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PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 0

INBEC - UNICID
ENGENHARIA DIAGNÓSTICA EM EDIFICAÇÕES
Patologias em Sistemas Hidráulico-Sanitários

Vol. 2 – Fundamentos de Sistemas Prediais de Esgoto Sanitário
Engº MSc Sérgio Frederico Gnipper
Natal RN - 2015
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Rua Palmeiras, 615 cj 704 - A. Verde - Curitiba - PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.com.br

PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 1

Sumário

2. SISTEMA PREDIAL DE ESGOTO SANITÁRIO .................................................................................................... 2
2.1 DESCONECTORES EM SISTEMAS PREDIAIS DE ESGOTOS SANITÁRIOS ............................................... 3
2.2 PRINCIPAIS PRESCRIÇÕES NORMATIVAS PARA O SUB-SISTEMA DE COLETA E TRANSPORTE .......... 5
2.3 PRINCIPAIS PRESCRIÇÕES NORMATIVAS PARA O SUB-SISTEMA DE VENTILAÇÃO ............................ 11
2.4 SISTEMAS PREDIAIS DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO ............................................................................. 17
2.4.1 Sistema de queda única totalmente ventilado .................................................................................. 18
2.4.2 Sistema de quedas separadas totalmente ventilado ........................................................................ 18
2.4.3 Sistema de queda única sem ventilação secundária ....................................................................... 19
2.4.4 Sistemas de queda única modificados ............................................................................................. 20
2.4.4.1 Sistema de queda única modificado, com ventilação no ramal de bacia sanitária ........... 20
2.4.4.2 Sistema de queda única com ventilação direta do tubo de queda .................................... 20
2.4.4.3 Sistema de queda única modificado, com ventilação complementar de ramais longos ... 21
2.4.5 Sistema de queda única com dispositivos de aeração e deaeração (Sovent) ................................ 22
2.4.6 Sistema Gustavsberg ........................................................................................................................ 23
2.4.7 Sistemas prediais de esgotamento sanitário admitidos pela NBR 8160:1999 ................................ 25
2.4.8 Sistema de esgotamento predial com dispositivos de admissão de ar ........................................... 25
2.4.8.1 Válvulas de admissão de ar ................................................................................................. 26
2.4.8.2 Sifões autoventilados .......................................................................................................... 26
2.5 AÇÕES SIFÔNICAS SOBRE OS DESCONECTORES ................................................................................. 27
2.5.1 Principais ações sifônicas impostas pelo ambiente ......................................................................... 27
2.5.2 Principais ações sifônicas impostas pelo uso .................................................................................. 29
2.5.2.1 Autossifonagem ................................................................................................................... 29
2.5.2.2 Sifonagem induzida ............................................................................................................. 29
2.5.2.3 Sobrepressão ....................................................................................................................... 32
2.5.2.4 O fenômeno do retorno de espuma .................................................................................... 39
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................................... 48

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2. Sistema predial de esgoto sanitário
O sistema predial de esgoto sanitário se destina a coletar os despejos provenientes das peças e
aparelhos sanitários, e a conduzi-los a um destino apropriado, seja este a rede pública coletora de esgoto ou
um sistema próprio de tratamento de esgoto e disposição de efluentes.
O projeto de um sistema predial de esgoto sanitário, compreendendo sua concepção e
dimensionamento, deve atender aos requisitos determinados pela norma NBR 8160:1999 da ABNT –
Associação Brasileira de Normas Técnicas: "Sistemas prediais de esgoto sanitário – Projeto e execução".
Esta norma técnica preconiza o uso adequado da água para fins higiênicos e para receber dejetos e
águas servidas, pressupondo a sua não utilização como destino para resíduos outros que não o esgoto
sanitário (como, por exemplo, esgoto industrial, com despejos resultantes de processos industriais). Também
determina que todo sistema predial de esgoto sanitário deve ser separador absoluto em relação ao sistema
predial de captação de águas pluviais, ou seja, sem qualquer ligação entre ambos.
Um sistema sanitário predial constitui-se de um conjunto de aparelhos sanitários, tubulações e acessórios
característicos, e se subdivide em dois subsistemas integrados: o de coleta e transporte, e o de ventilação. O
subsistema de coleta e transporte compreende o conjunto de aparelhos sanitários, tubulações e componentes
destinados a captar o esgoto sanitário e conduzi-lo ao seu destino adequado.

Figura 2.1 – Sistema predial de esgoto sanitário

O transporte do esgoto sanitário pela rede de tubulações se dá por via hídrica, com escoamento líquido
geralmente por gravidade, em regime livre (não afogado), não permanente e não uniforme. Isto significa que as
suas características hidráulicas variam com o tempo e em cada ponto ao longo do percurso. O escoamento
líquido, enquanto acontece, ocupa apenas parte da seção útil da tubulação, ficando o restante preenchido
com ar e gases emanados do esgoto sanitário.

Figura 2.2 - Escoamento de esgoto em tubulação horizontal
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Dada a situação dinâmica que ocorre dentro da rede de tubulações sanitárias, o ar aí presente é
arrastado pelo fluxo líquido, por atrito, e seu deslocamento provoca regiões de sobrepressões (pressões
maiores que a atmosférica), nos locais onde ele se acumula, e regiões de depressões (pressões inferiores à
atmosférica) nos locais de onde é succionado.

Figura 2.3 - Regiões de sobrepressões e depressões num tubo de queda: diagrama de pressões.

Como tais flutuações de pressão, a que o ar do interior da rede de tubulações prediais de esgoto fica
sujeito, podem afetar o bem estar dos usuários das instalações sanitárias, e também influenciar negativamente
as condições hidráulicas do escoamento líquido, o subsistema de coleta e transporte necessariamente é
complementado por um subsistema de ventilação.
O subsistema de ventilação consiste no conjunto de tubulações e componentes destinados a prover
aporte de ar atmosférico em regiões do subsistema de coleta e transporte onde se formam depressões
causadas pelo escoamento líquido, e a permitir o alívio de sobrepressões nele formadas. Também se destina
a encaminhar para a atmosfera gases provenientes do interior do sistema predial de esgoto, evitando que os
mesmos penetrem nos respectivos ambientes sanitários.
Portanto, a função primordial do subsistema de ventilação, nas instalações prediais de esgoto sanitário, é
de manter o ar presente em seu interior sob pressões próximas da pressão atmosférica o mais possível.
Ambos os subsistemas mencionados são intercomplementares, e as funções peculiares a que se destinam
devem ser sempre providas pelo sistema predial de esgoto sanitário.

2.1 Desconectores em sistemas prediais de esgoto sanitário
Para impedir que gases fétidos, provenientes do sistema predial de esgoto, penetrem o interior dos
ambientes sanitários da edificação, causando desconforto aos seus usuários, suas instalações são dotadas
de desconectores, ou seja, de dispositivos providos de uma barreira líquida interna, de nível constante,
destinada a vedar a passagem desses gases no sentido oposto ao escoamento do esgoto, chamada "fecho
hídrico".
Dada sua importância dentro do sistema de esgoto sanitário, conseqüente da função a que se destinam,
os desconectores constituem pontos vitais das instalações, pois estão sujeitos à perda do fecho hídrico, tanto
por solicitações interpostas pelo ambiente em que se encontram instalados quanto por solicitações
determinadas pelo próprio uso das instalações. A norma NBR 8160:1999/ABNT determina que todos os
aparelhos sanitários de uma instalação devem ser protegidos por desconectores, sejam estes individuais ou
coletivos.

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enquanto aqueles a jusante dos desconectores constituem a assim chamada instalação primária de esgoto.Fecho hídrico de um desconector (sifão tipo P) Essa norma técnica também fixa que todo desconector deve possuir fecho hídrico com altura mínima de 50mm.Alturas de fechos hídricos de sifão de garrafa e de caixa sifonada Dessa forma. Geralmente as caixas sifonadas e ralos sifonados de campânula disponíveis no mercado não resguardam altura de fecho hídrico mínima de 50mm. Verde .br .6 – Ralos sifonados fixo e de campânula com alturas de fecho hídrico inferiores a 50 mm Nessa mesma categoria se enquadram os assim denominados "ralos sifonados". conseqüentes do processo de decomposição da matéria orgânica transportada no interior do coletor público ou no sistema de tratamento. muito inferior aos 50mm estabelecidos pela norma citada da ABNT. apresentam altura de fecho hídrico ínfima. Rua Palmeiras.Curitiba . das tubulações de jusante. portanto. por natureza.A. podendo tão somente ser usados em substituição aos ralos secos ou caixas secas. com presença desses gases em seu interior. . que. onde ocorre o estado séptico. tais dispositivos não podem ser considerados desconectores. que desvincula as tubulações de montante. por ele protegidas contra o acesso de gases provenientes do restante do sistema. não sendo.com. Figura 2.5 . o fecho hídrico. Figura 2.4 . a presença de um desconector numa instalação predial de esgoto sanitário introduz uma barreira líquida.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 4 Figura 2. o conjunto de tubulações e dispositivos a montante dos desconectores é designado instalação secundária de esgoto. considerados desconectores. exigida pela NBR 8160! Portanto. e apresentar orifício de saída com diâmetro igual ou superior aos dos seus orifícios de entrada. geralmente fétidos. Portanto. Estas são as que justamente dão acesso a gases.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. 615 cj 704 . apesar de possuírem um fecho hídrico interno. isento de gases mal cheirosos.

br .11 . curvas e tês sanitários) com ângulo de 90 graus em trechos horizontais. Rua Palmeiras. Figura 1.Conexões de 90º admissíveis em mudanças da direção horizontal para a vertical e vice-versa .9 .7 .PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. 615 cj 704 .PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 5 Figura 2.10 . Figura 2. essa mesma norma técnica admite o emprego de conexões de até 90 graus nas mudanças de direção de trechos verticais para horizontais.Conexões admissíveis nas mudanças de direção de trechos horizontais de tubulações de coleta e transporte.Conexões admissíveis em mudanças de direção de 90º em trechos horizontais de tubulações de coleta e transporte. Verde .Ralo sifonado com altura de fecho hídrico inferior a 50 mm.com.A. Portanto.Conexões proibidas nas mudanças de direção de trechos horizontais de Figura 2.8 . e vice-versa: Figura 2. é vedado o emprego de conexões (cotovelos.2 Principais prescrições normativas para o sub-sistema de coleta e transporte A NBR 8160:1999 prescreve que as mudanças de direção nos trechos horizontais sejam feitas com conexões com ângulo central igual ou inferior a 45 graus. Por outro lado. 2.Curitiba .

com. provenientes de um ou mais pavimentos elevados de uma edificação e os encaminha a um subcoletor de esgoto (ver figura 4.Configurações em base de tubo de queda. bolsas de tubulações projetando-se dentro de caixas de inspeção.12 . cujo raio médio não seja inferior a duas vezes o seu diâmetro. que devem descarregar em caixa de gordura coletiva. quando desvios em tubos de queda forem necessários ou inevitáveis.Curitiba .br . .Desvios em tubo de queda A NBR 8160:1999 recomenda que os tubos de queda sejam instalados preferivelmente em um único alinhamento. preferivelmente com curvas de raio longo. providos de ventilação primária. ou seja. ao natural escoamento em seu interior. ao longo de seu percurso no edifício. Um tubo de queda pode. A NBR 8160:1990 determina que os coletores prediais não podem ser dotados de inserções de quaisquer dispositivos que causem embaraços ou sirvam. sofrer desvios ("offsets") de verticalidade. sendo o trecho horizontal (relevada a sua declividade característica).A. Figura 2. Essa norma ainda prescreve que pias de cozinha e máquinas de lavar roupas instaladas em edifícios de pavimentos sobrepostos deságüem em tubos de queda exclusivos.3). de alguma fórmula de obstáculos.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. Rua Palmeiras. segundo uma única prumada desde o topo até sua base. Figura 2. tais como: presença de desconectores.13 . ou então com duas curvas de 45 graus consecutivas. deverão ser feitos com conexões de até 90 graus. não sendo a rigor considerado um subcoletor. vedando a utilização de caixas de gordura individuais nos andares. essa norma admite a inserção de válvula de retenção de esgoto. 615 cj 704 . compreendido entre dois trechos verticais sucessivos. fundos de caixas de inspeção de cota inferior à do perfil do coletor predial. conhecido simplesmente como "desvio de tubo de queda". Verde . eventualmente.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 6 Tubo de queda é uma tubulação vertical primária que recebe efluentes de um ou mais ramais de esgoto. Entretanto. Entretanto.

