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BIOCLIMATISMO

NO PROJETO DE ARQUITETURA: DICAS DE PROJETO

ALGUNS FUNDAMENTOS E INSTRUMENTOS PARA


CONCEPÇÃO
EM CLIMA TROPICAL ÚMIDO
PARA EDIFICAÇÕES PREVISTAS SEM CLIMATIZAÇÃO OU COM
CLIMATIZAÇÃO MISTA

Autores:
Arq. Cláudia Barroso-Krause, D.Sc.
Arq. Maria Júlia de O. Santos, M.Sc.
Arq. Maria Lygia Niemeyer, M.Sc.
Arq. Maria Maia Porto, D.Sc.
Anna Manuela Rodriguez Carneiro Gomes
Kamila Cobbe Teixeira

DTC - Proarq
FAU- UFRJ

Maio de 2002
Algumas palavras...

Esta apostila propõe, para o aluno de graduação, em linguagem simples, as informações básicas
para o início da abordagem bioclimática do projeto sujeito à climatização mista e à opção pela não
climatização; um glossário simples, que explica os principais conceitos (sublinhados no texto)
utilizados; anexos com instrumentos úteis para o acompanhar o desenvolvimento da concepção
do projeto e um guia de utilização destes instrumentos no processo do projeto.
Ela não pretende resolver os problemas ligados ao bioclimatismo e a conservação de energia em
edificações residenciais ou de climatização mista em clima tropical brasileiro, nem apresentar em
detalhes todo o resumo do conhecimento disponível sobre o assunto, mas apresentar noções
básicas que possam ser incorporadas ao processo de início de concepção arquitetônica
permitindo a otimização do projeto face a seu entorno climático e às necessidades de seus
futuros ocupantes.
A pesquisa em qualidade das construções em clima tropical úmido vai muito mais longe e tem
sido objeto de pesquisa intensa. Nossos centros universitários - de Norte a Sul do país - e
institutos de pesquisas tecnológicas vêm procurando integrar e adequar os princípios físicos da
transmissão de calor e as necessidades de caráter ambiental dos diversos tipos de usuários à
nossas diversidades climáticas, culturais e às nossas leis de uso do solo. Muitas das informações
aqui transmitidas vêm dessa massa multidisciplinar de pesquisadores. Outras, de uma geração
anterior, a quem o pioneirismo deve ser reconhecido.
Especificamente a pesquisa em conforto ambiental nas edificações tem procurado tomar uma
nova atitude frente a arquitetura. Ela procura definir uma abordagem do projeto da construção
desde seu início em ligação “íntima” com o lugar, seu entorno, o clima e os hábitos construtivos
locais. Ela procura preservar a liberdade de escolha, mas associando-a à sua responsabilidade
ambiental. Viemos nos dar conta que fomos um pouco longe demais, ao ter confiança cega no
uso de equipamentos para resolver a posteriori aspectos do conforto ambiental no interior das
edificações.
A arquitetura do século XX se caracterizará talvez (ao menos do ponto de vista histórico) por ter
dado exagerada importância à tecnologia, a exclusão de qualquer outro valor. De lá esta
dependência atual em relação ao controle mecânico do ambiente interior, em detrimento da
exploração dos fenômenos climáticos naturais para satisfação de nossas exigências de conforto.
Embora tenha havido um grande acúmulo de conhecimento, o acesso à essa informação já
disponível constitui hoje um dos grandes problemas em todas as áreas, inclusive a da construção.
A medida que os fenômenos envolvidos tornam-se mais complexos e que a gama de materiais e
técnicas possíveis se aperfeiçoam, nos defrontamos na prática, à dificuldade de acesso a esse
saber.
Assim, em geral, arquitetos, construtores e sobretudo auto-construtores, deixam de lado estas
informações, mesmo disponíveis, por se apresentarem sob forma técnica, complexa e fastidiosa.
Donde os erros, ou no mínimo as “prises” de riscos consideráveis na concepção do projeto
arquitetônico. Com isso, a qualidade do ambiente resultante acaba sempre diferente- e em geral
bem inferior- do esperado.
Para o profissional já “em campo” permanece uma certa dificuldade na matéria. Quando sem
tempo para reciclar, com hábitos já enraizados, acaba com dificuldades para incluir, desde os
primórdios do projeto os conceitos necessários à uma boa inserção de sua arquitetura no meio.
Este é talvez o momento mais importante da concepção onde há mais liberdade de escolha
(implantação, partidos, materiais, etc.), escolha essa que “engessará” para sempre (ou até uma
reforma) a edificação.

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Assim, hoje, o tema de conforto ambiental faz parte do novo currículo universitário brasileiro do
curso de Arquitetura. A partir da constatação de que as construções deixaram de responder às
necessidades mínimas de conforto dos indivíduos e às novas necessidades de conservação de
energia do país, surgiu esta disciplina, ministrada na UFRJ em um período letivo. É disciplina
introdutória de outras mais específicas, eletivas mas essenciais e fortemente recomendadas à
formação completa do arquiteto atual.
Que não se espere obter daqui valores precisos previsionais do comportamento do projeto após
sua construção. Estes dados serão sempre resultados de um trabalho especializado, de um nível
de detalhamento muito superior. Mas espera-se que as informações lhes sejam úteis para orientá-
los na iniciação da abordagem bioclimática do projeto.

Os professores de Conforto Ambiental.

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Conforto Ambiental 1° semestre 2002
Índice

Introdução..................................................................................................................... ....................6

1. O homem e suas necessidades higrotérmicas..............................................................................8


1.1. O diagnóstico do microclima................................................................................................10
1.2. A construção, o usuário e o clima........................................................................................12
1.2.1. Trocas por radiação........................................................................................................13
1.2.2. Trocas por condução......................................................................................................14
1.2.3. Trocas por convecção ....................................................................................................16
1.2.4. Muros e esquadrias ........................................................................................................20
1.3. Insolação e o projeto ...........................................................................................................21

2. O homem e suas necessidades lumínicas .... .............................................................................25


2.1. A construção e as fontes de luz...........................................................................................28
2.1.1. Luz e Cor........................................................................................................................29
2.1.2. Fontes de luz natural......................................................................................................29
2.1.3. Fontes de luz artificial.....................................................................................................29
2.1.3.1 Características operacionais das lâmpadas................................................... ............32
2.1.4. A reflexão e a transmissão........................................................... ..................................32
2.2. Iluminação e projeto......................................................................... ...................................33
2.2.1. Sistemas de iluminação natural: zenitais e laterais............... .........................................34

3. O homem e suas necessidades acústicas ..................................................................................38


3.1. Propriedades físicas do som................................................................................................39
3.2. A construção e o ruído.........................................................................................................40
3.2.1 Fonte sonora ...................................................................................................................41
3.2.2. Propagação ....................................................................................................................42
3.2.2.1. Atenuação pela distância.......................................................................................... 42
3.2.2.2. Reflexão e absorsão..................................................................................................43
3.2.2.3. Transmissão..............................................................................................................44
3.2.2.4.Difração......................................................................................................................45
3.2.2.5. Difusão......................................................................................................................45
3.3. Qualidade Acústica..............................................................................................................46
3.3.1 Isolamento acústico/ Materiais isolantes.......... ...............................................................47
3.3.2. Absorção Acústica / Materiais Absorventes....................................................................47
3.3.3. Tempo de Reverberação (TR)........................................................................................48
3.4. O Ruído e Projeto ................................................................................................................48
3.4.1. Identificação e classificação das fontes de ruído................................... ........................49
3.4.2. Qualificação Acústica dos Espaços................................................................................49
3.4.3.Tratamento das Fontes de Ruído de Impacto .................................................................49
3.4.4. Afastar Espaços Sensíveis das Fontes de Ruído...........................................................49
3.4.5. Isolamento dos Ruídos Aéreos......................................................................................50
3.4.6. Condicionamento Acústico .............................................................................................51

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Conforto Ambiental 1° semestre 2002
Índice

Glossário.............................................................................. .....................................................52
.1. Higrotermia.........................................................................................................................52
2. Iluminação..........................................................................................................................55
3. Acústica..............................................................................................................................57

Anexos........................................................................................................................................61
1. Higrotermia.........................................................................................................................61
2. Iluminação..........................................................................................................................72
3. Acústica..............................................................................................................................80

Bibliografia.................................................................................................................................83

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Conforto Ambiental 1° semestre 2002
Introdução

Introdução

O novo cenário de nossos projetos arquitetônicos: as intervenções humanas e o


microclima.
Os grandes centros urbanos assistiram recentemente a uma variação importante no seu
microclima, em função da mudança de ritmo da atividade humana: os milhares de deslocamentos
diários dos automóveis, a refrigeração (ou o aquecimento) e a iluminação intensiva dos edifícios e
dos locais públicos, e mesmo a presença dos milhares de seres humanos constituem hoje fonte
de calor e de tipos diversos de poluição (ruídos, poeiras, hidrocarburetos, e vários produtos das
combustões), e determinam o microclima urbano. Se a estes fatores se associam situações
geográficas especiais, assistimos, tanto em São Paulo como em Atenas e na cidade do México -
situadas em uma depressão e fora do alcance dos ventos de alta velocidade - a um acúmulo
destes digamos subprodutos das atividades humanas, gerando um adensamento dos gases e
uma situação de poluição muito forte.
Resumindo, ao concentrar suas atividades em um só lugar - a cidade - o homem modifica seu
microclima: acontecem temperaturas médias mais elevadas, há a modificação do regime de
chuvas, o aumento da nebulosidade devido à poluição do ar. As chuvas, sendo rapidamente
evacuadas para o sistema de esgoto, pelo excesso de solo impermeável, não tem tempo de
refrescar o solo e o ar, salvo perto dos parques e jardins. Bairros inteiros passam a sofrer com o
calor no verão e na meia-estação. Estes bairros, mais quentes, acabam atraindo as massas de ar,
e, como estas estão carregadas de partículas poluentes, tornam-se bairros quentes e poluídos.
As antigas regras de bem morar dormir de janelas escancaradas, cercar-se de muros baixos,
insinuantes de propriedade, se modificam: por medo ou ruído ou chuva, não se permite a livre
circulação de ar no interior das construções; os muros, cada vez mais altos e impenetráveis,
afastam os ventos de todo o terreno. Construções em "paredão" como em Copacabana, impedem
também o acesso dos ventos locais aos quarteirões internos, impedem o acesso do Sol às ruas
estreitas e aos andares mais baixos das edificações, prejudicando a qualidade do ar em climas
úmidos.
Mas não é só o meio urbano quem sofre. As zonas rurais padecem das filosofias agrícolas
"modernas", e das novas implantações de fábricas, ambas trabalhando com a técnica de terreno
arrasado. Limpa-se e planifica-se o terreno e em seguida começa-se, com mais "conforto" o
projeto de implantação. Com a retirada da camada fértil do solo, e da variedade florestal
existente, o microclima se modifica. Uma parte importante da fauna e da flora desaparecem e
permite a ocorrência de erosão e do empobrecimento progressivo do solo. A qualidade da água
dos mananciais é comprometida e será, segundo alguns o desafio maior do próximo século.
Perde-se o amortecimento da vegetação em relação à ação das chuvas, dos ventos, da radiação
solar. A amplitude de temperatura aumenta.
O microclima se degrada e as soluções tradicionais de projeto deixam de responder aos anseios
de seus usuários.

O homem e suas necessidades ambientais.


Sentir-se confortável é talvez a primeira sensação procurada pelo ser humano. O bebê
confortável ressona ou brinca tranqüilo e, a medida que esse equilíbrio vai se rompendo, dá sinais
claros de agitação e descontentamento. Cada um de nós é incapaz de descrever, quando
confortável, os limites ou as características desta sensação. Entretanto, ao rompimento deste
estado, conseguimos descrever se trata-se de um ruído, um excesso - ou falta - de calor, uma
ausência ou excesso de luz que nos incomoda.

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Conforto Ambiental 1° semestre 2002
Introdução

Depreendemos daí que só existe um conforto, global, indefinível, mas várias fontes,
independentes (mas capazes de se somarem) de desconforto. Assim, o que nos preocupa na
realidade não é o conforto, mas o desconforto. É este que devemos bem conhecer, para melhor
determinarmos suas causas. Desta forma, poderemos, no projeto nosso de cada dia, projetar
mecanismos para evitar ou minorar suas conseqüências.
Por uma questão de hábito, chamaremos este estudo de conforto ambiental. E dividiremos neste
curso a noção de conforto ambiental basicamente em três: conforto térmico, lumínico e acústico,
embora como vimos sejam apenas algumas das facetas1 de um único conceito que envolve o
Homem e suas necessidades ambientais. Conhecendo as bases conceituais destes "confortos”,
capacitamo-nos ao projeto arquitetônico responsável com o usuário e o seu entorno.

1 Aliás, como arquitetos, outros confortos igualmente importantes nos são cobrados como respiratório ergonômico, táctil, visual, etc..que
devem interagir no momento das decisões projetuais

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1. O homem e suas necessidades higrotérmicas


O homem é o que chamamos um animal homeotérmico, ou seja, sua energia vital é conseguida
através de fenômenos térmicos em um processo chamado metabolismo. Sua energia útil,
entretanto é apenas 20% da metabolizada. Os restantes 80% são transformados em calor e
devem ser eliminados para que o equilíbrio seja mantido.
Sempre que o organismo, através de seu sistema termo-regulador, necessita trabalhar muito para
manter este equilíbrio, ocorre a fadiga, e a conseqüente queda de rendimento das atividades, em
um primeiro estágio, e a longo prazo, algum tipo de dano físico (tontura, desmaio, etc..). É o que
pode acontecer, por exemplo, ao se jogar partidas seguidas de vôlei de praia no verão sem
descanso, ou durante as corridas feitas em horários de muito calor, etc..
Assim, o conforto higrotérmico é obtido sempre que consegue manter, através das trocas
higrotérmicas (Fig.T1), um equilíbrio entre seu corpo (que está em torno de 36,7°C) e o entorno.

M - Metabolismo, ou a produção de calor interno do corpo.

R - trocas por radiação. Entre o Sol e o corpo, entre o


corpo e a abóbada celeste, entre o corpo e os demais
corpos ( paredes, etc..)

C - trocas por condução, contato. Entre o corpo e toda


superfície em que ele toca.

Cv - trocas por convecção. Entre o corpo e o ar que está


em seu contato direto.

E - trocas por evaporação. Eliminação do calor pela troca


pulmonar, na expiração e através da pele, pelos poros.
Fig. T1 – Trocas higrotérmicas

As trocas ilustradas anteriormente ocorrem todo o tempo e podem mudar de sentido - de perda
para ganho de calor - segundo haja mudança de local, de momento (dia/ noite), de atividade
(metabolismo) e de vestuário2. O fundamental, para que estejamos em sensação de conforto
higrotérmico é que o somatório dessas trocas seja nulo. Ou seja, todo calor que estejamos
produzindo em excesso possa ser eliminado e que não percamos calor necessário à manutenção
do equilíbrio interno3.
Ou seja, o rendimento de qualquer atividade, possui um vínculo estreito com as condições
higrotérmicas do seu entorno. Para conhecer estes valores, várias pesquisas foram feitas com
inúmeras pessoas em várias situações. Os resultados foram transformados em gráficos de ajuda
ao diagnóstico de conforto higrotérmico chamados diagramas bioclimáticos. Eles interpretam os
valores instantâneos de umidade e temperatura do ar em função de parâmetros de conforto. O
mais utilizado é o realizado pela equipe do Prof. Givoni (Fig. T2).

2 na realidade, de forma mais completa, podemos afirmar que o bom aproveitamento da atividade humana - no lazer ou no trabalho - é função
(com pesos distintos e variáveis) do perfil de cada indivíduo. Chamaremos aqui de perfil sua descrição em termos de compleição física (devido
à idade, tamanho, sexo, saúde, raça, etc. ..), vestimenta, atividade, e, de mais difícil mensuração, de seus fatores econômicos, sociais e
psicológicos.
3 ou seja, para garantir as condições de saúde do organismo, necessitamos que a equação M ±R ± C ± Cv - E = 0 se mantenha ao longo do
tempo.
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40

suor
D 30 condensação aparent
V V' nas partes frias
AC
20
N N'
M M'
H' H 10 frio
desidratação
EC EC'
mucosas
10 15 20 25 30 35 40 45°C

N, N' - zona de conforto e zona de conforto ainda AC - resfriamento através de métodos ativos
aceitável; (condicionamento de ar)
EC, EC' - resfriamento através da evaporação W - necessidade de umidificação suplementar
D - desumidificação necessária H,H' - limite do aquecimento por métodos passivos
V,V' - resfriamento através de ventilação M,M' - uso de materiais do envoltório construtivo

Fig. T2 – Diagrama original de Givoni e as situações “vividas” fora do polígono de conforto.


Fonte: GIVONI, A – L´homme, L´architeture et le Climat

Estes limites estão associados à situações de desconforto higrotérmicas ainda não vividas. Assim,
se plotarmos em um diagrama bioclimático como o anterior os principais valores de temperatura e
umidade de um local, poderemos obter um primeiro diagnóstico de seu clima e das melhores
estratégias de projeto. Exemplo (Fig. T3):

Cidade dados climáticos médios diagnóstico


Estação verão inverno verão inverno
temperatura umidade rel. temperatura umidade rel.
Valores
média (°C) média (%) media (°C) média (%)
Belém 26,2 83 26,2 82
Brasília 21,5 77 18,1 65 (50)
Fortaleza 27,3 74 25,9 81
R. de Janeiro 25,5 76 20,6 23,3
São Paulo 20,4 80 15,6 80
Porto Alegre 23,3 70 14,2 85

Fig. T3 - Tabelas climatológicas do Min. da Aeronáutica - Período 1961/1965 (Fonte: FROTA)

O que é importante entender é que a escolha das estratégias deve ser feita em função do tipo e
do período de ocupação (meses e horas do dia). Em homenagem ao belo trabalho de apoio
desenvolvido pelos Labcon e LabEee (UFSC), ilustremos com as estratégias adequadas para
um projeto de casa de férias usada prioritariamente no inverno ou no verão em Florianópolis.
(Fig. T4)

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30 3
30 30

25 2

25 25
5
20 2
5
2 W[ 2
TBU[°C] 20 10 g/ TBU[°C] 2 0 10
4 15 Kg 4 1
ento ent o
15 ] 15
10 1
10 1 11 10 1 11
5 12 5 12
0 5 0 5
9 8 7 9 8 7
3 3
6 6
0 0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50

Fig. T4 - Diagramas bioclimáticos aplicados a Florianópolis para período de 24h no inverno (15/06
a 15/08) e no verão (15/11 a 15/02). Fonte : Programa Analysis 2.0 - LabEEE UFSC

1.1. O diagnóstico do microclima.

Além do tipo de clima, para todo estudo arquitetônico, é necessário o conhecimento do microclima
envolvido, ou seja, o clima do entorno próximo, Os valores que encontramos nas estações
meteorológicas, são medidos em circunstâncias muito especiais e em geral distintas daquelas do
nosso dia a dia. É necessário um estudo, sobre planta de relevo, para verificar as mudanças
ocasionadas por topografia, cobertura vegetal, densidade urbana, etc.. Da mesma forma que as
montanhas, construções vizinhas podem esconder a radiação solar direta, refletir os raios de Sol,
obstruir e modificar o sentido ou a velocidade dos ventos dominantes.
Na realidade, no estudo do microclima existe um limite além do qual, o assunto torna-se estudo
de urbanismo, escapando às possibilidades de intervenção do arquiteto. Desta forma, é preciso
avaliar apenas o impacto do entorno próximo à edificação - entorno natural, construído ou
legislado - sobre a performance da construção. O que queremos é conseguir identificar os
elementos específicos deste entorno capazes de modificar os dados climáticos padrão das
estações meteorológicas.
Para uma primeira definição das estratégias bioclimáticas de projeto, não sendo possível
conseguir os dados das estações climatológicas, uma pesquisa no terreno pode ajudar-nos a
determinar qual o tipo de clima em jogo. Medem-se os valores médios (média das médias) da
temperatura do ar e da umidade dos meses extremos - que são os piores - e aplica-se na tabela a
seguir (Fig. T5):

TEMPERATURA diagnóstico UMIDADE ABSOLUTA diagnóstico


< que 10°C Frio > 6 g/Kg Úmido
<4 g/Kg Seco
10°C a 20°C Temperado > 6 (10°C) e >9 g/Kg (10°C) Úmido
5
< 4 g/kg Seco
20°C a 30°C Quente > 10 (20°C) e >16 g/Kg (30°C) Úmido
<4 g/Kg Seco
> que 30°C Muito Quente > 186g/Kg Úmido
< 14 g/Kg Seco
Fig. T5 - (Fonte FERNANDEZ)

5 Segundo a relação de tensão de vapor do diagrama de GIVONI, pg. 32.

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Combinando os diagnósticos de temperatura e umidade é possível gerarmos definições de clima


como temperado úmido, quente seco,...etc.. Os resultados servirão de base na escolha das
estratégias mais adequadas.
Quanto aos ventos, em caso de ausência de dados, uma conversa com um ribeirinho, uma olhada
no terreno com uma bússola e a tabela de Beaufort (ver figura T6), em horas e dias e estações
diferentes, podem nos dar uma idéia, pela simples observação dos fenômenos ocorrentes, da
velocidade e direção dos ventos e do tipo de abertura e esquadria necessária ao pleno
aproveitamento deste recurso natural (exemplo de aplicação no anexo T7).

Escala
Velocidade dos
de Fenômenos comumente observados
ventos
Beaufort
0 0 a 0,2 m/s a fumaça (churrasqueira, chaminé, cigarro,..) sobe de forma vertical.
1 0,3 a 1,5 m/s o vento faz a fumaça se inclinar, mas ainda não consegue girar um cata-vento
o ser humano percebe o vento no rosto, as folhas das árvores e do cata-
2 1,6 a 3,3 m/s
vento começam a se mexer
as folhas e os pequenos ramos das árvores das árvores se mexem de forma
3 3,4 a 5,4 m/s
contínua e o vento faz as bandeiras se mexerem
4 5,5 a 7,9 m/s o vento tira a poeira do chão e levanta folhas de papel
as pequenas árvores começam a balançar e começa a fazer espumas nas
5 8,0 a 10,7 m/s
ondinhas dos lagos
6 10,8 a 13,8 m/s fios elétricos começam a se mexer e fica muito difícil usar guarda-chuva
as árvores ficam completamente agitadas e fica muito difícil de se andar de
7 13,9 a 17,1 m/s
frente para o vento
os pequenos ramos das árvores se quebram e não se pode andar
8 17,2 a 20,7 m/s
normalmente sem um esforço terrível, de frente para o vento
as telhas dos telhados começam a ser arrancadas, ocorrem pequenas
9 20,8 a 24,4 m/s
catástrofes com relação à casa
normalmente só ocorre no mar. Quando ocorre na terra, pode arrancar
10 24,5 a 28,4 m/s
árvores com a raiz
Fig. T6 – Tabela de BEAUFORT ref.: Gret (ver bibliografia)

Os dados geo-climáticos podem ser assim em seguida classificados pelo arquiteto como
vantagens, trunfos, ou desvantagens, facilitando sua compreensão na escolha das estratégias de
resfriamento passivo ou ativo, umidificação, desumidificação, aquecimento passivo ou ativo,
inércia, etc.. e serem incorporados à seu estilo, sua estética e a de seu entorno.

