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Política Para Não Ser Idiota – Mario Sergio Cortella e Renato Janine

Ribeiro

Capítulo 1 – O indivíduo e a sociedade: Política não é coisa de idiota.

Para não fugir do tema, o livro se inicia com a explicação do conceito de


idiótes, que, em grego, significa “aquele que só vive a vida privada, que recusa
a pública, que diz não à política”. É aquele que não se mete em política.

Contudo, inicia-se uma discussão sobre liberdade trazendo dados do mundo


antigo, onde os gregos só consideravam livres aqueles que se envolviam com
política. Consequentemente, um homem idiota, seria considerado menos livre,
humano e cidadão, em relação aos demais que participavam desta atividade.
Posteriormente, trazem aspectos positivos e negativos do mundo atual,
politicamente pensando. Os positivos são o fato de muitos países estarem
tomando a democracia como modo de governo, trazendo, portanto, maior
liberdade para o povo, coisa que até então não havia. Entretanto, há um
avanço exponencial do desinteresse político da população, gerado, na maioria
das vezes, pela percepção da corrupção.

Por fim, são lançadas duas definições de política. A primeira, de Janine: “A


política seria uma maneira de lançarmos luz sobre essas teias invisíveis que
nos dominam e tentamos controlá-las.” A outra, de Cortella, diz que a atividade
humana se baseia no convívio com as pessoas, e só existe a política com a
capacidade e a inteligência necessária para saber fazê-la.

Capitulo 2 – Conviver: O mais político dos atos.

Inicia-se uma discussão tomando como base o fato de a maioria da sociedade


confundir, propositalmente ou não, liberdade e direito com propriedade, objeto
de consumo. Assim, os direitos jurídicos – direito, dever e liberdade – deixam
de se relacionar única e exclusivamente para os deveres da população,
passando a serem idealizados como objetos de consumo. Por isso que muitas
pessoas geralmente dizem: “Faço isso porque quero, porque tenho”. Na
verdade, essa frase se encaixaria melhor se fosse dita como: “Faço isso
porque quero, porque posso”, assim, ela não deixaria de perder o seu sentido
de dever.

Contudo, retornando ao capítulo anterior, Cortella fala sobre a política no


sentido de condomínio, no sentido de convívio. Assim como em um
condomínio, a política possui suas regras, seus deveres, suas tarefas, e aquilo
que lá dentro é considerado certo e errado. Porém, quaisquer relações, seja ela
em família, com os amigos, com seus colegas de classe, etc., tudo isso é
político. Além disso, as palavras síndico e sindicato provêm de uma mesma
origem grega: diké( que significa justiça). Então síndico pode ser definido como
aquele que pede e faz a justiça, assim como sindicato são aqueles que se
organizam para encontrar os pontos comuns e estabelecer um ponto de justiça.

Ainda nessa reflexão, Cortella deixa uma frase no livro - que repete no mínimo
três vezes ao longo deste - dizendo que a costuma levar e usá-la para quase
todos os momentos de reunião que vivencia: “Os ausentes nunca tem razão”.
Oras, se uma pessoa opta por não participar, não interagir, seja por falta de
interesse, por não ter tempo, ou por qualquer outro motivo, ela nunca terá
razão. Logo, surgindo uma discussão ou acontecimento que se relacione com
aquilo que foi discutido no momento que ela não estava presente, ela não tem
o direito de opinar, pois não sabe do que se trata. A não ser que esta demostre
curiosidade, entendendo o prejuízo que lhe pode proporcionar, e busque
entender o tema. Assim ela terá como participar novamente.

Entretanto, enfrentamos um problema. O esgotamento da democracia entes


mesmo de completa-la, ou seja, de ela alcançar sua potência. Isso de deve ao
fato de a maioria da população se encontrar em estado de cansaço,
desencanto e perda de esperança. Justamente por terem descoberto a
corrupção, que, por mais que sempre tenha existido, hoje se torna cada vez
mais explícita com a evolução positiva que tivemos em relação à conectividade
com a informação.

Capítulo 3 – A política como pulsão vital.

O constrangimento individual, elemento importantíssimo para o convívio em


sociedade, vem se intensificando ao longo do tempo. Este constrangimento se
deve, também, pelo período que, no livro, foi chamado de mudança radical, em
que ocorreu a queda da maioria das Ditaduras e Impérios, por volta de 1980, e
começaram a surgir as Democracias, que hoje dominam o mundo.

