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MATERIAL DE APOIO

Disciplina: Constitucional
Professor: Flavio Martins
Aulas: 01 | Data: 20/02/2015

ANOTAÇÃO DE AULA

SUMÁRIO

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

1 CONSTITUCIONALISMO
1. Definição
2. Antecedentes históricos do Constitucionalismo

2. CONCEITOS DE CONSTITUIÇÃO
1. Três principais formas de se definir constituição

3. ELEMENTOS DAS CONSTITUIÇÕES

4. ESTRUTURA DA CONSTITUIÇÃO
1. Preâmbulo
2. Parte permanente
3. ADTC (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias).

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Serão 12 aulas no total.

Na prova de delegado, sempre aparecem esses temas:


 Direitos e garantias fundamentais: 2 a 3 questões
 Separação dos poderes, 1 questão
 Segurança pública

Bibliografia complementar
Direito Constitucional Esquematizado – Pedro Lenza – Editora Saraiva

Indispensável ler os arts. 59 a 69 da CF, procedimento legislativo.

1 CONSTITUCIONALISMO
1. Definição
Movimento social, político e jurídico, cujo principal objetivo é limitar o poder do Estado por meio de uma
constituição (maneira moderna de definir constitucionalismo).

2. Antecedentes históricos do Constitucionalismo


Segundo a doutrina, o constitucionalismo nasceu na antiguidade ou idade antiga segundo os historiadores.
Constitucionalismo na idade antiga: Segundo Karl Lowenstein, há demonstrações de constitucionalismo junto:

Intensivo Delegado de Polícia Civil Noturno - Área Judiciária


CARREIRAS JURÍDICAS
Damásio Educacional
 Ao povo hebreu (na conduta dos profetas, que também fiscalizavam os atos dos governantes se eram
compatíveis com os textos sagrados, como João Batista)
 Na Grécia antiga, quando havia determinadas ações que questionavam a atuação do poder público.

Constitucionalismo na idade média: “magna carta libertatum” (1215), outorgada pelo rei inglês João I (João sem
terra), esse documento previa uma série de direitos:
 Liberdade de locomoção (origem do habeas corpus)
 Origem do “devido processo legal” (se chamava “lei da terra”, “the law of the land”)
Não foi assinado por livre e espontânea vontade, barões ingleses e franceses obrigaram João I a assiná-lo.

Constitucionalismo moderno: (século XVIII) surge com o advento de duas constituições:


 EUA, 1787 (a mesma até hoje)
 França, 1791
Esse movimento se espalhou pela Europa e chagou ao Brasil em 1824 com nossa primeira Constituição.

Neoconstitucionalismo: (atual estado que vivemos) surgiu após a 2ª grande guerra mundial, fruto do pós
positivismo, tendo como marco teórico a força normativa da Constituição e como principal objetivo a busca por
maior eficácia da Constituição, principalmente dos direitos fundamentais.
Vamos analisar esta definição:
 surgiu após a 2ª grande guerra mundial: marco histórico do neoconstitucionalismo, momento que surge
 fruto do pós positivismo: marco filosófico, ou seja, deixamos de considerar que direito seja sinônimo de
Lei, é a soma de princípios, tratados, regime jurídico, etc.
 “tendo como marco teórico a força normativa da Constituição”: criado por Konrad Hessen, que escreveu
o livro “Força Normativa da Constituição”. Constituição é lei capaz de impor deveres (às pessoas, mas
principalmente ao Estado), e por essa razão é capaz de transformar a realidade. É a teoria da força
normativa da Constituição.
 “e como principal objetivo a busca por maior eficácia da Constituição, principalmente dos direitos
fundamentais”: extrair da Constituição a maior eficácia possível é o objetivo do neoconstitucionalismo.

Consequências do neoconstitucionalismo
a) Maior eficácia dos princípios constitucionais: exemplo: recente decisão do STF sobre união homoafetiva;
apesar do texto constitucional no art. 226 definir família como união de homem e mulher, o supremo
NÃO julgou de acordo com a letra da lei, mas sim de acordo com o princípio constitucional da dignidade
da pessoa humana, buscando maior eficácia dos princípios constitucionais.
b) Maior eficácia dos direitos fundamentais: até mesmo direitos que no passado eram vistos como vazios
de normas jurídicas; exemplo: mandado de injunção, que agora o STF passou a entender que é capaz de
operar efeitos concretos, na busca por maior eficácia constitucional.
c) Maior ativismo do Poder Judiciário: para alguns, é avanço, com o Judiciário cobrando o poder; para
outros é um retrocesso, uma “ditadura do judiciário contra o executivo”, exemplo: STF condena Estado
do Paraná a implantar imediatamente a Defensoria Pública sob pena de multa diária, pois apesar de ser
Estado rico não priorizou a instalação de Defensoria Pública.

