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ÁGORA Revista Eletrônica Ano XII Nº 23 Dezembro de 2016 Páginas 31-45

ISSN 18094589

EVASÃO ESCOLAR NA EJA: UMA ESCOLARIZAÇÃO QUESTIONÁVEL

Kelber Abrão Ruhena1

Daiane Costa de Jesus2

Resumo:
O objetivo deste trabalho é analisar a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a partir de
questões reais que levam a evasão escolar, analisando a história da EJA e as causas que levam
os alunos a evadirem. Utilizou-se como metodologia uma pesquisa baseada no Estudo de
Caso, através de entrevistas realizadas com coordenadora e professora, bem como conversas
informais com alunos dessa modalidade de ensino, em uma Escola Pública Estadual do
Município do Rio Grande /RS. Por fim, percebeu-se que muitos alunos da EJA, são frutos de
uma exclusão histórica, gerada pela falta ou pela impossibilidade de acesso à escola, e que
fatores internos e externos são crucias para permanência desse educando em sala de aula.

Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; Evasão; Metodologias

Abstract:
The objective of this study is to analyze the Youth and Adult Education (EJA), from
real issues that lead to school dropout, analyzing the history of adult education and the causes
that lead students to evade. It was used as a survey methodology based on the case study
through interviews with coordinator and teacher, as well as informal conversations with
students this type of education, in a Public School State of the Rio Grande / RS. Finally, it
was noticed that many students of EJA, are the result of a historical exclusion generated by
the lack or the impossibility of access to school, and internal and external factors are vital for
permanence of this student in the classroom.

Keywords: Youth and Adults; Evasion; Methodologies

1
Professor Adjunto da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Coordenador do curso de Educação Física, no
Câmpus de Miracema do Tocantins e Coordenador do Programa de Apoio ao Discente Ingressante (Padi), área
de Língua Portuguesa, no mesmo câmpus. Pesquisador da Rede CEDES e do Grupo de estudos em pedagogia do
esporte e desenvolvimento motor (GEPEDEM - UFT). Bolsista Produtividade em Pesquisa pela UFT e Professor
Permanente do Programa de Pós Graduação em Ensino de Ciências e Saúde (PPGECS). Doutor em Educação em
Ciências (UFRGS), Mestre em Educação Física (UFPel). Professor Pesquisador do grupo Cultura, Infância e
Educação Infantil (UFPel).
2
Daiane Costa de Jesus - Universidade Federal do Rio Grande, Graduada em Pedagogia pela Universidade
Federal do Rio Grande.
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1 Introdução

Tendo por premissa os pensamentos de Lüdke e André (1986), autores que versam
seus estudos a respeito de métodos e técnicas de pesquisa, podemos dizer que há,
principalmente, dois tipos de pesquisa qualitativa, a etnográfica e o estudo de caso. Esta
segunda, “vêm ganhando crescente aceitação na área de educação, devido principalmente ao
seu potencial para estudar as questões relacionadas à escola” (1986, p.13). Nesse sentido,
baseado nessa premissa dos autores supracitados, pensamos em realizar uma pesquisa baseada
no estudo de caso, que visa estudar um único caso.
Esse tipo de pesquisa é indicado quando o pesquisador possui o interesse em pesquisar
uma situação singular, particular. Ainda para Lüdke e André (1986), os casos devem ser
sempre bem delimitados, na qual algumas características se destacam:

1 – Os estudos de caso visam à descoberta.


2 – Os estudos de caso enfatizam a ‘interpretação em contexto’.
3 – Os estudos de caso buscam retratar a realidade de forma completa e profunda.
4 – Os estudos de caso usam uma variedade de fontes de informação.
5 – Os estudos de caso revelam experiência vicária e permitem generalizações
naturalísticas.
6 – Estudos de caso procuram representar os diferentes e às vezes conflitantes
pontos de vista presentes numa situação social.
7 – Os relatos de estudo de caso utilizam uma linguagem e uma forma mais
acessível do que os outros relatórios de pesquisa (LÜDKE E ANDRÉ, 1986, p. 18-
20).

