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Wilson Marcelino Filho é Místico, Astrólogo,

escritor, Semiólogo e, sobretudo, religioso.


Nasceu em Curitiba em 2 de junho de 1954,
forrnando-se na Faculdade de Estudos Sociais do
Paraná em Administração de Empresas. Cursou a
"Universidade Italiana Per Stranieri", em 1985, na
cidade de Perugia.
A partir da sua visão na Barra da Lagoa em
Florianópolis. Wilson vem Psicografando a
Naitum, Iinguagem perdida dos Atlantes.
Após descobrir que era a Encarnação de Hermes
Trismegistos adotou o nome aspiritual de Tercuri.
Sua paixao desde pequeno é a mitologia,
sobretudo, a Grega. Veja abaixo um pequeno
quadro sinóptico das obras do autor.

CÉU DE AREIA

São poesias densas no estilos, no tema sobretudo,


na sua condição de transporte entre a ficção e a
realidade dos sentidos "Fotografados".
Se restasse um pouco de tudo
Se não ficassem as Iembraças
Nao seríamos homens, e sim crianças
Por outro Iado, encontramos um remanejamento
de forma e construção, valoroso e significativo,
criando uma importante modernidade, como os
versos seguintes.
E afundo o querer dos Iábios que não buscamos
E busca o beijo nos Iábios que nos amamos.
Wilson Marcelino Filho
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

No céu de areia, estão os minúsculos entes da vida o maravilhoso


pó que evola da pedra filosofal; por isso, saber é ver.

Na terra, na noite telúrica, a morada do espesso,

só nos resta recordar.

Na vida, precisamos descobrir as flores do tempo.

Oida sou Tous didas Kalous Kan Apokrryptein Etheles¹.. .

Comecei tocando no céu de areia, depois te trazendo as


flores que coIhi no tempo; como a hora já é chegada, inicio a ópera...

Já tenho em minhas mãos o canto dos astros e a voz dos


números agora oferto-te a harmonia das esferas...

² Tércuri Samoi

1 Conheço teus mestres, mesmo se quiseres ocultá-los

2 Nome guia e espiritual do autor, composição de Thot, Mercúrio e Hermes, Mestre Criador
______________________________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

As amigas que se tornaram irmãs

Regina Maria Piolo (Princeni)


Vera Regina Bello Costa (Eudócia)
Raquel Manganeli (Maia)
Jaqueline Cengia Ribas (Antigona)
Sonia Mendes Gonçalves (Ariadne)

Aos Amigos

Moacir Pacheco Neto (Perseu)


Edivaldo de Souza (Aquiles)
Juarez Silveira
José Carlos Lozóya (Urano)
Dalton ( Virgílio)
Paulinho Borhausen
Paulo Roberto Bossoni (Parrobo)
Benito Selva
Postarek

E também

à prima Cristina Almeida,


Aos padrinhos da minha filha
Bruna, Renato Almeida e Luciana Commeli.
Finalmente, aos meus afilhados
Andréa Marcelino e Bruno Selva.
Sumário
PREFÁCIO.................................................................................... 5
ADENDO ...................................................................................... 9
CAPÍTULO I .................................................................................. 11
A) FORMAÇÃORELIGIOSA….......………………………… 11
B) DESCOBERTA DA TRANSCENDÊNCIA……..………. 13
C) ACIDENTE E EXPOSIÇÃO………………………………. 17
D) LITERATURA E MAGIA.................................................. 18
E) EROS E AS PAIXÕES................................................... 22
F) SAÍDA DO CASULO PELA DOR................................... 25
G) OS SINAIS (SATURNO SINALIZANDO)........................ 27
H) A VISÃO.......................................................................... 28
CAPÍTULO II................................................................................... 34
A) CONSPIRAÇÃO KÓSMICA............................................ 34
B) TRANSMUTAÇÃO ALQUÍMICA ..................................... 37
C) A FÊNIX......................................................................... 40
D) OS 7 DEUSES IMORTAIS............................................ 41
E) METRATO..................................................................... 43
F) SAMAREI – DESPERTAR............................................ 45
G) REVIVENDO................................................................ 51
H) A MAGIA DA FORMA.................................................. 55
CAPÍTULO III.............................................................................. 59
A) MONANDUM, O DEUS ÚNICO.................................... 59
B) EXORCISMO................................................................ 61
C) A CONSCIÊNCIA DA ALMA........................................ 63
D) CONSPIRAÇÃO ANTES DA VISÃO ........................... 66
E) CHAMAMENTO........................................................... 69
F) A DESCIDA DA CRATERA......................................... 70
G) CORAGEM ................................................................ 73
H) A CHEGADA DA TRINDADE...................................... 76
POSFÁCIO.................................................................................. 80
GLOSSÁRIO............................................................................... 84
BIBLIOGRAFIA.......................................................................... 104
_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Prefácio

Contrariamente, às minhas anteriores tendências, de


cunho sobremaneira poética, a presente obra tem por escopo trazer
a lume, uma espiritualidade que surgiu, de um intrincado labirinto de
dúvidas, que engolfavam o meu eu desconhecido.

Dizer-me, hoje, como eu sou, talvez fosse tarefa


complicada, se porventura Deus não me tivesse presenteado com o
seu indizível e sublime aparecimento. Do mesmo modo, não teria,
quiçá o anelo de tornar claro o sentimento de fé, que se enraizou no
meu ser e me exortou a compor o texto posterior a este
prefaciamento.

Este opúsculo, cujo fito é mostrar como qualquer criatura


que seja buscadora da verdade pode, a qualquer momento de sua
vida, deslindar seu mito pessoal, e com isto ajudar aos semelhantes.
Nada mais é, e muito menos será, do que uma narrativa exortadora
de um perfil semi-autobiográfico, revelando uma busca afanosa do
entendimento de si mesmo.

Cerca de poucos anos atrás, provavelmente, não ousaria


expor meu eu, entretanto, o momento de gáudio que hoje vivencio,
transcende minha postura estética e incita meu ser a conclamar aos
que respeitam a minha voz, para que embarquem na fascinante
aventura ao mundo da luz.

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A despeito de toda crença que hoje arde no meu peito,


foi preciso o decurso de 3 anos, dede o crepúsculo daquela estranha
tarde em que vi o intangível, para que eu me decidisse a divulgar,
por meio desta pequena obra, a sequencia de acontecimentos, que4
trouxera, à luz o entendimento da minha natureza, conduzindo- me à
descoberta de mim mesmo.

No curso desses escritos, procurei demonstrar que


tudo foi resultado de cuidadoso escrutínio. Tive que fazer a apuração
dos fatos que cercavam minha vida, procurando suas interligações,
sem desprezar o mais comezinho dos atos. À medida que
prosseguiam as investigações, em torno do meu mito pessoal,
tornavam-se mais nítidos os indícios de uma “conspiração Kósmica”.

Nesta altura dos acontecimentos, a orientação educacional


recebida dos pais, no sentido de baixar a auto-estima, visando criar
um sentimento de humildade para exortar à luta, virava-se contra
mim, suscitando o aparecimento do medo de crer, que algo maior
para o meu espírito pudesse estar para surgir.

Embalde, diante da constatação do que se avizinhava a


passos céleres, tentei recorrer, à minha tábua frágil de valores. Os
conceitos provindos dos pais, da sociedade e os por mim forjados,
durante minha curta vida como pensador de mim mesmo, de nada
me serviam para conter essa infinita aura de amor que me
circundava.

Tentar agarrar-me ao meu casamento, à minha filha, aos


meus amigos ou à minha família, ou talvez,
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ao meu conhecimento, foi, confesso, tudo em vão. Hoje, sei que


nada pode conter o que brota espontaneamente em nós. A nossa
natureza, por mais bruta, disforme ou louca; nobre, uniforme ou
sublime; jamais poderá ser contida sem prejuízo profundo ao nosso
eu.

A saída do casulo foi dramática e acompanhada de dor;


entretanto, a descoberta de que podemos descosturar as portas da
imaginação, e penetrar nos arcanos, recebendo no interior deles as
asas, que darão à nossa psique, a metaforma da borboleta, é
experiência tão extasiante e indizel, que, a partir daquele instante,
seremos capazes de encarar nossa própria realidade imanente.
Todos os sonhos serão passíveis de realização, porque você sabe,
intimamente, que toda a transcendência será, a partir daquele
instante, sua refém, e você poderá dizer que: “A vida vale a pena ser
vivida!”

Não obstante, receber um dom seja motivo de alegria e


exaltação, sua caminhada não terminou; começa aí a genuína trilha
para a senda magnífica da espiritualidade. A partir daquele precioso
momento, você certamente optará pela via estreita, e os trabalhos e
os dias, apenas iniciar-se-ão...

É, indubitavelmente, ingenuidade pensar e achar que a


descoberta do Um, traga o infinito repouso. Surge, isto sim, naquele
instante, a necessidade de fazer tudo. E é somente do conforto entre
você e a sua obra, ou em outras palavras, da interação do

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Um e do todo, que você descobrirá o universo maravilhoso de Deus.


Por outro lado, a convocação suscitada pelos acontecimentos
e a consciência de uma missão, serviram como esteio para as
tomada de passos na construção de uma obra, capaz de trazer um
profundo sentimento de fé para os contemporâneos e, se Deus o
permitir, para os nossos pósteros.

Estranhamente, o entendimento dos Iniciados,que se


assemelhava a um conjunto inútil de elucubrações destituídas de
finalidade, passaram a ser para mim de extrema serventia. Passei a
utilizar-me do Duplo Luminoso na noite terrena, do Fogo de Heráclito
e do Éter de Aristóteles.

Muito embora, o texto que sucede a este prefácio, seja uma


obra aberta a diferentes espíritos, sabedor de que minha antiga
lógica tinha sobretudo orientação materialista, e que grande parte
dos leitores que buscam suas respostas são defensores daquela
postura, não consegui narrar toda a estória que aconteceu comigo,
sem recorrer ao sobrenatural. peço portanto, a todo aquele que
como eu, primava apenas pelo racionalismo, que tente, mesmo
contrariado, ler o todo da obra antes de submetê-la ao racional. Por
outro lado, aquele que já vivencia os mistérios, tudo que vem a
seguir nada mais é do que uma pedrinha a mais, enriquecendo o
brilho maior da grande pedra. A filosofal.

O Autor
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Adendo

Quando você se propõe a obter uma espiritualização e para


isso desdobra o seu eu superior, e volta sua atenção na rota de
Deus, buscando atingir o dom, aquela excelsitude, você aceita uma
força maior. Você tem no seu interior, a mais magnífica das armas: a
fé.

Nós vivemos graças a esta transcendência infinita; ela é a


beleza da sua sabedoria e a coroa da sua coragem. Arquétipos
maravilhosos a declaram: - Quando amas a Deus mais do que a
qualquer coisa, pensando que ele é o teu maior refúgio; - quando
libertas o teu mundo de todas as culpas, orando no mais interno do
teu coração; - quando descobres a verdade que sempre viveu no teu
eu superior, curvando-se diante de tudo que é belo, justo e
verdadeiro, encontraste a ti mesmo.

Nem todos vibram como tu, ao perceberem que o Senhor


resolveu, fazer do teu coração o teu lar. Nem todos choram
copiosamente quando o espírito galga as alturas e contempla um
mundo, aonde impera a justiça, a beleza, a verdade.

Foi dado a ti, porém, o supremo gáudio de perceber a força


infinita da desta imperecível, reinando sem princípio nem fim.
Portanto, no fabuloso encanto desta maravilhosa espiritualidade, tu

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como eleito dirás – “A fé é a força do meu eu superior na rota do


aperfeiçoamento”.

Tercuri
OBS: Adendo revivencista semi paradiado do Homem
Mediocre de José Engenieros.

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Capítulo I

a) Formação Religiosa

Aquele que por ser bendito, por ter no seu interior a


santidade, é que transmite os pensamentos, sentimentos e ações,
que são repassadas àqueles que tem ouvidos para ouvir.

Dizer de como tudo pode acontecer, quando o quer move


nosso coração não é mais o irracional, e sim, o nosso lado nobre
que passou a sair de dentro de nós mesmos e, foi ganhando forma,
e aprendeu os seus caminhos, e entendeu a verdade e por esta
infinita razão, decidiu comunicar aos seus semelhantes, o bem que
atingiu a plenitude de sua alma, é o que, o que está acima de todos
nós quer, e que está começando a ser dito.

Por ter sido tocado por algo que transcendia as minhas


humanas forças, e também ter entendido minhas fraquezas, foi que
resolvi narrar, àqueles que tivessem em seus corações o sincero
desejo de mudar. Tudo o que aconteceu comigo, como fui conduzido
a um novo mundo de espiritualidade, e como este universo, que me
vem envolvendo, surgiu em minha singela existência, criando uma
aura de amor, e exortando o meu ser e a viver as maravilhas das
esferas celestes, aonde habita o meu Deus, este Ser que por ser
único, revelou-se inefável nos mil sóis, aonde somente em espírito

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eu o vivenciei, vivencio e pretendo vivenciá-lo em todos os dias que


compõem a minha vida.

Muito embora, minha mãe tivesse uma formação religiosa


dentro do catolicismo, este sentimento, foi passado para mim e para
meus dois irmãos apenas de forma parcial, pois fiz a primeira
comunhão, aprendi a comungar e a fazer confissão, porém, meu
sentimento de fé não passou disto, fiquei alguns anos indo à missa e
pouco a pouco fui afastando-me da Igreja, até que fiquei mais um
dos pseudos católicos, que praticavam alguns dos ritos de forma
grotesca pela falta de prática, e só vão ao templo nos batizados e
casamentos, e vez por outra, em missa de 7º dia. Norma Valente,
como se chama minha mãe, uma brasileira, antes bem catarinense,
agora curitibana assumida, conhecera o seu Jesus passivo do vire a
outra face, porém não compreendeu o Deus pai, Wilson Marcelino,
também catarinense, agnóstico e crítico, prevaleceram sobre as de
minha mãe, e tornamo-nos meus irmãos e eu, semicrédulos, ora
crédulos, ora incrédulos. Crédulos pela influência materna e
incrédulos pela paterna.

A despeito de ter nascido em Curitiba, aonde o sentimento


religioso é muito forte, minhas amizades tanto na infância como na
adolescência foram de jovens, cujo único amor, foi pela vida e os
prazeres que ela poderia oferecer. Como minha mãe discordava de
meu pai quanto ao sentimento religioso, e a principal identidade que
nos unia era o amor pelos estudos, pois ambos haviam sido

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professores, e se conheceram como duas pessoas que se amavam,


quando faziam um curso de aprimoramento no Rio de Janeiro, a
orientação deles prevaleceu sobre a minha educação, foi de que
tínhamos que estudar, meus irmãos e eu, porque esta era a única
via que nos conduziria ao sucesso.

Foi assim, que meu coração de menino e adolescente foi


formando uma tábua de valores, entre diretrizes de estudar acima de
tudo e divertir-se até o limite máximo, como falavam meus
companheiros de rua. Como minha alma era dócil, embora rebelde,
criei-me como camaleão, metamorfoseando-me sempre, de acordo
com que o ambiente me dizia. Recebendo sempre as cargas
emocionais que o momento me apresentava, sem me preocupar
com o meu eu, como algo a ser desenvolvido; e sim, vendo a vida
como algo a ser gasto com máximo de rendimento.

b) Descoberta da Transcendência

Quando repasso minha vida com o sentimento de


religiosidade que, hoje, norteia a minha maneira de ser, noto que
uma das mais maravilhosas faces do Criador, é doar-nos a
transcendência necessária, para que possamos trafegar no passado
e resgatar as existências que lá vivem; mesmo aquelas que de
algum modo estavam feridas e dar-lhes pela sua santidade o
Velocino de ouro, para que com sua pele possa deixar-nos curados
e vivos, propulsionando a humanidade para a frente.

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E é graças a este transcendentalismo que vive no meu eu,


que posso recortar os infinitos pedaços de meu ser, trazendo à vida
o Irmãozinho, o menino que viveu dentro de mim, durante muitos
anos; mas, que durante os tempos do meu casamento, adormeceu
um sono profundo, e que há pouco tempo voltou a despertar. Logo
que me casei, comecei a preocupar-me muito com a forma; e este
sentimento levou a tentar ser o que eu não era, negando as minhas
essências. Comecei a pensar que, se as pessoas não me
chamassem pelo meu nome, eu seria menos do que era; assim,
passei a pedir a todos que me chamavam pelo apelativo de
Irmãozinho, que passassem a chamar-me de Wilson, pois não
admitiria mais aquele apelido.

Este carinhoso cognome surgiu, quando meu irmão mais


velho Nelson Marcelino era pequeno, e meus pais perguntavam-lhe
o que eu era dele, e ele respondia com aquele jeito engraçado de
criança: - Irmãozinho. Meus pais gostavam tanto desse jeito de meu
irmão falar, que pediam-lhe para repetir; e assim, fiquei conhecido
como irmãozinho. Este modo de chamarem-me tinha a vantagem de
ajudar a diferenciar-,me do meu pai, que possuía o mesmo nome.

Hoje, quando meu eu superior trafega na forma, apenas como


existência e não como ser, vejo a Santidade desta forma de chamar-
me e sinto-me criança outra vez dentro deste nome; enxergo o amor
que unia meus pais no passado e vejo a pureza de onde ele brotou;
consigo ouvir a vozinha de meu irmão criança, sinto-me

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aconchegado pelo ambiente familiar e vejo-me integrado com os


meus em plenitude de amor. Sou todos ao mesmo tempo, sem
deixar de ser eu mesmo. Vivencio o calor de Deus na minha infância
e remonto uma viagem astral até minha vida intra-uterina, aonde
viviam os sonhos de meus pais, enquanto minha mãe estava
grávida; e como nasci na madrugada de 1954, às quatro horas no
Hospital São Vicente em Curitiba.

