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09-10-2011

AGREGADOS

SUMÁRIO:
Agregados:
Introdução
Granulometria

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AGREGADOS: representam 60 a 80% do volume total de betão


Porquê o uso de agregados?
O uso de pasta de cimento como material de construção seria possível devido à
sua resistência, mas com duas grandes desvantagens:
- Instabilidade dimensional (fluência e retracção elevados);
- Custo elevado

Agregados: devem ser usados na maior quantidade possível sendo


aglomerados pela pasta de cimento, contendo estas características:
- Maior dimensão possível das particulas;
- Granulometria extensa (menor índice de vazios → < quant. cimento);
- Maior índice de compacidade possível.

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DEFINIÇÃO DE AGREGADO (NP EN 12620):


Material granular utilizado na construção. O agregado pode ser natural, artificial ou
reciclados
AGREGADO NATURAL: Agregado de origem mineral que foi sujeito apenas a processamento
mecânico

AGREGADO DE GRANULOMETRIA EXTENSA: Agregado que consiste numa mistura de


agregados grossos e agregados finos.

AGREGADO ARTIFICIAL: Agregado de origem mineral resultante de um processo industrial


compreendendo modificações térmicas ou outras.

AGREGADO RECICLADO: Agregado resultante do processamento de materiais inorgânicos


anteriormente utilizados na construção.

DIMENSÃO DO AGREGADO

Designação do agregado em termos das aberturas do peneiro inferior (d) e do superior (D),
expressa como dID.

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Propriedades de um agregado para produzir betão:


- Forma e dimensões proporcionadas segundo determinadas
regras;
- Resistência mecânica;
- Propriedades térmicas;
- Adequadas propriedades químicas relativamente ao ligante e
acções;
- Ausência de substâncias prejudiciais.

Classificação dos agregados naturais


- Petrografia e mineralogia;
- Densidade;
- Dimensão das partículas.

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Classificação segundo a densidade, pode ser feita segundo:


1. Massa volúmica:
- Agregados leves: < 2000 kg/m3;
- Agregados com massa volúmica (γ) normal: 2000 – 3000
kg/m3;
- Agregados pesados: > 3000 kg/m3.

2. Baridade:
Agregados leves: - fabrico de betão leve;
- Menor peso próprio e melhor isolamento térmico;
- Betões com menor resistência.
Influência da massa volúmica dos
Agregados com massa volúmica normal: agregados leves na resistência à
- Betões comuns; compressão de betões
(Construction Materials, 1994)
- Massa volúmica dos betões correntes (2250-2450
kg/m3);
Agregados pesados:
- p.ex. para protecção contra radiação;
- não muito usado

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REQUISITOS GEOMÉTRICOS DE UM AGREGADO:
− Dimensões do agregado
− Granulometria .
− Forma do agregado grosso
− Teor de conchas nos agregados
− Teor de finos
− Qualidade dos finos
REQUISITOS FÍSICOS DE UM AGREGADO:
− Resistência à fragmentação do agregado grosso
− Resistência ao desgaste por atrito do agregado
− Resistência ao polimento e à abrasão do agregado grosso para utilização em camadas de desgaste
− Massa volúmica das partículas e absorção de água
− Baridade
− Durabilidade
− Classificação dos constituintes dos agregados reciclados grossos
REQUISITOS QUÍMICOS DE UM AGREGADO
− Cloretos
− Compostos contendo enxofre
− Teor de carbonato dos agregados finos para utilização em camadas de desgaste de pavimentos em betão.

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Trabalhabilidade: maior ou menor facilidade com que o betão é


amassado, transportado, colocado, compactado e acabado e a menor ou
maior facilidade de segregação durante essas operações.

Granulometria: Distribuição dimensional das partículas que passam numa


série especificada de peneiros, expressa pelas percentagens em massa.

Superfície específica: razão entre a superfície total e o volume total das


partículas

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Granulometria Influencia as propriedades do betão, em especial


compacidade e trabalhabilidade

Dmax do agregado; Razão grossos/finos; %finos


Influencia

Quantidade de Água, ou seja, trabalhabilidade.

Superfície específica

Determina

Quantidade de água necessária para molhar e lubrificar a mistura

0,15 mm < Dmax<40 mm: Se Dmax aumentar → - água para = trabalhabilidade


Dmax > 40 mm: Se Dmax aumentar → < resistência do betão

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ANÁLISE GRANULOMÉTRICA: consiste na separação de uma amostra de


agregado em fracções, cada uma contendo partículas com dimensões entre os
limites das aberturas dos peneiros correspondentes.

Procedimento: Agita-se o agregado através de uma série de peneiros


posicionados de cima para baixo por ordem decrescente de largura de malha,
pesando-se o material retido em cada peneiro

Conhecida a massa inicial da amostra, calcula-se a massa de resíduos retida em


cada peneiro, que são as partículas com a mesma dimensão granulométrica.
Os resultados registam-se sob a forma de tabela com os elementos:
a) Massa retida em cada peneiro;
b) Percentagem retida em cada peneiro;
c) Passados acumulados (% total do que passa através do peneiro)
d) Retidos acumulados (% total do que fica retido no peneiro)

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Eixo das abcissas: Abertura dos peneiros


Eixo das ordenadas: % passados acumulados em cada peneiro

série base mais série 1


AREIA - A

100
Percentagem cumulativa que passa (%)

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0
0,063

0,125

0,5

5,6

16

45

63
0,25

11,2

22,4

31,5

Abertura quadrada dos peneiros (mm)

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Curva granulométrica: Linha contínua que une os pontos que representam o


resultado da análise granulométrica.

