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Situação da Olericultura no Brasil

Paulo César Tavares de Melo, D.Sc.


USP/ESALQ
Presidente ABH
pctmelo@esalq.usp.br
Impactos social e econômico das
hortaliças no agronegócio
 Valor da produção (2007): R$ 17 bilhões  2,0 % do PIB - AGRONEGÓCIO
 Área cultivada: 771,4 mil hectares
 Produção total: 16,0 milhões de toneladas
 Produção e produtividade aumentaram 33 % e 38 %, respectivamente e
a área caiu 5 % (1995-2005)

 Geração de empregos:
• 3 a 6 empregos diretos por ha e igual número indiretos  soja e
milho = 0,36/ha; algodão = 0,40/ha
• 8 a 10 milhões de pessoas dependem da olericultura

Fonte: Embrapa Hortaliças


Características da cadeia
produtiva de hortaliças
– Mercado altamente diversificado:
• Mais de 100 espécies em cultivo comercial
• Mercado muito segmentado
– Ciclo curto de produção
– Maior parte da produção concentrada em
apenas cinco espécies  batata, tomate, cebola,
cenoura e melancia
– 75% da produção concentrada nas regiões Sul e
Sudeste
Características da cadeia
produtiva de hortaliças
– Tipo de varejo que precisa do mix de produtos
todos os dias
– Produtos altamente perecíveis  melhor
qualidade = momento da colheita
– Uso intensivo de mão-de-obra
– Grandes contrastes na adoção de tecnologia
• Predominância de produção familiar  60%
concentrada em áreas de menos de 10 ha
• Adoção de alta tecnologia de produção nas novas
fronteiras agrícolas
Mogi das Cruzes (SP) – Cinturão verde de São Paulo
500 ha : 520 produtores
Produção de hortaliças nas várzeas do Rio Amazonas, Manaus, AM
Produção Agroecológica Integrada e Sustentável
(PAIS/SEBRAE), Pai Pedro, MG
Olericultura periurbana, Americana, SP
Olericultura periurbana, Americana, SP
Olericultura periurbana, Piracicaba, SP
Produção de alface no cinturão-verde de
Campinas, Paulínia, SP
Olericultura periurbana, Recife, PE
Lavoura de repolho roxo, Piedade, SP
Lavoura de taro (Colocasia esculenta),
Piedade, SP
Pulverização área de lavoura de batata,
São João da Boa Vista, SP.
Operação de transplantio de mudas de
cebola, Canudos, BA
Transplantio de mudas de cebola, São José do
Rio Pardo, SP
Colheita de tomate industrial, Goianésia, GO
Lavoura de alho, São Gotardo, MG
Produção de hortaliças na Chapada Diamantina, Bahia
Lavoura de tomate, Chapada Diamantina, BA
Lavoura de batata, Chapada Diamantina, BA
Lavoura de cenoura, São Gotardo, MG
Plantio direto de cebola, São José do Rio Pardo, SP
Lavoura de cenoura, São José do Rio Pardo, SP
Lavoura de tomate industrial, Goianésia, GO
Lavoura de tomate de mesa no agreste de PE
Lavoura de tomate de mesa, Araguari, MG
Lavoura consorciada de inhame e macaxeira,
Conde, PB
Cultivo protegido de hortaliças, Fazenda Ituaú,
Salto, SP
Cultivo orgânico de hortaliças, Fazenda Malunga,
Brasília, DF
Modernização do Setor
de Hortifrutis

Fatores que têm contribuído:


 Mudanças no hábito de
consumo;
 Segurança do alimento e
rastreabilidade;
 Aumento da participação das
redes de supermercados e dos
varejões;
 Inovações tecnológicas

REINVENÇÃO DO SETOR DE
HORTIFRUTIS
Reinvenção do mercado
de hortaliças
• As transformações na cadeia de hortaliças têm
sido guiadas pelas demandas:
– dos consumidores que buscam
• qualidade
• conveniência SUPREMACIA
• alimento seguro e saudável DO CONSUMIDOR
• novidades  novas experiências
– do mercado  redes varejistas e de atacado
– dos produtores  alto rendimento, desempenho
estável, resistência a doenças e a estresses abióticos
– da sociedade  racionalidade do uso de água,
energia, insumos poluentes
SUPREMACIA DO
CONSUMIDOR!!
Reinvenção das hortaliças
- festival de cor, sabor e saúde -

