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Hidráulica II - Relatório II

Utilização da Fórmula de Manning para o Dimensionamento de Canais

Larissa Bozelli Vieira


Tales Oliveira Soares

Campo Grande/ MS
Maio de 2018.
Sumário

INTRODUÇÃO Error! Bookmark not defined.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3

OBJETIVOS 4

MATERIAIS E MÉTODOS 5

RESULTADOS E DISCUSSÃO 5
5.1 Dados Obtidos Experimentalmente 5
Tabela 1 - Valores Obtidos Experimentalmente 5
5.2 Determinação da Altura da Lâmina d’água no Canal 6
5.3 Determinação do coeficiente n (experimental) de manning 9

CONCLUSÕES Error! Bookmark not defined.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 10
1. INTRODUÇÃO

A fórmula de Manning é bastante utilizada como base de cálculo para problemas de


escoamentos livres, sendo válida para os escoamentos permanentes, uniformes e
turbulentos rugosos, com grande número de Reynolds. Isso, pois, nessas condições, o
coeficiente de Manning permanece constante para a rugosidade dada. Ademais, recorda-se
que esta é uma fórmula de origem empírica.
Esta fórmula é a mais popular em projetos de canais e o projetista deve-se atentar à
escolha do valor do coeficiente de Manning, tendo em mente que os valores recomendados
nas tabelas são valores médios indicativos. Mesmo nos canais regulares, existem fatores
que podem alterar a rugosidade do canal, como crescimento da vegetação, irregularidade e
alinhamento do canal, processo de erosão ou sedimentação e presença de curvas pela
alteração dos perfis de velocidade.
Escoamento permanente é aquele em que as propriedades e características
hidráulicas são, em cada ponto do espaço, invariantes no tempo. Já as condições de
ocorrência para que um regime de escoamento seja dito uniforme são: profundidade, área
molhada e velocidade constantes ao longo do conduto.
Por fim, tem-se como escoamento turbulento aquele em que as partículas do líquido
se movem em trajetórias irregulares, com movimento aleatório, produzindo uma
transferência de quantidade de movimento entre regiões da massa líquida. Nesse tipo de
escoamento, geralmente a viscosidade do líquido é baixa, o que não a permite amortecer a
tendência de surgimento da turbulência.
Neste trabalho, analisou-se um canal de seção retangular e escoamento uniforme a
fim de determinar empiricamente o coeficiente de Manning e comparar o valor obtido com o
fornecido em teoria, além da comparação entre a altura da coluna d’água obtida nos
ensaios com as calculadas pela fórmula de Manning.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

a) Equação de Manning para escoamento uniforme:


𝐼𝑜 1/2 .𝐴 .𝑅ℎ2/3
𝑛=
𝑄
Desenvolvendo a equação para encontrar a H da lâmina d’água:
𝐼𝑜 1/2 .𝐴 .𝑅ℎ2/3 𝑛 .𝑄 (𝑏.𝐻)5/3
𝑛= =
𝑄 (𝐼𝑜 1/2 ) (𝑏+2.𝐻)2/3
𝐴 1/3
𝐼𝑜 1/2 .𝐴 .( ) 2/3 𝑛 .𝑄 (𝑏.𝐻)5
𝑃
𝑛= =( )
𝑄 (𝐼𝑜 1/2 ) (𝑏+2.𝐻)2
3 3/3
𝑛 .𝑄 𝐴 2/3 𝑛 .𝑄 (𝑏.𝐻)5
= 𝐴. ( ) ( ) = ((𝑏+2.𝐻)2)
(𝐼𝑜 1/2 ). (𝑏+2.𝐻) (𝐼𝑜 1/2 )

3
𝑛 .𝑄 𝐴 .𝐴 2/3 (𝑏.𝐻)
5
𝑛 .𝑄
= =( )
(𝐼𝑜 1/2 ) (𝑏+2.𝐻)2/3 (𝑏+2.𝐻)
2
(𝐼𝑜
1/2
)
sendo: 𝐼𝑜 = Declividade no fundo do canal (m/m);
A = Área molhada (m²);
𝑅ℎ = Raio Hidráulico (m);
H= Altura da Lâmina d’água (m);
b = largura do canal (m);
Q = Vazão (m³/s).