Verde . segundo os seguintes critérios: • Capacidade adequada de acumulação de gordura entre duas operações consecutivas de limpeza. que os conduzem para caixas de gordura coletivas.Curitiba . Em edifícios de múltiplos pavimentos. mudanças de direção e de declividade.br . A NBR 8160:1999 prescreve a adoção de caixas de inspeção em redes externas enterradas nas situações de desvios. águas de lavagem de pisos. sem causar obstáculo ao seu livre fluxo. mas dotado de canaletas abertas. e por garantia. prolongando na vertical até atingir a altura correspondente à ¾ da seção. que permitam a continuidade e um rápido escoamento líquido. Construtivamente é recomendado que as canaletas tenham o mesmo diâmetro das tubulações afluentes/efluentes acompanhando seu contorno na meia seção inferior. evitando a formação de depósitos. é vedado o emprego de caixas de gordura individuais nos andares.A. que possibilitem o escoamento natural dos líquidos afluente e efluente. Rua Palmeiras.com. com desnível suficiente para reter a gordura. A NBR 8160:1999 indica que as caixas de gordura devem ser instaladas em locais de fácil acesso.Elementos construtivos de caixa de inspeção de esgoto.14 . e os aparelhos sanitários com efluentes gordurosos devem despejá-los em tubos de queda exclusivos (em algumas localidades designados "tubos de gordura"). possibilitando a retenção e posterior remoção da gordura. O fundo de uma caixa de inspeção não deve ser plano. sem arrastá-la junto com o efluente. etc. com formato de meias canas. • Vedação adequada para impedir a entrada de insetos e pequenos animais. .PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 7 Figura 2. e nas junções entre tubulações enterradas.15 .PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. e com boas condições de ventilação. como seqüência natural das tubulações afluentes. • Dispositivos de entrada e saída adequados. Figura 2. águas pluviais.Obstáculos no coletor predial proibidos pela NBR 8160:1999. 615 cj 704 .

A NBR 8160:1999 ainda determina que.18 . de modo a resultar num acabamento liso e impermeável. ou de formato cilíndrico. Verde . .16 .PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 8 Figura 2.00m.00m de distância das bases de tubos de queda para elas contribuem. Quando a caixa de passagem servir de elemento de junção entre tubulações de diferentes direções.60m. apresentar quinas ou ângulos.Canaletas construtivas ao fundo de caixa de inspeção de esgoto.Geometria de construção das banquetas da canaleta.com. sem constituir obstáculos.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.Instalação de caixa de inspeção a jusante de tubo de queda.br . e forma prismática. de lado interno mínimo de 0. com diâmetro interno mínimo de 0. etc.A. em prédios com mais de dois pavimentos. com aplicação de nata de cimento. As superfícies tanto da canaleta quanto das banquetas laterais deverão ser cuidadosamente alisadas à colher. as canaletas de fundo deverão ser construídas de modo a possibilitar a natural confluência entre os seus fluxos líquidos. de base quadrada ou retangular.17 . indesejados. as caixas de inspeção não sejam instaladas a menos de 2.Curitiba . pois podem ser usadas para receber efluentes fecais. Figura 2. Rua Palmeiras. Essa norma determina que as caixas de inspeção tenham profundidade máxima de 1. 615 cj 704 . Figura 2.60m.

com. 615 cj 704 . sendo geralmente instalado em trechos retilíneos de tubulação. .Joelho e curva de 90 º com visita. rosqueada ou aparafusada. ou imediatamente a montante de mudanças de direção.A. Essa norma determina que os dispositivos de inspeção tenham abertura suficiente para permitir desobstruções com utilização de equipamentos mecânicos de limpeza. As conexões com visita são geralmente empregadas a jusante de bacias sanitárias. Além disso. Os dispositivos de inspeção podem ser constituídos por peças especialmente produzidas para essa finalidade. Já os comprimentos de trechos de ramais de descarga e ramais de esgoto provenientes de bacias sanitárias. com a finalidade exclusiva de permitir inspeção nesses trechos. ao ramal de descarga de bacia sanitária.Curitiba . Estes são componentes ou peças destinadas a permitir fácil acesso a trechos não enterrados do subsistema de coleta e transporte. para inspeção. Após 2. Nos trechos enterrados. caixas de gordura e caixas sifonadas. medidos destas até uma caixa de inspeção. Outra condição imposta pela norma é que a distância máxima entre duas caixas de inspeção consecutivas. O tubo operculado constitui-se de segmento tubular.br . de modo a garantir a acessibilidade às tubulações. é usual a instalação dos assim chamados “dispositivos de inspeção”. nos trechos não enterrados (aparentes ou embutidos). a caixa de passagem e o poço de visita. A norma NBR 8160:1999 proíbe a ligação de um ramal de descarga ou ramal de esgoto. Figura 2. A norma brasileira NBR 8160 prescreve que o interior das tubulações do subsistema de coleta e transporte deve ser totalmente acessível por intermédio de elementos de inspeção.20 – Tubo operculado com abertura rosqueada. dotado de saliência lateral com tampa de inspeção removível. Figura 2. numa rede de esgoto enterrada. Verde . que ocorrem sob regime transitório (não permanente e não uniforme). em seus ramais de descarga ou ramais de esgoto. não podem ultrapassar 10 metros.00m de distância. Rua Palmeiras.19 . os elementos de inspeção mais comuns são a caixa de inspeção. não ultrapasse 25 metros. a distância entre a ligação final de um coletor predial com a rede pública de esgoto não deve ser superior a 15 metros. o escoamento já apresenta comportamento mais próximo ao regime de canal.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. e sejam dotados de tampa removível com fechamento hermético. através da abertura de inspeção existente no joelho 90° ou curva curta 90° com visita. a saber: as conexões com visita (joelhos 90 graus com visita e curvas curtas de 90 graus com visita) e os tubos operculados. ao passo que. limpeza e desobstrução das tubulações.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 9 Tal exigência se prende ao fato do trecho inicial de um subcoletor estar sujeito a abrigar turbilhonamentos do fluxo líquido (“ressalto hidráulico”) e oscilações de altura da lâmina líquida.

21 . Neste momento.com. Com o passar do tempo. deposições sucessivas de sólidos poderão causar bloqueios nestes ramais. possa escoar de volta em direção ao mesmo.22 . que causa a elevação da lâmina d’água no início do trecho horizontal.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. poderá haver deposição de sólidos em suspensão. provenientes da bacia sanitária. a lâmina d’água no correspondente ramal de descarga reduz-se e permite que o líquido direcionado para montante da conexão com visita. indevidamente transportados pelo refluxo para o interior do ramal de descarga ou de esgoto ligado à abertura de inspeção da conexão com visita.Ligação de ramal de descarga de caixa sifonada em joelho com visita. cessado o esgotamento da bacia sanitária. Figura 2. Rua Palmeiras. Isto provocará a contaminação da água residual do correspondente fecho hídrico. A razão está na possibilidade de refluxo temporário do líquido escoado da bacia sanitária para o interior de eventual ramal de descarga ou de esgoto indevidamente ligado a essas conexões com visita.Curitiba . em aberturas adicionais em tes sanitários e junções simples. em pontos de acesso propositadamente previstos em projeto. Verde . decorrente da grande vazão existente. 615 cj 704 . Dispositivos de inspeção também podem ser constituídos por tampões (caps) ou bujões (plugs) instalados em pontos estratégicos da rede de coleta e transporte de esgoto. Por outro lado. caso estes ramais esgotem caixas sifonadas instaladas próximas às conexões com visita. podendo causar introdução de mau cheiro no interior do respectivo ambiente sanitário.br . .PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 10 Figura 2.A. Como o refluxo é transiente.Contaminação da água do fecho hídrico de caixa sifonada. a elevação da lâmina d’água no interior destas poderá determinar um refluxo de água servida.

A. como um edifício de pavimentos sobrepostos.Dispositivo de inspeção em mudança de direção com plug (bujão) removível em junção simples. Além disso.23 . 2. Rua Palmeiras. o subsistema de ventilação do sistema predial de esgoto sanitário pode ser constituído somente por elementos que compõem a chamada ventilação primária.3 Principais prescrições normativas para o sub-sistema de ventilação Considerando-se. A norma NBR 8160:1999/ ABNT determina que dispositivos de inspeção sejam instalados junto às curvas de tubos de queda (preferencialmente a montante delas) sempre que não forem acessíveis por dispositivos de limpeza introduzidos por caixas de inspeção ou outros pontos de acesso.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 11 Figura 2. dispositivos de inspeção instalados embutidos em paredes no interior das edificações. Figura 2.24 – Ventilação primária dentro de um tubo de queda .br . também pelos componentes que constituem usualmente a ventilação secundária.com. além destes. 615 cj 704 . ou então. Verde . uma edificação típica.Curitiba . com geometria anelar. propiciando a formação desse núcleo aerado.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. dado que nele o líquido escorre aderido às suas paredes internas. não devem apresentar tampas salientes. A ventilação primária é aquela proporcionada pelo ar que escoa pelo núcleo de um tubo de queda sob fluxo. ainda. arrastado pelo atrito do próprio escoamento líquido que o percorre com sentido descendente.

30m acima dessa cobertura. até a extremidade final aberta à atmosfera. colunas de ventilação e barriletes de ventilação. até a atmosfera. desde o ponto acima da inserção do ramal de esgoto mais elevado a ele ligado. Verde . Portanto. e que se ligam a pontos estratégicos do subsistema de coleta e transporte de esgoto. a ventilação secundária constitui-se de uma rede de tubulações paralela e interligada à rede que forma o subsistema de coleta e transporte de esgoto. porta ou vão de ventilação. sua extremidade aberta deverá terminar pelo menos 0. e vice-versa. 615 cj 704 . Se o tubo ventilador primário ou coluna de ventilação prolongar-se acima da cobertura da edificação.br . justamente por prover o afluxo de ar para a ventilação primária do interior do tubo de queda. na forma de ramais de ventilação. que devem ser aliviadas ou sustadas justamente pela disponibilidade desse sistema paralelo de tubulações de ventilação. sujeitos a ações sifônicas de intensidade tal que não possam ser evitadas apenas pela ventilação primária da instalação de esgoto.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 12 Para tanto. Figura 2.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. tanto de um tubo ventilador primário.25 – Tubo ventilador primário Essa extremidade deve ser dotada de algum terminal (tipo "chapéu chinês". é a de proteger a integridade do fecho hídrico dos desconectores. formada por telhado ou laje não aproveitada para outros fins. e também possibilitar a circulação de ar no interior do mesmo. trecho chamado de tubo ventilador primário.Curitiba . a ventilação secundária é provida por um conjunto de tubulações suplementares. em porção seca (ou seja. tê ou duas curvas sucessivas de 90 graus) que o impeça de receber entrada de águas pluviais. . O tubo ventilador primário consiste no prolongamento de um tubo de queda. por conseguinte. destinada especificamente a possibilitar o fluxo de ar da atmosfera para o interior de pontos desse subsistema. Rua Palmeiras. Dessa forma. situada a uma distância mínima acima da cobertura da edificação.00m de qualquer janela.A. provenientes do telhado ou laje impermeabilizada. que constituem a chamada tubulação de ventilação secundária. acima da cobertura da edificação. o tubo de queda é prolongado. Figura 2. A ventilação secundária é aquela proporcionada pelo ar que escoa pelo interior de tubos exclusivamente destinados a essa finalidade. quanto de uma coluna de ventilação.Terminais de tubo ventilador primário A norma NBR 8160:1999/ABNT determina que a extremidade aberta. Sua finalidade primordial. quando necessário. não sujeita ao escoamento líquido). onde ocorrem depressões e sobre-pressões expressivas.26 . além de cobertura. não deve estar situada a menos de 4. exceto quando terminar em cota pelo menos 1.00m acima das vergas dos respectivos vãos. quando necessária.com.