Uma das estratégias adotadas


para incentivar o consumo de
hortifrutis é por meio da
excitação dos sentidos:
surpreender o consumidor com
hortaliças de cor não esperada e
com sabor acentuado
Segmentação varietal

Santa Cruz Italiano Saladete Salada LV


Setor mostra características
contrastantes
– Quanto à adoção de insumos e de
tecnologia
– Quanto à forma de cultivo:
• convencional
• protegido
• hidropônico
• orgânico
– Quanto aos canais de
comercialização e de distribuição
Distribuição de
hortaliças

• CEASA’S  20 %

• Mercado paralelo  45 %

• Supermercados  35 %

Fonte: Sindicato Rural de Mogi das Cruzes


Canais de distribuição
de hortaliças
• A mudança na estrutura de
comercialização tem causado
impactos negativos à cadeia de
hortaliças  exclui produtores
incapazes de atender às exigências
das centrais de compra das
grandes redes varejistas;

• Mercado dominado por um


reduzido número de grandes redes
 sobrevivência de pequenos
varejistas cada vez mais difícil.
Fonte:LOURENZANI & SILVA, 2004
Modernização do Setor
de Hortifrutis
Faturamento (R$): Supermercados x Produtor

Fonte: HortiFruti Brasil/CEPEA


Inovações x modernização do
setor produtivo de hortaliças

• Agregação de tecnologia:
– Produção de mudas em bandejas
com substrato;
– Expansão do uso de sementes
híbridas;
– Mudas enxertadas;
– Minitubérculos de batata;
– Plantio e colheita mecanizados;
– Fertirrigação;
– Insumos e equipamentos
modernos agrotêxtil, mulchings,
telas, GPS, sistemas de alerta etc.
Inovações x modernização do setor
produtivo de hortaliças
• Valor do mercado de
sementes de hortaliças:
US$ 100 milhões

Geram US$ 5 bilhões na ponta
do consumo
OU
Para cada dólar gasto com
semente são gerados US$ 50
na ponta do consumo
Importações brasileiras de
hortaliças, 2007
Produto Volume (t) Valor (mil US$)

Alho 134.236,3 104,947.9

Batata TOTAL: 134.740,3 112,257.8


US$ 389.681.500
Cebola 159.683,6 40,022.4

Ervilha 34.203,6 14,206.9

Tomate 9.630,2 7,769.9


Fonte: SECEX/MDIC: Disponível em http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br
Exportações brasileiras de
hortaliças, 2007
Produto Volume (t) Valor (US$)
Melão 204.501,8 128.213.600
Pimentas e pimentões 6.364,6 20.002.700
Tomate 20.024,2 13.489.500
Melancia TOTAL: 33.649,4 12.537.800
Milho-doce US$ 240.633.500 12.725,2 10.751.500
Gengibre 7.2894,6 6.465.800
Batata 13.783,5 4.034.000
Fonte: SECEX/MDIC: Disponível em http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br
Consumo de Hortifrutis
• A OMS recomenda o consumo de
400 g/pessoa/dia;
• O consumo atual no Brasil é de
apenas 132 g/pessoa/dia;
• Necessidade de TRIPLICAR o
nível atual de consumo;
• Aumento do consumo de H&F é
considerado o eixo da promoção
de saúde e segurança alimentar e
nutricional.
Iniciativas de incentivo ao
consumo de H&F
 Não têm recebido a devida atenção dos
diferentes setores da cadeia;

 Sucesso jamais será atingido por meio de


ações isoladas, deste ou daquele setor

 enseja a articulação de esforços entre organismos


governamentais em todos os níveis, do setor privado e
de organizações civis relacionadas à área hortifrutícola,
de ciências médicas, da nutrição e da mídia;

 É essencial conquistar apoio das


associações de produtores, de redes de
supermercados e das Câmaras Setoriais das
Cadeias Produtivas de Hortaliças e de Frutas
(MAPA).

