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Leonardo Cremasco Sartorio

Ética

Atividades privativas da advocacia.

Art. 01º EAOAB – Lei 8906/04 : Versa sobre as atividades


privativas da advocacia.
I- Versa sobre as atividades privativas da advocacia. Esse
artigo já teve alterações, portanto, deve-se riscar a
expressão “qualquer”, pelas razões abaixo constantes:
O artigo 01º, do Estatuto da Advocacia da OAB, previa que a
postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos
juizados especiais, era uma atividade privativa da advocacia.
Todavia, tal dispositivo foi objeto de Argüição de
inconstitucionalidade no STF, momento em que a expressão
“qualquer” foi tida como inconstitucional.
Podemos entender que a fundamentação disso está na própria
lei 9099/95, que instituiu os juizados especiais cíveis,
facultando às partes o direito de atuar sem assistência de
advogado, em causas cujo valor não exceda vinte salários
mínimos (vide art. 9º, lei 9.099/95).
No que tange a impetração de Habeas Corpus, poderá, por força
de nossa Constituição Federal, ser formulada sem a
necessidade de intervenção de um advogado.
Outro ponto interessante, é que na Justiça do Trabalho,
também é concedida à parte a capacidade postulatória, por
força do artigo 791 da CLT.
Obs: Existem, ainda, atos extrajudiciais que não necessitam
obrigatoriamente da intervenção do advogado. Ex: Confecção de
um contrato de locação.

II – Assessoria, consultoria ou direção jurídica (Como no


caso de direção de setor jurídico de instituição financeira,
que deve ser feita por advogado).

Exemplo para fixar sobre atividade da advocacia:

Trâmite de um processo cível (considerar como sendo um caso


em que a intervenção do advogado é obrigatória, ou seja,
diferentemente das exceções estudadas em linhas anteriores).

PI ----Contestação----Réplica----Fase 331 CPC----


Instrução----Sentença----Recurso
(aud. preliminar)

*Se a pessoa não era advogado, propôs uma ação e isso chegou
a ser descoberto somente na fase de instrução, seus atos

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serão NULOS, pois a parte não possuía capacidade postulatória


para atuar em juízo.

*Se a pessoa é advogado, mas está suspenso e, mesmo assim,


ingressa com uma ação (petição inicial), os atos também serão
nulos, pois não poderiam ser praticados.
Obs: Atos privativos de advocacia, realizados por
profissionais ou sociedades não inscritas na OAB, constituem
exercício ilegal da profissão.

É defeso ao advogado funcionar no mesmo processo


simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou
cliente.

A indicação de advogados para atuarem nos Juizados Especiais


Cíveis, deverá ser feita pela Subseção ou, na sua ausência,
pelo Conselho Seccional.

Defesa Judicial dos Direitos e Prerrogativas

O Presidente do Conselho Federal, Seccional ou Subseção,


devem tomar as providências judiciais ou extrajudiciais para
restaurar o império do Estatuto, quando tomarem conhecimento
de violação de direitos ou prerrogativas da profissão.
Obs: O Presidente pode designar um advogado para cumprir tais
finalidades.

Em inquéritos policiais ou ação penal, em que o advogado


figure como indiciado, acusado ou ofendido, deve ter o
representante da OAB.

Desagravo Público

O advogado que for ofendido no exercício da profissão, tem


direito ao desagravo público promovido pelo Conselho
Competente. Isso poderá ocorrer de ofício, a seu pedido, ou
de qualquer pessoa.
O relator poderá propor ao presidente do Conselho que
solicite informações ao ofensor (autoridade ou não), no prazo
de 15 dias, salvo se urgente.
Se a ofensa não tiver relacionada ao exercício da profissão,
ou com as prerrogativas do advogado, o relator poderá propor
seu arquivamento.

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Se o relator convencer-se da procedência da ofensa, emite


parecer ao Conselho que, se acatar a mesma, designa sessão de
desagravo a qual é divulgada.
O ofendido não pode dispensá-lo.
Se a ofensa for dirigida a Conselheiro Federal, Presidente do
Conselho Seccional ou violar as prerrogativas com repercussão
nacional, o desagravo será promovido pelo Conselho Federal.

Estágio Profissional

Quando tratamos sobre o assunto de estágio profissional, é


adequado que o candidato tenha conhecimento sobre a lei
11.788/08, a qual, nos dias de hoje, regulamenta a atividade.
Contudo, acreditamos, que eventuais questões que possam
abordar o tema sejam exigidas em direito do trabalho, eis que
a lei guarda relação com a matéria.
Abaixo, passamos a expor dados importantes sobre estágio
profissional de acordo com o regulamento geral da OAB:
O estágio profissional de advocacia, inclusive para
graduados, é requisito necessário à inscrição no quadro de
estagiários da OAB e meio adequado de aprendizagem prática.
O estágio profissional de advocacia pode ser oferecido pela
instituição de ensino superior autorizada e credenciada, em
convênio com a OAB, complementando-se a carga horária do
estágio curricular supervisionado com atividades práticas
típicas de advogado e de estudo do Estatuto e do Código de
Ética e Disciplina, observado o tempo conjunto mínimo de 300
(trezentas) horas, distribuído em dois ou mais anos.
A complementação da carga horária, no total estabelecido no
convênio, pode ser efetivada na forma de atividades jurídicas
no núcleo de prática jurídica da instituição de ensino, na
Defensoria Pública, em escritórios de advocacia ou em setores
jurídicos públicos ou privados, credenciados e fiscalizados
pela OAB.
As atividades de estágio ministrado por instituição de
ensino, para fins de convênio com a OAB, são exclusivamente
práticas, incluindo a redação de atos processuais e
profissionais, as rotinas processuais, a assistência e a
atuação em audiências e sessões, as visitas a órgãos
judiciários, a prestação de serviços jurídicos e as técnicas
de negociação coletiva, de arbitragem e de conciliação.
Obs: O estagiário pode praticar atos em conjunto com o
advogado. Exceção: Existem atos que ele pode praticar
sozinho. Ex: Carga de processo, assinar petições de juntada,
obter certidões de processos em curso ou findos.

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Para o exercício de atos extrajudiciais, o estagiário pode


comparecer isoladamente, quando receber autorização ou
substabelecimento do advogado.

Identidade Profissional

Os documentos de identidade profissional são: a carteira e o


cartão emitidos pela OAB, de uso obrigatório pelos advogados
e estagiários no exercício de suas atividades. Se o advogado
optar pelo cartão, não necessitará da carteira.
O cartão de identidade do estagiário tem o mesmo modelo e
conteúdo do cartão de identidade do advogado, com a indicação
de “Identidade de Estagiário”, em destaque, e do prazo de
validade, que não pode ultrapassar três anos nem ser
prorrogado.
Parágrafo único. O cartão de identidade do estagiário perde
sua validade imediatamente após a prestação do compromisso
como advogado.
Membros dos órgãos da OAB podem ter cartão de identidade de
advogado com sua qualificação na OAB e prazo de validade de
acordo com o mandato.

Procuração = Instrumento de mandato

Procuração é mandado ou mandato?


R: Mandato

Procuração é a outorga de poderes para representar o cliente


em juízo ou fora dele.

O advogado pode representar um cliente extrajudicialmente?


R: Sim. Ex: Assembléia de condomínio. Entretanto, esta
procuração deve ter firma reconhecida.

O advogado pode atuar sem procuração?


R: Sim, no caso de medida de urgência por 15 dias
prorrogáveis por mais 15 dias (é uma única prorrogação). Esta
urgência é processual.

Direitos das partes:

Renúncia e Revogação:

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Renúncia: parte do advogado. Ele fica responsável perante seu


cliente por mais 10 dias, salvo se este já constituiu outro
advogado.
No caso de renúncia o advogado deve notificar o cliente,
preferencialmente, mediante carta com AR, e, após, comunicar
o juízo.
Obs: Devemos tomar muito cuidado com a expressão
“preferencialmente”, pois, o examinador poderá tentar mudar o
sentido para “obrigatoriamente”, o que poderá acarretar
prejuízos ao candidato.

Revogação ou destituição: parte do cliente. Ele informa que


não quer mais aquele advogado nos autos. Nesse caso não há
que se falar em 10 dias. O cliente que deve arrumar outro
advogado, uma vez que o anterior não ficará responsável por
mais 10 dias. O juiz pede para que o autor regularize a
representação no processo sob pena de extinção.

Substabelecimento

COM RESERVA DE PODERES – o advogado não se desvincula e nem


se afasta do mandato, sendo que pode outorgar poderes a
outros advogados. O advogado não necessita notificar o
cliente, eis que se trata de um ato pessoal. Obs: Posso ter
um substabelecimento com reserva de poderes para um ato
específico, como, por exemplo, para somente fazer uma
audiência.

SEM RESERVA DE PODERES – o advogado se desvincula totalmente


do mandato. Ex: Pode ocorrer tanto na renúncia, quanto na
revogação.
Nesse caso, deve existir o prévio e inequívoco conhecimento
do cliente.

Inscrição: art 08º EAOAB

Basta passar no exame de ordem?

