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11 O COMPROMISSO COM A CRÍTICA


O autor apresenta, neste momento, a filosofia como “conjunto sistematizado”
de um processo do filosofar. A crítica que surge é o resultado de um longo
processo de reflexão. Mas essa crítica não é o fim desse processo de reflexão,
mas sim um processo de compreensão da realidade.
O ensino de filosofia está justamente nos problemas ela propõe, e com isso o
ponto de chegada do ensino de filosofia está na formação de mentes ricas,
para a crítica da realidade complexa da sociedade.
O que não se pode no processo de ensino aprendizagem é prender-se em um
pragmatismo do achar que seja apenas para a prática da reflexão e não deixar
levar apenas pelas concepções científicas. A dificuldade no processo do ensino
de filosofia se dá nas circunstâncias sociais. Nos anos em que a disciplina foi
forçada a se ausentar das escolas
A reflexão filosófica deve ser construída a través da consciência, da liberdade e
responsabilidade do ser humano e não se pode deixar que a força do Poder
possa impelir o pleno desenvolvimento, pois a filosofia pode pensar a
sociedade quando ela está presa pelo sistema político vigente.
É necessário que para se enfrentar os problemas da sociedade possamos
fazer a leitura do mundo, pensar as mentalidades dominantes, tendo a escola
como espaço reflexivo-crítico-criativo e que esse espaço aja liberdade e
autonomia dos sujeitos que assumem a própria história.
Sendo assim pressupõe-se que os sujeitos devam ser sujeitos críticos, a
conceituação de críticos que se dá aqui é a de individuo que possui a
capacidade de analisar e discutir problemas de forma inteligente e racional sem
aceitar automaticamente as opiniões próprias ou alheias, sendo assim o papel
da educação é de formar esses indivíduos, pois o ser humano humaniza-se
quando se interroga, quando usa da curiosidade para a formação intelectual,
pois a curiosidade pode nos deixar predispostos a reformulações das
concepções que temos das coisas, pois o pensamento e a reflexão são
atividades exclusivamente humanas e graças a essa ação as sociedades se
formaram, já que essa atividade, o pensar, que é “ensinado” nas instituições é
o pensamento de acordo com o próprio esquema reprodutor.
A escola é um campo ideológico importante para os grupos que dominam ou
tentam dominar a sociedade, pois é na escola que são reproduzidas as
ideologias dominantes. A escola encontra-se no centro de um conflito de
interesses, tanto pelo Estado que oprime e faz da escola apenas espaço da
reprodução do sistema deve-se então utilizar-se da transgressão das idéias
impostas pelo Estado para que a escola possa ser realmente um ambiente não
para a reprodução, mas sim para a produção. Essa escola que está centrada
no modelo de produção que faz da escola um instrumento de manutenção do
sistema, faz com que as potencialidades do ser humano não sejam
desenvolvidas, pois o ser humano é um ser social e é elemento essencial no
desenvolvimento de si. “O ser humano é um ser de contrastes. É sempre mais
do que é, e é sempre menos do que deve ser”.