Assim, é relacionado a ideia do cansaço político dos jovens das últimas


décadas com a falta de um “horizonte adversário”, a falta de uma utopia,
definida de forma bem explicativa por Eduardo Galeano: “A utopia está lá no
horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez
passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais
alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que não deixe de
caminhar”. Antigamente, tinham esse horizonte adversário, tinham essa meta a
ser alcançada, uma pulsão vital. Coisa que hoje vem se perdendo cada vez
mais, por termos tudo aquilo que julgamos necessário na palma de nossas
mãos.
Levando em conta a expressão pulsão vital, podemos caracterizar diferentes
momentos políticos. O primeiro diz respeito a uma maneira de política como
participação nas ruas, no trabalho, no dia-a-dia, na família, nas escolas, etc. A
segunda, pode ser definida também como um “combustível que move o
mundo”. Por exemplo, no século XVIII, houve uma pulsão vital na Europa em
busca da liberdade de pensamento, chamada Iluminismo. Porém, esta também
pode ser considerada como uma opressão, algo que nos censura, que não
fecha do mundo. Nesse caso, a ditadura pode ser usada como exemplo, como
o combustível que nos fez lutar pela liberdade, e hoje nos encontrarmos em
uma Democracia.

Por fim, tomando a ideia do parágrafo anterior como base, foi escrito – como
anotação - uma frase que sintetiza bem esse segundo aspecto da pulsão vital:
“Somente buscaremos a liberdade em situações de opressão, Ditaduras,
hostilidades, ou seja, quando há parâmetros nos dizendo como pensar e como
agir. Caso contrário, nos contentaremos com aquilo que nos é proposto,
acomodando-nos. Então atingimos o cúmulo da preguiça, o acomodo”.

Capítulo 4 – Corrupção causa impotência?

Sempre retomando o assunto dos capítulos anteriores, volta a ser dito que a
política, hoje, vem sendo considerada como motivo de desprezo. Este, se da
pela única percepção de política que a sociedade atual tem: a política
partidária. Assim, enxergarão esta atividade de convívio apenas como
competitiva, em que existe um inimigo, e, acima de tudo, que é corrupta.
Entretanto, é preciso que entendamos que a corrupção sempre existiu, ela só
se tornou mais explícita com a informação que recebemos todos os dias
através de meios tecnológicos. E que, ao invés de ela se tornar o combustível,
a pulsão vital de nossa luta por justiça, ela cause sensação de impotência nas
pessoas.

Engajado nesse problema surge dois desafios, um da sociedade e um dos


educadores. O primeiro se consiste em utilizar os brasileiros que ajudam
ONGs, unindo-os. Assim, ao colocarmos no governo, teríamos um conjunto de
pessoas boas, com interesses bons para a sociedade. Por sua vez, o segundo
desafio, que diz respeito aos educadores, visa seduzir as gerações a se
interessar pela política desconsiderando que existe um adversário externo, mas
que estejam cientes de uma compreensão étnica. Assim, seria possível
trabalhar a política como uma atividade do ápice da virtude do humano.

Hoje, vivemos um mundo em que consideramos uma pessoa boa quando ela
não se envolve com política. Ao pensarmos no zoon politikon (o homem político
de Aristóteles), podemos notar o enfraquecimento de certos laços sociais como
a relação de prazer na companhia alheia, o convívio e o crescimento com o
outro, que eram fundamentais para o zoon politikon.

Portanto, como citado Aristóteles, é interessante que lembremos que a vida


política na Grécia Antiga constituía-se em participar indo à ágora a cada nove
dias, onde havia uma discussão e um debate sobre os principais temas
políticos. Assim, a cada dois anos – mesmo período de tempo que demoramos
a voltar às urnas de eleição – eles já teriam ido à ágora cerca de 80 vezes. E,
por incrível que pareça, muitas pessoas ainda se queixam de ter que participar
desta atividade durante dois anos... Todavia, é de se pensar: será que tinham
um prazer em fazer retórica? O indivíduo sentia que sua vida estava em jogo
para participar? De qualquer forma, temos a democracia grega como um “farol
para nós”. E que, por mais que tenhamos tido um progresso em muitas coisas,
regressamos em relação à vontade de fazer política, de participar.

