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Introdução à

Limpeza de
Aeronaves
SEST – Serviço Social do Transporte
SENAT – Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte

Curso on-line – Introdução à Limpeza de Aeronaves –


Brasília: SEST/SENAT, 2016.

29 p. :il. – (EaD)

1. Aeronave - limpeza. 2. Aeronave - aspectos


higiênicos. I. Serviço Social do Transporte. II. Serviço
Nacional de Aprendizagem do Transporte. III. Título.

CDU 629.73

ead.sestsenat.org.br
Sumário
Apresentação 4

Unidade 1 | Procedimentos de Limpeza de Aeronaves 5

1 Introdução 6

2 Limpeza dos Motores 8

3 Limpeza Exterior 9

4 Limpeza do Interior da Aeronave 12

5 Principais Áreas Destinadas à Operação de Limpeza 13

Glossário 14

Atividades 15

Referências 16

Unidade 2 | Produtos Químicos de Limpeza 18

1 Introdução 19

2 Acabamento e Limpeza 19

3 Acabamento com Tintas Protetoras 20

4 Solventes de Limpeza 20

5 Agentes de Limpeza em Emulsão 22

6 Sabões e Detergentes 23

Glossário 24

Atividades 25

Referências 26

Gabarito 28

3
Apresentação

Prezado(a) aluno(a),

Seja bem-vindo(a) ao curso Introdução à Limpeza de Aeronaves!

Neste curso, você encontrará conceitos, situações extraídas do cotidiano e, ao final de


cada unidade, atividades para a fixação do conteúdo. No decorrer dos seus estudos,
você verá ícones que tem a finalidade de orientar seus estudos, estruturar o texto e
ajudar na compreensão do conteúdo.

O curso possui carga horária total de 10 horas e foi organizado em 2 unidades, conforme
a tabela a seguir.

Unidades Carga Horária


Unidade 1 | Procedimentos de Limpeza de Aeronaves 5h
Unidade 2 | Produtos Químicos de Limpeza 5h

Fique atento! Para concluir o curso, você precisa:

a) navegar por todos os conteúdos e realizar todas as atividades previstas nas


“Aulas Interativas”;

b) responder à “Avaliação final” e obter nota mínima igual ou superior a 60;

c) responder à “Avaliação de Reação”; e

d) acessar o “Ambiente do Aluno” e emitir o seu certificado.

Este curso é autoinstrucional, ou seja, sem acompanhamento de tutor. Em caso de


dúvidas, entre em contato por e-mail no endereço eletrônico suporteead@sestsenat.
org.br.

Bons estudos!

4
UNIDADE 1 | PROCEDIMENTOS
DE LIMPEZA DE AERONAVES

5
1 Introdução

Em todas as circunstâncias, a limpeza é imprescindível ao combate à corrosão e, sem


dúvida, à segurança, pois as sujidades encobrem sérios problemas na estrutura da
aeronave, como por exemplo, trincas.

A poluição do espaço aéreo em contato com a aeronave provoca diversas reações


químicas. As camadas de sujeira, misturadas aos agentes lubrificantes, agem como um
composto abrasivo que desgastam prematuramente todas as suas partes metálicas.

A salinidade, por exemplo, produz um efeito corrosivo muito danoso às estruturas da


aeronave que entram em contato com ambientes salinos, característicos de regiões
litorâneas. Assim, o aparelho deve ser lavado o mais breve possível após o voo.

Há três métodos de limpeza exterior em aeronaves: lavagem úmida, lavagem seca e


polimento.

A lavagem úmida é indicada para a remoção da maior parte das sujeiras, como resíduos
de óleo, de graxa ou depósitos de carvão, com exceção da corrosão e das coberturas
por óxidos. Neste tipo de lavagem são utilizados produtos de limpeza alcalinos.

A lavagem a seco é realizada quando o uso de líquidos não é prático nem adequado
e serve para a remoção de poeira ou de pequenos acúmulos de sujeira e terra. Este
método não é conveniente em áreas como as de escapamento dos motores, em razão
das espessas camadas de carvão e de óleo.

