Você está na página 1de 12

Metodologia qualitativa de pesquisa

Heloisa Helena T. de Souza Martins


Universidade de São Paulo

Resumo

Este artigo apresenta reflexões sobre o que significa fazer ciência


no âmbito dos métodos e técnicas qualitativos da sociologia.
Tem como pressupostos uma compreensão de metodologia
como o conhecimento crítico dos caminhos do processo cientí-
fico, que indaga e questiona acerca de seus limites e possibilida-
des; e o reconhecimento de que todo conhecimento sociológico
tem, como fundamento, um compromisso com valores. A pesqui-
sa qualitativa é definida como aquela que privilegia a análise de
microprocessos, através do estudo das ações sociais individuais
e grupais, realizando um exame intensivo dos dados, e caracte-
rizada pela heterodoxia no momento da análise. Enfatiza-se a
necessidade do exercício da intuição e da imaginação pelo so-
ciólogo, num tipo de trabalho artesanal, visto não só como con-
dição para o aprofundamento da análise, mas também — o que é
muito importante — para a liberdade do intelectual. Discutem-se
as principais críticas feitas à pesquisa qualitativa, em especial as
acusações de falta de representatividade e de possibilidades de
generalização; de subjetividade, decorrente da proximidade entre
pesquisador e pesquisados; e o caráter descritivo e narrativo de
seus resultados. Neste contexto, reflete-se sobre os problemas
éticos envolvidos nesse tipo de pesquisa, e retoma-se brevemente
a história que culminou com o predomínio do enfoque quantita-
tivo, especialmente na sociologia norte-americana do pós-guer-
ra. Em conclusão, o texto propõe que hoje o mais importante é
produzir um conhecimento que, além de útil, seja explicitamente
orientado por um projeto ético visando a solidariedade, a harmo-
nia e a criatividade.

Palavras-chave

Sociologia — Metodologia qualitativa — Pesquisa sociológica.

Correspondência:
Heloisa Helena T. de Souza Martins
FFLCH / USP
Depto de Sociologia
e-mail: heloisah@usp.br.

Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.2, p. 289-300, maio/ago. 2004 289
Qualitative research methodology

Heloisa Helena T. de Souza Martins


Universidade de São Paulo

Abstract

This article presents considerations about what it means to do


science within the context of qualitative methods and techniques
in sociology. It is founded on the conception of methodology as
the critical knowledge of the ways of the scientific process, a
knowledge that questions and investigates its own limits and
possibilities, and also on the recognition that all sociological
knowledge has at its basis a commitment to values. Qualitative
research is defined by its stress on the analysis of micro-proces-
ses through the study of individual and group social actions,
carrying out an intensive assessment of data, and characterized
by heterodoxy in the analysis. It emphasizes the need for the
exercise of intuition and imagination by the sociologist, in a kind
of handmade work, seen not only as a condition for an in-depth
analysis, but also – and that is very important – for the freedom
of the intellectual. The main criticisms made against qualitative
research are discussed, especially the allegations of lack of
representativeness and possibilities for generalization; of
subjectivity due to the closeness between researcher and
researched, and the descriptive and narrative character of its
results. Within this context, considerations are made on the
ethical problems involved in this kind of research, and a brief
review is made of the history that culminated in the dominance
of the quantitative approach, particularly in the postwar North
American sociology. The text concludes by proposing that it is
most important today to produce knowledge that, besides being
useful, is also explicitly oriented by an ethical project aiming at
solidarity, harmony and creativity.

Keywords

Sociology – Qualitative methodology – Sociological research.

Contact:
Heloisa Helena T. de Souza Martins
FFLCH / USP
Depto de Sociologia
e-mail: heloisah@usp.br.

