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INTRODUÇÃO ÀS OBRIGAÇÕES

O Código Civil não define as obrigações, deixando esta tarefa à doutrina.

Para Caio Mário da Silva Pereira, a obrigação é o vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa pode
exigir de outra prestação economicamente apreciável.

Carlos Roberto Gonçalves adota conceito semelhante, para quem a obrigação é o vínculo jurídico que
confere ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de
determinada prestação.

Vejamos, então, os caracteres principais da obrigação: a) caráter transeunte (não pode haver
obrigação perpétua, o que implicaria uma verdadeira servidão humana); b) vínculo jurídico entre as
partes; c) caráter patrimonial (somente o patrimônio do devedor pode ser atingido, afastando-se sua
responsabilidade pessoal); d) prestação positiva ou negativa (pode ser uma conduta de dar, fazer ou
não fazer).

Em toda obrigação há um aspecto dúplice, percebendo-se, a um só tempo, dois diferentes fatores: o


débito e a responsabilidade. Assim, a obrigação gera para o devedor o dever de prestar, sob pena de
responsabilização patrimonial, através da participação do Poder Judiciário.

É fácil notar que em cada relação obrigacional há uma série de direitos e deveres recíprocos entre as
partes, tornando a obrigação muito mais dinâmica e funcional e afastando-se da estática ideia de
direitos para o credor e responsabilidades para o devedor, isoladamente. Vivenciamos a passagem da
obrigação para um verdadeiro processo obrigacional.

Karl Larenz já advertia há praticamente 50 anos que toda relação obrigacional persegue, quando
possível, a mais completa e adequada satisfação do credor em consequência de certo interesse na
prestação, o que permite visualizar-se a obrigação como um processo voltado para um fim.

Nesse caminho, Clóvis do Couto e Silva vislumbrou na obrigação um verdadeiro processo, composto,
em sentido largo, do conjunto de atividades necessárias à satisfação do interesse do credor,
superando, pois, o caráter estático fundado na polaridade credor e devedor.

Esse aspecto dinâmico das obrigações decorre em muito da boa-fé objetiva, que estabelece deveres
anexos de conduta às partes indistintivamente, conferindo cores mais nítidas a esse pluralismo
conceitual.

Dito isso, precisamos definir alguns conceitos.


Primeiro, precisamos separar o débito (Schuld) e a responsabilidade (Haftung). O primeiro diz respeito
ao cumprimento espontâneo da prestação pelo devedor. O segundo, por sua vez, consiste na sujeição
que recai sobre o patrimônio do devedor como garantia do direito do credor, em razão do
inadimplemento do débito originário.