INTERSETORIALIDADE
Aquisição domiciliar de hortaliças e distribuição
por região geográfica
Região Aquisição
geográfica (kg per capita/ano)
Norte 18,9

Nordeste 22,3

Centro-oeste 23,4

Sudeste 32,7

Sul 40,2

BRASIL 29,0
Fonte: IBGE/POF, 2002-2003.
Aquisição domiciliar de hortaliças e distribuição
por classe de renda no Brasil
Renda mensal Aquisição domiciliar Proporção*
(R$) (kg/per capita/ano) (%)

Até 400 15,7 - 54,1

Mais de 400 a 600 22,4 - 77,2

Mais de 600 a 1000 25,7 - 88,7

Mais de 1000 a 1600 31,2 + 7,6

Mais de 1600 a 3000 36,2 + 24,8

Mais de 3000 42,3 + 45,7

Fonte: IBGE – Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF), 2002-2003.


*Aquisição média do Brasil = 29,0 kg/per capita/ano.
Epidemia de obesidade
Estátua de David, de Michelangelo, volta à Itália
depois de 2 anos de turnê nos EUA

Com o patrocínio de:


Pesquisa revela que brasileiros têm hábitos de
alimentação não saudáveis*

“A maioria dos brasileiros tem hábitos alimentares não


saudáveis que mais tarde lhes causarão graves danos à
saúde” (Dr. Luiz Vivente Berti, Presidente da Sociedade
Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica);

63 % das pessoas entrevistadas estão obesas ou com


sobrepeso;

Alimento frito é a base do prato de 50% dos brasileiros.

A pesquisa foi realizada entre julho e agosto de 2007 nas cinco regiões geográficas do
país pelo Instituto Toledo & Associados, por encomenda da SBCBM.
Fonte: Folha de SP de 17/02/2008
Frequência dos fatores de risco na população adulta
das 26 capitais brasileiras e DF, VIGITEL, 2007

Classificação Fator de Risco %


1º Consumo de H & F (< 5 x por semana) 70,6

2º Excesso de peso 43,4

3º Consumo de carnes com excesso de gordura 32,8

4º Consumo abusivo de álcool 17,5

5º Tabagismo 16,4
Gasto total com alimentação e parte
destinada a H & F - 2006

H&F
13 %
Renda Domiciliar Mensal = R$ 1.393
Gasto Domiciliar Mensal = R$ 1.369

Gasto Médio
Mensal
Gasto com Alimentação
Gasto Médio Mensal R$ 36,00
R$ 280,00

Fonte: LatinPanel, 2006


Despesa mensal com alimento e bebida
pela família brasileira

Hortaliças (R$ 6,85) + Frutas (R$ 9,65) = R$ 16,50/mês

110 % maior

Salgadinhos e Refrigerantes e
biscoitos (R$ 13,87) + cervejas (R$ 20,91) = R$ 34,78/mês

Fonte: Despesa mensal por família brasileira calculada pelo IBGE/POF – 2002/2003.
Iniciativas de incentivo ao
consumo de hortifrutis
Fazenda Ituaú, Salto (SP)
Uso de personagens de histórias-de-quadrinho
para incentivar o consumo de F & V
Frota de ônibus da Embrapa Hortaliças que transporta seus funcionários em
Brasília, DF promovendo o consumo de hortaliças
Criatividade na propaganda
de hortaliças e frutas: Saladas Hortifruti