Importância da curva granulométrica

- Análise rápida da granulometria do agregado;

- Detecção da ausência de determinadas fracções;

- Elemento fundamental em métodos que permitem definir as quantidades


dos componentes do betão;

- Possível obter a curva granulométrica de uma mistura de agregados a


partir das curvas de cada um deles

Normalmente, para se obter um agregado com maior compacidade, recorre-


se à mistura de agregados.
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MÉTODOS DE REDUÇÃO DE ACORDO COM NP EN 932-1 DIVISOR


ROTATIVO
FRACCIONAMENTO
POR PÁ

DIVISOR POR
ESQUARTELADOR
OU CRIVO

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Os agregados devem ser definidos em termos das


suas dimensões, usando as designações D/d.
As dimensões do agregado devem ser especificadas
utilizando um par de aberturas dos peneiros
seleccionados no Quadro 1, a partir da série base, da
série base mais série 1, ou da série base mais série 2.

SÉRIE R 20:
razão 101/20

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A analise granulométrica de um
agregado consiste em separar
uma amostra desse agregado
em classes.

Fonte: Joana Sousa-Coutinho,2006

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Segundo a especificação do LNEC “E355 – INERTES PARA ARGAMASSAS


E BETÕES. CLASSES GRANULOMÉTRICAS, 1990” a designação de um
agregado é feita mediante dois números separados por uma barra que
indicam o primeiro (D), a abertura do peneiro onde passam 90% a 100% de
agregado e o segundo (d), 0% a 15%.

D d

32 / 4

10% de 15% de
tolerância tolerância

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A areia pode ser classificada de acordo com a sua dimensão considerando para limites das
designadas por fracção de finos, médios e grossos, a abertura dos peneiros 0,5 e 2,0 mm.

PG

PM
PG

PF

Fracção de Pfinos
M
(F) < 0,5 mm
Fracção de médios (M) 0,5 a 2 mm
PF
Fracção de grossos (G) 2 a 5 mm

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Triângulo de Feret g + m + f = 100%


g = % em massa dos grãos grossos;
m = % em massa dos grãos médios;
f = % em massa dos grãos finos.

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Feret procedeu a ensaios com misturas de várias


areias tendo concluído, que a máxima compacidade
corresponde aproximadamente a 2/3 grossos mais 1/3
de finos.

Recta de maior
compacidade

M2

P2 M1 P1*M1=P2*M2
P1

P1+P2= 1

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FONTE:. Joana Sousa-Coutinho,1999

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AGREGADO FINO

Designação dada aos agregados com partículas de menores dimensões em que D é menor ou igual a
4 mm.

NOTA: O agregado fino pode ser produzido a partir da desintegração natural da rocha ou do seixo
e/ou da sua britagem, ou do tratamento de agregados artificiais

AGREGADO GROSSO

Designação dada aos agregados de maiores dimensões em que D é maior ou igual a 4 mm e d é


maior ou igual a 2 mm

AGREGADO NATURAL 0/8 MM

Designação dada ao agregado de origem fluvial ou glaciar em que D é menor ou igual a 8 mm.

AGREGADO GRANULOMETRIA EXTENSA

O agregado de granulometria extensa deve ser fornecido como uma mistura de agregado grosso e
fino em que D ≤ 45 mm e d = 0.

FILER Agregado cuja maior parte passa no peneiro de 0,063 mm.

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Para os agregados grossos cuja granulometria é tal que:


a) D> 11,2 mm e D/d ≤ 2; ou
b) D≤ 11,2 mm e D/d ≤ 4,
não devem existir quaisquer requisitos adicionais além deste quadro.

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Para os agregados grossos em que:


a) D > 11,2 mm e D/d > 2; ou
b) D≤ 11,2 mm e D/d > 4,
devem aplicar-se os seguintes requisitos adicionais (i) e (ii) relativamente à percentagem de passados no peneiro
intermédio:
(i) todas as granulometrias devem satisfazer os limites gerais indicados no Quadro 3;
(ii) o produtor deve documentar e, se pedido, declarar a granulometria típica que passa no peneiro intermédio e as
tolerâncias seleccionadas entre as categorias do Quadro 3.

QUADRO 3

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AGREGADO DE GRANULOMETRIA EXTENSA


Os agregados de granulometria extensa devem também satisfazer os requisitos da percentagem de
passados nos dois peneiros intermédios especificados no Quadro 6 apropriados à dimensão desses
agregados.
QUADRO 6

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FÍLER
A granulometria do fíler, determinada de acordo com a EN 933-10, deve
satisfazer os limites especificados no Quadro 7.

QUADRO 7

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Dimensão 0/4 ?
GF85

Será: 5.6/16 ?
Dintermédio= 11.2
5.6/22 ?
4/22.4 ?

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Qual a
Categoria?

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Módulo de finura: Soma das percentagens dos retidos acumulados da série principal
de peneiros dividida por 100.

FM = ∑ Retidos acumulados (peneiros (mm): 4, 2, 1, 0.5, 0.25, 0.125)


100
Designação da finura dos agregados finos pela granulometria:
C – AREIA GROSSA (COARSE)
M – AREIA MÉDIA
F – AREIA FINA
A letra P, designa a percentagem de agregado que passa no peneiro 0.500 mm;
A letra F, designa o módulo de finura.
Exemplo, MP , é um agregado fino de granulometria média.
Utilizar Apenas Um Dos
Quadros, Nunca Os 2.

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Finura do agregado fino baseado na % passados # 0,500 mm

série base m ais série 1

100

90
FP
80

70

60

50 MP
40

30

20
CP
10

A b er t ur a q uad r ad a d o s p eneir o s ( mm)

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Bibliografia:
• Sousa-Coutinho, J., Apontamentos da disciplina de Materiais de Construção, Faculdade de
Engenharia da Universidade do Porto – FEUP.
• NP EN 12620
• NP EN 932-1
• NP EN 933-2

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