Art. 08º EAOAB: (ausente um dos requisitos eu não posso me


inscrever)

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1) Capacidade civil: a pessoa pode ser maior de 18 anos,


mas possuir um impedimento legal. Ex: Osmar Santos.
2) Diploma: Existiam faculdades que não eram reconhecidas.
Por tal motivo, enquanto essa situação não fosse
regularizada, os alunos que eram aprovados não
conseguiam se inscrever.
3) Título de eleitor: quem não votou e não se justificou
também não consegue se inscrever.
4) Aprovação no exame de ordem: regulamentado pelo Conselho
Federal e realizado pelo Conselho Seccional.
5) Não exercer atividade incompatível (proibição total):
Ex: Policial militar – não pode se inscrever.
6) Idoneidade moral: quem determina é o Conselho Seccional
através de 2/3 de seus membros. Na prática existem casos
que o Conselho teve que aprovar. Ex: Paula Thomaz
conseguiu se inscrever, pois cumpriu sua pena e foi
agraciada pelo indulto, sem restar antecedentes
inclusive.
7) Prestar compromisso perante o Conselho: é o juramento,
previsto no regulamento geral do código (importante para
os alunos). É prestado numa sessão solene, obrigatória e
pública. Lá o advogado assina o livro de inscrição
perante o Conselho Seccional.

Obs: O requerente à inscrição, na falta de diploma


devidamente registrado, poderá apresentar certidão de
graduação em direito e histórico autenticado.
Obs: O compromisso prestado perante o Conselho é
personalíssimo e indelegável.
Obs: Pedidos de transferência de inscrição de advogado são
regulados em Provimento do Conselho Federal.

Inscrição suplementar: art. 10, parágrafo 2º

Com a carteira da OAB eu posso advogar em todo território


nacional? Limitadamente ou ilimitadamente?

Limites:

O Estatuto assim prevê:

Art. 10. A inscrição principal do advogado deve ser feita no


Conselho Seccional em cujo território pretende estabelecer o
seu domicílio profissional, na forma do Regulamento Geral:
§ 2º Além da principal, o advogado deve promover a inscrição
suplementar nos Conselhos Seccionais em cujos territórios

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passar a exercer habitualmente a profissão, considerando-se


habitualidade a intervenção judicial que exceder de cinco
causas por ano.

O Regulamento Geral assim dispõe:

Art. 5º Considera-se efetivo exercício da atividade de


advocacia a participação anual mínima em cinco atos
privativos previstos no artigo 1º do Estatuto, em causas ou
questões distintas. Parágrafo único. A comprovação do efetivo
exercício faz-se mediante:
a) certidão expedida por cartórios ou secretarias judiciais;

b) cópia autenticada de atos privativos;


c) certidão expedida pelo órgão público no qual o advogado
exerça função privativa do seu ofício, indicando os atos
praticados.
Art. 26. O advogado fica dispensado de comunicar o exercício
eventual da profissão, até o total de cinco causas por ano,
acima do qual obriga-se à inscrição suplementar.

Obs: Esse ponto merece especial atenção do candidato, pois,


há que se observar o que consta no enunciado da questão.
Muito embora seja de nosso entendimento que qualquer das
respostas está correta, o candidato poderá ter problemas em
questões em que o enunciado pergunte sobre o Estatuto (que
seria a primeira resposta), ou, Regulamento Geral, onde, o
mais correto, seria a segunda resposta.
Temos, portanto, que o Regulamento Geral somente complementa
a resposta, abordando melhor o assunto.
Na inscrição suplementar eu terei um novo número por cada
estado que tiver mais que 05 causas. Sou obrigado a solicitar
minha suplementar caso exceda as 5 causas. O advogado pagará
uma nova anuidade.
Obs: Sociedade que abre filial em outro estado torna
obrigatória à inscrição suplementar dos sócios.

Cancelamento: art. 11º EAOAB

No cancelamento o advogado está incompatível com a advocacia.


Cancela-se a inscrição OAB/SP nº.....
Cancelada a inscrição não há arrependimento. Se o advogado
decidir voltar a advogar não voltará com o mesmo número, terá
um novo número de inscrição.

Hipóteses para o cancelamento:

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1) Requerimento: o advogado não precisa justificar. Se


decidir voltar a advogar basta comprovar os incisos I, V, VI
e VII do art. 08º EAOAB.
Neste caso, não há novo exame ou prova de reabilitação.

2) Exclusão: Cancela-se a inscrição. O advogado pode voltar a


advogar, mas aqui terá de se submeter a provas de
reabilitação, sendo que esta deverá aguardar um ano do
trânsito em julgado da pena. Não é um novo exame de ordem, é
uma prova de reabilitação.
Obs: No caso de crime, deverá, também, ser promovida a
reabilitação criminal.

3) Falecimento: o número dele deixa de existir. Não vai para


ninguém.

4) Caráter definitivo: Essa hipótese está diretamente


vinculada à natureza da função que o advogado passará a
exercer, sendo, que o candidato deverá ter conhecimento dos
cargos constantes no art. 28, do Estatuto. Ex: Advogado que
passa num concurso para exercer a função de delegado federal
(sendo a função incompatível com a advocacia, em caráter
definitivo, temos a hipótese de cancelamento da inscrição).
Obs: O mesmo não ocorre no caso do advogado ser eleito como
Presidente da República, pois, mesmo sendo a função
incompatível com a advocacia, não há que se falar em caráter
definitivo, pois existe mandato certo a ser cumprido, mesmo
em caso de reeleição. Portanto, nesse caso, estaremos diante
de uma questão de incompatibilidade em que o advogado deverá
licenciar-se da advocacia.

5) Perder requisitos do artigo 08º EAOAB.

Obs: Cancela-se a inscrição quando ocorrer a 03ª suspensão


relativa ao não pagamento de anuidades distintas.

Licença: art 12 do EAOAB

Na licença o advogado também está incompatível. O advogado


deixa de advogar por um período indeterminado.
A licença só têm validade se for averbada no Conselho
Seccional.
Obs: Na licença não há pagamento de anuidade.

Hipóteses para licença:

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1) Requerimento, por motivo justificado. Ex: Viagem ao


exterior, doença.
2) Passar a exercer em caráter temporário, atividade
incompatível com a advocacia. Ex: Presidente da
República. Obs: Após leitura do art. 28, do Estatuto,
podemos analisar se o cargo está inserido nas hipóteses
de cancelamento ou licença. Se o caráter da função
incompatível for temporário, trata-se de licença.
3) Sofrer doença mental considerada curável. Ex: Estress,
Depressão.

Incompatibilidade e Impedimentos

Como mencionado em sala de aula, o incompatível não pode


advogar. Se a pessoa exercer função incompatível com a
advocacia antes de se inscrever, não poderá se inscrever.
Todavia, caso passe a exercer atividade incompatível com a
advocacia após sua inscrição na OAB, estará com sua OAB
licenciada ou cancelada. Para tanto, devemos analisar o
“caráter” para sanar a questão.
Exemplo para fixação:
1) advogado que passou a exercer, em caráter definitivo,
atividade incompatível com a advocacia, estará com seu
registro na OAB cancelado. Obs: Não há pagamento de
anuidade; o número de seu registro na OAB será
cancelado. Ex: Policial militar.
2) Advogado que passou a exercer, em caráter temporário,
atividade incompatível com a advocacia. Nesse caso, o
advogado estará com seu registro licenciado, e não
pagará anuidade para OAB. Ex: Presidente da Câmara dos
Deputados.

Assim, podemos verificar que a incompatibilidade pode ser


permanente, ou temporária.
Obs: A incompatibilidade abrange também a advocacia
extrajudicial (consultas, pareceres)

Artigo 28, do EAOAB (Incompatibilidades – estudo extraído do


livro “Comentários ao Estatuto da Advocacia e da OAB”; Paulo
Lobo, ed. Saraiva, 4ª edição):

I – Este inciso refere-se aos titulares de entes políticos


(Presidente da República, governador de Estado, prefeito
municipal e respectivos vices, bem como os Membros das Mesas

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do Congresso Nacional, Senado Federal, Câmara dos Deputados,


Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais. No que tange
aos vices e suplentes, estarão incompatibilizados mesmo no
caso de não estarem no efetivo exercício.
Parlamentares não integrantes das mesas das casas
legislativas, são apenas impedidos de exercerem a advocacia.

II – Este inciso faz menção a todos os que possuam funções de


julgamento. Relevante mencionar, que os Conselhos e órgãos
julgadores da OAB não estão incluídos nas incompatibilidades,
pois não integram a Administração Pública direta ou indireta.
Obs: Quanto aos membros do Ministério Público que ingressaram
na carreira e se inscreveram na OAB até 05 de outubro de
1988, poderiam optar pelo regime antigo que permitia a
acumulação de atividades.

III – Este inciso visa destacar que a incompatibilidade


acompanha a autoridade do órgão que emitirá o ato decisório
final, esperado pelo terceiro, mesmo que contra tal ato caiba
recurso à autoridade superior.

IV – Este inciso versa sobre a incompatibilidade dos


titulares de serviços auxiliares da justiça. O Estatuto não
fica restrito apenas ao cargo nominal, alcançando a
vinculação indireta do serviço prestado em qualquer órgão do
poder judiciário.
Portanto, qualquer função pública ou privada, que se vincule
à atividade regular de órgão do poder judiciário, mesmo que
indiretamente, incompatibilizará seu ocupante para o
exercício da advocacia.

V – Aqui a incompatibilidade abrange os ocupantes de cargos


vinculados direta ou indiretamente à atividade policial de
qualquer natureza, em caráter transitório ou permanente, sob
regime estatutário ou celetista.
Esta incompatibilidade se fundamenta no fato de que essas
pessoas encontram-se próximas a autores e réus de processos,
facilitando a captação de clientela ou outras vantagens.

VI – Neste inciso temos a incompatibilidade dos militares de


qualquer natureza, desde que estejam na ativa. No entanto, ao
contrário da atividade policial, os servidores civis que
prestem serviços às Forças Armadas não são incompatíveis para
o exercício da advocacia, que, neste caso, é exclusiva dos
militares, salvo as hipóteses de impedimento.