1.2. A construção, o usuário e o clima


Gerar uma arquitetura adequada a determinado clima significa elaborar espaços que propiciem ao
seu usuário condições internas microclimáticas compatíveis ao funcionamento de seu
metabolismo nas diversas atividades ali exercidas.
Como dissemos antes, o conforto higrotérmico é obtido sempre que se consegue manter, através
de trocas com o Meio Ambiente ou via uma mudança metabólica, um equilíbrio entre o corpo e o
entorno.
Já temos um instrumento – o diagrama bioclimático de Givoni – que nos permite verificar quais as
estratégias mais eficazes para garantir no interior das edificações um nível de temperatura e
umidade compatível no período ocupado com a atividade prevista.

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Por exemplo, no diagrama de Givoni aplicado para a cidade do Rio de Janeiro ( Ilha do Fundão) e
para um período de ocupação total observamos a seguinte repartição de horas de conforto: 15%
frio (mas não tanto quanto em Florianópolis), 20% conforto e 65% calor (Fig. T7).

Legenda:
1- Conforto 2- Ventilação 3-Resfriamento evaporativo
4-Massa térmica para resfr. 5- Ar-condicionado 6-Umidificação
7- Massa térmica/ Aquec. solar 8- Aquec. Solar passivo 9-Aquec.Artificial
Fig. T7 - Diagrama de conforto para Rio de Janeiro. Fonte: Efic.Energ.Arq. (CD) Lamberts et all

Ora, não nos cabe - como arquitetos - interferir em estratégias que impliquem em uma mudança
metabólica (mudança de vestuário ou de atividade, por exemplo).
Desta forma só nos resta assegurar, via criação do envelope construtivo, uma relação favorável
entre as necessidades humanas e o clima. Assim, retomando a figura das trocas higrotérmicas
(Fig. T1), podemos inserir os elementos construtivos mais comuns e analisá-los (Fig. T8):

Principais trocas higrotérmicas entre o


homem e seu entorno:
R - trocas por radiação: entre o Sol e a
construção, entre a abóbada celeste e a
construção, entre o corpo e as paredes, entre
as paredes
C - trocas por condução, contato entre o corpo e
toda superfície em que ele toca, através das
paredes.
Cv - trocas por convecção. Entre o corpo e o ar
que está em seu contato direto, entre o ar e as
paredes (externa e internamente).

Fig. T8

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1.2.1 Trocas por radiação

Vejamos onde acontecem as trocas por radiação na construção:


• nas superfícies exteriores da construção, coberturas e fachadas, por absorção da
radiação solar, e emissão de calor6 para o céu, ou a abóbada celeste;
• nas superfícies internas da construção expostas à radiação solar, por absorção da
mesma e emissão , se possível7, de calor para a abóbada celeste;
• entre as superfícies internas da construção, paredes, teto e piso, por absorção e
emissão de calor e entre aquelas e o corpo humano , segundo a temperatura que se
encontrem;
Exemplos: Lareiras e tetos radiantes (Fig. T9).

Cv
R
R

C
Cv

Fig. T9

O que acontece? O fogo da lareira irradia tanto para o próprio corpo da lareira quanto para o
espaço à frente da 'boca'. Ao entrar em contato com corpos sólidos, as ondas eletromagnéticas
absorvidas provocam efeitos térmicos (esquentam). Lembramos neste exemplo que a radiação
não esquenta o ar como um todo. Este se aquece indiretamente pela convecção provocada pelo
aumento de temperatura das superfícies atingidas pela radiação, (ver exemplo de convecção no
glossário). Se por acaso a lareira for mal feita, a parede da lareira deixará passar, por
condução, o fluxo de calor provocado pelo excesso de temperatura da superfície interna da
lareira.
Outro exemplo de aplicação da radiação em arquitetura ilustrado na figura T9 é o conceito de teto
radiante, usado em locais frios. O forro possui um sistema ativo de aquecimento (uma resistência
elétrica ou tubulação de água quente embutida no teto). O teto aquecido esquenta por radiação o
ambiente abaixo, sendo conseguida até uma diferença de 6 a 7°C acima da temperatura do ar.
Como idéia de sua eficácia, para uma temperatura do ar de 17°C, é possível obter-se uma
temperatura resultante de 23° a 24°C, em uma diferença da sensação que vai do frio ao conforto.
A variação da radiação solar recebida ao longo de um dia, para cada m2 de uma superfície,
pode ser simulada através de programas de computador. Verifica-se maior ou menor ganho de
calor de acordo com a orientação ou inclinação destas superfícies, que podem ser fachadas ou
águas do telhado de uma construção.
Um dos programas simuladores aos quais temos acesso chama-se CASAMO. Veja exemplo de
simulação no anexo T3.
É importante notarmos ainda que a emissão ou a absorção das ondas eletromagnéticas é função
da geometria da troca, da temperatura dos corpos e das características do material de

6 Chamamos aqui de calor às emissões de ondas eletromagnéticas na faixa do infravermelho.


7 Alguns elementos de construção, como o vidro, são capazes de deixar a radiação solar atravessá-los, permitindo que alcance piso e
paredes, mas impedem, por sua constituição, a emissão de ondas de calor (ou na faixa do infravermelho), no sentido contrário, de volta à
calota, retendo o calor no ambiente. É o princípio do tão famoso efeito-estufa.
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revestimento das superfícies. O que nos dá instrumentos para manipular essas trocas,
aumentando-as ou reduzindo-as. O anexo T4 mostra as características de alguns materiais
quanto à capacidade de absorção à radiação solar e de emissão e absorção em relação a outros
corpos, para trocas de calor (na faixa do infravermelho).
Assim em climas quentes, lajes planas recebem uma carga térmica muito maior que telhados
inclinados e prioriza-se o uso de cores claras nos revestimentos, pois oferecem fatores de
absorção solar baixos, em torno de 0,20 a 0,30, impedindo a absorção de 80 a 70% da radiação
solar incidente.
Telhados em lajes com revestimento asfáltico (betume) aparente (a = 0,90), por exemplo, deixam
entrar 70 % mais de radiação solar que a mesma laje revestida com pintura a óleo branca (a =
0,20).
No Rio de Janeiro, no verão, isto significa que estamos trabalhando potencialmente com valores
de:
- laje plana com asfalto: 7846 Wh/m2 x 0,90 =7061,4 Wh/m2
- mesma laje com pintura clara: 7846 Wh/m2x0,30 =2353,8Wh/m2, ("ganho" evitado de
2
4700Wh/m )
- telhado de uma água (25°) à Sul c/ o revestimento anterior: 7007 Wh/m2 x 0,30 = 2102,1 Wh/m2,
teremos um "ganho" evitado de 5744 Wh/m2 ao longo de um só dia em relação à laje tradicional
2
e 250 Wh/m em relação à laje plana - um excelente método de resfriamento passivo, não?

Embora, lembrando sempre que como arquitetos, devemos pensar nos demais fatores
determinantes de projeto, tais como a manutenção de um revestimento, antes de escolhermos um
material exposto às intempéries. (Por que?)

1.2.2 Trocas por condução

Vimos através da figura 9, que as trocas térmicas por condução são as responsáveis pela
"chegada" e "partida" do calor nos ambientes. Isto porque é ela quem propicia a propagação do
calor através de um corpo homogêneo ou entre camadas distintas de um corpo em temperaturas
diferentes.
O fluxo de calor variará em função da densidade do material (o ar enclausurado é melhor isolante
que a matéria), de sua natureza química (medida através da condutividade) - onde materiais
amorfos são menos sujeitos à condução que os cristalinos, e de sua taxa de umidade (já que a
água é melhor condutora de temperatura que o ar). Veja as características térmicas médias de
alguns materiais de construção no anexo T5.
Em projeto, o importante é que a condução constitui o mais poderoso instrumento, junto à
radiação para controle das condições higrotérmicas internas das edificações, instrumentos
extremamente necessários para obtermos conforto por meios passivos ou o mais baixo consumo
de energia elétrica nos casos onde necessitemos utilizar resfriamento ativo9 ( ar condicionado).
Vamos dar um exemplo:
Uma sala onde necessitemos condicionar artificialmente o ar (uma sala de computadores por
exemplo), e mantê-lo a 18°C para que a temperatura resultante fique em torno dos 20-21°C. Se
as temperaturas das paredes desta sala forem muito superiores a 18°C, ocorrerão trocas por

9 Lembramos que o princípio da climatização ativa é o de obter o conforto ao uso mínimo de energia. Não se trata de sacrificar as condições
de conforto higrotérmico, mas assegurá-las racionalmente.

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convecção e o ar da sala não ficará naquele patamar exigido pelo projeto de 18°C. Imaginemos
que estamos em um instante que o Sol aparece e o exterior está a 37°C (Fig. T10):

Interior climatizado αI
q = λ (40−18) / e

18°C 18°C 40°C 37°C


parede

Fig. T10
No instante seguinte o que acontece:
- a parede externa, em função do material que escolhemos sofre um incremento de temperatura,
e chega, digamos a 40°C. Tendo de um lado 40°C e de outro 18°C, inicia-se um fluxo de calor de
fora para dentro que só irá parar quando as 2 superfícies limites da parede estiverem em uma
temperatura de equilíbrio.
Imaginando, por absurdo, que os raios solares deixem de chegar (Fig. T11), que não haja mais
trocas da parede externa com o exterior e que não haja mais nenhuma outra fonte interna de
troca, este valor será: (40° + 18°) /2, ou 29°C.

Interior climatizado αI
q = λ (40−18) / e

18°C 29°C 29°C 37°C


parede 40°C

Fig. T11

A nova temperatura resultante de equilíbrio será: (18° +29°)/2 =23,5 °C; obrigando o sistema de
condicionamento de ar a ser projetado para uma temperatura de entrada mais fria, o que gerará:
- um consumo maior de energia;
- um desconforto no usuário provocado pelo insuflamento de um ar a uma temperatura muito mais
baixa que a circundante.

O que fazer? Trabalhar com o projeto e os materiais de forma a:


- ter o mínimo de absorção solar na superfície externa - via escolha de orientações apropriadas de
fachadas (anexo T3), sombreamento e/ou fatores de absorção solar baixo (anexo T4);
- escolher materiais de pouca condutividade (anexo T5);
- trabalhar com a espessura das paredes (vejam na fórmula da condução acima que a espessura
(e) aparece no denominador, ou seja, quanto maior for (e), menor será o valor do fluxo
transmitido).
Naturalmente a situação é ainda mais importante quando não estivermos climatizando, pois não
teremos uma "fonte de frio" para compensar o fluxo de calor que estará chegando.

1.2.3 Trocas por convecção

As trocas por convecção constituem o recurso mais próximo ao ser humano, pois intervêm
diretamente na capacidade do ser humano de evacuar o calor pela evaporação nos poros. Ela

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serve também, para dissipar o calor acumulado nas superfícies internas da edificação - paredes,
pisos e teto.
Além disto é ela quem garante a manutenção da qualidade do ar que respiramos. Se a taxa de
renovação de ar de um ambiente é insuficiente para o tipo de atividade que ali se desenvolve, o
usuário será prejudicado, a respiração torna-se menos ativa e há o aparecimento de uma fadiga
prematura e o risco de contaminação aumenta10. Embora possa aumentar segundo a atividade
exercida, admite-se como taxa de renovação mínima de ar novo para obtermos a qualidade do ar
interno, um valor em torno de 30m³/h por pessoa. No anexo T7, o quadro 4 traz um cálculo
estimado de vazão de ar segundo o tipo de esquadria, da posição da abertura e do entorno
construído e alguns valores de de renovação desejáveis.
Voltando ao conforto higrotérmico: em climas quente-úmidos, onde o corpo perde pouco calor por
radiação e por condução (porque as temperaturas ambientes estão elevadas) e se refresca pouco
através da transpiração, devido à alta umidade relativa do ar, as correntes de ar controladas
podem agir de forma bastante positiva para obtermos um conforto higrotérmico no verão.
Como funciona? Através de um meio fluido - o ar - em movimento ela promove "trocas térmicas
por condução" de diversas zonas gasosas do ambiente e entre o ar que nos circunda e a pele de
nosso corpo e dos elementos sólidos em contato - paredes, tetos pisos, móveis, etc - criando um
processo de equilíbrio térmico.
Essas trocas ocorrem naturalmente sempre que há uma diferença de temperatura entre um sólido
e um gás, ou uma diferença de pressão entre dois pontos gasosos distintos.
Na Natureza, os principais responsáveis pelas trocas por convecção são os ventos. Embora um
estudo mais aprofundado dos ventos e de seu manuseio seja complexo, podemos adiantar
algumas ponderações úteis para o projeto:

1- À medida que o ar se aquece, ele fica mais leve (ou menos denso) e sobe, cedendo espaço
para outra massa de ar mais frio ( e mais denso). O ar quente que sobe cria uma área que
chamamos de depressão (sucção) e o ar frio que desce gera uma força de pressão sobre a
terra (Fig. T12).

+
pressão
-
depressão

Fig. T12

No interior das construções o mesmo fenômeno acontece: o ar aquecido tende a se estratificar,


ou seja, a subir rumo ao forro (ou a um eventual andar de cima) e, uma vez sem ter para onde se
deslocar, cria uma camada quente estacionária, que irá aquecer o teto, provocando trocas por
radiação complementares (Fig. T13).

10 Diversos parâmetros agem sobre a qualidade do ar e o homem é extremamente sensível às menores variações de sua composição. Por
exemplo a proporção de CO2 no ar fresco é em torno de 0,03% em volume. Logo que esta proporção atinge 0,15%, o ar já é considerado
viciado, a partir de 0,4%, acontecem as dores de cabeça e os problemas de concentração.
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Fig. T13

2- O vento possui movimento preponderantemente horizontal (Fig. T14) com duas características
essenciais: turbulência e velocidade: a turbulência se caracteriza por um movimento
desordenado do vento em várias direções, provocado pela rugosidade em grande escala
(prédios), é maior perto do solo e diminui com a altitude; a velocidade do vento aumenta à
medida que a altitude (altura) aumenta até tornar-se estável (z ± 400m).

Fig. T14 - Em vista e em planta o deslocamento esquemático do ar.

Para o projeto isto significa algumas interferências diretas:


- Em zona muito urbanizada (com muitos obstáculos), nós não contamos em geral com a
intensidade do vento que nos é oferecida pela estação meteorológica e sim com um valor
menor e eventualmente até em direção contrária, como mostra a figura 21 acima e a figura 6;

- Com as maiores diferenças de velocidade e direção se dando até 100m do solo, a criação de
edifícios de grande altura merece um estudo mais aprofundado dos ventos locais, do entorno
construído e a construir (Fig. T15). A turbulência piora com a altura pelo aumento do
movimento aleatório provocado pelo encontro com a subida do ar por convecção (pela
diferença de temperatura entre a área da empena junto ao térreo e ao teto); uma solução
seria a adoção do uso de pilotis, que direcionam o fluxo a nível do solo, afastando a zona de
turbulência da fachada posterior do edifício.

+
-
Linha de separação
- -
+ -
+ - -
Zona de
- + turbulência
+
-

+ -
Ponto de - -
atração

Fig. T15
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- Quando da implantação de diversas unidades residenciais independentes, é importante evitar


o efeito de barreira à ventilação (causado pela obstrução frontal ao vento da fachada mais
ampla das construções da primeira fila). De uma maneira genérica, quanto mais alta a
edificação, mais afastada será a zona de turbulência da fachada oposta à direção dos ventos
dominantes; esta situação pode ser atenuada pela alternância das posições, o que vai
aumentar as zonas de pressão (que irão "succionar" as turbulências). Um esboço desta
solução e algumas proporções podem ser observados na figura T16 a seguir:

<2A A = altura média


das edificações da
primeira linha
A

Fig. T16 - (Fonte: Hertz)

- De uma forma geral o ar externo passa pelas construções seguindo a direção dos ventos ou
por uma diferença de temperatura gerando zonas de pressão e de depressão (Fig. T16) e
passará por seu interior entrando pelas zonas de pressão (+) e saindo pelas de depressão (-).
Assim é fundamental que nos asseguremos de que exista efetivamente uma superfície de
entrada e outra de saída para este ar em cada ambiente (permeabilidade da construção), a
fim de garantir que a renovação de ar ocorra satisfatoriamente.

3- Horário da ventilação. Considerando que quando promovemos a entrada e saída do vento no


nosso projeto, facilitamos o equilíbrio das temperaturas externa e interna, um cuidado a
se tomar é quanto ao horário de troca. A ventilação cruzada, estratégia mais comum
causadora das trocas por convecção, faz entrar em equilíbrio a temperatura interna do ar com
a externa. Assim, em horas de temperatura externa superior à interna, deixa de ser
interessante o uso sem controle da ventilação. Em contrapartida, uma boa opção de
esquadria e posição de aberturas pode permitir ao usuário resfriar seu ambiente em caso de
queda de temperatura por chuvas ou noite, sem que sua rotina seja alterada.

4- De uma maneira geral, em climas quentes, o uso de forros ventilados é sempre uma boa
estratégia a qualquer hora. Isto porque, como vemos no glossário, a intensidade do fluxo
térmico se expressa por: q= hc ∆T (W/m2) onde hc (W/mºC ) é um coeficiente de trocas
térmicas que varia segundo a posição da troca - horizontal ou vertical - e a sua velocidade de
passagem. E ∆T é a diferença de temperatura das duas superfícies onde ocorre a troca por
radiação, no nosso caso, a superfície interna do telhado e a superior do forro.

Temp.
telhado

T ext

Fig. T17

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Agora se observarmos a figura anterior, poderíamos afirmar que, ao menos durante o dia, a
temperatura do telhado será sempre mais elevada que a temperatura externa (pois soma-se à
temperatura externa em contato com o telhado a parcela oriunda da absorção solar). Assim,
ventilando bastante o ático, promovemos trocas entre a superfície interna do telhado e o ar
exterior que passa, diminuindo sua temperatura. A temperatura de superfície sendo mais baixa,
ocorrerá menos troca por radiação entre a parte inferior do telhado e o forro; donde menor
temperatura de forro e menos fluxo de calor atingindo o ambiente.

É, aliás, o que torna tão atraente a telha de barro colonial SEM verniz ou pintura:

Fig. T18 - Esquema de ventilação natural das telhas

Essas e várias outras estratégias são utilizadas para climatizar naturalmente ambientes, com e
sem uso de umidificação. Em climas muito secos, como Brasília, o recurso de piscinas na direção
do vento e próximas às casas, constitui um desses recursos. O vento ao soprar por sobre a
superfície de água, se umidifica (em valores absolutos), o que faz refrescar o ar (ver anexo T1) e
assegura uma umidade relativa menos baixa e mais confortável.

5- Finalmente, o vento pode trazer sensação de frescor (por quê?), mas também de desconforto,
à medida que se torna mais forte do que nossa necessidade de eliminação de suor. Embora
varie em função da vestimenta, da atividade, de condições metabólicas e da temperatura
circundante, podemos admitir as seguintes velocidades do ar como as máximas confortáveis
para evitar a sensação de arrepio, que é uma reação do organismo à perda de calor acima da
desejada (Fig. T19):

Velocidade máxima situação do usuário (atividade)


tolerada (m/s)
5 sentado ou em pé, imóvel
10 estado de pouca mobilidade (conversando em pé, dando pequenos passos)
15 andando
25 andando rápido ou correndo
>25 desconforto em qualquer atividade
Fig. T19 - Fonte FERNANDEZ

O mais importante nesta fase de interação com os conceitos do bioclimatismo talvez seja que
absorvamos a noção de que o aproveitamento da ventilação natural é uma estratégia muito
10
importante para o conforto e a economia de energia em edifícios residenciais . Somente a sua
otimização deve ser pensada na fase de projeto e em função do entorno para uma correta
adequação do sistema de aberturas e esquadrias em relação aos ventos disponíveis.
E que ao invés do pensamento tradicional de concepção do projeto "em planta" para posterior
elevação, em bioclimatismo é necessário e útil que o projeto seja elaborado simultaneamente em
elevação...

10 E públicos, comerciais, industriais..., dependendo das opções de projeto de climatização feitas e do entorno climático.
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1.2.4. Muros e esquadrias


Os muros e as esquadrias são os "equipamentos" que administram a ventilação disponível no
entorno construído.

Altura = h

Distância à casa = 2 h

Fig. T20 - (Fonte Hertz)

A correta escolha de seu tipo e de sua posição no ambiente projetado é que determinará o melhor
aproveitamento dos ventos incidentes e garantirão a permeabilidade da edificação. É muito
importante que não se confunda aberturas destinadas à renovação de ar e destinadas à
iluminação.
Os desenhos a seguir (Fig. T21) ilustram bem esta diferença. As aberturas para ventilação dos
ambientes serão sempre no máximo de mesma superfície que aquelas projetadas para
iluminação do ambiente.

Em clima tropical úmido torna-se muito importante que se tenha o pleno aproveitamento das
aberturas para a ventilação – mesmo em situação de chuvas – para garantir o melhor
aproveitamento possível, já que a ventilação cruzada não é matéria fácil de se obter em
empreendimentos multifamiliares.

Fig. T21 - Tipos diferentes de esquadrias e muros.

Nas figuras 7, 8 e 9 encontram-se alguns valores de redução do vento disponível em função do


entorno, do ângulo de aproximação escolhido para a fachada e o tipo de esquadria. São, como
praticamente tudo o mais que diga respeito ao deslocamento livre do ar, fruto de estatística e
observação, sendo seus valores mais importantes do ponto de vista relativo que absoluto. É
necessário que a escolha das esquadrias obedeça a critérios de eficiência, para garantir a
superfície de ventilação mesmo em caso de chuva, necessidade de obscuridade e proteção solar.
Alguns tipos de esquadrias - como as janelas de correr - reduzem o espaço efetivo de ventilação,
outras dirigem a distribuição do fluxo de ar no interior do ambiente e a localização e o
dimensionamento dos vãos devem levar em conta estes fatores. O anexo T8 traz alguns tipos de
esquadrias e uma descrição de suas vantagens e desvantagens mais importantes para orientação
no projeto.

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1.3 Insolação e o projeto


Falamos da recepção do corpo humano às diversas formas de calor vindas do construção.
Falamos também, dos meios de transmissão desse fluxo de calor pelo envoltório construído.
Comentamos a maneira pela qual este envoltório interage com o meio ambiente, sobretudo com a
calota celeste e o Sol.
Vimos no anexo T3 que o valor da radiação solar varia de acordo com a orientação. Ela também
varia, de acordo com os dias do anos, pela maior ou menor proximidade e inclinação dos raios
solares. Por isso, falaremos um pouco do que é insolação e o que queremos dela, do ponto de
vista térmico, como arquitetos..