290 Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.2, p. 287-298, maio/ago. 2004
As considerações aqui apresentadas par- “determinados procedimentos de obtenção,
tem, em larga medida, de meu lugar de soció- verificação e sistematização do conhecimento e
loga e de minha experiência na docência de uma concepção do mundo e da posição do
Métodos e Técnicas de Pesquisa, disciplina homem dentro dele” (Fernandes, 1977, p. 50).
obrigatória do curso de Ciências Sociais, volta- Tratava-se, fundamentalmente, da ne-
da, sobretudo, à metodologia qualitativa de cessidade de “fazer ciência”, segundo procedi-
pesquisa. Inicio, portanto, tratando de alguns mentos do método científico. Reconhecendo
conceitos que estarão presentes na minha argu- que o “método é o mesmo em todos os ramos
mentação. do saber” (Fernandes, 1959, p. 54-55), os so-
Antes de mais nada é preciso esclarecer ciólogos tinham como tarefa realizar a transfe-
que metodologia é entendida aqui como o co- rência desse método para a investigação dos
nhecimento crítico dos caminhos do processo fenômenos sociais. O objetivo era o de definir
científico, indagando e questionando acerca de um método essencialmente sociológico que pu-
seus limites e possibilidades (Demo, 1989). Não desse dar conta do seu objeto. Isto porque a so-
se trata, portanto, de uma discussão sobre téc- ciologia foi sempre apresentada como tendo
nicas qualitativas de pesquisa, mas sobre ma- uma base científica frágil, em decorrência das di-
neiras de se fazer ciência. A metodologia é, pois, ficuldades de tratamento de um objeto como o
uma disciplina instrumental a serviço da pes- ser humano, tão sujeito a modificações, comple-
quisa; nela, toda questão técnica implica uma xo e que, principalmente, reage a qualquer ten-
discussão teórica. tativa de caracterização e previsão. Além do que,
Outra distinção importante, extraída do a análise do comportamento humano é feita por
estudo Fundamentos empíricos da explicação um observador humano falível e tendendo a
sociológica, de Florestan Fernandes (1959), é a distorcer os fatos.
que se deve estabelecer entre, de um lado, Roberto Da Matta apresenta uma análi-
métodos técnicos ou métodos de investigação — se, na perspectiva da hermenêutica, da relação
ou seja, processos pelos quais a realidade é sujeito/objeto que considero interessante apre-
investigada, ou ainda, “as manipulações analíti- sentar aqui. Segundo esse antropólogo, temos
cas através das quais o investigador procura que considerar a “interação complexa entre o
assegurar para si condições vantajosas de obser- investigador e o sujeito investigado” que com-
vação dos fenômenos” (Fernandes, 1959, p. 13) partilham, mesmo que muitas vezes não se co-
— e, de outro, métodos lógicos, isto é, os pro- muniquem, “de um mesmo universo de expe-
cessos de formação das inferências e de expli- riências humanas” (1991, p. 23). O que permi-
cação da realidade, que Florestan chama de te superar nossos preconceitos em relação ao
métodos de interpretação. “outro”, ao diferente, é a possibilidade de dia-
Um rápido olhar pela história da socio- logar com o nativo. É nessa possibilidade de
logia permite perceber que essa área do conhe- diálogo que reside a principal diferença com as
cimento foi sempre marcada pela necessidade ciências naturais e o seu objeto: o objeto das
de definir seu objeto com clareza e precisão, ciências sociais “é transparente e opaco” (p. 27),
bem como de compreender como se aplicam os tem o seu ponto de vista, as suas interpretações,
fundamentos da ciência e os princípios do que muitas vezes colocam as nossas em xeque.
método científico no campo sociológico. O Assim, na sociologia, como nas ciências
objetivo dessa busca foi a superação das aná- sociais em geral, diferentemente das ciências
lises impressionistas e extracientíficas acerca naturais, os fenômenos são complexos, não
das sociedades e a valorização da ciência en- sendo fácil separar causas e motivações isola-
quanto forma de saber positivo, um discurso das e exclusivas. Não podem ser reproduzidos
intelectual diante da realidade, que pressupõe em laboratório e submetidos a controle. As re-

Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.2, p. 289-300, maio/ago. 2004 291
construções são “sempre parciais, dependendo dos métodos qualitativos ela é a flexibilidade,
de documentos, observações, sensibilidades e principalmente quanto às técnicas de coleta de
perspectivas” (Da Matta, 1991, p. 21). Mas, se dados, incorporando aquelas mais adequadas à
por um lado, isso tudo não inviabiliza a obser- observação que está sendo feita.
vação, por outro, é preciso reconhecer que na No final de Brancos e negros em São
pesquisa sociológica não é possível ignorar a Paulo, de Florestan Fernandes e Roger Bastide
influência da posição, da história biográfica, da (1959), há um plano de pesquisa no qual se
educação, interesses e preconceitos do pesqui- registra uma farta quantidade de métodos e téc-
sador (p. 22). Com isso quero deixar claro que nicas utilizadas pelos autores (observação direta,
para mim, como para autores como Thiollent observação participante, entrevistas, biografias,
(1980) e Becker (1977), no trabalho de pesqui- documentação de arquivo, etc.). Foi durante a
sa sociológica, a neutralidade não existe e a ob- realização daquela pesquisa que, pela primeira
jetividade é relativa, diferentemente do que vez, na Universidade de São Paulo, um pesqui-
ocorre no positivismo — do qual, aliás, partem sador trouxe os pesquisados para o interior da
muitas das críticas feitas à metodologia qualita- instituição e criou um grupo de discussão so-
tiva. Tem-se aqui, portanto, uma posição mais bre o tema da pesquisa — iniciativa que fazia
próxima à de Max Weber (1864-1920) do que parte do processo de levantamento de dados.
à de Émile Durkheim (1958-1917). A sociologia Assim, dependendo do problema sociológico
weberiana parte do reconhecimento de que formulado, abria-se um campo extremamente
todo conhecimento sociológico tem, como fun- rico de possibilidades de investigação — obvi-
damento, um compromisso com valores. A amente não isento de problemas, como se verá
objetividade, portanto, provém de critérios que a seguir.
serão definidos pelo pesquisador em relação Outra característica importante da meto-
aos problemas que ele está investigando. dologia qualitativa consiste na heterodoxia no
Assim, diante da diversidade de perspec- momento da análise dos dados. A variedade de
tivas, o “fazer ciência” não segue um único material obtido qualitativamente exige do pes-
modelo ou padrão de trabalho científico. Ao quisador uma capacidade integrativa e analítica
contrário, a sociologia foi sempre marcada pela que, por sua vez, depende do desenvolvimento
diversidade de métodos (e de técnicas) de in- de uma capacidade criadora e intuitiva. A maior
vestigação e de métodos de explicação. Veja- dificuldade da disciplina de métodos e técnicas de
mos de forma bastante simplificada, no nível pesquisa está na dificuldade de ensinar como se
dos métodos e técnicas qualitativos o que sig- analisa os dados — isto é, como se atribui a eles
nifica “fazer ciência”. É preciso esclarecer, antes significados — sendo mais fácil ensinar a coletá-
de mais nada, que as chamadas metodologias los ou a realizar trabalho de campo. A intuição
qualitativas privilegiam, de modo geral, da aná- aqui mencionada não é um dom, mas uma resul-
lise de microprocessos, através do estudo das tante da formação teórica e dos exercícios prá-
ações sociais individuais e grupais. Realizando ticos do pesquisador. Já no desenvolvimento do
um exame intensivo dos dados, tanto em amplitude emprego de metodologias quantitativas, o que se
quanto em profundidade, os métodos qualitativos procura é justamente o contrário, isto é, contro-
tratam as unidades sociais investigadas como to- lar o exercício da intuição e da imaginação,
talidades que desafiam o pesquisador. Neste caso, mediante a adoção de procedimentos bem de-
a preocupação básica do cientista social é a estreita limitados que permitam restringir a ingerência e
aproximação dos dados, de fazê-lo falar da forma a expressão da subjetividade do pesquisador.
mais completa possível, abrindo-se à realidade Obviamente, não se pretende aqui afir-
social para melhor apreendê-la e compreendê-la. mar que uma metodologia é superior à outra.
Se há uma característica que constitui a marca Um cientista social não se forma enquanto tal