O polimento pode ser realizado de forma manual ou mecânica. Este procedimento


é recomendável em casos de remoção da oxidação e da corrosão. Os produtos para
polimento possuem diferentes graus de abrasão e devem ser utilizados conforme
recomendações do fabricante. O polimento serve para dar brilho às superfícies
pintadas da aeronave e só deve ser realizado depois da limpeza da superfície.

Os principais fabricantes de aeronaves recomendam que:

• sempre que possível, a lavagem da aeronave seja feita à sombra, uma vez que os
compostos de limpeza tendem a manchar a superfície quente;

• todas as aberturas, pelas quais a água ou os agentes de limpeza possam penetrar


e causar danos, sejam devidamente tapadas;

6
• partes da aeronave, como a carenagem do radar (geralmente de plástico
reforçado), e a parte adiante da cabine de comando, recobertas por uma pintura
inerte, não sejam limpas além do necessário nem esfregadas com escovas de
cerdas duras. Uma esponja suave ou gaze de algodão, com o mínimo de atrito
manual, é o desejável;

• qualquer mancha de óleo ou sujeira, provocadas pelo escapamento na superfície,


sejam removidas antes com um solvente, como o querosene ou outro similar à
base de petróleo;

• as superfícies sejam lavadas e enxaguadas, imediatamente, após a limpeza, a fim


de evitar a secagem dos produtos;

• antes do uso do sabão, as superfícies de plástico sejam lavadas com água limpa,
para dissolver depósitos de sal e remover as partículas de poeira;

• superfícies de plástico sejam lavadas com água e sabão, preferencialmente à


mão, enxaguadas com água limpa e secas com camurça ou algodão hidrófilo;

• em hipótese alguma, seja usado jato de pó abrasivo ou outro material que possa
comprometer o acabamento;

• produtos derivados de petróleo não sejam aplicados em plásticos, pois reagem


quimicamente destruindo-os;

• os pneus das aeronaves sejam lavados com uma solução de sabão com água não
muito forte;

• após a limpeza, os fixadores, os encaixes, as dobradiças, etc., sejam lubrificados,


caso o lubrificante original tenha sido removido pelo processo.

7
2 Limpeza dos Motores

A limpeza da estrutura da aeronave é tão importante quanto a limpeza dos motores,


pois desempenho dos motores depende, diretamente, de um efetivo programa
de lavagem e higienização. Os manuais dos fabricantes recomendam programas de
lavagem, como também indicam os produtos adequados e aprovados pelos órgãos
fiscalizadores para a execução dos serviços.

As sujidades acumuladas nas diversas partes dos motores comprometem o seu


rendimento final e podem ocultar trincas e falhas latentes. Vários métodos de limpeza
podem ser adotados, desde que estejam de acordo com as instruções dos fabricantes.
Sabão e água limpa, além de solventes aprovados, podem ser usados para a limpeza
de hélices ou pás de rotor, a menos que seja um processo de marcação (gravação ou
decapagem). Material cáustico não deve ser usado nas hélices.

Importante destacar que a ANAC (2005, p.73) recomenda que “raspadores, politrizes,
escovas de aço ou qualquer ferramenta ou substância que possam danificar ou arranhar
superfícies não devem ser usados nas pás das hélices, exceto quando for recomendado
para reparo”.

As pás de hélice feitas de aço, ao mesmo tempo em que são mais resistentes à abrasão
e à corrosão que as de liga de alumínio, têm peso maior. Sendo assim, devem ser
realizadas inspeções periódicas para identificar atritos e indícios de corrosão.

Após executado o polimento, todos os resíduos do polidor devem ser rapidamente


removidos e as pás das hélices limpas e recobertas com óleo de motor purificado.

Todas as substâncias usadas na limpeza devem ser removidas imediatamente de


qualquer parte da hélice, após as operações de higienização, conforme recomenda a
ANAC (2005, p.74):

Sabão, em qualquer forma (líquido, pastoso, espuma, etc.), deve


ser removido por meio de enxágue repetido com água limpa.
Depois, as superfícies, devem ser secas e cobertas com óleo de
motor limpo. Após o motor ter sido higienizado, todas as hastes de
controle, balancins e, outras partes móveis, devem ser lubrificadas
de acordo com as instruções contidas no manual de manutenção
do fabricante.

