Você está na página 1de 5

DESIGREJADOS

Pr. Idauro Campos

Tenho estudado o tema dos desigrejados e procurado entender o


fenômeno, suas causas e suas consequências dentro do cenário protestante
brasileiro. No que tange ao comportamento de muitos desigrejados e
simpatizantes, percebi um padrão que está relacionado com o modus operandi
de alguns grupos. Esse modus operandi que será exposto abaixo evidencia
algumas fragilidades, inconsistências e incoerências do movimento, revelando
que, por mais que se tente não se consegue despir completamente qualquer
movimento restauracionista de traços institucionais, pois, tais, são inerentes e
inseparáveis das experiências dos ajuntamentos. Podemos, portanto, apontar
algumas expressões institucionais presentes no movimento dos desigrejados,
revelando, com bom humor, algumas das contradições e das armadilhas que
cometem e caem:

1 – Em uma reunião de desigrejados, há sempre alguém que dirige a


mesma. Geralmente, é o que detém, senão o monopólio, ao menos a primazia
da palavra. É o mestre do grupo. Na prática é o pastor. Outros do grupo fazem
algumas contribuições; contam algumas experiências; leem alguns versículos,
trazem, uma vez ou outra, uma mensagem, mas a abordagem principal é
daquele que tem a capacidade do ensino e da pregação. Igual nas igrejas
convencionais. Compare os grupos; visite-os, assista-os na internet. O líder dos
desigrejados são os que mais falam, ensinam e abordam. Há uma diferença:
não são chamados de pastores, e sim de "irmão", "mentor" ou pelo nome
mesmo, mas trata-se apenas de rejeição didática da nomenclatura "pastor",
pois, na prática, e na dinâmica do trabalho, se comportam, agem e reagem
como os pastores que conhecemos.

2 - Criticam a institucionalização da igreja, mas dão nomes aos seus


projetos: EQUI (Eu Quero Uma Igreja), Caminho da Graça, Igreja Orgânica,
Igreja nos Lares e etc (qual a diferença para outros nomes, como Nova Vida,
Assembleia de Deus, Metodista e etc?). Tais projetos estão sistematizados
(possuem encontros em dias, horários e locais marcados; estudos dirigidos que
constroem o arcabouço teórico do movimento; publicam livros e artigos em
sites), pois a institucionalização é inevitável aos ajuntamentos humanos.

3 – Criticam as reuniões regulares nos templos religiosos, mas se


reúnem via Skype (hangouts), em sítios, cafeterias, salões, varandas e etc.

4 – Alguns desenvolvem espírito de Seita, pois alegam que as pessoas


têm que "sair do sistema" (sair da igreja), para encontrar "o verdadeiro
evangelho", ou, no melhor estilo da linguagem caiofabiana: "discernir o
evangelho". Tenho apenas uma pergunta a fazer: E se alguém não sair? O
que acontecerá? Não será salvo? Quem salva é Cristo? Ou a desigrejação é o
que salva? Tenho que sair da Comunidade de fé que congrego para ser salvo?
Sabemos, obviamente, que a resposta é um sonoro não. Quem salva é JESUS
CRISTO. Seja você Batista, Presbiteriano ou seja lá o que for. O importante é a
experiência com Jesus Cristo!

5 - Criticam os compromissos institucionais, mas reclamam daqueles


que não querem participar das reuniões que realizam. Chegam a dizer que na
época que eram institucionalizados "iam aos cultos segunda, terça [...] sábado
[...], mas agora que estão livres, não querem se reunir". Ou seja, a mesma
cobrança das igrejas institucionalizadas. De uma forma mais branda, mas,
ainda assim, cobrança a uma forma de compromisso.

6 - Alegam que não seguem a homens (somente a Jesus), mas


escolheram Caio Fábio, Mario Persona, Pedroza, Rubens, Paulo Brabo, Frank
Viola como seus gurus espirituais.

7 - Rejeitam Calvino, Lutero, Zwinglio, alegando que não precisam de


mestres humanos, mas devoram o que Viola escreve. Trocam de mestres
humanos por outros mestres humanos, portanto!

8 - Dizem que basta o ler o Novo Testamento para entender a


irrelevância da igreja contemporânea, mas precisam do "Cristianismo Pagão"
para formularem suas teses desconstrucionistas e construir o "trilho básico" do
movimento.
9- Criticam o sectarismo das igrejas, mas também o são: Rubem critica
Caio, que já Criticou o pessoal do EQUI, que criticam o Rubem e o Pedroza.
Por aí vai!

