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29/11/2017

Evolução da crise financeira:


3 manifestações da crise:
- Crise bancária
- Crise da dívida soberana
- Crise cambial ou monetária
Em última análise, crise do euro.

Crise que assumiu contornos e uma gravidade que ainda não tinha conhecido
equivalente nas crises mais recentes.
Aspeto interessante: Fenómeno de doom looping
 Os EM assumiram nos seus orçamentos a ajuda que foi concedida aos bancos
(para efeitos de apoio de liquidez) e foi feito através de empréstimos. O que
significa que nos balanços dos governos aparecem activos (créditos concedidos
a esses bancos).
 Os bancos eram financiadores dos bancos
 Processo de reciprocidade (os bancos ajudaram na crise)

A crise soberana cria uma pressão sobre os Estados e sobre a zona euro no seu todo e o
euro em particular – gerado de crise de confiança do euro.

Esta fragilidade agudiza o processo de financiamento (aumenta os custos de


financiamento, o prémio de risco nacional também sofre com este processo de
desconfiança).

Estas 3 crises conjugadas vão levar:


- Perda de liquidez e de intermediação financeira
- Redução da procura interna
- Perdas comerciais

Que concorre para perdes no PIB

Efeitos da crise:
- Não foram iguais para todos os países (ex: a economia alemã houve um abrandamento,
mas não houve uma recessão económica).
- Os países periféricos sofreram particularmente os efeitos dessa diferenciação.
Factores:
 Aversão internacional ao risco
 Contagio:
 Fundamentais económicos e orçamentais
Fases da crise:
Fase 1: observação da aversão internacional ao risco; porque há aqui um processo de
fuga dos países tinham sido atingidos pela crise financeira. Ex: Irlanda.

Fase 2: O contágio é determinante – fase de explosão sistémica. A crise alcance os seus


efeitos mais gerais e começa-se a sentir mais dificuldades.

Fase 3: Tentativa por parte das instituições europeias que o BCE começa a lançar mão
dos seus instrumentos de política monetária mais agressiva para conter os efeitos da
crise.
 Programas de estímulo orçamental.
 Efeito contraproducente: não foi balanceado com auxílio externo; os estados
começaram assumir todos os custos deste financiamento. Portugal: 10% de
défice orçamental.
 A dívida pública dispara.

Fase 4: Fase da dívida soberana (caso grego muito evidente).


 Incapacidade de financiamento nos mercados internacionais.
 Coloca em causa a liquidez e a substancia financeira.

Como sair daqui?


Foram lançados vários pacotes de assistência a vários países europeus.
- Programa de assistência à Irlanda.
- Programa de assistência a Chipre
- Programa de recapitalização bancária de Espanha
- Programas de assistências à Grécia
- Programa de assistência a Portugal

A crise e a austeridade
Austeridade (2 argumentos económicos):
- Alesina e Ardagna: Esta, em certos casos, pode ser expansionista (pode ter um efeito
positivo), porque se há uma redução do peso do sector público, há mais instrumentos
que pode ser aproveitado pelo sector privado.
 Já quando a austeridade envolve aumento de impostos, os autores entendem
que aqui já há recessão, porque envolve o sector privado da economia (ex:
famílias)

- Reinhart e Rogoff: Correlação positiva entre dívida pública e crescimento económico.


 Nada nos diz sobre causa-efeito.