Nesse aspecto, é bom que lembremos que Charles Darwin usava o a palavra
evolução para se referir a coisas que estão mudando, se desenvolvendo, seja
para positivo ou negativo. No mundo em que vivemos, temos esses dois tipos
de evolução: a positiva, que diz respeito aos direitos do cidadão, da expansão
da liberdade individual e do acesso à informação; ou a negativa, que se trata
da percepção da impotência política e do desprezo pela atividade política. Por
isso, podemos dizer que nem toda evolução é boa, como na medicina, em que
uma pessoa pode “evoluir para óbito”. Nesse ponto, podemos dizer,
concluindo, que a política grega é iluminadora pelo fato de permitir que
enobreçamos nossa capacidade de convivência.

Capítulo 5 – Quem deve ser o dono do poder?

Neste capítulo, como já havia sido discutido antes sobre as assembleias


atenienses, resolveu-se falar sobre a frequência com que os gregos
participavam. Então, já que o ingrediente religioso era muito presente na vida
pública em Atenas e Roma, questionaram se o que levava os atenienses a
terem a vontade de participar não seria uma força metafísica presente no local.
Ou seja, algo relacionado à espiritualidade, religião e fé em algo divino. Assim,
conseguiam entender a “política como arte que nos torna humanos”, pois a
política seria um exercício de convivência e conexão de uma vida, buscar a
vida boa na política.

Hoje, temos sociabilidades muito intensas, porém parciais. Isso se deve pelo
fato de estarmos buscando sempre uma relação de espelho, tentando
encontrar pessoas que tenham pensamentos e atitudes iguais as nossas para
nos relacionarmos. Aí mora um problema. Quando deixamos de nos reunir com
pessoas diferentes, deixamos de exercitar princípios fundamentais para a vida
pública – como a democracia, o convívio, a coletividade e enfraquece os laços
sociais. Além disso, deixamos de aprimorar nossos argumentos e ideias, algo
que só acontece quando há um contraponto, que nos force a pensar e
reformular nossas ideias. Ainda falando sobre o mundo atual, há uma frase de
Agostinho que exprime bem essa ideia: “Não sacia a fome quem lambe pão
pintado”, ou seja, não se sente satisfeito aquele que faz algo somente em
busca da aparência, do status. Até mesmo dentro da política, quando, por
exemplo, escolas resolvem organizar rodas de conversa e assembleias para
discutir temas políticos, como se política não fosse algo para fazermos todos os
dias.

Entretanto, para falar agora sobre cidadania, é melhor que comparemos a


nossa concepção deste tema, com a concepção dos norte-americanos. O
brasileiro sempre se colocará na condição de beneficiário do Estado, exigindo
que a quantidade que ele paga de impostos tem que ser retribuída em
benefícios para sua vida. Na época da democratização do nosso país, usava-
se um slogan nos ônibus públicos escrito: “Transporte público: direito do
cidadão, dever do Estado”, como se o Estado fosse o responsável por fornecer
coisas aos cidadãos, e não que este deveria construir o Estado. Assim,
podemos perceber que o significado de Cidadania aqui no Brasil, está
fortemente relacionado à ideia de Direitos Humanos e Sociais. Por sua vez, os
norte-americanos possuem a noção de que Cidadania se consiste em votar e
ser votado e pagar impostos, tanto que a frase “Eu sou cidadão. Eu pago
impostos” foi usada por uma americano a princípio. Por isso, eles tem a noção
de contribuinte do Estado, ao contrário de nós, que tem, em sua maioria, a
vergonha de dizer que paga impostos.

Geralmente, alguns cidadãos confundem ineficiência da máquina estatal com


delinquência estatal. A delinquência estatal pode ser definida quando o Estado
age de má-fé, incompetência, prejudicando boa parte da população. Enquanto
isso, a ineficiência deste diz respeito ao fato de ele não realizar seu trabalho de
maneira certa, e eficiente. Porém, o mais importante aqui é que percebamos
que a delinquência estatal é resultado da idiotice, da falta de interesse pela
política, pois, se o cidadão cobrasse o Estado, e o elegesse de maneira
adequada e consciente, não haveria problemas e o nível de corrupção seria
regredido.