29 –Posicionamento de terminal de coluna ou tubo ventilador laje de cobertura com presença de pessoas . Figura 2.Curitiba . Rua Palmeiras.00m acima dessa laje.br . essa extremidade deverá ser prolongada pelo menos 0.28 –Posicionamento de terminal de coluna ou tubo ventilador acima de platibanda de laje de cobertura Se a laje de cobertura tiver aproveitamento para outros usos.27 – Locais admissíveis para posicionamento de extremidade de coluna ou tubo ventilador Caso a extremidade aberta situe-se próxima de platibandas ou parapeitos de lajes de cobertura.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.30m acima da face superior desse elemento. Verde .com.A. 615 cj 704 . com presença de ocupantes.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 13 Figura 2. Figura 2. então a extremidade aberta deverá prolongar-se por pelo menos 2.

direta ou indiretamente. também esgotar outros aparelhos sanitários não ligados diretamente a eles. aquele referente aos aparelhos sanitários com seus desconectores ligados diretamente à tubulação de esgoto primário contribuinte ao tubo de queda. máquinas de lavar roupa. com aclive mínimo de 1%. . e preferivelmente instalados em uma única prumada.Curitiba . Geralmente tais desvios acompanham desvios de tubos de queda associados direta ou indiretamente às colunas de ventilação secundária. chapéu chinês. essas extremidades devem ser devidamente protegidas.com. nos trechos expostos. pias de cozinha. Quando não for possível ou conveniente o prolongamento de cada coluna de ventilação (e também de tubo ventilador primário) individualmente até o ponto acima da cobertura da edificação. e igualmente dotado de terminal. contanto que o seu diâmetro não seja inferior ao da própria coluna de ventilação. nas proximidades de seu despejo no tubo de queda. pode ser unida a um tubo ventilador primário de um tubo de queda. A extremidade inferior de uma coluna de ventilação deve ser ligada a um tubo de queda associado.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.A. em ponto situado abaixo da ligação do ramal de esgoto contribuinte de cota mais baixa (ver figura adiante). Rua Palmeiras. que impeça a entrada de águas pluviais diretamente no tubo de ventilação. devem ser verticais. e ser providas de um terminal adequado (chaminé. as mudanças de direção devem ser feitas com curvas de ângulo central não superior a 90 graus. Existe também a possibilidade dela ser ligada neste próprio ramal de esgoto. tê ou outro dispositivo). Quando forem necessárias.15m acima do nível de transbordamento de água do mais elevado aparelho sanitário que contribui para o tubo de queda. a ela associado. Alternativamente. etc. Figura 2. 615 cj 704 . que deve apresentar um aclive mínimo de 1%. Para o seu posicionamento. a extremidade superior da coluna de ventilação. valem as mesmas prescrições normativas referidas aos tubos ventiladores primários. Neste caso. a inserção deve ocorrer pelo menos 0. Verde . quanto o tubo ventilador primário.30 – Extremidade superior de coluna de ventilação unida a um tubo ventilador primário Deve-se entender por nível de transbordamento da água do mais alto dos aparelhos sanitários. quando o ramal de esgoto. como é o caso de bacias sanitárias. O terminal de ventilação de uma coluna de ventilação tem por finalidade evitar a admissão de águas pluviais em seu interior. excluindo-se os aparelhos sanitários que despejam em caixas sifonadas ou ralos sifonados de piso. contra choques ou acidentes que possam danificá-la. A coluna de ventilação é um tubo ventilador secundário.br . Tanto a coluna de ventilação. que se prolonga através de uma edificação. tanques de lavar. bengala.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 14 Em qualquer caso. e cuja extremidade superior é aberta à atmosfera em ponto acima de sua cobertura. de desenvolvimento predominantemente vertical. elas poderão ser interligadas a um barrilete de ventilação. Não devem ser considerados como pontos mais elevados de transbordamento as grelhas de ralos sifonados de piso. a ser ventilado.

com. de modo a evitar que qualquer líquido que porventura nele ingresse.A. Portanto.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 15 Figura 2.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. Verde .Curitiba . um ramal de ventilação tem desenvolvimento predominantemente horizontal. por meio de uma alça de ventilação. Figura 2. este deve ser ventilado a montante e a jusante do desvio através de tubos ventiladores de alívio.32 – Ventilação de desvio de tubo de queda com tubos ventiladores de alívio Tubo ventilador secundário é a tubulação de ventilação que interliga um ramal de esgoto.br . A inserção terminal do ramal de ventilação ao ramal de esgoto deve se dar em ponto mais próximo possível da saída do desconector. devendo ser dotado de um leve aclive de 1%. nas proximidades de um ou mais desconectores (avulsos ou integrados aos aparelhos sanitários). possa escoar por gravidade de volta para o ramal de esgoto correspondente . 615 cj 704 . Rua Palmeiras. a uma coluna de ventilação ou a um tubo ventilador primário. porém guardando deste uma distância de pelo menos duas vezes o diâmetro do ramal de esgoto. .31 – Extremidade inferior de coluna de ventilação unida ao início de um subcoletor Quando uma coluna de ventilação acompanha o desvio de um tubo de queda.

A alça de ventilação nada mais é do que o prolongamento vertical de um ramal de ventilação que permite sua inserção adequada numa coluna de ventilação. .Curitiba .com.Inserção de ramal de ventilação em coluna de ventilação secundária. A referida norma exige que tal ligação se dê pelo menos 15cm acima do nível de transbordamento do aparelho mais elevado. e sempre preservando o desnível mínimo de 15cm ao nível de transbordamento do aparelho sanitário de cota mais elevada.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 16 Figura 2. podendo. em condições favoráveis.34 . ser diretamente conectado a uma coluna de ventilação. 615 cj 704 . Para se evitar que o ramal de ventilação sirva de caminho alternativo para o escoamento do esgoto de um ramal de esgoto que porventura esteja bloqueado. Figura 2.br . e ao mesmo tempo a existência desse entupimento seja percebida pelos usuários das instalações sanitárias. a NBR 8160: 1999 exige que a ligação se dê sempre com um ângulo de 45 graus (com junção simples ou junção invertida). Nesse caso.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. Verde . o ramal de ventilação deve ser conectado à coluna de ventilação em cota superior ao nível de transbordamento da água do mais elevado dos aparelhos sanitários por ele ventilados. Nem sempre o ramal de ventilação secundária apresenta desenvolvimento horizontal.A.33 – Tubo ventilador secundário e alça de ventilação. Rua Palmeiras.

Curitiba . uma delas exclusivamente destinada a ventilar a outra de forma adequada. Figura 2. Neste caso.4 Sistemas prediais de esgotamento sanitário Como.br . devido a limitação de altura de forro falso). para o perfeito desempenho de suas funções primordiais. por outro de 45 graus. simultaneamente. ligado a um joelho ou curva de 45 graus. e dentro de determinadas condições. requerendo então que sejam desempenhadas por redes separadas. quanto proveja a ventilação adequada em pontos específicos. com o acesso no plano vertical.A. num sistema predial de esgoto sanitário.com. Figura 2. . a NBR 8160:1999 exige que o ramal de esgoto seja dotado de um aclive mínimo de 2% nessa região.Inserção admissível de ramal de ventilação em ramal de esgoto 2. Entretanto.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 17 A inserção desejável de um ramal de ventilação secundária a um ramal de esgoto é pelo topo deste. pode-se alternativamente empregar uma junção simples no ramal de esgoto. ao mesmo tempo. Verde . quando não houver gabarito livre para tanto (por exemplo. nem sempre uma instalação predial apresenta todas as condições necessárias para que essas funções sejam atendidas por uma única rede de tubulações.35 . Também são possíveis arranjos mistos entre essas situações extremas.36 . e substituir o joelho/curva de 90 graus. Como as montagens anteriores consomem uma certa altura. Rua Palmeiras. é possível projetar um sistema único de esgotamento sanitário que tanto colete e transporte os despejos de uma instalação predial. adiante especificadas no presente trabalho. se adequadamente concebidas. é possível girar o te sanitário em até 45 graus em seu eixo longitudinal. em princípio elas também podem.Inserção desejável de topo de ramal de ventilação em ramal de esgoto Em lugar do conjunto tê sanitário e joelho/curva de 90 graus. 615 cj 704 . desempenhar as funções atribuídas ao subsistema de ventilação. mediante a conexão de um joelho ou curva de 90 graus em um te sanitário com o acesso voltado para cima. Assim. as tubulações do subsistema de captação e transporte apresentam ar em seu interior.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.

adiante mostrados.A. em trecho seco.com.38 . Verde .PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 18 2. é de custo mais elevado em relação aos sistemas com ventilação reduzida.Sistemas de quedas separadas totalmente ventilado. apresentando ventilação primária (prolongamento do tubo de queda.1 Sistema de queda única totalmente ventilado É o sistema predial em que o subsistema de coleta e transporte apresenta um único tubo de queda que recebe ramais de esgoto com os efluentes de todos os aparelhos sanitários de um determinado ambiente ou área molhada de um edifício (inclusive despejos das bacias sanitárias).Curitiba .4. para qualquer aplicação. 2.br . Figura 2. até acima da cobertura do edifício) e também ventilação secundária para todos os desconectores. esse sistema. por isso é denominado “queda única”. . Rua Palmeiras.37 . era o único sistema admitido no Brasil. 615 cj 704 . comparativamente.4. Justamente por apresentar ventilação secundária para todos os desconectores. o subsistema de ventilação é completo.2 Sistema de quedas separadas totalmente ventilado Figura 2.Sistema de queda única totalmente ventilado Nele.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. É conhecido como “fully ventilated one pipe system”. e até a entrada em vigor da atual norma citada da ABNT.

por exemplo. . banhos e lavagens de roupas. que proporcionam proximidade dos aparelhos sanitários aos respectivos tubos de queda.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. Comparativamente a outros sistemas de esgotamento predial. o fato de apresentar tubos de queda. o sistema de queda única é o de menor custo de instalação e o que requer menor espaço útil para alojar os tubos de queda. a descargas de bacias sanitárias e mictórios. 2. Nele. O mesmo se dá com relação aos tubos de queda. se resume à ventilação primária. subcoletores e coletor predial destinados apenas à condução de esgoto sanitário contendo matéria fecal predispõe a instalação primária de esgoto a uma maior possibilidade de deposição. os de vazões significativas. subcoletores e coletores destinados a receber despejos gordurosos de cozinhas. banheiras. Nele. possam ser encaminhadas para uma cisterna específica. o que é favorecido quando. O outro tudo de queda desse sistema se destina a receber exclusivamente águas servidas. proveniente de bacias sanitárias e/ou mictórios. Como há segregação do tipo de esgoto. Já os tubos de queda exclusivamente destinados a receber despejos de pias de cozinha e máquinas de lavar louças. os tubos de queda não sofrem desvios em sua base. Os tubos de queda contendo matéria orgânica proveniente de bacias sanitárias e mictórios encaminham os seus efluentes diretamente para a rede coletora urbana ou sistema local de tratamento de esgoto. bidês. porém desprovido de qualquer ventilação secundária.1). por reunir num mesmo tubo de queda efluentes de todos os aparelhos sanitários de uma dada área molhada da edificação. ou seja. para reutilização no próprio sistema de distribuição de água fria do edifício. a grande vantagem reside na possibilidade de segregação das chamadas “águas cinzas” (não fecais) para reutilização como água não potável no edifício. Portanto. quanto despejos com soluções de sabões e detergentes. Verde . Já esse risco é menor nos sistemas de queda única.4. Por outro lado. 615 cj 704 .com. com presença de material gorduroso e restos de alimentos.br . os respectivos ramais de esgoto descarregam diretamente nos tubos de queda (ou. se comparado com o sistema de queda única. antes de seu lançamento final para o destino adequado.Curitiba . destinada. esse sistema permite que as águas servidas coletadas. elas poderão ser aproveitadas. após tratamento sumário. portanto. esgoto de abluções. nele. que contribuem para reduzir riscos de obstrução. Esse sistema é conhecido como “two pipe system” ou ainda “fully ventilated two pipe system”. entre outros aspectos. para garantir ventilação adequada aos desconectores. por apresentarem tubulações destinadas tanto a receber despejos com água fria e quente.3 Sistema de queda única sem ventilação secundária Conhecido internacionalmente como “single stack system”. levam esses efluentes para caixas retentoras de gordura. Desta. Um deles se destina a receber com exclusividade esgoto propriamente sanitário. também com maior possibilidade de incrustações. regas de jardins e ao sistema de hidrantes de combate a incêndio. após tratamento adequado. É um sistema que se adequa muito bem a edifícios de reduzido número de pavimentos. esse sistema é semelhante ao sistema de queda única totalmente ventilado. tanques de lavar e máquinas de lavar roupas. com o prolongamento de trecho seco do tubo de queda até acima da cobertura do edifício. Rua Palmeiras. de forma idêntica ao anterior (item 1. como bacias sanitárias e banheiras). chamadas “águas cinzas”.A. ao menos. o subsistema de ventilação também inclui ventilação secundária de todos os desconectores. o subsistema de ventilação. com presença de urina e/ou matéria fecal.4. box de chuveiros. por tipo de aparelho sanitário atendido por tubo de queda. ou proveniente de pias de cozinha e máquinas de lavar louças. os aparelhos sanitários se situam próximos do tubo de queda. Isto se dá em função do menor volume transportado por unidade de tempo. a lavagens de pisos. Porém sua adoção fica sujeita a algumas restrições. e nem na região de ventilação primária.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 19 É o sistema de esgotamento predial em que o subsistema de coleta e transporte apresenta tubos de queda diferenciados. como água não potável. provenientes de lavatórios.