Outras espécies (ou nomenclaturas) de constitucionalismo


1. Constitucionalismo social: previsão constitucional de direitos sociais: saúde, educação, moradia, etc.
Origem:
a. Constituição do México, 1917.
b. Constituição de Weimar, 1919. Muito famosa pelos direitos sociais que previu.
c. Constituição de 1934, a 3ª Constituição Brasileira, primeira que previu direitos sociais.
2. Novo constitucionalismo latino-americano: nome que a doutrina vem dando ao recente movimento. A
origem são as recentes constituições do Equador e Bolívia, menos de 10 anos. Rompendo com o modelo

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Europeu, tais constituições passam a prever relativa autonomia dos povos originários, ou seja, indígenas.
Não é como a proteção aos índios no Brasil, pois prevê uma espécie de “nação indígena”, ou seja, nascem
os “Estados Plurinacionais”, como a Bolívia que se declara um Estado Plurinacional, há mais de uma nação
dentro do próprio Estado, com direito próprio e justiça própria, diferente do Direito Europeu colonizador.
3. Constitucionalismo do futuro: (ou do porvir, do argentino José Roberto Dromi). A finalidade é prever
como serão as próximas constituições. Dromi diz que as próximas constituições serão pautadas por
valores como veracidade e fraternidade, ou seja, a constituição não fará promessas irrealizáveis, vazias,
(como a nossa Constituição de 1988 fez em relação à saúde, salário, etc.). O princípio da fraternidade está
no art. 3º inciso I da nossa CF: o Brasil tem como objetivo construir uma sociedade justa e solidária.
Assim, o Ministro Carlos Ayres Brito do STF chamou nosso constitucionalismo de “Constitucionalismo
Solidário”.

2. CONCEITOS DE CONSTITUIÇÃO

1. Três principais formas de se definir constituição


1. Sentido sociológico: Ferdinand Lassale, livro “O que é Constituição”.
a. “Constituição não é uma folha de papel”: não é uma lei, documento, mas sim soma dos fatores
reais de poder que emanam da população. Para Lassale, todo agrupamento humano tem
relações de poder com os outros agrupamentos, e tais relações são a Constituição. Assim, todo
Estado tem uma Constituição independentemente de ser escrita, pelo simples fato do Estado ter
essas relações de poder entre seus agrupamentos humanos.
b.
2. Sentido político: Carl Schmitt, “constituição é uma decisão política fundamental”: se vai ser democracia,
república, parlamentarismo, etc. É conhecida como posição decisionista.
3. Sentido jurídico: Hans Kelsen, livro “Teoria Pura do Direito”: divide-se esse conceito em dois:
a. Sentido jurídico positivo: (o mais importante) constituição é:
i. Uma lei a mais importante de todo o ordenamento jurídico do país.
ii. É o “preço posto” de validade de todas as leis. Ou seja, para que uma lei seja válida,
precisa ser compatível com a Constituição.
b. Sentido lógico-jurídico: para Kelsen, acima da constituição há uma norma não escrita que ele
chama de “norma hipotética fundamental”, cujo único mandamento é: “obedeça à Constituição”.
Isso coloca ponto final na busca de hierarquia das normas, é o cume da pirâmide.

Incorporação dos tratados internacionais no Brasil


a) Celebração do tratado: atribuição do presidente, CF, art. 48.
b) Referendo do Congresso Nacional: aprovação na câmara dos Deputados e Senado, CF, art. 49, I. O
mecanismo é chamado decreto legislativo.
c) Decreto Presidencial: a partir deste momento o tratado passa a vigorar no Direito Brasileiro

Em regra, os tratados internacionais ingressam no Direito Brasileiro com força de lei ordinária. EXCEÇÕES:
a) CF, art. 5º, § 3º (EC 45/2004, reforma do Poder Judiciário): os tratados internacionais sobre direitos
humanos, aprovados nas duas casas do Congresso Nacional, em dois turnos, por quórum de 3/5 de seus
membros, ingressam no direito Brasileiro com força de emenda constitucional.
Hoje, só há a convenção internacional sobre os direitos das pessoas com deficiência, como tratado
internacional sobre direitos humanos, que entrou no topo da pirâmide.
Segundo posição minoritária por Celso de Mello e Flávio Piovesan, mesmo sendo tratado que versa sobre
direitos humanos, mas não atingiu aprovação com 3/5 de quórum, também teriam força de norma
constitucional – seu fundamento é o art. 5º § 2º da CF, que diz: os direitos fundamentais da CF não
excluem os direitos dela decorrentes nem os tratados internacionais, mas isso tira todo o sentido da
aprovação de 3/5 em dois turnos nas duas casas, portanto não é aceita. Mas pela posição majoritária do
STF, defendida por Gilmar Mendes e apoiada pelos outros ministros, tais tratados passa a força de norma