Vivemos um problema muito difícil de ser corrigido: a nossa elevada


Tributação. Esta é dividida em dois tipos, direta e indireta. A primeira diz
respeito aos gastos com rendas e propriedades. Já a segunda, é sobre o
consumo. O maior prejuízo é sofrido pela parte da população que não tem
renda, pagando a maior parte dos seus impostos na área do consumo, que
acaba por alimentar a máquina estatal. Isso, leva ao estelionato, que se
consiste em vender e negociar com duas pessoas ou mais, e no final esganá-
las, ganhando dinheiro de todos aqueles que foram esganados.
Assim, deveríamos lutar por uma Reforma Tributária que eliminasse a
arrecadação, reduzisse e unificasse seus impostos e que tivesse uma cobrança
e pagamento simplificados. Mas, para isso acontecer, primeiro teríamos que
tomar ciência das pessoas que elegemos para colocar no Governo, pois eles
são os grandes responsáveis pelos nossos atuais problemas com os tributos.
Os norte-americanos – embora citado diversas vezes – não deixa de ser um
exemplo importante a ser seguido. Embora possuam uma elevada taxa de
abstração, tem consciência na hora de eleger os governantes e pagam suas
contas públicas, assim eles se sentem responsáveis pelo governo que
elegeram.

Durante esse texto, surgiu um trecho em que falava da Ditadura no Brasil, mais
especificamente do AI-5 (Ato Inconstitucional nº 5), promulgado em 1968, e
que seria muito interessante que relembrássemos por ser muito exigido em
vestibulares por todo o país, além de fazer parte da história do Brasil. O AI-5 foi
uma medida imposta pelo Governo Militar brasileiro no ano de 1968 (a Ditadura
durou de 1964 à 1985), tendo início em 13 de dezembro deste ano e
finalizando apenas 10 anos depois, em 1978. Foi considerado o mais duro
golpe militar da Ditadura, por dar poder quase absoluto ao regime militar.
Algumas de suas mudanças eram:

 Censurar jornais, revistas, livros, peças de teatro e músicas;


proibia manifestações populares;
 O Presidente da República poderia intervir nos estados e nos
municípios, sem respeitar as limitações constitucionais;
 O Presidente da República poderia cassar o mandato de
deputados federais, estaduais e vereadores;
 O Presidente da República tinha a permissão de suspender os
direitos políticos de qualquer cidadão brasileiro num período de 10
anos.

Capítulo 6 – Política – Encargo ou patrimônio?

Seguindo a ideia de cidadania e direitos sociais propostos nos capítulos


anteriores, este será mais voltado para o capo do voto, discutindo os prós e
contras de voto obrigatório e facultativo, assim como será discutido sobre o
Estado e a neutralidade, ou seja, a omissão.

O Brasil vive um momento em que o voto é obrigatório para pessoas acima de


18 anos e abaixo de 65. Porém, embora vivamos em uma democracia, onde o
poder está nas mãos do povo, incomoda-se a palavra “obrigatoriedade”. A
população deveria ter orgulho de poder votar e participar na eleição de seus
representantes, e fazer isso por vontade própria, não porque são “obrigados e
forçados” a participares a cada dois anos, seja para prefeitos e vereadores,
como para Presidente da República. Se adotássemos o voto facultativo – como
acontece nos Estados Unidos – os partidos teriam que se enforcar para
convencer a população a votar, e iriam se comprometer mais com a coisa
política. Embora a taxa de abstração continue sendo alta, eles estariam mais
comprometidos e determinados. Envolver-se-iam mais com a população, ao
invés de apenas pedirem votos durante o intervalo do Jornal Nacional durante
10 segundos. Assim, deixaríamos de reclamar do Estado, que em momento
algum deixa de ser obra do ser humano, obra de sua ausência, obra do seu
voto sem consciência, obra das nossas ações e de nossa participação.

Entretanto, vale lembrar que a participação política hoje é bem diferente


daquela há anos atrás, conde apenas homens, maiores de idade, e as vezes
pertencentes a famílias mais ricas, poderiam participar de votações. Foi
encabeçado o voto feminino pela Igreja Católica em 1932, durante a Revolução
de 30.

É de fácil recordação uma palestra assistida na semana das Olimpíadas em


2016 sobre a política que a envolvia. Era a primeira de uma coletânea de
quatro que iriam ser apresentadas naquela semana, cujos palestrantes desta
eram o professor Afrânio de filosofia, Berg de geografia e o Daniel de história.
Nesse dia, um dos temas citados foi a neutralidade, a omissão de partido e
lado político. Esta posição, nada mais significa do que ficar do lado do
vencedor, ou daquele que pode trazer mais benefícios para a minha empresa,
para a minha comunidade, etc..

Concluindo, há uma divisão entre política cotidiana e pública. A primeira diz


respeito àquelas em escolas, no bairro, no condomínio, em ONGs, etc.. Já a
segunda, é mais centrada em discussões a movimentos partidários,
geopolítica, assembleias, palestras, entre outras. Surge, então, a opinião de
Cortella sobre as pessoas que não participam principalmente da política
pública, se referindo a elas como alienadas. Assim como é um dever da
educação e da mídia fazer com que as pessoas se interessem pela política,
vejam sua importância, e deixem o campo da alienação.