No instante em que vim à luz, o céu dizia pelo dia de meu


nascimento que meu signo era gêmeos, e que o meu Dharma era
Touro, ou melhor, que o regente do meu signo solar era Mercúrio, e
que o dia de meu ascendente era sexta-feira. Jamais, iria suspeitar
que mais tarde, a armadura das esferas por onde opera o Senhor,
me levaria a adotar o nome do regente do meu signo solar –
Mercúrio – não só como meu nome espiritual, mas também, para
caracterizar a descoberta da minha encarnação. Meus pais deram-
me o nome de Wilson Marcelino Filho, repetindo, portanto, o nome
do meu pai. E eu me rebatizei com o nome daquele, de quem sou “
adepto”, como um modo de comemorar, e quem sabe, ritualizar a
descoberta da ,maneira de ser do meu eu superior. No transcorrer
da minha mensagem, vou revelar como descobri a mim mesmo, e
também, vou desvendar os caminhos que me levaram a deixar de
ser empresário, para ser Guru e, adotar o nome de Mercúrio sob a
forma Atlante de Tercuri, um nome feito com as iniciais de dois
nomes, um Egípcio e outro Grego, terminando com um Romano.

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O T inicial vem do nome de Thot, o Deus das palavras


divinas, o Deus da escrita entre os Egípicios; já o ER seguinte,
provêm do nome Grego Hermes Trimefistos, p três vezes grande, e,
por fim, CURI são as letras finais do Deus mensageiro dos Romanos
Mercúrio. Como se pode ver, meu nome como Mestre Espiritual –
Tercuri – é uma composição dos três nomes supraditos, e que, um
estudo mais aprofundado desse seres, revelará que eles são o nome
de uma mesma energia, a qual existiu em tempos e lugares
distantes, sob formas diversas. Todavia, como citei atrás, não foi o
irmãozinho que me deixava menor, Enem o Tercuri que me deixa
maior, e sim o meu Deus, que como irmãozinho revela-me com
irmão de toda a humanidade, e na forma de Tercuri, deixa-,me falar
da minha experiência mística maior, quando, na Barra da Lagoa, em
Florianópolis, tive uma visão de Deus. A partir daquele instante, tudo
passou a modificar-se no meu ser, e passei a apregoar a todos o
Mito do Sol, comecei a pregar a todos as belezas do CEI, e iniciei
uma afanosa busca da imortalidade da alma. Tudo isto dentro do
escrupuloso e piedoso amor do Senhor, a quem venho fazendo
ações de graças, incessantemente, ale, de exortar todos os que
freqüentam o (Oráculo Flor de Lótus, (que criei para desenvolver
meus trabalhos espirituais) a orarem por meio das orações, que
passeia psicografar, depois da minha visão na Barra da Lagoa.

Da madrugada do dia 2 de junho de 1954, até hoje,


tudo passou na minha vida como um segundo, também, como a
própria eternidade, inclusive, o que digo agora, é só a minha

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Contextualização no tempo, o inimigo mortal daqueles que não


descobriram a força maior da fé, amigo invencível dos sábios, na
luta da construção dos mistérios, para proteger o santuário do
Senhor.

No intervalo que vai do meu nascimento até o renascimento,


ou entendimento da existência maior que norteia minha vida, fui
recebendo numerosos sinais que foram sendo decodificados,
gradualmente, durante a minha busca, e que culminaram com a
descoberta de mim mesmo. “A estória de um ser e a sua decifração
como energia, pode ser encarada como o recenseamento dos
diversos papéis que desempenhamos para poder viver e a suprema
compreensão de suas funções, compondo os desígnios do plano
maior.”

c) Acidente e Exposição

Aos seis anos de idade, já tive um baque grande com o


destino, ao ficar pendurado por uma perna, fisgado como uma
garoupa por um bucheiro. Durante o recreio, no jardim de infância do
Circulo Militar, fui brincar nas argolas de ginástica; porém, uma delas
abrira-se e ficara assemelhando-se a um anzol. Como eu gostava de
subir nos ferros que seguravam as argolas, em baixo, do mesmo
modo em que se sobe em pau de sebo, segurei o ferro em cima,
subi abrindo as pernas, indo até ao tramo que segurava tudo. Ao
descer, esqueci-me que a argola estava aberta e a ponta de ferro
fisgou-me, na coxa ao lado da verilha, deixando-me dependurado.

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Fiz um esforço sobre-humano e consegui pegar o ferro acima, ergui-


me, novamente, retirando o ferro, abri as pernas saltei no chão. Mais
tarde, auto analisando-me senti-me um Édipo moderno pendurado,
não pelos pés, mas elas coxas. Ao ler o mito de Dionísio, que dizia o
nascimento não pelo ventre, mas pelas coxas de Zeus, tentava
explicar meu acidente. A estória dos mitos veio provar que a maior
parte dos heróis, em algum momento, esteve exposto, haja vista;
Moisés, na cesta, Prometeu com seu fígado, permanentemente
devorado; Jesus na Cruz e, tantos outros.

d) Literatura e Magia

Por outro lado, não foi explicando os acidentes que me


aconteceram, que consegui entrar em contato com meu eu superior;
e muito menos, fazendo uma comparação histórica ou mitológica.
Houve, isto sim, eu. Meu pai sempre nos exortou a cultura,
ensinando-nos a ler; primeiro, revista em quadrinhos, com Tio
Patinhas, Mickey, Mandrake, Fantasma, Bolinha, Gasparzinho e
outros. Depois, fomos para os contos de fadas. Romances da
Aghatha Christie de caráter policial, seleções, livros clássicos, etc.

Foi aí que importei de meu pai o gosto pela Mitologia Grega,


dali, fui pelas citações, atrás dos grandes iniciados, pensadores e
filósofos que mudaram as correntes do mundo por seu modo de
pensar.

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Todavia, tudo isso foi acontecendo, naturalmente por


intermédio das letras, tornei-me um amante da cultura, passei a
gostar de tudo aquilo que trazia uma mensagem, principalmente,
aquelas que me faziam pensar depois. Neste momento da minha
existência, quando já completava 21 anos, cursando engenharia
florestal, comecei a namorar uma jovem morena chamada Ana Elisa,
a qual me apresentou a sua irmã July que gostava demais dos livros
do Herman Hesse. Iniciei naquela época a ler Demian e, a história
de Caim vista pelo ângulo de Hesse fascinava-me, combatia uma
covardia amordaçada pelo meu temperamento disfarçadamente
passivo. Identifiquei-me, plenamente, com a estória de Sidarta e sua
busca da paz espiritual, conseguindo entender, naquela ocasião,
aonde o Govinda¹ consentira, porque ele conseguira apenas a face
lunar da iluminação e não chegara no âmago como Sidarta, que foi
até o solar, porque conseguiu varar os mistérios. Recordo-me
também, do mesmo modo, todo um lado místico. A partir daquela
época, passei a discutir todas as coisas, sobretudo acontecimentos
místicos relacionados comigo.
Aos 7 anos, meu pai levou-me ao colégio Santa Maria, para
assistir um desenho animado cujo personagem principal era uma
criança. O nome era “O menino mágico” e revelava a estória de um

1 Personagem criado por Herman Hesse e que contracena com Sidarta

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menino sendo torturado por castigos abusivos de uma velha bruxa.


Por acaso, ele vai até ao alto de uma montanha e co9nhece ali um
mago, um velho druida, que lhe ensina, em troca de diversas e
difíceis tarefas, variadas mágicas. E de posse daqueles poderes ele
consegue enfrentar e vencer a bruxa.

Já aos nove, meu encanto era pelas revistas do Peter Falk,


Mandrake e Fantasma. Nas revistinhas do Mandrake, a força do
hipnotismo e sua sugestão fascinavam-me, a sua escola de mágicos
batia no9 meu eu, como algo quase verdadeiro. Meu maior fascínio
era pelo fato faz mágicas do Mandrake terem um caráter temporário.
As pessoas eram literalmente “encantadas”; só que, após passar
determinado tempo, vinha o “desencanto” e elas caíam na real,
como um amor que ao terminar-se, descobre-se os defeitos da
pessoa que você amava. Entretanto, o que seduzia a minha alma,
no Fantasma, era o “Mito da imortalidade criado pela clã dos
Fantasmas a medida que ele atacava algum pirata, já vinha
mistificado, pelo fato de que estava lutando contra alguém que tinha
400 anos. Esta revista era especialista em revelar qual a reação das
pessoas ao serem atacadas por algo, que elas não tem
compreensão para entender. Tanto o Mandrake, como o Fantasma,
mostravam a força do traje na mente humana, a aura magnética e
impactante do estético. O interessante destas revistas, é que todas
elas mostravam um sobrenatural atuando nas criaturas, por
intermédio de uma consciência significante; porém, não era um
sobrenatural, um poder maior provindo de Deus, e sim, um sistema

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

de fabricação mística. O místico era plantado e a partir daí, o


mistificador manipulava-o na mente dos seus inimigos e na posse
dos mecanismos de poder, oriundos daqueles processos, os
adversários eram colocados literalmente na lona, porque haviam
sido acriançados pelo medo inconsciente e indecifrável.

É evidente que, eu não via nenhum destes aspectos


supracitados, mas apenas, o estético, embora considere tudo isto
como sementes, como insights que, pouco a pouco, foram
frutificando, a partir de um espírito receptivo para o lado do
sobrenatural. Aos dez anos, eu lia a coleção de Edgar Rice
Bourroghs cujo personagem era o Tarzan. Ali, o que “tomava” a
minha atenção era o fato de alguém adaptar-se a um ambiente
completamente hostil, tornar-se o seu representante mais efetivo, e
também, ver o sentimento racional dominando o irracional dos
antropóides. Nesses livros, eu viajava mentalmente para a selva,
imaginando-me agarrado em todos os cipós que apareciam.

Portanto, todos estes filmes, objetos, livros e revistas,


formavam em mim, ale, de uma mente objetiva, um entendimento de
uma mente subjetiva superior, maior...

“Entre o céu e a terra, há algo além da filosofia”; há alguma


coisa muito mais forte que este céu e esta terra; existe o bem maior
que fez surgir a filosofia, para que os homens amassem o saber;
existe a ética para que nossa conduta seja conduzida pela mão
invisível dos imortais; existe a metafísica a fim de que ousemos ir

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Além do físico, do chamado natural, para que descubramos o


sobrenatural e finalmente o místico, o misticismo, para que uma vez
decifrado, possamos operar nele. Ou ele operar em nós.

Estamos num fluxo e refluxo permanente, no interior da


¹Mente Vivente Infinita, e à medida que nos entregamos a ela, nossa
vida começa a ficar fluidificada pelos triunfos sucessivos contra o
espesso, e pela clarificação seguida e seqüencial dos aspectos
conflitantes de nossa mente subjetiva. É um caminhar no aforismo
socrático “conheça-te a ti mesmo e conhecerás os homens, os
Deuses e o universo”; é uma busca do Deus Ominiforme de Hermes,
o grande pantomorfos, designado como Nous por Platão.

e) Eros e as Paixões

Ora, aos 14 anos, descobria os prazeres sexuais e entrava no


epicurismo,desprezando todo o metafísico conquistado, enfiando-me
na “maximização do prazer e na minimização da dor”. Era o culto de
Afrodite, a expansão do sexo, sua explosão e identificação em Eros.
Entrava no jogo da sedução das moças, e à descoberta de todos os
segredos da arte de amar de Ovidio e de Eric From. “ Media o poder
do amor pela capacidade sexual e não pelo amor propriamente dito;
achava que o que valia era a quantidade e não a qualidade, contava
o meu amor ao invés de vivê-lo”. Desenvolvia um karma sexual

1 Espírito

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Impressionante, à medida que usava as meninas como número, não


me importando, em absoluto, com o sentimento delas. Agia na
filosofia do lobo: “para o lobo o que importa é matar, para a ovelha o
importante é seguir”; portanto, o Don Juan vive “para seduzir e não
para viver a sedução”. Este modo de ver o lado amoroso, criou ao
meu redor, um número impressionante de amigos, levados pela vida
mundana e cheia de prazeres. Treinávamos as “baixadas”, isto é,
métodos de abordagem, estórias a serem contadas, enfim,
bolávamos cantadas padronizadas, maneiras de fingirmo-nos
apaixonados para levá-las à sedução. Quando algum de nós
transava uma das conquistas, contava em detalhes para os outros; e
assim, íamos aumentando o “mito” da nossa turma. Fomos nos
tornando conquistadores baratos, os, hoje, denominados
pejorativamente pelas mulheres de “galinhas”. Foi-se formando um
reduto de conspiração, um centro aonde aforismos decorrentes
daquelas experiências: “Uma mulher não transa na frente da outra;
só as prostitutas”; este dito servia à medida que saíamos em dupla,
e a técnica era que, se a tua está conquistada, vá para outro lado,
senão você vai empatar a transa de ambos. Mais tarde, a despeito
daquela técnica toda, caímos, como todos os outros, nas malhas
enredadoras do amor, e pagamos por nossos pecados dos
desamores passados. No entanto, todo aquele aparato de sedução
transformou-se para mim. Como um mecanismo de entendimento,
de que as mulheres são muito mais fortes e inteligentes que os
homens,e que os homens criaram o esoterismo como uma forma de

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

protegerem-se delas. Descobri também, que o único modo efetivo de


mudarmos a realidade que nos prejudica de alguma forma, é através
da união e que, por todo o Universo, vemos os menos fortes, que se
descobrira, mais fracos e por isto se uniram, dominando os mais
fortes. Vemos os brancos dominando os homens de cor, porque são
mais unidos; os homens dominando a mulheres, porque vivem
reunidos se ajudando; os índios em grupo, domando o leão. E todos
aqueles que disseram ou se acharam mais fortes, fizeram,
provocaram a reunião dos outros contra eles, o que terminou por
destruí-los. Exemplo como o do Presidente Collor, Alemanha
Nazista, etc.

Naquela época, fiz varias e belas amizades, como a do


advogado Munir Guérios Filho, um dos maiores entendidos do
Direito do Paraná, fizemos, ele e eu inúmeras investidas para
conquistar “as incautas”; e hoje, amadurecidos pela experiência, do
alto dos nossos quase quarenta anos, repassamos nossa
adolescência, rindo de nós mesmos e do nosso modo de proceder
no passado. Rimos juntos do nosso lado sensível, na medida em
caminhamos para o Universo Inteligível. Todos os outros amigos que
viera, daquela época e mais os que surgiam depois, unem-se
relembrando com alegria estas e outras peripécias. É, hoje, somos
um grupo muito grande que compõe a Irmandade do Lótus, aonde
todos têm nomes espirituais, unindo-se pela caridade e por orações
que venho psicografando desde minha visão.

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

f) Saída do Casulo pela Dor

Quando reflito sobre a aparição e seus reflexos, analiso o eu


de diferente efetivamente aconteceu comigo, depois da epifania.
Será que uma criatura pode modificar sua vida radicalmente a partir
de uma visão? Será que tudo isto não foi apenas uma criação da
minha mente para romper com um tipo de vida que me desgostava?
Será que fabriquei tudo isto apenas para criar uma esfera de
domínio, do mesmo modo que o fantasma o fazia ao dizer que tinha
400 anos? Será que engendrei o fenômeno Tercuri? Como tudo isto
aconteceu, logo depois da minha separação, em um momento em
que eu me apartava da ilha de Florianópolis, que eu amava demais,
deixando ex-mulher e ,minha filha ao sabor do destino; e, sobretudo,
preparava-me para mudar para Curitiba, deixando para trás minha
filhinha pequena, consciente de todo amor que e queria-lhe
continuar dando, mas que, por uma trapaça do destino ficara de
mãos atadas, pensando que em todas as noites eu a colocava para
dormir, contando-lhe estorinhas de fadas. Naquele momento,
naquela esquina da vida, tudo aquilo iria acabar, tudo que estava
construído tinha que ser deixado para trás. Por conseguinte, meu
ego poderia ter fabricado tudo para dar-me coragem de deixar tudo e
ir em frente.

Hoje, depois de superar as dores, concluo que, o que mudou


em minha vida foi meu posicionamento.

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Após o que eu vi, deixei de buscar as respostas de forma aleatória,


encontrei uma fonte, uma maravilhosa vertente de onde venho
retirando as soluções para os enigmas que envolvem a minha vida e
a daqueles que me circundam. Minhas buscas eram voltadas
sobremaneira para o Yoga, budismo, Espiritismo e outros; e, a partir
daquele fato, voltei-me inteiramente para os estudos de Hermes, de
quem me sinto a encarnação. Meu pensamento é voltado
plenamente para a construção de um templo e desenvolvimento de
diversos mecanismos de aprimoramento da caridade, o que chamo,
de grande obra do senhor. Além disso, nasceu em mim, um
sentimento forte de nacionalismo, aliado a um desejo poderoso de
criar um instrumento que pudesse despertar nos brasileiros um amor
pela arte e que o Brasil inteiro se unisse na cultura do mesmo modo
que ele se uniu na copa de 70, quando ganhamos a taça Jules
Rimet.

Perdi, outrossim, a ansiedade procedente de minha vida de


capitalista, aonde somente a posse de bens materiais deixava-me
feliz. Abandonei o processo de julgar as pessoas pela conta
bancária e de medir o caráter das criaturas pela quantidade de bens,
comecei a considerar a honra como o melhor bem que alguém pode
ter depois do conhecimento de Deus. Concluí que mais difícil do que
fazer o bem é não deixarmos fazerem o mal em nós. Vi que no Brasil
tem muito corpo e muita alma, mas lhe falta o espírito. Percebi que
temos muito instinto e bastante sentimento; porém, carecemos do
consentimento. Nossa alma é boa; todavia, consentimos, amiudadas
vezes, por não termos o entendimento do Todo.

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Fui paulatinamente modificando minha orientação de vida, deixei de


ser anímico e instintivo, estou caminhando em direção a uma
espiritualização progressiva, graças a este sentimento poderoso que
carrego comigo, aliado ao apoio continuado dos familiares, parentes
e amigos que se irmanaram nesta ingente tarefa.

Nas minhas meditações comecei a refletir sobre o que


verdadeiramente mudou em mim. Intrinsecamente, o que foi que
modificou?