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VII – Esta hipótese versa sobre os cargos e funções


relacionados com a receita pública, como, por exemplo:
“fiscais de rendas, auditores fiscais, fiscais de receitas
previdenciárias, agentes tributários.
Entretanto, todos os servidores que tiverem competência para
lançamento ou arrecadação ou fiscalização, independentemente
do cargo que ocupem, estarão incompatibilizados para o
exercício da advocacia.

VIII – Aqui estarão incompatibilizados para o exercício da


advocacia os dirigentes e gerentes de instituições
financeiras, públicas ou privadas, pois possuem um grande
potencial de captação de clientela, detendo poder decisório
na economia de pessoas.

Artigo 30, I, II do EAOAB (Impedimentos - estudo extraído do


livro “Comentários ao Estatuto da Advocacia e da OAB”; Paulo
Lobo, ed. Saraiva, 4ª edição):

Este caso merece especial atenção de todos, pois, o impedido


é advogado e pode advogar! As provas geralmente fazem alguns
trocadilhos para confundir o entendimento de vocês, mas,
desde já, fixem a idéia acima declinada.

Ocorre, todavia, que o advogado impedido encontra algumas


restrições ao exercício da advocacia, não podendo atuar
contra ou favor ao órgão que o remunera (as provas geralmente
trazem a dica sobre remuneração para o caso dos impedidos),
bem como aos órgãos vinculados a estes! Ex: No caso do
vereador, não poderá advogar contra seu órgão remunerador.

O advogado que mantém vínculo funcional com qualquer entidade


da Adm. Pública (direta ou indireta), estará impedido de
exercer a advocacia contra tal órgão e contra a Fazenda
Pública, vez que a mesma é comum. Entende-se, por Fazenda
Pública: a União, Estado-Membro, Município e todas as
respectivas entidades da Adm. Direta e indireta, inclusive
empresas públicas e sociedades de economia mista.

No caso dos parlamentares municipais, estaduais ou federais


(não suplentes das mesas diretoras), são impedidos de advogar
enquanto durar seus respectivos mandatos.

Algumas ementas interessantes sobre o assunto:

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498ª SESSÃO DE 19 DE ABRIL DE 2007


INCOMPATIBILIDADE – VICE-PREFEITO – EXERCÍCIO DA ADVOCACIA.
Nos expressos termos do art. 28, I, do EAOAB, o exercício da advocacia é
incompatível com o cargo de Vice-Prefeito, que é o substituto legal do chefe
do Poder Executivo Municipal. Referida incompatibilidade se traduz na
proibição total de advogar. A incompatibilidade incide ainda que o Vice-
Prefeito não tenha jamais substituído efetivamente o Prefeito. Inteligência
dos arts. 27 e 28, I, do EAOAB. Precedente desta corte: Processos E-2.085/00
e E-3.195/2005.

Proc. E-3.448/2007 – v.u., em 19/04/2007, do parecer e ementa do Rel. Dr.


FÁBIO DE SOUZA RAMACCIOTTI – Rev. Dr. ZANON DE PAULA BARROS – Presidente Dr.
CARLOS ROBERTO F. MATEUCCI.

513ª SESSÃO DE 21 DE AGOSTO DE 2008


EXERCÍCIO PROFISSIONAL – INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS – EXERCÍCIO DA
ADVOCACIA POR FUNCIONÁRIO DA OAB – INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA – CAUTELAS A
SEREM ADOTADAS.
Segundo as regras da hermenêutica, a incompatibilidade para exercício
profissional restringe direito, e deve ser interpretada de modo estrito e não
admite aplicação analógica ou extensiva. Os advogados funcionários da OAB não
estão incompatibilizados e nem impedidos de advogar fora do horário de
expediente, em causas particulares, que nada dizem respeito com a OAB. Diante
da possibilidade de captação de clientela e angariação de causas, é altamente
recomendável que os advogados funcionários da OAB não aceitem patrocinar
causas, não encaminhem causas para escritórios e nem indiquem advogados para
as pessoas que procuram a Casa, uma vez que este procedimento caracteriza
infração ética, ou mesmo desvio funcional. Os advogados que prestam serviço à
OAB e às entidades a ela vinculadas, a qualquer título, estão impedidos de
patrocinar causas contra as mesmas e também de advogar nos seus Tribunais
Disciplinares, em razão da proximidade do poder e do tráfico de influências.

Proc. E-3.631/2008 – v.m., em 21/08/2008, do parecer e ementa do Rel. Dr.


LUIZ ANTONIO GAMBELLI, com voto convergente do julgador Dr. JOSÉ EDUARDO
HADDAD – Rev. Dr. BENEDITO ÉDISON TRAMA – Presidente Dr. CARLOS ROBERTO F.
MATEUCCI.

500ª SESSÃO DE 22 DE JUNHO DE 2007


INCOMPATIBILIDADE – SERVIDOR DA GUARDA CIVIL METROPOLITANA CRIADA PELA LEI
MUNICIPAL N. 10.115 DE 15 DE SETEMBRO DE 1986 – ATIVIDADES SUBMETIDAS A
REGIMES DIVERSOS – INFLUÊNCIA SOBRE AS PESSOAS.
O servidor da Guarda Civil Metropolitana Municipal criada pela Lei Municipal
número 10.115 de 15 de setembro de 1986 está proibido de exercer a advocacia
enquanto no exercício permanente ou temporário da função em face da
influência de atividades manifestamente diferenciadas e submetidas a regimes
diversos e manifesta influência sobre as pessoas tornando-os
incompatibilizados para o exercício da advocacia, qual seja, a proibição
total de advogar nos termos do disposto no artigo 28, incisos III e V, da Lei
n. 8906/94 e julgados precedentes da OAB.

Proc. E-3.462/2007 – v.u., em 22/06/2007, do parecer e ementa do Rel. Dr.


CLÁUDIO FELIPPE ZALAF – Revª. Drª. BEATRIZ MESQUITA DE ARRUDA CAMARGO
KESTENER – Presidente Dr. CARLOS ROBERTO F. MATEUCCI.

516ª SESSÃO DE 19 DE NOVEMBRO DE 2008


INCOMPATIBILIDADE E IMPEDIMENTO – PROCURADOR MUNICIPAL – PARTICIPAÇÃO DO
CONVÊNIO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA – IMPEDIMENTO DE ADVOGAR CONTRA A FAZENDA
PÚBLICA QUE O REMUNERA E ENTIDADES VINCULADAS – ATUAÇÃO PERANTE JUIZADO

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ESPECIAL – INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO ÉTICO, SALVO SE ATUOU NA FUNÇÃO DE


CONCILIADOR.
Não compete ao Tribunal de Ética e Disciplina, mas à Comissão de Inscrição e
Seleção, apreciar consultas individuais sobre as incompatibilidades e
impedimentos do exercício da advocacia, previstos no Capítulo VII do
Estatuto, art. 136 e 63, “c”, do Regimento Interno da Seccional, e art. 49,
do CED. No caso, porém, tratando-se de questões já pacificadas por este
Sodalício e disponíveis para consulta no sítio eletrônico da OAB/SP -
Tribunal de Ética, conhece-se da consulta, em tese, a título de divulgação.
Assim, ao Procurador Municipal incidirá tão somente o impedimento previsto no
artigo 30, inciso I, da Lei nº 8.906/94, de advogar em face da Fazenda
Pública que o remunere ou à qual se vincule a entidade empregadora. Em se
tratando de Procurador Geral do Município, ficará exclusivamente legitimado
para o exercício da advocacia vinculada à função que exerça, durante o
período da investidura (art. 29 do EAOAB). No tocante à participação do
Convênio de Assistência Judiciária, descabe a esta Turma Deontológica
examinar os seus requisitos para inscrição dos interessados, não se
vislumbrando, a princípio, a par do impedimento legal (art. 30, I), óbice a
sua participação. Da mesma forma, poderá advogar junto aos Juizados
Especiais, salvo no tocante às partes que tenha atendido como conciliador.
Precedentes: E-2.359/01; 2.890/04; 1.696/98, 1.854/99, 2.172/00 e 2.907/04.

Proc. E-3.691/2008 – v.u., em 19/11/2008, do parecer e ementa do Rel. Dr.


LUIZ FRANCISCO TORQUATO AVOLIO – Rev. Dr. BENEDITO ÉDISON TRAMA – Presidente
Dr. CARLOS ROBERTO F. MATEUCCI.

512ª SESSÃO DE 17 DE JULHO DE 2008


IMPEDIMENTOS E INCOMPATIBILIDADES – DIRETOR DE ESCOLA PÚBLICA – AUSÊNCIA DE
PODER DE DECISÃO RELEVANTE SOBRE INTERESSES DE TERCEIRO – MERO IMPEDIMENTO DE
ADVOGAR CONTRA A FAZENDA PÚBLICA QUE O REMUNERA – INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 28,
III, E 30, I, DO EAOAB – PROCURADOR MUNICIPAL – MERO IMPEDIMENTO DE ADVOGAR
CONTRA A FAZENDA PÚBLICA QUE O REMUNERA – CARGOS DE DIRETOR JURÍDICO DA
ADMINISTRAÇÃO DIRETA, INDIRETA E FUNDACIONAL, DE SECRETÁRIO MUNICIPAL DE
NEGÓCIOS JURÍDICOS E DE PROCURADOR GERAL – LEGITIMAÇÃO EXCLUSIVA DO ART. 29
DO EAOAB.
A incompatibilidade prevista no inciso III, do art. 28 do EAOAB, não incide
se o cargo de direção não tiver, a critério do Conselho competente da OAB,
poder de decisão relevante a respeito de interesses de terceiro. O diretor de
escola pública, por não ter referido poder, não estará incompatibilizado com
a advocacia, mas, sim, impedido de advogar contra a Fazenda Pública que o
remunera. O procurador municipal não exerce cargo incompatível com a
advocacia, mas está impedido de advogar contra o Poder Público que o
remunera. Inteligência do art. 28, III, § 2º, e 30, I, do EAOAB. O advogado
que ocupa cargo de dirigente jurídico de órgãos públicos da administração
direta, indireta ou fundacional, de secretário municipal de negócios
jurídicos ou de procurador geral do Município, somente está legitimado “para
o exercício da advocacia vinculada à função que exerçam, durante o período da
investidura” (art. 29 do EAOAB). Em caso de impedimento ou da legitimação
exclusiva do art. 29 do EAOAB, não há óbice para que o advogado integre a
Comissão do Advogado Público da OAB. Precedentes do TED I: Proc. E-2.565/02
(Embargos), E-3.299/2006 e Proc. E-3.375/2006.

