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Noção de direito Constitucional:

O direito constitucional é a parcela da ordem jurídica que rege o próprio estado


enquanto comunidade e enquanto poder. Assim, o direito constitucional é o direito
fundamental de qualquer estado, uma vez que é o conjunto de normas/regras
jurídicas, em vigor no estado, que regulam a vida em sociedade.
Existe uma relação intrínseca entre o direito e a sociedade, pois se não existe direito
também não existe sociedade.
O direito constitucional é o direito da constituição.

Noção de Constituiçao:
A constituição, surge nos finais do sec.XVIII e inícios do sec.XIX, é e sempre foi um
conjunto de normas e princípios fundamentais que regulam determinadas matérias.
No entanto, a medida que a sociedade evolui a constituição também evolui e a
definição de constituição face atualidade não é uma definição definitiva, uma vez que
a sociedade se encontra em constante evolução.

A constituição pode ser defendida como o conjunto de normas jurídicas que definem:
1. A estrutura do estado
Para existir um estado é preciso que se reúnam três elementos:
- povo (art.4º da CRP)
- território (art.5º da CRP)
- poder politico (art.10º da CRP)

2. Os fins do Estado
Os fins do estado são os objetivos que os estados se propõem a cumprir (art.9º
CRP)
Atualmente, os fins do estado são
- Segurança
- Justiça
- Bem-estar social e económico

3. As funções do Estado
As funções do estado são as atividades desempenhadas pelo Estado através dos
seus órgãos para atingir os fins. (art.110 e 111 CRP)
Atualmente o estado exerce 4 funções:
- Legislativa: (AR,G,Assembleia legislativa das regiões autónomas) Depende da
constituição. Realiza-se na pratica de atos legislativos (leis, decretos-leis e decretos
legislativos regionais). Estão sujeitos e fiscalização da constitucionalidade.
- Administrativa: visa a execução de leis e a satisfação das necessidades coletivas.
Esta subordina a lei segundo o principio da legalidade da administração.
- Judicial: visa a resolução de uma questão jurídica
- Politica: cabe a PR, AR e ao G e aos órgãos das regiões autónomas

4. A organização do poder político


Define-se como organização do Estado
Atualmente:
- Evolução política (Parte III da CRP)
- Evolução económica: (Parte II da CRP)
- Evolução social (Parte I da CRP)

5. A titularidade do poder politico


Define órgãos titulares do poder politico (art.110º da CRP)
Atualmente os órgãos de soberania são:
- PR
- AR
-G
-T

6. O exercício do poder politico


A CRP indica para cada órgão a sua competência, ou seja, como devem exercer o poder
politico que lhes compete

7. O controlo do poder politico


A CRP controla o exercício do poder politico através de mecanismos específicos que a
própria estabelece
Forma de controlo: art.23 da CRP
Controlo da fiscalização da constitucionalidade: Parte IV da CRP

Importância do direito constitucional dentro de um ordenamento jurídico de um


estado:
O direito constitucional manifesta uma enorme importância dentro de um
ordenamento jurídico de um estado, pois as normas constitucionais são em qualquer
estado as normas mais importantes do ordenamento jurídico. Uma vez que, são as
normas constitucionais que servem de fundamento para as restantes normas jurídicas,
que tem sempre de respeitar as normas constitucionais sob pena de
inconstitucionalidade. Deste modo, as normas constitucionais, que são um conjunto de
normas que regulam a vida em sociedade dentro de um determinado estado, são a
fonte hierarquicamente superior do direito enquanto que as normas ordinárias, que
são as restantes normas, apresentam um valor infraconstitucional, porque
hierarquicamente têm um valor inferior ao da constituição.
Deste modo, tendo em conta que as normas têm o mesmo valor é possível a sua
representação numa pirâmide

Normas constitucionais e normas ordinárias:

Nota: art. 166 nº1 e art. 161 alinea a): estabelece que as normas de revisão
constitucional têm valor constitucional

Normas ordinárias de valor reforçado:


Impõem-se a todas as restantes normas ordinárias
- Podem ser:

1. Normas ordinárias de valor reforçado e de alcance geral


- Estão imediatamente abaixo da constituição e se não a respeitarem correm o risco de
inconstitucionalidade
- Impõem-se a todas as leis ordinárias e se não forem respeitadas causam o vicio da
ilegalidade
- Podem ser:

1.1. Leis estatutárias:


São leis da assembleia da republica que aprovam o estatuto político-administrativo das
regiões autónomas
- art.226 da CRP, define quais são as leis estatutárias
- a iniciativa cabe as assembleias legislativas da regiões autónomas, que devem enviar
os projetos para discussão e aprovação na AR. Se esta rejeitar ou fizer alterações deve
envia-lo de novo para a Assembleia legislativa das RA. Feito isto a AR decide
definitivamente, procedendo a nova discussão e deliberação final.
- o estatuto é uma leia organizatoria que define a competência e funcionamento dos
órgãos do poder regional (art.231 nº7 CRP)
- são criadas por iniciativa das assembleias legislativas das regiões autónomas (art.226
CRP)
- art.168 nº6 estabelece que as leis estatutárias tem que ser aprovadas por maioria de
dois terços
- art. 166 nº3 a aprovação reveste a forma de lei estatutária
- art.280 nº2 e 281 nº1 alinea c), d) e art.112 nº3 justificam o valor reforçado das leis
estatutárias
- art.6 estabelece que o estatuto é uma lei de organização que vai organizar o poder
politico das regiões autónomas, pois a CRP consagra neste artigo o principio da
autonomia e essa autonomia concretiza-se através dos estatutos

1.2. Leis orgânicas


- são leis da AR que versam matérias dos art.164 a) b) c) d) e) h) j) l) q) t) e o art.255
(competência estadual e reserva absoluta da AR)
- art. 166 nº2 indica quais são as leis orgânicas
- art.112 nº3 primeira parte que remete para o art.280 nº2 a) e art.281 nº1 b). Justifica
o valor reforçado das leis orgânicas

2. Normas ordinárias de valor reforçado e alcance limitado:


- Impõem se apenas a algumas normas ordinárias
- Podem ser:

2.1. Leis de base


- são leis da AR
- Definem os princípios gerais do regime jurídico apenas de uma determinada matéria
(122 nº2 e 198 nº2 c))
- Não se conseguem aplicar por si so, pois estabelecem apenas os princípios gerais não
indica como estes se concretizam e por este motivo estas leis carecem de ser
desenvolvidas. Podem ser desenvolvidas:
a) pelo governo, através de decretos-lei de desenvolvimento
b) pela assembleia legislativa das regiões autónomas, através de decretos legislativos
das regiões autónomas (227 nº1 c) e 132)
- art.112 nº2 da CRP estabelece que as leis de base apenas e so se impõem aos
decretos que as vao desenvolver, por isso é que tem um alcance limitado
- estas leis são hierarquicamente superiores aos decretos-leis de desenvolvimento
(art.198 nº1) e nos decretos legislativos regionais de desenvolvimento (art.227 nº1)

2.2. Leis de autorização (ao governo/ assembleias legislativas


- são leis da AR
- art.165 estabelece que as leis de autorização servem para autorizar o governo ou a
assembleia legislativa das regiões autónomas a legislar sobre matérias da competência
exclusiva de reserva relativa da AR.
- art.112 nº3 estabelece que as leis de autorização legislativa so se impõem aos
decretos que vao usar a autorização, justificando o seu alcance ilimitado
2.3. Leis de quadro ou de enquadramento
- são leis da AR
- Definem a forma de criação de outros atos legislativos
- art.112 nº3 – as leis de quadro impõem-se apenas aos atos legislativos que regulam,
e isto justifica o seu alcance limitado
- o texto consagra o valor reforçado de algumas leis-quadro: a lei do orçamento do
estado (106 nº1 e nº2), a lei que em concreto institui uma região administrativa
(art.255, 256)

2.4. Leis que aprovam as grandes opções no plano


- são leis da AR
- art.161 g) – prevê as leis que aprovam as grandes opções no plano
- art.105 nº2 – estabelece que as leis que aprovam as grandes operações do plano
impõem-se apenas a lei de orçamento do estado, justificando o alcance limitado
destas leis

