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Dicas & Truques by Silvana Gonçales

Princípios básicos
Apesar de hoje em dia quase todas as máquinas possuírem um modo automático, é fundamental que qualquer fotógrafo
perceba aquilo que a máquina está a fazer para que a possa corrigir sempre que necessário. Mesmo as máquinas mais
sofisticadas se enganam em certas condições de iluminação e só dominando a exposição do filme à luz se pode determinar
o aspecto de cada fotografia.

Mas dominar a exposição não significa conseguir a exposição “objectivamente correcta”. Isso não existe. Expor
correctamente é apenas obter o resultado que o fotógrafo pretendia, seja ele qual for. Ao determinar as variáveis da
exposição podemos fazer escolhas conscientes que alteram completamente o aspecto final da fotografia. Por exemplo,
fotografamos uma planície alentejana sob um céu limpo com um tom médio de azul e queremos que o céu fique
exactamente com essa cor. Se o filme for menos exposto do que o necessário (subexposição), o céu vai ficar mais escuro
do que vimos na realidade; se o filme receber mais luz do que a necessária (sobrexposição), o céu vai ficar mais claro.

Abertura e tempo de exposição


Para se tirar uma fotografia é preciso definir a quantidade de luz que se deixa passar para o filme e o tempo durante o
qual essa luz passa. Estas são as duas variáveis que determinam a exposição e designam-se abertura do diafragma e
tempo de exposição. A abertura refere-se à quantidade de luz que passa num dado instante para o filme, o tempo de
exposição expressa o tempo durante o qual o filme recebe essa quantidade de luz. Podemos obter a mesma exposição
com diferentes combinações de abertura e tempo de exposição: se se aumentar a abertura pode-se expor durante
menos tempo e vice-versa.

Quer a abertura quer o tempo de exposição são expressas em escalas logarítmicas, nas quais cada ponto da escala deixa
passar metade da luz do que o seguinte. O tempo de exposição é expressa em segundos e fracções de segundo que
correspondem ao tempo durante o qual o obturador abre para deixar passar a luz para o filme. A maior parte das máquinas
fotográficas permite utilizar os seguintes tempos de exposição: 1 segundo, 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, 1/30, 1/60, 1/125, 1/250,
1/500 e 1/1000 de segundo. Estes tempos de exposição são usualmente apresentadas de forma abreviada, mostrando
apenas o denominador da fracção (1, 2, 4, 8, 16, 30, 60, 125, 250, 500 e 1000).

Nikon FE2 – selector do tempo de exposição.

A abertura é expressa pela relação entre a distância focal da objectiva e o diâmetro da abertura do diafragma que deixa
entrar a luz. Assim, uma objectiva de 50mm que deixe passar a luz por uma abertura de 25mm de diâmetro tem um
abertura igual à distância focal (f) a dividir por 2, ou seja f /2. Frequentemente, representa-se a abertura apenas pelo

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denominador desta fracção, apresentando-se neste caso o número 2 para se referir esta abertura. Compreende-se assim
facilmente que, quanto menor for o número da abertura, mais luz passa através da objectiva. É comum encontrar escalas
de abertura com os seguintes valores: 2, 2.8, 4, 5.6, 8, 11, 16 e 22. Também nesta escala cada valor deixa passar metade
da luz do que o precedente, pelo que se pode fazer uma tabela de conjugações de abertura e tempo de exposiçãopara se
obter exactamente a mesma exposição:

Tempo de
1/2 1/4 1/8 1/16 1/30 1/60 1/125 1/250 1/500 1/1000
exposição
Abertura 32 22 16 11 8 5.6 4 2.8 2 1.4

Profundidade de campo
Mas não é indiferente escolher qualquer uma destas combinações. Por um lado, é preciso escolher cuidadosamente o
tempo de exposição, de forma a “congelar” o movimento daquilo que se está a fotografar ou, pelo contrário, deixar que
esse movimento se veja na fotografia. Por outro, a abertura que se escolher determina a profundidade de campo, a
distância à frente e atrás do plano de focagem em que os objectos ficam razoavelmente focados.

Sagrada Família, Barcelona (Nikon FE2, Nikkor 55mm f/2.8 Micro, Kodak Portra 160VC) Uma
pequena profundidade de campo permite distinguir claramente o primeiro plano do fundo.

A profundidade de campo é inversamente proporcional em relação à abertura. Quanto maior for a abertura, menor será a
profundidade de campo e vice-versa. Muitos fotógrafos amadores deixam-se confundir porque uma “abertura maior”
significa ter um número de abertura menor. Por exemplo, com uma abertura de 1.4 a profundidade de campo é muito
menor do que aquela que se obtém com uma abertura de 11.