Proc. E-3.633/2008 – v.u., em 17/07/2008, do parecer e ementa do Rel. Dr.


FÁBIO DE SOUZA RAMACCIOTTI – Rev. Dr. LUIZ FRANCISCO TORQUATO AVOLIO –
Presidente em exercício Dr. FABIO KALIL VILELA LEITE.

ÉTICA PROFISSIONAL 13
Leonardo Cremasco Sartorio

Direitos do advogado – arts. 06º e 07º EAOAB

Art. 6º Não há hierarquia nem subordinação entre advogados,


magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos
tratar-se com consideração e respeito recíprocos.
Parágrafo único. As autoridades, os servidores públicos e os
serventuários da justiça devem dispensar ao advogado, no
exercício da profissão, tratamento compatível com a dignidade
da advocacia e condições adequadas a seu desempenho.

Art. 7º São direitos do advogado:


I – exercer, com liberdade, a profissão em todo o território
nacional;
II – a inviolabilidade de seu escritório ou local de
trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua
correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática,
desde que relativas ao exercício da advocacia;
III – comunicar-se com seus clientes, pessoal e
reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem
presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou
militares, ainda que considerados incomunicáveis;
IV – ter a presença de representante da OAB, quando preso em
flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para
lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos
demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB;
V – não ser recolhido preso, antes de sentença transitada em
julgado, senão em sala de Estado-Maior, com instalações e
comodidades condignas, assim reconhecidas pela OAB, e, na sua
falta, em prisão domiciliar; Obs: A expressão “assim
reconhecidas pela OAB” foi declarada inconstitucional, após
julgamento da ADI nº 1.127-8 – STF.
VI – ingressar livremente:
a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos
cancelos que separam a parte reservada aos magistrados;
b) nas salas e dependências de audiências, secretarias,
cartórios, ofícios de justiça, serviços notariais e de
registro, e, no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da
hora de expediente e independentemente da presença de seus
titulares;
c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição
judicial ou outro serviço público onde o advogado deva
praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício
da atividade profissional, dentro do expediente ou fora dele,
e ser atendido, desde que se ache presente qualquer servidor
ou empregado;

ÉTICA PROFISSIONAL 14
Leonardo Cremasco Sartorio

d) em qualquer assembléia ou reunião de que participe ou


possa participar o seu cliente, ou perante a qual este deve
comparecer, desde que munido de poderes especiais;
VII – permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer
locais indicados no inciso anterior, independentemente de
licença;
VIII – dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e
gabinetes de trabalho, independentemente de horário
previamente marcado ou outra condição, observando-se a ordem
de chegada;
IX – sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou
processo, nas sessões de julgamento, após o voto do relator,
em instância judicial ou administrativa, pelo prazo de quinze
minutos, salvo se prazo maior for concedido. Obs: Este inciso
foi declarado como inconstitucional, após julgamento da ADI
nº 1.127-8 –STF.
X – usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou
tribunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer
equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou
afirmações que influam no julgamento, bem como para replicar
acusação ou censura que lhe forem feitas;
XI – reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer
juízo, tribunal ou autoridade, contra a inobservância de
preceito de lei, regulamento ou regimento;
XII – falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de
deliberação coletiva da Administração Pública ou do Poder
Legislativo;
XIII – examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e
Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de
processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração,
quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção
de cópias, podendo tomar apontamentos;
XIV – examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem
procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em
andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar
peças e tomar apontamentos;
XV – ter vista dos processos judiciais ou administrativos de
qualquer natureza, em cartório ou na repartição competente,
ou retirá-los pelos prazos legais;
XVI – retirar autos de processos findos, mesmo sem
procuração, pelo prazo de dez dias;
XVII – ser publicamente desagravado, quando ofendido no
exercício da profissão ou em razão dela;
XVIII – usar os símbolos privativos da profissão de advogado
XIX – recusar-se a depor como testemunha em processo no qual
funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado com
pessoa de quem seja ou foi advogado, mesmo quando autorizado

ÉTICA PROFISSIONAL 15
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ou solicitado pelo constituinte, bem como sobre fato que


constitua sigilo profissional;
XX – retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão
para ato judicial, após trinta minutos do horário designado e
ao qual ainda não tenha comparecido a autoridade que deva
presidir a ele, mediante comunicação protocolizada em juízo.
Obs: Se o examinador indicar que a autoridade que presida o
ato estava presente, o advogado não poderá utilizar-se dessa
prerrogativa.
§ 1º Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI:
1) aos processos sob regime de segredo de justiça;
2) quando existirem nos autos documentos originais de difícil
restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique
a permanência dos autos no cartório, secretaria ou
repartição, reconhecida pela autoridade em despacho motivado,
proferido de ofício, mediante representação ou a requerimento
da parte interessada;
3) até o encerramento do processo, ao advogado que houver
deixado de devolver os respectivos autos no prazo legal, e só
o fizer depois de intimado.
§ 2º O advogado tem imunidade profissional, não constituindo
injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação
de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora
dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB,
pelos excessos que cometer. Obs: A expressão desacato foi
declarada inconstitucional, após julgamento da ADI nº 1.127-8
–STF. Assim, o candidato deverá tomar especial cuidado com
questões da OAB que tentem manipular o entendimento
contrário.
§ 3º O advogado somente poderá ser preso em flagrante, por
motivo de exercício da profissão, em caso de crime
inafiançável, observado o disposto no inciso IV deste artigo.
§ 4º O Poder Judiciário e o Poder Executivo devem instalar,
em todos os juizados, fóruns, tribunais, delegacias de
polícia e presídios, salas especiais permanentes para os
advogados, com uso e controle assegurados à OAB. Obs: A
expressão “controle” foi declarada inconstitucional, após
julgamento da ADI nº 1.127-8 – STF.
§ 5º No caso de ofensa a inscrito na OAB, no exercício da
profissão ou de cargo ou função de órgão da OAB, o conselho
competente deve promover o desagravo público do ofendido, sem
prejuízo da responsabilidade criminal em que incorrer o
infrator.
§ 6º Presentes indícios de autoria e materialidade da prática
de crime por parte de advogado, a autoridade judiciária
competente poderá decretar a quebra da inviolabilidade de que
trata o inciso II do caput deste artigo, em decisão motivada,

ÉTICA PROFISSIONAL 16
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expedindo mandado de busca e apreensão, específico e


pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da
OAB, sendo, em qualquer hipótese, vedada a utilização dos
documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a clientes
do advogado averiguado, bem como dos demais instrumentos de
trabalho que contenham informações sobre clientes.
§ 7º A ressalva constante do § 6º deste artigo não se estende
a clientes do advogado averiguado que estejam sendo
formalmente investigados como seus partícipes ou co-autores
pela prática do mesmo crime que deu causa à quebra da
inviolabilidade.

Sigilo Profissional

O sigilo profissional deve ser resguardado acima de tudo,


abrangendo, inclusive, as atividades de assessoria. Mesmo que
o advogado não seja contratado, deverá resguardar o sigilo
das informações prestadas, eis que o sigilo é obrigação
extracontratual.
No caso do advogado desejar postular contra ex-empregador ou
ex-cliente, deverá observar o disposto no artigo 19, do
Código de Ética e disciplina, que assim dispõe:
O advogado, ao postular em nome de terceiros, contra ex-
cliente ou ex-empregador, judicial e extrajudicialmente, deve
resguardar o segredo profissional e as informações reservadas
ou privilegiadas que lhe tenham sido confiadas.
O Tribunal de Ética e disciplina da OAB, entende que o
advogado que desejar postular em nome de terceiros, contra
interesses de seu antigo cliente ou empregador, deverá
aguardar 2 anos para fazê-lo (é a chamada jubilação) . Tal
medida visa equilibrar a relação jurídica entre as partes,
pois obsta que o advogado utilize-se de informações
privilegiadas que tinha à época do desligamento.
Em decisões recentes, assim se posicionou o Tribunal de Ética
e Disciplina:

517ª SESSÃO DE 11 DE DEZEMBRO DE 2008


ADVOGADO DESLIGADO DE ENTIDADE EM QUE ATUOU – ABSTENÇÃO DE PATROCINAR CAUSAS CONTRA A
ENTIDADE PELO PRAZO DE DOIS ANOS – RESGUARDO DE SIGILO: OBRIGAÇÃO SEM LIMITE TEMPORAL.
Advogado que se desliga de entidade em que atuou fica impedido, pelo prazo de dois anos,
de patrocinar causas contra a entidade de que se desligou. De qualquer forma dever
manter sigilo sobre todas as informações de que teve conhecimento em razão de sua
atuação na entidade, sigilo este não sujeito a qualquer limite temporal. Fica também
impedido, sem limite temporal, de patrocinar causas contra ato ou contrato que elaborou
ou sobre o qual opinou durante sua atuação na entidade de que se desligou.
Proc. E-3.706/2008 – v.u., em 11/12/2008, do parecer e ementa do Rel. Dr. ZANON DE PAULA
BARROS – Rev. Dr. LUIZ ANTONIO GAMBELLI – Presidente Dr. CARLOS ROBERTO F. MATEUCCI.

