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RELAÇÃO SÓCIAS NO SÉCULO XXI

A sociedade é uma reunião de pessoas, porém não é só uma reunião, é


a reunião de pessoas com a finalidade de preservar a vida de cada indivíduo
que a compõe. A finalidade do fenômeno social é sua própria condição de
existência. Para alcançar esse fim, a sociedade se organiza como um corpo em
que cada um exerce uma função através do trabalho. O trabalho, por sua vez,
identifica-se como a atividade pela qual o homem se relaciona com a natureza.
Ele é o ato pelo qual se produz um bem, tangível ou não, que pode ser objeto
de troca. É evidente a dificuldade de se estabelecer uma fronteira conceitual
entre o que vem a ser o trabalho e o que é apenas um ato humano, uma vez
que toda ação provoca uma reação a qual pode ser considerada como o
produto ou bem.

As relações de trabalho são as formas pelas quais as pessoas se


organizam para produzir. Ao longo da história da sociedade, os indivíduos
transitaram por diversas formas de produção, ou seja, diversas configuração de
relações de trabalhos, cada qual se dava sob condições específicas
determinadas por fatores históricos, políticos e geográficos.

Da antiguidade à idade moderna, o trabalho caracterizava-se


como uma atividade agrícola e os trabalhadores concentravam-se
majoritariamente nas propriedades rurais. O camponês trabalhava a terra para
obter dela sua subsistência e a do proprietário. Depois da Revolução industrial,
no século XVIII, com o incremento das técnicas de produção, surgiram outras
relações laborais. Os trabalhadores rurais deslocavam-se para áreas urbanas a
procura de melhores condições de trabalho, o que não se consumou com a
chegada dos contingentes populacionais. Esse movimento populacional,
chamado êxodo rural, repete-se ao longo da historia demográfica das
sociedades.

A esse processo econômico seguiu-se mudanças políticas importantes.


O sistema de poder anteriormente nas mãos dos senhores feudais, os danos
de terra, foi sendo gradualmente transferido para as mãos das classes
burguesas industriais. As cidades onde se concentrava uma grande massa
operaria que vivia em condições precárias ressurgiram, então, como centros
fabris no curso da idade moderna. A essa época, praticamentente, todos os
direitos sociais não eram reconhecidos e, por conseguinte, não havia por parte
do poder estado regulamentação das relações de trabalho, as quais se davam
em jornadas extremamente longas (de 16 à 18 horas por dia) e sob péssimas
condições higiênicas. Devido a essas e outras péssimas condições de trabalho,
os operários fabris revoltaram-se contra as classes detentoras das maquinas e
capitais, em uma série de movimentos sociais, a fim de obter melhores
condições de trabalho. E com isso, depois de muitas lutas e conquistas, foram
sendo paulatinamente reconhecidos e incorporados às legislações dos estados
alguns dos direitos sociais referentes ao trabalho.

No século XXI, a maioria dos estados nacionais democráticos detém


garantidos em suas legislações os direitos sociais conquistados ao longo da
história das lutas trabalhista, com sutis diferenças variáveis de estado para
estado. No entanto, observa-se que estes direitos sociais, prescritos nas
legislações, sobretudo os que se referem às relações de trabalho, vêm
sofrendo mudanças. Segundo o sociólogo Ulrich Beck, “estamos convivendo
com dois modelos de pleno emprego; um é o Estado de bem-estar-social,
modelo que previa, além do pleno emprego, seguridade social, plano carreira
para a classe média e estabilidade no emprego. O outro modelo é o que
chamamos de emprego fácil e flexível, que implica carga horária variável,
atividades de meio turno e contratos temporários, nos quais as pessoas
desempenham vários tipos ao mesmo tempo.” (GALISE, FILHO apud
CARDOSO, 2016, p.20). Este segundo modelo é comum nos países de
economias dos recém-industrializados, dos chamados países
subdesenvolvidos.

Nestes países, processam-se dinâmicas de flexibilização das relações


de trabalho, assunto que há pouco tempo vem ganhando relevância nos
debates sobre política econômica. As questões em pauta nas discursões
referem-se às reformas de ordem jurídica. De um lado estão aqueles que
defendem mudanças nos direitos sociais garantidos; do outro lado, estão
aqueles que refutam as teses reformadoras. No Brasil, vê-se que as reformas
constituem um retrocesso para os direitos sociais, sobretudo as que se
referem às condições dignas de trabalho.
É patente que as mudanças feitas a CLT (Consolidação das leis do
trabalho) ,sancionadas em julho do ano de 2017, preconizaram as relações
do trabalho e contribuem para desigualdade social. Entre supracitadas
mudanças, a mais evidente, em termos de precarização das relações de
trabalho, é a mudança que estabelece que acordos entre patrões e
empregados tenham força de lei, o que possibilita ao contratante estabelecer
condições de contrato em posição de poder de embargo superior ao
contratado, dando legitimação à consecução de acordos desvantajosos ao
trabalhador.

Somado à isso, não há nenhuma prova de que a reforma atenderá a


principal motivação do governo, a saber: a geração de empregos. O governo
não apresentou provas que demonstrem que flexibilizar o trabalho reduz a taxa
de desemprego. Como já afirmado, a medida leva apenas a precarização
do emprego, que contribui infelizmente para o retrocesso dos direitos
sociais, como aconteceu há pouco tempo na Espanha. Esta aprovou uma
série de reformas cujos defensores, à época, prometiam aumento no numero
de empregos e, por conseguinte, a saída da crise que o país vem tentando
combater.

Entretanto, após as reformas, o quadro de crise econômica não mudou.


Embora a atividade econômica tenha aumentado o que pode ser comprovado
com significativo alta do PIB, houve apenas o aumento dos lucros embolsados
pelos empresários, em detrimento do salário dos trabalhadores. Dentre estes,
segundo dados do Gestha, órgão governamental espanhol, 34,4% ganha
menos de um salário mínimo. Enquanto isso,
o número de diretores de corporações ganhando salários acima de 300 mil
euros ao ano subiu para 136.502 pessoas. Essas 136.502 pessoas ganham
mais que os 5,7 milhões de trabalhadores com salários mais baixos juntos. A
reforma trabalhista, que fez a Inglaterra ver miséria e salários baixos pela
primeira vez em sua história nos tempos de Thatcher, agora faz a Espanha ver
a desigualdade social disparar. Portanto, não há como defender as
reformulações à CLT, instrumento de força e proteção aos trabalhadores, que
está longe de ser uma ferramenta atrasada, sob a justificativa de que as
mudanças não são um retrocesso para os direitos sociais dos trabalhadores.