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PARA A HISTÓRIA DO JORNALISMO DESPORTIVO RADIOFÓNICO EM

PORTUGAL: O CONTRIBUTO DA ‘BOLA BRANCA’

Palavras-chave: Rádio, Jornalismo, Desporto, Renascença

Resumo:

Entre as principais rádios portuguesas generalistas não há nenhuma que abdique de um


programa diário de informação desportiva, um território de emoções e paixões, capaz de
captar grandes parcelas de audiência “muito acima de qualquer outra área de informação
especializada” (Torrijos, 2012).
No início da década de 1980, o desporto já preenchia largas horas de programação,
sobretudo aos domingos à tarde, através da transmissão de relatos de futebol, em direto
desde vários estádios espalhados um pouco por todo país. Era assim, na Rádio
Comercial (emissora que passou a funcionar desde 1979 com as frequências do Rádio
Clube Português), na RDP (sucessora da Emissora Nacional) e na Rádio Renascença
(RR), que se tinha tornado na estação de maior audiência em Portugal, com “cerca de 2
milhões e 300 mil ouvintes” (Ribeiro, 2001).
A emissora católica decide, por isso, acabar com algumas produções independentes que
até ali asseguravam a sua programação e criar espaços próprios. Os seus responsáveis
sentiram que havia também chegado a hora de dar ao desporto a atenção que começava
a justificar, fundando “o seu departamento desportivo, alicerçado na figura do locutor
António Ribeiro Cristóvão” (Pinheiro, 2009).
Ribeiro Cristóvão convida para integrar a equipa dois nomes fortes e respeitados do
jornalismo desportivo da altura: Artur Agostinho e Alves dos Santos. Assim nasce ‘Bola
Branca’, um título que trouxe dos tempos em que fazia rádio em Angola.
A incorporação de ‘Bola Branca’ na programação da Rádio Renascença coincide com
um período que ficou marcado pela inauguração de novos postos emissores, o que só foi
possível concretizar com uma recolha de fundos para o qual “contribuíram milhares de
católicos do Norte e Sul do país” (Ribeiro, 2001).
Foi nesta fase de expansão que ‘Bola Branca’ rapidamente adquiriu grande notoriedade,
adotando uma fórmula que rapidamente conquistou ouvintes fiéis: dar muitas notícias
em pouco tempo e assumidamente sobre futebol.
O espaço da RR já está em antena há 37 anos, no entanto, é praticamente inexistente a
informação disponível sobre aquele que é considerado o primeiro programa de desporto
à hora certa na história da rádio em Portugal.
Assim, o desafio da comunicação que apresentamos é caracterizar e reconstruir a
evolução do espaço desportivo da emissora católica, desde a sua génese até à
actualidade. Simultaneamente, pretende ser um contributo para a história do meio
hertziano em Portugal.
No enquadramento da história da ‘Bola Branca’ emergirá um outro título da RR, ‘Frente
Desportiva’, que se manteve em antena durante 25 anos. Era o espaço dedicado às
transmissões dos relatos de futebol. Diferenciou-se, não só pela qualidade dos seus
relatos, como também pela estética sonora dos seus indicativos musicais. É impossível
dissociar os dois programas porque um era o complemento do outro.
Em termos metodológicos, e devido à escassez de fontes documentais, a nossa proposta
baseia-se, sobretudo, na recolha de testemunhos orais das diversas gerações de
jornalistas que passaram pela ‘Bola Branca’ e das chefias da RR.