O Sol possui uma trajetória aparente que varia ao longo do dia, ao longo do ano. Entretanto, para
cada latitude, essa trajetória teoricamente se repete a cada ano. Assim, para cada local, segundo
a hora do dia, a estação do ano e a orientação escolhida, temos sempre uma única posição
espacial e um único valor de radiação11.
Para efeitos de projeto, o que queremos saber é, a cada hora desejada, aonde está o Sol, para
conhecermos a direção de seus raios e a potência desta radiação. Desta forma poderemos
conhecer as fachadas mais expostas à radiação, para dimensioná-las e calcular a forma de suas
proteções (beirais e brises). Para isso, o primeiro passo é a compreensão da posição solar.

Meio dia solar

N
O α
a

Por do Sol
E
S
Nascer do Sol

Fig. T22

A posição espacial do Sol pode ser reproduzida no projeto se soubermos qual a sua altura solar -
a - e o seu azimute - a . Se, sobre um ponto do globo, marcarmos a direção dos pontos cardeais
e fizermos uma projeção sobre o solo do Sol em determinado instante, chamamos de azimute ao
ângulo plano que esta projeção fará com o Norte12. E sobre este novo eixo, de a, ao ângulo
relativo à altura solar.
Estes pontos estão marcados em cartas solares disponíveis para as principais altitudes. Veja no
anexo T2 alguns exemplos. Mas como lê-las? Bastante simples:

11 Na realidade, as condições de nebulosidade e poluição também influenciam, atenuando seu valor.


12 Consideramos que para as latitudes Sul do Equador o Sol está ao Norte. No hemisfério Norte a situação se inverte (literalmente questão de
ponto de vista), e o Sol passa a se posicionar a Sul. Para os seus habitantes, o azimute é então calculado em relação ao Sul. Como
consideramos para efeito de projeto a Terra cilíndrica e repartida ao meio no Equador, isto não faz nenhuma diferença.
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a 10° N 10° a
20° 20°
30° 30°

22/06 22/06
13 10
22/09 O 16 8 L21/03
17 80° 7
18 70° 6
22/12 22/12
50° α
30°
10°
S

Fig. T23

Vemos na figura T23 acima uma grande círculo, representando uma projeção do horizonte visto
de cima. Nele, estão marcados os pontos cardeais e as trajetórias solares, sob forma de linhas
que vão do Leste ao Oeste. linhas que se encontram em posição quase paralela, e que têm à sua
direita e esquerda o número do dia ao qual se referem. Cortando-as, existe outro grupo de linhas
que identificam os pontos de passagem do Sol em determinadas horas13 do dia. Finalmente,
na parte inferior do eixo Norte-Sul, encontram-se marcações com valores da altura solar, de 0°
representado pelo círculo externo do horizonte, até 90°, no zênite (representado nas carta solares
pelo ponto de interseção dos 2 eixos).

Assim, para conhecermos um ponto na trajetória solar, traçamos um segmento de reta até o
círculo externo. O valor do ângulo formado pela reta com o Norte nos dará o valor do azimute
solar neste instante. A altura solar correspondente se consegue com ajuda de um transferidor
solar:

Orientar, em planta,

perpendicular à fachada
10º estudada

40º
Colocar o transferidor
60º
sobre o gráfico solar
80º

Fig. T24 – transferidor auxiliar para o desenho em corte da insolação

E como aplicá-la para construção das proteções? Em princípio, para conhecer o efeito dos raios
solares em uma determinada hora e dia sobre as plantas baixas, usamos seu valor do azimute, e
para conhecer a projeção vertical do ângulo espacial, traçamos o valor da altura solar sobre os
cortes.

13 Horas solares, e não horas legais. Ver glossário. Entre outros cuidado, é necessário descontar os horários de verão, quando estivermos
trabalhando com este valores.
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55

58º

Fig. T25 - Aplicação para 10h dos dias 21/3 ou 24/9 e projeção sobre desenho de Olgyay.

Depois é só geometria e desejo para achar a cobertura que melhor se adeqüe ao projeto (Fig.
T26):

Fig. T26 - Projeções diversas de mesma eficiência ( sobre desenho original de Olgyay)

Esta é talvez a parte mais importante da cartilha e... é preciso confessar talvez a menos atraente
em uma primeira abordagem. No entanto após a segunda inserção dos ângulos transferidos
sobre cartas solares no projeto, desenvolve-se um automatismo e a tarefa flui sem problemas.
Para aqueles que sempre projetam em uma mesma cidade, é possível a obtenção de um
diagrama específico para os pontos cardeais e os secundários, de forma a obtermos um traçado
de sombra em horas exatas, o que nos permite ganhar algum tempo.

2. O homem e suas necessidades lumínicas

Nós vimos anteriormente as necessidades higrotérmicas do homem para a plena execução de


suas atividades. Quanto às necessidades lumínicas, elas estão relacionadas, não só à
manutenção da saúde, mas à comunicação. A visão talvez seja o sentido mais solicitado para a
comunicação. A visão permite avaliar distâncias, distinguir formas, cores e volumes com precisão.
Mas, para que suas necessidades lumínicas sejam satisfeitas, alguns requisitos devem ser

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atendidos. Em determinadas circunstâncias, como veremos mais tarde, estes requisitos podem
ser antagônicos às necessidades higrotérmicas, outras vezes as complementarão.
Toda iluminação deve permitir a visão nítida dos objetos, de forma que o homem possa ali exercer
suas atividades o mais eficazmente possível e com conforto, sem que haja fadiga dos órgãos
oculares.
Se todo nosso corpo permite-nos sentir o calor, o frio e a umidade, as células sensíveis à luz
concentram-se nos olhos. O olho é um instrumento ótico que coleta as ondas luminosas e as
transforma em impulsos nervosos que estimulam o cérebro, permitindo a formação e
decodificação de imagens. De modo que a visualização do espaço depende, a princípio, da
abrangência espacial do campo visual (Fig. L1), das propriedades de acomodação e adaptação
do olho e da mobilidade da cabeça. Destaca-se a capacidade de ajuste focal (processo de
acomodação do cristalino) na visualização de pontos de diferentes distâncias e a possibilidade de
adaptação das células fotossensíveis a diversos níveis de iluminação num curto espaço de
tempo.

Fig. L1 – Abrangência do campo visual : A parte central corresponde à área vista pelos dois olhos
juntos, as partes laterais correspondem à visão de cada um dos olhos separadamente, e as
partes pretas correspondem às partes bloqueadas pelo nariz e pelas sobrancelhas.

Evidentemente, a capacidade do sistema visual de bem realizar estes processos varia em função
da saúde dos órgãos envolvidos – incluídas aí, as doenças congênitas e as de desgaste devido à
idade (fig. L2) e ao mau uso – mas também da boa iluminação. Cada tarefa visual, em função do
nível de detalhes envolvidos, merece ser iluminada adequadamente. O mesmo se diz sobre o
entorno, já que o sistema visual se concentra tanto em seus planos de trabalho – objeto de seu
interesse, como também se apercebe da área circundante.

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distância à tarefa visual (cm)


iluminância (lux)
20 30 40 50 60 70 80 10 20 30 40 50 60
i dade (an os) i dade (anos)

Fig. L2 – Influência da idade na visão (Fonte ABILUX)

De toda forma, embora variando de um indivíduo a outro, podemos dizer que a ausência de uma
situação mínima de conforto traz fadiga e desgaste dos órgãos visuais, reduz a acuidade visual
trazendo o mau desempenho das tarefas propostas (mesmo aquelas prazerosas, como ler,
admirar quadros , etc..).
Na realidade, o desempenho visual de uma tarefa é determinado pelo tipo de atividade envolvido
( tamanho da tarefa visual, sua distância até o olho ,etc) e pelo grau de saúde do indivíduo. O
grau de desempenho visual para a percepção de um certo objeto cresce até um certo nível, em
função do aumento do contraste, da iluminância, ou do grau de luminância e pode se estabilizar
ou decrescer diante de um brilho intenso (fig. L3).

Fig. L3 – Desconforto e performance visual ( Fonte Hopkinson)

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O ofuscamento é sentido sempre que há claridade demais no campo visual. Pode ser causado
por uma fonte de luz de grande luminosidade, como lâmpadas, janelas, ou pela reflexão dessa
fonte de luz no campo visual do observador (figura L4), como superfícies refletoras "em ação",
etc..

Fig. L4 – Reflexão da fonte de luz no campo visual do observador.

Assim podemos resumir dizendo que o desempenho visual fundamentalmente depende de dois
parâmetros ambientais:
do nível de iluminamento e/ ou da luminância na superfície de trabalho;
do nível de contraste entre o objeto observado e seu suporte (ou seu entorno).

De uma forma geral, para se obter um ambiente visual não-cansativo, deve-se respeitar, as
seguintes relações de luminância entre á área foco de nossas atividades e o entorno (fig. L5):

Entre o campo visual central (a) e a tarefa


visual propriamente dita (b) 3:1

Entre a tarefa visual (b) e seu entorno 10:1


imediato(c)

Entre a fonte de luz e o fundo sobre o qual se


destaca 20:1
Entre dois campos quaisquer do campo
visual 40:1

Fig. L5 – Relação de luminância recomendadas (ref. ABILUX)

Para cada tipo e atividade existe uma tabela de necessidades lumínicas - expressa em termos de
iluminância dada em lux e de luminâncias (ver anexos L1 e L2, respectivamente). Esta lista está
longe de ser exaustiva, e menciona na realidade valores para campos de trabalho e não
forçosamente a iluminância necessária a todo o ambiente envolvido. Assim vemos que são
necessários 540 lux para uma boa atividade de barbear ou maquiagem, enquanto que a boa

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qualidade na leitura de jornais é assegurada com apenas 320 lux em um ambiente que pode estar
a 110 lux.
Cabe ao arquiteto conhecendo as atividades previstas para cada ambiente projetado, assegurar
uma iluminância mínima adequada, evitar o ofuscamento e a mudança brusca de graus de
iluminância entre ambientes vizinhos.

2.1. A construção e as fontes de luz

Uma vez determinadas as necessidades lumínicas dos indivíduos, o passo seguinte seria
determinar onde e como fornecer a luz que propiciará esta iluminância.
E a que chamamos luz? Luz é a manifestação visual de energia radiante, ou seja, radiação
visível. De uma forma geral, a faixa de radiação que conseguimos enxergar (faixa visível) é
bastante estreita em relação a todo o espectro solar (fig. L6).

Fig. L6 – Distribuição espectral da energia radiada pelo sol.

Essa luz, vem naturalmente do Sol - em uma faixa estreita do espectro da radiação solar,
acompanhada de seu efeito térmico, ou pode ser reproduzida artificialmente. No primeiro caso,
varia em qualidade (cor e direcionalidade) e em intensidade segundo o período do dia e ano.
Iluminação gratuita, deve ser bem aproveitada pelo projeto. No segundo, o arquiteto determina os
parâmetros necessários ao sistema de iluminação, sem restrições de clima ou hora do dia1.

1 o parâmetro térmico de toda iluminação não pode ser esquecido, já que, como podemos observar, a sensação luminosa é sempre
acompanhada de um efeito térmico, dada sua condição eletromagnética.

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2.1.1. Luz e Cor

Um conceito associado a luz é o de cor. A visão das cores depende de três elementos: da fonte
luminosa, das superfícies iluminadas e dos olhos que as vêem.
Chamamos de luz branca, àquela resultante da combinação de todos os raios luminosos de
diferentes comprimentos de ondas provenientes do espectro visível da radiação solar. Já a cor de
um material é na realidade função da reflexão seletiva do fluxo luminoso incidente, reflexão esta
variável segundo as características físicas de sua superfície. Um material que absorva todo fluxo
luminoso nos parece negro fosco, uma porta vermelha, na realidade, absorve todos os
comprimentos de onda do espectro luminoso, exceto o de 700nm (nanômetros), correspondente
ao vermelho.

2.1.2. Fontes de luz natural

O Sol é a fonte de luz natural fundamental. É a luz do sol que, difundida na atmosfera torna-se luz
do céu ou da abóbada celeste sendo fonte primária na iluminação natural de interiores. Em dias
claros e sem nuvens, a luz do céu claro pode ser a principal fonte de luz em um ambiente,
podendo ainda haver uma iluminação suplementar considerável através da luz do Sol refletida
pelo solo, pelas empenas vizinhas à construção, envidraçadas ou não.
Assim, devido à sua grande intensidade e dinamismo (muda permanentemente de posição),
embora o Sol seja a fonte primária da iluminação natural, pode não ser considerado como tal no
projeto e cálculos. Usamos, na maioria das situações, o seu efeito sobre a abóbada, o que nos dá
valores mais constantes, intensos o suficiente para tarefas visuais e menos ofuscantes (a luz do
céu sobre um plano não costuma ofuscar, quem ofusca é o trecho de céu visto.).
Assim padronizamos três tipos de abóbadas, segundo as condições de nebulosidade
apresentadas: céu claro, onde a nuvem é ocasional, parcialmente encoberto (1/3 a 2/3 do total), e
o céu encoberto. A intensidade da luz difusa disponível é menor na primeira situação e maior na
última.
O entorno, natural e construído, comporta-se como uma outra fonte secundária de luz, em função
da cor, tamanho e distância ao ponto de estudo. Em climas tropicais ensolarados, a luz refletida
pelas superfícies externas representa, no mínimo 10 a 15% do total de luz diurna recebida pelas
aberturas nas edificações. Este entorno pode chegar a contribuir com 30% da iluminação
recebida por um edifício em cidades densamente urbanizadas.
A luz natural, dado a seu espectro, nos fornece toda a gama de cores do espectro visível. Ela é
considerada psicologicamente mais atraente, quebrando, ao longo do dia a monotonia, devido às
suas mudanças sutis.

2.1.3. Fontes de luz artificial


Quando energizamos determinados elementos estes passam a emitir ondas na faixa do visível,
gerando o que chamamos de luz artificial. Os produtos que as geram chamam-se lâmpadas e são
classificadas em dois grupos principais: incandescestes (fig. L7) e de descarga (fig. L8).

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Fig. L7 – Exemplos de lâmpadas incandescentes (Fonte Catálogo GE)

Fig. L8 – Exemplos de lâmpadas de descarga (Fonte Catálogo GE)

As primeiras fornecem luz pelo aquecimento elétrico de um filamento a uma temperatura que
produza uma radiação na parte visível do espectro (ver fig. L9). São as conhecidas lâmpadas de
vidro transparente ou translúcidas, espelhadas, halógenas, etc...
Já a luz em uma lâmpada de descarga é produzida pela passagem da corrente elétrica em um
gás ou vapor ionizado. São as lâmpadas fluorescentes, de vapor de mercúrio, etc...

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Fig. L9

Se a iluminância natural depende das condições da abóbada celeste, a artificial também tem suas
restrições. Como essa luz é resultado da aplicação de uma tensão elétrica oriunda da rede
pública, observamos sérios efeitos segundo a relação tensão da rede/ tensão da lâmpada
encontrada (fig. L10).

TENSÃO DA LAMPADA CONSEQUÊNCIAS


MAIOR que a tensão da redução da Potência da lâmpada, redução da
concessionária iluminação e aumento da duração da lâmpada
IGUAL à tensão da a lâmpada terá suas características mantidas
concessionária em 100% dos valores previstos
MENOR que a tensão da aumento da potência da lâmpada, aumento da
concessionária iluminação e redução da vida da lâmpada

Fig. L10 – Relação entre tensão da rede e tensão da lâmpada.

Dissemos antes que o parâmetro térmico de toda iluminação não pode ser esquecido, já que a
sensação luminosa é sempre acompanhada de um efeito térmico No caso da fonte de luz
artificial, existe um efeito a mais, o do gasto energético.

Todo efeito térmico não desejável da fonte luminosa é um duplo desperdício, pois foi gerado às
nossas custas e, em caso de climatização artificial , será retirado com outro gasto. Para
administrar estes fatores, criou-se uma grandeza, chamada Eficiência Luminosa (de uma fonte),
que exprime a eficiência luminosa de uma lâmpada, em relação ao seu consumo. E para
conhecer o percentual da energia consumida pela lâmpada que é convertida no ambiente em luz
e calor, basta dar uma olhada nesta tabela geral da ABILUX (fig. L11).

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calor emitido Calor calor emitido por convecção e


Tipo de Lâmpada LUZ
pelo reator infravermelho condução
incandescente 0 72 18 10
fluorescente 9 32 36 23
mercúrio 11 48 27 14
vapor metálico 13 35 31 21
sódio de alta pressão 14 38 22 26
Fig. L11

2.1.3.1. Características operacionais das lâmpadas

Pode-se avaliar todas as lâmpadas - incandescentes, fluorescentes e de descarga de alta


intensidade - em termos de quatro características básicas de operação. São elas:
EFICIÊNCIA LUMINOSA: É a quantidade de luz emitida por unidade de potência aplicada.
MANUTENÇÃO DE LÚMENS: Diz respeito à diminuição do fluxo luminoso da lâmpada ao
longo do uso.
MORTALIDADE: Expectativa de vida média de um grupo de lâmpadas.
COR: As qualidades de cor de uma lâmpada são caracterizadas por duas diferentes
atribuições:
A aparência de cor (que poderá ser descrita pela sua temperatura de cor).
A sua capacidade de reprodução de cor (que afeta a aparência da cor de objetos
iluminados pela lâmpada).

2.1.4. A reflexão e a transmissão

Como vimos, não somente da fonte luminosa, o usuário recebe o fluxo luminoso. Ele também o
recebe através da reflexão da luz sobre paredes e demais superfícies e via transmissão por
elementos translúcidos ou transparentes à sua propagação (fig. L12).

Fig. L12 – Reflexão e transmissão do espectro luminoso (Fonte Mascaró, in ABILUX).

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Esta recepção de fluxo luminoso pode ocorrer sem que haja modificação da freqüência dos
componentes cromáticos. Na realidade grande parte da luz que vemos, nos chega através de
múltiplas reflexões, transmissões e difusões, desde sua emissão pelas fontes primárias.
Estas propriedades dos materiais circundantes (ver anexos L3 e L4) constituem excelente
recurso para incrementar ou reduzir a intensidade luminosa de um determinado ambiente ou zona
de atenção. Consideramos de uma forma geral dois tipos de reflexão e de transmissão: a
especular, que permite a reflexão ou a transmissão do raio luminoso sem difusão, como em um
espelho, e a difusa, na qual não acontece uma reflexão regular.

2.2. Iluminação e projeto

O que se deveria fazer cada vez mais seria trabalhar a iluminação no projeto, desde os primeiros
esboços, ou seja, junto com a concepção da forma da construção, virem se instalando as
primeiras noções básicas de iluminação dos ambientes, integradas às demais restrições.
E como se poderia pensar nisso? Existem etapas que devem ser seguidas na elaboração de um
projeto de iluminação.
O primeiro passo é analisar o programa. As necessidades visuais são diferentes em cada
ambiente. Pode-se privilegiar a iluminação de uma tarefa localizada, a percepção do ambiente
como um todo, e/ ou ressaltar elementos deste com o uso da luz. As pessoas e a Arquitetura, em
sua expressão se beneficiam da boa iluminação.
A segunda ponderação diz respeito ao fato de que luz e calor são indissociáveis (em maior ou
menor escala, quer a fonte seja natural ou artificial). Assim pensarmos se queremos ou não, e
quando, este acréscimo de carga térmica no ambiente, em função do clima e das atividades ali
desenvolvidas, já nos dá um rumo a seguir.
Então devemos confrontar níveis especificamente requeridos nas tarefas com valores de
luminosidade disponível no local e procurar orientar e dimensionar os vãos pensando em ganho
de luz natural e de calor. Do mesmo modo devemos nos preocupar quanto aos efeitos qualitativos
que podem ser explorados.
O terceiro passo é a complementação da luz natural pela artificial. Esta ponderação deve levar
em conta dois parâmetros: eficiência e custo. Ou o nosso velho custo-benefício.
Em princípio, como a iluminação natural é de melhor qualidade, gratuita, e portanto sem custos ou
desperdícios, tudo nos leva a optar por utilizá-la como iluminação básica, complementando-a com
a artificial, sempre que as necessidades de conforto lumínico o solicitarem. Destacamos as
situações de tarefas pontuais num largo ambiente (fig. L13).

Fig. L13 – Complementação da luz natural com uma fonte pontual artificial.

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A partir das decisões tomadas nesta fase podemos abordar a questão lumínica do projeto de
várias maneiras, como por exemplo:
- verificando o alcance da iluminação natural nos ambientes, programando a distribuição
de sua utilização e estudando sua complementação artificial;
- ou fazendo o caminho inverso ou seja, verificando qual (quais) dos ambientes necessita
de um nível de iluminância mais elevado e posicionando próximo às aberturas;
Como cada projeto e cada arquiteto deve seguir seu próprio caminho, apenas explicaremos aqui
as técnicas relativas à utilização da luz natural nos ambientes, e da complementação com a luz
artificial.

2.2.1. Sistemas de Iluminação natural : Zenitais e Laterais

Uma vez que já sabemos o que necessitamos em termos de iluminamento (anexos L1 e L2) e
quanto dispomos na cidade de nosso projeto (ver anexo L6 – RadLite), o passo - sábio- a
seguir é estudar as possibilidades de se atender a estas exigências. Várias maneiras se
2
apresentam, mais ou menos sofisticadas , para nos atender nas diversas fases do projeto. Aqui
mencionamos o método apresentado pelo IPT. Após conhecermos o potencial da nossa região
podemos ter um pré-dimensionamento das aberturas, cruzando esta informação com a ilustrada
no ábaco da figura L14.
Para garantir um iluminamento mínimo de 150 lux às 8 horas e 16 horas entre 80 e 90% dos dias
do ano. Em função das características da abóbada celeste da região, da altura das edificações e
da dimensão das aberturas.

2 e sofisticada aqui não tem nenhuma conotação pejorativa, mas simplesmente refere-se à maior ou menor necessidade de exatidão dos
cálculos, em função do nível de desenvolvimento do projeto. Na realidade, são os cálculos de Waldram que se tornarão a ferramenta mor do
projeto de iluminação natural, fora do objeto desta cartilha e bem descrita no livro energia na edificação de Lúcia Mascaró, editora Projeto (
objeto do II prêmio Light de energia na Edificação)

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Legenda: J = área da janela do ambiente; A = área do piso do ambiente; θ = ângulo de


obstrução
Fig. L14 - Ábacos para determinação de distâncias mínimas entre: edificações, fachadas internas
de prismas de iluminação, etc... (Fonte : IPT)

O passo seguinte é resolver qual forma de "coleta de luz natural disponível" melhor convém ao
projeto: a lateral ou a zenital.

A primeira se traduz, no projeto, pelas aberturas feitas nas fachadas, que atingem o ambiente.
Naturalmente o maior aproveitamento da luz natural neste caso ocorre perto das janelas, comum
grande declínio a medida que nos afastamos dela (fig. L15).

Fig. L15 – Curva de amortecimento da iluminação natural no ambiente segundo a profundidade


do ambiente; estimativa para uma relação área de janela/ área de parede entre 35% e 100%
(Fonte: JORGENSEN, R. Fan Engeneering, in QUEIROZ, T.)
.

