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UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ – UFOPA

REDES DE COMPUTADORES PARA AUTOMAÇÃO


Equipe 3

DEVICENET E CONTROLNET
DEVICENET

DeviceNet é um padrão de rede industrial que é aplicada na comunicação entre


dispositivos eletrônicos como CLP, atuadores, sensores e drivers. Este modelo de rede
industrial foi desenvolvido pela Allen Bradley em 1994 com base no protocolo CAN
(Controller Area Network). No ano de 1995 sua tecnologia foi transferida para a ODVA (Open
DeviceNet Vendor Association). Esta é uma associação sem fins lucrativos, composta por
inúmeras empresas que trabalham para garantir o desenvolvimento e a padronização de redes
com protocolo baseado no CIP (Common Industrial Protocol).

PROTOCOLO CAN, A BASE DA REDE DEVICENET

O protocolo CAN foi desenvolvido por Robert Bosh no ano de 1986 para aplicação em
automóveis. A função principal era de simplificar os complexos e numerosos sistemas de fios
elétricos em um veículo para um sistema de controle compostos por múltiplos controladores
com o propósito de gestar a motorização, freios e demais sistemas que compõem um
automóvel. A criação do protocolo CAN tinha como princípios básicos uma elevada taxa de
transmissão de dados para evitar atrasos de envio e recebimento de informação, uma grande
imunidade a interferências eletromagnéticas garantindo sua aplicação em ambientes com
elevados índices de ruídos eletromagnéticos e também, por ser um sistema digital, pela
capacidade de detectar erros no envio e recebimento de dados.

CARACTERÍSTICAS DO PROTOCOLO CAN

O CAN é um protocolo de comunicação serial síncrono que permite transmissão de


dados em tempo real. Isso significa que os módulos conectados na rede possuem um
determinado tempo para que cada mensagem seja enviada ao barramento de rede. Este evento
ocorre em intervalos de tempos regulares e conhecidos.

O sistema CAN é desenvolvido com capacidade multi-mestre. Essa característica


possibilita que todos os dispositivos conectados no barramento de rede podem solicitar acesso
ao meio de transmissão ao mesmo tempo, sendo que em determinados momentos, os módulos
podem se tornar mestre ou escravo e trabalhar com mensagens Multicast, onde todas
as mensagens lançadas na rede são recebidas por todos os dispositivos conectados
simultaneamente.

Como cada mensagem enviada para a rede é recebida por todos os dispositivos, é
necessário a identificação dos pacotes de dados para que cada dispositivo faça a análise do que se
deva ou não processar cada mensagem. Assim, cada mensagem é composta por bits
identificadores. Através do conceito CSMA/CD with NDA (Carrier Sense Multiple Access /
Collision Detection with Non-Destructive Arbitration) há a possibilidade de que os módulos
conectados na rede estejam a todo instante monitorando o barramento de rede e analisando se
outro módulo não está enviando uma mensagem com maior prioridade. Quando um dispositivo
da rede detecta um sinal de alta prioridade, o módulo que possuir uma mensagem com a menor
prioridade cessa sua transmissão e o de maior prioridade continuará enviando sua mensagem
deste ponto, sem a necessidade de reiniciar a transmissão do pacote de dados prioritário.

Como no protocolo CAN os dados são processados em tempo real, estes têm a
obrigatoriedade de ser transferidos com alta velocidade. As características apresentadas até o
momento reforçam essa veracidade. De acordo com a especificação da ISO 11989, a taxa máxima
de transmissão de dados para o protocolo CAN é de 1 Mbit/s para o comprimento máximo de 40
metros da linha de rede. Para diferentes comprimentos da rede, recomendam-se as seguintes taxas
de transmissão:

l 500 kbit/s para até 100 metros;

l 250 kbit/s para até 250 metros;

l 125 kbit/s para até 500 metros;

l 50 kbit/s para até 1000 metros.

No protocolo CAN, os sinais transmitidos na rede, utilizam o método de tensões


diferenciais. Essa característica eleva muito a capacidade de imunidade a ruídos considerando
que estas são de modo comum, ou seja, que o mesmo sinal de ruído for aplicado de forma igual
nos dois cabos de comunicação.

