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07/02/2001 WWF divulga relatório sobre Navegação no Alto Rio Paraguai

WWF divulga relatório sobre Navegação no Alto Rio Paraguai


Brasília 07 de fevereiro de 2001 - Uma expedição técnica que
percorreu durante 12 dias 1.200 quilômetros do rio Paraguai,
constatou a destruição de mais de 100 quilômetros de matas ciliares
pelo embate das chatas contra as margens e o assoreamento do Rio.
Realizada pela Fundação Centro Brasileiro de Referência e Apoio
Cultural - CEBRAC e pelo Instituto Centro de Vida - ICV à pedido
do WWF, a expedição registrou e analisou os impactos visíveis da
navegação de carga no trecho que liga Cáceres, em Mato Grosso, a
Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul.Entre os dias 3 e 14 de
novembro de 1999, uma equipe de oito pesquisadores percorreu, à
bordo do barco Baía das Pombas I, o trecho onde o rio Paraguai
corta do Pantanal Mato-grossense. Trata-se de uma área de grande
fragilidade ambiental e a mais polêmica quanto ao tipo e intensidade
da navegação de carga devido à sua sinuosidade, à existência de
bancos de areia, ao estreitamento do Rio e à vulnerabilidade de suas
margens.O resultado desse trabalho está no relatório "Retrato da
Navegação no Alto Rio Paraguai", que está sendo divulgado com o
objetivo de subsidiar tecnicamente o debate entre as autoridades
responsáveis e os diferentes setores da sociedade civil.Entre os
principais problemas detectados pela equipe estão, também, a
destruição de sítios arqueológicos e um intenso processo erosivo das
margens no trecho abaixo de Corumbá (entre o rio Negro e a cidade
de Porto Murtinho). Constatou-se ainda que no trecho do Bracinho
as margens estão afetadas em praticamente todas as curvas. O trecho
à montante de Descalvado, entre Cáceres e Barra Norte do Bracinho,
é claramente o mais crítico para fins de navegação. Historicamente,
Descalvado era o limite de navegação em águas baixas quando as
dragagens não aconteciam nas porções superiores. Os profissionais
contratados para realizar a pesquisa, vinculados a diferentes centros
de pesquisa, constataram durante a viagem que mesmo em pontos
onde há um aumento significativo da largura do Rio, é visível o
embate das embarcações nas margens. Essas áreas são freqüentes
nas curvas, indicando que as margens foram utilizadas pelos
comboios como instrumento de auxílio de manobras. Como os
danos não são esparsos, mas marca de impacto em todas as curvas
mais restrita, indica que a navegação neste trecho está sendo feitas
sobre as margens. A navegação no rio Paraguai, na forma como está
sendo executada atualmente, deixa claro a necessidade urgente de
medidas de controle e do estabelecimento de parâmetros de tamanho
e uso das embarcações.