ÉTICA PROFISSIONAL 17
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518ª SESSÃO DE 12 DE FEVEREIRO DE 2009


EXERCÍCIO PROFISSIONAL – PATROCÍNIO DE AÇÕES CONTRA EX-EMPREGADOR – JUBILAÇÃO – PREPOSTO
– IMPEDIMENTO PERPÉTUO.
O advogado deve guardar o lapso de tempo de pelo menos dois anos, contados da rescisão
contratual, para advogar contra o ex-empregador e, mesmo após este período, deve
respeitar sempre o segredo profissional e as informações privilegiadas que lhe tenham
sido confiadas. O impedimento temporário persiste mesmo que não tenha ocupado na empresa
o cargo de advogado. Basta que tenha acesso ou conhecimento de dados que possam ser
usados contra o ex-empregador ou mesmo para a para a captação de clientes ou causas.
Como a questão envolve a garantia do sigilo profissional, é altamente recomendável que o
período de jubilação e o impedimento alcance toda a empresa, não se restringindo apenas
à área de atuação onde trabalhava o empregado. Quando o advogado, com regularidade,
atuou como preposto perante a Justiça do Trabalho, o impedimento de advogar contra o ex-
empregador na Justiça do Trabalho passa a ser perpétuo, porque o preposto deve ter
conhecimento de todos os fatos, depõe como se fosse, em nome e no lugar do empregador, e
está sujeito à pena de confissão.
Proc. E-3.723/2009 – v.u., em 12/02/2009, do parecer e ementa do Rel. Dr. LUIZ ANTONIO
GAMBELLI – Rev. Dr. CLÁUDIO FELIPPE ZALAF – Presidente em exercício Dr. GUILHERME
FLORINDO FIGUEIREDO.

Apesar de não compartilhar com o entendimento esposado na


segunda ementa, face ao caráter perpétuo da medida, ressalto
que o candidato deverá tomar especial cuidado se o examinador
fizer questionamentos sobre a jubilação de ex-empregado que
atuou com freqüência na Justiça do Trabalho como preposto,
pois, segundo o Tribunal, essa pessoa sofrerá um impedimento
permanente, ou seja, não poderá advogar contra o ex-
empregador mesmo após decorridos os 2 anos de jubilação.
Feitas as devidas considerações acerca do tema, destaca-se,
que o sigilo profissional poderá ser quebrado nas seguintes
hipóteses: grave ameaça ao direito à vida, à honra, ou quando
o advogado se veja afrontado pelo próprio cliente e, em
defesa própria, tenha que revelar segredo, porém sempre
restrito ao interesse da causa.
O advogado deve guardar sigilo, mesmo em depoimento judicial,
sobre o que saiba em razão de seu ofício, cabendo-lhe
recusar-se a depor como testemunha em processo no qual
funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado com
pessoa de quem seja ou tenha sido advogado, mesmo que
autorizado ou solicitado pelo constituinte.
Obs: No que diz respeito às confidências entre advogado e
cliente, poderão ser utilizadas nos limites da necessidade da
defesa, desde que autorizado pelo cliente.

Sociedade de advogados: art 15º EAOAB

Regulamentada no Estatuto e inscrita no Conselho Seccional.


Na sociedade podem participar somente os advogados
regularmente inscritos. O estagiário pode ser empregado,
sócio não.

ÉTICA PROFISSIONAL 18
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É uma sociedade de pessoas, civil, mas deve ser inscrita no


Conselho Seccional (estado/território) e não no cartório.
Na sociedade de advogados não poderá ter nome fantasia. Os
advogados poderão colocar o nome de um sócio, podendo
permanecer o de um sócio falecido, caso haja previsão nos
atos constitutivos da sociedade
Advogados de uma mesma sociedade não podem advogar em
interesses opostos. Se isto acontecer, praticaram
tergiversação (vulgarmente conhecida como casadinha). Obs: Em
separação consensual isso não ocorre.

Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de


advogados, com sede ou filial na mesma área territorial do
respectivo Conselho Seccional. O ato de constituição de
filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado
junto ao Conselho Seccional onde se instalar, ficando os
sócios obrigados a inscrição suplementar.
Obs: Quando o cliente contrata uma sociedade e um dos sócios
faz alguma besteira, o cliente pode entrar com uma ação
contra a sociedade. Os sócios respondem subsidiária e
ilimitadamente, além de responder processo disciplinar. Se um
sócio não têm patrimônio vai para o do outro.
A sociedade de advogados pode associar-se com advogados sem
vínculo de emprego, para participação nos resultados.
As sociedades de advogados podem adotar qualquer forma de
administração social. (Ex: atribuição de poderes a um sócio
gerente).

Advogado empregado: artigo 03º CLT (ver artigo 18 EAOAB)

O advogado pode ser empregado de uma pessoa jurídica,


sociedade de advogados ou de outro advogado.
O salário do advogado é fixado por sentença normativa, salvo
se houver acordo ou convenção coletiva. Obs: Sentença
normativa é quando não teve acordo ou convenção, tendo
ocorrido o dissídio coletivo. (acordo coletivo = empresa e
sindicato dos empregados / convenção coletiva = pacto entre
sindicato dos empregados e sindicato dos empregadores)
Abaixo, traçamos um paralelo entre o Estatuto e a CLT, para
que possam ser visualizados os benefícios do advogado
empregado consagrados no Estatuto .

Pela CLT, temos:


-Empregado urbano:
jornada de 08 horas;
adicional de 50% de horas extras

ÉTICA PROFISSIONAL 19
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horário noturno das 22h00 às 05h00, com 20% de adicional


noturno.

Pelo Estatuto temos:


-Advogado empregado:
jornada de 04 horas, desde que não seja exclusivo. Ex:
Advogados que prestam plantões em sindicatos. Se for
exclusivo, trabalhará no regime de 08 horas.
adicional de horas extras, pelo estatuto, é de 100%
horário noturno das 20h00 às 05h00, com 25% de adicional
noturno. Ex: Enxurrada de processos contra a telefônica, onde
necessitou de bastante advogado para fazer defesas.

Obs: O regime de exclusividade deve estar constando no


contrato de trabalho, sendo que a jornada acima de 08h00
deverá ser remunerada como extraordinária.

Obs: O advogado empregado está subordinado ao empregador


quanto às questões trabalhistas, pois, com relação à parte
técnica, inexiste subordinação.

Publicidade

Quando estamos diante desta temática, devemos ter em mente


que tudo aquilo que torne possível a captação de clientela é
vedado pela OAB.
Assim, o advogado poderá fazer uso de publicidade, desde que
à mesma seja discreta e moderada.
Exemplos de situações autorizadas pela OAB:

a) uso de placa, com conteúdo discreto e não mercantilista;


b) títulos e qualificações;
c) endereços;
d) horário de expediente;
e) participação em programas de TV, desde que o cunho seja
informativo, ilustrativo e educacional

Exemplos de situações que não são moderadas e ensejam à


captação de clientela:
a) Anúncio em rádio e TV;
b) Utilização de nome nome fantasia;
c) advocacia anunciada em conjunto com outra atividade (Ex:
imobiliária)
d) Anunciar cargos ou funções exercidas; (Ex: Promotor
aposentado; ex-juiz etc)

ÉTICA PROFISSIONAL 20
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e) Publicar dados mercantis como, por exemplo, valores dos


honorários e formas de pagamento;
f) Anunciar a atividade em adesivos afixados em veículos;
g) Utilizar símbolos oficiais da OAB;
h) Mencionar características da sede da sociedade;
i) Envio de mala-direta a uma coletividade;
j) Inserção de ilustrações, cores, fotos, figuras,
desenhos, marcas e logotipos, incompatíveis com a
sobriedade da advocacia;
k) Distribuição de folhetos ou panfletos;
l) Anúncio em outdoor;
m) Debates com caráter sensacionalista.

Obs: De acordo com o art. 28, do Código de Ética e


Disciplina, o advogado não poderá anunciar a advocacia em
conjunto com outra atividade. Sob o mesmo assunto, temos
decisões interessantes proferidas pelo Tribunal de Ética e
Disciplina, principalmente no que tange ao exercício da
advocacia conjuntamente com imobiliária, conforme abaixo
transcrito:
500ª SESSÃO DE 22 DE JUNHO DE 2007
EXERCÍCIO PROFISSIONAL – ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA – FUNCIONAMENTO EM PRÉDIO QUE ABRIGA
IMOBILIÁRIA – VEDAÇÃO.
A advocacia não pode desenvolver-se no mesmo local, em conjunto com profissão não
advocatícia, exigindo-se nítida e absoluta separação de espaços físicos e funcionais de
cada atividade. No caso, a vedação é notória, na medida em que a entrada do prédio, que
já abriga imobiliária, é única, bem como a sala de espera, os telefones e a funcionária
da recepção são comuns. Tal vedação é ditada pelo princípio basilar da inviolabilidade
do escritório profissional, do sigilo dos seus arquivos e registros e para que não
ocorra a captação de clientela. Inteligência do §3º do artigo 1º do Estatuto da
Advocacia e Resolução nº 13/1997 deste Tribunal.
Proc. E-3.469/2007 – v.u., em 22/06/2007, do parecer e ementa do Rel. Dr. GUILHERME
FLORINDO FIGUEIREDO – Rev. Dr. LUIZ ANTONIO GAMBELLI – Presidente Dr. CARLOS ROBERTO F.
MATEUCCI.