Desta forma, percebemos que tais características apontam para um estudo voltado à
constante, e, necessária, reformulação dos seus pressupostos, levando em consideração o
contexto em que acontece. Os fatores externos também podem ajudar na apreensão e
interpretação da problemática estudada. A intenção deste tipo de estudo é retratar a
complexidade de uma situação particular, que, no caso deste tudo, os motivos que levam a
evasão na Educação de Jovens e adultos em uma Escola Pública no município de Rio
Grande/RS.
Sendo assim, por se tratar de uma situação de investigação escolar, o pesquisador,
segundo os autores aqui utilizados, deve observar momentos de aula, de reuniões, de
merendas, de entrada e saída dos alunos, assim como coletar dados em todos os momentos os
quais estiver na escola, além de entrevistar-conversar com alunos, professores, equipe
diretiva, funcionários.

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Nesse sentido, este trabalho visa compreender os motivos pelos quais os alunos da
Educação de Jovens e Adultos acabam evadindo da sala de aula, mesmo tendo voltado a
escola depois de anos sem estarem estudando. Desta forma, se faz valer o entendimento sobre
o direito à educação, a história da EJA e as consequências da evasão destes alunos.

2 Direito a Educação

O direito à educação é um direito social, uma conquista, sendo um dos direitos


fundamentais do homem e está previsto na Constituição. Como estabelece o artigo 205 da
Constituição Federal de 1988, as três maiores finalidades da educação são: pleno
desenvolvimento das pessoas, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para
trabalho. Essa cidadania assegura ao indivíduo que deixe de ser instrumento de manipulação
da classe economicamente dominante e passe a exercer seu direito de expressar sua opinião,
escolher com mais propriedade seus governantes, bem como saber buscar seus direitos.
Segundo Andreopoulos, 2007, p. 119):

O pleno exercício da cidadania é um processo através do qual as pessoas e/ou as


comunidades aumentam seu controle ou seu domínio sobre suas próprias vidas e
sobre as decisões que afetam sua vida.

Desta forma, objetivando uma melhor compreensão do que venha ser o direito
educacional, é necessário compreender este remetido à cidadania, mais especificamente no
Brasil. Nesse sentido, ser cidadão é ter consciência de que se é sujeito de direitos. Direitos
assegurados, à vida, à igualdade, enfim, direitos civis, sociais e políticos (ABRÃO, 2013).
No Brasil, a história da cidadania torna-se inseparável da história das lutas pelos
direitos fundamentais dos cidadãos que foram marcadas por massacres, exclusão, violência,
que caracterizam o Brasil desde a colonização. Sabemos que há um longo caminho a ser
percorrido, em questões como concentração e distribuição de renda, posse ou uso de terra,
desigualdade e exclusão, desemprego, miséria, analfabetismo entre outros (ABRÃO, 2013).
Ulysses Guimarães em seu discurso na Constituinte em 27 de julho de 1988, afirma que:

Essa será a Constituição cidadã, porque recuperará como cidadãos milhões de


brasileiros, vítimas da pior das discriminações: a miséria. Cidadão é o usuário de
bens e serviços do desenvolvimento. Isso hoje não acontece com milhões de
brasileiros, segregados nos guetos da perseguição social.

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As constituições federais e a Lei de Diretrizes e Bases, nos ajudam a entender como o


termo cidadania se insere nos documentos oficiais ligados a educação. D. Pedro I, em 1824,
outorgou a primeira Constituição Federal de nosso país, intitulada Constituição Política do
Império do Brasil, sendo esta composta por 179 artigos e seu último item relatava:

Art.179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Políticos dos Cidadãos Brazileiros,


tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela
Constituição do Império, pela maneira seguinte:[...]
XXXII – A Instrução primária é gratuita a todos os cidadãos.
XXXIII – Collegios e Universidades, aonde serão ensinados os elementos das
Sciencias, Bellas letras e Artes (FÁVERO, 2001,p.303).

Apesar de um direito garantido por lei, durante esse período aproximadamente 85% da
população era analfabeta, e 90% vivia em zonas rurais sem ter acesso aos ”Collegios e
Universidades” (BONAMIGO, 2000). Cabe ressaltar que na história do Brasil, os interesses
políticos sempre estiveram à frente dos interesses dos cidadãos. Depois da revolução de 30, a
palavra cidadania passa a ser entendida como:

Cidadania regulada [...] é compreendida a partir de um conceito de cidadania cujas


raízes encontram-se, não em um código de valores políticos, mas sem um sistema de
estratificação ocupacional, em que tal sistema é definido por norma legal [...]são
cidadãos todos aqueles membros da comunidade que se encontram localizados em
qualquer uma das ocupações reconhecidas e definidas em lei (SANTOS apud
BONAMIGO,2000, p.68).