8
3 Limpeza Exterior

As aeronaves e os equipamentos devem ser limpos regularmente, a fim de:

• evitar a corrosão por meio da remoção de depósitos de sal, bem como de outros
corrosivos sólidos e eletrólitos;

• manter a visibilidade por meio de canopis e janelas;

• permitir uma inspeção completa quanto a danos causados pela corrosão;

• lavar o avião antes das fases/inspeções para facilitar a detecção da corrosão;

• manter a eficiência do motor de turbina;

• reduzir os riscos de incêndio pela remoção de acumulações de vazamento de


líquidos;

• melhorar a aparência geral;

• assegurar a eficiência aerodinâmica do avião;

• manter as características originais de pintura.

Existem três métodos utilizados na limpeza externa das aeronaves, quais sejam:

a) Lavagem úmida

b) Lavagem a seco

c) Polimento manual e mecânico

Uma superfície é considerada limpa quando sobre ela não existir nenhum tipo de matéria
estranha, como resíduos de graxa, óleos, pó, tintas velhas e outras contaminações,
que possam afetar tanto a qualidade dos processos de tratamento quanto à proteção
solicitada.

Para obter uma superfície limpa, o responsável pela limpeza deverá considerar alguns
fatores.

a) Tipo e quantidade de sujidade.

9
Quanto ao tipo de sujidades, elas podem ser definidas como:

• manchas de óleo - exemplo: óleo hidráulico, óleo lubrificante de motor;

• manchas densas - exemplo: graxa, vaselina e compostos preventivos de corrosão;

• manchas contendo sólido - exemplo: lama, resíduos de óleo carbonizado e


resíduos de corrosão.

b) Composição do material básico a ser limpo.

c) Condições da superfície.

d) Grau de limpeza necessário.

Figura 1.A: Limpeza exterior com água Figura 1.B: Lavagem a seco
Fonte: www.impactoaviation.com Fonte: www.impactoaviation.com

A Figura 1.A demonstra a limpeza exterior com água, método de limpeza mais comum,
no qual a água é aplicada diretamente na aeronave, por meio de uma máquina de
pressão, utilizando escovas adequadas para a aplicação de produtos de limpeza
aprovados para aviação. Já a lavagem a seco, exposta pela Figura 1.B, é executada por
meio de um processo semelhante ao polimento, utilizando produtos aprovados pela
indústria aeronáutica, os quais não agridem o meio ambiente e não deixam resíduos.

O polimento restaura o brilho das superfícies pintadas e das não pintadas, é aplicado
após as superfícies terem sido limpas e também é utilizado para remover a oxidação
e a corrosão. Os materiais de polimento estão disponíveis em várias formas e graus
de abrasividade. É importante que as instruções do fabricante da aeronave sejam
consultadas para aplicações de limpeza específicas.

10
A lavagem da aeronave deve ser realizada sempre que possível em locais com sombra,
pois os compostos de limpeza mancham a superfície se aplicados sobre o metal quente,
ou se for permitida a secagem no local aplicado.

Procedimentos recomendados à lavagem exterior:

• instalar bloqueios sobre todas as aberturas como: tubos de pitot, tomadas


estáticas, entradas de ar e qualquer abertura na qual a água ou os produtos de
limpeza possam entrar e causar danos;

• antes de aplicar a água e o sabão em superfícies de plástico, devem-se lavar as


superfícies com água para remover depósitos de sal e partículas de poeira. As
superfícies plásticas devem ser lavadas de preferência à mão;

• não usar detergente em pó ou outro material que possa estragar a superfície


de plástico. Remover óleos e gorduras, esfregando delicadamente com um
pano molhado com água e sabão. Não use acetona, benzeno ou qualquer outro
solvente porque eles amolecem o plástico e isso causa fissuras;