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Observamos que traçando curvas isolux, formadas por pontos de mesmo nível de iluminamento, é
possível verificar distribuição da luz no ambiente, modificando-a segundo seu projeto de
aberturas.
De uma forma geral, o óbvio prevalece, ou seja, quanto maior a área iluminante, maior a
iluminância do ambiente. Entretanto é preciso ficar atento aos problemas ocasionados por zonas
de contraste elevado e de ofuscamento, que ocorrem geralmente quando há incidência solar
direta, superfícies excessivamente refletoras ou visão do céu. A questão térmica associada à esta
penetração de radiação solar direta também deve ser ponderada.

Uma última recomendação: a função de uma janela como elemento de integração exterior–interior
não pode ser esquecida, e na verdade é esta mistura de parâmetros que pode tornar fascinante o
projeto das aberturas. Assim podemos usar nosso conhecimento de orientação, reflexão externa
(em pisos do entorno imediato) e interna (tetos) para gerar um sistema de abertura que reuna
todos estes requisitos, como mostra esquematicamente o desenho da figura L16.

Fig. L16 – Exemplo de combinação de elementos arquitetônicos controlando a luz solar direta e a
luminância da abóbada celeste (Fonte: Mascaró in ABILUX).

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A iluminação do ambiente via sistema zenital oferece uma melhor distribuição dos níveis de
iluminamento sobre os chamados planos de trabalho. Entretanto, uma olhada na figura L17, nos
mostra que o plano horizontal, posição dos domos e clarabóias, recebem uma radiação de
grande intensidade, e durante muito tempo, que não é para ser negligenciada, e sim reduzida (em
regiões quentes) através do dimensionamento correto dos vãos ou do uso de elementos de
sombreamento.

Opções existem, como os "sheds', que podem não captar a luz do sol, uma vez que possuem
uma única superfície vertical envidraçada. Entretanto eles apresentam em geral apenas 30% do
rendimento lumínico de um domo, captor horizontal.
Finalmente além das aberturas que captam a luz solar e de seus elementos redirecionadores e
sombreadores da luz, características do ambiente interno tal como pé-direito, forma do teto e
cores das superfícies interferem no resultado obtido.
No projeto de detalhamento do uso de iluminação natural, estes conceitos devem ser melhor
detalhados, uma série de instrumentos e programas informáticos sendo disponíveis, nos ajudando
a manipular estes dados para obter uma janela que atenda a todos os requisitos.
menor valor segundo menor valor anual
Estação (Estado) Latitude Longitude
Altitude anual -EH1 -EH2
(m) (lux) (lux)
Macapá (AP) 0°10'N 51°03'W 9 15.600 16.500
Uaupés (AM) 0°08'S 67°05'W 90 26.700 27.700
Petrópolis (RJ) 22°31'S 43°11'W 895 18.100 19.700
Rio de Janeiro (RJ) 22°54'S 43°10'W 31 17.900 20.000
Cabo Frio (RJ) 22°59'S 42°02'W 7 18.400 19.900
Porto Alegre (RS) 30°01'S 51°13W 47 9.500 11.600
Rio Grande (RS) 32°01'S 52°05'W 2 9.300 10.700
Fig. L17 - Dados de iluminamento médio em plano horizontal para algumas cidades brasileiras
(Fonte: IPT - Recomendações para adequação climática e acústica, 1986). Dados calculados em
função dos valores de radiação média global no plano horizontal, considerando um fator de
eficiência luminosa para radiação igual a 100 lm/ w, distribuição típica de céu encoberto. Valores
para 8 e 16horas.
* - Os dados de São Paulo estão colocados como referência, pois estes dez últimos anos se
caracterizaram na cidade por um forte aumento da poluição do ar, o que deve modificar -
atenuando- bastante os valores fixados.

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3. Homem e suas necessidades acústicas

Nesse módulo discutiremos a relação do som com o homem e o meio que o circunda.
Para que um projeto tenha condições plenas de conforto é preciso que o tripé formado por
conforto térmico, lumínico e acústico esteja bem resolvido na concepção da proposta. Quando
nos preocupamos com as condições acústicas externas e internas do edifício projetado é porque
sabemos que dependendo do uso que será dado à edificação ela poderá ser fonte de ruído para
o entorno ou ficar fragilizada por sua interferência.
Se propomos, por exemplo, uma escola para uma determinada área, é preciso que saibamos que
ela será fonte de ruído na vizinhança e que a qualidade acústica das salas de aula poderá ser
comprometida se as áreas próximas (internas ou externas) forem ruidosas.
As fontes podem ser classificadas como ruído aéreo (propagado pelo ar) ou de impacto
(propagado pelo corpo sólido – vibração) e para cada uma delas haverá um tratamento acústico
específico.
O estudo cuidadoso da área onde o projeto será inserido, identificando os tipos de fontes e o grau
de incômodo provocado por seu nível de ruído, é imprescindível para que a implantação do
projeto seja feita adequadamente. Barateamos o custo do tratamento acústico (quando este se
faz necessário) quando adotamos uma implantação correta. Podemos reduzir a entrada de ruídos
na edificação utilizando maiores afastamentos, adotando-se um partido que bloqueie o ruído,
explorando desníveis que existam no terreno ou criando barreiras.
A setorização das atividades devem ser propostas a partir da hierarquização dos espaços,
entendendo sempre que se é preciso maior privacidade ou pouquíssima interferência de ruídos,
então precisamos dos ambientes que atuam como fontes sonoras.
Adotando como exemplo um projeto de creche, entendemos que os berçários deverão ficar
afastados das áreas de recreação e serviço, pois estas áreas são geradoras de ruído.
Além do isolamento, em um estudo de acústica nos projetos precisamos estudar com maior rigor
a forma das superfícies, pois estas definirão o direcionamento da onda sonora refletida.
Superfícies convexas são excelentes refletoras de som contribuindo para melhor difusão do
mesmo. Superfícies côncavas são concentradoras de som, devem ser evitadas ou substituídas
por superfícies poli-prismáticas. A adoção de superfícies paralelas também concentra o som, por
isso buscamos outras soluções em teatros, auditórios e estúdios de gravação.
Os itens que se seguem foram dispostos com objetivo de entendermos, nas fases de projeto,
como a acústica deve ser pensada.
Inicialmente ficamos atentos aos ruídos existentes e as soluções para atenuação do mesmo. É a
fase de esboço do projeto em croqui. Em seguida, já definidos volumetria, partido, setorização e
implantação é hora de definirmos a especificação dos materiais construtivos e de revestimento
combinados com a forma interna das superfícies. Para isso é imprescindível conhecermos o
desempenho dos materiais quanto à absorção e reflexão do som.
O condicionamento acústico da sala, que envolve o estudo de reverberação, é nessa seqüência,
a última etapa de estudo e completa a tríade no estudo de acústica: estudo de isolamento, forma
e reverberação.

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3.1. Propriedades físicas do som

Vivemos “mergulhados” num campo sonoro. Um som é, muitas vezes, a única informação
possível para o que ocorre fora do nosso campo visual. No entanto, enquanto podemos desviar o
olhar, para evitar uma visão desagradável, é impossível selecionar – de forma precisa – o que nos
interessa ouvir. A audição complementa a visão na identificação dos elementos externos do
entorno.
Existe som, segundo a Física, sempre que um corpo vibra, produzindo a perturbação nas
moléculas do meio que o envolve. Esse movimento é transmitido às moléculas vizinhas
produzindo ondas sonoras, que alteram a pressão atmosférica, quando o meio de propagação é o
ar. Um tom puro pode ser graficamente representado como uma onda sonora senoidal. Na
pratica, dificilmente se encontra um tom puro, mas, sons complexos podem ser decompostos em
uma série de tons puros.
Para o ouvido humano, a faixa audível (fig. A1) está situada entre as freqüências de 20 e 20 x 103
Hz, sendo maior a sensibilidade entre 1 e 4 x 103 Hz. As freqüências situadas acima desta faixa
são chamadas de ultra-sons e as situadas abaixo de infra-sons.

400Hz 1600Hz 20000Hz


20Hzz

infra- graves médios agudo ultra-


Fig. A1 – Faixa audível.

Um som pode ser caracterizado por 3 grandezas físicas: Pressão (P), Intensidade (I) e Potência
(W) Sonoras. Mas, como o ouvido humano é sensível a uma faixa muito extensa de pressões
sonoras (de 2 x 10 –5 a 20 Pa) e como esta sensibilidade varia (é maior para sons mais fracos e
menor para sons mais fortes1) foi adotada uma escala logarítmica2, cuja unidade é o decibel (dB).

Os valores desta escala vão de 0 dB (limiar de audibilidade) e 130 dB (limiar de dor). Valores
superiores a 130 dB podem causar rompimento do tímpano (fig. A2).

Fig. A2

Como a sensibilidade do ouvido humano também não é uniforme em relação às diversas faixas
freqüências (é mais sensível aos sons agudos) deve ser feita uma correção (curvas de
ponderação) nos níveis de pressão medidos: o dB(A) é o decibel ponderado de acordo com a
curva (A), que simula as reações do ouvido humano.

1 Segundo a lei de Weber e Fechner a sensação sonora é proporcional ao logaritmo da excitação provocada pelo som.
2 Lembrando que a função logarítmica e a exponencial estão intimamente relacionadas, e trabalham com movimentos quantitativos rápidos, ou
seja a adição e subtração de sons não se faz de forma linear como ocorre com os fenômenos ligados à radiação (térmica ou luminosa), por
exemplo...

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Já ruído pode ser definido com a “mistura de tons cujas freqüências diferem entre si por valor
inferior à discriminação (em freqüência) do ouvido humano” [TB-143/ABNT]. Pode ser aéreo
quando propagado pelo ar (por exemplo, a voz) ou de impacto quando o meio de propagação é
sólido (por exemplo, o ruído de passos sobre uma laje). Na prática, é chamado de ruído todo som
incômodo ou indesejável. A classificação é subjetiva; em geral nos incomoda o som produzido
pelos outros: o ruído do tráfego, o barulho do ar condicionado, a música e a conversa no
apartamento vizinho,...
O ruído incomoda quando:
impede a recepção de uma informação desejada;
impede a emissão de uma mensagem;
está dissociado visualmente de sua fonte.
A noção de ruído "admissível" varia de um indivíduo para outro, em função dos hábitos, e
circunstâncias. Mas concorda-se que para todos, nos períodos de descanso ele é particularmente
desconfortável. Os doentes, os bebês e os idosos são os grupos populacionais mais sensíveis.
Mas o silêncio também pode incomodar: quando o ruído de fundo é muito fraco a presença de um
som inesperado pode assustar. É comum, em locais excessivamente silenciosos, o uso de fontes
sonoras (rádio ou TV) que aumentem ligeiramente o ruído de fundo. Qualidade de vida, do ponto
de vista acústico, é a possibilidade de conviver com os ruídos significantes e desejados.
A exposição ao ruído pode ocasionar uma série de patologias. Em ordem crescente:
Alterações na qualidade do sono,
Falta de eficiência;
Falta de concentração;
Tensões e mudanças de comportamento;
Fadiga mental;
Perda temporária da audição;
Perda permanente da audição.
A perda de capacidade auditiva, que ocorre naturalmente com o envelhecimento, pode ser
acelerada pela exposição a ruídos muito elevados, por longos períodos de tempo. As fontes
sonoras consideradas mais desagradáveis são os caminhões e as motocicletas. Mas concertos
de rock, a prática de certos esportes motores, o uso freqüente de head-fones podem provocar
perdas auditivas temporárias. No entanto, uma das causas mais comuns de lesão auditiva é a
“surdez profissional”, causada pela exposição ao ruído no ambiente de trabalho (indústrias
pesadas, aeroportos). A legislação brasileira atual (NR-15/MT) classifica como insalubres os
ambientes cujos níveis sonoros sejam superiores a 85 dB.

3.2. A Construção e o Ruído

Qualquer situação acústica envolve, necessariamente, três elementos: fonte sonora, meio de
propagação e receptor (fig. A3).

propagação propagação

fonte receptor fonte

Fig. A3

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O nível sonoro percebido pelo receptor depende da quantidade de energia sonora emitida pela
fonte e das características do meio de propagação – o chamado campo sonoro.
O Campo Sonoro Direto, ou Campo Livre, ocorre quando entre a fonte sonora e o receptor não
existe nenhum tipo de obstáculo que modifique o trajeto das ondas sonoras (fig. A4). Neste caso
o nível de ruído está diretamente relacionado à distância entre a fonte e o receptor: quanto mais
longe da fonte, menor é o ruído percebido. Como, em situações reais, sempre existe um plano
refletor representado pelo piso, é importante conhecer também o coeficiente de absorção do solo.

Fig. A4

Campo Sonoro Reverberante, ou Campo Difuso, ocorre quando a onda sonora encontra
obstáculos, é refletida e permanece por algum tempo no ar (fig. A5). Neste caso – como em um
quarto ou uma rua com seção vertical em "U" – o nível sonoro não depende mais apenas da
distância fonte/ receptor, mas da geometria do local, que induz a direção da reflexão e dos
coeficientes de absorção dos materiais de revestimento das superfícies refletoras (fachadas e
solo, externamente ou pisos, paredes e teto, no interior).

Fig. A5

3.2.1 Fonte sonora


É o elemento responsável pela emissão do som. Pode ser classificada como:
Desejável, indiferente ou incômoda: de acordo com o desejo e posição do
receptor;
Fixas (indústrias, canteiros de obra e boates) ou móveis (veículos);
Direcional (o som emitido é mais intenso em uma determinada direção) ou
omnidirecional (o som emitido se distribui uniformemente em todas as direções);
Pontual, linear ou de superfície: dependendo da distância fonte/ receptor e da
escala do problema analisado:
Pontual: as dimensões da fonte são insignificantes em relação à sua distância ao
receptor. Exemplos: um veículo – isoladamente; uma fábrica, no contexto da
cidade;
Linear: uma de suas dimensões é significativa em relação à distância fonte/
receptor. Exemplo, uma via de tráfego de veículos;
De superfície: quando as ambas as dimensões são significativas. Exemplo: uma
fábrica, no contexto da quadra.
Níveis sonoros são funções logarítmicas e, portanto, não podem ser somados algebricamente.
Quando duas fontes funcionam simultaneamente o nível sonoro resultante corresponde a um
acréscimo de 3 dB no nível sonoro inicial. Por exemplo, (fig. A6), dois caminhões, com um Nível
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de Potência Sonora (NPS) de 70 dB, cada, funcionando juntos produzirão um ruído de 73 dB


(NPS total).
NPS = 70 dB NPS total = 73 dB

Fig. A6
Infelizmente a recíproca é verdadeira...
Quando duas fontes emitem ruído simultaneamente o nível sonoro total será igual ao da fonte
mais potente, acrescido do valor fornecido pela tabela abaixo:
NPS total 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
NPS1 – NPS2 3 3 2 2 2 1 1 1 1 1 0
Se a diferença for superior a 10 dB, o nível sonoro total será igual ao maior dos dois. Neste caso
ocorre o fenômeno de mascaramento do ruído mais fraco pelo mais forte.

3.2.2. Propagação
A construção e seus elementos – muros, fachadas, esquadrias, pisos, paredes e tetos – são
obstáculos que alteram o caminho de propagação das ondas sonoras, modificando em
quantidade (nível sonoro) e qualidade (espectro sonoro) o ruído emitido pelas fontes e percebido
pelos usuários.

3.2.2.1. Atenuação pela distância


Lembrando: o nível de potência sonora depende da fonte e o nível de intensidade sonora é
característico do som percebido pelo receptor. A relação entre os dois níveis é função da:
• distância fonte/ receptor: quanto mais distante a fonte menor o nível sonoro percebido;
• tipo de propagação
A propagação esférica é a que ocorre quando temos fontes pontuais. O nível de intensidade
sonora decai na proporção do quadrado do raio das distâncias. Na prática, resulta em uma
redução de 6 dB cada vez que a distância fonte/ receptor é dobrada (6dB/dd).
A propagação cilíndrica refere-se a fontes lineares, que emitem energia sonora segundo
superfícies semicilíndricas. Neste caso, o ruído decai na razão direta da distância, resultando em
uma redução sonora de 3 dB a cada vez que a distância fonte/ receptor é dobrada (3dB/dd).
N dB
(N-3)dB

(N-6)dB

xx
2x
4x

Fig. A7

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3.2.2.2. Reflexão x Absorção


Assim como a luz, ao encontrar uma superfície plana e rígida, a onda sonora é refletiva segundo
um ângulo de reflexão igual ao ângulo de incidência, o que permite estabelecer a direção das
ondas refletidas. No entanto, no caso do som, este comportamento só é verdadeiro se a menor
dimensão do obstáculo for, no mínimo, quatro vezes maior que o comprimento da onda incidente.
Para sons graves (grande comprimento de onda) a relação entre o tamanho do obstáculo e o
comprimento de onda deve ser sempre verificada.

β
LL>
4λ L
L>
β’

Fig. A8

A quantidade de energia refletida depende da natureza mais ou menos absorvente do obstáculo.


Superfícies “duras” são mais reflexivas, superfícies “macias” mais absorventes. Por exemplo, um
muro coberto de vegetação refletirá menos energia que um muro concreto. Quanto maior o
coeficiente de absorção (α) de um material menor será a energia refletida. Observemos a tabela
de coeficientes de absorção de alguns materiais:
Materiais Coeficiente (α)
125 250 500 1000 2000 4000
Reboco áspero, cal 0,03 0,03 0,03 0,03 0,04 0,07
Chapas de mármore 0,01 0,01 0,01 0,02 - -
Tapete de 5mm sobre base de feltro 0,07 0,21 0,57 0,66 0,81 0,72
Uma pessoa com cadeira 0,33 - 0,44 - 0,4 -
Público em ambientes muito grandes, por pessoa 0,13 0,31 0,45 0,51 0,51 0,43
Janela aberta 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00
Lã mineral de 50mm coberta de papelão denso 0,74 0,54 0,36 0,32 0,30 0,17

3.2.2.3. Transmissão
Um ruído pode “atravessar” uma parede ainda que ela não apresente nenhuma abertura. O que
ocorre é que ao ser atingida por uma onda sonora a parede vibra e passa a funcionar como uma
nova fonte. Neste caso podemos dizer que o som foi transmitido pela parede.

E incidente
E
transmitida

Fig. A9

Para obter um bom isolamento sonoro é conveniente verificar o índice de redução sonora (R)

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 42


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proporcionado pelo material (fig. A10). No caso de paredes simples, quanto mais “pesado” (ou
denso) for o obstáculo, menor será a quantidade de energia sonora transmitida.

Massa Índice Massa Índice


Espessura Espessura
Material Superficial (R) Material Superficial (R) dB
cm 2 cm 2
kg/ m dB(A) kg/ m (A)
1,2 8 18
2,5 16 24
Madeira Vidro 0,3 8 27
3,8 24 27
5,0 33 28
1,9 12 20
0,06 7 27
Compensado 2,5 16 24 Plexiglas
1,5 18 32
3,2 21 26
0,06 4,5 20
10,5 114 35 0,08 23
Bloco de concreto Chapa (*)
15,2 171 39 0,1 7 25
0,13 19 27
Tijolo 10,0 211 42 Alumínio 0,32 9 24
Placa de Concreto 10,0 244 45
Plástico sobre treliça Chumbo 0,16 18 32
1,2 22 27
metálica
Fig. A10 – índice de redução sonora de alguns materiais (Fonte: CETUR)

3.2.2.4. Difração
Quando o som encontra frestas ou obstáculos menores que seu comprimento de onda as ondas
tem sua direção e magnitude modificadas, o som é difratado (Figura A11). A difração pode
ocorrer quando o som passa através de janelas, pilares, vigas, muros, etc. É o fenômeno que
explica o funcionamento das barreiras acústicas, muito importantes para o controle de ruído
urbano.

nova
f

Fig. A11

3.2.2.5. Difusão

Irregularidades na superfície refletora podem provocar a difusão – as ondas sonoras se espalham


em diversas direções, promovendo uma distribuição mais uniforme da pressão sonora e um
ganho no conforto acústico. Embora haja fórmulas para cálculos precisos, de forma geral, um
elemento arquitetônico (viga, balcão, pilar) será mais eficiente para provocar a difusão se sua
largura for igual ao comprimento da onda sonora e a profundidade das irregularidades de sua
superfície igual à sétima parte desse comprimento.

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3.3. Qualidade Acústica

As características do ambiente construído – interior e exterior – são responsáveis pela qualidade


acústica do espaço resultante. De fatores como forma, dimensão, volumetria, revestimento e
material de vedação depende o som percebido pelo receptor. O tratamento acústico de um
ambiente deve conciliar o isolamento quanto aos ruídos externos com a inteligibilidade para os
sons desejados. Para isso é necessário que o ambiente não apresente acidentes acústicos (ecos,
focos) e que o ruído de fundo (tabela abaixo) e o Tempo de Reverberação (Anexo A2) sejam
adequados às atividades a que o espaço se destina.
Locais dB (A) NC
Hospitais
Apartamentos, Enfermarias, Berçários, Centros Cirúrgicos 35 - 45 30 -40
Laboratórios, Áreas para Uso do Público 40 - 50 35 - 45
Serviços 45 - 55 40 - 50
Escolas
Bibliotecas, Salas de Música, Salas de Desenho 35 - 45 30 - 40
Salas de Aula, Laboratórios 40 - 50 35 - 45
Circulação 45 - 55 40 - 50
Hotéis
Apartamentos 35 - 45 30 - 40
Restaurantes, Salas de Estar 40 - 50 35 - 45
Portaria, Recepção, Circulações 45 - 55 40 - 50
Residências
Dormitórios 35 - 45 30 - 40
Salas de Estar 40 - 50 35 - 45
Auditórios
Salas de Concerto, Teatros 30 - 40 25 - 30
Salas de Conferência, Cinemas, Salas de Uso Múltiplo 35 - 45 30 - 35
Restaurantes 40 - 50 35 - 45
Escritórios
Salas de Reunião 30 - 40 25 - 35
Salas de Gerência, Salas de Projetos e de Administração 35 - 45 30 - 40
Salas de Computadores 45 - 65 40 - 60
Salas de Mecanografia 50 - 60 45 - 55
Igrejas e Templos (Cultos Meditativos) 40 - 50 35 - 45
Locais para Esporte
Pavilhões Fechados para Espetáculos e Atividades Esportivas 45 - 60 40 - 55

Fig. A12
Mesmo entre arquitetos e engenheiros não é rara uma certa confusão no uso dos termos
isolamento e absorção sonora, dois fenômenos diretamente relacionados às propriedades dos
materiais de construção. Na realidade as diferenças entre materiais isolantes e absorventes são
bastante significativas, e de modo geral, materiais absorventes são maus isolantes e vice-versa.
Entretanto, após a compreensão dos dois fenômenos e um correto diagnóstico, é possível, caso
os dois efeitos sejam necessários simultaneamente uma montagem de materiais. Por exemplo, a
aplicação de espuma ou carpete (absorventes) sobre uma parede de alvenaria de blocos de
concreto (isolante).

