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DEES – ESCOLA DE ENGENHARIA DA UFMG

EXERCÍCIO RESOLVIDO DE FLAMBAGEM

Profs. Luís Eustáquio Moreira e Rodrigo Guerra Peixoto

Determinar a carga de flambagem para a coluna da Figura, pelos Método da Norma


NBR 7190 (com correção da carga de flambagem que somente para peças esbeltas é
dada pela carga de Euler): madeira Classe C50; kmod = 0,56; Classe de Umidade
ambiente = 2.

Esbeltez:

400
𝑦 = = 69,3 (𝑠𝑒𝑚𝑖 − 𝑒𝑠𝑏𝑒𝑙𝑡𝑎 − 𝑓𝑙𝑎𝑚𝑏𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑖𝑛𝑒𝑙á𝑠𝑡𝑖𝑐𝑎)
3
√ 40 × 20
12 × 20 × 40
800
𝑥 = = 69,3 (𝑠𝑒𝑚𝑖 − 𝑒𝑠𝑏𝑒𝑙𝑡𝑎 − 𝑓𝑙𝑎𝑚𝑏𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑖𝑛𝑒𝑙á𝑠𝑡𝑖𝑐𝑎
3
√ 20 × 40
12 × 20 × 40

Como as esbeltezas deram iguais, a coluna poderia flambar indiferentemente tanto em


torno do eixo Y, como em torno do eixo X e se a proposta da norma está correta,
qualquer que seja a direção analisada os resultados devem dar a mesma carga nominal
Pk, qualquer que seja a direção analisada. Na prática, a direção de flambagem
dependeria de imperfeições reais numa direção ou outra e também da direção de
perturbação externa. Como acho mais provável que as imperfeições acidentais ea
estejam no plano XZ,

Analisemos a flambagem em torno do eixo X:

20
𝑒𝑖 = = 0,67 𝑐𝑚
30
400
𝑒𝑎 = = 1,33 𝑐𝑚
300
𝑒𝑐 = 0 (𝑒𝑠𝑏𝑒𝑙𝑡𝑒𝑧 𝑚𝑒𝑛𝑜𝑟 𝑞𝑢𝑒 80)

Então temos que resolver a equação do segundo grau:

𝑃𝑑 𝑃𝑑 (𝑒𝑖 + 𝑒𝑎) 𝐵
+ ≤1 (1)
𝐴𝑓𝑐0𝑑 2𝐼𝑓𝑐0 (1 − 𝑃𝑑 )
𝑑 𝐹𝑓𝑙

A carga de Euler para peças esbeltas vale

𝜋 2 𝐸𝑒𝑓 𝐼
𝐹𝐸 = (2)
𝑙02

A carga de flambagem Ffl somente será igual à carga de Euler 𝐹𝐸 caso a peça seja
esbelta, conforme indicado abaixo:

Tensões de Flambagem C50 - kmod = 0,56


8000
s = -7,9 + 2316
TENSÕES DE FLAMBAGEM (N/cm2)

7000
6000
PEÇAS ESBELTAS
5000
4000 PEÇAS CURTAS

3000
PEÇAS SEMI-ESBELTAS
2000
1684
1000 Linear (PEÇAS SEMI-
ESBELTAS)
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160
ESBELTEZ 

O trecho semi-esbelto (correspondente à flambagem inelástica) foi aproximado por uma


reta, favoravelmente à segurança. Neste caso, para a esbeltez  = 69,3 tem-se uma
tensão de flambagem interpolada entre a esbeltez 40 e a esbeltez 80, igual a
𝑁
𝜎𝑓𝑙 =1768,5 ; o que corresponderia a uma carga de flambagem 𝐹𝑓𝑙 = 1,7685 ×
𝑐𝑚2
20 × 40 = 1428 𝑘𝑁 ; enquanto a tensão de Euler nesse trecho em que não seria mais
𝜋 2 (0,56×1950000)
válida é 𝜎𝐸 = = 2244 𝑁/𝑐𝑚2 , que daria uma carga de flambagem
69,32
𝐹𝐸 = 2,24 × 20 × 40 = 1792 𝑘𝑁 (25% superior ao valor que deveria ser considerado,
igual a 1428 kN)
Aplicando-se corretamente o valor da carga de flambagem para a amplificação das
excentricidades iniciais até a posição final de equilíbrio tem-se, da Equação 1:

1,4𝑃𝑘 1,4 × 𝑃𝑘 × (0,67 + 1,33) × 10


+ ≤1
2(20 × 40) 1,4𝑃𝑘
2 × 26667 × 2 (1 − 𝟏𝟒𝟐𝟖)

𝑘𝑁
𝑓𝑐0𝑑 = 2
𝑐𝑚2
A solução dessa equação do segundo grau em 𝑃𝑘 , fornece: 𝑃𝑘 = 636,83 𝑘𝑁 < 1428
→ 𝑜𝑘 . O outro valor é descartado, 1830 kN >1428 kN não ok! Ou seja, a carga limite
é igual a 44,6% da carga de Flambagem.

Caso tivéssemos feito a carga de flambagem igual à carga de Euler, encontraríamos

Pk = 692,5 kN. (8,7 % maior do que o valor mais preciso, que considero correto com os
conceitos).