ficando todos os demais desconectores dos outros aparelhos sanitários desprovidos de ventilação secundária.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 20 Figura 2. 2. . 2. 615 cj 704 .39 .40 . 2.4. Rua Palmeiras. ventilando-o diretamente. com ventilação secundária do ramal de bacia sanitária Esse sistema prevê uma coluna de ventilação. Eles apresentam um subsistema de ventilação paralela ao tubo de queda.br .4.4.com. ligada a ramais de ventilação secundária que atendem aos ramais de descarga de bacias sanitárias (aparelhos sanitários de maior vazão da instalação). Verde . ou com ventilação secundária para o ramal de esgoto do aparelho sanitário de maior vazão (geralmente a bacia sanitária). em que o ramal de ventilação secundário do ramal de descarga da bacia sanitária é substituído por ramais ventiladores diretamente ligados ao tubo de queda.4. esses sistemas nada mais são que sistemas de queda única (“single stack system”). de modo semelhante aos tubos ventiladores de alívio.Sistema de queda única sem ventilação secundária.A.Curitiba .4 Sistemas de queda única modificados São sistemas de queda única intermediários entre o totalmente ventilado e aquele sem ventilação secundária.Sistema de queda única modificado com ventilação secundária no ramal do aparelho sanitário de maior vazão. ou ainda para o desconector do aparelho sanitário mais distante do tubo de queda. estrategicamente dotados de ventilação onde necessária.1 Sistema de queda única modificado.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. paralela ao tubo de queda. a cada pavimento ou em pavimentos alternados. Portanto. Figura 2.4.2 Sistema de queda única modificado com ventilação direta do tubo de queda É uma variante do sistema modificado anterior.

mas através de dispositivos aeradores.5 Sistema de queda única com dispositivos de aeração e deareação (“sovent”) É uma variante do sistema de queda única sem ventilação secundária.br . . e/ou nas bases de seus desvios é prevista a instalação de um dispositivo deaerador. 615 cj 704 .PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 21 Figura 2. Todos os desconectores dos demais aparelhos sanitários permanecem desprovidos de ventilação secundária. 2.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. a cada andar. Nesta configuração. Figura 2.Curitiba . Estes são caixas com geometria especial. dotado de dispositivos aeradores nas interligações de ramais de descarga e ramais de esgoto ao tubo de queda. em seguida.3 Sistema de queda única modificado com ventilação complementar de ramais longos Conhecido como “modified single stack system”.Sistema de queda única modificado com ventilação do ramal do aparelho sanitário mais distante do tubo de queda. Esse sistema é conhecido como “sovent system” (de soil stack and vent system). devolvendo.com. inseridas a cada pavimento no tubo de queda.4. que promovem um conveniente desvio em sua verticalidade. esse sistema é uma variante do sistema de queda única sem ventilação secundária (“single stack system”) onde a condição de proximidade dos aparelhos sanitários não pode ser totalmente observada. Neste caso.4. Rua Palmeiras.41 – Sistemas de queda única modificados com ventilação direta do tubo de queda pela coluna de ventilação 2.A. este sistema prevê a presença de um coluna de ventilação e ramal de ventilação secundária ao desconector do aparelho sanitário mais distante do tubo de queda.4. Na base do tubo de queda.42 . a coluna de ventilação é geralmente posicionada próxima do aparelho sanitário cujo desconector exige ventilação complementar. a sua prumada original. Verde . Nele as ligações dos ramais de descarga e ramais de esgoto não se fazem diretamente ao tubo de queda.

. ligada a uma tubulação de ventilação de alívio de sobrepressão. Esta tubulação permite o livre escoamento do ar com pressão positiva que chega na base do tubo de queda para a tubulação horizontal a jusante. ou no subcoletor. O dispositivo aerador também permite a simultânea ventilação dos ramais afluentes.Dispositivos aerador e deaerador – Sistema sovent.com. as bases de tubos de queda e de seus desvios são dotadas de dispositivos deaeradores. Há uma boa acomodação dos fluxos horizontais e vertical no interior dos dispositivos aeradores. Por outro lado. são adequadamente inseridos os ramais de esgoto e ramais de descarga do respectivo pavimento. dotados de uma geometria especial.Curitiba . em ponto adequado. permitindo a continuidade do fluxo de ar ao longo do tubo de queda. Ao longo desse desvio. 615 cj 704 . devido à geometria favorável das suas aletas desviadoras e câmaras internas. após a região sujeita à ocorrência de ressalto hidráulico.43 .Dispositivo aerador – Sistema Sovent.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. que proporciona uma transição suave entre o fluxo vertical do tubo de queda e o fluxo horizontal no seu desvio horizontal. Figura 2. Rua Palmeiras.br .44 . de modo a acomodar o seu fluxo ao escoamento desviante do tubo de queda no interior do dispositivo aerador.A. Os dispositivos deaeradores são também dotados de saída alternativa do fluxo de ar (“by pass”).PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 22 Figura 2. Verde .

o seu diafragma retrátil permanece fechado.5 l).6 Sistema Gustavsberg É um sistema inovador de esgotamento predial. atender a edifícios de qualquer altura / número de pavimentos. . provoca sua súbita abertura. voltado para uma economia objetiva no consumo de água para fins sanitários em bacias sanitárias. atuante sobre o diafragma. em sua posição original.46 .com. em princípio. estando disponível no mercado nacional apenas a opção de ferro fundido. Quando a altura de água. devido à diminuição da vazão da bacia sanitária.Curitiba . o sistema de queda única com dispositivos de aeração e deareação pode. ainda pouco divulgada. Isto porque associa o emprego de bacias sanitárias com caixas de descarga de volume de descarga reduzido (1. correspondente ao volume acumulado no interior da bacia sanitária. com a finalidade de aumentar a capacidade de sifonagem da bacia.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 23 Figura 2.Dispositivo deaerador – Sistema Sovent.A. no início da descarga de uma bacia sanitária. ultrapassa um determinado valor. permitindo o acúmulo de água no interior da bacia. a carga hidráulica correspondente. despejando rapidamente o seu conteúdo no sistema de coleta e transporte de esgoto a jusante. Atualmente os dispositivos aeradores e deaeradores são fabricados em cobre e em ferro fundido.br . a uma rede de coleta e transporte de esgoto de diâmetro reduzido (90 mm ou 3.5 l a 3.45 . 2.Sistema de queda única com sifão Gustavsberg Esse sistema.4. desenvolvido na Suécia a partir da década de 80. dotadas de diafragma de borracha retrátil na saída. Rua Palmeiras. Figura 2. Verde . que resulta em certa carga hidráulica sobre o mesmo.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. e racionalidade nas instalações propriamente ditas. associa de forma sistêmica o sistema de equipamento sanitário ao sistema de esgoto sanitário. Dadas as suas peculiaridades.1/2 “). em conseqüência. 615 cj 704 . ficando limitado apenas à capacidade de escoamento do tubo de queda. Assim.

instalado a jusante do tubo de queda .PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. ficando o volume final da caixa de descarga destinado unicamente à reposição do fecho hídrico da bacia sanitária.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 24 Figura 2.Curitiba .Funcionamento do diafragma de borracha em bacia sanitária com descarga de 3litros Ao final do escoamento.47 . a carga hidráulica atuante sobre o diafragma retrátil reduz-se. Figura 2. em função da pequena altura de lâmina d’água aí presente.A.Sifão coletor autoventilado com descarga automática. o sistema Gustavsberg prevê a acumulação temporária de cerca de 20 litros de água num sifão coletor de descarga automática instalado após a base do tubo de queda.com. 615 cj 704 . provocando o seu fechamento. Rua Palmeiras. Verde . Para que a vazão de descarga reduzida não venha a permitir a deposição de sólidos em suspensão carreados pelo fluxo líquido quando atingir o subcoletor ou o coletor predial.48 .br .

Entretanto.Curitiba . evitando obstruções.4. ou também com ventilação secundária reduzida. ou de outros aparelhos sanitários ligados ao tubo de queda. 615 cj 704 . segundo um processo de cálculo mais adiante explicitado no presente trabalho.A. devidamente posicionados no sistema. a norma exige que o sistema de esgotamento predial tenha ventilação secundária. 2. Figura 2. O sistema Gustavsberg ainda não é comercializado e nem normalizado no Brasil e. sem afetar a água acumulada em seu interior. a norma citada faculta a utilização de dispositivos de admissão de ar. permitindo a adoção destes dois sistemas de esgotamento predial acima citados.br .4. Em lugar da ventilação secundária completa. em lugar dos tradicionais ramais de ventilação secundária.Sistema de descarga automática do sifão Gustavsberg. que garante o seu rápido esgotamento para a rede coletora jusante.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 25 Assim. ou o de quedas separadas totalmente ventilado. que permite o livre fluxo do ar associado à vazão líquida afluente. ou completa. pressupondo também que todas as tubulações do subsistema de coleta e transporte sejam hidraulicamente dimensionadas com base em vazões obtidas por método baseado na distribuição binomial de probabilidades. Entretanto. ou seja.com. a norma exige a verificação e comprovação da suficiência da ventilação primária. Verde . para estes casos. em verdade. . Mas essa norma também permite a adoção de sistemas de esgotamento com ventilação reduzida. 2. O subsistema de ventilação pode ser previsto com ventilação primária e secundária simultaneamente.49 . provido de tubulação de ventilação alternativa. após o sifão coletor saturar-se com líquido proveniente de sucessivas descargas de bacias sanitárias.7 Sistemas prediais de esgotamento sanitário admitidos pela NBR 8160:1999 A atual norma da ABNT em vigor. Rua Palmeiras. O sifão coletor é auto-ventilado. ou seja. a atual norma da ABNT citada permite o emprego de dispositivos automáticos de admissão de ar. restrita à ventilação primária no caso do sistema de queda única sem ventilação secundária.8 Sistemas de esgotamento predial com dispositivos de admissão de ar Sempre que os procedimentos de cálculo hidráulico-pneumático determinarem a insuficiência da ventilação primária para proteção dos fechos hídricos dos desconectores de um sistema predial de esgotamento sanitário com ventilação reduzida. se trata.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. com vazão suficiente para garantir a autolimpeza do subcoletor ou coletor predial. a ventilação secundária (reduzida ou total) será exigida. ocorre uma ação sifônica em seu interior. dotados de ventilação secundária para todos os seus desconectores. como é o caso dos sistemas de queda única modificados. para a tubulação de saída. como no caso dos sistemas de queda única modificados. afora a presença de bacias sanitárias especiais de descarga reduzida e dos sifões coletores de descarga automática. de um sistema de queda única sem ventilação secundária modificado. Caso unicamente a ventilação primária não seja suficiente. não mais impõe que seja exclusivamente adotado o sistema de queda única totalmente ventilado. nos sistemas totalmente ventilados. seja ela reduzida.

