Você está na página 1de 5

Dia 14 de abril fui convidada para participar da aula de ginástica com os profissionais

colegas de trabalho e foi muito bacana. Adorei ser chamada e adorei estar lá porque
me sinto muito feliz naquele ambiente onde eu fui criada desde pequena, saia do Balé
do oitavo andar da Tatiana Leskova e ia direto para a aula de Ioga do Orlando Cani, já
aprendendo a respirar. Sabendo que iria estar com os meus amigos, com os meus
colegas trabalho, eu estava muito feliz até porque eu estava me sentindo um pouco
triste, um pouco angustiada, um pouco ansiosa por essas aulas porque eu adoro.
A coisa que eu mais gosto é de saber que eu vou ter aula de hidroginástica com
professor meu mestre Orlando cani e eu sempre amei estar com ele, sendo ensinada
por ele, aprender novas coisas cada dia a gente aprende e cada aula de hidroginástica
é diferente. Minha percepção é essa e na verdade é mesmo. Aulas de hidroginástica,
a gente prioriza muito respiração, alongamento, flexibilidade e usa muitos movimentos
dos animais. Trabalhamos o kimpô, tai-chi-chuan e yoga, alguns artes marciais vindas
do “&&&&&” e isso tudo trabalha muito, mexe muito com as nossas emoções. A gente
solta bastante o ar, trabalhando toda essa coordenação motora, nas articulações dos
ombros os glúteos, soltando corpo e deixando fluir. Eu penso que meu corpo é o vento
que ele vai circulando onde há espaço, onde houver espaço ele vai e há o fluir
realmente, porque para mim a hidroginástica ela é um balé mental. E aquele dia foi
muito bacana porque cada dia uma experiência diferente, cada aula uma experiência
diferente. E aquela experiência do dia 14 foi muito bacana, porque o Professor
Orlando a muito tempo não faz um circulo pedindo para que os professores possam se
expressar e isso mexe muito com o julgamento de cada um. Eu estava me sentindo
muito bem porque não estava com julgamento nenhum, não estava com medo de me
julgarem, de ter espectadores, que isso alguns discípulos no início desse trabalho todo
eles passam por isso, muita gente passa por isso, a vergonha né de tá sendo julgado,
você tá fazendo direito ou não e isso ele trabalhava 1995, 94, 1992.
Eu comecei em 1992 o trabalho com ele e ele fazia muito isso, essa roda e era um por
um, muito enriquecedor mesmo. Todo início das práticas de hidroginástica existe a
distração, a dispersão, alguns não, alguns ficam sentados meditando, ouvindo o
barulho nessa parte toda externa, né, a agitação da academia, pessoas falando e
naquele dia eu estava falando muito, muito, muito, muito, precisando encontrar
realmente meu silêncio e eu só fui começando a me equalizar, a colocar minha mente
nesse contínuo mental calmo através do fole, da respiração, inspirar e respirar pelo
nariz várias vezes, trabalhando o diafragma e quando existe esse estreitamento, essa
angústia no peito a primeira coisa que eu faço é isso, é o Fole e antes de começar a
aula eu estava me sentindo assim e comecei a praticar o Fole e fui ficando mais
calma, porque a soltura do ar, a estimulação do parassimpático, isso tudo conta muito
e assim foi. Eu comecei a fazer comecei a praticar esse meu “pra%%$$” e
começamos a aula. Primeiro fui eu, eu comecei a aula e foi sem nenhum bloqueio, do
contrário, eu estava já fluindo com o corpo antes mesmo de começar a aula com os
meus amigos, meus colegas de trabalho, eu comecei a me expressar, a soltar o ar
para começar a concentração e isso é muito importante, por que a medida que você
vai soltando e vai se mexendo, vai se movendo, se locomovendo, você deixa como um
vento mesmo, criando espaço achando os espaços, até o espaço que não tem o corpo
vai, ele vai procurando. Comecei a me sentir relaxada, praticando os movimentos e foi
fluindo mesmo.