449ª SESSÃO DE 17 DE OUTUBRO DE 2002


ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA – FUNCIONAMENTO NO MESMO IMÓVEL QUE ABRIGA CONSULTÓRIO MÉDICO,
EM SALAS DISTINTAS – IMPOSSIBILIDADE
Vedação ética que se impõe em nome das prerrogativas de liberdade e independência do
advogado, bem assim do dever de sigilo profissional, que é inerente à profissão e
pressuposto da confiança depositada pelos clientes, nos termos dos artigos 7º, I e II,
do EAOAB e 2º e 25 do CED. Parâmetros legais que se afiguram suficientes para ensejar a
mais completa e hermética atuação do profissional do Direito em seu local de trabalho,
palco restrito de confidências, segredos e dramas da pessoa humana, que se veria
devassada pela promiscuidade imobiliária da sala de espera, da secretária comum, das
placas indicativas e até do próprio endereço compartilhado com o profissional da área
médica.
Proc. E-2.663/02 – v.u. em 17/10/02 do parecer e ementa do Rel. Dr. LUIZ FRANCISCO
TORQUATO AVÓLIO – Rev. Dr. JOSÉ GARCIA PINTO – Presidente Dr. ROBISON BARONI.

Honorários advocatícios

Tipos de honorários:

-convencionados (acordados entre as partes)

ÉTICA PROFISSIONAL 21
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-arbitrados judicialmente – caso o cliente não pague


-sucumbência – paga pela parte vencida

É recomendável que o advogado contrate seus honorários por


escrito. Do contrário, poderá convencioná-los verbalmente,
mas, neste caso, se ocorrer qualquer problema, dependerá do
arbitramento dos honorários para que possam ser executados.
O advogado, quando da estipulação dos serviços contratados
pelo cliente, deve analisar os parâmetros estabelecidos na
tabela de honorários feita pelo Conselho Seccional, onde cada
estado têm a sua. O Conselho Seccional fixa tabela de
honorários advocatícios, definindo as referências mínimas e
as proporções, quando for o caso.
O advogado pode cobrar menos que o mínimo, desde que
justifique o motivo (art. 41, do Código de Ética e
Disciplina). Em se tratando de celebração de convênio para
prestação de serviços jurídicos com redução dos valores
estabelecidos na Tabela de Honorários, deverá ter parecer
favorável do Tribunal de Ética e Disciplina (art. 39, do
Código de Ética e Disciplina)..
Pode cobrar mais que o mínimo, devendo observar os requisitos
elencados no art. 36, do Código de Ética e Disciplina.
Presente qualquer um dos requisitos, será permitido ao
advogado fixar seus honorários além do que dispõe a tabela.
O advogado pode até fazer a título gratuito, quando se tratar
de mandato outorgado por outro advogado, para defesa em
processo oriundo de ato ou omissão praticada no exercício da
profissão (art. 22, § 5ª, do EAOAB).
Pode também pegar em patrimônio, mas somente em caráter
excepcional e contratado por escrito (art. 38, parágrafo
único, do Código de Ética e Disciplina)

Qual a forma de pagamento?


A forma de pagamento é a convencionada entre as partes. Caso
as partes nada convencionem, aplicar-se-á a regra do art. 22,
§ 03º, do EAOAB, qual seja: (1/3 no início, 1/3 até a decisão
de 01ª instância e o restante no final).
Essa expressão “restante”, indica que o advogado pode receber
outro tipo de honorário ao final (Ex: Sucumbência). Assim,
incorreto é dizer que a regra do art. 22, § 03º, do EAOAB é
1/3 no início, 1/3 até a decisão de 01ª instância e 1/3 no
final. (cuidado especial com esse tipo de pegadinha)!

Sucumbência

ÉTICA PROFISSIONAL 22
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Os honorários de sucumbência, via de regra, pertencem ao


advogado. Todavia, após julgamento da ADI 1.194 STF, admite-
se disposição em contrário, em decorrência da declaração de
inconstitucionalidade do art. 24, § 3º, do EAOAB.
Quem arbitra o valor é o juiz, utilizando, como parâmetro, o
art. 20, do CPC. Temos, portanto, que a sucumbência poderá
ser fixada entre um mínimo de 10 % e um máximo de 20 %, sobre
o valor da condenação.
No caso de advogado empregado, a sucumbência também é dele.
No caso de sociedade divide-se entre os sócios.
Se for empregado de sociedade também divide-se entre o
advogado empregado e os sócios.
OBs: Os honorários de sucumbência não integram o salário ou a
remuneração, não sendo considerados para efeitos trabalhistas
ou previdenciários.

Honorários Quota Litis

Essa modalidade de honorários indica que o profissional


dependerá do resultado da demanda. (Ex: Ação de danos morais
contra determinada empresa, onde o advogado dependerá do
êxito da demanda para receber sua parte).
Estabelece o art. 38, do Código de Ética e Disciplina:
Na hipótese da adoção de cláusula quota litis, os honorários
devem ser necessariamente representados por pecúnia e, quando
acrescidos dos de honorários da sucumbência, não podem ser
superiores às vantagens advindas em favor do constituinte ou
do cliente.
Parágrafo único. A participação do advogado em bens
particulares de cliente, comprovadamente sem condições
pecuniárias, só é tolerada em caráter excepcional, e desde
que contratada por escrito.
Em interessante decisão recente proferida pelo Tribunal de Ética e Disciplina, assim se
posicionaram:
520ª SESSÃO DE 16 DE ABRIL DE 2009
EXERCÍCIO PROFISSIONAL – CURATELA DE INTERDITA CONCOMITANTE A PATROCÍNIO DA MESMA
CLIENTE – VEDAÇÃO – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – FIXAÇÃO EM PERCENTUAL DE 50% SOBRE O VALOR
A SER RECEBIDO PELO CLIENTE – IMODERAÇÃO.
O exercício do múnus público de curatela em relação à própria cliente, por encerrar
intransponível colisão de interesses, incide, inequivocamente, na proibição contida no
artigo 23 do Código de Ética e Disciplina da OAB, de que "é defeso ao advogado funcionar
no mesmo processo, simultaneamente, como patrono e preposto do empregador ou cliente",
cujo espírito é assegurar a independência do advogado e evitar a ocorrência de conflito
de interesse. Já os honorários advocatícios, segundo preceitua o art. 36 do CED, devem
ser fixados com moderação. Seja qual for a natureza da prestação dos serviços, em regra
não deve o montante da honorária exceder a porcentagem de 30% (trinta por cento) do
valor bruto percebido pelo cliente em se tratando de ações trabalhistas e
previdenciárias. Mesmo diante da estipulação da cláusula quota litis ou ad exitum,
jamais o valor dos honorários poderá ultrapassar o proveito auferido pelo cliente.
Inconcebível, ademais, sobre configurar infração ética do artigo 34, inciso XX, a
percepção ad eternum de 50% da verba alimentícia fixada em prol da cliente, devendo a
base de cálculo dos honorários limitar-se ao total das prestações vencidas acrescida de
até doze prestações vincendas. Precedentes: proc. E-2990/2004, 3.025/2004 e 3.696/2008.
Proc. E-3.740/2009 – v.u., em 16/04/2009, do parecer e ementa do Rel. Dr. LUIZ FRANCISCO
TORQUATO AVOLIO – Rev. Dr. ZANON DE PAULA BARROS – Presidente em exercício Dr. LUIZ

ÉTICA PROFISSIONAL 23
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ANTONIO GAMBELLI.

OAB – Fins e Organização

Dispõe o art. 44, do EAOAB:


Art. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, serviço
público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa,
tem por finalidade:
I – defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado
democrático de direito, os direitos humanos, a justiça
social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida
administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e
das instituições jurídicas;
II – promover, com exclusividade, a representação, a defesa,
a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República
Federativa do Brasil.47
§ 1º A OAB não mantém com órgão da Administração Pública
qualquer vínculo funcional ou hierárquico.
§ 2º O uso da sigla “OAB” é privativo da Ordem dos Advogados
do Brasil.
A OAB participa dos concursos públicos, previstos na
Constituição e nas leis, em todas as suas fases, por meio de
representante do Conselho competente, o qual deverá velar
pela isonomia e integridade do certame. Se constatar
irregularidades ou favorecimentos, deverá retirar-se e
comunicar o Conselho.

Receita

Os inscritos na OAB devem pagar as anuidades, contribuições,


multas e preços de serviços fixados pelo Conselho Seccional,
sendo 45% do bruto destinado para:
I – Conselho Federal (15%)
II – Fundo Cultural (05%)
III – despesas administrativas e manutenção da Seccional
(25%)

O fundo cultural destina-se à pesquisa e o aperfeiçoamento da


profissão do advogado.
Se o presidente de algum órgão da OAB (Conselho Federal,
Conselho Seccional, Caixa ou Subseção) deixarem o cargo no
curso do mandato, deverão apresentar relatório ao seu
sucessor.