As linhas de sinal são denominadas de CAN_H e CAN_L onde “H” e “L” vêm das
palavras em inglês High (alto) e Low (baixo) respectivamente. A formação do sinal ocorre da
seguinte maneira: um “0” é formado quando o sinal CAN_H estiver com um nível de sinal
superior ao CAN_L, este é designado como bit dominante. Já quando o sinal CAN_L estiver
superior ao CAN_H corresponde ao bit recessivo de valor 1.
A Figura 2 apresenta a representação gráfica do sinal.
Figura 2 - Sinal CAN

Fonte: Protocolo de comunicações CAN

Em suma, o protocolo CAN possui alta confiabilidade agregada com um baixo custo de
instalação. Por ser um meio simples e robusto é utilizado em peso na indústria em sistemas de
controle distribuído.

CARACTERÍSTICAS DA REDE DEVICENET

Como a rede DeviceNet é desenvolvida com base no protocolo CAN, herda várias
caraterísticas importantes deste protocolo:

l suporta até 64 nós de rede;

l inserção ou remoção de dispositivo/nó na rede com a rede de comunicação


em funcionamento;

l possibilidade de utilização de dispositivos com conexão rápida para garantir


um tempo de manutenção e parada muito menor;

l proteção contra ligação errada dos cabos de rede;

l cabo de alimentação de rede junto com os cabos de sinal, dessa maneira


resulta em uma maior facilidade de instalação e também em um meio físico mais
compacto;

l possibilidade de utilizar várias fontes de alimentação em uma mesma rede


com o emprego de Power Taps;

l taxas de comunicação de 125 kbits/s, 250 kbits/s e 500 kbits/s;


l grande imunidade a interferências eletromagnéticas.

MODOS DE COMUNICAÇÃO DA REDE DEVICENET

Os modelos de comunicação do protocolo DeviceNet constituem-se basicamente de dois


tipos básicos de mensagem, o Cyclic I/O e Explicit Message.

Cyclic I/O

É um modelo de sinal síncrono que é destinado à movimentação de dados prioritários


entre o produtor deste dado com os consumidores da rede. Este se divide basicamente de
acordo com a forma de que trocam dados entre si, sendo que os principais são Polled,
Peer to Peer, Bit-Strobe, Change of State e Cyclic.

Polled

Neste método de comunicação, o mestre da rede envia um pacote de dados para cada um
dos outros dispositivos da rede, que são os escravos. Quando um dispositivo escravo da rede
recebe a solicitação do mestre, ele responde ao mestre imediatamente. Este processo se reinicia
assim que todos os dispositivos sejam consultados. Neste sistema o mestre da rede é fixo sendo
apenas um mestre por rede.

Peer to Peer

Nas redes Peer to Peer não há um mestre fixo. Cada dispositivo conectado na rede tem a
possibilidade de gerar mensagens à rede quando este tiver a posse de um token. O mecanismo de
passagem de token é baseado por um sistema de prioridade da rede.

Bit Strobe

Neste sistema o mestre envia para a rede um pacote de dados com 8 bytes. Cada bit destes
8 bytes representa uma dispositivo escravo na rede que, se endereçado, responde de acordo com a
programação da rede.
Change of State

Este método de comunicação baseia-se na troca de informações entre o mestre e os escravos


apenas quando houver mudanças nos valores que estão a ser monitorados e controlados dentro de
certo limite de tempo estabelecido durante a programação. Se o tempo limite é atingido, a
comunicação de dados é realizada mesmo que os valores não tenham sido alterados.

Cyclic

Muito semelhante ao processo Change of State, entretanto, neste caso, a comunicação


ocorre em intervalos definidos e regulares de tempo independendo se os valores tenham sofrido
alteração ou não. Este período é definido durante a programação do software de rede.

Explicit Message

Este modelo de comunicação possui um pacote de dados para uso geral e sem prioridade.
Basicamente seu uso é realizado em tarefas que não possuem um sincronismo como, por
exemplo, parametrizações e configurações dos dispositivos da rede durante o funcionamento do
sistema.

