essas subdivisões. Muitos artigos têm todo o texto contido em sua
parte principal.
2 – Fontes do direito
As fontes do direito são as origens do direito, ou seja, o lugar ou a matéria prima pela qual
nasce o direito. Estas fontes podem ser materiais ou formais.
2.1 – A fonte material refere-se ao organismo que tem poderes para sua elaboração e
criação. O artigo 22, I, da Constituição Federal, estabelece que a União Federal é a fonte de
produção do Direito Penal. Isso quer dizer que os Estados e os Municípios não detêm o poder de
legislar sobre o Direito Penal.
2.2 – As fontes formais são aquelas pela qual o direito se manifesta. As fontes formais
podem ser imediatas e mediatas.
2.2.1 – Asfontes formais imediatas são:
As normas legais. Importa observar que um dos mais importantes princípios de direito, no
âmbito penal como exemplo, é a disposição constitucional que estabelece que no direito penal
brasileiro não há crime sem que haja lei anterior que o defina nem pena sem prévia cominação
legal.
Isso quer dizer que se não existir uma norma legal que defina uma ação como ilícita, ainda
que de alguma forma a ação seja danosa a outrem ou à coletividade, não haverá crime e por
consequência não haverá punição no âmbito penal, embora possa tê-lo no âmbito civil.Assim, a
lei é a única fonte imediata do Direito Penal.

2.2.2 – Asfontes formais mediatas são:


Os costumes, os princípios gerais do direito, a jurisprudência e a doutrina. O artigo 4º. da
Lei de Introdução ao Código Civil dispõe que quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de
acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito.
Entretanto, no Direito Penal, a fonte mediata é direcionada para substanciar o órgão
encarregado de produzir as leis, vez que apenas a existência de meros costumes, ainda que
arraigados no convívio da comunidade, não autoriza o juiz a aplicar uma penalidade ao suposto
infrator.
Portanto importa destacar, mais uma vez, que no Direito Penal, por determinação
constitucional, não há crime sem que haja lei anterior que o defina nem pena sem prévia
cominação legal, sendo esta, portanto, a principal diferença entre os princípios que orientam os
direitos civil e penal.
3 – Ordenamento Jurídico
O conjunto de normas jurídicas chama-se ordenamento. Uma norma que pertence ao
ordenamento é considerada válida e, portanto, pode ser qualificada de jurídica; uma norma que
não pertence ao ordenamento, por outro lado, é considerada inválida e não-jurídica. Perguntar,
sob o ponto de vista do direito, se uma norma é válida, corresponde, portanto, a perguntar se ela
pertence ao ordenamento jurídico.
O ordenamento jurídico é um conjunto. Seus elementos principais são as normas jurídicas.
Tais elementos encontram-se estruturados conforme determinadas regras. De acordo com
Bobbio, três são as características fundamentais do ordenamento jurídico. A primeira delas é a
unidade, a segunda, a coerência e, por fim, temos a completude.
Temos por unidade, a composição das normas respeitando a norma fundamental, ou seja,
a constituição. A coerência está relacionada a comunicação entre as normas, sendo vedado as
incoerências entre si. Por completude, entende-se a propriedade pela qual um ordenamento
jurídico tem uma norma para regular qualquer caso. Uma vez que a falta de uma norma se chama
geralmente “lacuna”, a completude seria exatamente a falta de lacunas. Tecnicamente, diz-se que
um ordenamento é completo quando jamais se verifica o caso de que a ele não se podem
demonstrar pertencentes nem uma certa norma, nem a norma contraditória.
As reflexões sobre a validade anteriormente formuladas levaram-nos à análise
comunicativa da norma jurídica. Uma norma será válida se submetida à verificação formal e
material. Formalmente, a validade depende de a pessoa ou o órgão que criou a norma preencher
os requisitos para possuir capacidade ou competência reconhecida por outra autoridade superior.
Materialmente, a validade depende de o texto da norma não contrariar os textos de outras normas
criadas por autoridades superiores.
Uma sentença, por exemplo, será válida caso criada por uma autoridade competente (juiz
de direito), conforme um processo, e se seu conteúdo não contrariar o conteúdo de nenhuma
norma jurídica superior, criadas por autoridades superiores ao juiz, como as leis (criadas pelo
legislador) e a Constituição Federal (criada pela Assembleia Constituinte).
Tal análise revela-nos um primeiro aspecto relativo ao formato do ordenamento: as
autoridades que criam as normas jurídicas são de hierarquias diferentes. Existem autoridades
superiores e autoridades inferiores. A Assembleia Constituinte é a autoridade mais elevada do
nosso ordenamento; as pessoas capazes, que celebram contratos, são as autoridades inferiores,
que devem respeito e obediência a todas as demais.
Se as autoridades são de níveis diferentes, suas normas jurídicas também o serão. Assim,
as normas criadas pela Assembleia Constituinte serão aquelas mais elevadas, possuindo maior
força sobre as outras, que devem seguir suas determinações; as normas criadas pelas pessoas
capazes serão as inferiores, devendo observar o conteúdo de todas as demais.
Podemos, portanto, afirmar que o ordenamento é um conjunto de normas jurídicas com um
formato escalonado ou hierárquico: há patamares superiores, com as normas mais fortes, e
patamares inferiores, com as normas mais fracas. Em linhas gerais, no patamar superior estão as
normas constitucionais; abaixo, as normas legais; em seguida, as normas sentenciais; por fim, as
normas
III – HIERARQUIA DAS NORMAS