A carteira de registro profissional passa a ser uma espécie de atestado de cidadania,


pois nesse período a cidadania está diretamente ligada a ocupação. O caráter humano e social
passa a ser valorizado a partir da constituição de 1988, porém este é alvo de inúmeras críticas,
pois o Estado brasileiro se mostra como um infrator de regras, pois serve aos interesses da
classe dominante contra as necessidades da população (ABRÃO, 2013).
O que se vê hoje é que a cidadania do povo brasileiro ainda enfrenta muitos desafios, e
há, diariamente, lutas pelo direito à educação de qualidade, porém torna-se de extrema
importância para a sociedade que o país coloque a educação como uma das prioridades, e que
somente dessa forma será possível atingir um ensino de qualidade.

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3 Evasão Escolar – Reflexo da História da EJA

A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino, assegurada por lei, para
as pessoas que não tiveram acesso ao ensino regular na idade apropriada. Esta oportuniza a
estes sujeitos o direito a iniciarem ou darem continuidade aos estudos, porém vale lembrar
que essa modalidade de ensino é uma conquista de décadas, passando por políticas
centralizadoras e principalmente autoritárias, e que tem, até hoje, um papel importante na
história da educação brasileira. Alguns momentos são importantes para descrever a história da
EJA e o quanto essa história é percebida quando se fala em evasão escolar.
Somente em 1934 a constituição estabelece a criação de um plano nacional de
educação que indica que a educação de adultos passa a ser dever do estado. Somente na
década de 40 ocorreram iniciativas políticas e pedagógicas que fizeram com que a educação
de adultos tomasse espaço firmando-se como uma questão nacional, mas também, nessa
década com a instalação do Estado Nacional Desenvolvimentista, ocorreu uma mudança no
projeto político pedagógico no Brasil, na qual passava de agrícola e rural para um modelo
urbano e industrial, dessa forma havia a necessidade de mão-de-obra qualificada e
alfabetizada (VIEIRA, 2006).
Em 1958, com a criação do segundo congresso Nacional de Educação de adultos, que
tinha como objetivo avaliar as ações realizadas e propor soluções, apontou-se críticas a
precariedade dos prédios, ao material didático inadequado e a falta de qualificação dos
professores.
O ensino supletivo foi implantado em 1971, sendo criados centro de Estudos
Supletivos em todo país, e tinha como objetivo a escolarização de um grande número de
pessoas, com a intenção de atender as necessidades do mercado de trabalho, porém com um
baixo custo operacional tendo como proposta ser o modelo de educação para o futuro
(VIEIRA, 2006).
Com a nova Constituição de 1988, o Ensino Fundamental, passou a ser obrigatório e
gratuito, sendo garantido constitucionalmente, também, para aqueles que não tiveram acesso
na idade apropriada, porém a partir de 1990, a EJA passou a perder espaço em ações
governamentais e Fundações como EDUCAR, que acabou sendo extinta, com a justificativa
de enxugamento da máquina administrativa, a União afastou-se das atividades da EJA e
transferiu a responsabilidade para Estados e Municípios (VIEIRA, 2006).

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Em 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação, a alfabetização de jovens e


adultos como sendo prioridade do novo Governo Federal, sendo criada a Secretaria
Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, que tinha como meta durante os quatro anos
do governo do Lula (2003-2006) acabar com o analfabetismo (VIEIRA, 2006).
Traçando um paralelo entre a história da EJA e a atualidade, há muitos pontos em
comum, apesar do avanço com relação as políticas públicas, surgimento de ações e incentivos,
a EJA sempre esteve a cargo de um discurso bem diferente da prática. Alguns desses, apesar
dos anos desde o surgimento desta permanecem e precisam ser discutidos, pois a evasão
escolar é uma situação problema presente na realidade dessa modalidade de ensino.
Os alunos na EJA não se excluem, eles foram excluídos de um sistema de ensino
historicamente excludente e que muitas vezes esses sujeitos acabam retornando à escola,
devido ao mercado de trabalho que exige essa escolaridade, e que, por não preencher
requisitos básicos, acabam mais uma vez sendo ignorados.

Todavia, o direito à educação não se reduz à alfabetização. A experiência acumulada


pela história da EJA nos permite reafirmar que intervenções breves e pontuais não
garantem um domínio suficiente da leitura e da escrita. Além da necessária
continuidade no ensino básico, é preciso articular as políticas de EJA a outras
políticas. Afinal, o mito de que a alfabetização por si só promove o desenvolvimento
social e pessoal há muito foi desfeito. Isolado, o processo de alfabetização não gera
emprego, renda e saúde (Vieira, 2006, p. 85-86).