CAMADA DE LINK DE DADOS

O protocolo DeviceNet utiliza o padrão CAN para a camada de link de dados, sendo que o
formato do frame de dados DeviceNet é mostrado na Figura 3.
Figura 3 - Camada de link de dados.

Os 11 bits identificadores na rede DeviceNet têm funções específicas de reconhecimento,


prioridade e transporte de dados.

Os bits de arbitragem além de ter a função de identificação de cada início do processo de


transmissão, possui bit com valores dominantes e recessivos que identificam uma prioridade de
mensagem. É dessa forma que atua o conceito CSMA/CD with NDA herdado do protocolo CAN.
Uma conferência bit a bit é realizada para garantir o correto funcionamento.

Há a possibilidade de que dois ou mais dispositivos iniciem o processo de transmissão de


dados ao mesmo tempo. A Figura 4 exemplifica como os dados com prioridade prevalecem na
rede.
Figura 4 - Prevalecimento de dados prioritários na rede.

Os nós (dispositivos) 1, 2 e 3 transmitem pacotes de dados simultaneamente começando


pelo bit de início (SOF –Start of Frame). Até o instante em que o nó 2 insere na rede um bit
recessivo, com valor 1, e, lê na rede (bus-level) um bit dominante, com valor 0. Neste momento o
dispositivo 2 passa apenas a ler os sinais de rede cancelando sua transmissão. No instante em que
o nó 1, escreve na rede um bit recessivo e lê um bit dominante, este também passa apenas a ler a
rede cancelando sua transmissão de dados. Dessa maneira, o nó 3 conectado na rede possui o
menor valor binário e, consequentemente uma mensagem com maior prioridade que as demais
mensagem enviadas na rede, sendo assim, esta a que prevalece.

Após os bits de arbitragem e de informação/dados, são enviados os bits de CRC (Cyclic


Redundancy Code) que são destinados à identificação de erros. Dessa maneira, caso a mensagem
possuir algum tipo de erro como, perda de informações, são nestes bits que o erro é descrito na
transmissão .
Os bits de Ack (Acknowledgement) são bits de reconhecimento que são destinados para
acusar o recebimento dos pacotes.
Para sinalizar o fim de transmissão são enviados os bits de final de frame e espaço entre
frames, sendo este destinado a garantir uma pausa entre dois pacotes de dados enviados a rede.

MEIO FÍSICO - CABEAMENTO DE UMA REDE DEVICENET

Basicamente há três tipos de cabos padrão que podem ser empregados em redes
DeviceNet, o cabo redondo grosso, redondo fino e chato. Existem outros modelos de cabos no
mercado, porém variam de acordo com os fabricantes.
Tabela 1 - Pares do cabo de rede DeviceNet
Os cabos de rede possuem dois pares de fios, um destinado à alimentação em 24 Vcc e o
outro, destinado para a comunicação digital de dados. A Tabela 1 mostra a função de cada par e
condutor.

Cabo redondo grosso

É geralmente empregado nas linhas de tronco e de derivações de uma rede DeviceNet


quando a corrente máxima é de até 8 A. Possui um diâmetro externo de 12,2 mm, sendo que
internamente os cabos de comunicação possuem uma bitola de 18 AWG (0,82 mm²) e os cabos de
alimentação possuem uma bitola de 15 AWG (1,65 mm²).

A Figura 5 mostra a forma construtiva do modelo de cabo grosso.

Figura 5 - Cabo redondo grosso

Cabo redondo fino

Aplicado na maioria das vezes em derivações de rede por ser um modelo de cabo flexível
que facilita as instalações. A corrente máxima neste modelo de cabo é de 3 A. Dessa maneira sua
aplicação só se faz nas linhas tronco quando a corrente total dos dispositivos não ultrapassar a
corrente máxima suportada pelo cabo.

Sua forma construtiva possui diâmetro externo de 9,6 mm, sendo que internamente os
cabos de comunicação possuem uma bitola de 24 AWG (0,205 mm²) e os cabos de alimentação
possuem uma bitola de 22 AWG (0,326 mm²).

A Figura 6 mostra a forma construtiva do modelo de cabo fino.