A escolha da profundidade é uma das opções mais importantes quando se define a abertura e o tempo durante o qual
que se expõe um fotograma. Por exemplo, quando se fotografa uma pessoa podemos querer isolá-la do fundo, usando
a menor profundidade de campo possível. Pelo contrário, ao fotografar uma paisagem grandiosa podemos querer que
tudo o que vemos fique focado, desde os objectos mais próximos até ao infinito, para o que devemos usar a maior
profundidade de campo possível. Mas atenção, porque quanto menor for a abertura, mais tempo se terá que expor a
película e maior será o risco de tremer a fotografia. Para que isso não aconteça, podemos usar um bom tripé ou seguir
a regra simples segundo a qual é possível obter fotografias nítidas segurando a máquina com as mãos desde que se use
um tempo de exposição igual ou inferior ao inverso da distância focal da objectiva (em milímetros). Assim,
poderemos segurar à mão tranquilamente uma máquina com uma objectiva de 50mm desde que o tempo de
exposição seja no máximo de 1/50 de segundo ou, usando o ponto da escala mais próximo, 1/60.

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Sensibilidade do filme
Para além das variáveis de exposição que se controlam para cada fotografia (a abertura e o tempo de exposição) também
temos que considerar a sensibilidade do filme que está na máquina. A emulsão de um filme fotográfico pode ser mais ou
menos sensível à luz, necessitando por isso de uma maior ou menor exposição.

Praça do Giraldo, Évora (Nikon F50, Sigma 28-70mm f/2.8-4, AGFA APX400) Utilizando um filme
rápido de 400 ISO consegui captar esta imagem nocturna sem precisar de tripé.

A sensibilidade das películas é expressa numa escala ISO (anteriormente designada ASA). Também esta escala é
logarítmica, pelo que um filme com uma sensibilidade de 400 ISO precisa de metade da luz do que um rolo de 200 ISO
para produzir a mesma exposição. Usando filmes mais sensíveis (mais “rápidos”) podemos usar menores aberturas para
obter maiores profundidades de campo. Mas na fotografia nada se obtém de graça. Quanto maior for a sensibilidade de
um filme menor será a sua definição e mais grão terá a fotografia. A menor definição e o grão serão tanto mais visíveis
quanto mais se ampliar a imagem.

A gama de filmes disponíveis em quase todas as lojas de fotografia abarca as seguintes sensibilidades: 25, 50, 100, 200,
400 e 800 ISO. Também se encontram filmes com valores intermédios de sensibilidade, por exemplo 160 ISO (2/3 de
ponto mais rápido do que um filme de 100 ISO). Mas a sensibilidade de cada filme é apenas um indicador da exposição
para a qual um filme foi concebido. Pode-se escolher na máquina outro índice de exposição que não a sensibilidade
indicada para o filme. Se as condições de iluminação o exigirem, e não tivermos um filme mais rápido connosco,
podemos “puxar” qualquer rolo em até 2 pontos, ou seja, por exemplo, podemos fotografar com um rolo de 200 ISO como
se ele fosse de 400 ou 800 ISO (regulando manualmente o índice de exposição da máquina). Também esta facilidade tem
o seu preço e obteremos fotografias com mais grão e maior contraste. Mas atenção, para que um rolo “puxado” seja
correctamente revelado temos que informar o laboratório do índice que utilizámos para o expor.

Utilizar o fotómetro
Para podermos escolher o tempo de exposição e a abertura com que vamos tirar uma fotografia temos que poder medir a
luz existente. É para isso que todas as máquinas que hoje se vendem estão equipadas com um fotómetro mais ou menos
sofisticado, com base no qual sugerem (ou escolhem, em modo automático) uma determinada exposição.

Só se pode utilizar adequadamente um fotómetro se se perceber o que ele faz. E o que qualquer fotómetro faz é
simplesmente indicar a exposição correcta no caso de estarmos a fotografar um cartão cinzento que reflecte 18% da luz
que nele incide, o tom médio perfeito. Comprovar isto é muito simples, basta seleccionar o modo de exposição
automática, colocar frente à máquina, cobrindo todo o enquadramento, uma folha cinzenta e fotografar. Em seguida
fotografa-se uma folha branca e depois uma folha preta. Depois de revelado o filme, pode-se constatar que a máquina fez

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com que as três folhas parecessem iguais: expondo correctamente a cinzenta, subexpondo a branca e sobrexpondo a preta.

Como nem tudo o que podemos querer fotografar é cinzento, nem reflecte 18% da luz, precisamos de saber interpretar a
informação que nos é fornecida para tomar decisões correctas de exposição. Os fotómetros medem a luz que é reflectida
pelos objectos que estão dentro do enquadramento, dando frequentemente uma ponderação de 60% ou 75% da leitura ao
círculo central do visor. Como uma superfície branca reflecte mais luz do que uma área escura, temos que tomar isso em
consideração quando tomarmos decisões baseadas na leitura da luz reflectida. Por exemplo, se fotografarmos uma
paisagem coberta de neve branca não podemos utilizar simplesmente a exposição sugerida, porque obteríamos uma neve
cinzenta na fotografia. Temos que compensar essa leitura aumentando um ponto a abertura ou o tempo de exposição. Da
mesma forma, se quisermos que uma fotografia tirada depois do pôr do Sol capte a atmosfera escura que se vê temos
diminuir em cerca de um ponto a exposição sugerida.