• sob certas condições locais, dependendo do tipo e uso da aeronave, o ciclo


de lavagem estabelecido pode ser insuficiente. Alguns tipos de aeronaves
e equipamentos associados podem exigir limpeza mais frequente das áreas
afetadas;

• aeronaves estacionadas dentro de uma área que esteja a 2 km da água salgada


exigem uma limpeza com água pelo menos uma vez a cada 15 dias e as que
sobrevoaram áreas marítimas por duas ou mais vezes no mesmo dia a uma
altitude de 3.000 pés da água salgada exigem uma lavagem com água depois que
completarem o último voo do dia;

• óleo, fluido hidráulico, graxa ou combustível podem ser removidos dos pneus
das aeronaves com uma solução leve de sabão. Após a limpeza, é importante
lubrificar todos os pontos de dobradiças e as áreas em que a limpeza removeu a
lubrificação ou diluiu a graxa durante a lavagem da aeronave.

11
4 Limpeza do Interior da Aeronave

As aeronaves devem ser limpas tanto interna quanto externamente. Isso porque
o interior é mais propício à corrosão que a parte externa, em função da dificuldade
de acesso à limpeza. Um metal esquecido dentro da aeronave, com o tempo,
provavelmente, provoca uma corrosão eletrolítica.

Nesse sentido, a limpeza criteriosa deve ser realizada após os serviços internos, evitando
o surgimento da corrosão. A ferramenta mais adequada para este tipo de serviço é
o aspirador de pó, em função da dificuldade de acesso a determinados lugares. O
confinamento estrutural, além de ser pouco ventilado, possui cantos, quinas, buracos
e outros locais que dificultam a limpeza.

A corrosão pode ser apresentada nas partes internas com um grau maior do que na
estrutura externa, porque muitas vezes torna-se difícil alcançar algumas áreas para a
limpeza. Porcas, parafusos, pedaços de arame ou outros objetos de metal que caem por
descuido ou negligência, combinados com a umidade e o contato de metal diferente,
podem causar corrosão eletrolítica.

Em suma, ao realizar o trabalho estrutural dentro da aeronave, é necessário limpar


todas as partículas de metal e outros detritos. Para facilitar a limpeza e evitar a entrada
de partículas de metais e restos de matérias em áreas inacessíveis, deve-se utilizar
um pano na área de trabalho para pegar esses detritos. Um aspirador de pó pode ser
usado para retirar as partículas provenientes de reparos, a poeira e a sujeira do interior
da cabine do piloto e da cabine de pax.

hh
Sempre que possível, deve-se usar agentes não inflamáveis
nessas operações para reduzir ao máximo o risco de fogo e
explosão.

12
5 Principais Áreas Destinadas à Operação de Limpeza

As áreas principais das aeronaves que podem precisar de limpeza periódica são:

• as zonas compreendidas na cabine dos passageiros, incluindo assentos, tapetes,


painéis laterais, bagageiros de teto, cortinas, cinzeiros, bandejas, janelas, portas,
painéis decorativos de plástico, madeira ou materiais semelhantes;

• área da cabine de comando, os mesmos materiais encontrados na área da cabine


de passageiros, incluindo painel de instrumentos, pedestal de manetes de
controle de potência, para-brisas, superfícies metálicas, controles de voo, cabos,
conectores e fiação elétricos;

• as instalações sanitárias e de serviços de comissária de voo, incluindo materiais


semelhantes aos encontrados na área da cabine de passageiros mais gabinetes,
recipientes de lixo, armários, pias, espelhos, fornos, e assim por diante.

Resumindo

Neste capítulo, foram abordados os métodos e as técnicas utilizadas na


limpeza e preservação da aeronave, bem como as áreas principais que
podem precisar de limpeza periódica e os principais produtos utilizados na
limpeza das aeronaves.

Foi abordada também a importância dos procedimentos de lavagem e de


lubrificação na prevenção da maioria dos problemas causados pelo ataque
do meio ambiente agressivo. Deve-se, portanto, adotar ações preventivas
e corretivas como: aplicação com frequência predeterminada de
procedimentos de lavagem e lubrificação, assim como lavar e lubrificar as
aeronaves sempre que tiverem operado em ambientes salinos, industriais
ou regiões com qualquer outro meio agressivo.