Verde .1 Válvulas de admissão de ar As válvulas de admissão de ar apresentam um diafragma interno móvel. ele evita que os odores provenientes do interior das tubulações de esgoto sejam admitidos dentro do ambiente onde ficam instaladas. Figura 1. sempre que ocorrerem pressões negativas no ar do interior dos ramais de esgoto aos quais se conectam. sempre que em seu interior ocorrer uma pressão negativa acima de determinado valor mínimo. 615 cj 704 . Como o fechamento do diafragma é hermético. O diafragma permanece então aberto à atmosfera até que as oscilações de pressão sejam equilibradas no interior da tubulação.4.50 . neste caso instalada no respectivo ramal de esgoto.4. As válvulas de admissão de ar podem ser empregadas na ventilação individual de um desconector ou na ventilação coletiva de um conjunto de desconectores.8. 2. 2. ou seja. que permite sua autoventilação.com.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. Os dispositivos mais comuns são as válvulas de admissão de ar (VAA) e os sifões autoventilados (SAV).Sifão autoventilado (SAV) . relativamente novos no mercado.Curitiba .2 Sifões autoventilados São sifões convencionais que apresentam um mecanismo automático.A. abrem um diafragma móvel e admitem ar atmosférico para o interior do sifão na presença de pressões negativas. Figura 2. Rua Palmeiras. de forma a permitir o ingresso de ar atmosférico para o seu interior.Instalação típica de válvula de admissão de ar (VAA).8.51 .br . e permanecem hermeticamente fechados na ocorrência de pressão atmosférica ou de pressões positivas no ar da câmara de saída. que se movimenta em presença de pressão negativa no ar da tubulação à qual se acoplam.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 26 São dispositivos que permitem a imediata e automática entrada de ar no interior do subsistema de coleta e transporte. de modo a proteger os seus desconectores contra sifonagem por aspiração. Seu funcionamento é em tudo semelhante ao das válvulas de admissão de ar.

uma vez que se conhece por “sifonagem” todo e qualquer fenômeno que resulta na redução da altura do fecho hídrico de um desconector. Pelo fato da câmara de entrada de um desconector estar sempre em contato com o ar atmosférico do interior do respectivo ambiente sanitário onde está instalado. submetido à evaporação.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 27 1.A. ou seja. por evaporação. umidade relativa do ar ambiente. e de outro com o ar do interior da rede de esgoto primário (sujeito a variações de pressão. positivas e negativas). o fecho hídrico de um desconector. presente no interior das tubulações do subsistema de ventilação de uma instalação predial de esgoto sanitário. Entretanto. condições de circulação do ar no ambiente sanitário. de um lado em contato com o ar atmosférico. tais como: temperatura ambiente. cuja função justamente é bloquear a passagem de maus odores do esgoto através da barreira líquida presente em seu interior. Isso é obtido pela presença estratégica de desconectores no interior dos aparelhos sanitários. que ocorre independentemente do uso das instalações prediais de esgoto e das características da edificação. 615 cj 704 . onde houver. Dessa forma. seu fecho hídrico fica. com altura adequada.1 Principais ações sifônicas impostas pelo ambiente São aquelas que causam a sifonagem de um desconector. na maior parte do tempo. do fecho hídrico de um desconector dependem de uma série de fatores. sem que haja fluxo líquido nas suas tubulações devido à não utilização dos aparelhos sanitários pelos seus usuários. em que há reposição da altura de fecho hídrico perdida por evaporação. a perda de altura de um fecho hídrico só se torna significativa num desconector instalado num ambiente sanitário de pouco uso. e estar.br . intervalo máximo estimado entre duas utilizações consecutivas das instalações. para o interior dos ambientes sanitários da edificação.Curitiba . ou a jusante deles. etc. Tais ações são ditas sifônicas. provenientes da rede coletora de esgoto. que são de duas naturezas. fica permanentemente submetido a ações externas. . a saber: 1. com apreciável intervalo de tempo entre duas utilizações sucessivas de seu(s) aparelho(s) sanitário(s) correspondente(s). o que é conseguido pelo devido controle das ações sifônicas sobre eles atuantes. e também à ação do vento sobre o topo dos tubos de queda (ventilação primária) e das colunas de ventilação secundária. por ser constituído de água. ou mesmo de sua completa perda. designada “fecho hídrico”. Entretanto. Rua Palmeiras.com. com perda do fecho hídrico e transmissão do odores fétidos pelo mesmo. e ocorrem mesmo quando a instalação predial de esgoto sanitário não está em uso. está sujeito a movimentações provocadas pela diferença de temperatura deste e a do ar exterior. que concorrem para a redução da sua altura. A NBR 8160:1999 determina que deve ser assegurada a manutenção do fecho hídrico dos desconectores. tipo de desconector e suas características geométricas (particularmente a altura do fecho hídrico inicial). Verde . basta que o aparelho sanitário protegido pelo desconector seja posto em funcionamento para que haja a conseqüente reposição da água perdida por evaporação do respectivo fecho hídrico. As perdas. geralmente não saturado de umidade.5. a um valor que permite que tais odores passem a adentrar o ambiente sanitário onde ele está instalado. O ar.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.5 Ações sifônicas sobre os desconectores Um dos pressupostos básicos de uma instalação predial de esgoto sanitário é vedar a transmissão de gases fétidos.

que atua no topo dos tubos de queda e colunas de ventilação. pode tanto provocar sobrepressões como depressões no ar de seu interior.54 . dependendo da posição de sua extremidade superior no edifício e da velocidade do vento. Figura 2.com. Por outro lado. o que origina um fluxo natural de ar em seu interior. têm um desenvolvimento geométrico predominantemente vertical. dotada ou não de terminal de ventilação adequado.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. A ação da tiragem térmica sobre os fechos hídricos dos desconectores pode provocar oscilações de pressão significativas. . Quando a extremidade elevada está voltada para uma parede lateral.A. a pressão diferencial devida à tiragem térmica não é significativa.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 28 Como estes elementos. O fluxo de ar que se estabelece. sob condições perenes de temperatura.br . e também da localização relativa do próprio terminal. a diferença de temperatura verificada entre suas extremidades causa uma diferença de massa específica do ar. geralmente haverá sucção. o vento incidente de topo poderá causar sobrepressão no ar interno à tubulação.Curitiba .53 – Fluxo descendente de ar dentro das tubulações do sub-sistema de ventilação O sentido desse fluxo de ar é ascendente quando a temperatura do ar presente no interior das tubulações é superior à temperatura do ar externo.Ação do vento em terminais de tubos ventiladores primários e de colunas de ventilação secundária. inversamente proporcional. 615 cj 704 . no caso oposto. apesar de promoverem a redução da concentração dos gases no interior das tubulações. que causará depressão no ar interno. A ação combinada de tiragem térmica e de vento pode provocar efeitos indesejáveis sobre os fechos hídricos dos desconectores de uma instalação predial de esgoto sanitários. quando ascensional. Figura 2. o sentido do fluxo é descendente. para edifícios de até 40m de altura. integrantes do subsistema de ventilação. Verde . ao passo que se a extremidade estiver acima da cobertura. A velocidade de aproximação do vento que atua sobre o terminal do tubo de queda e/ou coluna de ventilação depende da altura da posição relativa e das características geométricas do edifício. Rua Palmeiras. especialmente em dias frios e em edifícios altos. a ação do vento. é dito tiragem térmica e é responsável pela remoção dos gases existentes no interior das tubulações de ventilação e de esgoto primário do sistema. Entretanto.

com penetração de odores de esgoto para o ambiente sanitário) e que decorrem do próprio uso das instalações de esgoto sanitário. Em conseqüência. Rua Palmeiras.com.br . ocorre devido à descarga de um aparelho sanitário através de um desconector que o protege. por aspiração ou sucção.5. pois nessas condições. Figura 2. que o escoamento nos ramais de descarga e ramais de esgoto se dê sob regime livre. 1.1 Autossifonagem É o fenômeno hidráulico-pneumático da redução ou perda do fecho hídrico de um desconector. A autossifonagem. Essa mesma norma considera. por aspiração ou sucção. A autossifonagem é um fenômeno raro de acontecer nas situações habituais de projeto e execução das instalações sanitárias.Curitiba . 1. pois as condições necessárias para o seu estabelecimento geralmente não se verificam todas ao mesmo tempo.2. ocasionada pelo afogamento do escoamento do próprio aparelho sanitário que deságua através desse desconector.5. o escoamento não se dá em regime afogado.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 29 1. ela determina que seja desconsiderado o efeito do fenômeno da autossifonagem no cálculo da perda de altura de fechos hídricos de desconectores. Verde . cujo escoamento provoca depressões a jusante que acabam por succionar o fecho hídrico desse mesmo desconector.5.2 Principais ações sifônicas determinadas pelo uso São aquelas que podem causar a sifonagem de um desconector (perda do fecho hídrico por aspiração ou compressão.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. têm se mostrado suficientes para evitar o risco de sofrerem auto-sifonagem. quando há fluxo líquido em suas tubulações devido à utilização de aparelhos sanitários pelos seus usuários. como pressuposto básico de dimensionamento do subsistema de coleta e transporte. As prescrições da norma NBR 8160:1999 relativas à instalação de lavatórios. sob declividade mínima de 2%.A.56 . ocasionada pelo escoamento de aparelho (s) sanitário (s) da instalação predial de esgoto que não contribui (em) diretamente para esse desconector.Sifonagem induzida em desconector. portanto.55 . impondo diâmetro mínimo DN 40mm. 615 cj 704 . para o ramal de descarga.Auto-sifonagem de um desconector. .2 Sifonagem induzida É o fenômeno hidráulico-pneumático da perda ou redução de fecho hídrico de um desconector.2. Figura 2.

O escoamento em ramais horizontais que atendem a baterias de aparelhos sanitários. por pressupor que o escoamento no interior do ramal de esgoto se dê sob regime livre (não afogado). de bacias sanitárias e de mictórios. vertendo para o colo de saída. e em pouco tempo o desconector possibilitará a introdução de gases mal cheirosos no interior do respectivo ambiente sanitário. uma perda equivalente ao desnível verificado na altura do fecho hídrico antes e depois da atuação da pressão negativa. A depressão que causa a sifonagem induzida pode originar-se da descarga simultânea de diversos aparelhos sanitários ligados ao mesmo ramal de esgoto que atende ao desconector afetado. perdas por tiragem térmica e ação do vento. 615 cj 704 . ele estará sujeito às solicitações impostas pelo ambiente (evaporação de fecho hídrico.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.com. sua altura residual volta a se estabilizar em ambas as câmaras de entrada e saída do desconector.58 . As intensidades das depressões verificadas no interior de ramais de esgoto são geralmente pequenas. tais como baterias de lavatórios.Sifonagem induzida em desconector pela descarga simultânea no mesmo ramal. se torna inferior ao valor da pressão atmosférica. o controle da depressão pode ser feito mediante dimensionamento adequado desses ramais. configurando. a jusante de um desconector. Portanto. pode provocar pressões pneumáticas negativas com magnitudes mais significativas. Cessada a ação da depressão sobre o fecho hídrico. Mesmo que sobrexista alguma altura residual de fecho hídrico. após uma ação de sifonagem devido à depressão.57 – Conseqüências da sifonagem induzida sobre um desconector. .. se o mesmo estiver corretamente dimensionado. De forma semelhante ao tratamento dado para a auto-sifonagem. parte do volume líquido. na câmara de saída.Curitiba . a sifonagem induzida no fecho hídrico do desconector de um determinado aparelho sanitário ocorre em conseqüência da depressão (pressão negativa) que surge no ar do interior de seu ramal de descarga ou ramal de esgoto. em banheiros de uso coletivo.A. devido ao seu afogamento (escoamento a plena seção): Figura 2. a norma NBR 8160:1999 não considera a ocorrência desse tipo de sifonagem induzida no cálculo da perda de altura de fecho hídrico dos desconectores. Dessa forma. causada pela descarga de outros aparelhos sanitários da instalação predial. Rua Palmeiras. a coluna líquida do seu fecho hídrico. perdendo sua função. Neste caso.. Figura 2. Verde .br .PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 30 Quando a pressão do ar atuante dentro do ramal horizontal. de modo a operarem sob regime livre (não afogado). etc. variações de pressão no ambiente. sob condição estática. tende a subir de nível.). é perdido por sucção ou aspiração decorrente da pressão negativa atuante no ar a jusante do desconector. que constituía o fecho hídrico.