Uma forma simples de obter uma exposição correcta é fazer a leitura de exposição apontando para algo que se queira que
fique registado como tom médio e que esteja a receber a mesma luz do que o assunto que vamos fotografar. Por exemplo,
para fotografar uma paisagem com iluminação uniforme podemos fazer a leitura de exposição apontando para as erva
verde do chão, um exemplo clássico de tom médio, após o que podemos enquadrar e fotografar. Como a palma da nossa
mão é cerca de um ponto mais clara do que o cinzento de 18%, quando não houver um tom médio que se possa utilizar
podemos colocar a nossa mão à frente da objectiva (desde que receba a mesma luz do que o assunto a fotografar) bastando
depois aumentar em um ponto a exposição sugerida, aumentando a abertura ou o tempo de exposição.

Tourega, Alentejo (Nikon FE2, Nikkor 55mm f/2.8 Micro, Fuji Provia 100F) Para obter uma exposição
equilibrada apontei a objectiva para a erva do chão e regulei a exposição com base nessa leitura.

Há uma situação em que se pode dispensar o fotómetro. Quando fotografamos algo que esteja a receber a luz directa do
Sol num dia sem nuvens, um tempo de exposição igual ao inverso da sensibilidade da película para uma abertura de f/16
resulta numa exposição que capta as tonalidades tal como se vêem. Por exemplo, utilizando um filme com uma
sensibilidade de 100 ISO podemos utilizar uma exposição de 1/125 (o ponto mais próximo de 1/100 na escala de tempos
de exposição) para uma abertura de f/16 ou qualquer exposição equivalente: 1/250 para f/11, 1/500 para f/8 ou 1/60 para
f/22.

Amplitude tonal
Os nossos olhos conseguem distinguir muito mais diferenças de tonalidade do que qualquer filme. Conseguimos olhar
para um pôr do Sol sobre o horizonte distinguindo desde o Sol brilhante até aos detalhes do chão já na penumbra.
Nenhum filme tem uma amplitude tonal que se compare à dos nossos olhos, que se estima que seja entre 12 e 13 pontos
de exposição. Temos que saber que um filme negativo tem um amplitude de 7 pontos de exposição e um filme de
diapositivos de apenas 5 pontos.

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Este conceito de amplitude tonal é útil para percebermos que quando fotografamos um diapositivo só se conseguirão
distinguir as tonalidades até 2 ½ pontos acima e abaixo da exposição escolhida. Tudo o que estiver acima desse intervalo
será retratado como branco e o que estiver abaixo como preto. Só tendo isto em conta podemos decidir quais os tons que
queremos que se possam distinguir e quais aqueles que são dispensáveis. Por exemplo, cheguei um dia a Burano, uma
pequena ilha junto a Veneza, já depois do pôr do Sol. O céu encoberto estava muito mais luminoso do que as belas casas
da ilha, mas como dificilmente lá voltaria era uma oportunidade fotográfica a não perder. Medi a luz e defini a exposição
considerando apenas as casas, reenquadrei e fotografei, sabendo que conseguiria captar as cores vivas das casas mas que o
céu surgiria como um fundo branco, sem textura.

Burano, Itália (Nikon F50, Sigma 28-70mm f/2.8-4, Kodak Gold 400) Apesar de ter sido fotografada depois
do pôr do Sol, esta imagem conseguiu reproduzir as cores vivas das casas, sacrificando os detalhes do céu.

Uma forma de visualizar a gama tonal que um filme de diapositivo pode registar é recorrer ao quadro seguinte:

+ 2 ½ pontos: branco puro


+ 2 pontos: muito claro
+ 1 ½ pontos: mais claro
+ 1 ponto: claro
+ ½ ponto: levemente claro
Valor da exposição: tom médio
- ½ ponto: levemente escuro
- 1 ponto: escuro
- 1 ½ pontos: mais escuro
- 2 pontos: muito escuro
- 2 ½ pontos: negro puro

Quem tiver uma máquina fotográfica com medição pontual (spot) pode medir o ponto mais escuro daquilo que vai
fotografar e o mais claro. Se a diferença de exposição entre os dois pontos for superior à amplitude tonal do filme que
estiver a utilizar vai ter que optar entre perder detalhe nas sombras ou nas partes mais claras da imagem. Sabendo isto
podemos determinar com grande exactidão o aspecto final de cada fotografia que tiramos.

Equipamento
Muitos fotógrafos tendem a ficar fanáticos do equipamento. “Que fotografias fantásticas eu faria com uma 600mm f/2.8”
ou “tenho que trocar as minhas objectivas todas por umas novas com estabilização de imagem” são delírios que se podem
ouvir com frequência junto de apaixonados pela fotografia. Mas sucumbir à tentação de comprar todas as máquinas,
objectivas e filtros disponíveis é algo que está acima de quase todas as bolsas e que, sejamos realistas, está longe de ser
necessário. Uma máquina razoável, um conjunto de objectivas que abarque as principais distâncias focais, alguns filtros e

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um bom tripé chegam (e muitas vezes sobram) para realizar o talento da maior parte dos fotógrafos amadores.

Ericeira (Nikon FE2, Nikkor 55mm f/2.8 Micro, Kodak BW+ 400) Para conseguir esta imagem bastou
uma máquina manual com mais de 15 anos e uma objectiva “normal” com a mesma idade.

