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Aula de Fenômenos de

Transporte

Módulo
(2x+1)

Clodoaldo Valverde
Movimento de um Fluido

Desejamos realizar uma descrição macroscópica, por isso precisamos


imaginar que esse fluido é composto de pequenos volumes.
Ainda é preciso considerar cada um desses volumes como sendo
infinitesimal e homogêneo, ou seja, um ponto no mundo em que vivemos,
porém ainda grande o suficiente se comparado à escala molecular, ou seja,
cada um deles ainda contém um número extraordinariamente grande de
moléculas

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Linhas de Trajetória e Linhas de Corrente

Linha de Trajetória:
é o lugar geométrico dos pontos ocupados por uma partícula em
instantes sucessivos. É a linha traçada por dada partícula ao longo de
seu deslocamento.

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Linha de Corrente:
é a linha tangente aos vetores velocidades de diferentes partículas
no mesmo instante. Note-se que, na equação de uma linha de
corrente, o tempo não é uma variável, já que a noção se refere a um
certo instante.

Características:
• duas linhas de corrente não podem interceptar-se.

• No interior de um fluido em escoamento existem infinitas linhas de


corrente, definidas por suas partículas fluidas.

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• Se considerarmos uma curva fechada, que não seja linha de corrente,
no interior desse fluido, a superfície constituídas pelas linhas de
corrente por ela interceptadas definirá o denominado tubo de
corrente, ou veia líquida.

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Tipos de Escoamentos

A. Escoamentos em Regime Permanente (Estacionário)

• Um escoamento se processa em regime permanente (ou


estacionário) quando, ao observarmos, ao longo do tempo, um
volume de controle previamente escolhido, as propriedades
médias das partículas fluidas contidas nesse volume
permanecerem constantes.

• No regime permanente a aceleração local é nula.

• Nesse caso, as linhas de corrente e as trajetórias coincidem.

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Exemplo de escoamento em regime permanente:

Exemplo de escoamento em regime não-permanente:

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B. Escoamentos Uni, Bi e Tridimensionais

• Escoamentos Tridimensionais: • Escoamentos Bidimensionais:


Todos os escoamentos que ocorrem Se as grandezas do escoamento
na natureza são tridimensionais. As variarem em 2 dimensões, isto é,
grandezas que nele interferem, em se o escoamento puder definir-
cada seção transversal de um se, completamente, por linhas de
filamento ou tubo de corrente, variam corrente contidas em um plano,
em três dimensões. o escoamento será
bidimensional.

Exemplo: Um vertedor de uma


barragem.

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• Escoamentos Unidimensionais: • Escoamento não-viscoso
O escoamento é dito unidimensional é aquele no qual os efeitos da
quando uma única coordenada é viscosidade não influenciam
suficiente para descrever as significativamente o
propriedades do fluido. escoamento e são, portanto,
desprezados.
Para que isso aconteça é necessário
que as propriedades sejam constantes Pode ser também chamado
em cada seção. de escoamento de fluido ideal
ou perfeito.

• Escoamento viscoso
é aquele no qual os efeitos da
viscosidade são importantes
e não podem ser
desprezados.
Pode ser chamado também
de escoamento de fluido real.

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NÚMERO DE REYNOLDS
𝑉𝐷ℎ ρVDh
𝑅𝑒 = ou 𝑅𝑒 =
𝜈 μ
𝑅𝑒 = número de Reynolds
𝑉 = velocidade do fluido
𝐷ℎ = diâmetro hidráulico
𝜈 = viscosidade cinemática
ρ = massa específica
μ = viscosidade absoluta

Em caso de Tubos, temos:

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Escoamento Laminar Escoamento Turbulento

Inicialmente laminar e
depois turbulento
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Pressão Média (P) e Tensão de Cisalhamento Média (𝝉)

Considere uma força aplicada contra a superfície de um fluido, e


decomposta numa direção perpendicular à superfície (𝐹𝑛 ) e numa
direção tangencial ao fluido (𝐹𝜏 ), conforme figura. Por definição
temos:
Pressão (P)
𝐹𝑛 = Força normal
à superfície

Tensão de Cisalhamento
𝐹𝜏 = Força tangencial
à superfície

Massa Específica ( ρ ) Peso Específico (𝜸)


G = Força Peso
∀ = volume
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Experiência das duas placas:
Aplicando-se o princípio da aderência à
experiência das duas placas, uma fixa e
a outra móvel, chegamos ao perfil de
velocidades esboçado na figura

Lei de Newton da viscosidade:

𝒅𝒚
𝝉=𝝁
𝒅𝒙

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Simplificação prática da Lei de Newton da Viscosidade:

Em casos reais, como nos mancais de máquinas, motores, a distância


entre as placas é bem pequena, da ordem de décimos de milímetros ou
até menos. Nesses casos, admite-se um perfil linear de velocidades

𝑽
𝝉=𝝁
𝜺

onde:
𝝉 = tensão de cisalhamento
V = velocidade
𝜺 = espessura da placa
𝝁 = viscosidade absoluta do fluido

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EXERCÍCIO 1:
Têm-se duas placas planas, sendo uma delas móvel de área
𝟐, 𝟎 𝒎𝟐 e a outra extensa e fixa, distanciada de 1 mm. Entre elas há
fluido de viscosidade absoluta 𝟎, 𝟎𝟎𝟏 𝐤𝐠𝐟. 𝐬/𝐦𝟐 . Sabendo-se que a
velocidade com que a placa se movimenta é de 𝟏𝒎/𝒔 constante, que
o perfil de velocidades é linear, calcular o valor da força propulsora
F.
𝒅𝒂𝒅𝒐𝒔:
𝑨 = 𝟐, 𝟎 𝒎𝟐
𝜺 = 𝟏𝒎𝒎 = 𝟎, 𝟎𝟎𝟏 𝒎
𝝁 = 𝟎, 𝟎𝟎𝟏 𝐤𝐠𝐟. 𝐬/𝐦𝟐
V = 𝟏 m/s

𝑻𝒆𝒏𝒔ã𝒐 𝒅𝒆 𝒄𝒊𝒔𝒂𝒍𝒉𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐
𝑽 𝑭 𝑭 𝑽 𝑽𝑨
𝝉=𝝁 𝝉= =𝝁 𝑭=𝝁
𝜺 𝑨 𝑨 𝜺 𝜺
𝟏∙𝟐
𝑭 = 𝟎, 𝟎𝟎𝟏 𝑭 = 𝟐 kgf
𝟎, 𝟎𝟎𝟏
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EXERCÍCIO 2:
Uma placa quadrada de 1,0 m de lado e 20 N de peso desliza sobre um
plano inclinado de 30º, sobre uma película de óleo. A velocidade da
placa é 2 m/s constante. Qual é a viscosidade dinâmica do óleo, se a
espessura da película é 2 mm?
𝑭 𝒅𝒂𝒅𝒐𝒔:
𝒗𝒊𝒔𝒄𝒐𝒔𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆
𝑵 𝑷𝒚 = 𝑷𝒄𝒐𝒔𝟑𝟎
𝑷𝒚 = 𝟐𝟎 ∙ 𝒄𝒐𝒔𝟑𝟎
𝑷𝒙 𝑷𝒚 = 𝟏𝟕, 𝟑𝟐 𝑵
𝑷𝒙 = 𝑷𝒔𝒆𝒏𝟑𝟎
𝑷𝒚
𝑷𝒙 = 𝟐𝟎 ∙ 𝒔𝒆𝒏𝟑𝟎

𝑵𝒂 𝒅𝒊𝒓𝒆çã𝒐 𝒅𝒂 𝒗𝒆𝒍𝒐𝒄𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆: 𝑷𝒙 = 𝟏𝟎 𝑵

𝑭 𝒓 = ෍ 𝑭𝒊 +
𝑭𝒓 = 𝑷𝒙 − 𝑭𝒗 𝒗𝒆𝒍. 𝒄𝒐𝒏𝒔𝒕. 𝑭𝒓 = 𝟎 𝟎 = 𝑷𝒙 − 𝑭𝒗 𝑭𝒗 = 𝑷𝒙
𝑽𝑨 𝑽𝑨
𝑭=𝝁 𝝁 = 𝑷𝒙
𝜺 𝜺 Módulo (2x + 1) Clodoaldo Valverde p.16
Continuação ...

𝑽𝑨 𝜺 ∙ 𝑷𝒙
𝝁 = 𝑷𝒙 𝝁= Área da placa
𝜺 𝑽∙𝑨 𝑨 = 𝒍𝟐 𝑨 = 𝟏𝟐 = 𝟏𝒎𝟐

𝟎, 𝟎𝟎𝟐 ∙ 𝟏𝟎
𝝁= 𝝁 = 𝟎, 𝟎𝟏 𝑵𝒔/𝒎𝟐
𝟐∙𝟏

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Referências
• Franco Brunetti “Mecânica dos Fluidos”, 2ª Ed. Revisada.

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