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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Departamento de Física e Química – DFQ


Professora Doutora Adriana Gomes Dickman

LABORATÓRIO DE FÍSICA III – RELATÓRIO DE PRÁTICA


EXPERIMENTAL

Indutância de uma bobina

Luiz Eduardo Gonçalves Coimbra

Belo Horizonte
2018
Luiz Eduardo Gonçalves Coimbra

LABORATÓRIO DE FÍSICA III – RELATÓRIO DE PRÁTICA


EXPERIMENTAL

Indutância de uma bobina

Relatório técnico apresentado para a


disciplina Laboratório de Física Ill, no curso de
Licenciatura em Física da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais
referente a prática aplicada no dia 14 de maio
de 2018.

Belo Horizonte
2018
1.OBJETIVO

Aprender a medir experimentalmente a indutância de uma bobina.

2. INTRODUÇÃO

Uma corrente elétrica em uma bobina gera um campo magnético, cujas


linhas de indução são aquelas representadas na Figura 1. Como há linhas de
campo que atravessam o interior da bobina, podemos falar que há um fluxo
magnético através da bobina. Se a corrente for variável (ou alternada), este fluxo
também será variável (ou alternado). De acordo com a lei de Faraday, quando o
fluxo magnético ΦB que atravessa uma bobina com N espiras varia, uma força
eletromotriz induzida 𝜀𝑖 é gerada na bobina. De acordo com a Lei de Lenz, a força
eletromotriz aparece em um determinado sentido que contraria a variação do fluxo.
Matematicamente, as leis de Faraday e Lenz são escritas da seguinte maneira:
𝜀𝑖=−𝑁(𝑑𝛷𝐵/𝑑𝑡) (1)

Podemos concluir que uma força eletromotriz induzida aparece na bobina, quando
a corrente elétrica não é constante.

Figura 1: Linhas de indução do campo magnético gerado por uma corrente em uma bobina.
O sentido das linhas de indução é dado pela regra de Ampère, em que o polegar da mão
direita é disposto no sentido da corrente e os demais dedos envolvendo o condutor
indicam o sentido das linhas de indução.

O fluxo magnético total (𝑁Φ𝐵) através da bobina é diretamente proporcional à


intensidade da corrente elétrica 𝑖, com constante de proporcionalidade igual à
indutância 𝐿 da bobina. Portanto, a definição de indutância de uma bobina é,

L=𝑁Φ𝐵/𝑖 (2)
No sistema internacional de unidades, a unidade de indutância é henry (H), em
que 1 henry = 1 tesla*metro quadrado por ampère (1 H = 1 T.m2/A). A indutância
representa o fluxo magnético através da bobina por unidade de corrente. Levando em
consideração a definição de indutância de uma bobina, dada pela equação (2),
podemos dizer, de acordo com a equação (1), que a força eletromotriz induzida, 𝜀𝑖𝑛𝑑,
na bobina é calculada como 𝜀𝑖𝑛𝑑=−𝐿𝑑𝑖𝑑𝑡 (3).
A Figura 2 mostra um circuito RL. Neste circuito um resistor ôhmico de resistência 𝑅 é
ligado em série com um indutor (uma bobina de indutância 𝐿) e com uma fonte ideal
de tensão alternada ε. Em qualquer instante de tempo, a força eletromotriz total no
circuito é igual à queda de tensão na resistência. Portanto, podemos escrever:

𝜀+𝜀𝑖𝑛𝑑 = 𝑅𝑖 ou
𝜀 =𝐿(𝑑𝑖/𝑑𝑡)+𝑅𝑖 (4).

Figura 2: Circuito RL.

A força eletromotriz da fonte alternada varia no tempo, de acordo com a relação:

𝜀=𝜀𝑚𝑎𝑥𝑠𝑒𝑛(𝜔𝑡) (5)

na qual, 𝜔=2𝜋𝑓 é a frequência angular da fonte e f é a frequência em hertz (Hz). No


Brasil é muito utilizada a frequência de 60 Hz. O produto 𝜔𝐿, chamado de reatância
indutiva 𝜒𝐿 do circuito, tem dimensão de resistência e, no sistema internacional de
unidades, é medido em ohm. Assim,
𝜒𝐿=2𝜋𝑓𝐿 (6)

Podemos demonstrar que a reatância indutiva cria uma oposição à variação da


corrente
fazendo com que a mesma “se atrase”, de 90º, ou seja, de ¼ de ciclo.
Uma forma conveniente de se trabalhar com uma grandeza que provoca
defasagem, é tratá-la como vetor. Este tipo de tratamento denomina as grandezas que
tem a propriedade de defasarem de fasores. Alguns livros de circuitos elétricos dizem:
“Um fasor é um pseudo-vetor”. O fasor que representa a reatância indutiva do circuito
é perpendicular ao fasor que representa a resistência ôhmica do circuito, como
mostrado na Figura 3. A impedância (Z) é a resultante da ação conjunta da resistência
e reatância.

Figura 3: Diagrama fasorial.

Do diagrama fasorial da Figura 3, temos:

𝑍²=𝑅²+𝜒L² (7).

Substituindo 𝜒𝐿, dado pela equação (6), na equação (7), e isolando 𝐿 ficamos com:

1
L =2𝜋∗𝑓 √𝑍 2 + 𝑅² (8).
3. MATERIAIS UTILIZADOS

 Um miliamperímetro;
 Um voltímetro;
 Uma bobina;
 Cabos de ligação;
 Uma fonte de tensão contínua
 Uma fonte de tensão alternada.