Capítulo 7 – Mundo da política, mundo da cidadania.

Abordamos nesta parte do livro um pouco sobre nosso sistema de ensino, que
ode passar por uma possível reformulação com a MP do Ensino Médio, se for
aceita. Por não ter conseguido acompanhar certas transformações sociais,
nosso sistema de ensino se encontra preso a diplomas e currículos. Por isso,
deveríamos tentar inovar, exigindo apenas um certificado de que a pessoa fez
algum curso, ou faculdade sobre o tema, e analisa-la, realmente, na prática,
assim veremos o que ela sabe fazer, e não o que o currículo diz que ela sabe.
Entretanto, esse modo de avaliação deveria valer apenas para áreas que não
põem o risco à vida. Caso contrário, como medicina e engenharia, devem
continuar exigindo currículo.

Surgem algumas questões: “Como podemos fazer com que o conhecimento


que adquirimos possa ser utilizado de maneira positiva para nossa vida
pessoal e coletiva?”, “Como utilizar todo esse conhecimento?”. Hoje, a filosofia,
que há 40 anos era vista como um “campo agonizante” – certamente pela
censura imposta no período ditatorial – se tornou uma área que muitas pessoas
tiveram seus interesses despertos, com vontade de conhecê-la. Mas como isso
aconteceu? Simples, muitas pessoas buscam a vida boa, a felicidade e a
tranquilidade como ideias de vida. A filosofia se torna, portanto, uma maneira
de alcançá-las. Aristóteles dizia que a finalidade da política era se chegar à
felicidade, mas isso não acontece, pois parte dos jovens – melhor dizendo, a
maioria – nunca deixou germinar em si o interesse pelo tema.

Todavia, há uma novidade em meio à política pública: “o indivíduo, em meio ao


coletivo, como indivíduo, e não como anulação do indivíduo”. Isso quer dizer
que existe liberdade para alguém que tenha uma ideia diferente, podendo se
expressar e se envolver tranquilamente. Assim, não há anulação do indivíduo
em um âmbito público. Com isso, muitas escolas acabam tendo conversas
sobre cidadania, sem nunca mencionar a palavra política. Além de cidadania
ser um tema político, consideram cidadania como algo positivo, enquanto
política é negativo.

Por fim, Janine expressa sua opinião de como deveria funcionar a arrecadação
de tributos feita pelo Estado. Diz que deveria ser arrecadado de quem pode
mais, ou seja, de quem tem mais condições financeiras. E distribua para quem
pode menos. Que, embora era mudança necessite um bom senso, seria mais
justa.

Capítulo 8 – Uma cidadania contra o colapso.

Quando pensamos em colapso, normalmente temos em mesmo algo que se


esgota, que chega ao seu limite e acaba quebrando, rompendo, errando. Neste
caso, pensaremos em colapso de duas maneiras. A primeira é em relação à
natureza, quando destruímos certas condições necessárias para nossa
sobrevivência. A outra, sobre a espécie humana, que constantemente vem
adotando condutas que destruam suas próprias condições de sobrevivência.
Um exemplo desse fato pode ser o chamado “Custo São Paulo”, que se define
como o custo da paralisia no trânsito da capital paulista, gastando horas e
horas apenas com o deslocamento, ou seja, gastando tempo. Com o tempo,
surgirão outras formas de serviço, que talvez não exijam esse deslocamento.
Porém, atualmente, o excesso de trânsito é um dos principais fatores que pode
causar o colapso de, não só em São Paulo, mas como todas as demais
cidades que sofrem deste problema.

Já que falamos sobre tempo, há no livro uma frase que Cortella usou para se
referir ao tempo em detrimento da política: “Não temos mais tempo para a
política porque reduzimos nosso uso útil do tempo”. Porém, sábios diriam que
tempo não se tem, nem se constrói, ele sempre existiu, coube ao homem a
capacidade de administrá-lo. Assim, quando dizemos que não o temos, na
verdade queremos dizer que temos outras prioridades. Além disso, podemos
concluir que o indivíduo é dono de si, quando é dono de seu tempo, pois, no
trabalho, o patrão é dono desta parcela de tempo, e paga por isso. Por isso
existe jornada de trabalho, que significa o tempo sendo comprado. Hoje, nos
sentimos esgotados, tanto física quanto mentalmente, pois a nossa utilidade
não está no deslocamento, mas no destino.