Figura 6 - Cabo redondo fino

Cabo chato
O cabo chato é fisicamente construído para evitar contratempos na fiação de rede como,
por exemplo, quebra de condutores. É muitas vezes aplicado em situações em que há movimento
do cabo.

São utilizados exclusivamente em linhas de tronco de rede e possuem duas versões, a para
aplicação pesada e para uso geral, sendo ambas construídas sem blindagem. O modelo para
aplicação pesada (Heavy-duty) é utilizado em ambientes agressivos onde o cabo pode ser exposto
a intempéries do meio. Neste modelo há duas classes sendo que a classe 1 suporta uma corrente
elétrica máxima de 8 A e a classe 2 uma corrente elétrica máxima de 4 A. O modelo para uso
geral (General Purpose) é aplicado em situações menos agressivas que o modelo para aplicação
pesada.

Para o modelo de cabo chato, tanto o par de fios destinado à comunicação, quanto o par
de fios de alimentação possuem uma bitola de 16 AWG (1,31 mm²). A Figura 7 apresenta a forma
construtiva deste modelo de cabo.
Figura 7 - Cabo chato

TOPOLOGIAS DE REDE DEVICENET

A topologia de rede representa a forma construtiva com que os componentes são


conectados através do cabo de rede. Os modelos de topologia de rede que são aplicáveis as redes
DeviceNet são: Branch Line, Tree e Line.

Branch line

A Figura 8 demonstra o modelo Branch Line.


Figura 8 - Topologia Branch line
Neste modelo de rede há um cabo de rede principal (linha tronco) onde, a partir deste
cabo, se fazem as ramificações através de conectores dedicados a este tipo de derivação.

Tree

A Figura 9 ilustra o modelo de topologia de rede Tree.


Figura 9 - Topologia Tree

Neste tipo de rede existem caixas de derivações em que as mesmas ramificam a rede para
cada dispositivo. O que difere o modelo Tree para o modelo Branch Line, é que no modelo Tree,
em uma mesma derivação pode haver vários dispositivos conectados nesta derivação, o que se
torna possível pela aplicação das caixas de derivação.

Line

A Figura 10 demonstra o modelo Line de topologia de rede.


Figura 10 - Topologia Line

Este tipo de rede é formada por uma linha onde o cabo de rede entra e sai dos
componentes. Como neste modelo de rede todos os equipamentos estão conectados em série, uma
vez que um dos elementos entrar em falha acarretará no comprometimento total da rede, pois
causará a interrupção do circuito.

Existem topologias de rede que não podem ser aplicadas na rede DeviceNet, por exemplo,
as topologias em estrela e em anel. Elas não se aplicam devido a necessidade de na rede
DeviceNet existir terminadores de rede. É usado como terminadores de rede resistores de 121 Ω
de ¼ W. Esses resistores devem ser colocados no início e no final dos cabos de comunicação da
linha principal da rede, e tem a função de minimizar as reflexões dos sinais de comunicação,
sendo, dessa maneira, essenciais para o funcionamento da rede.

MÁXIMO COMPRIMENTO LINHA TRONCO DA REDE DEVICENET

No protocolo CAN, a taxa de comunicação de dados depende do comprimento da linha de


rede. Essa limitação se deve aos processos de arbitragem e recuperação de erros onde o tempo de
bit não deve ser inferior ao dobro do atraso de propagação do barramento .

Para a rede DeviceNet é utilizado padrões de taxas de comunicação do protocolo CAN


porém com velocidades menores para que se consiga um comprimento maior da rede. Isso se faz
necessário em grandes fábricas onde os dispositivos interligados na rede comumente situam em
grandes distâncias uns dos outros.

A Tabela 2 demonstra a taxa de comunicação permitida de acordo com o modelo de cabo


e o comprimento máximo de rede.
Tabela 2 - Taxa de comunicação pelo comprimento máximo de rede

Fonte: Allen Bradley Rockwell Automation

Figura 11 - Distância máxima entre dois terminadores de rede


Figura 12 - Distância máxima entre dois dispositivos

A máxima distância não é necessariamente a distância da linha tronco da rede, mas sim a
distância máxima entre dois dispositivos da rede. A Figura 11 mostra quando a distância da rede

é o comprimento da linha tronco, ou seja, entre dois terminadores de rede. Já a Figura 12 mostra
quando o comprimento de rede é a distância entre dois dispositivos distantes da linha tronco.