4. DESENVOLVIMENTO

4.1 MÉTODO

4.1.1 CIRCUITO EM CORRENTE CONTÍNUA

Foi montado um circuito, com a fonte de tensão contínua, conforme esquema abaixo.

Figura 4: Circuito com fonte de tensão contínua

Variamos a tensão na fonte e medimos a sua corrente. Logo após, construímos o


gráfico 𝑉 x 𝑖 com auxílio do programa Scidavis. Em seguida foi feita a regressão
linear e assim determinada a resistência 𝑅. Comparamos também a equação
empírica obtida com a equação 𝑉=𝑅𝑖 como mostrado a seguir em dados.
4.1.2 CIRCUITO EM CORRENTE ALTERNADA

Foi aproveitado o mesmo circuito feito para corrente contínua, trocando o


voltímetro e o amperímetro CC (corrente contínua) para CA (corrente alternada) e
substituída a fonte de tensão contínua pela fonte de tensão alternada. Variamos a
tensão e medimos a corrente.

Foi construído o gráfico 𝑉 x 𝑖, com auxílio do programa Scidavis, e após, feita a


regressão linear. A inclinação, neste caso, será 𝑍, a impedância do circuito.
Observamos que o valor de 𝑍 é maior que o de 𝑅, a medida feita no cálculo em
CC, já que a impedância engloba a resistência.

Em seguida determinamos a indutância da bobina, usando a equação (8).


Lembrando que 𝑓 = 60Hz.
4.2 DADOS

4.2.1 CIRCUITO EM CORRENTE CONTÍNUA

Tabela 1: Diferença de potencial V e corrente elétrica i.

V(V) I(mA)

0 0

0,19 34,10

0,41 72,60

0,61 108,90

0,81 144,00

1,00 177,00

Gráfico 1: Diferença de potencial V por corrente elétrica i

Após a construção do gráfico a partir da tabela 1 foi feita a regressão linear,


e, com isso, encontramos o valor da resistência R. Sendo R = 0,00564 kΩ,
aproximadamente 5,64 Ω. A equação obtida atende a fórmula A*x+B, sendo este
esperado para uma reta, onde A é a Resistividade, x a nossa corrente i e B a
diferença de potencial V.
4.2.2 CIRCUITO EM CORRENTE ALTERNADA

Tabela 2: Diferença de potencial V e corrente elétrica i.

V(V) I(mA)

0 0

0,21 24,60

0,40 47,00

0,60 69,90

0,81 96,00

1,01 119,50

1,20 143,00

Gráfico 2: Diferença de potencial V e corrente elétrica i

Após a construção do gráfico, encontramos, através da regressão linear, o


valor da impedância Z do circuito, sendo Z =0,008369 kΩ ou aproximadamente
8.37 Ω. Observamos que o valor encontrado para a impedância Z é maior do que
o valor encontrado para a resistência R, isso se deve ao fato da impedância ser a
soma vetorial da reatância (XL) com a resistência ôhmica.

1
Utilizando a fórmula L =2𝜋∗𝑓 √𝑍 2 + 𝑅² para encontrar a indutância da bobina temos

que:

1
L =2𝜋∗60 √8.372 + 5,64² = 0,02677 H

ou 2,677x10-2 H

Indutância pode ser definida como a razão entre o enlace total do fluxo e a
corrente elétrica envolvida. Para o entendimento do conceito de enlace do fluxo,
primeiramente consideremos um toroide de N espiras, pelo qual uma corrente I
que circula produz um fluxo total Φ. O enlace de fluxo NΦ é caracterizado como o
o número de espiras N presente no fluxo Φ. A capacidade de uma bobina de N
espiras em criar o fluxo com determinada corrente i que percorre o circuito é
denominada Indutância (símbolo L) medida em "henry" cujo símbolo é H

Uma questão a ser abordada também é a diferença entre resistência e


impedância. Numa corrente contínua, calculamos a resistência enquanto numa
corrente alternada calculamos a impedância. A grande diferença é que na corrente
alternada temos uma variação do fluxo da corrente elétrica, por este motivo
medimos a impedância ao invés da resistência. Isso ocorro devido que, quando
um determinado componente cria uma resistência e gasta energia em forma de
calor, tem-se o Efeito Joule, isso chamamos de resistência, e se o componente
não gasta energia em forma de calor temos a reatância, então quando estão
presentes a resistência e reatância chamamos de impedância. A impedância se
define pela soma vetorial da reatância (XL) com a resistência ôhmica e isto vale
para qualquer bobina, então, neste caso, como a reatância varia com a frequência,
então a impedância também varia.
5. CONCLUSÃO

Conforme o objetivo proposto, podemos compreender melhor os conceitos


de resistência, impedância, reatância e indutância. Entendendo o comportamento
de uma bobina estando ela ligada a uma corrente contínua ou alternada,
relacionando a sua resistência e impedância respectivamente. E, também, os
resultados encontrados experimentalmente para a resistência R, Impedância Z e
indutância H estão dentro de uma margem esperada para os valores.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRITES, Paulo. Resistência e impedância: qual a diferença?. In: Paulo Brites:


Eletrônica e Etc. Disponível em: < https://www.paulobrites.com.br/resistencia-e-
impedancia-qual-a-diferenca/> Acesso em: 21 maio 2018.

IMPEDÂNCIA ELÉTRICA. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: <


https://pt.wikipedia.org/wiki/Impedância_elétrica> Acesso em: 21 maio 2018.

INDUTÂNCIA. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em:


<https://pt.wikipedia.org/wiki/Indutância > Acesso em: 21 maio 2018.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Caderno de


Atividades de laboratório: Física Geral 3 Eletromagnetismo. Belo Horizonte,
2018. p. 35-36 (Apostila)