Você está na página 1de 6

Princípio de Indução Matemática:

Dado um subconjunto P do conjunto dos números naturais , tal


que 1 pertence a P e sempre que um número n pertence a A, o
número n + 1 também pertence a P, então P = . Iremos considerar
={1,2,3,4...}.

Embora esta propriedade seja muito simples, dá origem a uma poderosa técnica
de demonstração em Matemática, a demonstração por indução. Tal demonstração pode
ser descrita da seguinte forma:

Primeiramente tomamos sentenças abertas definidas sobre , isto é, uma sentença


matemática P(n), que dependa de uma variável natural n, sendo n um número natural.
Tal sentença pode ser verdadeira ou falsa, a depender do valor de n.

Podemos também dizer que P(n) forma um subconjunto dos números naturais
com a propriedade P, de modo que se um determinado número natural torna a sentença
P(n) verdadeira, então esse número natural pertence ao subconjunto dos números
naturais com a propriedade P.

Exemplos:

(a) P(n): n é divisível por 3.


Nesse caso P(1) é falsa, uma vez que 1 não é divisível por 3, mas P(6) é
verdadeira pois 6 é divisível por 3.

(b) P(n): n é ímpar.


P(2), P(4) e P(6) são falsos. P(3), P(1) e P(7) são verdadeiros.

(c) P(n): “A soma dos n primeiros números ímpares é igual a n2.”


Tal sentença pode ser reescrita como: 1 2 3 ⋯
P(1), P(2), P(3) são verdadeiras. Após testar muitos números você não
encontrará algum número m tal que P(m) seja falso. É razoável aceitar que
essa parece ser uma sentença verdadeira para todo natural. Mas é
impossível testar para todos os números naturais e quem garante que não
haverá algum natural h tal que P(h) seja falso? O próximo exemplo tratará
disso.

(d) P(n) : n2-n+41 é um número primo, para todo n pertencente a .


Começamos a testar:
n=1, segue que P(1) é 41 que é primo. P(1) é verdadeira.
n=2, segue que P(2) é 43 que é primo. P(2) é verdadeira.
n=3, segue que P(3) é 47 que é primo. P(3) é verdadeira.

n=10, segue que P(10) é 131 que é primo. P(10) é verdadeira.

n=40, segue que P(40) é 1601 que é primo. P(40) é verdadeira.
Após testar para os 40 primeiros, tendemos a achar que de fato encontramos
uma maneira de criar infinitos números primos. Porém se continuássemos
mais um teste: P(41)=41 41 41 41 que não é primo pois é múltiplo
de 41.
O exemplo (d) mostra que testar muitos números não é suficiente para mostrar
que uma propriedade é válida para todos os naturais, ou que uma sentença aberta
definida sobre seja sempre verdade. Também é inviável testar, um por um, todos os
números naturais, já que teríamos que testar infinitos números. Portanto, será preciso
usar algum outro método.
Veja que sendo P(n) uma sentença aberta sobre os naturais e P o conjunto dos
naturais para os quais P(n) é verdade, então:
∈ / é
Se mostrarmos que , estaremos mostrando que P(n) é verdadeira para
todo n natural. Vimos pelo Princípio de Indução Matemática que:
Dado um subconjunto P do conjunto dos números naturais , tal que 1
pertence a P e sempre que um número n pertence a A, o número n + 1
também pertence a P, então P = . Iremos considerar ={1,2,3,4...}.

Teorema (Prova por Indução Matemática).

Seja P(n) uma sentença aberta sobre N. Se


(i) P(1) é verdadeira;
(ii) qualquer que seja n pertencente a , se P(n) é verdadeira, segue que P(n +
1) é verdadeira. (ou seja, P(n)⇒P(n+1))
Então, P(n) é verdadeira para todo n∈ .

A suposição de que P(n) é verdadeira é chamada de hipótese da indução.

Observe que P(1) ser verdadeira significa que 1 pertence a P, o conjunto para o 
qual  P(n)  é  verdadeira.  Observe  ainda  que  dado  um  n  que  pertence  a  P,  se 
verificamos que n+1 pertence a P (esse teste é feito em (ii)), então pelo princípio 
da indução finita P=  e portanto P(n) é verdadeira para todo n∈ . 

Esse método de demonstração constitui-se de basicamente de dois passos: o


"passo base" e o "passo indutivo". Para entender o processo, podemos pensar
no “efeito dominó”, imagine uma longa fila de dominós em pé, se você puder
assegurar que:
1. O primeiro dominó cairá

2. Sempre que um dominó 
cair, seu próximo vizinho 
também cairá. 

então você pode concluir 
que todos os dominós 
cairão.

. Pense em uma engrenagem,

1.  A 
primeira 
roda 
dentada 
funciona.

2. Se uma 
roda 
dentada 
qualquer  ao funcionar, faz 
com que sua 
vizinha funcione.
Então toda toda  
engrenagem 
funcionará.