Apesar de tudo o que já vem sendo feito com relação a essa modalidade de ensino, não
podemos nos acomodar e sim buscar novos procedimentos com a intenção de acabar com o
analfabetismo. Hoje temos imponentes programas que visam a melhoria da qualidade de ensino de
nosso país, como, por exemplo, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa e o Pacto
Nacional pelo fortalecimento do Ensino Médio na qual o primeiro objetiva a alfabetização, ambos,
firmados pelo governo federal em parceria com os estados e municípios.

4 Causas e Consequências da Evasão Escolar

De acordo com Gadotti (2000), são várias as causas da evasão na EJA, como causas
sociais, políticas, culturais e pedagógicas. Como práticas pedagógicas ele destaca a falta de
uma proposta pedagógica no quais as disciplinas sejam integradas, tendo em vista que no
mundo elas não estão separadas e se tratando de adultos, já trazem consigo uma bagagem de

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saberes que produziram durante sua vida na prática social e acima de tudo necessita
"encontrar" nos conteúdos essa realidade.
Grande parte dos alunos que retornam a EJA, voltam com uma defasagem com relação a idade
e série, o que lhe garantem diversos conflitos e, consequentemente, os levam a evasão. A metodologia
de ensino é fator determinante nesse processo de ensino/aprendizagem e esse é um dos pontos de
extrema relevância quando se trata de evasão.
A Educação de Jovens e Adultos se destina há uma clientela, que por algum motivo não
frequentou ou deixou de frequentar o ensino regular na idade apropriada, esse deve ser um desafio a
ser superado, o de adequação metodológica que de acordo com Freire (2002, p. 58) deve se estabelecer
entre professor e aluno, através de uma relação de diálogo, apropriando-se de métodos no qual o
educando e o educador sejam instrumento do trabalho, surgindo a necessidade de se repensar o uso de
cartilhas que, em muitos casos, são as mesmas práticas utilizadas no ensino regular. Nesse sentindo, os
professores devem refletir sobre o uso desses materiais na EJA, levando em consideração se há uma
proposta pedagógica que leve em conta aspectos do processo de ensino/aprendizagem.
Entretanto não apenas a oferta de estudo irá garantir ao aluno o sucesso em sala de aula, mas
sim uma boa prática, que dialogue com a realidade do mesmo e proporcione a esse sujeito o direito a
competitividade e que lhe oferte recursos para manter-se em um mercado de trabalho, sem
desigualdade. No entanto, deve-se manter o cuidado de não cair na mesma ideia tradicional e
preconceituosa, que de acordo com Arroyo (2006, p.23):

Os jovens e adultos continuam vistos na ótica das carências escolares: não tiveram
acesso, na infância e na adolescência, ao ensino fundamental, ou dele foram
excluídos ou dele se evadiram; logo propiciemos uma segunda oportunidade.

Três pontos são de extrema importância no que diz respeito a evasão escolar na educação de
jovens e adultos e será base para "discussão" desse próximo tópico: O papel do professor, as
metodologias e o mercado de trabalho. Porém, vale lembrar que há diversos fatores que contribuem
para os processos de evasão e que estes não se limitam apenas a questões internas relacionadas a
escola, pois estas transpõem os muros destas e estão presentes no cotidiano destes alunos. Fato este
que revela a importância de haver um diálogo entre escola e sociedade na busca de soluções para
combater a evasão escolar.

4.1 O papel do professor

O educador necessita ter qualificação, mas uma que seja específica para essa modalidade de
ensino, sendo necessário que o profissional se aproprie da necessidade de mudanças nas práticas

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educativas se desprendendo das metodologias da educação regular na EJA, que limita o aluno, não lhe
favorecendo a autonomia.
Será necessário que esse profissional se atualize e reflita constantemente sobre sua prática,
tendo habilidade para ensinar alunos em uma mesma turma com idades, realidades e objetivos
diferentes. Nesse processo há uma troca, e nessa o educador deve ser parceiro do educando, não o
inferiorizando, discriminando-o, através de uma pedagogia autoritária e tradicional.
A postura e o interesse do professor são um dos fatores determinantes para a permanência do
aluno em sala de aula, pois reflete no resultado do aluno. Cabe a este ter um olhar crítico frente a
situações do cotidiano, não trabalhando com conteúdos individualizados, fragmentados, sem nenhum
significado, mas buscando estratégias que mantenham o interesse deste que chega cansado depois de
uma rotina, muitas vezes, exaustiva de trabalho.
É papel do professor estimular o aluno para lhe despertar o interesse, fazendo com que
participe de todas atividades propostas e que se sinta pertencente, sendo esse professor o mediador
entre aluno e conhecimento. Luckeski (1994, p. 115) afirma:

Na práxis pedagógica, o educador é aquele que, tendo adquirido o nível de cultura


necessário para o desempenho de sua atividade, direciona o ensino e a
aprendizagem. Ele assume o papel de mediador entre a cultura elaborada, acumulada
e em processo de acumulação pela humanidade, e o educando. O professor fará a
mediação entre o coletivo da sociedade e o individual do aluno.

Dessa forma, o profissional deve não apenas só cumprir seu papel de educador, mas
buscar e criar possibilidades de ensino, através de métodos que representem a realidade do
aluno, priorizando a bagagem prévia de conhecimento e acima de tudo encorajando-o a
transpor para o conhecimento letrado. O perfil deste professor deve ser o de saber valorizar e
motivar o educando para que as aulas sejam significativas e não se tornem monótonas, pois,
muitas vezes, ou até mesmo na grande maioria, esses alunos chegam em sala de aula,
cansados e desmotivados. Caso não haja interação recíproca, possivelmente, ocorrerá a
evasão, não somente por culpa do professor, mas tal fato se torna um fator determinante.
Na EJA, as relações entre professor e aluno são pontos de suma importância e relevância para
permanência deste em sala de aula. As histórias de vida desses alunos, as experiências de trabalho, sua
rotina diária, suas expectativas, seus problemas, entre outros. Essas relações tornam-se aliadas do
professor para que ele motive o aluno a ser perseverante e consiga superar as dificuldades que os
levam a evadirem. O professor deve estar aberto a esse tipo de diálogo e contato direto com o aluno,
demonstrando a esse que o professor também enfrenta problemas, dificuldades que foram ou são
alunos como eles, motivam esses sujeitos, mantendo-os, muitas vezes, assíduos e contribuindo para
que não ocorra a evasão.

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4.2 Metodologias de Ensino

O pensamento e o tratamento infantilizado acaba sendo um dos motivos que levam os alunos
da EJA a evadirem. Partindo desse ponto, o material didático a ser utilizado deve ter um sentido, uma
proposta pedagógica, uma intencionalidade, e não apenas um material que não leva em conta os
conhecimentos prévios e que não atinja as expectativas de aprendizagem do aluno.
Vale lembrar que a linguagem utilizada deve ser adequada e estar contextualizada e que apesar
de encontrarmos uma grande quantidade de bons materiais didáticos, ainda vemos materiais
direcionados a infância, com desenhos infantilizados, palavras no diminutivo, ilustrações fora da
realidade diária desse aluno, entre outros, gerando em alguns casos constrangimento, desmotivação,
desvalorização e, consequentemente, a evasão.
Os métodos de ensino, bem como as diferentes formas de avaliação, são um grande desafio
quando se trata de aluno da EJA, pois se tem a ideia de que a aprendizagem só se concretizará através
de aulas expositivas, com o tradicional uso do "quadro e do giz", através de uma educação no qual o
professor transmite as informações e o aluno memoriza, a chamada educação bancária (FREIRE,
1996).
O trabalho realizado através de temáticas que estejam ligadas ao cotidiano aproxima o aluno a
aula e, consequentemente, gera êxito no processo de aprendizagem. Porém esses temas geradores 3
necessitam ser não somente aprendidos, mas, também, refletidos e interpretados, contribuindo para
que ocorra a tomada de consciência do educando sobre eles.
O educador necessita conhecer o aluno enquanto indivíduo que está inserido em um
contexto social. Através deste que emerge o conteúdo a ser desenvolvido e trabalhado. Há
necessidade de se trabalhar metodologias que sejam adequadas tendo como ponto de partida a
vivência desses educandos, valorizando seus conhecimentos, experiências e saberes
adquiridos em seu cotidiano. Destaca-se o uso dos materiais disponibilizados pelo Governo,
fato que nos últimos anos há uma oferta desses ao público da EJA, porém ainda há uma forte
crítica ao padrão escolarizado de educação encontrado nos mesmos e reforçam a necessidade
de produções próprias, pois esta acaba sendo uma estratégia de grande valia no processo de
construção de conhecimento do aluno (CARRAHER, CARRAHER & SCHIILIEMANN,
1998).