Conhecimentos aprofundados desta matéria determinam a segurança. É


importante lembrar, portanto, que a limpeza realizada corretamente
prolonga a vida útil dos componentes e dos equipamentos.

13
Glossário

Canopi: é a cobertura de certos tipos de aeronaves, normalmente em aviões pequenos


de turismo ou acrobáticos, assim como em aviões militares de caça e instrução.

Carenagem: é toda carcaça que cobre uma estrutura que se move em um meio fluido,
tanto no mar como em terra e no ar. Tem como principal função melhorar a performance
de deslocamento do veículo.

Decapagem: processo que visa à remoção de oxidações e impurezas (como a ferrugem).


Eletrólito: são soluções condutoras de corrente elétrica, a umidade do ar é considerada
um eletrólito.

Hidrófilo: que gosta de água; que absorve facilmente a água ou outros líquidos.

Politriz: enceradeira manual.

Pitot: instrumento de medição de velocidade utilizado para medir a velocidade de


fluidos. Ele possibilita o funcionamento de um dos mais importantes instrumentos de
uma aeronave, o velocímetro.

14
Atividades

aa
1) Julgue verdadeiro ou falso. Há substâncias que podemos
deixar agir por um tempo durante a limpeza da hélice.

Verdadeiro ( ) Falso ( )

2) Julgue verdadeiro ou falso. Uma das principais áreas


destinadas a operação de limpeza é a cabine de passageiros.

Verdadeiro ( ) Falso ( )

15
Referências

BRASIL. Instituto de Aviação Civil. Divisão de Instrução Profissional Matérias Básicas,


tradução do AC 65-9A do FAA. Airframe & Powerplant Mechanics-General Handbook.
Edição Revisada. 2002.

EMB-120 Brasilia. Pilot Training Manual. Volume 2. Aircraft Systems.

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. Secretary of the Air Force. TO 1-1-8: Technical manual
application and removal of organic coatings, aerospace and non-aerospace equipment.
Washington, D.C.: [s.n.], 2010

______. Secretary of the Air Force. TO 1-1-691: Technical manual, cleaning and corrosion
prevention and control, aerospace and non-aerospace equipment. Washington, D.C.:
[s.n.], 2009.

FEDERAL AVIATION ADMINISTRATION. Aviation maintenance technician handbbok.


Washington, D.C.: FAA, 2008. Disponível em: <https://www.faa.gov/regulations_
policies/handbooks_manuals/aircraft/media/AMT_Handbook_Addendum_Human_
Factors.pdf>. Acesso em: 17 jul. 2015.

______. AC 43-4: Corrosion Control for Aircraft. Washington, D.C.: FAA, 1991.

______. AC 43-205: Guidance for selecting chemical agents and processes for depainting
and general cleaning of aircraft and aviation products. Washington, D.C.: FAA, 1998.

______. AC 43-206: Inspection, prevention, control, and repair of corrosion on avionics


equipment. Washington, D.C.: 2001.

______. Rotorcraft flying handbook. Washington, D.C.: FAA, 2000.

GEMELLI, E. Corrosão de materiais metálicos. 5. ed. São Paulo: Editora LTC, 2001.

GENTIL, V. Corrosão. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2003.

KINNISON, Harry A. Aviation Maintenance Management. New York: McGraw-Hill.


2004.

MD42-M-02. Doutrina de Logística Militar. (Portaria n° 614/MD, de 24 de outubro de


2002).

16
NAVAIR 01-1A-509-1. Cleaning and Corrosion Control. 1º set. 2000.

OLIVEIRA DE, Antônio Roberto. Corrosão e tratamento de superfície. Belém: IFPA;


Santa Maria: UFSM, 2012.

PANOSSIAN, Z. Corrosão e proteção. 1. ed. São Paulo: Editora IPT, 1996.

RAMANATHAN, L. V. Corrosão e seu controle. 1. ed. São Paulo: Editora Hemu, 2004.

