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A criança, quando nasce, já é membro de um grupo social, pois suas necessidades básicas

estão inevitavelmente ligadas às outras pessoas e estão programadas para serem satisfeitas
em sociedade. O grupo social onde a criança nasce necessita também da incorporação desta
para manter-se e sobreviver e, por isso, além de satisfazer suas necessidades transmite-lhe a
cultura acumulada ao longo de todo o curso do desenvolvimento da espécie. Esta transmissão
cultural envolve valores, normas, costumes, atribuição de papéis, ensino da linguagem,
habilidades e conteúdos escolares, bem como tudo aquilo que cada grupo social foi
acumulando ao longo da história e que é realizado através de determinados agentes sociais,
que são encarregados de satisfazer as necessidades da criança e incorporá-la ao grupo social.
Entre esses agentes sociais estão os pais, os meios de comunicação, a escola, e o professor.
Assim, o processo de socialização é uma interação entre a criança e seu meio. Esta interação e
seu resultado depende das característica da própria criança e da forma de agir dos agentes
sociais (Coll, 1999; Palacios 1995).

Segundo Palacios (1995) A socialização ocorre através de três processos: os processos mentais
de socialização, os processos afetivos de socialização e os processos condutuais de
socialização. Os processos mentais de socialização correspondem ao conhecimento de valores,
normas, costumes, pessoas, instituições, bem como aprendizagem da linguagem e a aquisição
de conhecimentos transmitidos através da escola. Os processos afetivos de socialização são
uma das bases mais sólidas do desenvolvimento social da criança sendo a empatia (experiência
vicária do estado emocional do outro), o apego (vínculo afetivo com as pessoas que cuidam
dela) e a amizade, não só uma forma de união ao grupo, mas também mediadores de todo o
desenvolvimento social. Por fim os processos condutuais de socialização envolvem a aquisição
de condutas consideradas socialmente desejáveis, evitando aquelas que são julgadas como
antisociais. As motivações que favorecem a conduta social podem basear-se na moral (o que
pressupõe interiorização de normas), o raciocínio sobre a utilidade social de determinados
comportamentos, o medo do castigo, ou o medo de perder o amor ou os favores que recebem
dos demais. Assim, entende-se que o desenvolvimento social implica aprender a evitar as
condutas consideradas socialmente indesejáveis e a aquisição de determinadas habilidades
sociais. Um dos objetivos mais importantes do processo de socialização consiste em que as
crianças aprendam o que é considerado correto em seu meio e o que se julga incorreto; ou
seja, que possam conseguir um nível elevado de conhecimento dos valores morais que regem
sua sociedade e se comportem de acordo com eles. Isto é conseguido através de um processo
de construção e interiorização destes valores, processo que tende ademais a favorecer o
desenvolvimento dos mecanismos de controle reguladores da conduta da criança. Toda a
conduta social é regulada socialmente, no sentido de que o grupo social considera adequadas
determinadas formas de agir e outras, impróprias. A criança, por isto, tem que aprender
numerosas habilidades sociais que lhe são exigidas desde os primeiros anos de vida (Coll,
1999; Palacios, 1995).

A forma pela qual as crianças lidam com as regras, com a justiça e a moral varia no decorrer do
processo de desenvolvimento. A compreensão das atitudes morais se dá através do conceito
de estágio, o que significa que o desenvolvimento das atitudes morais pressupõe uma
reorganização seqüencial relacionada à idade. Para Piaget os indivíduos desenvolvem sistemas
conceituais que lhe permitem compreender e transformar a si e ao ambiente. Esta construção
ocorre através das interações com o meio, onde a criança vai desenvolvendo suas próprias
crenças. Os aspectos mais significativos da teoria de Piaget sobre as atitudes morais são: (1) O
desenvolvimento moral tem um componente básico-estrutural ou de juízo moral, com uma
motivação baseada na aceitação, na competência, no amor próprio ou na realização pessoal;
(2) O desenvolvimento moral é universal, sob o ponto de vista cultural, porque todas as
culturas têm certas fontes comuns de interação social, adoção de papéis e conflito social que
exigem uma integração moral; (3) As normas e os princípios morais básicos nascem das
experiências de interação social; (4) O que caracteriza cada estágio não é a interiorização das
regras já elaboradas externamente pela criança e sim um certo nível estrutural de raciocínio
moral surgido no sistema cognitivo da criança e fruto de sua interação com os demais; (5) As
influências do meio sobre o desenvolvimento moral são definidas pela extensão e qualidade
geral dos estímulos cognitivos e sociais ao longo do desenvolvimento da criança. (Piaget,
1994).