Mesmo me locomovendo, mesmo sendo um momento de descanso de toda essa ação
porque o descanso ele não tá no parado, ele tá também na ação do corpo. Então
comecei a me sentir descansada porque o ar saia mais, saia longo e esse inspirar da
biooginástica é muito, para mim é muito importante isso. Você tem a contração dos
músculos, mas ao mesmo tempo a soltura do ar, essa soltura do ar que o animal tem
inconsciente, mas que é perfeita, traz a harmonia, traz o descansar mental e quando
você deixa se descansar mental, o corpo flui, o corpo vai. Essa sensação que eu tive
no momento que eu comecei a me expressar eu achei muito significante e importante
para mim, eu estar com os meus colegas de profissão, cada um com seu espaço
profissional, cada nicho né diferente nas diferentes áreas, mas ligados ali numa coisa
só, no movimento do corpo e a respiração. E eles começaram a fazer tudo,
procurando estar comigo nos movimentos, pelo menos parecidos. Se fosse um tempo
atrás eu diria que Eu não conseguiria me expressar diante do meu mestre, do meu
professor. Na verdade ele nunca permitiu isso, ele não gostava de assistir às aulas
das filhas, no caso eu como sobrinha e alguns alunos dele. Ele disse que bloqueia. É
possível sim bloquear, por todo esse nosso apreço, essa sensação que não vamos
conseguir fazer o executar do movimento lindo como o professor executa, mas diante
desse fato, de tudo isso lá naquele dia, naquele momento que ele pediu foi um fluir
mesmo, as águas do rio descendo e você vai fluindo sem nenhuma vergonha, não tive
nenhuma vergonha de me expressar na frente do meu professor e dos meus amigos,
ao contrário a gente gosta, quem é professor sabe, quem dá aula sabe disso. No início
da profissão até o professor pode se encontrar um pouco constrangido na vergonha,
mas depois não, depois passamos isso adiante e como eu disse é um balé, um balé
mental.
O movimento ele vai e vai depois que vai a sua mente, dependendo do seu estado
emocional do dia, porque cada prática de bioginástica, cada prática de qualquer
elemento físico, qualquer atividade física, cada dia você vai estar diferente e o que
sinto é que quando eu estou triste, quando eu estou angustiada, alguma coisa tem em
mim de amarras, algumas energias que estão bloqueando, a prática do soltar o ar e se
colocar no chão, na agilidade, na flexibilidade, como um tigre como uma cobra, como
tigre sem apoio, a execução das escápulas dos ombros, você se olhando no espelho,
mas sem nenhum julgamento, sem se olhar digamos na parte física e real. É um olhar,
um olhar subjetivo, que diz muita coisa para você naquele movimento à frente do
espelho. Pode também não ter espelho, o fato de ter espelho, não ter espelho ele não
pode de jeito nenhum te atrapalhar, atrapalhar a sua a sua prática. A emoção ela tem
que vir, ela tem que vir sem nenhuma ideia ou olhar de vaidade, de formas, se a forma
tá boa se não tá boa. Eu não gostei de ter vestido uma blusa que estava curta. Isso foi
o único ponto que me prejudicou um pouquinho... prejudicar é uma palavra muito forte,
mas me atrapalhou um pouco na execução do movimento. Isso não pode acontecer.
Já foi um ensinamento para mim aquele dia, porque sempre usei blusas por dentro da
calça, do kempô, da prática de bioginástica assim como o professor faz, se veste.
Naquele dia não sei porque, eu fui porque a blusa estava escrita ginástica então
peguei, era uma blusa curtinha, mas não farei mais não. Movimento é vida, ele mexe
muito com a sua mente, seu estado emocional, sua energia espontaneamente sai, o ar
do diafragma, soltura dos braços, pernas, há uma energia Vital ali desse plano, um
impulso, um estado emocional, ela vai compondo o corpo. E daí eu comecei a
observar os meus amigos e cada um foi para sua aula de uma maneira singular, Mas
eu achei lindo sair da minha aula, a minha aula acabou, e continuei com uma outra
aula e depois continuei com uma outra aula e assim foi. Percebi que todos, todos
estavam felizes em praticar bioginástica. Emocionalmente todos muito mexidos,
percebi Harmonia e beleza em cada um, cada um com diferentes formas de se
expressar, mas com o mesmo elemento, o mesmo objeto que é a ginástica, os
movimentos e eu realmente fiquei muito Encantada de ver todos praticando,
praticando o quê foi dado, foi explicado, foi ensinado, foi passado adiante e Isso foi o
que me deixou emocionada, como o professor, o mestre passou para cada um toda
essa riqueza desse trabalho. São coisas importantes, todas essas coisas importantes
ele quis passar, o lado humano, o lado objetivo também de defesa, ataque, não ser
muito bonzinho, não ser muito grosso, muito bruto, usar todas as formas que existem
nós, que existe no animal. O animal também ele tem um momento dele e tem um
momento leve, movimentos lindos e também tem movimentos de ataque, de
intenções, a fome, a sobrevivência e isso tudo o mestre passou para nós. Fiquei muito
feliz também de ver uma praticante, uma professora que estava lá passando um
pedaço também do método que Ela mandava correr de um lado para o outro,
esbarrando ou não esbarrando, colocando ali também um sentimento de raiva e um
sentimento de Desejo, de paixão, nesse deslocar do corpo.