Máquinas fotográficas
Quase todas as máquinas reflex para filme de 35mm actualmente à venda oferecem uma qualidade razoável. Desde as
mais modernas câmaras com focagem automática até sólidos modelos mais antigos que se encontram no mercado de
usados, com qualquer uma se podem tirar belas fotografias. Afinal, o corpo de uma máquina é apenas uma caixa que não
deixa entrar luz senão quando se quer e pelo tempo que se escolher.

As máquinas reflex são largamente preferíveis em relação às compactas, porque permitem ver no visor exactamente
aquilo que se vai fotografar, podem usar várias objectivas e admitem quase sempre a regulação manual dos parâmetros de
exposição. Isso não quer dizer que um pequena compacta não seja muito útil para tirar fotografias de aniversários ou para
alguma viagem em que o espaço escasseie. Algumas dessas máquinas têm excelentes objectivas com boas aberturas
máximas. Por exemplo, a Olympus mju-II tem uma objectiva de 35mm f/2.8 com uma excelente qualidade óptica e pesa
pouco mais de 200 gramas...

Uma escolha importante a fazer ao ponderar a compra de uma máquina é a quantidade de ajudas electrónicas que se quer
ter: focagem manual ou automática, medição de luz ponderada ao centro ou matricial. Uma máquina como a Nikon F5
simplifica muito o trabalho do fotógrafo porque tem uma focagem ultra-rápida e até distingue as cores do que se vai
fotografar, acertando (dizem) em 99% das sugestões de exposição. Mas estas características pagam-se caro e se são muito
importantes para um fotojornalista, que tem que aproveitar cada oportunidade de fotografia que surge num instante, já
serão menos cruciais para um amador com tempo que queira compor calmamente a sua fotografia.

Se já tiver uma máquina reflex use-a bem antes de pensar em comprar outra. Mas, se vai mesmo comprar uma máquina,
saiba que opções é o que não falta. As marcas com maior quota de mercado, a Nikon e a Canon, oferecem uma excelente
qualidade e uma enorme variedade mas também se fazem pagar (e bem) pela imagem de marca. Outros fabricantes, como
a Minolta ou a Pentax, oferecem uma qualidade semelhante por menos dinheiro. Mas se quiser comprar uma máquina
usada com mais de dez anos é melhor escolher entre os modelos da Nikon e da Canon: terá mais acessórios ainda
disponíveis e as probabilidades de conseguir resolver alguma avaria são maiores. Mesmo no mercado de usados, os
corpos Nikon são bastante mais caros, mas uma F2, F3, FM2n ou FE2 em bom estado vale bem o dinheiro que custa. A
Canon tem o atractivo de ter também produzido boas máquinas fotográficas nos anos 70 e 80, como a excelente F1 ou as
boas AE1 ou AT1, que se conseguem por um preço mais moderado uma vez que a marca mudou o sistema de montagem
das objectivas quando investiu na focagem automática.

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Nikon FE2 – uma sólida máquina clássica dos anos 80 que continua
actual, tal como a Nikon FM2n, que ainda se fabrica e vende.

Há recursos que devemos exigir à nossa máquina: fotómetro, possibilidade de escolha manual da abertura e do tempo de
exposição, compensação da exposição automática, previsão da profundidade de campo e uma boa gama de tempos de
exposição, pelo menos entre os 4 segundos e 1/1000 de segundo. Para além destas características, é também útil dispor de
medição através das lentes (TTL) para o flash, de medição de luz pontual (spot) e da possibilidade de trocar os écrans de
focagem. A focagem automática tornou-se muito comum, mas quem não quiser tirar fotografias de acção ou de animais
em movimento pode dispensar esse recurso.

Objectivas
Cada objectiva é definida pela sua distância focal e pela sua abertura máxima. A distância focal (expressa em milímetros)
determina o ângulo que é coberto pela objectiva, a “ampliação”. Uma distância focal mais curta inclui um ângulo maior
no enquadramento, uma distância focal mais longa amplia o que se está a ver, reduzindo o ângulo de cobertura. A abertura
máxima corresponde à quantidade máxima de luz pode passar através da objectiva. Assim, quanto maior for a abertura
máxima, menor será o tempo durante o qual se deverá expor a película com a mesma luz . Considera-se que uma
objectiva é rápida se tiver uma abertura máxima maior ou igual a 2.8 e lenta se essa abertura for igual ou inferior a 5.6.

Actualmente, o tipo mais comum de objectivas são as chamadas zoom, que cobrem um intervalo de distâncias focais. A
objectiva zoom mais vulgar deve ser a 35-80mm, que cobre todas as distâncias focais entre os 35mm e os 80mm. Até aos
anos 90, este tipo de objectivas oferecia uma qualidade óptica muito inferior à que se obtinha com objectivas de apenas
uma distância focal. Hoje já não é assim e podem-se comprar excelentes objectivas zoom. No entanto, proliferam no
mercado produtos baratos que sacrificam a qualidade óptica e, sobretudo, a abertura máxima. A qualidade paga-se e basta
ver a diferença de preço entre um zoom 80-200mm f/2.8 e outro 80-200mm f/4-5.6...