Criação da embalagem das Saladas Prontas


Hortifruti conquista o ‘Leão de Prata’ em
Design no Festival de Cannes, França
(junho de 2008).
100.000 bandejas vendidas no 1º mês de
veiculação da propaganda.
Rede Hortifruti capixaba inova na propaganda de
H&F com o tema: ‘Aqui a natureza é a estrela’
Ética e responsabilidade
da propaganda dirigida ao público
infanto-juvenil
Exemplo de publicidade que desestimula o
consumo de hortaliças*
• O anúncio conta a história de amor
impossível de um casal de jovens
cujas famílias são rivais: Pedro, é da
família SABOROSO e Ana Flora, da
SAUDÁVEL;
• Casualmente Pedro e Ana Flora se
encontram em um baile à fantasia; ele
vestido como um BISCOITO, ela
fantasiada de BRÓCOLIS, e, então,
dão-se conta que têm algo em
comum: o desejo de comer um
biscoito Nestlé! Neste ponto, as
famílias se unem em um final feliz e
os biscoitos se convertem em herói do
enredo. O slogan “É bom combinar
saboroso com saudável”, resume a
idéia.
*Campanha publicitária para TV aberta com 45 segundos para lançar a linha de
biscoitos de cereais da Nestlé, julho de 2008.
“La industria alimentaria
gasta millones de dólares
haciendo marketing de sus
productos poco sanos. En
todo el mundo, por cada
dólar que se gasta en
promocionar comida buena,
500 dólares se gastan en
promocionar comida
chatarra. Es por eso que
hoy la “M” de McDonald’s
es más reconocida que la
cruz cristiana”.
Os grandes desafios
para o futuro
• Organização do setor produtivo de hortaliças;
• Segurança alimentar  aumento das restrições a
resíduos de químicos e a outros insumos poluidores;
• Registro de agrotóxicos para as culturas
consideradas de suporte fitossanitário insuficiente;
• Incremento das exportações de produtos in natura
e processados;
• Desenvolvimento de cultivares de hortaliças
adaptadas aos sistemas orgânicos de produção;
• Ampliar a disponibilidade de sementes de
hortaliças produzidas em sistemas orgânicos;
• Expandir o cultivo e consumo de hortaliças
subutilizadas ou negligenciadas;
Espécies de hortaliças
negligenciadas ou subutilizadas
– Batata-doce
– Inhame
– Taro
– Mandioquinha-salsa
– Quiabo
– Maxixe
– Taioba
– Bucha vegetal
– Feijão-verde
– Fava
– Jerimum/abóbora
Oportunidade de
crescimento do agronegócio de hortaliças
orgânicas

– Área certificada e em certificação: cerca de 840


mil hectares (IFOAM);
– Renda bruta de 250 milhões de dólares e as
exportações totalizam 150 milhões de dólares;
– A participação das hortaliças no mercado de
orgânicos no Brasil é ainda incipiente,
representando apenas 1,1% da área total
cultivada (ORMOND et al., 2002);
– A maior parte do volume da produção é
proveniente de pequenas e médias propriedades,
ou seja, predomina a agricultura de base familiar.

Fonte: ww.iea.sp.gov.br
Oportunidade de crescimento
do agronegócio de hortaliças orgânicas

Dia de campo de olericultura orgânica na UFPR, Curitiba, PR


Os grandes desafios
para o futuro
• Impactos do aquecimento global na produção
de hortaliças;
• Expansão da produção em regiões onde a
olericultura é incipiente;
• Desenvolvimento de tecnologia de produção
em áreas marginais  ênfase cada vez maior a
área de agroenergia;
• Uso racional da água de irrigação e energia;
• Redução das perdas pós-colheita;
• Desenvolvimento de ações público-privadas
visando o aumento do consumo de hortaliças.
Aquecimento global
Prova real do aquecimento global

Século 18 1900 1950 1970 1980 1990 2009


http://nutricao.saude.gov.br/evento/5_congresso_frutas_hortalicas/
V Congresso Panamericano de Promoção ao
Consumo de H & F - Brasília, 2009

• Estratégia Mundial de Nutrição, Atividade Física e Saúde  incrementar


o consumo de H&F;

• Discussão e intercâmbio de experiências entre os países sobre as


ações de promoção de alimentação saudável;

• Promoção em âmbito nacional e internacional com vistas ao incremento


do consumo de hortaliças e frutas;

• Estratégias de criatividade para todos os setores: comércio, escolas e


ambiente de trabalho;

• Promoção das áreas do governo  agricultura, desenvolvimento social,


saúde, educação, desenvolvimento agrícola com a sociedade civil,
academia etc;

• Fortalecimento das políticas de promoção do consumo de H&F nas


Américas.
IV Congresso Panamericano de Promoção do Consumo de H & F – Santiago, 2008.
IV Congresso Panamericano de Promoção do Consumo de H & F – Santiago, 2008.
Dr. Luiz Jorge da Gama
Wanderley
Muito obrigado!
pctmelo@esalq.usp.br

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