Ali de momento eu fui lá para 1992, 1994 quando fazíamos muito isso, praticavamos
muito isso no espaço da academia e me remeteu ali a minha adolescência e daí eu fui
ficando um pouco triste não pela aula, de ter sido ruim. Ao contrário foi uma aula
maravilhosa, muito bacana, mas veio aquele saudosismo todo de quando meu
professor era mais novo e que tinha muita energia, tinha aquela energia, aquela
pulsão mesmo, a libido forte, de centrar toda energia no que ele fazia de melhor e
ainda faz, mas o sentimento veio, sabe? Um sentimento de tristeza sim, não era para
ser e daí, daquela aula da professora eu fui ficando mais Saudosa, mas Saudosa e fui
lembrando de momentos bons, momentos que vivemos ali em círculos grandes de 2 a
3 se expressando nesses círculos mais ou menos uns 10 minutos a 15 e meu
professor fazia muito isso, meu mestre fazia muito isso.
Quando foi chegando ao final da aula eu já me sentia muito cansada fisicamente, mas
o fogo do meu diafragma, da base do manipura estava ativo. É como se você tivesse
colocado óleo ou álcool no carvão com fogo e jogasse um fósforo. Depois da aula eu
me senti energizada, porém cansada fisicamente e esse chakra acima do umbigo
estava totalmente ligado, conectado com minha energia. Refleti isso no momento.
Quando o movimento ele é livre e espontâneo você se conecta, você se integra ao
universo, você faz parte dele e ele faz parte de você e você entra no relax Total. Você
não sente cansaço. Então naquele dia eu me sentia cansada, mas não cansada,
totalmente recuperada daquelas energias não muito boas quando iniciei, antes de
iniciar a prática e isso eu percebo quando no início eu disse que precisamos expressar
fisicamente, essa soltura do corpo, suar, fazia as posturas, praticar fisicamente com
bastante energia todos os movimentos conscientes, repetindo nas solturas do ar,
sempre soltando ar para depois você começar realmente a se integrar, a se conectar
com o leve, com o suave, a nossa mente ela vai se tornando mais suave, mente e
corpo uma coisa só e a gente se torna mais suave. Por isso que nós aulas de yoga
“¨$%$” eles vem primeiro, alguns professores não, não fazem, não praticam. São
diferentes até, bastantes, bastante diferente, mas os gurus falam: precisamos praticar
colocar os “¨$%$%” ativos para depois despertar nossa mente e é assim com a
bioginástica e foi assim naquele dia. Minha mente voltou a calma e pude perceber
mais, pude perceber mais os meus colegas e valoriza-los. Percebi que todos estão
prontos a continuar esse trabalho do Orlando Cani, percebi que todos estão
preparados a fazer um trabalho muito bonito.
Como disse antes cada um do seu jeito e eu voltei para casa muito feliz, veio um
sentimento de muita felicidade, por que vi neles, pude ver o professor em cada um
deles e como eu no meio da aula mais ou menos, uns 30 minutos já de aula, já estava
Saudosa com o passado que eu tinha nas aulas de bioginástica, de Kempô, no final, o
fechamento da aula me emocionou mais ainda. Veio à tona aquele sentimento, veio à
tona, não sei se é por eu ter movimentado muito, mexendo todos os chakras, a
expansão do plexo braquial, a expansão inspirar e respirar ali do universo né. Cada
movimento ele é eterno, porque cada prática é diferente e você aprende a cada prática
Naquele dia eu aprendi com os meus amigos, com os meus colegas de trabalho,
aprendi. Eles colocaram bastante força muscular, resistência, sustentação e isso foi
muito bom, praticando isso foi muito bom, por que minha força é diferente da força de
cada um e tinha mais energia masculina, somente três meninas e cada aula foi
diferente, mas o fechamento foi lindo, foi lindo. Um sentimento foi de muito
contentamento e continuidade ao trabalho, do trabalho dele para todos estavam lá.
Voltei para casa muito feliz, voltei para casa mais humana, mais calma, mais paciente,
aqueles sentimentos um pouco pesados quando cheguei lá eu voltei mais leve. Defino
então esse dia com uma palavra. A mesma coisa que é o continuo mental é o
continuar corporal e esse continuar é o continuar do aprendizado que todos tiveram
com o mestre. É isso, obrigada!