Verde . Figura 2. ao ser admitido no topo do tubo de queda (mais adequadamente. Figura 2. inicialmente igual à atmosférica. conforme mostra a figura acima um típico diagrama de pressões pneumáticas em um tubo de queda. ocasionados pelos despejos de ramais de esgoto no tubo de queda. a pressão do ar.Diagrama típico de pressões pneumáticas em tubo de queda. que não o do desconector afetado. devida ao arraste de ar causado pelo escoamento líquido anelar no interior do tubo de queda.60 .Curitiba . etc. . ao longo de seu escoamento no interior do tubo de queda. 615 cj 704 . O ar.59 .A.) e também nas reduções de seção causadas pelos bloqueios parciais do núcleo de ar.Sifonagem induzida em desconector pela descarga simultânea de aparelhos sanitários de outros pavimentos. se encontra sob pressão atmosférica.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. a depressão que induz um desconector à sifonagem pode ter origem a descarga de aparelhos sanitários situados em outros pavimentos do edifício. Rua Palmeiras. por turbilhonamento nas conexões com mudança de direção (cotovelos. Desta sorte. na extremidade terminal do tubo ventilador primário).br . O fluxo do ar ao longo do interior do tubo de queda provoca perda de carga por atrito nas paredes da tubulação. vai sendo reduzida à proporção em que sofre perdas de carga distribuída e localizada.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 31 Por outro lado.com.

Caso essa condição não se verifique. função da vazão de ar que ocorre no núcleo do tubo de queda (por usa vez.61 . dentro de uma tubulação a jusante de um desconector. função da vazão do escoamento líquido verificado no tubo de queda).br .2.3 Sobrepressão É o fenômeno hidráulico-pneumático de ruptura de fecho hídrico de um desconector. de modo a suprir ar sob pressão mais próxima da atmosférica sempre que houver depressão no correspondente ramal de esgoto. portanto. Figura 2. o ar do interior do ramal a jusante será introduzido no interior do ambiente sanitário. for superior ao valor da máxima depressão atuante no interior desse mesmo ramal horizontal combinando os seus efeitos à tiragem térmica. com correspondente redução de altura na câmara de saída. . os fechos hídricos dos desconectores mais suscetíveis de sofrerem sifonagem induzida são aqueles que contribuem para o mais baixo dos ramais com deságüe simultâneo para o tubo de queda. acumulada desde a extremidade terminal do tubo de queda. Sempre que o valor da sobrepressão de ar a jusante ultrapassa o valor da altura inicial do fecho hídrico.com. O valor dessa depressão máxima é. supera a pressão atmosférica. parcial ou total.5. ocorre logo a jusante do ponto de inserção do ramal mais baixo contribuindo para o tubo de queda. Portanto. 615 cj 704 . a instalação exigirá a presença de um tubo de ventilação secundária nas proximidades a jusante desse desconector. Nestas condições. extensão e número de curvas na parte seca). Verde . Um dado desconector desse ramal estará imune aos efeitos da sifonagem induzida se a máxima depressão nele admissível (função do tipo de desconector e da perda máxima de altura de fecho hídrico devida à depressão). mas que provocam pressões positivas de ar sobre o seu fecho hídrico.Curitiba .Diagrama típico de pressões pneumáticas em tubo de queda. 2. sobe de nível. potencialmente causadora de sifonagem induzida. Ele também depende de fatores geométricos ligados ao próprio tubo de queda e correspondente tubo ventilador primário (diâmetro. de sua altura. com borbulhamento de gases mal cheirosos. a coluna líquida do seu fecho hídrico. causada por sobrepressão (pressão maior do que a atmosférica). com perda.A. esse ponto corresponde ao valor da máxima depressão no interior do tubo de queda. quando um determinado número de ramais horizontais nele deságua simultaneamente. Rua Palmeiras. e à quantidade de seus ramais horizontais em deságüe simultâneo. devida à ação da descarga de outros aparelhos sanitários da instalação predial de esgoto. ação do vento e variações da pressão ambiental. que não contribuem diretamente para esse desconector. na câmara de entrada.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. Quando a pressão do ar. devido à ruptura do fecho hídrico.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 32 Esse diagrama de pressões pneumáticas revela que a máxima perda de pressão.

O escoamento anelar que se estabelece no interior de um tubo de queda.A. quando adequadamente dimensionados. pia. no caso de um ralo sifonado. devido ao bloqueio parcial ou total na passagem do fluxo de ar arrastado pelo escoamento líquido no interior das tubulações. borbulhamento de gases fétidos.). esses escoamentos ocasionam pressão positiva no ar do interior de tubo de queda. promove o arraste de ar. 615 cj 704 . banheira. cuja sucessão determinará uma perda de altura do fecho hídrico.62 . por deságüe no ramal a jusante. Isto também poderá ocorrer se o desconector estiver ligado a um aparelho sanitário dotado de cuba (lavatório. Rua Palmeiras.com.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 33 Figura 2. em regiões próximas a mudanças bruscas de direção (desvio ou base). Caso a ação da sobrepressão seja muito rápida e suficientemente intensa. além de ruídos desagradáveis.. a ponto de determinar transbordamento. que permita que o líquido transbordado retorne para o desconector.br . sob elevada vazão. devido ao seu afogamento (escoamento a plena seção). se a câmara de entrada do desconector apresentar altura suficiente para não permitir que o líquido que constitui o fecho hídrico transborde para o piso circundante. de modo a evitar-se afogamentos. Por outro lado. Neste caso. Justamente por pressupor que o escoamento no interior dos ramais horizontais de esgoto se dê sempre em regime livre (não afogado). haverá perda definitiva de líquido do fecho hídrico para o interior do respectivo ambiente sanitário. causada pela descarga de outro (s) aparelho (s) sanitário (s) da instalação predial.Sobrepressão em desconector. podendo resultar em fecho hídrico residual de altura insuficiente. haverá o restabelecimento parcial do fecho hídrico. as intensidades das sobrepressões verificadas nessas condições não são expressivas e o controle da sobrepressão pode ser exercido através do correto dimensionamento desses ramais. haverá retorno ou refluxo de espuma para dentro do ambiente sanitário ou para o interior do aparelho sanitário a montante. haverá oscilações temporárias nas colunas líquidas das câmaras de entrada e saída do desconector. então a súbita elevação da altura líquida na câmara de entrada do desconector poderá ser violenta. e também da descarga simultânea de diversos aparelhos sanitários ligados a um mesmo ramal de esgoto que atende ao desconector afetado. Entretanto.. submetida à sobrepressão nas condições citadas. Portanto. ocorre em conseqüência da pressão positiva que surge no ar do interior de seu ramal de descarga ou ramal de esgoto. Verde . Cessada a ação sifônica causada pela sobrepressão. a sifonagem por sobrepressão no fecho hídrico do desconector de um determinado aparelho sanitário. Caso haja presença de emulsão de ar/espuma no interior da tubulação a jusante do desconector. . de um aparelho sanitário sobre o ramal de outro. a sifonagem de um desconector causada por sobrepressão pode ser originada pela descarga de aparelhos sanitários de outros pavimentos mais elevados do edifício.. A sobrepressão que causa a sifonagem pode originar-se da descarga. a norma NBR 8160 desconsidera a existência desse tipo de ação sifônica. Entretanto. proveniente da descarga de um ou mais ramais horizontais de pavimentos elevados.Curitiba . ou mesmo nula.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. Neste caso. por atrito. de seu núcleo interno.

O local de sua ocorrência no início do trecho horizontal subseqüente ao tubo de queda. e ocorre justamente para proporcionar a necessária dissipação da energia ganha pelo escoamento vertical. a intensidade do ressalto hidráulico depende da geometria adotada para a transição de direção na base do tubo de queda. onde há transição do regime de escoamento vertical anelar para um regime de escoamento horizontal próximo do regime dito “de canal”.63 . a jusante no subcoletor e coletor predial. pois sofre ação da força gravitacional que acaba se equilibrando com a força de atrito. Já o regime de escoamento livre. inicialmente sob pressão atmosférica na extremidade terminal do tubo ventilador primário. conhecido como “ressalto hidráulico”.com.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 34 Segundo visto no item anterior. devido às perdas de carga causadas por atrito. Figura 2. se dá sob uma condição energética bem inferior. Tanto quanto o próprio escoamento líquido. a pressão do núcleo de ar do tubo de queda se torna positiva nas proximidades de sua base ou de eventual desvio de verticalidade. . Entretanto. bem como sua extensão e altura relativa ocupada nessa tubulação são conseqüentes do quão brusca é a mudança de direção verificada na base do trecho vertical. vai sendo submetido a depressões. Neste se estabelece um escoamento livre. ou de canal. Ele é conseqüente da introdução de uma velocidade secundária no escoamento principal. Verde . Em outras palavras. havendo aceleração no fluxo até ser atingida a velocidade terminal. relativo à sifonagem induzida.A. Sempre que ocorre uma brusca mudança de direção do tubo de queda. apesar de não permanente e não uniforme em seu início. o ar arrastado.Sobrepressão atuante na base de tubo de queda O regime de escoamento anelar no interior do tubo de queda se dá sob elevada energia unitária. 615 cj 704 . forma-se naturalmente um vigoroso turbilhonamento no trecho inicial do correspondente subcoletor ou desvio horizontal.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. mudanças de direção de fluxo e por bloqueios parciais de contribuições de ramais horizontais.br . e que não será necessária no escoamento horizontal sob regime livre. Rua Palmeiras.Curitiba . o ressalto hidráulico é um fenômeno transitório.

por ser compressível (elástico). causar o completo afogamento do trecho horizontal a jusante. o escoamento anelar em seu interior continua arrastando ar. ao longo de seu percurso vertical. sobretudo. de maior extensão. por atrito. sem. e.64 . Mesmo que a peça ou arranjo de peças de transição na base do tubo de queda não ocasione mudança brusca de direção. causar o completo afogamento da seção transversal do tubo horizontal a jusante do tubo de queda.A. ele poderá ocorrer bem próximo da base do tubo de queda (dentro do primeiro metro) e. Neste caso. por exemplo. . Como o ressalto afogado não permite temporariamente a passagem do fluxo de ar.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.Curitiba .Ocorrência de ressalto hidráulico em início de subcoletor. durante a descarga de um ramal horizontal de pavimento elevado num tubo de queda. uma curva de 90 graus de raio curto ou mesmo um te sanitário instalado de topo. A ocorrência de ressalto hidráulico afogado bloqueia totalmente o escoamento de ar até aí arrastado pelo fluxo líquido. tem sua pressão relativa elevada a valores superiores à pressão atmosférica. Como o fenômeno se dá sob condições dinâmicas.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 35 Figura 2.65 . aquelas verificadas quando a peça de transição é um joelho de 90 graus. ocorrerá um ressalto hidráulico. entretanto. 615 cj 704 .com. porém com início um pouco mais distante da base. o ressalto hidráulico formado pode ser de pequena extensão. Em mudanças bruscas. este se acumula no núcleo do filme líquido anelar na base do tubo de queda. ocasionando sobrepressão nessa região.br .Ocorrência de ressalto hidráulico em início de subcoletor. Figura 2. Rua Palmeiras. Verde .