A teoria da hierarquia das normas jurídicas é um sistema de escalonamento de


subordinação. É a graduação de autoridade das normas, que é a base de toda composição e
andamento do progresso, pois para que tal seja possível, é necessário que se atenha ao que
dispõe as regras hierárquicas.
Ela foi proposta primeiramente por Hans Kelsen, jurista alemão do século passado, que também
é chamada de “Pirâmide de Kelsen”. No Brasil, a Pirâmide de Kelsen é de fácil visualização,
quando olhamos para o sistema jurídico pátrio:

A estrutura criada por Kelsen consagra a supremacia da Norma Constitucional e


estabelece uma dependência entre as normas escalonadas, já que a norma de grau inferior
sempre será válida se, e somente se, fundar-se nas normas superiores. Vejamos os conceitos de
cada norma exposta na Pirâmide de Kelsen:
a) Constituição Federal
Tem seu fundamento na Soberania Nacional, ou seja, na independência e exclusividade de
resolução de questões internas, e organização político-jurídica do país. Quanto aos assuntos de
que trata a CF, ela é a lei fundamental, já que organiza os elementos essenciais do Estado. Eis
porque ela é o cume da Pirâmide de Kelsen.
b) Emendas Constitucionais
A emenda é uma modificação na Constituição que deve ser aprovada por 3/5 do Congresso,
em dois turnos. Não podem ser objeto de emenda as cláusulas pétreas, isto é, as que se
preveem o voto direto, secreto, universal e periódico, à separação de poderes e aos direitos e
garantias individuais.
c) Leis Complementares
A Lei Complementar tem um processo de aprovação, no Congresso, mais rigoroso, já que ela
deverá ser aprovada mediante quórum com a maioria absoluta. Importante ressaltar que não
existirá Lei Complementar sobre assunto que esteja fora na CF.
d) Leis ordinárias
Lei Ordinária tem como requisito de aprovação quórum em maioria simples, desde que
presentes na sessão a maioria absoluta de membros (art. 67 CF/88) e sua matéria é “residual”, ou
seja, ela só poderá tratar de assunto que tenha sido “deixado de lado” pela Lei Complementar.
e) Leis Delegadas
A lei delegada é elaborada pelo presidente, a partir de delegação específica do Congresso.
Mas o presidente, não pode legislar sobre atos de competência do Congresso.
f) Medidas Provisórias
A medida provisória, editada através do Chefe do Governo Federal, deve ser submetida ao
Congresso, não pode ser aprovada por decurso de prazo nem produz efeitos em situação de
rejeição.
g) Decretos
Há duas formas do Decreto, o Decreto-Lei e o Decreto Legislativo, sendo que o primeiro foi
substituído pela medida provisória. Assim sendo, o Decreto legislativo Consiste em ato normativo
que tem por finalidade veicular as matérias de competência exclusiva do Congresso Nacional,
elencadas, em sua maioria, no artigo 49 da Constituição Federal. O decreto legislativo deve
necessariamente ser instruído, discutido e votado em ambas as casas legislativas, no sistema
bicameral. Em suma, ele constitui ato normativo primário veiculador da competência exclusiva do
Congresso Nacional, cujo procedimento é disciplinado pelo próprio Congresso, já que não está
previsto na Constituição.
h) Resoluções / instruções normativas / Portarias
Portaria é um ato editado pelo chefe máximo da administração pública, no entanto a portaria
por ser ato administrativo só tem força de lei se editada para regulamentar lei ou decreto.
Instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridades administrativas, normas
complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, e não
podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.
Resolução :Espécie normativa utilizada nas hipóteses de competência privativa da Câmara,
do Senado ou do Congresso Nacional. (art. 51 e 52 da CF). As regras sobre seu procedimento
estão previstas no regimento interno.