É Importante Entender Que

1 - Há gente de Deus dentro das comunidades chamadas Batistas,


Metodistas e Presbiterianas e afins. Na verdade, a maioria das pessoas
cristãos que congregam são maravilhosas e servem a Deus. Tornando
desnecessária a deserção. O apóstolo Paulo ao escrever aos Coríntios (1. Co
1.2) se dirige aos mesmos como "A Igreja de Deus que está em Corinto",
mesmo como todos os problemas da mesma (divisão, pecados sexuais, litígio,
desordem litúrgica, heresia, discriminação social, e etc), nunca defendeu o
abandono da comunidade como solução.

2 - O problema não é o sistema, CNPJ, isto é, não é a instituição (ela


neutra). O que corrompe é o coração do homem. E pode se estar dentro de
uma grande denominação ou reunido com pessoas em uma varanda. No Éden
eram apenas dois (Adão e Eva) e deu no que deu. Além disso, as igrejas
neotestamentárias, mesmo insipientes, lideradas pelos apóstolos, pequenas e
funcionando em casas, não deixaram de enfrentar seus muitíssimos e graves
problemas e que levaram, inclusive, apóstolos como Paulo, a escrever cartas
para tratar de suas seríssimas demandas. Heresia em Colossos, legalismo na
Galácia, agitação escatológica em Tessalônica, carnalidade em Corinto e etc. A
própria Igreja Primitiva não ficou sem seus dramas e crises, efeitos inevitáveis
dos ajuntamentos e de nossa pecaminosidade.

3 - Conheço um grupo de irmãos que saiu de uma igreja, organizou um


núcleo de desigrejados, não demorando muito para aparecer a primeira crise,
pois um sujeito deu em cima da mulher do outro. Deu confusão. Não adianta
ser reunir em casas, sítios ou praias. O problema não é o lugar! Não adianta se
reunir em número de dois, três, de dez ou mil: o problema não é quantidade de
pessoas! O problema é a PECAMINOSIDADE HUMANA que nos acompanhará
sejam em uma singela reunião em uma varanda com 05 pessoas ou em uma
grande comunidade com ministérios de louvor, coral, pastores e etc. É muita
ingenuidade dos desigrejados acharem que saindo das quatro paredes de um
templo e se enfiando dentro das quatro paredes da casa de alguém que irão
revigorar a fé das pessoas. A Trindade não é claustrofóbica ou oclofóbica. Não
tem, portanto, medo de lugares fechados (templos, por exemplo) ou de
multidões. Quem desenvolve tais sintomas são os desigrejados, não a
Trindade!

4- A reunião pode ser em varanda com 05 pessoas e ser uma bênção


ou com 1000 pessoas em templo chamado "Batista" e também ser uma
bênção. Qual o problema? Jesus disse que onde houver "dois ou três". Ora, se
é isso, qual o problema de 200 pessoas se reunirem um lugar chamado templo
presbiteriano para cultuar? As 200 pessoas da hipótese não estariam diante de
Cristo? Para Cristo estar presente a reunião tem que ser com poucas pessoas
em uma sala, varanda ou sítio? Sinceramente não entendo a Cruzada dos
desigrejados! A igreja verdadeira é a universal / invisível, a que é constituída
por todos os que se encontraram com o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus.
Sendo assim, PROVEM -ME OS DESIGREJADOS QUE NÃO HÁ CRISTÃOS
VERDADEIROS DENTRO DAS COMUNIDADES INSTITUCIONALIZADAS.
OU SERÁ QUE OS DESIGREJADOS ACREDITAM QUE SOMENTE ELES
ESTÃO SALVOS?

5 - Os Desigrejados dizem: "a verdadeira igreja não são as quatro


paredes do templo, mas sim nós, os cristãos": Nossa! Que novidade
extraordinária!!! Disso sei há mais de 20 anos, quando me converti. Até as
crianças aprendem isso na Escola Dominical! Não precisamos do panelaço dos
desigrejados para saber o que o Novo Testamento há mais de 2000 anos
ensina. Estou na mesma denominação há 21 anos. NUNCA, NUNCA, NUNCA
e NUNCA ouvi meus pastores afirmarem que o verdadeiro templo do Espírito
Santo são os quatro paredes. NUNCA! Sempre disseram que a verdadeira
igreja somos nós. E que o templo é apenas o lugar onde os irmãos se
encontram para adorar coletivamente. Sempre disseram que devemos viver o
Evangelho em casa, na vizinhança, no trabalho, na faculdade e no seio da
família. Que devemos adorar a Deus em casa, ler a Bíblia e orar em casa,
assim como em todos os demais lugares. Os dias de reunião é a ocasião de
Celebração coletiva. Apenas isso!
6 - O problema não é dos igrejados para com os desigrejados. E sim
dos desigrejados para com os igrejados. Para mim, se não tomarem o cuidado,
produzirão espírito de Seita, ao insistirem no esquema “saia da igreja para
encontrar a Deus”. Há desigrejados dizendo isso. A história da igreja prova o
quão estão errados.

Você também pode gostar