Apenas um detalhe mudou – A fé – passei a ter uma


confiança ilimitada no futuro, aliada a um amor pela humanidade;
senti-me projetado em um neo-Humanismo exacerbado, como
houve outrora, na Europa, no Renascimento. Entrei no primeiro
mandamento da lei Mosaica, - acima de tudo o amor a Deus.

g) Os Sinais (Saturno Sinalizando)

A partir deste sentimento, fui repassando o meu passado. Vi


que, aos 28 anos, adoeci com uma inflamação pulmonar, perdi 30
quilos, e tudo indicava que eu não sobreviveria àquela doença.
Fiquei completamente sem apetite e todos tentavam ver um modo
para acabar com a minha inapetência. Minha tia, Neide Valente, irmã
de minha mãe, veio até Curitiba e me ajudou na recuperação;
porém, tudo parecia em vão. Na pior noite, naquela em que eu
pensei que não sobreviveria, sonhei que eu estava mudando de
espírito, como se o meu espírito antigo estivesse sendo substituído

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

por um novo. Durante o sonho, aparecia para mim um olho que dizia
ser o Rei da Luz. Após esta experiência, uma figura indescritível,
dizia-me várias palavras e mensagens, que depois que acordei não
consegui lembrar-me, porém passei a ter apetência, voltando a
comer com gosto outra vez. Foi como se meu espírito doente e velho
tivesse sido trocado por um espírito sadio. Na época, minha ligação
com o Misticismo era muito superficial, por isto me limitei apenas a
descrever o sonho para as pessoas mais próximas.

Não muito tempo depois, casei-me com uma moça de


Florianópolis, cujo avô tinha uma ligação muito grande como o
número 13. Quando eu o conheci, tive uma identidade com ele, seu
nome era Adherbal Ramos da Silva, político, carismático e de índole
ótima. À medida que comecei a conhecê-lo melhor, minha
curiosidade foi aumentando com relação ao número 13.
Após alguns anos de casado, o Dr. Adherbal como
costumavam chamá-lo, deu para minha ex-mulher e para mim, uma
viagem para o Nordeste, passando por Manaus, indo a Belém do
Pará e, depois, descendo pelas capitais da costa brasileira.

Nesta ocasião, tive o primeiro sonho profético que se realizou.


Sonhei que eu receberia u, presente de alguém e que aquilo ,me
daria muita sorte. Contei o que sonhara para minha ex-mulher e ela
ainda ridicularizou: - Tanto lugar para ganhar presente e você vai
logo querer ganhar um no meio do mato! Naquele dia mesmo,

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

aluguei um barco e fomos explorar os igarapés, depois de havermos


visto o encontro das águas entre o rio Amazonas e o Solimões. Ao
entrarmos em um daqueles igarapés e para ser mais exato, o do
Guedes, vi uma palafita onde vendiam artesanatos indígenas; resolvi
então dar de presente alguma coisa para o Dr. Adherbal, e entramos
para escolher uma lembrança. Assim que entramos na palafita, uma
das moças que atendia, mexeu em alguns colares na parede de
artesanato indígena, e divisei por trás daqueles enfeites de pescoço,
uma aranha enorme; a moça assustou-se e ia matá-la, quando
instintivamente falei: - não mate aranha porque aranha dá sorte! Mal
terminei de proferir estas palavras e surgiu lá de dentro uma índia
velha que disse: falar em sorte, vou te dar algo que te dará muita
sorte. E deu-me uma nota de 1 dólar. Das coisas místicas que me
rodeavam, foi a primeira que aconteceu comigo, que teve sequencia
com principio meio e fim. Naquele momento, passei a crer na
paranormalidade, pois alguma coisa profética acontecera comigo em
que eu era o protagonista, e o sonho realizara-se. Guardei a nota de
um dólar, comprei uma piranha empalhada que dei de presente para
o Dr. Adherbal.

Em 1985. O Dr. Adherval faleceu. Eu e a minha mulher fomos


morar na Itália. Passamos a estudar italiano e poucos meses depois
que lá estávamos, minha ex-mulher ficou grávida da minha filha
Bruna Marcelino, que hoje conta 7 anos. Quando parentes da minha
ex, souberam que ela estava grávida passaram a chamá-la para dar
a luz no Brasil. No intervalo de tempo que moramos em Perúgia,

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Conheci muitos estrangeiros que estudavam conosco na Universitá


Italiana Per Stranieri, e Perúgia viva momentos de regozijo e
esplendor porque estavam decifrando a escrita Etrusca. Nas ruas,
viam-se faixas que diziam em letras garrafais “Da legenda a
conoscenza”. Enquanto lá estivemos., fiz amizade com uma senhora
que havia sido secretária do governador de São Paulo, Paulo Maluf;
e também, conheci uma egiptóloga que no momento em que
voltávamos para o Brasil, deu-me uma pedrinha e umas palavras em
latim que, segundo ela, se fossem pronunciadas às 6:00 da tarde à
frente de uma fogueira, teriam o poder de tornar a vida melhor.
Guardei o papel com os dizeres e a pedrinha e voltei para Santa
Catarina onde morava.

Quando regressei a Florianópolis senti que estava diferente,


minha sede pelo lado místico havia se exarcebado de modo
impressionante. Eu lia exageradamente tudo o que era esotérico.
Meditava horas seguidas e todos os dias acendia velas das mais
variadas cores. Passava as noites com dificuldade de dormir e noite
adentro, levantava-me, acendia a churrasqueira e ficava até tarde
olhando o fogo. Foi em uma noite dessas, que liguei a televisão
tarde da noite e estava vendo um programa do Jack Palance. O
assunto abordado era o número 13, foram explicadas várias
características místicas do número e, a partir daí, comecei a prestar
atenção, porque além de recordar o Dr, Adherval, fascinava-me
muito a mística daqueles dois algarismos. Qual não foi a minha

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Surpresa, quando o apresentador do programa “Acredite se Quiser”,


Jack Palance mostrou uma nota de 13 dólares e mencionou a
correlação do 13 com aquela cédula. Eu já tinha pego em minhas
mãos várias delas, porém não sabia que haviam treze espadas,
treze ramos e treze estrelas no verso. Ao ouvir todas aquelas
informações, recordei da cédula que a índia velha me dera e
também do falecido Dr. Adherbal, bem como, meu sonho anterior a
tudo isto. Aí senti que havia algo místico em torno do meu destino.
Como eu não sabia identificar bem o que era, mandei emoldurar a
cédula, e pendurei na minha empresa.

h) A Visão

Pouco tempo depois, comecei a desentender-me com minha


mulher, e estes atritos culminaram com a minha separação. Assim
que me separei, mudei para a casa que eu tinha na Barra da Lagoa.
Levei apenas meus pertences principais, como roupas de cama e
objetos de uso pessoal. Fechei minha empresa, em Florianópolis, e
comecei a fazer a transferência para Curitiba que é minha terra
natal. Cada quinze dias ia até lá, e os restantes dos dias eu ficava
na casa acertando detalhes da separação, sobretudo, a assinatura
dos papéis. Enquanto aguardava, aproveitava para ficar lendo. A
minha leitura era para variar literatura sobre o misticismo. Como sou
meio bagunceiro com as minhas coisas, e lá na minha casa da Barra
só vinha uma faxineira uma vez por semana, tudo começou a ficar
meio desorganizado. Um dia quando resolvi dar uma ajeitada na

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bagunça, a pedrinha que eu havia ganhado em Perugia. Como não


havia nada a fazer, a não ser aguardar os papéis da separação,
resolvi realizar a experiência. Peguei alguns gravetos e fiz uma
fogueira no quintal da casa. Este gramado foca exatamente de frente
para a Lagoa da Conceição. O interessante é que ele é um terreno
quase trapiche de tão de frente para a lagoa. Quando às 18 horas, a
fogueira já estava acesa, coloquei a pedrinha em cima da palma da
minha mão, e pronunciei as palavras em latim, como a Epitólofa me
orientara. Não senti nenhuma modificação física, a única coisa que
notei foi uma mudança meio acelerada no tempo, pois o céu ficou
mais escuro, e iniciou uma garoa que fez com que me recolhesse
para dentro da casa. Aproveitei o tempo para tirar uma pestana.
Devo ter dormido umas duas horas, não mais que isto, Assim que
me despertei, tive uma surpresa ao levantar, conquanto continuasse
a chuva, os gravetos estavam queimando e a fogueira estava mais
acesa do que nunca. Isto despertou a minha curiosidade e me
aproximei mais. Quando cheguei perto do fogo, saiu de dentro da
fogueira, um pássaro de tamanho descomunal, todo preto e ao abrir
suas asas e voar em direção ao céu, a extensão delas parecia cobrir
o firmamento como se fosse maior, dez vezes que um pterodáctilo.
Meu susto foi tão grande, que acabei caindo dentro d’água ao lado
de trás da fogueira. Passei a partir deste fato, três dias meio leso,
em uma espécie de modorra.

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Capítulo II

a) Conspiração Kósmica

A princípio, pensei que tudo aquilo havia sido uma alucinação,


pois minha orientação de vida sempre fora realista, a despeito do
meu pendor já mencionado para o místico. Sempre gostei de coisas
concretas e sempre fui avesso a histórias de assombração, bicho-
papão e outros. Portanto, minha tendência foi de não mencionar
nada para ninguém, pois eu achava que se narrasse para alguém
isto, correria o risco de ser internado, ou de sofrer chacota dos
meus. Passados três dias, comecei a sentir-me bem melhor, Os
amigos resolveram fazer roda de chimarrão na varanda de casa, e
meus amigos de Curitiba foram para lá passar alguns dias comigo.
Quando dei por mim, a casa estava cheia de gente e todos muitos
alegres. Assim que assinei os papéis da minha separação, rumei
para Curitiba. Lá chegando, abri uma firma similar àquela que tinha
em Florianópolis, no Edifício Asa, 15º andar. Esta empresa
necessitava de pouco espaço; por isso, aluguei uma sala em
conjunto com meu primo Marcos Shüler.

Um mês depois de instalado em minha terra natal, um amigo


meu Álvaro Pedro Junior, convidou-,e para ir visitar a Igreja do Balão
( assim cognominada porque sua estrutura é de plástico). Resolvi ir,
apenas porque o filho dele, que é meu afilhado, iria receber o

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Batismo das águas, e como fazia tempo que eu não dava atenção
para o menino e estava sentindo-me culpado por ser um padrinho
relapso, acabei cedendo e terminei por participar de um culto
pentecostal. Era a primeira vez, porque até aquele momento eu só
participara de cerimônias litúrgicas no Catolicismo. Qual não foi a
minha surpresa ao constatar lá dentro, que da ponta de meus dedos
parecia sair eletricidade. Espantado com o fato, colocava minhas
mãos com a palma virada para cima, e sentia como, se da ponta dos
dedos estivessem saindo raios invisíveis. Novamente, procurei
justificar para mim mesmo, dizendo que este formigamento era
porque as minhas mãos estavam dormentes. Saí de lá visivelmente
espantado com o culto pentecostal, porque imputei a procedência
daquele fenômeno à Igreja dita do Balão.

Transcorrido uma semana, outro amigo, o escritor Félix


Gomes do rego Neto, foi visitar-me na empresa. E chegando,
convidou-me para ir até a Livraria Pirâmide, para conhecer uma
amiga dele, taróloga e famosa em Curitiba por seus trabalhos na
área mística. O Félix queria conversar um pouco com ela porque era
aniversário dela, ele queria parabenizá-la. Ele, Félix, estava
montando uma livraria esotérica, e a Ângela por ser mística e
taróloga e já estar no ramo, estava ajudando-o. Quando chegamos
na Praça Osório, em frente à livraria, o Félix virou-se para mim e
falou: - Wilson porque você não vira Guru? – Você está maluco,
respondi. Acho simplesmente ridículo, todos os Gurus; o único que

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

me parecia ser mais ou menos moderno, era o Rajneesh.

Assim que entramos na Livraria Pirâmide, conheci Ângela, a


maga das magas de Curitiba. Aí antes de conhecer-me, ela volveu o
rosto ma minha direção, olhou-me demoradamente e falou: - Você
tem excesso de energia, você precisa dar consulta! Ao ouvir aquelas
palavras., meu coração acelerou e senti que havia como uma
conspiração Kósmica ao meu redor, e parecia que o círculo estava
apertando. Externamente, fiquei impassível; não deixei transparecer
nem para Ângela, muito menos para o Félix que aquelas palavras
haviam caldo fundo dentro de mim. Depois de apresentado, falamos
banalidades e nossa conversa girou sobremaneira, correlacionada
com a nova livraria esotérica que estava sendo montada pelo Félix.

À noite daquele mesmo dia, havia uma festinha de celebração


do aniversário da Ângela e acabei sendo convidado. Estávamos
todos na festa, quando apareceu a amiga da Ângela, Rita,
funcionária da Secretaria do Trabalho. A Rita logo depois de chegar
falou: - Ângela, estou com alguns problemas e gostaria que você
jogasse o Tarô para mim. Depois de pensar por alguns instantes, a
Ângela respondeu: _ Hoje é meu aniversário, não estou atendendo;
quem está dando consulta é o Wilson. Imediatamente a Rita veio,
apresentou-se, sentou-se ao meu lado na mesa e já foi contando o
problema dela, como se eu fosse um mago antigo. Encarei aquilo
tudo como se fora uma brincadeira, e perguntei: - Qual é o seu
problema? A Rita olhou-me bem séria e falou: - Há seis meses que

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado
Estou tentando vender meu apartamento e não consigo; já comprei
outro e estou dependendo do dinheiro deste antigo para poder pagar
o novo. Se não vendê-lo, vou perder o novo. Ouvi tudo atentamente,
anotei em um pedaço de papel os dados dela, e receitei para ela
algumas simpatias, como colocar um copo de água na cabeceira,
acender uma vela. Coisas que eu havia lido em revistas de
horóscopo e de sonhos. O interessante de tudo isto foi que a Rita foi
embora satisfeita, a Ângela e o Félix não desmentiram. Todos
agiram como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Após dois dias, recebi lá na minha empresa, um telefonema


da Rita – Oi, Wilson, acabei de vender meu apartamento. Estou
mandando mais duas amigas para consultar contigo!

Avisei a minha secretária para deixar entrar as moças. E


assim, uma foi indicando a outra e outros. Fui ficando enjoado de
números e, aí, pedi para o meu primo mudar-se para outro espaço e
não parei mais de trabalhar com o misticismo.

b) Transmutação Alquímica – A entrada na


Metaforma

À medida que foram surgindo os amigos da Rita e os amigos


dos amigos dela, comecei a ir ganhando presentes místicos:
gnomos, incenso, fitas, etc.

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________
Fui retirando de forma lenta porém, gradual, todos os
utensílios, que denunciavam minha vida anterior como empresário, e
por outro lado minha orientação começou a ficar mística com relação
ao ambiente, e passei a modificar tudo ao meu redor.

Essa modificação gradativa no meu local de trabalho foi


acontecendo de uma forma misteriosa, porém objetiva. Passei a
colocar imagens místicas por todo o escritório e fui retirando os
indícios do que poderia ter sido uma empresa.
Quando percebi, do que havia sido um local de negócios,
restou algo bem diferente, o Oráculo Flor de Lòtus.

Foi aí que, ao criar o ambiente, descobri que havia uma


energia comigo e que ela era inteligente. Assim fui, pouco a pouco,
comunicando-me, só a nível de pensamento com a inteligência que
me acompanhava. Tão logo tentei o contato, notei a tentativa de um
ser invisível tentando também pelo lado dele estabelecer um canas,.
Paulatinamente, comecei a escrever palavras no papel, sem sentido
aparente. Porém mais tarde, revelaram-se como a Naitum, a antiga
língua dos Atlantes cujo teor e significado foi aparecendo aos
poucos.

Desse modo, psicografei uma linguagem inteira que alguns


amigos e consulentes chegaram a fazer um pequeno dicionário.
Entretanto esta linguagem surgiu para mim apenas para que eu me
comunicasse com a energia que identifiquei como sendo de Hermes
Trismegistos. Por conseguinte, a partir daquele momento, comecei a

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ler tudo sobre ele e seus escritos pareciam ter sido escritos para
mim.
Hoje, transcorridos quase três anos da minha visão, meu
relacionamento social ampliou consideravelmente, uma vez que
inúmeras pessoas, independentes de credo, cor ou situação
econômica financeira, vêm me procurando em busca da resolução
dos seus problemas pessoais. Estas pessoas provindas dos mais
diversos lugares do país, e algumas do exterior, vêm, sobretudo, por
causa da falência dos seus próprios mecanismos, para atingir a tão
almejada felicidade. Na nossa sociedade, o choque do futuro chegou
de forma assustadora, e as criaturas não conseguem resolver às
vezes, até problemas mais simples, porque os remédios existentes
não são capazes de curar, o que leva as pessoas quase ao
desespero e conseqüente sentimento de falência pessoal e, é nesta
esquina de suas vidas, que elas procuram um místico como última
alternativa, sem do assim, sou procurado sempre, quando o
problema já alcançou níveis quase insuportáveis. Como hoje me
sinto com coragem e uma fé inabalada, sei que posso ajudá-las e sei
sobretudo que a espiritualidade de Deus é capaz de resolucionar
qualquer problema.

Depois que iniciei a minha comunicação com Hermes, passei


a criar uma nova astrologia, o chamado Otim Baralar, conhecido
como o Mito do Sol.

E é por meio do Otim Baralar, que eu faço um levantamento


astrológico das pessoas e vou, pouco a pouco, decifrando-as como

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________
energia. Assim, posso prescrever, ou melhor, receituar qual atitude a
ser tomada pelos meus consulentes diante dos seus problemas.
Quando tive a visão, jamais imaginei que iria criar uma meta-religião,
psicografar uma linguagem inteira e criar também uma nova
astrologia.