Órgãos da OAB:

ÉTICA PROFISSIONAL 24
Leonardo Cremasco Sartorio

Conselho Federal = União


Conselho Secccional = Estados/ Territórios
Subsecções = Município
Caixa de Assistência = Município

Conselho Federal

É o órgão máximo, supremo, possui sede em Brasília, atuando


no interesse da advocacia em âmbito nacional.
O Conselho Federal é composto por um presidente, pelos
Conselheiros Federais integrantes das delegações de cada
unidade federativa e por seus ex-presidentes.
O Conselho Federal é formado por delegações e não turmas,
sendo, que cada delegação é composta por 3 membros ou
conselheiros.
Mediante provimento, elabora listas constitucionalmente
previstas para preenchimento dos cargos nos tribunais.
A elaboração das listas constitucionalmente previstas, para
preenchimento dos cargos nos tribunais judiciários, é
disciplinada em Provimento do Conselho Federal.
O Conselho Federal pode conferir a medalha Rui Barbosa às
grandes personalidades da advocacia brasileira, sendo, esta,
a comenda máxima concedida ao advogado.
Nas sessões de deliberações do Conselho Federal, o presidente
tem direito ao voto de qualidade, eis que não faz parte de
qualquer delegação. No que diz respeito aos ex-presidentes,
terão direito a voz. Exceção: Salvo os que exerceram mandato
antes de 05/07/94 ou em exercício nesta data.
Nas sessões do Conselho Federal existe a possibilidade do
Presidente do Conselho Seccional participar do julgamento,
ocasião em que terá direito a voz.
O presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros e os
agraciados com a medalha “Rui Barbosa”, podem participar das
sessões, com direito a voz.
Cada delegação possui direito a um voto nas sessões, sendo
que o mesmo é tomado por maioria. Assim, como a delegação é
composta por três membros ou conselheiros, o voto será tomado
por maioria. Obs: Se faltar um dos membros de determinada
delegação numa sessão do conselho, os demais deverão anuir no
voto, pois, se divergirem, será invalidado.
O Conselho Federal possui competência para resolver todos os
casos omissos no estatuto.
Para alterar ou editar o Regulamento Geral, Código de ética e
disciplina e os provimentos, e para intervir nos Conselhos
Seccionais, deverá ter o quorum de 2/3 das delegações.

ÉTICA PROFISSIONAL 25
Leonardo Cremasco Sartorio

O Conselho Federal possui comissão de ensino jurídico, que


pode opinar nos pedidos para criação, reconhecimento e
credenciamento de cursos jurídicos.
O Presidente é substituído em suas faltas, licenças e
impedimentos pelo Vice-Presidente, pelo Secretário-Geral,
pelo Secretário-Geral Adjunto e pelo Tesoureiro,
sucessivamente. O Vice-Presidente, o Secretário-Geral, o
Secretário-Geral Adjunto e o Tesoureiro substituem-se nessa
ordem, em suas faltas e impedimentos ocasionais, sendo o
último substituído pelo Conselheiro Federal mais antigo e,
havendo coincidência de mandatos, pelo de inscrição mais
antiga.

O Conselho Seccional pune o advogado. Exceção: O Conselho


Federal vai punir nas seguintes hipóteses:

1) quando quem praticou a infração foi o presidente do


Conselho Seccional.
2) Quando o ato indisciplinar foi praticado contra o
Conselho Federal.
3) Quando quem praticar o ato for membro do Conselho
Federal.

Conselho Seccional = Estado / Território

A composição é proporcional ao número de inscritos. É


proporcional porque cada Estado têm um número de inscritos.
Sobre o mesmo assunto, prevê o art. 106, do Regulamento
Geral:
“Os Conselhos Seccionais são compostos de conselheiros
eleitos, incluindo os membros da Diretoria, proporcionalmente
ao número de advogados com inscrição concedida, observados os
seguintes critérios:
I – abaixo de 3.000 (três mil) inscritos, até 30 (trinta)
membros;
II – a partir de 3.000 (três mil) inscritos, mais um membro
por grupo completo de 3.000 (três mil) inscritos, até o total
de 80 (oitenta) membros.”
O Conselho Seccional fixa o número de seus inscritos mediante
resolução, sujeita ao referendo do Conselho Federal.
Compete ao Conselho Seccional, se constatar grave violação ao
Estatuto, Regulamento Geral ou seu Regimento Interno,
intervir, parcial ou totalmente, nas Subseções e na Caixa de
Assistência aos advogados.

ÉTICA PROFISSIONAL 26
Leonardo Cremasco Sartorio

Ao Conselho Seccional compete exclusivamente o poder de punir


disciplinarmente os inscritos na OAB, em cuja base
territorial tenha ocorrido a infração, salvo se a falta for
cometida perante o Conselho Federal.

De acordo com o art. 58, do EAOAB, compete privativamente ao


Conselho Seccional:
I – editar seu Regimento Interno e Resoluções;
II – criar as Subseções e a Caixa de Assistência dos
Advogados;
III – julgar, em grau de recurso, as questões decididas por
seu Presidente, por sua diretoria, pelo Tribunal de Ética e
Disciplina, pelas diretorias das Subseções e da Caixa de
Assistência dos Advogados;
IV – fiscalizar a aplicação da receita, apreciar o relatório
anual e deliberar sobre o balanço e as contas de sua
diretoria, das diretorias das Subseções e da Caixa de
Assistência dos Advogados;
V – fixar a tabela de honorários, válida para todo o
território estadual;
VI – realizar o Exame de Ordem;
VII – decidir os pedidos de inscrição nos quadros de
advogados e estagiários;
VIII – manter cadastro de seus inscritos;
IX – fixar, alterar e receber contribuições obrigatórias,
preços de serviços e multas;
X – participar da elaboração dos concursos públicos, em todas
as suas fases, nos casos previstos na Constituição e nas
leis, no âmbito do seu território;
XI – determinar, com exclusividade, critérios para o traje
dos advogados, no exercício profissional;
XII – aprovar e modificar seu orçamento anual;
XIII – definir a composição e o funcionamento do Tribunal de
Ética e Disciplina, e escolher seus membros;
XIV – eleger as listas, constitucionalmente previstas, para
preenchimento dos cargos nos tribunais judiciários, no âmbito
de sua competência e na forma do Provimento do Conselho
Federal, vedada a inclusão de membros do próprio Conselho e
de qualquer órgão da OAB;
XV – intervir nas Subseções e na Caixa de Assistência dos
Advogados;
XVI – desempenhar outras atribuições previstas no Regulamento
Geral.

Nas sessões do Conselho Seccional, o presidente têm direito a


voto, e o ex-presidente a voz. Exceção: Salvo os que

ÉTICA PROFISSIONAL 27
Leonardo Cremasco Sartorio

exerceram mandato antes de 05/07/94, ou em exercício nesta


data.
Em tais sessões, também poderão participar o presidente do
instituto dos advogados local, o presidente do Conselho
Federal ou conselheiros federais, presidente da Caixa de
Assistência e das Subseções, os quais terão direito a voz.
Nos processos disciplinares que tramitam no Conselho
Seccional, o relator tem competência para instrução, podendo
ouvir depoimentos, requisitar documentos, determinar
diligências e propor o arquivamento ou outra providência
cabível ao presidente do órgão competente.
O Conselho Seccional fixa a tabela de honorários, definindo o
valor mínimo e, se for o caso, as proporções.

Subseção

Refere-se ao município. A Subseção pode ser criada pelo


Conselho Seccional, necessitando do quorum de quinze
advogados regularmente inscritos para sua criação.
Uma subseção pode abranger um ou mais municípios ou parte de
um de um município.

Caixa de Assistência dos Advogados

Presta todo tipo de assistência em benefício ao advogado.


Para se criar precisa de 1.500 advogados inscritos.
A caixa sobrevive da metade do valor das anuidades
arrecadadas, depois de efetuados os descontos obrigatórios.
Para as subseções não há valor específico. O Conselho
Seccional de imediato paga o salário dos empregados.

Tribunal de Ética e Disciplina

Dentre suas atribuições, destacamos duas de extrema


relevância:

1) órgão julgador dos processos disciplinares instaurados


pelo Conselho Seccional ou Subseção.
2) Órgão de consulta sobre ética profissional.

Processo disciplinar

Como se instaura o processo disciplinar?

ÉTICA PROFISSIONAL 28
Leonardo Cremasco Sartorio

Por ofício ou mediante representação, sendo que esta última


não pode ser anônima.
A representação pode ser feita por qualquer pessoa, mas há um
prazo para oferecê-la que é de 05 anos (prazo prescricional),
os quais são contados do conhecimento do fato.
O processo disciplinar é sigiloso, sendo que seu acesso é
garantido às partes, seus representantes e autoridade
judiciária competente.
A representação vai para o Presidente do Conselho Seccional
ou para o presidente da Subsecção (esta é uma das
alterações). Hoje em dia o processo disciplinar pode ser
instaurado nas Subseções.

Recebida a representação, o presidente do Conselho Seccional


ou Subsecção nomeiam um relator para presidir a instrução
processual.
O relator pode determinar as diligências que entender
necessárias, sendo que pode propor o arquivamento da
representação, quando estiver desconstituída dos pressupostos
de adminissibilidade.
No início da instrução do processo disciplinar, o relator
determina a notificação do advogado representado para
apresentar defesa prévia, no prazo de 15 dias. (Obs: O prazo
para defesa prévia pode ser prorrogado por motivo relevante,
a juízo do relator.)
O representado intimado e não apresentando defesa, ou, se não
for encontrado, será nomeado um defensor dativo.
Oferecida a defesa prévia, que deve estar acompanhada de
todos os documentos e o rol de testemunhas, até o máximo de
cinco, é proferido o despacho saneador e, ressalvada a
hipótese do § 2º do art. 73 do Estatuto, designada, se
reputada necessária, a audiência para oitiva do interessado,
do representado e das testemunhas. O interessado e o
representado deverão incumbir-se do comparecimento de suas
testemunhas, a não ser que prefiram suas intimações pessoais,
o que deverá ser requerido na representação e na defesa
prévia. As intimações pessoais não serão renovadas em caso de
não-comparecimento, facultada a substituição de testemunhas,
se presente a substituta na audiência.
Obs: Se, após a defesa prévia, o relator se manifestar pelo
indeferimento liminar da representação, este deve ser
decidido pelo Presidente do Conselho Seccional, para
determinar seu arquivamento.
Concluída a instrução, será aberto o prazo sucessivo de 15
dias para as partes apresentarem razões finais, a começar
pelo interessado e, após, ao representado.