FIELDBUS

Em meados de 1960 o sinal analógico de 4-20mA (miliampére) foi introduzido para realizar o
controle de dispositivos industriais. Aproximadamente em 1980, os sensores inteligentes
começaram a ser desenvolvidos e implementados usando um controle digital. Isso motivou a
necessidade de integrar vários tipos de instrumentações digitais em campos de comunicações,
visando otimizar a performance dos sistemas. Dessa forma se tornou óbvio que um padrão era
necessário para formalizar o controle dos dispositivos inteligentes.
Dessa forma, definiu-se o Fieldbus, no qual é um sistema de rede de comunicação industrial
para controle em tempo real. Fieldbus seria um termo genérico empregado para descrever
tecnologias de comunicação industrial. O termo fieldbus abrange muitos diferentes protocolos para
redes industriais. Tal tecnologia é usada na indústria para substituir o sinal analógico de 4- 20 mA
(miliampére).
A decisão sobre fornecer o tal padrão (tecnologia) partiu de: Instrument Society of America (ISA),
a International Electrotechnical Commission (IEC), Profibus (German national standard) e FIP
(French national standard), formando a IEC/ISA SP50 Fieldbus committee. O padrão a ser
desenvolvido deveria integrar uma grande variedade de dispositivos de controle.
A tecnologia tem como promessa melhorar a qualidade e reduzir custos. Com a tecnologia
fieldbus há uma economia significativa na fiação empregada, dado que usando o sinal analógico de
4-20mA é necessária que cada dispositivo tenha seu próprio conjunto de fios e seu próprio ponto de
conexão. Fieldbus elimina tal necessidade empregando um esquema que necessita somente de um
par trançado (a fibra ótica também pode ser utilizada).

Padrões
Atualmente há uma vasta variedade de padrões fieldbus. Alguns dos mais amplamente usados
incluem:
l AS-Interface
l CAN
l DeviceNet
l ControlNet
l FOUNDATION fieldbus
l HART Protocol
l Industrial Ethernet
l Interbus
l LonWorks
l Modbus
l Profibus
l SERCOS

Protocolo Industrial ControlNet


Rede industrial de camada de controle em tempo real, aberta, que permite o transporte em alta
velocidade de dados de E/S e mensagens de dados críticos em termo de tempo, inclusive o
carregamento e o descarregamento de dados de programação e de configuração de mensagens
ponto-a-ponto, em uma única conexão de meio físico.
O protocolo ControlNet™ foi desenvolvido pela Allen-Bradley (atual Rockwell Automation) em
1995, tornando-se um protocolo aberto controlado pela ControlNet International em 1996 e
finalmente em 2008 passou para o suporte e gestão da ODVA. A rede ControlNet™ possui modelo
de rede produtor-consumidor e é uma rede determinística, com repetibilidade, alto throughput (taxa
de transmissão), sincronismo e grande comprimento de rede. Trata-se de uma rede robusta para o
nível de controle, com transferência de dados em tempo real para dados críticos de E/S (entradas e
saídas) e mensagens, incluindo configuração de dispositivos e adição/remoção de E/S em tempo
real.

CARACTERÍSTICAS CONTROLNET
1. Comunicação Serial;
2. Alta velocidade;
3. PLC’s, HMIs, múltiplos controladores I/O no mesmo link físico, Redes I/0, reduz tráfego
no bus ;
4. Processos contínuos e discretos;
5. Rede única para programação e I/O;
6. Mensagens ponto-a-ponto;
7. Intertravamento em tempo real;
8. Suporte embutido para redundância total de cabos;
9. Estritamente programada e altamente determinista, definida pela operação coordenada e
sincronizada;
1. Modelo Produtor-Consumidor;
2. Entradas compartilhadas;
3. Flexibilidade para o meio físico:
- Topologia: árvore, barramento, estrela, híbrido;
- Redundância de hardware;
- Pleno acesso a rede.
1. Troca de dados e programas de configuração e tráfego de mensagem ponto-a-ponto;
2. Perfomance atinge 5 Mbps na forma determinística e repetitiva;
3. Instalação simples, sem ferramentas especiais;
4. Mídia Física Coaxial ou Mídia Fibra.
1. Muito utilizada para redundância de PLC’s;
2. Alcance de longas distâncias com este protocolo;
3. Até 20 km de extensão através de fibra óptica e 99 dispositivos conectados;
4. Transmite dois tipos de informações:
- Controle e dados I/O;
- Informações não críticas;
1. Acesso à rede por qualquer nó;
2. Substituição de TAP’s em qualquer ponto do cabo tronco sem maiores problemas;