Todavia, a experiência mostrou-se como todas estar artes que


eu criei, nada mais eram que mecanismos, para ajudar os homens a
serem decifrados como energia. Todos temos uma força Kósmica
energética a se decifrada.

c) A Fênix

Logo depois do aparecimento, na Barra da Lagoa, desta


maravilhosa energia, fiquei convicto de que p que eu havia visto, fora
apenas um pássaro de tamanho descomunal, que outros esotéricos
definiram como sendo o Pássaro Fênix, não obstante após a criação
do meu “Lócus Esotérico”, começou a aparecer na minha mente,
uma recordação nítida do que acontecera naquele dia. Eu, na
realidade, vivera uma experiência transcendental e extremamente
mística, de cunho acentuadamente atemporal. Naquele espaço de
tempo, que eu pensava ter visto apenas a Fênix, eu tinha visto e
ouvido inúmeras mensagens, e vivenciei um universo inteiro, que
passou pela minha vida como se fora um filme em uma velocidade
espantosa. Só quando criei o Oráculo Flor de Lótus, foi que surgiu
na minha retentiva o que realmente acontecera. O que eu pensava
ter sido uma experiência de apenas um minuto, fora contrariamente

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado


Uma vivência de horas; contudo o medo, a tensão e outras
sensações misturadas haviam obnubilado temporariamente minha
memória; porém, quando finalmente me rendi a esta força, tudo
começou a aparecer-me de forma nítida e clara.

d) Os 7 Deuses Imortais

Naquele dia em que acendi a fogueira, eu pensava nos seres


deste mundo; porém, meus sentidos estavam como que atados e
por isso habitava na prisão do corpo. Repentinamente, senti a
presença de um ser ilimitado, e pareceu-me que eu era um Atlas,
carregando o peso do mundo, tal a fadiga que se abateu sobre mim.
Num piscar de olhos, fui chamado pelo nome, e este ser, que se
assemelhava absoluto disse: “Eu sou quem sou, vim do começo que
não tem fim. O que seu espírito ambiciona conhecer e aprender?”
Falei por minha vez “Quem és?” – “Eu”, falou de novo. “Eu
sou Hapt a Hegemonia total. Na minha Onipresença estou contigo
sempre, e sei o que ambicionas no mais íntimo do coração.” E eu
disse “Quero conhecer os espíritos puros a sabedoria da luz,
compreender sua natureza, entender Deus. Oh! Como ambiciono
isto!” Sua resposta veio imediata: “Conserva no teu pensamento
toda ânsia de bem de teu coração, que estarei sempre em aliança
contigo.”

Aí, senti o universo retirando-me da prisão do corpo, e meu


espírito começando a subir, parecia que ele cavalgava a luz.

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Subitamente, vi sete círculos e ouvi sete nomes: “Sari, Mir, Zir, Riô,
Hoã, Rer e Zoꔹ. Senti uma paz imensa e descobri no mais íntimo
da minha alma que estes círculos envolviam o mundo sensível e que
o seu governo era o destino.

Meu espírito continuou sua subida, e vi sóis, os Solimpos²


espíritos puros, Jancros, Fegoreis, Nioges, Rutáis e Zalapados³. Por
fim, deparei-me com uma luz indefinível, potencialmente limitada e
de novo uma voz como se fora de fogo, disse como em resposta à
indagação da minha alma: “ Sou a tua Mônada 4, sou o conjunto das
Mônadas, sou o Monandum”.

A essas palavras entrei em um vórtice infinito e comecei a cair


em um abismo profundo, aonde divisei o Anel das Almas, e cheguei
até o mundo dos mortos. Entre amedrontado e extasiado, quando
parecia voltar para mim mesmo, senti regredir no tempo e perpassei
os romanos, gregos, egípcios para finalmente chegar entre os
Atlantes e mais além nos lemurianos. Então, como num filme em
câmera lenta, fui voltando ao meu mundo, como se eu tivesse um
envoltório imortal que, após, desvesti-lo, pudesse retornar à prisão
corporal.

Hoje, transcorridos três anos, daquele dia, tantas coisas


mudaram; porém, minha fé no transcendental, permanece imutável
em meu coração, e ela é responsável por todos os meus atos a
1 Lua,Marte,Mercúrio, Júpiter, Vênus, Saturno e Sol entre os Atlantes

2 Espíritos Puros

3 Arcanjo, Guardiães, gênios, Anjos e Paladinos

4 Primeira forma, forma pura

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado
partir desta visão. Passei a considerar-me desde então recriado,
regenerado em espírito. É como se eu fosse hoje, um ressuscitado
vivo, depois de ter sido morto-vivo.

No preciso instante em que me senti recriado, percebi que a


partir daquele momento, eu poderia trocar energia com o Kosmos,
ao invés de só dar ou só receber. Resolvi, portanto, tentar colocar no
universo a minha consciência, o meu acreditar, o meu modo de
expressar, aonde eu digo que amo o mundo. Passei a manifestar a
minha própria vida, apenas como doação. Poderíamos dizer, que
aprendi a alocar o meu eu no espaço. Ao agir assim atingi uma
transcendência, porque ao ver minha vida do lado de fora,
compreendi o desdobramento e por conseqüência, a existência
eterna.

Para atingirmos nossa iluminação interior, necessitamos do


brilho do nosso eu superior. Para brilharmos extremamente,
devemos expressar o nosso interior. Este repartir de si mesmo,
começa a mostrar-nos a trilha do autoconhecimento, e conduz-nos à
aquiescência do entendimento maior com o Kosmos.

e) Metrato

Você que pretende conhecer-se a si mesmo, através da luz


do seu eu repartido, precisa conhecer o seu Duplo Luminosos na
noite terrena. Para isso extrai da minha visão o Metrato¹ do Eu.

1 Meditação

43
Wilson Marcelino Filho_______________________________________________________________________________

Metrato do Eu

Descubra qual dia do planeta regente do seu signo: caso você seja
câncer, você é regido pela lua: logo, seu dia será segunda-feira. Se você é
leão, você é regido pelo sol e seu dia será domingo.

Depois de saber qual o dia da semana que é melhor para você, faça
uma meditação, naquele dia, das 12 às 18 horas. Para isso, fique de jejum até
passarem as 6 horas e depois, tome banho quente e vá dormir bem cedo, às
20 horas.

Antes de fazer o Metrato do Eu, procure descobrir quais os


acontecimentos da sua vida, que foram estranhos e aparentemente sem
explicação. Relacione-os em uma folha, e depois, procure descobrir alguma
correlação entre os fatos descritos.

Isto ajudará a iniciar o conheça-te a ti mesmo socrático.

Durante a meditação diga:


¹ Minha fé é imutável em meu coração
Porque nele reflete-se o brilho do meu
Eu superior.
Através deste Metrato me religarei
Com o Kosmos.

Eman²

1 Diga 7 vezes por dia. Caso você tenha 18 dias. Se você tiver 60 anos faça durante 60 dias.

2 Amém

44
_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Hoje, passo o Metrato para os meus consulentes, além da


Marbalah¹, Olhambes², Protegélum³, etc.

Qual não foi a minha surpresa ao perceber no meu Locus


Esotérico, que inúmeras pessoas, como eu, têm a sede da verdade,
a vontade de encontrar-se, o desejo de achar a fé. Todos nós
buscamos nossas identidades, e, com isto, vamos procurando os
mais diversos lugares, em busca das respostas. Ao chegarem diante
de mim, a pergunta é sempre a mesma: - Por onde é que eu
começo? Alem disso, surgem outros, que não se interessam se
existe alguma coisa ou não, o que importa para eles é que você
resolva o problema que os aflige naquele instante. Estes são os que
não querem respostas para si mesmo e sim soluções imediatas.

f) Samarei – despertar

Contudo, o importante é o querer, o desejo íntimo de chegar


até a verdade. Ser um buscador, iniciar. Buscar o eu não é como
buscar algo material. Não tem a mesma lógica. O que acontece não
segue os caminhos tradicionais materialistas. O eu está junto de
você, mas você não o vê. Você sabe que ele existe, fala com ele,
porém, muitas vezes ele não faz como você deseja. Quando você
descobre-se, tudo muda. Várias coisas que estavam para acontecer,
começam a desabrochar. É o despertar dos mágicos de Jaques

1 Cabala dos Atlantes

2 Banhos

3 Tetragramaton

45
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Bergier. Começamos uma nova vida, iniciamos a caminhada da luz.


Resolver ser Guru, não foi a mesma coisa que querer ser
empresário. Guru você vai tornando-se, na medida em que você
liberta as amarras do ser. Todos nós somos conduzidos por uma
mente vivente infinita, chamada comumente por espírito. Passamos
um processo Kármico quando não conhecemos os caminhos desta
mente. Muitas vezes nós agimos contra ela, inconscientes de que
rumamos contra a correnteza. Este desconhecimento dos desígnios
do TODO, leva-nos para um destino, muitas vezes infenso aos
anseios. Contudo, se você acha a sua autêntica propensão, e
consegue ver com clareza e limpidez, qual o seu papel no universo
em que você vive, isto certamente irá levá-lo ao sucesso pessoal, na
conotação de estar de bem com você mesmo.

E por onde iniciamos? Começamos pelo respeito ao próprio


eu. Todos nós possuímos a chama, o nosso sentimento interno forte.
Todavia, a maioria das pessoas despreza este sentir.

O papel do mestre é o respeito a esta emoção. Existe uma


força maior que perpassa nossas vidas, e é ela que nos faz viver,
Querer viver de forma espiritualizada, é deixar fluir esta energia
transcendental que age em nós e procurar canalizá-la na direção do
bem.

O empenho do líder espiritual é no sentido de amordaçar o


mundo físico e os seus apelos apenas instintivos. Para isto,
devemos procurar os caminhos, que nos conduzem a uma

46
_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

espiritualidade progressiva. Esta trilha para ser atingida com


sucesso, deve obedecer a princípios invioláveis. Caso o nosso
desejo de mudar, seja baseado em uma fé autêntica, com certeza,
iremos encontrar as respostas de que necessitamos. Devemos
iniciar, portanto, a caminhada no entendimento do nosso ser,
encarando o desafio de saber quem somos. Nesta trilha da busca do
eu, iniciamos com a caridade, com orações, servindo aos nossos
semelhantes e sobretudo no amor a Deus.

E o Senhor vai revelando-se quando resolvemos ser amigos


dele. Ao começarmos a dar de nós mesmos, nosso universo interior
ganha o exterior. Passamos a fugir do corpo e dos seus feitiços e
enganos. Ao abandonarmos paulatinamente o tecido da corrupção,
um novo universo de espiritualidade abre-se diante de nós. Creio
que subitamente encorajei-me e resolvi ir em busca do meu eu.
Decidi ser eu mesmo e para tal, encetei uma caminhada no caminho
da luz. Optei por deixar que a transcendência atingisse a minha vida.

Dei início a jejum, meditações, orações, caridade, renúncia e


assim por diante.

Em não muito tempo, começaram a aparecer as mais


variadas respostas, e para minha surpresa, o mundo espiritual
começou a surgir. Até aquele momento, tudo que diziam sobre este
mundo e a verdade era mais ou menos velado. Todavia, após
algumas atitudes, notei que eu estava apenas no início. Verifiquei
que por trás deste mundo material, havia um universo espiritual,

47
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Incrivelmente fantástico, no comando de tudo.

Arrisquei assim, penetrar na chamada senda estreita.


Renunciei a vários espaços ditos materialistas e embarquei
definitivamente no que se revelava para mim ignoto e misterioso.
Penetrei no mundo oculto, e passei a ser um neófito ou
popularmente conhecido como iniciado. Senti-me repentinamente
projetado em um admirável universo ignorado. Ao engatinhar na luz,
descobri seu infinito poder e constatei que ali habitava a metaforma.
Todas as formas do mundo, aonde vivemos, foram ali cunhadas.
Descobri que o meu eu, só não existia como energia individualizada
por ser disforme, isto é, sem sua forma própria, foi a grande
constatação. Foi assim, que tomei a decisão de tomar a forma que
sempre sonhei. Propus-me a ser fiel ao meus sonhos. Só que para
isso, necessitava de um aporte, um Dharma. Compreendi que eu
vivera em um adharma até aquele momento; porém, a minha
resolução de mudar minha vida, que implicava em organizar a
bagunça interna, aonde eu me enfiara apenas por minhas
irresponsabilidades dependia apenas da minha coragem de
começar. Arregacei as mangas e passei a procurar o melhor meio de
dizer-me. Eu sabia que dentro de mim mesmo vivia uma força
extraordinária, cujo potencial de fazer o bem era inigualável.

Derrubei minhas barreiras pessoais, venci as amarras do ser,


e a partir daquele instante, fui me dizendo. Iniciou-se um processo
de eu me dizer.

48
_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Minha vida começou a ser organizada, as partes do meu eu


foram paulatinamente sendo ditas e ganharam o Éter. A doação
infinita da vida inicia-se. A espiritualidade estava lançada. A busca
do eu e sua potencialidade infinita ensaiava os seus primeiros
passos. Dizer-me em minha pequenez, ver as sementes próprias
multiplicando-se e ocupando gradativamente o Éter, era um genuíno
exercício da busca do eu. Iniciara-se a multiplicidade das minhas
existências na unidade do meu ser. Passei a enxergar o mundo
inteligível separado do sensível, como fizera o sábio Parmênides de
Eléia, há séculos atrás. Repentinamente, como por encanto, percebi
que podia dizer toda a insustentável leveza do meu ser. Tal
constatação era oriunda dos ensaios no jejum, na caridade e no
servir. Tudo aquilo que eu começara a investir no mundo místico,
fascinava-me, pelo seu retorno centuplicado. Como poderia ser tão
encantador lidar com o mundo Etereo? Seduzia-me a pureza de
imaginar cada pessoa com uma originalidade, com sua
espiritualidade preservada. Este universo de espírito individual é
forjado pelo Samarei.

49
Wilson Marcelino Filho________________________________________________________________

¹Samarei

Depois de haver feito os metratos, você sem dúvida começará a


perceber várias conexões, entre os fatos que apareciam apenas como
coincidentes.

Passe um mês, fazendo orações às 6 horas da manhã e às 18


horas. Às 6 horas voltado para onde o sol nasce e às 18 horas voltado para
onde o sol se põe.

Ao fazer sua oração inclua este prólogo:

Senhor, eu quero o meu despertar.


Eu quero o meu Samarei.
Sei que vivenciarei a força do infinito.
Conseguirei ir até a transcendência
Aonde passarei a ouvir apenas a tua voz.

Eman²

1 Despertar

2 Amém

50
_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

g) Revivendo

Foi assim que continuei dizendo o meu ser, e este fascínio


que me embriagava, fazia-me reviver desse modo deixava de
morrer; saía poço a pouco da morte e embarcava na vida. Tudo
passou a regenerar na minha vida, pois achei um meio de consertar
o que se encontrava degenerado, até o que era uma desesperança,
pois minhas potencialidades diziam-me que tudo era consertável. A
sensação foi como se eu houvesse colocado o meu mundo, em uma
oficina especializada, e tivesse saído com a minha existência
revisada. Esta visão completa, esta revisão total, foi conseguida pela
revisitação do meu ser em meu passado pelo questionamento
inteligível do presente e, sobretudo, pela certeza de estar rumando
para o futuro, aonde estarei vendo florescer a arte, a ciência, a
filosofia e a religião, coisas nobres que vão aquecendo a nossa
alma, e por esta razão vão construindo a felicidade.

Levar portanto o ser para fora de si mesmo, expressar um


kosmos inteiro, dos ,ais variados modos, é um meio seguro de
reviver-se, de recordar-se e por isto mesmo, viver; pois “recordar é
reviver”, e “reviver é viver duas vezes mais, dependendo do grau de
satisfação.

Deste modo, fui revivendo todas as forças espirituais e


combatendo a inércia que perpassava a minha vida, e que impedia o
desenvolvimento das qualidades.

51
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Toda a abrangência que pode conseguir a expressão


daqueles que encontram um aporte para as suas manifestações e
que descortinaram o fluxo maravilhoso do universo, da colocação do
mundo que nos cerca, por um influxo interno. É indubitavelmente
encantador, ir colorindo o mundo, com todas as cores que você
sonhou, e depois você descobrir que elas eram todas as cores que
viviam no seu interior.

Ao medir o efeito do seu universo expresso e assim avaliar o


potencial do seu mundo inexpresso, passa a conhecer o seu ritmo, o
seu potencial de doação de vida, porque viveu as cores que
nasceram de você também, descobriu as cores que estão no mundo.

Quando se descobre revivendo a sua vida de um modo


mais espiritualizado, mais religioso e mais filosófico, aí iniciou a
caminhada, passou a entrar nos arcanos.

Torna-se, naquele instante, cada vez mais urgente, saber que


malgrado a morte nos cerque, a vida que brota daquele que é
simultaneamente o mesmo e o outro; porém, em outra posição,
revigora as manifestações do eu, redimensionando o novo que vem
paulatinamente ocupando o lugar antigo.

E, com efeito, as idéias, que até aquele ponto, vinham de


modo errante e inexpressos passam a se manifestar, até atingir suas
posições como substância, o que abre um novo horizonte, além de
dar uma postura diferente, uma vez que mais representativa.

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

É dessa maneira, que se reencontra o ser, que, sai primeiro


ao plano inteligível após despedir-se do amorfo, o detestável
informe, e aí ocupa o plano sensível, como uma idéia que ganhou
figura. Depois, o passo seguinte, uma vez estruturado como modelo,
é tipo ou molde, a forma inteligível cristalina expande-se para os
seus pares sensíveis, em uma parição impressionante. Daí as
cópias do seu modelo, vão ocupando o espaço cada vez mais,
revalorizando o criado, e trazendo novas forças para que surjam
mais criações.

Contudo, o meu reviver aconteceu, porque comecei a sentir-


me uno e repartido, projetado no Todo e introjetado no próprio eu,
que passou a enriquecer-se desta troca, do escambo entre o
kosmos e a nossa tão preciosa individualidade.

Choquei-me, não negarei, ao perceber minhas formas mais


etéreas, baixando até a mentira da sensibilidade reflexa; contudo,
procurei manter-me na fé da dialética, como trampolim da ascese
espiritual da unidade, até o céu da compreensão do maravilhoso
movimento do universo.

Sabia intuitivamente, e também graças aos meus pais, que


aqueles que são buscadores, e que buscam a si mesmo com frenesi
ou com calma, mas sempre se buscam, estes sim, estão saindo das
turvas energias da matéria, estão abandonando o circulo mentiroso
do mundo sensível, para embarcar na nave maravilhosa da
inteligência circular.