17
UNIDADE 2 | PRODUTOS
QUÍMICOS DE LIMPEZA

18
1 Introdução

Os produtos químicos de limpeza são empregados na lavagem das aeronaves e de


seus motores. Assim, devem ser usados cautelosamente, principalmente, após a
montagem e a desmontagem, pois o perigo da penetração de produtos corrosivos em
junções de superfícies e frestas contribui negativamente para a formação de corrosão.
O risco de retenção desse material corrosivo nas superfícies metálicas, nas frestas e
nas fendas coloca-se como uma característica contrária a vantagem da velocidade e
eficácia do método. Dessa forma, qualquer produto que seja utilizado deve possuir
uma neutralidade relativa e ser de fácil remoção, de modo que todos os resíduos sejam
removidos.

Os sais solúveis para tratamento químico de superfícies, tais como ácido crômico ou
dicromato, por exemplo, irão liquefazer e promover a formação de bolhas na pintura.
Dois tipos de mistura de ácido cítrico-fosfórico podem ser encontrados. Um está
disponível e pronto para uso e o outro é um concentrado que deve ser diluído em água
e em solventes minerais. Luvas de borracha e óculos de proteção devem ser adotados
durante o manuseio, pois o contato com a pele e com os olhos causa lesões.

As queimadura provocada por contato com produtos ácidos pode ser neutralizada por
lavagem com água abundante e tratamento com uma solução diluída de bicarbonato
de sódio.

O bicarbonato de sódio pode ser usado para neutralizar depósitos ácidos nos
compartimentos de baterias chumbo-ácidas, bem como para tratar de queimaduras
causadas por agentes químicos de limpeza e inibidores de corrosão.

2 Acabamento e Limpeza

Os procedimentos de acabamento e de limpeza da aeronave, com produtos corretos e


homologados, trazem um aumento à vida útil de estruturas e de componentes, além
de auxiliarem na resolução de possíveis problemas.

19
Por isso, é imprescindível que os técnicos, responsáveis pela manutenção de aeronaves,
conheçam os principais procedimentos recomendados pelos fabricantes, a fim de que
executem os serviços com qualidade e segurança.

3 Acabamento com Tintas Protetoras

As tintas protetoras são o método de acabamento mais eficaz ao combate à corrosão.


Entretanto, sua aplicação deve ser
cuidadosa e eficiente o bastante para
criar uma barreira entre a superfície do
metal e o meio corrosivo. Os tipos de
acabamento mais usados com tintas
protetoras são à base de nitrocelulose,
de nitrocelulose acrílica e de epóxi.
Ainda podem ser acrescentados às
tintas, pigmentos fluorescentes de alta
visibilidade e vernizes.

Figura 2: Aplicação de tintas protetoras

4 Solventes de Limpeza

Os solventes retiram as sujidades, dissolvendo-as e deixando uma fina película ou um


resíduo oleoso, os quais poderão ser retirados com um composto de limpeza alcalina.

É necessário ter cuidado ao utilizar esse composto em locais nos quais a temperatura
poderá inflamá-lo.

Em geral, os produtos de limpeza de solvente usados na limpeza de aviões devem ter


um ponto de chama de pelo menos 40 °C.

ee
A Ficha de Segurança do Produto (FDSP) para cada solvente
deve ser consultada para manuseio e informações de segurança.

20
Operações de limpeza com solvente estão se tornando cada vez mais limitadas devido
a regulamentações ambientais. Em particular, solventes e líquidos de limpeza, mesmo
aqueles considerados ambientalmente amigáveis, podem causar efeitos prejudiciais
sobre a pele, os órgãos internos e/ou o sistema nervoso. Solventes ativos, como a
acetona, podem ser prejudiciais ou fatais se ingeridos, inalados ou absorvidos através
da pele em quantidades suficientes. Desse modo, uma atenção especial deve ser dada
às medidas de proteção individuais, incluindo luvas, respiradores e protetores faciais.