1. Opção de arquitetura flexível


- Incremento do número de nós no mesmo link;
- Processadores com portas ControlNet, Remote I/O e DH+;
1. Programação avançada:
- Seleção do tempo de atualização de controle e de I/O pelo usuário.
- Resposta on-line da utilização dos recursos da rede.
- Mapeamento do controle e dados de I/O.
1. Rede de capacidade avançada
- Eliminação dos atrasos na comunicação entre controladores com a
- eliminação dos blocos de mensagens.
- Eliminação das instruções de block transfer para rack's remotos.

Tabela 1 – Características e funcionalidades do ControlNet


Método Produtor-Consumidor
No método de comunicação Produtor-Consumidor existem dois tipos de dados e estes podem ser
identificados como origem ou destino. Neste sistema vários nós, denominados produtores, podem
transmitir informações para outros nós, denominados consumidores. Também pode haver nós na
rede que assumam o papel de produtor e consumidor.
A vantagem do método de comunicação Produtor-Consumidor em relação ao Mestre-Escravo é o
tempo de entrega dos dados aos dispositivos do sistema, pois este método não trabalha com
varredura onde os dados só são enviados por requisição e determinismo.

Então, temos:
l Dados de origem e destino;
l Produtores (nós) transmitem informação para consumidores (nós);
l Múltiplos nós podem consumir os mesmos dados de um único produtor;
l Sincronização dos nós para receberem as informações simultaneamente;
l A banda de comunicação pode ser otimizada para um melhor desempenho;
l Uma única rede para controle, mensagem de I/O e programação;
l Tempo de espera inferior ao mestre-escravo.

Fig. 1 – Comunicação Produtor-Consumidor

Fig. 2 – Sistema de controle e módulo ControlNet


Fig. 3 – Sistema com meio redundante

Fig. 4 – Áreas Sistema com ControlNet

TOPOLOGIA

A camada física ControlNet™ é implementado utilizando RG-6 cabo coaxial (até 1000 metros de
comprimento máximo do segmento) e conectores BNC, com suporte para cabeamento redundante.
Cabos de fibra óptica, também podem ser utilizados para aumentar o comprimento máximo do
segmento (até 30 km, dependendo do tipo de fibra utilizada). O esquema de sinalização utilizado é
codificação Manchester, e a taxa de dados é de 5 Mbps. ControlNet™ suporta várias topologias,
incluindo barramento (tronco-derivação), árvore, estrela, anel ou combinações. Na sua forma mais
simples, esta rede usa o barramento, no qual cada nó é conectado através de um derivador a uma
linha de um metro. Repetidores são utilizados para conectar um número de segmentos. Alguns
exemplos desta rede são mostrados abaixo.
Fig. – Topologias para Rede ControlNet.

Fig. 6 – Exemplo ControlNet topologia estrela

Fig. 7 – Exemplo ControlNet topologia anel


Camada Física
Um sistema de cabos de uma rede ControlNet e composto em sua maioria dos seguintes
dispositivos abaixo:
1. Nós;
2. Cabos de tronco;
3. Taps;
4. Repetidores;
5. Terminadores;
6. Pontes ou segmentos.

Fig. 8 – Sistemas de Cabos ControlNet

Troca de informações pela rede

Abaixo, temos um descritivo de como é feita a troca de dados pela rede ControlNet:
l Uma mensagem é enviada por um produtor e contém apenas um caractere identificador
chamado de CID (connection ID). Este ID é criado automaticamente quando os nós da
ControlNet são conectados à rede.
l Os nós podem estar configurados para identificar um ID determinado.
l O acesso à rede é controlado por um algoritmo, que permite que apenas um nó possa
transmitir a cada oportunidade de transmissão em cada intervalo de atualização da rede
(NUT).