53
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

O entendimento deste espírito de luta é uma resposta


contundente a várias perguntas do céu, e sua importância é crucial
como elemento de auto descoberta. Confesso que esta parte não
veio da visão, muito menos dos 7 deuses sagrados, porque a magia
já nasce impregnada em nós, e sermos guerreiros, irmos atrás é um
dever. Desincumba-se das tarefas, vá à luta, não se entregue,
realize o movimento, faça igual à vida porque ela não está parada,
assemelhe-se a ela, par que ela descubra sua importância e
entregue-se a você.

Contrariamente a inércia abraça com sua traição, nossa


indefesa sensibilidade e a amordaça, deixando-nos aprisionados nos
nossos próprios medos e inseguranças. Todavia, a compreensão de
um caminho de vida, de uma procura para chegarmos na nossa
superconsciência ou sol interior, é o que nos exorta a continuar
lutando a despeito das dificuldades.

Indubitavelmente, o maior inimigo do ser é a matéria, e você


não deve querer ter para ser, mas ser para poder ter. A descoberta
do ser provoca a sua expansão do tempo até à forma e da forma até
ao espaço. Porém, sair do espaço para chegar até a forma é
extremamente difícil, pois aqueles que estão no espaço só
conseguem ver as formas sensíveis, uma vez que as inteligíveis
estão ocultas no tempo.

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

h) A Magia da Forma

Auto-descobrir-se é procurar ser mágico da forma, trazendo


do tempo o inconsciente e o aprisionamento ao subconsciente, para
que ele possa expressar-se Np consciente, Jamais, contestarei que
revivemos ao capturarmos o invisível e colocarmos sua
transcendência no visível.

Ademais, a audácia de varar o mundo não-visível, caminhar


nos seus infinitos rumos, e navegar no mudo da perfeita vibração
kósmica, aonde sua energia é o grande eixo que eqüidista todos,
estabelecendo o belo, o justo e o verdadeiro, é saber-se proprietário
do bitoque, o toque uno e o toque plural.

Foi por essa razão. Que deixei que a recorrência da minha


visão perpassasse meu ser, e comecei a decodificar os códigos
akásicos que lá se encontravam, para que, ao penetrar no âmago da
mente vivente infinita, ela compreendesse a minha busca, e
revelasse quais passos que deveriam ser tomados. As palavras que
Herman Hesse vinham sempre à minha mente. – “Eu queria ser
apenas eu, mas por que isto é tão difícil?”

Agora, sozinho, na transcendência infinita, indago-me! –


Senhor, decidi ser eu. Consegui; mas, agora que faço? Assuma que
você é a ponte, mergulhe em sua própria cratera, vá até o fundo!

Ao me ver, vivendo no transcendentalismo, descobri que o


despertar metafísico é o direcionamento do ser em direção ao
55
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

tempo, cujo acordar provoca a necessidade de tocar o ser, ora como


individualidade, ora como pluralidade, momentos de toque uno,
momentos de toque plural. Tocar no uno é a busca da
particularização; tocar no plural é a busca da participação com a
imitação, é a descoberta do ritmo. Participar é expressar-se
projetando o seu eu metafísico; imitar é buscar o estético, e entender
o ritmo maravilhoso de Deus, É entender e manobrar o movimento
do metafísico com o estético, para descobrir a dialética que nos fará
reviver.

Embora este samarei (despertar) possa parecer impossível ao


homem animal, o chamado bruto da matéria, aquele que nunca viu o
céu, o uso correto da palavra, a palavra com razão, aquela que
como as pirâmides sabe desafiar o tempo, será impossível ir pouco
a pouco, em uma evolução gradativa; ir projetando os amantes da
verdade no universo do ser.

Utilizando-me deste entendimento, perdi os medos e deixei de


sentir-me desapontado e ludibriado com a vida. Encarei a distância
da minha filha com naturalidade., procurando ir e vir para compensar
a distância. Rompi com o capitalismo, redimensionando o seu lugar.
Enfrentei os questionamentos sociais referentes à minha nova
postura. Aceitei o meu eu superior com todas as suas
peculiaridades. Decidi rumar em direção de mim mesmo; e para tal,
fui paulatinamente retirando a fantasia. Tive a coragem de ver o
irmãozinho que eu era, em sua total nudez. Vi, outrossim, meus
amores passados, desfilando diante daquilo que fui, e entendi muito

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

do que não tive coragem de ser, compreendi minha pequenez diante


da sobrevivência, ao aceitar que sempre sonhei com a
supervivência. Somatizei a maravilha que é o amor dos pás, a
solidariedade dos amigos e sobretudo, a força de Deus em tudo que
se faz.

Passei a embasar minhas convicções, na fé: Inabalável no


sucesso, da realidade nova que o Senhor, construía para mim, em
uma velocidade espantosa.

Bendita é a compreensão de que você pode descobrir-se,


quando o ser projeta-se e explode no universo em mil formas
diferentes, Se você estiver no tempo ou na sua metafísica pessoal,
estará fazendo a sua própria aritmética; porém, ao chegar-se no
espaço, sua compreensão será geométrica.

Sua espiritualidade, por intermédio da mágica das formas,


deve ir do uno ao plural para a criação, involuindo para esvaziar o
ser, mas evoluindo para enriquecer o material. Depois sua
materialidade operacionalizando a mágica formal, deve ir do plural
ao uno, que corresponde ao dinamismo de reintegração. Evoluindo
para completar o ser, mas involuindo materialmente. Este duplo
movimento de criação e reintegração é a imagem fenomenológica da
nossa própria expressão. É a entrada no espaço. Este espaço
começa pelo descobrimento do nosso eu e do nosso poder potencial
de nos desdobrarmos em infinitas formas. A compreensão de que
nós temos em nosso interior uma potencialidade virtual e que essa

57
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Virtualidade pode tornar-se ato, ação. A saída do ser potência para


ser ato é fruto de uma visão da jornada a ser feita, da descrição dos
objetivos e a consequente ação em rota da proposta.

Malgrado o medo da atividade orientada e apesar de que


possa existir a certeza da necessidade da ação por si mesma, pelo
simples desdobrar do ser, até a confiança do sucesso na
empreitada, possa gerar uma insegurança, o desejo de expressar o
belo pode ser estendido até o justo e não até o verdadeiro.

Entretanto, para evoluirmos em nossos passos, precisamos


de uma dialética forte que nos conduza à ação, que nos retire do
mundo potencial e nos projete no mundo ativo.

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Capítulo III

a) Monandum, o Deus Único

Ora pensando no Um e suas necessidades, ora atuando no


Todo com o desenvolvimento da imagem, descobri Deus, encontrei
o Monandum e com sua força passei a vivenciar o mito do Sol, o
chamado Otim Baralar.
E por meio desta nova astrologia que criei, passei a
estudar os astros, entender aqueles que me procuram por seus
problemas físicos, mentais e espirituais.
Desenvolvi a Naitum, a linguagem Atlante que veio
para mim, e em cujo bojo encontra-se a filosofia monandista e por
meio dela venho formulando inúmeras ações de graças.
Criei um movimento de arte para expressar a
magnitude deste sentimento que me envolve. O chamado
Revivencismo é uma orientação na arte, cujo escopo é revelar a
beleza da nossa brasilidade, através da comparação de nossas
realidades artísticas com a realidade Romana, egípcia e Grega, nos
mesmos moldes como foi feito no Renascimento.
Psicografei a Marhbahlah que é a Kabala atlante, e
com ela tenho trabalhado com sucesso a energia de muitas
pessoas. Faço este levantamento pelo dia de nascimento e
desenvolvo desse modo toda uma plataforma energética que vem
formando uma corrente espiritual. Os trabalhos assim

59
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

realizados, criaram uma aura de espiritualidade alta, que


provocou o surgimento de vários grupos de bem ao redor do oráculo.
Surgiu o Só Vida, grupo contra a Aids que tem hoje 400 integrantes.
Apareceu o Pró-Liberdade, que é um programa der atendimento ao
interno condenado. Formou-se a Maigran Opan Terrá (Grande Obra
de Bem) cujo escopo é dar apoio às entidades beneficentes, esta
comandada pela minha mãe Norma Valente.

Por outro lado, desenvolvi trabalhos místicos sobre


runas e estudos no direito romano como A Primeira Instituta, todos
com o apoio de amigos.

Psicografei toda a história do Imeroni, o Bendito Filho do


Monandum, cujo tema será a atenção do meu próximo livro. Senti as
energias dos setes planetas sagrados e percebi que aqueles nomes
da minha visão, nada mais eram que da Lua, do Sol, Marte, Júpiter,
Saturno, Vênus e Mercúrio.

Repentinamente, na recorrência da minha visão, vi sete


roupas que deveriam ser usadas nos passes; cada uma de uma cor.
Estas roupas são célebres “Parrones do Guru”. Notei que os sete
caminhos divisavam-se diante das pessoas e em cada um deles
havia uma colocação.

Iniciei o ¹Hancaduz, que são os hieróglifo da Naitum, cada


um com a sua simbologia e com eles, passei a decodificar inúmeras

1 Hieroglifo monandista

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

formas energéticas até aquele momento indecifradas.


Para meu espanto, senti com intensidade que tinha uma
“Missão”, e que para conseguir realizá-la teria que desenvolver o
iluminandum (Mistério do Carisma do Monandum).

O mais surpreendente da infinidade de trabalhos que vêm


sendo realizados, de dois anos para cá, é que tudo acontece
naturalmente, sem que eu entenda bem o porquê. Só sei que sinto
“uma grande condução ao fundo”.

b) Exorcismo

Além do que foi citado, realizei um exorcismo com um jovem.


E foi logo depois desse fato, que consegui perder o receio de dar o
passe me qualquer pessoa.

Nestes dois anos, centenas de pessoas já foram e continuam


sendo atendidas. Atualmente, tenho uma participação na CNT, no
programa da Linda.
Por intermédio dele, venho divulgando parte dos trabalhos no
Oráculo.
Esse programa é televisionado e gravado na sede atual do
Oráculo, na rua Carlos de Carvalho, 608, um lugar central de
Curitiba, Estado do Paraná.

As pessoas que são atendidas, os chamados consulentes,


são exortados a fazer a caridade, e aqueles que se situam e se

61
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Harmonizam nesse sentimento, acabam solicitando quadros dos


artistas revivencistas, pedindo-lhes, que descrevam em suas
pinturas, qual a visão que eles, consulentes têm da Brefel Tequar
(era de aquário).

Venho procurando atender tanto aos políticos, executivos,


ricos e pobres indistintamente. Confesso que tenho maior prazer em
atender aos adolescentes. Fiquei surpreso com o mundo que existia
por trás de cada um, e notei que o segredo da minha atividade é
guardar o segredo das mil e poucas pessoas relacionadas comigo.
Creio que o mais belo da visão foi o local para onde as almas vão
após sua imortalidade; um lugar maravilhoso, acima dos sete céus, a
chamada Efraoz algo intermediário entre o Olimpo dos Gregos e o
céu Cristão. Nele, eu vi uma hierarquia espiritual impressionante que
envolvia o trono do Manandum. Depois disso, comecei a passar
inúmeras orações, cujo intuito é elevar a espiritualidade dos
consulentes e ir preparando-os para a imortalidade da alma.

Variados artistas acorrem ao Oráculo e alguns estão


descrevendo em suas pinturas, como é a Sari, a Lua entre Atlantes,
e também, como é o Mir, o Marte Atlante.

Iniciei, outrossim, a Otimgola, a Mitologia Brasileira, trabalho


este que descreve a natureza dos sete planetas do Brasil.

Contrariamente a todas as teorias aventadas a respeito da


Atlântida, venho psicografando um cataclisma bem diferente,
daqueles descritos pelos entendidos do assunto no mundo. O fim

62
_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Apocalíptico da Atlântida, fornecido por todos os pesquisadores, diz


que depois de explodir no mar, seus sobreviventes teriam ido para
diferentes lugares do planeta terra, e deles é que surgiram várias
civilizações.

Minha teoria é bem diversa, e também é tema de um novo


livro que se encontra no prelo. Nele está descrito a Atlântida
explodindo, não no mar, e sim, no céu. E narra, outrossim, como os
comandantes remanescentes ficaram congelados em cristal liquido
no espaço, em uma caixa preta.

Cada um dos assuntos acima descritos, só foram


mencionados superficialmente, dado a infinidade de variantes que
envolvem cada um deles bem como o entrelaçamento de cada um.

c) A Consciência da Alma

A realidade de tudo é que quando tomei consciência, estava


professando uma espiritualidade maravilhosa. Minha voz passou a
apregoar a busca do sol interior, o bendito Imeroni, o abençoado
filho do Manandum. Este sentimento invadiu a minha alma,
despertando uma fé inabalável na construção de um mundo melhor.
Fé esta, que me exorta a fazer orações, caridade, servir e inúmeras
outras coisas. Surpreendo-me de como o Senhor, com sua destra
imperecível, auxilia-me em todos os meus passos e por sua bênção
colocou-me em sua obra. Sei que o infinito amor do pai vem
abençoando os Sanareus (os que crêem no Imeroni), e tudo que é
feito com amor certamente prospera.
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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Repentinamente, entreguei-me ao amor do pai, e deixei fluir


todas as minhas culpas e incertezas, sentindo-me a partir daquele
instante completamente perdoado. Analisei meus erros cometidos no
passado, questionei o meu presente e criei coragem para enfrentar o
futuro. Soube no mais íntimo do meu ser, que minha fé extirpara
minha solidão interior, e como em um passe de mágica, meus
pensamentos tornaram-se fluidificados. Senti, intimamente, que
minha energia comunicava-se de modo cristalino com a Mente
Vivente Infinita. O passado foi sendo despistado pelo novo pensar,
até que acabou dissolvido na nova expressividade do meu eu.
Curvei-me ao mundo novo que me mostrou ser comandado peço
“Verbo da Soberania Absoluta”, o chamado Nous Platônico.
Resgatei as verdades embutidas no véu do tempo e ingressei na
atemporalidade. Vi aí, meu corpo desnudo sem minha alma e me
imaginei muito pequeno. Era como se eu não fosse ninguém,
apenas um peso morto. Como seria triste a partir daquele momento,
não termos a energia que abençoava meu ser. Era lamentável
imaginar meu corpo vazio. Isto tudo ficaria como um cadáver vivo.
Nada mais encantador do que a consciência de que somos o reflexo
de nossa alma e de que ela não é pequena, parodiando Fernando
Pessoa. E nada mais triste do que se imaginar sem ela. Comecei a
ingressar no mundo da alma, depois de passar anos, deixando-a de
lado. Era inacreditável como alguma coisa que não tinha importância
para mim até aquele momento, se transforma a partir dali na mais

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

importante. Considerei este momento o mais significativo, pois


constatei que este é o genuíno samarei (despertar). Ao ser invadido
pela consciência da verdade, caí em prantos e as lágrimas me
escorriam pelo rosto.

A inacreditável descoberta de que se abriam os olhos do


espírito, emocionava-me ao mesmo tempo que me elevava. O amor
pela humanidade passava pelo meu eu, exortando-me a realizar
ações de graças, as emoções se misturavam dentro de mim, uma
vez que eu chorava e ria simultaneamente, Ao mesmo tempo que eu
penetrava no fascínio daquele sentir, amedrontava-,e o novo.
Todavia, a despeito das inseguranças decorrentes da minha vida
anterior, o advento deste novo modo de sentir, tornava-me aliado e
sobretudo magnânimo com o meu ser, Descortinei, por conseguinte,
uma viagem ao éter, através do desconhecido; e assim,
descosturando as portas da imaginação, tirei as infinitas
inseguranças e dei vazão ao justo, ao belo e sobretudo, ao
verdadeiro. Viajei para os mais diversos mundos, embarcando no
sonho de um novo mundo aonde prevalecia o amor.

Contudo, por outro lado, passei a ver com clareza e limpidez o


lado realista, a miséria humana, nossas fadigas e aborrecimentos, a
vida apenas pelo lado cru físico, sem a fantasia e a ilusão. A vida
vista apenas pelos olhos da carne; aquela que vê o mundo como
algo material. Passei a encarar a matéria bruta, e me achei mais um
no meio da multidão, no enjoado viver por viver, sem objetivos
ideais, sem planos concretos, algo como passar a existência

65
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

trocando de roupa, vendo televisão e, sobretudo, conversando sobre


futilidade falando só sobre ganhar dinheiro e embarcando na rotina
do consumismo, como tantos outros.

Entretanto, diante da dicotomia entre estes dois mundos


díspares, divisei um universo intermediário onde senti que para tudo
existe um equilíbrio, um meio termo, algo entre a covardia e a
temeridade, o universo da coragem de viver uma realidade perene, e
mais digna de ser vivida.

d) Conspiração Antes da Visão

Dentre estes e outros aspectos, lembrei do dia em que tive a


visão. Bem como daquele que o antecedeu. Na noite anterior, fui
dormir mais cedo do que o habitual e isto me surpreendeu. Recordo-
,me que às 20 horas, bateu o sono e comecei a dar algumas
cochiladas. Deitei-me de roupa mesmo e quando senti que o sono
era para valer, levantei-me coloquei o pijama depois de um bom
banho quente, e em seguida adormeci. Quando acordei de novo,
eram quatro horas da manhã, e eu estava completamente sem sono.
Pulei da cama, coloquei uma roupa e saí. Achei-me estranho em um
ritmo diferente de todo mundo. Não ia para o trabalho, como os
operários que levantavam de madrugada, e muito menos, agia como
os festeiros que voltavam para casa tarde. Lembro-me de que
passou um táxi, e i o apanhei simplesmente, e pedindo para ser
conduzido ao centro de Florianópolis, acabei desembarcando na
Praça XV.

