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PODER, INTERESSES E DECISÃO

NOS PROGRAMAS DE
DESPOLUIÇÃO DA BAÍA DE
GUANABARA
COLETA E TRATAMENTO E ESGOTO
Municípios População Coleta de esgoto Esgotos tratados
(x1000) (%) (%)
Belford Roxo 469 39 34
Cachoeira de
Metade dos Macacu 54 43 0
municipios
Duque de Caxias 855 36 5
não tem
Guapimirim 51 0 0
tratamento Itaboraí 218 38 2
Magé 227 40 0
Mesquita 168 32 7
Nilópólis 157 76 0
Niterói 420 95 95
Nova Iguaçu 608 36 0
Rio Bonito 43 0 0
Rio de Janeiro 4005 66 47 Somente
São Gonçalo 1000 59 10 1/3 dos
esgotos são
São João de Meriti 459 42 0
tratados
Tanguá 31 34 0
TOTAL 8765 59 35
Fonte: INEA sobre SNIS 2014
• Há diversas razões:
• Incapacidade estrutural de execução do estado e
prefeituras;
• Descontinuidade e fragmentação dos governos devido
ao longo tempo de execução
• Difícil coordenação 15 municípios da Bacia Hidrográfica
• Fragilidade da sociedade organizada

• O que será enfatizado:


• A apropriação pelo poder regional do impulso e
recursos para financiar sua lógica de poder clientelista,
• utilizando-se de modelos de decisão que acomodam
disputas internas e contornam os demais interesses
90,00%

80,00% Agua Esgoto

70,00%

60,00%

50,00%

40,00%

30,00%

20,00%

10,00%

0,00%
1938 a 1974 1975 a 1990 1990 a 2001 2002 a 2015
120,00%
Área Nobre - água

Área Nobre - esgoto


100,00%
Baixa renda - água

Baixa Renda - esgoto


80,00%

60,00%

40,00%

20,00%

0,00%
1938 a 1974 1975 a 1990 1990 a 2001 2002 a 2015
HISTÓRIA DOS INVESTIMENTOS

Reconstrução PDBG Nova Baixada


Projeto PSAM
Rio Iguaçu
• 1988 • 1994 • 1999 • 2007 • 2011
• U$ 300 • U$ 800 • U$ 300 • R$ 500 • U$ 694
milhões milhões milhões milhões milhões
• Banco • JICA e BID • BID e ERJ • PAC OGU e • BID e
Mundial e e ERJ FECAM FECAM
CAIXA
REGIÃO METROPOLITANA
BACIA DE CONTRIBUIÇÃO
PRINCIPAIS RIOS
RECONSTRUÇÃO RIO
NOVA BAIXADA
PROJETO IGUAÇU
PDBG - ANTES
PDBG CONSTRUÍDO
OPERAÇÃO EFETIVA

Q nominal Q operac.
ETE m3/s m3/s
Alegria 5 2,5
Icaraí 1 0,925
Ilha do Governador 0,7 0,585
Pavuna 1,5 0,05
Sarapuí 1,5 0,05
São Gonçalo 1 0,018
Fonte: PSAM Perfil de Projeto (2011)
PSAM
TODAS AS INTERVENÇÕES
OPERAÇÃO EFETIVA APÓS OLIMPÍADA
Q nominal Q operac.
ETE
m3/s m3/s
Alegria 5 2,5
Icaraí 1 0,925
Ilha do Governador 0,7 0,585
Pavuna 1,5 0,22
Sarapuí 1,5 0,45
São Gonçalo 1 0
Penha 1,6 1,2
Constatntino 1 0,5
Alcantara 1,2 0
Joinville e Orquidea 0,56 0
Lagoa Jardim Gramacho 0,2 0,08
Toque toque 0,525 0,28
Barreto, Jurujuba e Mocanguê 0,145 0,145
Jd. Catarina, Apolo, Pinhão e outros 0,4 0,16
Marina da Gloria (cintura) 0,45 0,45
TOTAL 16,78 7,495