A escolha de uma objectiva não se resume a distância focais e aberturas máximas. Antes de mais, temos que decidir se
preferimos ter um sistema de focagem manual ou automática. Se optarmos pela focagem automática, podemos ainda
ponderar a hipótese de comprar uma das novas objectivas com estabilização electrónica da imagem (IS – Image
Stabilisation da Canon ou VR – Vibration Reduction da Nikon), sistema que permite quebrar a regra já referida segundo a
qual não se deve segurar à mão a máquina para tempos de exposição superiores ao inverso da distância focal da objectiva.
Com uma objectiva de 300mm equipada com este sistema pode-se fotografar com nitidez com exposições de até 1/30 de
segundo. Sem a estabilização, qualquer exposição mais longa que 1/300 resultaria numa redução visível da nitidez.

Para uma distância focal igual à diagonal do filme, a perspectiva é igual à da nossa visão. Em filmes de 35mm (onde cada
fotograma tem 24mm x 36mm), essa distância “normal” é de 43,27mm. Por convenção, chamam-se “normais” à
objectivas entre 50 e 60mm. Abaixo desse intervalo temos as grandes angulares, que expandem a perspectiva, e acima as

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teleobjectivas, que comprimem a perspectiva. Antes da era dos zooms, cada corpo de máquina costumava vir com um
objectiva de 50mm razoavelmente rápida (f/1.8 ou mesmo f/1.4), mas hoje em dia o mais comum é recebermos com uma
máquina nova uma objectiva zoom 35-80mm. Por se fabricarem em grandes quantidades há muito tempo, as objectivas
“normais” de distância focal fixa costumam ter uma qualidade óptica extraordinária, pelo que é de lamentar que sejam
muitas vezes menosprezadas.

Monsaraz, Alentejo (Nikon FE2, Nikkor 55mm f/2.8 Micro, Kodak T-Max 400CN) A qualidade óptica
das objectivas “normais” permite captar imagens com uma definição extraordinária.

Em espaços apertados ou para transmitir a vastidão de uma paisagem é necessária uma grande angular, seja uma objectiva
de 20, 24, 28 ou 35mm ou um zoom que chegue a essas distâncias focais. Mas esta atractiva gama de distâncias focais
coloca problemas de composição precisamente por incluir tanta coisa: às vezes as fotografias perdem “vida” por não se
perceber o que o fotógrafo quer mostrar. São, por isso, necessários cuidados redobrados com o enquadramento e a
composição de cada imagem. Uma característica importante das grandes angulares consiste na ampliação das distâncias
aparentes entre os objectos próximos e afastados, alterando a perspectiva, o que pode ser utilizado para composições
fortemente tridimensionais.

Barragem da Tourega, Alentejo (Nikon FE2, Nikkor 24mm f/2.8, Fuji Provia 100F) Uma técnica clássica
de composição com objectivas de grande angular consiste em fotografar muito perto do primeiro
plano, incluído na profundidade de campo, para acentuar o carácter tridimensional da imagem.

A primeira objectiva adicional que muitos fotógrafos amadores compram é uma teleobjectiva curta, geralmente um zoom

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80-200mm ou 70-210mm. São objectivas relativamente baratas e que permitem uma maior selectividade no
enquadramento. Reduzem também as distâncias aparentes entre os objectos, comprimindo a perspectiva, sendo adequadas
para quase todos tipos de fotografia, incluindo a de natureza.

As boas teleobjectivas acima dos 300mm custam caro mas são uma necessidade para quem quiser fotografar pequenos
mamíferos, pássaros ou animais selvagens a uma distância segura. Uma solução de compromisso mais económica
costuma ser comprar um zoom que chegue aos 300mm. O problema é que estas objectivas são geralmente lentas, com
aberturas máximas iguais ou superiores a f/5.6, mas mesmo assim conseguem captar belas imagens.

Baleal (Nikon F50, Sigma 70-300mm f/4-5.6, Kodak Gold 200) Esta fotografia, tirada ao fim do dia com
uma distância focal de 300mm, conseguiu captar uma atmosfera quase monocromática num filme a cores.

Uma forma popular de aumentar a distância focal das objectivas é utilizar um teleconversor, um conjunto adicional de
lentes que multiplicam por 1.4, por 2 ou mesmo por 3 a distância focal das objectivas. O problema destes dispositivos é
que reduzem a qualidade óptica da imagem e multiplicam pela mesma razão a abertura máxima. Os teleconversores foram
concebidos para aumentar de forma flexível a distância focal de teleobjectivas longas e rápidas. Por exemplo, uma
objectiva de 300mm com a abertura máxima de f/2.8 torna-se, com um conversor de 2x, numa 600mm com uma abertura
máxima de f/5.6. Usar um teleconversor num zoom lento é pouco aconselhável: uma objectiva 70-300mm f/4-5.6 com um
conversor de 2x também atinge os 600mm, mas com uma abertura máxima de f/11!

Outra tendência recente é a construção de objectivas zoom que abarcam desde a grande angular até à teleobjectiva.
Encontram-se com agora facilidade objectivas 28-200mm ou mesmo 28-300mm. Uma gama tão grande de distâncias
focais é conseguida à custa da abertura máxima e da qualidade óptica. Para além disso, quem dependa de apenas uma
objectiva está sujeito a que ela se avarie arruinando a meio uma sessão fotográfica...