Nota: se uma lei violar outra lei hierarquicamente de valor superior, ocorre ilegalidade
Se uma lei ordinária violar uma lei constitucional ocorre uma inconstitucionalidade

Justiça Constitucional:
A justiça constitucional é a possibilidade que existe de controlar a conformidade entre
os direitos do poder politico e a constituição de um estado. A constituição é a fonte
hierarquicamente superior do direito, todas as outras normas tem que respeitar a
constituição e deste modo é necessário que existam meios que controlem o respeito
pela constituição. Assim as normas constitucionais definem o controlo do poder
verificando se esta ou não de acordo com a constituição. Este controlo é
imprescindível num estado de direito democrático, ao contrario do que acontece nos
estados do tipo autocrático pois este tipo de estado considera-se acima do direito e
acima de tudo enquanto que o estado democrático consagra a ideia de justiça
constitucional e é atualmente uma realidade bastante expandida.
- a ideia de justiça constitucional surgiu com as revoluções liberais no final do sec.XVIII
e inícios do sec. XIX que originaram o primeiro tipo histórico do estado liberal.
- o estado liberal era um estado que tinha como base a separação entre o estado e a
sociedade, ou seja, o que era politico estava para os políticos o que era social estava
para os cidadãos
- no estado de direito liberal passou a entender-se que a primazia era da lei, o que
significa que neste estado passou a considerar-se a primazia da lei. Pois, a lei é por
natureza geral e abstrata, criada pela AR (onde todos estavam representados uma vez
que foi eleita pelo povo) e por isso era sempre justa e igualitária
- a primazia da lei implica a predominância sobre os restantes órgãos de estado que
tinham sempre que respeitar a lei, o que significa que o estado tinha que respeitar a lei
Para garantir esse respeito, o estado liberal fixou nas constituições liberais o principio
novo designado de justiça administrativa

Justiça administrativa:
- é a possibilidade de impugnar os atos da administração com fundamento na violação
da lei (é um meio para garantir a primazia da lei)
- inicialmente esta impugnação era feita nos tribunais comuns, mais tarde foram
criados tribunais específicos – tribunais administrativos e a impugnação passou a ser
feita nestes tribunais
- a justiça administrativa tem também como pressuposto o principio da legalidade da
administração estar sujeita a lei, o que significa que a administração só pode atuar
quando a lei o permite. Este principio e fundamental e ainda hoje esta consagrado no
art.266 nº2
- no sec. XX, com as duas grandes guerras mundiais surgiram alterações ao tipo
histórico do estado, originando novas formas de estado:
- Estado autocrático
- Estado social e democrático

Estado social e democrático do direito:


- O estado passa a ser intervencionista o que significa que o estado começa a procurar
satisfazer os interesses e necessidades das coletividade
- Para alem dos direitos de primeira geração ou do estado liberal, que são os direitos
civis e os direitos políticos, foram criados os direitos de segunda geração ou positivos,
que são os direitos económicos, os direitos sociais e os direitos culturais
- mantem a justiça administrativa em que a administração tem que atuar com base na
lei sendo que a lei estabelece meios para ela atuar
Há insuficiência da primazia da lei, pois passa a entender-se que a constituição esta
acima da lei e deste modo, para alem de se garantir que se cumpra a lei deve-se
garantir o cumprimento da constituição. Pois, a constituição é a lei fundamental do
estado e por esse motivo tem que necessariamente ser respeitada, não so pela
administração mas também pela própria lei. Assim sendo, verifica-se que neste tipo
histórico de estado acrescentou-se pela primeira vez (no estado social e democrático
do direito em meados do sec.XX) a justiça constitucional.