66
_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Sentei um pouco embaixo de uma figueira célebre que existe


bem no centro daquele logradouro público. Dali, dirigi-me a pé à
Beira Mar e passei a andar a esmo. Repentinamente, senti vontade
de olhar para cima e vi o Morro da Cruz. Fiquei extremamente
atraído, como se ali houvesse um imã. Iniciei uma caminhada até ao
alto, e quando lá cheguei, eram quase seis horas da manhã, estava
amanhecendo o dia. Lembro-me de que meu coração estava mais
acelerado do que o normal e eu apreciava o sol, que começava a
nascer e na receava encará-lo.

Sentia, isto sim, uma onda de amor provinda daquela


imensa bola de fogo. Entre um minuto e outro, meu corpo era
percorrido por calafrios. Hoje, sei que havia alguma coisa no ar,
porque sendo desperto, já consigo ver com os olhos do espírito.
Todavia naquele instante, talvez por ter o coração endurecido, eu
apenas rivalizasse com o que seria meu sentimento maior. Ao
chegar às 6 horas, voltei para o nascente e abri os braços. Agia com
naturalidade porque sabia que não havia ninguém me observando.
Em um piscar de olhos, minha lama sentiu-se plena e fui invadido
por um sentimento profundo de amor a Deus e à humanidade, que
até aquele momento jamais sentira. Por outro lado, era envolvido por
um pessimismo e um conflito sem precedentes, gerando uma revolta
e fazendo com que eu culpasse a todos pelos meus desacertos.
Estes dois sentimentos contraditórios foram repentinamente
substituídos por uma sensação de bem estar maravilhosa. Comecei
a trafegar pelo Pináculo do Morro, para ver Florianópolis por todos
os lados.

67
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Uma vez olhando para o lado norte, senti que deveria ir


caminhando até o Morro da Lagoa. Notei que fui compelido a ir, que
estava sendo conduzido. Desci o morro e fui pela beira-mar norte;
passei pelo centro Integrado de Cultura; Virei na direção de que, vão
para Canasvieiras e chegando na altura do Cemitério do Itacorubi,
virei em direção à Lagoa da Conceição. Embora meio cansado
continuei. Ao olhar para o cemitério veio a lembrança do Dr.
Adherbal e quase entrei. Ao prosseguir na caminhada me sentia
bem, a despeito do cansaço. Quando cheguei ao pé do Morro da
Lagoa, esmoreci um pouco. Pensei em pegar um táxi; porém,
continuei caminhando a ao chegar morro acima, comecei a
contemplar a beleza da Lagoa e, novamente, abri os braços sentindo
como se a minha alma pudesse voar e eu estivesse planando por
cima daquele espetáculo deslumbrante, que se descortinava à frente
dos meus olhos, Respirei fundo e me apercebi que havia um
chamamento; porém, eu não conseguia divisar qual era. De lá,
avistei o Morro da Barra. Novamente, senti-me compelido a
continuar minha caminhada. A esta altura, já me sentia cansado
fisicamente; não obstante, mentalmente nunca me sentisse tão bem.
Notei que meu pensamento estava muito claro, e parecia que eu me
encontrava em um estado intermediário entre o sonho e a realidade.
Fui tomado, repentinamente, de um amor pelos florianopolitanos que
tão bem haviam me acolhido na cidade deles. E, pensei comigo,
como o povo brasileiro é bom e como seria maravilhoso ver
concretizado o sonho do país do futuro. Apreciava a Lagoa com

68
_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

todas as suas belezas; impregnava-me com a espiritualidade


daquele local; deixava que meu ser debruçasse meu espírito
naquela paisagem fascinante e nela me entregava de corpo e alma.

a) Chamamento

A força do chamamento interno continuava, no sentido de


que eu prosseguisse na caminhada. Continuei, mesmo com os pés
doendo, pois a impressão que eu tinha é de que deveria caminhar, e
por isso, fui descendo o Morro da Lagoa na rota do Morro da Barra.
Enquanto caminhava pela avenida das Rendeiras, sentia a
santidade daquela ilha e tinha um prazer em pisar o solo, porque em
mim vibrava algo de sentimento nacional; admirava os gaúchos
pelas suas tradições e pensava na possibilidade de todo o Brasil em
um mesmo sentimento; lembrava de um governante do passado que
colocara um punhado de terra brasileira no seu travesseiro, via um
vermelhão no céu das nuvens e imaginava que aquele vermelho que
tingia aquela nuvem, naquele momento, tinha algo do sangue de
Tiradentes. Recordava dos meus sonhos de adolescente, quando
Curitiba, via o céu coberto de balões na época da Copa do Mundo.
Ao correr no encalço deles era como se eu perseguisse, em cada
balão verde amarelo, um sonho de uma grande nação.

Caí, repentinamente, em mina fragilidade pessoal, e


comecei a ver-me como um monte de carne, com panos ao redor,
solto e sem parâmetros. Imaginei-me um arrematado idiota,

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

sonhando inúmeras coisas sozinho; fiquei revoltado por não ter voz
nenhuma, senti-me um estúpido por não ter feito nada, até aquela
data, que valesse a pena. Enxerguei apenas o bicho homem
desespiritualizado e impotente. Não aceitava que tanto tempo
passara-se na minha vida e nada fizera pelo meu país. Via-me como
um revolucionário bufão de coisa nenhuma. Mais um covarde na
relação com o seu semelhante. Criticava-me sobretudo, pela
vergonha que tinha de chamar os outros brasileiros de irmãos. Nada
conseguia deter a vaga de pensamentos que falavam no meu íntimo,
ao meu coração desnudo e empobrecido, em decorrência, da
pequenez da minha alma de homúnculo. Descobri como os meus
vícios pessoais haviam enfraquecido o meu caráter e defrontei-me
com a minha pusilanimidade, tomando ciência do quanto eu era
fraco para enfrentar minha problemática pessoal. Isto tudo se
cumulava com a falta de objetivos, servindo para que eu viesse e
constatasse o quanto podemos ser desimportantes e apenas
figurativos quando estamos sozinhos.

b) A Descida da Cratera

Naquele instante de dor, mergulhado na minha cratera


pessoal, às voltas com meu acerto de contas, culpava-me acima de
tudo pelo exacerbado egocentrismo. Não conseguia pensar como
era possível um homem feito, com mais de 35 anos, com barba na
cara, pudesse chegar à idiotização tamanha; de ficar tão a esmo na

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

problemática do mundo, e ainda por cima, percebendo a bancarrota


dos seus valores pessoais, não tomar nenhuma atitude para
consertar tudo misto. Meu pai dizia com muita propriedade que “A
burrice pode ser imensurável”; portanto naquele instante precioso de
indagação, ruminava comigo mesmo, que a “imbecilidade pode não
ter fim”. Estupidificado pelo tamanho e profundidade do meu cárcere
mental e moral, lançava imprecações contra mim em voz alta, pouco
me importando se os transeuntes me imaginassem louco.
Repassava o meu passado em uma velocidade espantosa; assim os
inúmeros passos inseguros, incertos e errados, caíam em minha
consciência como uma catarata rumorejante e turbilhonante, Era-me
dificílimo se condescendente comigo. As interpelações sucediam-se
incessantemente, e minha mente aturdida com aquele repentino
acerto de contas, procurava em vão ocultar-se. Toda a maravilha do
cenário que me envolvia, não era suficiente para libertar-me das
teias da vida vil e estúpida que eu escolhera para mim. Não
obstante, a forma obsessiva com que meu ser indagava-me, em
busca de sua individualização, não interrompi a marcha; tanto é que,
quando me dei conta, já me encontrava ao sopé do Morro da Barra,
na bifurcação aonde você opta se vai para a encantadora praia da
Joaquina ou vai para o célebre Barra da Lagoa. Somente, no início
do aclive, é que deixei de auto supliciar-me, não porque quisesse, e
sim, porque meu corpo já estava todo dolorido e senti que estava
próximo à exaustão física.

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

De tudo isto, o mais importante era o sentimento que me


avassalava dizendo: - “O espetáculo deve prosseguir”. Assim, ao
invés de dar-me por vencido, iniciei a subida do terceiro morro, vindo
à minha mente o número 3. Pensei na trindade; porém, apenas
como Logikói¹, e não, como Sanareus². Lembro-me de que meu ser
estava fatigado de tanta informação sem direcionamento. Excogitava
sobre as minhas buscas, inclusive, verificava quantas coisas
diferentes eu já experimentara, sendo que nenhuma delas servira
como refugio. Fui em frente, sempre subindo; a essa altura já suava
bastante e minha cabeça parecia que ia explodir, porque me
avassalavam simultaneamente o, cansaço físico e mental. Quando
já não podia mais, cheguei no segundo topo do morro da Barra, em
um local aonde hoje existe um bar chamado Ponto de Vista. De lá,
contemplei toda a lagoa novamente, desta vez porém, encarando-a
por um outro ângulo, mas não deixando nunca de admirar-lhe a
beleza. Postado naquele local, abri novamente os braços, para que
o meu corpo ficasse em uma posição de imobilidade. Respirei fundo,
fechei os olhos deixando que a vida entrasse em mim. Percebi que
estava tonto porque até aquele momento eu não comera, nem
be4bera absolutamente nada. Espantei-me como, naquele dia,
conseguira judiar de mim mesmo. Olhei para o lado direito e lá
embaixo, consegui divisar a minha casa na Barra. Não sei por que,
mas minha mente ficava presa a um sentimento intrigante quando

1 Vitima da forma sem razão

2 O senhor do eu. Espiritualizado

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

para lá olhava. Abandonei repentinamente todos os


questionamentos e iniciei a descida, bem próximo de casa. Quando
lá cheguei, embora tivesse passado muita fome, abri a geladeira e
não comi nada. Fui apenas tomar um banho e ato contínuo me
deitei.

g) Coragem

Coloquei minhas mãos cruzadas atrás da cabeça, de olhos


bem abertos a olhar para o teto, sem nada enxergar. Aí, comecei a
sentir uma sensação de conforto, extremamente gostosa. Meu corpo
já relaxado pelo banho, ainda estava sentindo o frescor do sabonete
e da água, e o perfume do shampoo no meu cabelo fazia-me bem.
De repente, passei a rir de mim mesmo. Pensei no que eu havia
feito, e não pude conter as risadas. Desatei a rir ao notar que havia
feito o caminho do corvo. Saíra de casa, fora até o centro sem
motivo aparente, caminhara como louco para voltar ao mesmo lugar,
Ao pensar na tolice que fizera, ria sozinho. Hoje, porém,
transcorridos alguns anos, vejo e entendo que, pela minha
imaturidade espiritual, não aprendera a lidar com meu eu superior e
por isto, minha vida fora se tornando sem sentido, pois naqueles
dias em que fiquei sem trabalhar, aguardando apenas os papéis da
minha separação, dedicando-me apenas à literatura (que mesmo
nos momentos mais cruciais não abandonei), foi que meu eu
superior, afastado da ótica apenas materialista e despido das
influências do social, teve ocasião para auto-contemplação.
Somente a grande coragem de ficar só, aliada ao pensar-se que faz
violência a si próprio é suficiente duro para quebrar os mitos. Ali
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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

quando me vi obrigado a encontrar-me, imaginando que só tivesse


para ofertar ao mundo fraquezas e ignorâncias, foi que identifiquei
ainda que de forma embrionária, o sentido de um pensar mais
abrangente, e que gera processos. Ali, naquela ilimitada solidão,
ousei perseguir o objetivo de livrar os homens do medo de tornarem-
se senhores de si mesmos.

Imerso em minhas elucidações, não imaginava sequer, que


na tarde daquele dia, teria uma visão, que mudaria substancialmente
a minha existência. Jamais, poderia pensar que estava tão próximo
do desvendamento das interrogações que compunham meu mito
pessoal.

Este desenfeitiçamento do mana que me circundava e seu


erradicamento provocaram meu despertar, não de forma
impressentida e sim, de modo belo e transcedente. Ao tomar ciência
de que minha vida tornara-se preclara em alguns dos pontos
escuros que mais me afligiam, no que tange às minhas indagações
metafísicas, não, e surpreendeu tanto, quanto às manifestações
oriundas da natureza em minha direção. Encarei com naturalidade,
todo e qualquer avanço do pensamento e do entendimento no que
se refere ao meu sentimento; todavia, causa-me profunda espécie
os acontecimentos coincidentes do Kosmos quando voltados para
mim. Creio profundamente e de forma segura, que o Aforismo: ”O
temor as Deus é o principio da sabedoria” é indubitavelmente um
dos maiores, senão a maior das alavancas do homem, no que
concerne à busca de si mesmo. Acredito do mesmo modo, que se

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

todos os acontecimentos tivessem apenas um cunho interior, se tudo


tivesse sido fruto da minha imaginação, eu teria agido
provavelmente como um Dom Quixote; e estaria, provavelmente
atrás de moinhos de vento. Todavia houve aspectos de perfil exterior
que influenciam a minha conduta, conduzindo-me à insegurança de
Hamlet. Do conforto entre estes dois estágios, brotou uma postura
mais romanesca, um devir colocado entre a Lei e a Justiça, um
caminhar entre o sonho e a realidade, onde filosoficamente tento
redefinir, em conformidade com o espírito do tempo, substância,
qualidade, ação, paixão, ser e existência.

Do entendimento do meu eu, passei a redesenhá-lo para fora


de mim mesmo. Passei a tirar tanto as minhas formas negativas de
pensar, como as positivas. Ao vê-las projetadas, apareciam ao meu
ser como masculinas e femininas. E assim fui deslocando o caos na
direção do ordenamento. A criação que surgia era a explosão
provocada pela união do imanente e do transcendente, desvelando o
ente. Assim, vi toda a reformulação feita à imagem e semelhança. A
nossa imagem das duas forças Ying e Yang. Descobri que o
projecionismo que eu praticava era antropomórfico, e por esse modo
de agir, matava os meus demônios pessoais, uma vez que, o
sobrenatural que me afligia era, apenas, imagens aonde eu me
espelhava e me deixava atemorizar pelo natural. No rastro da minha
recriação mística, identifiquei uma força poderosa que, com ela,
venho combatendo ferrenhamente as potências do mal e, sobretudo,
alimento a fé, com o seu ânimo que aumenta a esperança de
salvação.

75
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Entendi que a fé é, apenas, um local seguro da sua mente, de


onde você antevê com certeza absoluta, o efeito positivo. É a
certeza de esmorecimento do maldito poder do mal. Não pude me
arrepender dos meus atos passados, quando não convivia com a fé,
porque seria a mesma coisa que se arrepender das viagens que não
fiz, com o dinheiro que poderia ter tido. Assim inventariei todo o meu
passado, remodelei toda a orientação da vida do meu presente, e
unindo os símbolos do meu passado, com os do meu presente,
procuro ser o vetor tempo que incide no meu futuro.

h) A Chegada da Trindade

Sendo assim, de um sincero desejo de mudar, tudo pode


acontecer. Todavia, esta vontade necessita de oralização, precisa
ser transformada em palavras, tem que ser manifestada. Por isso
criei o Mironte. Se você quiser fazê-lo, coloque um ponto entre os
olhos com um lápis de cor, na região dita da 3ª visão, fique olhando
fixamente para aquele ponto no espelho e diga:

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Mironte

Eu sou uma pessoa forte


Eu sou uma pessoa inteligente
Eu consigo tudo o que eu quero
Tudo vai dar certo para mim
Porque eu tenho proteção
Daisha, Daisha.

Diga 7 vezes durante 72 dias, logo após


Levantar-se.

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Independentemente de todos os enfoques dados à nossa


pobre e efêmera existência, não existe na criação, nenhum aporte
superior ao da Trindade, fornecido pelo entendimento da nossa
lama, do nosso corpo e do nosso espírito. Por esta constatação
desenvolvi e desenvolvo todos os meus trabalhos, embasado no
universo trino, e procuro de todos os modos, conscientizá-los de que
a vida nada mais é que a permanente expansão do nosso sol
interior, conseguida pela triplicidade egóica ou trinismo.
Inversamente a muitas opiniões, advogo a ida à espiritualidade, não
pela luta na polaridade, pois esta se apresenta dicotômica; porém,
pelo desenvolvimento do equilíbrio, na oralização da metaforma
encontrada somente na equidistância dos polos.

A projeção dos sentimentos equidistantes, provoca a


manutenção do eu, na insustentável leveza do ser.
Consequentemente, sua razão discursiva provoca o surgimento
encantador do número 4. Assim, o homem que nasceu pela trindade,
descobre os quatro elementos, aonde como transcendente irá
habitar. Ali, nos quatro braços desta cruz imanente, ele, como
homem, criará raízes para desenvolver a humanidade. Embora suas
raízes sejam telúricas pois os elementos pertencem à terra, sua
origem é cerúlea, pois seu surgimento veio do céu. Seremos,
portanto, trinos por nascimento, e a partir da nossa enraização no
quatro, iniciaremos a caminhada do sagrado que é a setuplização.
Logo, ser sétuplo por evolução, nada mais é que oralizar, dizer,
ritualizar nossa efêmera existência. Na trajetória difícil, embaraçosa

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

e estreita da espiritualidade. Somente o conhecimento do Imeroni, o


sol interior, poderá iluminar a noite terrena.

Depois da decifração dos arcanos maiores, ao sacralizarmo-


nos no sete, não mais somos atacados pelos sete deuses imortais
do mundo, e repentinamente, somos projetados para a Ogdoada.

Lá ficamos amigos do Senhor, como nos dizia o Eclesiástes.


A Ogdoada, ou entendimento do oito, é o número em que
comandamos a nossa sacralidade e a do mundo. Muitos se
encantam com este lugar, porque ali as potências do Senhor,
cantam hinos de louvor, na chegada de alguém, de algum iniciado
no mundo maravilhoso da luz. Quando chegamos na década,
deciframos o Pitagorismo e seu mundo encantado dos números. E
ali, criamos coragem para enfrentar as forças perigosíssimas da
Dodécada, em que somente os Espíritos puros ousam habitar.

Porém, atrás do véu de Isis, está p número 13, o sacrossanto


Telesma, o fogo de Heráclito, o caduceu mágico de Hermes e
Terziro, o Ain Soft, o conjunto de todas as mônadas, o Monandum.