Tripés
Para obtermos uma grande profundidade de campo ou fotografarmos com pouca luz temos que expor o filme durante mais
tempo. Se quisermos segurar a máquina à mão seremos obrigados a utilizar um filme muito rápido, com menor nitidez e
muito “grão”. Com um bom tripé podemos quebrar este ciclo vicioso, pois permite-nos expor durante vários segundos, se
necessário, e assim usar o melhor filme, com mais definição e menos “grão”. É verdade que andar com um tripé atrás não
é propriamente um ideal de comodidade, mas os resultados compensam, pois para além de permitir exposições mais
longas, uma tripé “obriga-nos” a compor a imagem com mais cuidado e dá-nos a possibilidade de ajustar pequenos
detalhes minuciosamente.

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Barragem da Tourega, Alentejo (Nikon FE2, Nikkor 24mm f/2.8, Fuji Provia
100F) Para que tudo ficasse focado, desde o primeiro plano até ao infinito, necessitei
de uma enorme profundidade de campo. A exposição longa só possível utilizando um tripé.

Nem todos os tripés são, obviamente, iguais. Pouco se pode esperar de um frágil tripé de plástico, barato mas incapaz de
garantir uma sustentação solida à máquina e pouco prático de manusear. Um tripé sólido de alumínio (ou fibra de
carbono) é um excelente investimento na qualidade das fotografias. Fabricantes como a Gitzo ou a Manfrotto oferecem
gamas completas, com preços relativamente razoáveis (sobretudo no caso da Manfrotto).

Quando falamos de tripé estamos apenas a referir-nos às três pernas de sustentação, pois em produtos de qualidade
podemos escolher a cabeça onde se fixa a máquina em separado. Basicamente, há dois tipos de cabeça – de bola ou com
controlos separados para cada um dos três planos de movimento (inclinação horizontal, vertical e rotação). As cabeças de
bola permitem movimentos muito rápidos em qualquer plano, pelo que são especialmente adequadas para fotografar alvos
em movimento. As cabeças com três planos de movimento permitem composições mais minuciosas. A escolha entre estes
dois tipos de cabeça é uma opção pessoal, em função dos assuntos que se pretenda fotografar, mas em qualquer dos casos
é muito conveniente que tenha um sistema de libertação rápida, para fixar e libertar a câmara sem que seja necessário
estar sempre a aparafusá-la.

Filmes
Quem queira fotografar a cores pode escolher entre dois tipos de filme: negativos e diapositivos (slides). Os negativos têm
uma maior amplitude tonal e permitem obter provas impressas rapidamente e de forma económica. Os diapositivos têm,
contudo, uma enorme vantagem: apresentam exactamente o que o fotógrafo captou, sem intermediários, compensações de
cor ou erros de impressão. Olhando para um slide podemos ver se a exposição foi a pretendida, se focagem foi adequada e
se as cores têm uma boa saturação, examinando um negativo pouco se consegue concluir.. Os filmes diapositivos lentos
(50 ISO) oferecem ainda uma definição extraordinária, o que os torna na escolha de muitos fotógrafos.

Quanto menor for a sensibilidade de um filme, maior será a definição que oferece, pelo que convirá utilizar o rolo mais
lento utilizável em cada situação. Mas tudo é relativo e, por vezes, pode-se utilizar um filme com grão para alterar o
aspecto da imagem, dando textura, por exemplo, à neve. Em diapositivos, o Fuji Velvia (de 50 ISO) parece liderar as

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escolhas profissionais, seguido pelo Fuji Provia 100F e pela gama Kodachrome. Em negativos, os Kodak Portra 160VC e
NC disputam com o Fuji Reala o máximo de definição, mas há vários filmes até aos 400 ISO com uma definição razoável
e cores realistas.

Solar Monfalim, Évora (Nikon F50, Sigma 28-70 f/2.8-4, Kodak Gold
Zoom 800) Só com um filme extremamente rápido foi possível captar esta
fotografia apesar da pouca luz existente.

A fotografia a preto-e-branco, com o seu aspecto intemporal, continua a atrair muitos interessados que, por vezes,
esbarram nas dificuldades da revelação em casa ou no custo de a mandar fazer num bom laboratório. Os filmes a preto-e-
branco cromogénios vieram amenizar esses “inconvenientes”, pois revelam-se através do mesmo processo que os filmes a
cores. Quer o Ilford XP2 Super quer o Kodak T-Max 400CN oferecem excelentes resultados, apesar de não terem a
mesma longevidade que um filme monocromático convencional. É frequente, contudo, que os laboratórios menos
cuidadosos façam a impressão das provas em papel para fotografia a cores, apresentando resultados confrangedores. É
que as impressões devem ser feitas em papel monocromático, o que permite obter excelente definição e contraste. Os
filmes para preto-e-branco clássico continuam disponíveis na maior parte das lojas de fotografia, sendo de recomendar as
linhas Delta da Ilford, T-Max da Kodak e APX da AGFA (o AGFA APX 25 ISO é especialmente interessante, pois tem
uma definição extraordinária e muito pouco grão).