Entretanto, já que estamos citando trabalho, necessariamente entramos em


alienação. Embora a ideia central de alienação antigamente fosse ligada à
disputa entre direita e esquerda, ou seja, entre capital e trabalho, há três
concepções de alienação diferentes principais a serem entendidas. A de
Lukács diz que o indivíduo estará alienado quando perder sua consciência de
classe. Para Marx, o apogeu da alienação acontece quando o explorado
defende o explorador, já que Marx possuía uma linha de pensamento voltada
para o trabalho e o capital. Já Rosseau pensava em uma pessoa alienada em
relação a sua posição no ecossistema. Alguém que não tivesse consciência
disso estaria, portanto, alienada. Hoje, se formos definir alienação, a faria como
alguém que estaria fora da realidade, sendo enganado facilmente, ou melhor,
que já foi enganado.

Para finalizar, propor-lhes-emos uma reflexão: considere o alienado como uma


pessoa fora de si, e o idiota como dentro de si. Como entenderíamos isso
dentro do âmbito da política? Ora, se lembrarmos de que a política é uma
atividade de convivência com os demais, portanto, fora de si; o idiota, dentro de
si, estaria se ocultando da política, deixando de conviver. Logo, causaria o
colapso da coisa política. Porém, para resolvermos este problema,
precisaríamos da ajuda do nosso sistema educacional.

Capítulo 9 – A política como tema de sala de aula.

Esse, então, foi o capítulo mais esperado durante todo o livro. Talvez por se
tratar de um assunto que vivenciamos praticamente todos os dias nas escolas
de todos os países através de palestras, discussões, rodas de conversa,
paralisações, greves, etc.. Como o título já bem informa, se refere ao modo
como a política deve ser ensinada nas escolas e, principalmente, como não
deve ser feita.

A princípio, surge o tema sobre a Política de Cotas. Reside aí uma grande


discussão pois, a maioria das pessoas, veem essa medida como vital para que
jovens – na maioria que não tenham condições necessárias – possam
concorrer com aqueles que possuem uma oportunidade de educação melhor.
Entretanto, é de se pensar: se o foco da Política de Cotas é proporcionar maior
igualdade entre as classes, etnias, pessoas deficientes e demais, por que não
oferecer uma educação adequada para todos? Ou seja, livros atualizados,
tecnologia e bons professores? Dessa forma, aqueles que hoje não possuem
essa infraestrutura, poderiam competir por vagas em boas universidades,
assim como os jovens que nasceram em boas condições.

Portanto, pensando no nosso papel em relação à política, a imaginamos como


algo ético, capaz, decente, ideal e principalmente utópico (no sentido de algo
insaciável). Porém, há também nosso dever e responsabilidade de opinar e
conduzir as pessoas. Neste, precisamos aprender que o ponto de vista do
outro também é legítimo, e precisamos tentar entende-lo mais do que apenas
criticá-lo para impor nossas ideias. Com essa linha de pensamento, ambos
conseguem atingir e construir argumentos melhores, pois, ao exporem suas
diferentes formas de pensar, serão obrigados a reformular novas ideias
centradas em sua filosofia inicial, fazendo com que melhorem sua capacidade
de raciocínio.

Em um penúltimo tema, germina-se uma questão: “seria mais interessante uma


pessoas ser livre para construir sua vida, ou que o Estado intervenha,
proporcionando equilíbrios sociais?”. Há dois caminhos para responder essa
pergunta. De início, temos uma posição liberal, que se consiste da lógica de
que cada um possui a liberdade de construir e moldar sua vida, de acordo com
aquilo que conquistou ao longo dela. Nesse tipo de pensamento, o Estado é
mínimo, ou seja, garantiria apenas os direitos civis, e nunca se envolveria com
a economia, pois esta se autorregula com a lei da “oferta e procura”. Do outro
lado, há um pensamento socialista, em que se consiste na solidariedade e na
coletividade, tanto dos meios de produção como nos de distribuição em que o
Estado seria o dono do poder.

Por fim, após toda essa construção de um raciocínio, chegamos ao tema da


política nas escolas. Com isso, logo já é dito que deve se existir uma discussão
política nas escolas, sem dúvida. Porém, esta deve ter como principal objetivo
esclarecer as ideias, pois a maioria dos alunos talvez nunca tivesse tido
contado ou interesse com esse campo da sociedade e do mundo. Por outro
lado, não se deve, em hipótese alguma, partidalizar esse ensino. Isso
bloqueará o tratamento da política como atividade de convívio entre as pessoas
e de bem comum.
Capítulo 10 – Da importância da transparência.