De acordo com a teoria piagetiana, é no período escolar, compreendido a partir dos sete anos,
que as crianças evoluem da heteronomia para a autonomia moral. A moral heterônoma é a
moral da obediência à autoridade, à regra e ao dever. Nela, aquilo que é imposto, aquilo que
aparece como dever corresponde ao Bem. A moral autônoma é uma superação da moral
heterônoma. Nela a noção de Bem é derivada dos deveres. Na heteronomia a obediência à lei
é toda a moral, e seu fundamento. Na autonomia, não somente tal obediência é apenas parte
da moral como deixa de ser seu fundamento, que passa a ser a reciprocidade, o contrato, o
projeto comum. Para Piaget, o desenvolvimento da criança em direção à moral autônoma se
dá porque, nela, o sujeito investe sua personalidade, sua identidade enquanto na moral
heterônoma, a moral permanece superficial, periférica à consciência (Demo; La Taille &
Hoffmann, 2001). As crianças, nas suas relações com os iguais, descobrem que é necessária a
reciprocidade, para agir conforme as regras, levando em conta que as regras são efetivas, se as
pessoas concordarem em aceitá-las. Sua procedência não mais deriva da autoridade externa,
mas resultam de convenções acordadas entre indivíduos e, portanto, podem ser modificadas
(Piaget, 1994). As modificações que, durante os anos escolares, produzem-se no conhecimento
social das crianças, afetam o modo como compreendem as características dos outros e de si
mesmas, bem como a sua concepção das relações que as vinculam e sua representação das
instituições e sistemas sociais em que estão mergulhadas. Neste sentido, a entrada e o
percurso pelo âmbito escolar vão constituir para a criança um acúmulo de experiências ricas e
interessantes, pois a escola é um microcosmo da sociedade. No meio escolar, a criança se
relaciona com muitas pessoas, com diferentes graus de conhecimento com as quais estabelece
relações diversas, sendo, além disso, um âmbito que, em sim mesmo, constitui um sistema
social, com normas e funcionamento alheios à criança, mas nos quais esta é mergulhada e
deve ir compreendendo (Palacios, 1995).

A criança chega à escola levando consigo aspectos constitucionais e vivências familiares,


porém o ambiente escolar será uma peça fundamental em seu desenvolvimento. Estes três
elementos – aspectos constitucionais, vínculos familiares e ambiente escolar – constituirão o
tripé do processo educacional (Outeiral, 2003). Para Palacios (1995), a escola é, junto com a
família, a instituição social que maiores repercussões tem para a criança. A escola não só
intervém na transmissão do saber científico organizado culturalmente como influi em todos os
aspectos relativos aos processos de socialização e individuação da criança, como são o
desenvolvimento das relações afetivas, a habilidade de participar em situações sociais, a
aquisição de destrezas relacionadas com a competência comunicativa, o desenvolvimento da
identidade sexual, das condutas pró-sociais e da própria identidade pessoal. A partir destes
apontamentos é que são consideradas importantes as novas pesquisas que tenham como
objetivo compreender o papel da escola no processo de socialização da criança. Considera-se a
ação de educar não só como o processo de ensino-aprendizagem, mas também, e não menos
importante, o processo de constituir indivíduos críticos, socializados, com conhecimento pleno
daquilo que é importante ser, enquanto indivíduos, e daquilo que o mundo espera de si,
enquanto pessoas éticas, plenamente integradas no espaço em que estão inseridas.