3.3.1. Isolamento Acústico / Materiais Isolantes

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O isolamento acústico consiste em dificultar a transmissão sonora. Um bom isolante deve ser
rígido, compacto, pesado. A capacidade que um elemento de vedação (parede, divisória,
esquadria,...) tem de se opor à transmissão do ruído depende de seu Índice de Redução Sonora
( R ) (fig. A10). Em geral temos:
Paredes Simples, onde o isolamento depende da massa superficial (do “peso”) desta.
Segundo a “Lei da Massa”, a cada vez que a espessura é dobrada o isolamento aumenta ±
4 dB, sendo maior para as altas freqüências (aumenta cerca de 4 dB a cada vez que a
freqüência é dobrada).
Paredes Compostas – Este tipo de opção de vedação é conveniente quando se deseja (ou
necessita) evitar o uso de paredes muito espessas e pesadas. Materiais absorventes,
quando colocados entre painéis rígidos, funcionam como “mola” minimizando a transmissão
do ruído. Este conjunto (Fig. A13) - que não obedece rigorosamente à lei da massa -
costuma apresentar um índice de redução sonora maior que o de uma parede homogênea,
com a mesma espessura.

efeito “mola”

painéis rígidos

material absorvente

Fig. A13

3.3.2. Absorção Acústica / Materiais Absorventes

A absorção sonora consiste em reduzir ao máximo a reflexão da energia sonora que incide sobre
uma superfície. A energia absorvida é parcialmente dissipada (como energia térmica) e
parcialmente transmitida.

Eref
Edis Einc – energia incidente

Etra Eref – energia refletida


Einc Etra – energia transmitida
Edis

Fig. A14

Na realidade, nenhum material é totalmente absorvente (ou reflexivo), parte da energia sonora
sendo sempre refletida pelo material (fig. A14). A capacidade de absorção de um material

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(medida em sabine4) é indicada pelo seu coeficiente de absorção sonora (α), e varia de 0 a 1
(tabela da página).
O desempenho de um material como absorvente acústico varia segundo as diversas faixas de
freqüência. Dois são os principais tipos de materiais absorventes:
Materiais Fibrosos e Porosos – permitem que a onda sonora penetre e se propague em
seu interior. Após sucessivas reflexões sobre as paredes dos poros a energia sonora é
dissipada sob a forma de calor (energia térmica). Os materiais porosos (ex: espumas
sintéticas) ou fibrosos (ex: lãs minerais) são, de modo geral, mais eficientes nas altas
freqüências.
Painéis Flexíveis - Quando uma onda sonora atinge um painel flexível, a vibração
provocada pela pressão exercida sobre o painel transforma parte da energia sonora em
energia térmica. Painéis flexíveis afastados da parede por uma camada de ar são
excelentes para absorver as baixas freqüências. Se o painel estiver colado diretamente
sobre a parede, a eficiência será maior nas altas e médias freqüências.

3.3.3. Tempo de Reverberação (TR)

É, por definição: “o tempo necessário, para que o nível de pressão sonora diminua de 60 dB,
depois que a fonte cessar”. O Tempo de Reverberação Ideal (anexo A2) varia em função do
volume da sala e do tipo de atividade a que ela se destina.
É do TR que depende fundamentalmente a qualidade acústica de uma sala: uma sala “morta” que
absorva todas as reflexões não é boa, por exemplo, para ouvir música. Muitas vezes é necessário
o prolongamento do som de um instrumento para atingir o fundo de um auditório ou,
simplesmente, para “esticar” um acorde. Por outro lado, o excesso de reflexões pode prejudicar a
inteligibilidade “embaralhando” as palavras ou as notas musicais.
O TR pode ser ajustado através da relação entre superfícies reflexivas e absorventes (via
revestimentos de pisos, paredes e tetos). Foi Wallace Sabine que, a partir de um problema real5,
definiu empiricamente a primeira fórmula para determinar o Tempo de Reverberação:

Tr é o tempo de reverberação, em segundo


0,161V onde: V é o volume da sala, em m
3
Tr =
∑ S1α 1 Si é a área dos diferentes revestimentos internos, em m
2

αi é o coeficiente de absorção de cada revestimento

3.4. O Ruído e Projeto

O projeto dos edifícios tem, frequentemente, relegado o conforto acústico a um plano posterior e
secundário. O comportamento acústico dos espaços costuma ser estudado apenas em ambientes
«especiais» (auditórios, estúdios,teatros...). Argumenta-se que tratamentos acústicos são muito
caros. E, em parte isto é verdade : corrigir falhas de projeto é, de fato, caro e difícil, prevenir
entretanto não. A qualidade acústica do projeto pode depender do cumprimento de algumas
etapas, simples, durante o processo de concepção do edifício.

3.4.1. Identificação e classificação das fontes de ruído

4 Homenagem a Wallace Sabine


5 Sabine, no final do século passado, resolveu o problema da falta de inteligibilidade de um auditório em Harvard colocando almofadas
macias e absorventes nas cadeiras do local. Posteriormente, duas outras fórmulas foram desenvolvidas: a de Norris-Eyring e a de Millington-
Sette
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O primeiro passo para evitar ou solucionar os problemas decorrentes do ruído é identificar as


fontes de ruído. Localizar as fontes de ruído existentes no entorno do edifício (vias de tráfego,
indústrias, atividades de lazer) e verificar as fontes que serão criadas pelo próprio projeto (casas
de máquinas, equipamentos, salões de festa, prismas de ventilação). Em seguida, classificar as
fontes como de ruído aéreo ou de impacto.

3.4.2. Qualificação Acústica dos Espaços


Checar o nível de ruído de fundo (tabela das páginas) recomendado para os espaços projetados.
Estabelecer uma “escala” de sensibilidade ao ruído: por exemplo, um quarto é mais sensível ao
ruído que a sala, que é mais sensível que o banheiro e assim por diante.

3.4.3.Tratamento das Fontes de Ruído de Impacto


O ruído de impacto deve ser tratado na fonte, a proteção no ambiente receptor é muito pouco
eficiente. As fontes devem ser “desacopladas” de paredes e piso para evitar que o ruído de
impacto seja transmitido a toda estrutura. Alguns exemplos e soluções:

• máquinas e equipamentos : apoios elásticos (molas, sapatas de neoprene);


• dutos e tubulações: quando embutidos nas paredes podem ser revestidos com materiais
absorventes (lã de vidro, lã de rocha);
• atividades de impacto sobre lajes de piso: pisos flutuantes, manta de material elástico
ou absorvente entre a laje e o contrapiso atenuam o ruído de passos e arrastar de móveis.

3.4.4. Afastar Espaços Sensíveis das Fontes de Ruído


Evitar, sempre que possível, a contigüidade entre espaços sensíveis das fontes de ruído. A
proteção do edifício contra o ruído emitido pelas fontes do entorno começa pela implantação. A
figura abaixo apresenta duas implantações possíveis para um mesmo edifício: a solução da
esquerda é (acusticamente) mais adequada porque expõe apenas uma das fachadas diretamente
ao ruído da rua e cria ainda um pátio interno protegido.

ru a

Fig. A15
Os espaços interiores podem, também, ser hierarquizados em função do ruído como no exemplo
da figura abaixo. Na fachada voltada para a via de tráfego podem ser localizados os espaços
menos sensíveis (acessos, circulações, escadas) reservando a fachada protegida para os
ambientes sensíveis ao ruído (quartos, escritórios). Áreas de serviço e cozinhas devem, de
preferência, ser afastadas dos quartos de dormir, caso isto não seja possível, evitar a passagem
de tubulações de água e esgoto pela parede divisória e isolar contra ruídos aéreos.

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Fig. A16

3.4.5. Isolamento dos Ruídos Aéreos


Como nem sempre é possível afastar espaços ruidosos de espaços sensíveis o isolamento
sonoro deve ser suficiente para garantir que o ruído de fundo seja compatível com os parâmetros
de conforto (tabela das páginas). Como foi visto anteriormente, para paredes simples vale a “Lei
da Massa”. Uma parede de alvenaria de tijolos cerâmicos (esp = 15 cm) isola cerca de 35 dB e
uma laje de concreto cerca de 45dB (contra ruídos aéreos). Quando a diferença entre o nível de
ruído de fundo e o ruído na fonte for maior que estes valores o isolamento precisará ser reforçado
aumentando-se a espessura da parede ou usando o princípio da parede composta (painel rígido
sobre material absorvente).

Esquadrias são um dos pontos fracos da fachada: por serem, usualmente, fabricadas em
materiais leves (lei da massa), quase sempre possuírem elementos vazados (venezianas,
grelhas) e pela dificuldade de “selar” as frestas entre a alvenaria e o caixilho e entre este e as
folhas móveis. Janelas duplas, com folhas paralelas desconectadas entre si podem apresentar
um desempenho bem superior ao de uma janela simples com o dobro da massa superficial
(princípio da parede composta. A tabela abaixo apresenta valores médios de desempenho de
janelas.
Esquadria Janela Janela comum Janela comum fechada Janela com Janela
Aberta fechada e calafetada vidro duplo dupla
R dB(A) 7 22 27 27 a 35 35 a 45
Compartimentos vazados (varandas, sacadas) podem funcionar como espaços de transição para
a propagação sonora, protegendo o interior do edifício do ruído da rua (fig. A16) principalmente se
algumas de suas superfícies forem tratadas com materiais absorventes. esta é uma alternativa
interessante por não interferir na ventilação, importante em clima tropical-úmido.

Fig. A17

3.4.6. Condicionamento Acústico


Teatros, auditórios, estúdios, salas de aula ou qualquer outro espaço destinado à música ou a voz
humana devem, necessariamente, ter o tempo de reverberação calculado de modo a garantir sua
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qualidade acústica. Entretanto, mesmo em espaços menos “nobres” o arquiteto se preocupar com
o condicionamento acústico: espaços muito reverberantes são desagradáveis e provocam
desconforto por dificultar a inteligibilidade dos sons desejados.
Uma vez que, em espaços exteriores, os materiais mais constantemente usados (concreto,
cerâmica, pedras, asfalto) possuem baixo coeficiente de absorção sonora, a presença de
vegetação pode ter um efeito significativo na ambiência sonora dos espaços ao ar livre pelos
efeitos da absorção, difusão e do mascaramento. Desempenham a mesma função de um
revestimento absorvente aplicado sobre o solo ou as fachadas: deformam o espectro do ruído,
atenuando os sons agudos e criando uma ambiência mais “surda”. Sob o efeito do vento, podem
se tornar uma fonte sonora secundária, mascarando os ruídos indesejáveis.
Entretanto, a vegetação não possui, por si mesma, um efeito de barreira significativo. A
atenuação de provocada por uma faixa de cem metros de vegetação densa é de apenas 10dB(A),
ou seja, 1 dB(A) para cada 10 metros de vegetação, o que pode ser considerado insignificante
(Fig. A18). O uso de vegetação sobre taludes de terra, nas bordas das vias de tráfego, se
bastante eficiente, mas são os taludes e não a vegetação que se opõem à propagação do ruído.

10 m de vegetação = - 1 dB(A)

Fig. A18

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Glossário
Pequeno glossário informal. Menos que uma definição científica precisa, que englobe todo o
espectro necessário a plena compreensão dos preceitos envolvidos, este glossário busca,
respeitando a veracidade das informações, uma re-apresentação dos conceitos científicos
‘básicos ao estudo arquitetônico de conforto ambiental, em linguagem leiga, favorecendo sua
compreensão. Quando necessário, no trato diário, poderão – e deverão – ser consultados os
livros mencionados na bibliografia.

1. Higrotermia

Calor - calor é a energia transferida entre corpos de diferentes temperaturas. Ocorre até que os
dois atinjam uma mesma e nova temperatura, situada entre as anteriores. É medido em unidade
de energia, que no sistema internacional é representada pelo Joule (J). Entretanto quando nos
referimos ao ser humano, por vezes utilizamos outra unidade, a caloria (cal), que representa a
quantidade de calor necessária para que 1 grama de água aumente em um grau Celsius (ou
Kelvin). A equivalência se faz segundo a fórmula: 1J=0,24 cal. Ou 1cal =4,18J.
Clima - é o conjunto de fenômenos meteorológicos que caracterizam, durante um período longo,
o estado médio da atmosfera e sua evolução em determinado lugar. Nos interessamos, ao
projetar a duas situações climáticas : o que acontece ao longo do ano, sobretudo para as
edificações de uso permanente, e as estações críticas, ou seja em geral verão e inverno.
Condução - consiste na troca de calor entre dois corpos em contato, ou dois pontos de um
mesmo corpo, que estejam a temperaturas diferentes:

O valor desta troca - chamado intensidade do fluxo térmico - varia segundo a


q distância entre os pontos, a diferença de temperatura e o tipo de material
envolvido. A fórmula de cálculo é:
40ºC 20ºC onde λ é a condutibilidade térmica do material e e a espessura
λ
q = ∆ t , do elemento (parede, por exemplo); é definido em W/mºC; 2e
e em metros, ∆T em ºC, o que gera a unidade de fluxo q em W/m

Condensação - é a troca térmica proveniente da mudança de estado gasoso para líquido. O ar


possui uma certa capacidade de retenção de água, sob a forma de vapor, que aumenta
sobretudo à medida que a temperatura aumenta. Quando o ar é resfriado, esta capacidade se
reduz, podendo chegar a uma temperatura limite (temperatura de ponto de orvalho). Podemos
observar este fenômeno nos banheiros, após um banho de chuveiro no inverno, quando o vapor
d'água quente, ao entrar em contato com a superfície mais fria dos azulejos (ou do teto) se
condensa e goteja. Se por um lado esta condensação é acompanhada de um gasto de energia
equivalente ao de evaporação, por outro, em arquitetura, torna-se fonte de patologias, se não
antecipado e tendo as superfícies protegidas.
Convecção - troca de calor entre dois corpos em contato, sendo um deles sólido e outro fluido
(líquido ou gás), que estejam a temperaturas diferentes. A intensidade do fluxo térmico se
expressa por: q= hc ∆T, (W/m2) onde hc (W/mºC ) é um coeficiente de trocas térmicas por
convecção, que varia segundo a posição da troca - horizontal ou vertical - e a velocidade de
passagem do fluido.

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Tempo 1 → tempo 2 → tempo 3


Ar a
Parede Parede 19°C Parede
Ar a Ar a Ar a
a 20°C a 19°C a 18°C
18°C 19°C 18°C
Ar a Ar a Ar a
18°C 18°C 17°C

Diagrama psicrométrico - reunião de dados de temperatura (seca e de bulbo úmido) e umidade


(absoluta e relativa) do ar, sob forma de gráfico segundo as relações encontradas na natureza.
Energia - no contexto da dualidade energia-potência, seria a potência utilizada por um
determinado período de tempo. A unidade é Joule, embora possa ser expressa também por Wh
(ou de forma menos freqüente, e ultrapassada BTU ou ainda caloria (cal)). A conversão se faz :
1kJ = 0,278Wh, ou 238,66 cal, ou ainda 0,948 BTU
Equinócio - época do ano em que a trajetória aparente solar nos oferece, em toda a Terra a
mesma duração para o dia e para a noite. Acontece 2 vezes por ano, nos dias 23 de setembro e
22 de março nos dias Ver também solstício.
Evaporação - é a troca térmica proveniente da mudança de estado líquido para o gasoso de um
corpo, no nosso caso a água. É necessário uma certa quantidade de energia para esta troca, que
varia segundo a umidade ambiente e a velocidade do ar. O fenômeno inverso chama-se
Condensação.
Higrotermia - na realidade existe uma relação indissociável entre o valor da temperatura e da
umidade do ar para o conforto humano, assim, em Conforto Ambiental usa-se este termo -
higrotermia - para caracterizar a relação desta duas grandezas físicas, ao invés de simplesmente
Térmica ou Higrometria. Em países onde os valores de umidade permanecem sempre estáveis ou
dentro dos limites aceitáveis, a Higrometria tende a ser colocada de lado como fonte de
desconforto e estuda-se somente os fenômenos térmicos.
Hora legal, hora solar - a hora legal é aquela que marca nosso relógio (quando certo), em cada
cidade. Altera-se em algumas épocas do ano - horário de verão - quando, pelo fato da trajetória
solar ser mais extensa, e o dia começar mais cedo e terminar mais tarde (ver diagramas solares),
opta-se por retroceder em uma hora os relógios, fundamentalmente para economizar energia
elétrica, embora também proporcione um período de lazer pós-trabalho muito benéfico ao ser
humano. A hora que é marcada nos gráficos solares, no entanto corresponde à realidade, ou seja
o meio dia solar acontece quando o Sol passa elo meridiano local, dividindo o dia em duas
metades idênticas. É o meio dia solar. As demais horas se somam ou se subtraem como as
legais. Há alguns outros fatores que a diferenciam da hora legal, ligados sobretudo ao fato de que
a Terra não é, como a abstraímos, esférica, nem roda precisamente sobre seu eixo. De uma
forma geral, a zero hora de cada dia é marcada sobre o meridiano de Greenwich, que por
convenção possui a longitude 0°. A partir daí a cada 15° de longitude, contabiliza-se uma hora a
mais ou a menos, segundo se esteja a leste ou a oeste dele. Em seguida, existe um acerto
nesses valores, decididos politicamente, para evitar um excesso de fusos horários sobre um
mesmo país, ou conjunto deles. No Brasil, nosso meridiano de referência é o que passa por
Brasília. Assim, para um cálculo preciso, a diferença em graus de longitude em relação a ela14
dará - na proporção de 4 minutos para cada grau de distância, a hora solar da localidade.

14 existe ainda uma correção, expressa pela Equação do tempo devido à alternância do eixo da Terra, mas o observatório oficial já faz esta
conta quando escutamos : "Em Brasília...:

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Metabolismo - é a produção de calor interna ao corpo humano, permitindo a este manter sua
temperatura interna em torno de 36,7°C. Ao metabolismo de base de um corpo em descanso se
soma um valor metabólico necessário à execução de uma determinada atividade. Como exemplo,
uma pessoa dormindo relaxada produz 70 Watts; em movimento moderado, sentada, pode
produzir de 130 a 160 W; chegando até a produzir 1.100W, durante pouco tempo, executando
tarefas pesadas.(Fonte Koenigsberger)
Microclima - clima específico de uma área geográfica muito reduzida que se diferencia, por
circunstância de relevo ou urbanização, do clima da região que a cerca.
Potência - no contexto térmico, seria a capacidade máxima de produzir/ consumir energia de um
corpo, seja uma lâmpada ou uma hidroelétrica. É medida em Watt . Outras expressões também
traduzem potência como: J/s,kcal/h, Btu/h ou HP. As conversões se fazem assim: 1W = J/s, ou a
0,862kcal/h, ou a 3,41Btu/h ou a 0,001HP. Assim Itaipu pode produzir 12.600MW, uma lâmpada
incandescente pode consumir 60W e uma lâmpada fluorescente compacta pode consumir 11W
para fornecer o mesmo nível de iluminação da incandescente anterior.
Radiação - troca de calor entre dois corpos sem contato entre si, que estejam a temperaturas
diferentes. A troca é feita através de suas capacidades de emitir e absorver energia térmica. Esta
troca variará segundo os aspectos geométricos e físicos das superfícies envolvidas. Os principais
coeficientes envolvidos serão os coeficientes de absorção ( ) e de emissividade ( ). No caso das
construções, trabalhamos muito com o coeficiente de absorção da energia solar, e de absorção e
emissividade na faixa do infravermelho.
Solstício - Época do ano em que a trajetória aparente do Sol que corresponde ao percurso
extremo solar. Existem dois solstícios: o de verão, onde ocorre o dia mais longo do ano, e o de
inverno, que nos oferece o dia mais curto do que a noite Outro nome sempre associado é o de
Equinócio, momento do ano em que o percurso solar caracteriza-se por oferecer, em toda a
Terra, a mesma duração do dia e da noite.
No hemisfério Sul, o solstício de verão acontece no dia 22 de dezembro às 12:00h (hora solar),
momento em que no Hemisfério Norte estará, por oposição, acontecendo o solstício de inverno.
Nosso solstício de inverno acontece no dia 21 de junho, quando o Hemisfério Norte se regozija
com seu dia mais longo. Nas latitudes mais altas, de climas muito frios e pouca radiação solar,
esse dia é comemorado com muita música, muita alegria (para se dar uma idéia da importância
da data, é por exemplo quando os parisienses, normalmente muito sisudos e rigorosos quanto ao
barulho, comemoram seu dia da Música, onde qualquer um pode tocar, com ou sem maestria,
instrumentos diversos nas ruas, bares, becos de Paris até o raiar do dia seguinte)
Temperatura - é a grandeza física que permite medir quanto um corpo está frio ou quente, em
relação a determinados padrões fixos na natureza. O padrão mais conhecido é o da escala
Celsius (ou centígrado) (°C), que divide dois destes pontos, o da fusão do gelo e o da evaporação
da água em 100 partes, chamadas graus. Esta mesma parte, mas aplicada a um outro valor, do
teórico zero absoluto, forma a escala Kelvin (K). Antigamente os anglo-saxões (e hoje alguns
americanos) utilizavam o padrão de outra mistura, mais fria que o da fusão do gelo, a mistura de
água e álcool, que gerou o padrão Fahrenheit (°F), mais frio que o 0 grau Celsius. As equivalência
o
F − 32 oC
entre as escalas se fazem segundo as fórmulas: = e K = oC + 273
9 5
Temperatura resultante - temperatura resultante das principais influências térmicas em
determinado ambiente, simplificadamente resumida como a média aritmética da temperatura do ar
e das paredes circunvizinhas. Em climas onde a umidade relativa fique entre 40 e 70%, podemos
dizer que se equivale à temperatura do conforto sentido.
Umidade do ar - umidade atmosférica é o resultado da evaporação contínua das águas, do solo
úmido e da transpiração dos animais e vegetais.

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 52


Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Módulo 3: Acústica

Umidade absoluta (ou específica) do ar - quantidade de água retida no ar. É expressa em


3
gramas de água por cada Kg de ar seco ou em gramas de água por m de ar seco.
Umidade relativa - é a relação entre a quantidade de água contida no ar na temperatura
ambiente e aquela máxima que ele poderia conter à mesma temperatura. Assim um ar a 0% é
certamente um ar seco, e ele saturará a 100%. Exemplo abaixo, onde vemos os valores de
umidade absoluta, 0, 60, 84 e 120 gramas de água por cada kg de ar; e as relativas, 0, 50, 70 e
100%.