O parto do século XX foi a democracia de massas. Isso se deu pelo fato de que
muitas pessoas resolveram ingressar na política por volta de 1920 e 1930.
Além disso, a Primeira Guerra Mundial foi travada em um meio liberal: feridos,
viúvas e órfãos teriam que se virar, buscar as melhores condições que
pudessem, e reconstruir suas vidas. Cada um por si. Estes, foram chamados
pelos franceses de gueules cassées. Essa mesma multidão que foi deixada de
lado foi responsável pela formação dos Bolcheviques na antiga União
Soviética, dos nazistas na Alemanha e nos fascistas na Itália. É importante que
ressaltemos que, anos depois, por volta de 1960, houve uma plebeização da
política, quando Plebeus ganharam espaço, podendo votar, participar, etc..
Com todo esse povo ingressando na política, podemos concluir que o mundo
passava, então, por um momento total e exclusivamente político.

Através deste avanço, pudemos ter uma percepção mais ampla da política – ou
melhor -, da corrupção que nela existe. Encontramo-nos em um momento de
transição, pois a história se trata de um ciclo, sempre se repetirá. Estamos no
momento em que descobrimos o problema, no caso, a corrupção. Bem
provavelmente, se essa teoria cíclica se concretizar, essa fase será seguida de
uma revolta, uma guerra, em que buscaremos resolver esse problema. Assim,
surgiriam novas formas de poderes, novos reinados, impérios, etc., exatamente
como ocorreu há anos, séculos atrás. Será, portanto, que um dia chegaremos a
construir uma guerra contra o Estado? Se possível, gostaria que os átomos,
presentes neste corpo a quem lhes escreve, se encontrem em forma humana
quando esse episódio inédito da história acontecer...

Podemos perceber ao longo da história que a democracia não era valorizada, a


começar por Platão, o filósofo socrático autor da obra A República. Tempo
depois, na época do Império Romano, poderia ter surgido uma democracia
quando existiram as trocas de governo – de Monarquia para República, e desta
para o Império. No período medieval era praticamente impossível que
houvesse uma democracia, já que o poder era totalmente centralizado nas
mãos da Igreja, no caso a Católica. E, por fim, o Renascimento, em que
surgem as Monarquias Absolutistas, etc.. Com isso, após todo esse caminho
construído ao longo da história, podemos perceber que foi a modernidade
quem buscou a democracia, que a colocou como horizonte, como objetivo,
durante a metade do século XX.

No Brasil, após ficarmos aproximadamente três séculos sendo explorados e


por colonizadores – portugueses, espanhóis, ingleses, etc. –, tendo nossa
independência proclamada por um colonizador, a República foi proclamada por
marechal Deodoro da Fonseca, em 1889. Porém, a única vez que o povo
brasileiro poderia votar foi apenas em 1989. Em 510 anos de história, tivemos,
apenas, 21 anos de democracia. E, por incrível que pareça, tudo se tornou
obvio. É obvio que a escravatura não é algo interessante a se fazer; é obvio
que não se precisa colocar placa para não fumar aqui; é obvio que não se faça
ameaça ecológica. Isso, em meio a tantos problemas e dificuldades que temos
que enfrentar diariamente, é um avanço, um ponto positivo sobre a
democracia, que nos faz acreditar que ela vai continuar dando certo.

Capítulo 11 – Entre o confronto e o consenso: Formas de lidar com as


diferenças.

Inicia-se o penúltimo capítulo do livro com uma questão: como resolvemos


nossas diferenças? Há, portanto, três maneiras de o fazermos, sendo uma
passiva, e duas mais autoritárias. A primeira maneira é por meio de consenso,
ou seja, de um acordo mútuo entre ambos os pontos de vista do problema, ou
pode ser chamada de “a maioria vence”, aceito, na maioria das vezes, para
evitar um confronto. Já os outros dois, por mais que sejam palavras e
expressões que possuam uma ideia similar, seus significados são diferentes:
conflito e confronto. Conflito seria mais usado quando nos referimos à
divergência de posturas, ideias ou atitudes, em que se resolve através da
democracia, por votos e decisões; enquanto confronto seria a tentativa de
anular o outro, por não concordar com algo que este faz, ou fez.