BIBLIOGRAFIA Coll, César S. (1999), Psicologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas.
Demo, P; La Taille, Y; Hoffmann, J. (2001), Grandes pensadores em educação: o desafio da
aprendizagem, da formação moral e da avaliação. Porto Alegre: Mediação. Outeiral, José.
(2003), O mal estar na escola. Rio de Janeiro: Revinter. Palacios, Jesús, Coll, C., Marchesi, A.
(1995), Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva. Porto Alegre: Artes
Médicas. Piaget, Jean. (1994), O juízo moral na criança. 2º ed. São Paulo: Summus.
Segundo Vygotsky “o único bom ensino é aquele que se adianta ao desenvolvimento”, ou seja,
isso prova que a inserção precoce da criança no universo escolar pode gerar o avanço de seu
desenvolvimento gerando assim benefícios para a própria criança estar preparada, para as
diversas situações que a vida possa lhe proporcionar que é o que mundo visa hoje, portanto é
necessário que a criança seja preparada.

É na infância que a criança começa descobrir o universo que a cerca, aprende a distinguir
sensações, objetos, pessoas algumas delas assumem um papel todo especial. Desde o início a
criança desenvolve uma interação não apenas com o próprio corpo e o ambiente físico, mas
também com outros seres humanos.

Quando refere à socialização; processo por meio do qual o indivíduo aprende a ser um
membro da sociedade, não nos prendamos a processos fisiológicos que são fundamentais para
que o indivíduo faça parte da sociedade, mas também devemos ressaltar o convívio social que
é de muita importância.

Alguns dos padrões socialmente impostos a criança podem


resultar das características peculiares dos adultos que lidam com ela. A
mãe, por exemplo, talvez alimente a criança sempre que ela chore,
independe mente de qualquer horário por que seus tímpanos são muito
sensíveis ou porque lhe dedica tamanho amor que não pode conformar-
se com a ideia de que ela possa experimentar uma sensação de
desconforto, por qualquer tempo que seja. Na maior parte das vezes,
porém, a opção entre a alternativa de alimentar a criança sempre que a
mesma chore ou submetê-la a um horário mais rígido de refeições não
resulta de uma decisão individual da mãe, mas representa um padrão
bem mais amplo prevalecente na sociedade em que esta vive e foi
ensinada que esse padrão constitui a maneira adequada de solucionar
o problema. (BERGER, p.170, 2004)

Ao nascer à criança é submetida aos padrões sociais daqueles que a cercam, aprende a
depender, quando pequeno, de outras pessoas o que dá início ao processo de socialização. O
bebê ao se alimentar, em contato com a mãe tem o seu primeiro passo do processo social de
sua vida. O treinamento para o uso do toalete constitui outro setor do comportamento da
criança em que as próprias funções fisiológicas do organismo são forçadas de maneira bast5ante
óbvia, a submeter-se aos padrões sociais. O processo por meio do qual o indivíduo aprende a
ser um membro da sociedade é designado pelo nome socialização. O mesmo revela uma série
de facetas diversas. Os processos que acabam de ser examinados constituem facetas da
socialização vista sob um ângulo, a socialização é a imposição de padrões sociais a conduta
individual

A criança no início da fase oral, não sabe a diferenciação do eu e do outro, portanto nunca refere
a si mesmo usando o pronome eu, mas sim o próprio nome “Fulano quer isso ou aquilo”. É na
interação social que a fala é inserida na criança em contatos com outras pessoas partilhando
significados e compreendendo. Cada língua tem a sua própria estrutura, um jeito singular de
compreender e ver o mundo, a qual está inserida como a diferenciação de culturas e grupos
sociais. Ao aprender a língua materna, a criança toma contato com esses conteúdos e
concepções, construindo um sentido de pertinência social. A partir da socialização a criança é
introduzida num mundo social, mas também conhece a si mesma, ela aprende a conviver com
os membros da sociedade em participa e a se entender como um membro da mesma. “A criança
é socializada não só para um mundo específico, mas também para determinada individualidade”
(BERGER, p. 179, 2004). A educação infantil é na grande maioria das vezes o primeiro contato
que a criança tem com outras crianças de mesma faixa etária.