3
Segundo Freire “esses temas" se chamam geradores porque, qualquer que seja a natureza de sua compreensão
como a ação por eles provocada, contêm em si a possibilidade de desdobrar-se em outros tantos temas que, por
sua vez, provocam novas tarefas que devem ser cumpridas” (FREIRE, 1982, p. 110).

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No relato da obra supracitada, os autores afirmam que diversos professores não utilizam os
materiais didáticos ofertado pelo governo, pois os termos utilizados não são adequados aos alunos,
bem como ilustrações que infantilizam esses sujeitos, além de apresentarem temas soltos. Desta forma,
a professora se vale de alguns capítulos dos livros didáticos, ligados a outros materiais que ela busca, e
afirma que, por diversas vezes, se sente obrigada a usar o livro, pois sabe que se trata de um
investimento do dinheiro público.
O professor, nessa modalidade de ensino, tem o papel de ser o mediador, através de uma
metodologia que colabore no processo de ensino-aprendizagem do aluno, sabendo lidar com as
especificidades que a EJA apresenta, pois os alunos buscam e esperam muito mais que apenas
aprender a ler e escrever. Dessa forma, a necessidade da formação continuada para que esse educador
possa colaborar com o intuito que o processo de ensino-aprendizagem aconteça mais facilmente, pois
possibilita que o professor esteja repensando suas práticas, elaborando novos projetos para trabalhar
com seus alunos em sala de aula. Segundo Schenetzler e Rosa (2003), três razões são apontadas para
justificar a formação continuada dos professores:

A necessidade de contínuo aprimoramento profissional e de reflexões críticas sobre


a própria prática pedagógica, pois a efetiva melhoria do processo ensino-
aprendizagem só acontece pela ação do professor; a necessidade de se superar o
distanciamento entre contribuições da pesquisa educacional e a sua utilização para a
melhoria da sala de aula, implicando que o professor seja também pesquisador de
sua própria prática; em geral, os professores têm uma visão simplista da atividade
docente, ao conceberem que para ensinar basta conhecer o conteúdo e utilizar
algumas técnicas pedagógicas. (SCHNETZLER e ROSA, 2003, p.27)

Essa formação continuada, não deve limitar-se apenas há um curso para que o
professor possa se atualizar, mas sim, como um processo de formação, construído na rotina e
no cotidiano escolar.

4.3 Mercado de trabalho

No final do século XX, com o acelerado desenvolvimento do capitalismo a nível mundial, o


foco do ensino da jovens e adultos era acrescido de uma reciclagem de pessoas para o mercado de
trabalho, sendo que esses trabalhadores recebiam o que lhes eram estabelecido por uma estrutura
definida pelo capitalismo, ou seja, lhes era destinada uma educação precária e de péssima qualidade,
uma educação fragmentada, superficial, de baixa qualidade, formando mão de obra barata e disponível
a qualquer tempo.
Os alunos da EJA voltam a sala de aula, com a intenção de obter certificação para se inserir no
mercado de trabalho e se dar bem profissionalmente, porém o que se vê no ensino da EJA é apenas

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proporcionar o acesso a certificação de escolaridade e não a qualificação para o trabalho. Tal fato
acaba sendo um agravante que contribui para que o aluno acabe se afastando da escola.

A história do capitalismo é, antes de mais nada, a história do esforço da classe


capitalista em controlar e disciplinar a classe trabalhadora, para que aceite
desempenhar um trabalho, o mais diligente possível e que esses trabalhadores
conformem-se com o fato de que os produtos desse trabalho sejam apropriados pelos
capitalistas e apenas a eles gere riquezas (WOLFF, 2004, p.2).

O público da EJA está inserido ou, muitas vezes, tentando, se inserir no mundo do trabalho, ou
seja, tentando garantir um emprego que lhe assegure acima de tudo em muitos casos a própria
sobrevivência. A grande maioria dos alunos da EJA, retornam à sala de aula com o objetivo de obter
formação escolar que lhe assegure uma maior qualificação no que diz respeito a empregabilidade e
consequentemente salário, com isso a necessidade de que a grade curricular para a EJA esteja
adequada a esse propósito.
No entanto, o aluno que retorna à sala de aula esta procura apenas ler e escrever, mas muitas
vezes sente-se aguçado pela necessidade de atualizar-se do contexto social do qual vive e faz parte. E
este acaba sendo um grande desafio para EJA, preparar esses alunos para um mercado de trabalho e
para um mundo em transformação.
Há um aumento significativo na procura pela EJA, muitas vezes motivadas pela procura e
inserção cada vez mais precoce do sujeito no mercado de trabalho e o aumento das exigências de
instrução.