Filtros
Utilizam-se filtros para alterar a imagem que é captada, tornando-a artificial ou, pelo contrário, mais fiel ao que o
fotógrafo viu com os seus próprios olhos. É fácil cair em imagens artificias de gosto duvidoso com os chamados filtros de
“efeitos especiais”, pelo que vale mais a pena que nos centremos nos filtros que alteram a imagem sem a adulterar.

Provavelmente o filtro mais utilizado é o polarizador, um filtro circular que se roda para eliminar uma determinada
polaridade de luz. Consegue-se assim atenuar (ou mesmo eliminar) reflexos em superfícies não metálicas e acentuar o
azul do céu. Mas deve-se usar com cautela, pois é muito fácil escurecer em excesso o azul do céu, tornando-o artificial. O
polarizador é também muito útil para fotografar paisagens naturais, pois ao eliminar os reflexos luminosos das folhas das

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plantas faz com que a sua cor se veja com mais intensidade. Encontram-se à venda polarizadores lineares e circulares, mas
em máquinas com focagem automática só se devem usar estes últimos.

“La Pedrera”, Barcelona (Nikkon FE2, Nikkor 24mm f/2.8, Kodak Gold 100, Polarizador) Utilizei o
polarizador para acentuar o contraste entre a escultura e o céu, mas o efeito foi claramente excessivo.

Os nossos olhos ignoram com facilidade pequenas diferenças na cor da luz existente a que os filmes são muito sensíveis.
Por exemplo, um dia encoberto tem uma luz fria, azulada, e a iluminação artificial tende para o vermelho. Os filtros de
correcção de cor permitem corrigir estes efeitos facilmente, estando disponíveis em diversas intensidades. Vale a pena ter,
pelo menos, o filtro âmbar de aquecimento mais suave (o 81A) para os dias nublados. Caso fotografe frequentemente com
luz artificial de incandescência, um filtro 82A (ou B) será também um acessório indispensável para tornar mais realistas
as imagens.

Jardim em Lisboa (Nikon FE2, Nikkor 55mm f/2.8 Micro, Fuji Sensia-II, 81B) A luz difusa do céu
encoberto dava uma dominante azulada que se compensou facilmente com um filtro de aquecimento.

Na fotografia a preto-e-branco o filtro de longe mais útil é o vermelho. Em paisagens atenua a neblina e escurece o céu,
salientando o recorte das nuvens; no retrato de pessoas disfarça pequenas imperfeições da pele, favorecendo os
“modelos”. Os outros filtros para fotografia monocromática (verdes, azuis, amarelos...) parecem-me úteis menos
frequentemente, mas o seu funcionamento é muito simples: tornam mais claras as coisas da sua cor e mais escuros os
objectos de cores complementares.

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Outros filtros que vale a pena experimentar são os graduados de densidade neutra. Permitem, por exemplo, fotografar um
céu brilhante sem perder os detalhes do chão, escurecendo o céu, reduzindo dessa forma a amplitude tonal da cena aos
limites do filme.

Composição
O domínio das técnicas fotográficas é apenas uma ferramenta ao serviço da estética. Saber controlar a exposição, escolher
a máquina, a objectiva e, eventualmente, o filtro é apenas o início de uma boa fotografia. O que distingue um grande
fotógrafo de um mero curioso é a capacidade para ver coisas que não são evidentes, para ordenar a realidade de forma a
transmitir emoções.

Terena, Alentejo (Nikon F50, Sigma 28-70mm f/2.8-4, Fuji Press 800) Aproveitando um céu especialmente
belo, tudo nesta fotografia foi ordenado de forma consciente: a abertura e o tempo de exposição, a
posição da azinheira solitária e a linha do horizonte junto ao limite inferior da imagem.

Enquadramento
Uma imagem com demasiados pontos de interesse acaba por não atrair a atenção para nenhum. Por isso uma composição
simples é muitas vezes mais eficaz para transmitir uma ideia ou sensação do que uma panorâmica confusa que mostra
tudo sem realçar nada. A selecção consciente daquilo que se vai incluir numa fotografia é um passo fundamental para
obter um bom resultado. Um fotógrafo tem que ser capaz de articular aquilo que quer mostrar. Se não conseguir explicar
porque quer tirar uma determinada fotografia mais vale pensar melhor e escolher outro enquadramento.

Depois de definir com exactidão o que se vai fotografar, é preciso escolher a máquina, o filme e a objectiva. Alguns
assuntos ficam melhor a preto-e-branco, para outros a cor é fundamental e é preciso um filme que a reproduza fielmente.
A escolha da objectiva também é importante, pois determina a perspectiva da fotografia: as objectivas de grande angular
aumentam as distâncias aparentes e as teleobjectivas reduzem-nas. Em seguida, há que escolher o local a partir do qual se
fotografa. Qual será o melhor ponto de vista, ao nível dos olhos, da cintura ou junto ao chão? Nas películas de 35mm
podemos ainda escolher a orientação da imagem, na horizontal ou na vertical. Apesar de ser mais fácil fotografar com a
imagem horizontal, todos os comandos da máquina foram feitos a pensar nessa posição, vale muitas vezes a pena
experimentar a outra opção, pois o ambiente da fotografia resulta muito diferente.