SERVIÇOS DE REDE

O Serviço Scheduled (Programado)


A rede ControlNet pode enviar mensagens programadas, as quais possuem as seguintes
características:
1. Tem maior prioridade na troca de dados;
2. É determinística e repetitiva;
3. Podem ser dados digitais, analógicos, e intertravamento ponto-a-ponto.

O Serviço Unscheduled (Não programado)


Dados não programados podem ainda serem transmitidos pela rede, tais dados possui as seguintes
características:
1. A transmissão é feita somente após a realização da transmissão dos dados programados.
2. Possui informações que não são críticas ao processo
3. São mensagens do tipo ponto-a-ponto e dados de programação, como upload e download
de programas.

ControlNet™ utiliza o método CTDMA (Concurrent Time Domain Media Access) na sua camada
de enlace para acesso ao barramento, isto significa que todo o tráfego de dados em uma rede
ControlNet™ é estritamente programada e altamente determinista. CTDMA significa que todos os
nós têm acesso igual à rede em intervalos de tempo fixos. Um intervalo de tempo é configurado
onde cada nó pode acessar a rede pela ordem sequencial do seu nó. Após cada nó ter tido sua
oportunidade de transmitir, os nós podem uma segunda chance de fazê-lo no tempo restante antes do
início do próximo intervalo. Cada nó tem a garantia de transmitir a cada intervalo, porém não há
garantia que tenha uma segunda chance neste mesmo período temporal. A oportunidade garantida de
transmitir é chamada de agendada (scheduled), e os dados adicionais enviados na sequência
ocorrem nos dados não-agendados (unscheduled). Cada intervalo de tempo, ou NUT (Network
Update Time), é subdividida no tempo de serviço agendado (scheduled), em tempo de serviço
nãoagendado (unscheduled) e tempo de manutenção de serviço (guardband). A figura 36 representa
os conceitos apresentados acima.

Fig. 9 – Definições do CTDMA na rede ControlNet

A figura acima apresenta os seguintes conceitos da rede:


l NUT: intervalo de tempo base no qual a rede reinicia a largura de banda agendada
(configurável de 2ms a 100ms).
l Largura de banda agendada: cada nó terá uma oportunidade por NUT para enviar dados.
l Largura de banda não-agendada: cada nó terá uma oportunidade compartilhada para enviar
dados numa ordem de "fatias" de tempo iguais até que o NUT seja exaurido.
l Guardband - pequeno pedaço de dados enviados ao final de cada NUT para manutenção e
coordenação da rede.
l SMAX - scheduled maximum address: endereço do nó de maior numeração que pode
transmitir durante a banda agendada.
l UMAX - unscheduled maximum address: endereço do nó de maior numeração que pode
transmitir durante a banda não-agendada. Para completar a base conceitual desta rede,
alguns outros conceitos necessitam ser postos:
l Slot time: intervalo de tempo que se deve esperar antes de declarar que um dado nó não vai
comunicar. Como o schedule dos nós é seqüencial, caso hajam nós faltando na configuração,
haverão tantos slot times quantos nós faltantes na rede.
l RPI - Requested Packet Interval: taxa na qual o usuário define que dois dispositivos devam
comunicar. Ao invés de enviar todos os dados a cada NUT, os dispositivos podem enviá-los
somente na taxa demandada pela aplicação.
l API - Actual Packet Interval: taxa real em que dois dispositivos comunicam. Naturalmente, o
API sempre será menor que o RPI, uma vez que a comunicação se dará dentro de um ou
múltiplos binários de um NUT.
l Scanner - dispositivos que podem abrir conexões agendadas e comunicar durante a parte
agendada de um NUT. Os CLPs são dispositivos desta classe.
l Adaptadores - dispositivos que podem comunicar durante a parte agendada de um NUT mas
não podem abrir conexões agendadas. Dispositivos de E/S são classificados nesta classe.
l Mensagem - dispositivos que não podem comunicar durante a parte agendada de um NUT.
Geralmente as NICs (placas de rede) estão nesta classe.