292 Heloisa H. T. de S. MARTINS. Metodologia qualitativa de pesquisa.


se não souber lidar tanto com o instrumental ram críticas e restrições. A proximidade (ainda que
qualitativo quanto com o quantitativo. O uso de muitas vezes meramente física) entre o sujeito e
uma metodologia ou de outra dependerá mui- objeto do conhecimento, requisito metodológico
to do tipo de problema colocado e dos objeti- central da metodologia qualitativa, favoreceria o
vos da pesquisa. Em certos momentos da his- comprometimento subjetivo do pesquisador e
tória de afirmação da sociologia como ciência, conduziria a trabalhos de caráter especulativo e
uma das metodologias teve predominância so- pouco rigorosos, arriscando, assim, a neutralidade
bre a outra, e é preciso entender o porquê e a objetividade do conhecimento científico. Eram,
dessas escolhas. O ponto principal que quero por isso, considerados estudos descritivos e
enfatizar, no que se refere especificamente à exploratórios, devido às dificuldades de se che-
metodologia qualitativa, é que com ela, a pes- gar a uma explicação resultante da comparação
quisa depende, fundamentalmente, da compe- e da generalização. Para muitos, tratava-se de
tência teórica e metodológica do cientista so- estudos pré-científicos.
cial. Trata-se de um trabalho que só pode ser Um primeiro aspecto abordado pela crí-
realizado com o uso da intuição, da imagina- tica à metodologia qualitativa diz respeito à
ção e da experiência do sociólogo (o que não questão da representatividade . Como essa
significa que no caso da metodologia quanti- metodologia trabalha sempre com unidades
tativa também não seja requerida a competên- sociais, ela privilegia os estudos de caso —
cia: é que, neste caso, a formalização técnica entendendo-se como caso, o indivíduo, a co-
acaba dominando o pesquisador). munidade, o grupo, a instituição. O maior pro-
Em Sociologia como uma forma de arte, blema, neste sentido, segundo os críticos, se
Robert Nisbet (2000) afirma a importância da encontraria na escolha do caso: até que pon-
imaginação e da intuição no trabalho sociológi- to ele seria representativo do conjunto de ca-
co. Para ele, muito do que se fez na sociologia sos componentes de uma sociedade?
clássica teria a ver com procedimentos intelec- A indagação acerca da representatividade
tuais que aproximam o sociólogo muito mais de está relacionada às possibilidades de generali-
um artista do que de um cientista social preso zação e se baseia na noção estatística de amos-
a regras metódicas. Certamente, Nisbet preserva tra. Pensar em amostra é reportar-se a um con-
as diferenças que há entre o conhecimento so- junto selecionado em determinada população,
ciológico e o artístico. Para ele, porém, é impor- da qual seria representativo. A constituição da
tante resgatar momentos em que foi grande a amostra deve ser casual, aleatória. É possível,
aproximação entre esses domínios e nos quais a por esse ponto de vista, medir o desvio da
intuição e a imaginação possibilitaram o desen- amostra em relação a determinada população e
volvimento tanto de um quanto de outro. Um empregar coeficientes que indicam com preci-
trabalho assim entendido exige que o sociólogo são a existência de distorções ou erros, bem
afirme a sua responsabilidade intelectual através como as possibilidades de efetuar uma genera-
de um tipo de trabalho artesanal, visto não só lização em direção à população. Entretanto, ao
como condição para o aprofundamento da aná- se trabalhar com o caso, como garantir que o
lise, mas também — o que é muito importante — indivíduo escolhido ou a comunidade selecio-
para a liberdade do intelectual. nada, por exemplo, são representativos do con-
junto do qual fazem parte? Seja como for, do
Principais críticas ponto de vista estatístico, restarão sempre dú-
vidas acerca da representatividade.
Apesar da importância que essa concep- Um segundo problema comumente apon-
ção de sociologia e seus representantes alcança- tado diz respeito à subjetividade, que resulta da
ram na sociedade e na universidade, não falta- aproximação entre sujeito e objeto (empírico) do

Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.2, p. 289-300, maio/ago. 2004 293
conhecimento, pesquisador e pesquisado. Há um daquele nativo.1 Como era de se esperar, alguns
método, principalmente usado pela antropologia, críticos fizeram sérias objeções ao trabalho,
mas também pela sociologia, denominado obser- uma das quais, justamente, por se tratar de um
vação participante, que dentre todos é o que relato mediado pela amizade. Supunha-se que,
mais levanta questões sobre aquela aproxima- ao fazer um relato da própria vida a Mintz,
ção. Em qualquer tipo de pesquisa, seja em que aquele nativo teria exposto ao amigo norte-
modalidade ocorrer, é sempre necessário que o americano apenas informações que preservassem
pesquisador seja aceito pelo outro, por um gru- junto a ele uma imagem positiva acerca de si
po, pela comunidade, para que se coloque na mesmo, e teria omitido aquelas que, de alguma
condição ora de partícipe, ora de observador. E forma, pudessem abalar a amizade. Mintz publi-
é preciso que esse outro se disponha a falar da cou então um artigo para refutar essas objeções,
sua vida. Trata-se do que Bronislaw Malinowski afirmando que foi justamente por serem amigos
(1978) chamava de “a necessidade de mergulhar que foi possível realizar a história de vida: “Foi
na vida do outro”, para que essa vida possa, em por causa de sua inteligência, sua amabilidade e
alguma medida, ser reconstituída. seu desejo de ajudar que ele me tornou seu
Esse mergulho na vida do grupo e em amigo. Foi porque éramos amigos que me atrevi
culturas às quais o pesquisador não pertence a propor que, uma vez mais, trabalhasse comi-
depende de que ele convença o outro da ne- go. Porque éramos amigos, acredito, ele concor-
cessidade de sua presença e da importância de dou” (Mintz, 1984, p. 52).
sua pesquisa. Para que a pesquisa se realize é Abro aqui um parêntese nessas conside-
necessário que o pesquisado aceite o pesquisa- rações sobre o método da história de vida para
dor, disponha-se a falar sobre a sua vida, intro- chamar a atenção para o fato de que em nos-
duza o pesquisador no seu grupo e dê-lhe li- sos dias ganhou grande expressão o movimento
berdade de observação. Esse mergulho na vida da história oral, por meio de associações, con-
de grupos e culturas aos quais o pesquisador gressos e publicações relacionados a ela, com
não pertence, exige uma aproximação baseada a participação de sociólogos, antropólogos e
na simpatia, confiança, afeto, amizade, empatia, historiadores. Há uma voga recente na qual
etc. Para os positivistas, essa referência a sen- inúmeros cientistas sociais se vêem como rea-
timentos é motivo para dúvidas a respeito do lizadores de história oral. Deve-se, porém, fri-
caráter científico do conhecimento produzido. sar que quem faz história oral são os historia-
Como é possível — dizem eles — fazer uma dores. Cabe aos cientistas sociais obter os re-
pesquisa, garantir a objetividade e a neutralida- latos orais por meio de entrevistas, construir
de, partindo-se de um relacionamento marca- histórias de vida, como sempre o fizeram. His-
do, por exemplo, pela amizade? Esse mal-estar tória oral é um movimento voltado não à co-
positivista gera uma constante acusação de leta de documentos já produzidos, mas à ela-
falta de confiabilidade em relação a dados boração de novos documentos a partir de re-
obtidos a partir da relação entre pesquisador e latos e entrevistas de informantes que não ne-
pesquisado marcada por sentimentos. cessariamente têm uma projeção na vida públi-
O antropólogo Sidney Mintz realizou ca ou alguma notoriedade, mas que se encon-
uma pesquisa em Porto Rico com o objetivo de tram em condições de relatar algo sobre sua
estudar as relações de trabalho na agroindústria participação na história. O recurso ao depoi-
do açúcar. Durante a pesquisa, Mintz manteve mento oral, como forma de construção do
intenso relacionamento de amizade com um documento, tem levantado várias questões (e
nativo, Taso, que se tornou seu principal infor-
mante. Posteriormente, o antropólogo decidiu 1. Publicada com o título Worker in the cane. New Haven: Yale University
voltar àquele país e fazer uma história de vida Press, 1960.