Aliás, durante o período da escravatura, iniciado com os Romanos há séculos,


teve-se a ideia de, ao invés de simplesmente matar e degolar seus oponentes,
dominá-los, valorizando suas qualidades e os colocando para trabalhar. Assim,
o indivíduo passa a se tornar um produto e a realizar tarefas diárias ara seus
donos. Torna-se necessária, então, que houvesse alguns direitos que os
representasse.

“O objetivo era fazer com que todos saíssem ganhando, em vez de criar um
clima de que um leva tudo e o outro perde tudo”. Essa ideia é expressa por
Janine, ao se referir às esferas políticas não partidárias, como no mundo
acadêmico, em discussões diárias, etc., o importante é que entremos em um
consenso e que nossas ideias se unam, ao invés de se contraporem. Assim,
poderíamos construir uma ideia melhor a partir de dois pontos de vistas
distintos ao invés de discutirmos, brigarmos, e pensarmos que temos ideias
melhores do que a do outro. “Numa sociedade de convívio democrático a
negociação se torna prioritária”. Por isso precisamos caminhar ao lado de
pessoas que possuam pensamentos diferentes dos nossos, pois só dessa
maneira seremos capazes de evoluir. Precisamos desse conflito ideológico.

Ainda no campo do consenso, podemos relacioná-lo, também, com a


divergência existente entre o direito individual e o direito coletivo. Por exemplo,
a lei seca, que não permite que o indivíduo dirija após ter ingerido bebida
alcoólica. Ora, isso não proíbe que ele beba, apenas que ele dirija após beber,
pois isso pode levar à um acidente, uma batida, que já foge do seu âmbito
individual, machucando pessoas. Outro exemplo é o fato de ser usuário de
droga, fumar maconha em casa, etc. O indivíduo tem total liberdade para fazer
isso, desde que não trafique, pois traficar envolve uma parcela mais ampla,
interferindo na sociedade. Por isso trafico de drogas, seja ela qual for, é crime.
Esse consenso sobre aquilo que fazemos nos pode ter efeito na sociedade de
forma maléfica foi algo construído pela democracia ao longo dos anos.

Capítulo 12 – A favor da política: Política faz bem.

Neste último capítulo do livro – porém não menos importante – é proposto, de


forma geral, o modo como enxergamos a política no cotidiano. Assim,
percebemos que nossa visão a seu respeito é no sentido de ela ser antagonista
(diferente de protagonista, que luta a favor de algo), ela lutar contra algo. Nós
devemos ser os protagonistas políticos, participando, expondo nossas ideias e
pontos de vista, ter orgulho e consciência na hora de votar, lembrando-se da
luta que foi para termos esse privilégio, etc. É importante que vessemos a
política como algo que nos faz bem, algo que aprimora nossa capacidade de
convívio com as pessoas. Entender que fazer política é lutar contra o colapso
seja ele do indivíduo, da sociedade ou da história. Ter esse receio é positivo.

Hoje, quando pensamos em felicidade, percebemos o quão grande é a busca


desta na sociedade. Porém, o que muitas pessoas não perceberam, é que ela
– embora se relacione fortemente com os êxitos que temos ao longo da nossa
vida – não se restringe apenas àquilo que realizamos. Existe até uma ideia,
abreviada de FIB (Felicidade Interna Bruta), que trabalha com a ideia de
felicidade na forma de “reduzir as infelicidades” para conseguirmos alcança-la.
Todavia, por mais que esta seja uma longa discussão, de diferentes pontos de
vista, um deles é de que a felicidade é a potência máxima que alcançamos em
determinado momento de nosso dia, de nosso mês, de nosso ano. Ou seja, ela
não passa de um estado prazeroso momentâneo, que passará, assim como
tudo passa, tudo é dinâmico, com sua largada e chegada, começo e fim. Um
êxtase momentâneo.

Concluindo, portanto, somos capazes de perceber que a política – antigamente


– era usada com uma ideia de oposição, em que há um ganhador e um
perdedor. Houve a guerra contra o fascismo, o conflito Capitalismo vs.
Socialismo, etc. A ideia expressa hoje em dia é de que todos ganham ou todos
perdem, não só por causa da grande proporção tomada pela democracia com
os anos, mas também pelo fato de precisarmos estar atentos nos efeitos de
nossos atos, pois a política tem, como principal objetivo, propiciar possibilidade
de convivência.
Felipe de Andrade Assme

Janeiro de 2017