ou seja. 615 cj 704 . Ele se verifica em trechos horizontais.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 36 Nessas condições. Isso causa a compressão local do ar imediatamente a montante do remanso hidráulico.A. dado que a ocorrência do ressalto hidráulico. ou então dois joelhos de 45 graus ou duas curvas de 45 graus. característica do desvio de um tubo de queda.Curitiba . decorrentes de elevação localizada da lâmina líquida. a montante de mudanças bruscas de direção no próprio plano horizontal. portanto. na acomodação para o escoamento horizontal sob regime livre. uma espécie de remanso hidráulico. sobrepressão localizada. ou pela combinação de um joelho ou curva de 45 graus com uma junção simples instalada de topo. porém de menor monta. se caracteriza pela elevação da altura da lâmina d’água no trecho imediatamente a montante destas mudanças bruscas de direção e se deve à redução local na velocidade do escoamento líquido. quando a mudança é brusca e a vazão de contribuição de esgoto é elevada. com elevação de sua pressão efetiva. Rua Palmeiras. e na transição da direção horizontal para o vertical. É justamente essa elevação de lâmina líquida que provoca a redução na seção disponível para o escoamento do ar arrastado pelo fluxo líquido. sempre representa uma restrição de seção ao livre escoamento do fluxo de ar arrastado pelo líquido. ainda haverá sobrepressão no ar aí circulante.br . É o caso típico em que a mudança de direção na base do tubo de queda se dá mediante uma curva de 90 graus de raio longo (com raio médio de curvatura igual ou superior ao dobro de seu diâmetro interno).com. Figura 2.66 – Influência da cortina líquida da base do tubo de queda na intensidade da sobrepressão Também contribui para a ocorrência de sobrepressões no interior das tubulações de esgotamento predial devidas ao acúmulo parcial de ar em circulação. em razão da perda de carga aí atuante. com certa elevação da lâmina líquida. Figura 2.66 – Geometrias recomendadas em bases de tubos de queda para evitar ressalto hidráulico afogado Outro fator que contribui para a formação de sobrepressão na base de um tubo de queda é o bloqueio parcial do escoamento de ar causado por uma cortina líquida que se verifica justamente na peça de transição da direção vertical para a horizontal. O remanso. Verde .PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. .

b) o trecho horizontal imediatamente a jusante da base do tubo de queda. imediatamente a montante do desvio para a horizontal.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. de comprimento igual a 40 vezes o seu diâmetro. 615 cj 704 .Curitiba . os trechos a montante e a jusante de desvios de tubos de queda.66 – Sobrepressão causada por remanso hidráulico a jusante de desvio de tubo de queda A NBR 8160:1999 considera zonas de sobrepressão. Verde . a) o trecho vertical na base do tubo de queda.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 37 Figura 2. h) o trecho de 10 vezes o diâmetro de coletor ou subcoletor imediatamente a jusante de seu primeiro desvio no plano horizontal. ao final do desvio de tubo de queda. de comprimento igual a 10 vezes o respectivo diâmetro. as seguintes extensões.67 . .A. imediatamente a jusante da mudança de direção da horizontal para o vertical. imediatamente após a base do tubo de queda deslocado ou desviado. de comprimento igual a 10 vezes o respectivo diâmetro.Zonas de sobrepressão em desvio de tubo de queda e em início de subcoletor. d) o trecho vertical de comprimento igual a 10 vezes o respectivo diâmetro. imediatamente antes do respectivo subcoletor. e) o trecho vertical na base do tubo de queda deslocado ou desviado em sua verticalidade. imediatamente a montante do próximo desvio para a direção vertical. e também de início de sub-coletor. conforme a figura abaixo: Figura 1. Rua Palmeiras. f) o trecho horizontal no início do subcoletor ou coletor predial.br . de comprimento igual a 40 vezes o respectivo diâmetro. g) o trecho 40 vezes o diâmetro de coletor ou subcoletor imediatamente a montante de seu primeiro desvio no plano horizontal. c) o trecho horizontal de comprimento igual a 40 vezes o respectivo diâmetro.com.

68 .69 – Diagrama de pressões pneumáticas: sobrepressão máxima ocorre na base do tubo de queda . 615 cj 704 . Figura 2. Figura 2.A.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 38 i) no caso de sistemas com ventilação secundária. o trecho da coluna de ventilação com comprimento igual a 40 vezes o diâmetro do tubo de queda ao qual se liga. ou eventualmente com ramal de esgoto que para ele contribui. imediatamente a montante e a jusante de seus desvios a 45 graus. Rua Palmeiras. a literatura internacional considera ainda como regiões de sobrepressão os comprimentos de 50cm verticais em tubo de queda. ou antes do início de subcoletor.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.Curitiba .Zonas de sobrepressão em desvio a 45 graus de tubo de queda. Verde . Ao se analisar o diagrama de pressões pneumáticas no interior de um tubo de queda.br . imediatamente antes de seu desvio para a horizontal. Apesar da NBR 8160 ser omissa a respeito. a contar do ponto de ligação da base da coluna com o tubo de queda.com. pode-se constatar que o valor de máxima sobrepressão ocorre justamente na base do tubo de queda.

ou em região de sobrepressão a montante de seu desvio. 615 cj 704 . Rua Palmeiras. e/ou ventilando o início do subcoletor correspondente. Figura 2. imediatamente após a mudança de direção. Em desvios de tubos de queda que formem ângulo superior a 45 graus com a vertical.5. Desse modo. cada qual devidamente ventilado. em edifícios altos.70 – Ventilação da base do tubo de queda ou início do subcoletor para evitar a sobrepressão De qualquer forma. caixas e ralos sifonados) de ambientes sanitários de edifícios altos. não brusca. levando a coluna de ventilação o mais próximo possível da base do tubo de queda. de acordo com uma das seguintes alternativas: a) considerar o tubo de queda como dois tubos independentes. O problema de retorno de espuma nas instalações prediais de esgotos sanitários está associado ao emprego de detergentes sintéticos. que promovam uma acomodação suave. nas regiões de sobrepressão indicadas na figura 1.br . entre os fluxos vertical anelar e o horizontal em regime livre. Verde .PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 39 Uma forma de se limitar essa máxima sobrepressão. através de tubos ventiladores de alívio: 2. a NBR 8160 determina que seja prevista ventilação acima e abaixo do desvio.Curitiba . um a montante e outro a jusante do desvio. conectando-se a este acima e abaixo do desvio. na maioria dos casos. com ou sem ventilação secundária. devem desaguar em tubo de queda separado daquele. . é dotar a base do tubo de queda com peças de transição.67 anterior. exclusivo para a coleta desses ramais de esgoto. sob forte pressão advinda do interior das tubulações. ou onde ocorrem desvios destes superiores a 45 graus com a vertical. evitando a ocorrência de ressalto hidráulico afogado. como foi visto anteriormente. ou arranjo de peças.2. ocorrendo. antes do local de provável ocorrência do ressalto hidráulico.A. geralmente até quatro pavimentos acima da base dos tubos de queda.com. e pode atingir uma intensidade apreciável. a NBR 8160 proíbe que sejam efetuadas ligações de ramais de esgoto. Outra maneira de se reduzir essa sobrepressão é dotar a instalação predial de esgotamento sanitário com ventilação secundária. principalmente em lavadoras de louça e roupa.4 O fenômeno do retorno de espuma O retorno de espuma em instalações prediais de esgoto sanitário é evidenciado pelo surgimento de bolhas de espuma de densidade considerável a montante de desconectores (sifões. de curta duração. b) fazer a coluna de ventilação acompanhar o desvio do tubo de queda.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. com grande capacidade de expelimento de flocos de espuma densa para o interior dos ambientes sanitários atingidos. O fenômeno é transitório. ramais de esgoto situados em região de sobrepressão na base de tubo de queda.

pias de cozinha e tanques de lavar roupas. em conseqüência do forte turbilhonamento verificado a partir do primeiro metro apos a virada no subcoletor. a partir do local onde foi formada.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. a espuma é decorrente do próprio princípio de funcionamento do equipamento ou peça sanitária.com. ao longo de seu percurso na rede hidráulica do edifício. Figura 2. pois as condições hidráulicas do escoamento nessa região propiciam sua formação. estão presentes todos os ingredientes necessários à formação de espuma. a espuma é principalmente gerada pela interação entre esses dois escoamentos. principalmente se já houver escoamento simultâneo no tubo de queda proveniente de pavimentos superiores ao do ramal considerado. possa ser considerado um problema. que a espuma no interior do sistema predial de esgoto sanitário de um edifício alto é inerente ao próprio escoamento. As máquinas lavadoras de louças e roupas têm a característica comum de despejar os seus resíduos sob pressão nos respectivos ramais de descarga e de esgoto. Em grau menos intenso. 615 cj 704 . por si só. A espuma também é gerada com intensidade na base dos tubos de queda que escoam líquidos potencialmente geradores de espuma. líquidos potencialmente geradores de espuma (sabões e detergentes dissolvidos). água e ar.Curitiba . ocorre naturalmente a formação de grande quantidade de espuma no interior das tubulações. Nestes casos. .A. ela pode vir a se formar no interior do correspondente tubo de queda. tais como máquinas de lavar roupas. dessa forma. potencialmente geradoras de espuma. Nestes casos. A espuma pode ser gerada em diferentes pontos do sistema de canalizações de esgotamento sanitário e é. Verde .Formação de espuma na interação de fluxos de ramal de esgoto e de tubo de queda. sem que isso. Quando a espuma não é gerada no próprio ramal sob escoamento. A agitação necessária para a misturação desses componentes da espuma é provida pelo próprio escoamento hidráulico em suas diversas fases. máquinas de lavar louça.71 . a partir da sua conexão com o ramal horizontal. Rua Palmeiras. banheiras e boxes de chuveiros contribuem com o lançamento de despejos contendo soluções de sabão em água. Isto depende da geometria da peça de concordância empregada. como é o caso geralmente dos tanques de lavar roupa ou lavadoras de roupa e de louça que o injetam pressurizado. através do sistema de esgotamento dos edifícios. mediante concurso de bombas internas de esgotamento. juntamente com água. também lavatórios. Em conseqüência da agitação e do turbilhonamento intensos a que o escoamento dessas soluções de detergentes e sabões é submetido. cujo funcionamento deve prever sua formação e coexistência. sob apreciável vazão. Pode-se concluir. pode ser gerada já no próprio ramal de descarga ou de esgoto do equipamento ou aparelho sanitário produtor do escoamento. Durante o escoamento dos despejos dessas peças e equipamentos sanitários. num período de tempo relativamente curto.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 40 Os desconectores mais sujeitos ao fenômeno são aqueles ligados a sistemas de esgotamento sanitário predial que recebem despejos de aparelhos sanitários e equipamentos que caracteristicamente descarregam. a saber: sabões e/ou detergentes. geralmente com a presença de detergentes sintéticos e sabões em pó dissolvidos.br . com alguma dificuldade. e tubos de queda. arrastada pelos sucessivos escoamentos. Dessa maneira.

em contrapartida. Isso ocorre porque os líquidos transportados são mais densos que as espumas sobrenadantes aí acumuladas. ou seja.br . e dos desvios de tubos de queda. as espumas formadas ao longo do escoamento. 0 turbilhonamento que ocorre.Curitiba . conhecido como ressalto hidráulico. No entanto.A. arrastando-se verticalmente na forma de um filme líquido. é conseqüência da introdução uma velocidade secundária no escoamento principal. ao ser arrastado pelo fluxo anelar no interior de queda. chamada de “ventilação primária”. Conforme já visto. arrastando-o consigo para baixo. mesmo após terminado o escoamento dos líquidos. a maior parte da espuma acumulada. permanece no interior das canalizações. que é suprida. que não foi carreada pelo escoamento. num regime conhecido como “fluxo anelar”. que ocupa uma espessura máxima variando entre 13% e 18% do raio interno do tubo de queda. . se rarefaz nas suas porções superiores. e escoam facilmente sob estas. Esse regime de escoamento é caracterizado por se dar rente às paredes internas da canalização. e acumuladas no interior das tubulações de esgoto dos edifícios. 0 acúmulo de ar sob pressão nas bases dos tubos de queda. pela admissão de ar através da extensão da prumada até o topo do edifício.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.72 . fato que é comumente designado retorno de espuma. ou em seus desvios inferiores a 45 graus com a horizontal. Isto se dá através dos desconectores dos ramais de esgoto a eles ligados nos pavimentos mais próximos. em conseqüência da pressão do ar na base dos tubos de queda. passa a fluir verticalmente. ou pressão negativa em relação à atmosférica. Rua Palmeiras. e da transição brusca que o mesmo sofre para o plano horizontal. sofre uma aceleração que é em parte contrabalançada pelo atrito que passa a estabelecer contra as paredes internas da tubulação. decorre do próprio escoamento vertical que se dá em seu interior. aderida às suas paredes internas. após a perturbação sofrida na região imediatamente abaixo da inserção entre ambos. quando um escoamento. 615 cj 704 . em especial nas bases de tubos de queda. e ocorre para dissipar a energia ganha pelo escoamento ao longo do fluxo vertical.Geração de espuma na base de tubo de queda devida ao ressalto hidráulico. constituída por um núcleo de ar que ocupa uma seção entre 2/3 e 3/4 da área total útil da prumada. refluem para o interior dos ambientes sanitários. e também pelo atrito contra o núcleo de ar existente em seu interior.com. mas tão somente uma certa porção delas. atinge o tubo de queda correspondente. ou em seus desvios. originado a partir de um ramal de um pavimento elevado de um edifício alto. A região interna ao filme líquido é “oca”. sob efeito gravitacional. só passam a constituir um problema quando. É interessante mencionar que a espuma formada permanece por um bom período no interior das tubulações. conhecido como “ regime de canal”. Como o ar é até certo ponto “elástico” (compressível). onde se acumula. de forma a permitir mais a jusante um escoamento horizontal mais estável. A partir desse ponto. sua maior parte. Verde . ocasionando depressão. Terminado o fluxo dos líquidos. sem arrastá-las em sua totalidade.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 41 Figura 2. o fluxo anelar.