b) Fórmula da vazão pelo diafragma:


2𝑔 . (𝛾𝑚 − 𝛾𝑓𝑙 ) . 𝛥𝐻
𝑄 = 𝐶𝑞. 𝐴𝑑. √
𝛾𝑓𝑙

sendo: Q = Vazão (m³/s);


Cq= Coeficiente de vazão do medidor;
Ad= Área do diafragma (m²);
g= Aceleração da gravidade (m/s²)
𝛥𝐻= Variação da altura das medições do piezômetro (m);
𝛾𝑚 = Peso específico do mercúrio (N/m³);
𝛾𝑚 = Peso específico do fluido em escoamento (no caso da água) (N/m³);

c) Equação de Reynolds
𝑉. 𝐷
𝑅𝑒𝑦 =
𝜈
Fórmula de Reynolds para um fluxo laminar cujo fluido é a água:
𝑉. 𝐷
𝑅𝑒𝑦 =
10−6
Sabemos que vazão 𝑄 = 𝑉. 𝐴, substituindo na fórmula, temos:
𝑄. 𝐷
𝑅𝑒𝑦 =
𝐴. 10−6
𝑄. 𝐷
𝑅𝑒𝑦 =
𝜋 . 𝐷2
( ). 10−6
4
4 .𝑄
𝑅𝑒𝑦 =
𝜋 . 𝐷 . 10−6
sendo: V= Velocidade média do fluido (m/s);
D= Diâmetro para o fluxo no tubo (m);
𝜈= Viscosidade cinemática do fluido (m²/s);

3. OBJETIVOS

Os objetivos do experimento em questão são descobrir experimentalmente os


valores da altura da lâmina d’água e estimar o valor médio do coeficiente de Manning “n”
para as paredes de vidro do canal utilizado, em uma simulação de escoamento uniforme no
canal de seção retangular, e desta forma, comparar os valores obtidos experimentalmente e
os valores teóricos.

4. MATERIAIS E MÉTODOS

1) No experimento desenvolvido, utilizaram-se os seguintes materiais:


a) Bomba d’água;
b) Canal Retangular;
c) Diafragma;
d) Piezômetros ligados ao canal;
e) Cronômetro;
f) Régua milimetrada de metal.

2) Roteiro do experimento:
a) Acionar a bomba e abrir o registro do canal;
b) Medir a vazão no final com um recipiente graduado e um cronômetro;
c) Medir a largura do canal;
d) Obter a declividade do canal mediante o uso de piezômetros ou manômetros,
conectados numa extremidade de montante e em uma extremidade de
jusante do canal. Será necessário também medir o comprimento do trecho
horizontal;
e) Calcular via fórmula de manning a altura da lâmina d’água no canal;
f) Medir a altura da lâmina d’água no canal;
g) Preencher a planilha em anexo;
h) Variar a abertura do registro do canal e repetir o processo 4 vezes.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 Dados Obtidos Experimentalmente


No experimento realizado, obtiveram-se os seguintes valores medidos:

Tabela 1 - Valores Obtidos Experimentalmente

N° H1 (m) H2 Larg. do Compriment Cota à Cota à Altura da


(m) Canal o do Trecho Montante Jusante Lâmina d’água
(m) L (m) (m) (m) observada (m)

1° 0,48 0,544 0,15 1 0,596 0,578 0,0364

2° 0,429 0,594 0,15 1 0,596 0,578 0,0505

3° 0,369 0,653 0,15 1 0,596 0,578 0,0633

4° 0,498 0,527 0,15 1 0,596 0,578 0,0278


Fonte: elaborada pelo autor.

5.2 Determinação da Altura da Lâmina d’água no Canal

Pela fórmula de Manning temos:


𝐼𝑜 1/2 . 𝐴 . 𝑅ℎ2/3
𝑛=
𝑄
Logo, é preciso determinar os valores de 𝑛, 𝐼𝑜 , 𝑅ℎ 𝑒 𝑄. Utilizando o “n” teórico de
Manning do vidro acrílico, podemos determinar a altura da lâmina d’água em cada
experimento.