água
+ + +
0%UR 50%UR 70 %UR 100%UR

chuva
Ar seco = 0 g de Ar qq = 60 g de Ar qq =84 g de Ar do orvalho = 120 g de
água/kg de ar água/kg de ar água/kg de ar água/kg de ar

2. Iluminação

Acomodação - ajuste focal do olho, geralmente espontâneo, com a finalidade de olhar para um
objeto situado a certa distância, objeto de seu interesse.
Acuidade visual - é a clareza de visão de detalhes. Pode ser qualitativa (ou seja traduzindo a
capacidade de ver os objetos próximos de maneira distinta), e quantitativa, um pouco mais
complicada de explicar, mas que significa a reciprocidade do ângulo de separação entre dois
objetos vizinhos ( a nível de pontos ou linhas) que o olho pode ver separados.
Campo visual (do olho, ou dos olhos) - extensão angular do espaço no qual um objeto pode ser
percebido, quando os olhos observam um objeto diretamente na frente. O campo pode ser
monocular (relativo a um só olho) ou biocular.
Condição de céu: relação entre a quantidade de nuvens observada e a superfície total da
abóbada celeste divide-se usualmente em:
claro nuvens em menos de 1/3 da superfície total da abóbada celeste
parcialmente 1/3 a 2/3 da superfície total da abóbada celeste coberta de nuvens
nublado
nublado mais de 2/3 da superfície total da abóbada celeste coberta de nuvens
encoberto abóbada celeste totalmente coberta de nuvens, em que o Sol não é visível
Contraste - avaliação subjetiva da diferença de aparência de duas partes de um campo de visão,
vistas ao mesmo tempo ou sucessivamente.
Desempenho visual - termo usado para descrever tanto a velocidade com que os olhos
funcionam, como a precisão com que uma tarefa visual pode ser executada.
Eficiência Luminosa (de uma fonte) - quociente do fluxo luminoso emitido por uma fonte e a sua
potência de consumo Unidade: lumen/W.
Fluxo luminoso - é a quantidade visível do fluxo radiante emitido por uma fonte. Ou, mais
precisamente, a quantidade derivada do fluxo radiante emitida pela radiação, de acordo com sua
ação sobre um receptor seletivo cuja sensibilidade espectral é definida pelas eficiências
espectrais padrão. Unidade: lumen, lm.

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Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Módulo 3: Acústica

Iluminância, iluminamento - é o nível de iluminamento ( ou de luz),ou seja a parte do fluxo


luminoso que incide sobre cada ponto de uma superfície, por unidade de área. Símbolo: Ev, E
2
.Unidade: lux, lx ( equivale a lumen/m ). Não confundir com Luminância.
Iluminância (Lux) Aparência de cor da luz
Quente Intermediária Fria
< 500 agradável neutra fria
1000 – 2000 estimulante agradável neutra
> 3000 não natural estimulante agradável
* Variação da aparência de cor, como função da luminância.
Intensidade luminosa (de uma fonte numa dada direção) - é o quociente do fluxo luminoso
saindo da fonte e propagado num elemento de ângulo sólido, contendo a direção dada e o
elemento de ângulo sólido (ou seja, o fluxo luminoso aplicado a ao cone gerado pela sua
emissão). Unidade: candela, cd.
1 candela = 1 lúmen/ steradiano.
Luminância - é a luz que é refletida pelo plano de trabalho observado nos olhos do observador. É
a grandeza que mais se aproxima à sensação visual da luminosidade de uma superfície. E na
realidade a relação entre a intensidade luminosa de uma fonte e a sua superfície aparente.
Vulgarmente chamada de brilho. A percepção das luminâncias depende da iluminância e do
coeficiente de reflexão de uma superfície. Símbolo: L; Unidade: candela por metro
quadrado(cd/m2 ),
Luz - radiação, natural ou não, capaz de causar uma sensação visual direta, ou seja, radiação
visível.
Nanômetro - repartição da unidade metro, utilizada para medir o comprimento de onda visível.
Símbolo: nm. 1 nm= 10-9 m (ou 0,000000001 m).
Sistema visual - grupo de estruturas orgânicas compreendendo o olho, o nervo ótico e certas
partes do cérebro que transformam o estímulo de luz em um complexo de excitação de nervo,
cuja correlação subjetiva é a percepção visual.
Temperatura de cor (cromaticidade) – Medida científica do equilíbrio dos comprimentos de onda
encontrados em qualquer luz “branca”. A unidade é o Kelvim, abreviadamente K. Típicas
temperaturas de cor são 2800K (incandescentes), 3000K (halógenas e fluorescentes), 4100K
(fluorescente branca fria) e 5000K (fluorescentes que simulam a luz do dia).

Temperatura de cor Aparência de cor (de lâmpadas não coloridas)


> 5000 K fria (branca- azulada)
3300 - 5000 K intermediária (branca)
< 3300 K quente (branca-avermelhada)

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3. Acústica

Amplitude- é o deslocamento máximo atingido por uma molécula em relação à sua posição de
equilíbrio, medida em metro (m). Veja representação gráfica em onda sonora senoidal

Barreira Acústica – é o elemento que, colocado entre a fonte e o receptor, visa provocar a
difração das ondas sonoras. A atenuação provocada por uma barreira depende de sua altura e
posição em relação à fonte e ao receptor.
A B
a b
F R

O cálculo exato da atenuação provocada por uma barreira é relativamente complexo, entretanto
existem algumas fórmulas simplificadas. Uma barreira simples pode ser calculada pela fórmula:
onde: ∆t é a atenuação provocada pela barreira
N é o numero de Fresnel (N > 1), N = 2 δ/λ
∆t = 13 + 10 log(N)
δ = (A+B) - (a+b)
λ é o comprimento de onda
Comprimento de onda (λ) – é a distância percorrida em um ciclo completo, pela onda senoidal,
medida em metro (m). É função da velocidade do som em um meio e da freqüência. ( = c/f). Veja
representação gráfica em onda sonora senoidal
Curvas de ponderação – São circuitos eletrônicos usados nos aparelhos de medição sonora que
permitem que a resposta obtida seja corrigida por faixa de freqüência. Existem diversas curvas (A,
B, C, D). A curva (A) corresponde ao “ouvido humano padrão”.
Conversão de dB para dB(A)
63 Hz 125 Hz 250 Hz 500 Hz 1000 Hz 2000 Hz 4000 Hz 8000 Hz
-25 -15 -8 -3 0 +1 +1 -1
Decibel – O decibel (ou a décima parte do Bel6) é a unidade utilizada em Acústica para
quantificar os níveis de pressão (NPS), intensidade (NIS) e de potência sonoras (NWS)
encontrados ou necessários. É uma unidade adimensional pois relaciona um determinado valor
de pressão (ou intensidade, ou potência) sonora a um valor de referência de mesma unidade.
Suas fórmulas são:
 P  onde: P é a pressão sonora ( em Pascal)
NPS = 20 log   -5
Po é a pressão de referência (2 x 10 Pa) – limiar de audibilidade
 Po 
2
 I  onde: I é a intensidade do som ( em Watt/m )
NIS = 10log  -12 2
Io é a intensidade de referência (10 W/m ) – limiar de audibilidade
 Io 
 W  onde: W é a potência da fonte ( em Watt)
NWS = 10 log   -12
W o é a potência de referência (10 W)
 Wo 

Eco - é o som secundário, gerado por reflexão, que chega ao ouvido do receptor com um atraso
0
de 1/15 segundos em relação ao som direto. Considerando um temperatura de 22 C, este
percurso corresponde a, aproximadamente, 22 metros. Os ecos podem ser evitados pelo uso de
materiais absorventes ou pela colocação de anteparos intermediários quando a distância entre
fonte a superfície refletora for superior a 11 metros.
Espectro sonoro - Assim como a luz, que pode ser decomposta em cores (espectro luminoso),
um ruído ou som complexo possui sua energia distribuída em várias faixas de freqüência (o

6 Unidade que era utilizada para medir perdas em linhas telefônicas, assim denominada em homenagem a Alexander Graham Bell
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espectro sonoro). O que propicia a determinação da quantidade de energia sonora contida em


cada faixa de freqüência. Como o ouvido humano não é sensível a pequenas variações de
freqüência, o espectro sonoro foi dividido em faixas de freqüência maiores, as bandas de oitava.
Uma oitava é definida por um intervalo em que a freqüência máxima da faixa é igual ao dobro da
mínima. As oitavas normalizadas, dentro da faixa audível, são as seguintes:

31,5 Hz 63 Hz 125 Hz 250 Hz 500 Hz 1000 Hz 2000 Hz 4000 Hz 8000 Hz 16000Hz

Focos - é fenômeno que ocorre quando, devido a uma superfície convexa, dois ou mais raios
refletidos convergem para um mesmo ponto.
superfície
convexa

Fonte Foco

Fórmula de Norris-Eyring: é uma fórmula de cálculo de tempo de reverberação recomendada


quando o este é determinado por poucas reflexões (TR < 1,6 s)
onde:
0,161V Tr é o tempo de reverberação, em segundos
Tr = 3
V é o volume da sala, em m
Slogn(1− α ) 2
S é a área interna da sala, em m
α é o coeficiente médio de absorção da sala
Fórmula de Millington-Sette: é uma fórmula de cálculo recomendada para cálculo do Tempo de
Reverberação quando há grande variação de materiais de revestimento, ou de coeficientes de
absorção dos revestimentos
onde:
0,161V Tr é o tempo de reverberação, em segundos
Tr =
∑[
−Silogn(1 − αi) ] 3
V é o volume da sala, em m
2
Si é a área dos diferentes revestimentos internos, em m
αi é o coeficiente de absorção de cada revestimento

Freqüência - é o número de vezes que um ciclo sonoro se repete, em um determinado período


de tempo, em ciclos por segundo (cps) ou Hertz (Hz). Quanto maior o número de ciclos, mais alta
a freqüência. Matematicamente seria o inverso do período (f=1/T). Divide-se em:
• Altas freqüências (1.400 a 16.000Hz) = sons agudos (grande comprimento de onda)
• Baixas freqüências (20 a 360 Hz) = sons graves (pequeno comprimento de onda)
Veja representação gráfica em onda sonora senoidal
Wi
Índice de Redução Sonora – É expresso pela fórmula: R = 10 log onde Wi é a potência
Wt
incidente sobre a superfície de 1 elemento e Wt é a potência acústica transmitida pelo elemento
(ex. parede)

Intensidade Sonora - É a quantidade de energia transportada por uma onda sonora, em um


ponto e direção determinados, por unidade de superfície normal à direção da onda. Unidade:
W/m2.
Mascaramento - É a elevação subjetiva do limiar de audibilidade: na presença de um ruído de
fundo muito elevado, o som de interesse precisa ter mais energia para ser percebido. Assim, é
muito mais “fácil” conversar em um apartamento silencioso que numa rua de tráfego pesado (ou
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em uma boate).
Potência Sonora - É a energia liberada por uma fonte, por unidade de tempo. Unidade: Watt
(W).
Pressão Sonora - É a diferença entre a pressão do ar, em um determinado instante, e a pressão
atmosférica normal (ou pressão estática). Unidade: Newton por metro quadrado (N/m2) ou Pascal
(Pa).
Onda Sonora Senoidal – É a representação gráfica do deslocamento de um som puro.
Caracteriza-se pelos seguintes parâmetros: amplitude (A), comprimento ( ), período (T), e
pressão pressão
T λ

A A
distância.na
0 tempo 0 direção de
propagação do
som....
ciclo completo
freqüência (f):
Período (T) tempo necessário para que uma onda sonora execute um ciclo completo, em segundo (s)
número de vezes que um ciclo completo se repete em um determinado período de tempo, em
Freqüência (f) ciclos por segundo (cps) ou Hertz (Hz). Quanto maior o número de ciclos, mais alta a
freqüência. Matematicamente seria o inverso do período (f=1/T):
deslocamento máximo atingido por uma molécula em relação à sua posição de equilíbrio,
Amplitude (A)
medida em metro (m).
Comprimento distância percorrida pela onda senoidal em um ciclo completo, em metro. É função da
de onda (λ) velocidade do som em um meio e da freqüência. (λ = c/f)

Ruído de fundo – É todo e qualquer ruído percebido em um determinado local que não seja o
som de interesse (ou ruído útil). Por exemplo: o ruído do tráfego, do ar condicionado, dos
vizinhos,...
Som - é “toda e qualquer vibração mecânica em um meio elástico na faixa de áudio freqüência”
(TB-143/ABNT). Ao vibrar um corpo produz a perturbação do meio que o envolve de tal forma que
as moléculas do meio não se deslocam, mas oscilam em torno de uma posição de equilíbrio,
provocando zonas de compressão (alta pressão) e rarefação (baixa pressão). Pode ser
classificado como:
puro quando composto de uma única freqüência (único comprimento de onda). Por exemplo: o som de
um diapasão. Pode ser representado como uma onda senoidal.
complexo Mais comum, é o som composto por várias freqüências. Pode ser representado como a soma de
diversas ondas senoidais (uma para cada faixa de freqüência).

Velocidade da onda sonora (c), é a rapidez de deslocamento da onda sonora, em metro por
segundo (m/s). Varia em função da temperatura, densidade e homogeneidade do meio de
propagação. Quanto mais denso o meio, mais rápida a propagação.
Fórmula de cálculo: t , t - temperatura em °C
c = 332 + 1 +
273
Ao ar livre a alteração da velocidade do som na atmosfera, por variações de temperatura, podem
provocar a refração das ondas sonoras, ocasionando um ligeiro desvio na trajetória original.
Velocidade do som (c) em alguns materiais de construção ( em m/s)
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Material Ar a
borracha cortiça água madeira tijolo concreto aço/ vidro
20°C
Velocidade 340 40 a 150 450 a 500 1460 1.000 a 2.000 2.500 3.500 5.000 a 6.000

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Anexos
1. Higrotermia
Anexo T1 – Diagrama Bioclimático de Givoni
O diagrama de Givoni pode ser mais bem explorado – considerando a plotagem de diversos tipos
de horas ocupadas – no programa Analysis Bio 2.0 (disponível no Laboratório de Informática ou
em download junto ao Labeee da UFSC). Entretanto,para uma primeira avaliação, a simples
plotagem de valores nesta planilha pode ajudar a definir as estratégias e suas representações
arquitetônicas.

30
30

5 25

25
10
20
2 4 W[
TBU[°C] 20 g/
15 Kg
15 ]
11 10
10 1
5
0 12
5
8 7
9
3
6
0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
TBS[°C]
Fonte Programa Analysis 2 .0 Bio - UFSC - ECV - LabEEE - N
Legenda:
zona Estratégias mais eficientes
1 Conforto higrotérmico
2 Ventilação
3 Resfriamento evaporativo
4 Massa térmica para resfriamento
5 Ar condicionado
6 Umidificação
7 Massa térmica e aquecimento solar
8 Aquecimento solar passivo
9 Aquecimento artificial
10 Ventilação + massa térmica para resfriamento
11 Ventilação + massa térmica para resfriamento. + Resfriamento evaporativo
12 Massa térmica para resfriamento. + Resfriamento evaporativo
Fonte: Givoni in LAMBERTS, DUTRA e PEREIRA

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Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Anexos

Anexo T2 – Cartas solares para diversas latitudes

Independentemente das cartas solares e do transferidor disponíveis em transparência colorida,


arrolamos aqui as outras cartas solares que cobrem o Estado do Rio de Janeiro como banco de
dados. Para um melhor uso no desenho do projeto, elas devem ser ampliadas , na mesma escala
do transferidor, em cor. O livro "Manual de Conforto térmico" da Anésia Frota e Sílvia Shiffer (ver
bibliografia) oferece ainda cartas para outras latitudes, de forma a cobrir todo o território nacional.
Lembramos apenas que na prática utilizar cartas solares cuja variação de latitude entre o local e a
representada seja de 3°, não resulta em desvios significativos (Fonte: Anésia).

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Anexo T3 – Variação de radiação solar (I) recebida ao longo de um dia por m2 de


plano projetado na cidade do Rio de Janeiro. Simulação feita para planos de
diversas orientações e inclinações.
PS: Ângulos formados com a horizontal. Dados fornecidos pelo programa CASAMO.

VERÃO – Simulação feita para um dia típico de fevereiro


Valores (I) em Wh/m2, considerando ângulo I %
Laje plana
Albedo = 0,2 Turbidez (Linke) = 4 0º 7846 100
Eixo Coberturas desagregadas Coberturas planas
Fachadas
N-S Ex: Telhado Colonial Ex: Telahado de Fibrocimento
ângulo I % Ângulo I % ângulo I %
N 90º 2246 29 25º 7459 96 15º 7778 99
S 90º 1670 21 25º 7007 89 15º 7480 95
L 90º 3898 50 25º 7336 93 15º 7649 97
O 90º 3898 50 25º 7336 93 15º 7649 97
Eixo
Coberturas desagregadas Coberturas planas
NE- Fachadas
Ex: Telhado Colonial Ex: Telahado de Fibrocimento
SO
ângulo I % Ângulo I % ângulo I %
NE 90º 3476 44 25º 7471 95 15º 7745 99
SO 90º 3029 39 25º 7098 90 15º 7528 96
NO 90º 3476 44 25º 7471 95 15º 7745 99
SE 90º 3029 39 25º 7098 90 15º 7528 96
INVERNO – Simulação feita para um dia típico de junho
Valores (I) em Wh/m2, considerando ângulo I %
Albedo = 0,2 Turbidez (Linke) = 4
Laje plana
0º 4410 100
Eixo Coberturas desagregadas Coberturas planas
Fachadas
N-S Ex: Telhado Colonial Ex: Telahado de Fibrocimento
ângulo I % Ângulo I % ângulo I %
N 90º 5067 115 25º 5784 131 15º 5329 121
S 90º 1079 24 25º 2440 55 15º 3270 74
L 90º 2477 56 25º 4162 94 15º 4312 98
O 90º 2477 56 25º 4162 94 15º 4312 98
Eixo
Coberturas desagregadas Coberturas planas
NE- Fachadas
Ex: Telhado Colonial Ex: Telahado de Fibrocimento
SO
ângulo I % Ângulo I % ângulo I %
NE 90º 4034 91 25º 5293 120 15º 5027 114
SO 90º 1213 28 25º 3006 68 15º 3587 81
NO 90º 4034 91 25º 5293 120 15º 5027 114
SE 90º 1213 28 25º 3006 68 15º 3587 81

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Anexo T4 – Valores médios de absorção solar (α) e absorção e emissividade (α e ε)


infravermelha para alguns tipos de materiais opacos (segundo diversos autores).

absorção para a absorção e emissividade (α e ε)


MATERIAL radiação solar infravermelha
(α) entre 10ºC e 40ºC
superfície preta e fosca 0,90 0,94
telha ou tijolo de barro vermelho 0,70 0,90
telha ou tijolo de barro cor amarela, couro 0,60 0,90
vidro de janela (3mm) (ver anexo 12) transparente 0,931
alumínio, ouro ou bronze brilhante 0,40 0,50
latão, alumínio fosco, aço galvanizado 0,50 0,25
tinta branca 0,25 0,9
tinta amarela, laranja, vermelha clara 0,4 0,9
tinta vermelha escura, verde clara, azul 0,6 0,9
clara
tinta marrom clara verde escura, azul 0,8 0,9
escura
tinta marrom escura, preta 0,95 0,9
telha de alumínio fosco, aço galvanizado 0,55 0,25
chapa nova de alumínio e ferro galvanizado 0,55 0,25
chapa suja de alumínio e ferro galvanizado 0,80 0,25
telha de concreto natural 0,65 0,90
telha de concreto pintada de preta 0,90 0,90
telha de fibrocimento nova 0,50 0,95
telha de fibrocimento suja 0,70 0,95
revestimento tipo asfalto, betume 0,90 0,85
revestimento tipo caiação 0,30 0,95
revestimento tipo "whitewash" novo 0,12 0,90
revestimento tipo "whitewash" 0,40 0,90
revestimento de alumínio 0,30/0,65 0,20/0,60
revestimento de branco laca brilhante 0,16 0,91
revestimento de branco óleo 0,20 0,90

1
Do material vidro quando aquecido, não confundir com sua capacidade de transmissão na faixa do infravermelho,

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Anexo T5 – Alguns materiais de construção e suas características térmicas médias.


(Segundo FROTA e fabricantes – ver bibliografia)

condutividade densidade calor específico


MATERIAL (λ) (d ou ρ) (c)
W/mºC Kg/m³ J/Kg ºC
aço 52,00 7780 500
adobe 0,59/0,73 1500 1000
água 0,58 1000 4187
alumínio 230,00 2700 880
argamassa de cal e cimento 0,85 1800 754
asfalto com areia 1,15 2100 -
cimento amianto 0,95 2000 850
cobre 380 8930 390
concreto 1,65 2200 1005
concreto cavernoso 1,15 1800 -
concreto celular (bloco) 0,50 600 963
cortiça (placas de granulado) 0,05 200 1424
cortiça comprimida 0,10 500 1423
duralumínio 160,00 2800 -
fibra de vidro 0,03 70 754
gesso em placas 0,35 750 837
lã de rocha 0,03 100 754
lã de vidro 0,05 24 754
madeira aglomerada (painel) 0,10 400 1424
madeira de balsa 0,05 90 -
madeira de pinho 0,30 900 1256
madeira em painel compensado 0,24 100 1424
madeira em painel aglomerado 0,16 550 1300
palha comprimida 0,12 350 -
papelão 0,08 650 -
pedra ardósia 2,10 2700 837
pedra granito 3,50 2700 837
pedra mármore 3,26 2700 837
poliestireno em espuma rígida 0,03 35 -
poliestireno expandido ("isopor") 0,04 11 -
telha de fibro-cimento 0,65/0,95 - 1600/2000
telha de fibra vegetal (tipo ONDULINE) 0,46 1067 -
telhas de barro 0,93 1700 921
terra argilosa seca 0,52 1700 837
terra comprimida (bloco) 1,15 1800 837
terra úmida 0,60 1800 1465
tijolo de concreto furado (19x19x39)-8 furos 0,91 1700 1005
tijolo maciço prensado 0,72 1600 921
vidro 1,1 2700 1800
zinco 112,00 7130 -

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Anexo T6 – Tabela de BEAUFORT (ref.: GRET, ver bibliografia)

Escala
Velocidade dos
de Fenômenos comumente observados
ventos
Beaufort
0 0 a 0,2 m/s a fumaça (churrasqueira, chaminé, cigarro,..) sobe de forma vertical.
o vento faz a fumaça se inclinar, mas ainda não consegue girar um
1 0,3 a 1,5 m/s
cata-vento
o ser humano percebe o vento no rosto, as folhas das árvores e do
2 1,6 a 3,3 m/s
cata-vento começam a se mexer
as folhas e os pequenos ramos das árvores das árvores se mexem de
3 3,4 a 5,4 m/s
forma contínua e o vento faz as bandeiras se mexerem
4 5,5 a 7,9 m/s o vento tira a poeira do chão e levanta folhas de papel
as pequenas árvores começam a balançar e começa a fazer espumas
5 8,0 a 10,7 m/s
nas ondinhas dos lagos
fios elétricos começam a se mexer e fica muito difícil usar guarda-
6 10,8 a 13,8 m/s
chuva
as árvores ficam completamente agitadas e fica muito difícil de se
7 13,9 a 17,1 m/s
andar de frente para o vento
os pequenos ramos das árvores se quebram e não se pode andar
8 17,2 a 20,7 m/s
normalmente sem um esforço terrível, de frente para o vento
as telhas dos telhados começam a ser arrancadas, ocorrem pequenas
9 20,8 a 24,4 m/s
catástrofes com relação à casa
normalmente só ocorre no mar. Quando ocorre na terra, pode arrancar
10 24,5 a 28,4 m/s
árvores com a raiz

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Anexo T7 – Valores estimados de redução da velocidade do vento meteorológico


face aos obstáculos de projeto: entorno, aberturas e tipos de esquadria. (Fonte: Van
Straten)

Quadro 1: Entorno – coeficiente c1 :

Tipo de entorno % de aproveitamento


Planície, zona rural de plantio, lagos, etc.. 100
Subúrbio de casas, urbanismo de pouco porte 66
Centro de cidade, áreas densamente construídas 33
Quadro 2: Ângulo (planta) do eixo das aberturas com a direção dos ventos incidentes – coeficiente c2:

Situação Ângulo com o eixo da abertura %


Vento normal à fachada 0 100
45 97
60 87
70 31
Vento paralelo à fachada 90 0
Quadro 3: Tipo de esquadria ( descrito via ângulo dos elementos móveis horizontais da janela) – coeficiente c3:
Situação Angulo % Se d=1,8m Se d=5,4 m
Horizontal 0 50 55 46
10 47 49 45
20 42
25 40
30 36
45 26
60 16
70 10
80 3
Vertical 90 0

Com essas tabelas faz-se o cálculo estimativo da renovação de ar provável em um ambiente por
diferença de pressão ( uso para compensar ganhos internos de ocupantes e iluminação):
Quadro 4 : Valores de referência: alguns indicadores de projeto para cálculo de necessidades mínimas de
renovação de ar, segundo Fernandez,P:

Atividade/qualidade da renovação Razoável Boa Excelente


Atividade bastante sedentária 130 m3/h.pessoa 200 m3/h.pessoa 400 m3/h.pessoa
Atividade 220 m3/h.pessoa 330 m3/h.pessoa 670 m3/h.pessoa
Compensar iluminação artificial 16m3/h.m2piso 23m3/h.m2piso 45m3/h.m2piso

1) Cálculo inicial:

R parcial (m³/h) = S entrada/ saída (m²) * v estação metereológica(m/s) * c1 * c2 * c3 * 3600s/h

Onde:
S- área mínima entre entrada e saída de ar do ambiente
V - valor da velocidade do vento em campo livre (obtido junto às estações metereológicas)
C1- coef. de redução segundo a obstrução no entorno da edificação
C2- coef. de redução segundo o ângulo entre a direção do vento e a normal à fachada
considerada
C3- coef. de redução segundo o tipo de esquadria

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2) Incremento, em caso de áreas úteis das aberturas desiguais (entre entrada e saída) no
resultado obtido anteriormente:

R total = R parcial + percentual vindo da tabela de correção abaixo.