A criança no início da fase oral, não sabe a diferenciação do eu


e do outro, portanto nunca refere a si mesmo usando o
pronome eu, mas sim o próprio nome “Fulano quer isso ou
aquilo”. É na interação social que a fala é inserida na criança em
contatos com outras pessoas partilhando significados e
compreendendo. Cada língua tem a sua própria estrutura, um
jeito singular de compreender e ver o mundo, a qual está
inserida como a diferenciação de culturas e grupos sociais. Ao
aprender a língua materna, a criança toma contato com esses
conteúdos e concepções, construindo um sentido de
pertinência social. A partir da socialização a criança é
introduzida num mundo social, mas também conhece a si
mesma, ela aprende a conviver com os membros da sociedade
em participa e a se entender como um membro da mesma. “A
criança é socializada não só para um mundo específico, mas
também para determinada individualidade” (BERGER, p. 179,
2004). A educação infantil é na grande maioria das vezes o
primeiro contato que a criança tem com outras crianças de
mesma faixa etária.

As crianças devem ser vistas como seres pensantes que possuem opiniões próprias, opiniões
estas pré-formadas ainda, que necessitam de auxílio de pessoas adultas, para que estas a
ajudem a definir suas ideias. Para que estas concepções possam ser amadurecidas é necessário
criar na criança uma autonomia, para que ela tenha um bom desenvolvimento social.

Para se ter desenvolvimento as crianças necessitam da presença de outra pessoa para assim
possa ter a capacidade de se desenvolver dentro de uma sociedade, não significando que serão
cópias fiéis das atitudes e dos comportamento de seus mediadores

Segundo Carvalho, para atuar significa mente junto à criança


concebida como sujeito interativo na elaboração de seu
conhecimento, o professor deve constituir-se como um
participante que constrói e reconstrói na interação, o seu
próprio conhecimento. O desafio da qualidade da educação
infantil supõe, portanto, a formação de um profissional que
busque saber enquanto pesquisador de sua própria prática e
que saiba dialogar com suas especificidades das várias áreas.
(CARVALHO, 1999),

Conclusão

Conclui-se que a educação infantil é um fator que contribui grandiosamente no


desenvolvimento da criança enquanto um ser social e pensante. A partir da educação infantil a
criança começa a se ver como um membro ativo de sua própria sociedade começa a entender
que como um membro desta sociedade precisa aprender a conviver com outros membros da
mesma, sabendo que cada um possui seus direitos e deveres. Portanto a educação infantil
contribui para que estas crianças possam a se adequar ao meio em que vivem, pois o mundo
gira assim, pessoas que são mais desenvolvidas, convivem melhor na sociedade em que está
inseridas.

referência KRAMER, Sonia, LEITE, M.I, GUIMARÃES, D. NUNES, M.F. Infância e Educação Infantil
Campinas, Papirus, 1999. INFANTIL, Referencial Curricular Nacional da Educação, Formação
Pessoal e Social, volume 2, Brasília MEC/SEF, 1998. INFANTIL, Referencial Curricular Nacional da
Educação, Introdução, volume 1, Brasília MEC/SEF, 1998. BERGER, Peter, BERGER, Brigitte,
Sociologia e Sociedade, Leituras de Introdução a Sociedade, LTC, 2004. EDUCAÇÃO, Parâmetros
de Qualidade para a, volume 2, Brasília, 2008,