Tabela 2: Valores do Coeficiente de Rugosidade para a fórmula de Manning

Fonte: PORTO, Rodrigo de Melo. Hidráulica Básica. 4. ed. São Carlos: EESC/ USP, 2006.
Iremos adotar o n referente à “tubos de bronze ou de vidro” para um um estado de
conservação regular, n=0,011.
A vazão (𝑄) pode ser encontrada através da fórmula do diafragma utilizado:
2𝑔 .(𝛾𝑚 − 𝛾𝑓𝑙 ) .𝛥𝐻
𝑄 = 𝐶𝑞. 𝐴𝑑. √
𝛾𝑓𝑙

a) Variação da altura do piezômetro ΔH (m):


A vazão encontrada experimentalmente, foi medida através do uso de um diafragma.
Através de um piezômetro, determinamos a variação da altura (ΔH) entre as leituras H₁ e
H₂ de dois tubos ligados ao diafragma.
ΔH₁ =0,064m ΔH₃ =0,284m
ΔH₂ =0,165m ΔH₄ =0,029m
b) Área do Diafragma Ad(m²):
Ad=0,45 . 𝐴𝑡𝑢𝑏𝑢𝑙𝑎çã𝑜 ⇒ Ø𝑡𝑢𝑏 = 75𝑚𝑚
Ad=0,45 . 𝜋. 0,0375²
Ad≃ 1,988 −3 𝑚²

c) Vazão teórica Q (m³/s):


Como não sabemos o 𝐶𝑞 do diafragma em questão, admitimos um valor inicial(𝐶𝑞𝑜 )
para ele igual a 1, e aplicamos o resultado da vazão encontrada (𝑄𝑜 ) na equação de
Reynolds. Descobre-se o valor de 𝑅𝑒𝑦 , e pelo gráfico da norma DIN para diafragma, o valor
equivalente de 𝐶𝑞. A partir desses resultados, calcular a vazão teórica 𝑄 do sistema:

2𝑔 . (𝛾𝑚 − 𝛾𝑓𝑙 ) . 𝛥𝐻 4 . 𝑄𝑜
𝑄𝑜 = 𝐶𝑞𝑜 . 𝐴𝑑. √ ⇒ 𝑅𝑒𝑦 =
𝛾𝑓𝑙 𝜋 . 𝐷 . 10−6

sendo: 𝛾𝑚𝑒𝑟𝑐ú𝑟𝑖𝑜 = 133368 𝑁/𝑚³;


𝛾á𝑔𝑢𝑎 = 9806,65 𝑁/𝑚³;
D = 0,075m;
g = 9,81 m/s²;

Gráfico 1: Número de Reynolds x Coef. de Vazão (Cq); correspondente ao diafragma.


Fonte: Norma DIN (Diafragma).

2𝑔 .(𝛾𝑚 − 𝛾𝑓𝑙 ) .𝛥𝐻


𝑅𝑒𝑦 ⇒ 𝐶𝑞 ⇒ 𝑄 = 𝐶𝑞. 𝐴𝑑. √
𝛾𝑓𝑙

Tabela 3: Determinação da Vazão Medida pelo Diafragma


N° ΔH (m) Ad 𝐶𝑞𝑜 𝑄𝑜 𝑅𝑒𝑦 𝐶𝑞
(10−3 .m²) (10−3.m³/s)

1° 0,064 1,988 1 7,9074 134243 0,67

2° 0,165 1,988 1 12,6965 215551 0,67

3° 0,284 1,988 1 16,6572 282792 0,67

4° 0,029 1,988 1 5,3228 90365 0,68


Fonte: elaborada pelo autor.

d) Altura Teórica da Lâmina d’água 𝐻 (m):


Já obtido o valor da vazão 𝑄, calculamos 𝐻:
3
𝑏 5 . 𝐻5 𝑛 .𝑄
𝑄 ⇒ = ( )
(𝑏 + 2𝐻)2 (𝐼𝑜 1/2 )

Tabela 4: Determinação da Altura teórica da Lâmina d’água.