294 Heloisa H. T. de S. MARTINS. Metodologia qualitativa de pesquisa.


objeções) que dizem respeito à memória. A quisador e da definição de caminhos para o
referência “às peças que a memória prega” melhor aproveitamento do material coletado. De
baseia-se na compreensão de que entre o tem- uma maneira geral, as críticas acentuam o caráter
po do acontecimento e o tempo presente do descritivo e narrativo, além de ilustrativo que a
relato o informante, a cuja memória se apela, maioria dos trabalhos apresenta, especialmente
viveu um conjunto de experiências que, de quando utilizam o método da história de vida.
certa forma, orientam a visão que ele tem do Um quarto ponto importante das críticas
passado. Seu olhar presente para o já vivido sofre diz respeito à suposta impossibilidade de os re-
a interferência daquelas experiências; muitas sultados de uma pesquisa com base na meto-
vezes ele não espelha a “verdade” sobre a vida dologia qualitativa, especialmente os estudos de
passada, mas se limita a lembrar aquilo que ele caso, servirem de base para generalizações. A
quer ou pode recordar, à luz das vivências mais essa objeção se devem contrapor também os
recentes. Nesse sentido, o informante estaria argumentos que expus anteriormente sobre o
fazendo interpretações, e não expondo a ver- problema da representatividade e do critério
dade. Essa é uma questão que freqüentemente estatístico. Não cabe, a meu ver, no uso da
preocupa os historiadores, que sempre reco- metodologia qualitativa, a preocupação com a
mendaram que se fizesse a crítica do dado, da generalização, pois o que a caracteriza é o
fonte, do documento, para averiguar sua vera- estudo em amplitude e em profundidade, visan-
cidade. Daí a constante desconfiança acerca da do a elaboração de uma explicação válida para
confiabi-lidade de certos relatos. o caso (ou casos) em estudo, reconhecendo
É, portanto, sempre problemática essa que o resultado das observações são sempre
busca de apreensão da verdade dos aconteci- parciais. O que sustenta e garante a validade
mentos narrados por um informante. Como uma desses estudos é que “o rigor vem, então, da
possibilidade de resposta a esse tipo de preocu- solidez dos laços estabelecidos entre nossas
pação lembro a perspectiva teórica de Clifford interpretações teóricas e nossos dados empíricos”
Geertz (1978), segundo a qual os cientistas (Laperrière, 1997, p. 375).
sociais lidam sempre com interpretações, sendo
que a por eles construída é a interpretação da Questões éticas
interpretação fornecida pela pesquisado: “por de-
finição, somente um ‘nativo’ faz a interpretação A metodologia qualitativa, mais do que
em primeira mão: é a sua cultura” (p. 25). qualquer outra, levanta questões éticas, princi-
Outra crítica refere-se aos problemas téc- palmente, devido à proximidade entre pesqui-
nicos relacionados à coleta, ao processamento e sador e pesquisados. Ainda que a maioria dos
à análise dos dados no âmbito da metodologia pesquisadores (especialmente os sociólogos) de-
qualitativa. Também aqui os críticos apontam dique pouca atenção a essa questão, existe
para dificuldades na coleta de informações, na uma elaborada discussão — principalmente entre
medida em que ela depende da confiança esta- os antropólogos — que procura dar conta dos
belecida entre pesquisador e pesquisado. Além problemas decorrentes da relação de alteridade
disso, os métodos qualitativos exigem um gran- entre os dois pólos na situação de pesquisa.
de investimento de tempo e pessoal bastante Refiro-me, particularmente, às possíveis conse-
qualificado sociologicamente para essa tarefa, qüências para a vida de pessoas, grupos e
sobretudo considerando a ampla variedade de culturas da presença (e da intromissão) de in-
material a que se pode ter acesso. A imensa divíduos portadores de saber, estilo de vida e
massa de dados obtida dificulta a organização cultura diferentes. A presença de pesquisadores,
e análise, fazendo com que a eficácia do estu- muitas vezes disfarçada, pode envolver os ob-
do dependa, sobretudo, da capacidade do pes- servados, pode manipulá-los de acordo com

Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.2, p. 289-300, maio/ago. 2004 295
seus interesses e objetivos, introduzindo ten- ses sujeitos a se fortalecerem enquanto sujeitos
sões, provocando rupturas. Segundo Zaluar autônomos, capazes de elaborar o seu projeto
(1986), o cientista social não deve esquecer de classe. Autonomia dos sujeitos pressupõe a
que a relação que se estabelece entre o obser- liberdade no uso da razão. O papel dos cientis-
vador e o observado é uma relação social e tas deve ser, portanto, o de fornecer um conhe-
política. cimento que ajude o outro a se fortalecer
Para o pesquisador, com muita freqüên- como sujeito autônomo capaz de elaborar seu
cia, o mais importante é a pesquisa a ser feita, próprio projeto político. A autonomia dos su-
e os outros são vistos como informantes, ou jeitos pressupõe precisamente a liberdade no
seja, devem estar a serviço dele para lhe forne- uso da razão. Não cabe ao cientista reforçar
cerem os dados que lhe são fundamentais — ideologias existentes, mas fornecer instrumen-
“fundamentais”, na verdade, para a sua carrei- tos para desvendá-las e superá-las.
ra e não para a vida daquele grupo ou para os
indivíduos que dele fazem parte. Ele se coloca Um pouco de história
acima dos outros, da mesma maneira, aliás,
como a própria ciência, enquanto discurso ide- Gostaria de explicitar o ponto de vista
ológico, freqüentemente se coloca em relação com o qual dialogo o tempo todo, isto é, o
a tudo o mais: o saber científico é “o” conhe- lugar de onde partem essas críticas feitas à
cimento a partir do qual todos os outros são metodologia qualitativa. Refiro-me aos cientis-
articulados, entendidos e explicados. Essa prer- tas sociais que, por influência da sociologia
rogativa dá ao pesquisador e a seu trabalho norte-americana, têm uma outra concepção da
uma força que ele nem sempre busca analisar sociologia como ciência e das suas possibilida-
ou controlar. des de compreensão da realidade social. En-
Outro aspecto importante dessa discus- quanto a metodologia qualitativa está muito
são reside no fato de que os cientistas sociais mais voltada a aspectos micro-sociológicos, a
tendem freqüentemente a tomar como objeto orientação norte-americana que tem prevaleci-
de investigação grupos sociais com os quais do volta-se para aspectos macro-estruturais e
têm alguma identificação política. Neste caso, busca um desenho de pesquisa que trabalhe
temos que estar constantemente alertas, espe- com uma multiplicidade de casos. Defendem,
cialmente quando usamos metodologia qualita- assim, um padrão de investigação que recebeu
tiva, para que, em vez de cientistas, não nos o nome de Survey Research .
transformemos em militantes de uma causa ou Esse movimento acentuou-se no perío-
de um movimento, que olham e procuram en- do posterior à Segunda Guerra Mundial e esti-
tender a realidade não como ela é, mas como mulou o predomínio dos métodos quantitativos
gostaríamos que ela fosse. Esse tipo de conhe- de investigação. Duas grandes pesquisas, rea-
cimento é expressão da ideologia e não da lizadas nos Estados Unidos durante aquela
ciência. Seja como cientistas (ou mesmo como deflagração, serviram como matriz desse padrão
assessores), a nossa relação com o outro, que de trabalho: uma, dirigida por Theodor Adorno
também é sujeito portador de um conhecimen- (1903-1969), foi chamada de The Authoritarian
to, não deve ser marcada pela intenção de Personality; outra, dirigida por Samuel Stouffler,
fornecer uma direção, segundo um projeto denominada The American Soldier. Mas a influ-
político que é o nosso. Ou de olhar para o ência mais decisiva foi a do austríaco Paul
“nosso objeto” a partir de uma concepção Lazarsfeld, radicado nos Estados Unidos após ter
política que, antes de permitir uma análise sido convidado pela Fundação Rockefeller, de
objetiva, nos leve a realizar avaliações. Temos quem recebera uma bolsa de pesquisa. Ele idea-
que fornecer um conhecimento que ajude es- lizou a criação do Bureau of Applied Social

296 Heloisa H. T. de S. MARTINS. Metodologia qualitativa de pesquisa.


Research, da Universidade de Colúmbia, uma es- siderada como a profissionalização da sociolo-
pécie de multinacional de pesquisa que levou gia, em oposição ao artesanato intelectual ou-
esse padrão de pesquisa para a Europa, no final trora predominante. O sociólogo (na universida-
dos anos 1950, e depois para a América Latina. de, mas principalmente em centros de pesquisa)
Sob sua influência, passaram a ser reali- apropriava-se de um aparato instrumental mo-
zadas pesquisas por encomenda de clientes, derno e cada vez mais sofisticado, que lhe ga-
muitos dos quais eram agências do Estado nor- rantiria a realização de trabalhos considerados
te-americano. Em sua maioria, atendiam a de- realmente científicos, discutidos e elaborados
mandas mercadológicas e publicitárias, e eram por uma equipe de pesquisa, interdisciplinar, re-
sustentadas por financiamentos exteriores à uni- quisitando amplos recursos, incorporando a lin-
versidade. Nos anos 1960, por exemplo, 50% da guagem da informática e, principalmente, apre-
renda da Universidade de Colúmbia provinha sentando e publicando resultados importantíssi-
desses contratos de pesquisa. Tal modelo até mos... para a construção de sua carreira.
hoje influencia boa parte das instituições de Nesse processo, o sociólogo relegou ao
pesquisa nos Estados Unidos. O próprio Adorno esquecimento questões fundamentais que esta-
— que trabalhou nesse Centro de Pesquisa — vam profundamente ligadas à emergência da
entrou em conflito com essas práticas, quando sociologia, e que permitiram entendê-la “como
se propôs a fazer a chamada “crítica dos clien- uma reação ou resposta intelectual, ou mais es-
tes”, enquanto Lazarsfeld preconizava um “aten- pecificamente ideológica, às principais lutas so-
dimento dos desejos do cliente” (Pollack, 1986, ciais e políticas dos últimos duzentos anos, que
p. 58). Wright Mills (1959), que também esteve foi traduzida para um contexto acadêmico e
ligado a esse Centro de 1945 a 1948, fez uma profissional” (Shaw, 1982, p. 31). À medida que
reflexão crítica sobre aquele modelo em A ima- a sociologia se afirma como profissão — e não
ginação sociológica. mais como vocação (idéia ligada às noções de
Esse tipo de pesquisa retoma o modelo das ofício , de artesanato) — o sociólogo profissio-
ciências exatas e naturais. Lazarsfeld, que estudou nal, comprometido apenas com o desenvolvi-
Física e Matemática, se aproximou das ciências mento da ciência (e muitas vezes com os inte-
sociais por meio da estatística e de estudos rela- resses de quem financiava a pesquisa), deixou
cionados com a psicologia social. Ele dizia que não de se preocupar com questões éticas relaciona-
lhe interessavam os problemas que estava pesqui- das ao uso de seu conhecimento tais como: a
sando, mas sim as técnicas a serem utilizadas. O quem interessa o seu trabalho? Para quem tra-
paradigma adotado era o de uma ciência asséptica, balha? Por que está desenvolvendo determina-
objetiva e, por isso, descomprometida com juízos do projeto de pesquisa? Quais as implicações
de valor. A sociologia, enquanto ciência, aparecia de seu trabalho?
não como resultado da “reflexão livre, a intuição Esse formalismo metodológico (também
e a imaginação, mas da rigorosa aderência aos chamado de cientificismo ou de empirismo abs-
procedimentos” (Nisbet, 2000, p. 115). Teve iní- trato) começou a ser criticado no final dos anos
cio, como acentua Nisbet, a primazia do mito do 1950, mas foi mais intensamente contestado
método. Sob a égide da neutralidade e da objeti- durante os 60 e início dos 70 do século passa-
vidade científica, privilegiou-se a Survey Research, do. A principal crítica relacionava-se ao fato de
um conjunto de técnicas empíricas que se firmou que o desenvolvimento do chamado ponto de
como o único válido e aceitável, como forma de vista estatístico coincidiu com o crescimento de
se opor ao ensaísmo e à ideologização do conhe- um compromisso ideológico da disciplina com
cimento sociológico. diferentes aspectos da ordem vigente. Sociólogos
Desse ponto de vista, a transformação como Mills (1982), Nisbet (2000) e Dahrendorf
meto-dológica ocorrida foi freqüentemente con- (1966) apontaram os dilemas da sociologia que

Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.2, p. 289-300, maio/ago. 2004 297
se debatia entre o empirismo abstrato e a gran- riedade e de capacidade de ouvir todos aque-
de teoria. Na realidade, a sociologia passou por les que sofrem. O argumento é de que o dese-
uma crise, em decorrência da própria crise por que jo de objetividade deve ceder lugar ao desejo
passava a sociedade ocidental do após-guerra, de solidariedade.
bem como da tensão entre os sociólogos e a Ou dito de outra maneira, se no momen-
influência predominante do estrutural-funciona- to do nascimento das ciências sociais no sécu-
lismo, como aponta Martin Shaw (1982, p. 38). lo XIX a maior preocupação era, conforme o
A própria retomada da metodologia qua- modelo das ciências naturais, neutralizar o mais
litativa nos anos recentes, especialmente a possível os interesses políticos e éticos do ana-
redescoberta da história de vida, a meu ver, lista, para atingir mais facilmente a realidade
resultou, por um lado, do predomínio de cor- objetiva ou a verdade, o que esses autores pre-
rentes teóricas voltadas para a problemática do conizam é que hoje o mais importante é pro-
sujeito e da interpretação que ele faz de sua duzir um conhecimento além de útil, explicita-
situação social e, de outro, pela crise do mar- mente orientado por um projeto ético visando
xismo, pelo menos do questionamento do a solidariedade, a harmonia e a criatividade
determinismo economicista e da afirmação de (Pires, 1997).
interpretações dentro do materialismo histórico A antropóloga francesa Yolande Cohen 2
que buscam recuperar a problemática do indi- (1993) fala da importância dos movimentos
víduo, da pessoa singular, vendo-a como um sociais para essa retomada de sentido, na me-
singular universal, como uma particularização dida em que os movimentos sociais passaram a
da história humana (Sartre, 1966). exigir das ciências sociais uma outra postura
Ou ainda, a tentativa de ver o indivíduo diante deles. A aproximação do pesquisador em
não mais como objeto, mas como sujeito do co- relação a seu objeto de pesquisa atende, antes
nhecimento e da história. E o sociólogo, então, de tudo, à necessidade de ele se colocar ao
deixa de ser o intelectual preocupado com a lado dos movimentos sociais, realizando pesqui-
sua trajetória profissional e reaparece como sas que lhes sejam úteis. Tal compromisso, en-
aquele comprometido com o destino da huma- tretanto, não significa que o pesquisador não
nidade, realizando a promessa da sociologia tenha que zelar pelo caráter científico de sua
(Mills, 1959). produção intelectual.
Podemos dizer hoje, tanto no que se re- Observo, por fim, que a principal inspi-
fere às ciências sociais quanto às ciências na- ração para uma retomada de sentido do traba-
turais, que a concepção clássica de ciência tem lho sociológico talvez venha do próprio Wright
sido posta em discussão, visando uma recons- Mills, cuja obra foi recuperada pelos críticos do
trução e desdogmatização. No plano episte- formalismo metodológico, sobretudo a impor-
mológico, por exemplo, alguns filósofos con- tância que esse autor tem para a reafirmação
testam se, de fato, pode-se atribuir à ciência a da imaginação sociológica — que ele tomava
finalidade de descobrir a verdade sobre o mun- como uma qualidade do espírito e como uma
do empírico. Para um certo ponto de vista, a expressão do conhecimento sociológico que
questão não é a de discutir o que fazer a res- deve ser transmitido para aqueles aos quais esse
peito de nossas opiniões, idéias ou juízos de conhecimento interessa.
valor sobre a sociedade, mas, sim, de procurar Por esse ponto de vista, todo conheci-
fazer com que imagem que temos dela seja útil mento deve ser dirigido a alguém ou a um gru-
para ela, ou seja, se somos capazes de desen-
volver hábitos de ação permitindo confrontar a 2. Professora de História da Universidade de Quebéc, especialista em
história das mulheres. Suas pesquisas se voltam principalmente para a
realidade, de maneira a garantir ganhos no sen- história dos movimentos sociais e identitários na França e no Canadá du-
tido intersubjetivo, em criatividade, em solida- rante o século XX.