%
40
PORCENTAGEM DE AUMENTO

30

20

10

1 2 3 4 5 6
RELAÇÃO SAÍDA/ENTRADA OU VICE-VERSA

Gráfico de correção da vazão para aberturas desiguais


Fonte: JORGENSEN, R. Fan Engeneering, in Queiroz, T.

Exemplo de aplicação: Casa em uma região muito construída, vento considerado a 3,5m/s

Cálculo:
Relação de áreas = 6/2 = 3
S=2m² c1 -0,33
S=6m 30o c2 -0,97
c3 -0,26
Planta
R parcial= S * v* c1 *c2 * c3* 3600s/h
Corte 45 o R parcial = 2*3,5*0,33*0,97*0,26*3600
R parcial=2097,3 m³/h

Incremento= 30%
R total = 2726,1 m³/h

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Anexo T8 – Tipos possíveis de aberturas de janelas. Vantagens e desvantagens.

TIPOS DE ESQUADRIA CARACTERÍSTICAS VANTAGENS DESVANTAGENS

Possui uma ou mais • Efeito de sucção dos • Se não puder abrir


folhas que podem ser ventos inferiores. 90º, diminui o fluxo
movimentadas em torno horizontal.
de um eixo horizontal, • Abrindo em ângulo de
com translação até 90º, facilita a
simultânea deste eixo. limpeza e ventilação.
PROJETANTE DESLIZANTE
(MAXIM-AR)

É formada por uma ou • Permite 100% de • Ocupa espaço interno


mais folhas que se aproveitamento do vento quando aberta para
movimentam mediante incidente. dentro.
rotação em torno de • Não permite
eixos verticais fixos, • Fácil limpeza da face regulagem ou
coincidentes com as externa. direcionamento do fluxo
laterais das folhas. de ar.
• Não permite tela ou
grade se abrir para fora,
DE ABRIR ou cortina, se abrir para
(FOLHA SIMPLES OU DUPLA) dentro.

Possui eixo de rotação • Boa repartição do • Não libera o vão


horizontal centrado ou fluxo. Pode vir a aceitar totalmente.
excêntrico não fluxos superiores e/ou
coincidente com as inferiores. • Estanqueidade
extremidades superior • Ventilação constante reduzida devido ao
ou inferior da janela. em dias de chuva sem grande comprimento de
vento. juntas.
• Pequena projeção
interna e externa,
permitindo uso de tela
BASCULANTE ou cortina.

Possui uma ou mais • Boa para cômodos • Reduz a área de


folhas que podem ser pequenos, permite ventilação, sobretudo em
movimentadas superfícies abertas em caso de chuvas.
mediante rotação em alturas diferentes. • Difícil limpeza da face
torno de um eixo externa.
horizontal fixo, situado • Não ocupa espaço • Não permite o uso de
na extremidade inferior interno. tela ou grade na face
da folha. externa.
• Libera parcialmente o
vão.
• Não direciona bem o
PIVOTANTE INTERNA fluxo de ar.
(OU DE TOMBAR)

Possui uma ou mais • Fácil operação. • Por direcionar o vento,


folhas que se • Ventilação regulável deve ser usada em áreas
movimentam por conforme abertura das extensas e com um grande
deslizamento horizontal folhas. número de folhas.
no plano da folha. • Permite instalar • Vão livre para ventilação
grades, persianas ou de apenas 50%.
cortinas. • Riscos de infiltração de
• Não ocupa espaço água através dos drenos
interno. do trilho inferior, em
• Direciona o vento em vedações mal executadas.
ambientes pequenos. • Dificuldade de limpeza
da face externa.
• Não direciona bem o
DE CORRER – VERTICAL fluxo de ar.

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TIPOS DE ESQUADRIA CARACTERÍSTICAS VANTAGENS DESVANTAGENS

Possui uma ou mais • Possui as mesmas • Além das desvantagens


folhas que se vantagens da janela de da janela de correr, exige
movimentam por correr, caso as folhas manutenção mais
deslizamento vertical tenham sistemas de frequente para regular a
no plano da folha. contrapeso ou sejam tensão dos cabos e o nível
balanceadas. Do das folhas.
contrário, as folhas • Risco de quebra de
devem ter retentores cabos.
nas guias do marco.
DE CORRER – GUILHOTINA

Possui uma ou mais • Boa para cômodos • Difícil limpeza da face


folhas que podem ser pequenos, permite externa.
movimentadas superfícies abertas em • Não permite o uso de
mediante rotação em alturas diferentes. tela ou grade na face
torno de um eixo externa.
horizontal fixo, situado • Não ocupa espaço • Libera parcialmente o
na extremidade interno. vão.
superior da folha. • Não direciona bem o
fluxo de ar.
PROJETANTE

Possui uma ou mais • As mesmas vantagens • Necessita grande rigidez


folhas que podem se das janelas de abrir e de no quadro da folha para
movimentar em torno tombar (pode ser evitar deformações.
dos eixos vertical e utilizada destas duas • Limitação no uso de
horizontal, coincidentes formas). grades, persianas ou telas.
com a lateral e • Acessórios de custo
extremidade inferior da elevado.
REVERSÍVEL folha, respectivamente.
(DE ABRIR E TOMBAR)

Possui uma ou várias • Facilidade de limpeza • Dificulade para


folhas que podem ser da face externa. instalação de tela, grade,
movimentadas mediante • A janela pivotante cortina ou persiana.
rotação em torno de um horizontal permite • Para grandes vãos
eixo horizontal ou direcionamento do fluxo necessita de fechos
vertical , não de ar para cima ou para perimétricos.
coincidente com as baixo.
laterias e extremidades • A pivotante vertical
da folha. permite direcionar o
fluxo de ar para a direita
ou para a esquerda.
• Ambas ocupam pouco
espaço na área de
utilização.
PIVOTANTE
(HORIZONTAL E VERTICAL)

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Anexo T9 – Diversos fatores de sombra normalmente utilizados em projetos

Tipo de objeto arquitetônico servindo como máscara FS Fator de sombra (ou


radiação luminosa obstruída)
Brises verticais (E-O) de cor clara (para lat 30°S) 0.40
Brises verticais (E-O) de cor média (para lat 30°S) 0.50
Brises horizontais (N-S) de cor clara (para lat 30°S) 0.50
Brises horizontais (N-S) de cor média (para lat 30°S) 0.60
Toldo de cor claro 0.60
Toldo de cor escura 0.80
Persiana de enrolar, fechada, deixando de abertura 5%, cor clara 0.80
Persiana de enrolar, fechada, deixando de abertura 5%, cor escura 0.90
Cortina de trama fechada, cor clara 0.70
Cortina de trama fechada, cor 0.85
Cortina de tecido de trama aberta, cor clara 0.30
Cortina de tecido de trama aberta, cor escura 0.50
Persiana de cor clara 0.60
Persiana de cor escura 0.80

Anexo T10 – Valores de transmissão de calor para vidros

Coeficiente global de transmissão de calor para alguns tipos de envidraçamento, dado em W/m2 ºC
(quanto menor o coeficiente, maior a capacidade de isolamento térmico)

Tipos de vidro Sem dispositivos de sombreamento Com dispositivos de sombreamento


(Vidros planos)
Inverno Verão Inverno Verão
Simples, incolor 6,2 5,9 4,7 4,6
Duplos incolores, com
espaço entre vidros de:
5 mm* 3,5 3,7 3,0 3,3
6 mm* 3,3 3,5 2,7 3,1
13 mm** 2,8 3,2 2,4 3,0

Triplos incolores, com


espaço entre vidros de:
6 mm* 2,2 2,5 1,8 2,3
13 mm*** 1,8 2,2 1,5 2,0

* Espessura dos vidros = 3 mm


** Espessura dos vidros = 6 mm
*** Vidros externos com 6 mm e vidro intermediário com 3 m

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2. Iluminação
Anexo L1 – Níveis de iluminância para atividades diversas (Fonte: IES)

Atividade no interior I (lux)


Escritórios - corredores 220
Escritórios - salas gerais 1100-1600
Farmácias - área de manipulação 540 - 1100
Farmácias - depósito de uso 320
Hospitais - corredores de enfermagem - diurno 220
Hospitais - corredores de enfermagem - noturno 32
Hospitais - escadas 220
Hospitais - lobby diurno 540
Hospitais - lobby noturno 220
Hospitais - quartos de pacientes 320
Hospitais - sala de operações de emergência (fora do foco) 1100
Hotéis - área específica de recepção 320
Hotéis - banheiros 110-320
Hotéis - lobby 110
Hotéis - quartos 110-320
Moradias - área de barbear e maquiagem 540
Moradias - área de estudos 750
Moradias - área de passagem de roupa 500
Moradias - área de refeição 160
Moradias - área para conversas, descanso, entretenimento 110
Moradias - corredores 110
Moradias - cozinha - área de preparação de alimentos 1500
Moradias - cozinha em geral 500
Moradias - escritórios - zonas de escrita 750
Moradias - escritórios - zonas de leitura de jornais, livros etc.. 320
Moradias - mesa de jogos 320
Moradias - zonas de costura - tecidos escuros, médios, claros 2200,1100,540
Salões de dança 54

Anexo L2 – Esquema de luminância para interiores (Fonte: OSRAM, manual)

Cd/m² Qualidade observada


10.000 Sensibilidade máxima de contraste
5.000
Luminância permissível para luminárias
2.000
1.000
500
200 Luminância preferida da tarefa
100 Luminância preferida de teto e parede
50
20
10 Satisfatoriamente distinguível
Feições da face humana
5
2 Vagamente distinguível
1 Luminância recomendada em rodovias

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Anexo L3 – Fatores de reflexão (%) de diferentes materiais opacos e cores (Fonte:


Cintra do Prado, L. – Iluminação Natural – São Paulo – FAU – USP, 1961)
Materiais /cores (%) de reflexão materiais/ cores (%) de reflexão
aço inox 55-65 cores médias 30-50
alumínio polido 60-70 cores muito claras 50-70
asfalto sem poeira 7 cores muito escuras 0-15
cal 85-88 esmalte 60-90
casca de ovo 81 espelhos 80-90
cerâmica vermelha 30 fazenda de veludo preto 0,2-1
concreto aparente 55 fazenda escura (lã) 2
cor amarela 30-70 gesso (branco) 90-95
cor azul 5-55 grama escura 6
cor bege 25-65 granilite 17
cor branca 85-95 granito 40
cor branca 85-95 livros em estantes 10-20
cor cinzenta 25-60 madeira clara 13
cor creme 60-68 madeira escura 7-13
cor parda 8-50 marfim 71-77
cor pérola 9999972 mármore branco 45
cor preta 4-8 nuvens 80
cor rosa 35-70 papel branco 80-85
cor verde 12-60 pedregulho 13
cor vermelha 10-35 terra 1-20
cores claras 50-70 tijolo 13-48
cores escuras 15-30 troncos de árvores 3-5

Anexo L4 – Fatores de reflexão, transmissão e absorção de materiais translúcidos


(Fonte: OSRAM, Manual)
Material % reflexão % % Efeito resultante
transmissão absorção
Vidro Opaco negro 0,5 0 0,95
Reflexão difusa
Vidro Opaco branco 0,75...0,80 0 0,25...0,20
Vidro Transparente 2 a 4 mm 0,08 0,9 0,02 Transmissão dirigida
Vidro Mate externo 1,5 a 3 mm 0,07...0,20 0,87...0,63 0,06...0,17
Transmissão semi
Vidro Mate interno 1,5 a 3 mm 0,06...0,16 0,89...0,77 0,05...0,07
dirigida
Vidro Opal branco 2 a 3 mm 0,30...0,55 0,66...0,36 0,04...0,08
Vidro Opal vermelho 2 a 3 mm 0,04...0,05 0,04...0,02 0,92...0,93
Vidro Opal laranja 2 a 3 mm 0,05...0,08 0,10...0,06 0,85...0,86
Vidro Opal amarelo 2 a 3 mm 0,25...0,30 0,20...0,12 0,55...0,58 Transmissão difusa
Vidro Opal verde 2 a 3 mm 0,08...0,10 0,09...0,03 0,83...0,87
Vidro Opal azul 2 a 3 mm 0,08...0,10 0,01...0,03 0,82...0,87
Papel branco 0,60...0,80 0,10...0,20 0,30...0,10
Reflexão e
Papel apergaminhado 0,50 0,30 0,20
transmissão difusas
Pergaminho 0,48 0,42 0,10
Seda branca 0,28...0,38 0,61...0,71 0,01 Reflexão semidirigida.
Seda colorida 0,20...0,10 0,54...0,13 0,44...0,86 Transmissão difusa

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Anexo L5 – Tipos de lâmpadas (Fonte: Catálogo GE)

POTÊNCIA VIDA
TIPO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS APLICAÇÕES
(Watts) MÉDIA

9W
10.000 horas
11W

As lâmpadas BIAX e Podem ser aplicadas


DOUBLE BIAX em salas de estar,
necessitam de reator corredores,
BIAX convencional apropriado, garagens,hotéis e
trazendo starter interno à condomínios, pois
lâmpada. Possuem têm uma durabilidade
diversas tonalidades de 10 vezes maior que as
cor. lâmpadas comuns.
13W
18W 10.000 horas
25W

DOUBLE BIAX

15W
As lâmpadas TRIPLE 20W 10.000 horas
BIAX e 23W
PERFORMANCE foram
Lugares onde a luz
desenvolvidas para
permaneça acesa por
substituir as
mais de 3 horas, tais
incandescentes comuns
TRIPLE BIAX como: salas de estar,
sem necessidade de
quartos, restaurantes
qualquer adaptação, pois
e instalações prediais
já vêm com rosca e
individuais ou de
reator eletrônico. Elas
grande porte.
reduzem o consumo de
enrgia elétrica em até
75%. 28W 10.000 horas

PERFORMANCE

Devido ao seu design Com luz suave ao


avançado e exclusivo, as longo de todo o seu
lâmpadas 2D fornecem a contorno, estas
maior quantidade de luz 39W 10.000 horas lâmpadas permitem
em fluorescente uma grande variedade
compacta, substituindo de aplicações, como:
lâmpadas de até 150W. salões, cozinhas e
2D salas de estar.

Este tipo de lâmpada


pode ser utilizada em
salas de jantar,
Lâmpada fluorescente
cozinhas, varandas,
com formato circular,
21W áreas de serviço e
onde se deseja 10.000 horas
25W também aparentes,
iluminação uniforme e
pois seu formato é
com bom nível.
inovador e combina
com qualquer tipo de
decoração.
CIRCLITE

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POTÊNCIA VIDA
TIPO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS APLICAÇÕES
(Watts) MÉDIA

Reduzem o consumo de
energia em 20% Devido ao baixo
comparando com as consumo e eficiência
fluorescentes luminosa, esta
17W
tradicionais. Utilizam 20.000 horas lâmpada é muito
32W
retores específicos de versátil, podendo ser
partida rápida, não usada na cozinha,
usando os reatores das garagem e adega.
FLUORESCENTE
fluorescentes comuns.
TRIMLINE

Podem ser usadas em


circuitos convencionais 20W
ou de parada rápida, com 40W 12.000 horas
baixo custo operacional e
alta eficiência luminosa.
Ideais para
FLUORESCENTE iluminação comercial
UNIVERSAL e industrial, áreas
residenciais e
aplicações
Reduzem o consumo de específicas.
energia em 15%
comparando com as
34W 20.000 horas
fluorescentes tradicionais
de 40W, porém utilizam o
mesmo reator.
FLUORESCENTE
WATT-MISER
Pode ser aplicada em
Formato decorativo em locais onde há
forma de uma bola, esta necessidade de
lâmpada vem com rosca luminosidade por um
15W
E-27 encaixando-se em 10.000 horas longo período. Ideal
20W
qualquer adaptador para salas de jantar
comum e com reator ou para criar um
incorporado. efeito decorativo no
GLOBE ambiente.

As lâmpadas PAR-38
HIR possuem o
revolucionário POW-IR-
FILM que reaproveita o
calor da lâmpada para As lâmpadas PAR-38
60W HIR possuem as
gerar mais luz, 3.000 horas
100W mesmas
proporcionando
substancial economia de características e
energia e um facho de luz aplicações das PAR-
1/3 mais frio do que as 38, acrescidas de
lâmpadas convencionais. uma maior vida e
PAR-38 HIR economia de energia.
No caso das PAR-38
As DICHRO Coloridas Dichro e Silicone
possuem filtros especiais Colorido, os facho de
na parte interna da lente luz colorida
que permitem a emissão proporcionam bonitos
65W efeitos decorativos
de de luz colorida de
100W 2.000 horas que embelezam os
altíssima qualidade. As
150W ambientes nos quais
SILICONE Coloridas
PAR-38 possuem suas lentes são aplicadas.
• DICHRO COLORIDO
pintadas externamente
• SILICONE COLORIDO com películas coloridas.

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POTÊNCIA VIDA
TIPO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS APLICAÇÕES
(Watts) MÉDIA

Lâmpadas halógenas
compactas que permitem
Estas lâmpadas são
melhorar os sistemas
perfeitas para o
com refletoras comuns,
projeto de iluminação
simplesmente trocando
de embutir ou
as lâmpadas existentes 50W 2.000 horas
destacar elementos
pelas PAR-20 e PAR-30,
na decoração, onde
obtendo aumento na
são atraentes devido
intensidade de luz sem o
à sua estética.
custo adicional de novas
luminárias.
PAR-20 e PAR-30

Sua iluminação
O KIT PAR-38 é dirigida foi feita para
composto por uma destacar as formas e
120W
lâmpada PAR-38 ou uma texturas de árvores,
150W 2.000 horas
PAR-38 DICHRO flores e arbustos. Em
COLORIDO, mais uma locais externos, a
luminária tipo “espeto”. luminária tipo “espeto”
facilita sua aplicação.
KIT PAR-38

São ideais em
aplicações externas
São lâmpadas projetores
para destaque dos
fabricadas com vidro
elementos
resistente a choques
arquitetônicos e das
térmicos, podendo ser
120W 2.000 horas plantas dos jardins.
expostas ao tempo,
Além disto, sua
proporcionando um
iluminação é um
preciso e intenso facho
importante elemento
de luz.
de segurança externa
de sua residência.
PAR-38
Lâmpadas de reduzido
tamanho e com diversos
acabamentos coloridos Podem ser aplicadas
com potência de 15W em lustres, abajures,
15W
(amarelo, azul, laranja, espelhos e cordões
25W 1.000 horas
verde e vermelho), para coloridos para
40W
iluminação decorativa ou decoração interna e
branco nas potências de externa.
15W, 25W e 40W para
BOLINHA e
iluminação suave.
BOLINHA COLORIDA
Estas lâmpadas são
ideais para uso
interno ou externo na
Fabricadas com pintura
sua casa, sítio,
especial que não 60W
1.000 horas acampamento e em
transmite as radiações 100W
todo lugar onde os
que atacam os insetos.
insetos são atraídos
BUGLITE e pelas lâmpadas
WEEKEND comuns.

São recomendadas
para uso interno,
como um
Emite quantidades
complemento da luz
balanceadas de
solar para aquelas
radiações de luz
plantas que estão em
vermelha e azul,
60W 2.000 horas locais de pequena
tornando-se um
iluminação. Além de
importante complemento
auxiliar no
no desenvolvimento sadio
desenvolvimento,
das plantas.
também será uma
fonte de destaque de
PLANTILUX sua planta.