ÉTICA PROFISSIONAL 29
Leonardo Cremasco Sartorio

Após este prazo, o relator profere parecer preliminar, a ser


submetido ao Tribunal de Ética e Disciplina.
O presidente do TED, quando recebe o processo devidamente
instruído, designa um novo relator o qual vota no processo
disciplinar.
Após o voto do relator, o processo é inserido automaticamente
na pauta da primeira sessão de julgamento, após o prazo de 20
(vinte) dias de seu recebimento pelo Tribunal, salvo se o
relator determinar diligências. Assim, temos, que se o
relator determinar alguma diligência, poderá ocorrer
alteração no prazo de 20 dias, sendo, esse, um tema que exige
muita cautela do candidato ao exame de ordem.
Superada essa fase, a secretaria do TED irá intimar o
representado com 15 dias de antecedência para que apresente
sua defesa oral em 15 minutos.
Obs: Após a declaração de inconstitucionalidade do inciso IX,
do art. 7º, do EAOAB, entendemos restar prejudicada essa
questão (vide ADI nº 1.127-8/ DF) .
Assim, depois de reunidos os elementos necessários, será
proferida a decisão pela Turma Julgadora
Obs: A representação contra membros do Conselho Federal e
Presidentes dos Conselhos Seccionais é processada e julgada
pelo Conselho Federal.
As decisões, quando terminativas, são recorríveis. Todo
recurso têm efeito suspensivo, salvo: eleições, suspensão
preventiva e cancelamento de inscrição obtida com falsa
prova.
Salvo disposição em contrário, aplicam-se subsidiariamente ao
processo disciplinar as regras da legislação processual penal
comum e, aos demais processos, as regras gerais do
procedimento administrativo comum e da legislação processual
civil, nessa ordem.
Caberá revisão do processo disciplinar se ocorrer erro no
julgamento ou se a condenação for obtida com falsa prova.

Notificações e Recursos

As notificações para apresentação de defesa prévia ou


manifestações em processos administrativos, serão feitas por
correspondência com aviso de recebimento, enviada para o
endereço profissional ou residencial, cadastrado no Conselho
Seccional. Para isso, o advogado deve manter seu cadastro
atualizado.
Se a entrega da notificação for frustada, será feita por
edital, a qual deverá constar o nome do advogado e o número

ÉTICA PROFISSIONAL 30
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de inscrição, eis que sigilosa (não pode fazer qualquer


menção ao processo dsciplinar).

Infrações e Sanções disciplinares (de acordo com o Estatuto):

Art. 34. Constitui infração disciplinar:


I – exercer a profissão, quando impedido de fazê-lo, ou
facilitar, por qualquer meio, o seu exercício aos não
inscritos, proibidos ou impedidos;
II – manter sociedade profissional fora das normas e
preceitos estabelecidos nesta Lei;
III – valer-se de agenciador de causas, mediante participação
nos honorários a receber;
IV – angariar ou captar causas, com ou sem a intervenção de
terceiros;
V – assinar qualquer escrito destinado a processo judicial ou
para fim extrajudicial que não tenha feito, ou em que não
tenha colaborado;
VI – advogar contra literal disposição de lei, presumindo-se
a boa-fé quando fundamentado na inconstitucionalidade, na
injustiça da lei ou em pronunciamento judicial anterior;
VII – violar, sem justa causa, sigilo profissional;
VIII – estabelecer entendimento com a parte adversa sem
autorização do cliente ou ciência do advogado contrário;
IX – prejudicar, por culpa grave, interesse confiado ao seu
patrocínio;
X – acarretar, conscientemente, por ato próprio, a anulação
ou a nulidade do processo em que funcione;
XI – abandonar a causa sem justo motivo ou antes de
decorridos dez dias da comunicação da renúncia;
XII – recusar-se a prestar, sem justo motivo, assistência
jurídica, quando nomeado em virtude de impossibilidade da
Defensoria Pública;
XIII – fazer publicar na imprensa, desnecessária e
habitualmente, alegações forenses ou relativas a causas
pendentes;
XIV – deturpar o teor de dispositivo de lei, de citação
doutrinária e de julgado, bem como de depoimentos, documentos
e alegações da parte contrária, para confundir o adversário
ou iludir o juiz da causa;
XV – fazer, em nome do constituinte, sem autorização escrita
deste, imputação a terceiro de fato definido como crime;
XVI – deixar de cumprir, no prazo estabelecido, determinação
emanada do órgão ou autoridade da Ordem, em matéria da
competência desta, depois de regularmente notificado;

ÉTICA PROFISSIONAL 31
Leonardo Cremasco Sartorio

XVII – prestar concurso a clientes ou a terceiros para


realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la;
XVIII – solicitar ou receber de constituinte qualquer
importância para aplicação ilícita ou desonesta;
XIX – receber valores, da parte contrária ou de terceiro,
relacionados com o objeto do mandato, sem expressa
autorização do constituinte;
XX – locupletar-se, por qualquer forma, à custa do cliente ou
da parte adversa, por si ou interposta pessoa;
XXI – recusar-se, injustificadamente, a prestar contas ao
cliente de quantias recebidas dele ou de terceiros por conta
dele;45
XXII – reter, abusivamente, ou extraviar autos recebidos com
vista ou em confiança;
XXIII – deixar de pagar as contribuições, multas e preços de
serviços devidos à OAB, depois de regularmente notificado a
fazê-lo;
XXIV – incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia
profissional;
XXV – manter conduta incompatível com a advocacia;
XXVI – fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para
inscrição na OAB;
XXVII – tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da
advocacia;
XXVIII – praticar crime infamante;
XXIX – praticar, o estagiário, ato excedente de sua
habilitação.
Parágrafo único. Inclui-se na conduta incompatível:
a) prática reiterada de jogo de azar, não autorizado por lei;
b) incontinência pública e escandalosa;
c) embriaguez ou toxicomania habituais.

Art. 35. As sanções disciplinares consistem em:


I – censura;
II – suspensão;
III – exclusão;
IV – multa.
Parágrafo único. As sanções devem constar dos assentamentos
do inscrito, após o trânsito em julgado da decisão, não
podendo ser objeto da publicidade a de censura.

Art. 36. A censura é aplicável nos casos de:


I – infrações definidas nos incisos I a XVI e XXIX do art.
34;
II – violação a preceito do Código de Ética e Disciplina;
III – violação a preceito desta Lei, quando para a infração
não se tenha estabelecido sanção mais grave.

ÉTICA PROFISSIONAL 32
Leonardo Cremasco Sartorio

Parágrafo único. A censura pode ser convertida em


advertência, em ofício reservado, sem registro nos
assentamentos do inscrito, quando presente circunstância
atenuante.

Art. 37. A suspensão é aplicável nos casos de:


I – infrações definidas nos incisos XVII a XXV do art. 34;
II – reincidência em infração disciplinar.
todo o território nacional, pelo prazo de trinta dias a doze
meses, de acordo com os critérios de individualização
previstos neste capítulo.
§ 2º Nas hipóteses dos incisos XXI e XXIII do art. 34, a
suspensão perdura até que satisfaça integralmente a dívida,
inclusive com a correção monetária.
§ 3º Na hipótese do inciso XXIV do art. 34, a suspensão
perdura até que preste novas provas de habilitação.

Art. 38. A exclusão é aplicável nos casos de:


I – aplicação, por três vezes, de suspensão;
II – infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art.
34.
Parágrafo único. Para a aplicação da sanção disciplinar de
exclusão é necessária a manifestação favorável de dois terços
dos membros do Conselho Seccional competente.

Art. 39. A multa, variável entre o mínimo correspondente ao


valor de uma anuidade e o máximo de seu décuplo, é aplicável
cumulativamente com a censura ou suspensão, em havendo
circunstâncias agravantes.

Eleições e mandatos:

De acordo com o art. 63, do EAOAB, a eleição dos membros de


todos os órgãos da OAB será realizada na segunda quinzena do
mês de novembro do último ano do mandato, sendo, eleitores,
os advogados regularmente inscritos.

Os eleitos tomam posse em 01º de janeiro subseqüente, com


exceção dos conselheiros federais, que tomarão posse em 01º
de fevereiro do ano seguinte ao da eleição (art. 65, § único,
do EAOAB).

Os conselheiros federais eleitos, elegem sua diretoria na


data de 31 de janeiro do ano seguinte ao da eleição, às
19h00, a qual tomará posse no dia seguinte (art. 67, IV, do
EAOAB c/c art. 137-A, do Regulamento Geral). Portanto, no que

ÉTICA PROFISSIONAL 33
Leonardo Cremasco Sartorio

diz respeito aos membros do Conselho Federal, tomarão posse


em 01º de fevereiro do ano seguinte ao da eleição, eis que
aguardam a escolha de sua diretoria em 31 de janeiro
O mandato será de 3 anos!
O voto é obrigatório. Se o advogado não votar e não
justificar poderá ser multado em valor equivalente a 20% do
valor da anuidade, e vai para o Conselho Seccional.
Obs: O advogado com inscrição suplementar pode exercer opção
de voto, comunicando ao Conselho onde tenha inscrição
principal.

DA CNA

A Conferência Nacional dos Advogados é órgão consultivo


máximo do Conselho Federal, reunindo-se trienalmente, no
segundo ano do mandato, tendo por objetivo o estudo e o
debate das questões e problemas que digam respeito às
finalidades da OAB e ao congraçamento dos advogados.

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