5 Análise de Dados

Utilizamos como instrumento de pesquisa, a pesquisa de campo em uma escola da rede


Estadual, localizada no Município do Rio Grande, buscando identificar as metodologias utilizadas, a
relação que se estabelece entre aluno X escola X trabalho e a interferência, bem como o papel do
educador em sala de aula, especificamente, na modalidade da Educação de Jovens e Adultos, através
de conversas como corpo docente, alunos, coordenação, supervisão, acesso a materiais como o
objetivo de identificar aspectos relevantes e decisivos no processo de evasão escolar.
Segundo as entrevistas realizadas com a supervisora e professora da área de EJA, referente a
aspectos sobre a evasão escolar, as mesmas apontam diversas fatores que julgam relevantes nesse
aspecto, entre eles: a falta de preparação e incentivo aos professores, já que os cursos de Pedagogia e
Magistério, não preparam os futuros educadores para uma realidade de sala de aula, consideram ser
muita teoria e pouca prática, o que acaba sendo um importante aliado a evasão, pois esse educador não
consegue aliar essa teoria a sua práxis.

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Há um aumento significativo na procura pela EJA, muitas vezes motivadas pela procura e
inserção cada vez mais precoce do sujeito no mercado de trabalho e o aumento das exigências de
instrução.
Para o aluno da etapa II (1ª/2ª ano) o principal motivo de estar em sala de aula, é a
oportunidade de melhorar no emprego, o que lhe trará mais retorno financeiro, bem como satisfação e
realização pessoal. Mesmo com uma carga horária de trabalho exaustiva, há motivação para frequentar
a sala de aula, todos dias, pois acredita que somente através da educação seu objetivo será
conquistado.
A coordenadora aponta a importância do perfil do professor, de saber valorizar e motivar o
educando para que as aulas sejam significativas e não se tornem monótonas, pois, muitas vezes, ou até
mesmo na grande maioria, esses alunos chegam em sala de aula, cansados e desmotivados. Caso não
haja interação recíproca, possivelmente, ocorrerá a evasão, não somente por culpa do professor, mas
tal fato se torna um fator determinante.
Na EJA, as relações entre professor e aluno são pontos de suma importância e relevância para
permanência deste em sala de aula. As histórias de vida desses alunos, as experiências de trabalho, sua
rotina diária, suas expectativas, seus problemas, entre outros. Essas relações tornam-se aliadas do
professor para que ele motive o aluno a ser perseverante e consiga superar as dificuldades que os
levam a evadirem. O professor deve estar aberto a esse tipo de diálogo e contato direto com o aluno,
demonstrando a esse que o professor também enfrenta problemas, dificuldades que foram ou são
alunos como eles, motivam esses sujeitos, mantendo-os, muitas vezes, assíduos e contribuindo para
que não ocorra a evasão.
Com relação às metodologias, tanto professora quanto coordenadora, apontam a necessidade
de se trabalhar metodologias que sejam adequadas, tendo como ponto de partida a vivência desses
educandos, valorizando seus conhecimentos, experiências e saberes adquiridos em seu cotidiano.
Destacam o uso dos materiais disponibilizados pelo Governo, enfatizam que nos últimos anos
há uma oferta desses ao público da EJA, porém lançam uma crítica ao padrão escolarizado de
educação encontrado nos mesmos e reforçam a necessidade de produções próprias, pois esta acaba
sendo uma estratégia de grande valia no processo de construção de conhecimento do aluno.
A professora afirma que, muitas vezes, não utiliza o material didático ofertado pelo governo,
pois os termos utilizados não são adequados aos alunos, bem como ilustrações que infantilizam esses
sujeitos, além de apresentarem temas soltos. Desta forma, a professora se vale de alguns capítulos dos
livros didáticos, ligados a outros materiais que ela busca e afirma que, por diversas vezes, se sente
obrigada a usar o livro, pois sabe que se trata de um investimento do dinheiro público.
O professor, nessa modalidade de ensino, tem o papel de ser o mediador, através de uma
metodologia que colabore no processo de ensino-aprendizagem do aluno, sabendo lidar com as