298 Heloisa H. T. de S. MARTINS. Metodologia qualitativa de pesquisa.


po que dele tem necessidade, e está relaciona- maneira de explicar o mundo que nos cerca. So-
do ao que ele chamava de “política da verdade” mente os cientistas sociais conseguem trabalhar
— pela qual um conhecimento teria de se trans- com as categorias que permitem elaborar esse co-
formar em discurso político eficaz. Ao escrever, nhecimento; porém, uma vez que esse conheci-
um autor deve preocupar-se com a possibilidade mento tenha algum sentido, ajudará a transformar
de que seu discurso venha a ser apreendido pelo a maneira de pensar e de ser do público. Essa de-
outro que dele necessita. É isso que contribuirá manda, a meu ver, está presente hoje em mui-
para a difusão da imaginação sociológica — uma tas das discussões que vêm se desenvolvendo
sensibilidade, uma qualidade do espírito que cons- nas ciências sociais, especialmente nas que di-
truirá um novo estilo de pensamento e uma nova zem respeito à metodologia qualitativa.

Referências bibliográficas

BECKER, H. S. De que lado estamos? Uma teoria da ação coletiva. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1977.

COHEN, Y. História Oral: uma metodologia, um modo de pensar, um modo de transformar as ciências sociais? Ciências Sociais
Hoje. São Paulo, 1993.
Hoje

DAHRENDORF, R. Sociedad y sociología: la ilustracion aplicada. Madrid: Editorial Tecnos, 1966.

Da MATTA, R. Rela tivizando


Relativizando
tivizando: uma introdução à Antropologia Social. Rio de Janeiro: Rocco, 1991.

DEMO, P. Metodolog ia científica em ciências sociais


Metodologia sociais. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1989.

FERNANDES, F. Fundamentos empíricos da explicação sociológ ica


sociológica
ica. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959.

______. O padrão de trabalho científico dos sociólogos brasileiros. A sociologia no Brasil


Brasil. Petrópolis, p. 50-76, 1977.

FERNANDES, F.; BASTILDE, R. Brancos e neg ros em São Paulo


negros Paulo. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959.

GEERTZ, C. Uma descrição densa: por uma teoria interpretativa da cultura. In: _____. A Interpretação das Culturas, Rio de
Janeiro:Jorge Zahar, p. 13-41, 1978.

LAPERRIÈRRE, A. La theorisation ancrée (grounded theory): démarche analytique et comparaison avec d’autres approaches apparentées.
In: POUPART, J. et al. La recherche qualita tive: enjeux épistémolog
qualitative: iques et méthodolog
épistémologiques iques
méthodologiques
iques. Canadá: Gaëtan Morin
Éditeur, 1997, p. 309-340.

MALINOWSKI, B. Introdução: tema, método e objetivo desta pesquisa. Argonautas do Pacífico Ocidental
Ocidental. São Paulo, 1978, p.
17-34.

MILLS, C. W. A ima
imagg inação sociológ ica
sociológica
ica. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1959.

MINTZ, S. W. Encontrando Taso me descobrindo. Dados


Dados: Revista de Ciências Sociais. Rio de Janeiro, v. 27, n. 1, p. 45-58, 1984.

NISBET, R. A sociologia como forma de arte. Plural: Revista do Curso de Pós-Graduação em Sociologia da USP. São Paulo, n. 7,
p. 111-130, 2000.

PIRES, Á. P. De quelques enjeux épistémologiques d’une méthodologie générale pour les sciences sociales. In: Poupart, J. et al. La
recherche qualita tive
qualitative
tive: enjeux épistémologiques et méthodologiques. Canadá: Gaëtan Morin Éditeur, 1997, p. 3-53.

POLLAK, M. P. F. Lazarsfeld, fundador de uma multinacional cientifica. In: ALVAREZ-URÍA; FERNANDO E VARELA; JULIA (Orgs.).
Materiales de sociologia crítica
crítica. Madrid: Ediciones de La Piqueta, 1986, p. 37-82.

Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.2, p. 289-300, maio/ago. 2004 299
SARTRE, J-P. Questão de método
método. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1966.

SHAW, M. A crise iminente da Sociologia radical. In: BLACKBURN, R. Ideolog ia na Ciência Social
Ideologia Social: ensaios críticos sobre a teoria
social. Rio de Janeiro: Paz e Terra, p. 30-41, 1982.

THIOLLENT, M. Crítica metodológ ica, investigação social e enquête operária


metodológica, operária. São Paulo: Polis, p. 15-30, 1980.

ZALUAR, A. Teoria e prática do trabalho de campo: alguns problemas. In: CARDOSO, R. (Org.) A aaventura
ventura antropológ ica
antropológica
ica. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, p. 107-123, 1986.

Recebido em 27.06.04
Aprovado em 04.08.04

Heloisa Helena T. de Souza Martins é professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da USP. Publicou os livros O Estado e a burocratização do sindicato no Brasil (1989) e Igreja e
movimento operário no ABC: 1954 -1975 (1994). Atualmente estuda o tema Juventude e Trabalho.

300 Heloisa H. T. de S. MARTINS. Metodologia qualitativa de pesquisa.