A. Verde . à medida que esta penetra os tubos e ramais de ventilação ligados aos ramais de esgoto mais próximos. em conseqüência da geometria da peça de concordância entre as tubulações vertical e horizontal. . Quando isso se dá. Este fato contribui ainda mais para a elevação da pressão positiva do ar na base do tubo de queda. logo após a base do tubo de queda.Efeito de bombeamento de espuma. o ar acumulado comprime fortemente a espuma bloqueada.73 . e bloqueia totalmente a passagem do ar e da espuma formada (afogamento da seção do tubo). dessa forma. Ocorre que. A espuma então toma totalmente o interior desses ramais e. se adensa e escorrega por sobre o líquido escoado. se verifica um turbilhonamento vigoroso. Em seu caminho de volta. mais intensamente reflui para os ramais de esgoto dos pavimentos mais próximos. quando atinge pressão suficiente. Figura 2. provoca obstrução ao livre escoamento do ar acumulado nessa região. que. Essa elevação de pressão aumenta a densidade e o espessamento da espuma na porção inferior do tubo de queda. O alívio natural para onde a espuma adensada poderia se dirigir é o próprio subcoletor ou o coletor predial. e. ocasionando o efeito conhecido como bombeamento da espuma. buscando alívio para o excesso de pressão. e esta. comprimido. remonta o escoamento e sobe por seu núcleo. ou o trecho horizontal a jusante de eventual desvio de tubo de queda. ou seja. ou desvio do tubo de queda. Assim. a espuma adensada e pressurizada. Em decorrência do espessamento da espuma na base do tubo de queda. Em conseqüência da despressurização que ocorre após a eliminação da espuma espessada para dentro do ambiente. pressão positiva em relação à atmosférica. cuja densidade pode atingir valores elevados. empurra a água dos fechos hídricos dos desconectores a eles ligados. 615 cj 704 . por sua vez.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. o ar arrastado pelo escoamento vai sendo acumulado nas porções inferiores do tubo de queda. introduzindo- se no interior dos ambientes sanitários.com. portanto.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 42 Da mesma forma.br . Rua Palmeiras. a começar dos mais desfavoráveis. designadas zonas de sobrepressão.Curitiba . de volta em direção a algum alívio disponível. Esse turbilhonamento provoca a elevação súbita do nível d’água em seu interior. geralmente logo após o primeiro metro no subcoletor. em sentido contrário ao mesmo. as bolhas se expandem e são expelidas geralmente com violência. na maior parte dos casos. acumulada na base do tubo de queda. ocasionando sobrepressão. a espuma ocupa e obstrui os ramais de esgoto e tubos ventiladores eventualmente ligados às regiões mais próximas à base do tubo de queda ou de seus desvios.

escoando líquidos potencialmente geradores de espuma. Isso pode ser conseguido pelo uso de curvas de 45 graus seguidas de junções simples.76 . dessa forma. também. suaves e retilíneos Os efeitos da formação de espuma nos ramais de esgoto. são os responsáveis pela ocorrência do fenômeno do retorno de espuma. que o excesso de pressão no ar acumulado na base dos tubos de queda.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. ou de tes sanitários de raio longo. procurar posicionar o tubo de queda em ponto próximo e favorável em relação aos aparelhos que despejam líquidos geradores de espuma.Curitiba . Assim. no lugar dos tradicionais “tes” sanitários de raio curto.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 43 Figura 2. Verde . Conclui-se. para se prevenir a ocorrência do fenômeno do retorno da espuma. principalmente se ligados a lavadoras de roupa e/ou de louça.Retorno de espuma a partir de ralo sifonado ligado em zona de sobrepressão. para controlá-los. mesmo depois de cessado o fluxo. podem ser minimizados adotando-se para eles um traçado preferivelmente retilíneo até o correspondente tubo de queda. turbilhonamentos ou agitação excessiva do fluxo. medidas preventivas devem ser tomadas durante o projeto das instalações prediais de esgoto sanitário.Transições suaves entre ramais horizontais e tubos de queda x uso de tê sanitário . com conexões de. que fatalmente acumularão espumas. sem transições bruscas de direção. de modo a evitar afogamentos.br . aliado ao bloqueio no fluxo de ar que ocorre no início dos correspondentes subcoletores. b) transições suaves entre ramais e tubos de queda Deve-se buscar transição suave do fluxo horizontal (no ramal) para o vertical (no tubo de queda).A. Rua Palmeiras. evitando.com. portanto. Deve-se. Figura 2. a saber: a) ramais curtos.75 . procurando-se acomodar a entrada do escoamento no tubo de queda. ramais com extensões excessivas. ou de seus desvios. 615 cj 704 . no máximo. 45 graus.

visando evitar o completo afogamento da seção do subcoletor. Isso pode ser obtido buscando-se uma transição menos brusca do fluxo vertical para o escoamento horizontal.br . Figura 1. em direção ao coletor predial de esgoto. que acabam funcionando como vertedouros. peças de concordância que apresentam “arestas vivas”. ou em seus desvios.Curitiba . ou então duas curvas sucessivas de 45 graus de raio longo.77 .PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. de modo a atenuar a velocidade secundária no fluxo principal. e também de “tes” sanitários na base da prumada. recomenda-se o emprego de curva de 90 graus de raio longo (superior a 20 cm) na base da prumada. de modo a permitir.78 . o livre trânsito do ar e das espumas acumuladas. ou seja. Verde . c) transições suaves entre tubos de queda e subcoletores Deve-se procurar atenuar a intensidade do ressalto hidráulico formado na base do tubo de queda.A. Assim. Rua Palmeiras.Separação de prumadas nas zonas de sobrepressão .com. independentes das que coletam esgoto de pavimentos superiores. abrindo um fluxo “em leque” ou cortina d’água. a separação de prumadas dos pavimentos atingidos pelas zonas de sobrepressão.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 44 Deve-se evitar. sobretudo. Figura 2. Deve-se evitar o uso de cotovelos de 90 graus de raio curto. o mais possível. 615 cj 704 .Transições suaves entre bases de tubos de queda e subcoletores d) separação de prumadas nas zonas de sobrepressão Deve-se evitar a conexão de ramais de esgoto nas regiões definidas como zonas de sobrepressão. ou de seus desvios. que ocorrem nas proximidades dos pés de prumadas. que regula a intensidade do ressalto hidráulico. espaçadas entre si de pelo menos 25cm (a segunda curva pode eventualmente ser substituída por uma junção simples). ou com aresta viva. prevendo sua ligação a novas prumadas.

Onde os degraus forem inevitáveis. pois a interação entre os fluxos. Verde . Figura 2. antes da sua interligação ao coletor público de esgotos. Dessa forma. ou então ser convenientemente ventilados. Rua Palmeiras.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. e deverão ser interligadas às prumadas dos pavimentos mais elevados em pontos fora das zonas de sobrepressão. de modo a evitar desvios desnecessários.Inserção de subcoletor em nível em trecho crítico de coletor predial.A. pode causar bloqueio no fluxo de ar. deve-se evitar inserções de subcoletores prediais em coletores de esgotos críticos ocorrendo no plano horizontal. seja pelo afogamento verificado em pontos localizados nos trechos horizontais a jusante dos tubos de queda. deverão ocorrer com mais suavidade. no interior de dutos verticais (“shafts”) que não sofram interrupções. comuns nos trechos finais de coletores pluviais de edifícios correndo abaixo das vigas de sustentação das lajes do pavimento térreo (geralmente acima do nível do passeio). pode elevar momentaneamente o nível d’água nas regiões a montante da interligação. com sobreposição de vazões.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 45 Essas novas prumadas deverão ter a extremidade de início convenientemente ventilada. quer no subcoletor ou coletor predial. nos períodos de uso congestionado das instalações (horários de pico).com. e provocar afogamentos.79 . evitando sua segregação. acumulada no pé das prumadas de esgoto. f) coletores de esgoto sem afogamentos no fluxo interno Deve-se procurar facilitar o escoamento da mistura ar/espuma. quer em seus desvios. deve-se evitar degraus bruscos de 90 graus. para permitir o livre escoamento em seu interior.Curitiba . ou em alvenarias que mantenham sua verticalidade até o nível do coletor predial. principalmente entre tubulações com bitolas diferentes. através dos subcoletores e coletores prediais. com curvas sucessivas de 45 graus. 615 cj 704 . . Seguindo o mesmo raciocínio. Isto porque a elevada vazão.br . e) prumadas preferencialmente sem desvios intermediários Deve-se procurar preferencialmente posicionar as prumadas junto a pilares que não sofram transições. seja pela ocorrência de ressalto hidráulico de plena seção. minimizando a intensidade e a extensão das zonas de sobrepressão.

dando origem a entupimentos.com. ao superdimensionamento dos subcoletores.80 . esta medida pode causar deposições indesejáveis de sólidos em pontos localizados. Essa medida deve ser tomada com extrema consideração de todas as implicações hidráulicas intervenientes. causados principalmente pelo ressalto hidráulico de plena seção. .br .Degrau em coletor predial. é o alargamento do diâmetro da curva no pé do tubo de queda sujeito ao acúmulo de espumas. Verde . Além de levar.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 46 Figura 2. na maioria dos casos. os parâmetros hidráulicos do escoamento devem ser levados em conta. Rua Palmeiras. em conseqüência da redução da altura de lâmina d’água no trecho horizontal.Risco de deposições causadas por aumento de seção no início do subcoletor.81 .81 . Figura 2. Figura 2. e o conseqüente aumento da bitola do subcoletor.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol. 615 cj 704 .Curitiba .Aumento de seção no início do subcoletor. Outra medida preventiva para se evitar afogamentos no subcoletor.A. Para que não haja risco desses entupimentos com o passar do tempo.

Figura 2. no máximo. quando for inevitável a transição de verticalidade em tubos de queda. Rua Palmeiras. Figura 2.Curitiba .com. deve-se evitar ventilar os desvios nas próprias zonas de sobrepressão.A.br . Entretanto.82 . No entanto. Igualmente. evitando as regiões de sobrepressão. bloqueando o fluxo de ar através deles. através de ventilação adequada. é recomendável que a ventilação suplementar se dê imediatamente após a conexão de transição de direção.Ventilação direta nas zonas de sobrepressão. caso contrário as espumas adensadas.83 . deve ser possibilitado o alívio da sobrepressão verificada na base dos tubos de queda. fluirão para esses pontos naturais de alívio. e provocando o efeito de bombeamento da espuma.PATOLOGIAS EM SISTEMAS HIDRÁULICOS PREDIAIS GNIPPER 47 g) desvios suaves de verticalidade de tubos de queda Deve-se prever preferencialmente desvios de prumadas de. Verde . aí acumuladas.PR / 80040-280 / fone-fax (41) 3254-8713 / (41) 9927-7523 gnipper@uol.Ventilação direta nas zonas de sobrepressão. 45 graus em relação ao plano vertical. quando são previstas transições suaves entre o pé da prumada e o início do subcoletor. sempre que possível. diretamente a montante e a jusante das zonas de sobrepressão configuradas anteriormente. . de forma a reduzir a extensão e a intensidade das zonas de sobrepressão aí formadas. h) ventilação correta da base e dos desvios de prumadas de esgoto Deve-se dotar os desvios de prumadas superiores a 45 graus com ventilação adequada. como forma de aliviar para os tubos ventiladores o excesso de pressão ai verificado. 615 cj 704 .

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