Alguns solventes de limpeza utilizados na aviação não são inflamáveis, mas há aqueles
que possuem tal propriedade. Como medida de segurança às explosões, os solventes
inflamáveis devem ter o seu ponto de fulgor de, no mínimo, 105º F. Outros, não
inflamáveis, são altamente tóxicos, principalmente os clorados, que exigem uma
proteção adequada. Por isso, o uso de equipamento de proteção individual (EPI) é
obrigatório. Destaca-se que o emprego de tetracloreto de carbono deve ser evitado,
por provocar sérios problemas ao sistema respiratório.

Para limpeza a seco, o solvente de stoddard é o mais comum. À base de petróleo, é


usado na limpeza de aeronaves para remover graxa, óleo e leve acúmulo de terra. Seu
ponto de fulgor é, ligeiramente, acima de 40 ºC (105 ºF). Para todos os propósitos de
higienização, os solventes para limpeza a seco são preferíveis ao querosene, mas da
mesma forma, deixam um ligeiro resíduo após a evaporação, que pode interferir na
aplicação de uma camada posterior de acabamento.

A nafta alifática e aromática é recomendada para superfícies limpas, pouco antes da


pintura. Também pode ser usada para limpeza de borracha e de materiais acrílicos.
Sua temperatura de fulgor é de aproximadamente 25 ºC (80 ºF) e deve ser usada
cuidadosamente. É importante salientar que a nafta aromática não deve ser confundida
com nafta alifática, que é tóxica, ataca materiais acrílicos e borracha e só deve ser usada
com rigoroso controle.

Solventes de segurança, os conhecidos tricloroetano ou metil clorofórmio são usados


para a limpeza geral e a remoção de graxa. Em condições normais, não são inflamáveis,
e são utilizados em substituição ao tetracloreto de carbono. Precauções de segurança
devem ser tomadas ao manipular solventes clorados, pois o uso prolongado pode
causar problemas de pele e respiratório.

21
O metiletilcetona (MEK) e o querosene são considerados solventes de segurança.
O MEK é utilizado na limpeza de superfícies metálicas e na remoção de pintura em
pequenas proporções. Trata-se de um solvente e de um limpador de metais muito ativo,
com ponto de fulgor ao redor de 0 ºC (24 ºF). As devidas precauções de segurança
devem ser observadas durante seu uso, uma vez que é um solvente tóxico.

O querosene é misturado aos agentes de limpeza tipo emulsão, como dissolventes de


preservativos de cobertura de difícil remoção, por exemplo. Não evapora rapidamente
como os demais solventes de limpeza a seco e, geralmente, deixa resíduos nas
superfícies limpas que podem levar à corrosão. Cabe mencionar que estes resíduos
podem ser removidos com solventes de segurança, agentes de limpeza à base de
emulsão de água ou mistura com detergentes.

5 Agentes de Limpeza em Emulsão

Os agentes de limpeza em emulsão são compostos de solventes e emulsão de água,


utilizados na limpeza geral de aeronaves. Solventes em emulsão são úteis na remoção
de depósitos muito densos, como carvão, óleo, graxa e alcatrão. Devem ser usados de
acordo com as instruções e não afetam pinturas de boa qualidade nem acabamentos
feitos com materiais orgânicos.

Os agentes de limpeza em emulsão de água são compostos que podem ser usados em
qualquer superfície da aeronave, inclusive e naquelas pintadas com tintas fluorescentes
e inertes aos acrílicos. Suas propriedades variam em função do produto disponível e,
por isso, antes da aplicação, é necessário que o produto seja testado em uma amostra.

Um tipo de agente de limpeza em emulsão de solvente é o não fenólico e pode ser


usado, com segurança, em superfícies pintadas, sem causar reação na pintura base. O
seu uso contínuo pode afetar os acabamentos acrílicos em laca (verniz) nitrocelulose.
Outro tipo é o de base fenólica, que é mais eficaz em serviços pesados, mas que tende
a reagir com as pinturas de cobertura.