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POTÊNCIA VIDA
TIPO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS APLICAÇÕES
(Watts) MÉDIA

É a combinação de O brilho, o contraste e a


avançadas tecnologias excelente reprodução das cores
que englobam óptica de proporcionados pelas lâmpadas
precisão, lâmpadas PRECISE as tornam ideal para
halógenas e filtros a iluminção de destaque de
dicróicos, que resultaram 50W 5.000 horas quadros, tapeçarias, móveis,
em uma fonte de luz de etc. Graças ao controle do
pequenas dimensões e facho é possível criar
Luz mais branca e fria!
de altíssima precisão, ambientes com vários níveis de
Tamanho compacto.
que recebeu o justo nome luz, criando uma atmosfera
de PRECISE. especial em sua residência.
PRECISE (Dicróica)

Luz clara e brilhante, este


15W
é o modelo de lâmpada
25W Pode ser utilizada na
mais popular entre as
40W iluminação geral em qualquer
pessoas. Trata-se de
60W ambiente da sua residência. É
uma lâmpada de baixo
75W 1.000 horas recomendado o uso de um
custo de reposição e com
100W difusor para se obter uma
ampla variedade de
150W iluminação mais suave e
potências para atender às
200W agradável.
diversas necessidades
de iluminação.
CRISTAL

As lâmpadas Geladeira/Fogão
foram desenvolvidas para uso
em eletrodomésticos, porém,
São projetadas para
graças à sua base E-27,
suportar as condições
15W possuem a versatilidade de
adversas de temperatura 1.000 horas
40W também serem utilizadas em
e espaço encontradas
lustres e arandelas. A lâmpada
nas geladeiras e fogões.
Pygmy possui base E-14,
própria para uso nos modernos
GELADEIRA/FOGÃO refrigeradores e freezers.
e PYGMY

É uma fonte de luz


Desenvolvidas para o uso em
compacta, eficiente e
spots e luminárias de embutir,
versátil que, possuindo
estas lâmpadas podem ser
seu próprio refletor
40W utilizadas para valorizar
interno que não se
60W 2.000 horas quadros, objetos de arte,
deteriora, proporciona luz
100W móveis, etc. As lâmpadas
dirigida. As lâmpadas
coloridas oferecem
coloridas possuem filtros
REFLETORA R-63/R-75, adicionalmente o efeito
coloridos pintados
REFLETORA R-63 decorativo das cores.
externamente.
COLORIDAS

Iluminação de salas de estar,


Lâmpada de luz suave e
40W dormitórios, etc. Aplicadas em
aconchegante que,
60W abajures que localizados em
devido ao seu formato 1.000 horas
75W determinados lugares de sua
atraente, pode ter um
100W casa, destacarão a decoração
efeito decorativo.
de seu ambiente.
MAX LUZ

Lâmpadas decorativas
que graças aos seus
formatos e acabamentos 25W Estas lâmpadas possuem
claro e leitoso, se tornam 40W 1.000 horas grande efeito decorativo em
um requintado 60W lustres, platons e abajures.
complemento de
decoração.

VELA CLARA e
VELA LEITOSA

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 75


Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Anexos

Anexo L6 – RadLite: Níveis de Iluminação para o Rio de Janeiro

INTERPRETAÇÃO DE DADOS FORNECIDOS PELO RadLite PARA A CIDADE DO Rio de Janeiro

RadLite Programa para Cálculo de Radiações sobre Superfícies e Simulação de Janelas


Mestrado em arquitetura FAU-UFRJ - Eduardo B P de Castro

EXEMPLO 1 - INVERNO

Estação Meteorológica de: Praça XV, RJ (a mais próxima do edifício)


Latitude –22,90 e Longitude –43,17
Mês da Simulação: Junho
Orientação: 180 graus 0=sul / -90=oeste / +90=leste / 180=norte (fachada NORTE)

Nível de Iluminação da Fachada NORTE no mês de JUNHO


E = Iluminância (lux)

E Céu E Céu 80000


Hora CLARO ENCOBERTO
70000
6,0 0 0
60000
7,0 13721 1185
50000
8,0 36130 3953
9,0 52836 6575 40000

10,0 64479 8717 30000

11,0 71212 10078 20000


12,0 73023 10461 10000
13,0 69917 9809 0
14,0 61888 8218 6,0 7,0 8,0 9,0 10,0 11,0 12,0 13,0 14,0 15,0 16,0 17,0 18,0
15,0 48947 5918
16,0 30800 3224 E Céu CLARO (lux)
17,0 7225 473 E Céu ENCOBERTO (lux)
18,0 0 0

Ganho de Calor na Fachada NORTE no mês de JUNHO


I = Energia Solar (W/m2)

I Céu I Céu
Hora CLARO ENCOBERTO 800
6,0 0 0 700
7,0 128 9 600
8,0 338 31 500
9,0 494 52
400
10,0 603 69
300
11,0 666 80
12,0 683 83 200

13,0 654 78 100


14,0 579 65 0
15,0 458 47 6,0 7,0 8,0 9,0 10,0 11,0 12,0 13,0 14,0 15,0 16,0 17,0 18,0

16,0 288 26
17,0 68 4 I Céu CLARO (W/m2)

18,0 0 0 I Céu ENCOBERTO (W/m2)

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 76


Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Anexos

INTERPRETAÇÃO DE DADOS FORNECIDOS PELO RadLite PARA A CIDADE DO Rio de Janeiro

RadLite Programa para Cálculo de Radiações sobre Superfícies e Simulação de Janelas


Mestrado em arquitetura FAU-UFRJ - Eduardo B P de Castro

EXEMPLO 2 - VERÃO

Estação Meteorológica de: Praça XV, RJ (a mais próxima do edifício)


Latitude –22,90 e Longitude –43,17
Mês da Simulação: Dezembro
Orientação: 180 graus 0=sul / -90=oeste / +90=leste / 180=norte (fachada NORTE)

Nível de Iluminação da Fachada NORTE no mês de DEZEMBRO


E = Iluminância (lux)

E Céu E Céu 80000


Hora CLARO ENCOBERTO 70000
6,0 5027 2802
60000
7,0 10021 6212
50000
8,0 14700 9715
9,0 18705 12939 40000

10,0 21346 15494 30000


11,0 22267 17046 20000
12,0 22130 17384 10000
13,0 22045 16462 0
14,0 20319 14406 6,0 7,0 8,0 9,0 10,0 11,0 12,0 13,0 14,0 15,0 16,0 17,0 18,0
15,0 16959 11492
16,0 12561 8088 E Céu CLARO (lux)

17,0 7721 4585 E Céu ENCOBERTO (lux)


18,0 2608 1328

Ganho de Calor na Fachada NORTE no mês de DEZEMBRO


I = Energia Solar (W/m2)

I Céu I Céu 800


Hora CLARO ENCOBERTO 700
6,0 47 22 600
7,0 94 49
500
8,0 137 77
400
9,0 175 103
300
10,0 200 123
11,0 208 135 200

12,0 207 138 100


13,0 206 131 0
14,0 190 114 6,0 7,0 8,0 9,0 10,0 11,0 12,0 13,0 14,0 15,0 16,0 17,0 18,0
15,0 159 91
16,0 117 64 I Céu CLARO (W/m2)

17,0 72 36 I Céu ENCOBERTO (W/m2)


18,0 24 11

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 77


Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Anexos

Anexo L7 – Tabela de iluminamento médio em plano horizontal

menor valor segundo menor valor anual


Estação (Estado) Latitude Longitude Altitude anual -EH1 -EH2
(m) (lux) (lux)
Boa Vista (RR) 2°49'N 60°39'W 90 26.100 26.800
Macapá (AP) 0°10'N 51°03'W 9 15.600 16.500
Uaupés (AM) 0°08'S 67°05'W 90 26.700 27.700
Manaus (AM) 3°08'S 60°01'W 60 23.100 24.300
Juazeiro (BA) 9°25'S 40°30'W 371 27.100 28.900
Rio Branco (AC) 9°58'S 67°48'W 136 29.200 32.200
Brasília (DF) 15°47'S 47°56'W 1158 20.100 23.200
Belo Horizonte (MG) 19°56'S 43°56'W 850 163700 19.000
Vitória (ES) 20°19'S 40°20'W 31 13.800 14.600
Alto Itatiaia (RJ) 22°25'S 11°50'W 2.199 18.400 19.700
Petrópolis (RJ) 22°31'S 43°11'W 895 18.100 19.700
Rio de Janeiro (RJ) 22°54'S 43°10'W 31 17.900 20.000
Cabo Frio (RJ) 22°59'S 42°02'W 7 18.400 19.900
São Paulo (SP)* 23°39'S 46°37'W 800 15.400 17.500
Ponta Grossa (PR) 25°06'S 50°10'W 869 7.600 9.300
Caxias do Sul (RS) 29°10'S 51°12'W 787 11.800 14.800
Porto Alegre (RS) 30°01'S 51°13W 47 9.500 11.600
Rio Grande (RS) 32°01'S 52°05'W 2 9.300 10.700

Dados de iluminamento médio em plano horizontal para algumas cidades brasileiras (Fonte: IPT -
Recomendações para adequação climática e acústica, 1986). Dados calculados em função dos
valores de radiação média global no plano horizontal, considerando um fator de eficiência
luminosa para radiação igual a 100 lm/ w, distribuição típica de céu encoberto. Valores para 8 e
16horas.
* - Os dados de São Paulo estão colocados como referência, pois estes dez últimos anos se
caracterizaram na cidade por um forte aumento da poluição do ar, o que deve modificar -
atenuando- bastante os valores fixados.

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 78


Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Anexos

3: Acústica

3.1. – Correspondência entre Pressão Sonora, Nível de Pressão Sonora e Impressão


Subjetiva
(Fonte: Gonzalez)

NPS Pressão
Nível subjetivo Descrição
(dB) (Pascal)
Perigo de ruptura do tímpano 140 200
estrondoso • Fogo de artilharia
• Avião a jato a 1 m
Limiar da dor 130 63
• Avião a jato a 5 m
• Tambor de graves a 1 m
Limiar do desconforto auditivo 120 20
• Avião a pistão a 3 m
• Broca pneumática
• Metrô 110 6,3
Muito barulhento
• Próximo a um rebitador
• Indústria barulhenta 100 2
• Dentro de um avião
• Banda ou orquestra sinfônica 90 0,63
Barulhento
• Rua barulhenta
• Dentro de um automóvel em alta velocidade 80 0,2
• Escritório barulhento
• Aspirador de pó
• Rua de barulho médio 70 0,06
Moderado
• Pessoa falando a 1 m
• Escritório de barulho médio 60 0,02
• Rádio com volume médio
• Restaurante tranqüilo 50 0,006
Tranqüilo
• Escritório paisagem (c/ tratamento acústico)
• Sala de aula (ideal) 40 0,002
• Escritório privado (ideal)
• Teatro vazio 30 0,0006
Silêncio
• Quarto de dormir
• Movimento de folhagem 20 0,0002
• Estúdio de rádio e TV
• Deserto ou região polar (sem vento) 10 0,00006
Muito silêncio
• Respiração normal
Limiar de audibilidade 0 0,00002
• Laboratório de acústica (câmara anecóica)

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 79


Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Anexos

3.2. – Tempo de reverberação ideal

Fonte: NBR 101/1988

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 80


Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Anexos

3.3. Anexo A3 – Índices de isolamento acústico


(Fonte: Catálogo TRIKEN – Esquadrias de PVC)

Índices de isolamento acústico em função da espessura do vidro e da utilização de vidro duplo


(quanto maior o índice em dB, melhor a qualidade acústica)

Vidro duplo
Vidro simples
(Dois vidros simples de 2,5mm de espessura)
Espessura do vidro Isolamento acústico Separados por espaço de Isolamento acústico
(mm) (dB) (em mm) (dB)
2,8 25 3 33
4 27 6 35
6 29 12 38
10 31 25 42
12 33 50 46
20 36 125 49
200 53

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Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Anexos

3.4. Anexo A4 – Tabela de coeficientes de absorção de alguns materiais

Materiais Coeficiente (α)


125 250 500 1000 2000 4000
Reboco áspero, cal 0,03 0,03 0,03 0,03 0,04 0,07
Reboco liso 0,02 0,02 0,02 0,02 0,03 0,06
Teto pesado suspenso (gesso) 0,02 - 0,03 - 0,05 -
Estuque 0,03 - 0,04 - 0,07 -
Superfície de Concreto 0,02 0,03 0,03 0,03 0,04 0,07
Revestimento de pedras sintéticas 0,02 - 0,05 - 0,07 -
Chapas de mármore 0,01 0,01 0,01 0,02 - -
Vidraça de janela - 0,04 0,03 0,02 - -
Assoalhos
Tapetes de borracha 0,04 0,04 0,08 0,12 0,03 0,1
Taco colado 0,04 0,04 0,06 0,12 0,1 0,17
Linóleo 0,02 - 0,03 - 0,04 -
Passadeira fina porosa 0,03 - 0,17 - 0,04 -
Tapete de boucle duro 0,03 0,03 0,04 0,1 0,19 0,35
Tapete de 5mm de espessura 0,04 0,04 0,15 0,29 0,52 0,59
Tapete de boucle macio 0,08 - 0,02 - 0,52 -
Tapete de veludo 0,02 0,06 0,1 0,24 0,42 0,6
Tapete de 5mm sobre base de feltro 0,07 0,21 0,57 0,66 0,81 0,72
Móveis, tecidos, gente
Uma pessoa com cadeira 0,33 - 0,44 - 0,4 -
Poltrona estofada vazia, coberta com tecido 0,28 0,26 0,28 0,26 0,34 0,34
Cadeira estofada, chata, com tecido, vazia 0,13 - 0,2 - 0,25 -
Cadeira idem, com couro sintético 0,13 - 0,15 - 0,07 -
Cadeira de assento dobrável, de madeira, vazia 0,05 0,05 0,05 0,05 0,08 0,05
Tecido de algodão esticado, liso 0,04 - 0,13 - 0,32 -
Idem 50/150mm na frente da parede lisa 0,20 - 0,38 - 0,45 -
Feltro de fibra natural, 5mm de espessura 0,09 0,12 0,18 0,30 0,55 0,59
Cortina de porta comum, opaca 0,15 - 0,20 - 0,40 -
Tela cinematográfica 0,10 - 0,20 - 0,50 -
Público em ambientes muito grandes, por pessoa 0,13 0,31 0,45 0,51 0,51 0,43
Portas, janelas, aberturas
Janela aberta 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00
Porta de madeira, fechada 0,14 - 0,06 - 0,10 -
Palco sem cortina 0,30 - 0,25 - 0,40 -
Recessos com cortina 0,25 - 0,30 - 0,35 -
Abertura embaixo de balcão 0,25 - - - - 0,80
Grade ventilador cada 50% de seção livre 0,30 - 0,50 - 0,50 -
Co-vibradores (chapas densas e folhas)
Madeira compensada de 3mm a 50mm da parede (vazio) 0,25 0,34 0,18 0,10 0,10 0,05
Idem com amortecimento nas bordas 0,48 0,47 0,23 0,12 0,10 0,08
Idem, vazio preenchido c/ lã mineral 0,51 0,65 0,24 0,12 0,10 0,05
Lã mineral de 50mm coberta de papelão denso 0,74 0,54 0,36 0,32 0,30 0,17
Chapa de papelão-gesso 9,5mm sobre 50mm de lã mineral 0,33 0,12 0,08 0,07 0,06 0,10
Madeira compensada 2,5mm sobre 50mm de feltro mineral

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 82


Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Bibliografia

Bibliografia
Esta cartilha procura apresentar de forma a interagir-se com o processo do projeto de arquitetura
a questão do bioclimatismo. Após a assimilação dos conhecimentos aqui descritos, muita lacuna –
espera-se – deverá ser descoberta e coberta. E para isto relacionamos aqui não só a bibliografia
utilizada para embasar os fundamentos e os Anexos como a necessária ao prosseguimento deste
caminhar.
Como dissemos, a pesquisa em qualidade ambiental das construções em clima tropical tem sido
objeto de pesquisa intensa. A tarefa não é fácil. Se em clima frio existe uma certa coincidência de
objetivos que facilita a simplificação, em clima tropical muita vezes a exigência de uma área é a
interdição de outra. Receber luz sem receber calor, permitir a ventilação sem poluição sonora...
Na busca de uma melhor interação com o processo de concepção arquitetônica, muitos
pesquisadores, brasileiros e de diferentes especialidades – arquitetos, físicos, meteorologistas,
médicos, engenheiros, sociólogos - tem-se unido. Nossos centros universitários - de Norte a Sul
do país - e institutos de pesquisa tecnológica vêm procurando integrar e adequar os princípios
físicos da transmissão de calor e as necessidades de caráter ambiental dos diversos tipos de
usuário - higrotérmicas, visuais, acústicas e da qualidade do ar interno - à nossas diversidades
climáticas, culturais, à nossa prática de projeto e às nossas leis de uso do solo.
Muitas das informações aqui transmitidas vêm dessa massa de pesquisadores e encontram-se na
bibliografia. Outras foram transmitidas ao longo dos cursos de mestrado e doutorado realizados,
expostas em congressos e seminários temáticos, enfim, no convívio diário – sobretudo após o
advento da Internet no ciclo universitário. Àqueles mestres cuja gratuidade na informação
impedem uma referência bibliográfica mais precisa, resta-nos o recurso de colocar seus centros
de pesquisa como referência. Assim estão listadas nesta bibliografia as publicações de referência
para o texto e também sites, onde pesquisadores continuam a trocar informações sobre o tema.

ABILUX (MASCARÓ, J, MASCARÓ L) - Iluminação - Uso Racional De Energia Elétrica Em


Edificações, ABILUX, 1992.
Academia Brasileira de Letras - Dicionário ilustrado da Língua Portuguesa; Ed. Bloch; RJ, 1986.
AGUESSE, P. - Chaves da Ecologia; Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1972.
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TECNOLOGIA NO AMBIENTE CONSTRUÍDO;
http://www.npc.ufsc.br/~antac
BAHIA,S., GUEDES, P.;THOMÉ,M.;LA ROVERE,A . –Modelo para elaboração de código de obras
e edificações; IBAM/DUMA, 1997
BARING,J.G.A.- Acústica de escritórios, IPT/DEd 91; A Construção n° 2019 e 2021, S.P., 1986
BARROSO-KRAUSE, C. - Coberturas, conforto higrotérmico, edificações; ponderações e
propostas para clima tropical úmido em situação de verão; tese de mestrado,
PROARQ/FAU/UFRJ, 1990
BARROSO-KRAUSE, C. – La climatisation naturelle: modélisation des objets architecturaux, aide
à la conception en climat tropical ; tese de doutorado, CENERG/ENSMP/França, 1995
CETUR - Centre d’Études des Transportes Urbaines. Bruit et Formes Urbaines - Propagation du
Bruit Routier dans les Tissus Urbaines. França: Ministère de l’Urbanisme et du Logement. 1981.
CHATELET,A .;FERNANDEZ,P.;LAVIGNE,P. – Architecture climatique: une contribuition au
développement durable. Concepts et dispositifs, Ed. EDISUDAix-en-Provence, França, 1998
COMITE D'ACTION POUR LE SOLAIRE: e-mail SUNNIE.WATT@utopia.fnet.fr
CSTB (Millet, J.; sacré, C.; Gandemer, J.; Barnaud, G.)– Guide sur la climatisation naturelle en
climat tropical humide tome 1, Ed. CSTB, Paris, 1992
FERNANDES, F. - Dicionário Brasileiro Globo; Ed. Globo; S.Paulo, 1993
FERNANDEZ, P. - "O Homem e o Meio Ambiente"; módulo do mestrado em Tecnologia da
Construção. FAU/UFRJ, 1989
FROTA, A.B. SHIFFER, S.R .- Manual de Conforto Térmico; Editora Nobel, 1988
GIVONI, A - L'homme, L'architecture et le Climat – Ed. Le Moniteur, Paris, 1968
DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 83
Conforto Ambiental 2° semestre 2003 Bibliografia

GONZALEZ, Miguel Fernandez. Acústica. São Paulo. Rhodia, s/d


GRET - Bioclimatisme en zone tropicale: dossier Technologies et Développement, programme
interministeriel REXCOOP; Ministére de la Coopération, Paris, 1986
GROUPE DE RECHERCHE ENVIRONNEMENT ET CONCEPTION (GRECO) – email:
greco@cict.fr
GRUPO DE CONFORTO AMBIENTAL; http://www.maceio.rei.br/users/rcabus
HERTZ,J. – Ecotécnicas em Arquitetura: como projetar nos trópicos úmidos do
Brasil;Pioneira;1998
HOPKINSON, PETHERBRIDGE, LONGMORE - Iluminação Natural, Fundação Galouste
Gulbenkian; Lisboa; 1975
IPT - Implantação de conjuntos Habit. - recomendações para adequação climática e acústica,
IPT, 1986
KLICK Editora - HELP Ciência e Tecnologia, Ed. KLICK, S.Paulo,1995
KOENIGSBERGER, INGERSOLL, SZOCOLAY, MAYHEW - Viviendas y edificios en zonas cálidas
y tropicales ; Ed. Paraninfo, 1977
LAMBERTS,R.;PEREIRA,F.;DUTRE,L.;GOULART,S. – Eficiência Energética na Arquitetura ( CD
e livro). PW Editores,1998
LAMBERTS R, LOMARDO LL, AGUIAR, JC - Eficiência Energética em Edificações - Estado da
Arte
MACINTYRE, A. Joseph - Ventilação industrial e Controle da Poluição. Rio de Janeiro, Editora
Guanabara, 1990
MASCARÓ, L. – Energia na edificação – estratégia para minimizar seu consumo,volumes I e
anexos Ed. Projeto, Rio de Janeiro, 1985
NIEMEYER, M.L.A. – Ruído Urbano e Arquitetura em clima tropical úmido – tese de mestrado,
PROARQ- FAU/UFRJ, 1998
NOBRE, F.R. - Tratado de Física elementar; Livraria Chandon; Porto, 1931
NÚCLEO DE PESQUISA EM CONSTRUÇÃO: http://www.npc.ufsc.br/~energia
PIZZUTTI DOS SANTOS, J. – Acústica aplicada às edificações – apostila do curso ministrado
entre 24 e 28 de novembro, IV ENTAC, Salvador Bahia, 1997
PORTO OTTONI, M.M. - Iluminação Zenital - Uma Tentativa de Adequação às Condições
Climáticas da Cidade do Rio de Janeiro, tese de mestrado, PROARQ/FAU/UFRJ, 1990
QUEIROZ, Tereza Cristina F. - Avaliação Ambiental das Condições de Ventilação Estudo de caso:
Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, Oficinas de Metalurgia Naval; tese de mestrado em
Conforto Ambiental, Programa de Pós-graduação em Arquitetura FAU/UFRJ, Rio de Janeiro, 1996
ROSA, L. Z. Absorção Acústica na Qualidade do Ambiente Construído. Rio de Janeiro, 1993.
Dissertação (Mestrado em Arquitetura) - FAU / UFRJ
SARDINHA, G - Iluminação Natural em Edificações Escolares: uma Abordagem Arquitetônica
Qualitativa; tese de mestrado, PROARQ/FAU/UFRJ, 1996
SILVA, P.F. – Qualidade Acústica da Edificação em clima tropical: critérios de qualidade e
sugestões para projetos, dissertação de mestrado, PROARQ-FAU/UFRJ, 1993
SLAMA, J.G. – CONFORTO ACÚSTICO – notas da disciplina de conforto acústico do mestrado
em conforto ambiental, PROARQ- FAU/UFRJ, 1989
SLAMA, J.G.; TEIXEIRA, S.G. – Barreiras acústicas e ruído de trânsito, anais do IV seminário
internacional de controle de ruído, rio, RJ, 1992
SLAMA,J.G., BALLESTEROS,M.L.; TENENBAUM, R.A. –Projeto de acústica previsional no LAVI,
aplicação de estudo de propagação de ruído em uma rua, IV SOBRAC, 1992
ABNT- NBR-10152 - Níveis de Ruído para Conforto Acústico - Rio de Janeiro: 1987.
ABNT- TB-143: Poluição Sonora. Rio de Janeiro: 1973

DTC e PROARQ – FAU - UFRJ Página 84