Caso o a mesma coluna tivesse 6 metros de comprimento, encontraríamos

600
 𝑥 = 𝑦 = = 104 𝑐𝑜𝑙𝑢𝑛𝑎 𝑒𝑠𝑏𝑒𝑙𝑡𝑎 , 𝑒𝑐 ≠ 0
3
√ 40 × 20
12 × 40 × 20

𝑒𝑖 = 0,667 𝑐𝑚

600
𝑒𝑎 = = 2 𝑐𝑚
300
Considerando-se a Classe de Umidade Ambiente igual a 2; tem-se 𝜑 = 0,8

Então pela NBR 7190

𝑒𝑐 = (𝑒𝑖𝐺 + 𝑒𝑎 )(𝑒 𝑐 − 1)

Onde

𝜑[𝐺𝑘 + (𝜓1 + 𝜓2 )𝑄𝑘 ]


𝑐= (3)
𝐹𝑓𝑙 − [𝐺𝑘 + (𝜓1 + 𝜓2 )𝑄𝑘 ]

Eu proponho que consideremos apenas o maior valor entre 𝑒𝑖𝐺 e 𝑒𝑎 ; onde 𝑒𝑖𝐺 é a
excentricidade inicial correspondente a um momento de topo devido apenas à ação
permanente, caso fosse dado. Então, no caso de ei ser mínimo, vamos considerar apenas
ea para não ficar demasiadamente conservativo.

Tem-se então

𝜋 2 (1092) × 26667
𝐹𝑓𝑙 = 𝐹𝐸 = = 798,35 𝑘𝑁
6002
Da Equação (3) obtem-se
0,8𝑃𝑘
𝑒𝑐 = 2 (𝑒 798,35−𝑃𝑘 − 1) (4)

Então, substituindo-se todos os valores encontrados na Equação (1) teríamos que


resolver a equação:
0,8𝑃𝑘
1,4 × 𝑃𝑘 × (0,67 + 2 + 2 (𝑒 798,35−𝑃𝑘 − 1)) × 10
1,4𝑃𝑘
+ ≤1 (5)
2(20 × 40) 1,4𝑃𝑘
2 × 26667 × 2 (1 − )
798,35

Essa equação exige cálculo numérico. Resolvendo-se em uma calculadora programável


tem-se: Pk = 374 kN . Em relação à carga de flambagem teríamos então 374/798,35 =
46,8% da carga de flambagem que neste caso de peças esbeltas é a própria carga de
Euler.

Caso a Classe de Umidade ambiente fosse 3 ou 4, o coeficiente de fluência valeria 𝜑 =


2; que substituído na mesma equação acima forneceria Pk = 313, 34 kN que
corresponde a 39 % da Carga de Euler. Esses resultados são muito importantes porque
uma coluna onde não se considerasse imperfeições iniciais a carga limite seria a própria
carga de flambagem.

Na maioria dos casos reais de colunas normalmente arbitramos a coluna segundo nossa
experiência de acordo com a carga de cálculo estimada e então verificamos a Eq.(1),
não precisando com isso termos que resolver a Eq. (1) para a determinação de Pk que
teria o complicador para peças esbeltas, exigindo programação.

Em caso de se ter de calcular Pk proponho, com o objetivo de simplificarmos os


cálculos, que estimemos um valor para ec considerando-se que a carga Pk = kFE , onde
k é um coeficiente arbitrado pelo calculista, e em seguida calculemos Pk pela Eq. 1,
agora resolvendo uma equação de segundo grau, de solução fechada. Então
compararíamos o valor de Pk calculado com o valor previamente estimado. Se a
diferença for menor que 10 % poderíamos considerar um resultado aceitável. A
convergência talvez exigisse apenas mais uma tentativa. É algo parecido com o que
fazemos com altura de viga para podermos entrar com o peso próprio da viga e
simplificarmos os cálculos.

Pelos resultados encontrados, parece-me que k = 0,4 é um bom valor em geral.


Para as Classes de Umidade 1 e 2, encontraríamos da Eq. (4)
0,8×0,4×798.35
𝑒𝑐 = 2 (𝑒 798,35−0,4×798,35 − 1) = 1,4 𝑐𝑚

E a equação a ser verificada passaria a ser, da Eq. (5)

1,4𝑃𝑘 1,4 × 𝑃𝑘 × (0,67 + 2 + 1,4) × 10


+ ≤1
2(20 × 40) 1,4𝑃𝑘
2 × 26667 × 2 (1 − )
798,35

Uma equação do segundo grau que forneceria então Pk = 390 kN sendo que o valor
estimado foi de 0,4FE = 319,34 ( Uma diferença então de 22%). Isso significa que
podemos aumentar o valor de k. Fazendo Pk = 0,45FE = 359 kN, cairemos dentro da
faixa aceitável, pois como vimos Pk = 374 kN ( e estaríamos com um erro favorável,
uma reserva de 4,2%)

Então essa é a ideia. Arbitramos k = 0,4 e a partir do valor encontrado o alteramos para
baixo ou para cima, de 0,05 ou 0,1 e rapidamente encontramos um valor aceitável sem
necessidade de resolver a equação numérica. Isso apenas se necessário, que fique bem
claro!