22
6 Sabões e Detergentes

Uma série de materiais está disponível para ser usada em limpezas suaves. Podem
seguramente ser usados em todas as superfícies, incluindo tecidos, couro e plásticos
transparentes. Nas superfícies transparentes, com filtros de luminosidade incorporados
ao material (como certos para-brisas), deve-se aplicar somente a quantidade necessária
de produto.

Nunca se devem limpar essas superfícies com materias abrasivos. Agentes de limpeza
com detergentes à base de amôniaco podem ser solúveis em água ou óleo.

Como explicitado, existe grande variedade de produtos para a limpeza de aeronaves.


Os produtos especificados são usados na limpeza geral de superfícies de aeronaves,
pintadas ou não, para a remoção de resíduos leves para médios, além de películas
normais de óleo e de graxa. São de uso seguro para quaisquer superfícies, como tecido,
couro e plásticos transparentes.

Superfícies transparentes, como para-brisas, nunca devem receber material abrasivo


nem devem ser lavadas mais que o necessário.

Os agentes de limpeza com detergentes aniônicos (não iônicos) podem ser tanto
solúveis em água quanto em óleo. O agente de limpeza com detergente solúvel em
óleo torna-se eficaz em solução de 3% a 5%, em solvente para limpeza a seco, a fim de
promover o amolecimento e a remoção de coberturas fortes de preservação.

Resumindo

Neste capítulo foram abordados os diversos produtos e os processos


empregados no acabamento e na limpeza de partes internas e externas de
aeronaves.

A limpeza, o acabamento e o polimento são muito importantes para evitar


o desgaste precoce das partes da aeronave. E, para cada procedimento,
existem produtos específicos a serem empregados. Entretanto, qualquer
conduta deve estar rigorosamente orientada pelas recomendações do
fabricante.

Diversos produtos são tóxicos e exigem o uso de EPI. Medidas de segurança


garantem a boa qualidade dos serviços e a proteção dos mantenedores.

23
Glossário

EPI: equipamentos de proteção individual. Exemplos: óculo, luvas e máscara.

Epóxi: uma resina epóxi ou poliepóxido é um plástico termofixo que se endurece


quando se mistura com um agente catalisador ou “endurecedor”.

FDSP: sigla utilizada para designar as informações de segurança para manuseio do


produto.

MEK: é um líquido incolor inflamável. É uma cetona, também conhecida como metil-etil-
cetona (MEK de methyl ethyl ketone). É utilizada como solvente em diversas aplicações,
principalmente tintas e outros revestimentos, devido a sua rápida evaporação.

Nafta: é um derivado de petróleo utilizado principalmente como matéria-prima da


indústria petroquímica. É um líquido incolor, com faixa de destilação próxima à da
gasolina. Nitrocelulose: é um plástico branco, amarelo ou transparente, que pode
estar em qualquer lugar, desde quebradiço até flexível. A nitrocelulose é usada para
fabricar pólvora, Base Dupla (DB), propelente sólido de foguetes, para fusos à prova
d’água em pirotécnicos, tintas, adesivos, vernizes, resinas, lacas, seções de microscopia,
fotografia, galvanoplastia, e ainda em certos plásticos, como o de bolas de pingue-
pongue.

Ponto de fulgor: é a menor temperatura na qual um substäncia libera vapor em


quantidade suficiente para formar uma mistura inflamável quando em contato com
fonte de calor.

Solvente de Stoddard: é o mesmo que o solvente aguarrás mineral.

24
Atividades

aa
1) Julgue verdadeiro ou falso. Alguns solventes de limpeza
utilizados na aviação não são inflamáveis, mas há aqueles
que possuem tal propriedade.

Verdadeiro ( ) Falso ( )

2) Julgue verdadeiro ou falso. Os agentes de limpeza com


detergentes aniônicos (não iônicos) podem ser solúveis
apenas em água.

Verdadeiro ( ) Falso ( )

25
Referências

BRASIL. Instituto de Aviação Civil. Divisão de Instrução Profissional Matérias Básicas,


tradução do AC 65-9A do FAA. Airframe & Powerplant Mechanics-General Handbook.
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27
Gabarito

Questão 1 Questão 2

Unidade 1 F V

Unidade 2 V F

28