Concluindo:
A justiça constitucional traduz-se na possibilidade de controlar a conformidade entre
os atos de poder politico e a constituição de um estado. Consequentemente a
constituição tem que definir os meios de controlo, sendo assim cada constituição
escrita define através das normas os meios ou sistemas que devem ser usados para
controlar a constitucionalidade dos atos do poder politico.
Sistemas ou modelos de justiça constitucional possíveis para a fiscalização:
Os sistemas variam de acordo com os critérios

1º critério: quanto ao numero de órgãos que podem verificar ou controlar a


constitucionalidade:
- sistemas concentrados: quando existem um so órgão que tem competência para
efetuar a fiscalização da constitucionalidade
- sistemas difusos: atribui essa competência a vários órgãos

2º critério: quanto a natureza dos órgãos que procedem a fiscalização constitucional


- Sistema norte americano: a fiscalização por órgão judicial. Neste caso qualquer
tribunal pode recusar-se a aplicar normais que considere constitucionais. (sistema
difuso) (órgão judicial)
- Sistema francês: feito por um conselho constitucional, a fiscalização pode ser
atribuída a um órgão politico (sistema concentrado) (órgão politico)
- sistema austríaco: a fiscalização é atribuída apenas a um tribunal constitucional
criado para esse efeito de fiscalização (sistema concentrado) (tribunal constitucional)
- sistema misto; permitem a fiscalização quer por órgãos de natureza politica ou por
órgãos de natureza constitucional (sistema difuso) (órgão judicial ou politico) .

3º critério: Quanto ao modo como é feito o controlo da constitucionalidade:


Principal: Quando a única questão que está a ser analisada é a questão
constitucionalidade (analisa-se se determinado ato é ou não constitucional)
Incidental: Quando existe um processo de qualquer natureza em qualquer tribunal e
do decurso desse processo surge a questão da constitucionalidade das normas que vão
ser aplicadas naquele caso. E aí o processo principal fica suspenso até se decidir sobre
a constitucionalidade dessas normas. Por isso se chama por via incidental, a questão
principal não era a de constitucionalidade.
Abstrata: Realiza-se considerando as normas em abstrato, independentemente da sua
aplicação a qualquer caso concreto, esta fiscalização é sempre por via principal.
Concreta: Realiza-se em função da aplicação das normas a um caso concreto que
esteja a ser julgado em tribunal. Esta fiscalização é sempre por via incidental.

4º critério: Quanto ao momento em que se realiza a fiscalização da constitucionalidade


Preventiva: feita antes das normas serem publicadas, ou seja, no momento anterior às
normas jurídicas serem publicadas.

Sucessivas: quando a fiscalização ocorre já depois das normas jurídicas serem


publicadas (e podem até estar em vigor).
Nota: Podem existir normas inconstitucionais que ainda não foram fiscalizadas e
podem ser fiscalizadas em qualquer altura.

5º critério: Quanto aos efeitos da fiscalização constitucional

Gerais ou com força obrigatória geral : as normas declaradas inconstitucionais deixam


de prosseguir efeitos para todos os casos e para todas as pessoas. Acontece
normalmente quando se faz uma fiscalização abstrata e por via principal.

Particulares: quando as normas consideradas inconstitucionais não se aplicam a um


determinado caso em concreto mas vão continuar a vigorar para todos os outros casos
até serem revogados ou suspensas. Estes efeitos são próprios da fiscalização concreta
e por via incidental.

Retroativos: A norma considera inconstitucional, deixa de produzir efeitos desde a sua


entrada em vigor e implica a chamada de repristinação, o que significa que são
colocadas em vigor as normas que ela tenha eventualmente revogado. – Efeitos para o
passado

Prospetivas: quando a norma considerada inconstitucional vai deixar de produzir


efeitos apenas a partir do momento em que é declarada inconstitucional. – Efeitos
para o futuro

Nota: Os efeitos retroativos são ligados aos efeitos gerais.


Os efeitos prospetivos são ligados aos efeitos particulares.

Concluindo: Atendendo a estes cinco critérios verifica se que são vários os sistemas
possíveis de fiscalização de constitucionalidade que se relacionam uns com os outros.