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Perto de Évora (Nikon FE2, Nikkor 55mm f/2.8, Ilford XP2 Super) A colocação do horizonte sobre a linha
que delimita o terço inferior da imagem, com a casa chegada à direita, reforça a expressividade da fotografia.

Por último, é preciso posicionar os objectos dentro do rectângulo. Muitas vezes, a primeira tendência é colocar aquilo que
vai fotografar ao centro. É onde as máquinas modernas têm o sensor de focagem automática e é a composição mais
simples, puramente descritiva. Mas uma fotografia viva não se limita a descrever, interpreta, pelo que devem ser
exploradas outras hipóteses de posicionamento. Uma pista geralmente útil consiste em colocar as linhas da imagem sobre
linhas imaginárias que dividem a fotografia em três partes horizontais e verticais. A linha do horizonte, por exemplo, pode
ser colocada sobre a linha que delimita o terço superior ou inferior do enquadramento, e não ao meio. Um posicionamento
assimétrico do assunto obriga a olhar ao longo da fotografia e contribui para que quem vê sinta aquilo que o fotógrafo
quis mostrar.

A regra dos terços – Colocar as linhas da imagem ao longo das linhas imaginárias
que dividem o enquadramento em três partes horizontais e verticais pode ser
um bom ponto de partida mas não deve limitar a imaginação do fotógrafo.

Iluminação
Mesmo com as melhores técnicas, qualquer fotografia limita-se a captar luz num filme. A luz é a matéria prima essencial
da fotografia e sem boa iluminação não há uma boa imagem. Um fotógrafo deve aprender a conhecer e interpretar a luz: a
sua cor, a sua direccionalidade e o seu carácter. Fotografar é pintar com luz numa tela química.

A direcção da luz resulta da sua posição em relação ao fotógrafo e ao assunto. Quando a origem da luz se localiza por trás
da objectiva, temos uma situação de iluminação frontal, que reduz as sombras do que se está a fotografar e reduz a noção
de tridimensionalidade. Permite, contudo, uma excelente reprodução de cores vivas. Se a luz surge por trás do assunto da
fotografia estamos numa situação de contra-luz. O fotógrafo pode regular a exposição de forma a captar os detalhes que
ficam na sombra ou, pelo contrário, reduzir o objecto a uma silhueta contra um fundo expressivo. A iluminação pode
ainda ser lateral, o que acentua a noção de volume e pode dar textura, através das sombras, a superfícies como a areia ou a
neve.

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Independentemente do local de onde provenha, a luz pode atingir os objectos de forma dura, desenhando sombras de
contornos precisos, ou difusa, quase não se distinguindo sombras. Este carácter da luz influencia também o ambiente
retratado, tal como a cor da própria luz. Antes do nascer do Sol ou quando o céu está encoberto, a cor dominante é azul. É
uma luz fria, muito eficaz para fotografias que queiram transmitir sensações de isolamento e angústia. Logo após o nascer
do Sol e ao fim do dia a luz é quente, de dominante próxima do vermelho. Muitas vezes a neblina torna especialmente
visível a tonalidade da luz, criando ambientes envolventes e misteriosos.

Veneza (Nikon F50, Sigma 28-70 f/2.8-4, Kodak Gold 400) A luz de Inverno, ao entardecer,
criou uma atmosfera mágica que domina a fotografia, tornando-a quase monocromática.

A luz está sempre a mudar. A paciência é uma virtude frequentemente recompensada quando as nuvens deixam passar um
raio de Sol para iluminar precisamente a árvore que queríamos fotografar ou quando diferentes tipos de iluminação dentro
do enquadramento produzem contrastes inesperados. A única solução é estar atento e pronto para captar qualquer a
imagem única num instante fugaz.

Trabalhar um assunto
Quando um local ou objecto parece interessante, um erro comum é fotografá-lo rapidamente e passar ao próximo. As boas
fotografias exigem tempo e esforço. Há que explorar diversos ângulos, diferentes iluminações. Porque não experimentar
várias objectivas diferentes, reinterpretando o assunto. Muitas vezes é preciso esperar pela luz certa, a expressão facial
irrepetível ou o acontecimento inesperado para conseguir uma fotografia excepcional.

É natural que, enquanto esses momentos únicos não chegam, muitos metros de filme sejam expostos. É essa a sorte dos
laboratórios de fotografia e temos que nos resignar a essa contingência. Mas a composição cuidada, a utilização de um
tripé sólido, boas técnicas fotográficas e um conhecimento profundo do assunto que se quer fotografar são requisitos que
ajudam a aumentar o número de fotografias muito boas. Mesmo assim, quando a oportunidade surgir, não devemos
poupar nos rolos de filme. Afinal são muito mais baratos do que todas as máquinas, objectivas, tripés e filtros que já
comprámos...

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Monsaraz, Alentejo (Nikon FE2, Nikkor 55mm f/2.8 Micro, Kodak T-Max 400CN) Um dos sítios mais
fotografados do País ainda oferece imagens inesperadas, desde que se escolham ângulos pouco usuais.

Texto e fotografias Rui Grilo

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