Fonte: PSAM (Diagnóstico Baía de Guanabara 2016) FA5E e CAN


EVOLUÇÃO DA OFERTA E DEMANDA DE
TRATAMENTO (BAÍA DE GUANABARA)
25
m3/s

20

Vazão de esgotos
15
tratados

10 Vazão de esgotos
brutos
5

0
1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010

Fonte: INEA
PROCESSOS DE DECISÃO: TENTANDO ENTENDER O
QUE ACONTECE

• PODER REGIONAL
• Sistema de poder instalado no estado do Rio de Janeiro a partir
da nomeação do governador Chagas Freitas para o antigo
estado da Guanabara
• Característica: clientelismo, acesso a serviços em troca de votos
• Ramifica-se em outras esferas públicas: TCE, TJ e MPE
• Difícil ser prefeito de oposição: não tem acesso a recursos e
pode ser perseguido pelo TCE, MPE e TJ
• Programa é oportunidade de financiamento do sistema. Modelos
de decisão resolvem tensões internas e garantem controle
• Disputa se dá na definição: força vencedora controla a
execução.
FASES E MODELOS DE DECISÃO DOS PROGRAMAS
• DEFINIÇÃO Ou escolha do programa, momento os agentes se
coordenam e apontam a intervenção como prioritária, mobilizando
forças para a superação de entraves; MODELO: DECISÃO
ANÁRQUICA
• CONTRATAÇÃO Dos contratos do governo do estado com os
agentes financeiros e construtoras. Definição das metas e resultados
, escolhidos os bairros e a população; MODELO: RACIONALIDADE
LIMITADA – DIVISÃO E SIMPLIFICAÇÃO
• IMPLANTAÇÃO , Construtoras vão a campo, instalados os canteiros,
formados comitês de acompanhamento e realizadas as obras.
MODELO: POLÍTICO
EVENTOS CHAVE NA DEFINIÇÃO
• Reconstrução Rio : Enchente 88 mata 277 e desabriga 22 mil
• PDBG: Eco92, “simbolismo agregador”
• Nova Baixada: Agenda Bid.
• Projeto Iguaçu: Programa de movimentação econômica da
União PAC
• PSAM: Olimpíadas.
NEGOCIAÇÃO NA IMPLANTAÇÃO
• RR: muito poder das construtoras, mudanças de escopo, Prefeituras não
assumiram obrigações
• PDBG: Projetos prévios e Fracionamento - CEDAE água e esgoto SERLA
macrodrenagem, Sec obras lixo e FEEMA educ ambiental, conflito sem
solução: reservatórios sem água ETEs sem esgoto
• Nova Baixada: Projetos, centralização e participação social, Estado colocou
contrapartida, reservatórios novos sem água e 2 ETEs sem esgoto
• Projeto Iguaçu: Projetos, centralização, participação social; SEA arbitrava
tensões, rerrás em 89,4% acréscimos e 64,44% supressões
• PSAM: SEA e BID têm controle e projetos mais definidos, menor poder
construtoras, risco de descontinuidade
REFLEXÕES ADICIONAIS

1. Interdição do debate – tecnocracia formaliza ritos, pune gestores e


não coíbe desvios.
1. Ideal racional na administração pública não existe
2. Presunção de superioridade à política. Técnica que só elite alcança
3. Inflexível e com poder coerção (TCE, TCU, MP etc)
4. Até aqui o Poder Regional conseguiu operacionalizar em seu favor os
órgãos estaduais pelo poder de nomeação e de recursos

2. Financiadores e suas agendas


1. Bancos têm postura superior, mas estão atravessados por preferências.
2. Técnicos do estado tem postura subordinada aos portadores de
experiência qualificada e donos do dinheiro que lhes falta.
3. Poder Regional contorna através dos modelos de decisão, mas o caminho
está se estreitando
REFLEXÕES ADICIONAIS

3. Cedae é parte do problema (como são os outros agentes...)


1. Equipe reproduz modelo excludente de implantação. Preferem
água sobre esgoto; áreas que pagam sobre pobres;
2. Água faz parte do cardápio de benefícios clientelistas
3. Última empresa geradora de caixa para clientelismo;
4. Vender não é solução: regulação fraca, contratos precários e
prioridades pelo viés econômico somente acelera exclusão

4. TEMPO: clientelismo (não só..) luta por aquilo que entrega em seu turno.
Não sacrifica interesse imediato por interesses futuros. Dividir compromisso
de longo prazo com sociedade é perda de poder.
CONSOLIDANDO

1. Investimento no entorno da Baía foi recente e atrasado em relação às áreas


nobres do Rio.
2. Prevalência da água sobre esgoto, indústria sobre residência na periferia
3. Recursos empregados não seriam suficientes mas teriam avançado bastante.
4. Não avançou porque o desejo coletivo foi apropriado pelo clientelismo
1. Não foi por incapacidade do estado:. Falta de equipe não é aleatória:
é obra de décadas sem concurso
2. Descoordenação deriva do aparelhamento de nacos de poder pelos
sócios com lógica própria de (des) coordenação
3. Poder Regional desestimula e sepulta tentativas de se criar coordenação
metropolitana. Se criada, processos de decisão poderão ser também
apropriados pelo Poder Regional
CONSOLIDANDO

5. Adicionalmente, órgãos de controle mais restringem ação que


coíbem corrupção.
6. Cedae é parte do problema mas não só
7. Falta ao estado, municípios e sociedade um projeto próprio:
a. Que tenha processos de decisão pactuados e de longo prazo e
que acomode a renovação de atores
b. que busque financiamento a partir de sua agenda e não da dos
financiadores, e
c. que fortaleça a voz da sociedade e supere a coordenação pelo
poder regional