Capitulo 2
Controlo da Constitucionalização no caso Português

Só com a constituição de 1976 (atual) e mais precisamente com a revisão


constitucional de 1982 é que se institui uma jurisdição constitucional autónoma.
Analisando esta questão do ponto de vista das constituições portuguesas verifica se
que nenhuma constituição liberal do seculo XIX e nenhuma das próprias ou ligadas ao
regime monárquico , consagra qualquer sistema de controlo da constitucionalidade.
No período da Republica, no seculo XIX surge a primeira constituição portuguesa da
Republica, a constituição de 1911.
Constituição de 1911
Consagrou um sistema de controlo de constituição válida, embora pouco eficaz e de
uma forma pouco eficiente.
Foi a primeira constituição portuguesa a consagrar um sistema de controlo de
constitucionalidade.
Foi percursora, no espaço europeu, ao introduzir no ordenamento jurídico português,
por influencia da constituição brasileira de 1891, um sistema de controlo de
constitucionalidade que seguia o modelo norte americano, o que significa que era
sistema difuso, desempenhado por órgãos judiciais, sucessivo concreto e por via
incidental.
Permitia que qualquer tribunal pudesse apreciar a constitucionalidade das normas
recusando se a aplica las quando as considera se inconstitucionais.

Constituição de 1933:
Manteve o sistema de controlo da constitucionalidade consagrado na constituição de
1911.
Em 1971 foi feita uma revisão à constituição de 1933 e com isso alargou se as
possibilidades de fiscalização. Para além da fiscalização que existia passou a considerar
se uma fiscalização sucessiva, abstrata e por via principal que estava concentrada na
Assembleia Nacional, órgão de natureza política e juridicial.

Revolução de 25 de Abril de 1974:


Iniciou se um período de transição. Manteve-se em vigor a CRP durante o períodos de
transição em tudo o que não contrariasse as ideias da revolução, até que entrasse em
vigor a nova constituição.
Durante o período de transição verifica-se:
a) Os poderes que eram atribuídos à Assembleia Nacional foram transferidos,
porque a Assembleia Nacional foi dissolvida.
b) Foram transferidos os poderes da Assembleia Nacional para o Conselho de
Estado.
c) Em 1975, com a criação do conselho da revolução, os poderes da Assembleia
Nacional que foram transmitidos para o Conselho de Estado, foram neste ano
transferidos para este novo órgão. O conselho de revolução foi criado em
Março 1975 e foram atribuídas a este órgão as competências que cabiam ao
Conselho de Estado.
d) Ainda em 1975 foi criado um órgão de carater técnico: A omissão contitucional.
A partir de 1975, devido à Revolução do 25 de Abril passou a estar consagrado
um sistema de fiscalização da constituição misto em que se estabelecia quer a
fiscalização sucessiva quer a fiscalização preventiva. Para além disso,
estabeleceu-se pela primeira vez a possibilidade de uma fiscalização por
omissão (os órgãos não atuam quando deviam atuar e por isso não cumprem a
constituição.)

Fiscalização
Fiscalização preventiva: por via principal e abstrata e nesta fase estava
entregue ao Conselho da Revolução.
Fiscalização Sucessiva: é prevista por via principal e abstrata e nesta fase estava
entregue ao conselho da revolução e por via incidental concreta a cabo dos
tribunais.
Fiscalização por Omissão: entregue ao conselho da revolução.

Comissão Constitucional
Foi criada a par do conselho de revolução.
Órgão fundamental de consulta.
O conselho de revolução antes de tomar alguma decisão nos termos da
fiscalização preventiva, sucessiva e por omissão, tinha sempre que consultar a
omissão constitucional.
Para alem do papel de órgão de consulta, a comissão desemprenhava um papel
de órgão decisório. Pois, nos termos da fiscalização sucessiva concreta, se os
tribunais decidem não aplicar normas com fundamento em
inconstitucionalidade, havia um recurso obrigatório dessas decisões para a
omissão constitucional (que decidia diariamente).