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especificidades que a EJA apresenta, pois os alunos buscam e esperam muito mais que apenas
aprender a ler e escrever.
A professora aponta a necessidade da formação continuada para que esse educador possa
colaborar com o intuito que o processo de ensino-aprendizagem aconteça mais facilmente, pois
possibilita que o professor esteja repensando suas práticas, elaborando novos projetos para trabalhar
com seus alunos em sala de aula. Segundo Schenetzler e Rosa (1996,2003), três razões são apontadas
para justificar a formação continuada dos professores:

A necessidade de contínuo aprimoramento profissional e de reflexões críticas sobre


a própria prática pedagógica, pois a efetiva melhoria do processo ensino-
aprendizagem só acontece pela ação do professor; a necessidade de se superar o
distanciamento entre contribuições da pesquisa educacional e a sua utilização para a
melhoria da sala de aula, implicando que o professor seja também pesquisador de
sua própria prática; em geral, os professores têm uma visão simplista da atividade
docente, ao conceberem que para ensinar basta conhecer o conteúdo e utilizar
algumas técnicas pedagógicas. (SCHNETZLER e ROSA, 2003, p.27)

Essa formação continuada, não deve limitar-se apenas há um curso para que o
professor possa se atualizar, mas sim, como um processo de formação, construído na rotina e
no cotidiano escolar.

6 Considerações

A relação de sucesso e fracasso escolar são pontos que não devem ser considerados como
situações individuais, pois são vários os fatores que contribuem para essa situação e essas estão
diretamente ligadas. A EJA necessita de um plano pedagógico que seja voltado diretamente e somente
a esse público, valorizando suas experiências, levando em consideração toda bagagem de
conhecimento adquirido por esse aluno ao longo de sua vida, bem como o seu entorno. Entende-se,
desta forma, a necessidade de elaboração de propostas de EJA que sejam comprometidas com esse
aluno que possui suas especificidades, necessidades e desejos, se desprendendo da visão
compensatória e de atitudes que infantilizam esses Jovens e Adultos que estão buscando, novamente,
uma chance, oportunidade, ou até mesmo uma valorização enquanto cidadão de direitos, além de um
resgate da autoestima.
As metodologias aplicadas em sala de aula, necessitam ser atrativas, úteis e ligadas ao
cotidiano desses alunos que estão retornando à sala de aula, sendo assim de grande valia para os
mesmos. Repensar as práticas tradicionais e engessadas que supõem a mera memorização dos
conteúdos, através da repetição nos afirma a necessidade de uma autoanálise das práticas docentes,
com o objetivo de que o professor seja mediador do processo de ensino e aprendizagem adequando

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suas metodologias a realidade da sala de aula a qual está inserido, conseguindo, assim, lidar com todos
aspectos que motivam a evasão escolar que estão ligados diretamente ou indiretamente a escola.
É de suma relevância destacar a parceria realizada entre a Secretária Municipal de Educação
(Smed), 18ª Coordenadoria Regional da Educação (CRE), e a Universidade Federal do Rio Grande
(FURG) que ofertam formação continuada aos professores que atuam na Educação de Jovens e
Adultos, nas redes Municipais e Estaduais, tendo como objetivo o incentivo ao uso das novas
tecnologias no processo de ensino/aprendizagem, tendo como foco o aperfeiçoamento de professor
para essa modalidade de ensino, levando em consideração a necessidade de inclusão digital, bem como
a ampliação das possibilidades de aprendizagens nos mais variados espaços como exemplo a
Cibercultura.
O mundo do trabalho está cada vez mais competitivo e exigente a essa escolarização que a
escola oferta, que não lhes proporciona um conhecimento profissional e qualificado, mas sim um
atestado de escolarização. Desta forma, torna-se difícil definir ou apontar possíveis culpados pela
evasão escolar na EJA. Nos cabe reconhecer as limitações pertinentes a esse processo de evasão e
definir com segurança a intencionalidade do processo educativo a qual fazemos parte. Referente aos
aspectos sobre a evasão escolar, fatores que como a falta de preparação e incentivo aos professores, já
que os cursos de Pedagogia e Magistério, não preparam os futuros educadores para uma realidade de
sala de aula merece destaque, haja vista que muitas vezes se tem muita teoria e pouca prática nas
disciplinas em torno da EJA, o que acaba sendo um importante aliado a evasão, pois esse educador
não consegue aliar essa teoria a práxis.

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