N° 𝑄 n 𝐼𝑜 b (largura do 𝐻𝑜𝑏𝑠 𝐻𝑐𝑎𝑙𝑐 Diferença
−3 (m/m) canal) (m) (m) (m) Percentual entre
(10 .m³/s)
𝐻𝑐𝑎𝑙𝑐 e 𝐻𝑜𝑏𝑠 (%)

1° 5,3572 0,011 0,018 0,15 0,0364 0,03522 -3,23


2° 8,5778 0,011 0,018 0,15 0,0505 0,04897 -3,03

3° 11,2436 0,011 0,018 0,15 0,0633 0,05951 -5,98

4° 3,6248 0,011 0,018 0,15 0,0278 0,02701 -2,82


Fonte: elaborada pelo autor.

Na tabela acima, já também descobrimos a diferença percentual entre a 𝐻𝑐𝑎𝑙𝑐 e 𝐻𝑜𝑏𝑠


(%).

5.3 Determinação do coeficiente n (experimental) de


manning
𝐼𝑜 1/2 .𝐴 .𝑅ℎ2/3
𝑛=
𝑄

Tabela 5: Determinação do coeficiente experimental de Manning.


N° 𝐼𝑜 A [Área Pm Rh [Raio 𝑄 𝑛𝑐𝑎𝑙𝑐 𝑛𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜
(m/m Molhada [Perímetro Hidráulico] (10−3.
) ] (m²) Molhado] (m) (m) m³/s)

1° 0,01 0,00546 0,2228 0,0245 5,3572 0,0115 0,011


8 4

2° 0,01 0,00757 0,251 0,0302 8,5778 0,0114 0,011


8 5 8

3° 0,01 0,00949 0,2766 0,0343 11,243 0,0119 0,011


8 5 6 7

4° 0,01 0,00417 0,2056 0,0203 3,6248 0,0114 0,011


8 8
Fonte: elaborada pelo autor.

Obtém-se 4 valores do coeficiente de manning, um para cada variação da vazão,


sendo o valor final considerado para 𝑛𝑐𝑎𝑙𝑐 , a média destes 4 resultados. Portanto,
𝑛𝑐𝑎𝑙𝑐 =0,01162. O erro relativo, portanto, é de -5,64%. Este valor está dentro dos padrões
esperados de acordo com Porto. O 𝑛𝑐𝑎𝑙𝑐 , difere do “n” adotado para o cálculo da altura da
lâmina d’água (𝐻𝑐𝑎𝑙𝑐 ), o que indica que o estado de conservação das paredes de vidro do
canal, estão mais próximas de um estado de má conservação.

Tabela 6: Análise dos Erros entre valores de medidas observadas e valores


calculados .
N° 𝑛𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜𝑏𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎𝑑𝑜 𝑄 𝐻𝑜𝑏𝑠 𝐻𝑐𝑎𝑙𝑐 Diferença
−3 (m) (m) Percentual entre
(10 .m³/s)
𝐻𝑐𝑎𝑙𝑐 e 𝐻𝑜𝑏𝑠 (%)
1° 0,01154 0,011 5,3572 0,0364 0,03522 -3,23

2° 0,01148 0,011 8,5778 0,0505 0,04897 -3,03

3° 0,01197 0,011 11,2436 0,0633 0,05951 -5,98

4° 0,01148 0,011 3,6248 0,0278 0,02701 -2,82


Fonte: elaborada pelo autor.

6. CONCLUSÕES

Pela observação dos aspectos analisados, pode-se concluir que houve uma
pequena discrepância entre o coeficiente de Manning “n” obtido experimentalmente e seu
valor encontrado em teoria. Contudo, como este resultado apresentou um erro relativo
pequeno, o mesmo pode ser considerado aceitável.
Os valores das alturas d’água obtidos experimentalmente e os valores calculados
através da fórmula de Manning quando comparados também apresentam resultado
satisfatório, visto que possuem baixo erro relativo.
Desse modo, o experimento realizado foi extremamente satisfatório, visto que foi
possível atingir os objetivos de descobrir experimentalmente os valores das alturas das
lâminas d’água, estimar o valor médio do coeficiente de Manning e compará-los com os
valores teóricos.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Porto, Rodrigo de Melo. Hidráulica Básica - 4° ed. -- São Carlos

HEC-RAS Hydraulic Reference Manual (2005)