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supralegal e infraconstitucional (acimadas leis e abaixo da CF), portanto se situa acima do meio da
pirâmide. Exemplo: pacto de San jose da Costa Rica.
b) d

Pirâmide de Kelsen no Brasil


Temos quatro níveis em nossa constituição:
TOPO: Constituição, emendas constitucionais, tratados internacionais sobre direitos humanos. Exemplo: tratado
sobre direitos dos deficientes.

INTERMEDIÁRIO: tratados internacionais não aprovados pelo art. 5º § 3º, inclusive de direitos humanos, ou seja,
sem 3/5 de quórum. Exemplo: pacto de San José da Costa Rica.

MEIO: LEIS ORDINÁRIAS COMPLEMENTARES DELEGADAS

BASE: ATOS INFRALEGAIS, COMO PORTARIAS, RESOLUÇÕES, ETC.

Controles de constitucionalidade
As leis no Brasil devem ser compatíveis com a constituição, e tal verificação chama-se controle de
constitucionalidade. Entretanto, temos outros controles. Exemplo: não basta que o CPP seja compatível com a
CF, deve também ser compatível com os tratados internacionais. Tal verificação de leis e atos normativos com
tratados supralegais é o controle de convencionalidade, segundo a doutrina.

3. ELEMENTOS DAS CONSTITUIÇÕES


São cinco:
a) Elementos orgânicos: são os elementos que organizam a estrutura do Estado. Exemplo: CF art 2º
separação dos poderes; CF art. 18, organiza nossa federação.
b) Elementos limitativos: são os que limitam o poder do Estado, fixando direitos à população. Exemplo: CF
art. 5º, ou qualquer artigo que preveja direitos à população.
c) Elementos socioideológicos: fixam uma ideologia estatal, dispositivos de cunho ideológico. Exemplo: CF
art. 1º, fundamentos da república, ou seja, soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana.
d) Elementos formais de aplicabilidade: auxiliam na aplicação de outros dispositivos constitucionais. Ou
seja, são artigos instrumentais, que ajudam a aplicar outros. Exemplos:
a. Art. 5º, § 1º, CF: fala sobre a aplicação dos direitos fundamentais, “as normas definidoras dos
direitos fundamentais têm aplicação imediata”.
b. Parte da doutrina dá como outro exemplo o preâmbulo da CF, pois serviria como auxiliar na
interpretação e aplicação da CF.
e) Elementos de estabilização constitucional: são os que buscam a estabilidade em caso de tumulto
institucional Exemplos:
a. Intervenção Federal: Caso, por exemplo, o RS tentar se separar do Brasil, sofrerá intervenção,
pelo art. 34 da CF.
b. Estado de defesa: 136 CF, âmbito regional.
c. Estado de sítio: 135 e ss. CF âmbito nacional.

4. ESTRUTURA DA CONSTITUIÇÃO
São três: preâmbulo, parte permanente e ADTC (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias).

1. Preâmbulo

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Para o concurso: segundo o STF, o preâmbulo NÃO é norma constitucional. É norma de natureza política apenas.
As consequências são que:
1. Preâmbulo não é norma de repetição obrigatória nas constituições estaduais, ou seja, nem precisam ter
preâmbulo.
2. A palavra “Deus” no preâmbulo não fere a laicidade do Estado Brasileiro:
a. O preâmbulo não é norma constitucional, portanto não muda nada.
b. Cada religião tem sua definição de seu deus, o que não especifica quem o é.
3.

2. Parte permanente

3. ADTC (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias).

Questão.
Delegado de Polícia MG.
1)Podemos entender por mutação constitucional:
A ( ) Que ela consiste na interpretação constitucional evolutiva.
B ( ) Que ela pressupõe alguma modificação significativa no texto formal da Constituição.
C ( ) Que pode ser mais limitada (emenda) ou mais extensa (revisão).
D ( ) Que ela depende, necessariamente, da identificação de um caso de repristinação
constitucional .

Delegado de Polícia do Distrito Federal.


1) Indique, entre os institutos que se seguem, aquele que não se encontra inserido, explicitamente, dentre as
Denominadas cláusulas pétreas da Constituição em vigor:

a) os direitos e garantias individuais;


b) a forma federativa de Estado;
c) a separação dos Poderes;
d) o regime republicano;
e) o voto direto, secreto, universal e periódico.

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