Vamos aos exemplos:

Exemplo 1: Prove por Indução que: 1 3 4 ⋯ 2 1


“a soma dos primeiros n números ímpares é igual a n ao quadrado”
Observação: Um número ímpar pode ser representado como 2k‐1 

Para k=1 temos 2.1‐1=1 (o primeiro número ímpar) 

Para k=2 temos 2.2‐1=3 (o segundo número ímpar) 
(i) Verificando a primeira propriedade (ou o passo base), temos:
1 1 1 , .
(ii) Suponhamos que P(k) seja verdadeira, Tentaremos provar que a
sequência é verdadeira para P(k + 1), isto é, que 1

1 3 5 ⋯ 2 1
1 1 3 5 ⋯ 2 1 2 1 1
ó çã , é ,
1 1 3 5 ⋯ 2 1 2 1 1 2 1 1

2 2 1 2 1 1
Então 1 3 5 ⋯ 2 1 para todo n natural.
O primeiro registro que se tem dessa demonstração data de 1575 e foi realizada
por Francesco Maurolycos.
Nas ciências naturais as leis gerais que governam o fenômeno em estudo
são enunciadas após um número finito de experimentos e são aceitas como
verdades, até que uma nova lei a substituía ou que se prove o contrário. É
chamada de indução empírica e difere da Indução Matemática que mostra que
determinada sentença aberta sobre os naturais é sempre verdadeira, não
surgirá, feito esta prova, algum número natural para qual essa sentença
matemática não seja verdadeira.
Este fato peculiar levou o matemático, filósofo e grande humanista inglês,
Bertrand Russel (1872-1970), a chamar a indução empírica de indução
galinácea, baseando-se na seguinte história:
“Havia uma galinha nova no quintal de uma velha senhora. Diariamente,
ao entardecer, a boa senhora levava milho às galinhas. No primeiro dia, a
galinha, desconfiada, esperou que a senhora se retirasse para se
alimentar. No segundo dia, a galinha, prudentemente, foi se alimentando
enquanto a senhora se retirava. No nonagésimo dia, a galinha, cheia de
intimidade, já não fazia caso da velha senhora. No centésimo dia, ao se
aproximar a senhora, a galinha, por indução, foi ao encontro dela para
reclamar o seu milho. Qual não foi a sua surpresa quando a senhora
pegou-a pelo pescoço com a intenção de pô-la na panela”.
(Hefez, 2009)
Uma história interessante refere-se ao matemático alemão Carl Friedrich
Gauss (1777-1855), considerado um dos maiores gênios da matemática de
todos os tempos. Conta-se que um professor de matemática mandou que seus
alunos somassem os números naturais de 1 a 100 e, surpreendeu-se com a
rápida resposta dada por Gauss aos 9 anos de idade. Ao questionar Gauss sobre
como fizera o cálculo tão rápido, e isso sem usar calculadora, claro, não existia,
recebeu a seguinte resposta:
Sendo S 1 2 ⋯ 99 100 100 99 ⋯ 2 1 então
1 2 … 99 100
100 99 … 2 1
2 101 101 ⋯ 101 101


Portanto 5050

Exemplo 2: Prove por Indução que: 1 2 3 4 ⋯

(i) Verificando a primeira propriedade, temos:


1 1 1
1 1 é .
2
(ii) Suponhamos que P(k) seja verdadeira, Tentaremos provar que a
sequência é verdadeira para P(k + 1), isto é, que 1

1
1 2 3 4 ⋯
2
1 1 2 3 4 ⋯ 1
1
ó çã , é ,
2
1
1 1 2 3 4 ⋯ 1 1
2

1 2 1 1 2 1
2 2 2
Então 1 2 3 4 ⋯ para todo n natural.
1 1 1 1 1
Exemplo 3: Prove por Indução que: P(n)  1     ...  n  2  n
2 4 8 2 2
(i) Verificando a primeira propriedade, temos:
1 1 1 1
1 1 1 1 1 1 1 1 2 , .
2 2 2 2
(ii) Suponhamos que P(k) seja verdadeira, Tentaremos provar que a
sequência é verdadeira para P(k + 1), isto é, que 1
1 1 1 1 1
1 ⋯ 2
2 4 8 2 2
1 1 1 1 1
1 1 ⋯
2 4 8 2 2
1
ó çã , é , 2
2
1 1 1 1 1 1 1
1 1 ⋯ 2
2 4 8 2 2 2 2

1 1 2 1 2 1
2 2 2
2 2 2∙2 2 2 2
1 1 1 1 1
Então P(n)  1     ...  n  2  n para todo n natural.
2 4 8 2 2
Exercícios:
Prove por indução:

1) 1 2 ⋯

2) 2 4 ⋯ 2 1

3) 2 1 é í 3, 1

4) 1 2 ⋯

5) ⋯ , 1
∙ ∙ ∙ ∙

6) 1 2 2 ⋯ 2 2 1, 1

7) 1∙2 2∙3 3∙4 ⋯ ∙ 1 , 1

Referências:

HEFEZ, A. Apostila de Indução Matemática. Disponível em:


http://www.obmep.org.br/docs/apostila4.pdf. Acesso em 30/05/2018.