PARÂMETROS DA REDE
Alguns parâmetros a serem configurados para iniciar as trocas de dados entre os dispositivos:
1. Tempo de atualização da rede (NUT)
2. Máximo nó da banda programada (SMÁX)
3. Máximo nó de rede (UMÁX)
4. Meio físico

CAMADA DE ENLACE
1. Formato de armação de mensagem de ControlNet;
2. O protocolo de ControlNet adota um mecanismo de token-passing implícito e nomeia
um MAC ID sem igual (de 1 a 99) para cada nó.

APLICAÇÕES TÍPICAS
Bem adequada para aplicações de alta velocidade I/O ou remoto analógico:
1. Transferência de linhas automotivas, oficinas de pintura e linhas de montagem;
2. Água e esgoto;
3. Processamento de alimentos;
4. Farmacêutico;
5. Transportadores seccionais;
6. Manuseio de bagagens;
7. Aplicações de controle altamente sincronizado e de alto rendimento;
8. I/O de contagem;
9. Distribuição através de grandes distâncias geográficas;
10. Desempenho em tempo real.

SISTEMAS DISTRIBUÍDOS
Com a evolução da arquitetura de controle distribuído e divulgação de suas vantagens, os comitês
envolvidos com a norma internacional incluíram na especificação da rede, funções de controle e de
gerenciamento distribuído. Deste modo, o programa de controle pode ser dividido para ser
executado em dispositivos diferentes, aumentando a confiabilidade do sistema e a velocidade do que
em um único equipamento como num PLC, por exemplo. Isto pode significar que não será
necessário um equipamento de controle como um PLC no futuro (Figura 14).

Fig. 14- Arquitetura Fieldbus distribuída.

No entanto, para que estas partes do programa pudessem ser entendidas por diferentes dispositivos
de diferentes fabricantes, e também, redundantes em diferentes dispositivos (para maior
confiabilidade que os usuais PLCs e controladores centralizadores do programa de controle), foi
necessário também uma padronização das mesmas. Esta padronização está continuamente sendo
expandida, mas tem como base, blocos funcionais padronizados anteriormente para as conhecidas
arquiteturas de SDCDs (Figura 6).

Fig. 15 – Arquitetura Fieldbus em blocos.

Deste modo, o verdadeiro fieldbus não é mais somente uma rede, mas um sistema de controle em
tempo real que utiliza uma rede, geralmente implementada numa topologia em barramento, e que
distribui o controle.

REFERÊNCIAS
[1] - CRUZ, V. S. Automação Industrial: Foundation Fieldbus. Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, 2013.
[2] - AZEVEDO, J. A. P; SOUZA, A. B. Comparativo entre Redes de Automação Industrial e
suas Características. 2014. 8f. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-Graduação em Engenharia de
Sistemas Eletro-Eletrônicos, Automação e Controle Industrial), Instituto Nacional de
Telecomunicações.

[3] - PIMENTEL, J. C. Alteração da Topologia de Rede ControlNet para Ethernet/IP para a


Estação de Controle Mestre de um Sistema de Produção Submarino. 2013. 96 f. Monografia
(Especialização em Automação Industrial), Departamento Acadêmico de Eletrônica, Universidade
Tecnológica do Paraná, Curitiba, 2013.

[4] – ELO Consultoria e Automação Ltda, Redes ControlNet e DiviceNet. Disponível em


https://pt.scribd.com/doc/173236322/Apostila-Rede-ControlNet-Elo

[5] – FENG . Protocolos Industriais ControlNet. Jan. 2015. 55 Slides.

[6] – RAFAEL RUPPENTHAL. Supervisorio para diagnostico de acionamentos eletricos de uma maquina
misturadora de concreto atraves de uma rede DeviceNet. Universidade Regional do Noroeste do Estado do
Rio Grande do Sul. 2016;
[7] – João Parulo Pereira; Luis Augusto Mattos Mendes. Comunicação de dados em redes de ambientes
industriais - Profibus e Devicenet. Universidade Presidente Antonio Carlos.2014;
[8] – Notas de Aulas – Protocolos industriais Devicenet.Universidade Federal do Rio de Janeiro.