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Posfácio

Para a composição literária que antecede o presente


posfaciamento, não segui o materialismo histórico; outrossim, servi-
me de algumas estratégias de semiologia. Procurei inversamente
escrevê-la do modo menos rebuscado possível, uma vez que a
labuta filosófica, tende a conduzir-nos por um “intrincado e
embricado” vocabulário metafísico, cuja democratização torna-se
difícil tarefa.

Por outro lado, como meu escopo não transitava pela


erudição, muito menos pelo reconhecimento literário, objetivando,
isto sim, marrar de forma a simplificar, uma nova espiritualidade
emergente, limitei-me a tentar ser o mais claro e objetivo possível.
Contudo, toda a obra que aborda o lado sobrenatural, não passa
ilesa ao emprego de termos incomuns, gerando no leitor desavisado,
muitas vezes, uma aura de pedantismo cultural, por isso em anexo
encontra-se um pequeno glossário decodificando qualquer palavra
vista como alienígena.

Para escrever, o que eu denominei Bíblia do Iniciado, utilizei a


postura da figura do “adepto”, descrita por Madame Blavatsky. Uma
vez que não sou médium, apenas troco inteligência com uma
energia transcendente, meu trabalho se enquadraria de modo mais
próprio como Adepto.
Quando afirmo que sou a encarnação de Hermes, utilizo o
termo empregado por Papus embora minhas pesquisas no

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Esoterismo tenham se aprofundado, na busca de alguma descrição


melhor do que encarnação; uma vez que esta palavra trabalha no
plano estético, e a recriação espiritual acontece no plano metafísico.
O chamado Fenômeno Tercuri por ser inicipiente, encontra-se no
plano da pesquisa. Não obstante, eu saiba que este termo é o que
mais se adéqua na descrição dos sentimentos por mim vivenciados,
confesso que a palavra encarnação não me soa bem.

Bíblia do Iniciado, é apenas uma introdução ao mito do Sol o


chamado Otim Baralar. Aqueles que porventura queiram entrar mais
fundo neste entendimento poderão contatar com os oráculos Flor de
Lótus e Flor de Liz, para neles obterem maiores informações, sobre
as energias Atlantes que se vêm avatarizando no Brasil.

O cunho deste livro é apenas de prosa, a despeito das minhas


anteriores obras serem poéticas. Meu primeiro livro de poesias,
chama-se “Céu de Areia” e foi escrito em São Paulo; o segundo
“Flores do Tempo” é de uma época em que eu vivia em
Florianópolis. Por outro lado, minha última obra poética denominada
“Curitiba 301 anos, Uma Semana de Amor”, foi escrita, em Curitiba,
como a Bíblia do Iniciado, diferenciando-se do mesmo, por eles ter
sido escrito em prosa.

O anelo primordial descrito nesta obra é o desvelamento do


ser, a partir da descoberta do Fio de Ariadne. Ao ousar entrar na
minha cratera pessoal, rompi com o caos, o que gerou o eterno

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Ordenamento de minha própria cosmologia. Enquanto minha antiga


orientação passava pela tentativa de encontrar o tesouro da luz, a
rota atual já visa a aplicação sucessiva desta riqueza, pelo
desvelamento progressivo do ser.

Os exercícios mencionados na obra, visam exortar o leitor a


principiar suas tentativas de ingresso no Mito do Sol. Tais exercícios
são feitos no oráculo apenas para os principiantes.

A estória da descoberta de Tercuri, como energia, como ente


e ser,só foi entendida, porque os sinais que recebi foram
identificados e resolvi encará-los, não como obra do acaso, mas
como parte de um quebra-cabeças infinito, fruto da “Mente Vivente
Infinita”. Assim como Édipo decifra seu papel através do servo que
fugiu, quando ele, Édipo, mata seu pai Laio, minha chave para o
descortinamento foi o número 13.

Nesses escritos, é importante ressaltar a existência de dois


lados, um que faz alusão à figura frágil do Wilson, que se acidenta
por uma brincadeira besta, procura cedo a vida dos prazeres e em
sua caminhada capitalista depara-se frente ao vazio, não
encontrando resposta para si. No casamento é feliz por 13 anos.
Porém no último ano, desencontra-se do seu modo de sentir. Existe,
porém, um outro lado que se refere ao tercuri, energia poderosa, que
por suas emanações em direção ao adepto, consegue libertá-lo do
casulo e provoca o seu despertar, cujo resultado sãos inúmeros
trabalhos desenvolvidos pelo Oráculo Flor de Lótus.

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Tendo em vista o impressionante e variado número de


mensagens decodificadas pelo adepto, sobretudo, por tais registros
serem transcritos em folha de papel ofício, e as mesmas ficarem
arquivadas em pastas, assemelhando-se aos pesados alfarrábios
manipulados da Idade Média, achei por bem, alcunhar estes escritos
de Bíblia do Iniciado.

A despeito de haver conseguido um grande avanço no meu


processo de individualização, nunca deixei a realidade matar o
menino que vive em mim, e muito menos, deixei o homem pelo qual
fala o meu coração, matar o sonho. Portanto, acabei fazendo alusão
à alcunha de Irmãozinho, recebida do meu irmão mais velho na
minha infância.

Escrever sobre coisas da vida de modo genérico é participar.


Entretanto, escrever sobre a própria vida é expor-se, sobretudo
doar-se, entrar no maravilhoso e divino ato da doação. Creio, no
mais interno do meu coração, que somos filhos de uma entrega, e
doar-nos é o início do ato mágico.

Wilson Marcelino Filho

83
Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Glosário

Importante para qualquer pessoa que queira iniciar-se, o


entendimento de determinadas palavras utilizados no mundo
místico.

A presente obra, apresentou alem do vocabulário utilizado no


misticismo, palavras da Naitum o idioma Atlante psicografado pelo
autor.

Procure você que é um buscador, ir tomando ciência do


sentido das palavras místicas, para que você consiga a sua iniciação
e possa tornar-se alguém exotérico.

Iniciação: É o inicio de alguma coisa; como o próprio nome


revela, é o princípio de algo que está começando.

Quando você resolve penetrar em um mundo novo, em um


lugar aonde você nunca esteve inédito e inaudito para você, surge
um certo temor uma ansiedade decorrente do desconhecido, do
oculto. Você que entrar naquele mundo oculto sem que o ser se
machuque, de modo que você não tenha dissabores futuros. Ora
qualquer lugar em que nos introduzimos sabemos que é governado
por certas leis, e que o descumprimento das nossas leis é sujeito a
sanções, a punições que serão severas ou brandas de acordo com a
gravidade da infração por nós cometida. Portanto para que você
possa entrar neste novo mundo sem machucar-se, o melhor é entrar

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Pela visão de alguém que já esteja familiarizado com todas as


regras e que possa introduzi-lo neste universo de maneira livre e
inteligente, para que você possa encontrar-se a si mesmo utilizando-
se do melhor caminho.

Iniciado: É aquele que resolveu, por sua livre e espontânea


vontade, ingressar em uma sociedade secreta ou religiosa, e para
isso resolve conquistar algumas idéias, pressupostas e experiências
básicas, que são pré-requisitos para a integração no quadro
associativo. Este saber para passar os umbrais, o limiar de um novo
universo é que é o distintivo do Iniciado a pessoa que quer se
sociabilizar mais necessita, portanto aprender as regras e padrões
culturais do meio aonde ela pretende introduzir-se, e enquanto o
indivíduo está passando por esta aprendizagem nós o denominamos
Iniciado.

Samarei: É o despertar, é o momento em que começamos a


descobrir que somos conduzidos por alguém muito mais forte e
muito mais, poderoso, capaz de modificar toda a nossa vida e
sobretudo de salvar as nossas almas dando-nos a vida eterna.

Otim Baralar: É o “Mito do Sol”, nome do estudo dos astros


segundo a nova astrologia atlante.

Monandum: É o conjunto das mônadas. A união da sua


mônada da mônada do seu amigo. Enfim da mônada de todos
aqueles que vivem no planeta terra. O Monandum é Deus, o Deus
único que vive em substância. Sua principal característica é que ele
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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

É incognoscível e incircunscritível e sobretudo indefinível.

Hermes: A raça negra, que sucedeu na denominação do


mundo à raça austral. Como que fez do Alto Egito o seu santuário. O
nome de Hermes-Tot, esse misterioso e primeiro iniciador do Egito
mas doutrinas sagradas, reporta-se com certeza a uma primitiva e
pacífica mistura da raça branca e raça negra nas regiões da Etiópia,
muito antes da raça ariana.

Hermes é um nome genérico como os de Manu e Buda


simultaneamente um homem, uma casta e um Deus.

Homem Hermes é o primeiro grande iniciador do Egito; casta


é o sacerdócio, depositário das tradições ocultas; Deus é o planeta
mercúrio, comparado com a sua esfera a uma categoria de espíritos
iniciadores divinos; em uma palavra, Hermes preside às regiões
supraterrestres da iniciação celestial.

Na economia espiritual do mundo, todas estas coisas estão


ligadas por afinidades secretas, que as unem como um fio invisível.
O nome de Hermes é um talismã que as resume, um som magnífico
que as evoca. Daí o seu prestígio.

Os gregos, discípulos dos egípcios, chamaram-no Hermes


Trimegisto ou três vezes grande, pois que o consideravam como rei,
como legislador e como sacerdote.

86
_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Tipifica, por assim dizer, uma época em que o sacerdócio, a


magistratura e a realeza se encontravam reunidos num só corpo
governante. A cronologia egípcia de Máneton chama a sua época o
reino dos deuses. Ainda não existia então o papiro nem a escrita
fonética; mas existia já a ideografia sagrada, a ciência do sacerdócio
estava em hieróglifos nas colunas e nas paredes das criptas. Só
mais tarde é que ela passa para as bibliotecas dos tempos,
consideravelmente aumentadas. Os egípcios atribuíam a Hermes
quarenta e dois livros, que tratavam da ciência oculta. O livro grego,
conhecido sob o nome de Hermes Trimegisto, encerra certamente
os restos alterados, mas infinitivamente preciosos, da antiga
teogonia, que é como que o Fiat Lux de que Moisés e Orfeu
receberam os primeiros raios. A doutrina do princípio-fogo e do
verbo-luz, encerrada na visão de Hermes, é como que o vértice e o
centro da iniciação egípcia.

Thot: Divindade egípcia é, talvez misterioso e menos


compreendido dos Deuses do antigo “Ken”. É o símbolo da
sabedoria e da autoridade. É o escriba silencioso que, com sua
cabeça de Ibis, a pena e a tabuleta, registra os pensamentos, as
palavras e os fatos dos homens, que mais tarde pesará na balança
da justiça.

Platão diz que Thot foi o criador dos números, da geometria,


da astrologia e das letras.

A cruz (Tao, no Egito) que leva na sua mão, é o símbolo da


vida eterna; seu bastão, emblema da sabedoria divina.

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Na Grécia vemo-lo aparecer como Hermes; em Roma como


Mercúrio; em nossos dias como se apresentará?

Visão: Percepção sobrenatural ou de uma revelação


simbólica. Segundo Malebranche, temos ao contemplar as verdades
eternas. Não que elas sejam propriamente Deus, mas por serem
elas de Deus. Já a visão beatífica, que alguns afirmam ser
alcançada nesta vida, como na filosofia Hindu, e por outros apenas
após a morte, pelos bem aventurados. Para outros, ao contrário, a
visão frontal de Deus jamais será atingida, nem pelos bem
aventurados.

Alquimia: A alquimia será a arte de transformar todos os


metais em ouro graças a pedra filosofal? Essa transformação é
atualmente possível graças a química termo nuclear, se bem que o
ouro assim obtido seja mais caro do que o ouro normal. A nossa era
seria, portanto, a idade de ouro da alquimia não é de modo algum
aquilo que geralmente se julga?

A lenda reza que os chineses teriam praticado a alquimia


desde 4.500 A.C. A história assegura que por volta de 500 A.C. O
taoísmo, doutrina de Lao-Tseu, procurou a pedra filosofal e o elixir
da longa vida com o objetivo edificante de levar os seres humanos a
alcançar o mais elevado grau de perfeição.

Nas índias ocorreram mudanças de “poderes” entre


alquimistas, ioguistas, e faquires. Muito antes das influências árabes,
a literatura búdica mencionava processos alquímicos e desde o
século II da nossa era, assinala o “suco hataka, capaz de

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

transformar o bronze em ouro puro”. O ilustre filósofo Nagarjuna


mencionava, no Teatro da grande Virtude da Sabedoria, quatro
métodos de transmutação lógica, o que é confirmado pelo grande
tratado Tântrico Tibetano elaborado por 84 magos.

Em suma: o elixir de longa vida, a conservação dos cadáveres


e a “preparação do ouro” tem um rico passado entre os chineses, os
hindus e os tibetanos.

A alquimia ocidental nasceu em Alexandria. Aglomerou desde


o início uma inverossímel mistura de práticas e de teorias caldaicas,
egípcias e gregas. A arte sagrada conheceu êxito espantoso que
durou do fim do século III ao principio do quinto. O seu misticismo
exaltado alimentava-se de obras atribuídas aos deuses, a sábios
famosos, a soberanos ilustres. Os seus representantes principais
foram Zózimo, Sinésio e Olimpiodoro, bem como Maria a Judia, que
inventou o Kerotakis, vaso fechado de alquimista que passou para a
posteridade sob a designação de banho Maria. Pela pedra filosofal,
esta alquimia pretende transformar os metais em ouro (crisopeia) ou
em prata (argiropeia); pela panaceia, visa curar todos os males,
prolongar a vida humana, assegurar, enfim, a felicidade perfeita
àquele que aspira repousar no seio da divindade.

Como foi perseguida em Bizâncio, foi graças aos árabes que


penetrou no ocidente cristão.

As palavras alquimia, alambique, álcool, elixir são como se


sabe derivadas de palavras árabes.

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Através da Espanha e com as Cruzadas, a alquimia infiltrou-


se no mundo cristão. Onde passou a ser moda, por volta de meados
do século XII, graças a um opúsculo e, latim, anônimo e abstruso; La
foule des Philosophes. A partir de então, surgiu uma série de
tratados de alquimia atribuídos a Hermes Trismegistos – O Três
Vezes Máximo-, equivalente a Thot, Deus da magia Egipto-Greca.

O mais célebre desses tratados é a Tábua Smaragaina ou


Tábua de Esmeralda, largamente comentado depois da Idade Média
e extraordinariamente hermético.

Há quem sustente que essa tábua foi gravada sobre uma


esmeralda pelo Deus Hermes- Mercúrio e descoberta por Alexandre
da Macedônia na grande Pirâmide.. Na realidade, porém, é talvez a
tradução de um original grego do século IV. Eis o seu teor:
É verdadeiro, sem mentira e muito variável.
Aquilo que está embaixo é como aquilo que está no alto, e
aquilo que está no alto é aquilo que está embaixo, para serem feitos
milagres de uma só coisa.

E como todas as coisas vieram e vêm de uma, assim as


coisas nasceram nessa coisa única por adaptação.

O sol é o pai dessa coisa única, a lua a mãe, o vento trouxe-a


no ventre, a Terra é a sua ama-de-leite, o pai de tudo, o Telesma, o
Querer de todo o mundo está aqui, a sua força é o total se
convertida em terra.

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, suavemente


com grande paciência. Ele sobe da terra ao Céu, e de novo desce à
Terra, e recebe a força de toda força das coisas superiores e
inferiores. Alcançarás por esse meio toda a glória do mundo, e toda
a obscuridade se afastará de ti.

É a força de toda a força, pois vencerá todas as coisas sutis e


penetrará em todas as coisas sólidas.
Assim o mundo foi criado.
Disto nascerão e sairão inúmeras adaptações, das quais o
meio está aqui.
Eis porque fui chamado Hermes Trismegistos, possuindo as
três partes da Filosofia do Mundo.
O que disse sobre a operação do Sol está cumprido e
concluído.

Oráculo: Quando o Deus grego Apolo, disparando flechas


com o seu arco de ouro, matou a enorme serpente Piton, que
devastava a região délfica, teve de substituir um dos talentos do
monstro. É que a serpente, filha da Terra, tinha o dom da vidência –
que alimentava a curiosidade dos homens e lhes dava a resposta
pedida. Apolo nomeou, por isso, em Delfos, uma sacerdotisa, que
tirou o nome à serpente, tornado-se Pítia, sacerdotisa destinada,
bem como as que lhe sucederam, a desempenhar um importante
papel, religioso e político na história da Hélade.

O mais sábio dos Deuses demonstrava com isso os laços


entre religião e adivinhação. Não há dúvida de que esta última tem

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estreito parentesco com a magia; um mesmo executante pratica-as


por vezes conjuntamente, de toda maneira, o adivinho recorre com
freqüência a ritos mágicos, sobretudo ritos preparatórios à sua
“vidência”.

No entanto, os objetivos da magia e os da adivinhação opõe-


se nitidamente.

Visando modificar as leis naturais e o curso dos


acontecimentos, portanto voltada para o futuro, a magia é
essencialmente ativa e, além disso, na sua adivinhação, enfrentando
o passado, o presente e o futuro, procura conhecer, prever, não
modificar; é contemplativa, quase passiva, e a sua atitude é
religiosa, pois, tal como a definiu Sextus Empiricius no seu tratado
contra os matemáticos (IX, 132) é “A ciência, ou melhor, a faculdade
de ver e de explicar os sinais enviados aos homens pelos deuses”.

Esses sinais eram vislumbrados pelos antigos com terror e


respeito; o mais inspirado ou o mais espertalhão arranja forma de os
interpretar.

E isso valia-lhe geralmente as honras, se não mesmo o poder.


No Oriente, a adivinhação perde-se na noite dos tempos. Se é certo
que os Chineses observam o céu, praticamente também diversas
“mancias”, ou adivinhações, uma das quais se baseava no estudo
dos pés (podomancia), outra no estudo e escamas da tartaruga.

A Índia teve escolas de áugures e oráculos organizados. Rica

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

em artes mágicas, só utilizou, na adivinhação, artes muito primitivas


(que Victor Henry analisa no livro Magic Dans L’Inde Antique):
cozedura de arroz, feixinho de madeira verde lançado ao fogo,
contagem de um montão de talos de erva, trajetória de uma flecha,
queda de um objeto em equilíbrio em cima da cabeça, dados, etc.
Todos estes processos eram utilizados pelo indiano sobretudo para
conhecer a posteridade, prever o tempo pó o resultado de um
combate, encontrar um objetivo perdido.