Constituição de 1976
Entrou em vigor em abril.
Consagrava o sistema misto de controlo Politico e Juridicional.
O sistema mito de controlo politico e jurisdicional manteve se até á primeira
revisão da constituição.
Em 1982 efetuou se a primeira revisão de constituição.
A primeira revisão da constituição sucedeu devido ao facto de se entender que
o período de transição tinha terminado e consequentemente já não se
impunha o poder politico e militar. Uma vez que a democracia estava
condicionada e portanto já não fazia sentido a existência.
Com a revisão da constituição desapareceu o conselho de revolução e a
comissão constitucional.
A revisão da constituição deu origem a instituição de um tribunal constitucional
– foi a primeira, ate então nunca tinha existido, lei de revisão nº1/82 de 30
setembro.
Tribunal Constitucional
Instituído o tribunal constitucional na constituição, foi criada também pela
assembleia da republica a primeira lei orgânica, relativa a organização e
funcionamento do tribunal constitucional – lei 28/82 de 15 de novembro.
O tribunal constitucional iniciou as suas funções em abril de 1983 e desde a sua
origem que este tribunal não modificou a sua estrutura nem o seu sistema de
justiça constitucional. Embora tenha tido alguns ajustamentos e
aperfeiçoamentos ao longo destes anos, sobretudo resultantes das revisões
constitucionais de 1997.
O tribunal constitucional foi instituído para exercer uma função especifica e
separado dentro do enquadramento orgânico dos restantes tribunais.
O tribunal constitucional deferência se dos restantes tribunais, desde logo pela
sua composição.
Artigo 209º CRP – Estabelece que para alem dos tribunais constitucionais
existem outras categorias de tribunais.
Titulo V CRP – Refere-se a todos os tribunais. Enquanto que o titulo VI CRP é
apenas relativo aos tribunais constitucionais. Inicialmente, quando o tribunal
constitucional foi criado estava previsto no mesmo capitulo que os outros
tribunais. Mais tarde, com a revisão constitucional de 1989 passou a ser
dedicado aos tribunais constitucionais um titulo próprio.
Titulo VI CRP – Refere-se ao tribunal constitucional. Só em 1989 é que teve um
titulo só para si.

Tribunal Constitucional na constituição da Republica


portuguesa:

Artigo 221 CRP, o tribunal constitucional tem a função de administrar a justiça


em matérias de natureza jurídica constitucional.
Artigo 222º nº1 da CRP e artigo 12º da LOTC – composição do tribunal
constitucional – Artigo 163º h) e 19º nº4 da LOTC – estabelece a possibilidade
da assembleia da republica designar os juízes dos tribunais constitucionais.
Artigo 222º nº2 da CRP e artigo 13 da LOTC – requisitos para a eleição dos
juízes. Artigo 14º da LOTC – eleição e cooptação
Artigo 222 nº3 da CRP – mandato dos juízes, nove anos não renováveis, este
artigo foi alterado pela revisão constitucional de 1997 porque ate então o
mandato eram seis anos e não renováveis.
222º nº 4 da CRP e 37º a 39º da LOTC – O presidente do tribunal constitucional
e eleito pelos respetivos juízes depois de escolhidos. Os juízes do tribunal
constitucional tomam posse perante o presidente da republica de acordo com
o artigo 20º da LOTC. Isto acontece apenas com os juízes do tribunal
constitucional, sendo deste modo uma característica diferenciadora, o
presidente do tribunal constitucional por inerência fazer parte do concelho de
estado, de acordo com o artigo 142º da CRP.
222º nº5 da CRP e artigos 22º, 24º, 27º, 28º da LOTC, garantia de
independência e irresponsabilidade dos juízes do tribunal constitucional.
223º CRP e artigos 6º a 11º A da LOTC – competência do tribunal
constitucional.
224ç da CRP e 36º da LOTC – organização e funcionamento do tribunal
constitucional.

Para concluir:
A constituição da republica portuguesa não permite qualquer duvida a cerca da
natureza do tribunal constitucional. Uma vez que prevê no artigo 29º CRP sobre
as diferentes categorias dos tribunais e no artigo 222º da CRP define o tribunal
constitucional e concebe como um verdadeiro tribunal. Por isso ele integra o
sistema composto pelo conjunto dos tribunais e representa mesmo o seu órgão
de culpa, sem excluir o supremo tribunal de justiça e o supremo tribunal
administrativo.