Os três volumes de Lexa, La Magia Dans L’Egopte Antique,


esclarece, um pouco o mistério que rodeia os papiros mágicos,
propositadamente absconsos.Fica-se a saber, inclusive, que o
sacerdote, depois de haver convocado os deuses, utilizava um
adolescente-médium, colocado, com os olhos vendados, diante de
uma lâmpada acesa.

Quando a Grécia e a Roma, a obra em quaro volumes de


Bouché Leclerq. Lá Divinatiom Dans Lámtiquité, publicada em 1882,
é sempre clássica, bem como Psiché, de Rhodes.

Além do Oráculo célebre de Delfos, onde a Pítia em transe


deixava Apolo falar pela sua boca-não sem abiguidade, na maior
parte das vezes, e daí o cognome de “Loxias” (obliquo) dado ao
Deus, que os gregos consultavam também o Apolo de Claros, o de
Branquides no Didimeion de Mileto, na Ásia Menor, e o Zeus de
Dodona, no Epiro, que se manifestava nas folhas dos carvalhos ou
no bronze das bacias. A Grécia conhecia também a adivinhação
através do sonho (“A melhor, a acreditar em Homero, no primeiro

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Canto da Iliada, pois o sonho vem de Zeus”) , patriarca pelo


sacerdote Onirópolo, que indicava aos doentes os meios de se
curarem no santuário de Asclépio, em Epidauro. Ou aquela que se
processava pela evocação dos mortos (necromancia), a que recorre
Ulisses na odisséia, X, objeto de um pequeno tratado de Luciano.

O mundo grego, interrogava ainda o mais famoso dos


oráculos egípcios, o de Amon-Zeus, o Deus das Areias, no oásis
Líbio de Sawah. O processo era aqui original: guiada pelo grão-
sacerdote, uma barca sagrada passeava o ídolo ( composto de uma
cabeça de carneiro de ouro, peito de homem coberto de esmeraldas
e um falo brotando do umbigo), cuja oscilação era em seguida
interpretada; passeio igualmente usado em Heliópolis e em
Hierápolis, na Síria.

Quanto aos romanos, foram buscar aos Etruscos o essencial


da sua adivinhação; o aruspicium, ou exame das entranhas, bem
como o estudo do uso dos pássaros tem preferência. A ciência
augural, exercida pelos arruspícios e pelos áugures. É dogma de
Estado, o que não impede que Cícero note que dois áugures não
podem olhar um para o outro sem se rirem. Entretanto, se alguns
imperadores (retomando as expulsões de 213 a139 A.C.), como
Augusto, Cláudio, Vitélio e Vespasiano, baniram da cidade adivinhos
e feiticeiros, isto não sucedeu devido a ódio pela adivinhação, mas
como um meio de combater a concorrência desleal as instituições
oficiais.

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Em ações e palavras memoráveis, do latino Valério Máximo,


insere-se um catálogo de auspícios, presságios, prodígios, sonhos e
milagres antigos.

Quando o cristianismo venceu os deuses alexandrinos e o


mitra solar, combateu a adivinhação, sua sequela. Porque, para a
religião triunfante, adivinhação significava magia e o adivinho era
suspeito feiticeiro. Em TTS, Carlo Magno proíbe “A Astrologia e a
interpretação dos Sonhos”. Apenas a astrologia conseguirá, em
certa medida, escapar às perseguições até o século XVII.

Em 1691 morre o último adivinho supliciado. Depois,


adivinhação alcança um triunfo extraordinário: Cagliostro fulmina a
Europa, Mademoisele Lenormand lê o futuro a toda cidade de Paris.
A revolução francesa só momentaneamente deterá esse movimento.

Magos, Pitonisas vão nascer poderosamente, mesmo no


século XX. A nossa época já não conhece grandes oráculos, mas
assiste a proliferação de feiticeiros menores, numa proporção de um
vidente para vinte e nove videntes femininas.

Os códigos civis perseguem e condenam a exploração pública


do talento oculto, mas a ação repressiva mostra0se impotente e
pouco eficaz na debelação do “negócio”. Especulando com a boa fé,
os escroques em todo o mundo, atraem milhares de pessoas aos
seus “consultórios”.

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Importante, é procurar criaturas de credibilidade nesta área


para evitar malogros pessoais. No Misticismo, como a Medicina e
Advocacia pulula, charlatões, sendo assim, a cautela na escolha de
seu guru é fundamenta.

Cabala: A cabala é tipicamente judaica. É um erro considerá-


la como sendo originária das Índias ou aproximá-la de um certo culto
de Cibele. Dizer, como os irmãos Reinach, que é uma “aberração”
ou “um veneno do judaísmo” é uma calúnia que não tem em conta
nem os danos históricos nem as implicações espirituais.

Qabbalah é de raiz etimológica judaica, significando estar em


presença de, receber, a cabala é de fato a lei oral que Moisés
recebeu no monte Sinai, ao mesmo tempo que as tábuas da lei
escrita (Tora ou Torah). Em suma é o ensinamento divino
transmitido segundo os melhores métodos orientais, de mestre a
discípulo de boca para o ouvido. Essa tradição permanecerá viva,
com todas as variações e as incertezas das mensagens orais.
Continuará a expandir-se, notadamente com a tentativa do Talmude
de a codificar, por volta do século V da nossa era, tentativa exotérica
destinada ao ensino público, enquanto a cabala(a palavra vulgariza-
se a partir do século XII) se matem dentro da tradição esotérica. É a
sabedoria manifestando-se em revelações sucessivas a Adão. A
Moisés, que legou a Josué, o qual a transmitiu aos antigos, que por
sua vez a comunicaram aos homens da Grande Sinagoga, os quais,

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

enfim, a revelaram aos membros da “cadeia cabalística”, mestre


espirituais e discípulos de Escol da Diáspora.

A vida edificante do rabi Simeão Bar Yochai (no século II


depois de J.C.) acrescentou a esta tradição o elemento maravilhoso.
Foi de tal maneira santa a vida de Simeão que o arco-íris, símbolo
da aliança entre Deus e Noé, não teve necessidade de aparecer,
pelo que o santo homem não hesitou em proclamar: ”Se vier e ficar
apenas um justo na Terra, este justo só posso ser eu”. Grande
defensor da oração desinteressada – exilou-se durante uma dezena
de anos, com o filho, numa caverna isolada – e do estudo sem
repouso, morreu em Meron, pequena aldeia da Alta Galiléia. Mas a
Luz Santa de assombroso esplendor brilhou durante toda a sua
agonia. E, quando o seu leito mortuário foi levado para fora da
habitação, uma luz ergueu-se no ar, precedia de uma coluna de
fogo. Passou por um milênio. Mas essa luz não se extinguiu. Por
intermédio do Livro da Formação, ou Sepher Yetsira, redigido entre
os séculos V e VII, a cabala estuda a antiga doutrina literária da
Gênese do mundo. Deus criou o Universo com a ajuda de 3
entidades superiores (“Sefar”, a letra-algarismo; “Sipur”, a letra
expressão oral, e “Sefer”, a letra-expressão escrita), denominadas
“Seratim”. Os dez atributos divinos, os “sefiroth Belina” ( 1 Coroa; 2
Sabedoria; 3 Inteligência; 4 Clemências; 5 Rigor; 6 Beleza; 7 Triunfo;
8 Glória; 9 Fundamento; e 10 Realeza), representados na árvore
sefirótica, e as 22 letras do alfabeto sagrado ( Três mães, sete

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

dobradas e doze simples) permitiram esta criação: Deus gravou as


letras e isto foi o paradigma do Universo.

Desta criação alfabético-numérica procede a cabala que


compreende três artes: a “gematria” (ciência da combinação dos
valores das letras), a “notária” e a “temura”.

Se no século XIII é assinalado, para os judeus, por várias


perseguições, é o também por três focos ativos do judaísmo: na
Espanha arabizada ( onde a comunidade judaica é designada pelo
nome de “sefarad”). Na Remânia ( perseguida, denominada ASH
Kenaz) e na Provença ( a dinastia dos Tibônidas “Pré-
Renascença”).

Os primeiros engendrarão os cabalistas mais puros, os


segundos consagrar-se-ão a santidade.

É com Ezra Bem Salomão, de Gerona (1160-1238), que volta


a cabala ao sentido escrito. Pela primeira vez, os ensinamentos
secretos: da boca para o ouvido”são comentados por escritos a
partir de 1290, o profeta Abraão Bem Samuel Abulafia imprime ao
método o maior requinte. É ele quem leva a um extremo as
combinações Fe letras e algarismos da Gematria, nas quais
numerosos cabalistas ulteriores viram o essencial da doutrina – e se
perderam, frequentemente. Isto porque esse sistema de
combinação, ou tseruf, pode ser ilimitado e dar azo as interpretações
mais decifrantes, enquanto para o seu criador era uma espécie de
composição ou de êxtase, visando “desfazer os nós”, libertar o

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

adivinho que existe dentro do homem, Scholen, muito justamente


batizou-o de “Yoga Judaizado”.
Paralelamente, surgiram, entretanto, por volta de 1280, as
primeiras cópias manuscritas de um livro que alcançou enorme
sucesso durante vários séculos: Zohar, ou Livro do Esplendor
(interior). A tradução francesa, anotada por Jean de Pauly, comporta
3.314 páginas! Súmula da vida mística judaica, os viram nele uma
interpretação secreta da sagrada escritura.

Para conhecer Deus e alcançar a união com ele, o homem


judeu tem de procurar a verdade-fé, esta teosofia judaica postula
entre os cabalistas, estudo, oração e amor. Deus, o Mistério dos
Mistérios, é infinito, ou em si.

Manifesta-se no eterno (Elohim) pelos dez Sefiroth, ou


atributos divinos, de que já falamos ( três superiores, sete inferiores).
Uma simbólica complexa é elaborada a propósito de Deus, das suas
manifestações, do Adão Kramon, modelo do homem da tripla alma
humana. É preciso realizar a união vivida, a unidade ou Yichud.
O essencial é restaurar a ordem destruída pelo pecado: é o
Tikkun.
A partir de 1391, com Sevilha, a Espanha passou a perseguir
os judeus.
Uma segunda vaga de perseguições, com autos-de-fé,
assolou a Espanha em 1481 e 1492. Catástrofe lamentável, mas
“apocalipse indispensável para as dores de parto da era

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messiânica”. Era cujas doutrinas, codificadas por Isaac Abravanel,


são espalhadas, largamente matizadas de ocultismo, por todos os
guetos. No exílio, a nova cabala aspira não já ao desempenho de
um papel apenas religioso mas também social. Será o gérmem da
decadência. O Zohar passa a frente do Talmude. Continuamente
acossados os judeus refugiam-se no império do Sultão Bajazert e
ma Itália Central. Em Roma,. Cremona, Mântua e Florença, a
cabala alcança um sucesso inesperado. Os humanistas interessam-
se por ela. A partir de 1553, será novamente perseguida, mas antes
disso já havia “contaminado” e influenciado ocultistas célebres, como
Pic de Mirandole (1463-1494), Cornélio Agrippa (1486-1535)
Paracelso (1493-1541) e sobretudo, Robert Fludd (1574-1637), que
se tornaram suspeitos aos olhos da igreja. O povo deduziu daí,
imediatamente, que cabala, feitiçaria e pecado eram sinônimos. O
que não impediu de procurar os amuletos cabalísticos como meios
de proteção e de cura, a Caligai e Maria de médicos tinham mesmo
ao seu serviço, para uso assíduo, dois curandeiros: Filoteo Montalto
e Felipe de Aquino.

Só falta fazer intervir as chaves de Salomão, além de outros


artifícios mágicos, para transformar a pura tradição do Rabi Simeão
em ciência oculta. A sua fama é tal que nenhum ocultista, desde o
século XVII até os nossos dias, ousaria confessar que não estudara
a cabala. A mensagem espiritual de origem está, no entanto,
totalmente esquecida e o vocabulário hebraico degradou-se
(Shechima, nome feminino da divindade, torna-se nome de pitonisas
de feira de aldeia).

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Este mal-entendido agravou-se não só porque se criou um


cabala cristã que influenciou poetas e filósofos de renome (quem
poderia calcular as repercussões da obra de Jacov Bochme (1575-
1624) “o mundo judaico, a cabala primitiva se haver deteriorado.
Entretanto a comunidade judaica da Palestina é a única a cultivar a
verdadeira cabala mística, no vinhedo de Safed, na alta Galiléia,
Porém a partir do fim do século XVI, com Isac Luria (1534-1572 ou
74), começaram as práticas ascéticas, as quais, sucedendo a
degradação da doutrina, vão provocar a sua deterioração. Uma
sociedade, “Os Companheiros”, fundada sob a direção do Rabi
filósofo Moisés Cordovero (1522-1570), luta baldadamente para
preservar o espírito Sefarad místico. Cordovero resume da seguinte
maneira as preocupações morais da nova seita:

Não deixar os pensamentos distraírem-se das palavras da


Tora e das coisas sagradas, de maneira a merecerem permanência
da Shechina. Não se encolerizar. Não desejar mal de nenhuma
criatura, nem sequer de um animal. Não maldizer os seres, antes os
abençoar, mesmo no meio da cólera. Não fazer juras, mesmo sobre
a verdade. Não mentir nunca. Não fazer parte dos quatro indivíduos
rejeitados pela Shechina: O mentiroso, o hipócrita, o arrogante e o
mal dizente. Não participar em banquetes, exceto em uma ocasião

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religiosa. Associar-se às alegrias e aos sofrimentos dos


companheiros. Conduzir-se generosamente para com os
semelhantes, ainda que eles transgridam as leis. Encontrar-se com
um dos companheiros uma ou duas horas por dia para serem
discutidos assuntos místicos. Passar em revista, todas as sextas-
feiras, com um dos companheiros, as ações cometidas durante a
semana a fim de se purificar na expectação da rainha de Sabá. Dizer
as ações de graças em voz alta, destacando-se as palavras e as
letras, de maneira a que, à mesa as próprias crianças possam
repeti-las, Confessar os pecados antes de cada refeição e antes de
deitar. Usar exclusivamente o hebraico para falar aos companheiros
e, nos doas de Sabbat, para falar a toda gente.

Fenix: ave fabulosa dos desertos da Arábia que, renascia das


usas cinzas. A mitologia egípcia conta que, de quinhentos em
quinhentos anos, dirigia-se ao Egito a fim de, em Heliópolis, tragar o
cadáver do seu pai. A alquimia tomou-a como símbolo (de
renascimento)

Blavatski, Madame H. P. (1831-1891): Em novembro de


1875 fundou com o coronel Olcott, a Sociedade Teosófica
Americana, cujo quartel-general estabelecera, em 1878, em
Bombaim e depois, em 1882, no Monte Adyar, perto de Madras.
Finalmente: sincretismo religioso e desenvolvimento das
potencialidades latentes do homem.

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_________________________________________________________________A Bíblia do Iniciado

Sucursal em Paris, a Isis de 1887 a 1889. Editaram o Lótus


Vermelho, publicando, sobretudo, os escritos de Papus, que
abandonou a Sociedade Hermes para fazer parte da Isis.

O coronel Olcott e depois em 1909, Annite Besant sucederam


a Madame Blavatsky, cujos escritos sobre toda a índia testemunham
uma grande ingenuidade na sua interpretação dos “fenômenos
faquíricos”. Por volta de 1930, a Sociedade Teosófica contava
cinqüenta seções nacionais. A sede continua em Adyar.

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Wilson Marcelino Filho_____________________________________________________________

Bibliografia
Dicionário de Símbolos – Rio de Janeiro, José Olímpio, 1993

A Religião de Platão – Victor Goloschmidt – Difusão Européia do


livro, 1963
O Pensamento Vivo de Freud – São Paulo, Martin Claret, 1984

A Filosofia de Aristóteles – Will Durant – Edições de Ouro, 1965

Le Sepher Yétsira – Carlos Silares – Mont Blabc, 1955

El Libro de Los Mortos – José Janés – Universidade Barcelona, 1953

La memmorforis de La flor de Loro – Hervert Tichy – Editora Labur


S.A, 1958
La Sagrada Ensenanza de Sei Rama Krisshma – Editora Kiker, 1969

Initiation – Sédir – Les Amties Spirituelles, 1970

Baltazar, o Mago – A. Van der Naillen – Empresa Editora O


Pensamento, 1973
Les Mysteres D’Éleusis – Victor Magnien – Payot, Paris, 1950

Histoire des Doltrines Ésotériques – Jean Marquès – Riviere, 1958

Os Grandes Iniciados–Édouard Shuré – Martin Claret Editores, 1956

In Caibalion – Estudo da Filosofia Hermética – Editora Pensamento,


1951

Corpos Hermeticum – Hermes Trismegistos – hemus, 1970


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A Bíblia do Iniciado

Envolvido em diversas manifestações de


fundo místico, qualquer ser humano, pode a
qualquer momento, penetrar nos arcanos do
universo.

A revolução espiritual vertiginosa que envolve o planeta é


decorrente da ação prodigiosa de forças sobrenaturais.
A Bíblia do Iniciado mostra o relato impressionante de como,
pessoas de vida normal, passam repentinamente a serem
influenciadas por “coincidências” que cercam as suas vidas, o caso
presente é de um empresário, que intrigado resolve anotar e
inventariar os fatos misteriosos que o circundam. E ao tentar
alcançar racionalmente o sentido de tais acontecimentos, depara-se
com um quebra-cabeças fantástico.
Quando finalmente consegue reunir todas as peças, descobre
um novo universo espiritual, o Mosaico Atlante. A partir desta
decifração torna-se líder espiritual e guia de uma nova corrente
energética.
A Bíblia do Iniciado é um livro
testemunho, intrigante, místico, mágico
e hermético. Ao mesmo tempo é uma
iniciação Atlante, uma viagem metasen-
sorialista.