O tribunal constitucional ocupa assim uma posição de topo na hierarquia dos


tribunais, sendo que a sua organização e funcionamento é da competência
exclusiva e da reserva absoluta da assembleia da republica- 164º c) e sob a
forma de lei orgânica no 166º nº2, lei orgânica essa que e uma lei ordinária de
valor reforçado e de alcance geral. Por outro lado, o tribunal constitucional
escapa ao sistema dos outros tribunais, uma vez que tem particular autonomia
no domínio administrativo e financeiro, escapando assim a gestão
governamental a que estão sujeitos os outros tribunais.
Para alem disso, o presidente do tribunal constitucional tem competência para
superentender e supervisionar a gestão e administração do tribunal
constitucional bem como de proceder a contratação de funcionários. E no que
toca ao plano financeiro, o tribunal constitucional dipoem de um orçamento
próprio dentro do orçamento do estado – 5º , 36º c), 47º A e 47º F da LOTC.
Todas estas características dos tribunais constitucionais aproximam em
algumas vertentes estes tribunais dos tribunais comuns, por outro lado
distinguem no por outras.

A constituição da republica portuguesa atual, desde logo


consagra quanto ao momento
Fiscalização preventiva – 278º e 279º CRP
Quando as normas ainda não foram publicadas. Esta fiscalização é por via
principal e abstrata – 281º e 282º CRP

Fiscalização Sucessiva – Quando as normas já foram publicadas. Esta


fiscalização pode ser abstrata e principal mas a mesma questão pode surgir na
vigência de um caso e nesse caso a CRP prevê uma fiscalização por via
incidental e concreta.

Fiscalização por omissão – 283º da CRP

Sistema da constituição da republica portuguesa


Dentro destas hipóteses a CRP consagra um sistema misto, quanto ao numero e
natureza de órgãos que procede a fiscalização, e concentrado e difuso. E
quanto a natureza a CRP consagra sempre uma fiscalização por órgãos judiciais.
Este sistema misto que a CRP consagra é:
A) Concentrado ao nível da fiscalização preventiva e ao nível principal de
abstração e ainda na fiscalização por omissão, isto porque só o tribunal
constitucional e que pode proceder à fiscalização.
B) Difuso a nível da fiscalização sucessiva e concreta porque qualquer tribunal
de acordo com o artigo 204º da CRP pode não aplicar normas que infrinjam
a constituição.

Atos submetidos a fiscalização de acordo com a CRP


277º nº1 CRP – estabelece a noção de inconstitucionalidade. Com base neste artigo,
consta-se que entre nos, so são passivas de controlo de constitucionalidade os atos
normativos que contenham normas – disposições de carater geral e abstrato.

Atos passiveis de controlo de constitucionalidade


-Atos normativos
- Leis
- Decretos Leis
- Decretos Legislativos regionais
- Regulamentos administrativos
- Normas de direito internacional

Atos que não são passiveis de controlo de constitucionalidade


Os atos administrativos não são passiveis de fiscalização mas apenas de controlo
quanto a sua legalidade, controlo este feito pelos tribunais administrativos.
Os atos políticos não são passiveis de fiscalizacao mas apenas de controlo quanto a sua
legalidade pois estes estão sujeitos a censura da opinião politica.
Os atos da entidade privada, não são passiveis de fiscalização mas apenas de controlo
quanto a sua legalidade porque apenas estão sujeitos a controlo os atos ou omissões
do órgão do poder politico.

Concluindo:
Quando uma norma violar uma lei que lhe e superior e ao mesmo tempo a
constituição, estamos perante dois vícios, a ilegalidade, a inconstitucionalidade, neste
caso podem ser invocados os dois ou aquele que traga melhores resultados.

Portanto o nosso sistema de fiscalização permite a fiscalização de dois vícios mas não
de qualquer ilegalidade, apenas da que resulta da violação de normas que lhe são
hierarquicamente inferiores e que lhe devem respeito.

Tipos de inconstitucionalidade
Inconstitucionalidade direta – dá se quando uma norma contraria diretamente a
constituição

Inconstitucionalidade indireta ou contraposta dá-se quando uma norma viola outra


norma que a constituição diz que deve ser respeitada e deste modo, desrespeita
indiretamente a constituição. Esta inconstitucionalidade pode ser também designada
por ilegalidade, termo logica adotada pela CRP. Ex: quando uma lei ordinaria viola
outra lei ordinária que lhe é hierarquicamente superior.

Inconstitucionalidade por ação: Quando um órgão do poder politico vai através da sua
atuação criar uma norma que viola a constituição.

A inconstitucionalidade por ação pode ser: