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DANIEL LUIZ DA SILVA 1


4.1 - INTRODUÇÃO

A definição do traçado de uma estrada por meio de linhas retas concordando diretamente
com curvas circulares cria problemas nos pontos de concordância. A descontinuidade
da curvatura no ponto de passagem da tangente para a circular (PC) e no ponto de
passagem da circular para a tangente (PT) não pode ser aceita em um traçado
racional. Assim, é necessário que, tanto nos PCs quanto nos PTs, exista um trecho com
curvatura progressiva para cumprir as seguintes funções:
a) Permitir uma variação contínua da superelevação
b) Criar uma variação contínua de aceleração centrípeta na passagem do trecho reto
para o trecho circular
c) Gerar um traçado que possibilite ao veículo manter-se no centro de sua faixa de
rolamento.
d) Proporcionar um trecho fluente, sem descontinuidade da curvatura e esteticamente
agradável

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4.1 - INTRODUÇÃO

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4.1 - INTRODUÇÃO

Se fizermos a variação antes da curva, teremos, da mesma forma, uma condição


inconveniente que é criar a força transversal na reta. Para que o veículo não saia da
estrada, devemos "segurá-lo" com a força de atrito, girando o volante em sentido contrário
ao da curva que se aproxima
Na prática, alguns projetistas fazem parte da variação na curva e parte na tangente,
diminuindo a intensidade do problema. Isso não é recomendável, pois antes do PC
teremos excesso de superelevação e, logo depois, falta de superelevação.
A criação de um trecho de curvatura variável entre a tangente e a curva circular permite
uma variação contínua da inclinação transversal-da pista ate atingir a superelevação do
trecho circular.

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4.1 - INTRODUÇÃO

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4.1 - INTRODUÇÃO

a) Permitir uma variação contínua da superelevação:


Enquanto estamos na tangente, não há necessidade de superelevação, ou seja, a
inclinação transversal é teoricamente nula. No trecho circular, há necessidade de
superelevação (conforme será visto na Aula 6.0), a qual depende da velocidade e do raio,
podendo atingir valores de 10% ou até 12% em certos casos.
Seria impossível construir uma estrada nessas condições, pois teríamos um degrau
intransponível no PC. A passagem, desde zero até a inclinação necessária no trecho
circular, é feita obrigatoriamente de maneira gradativa ao longo de uma certa extensão do
traçado.
Se fizermos essa variação dentro da curva, no caso do comprimento desta ser suficiente,
teremos a inconveniente condição de necessitarmos da inclinação total logo após o PC,
quando o valor desta ainda é praticamente zero. Essa situação será muito mais grave se a
força centrípeta necessária for maior que a força de atrito máxima. O veículo não
conseguirá descrever a curva e sairá da estrada.

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4.1 - INTRODUÇÃO

b) Criar uma variação contínua de aceleração centrípeta na passagem do trecho reto para
o trecho:
Sendo a força centrípeta
𝑉2 𝑉2
𝐹 = 𝑚. 𝑎, 𝑠𝑒 𝑎𝐶 = ∴ 𝐹𝑐 = 𝑚
𝑅 𝑅
em que m é a massa do veículo, V é a velocidade e R, o raio da curva, seu valor é nulo na
reta e, dependendo do raio, pode assumir valor significativo imediatamente após o PC.
O aparecimento de uma força transversal de maneira brusca causa impacto no veículo e
em seus ocupantes, acarretando desconforto para estes e falta de estabilidade para
aquele (o veículo).

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4.1 - INTRODUÇÃO

c) Gerar um traçado que possibilite ao veículo manter-se no centro de sua faixa de


rolamento:
Na prática o veículo em movimento não passa do trecho reto para o trecho circular
instantaneamente.
Para que isso acontecesse, o volante deveria ser girado repentinamente da posição
correspondente à reta para aposição correspondente à curva circular.
Na realidade, esse giro é feito em um intervalo de tempo no qual o veículo percorre uma
trajetória de raio variável, diferente do traçado da estrada.
Uma curva de raio variável possibilita que a trajetória do veículo coincida com o traçado
ou, pelo menos, aproxime-se bastante deste

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4.1 - INTRODUÇÃO

d) Proporcionar um trecho fluente, sem descontinuidade da curvatura e esteticamente


agradável:
Isso ocorre devido à suave variação da curvatura, como mostra a figura a seguir. A
descontinuidade na curvatura gera insegurança no motorista, que pode não sentir
confiança para entrar na curva.
Essas curvas de curvatura progressiva são chamada s de curvas de transição e possuem
raio instantâneo variando de ponto para ponto desde o valor Rc (em concordância com o
trecho circular de raio Rc) até valor infinito (em concordância com o trecho reto).

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4.1 - INTRODUÇÃO

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4.2 – TIPOS DE CURVA DE
TRANSIÇÃO

De certa forma, qualquer curva cujo raio varie de infinito ate o valor do raio circular, em
uma extensão conveniente, pode ser usada como curva de transição; entretanto, algumas
curvas, por suas características geométricas, são melhores, do ponto de vista técnico,
para essa função.
As curvas mais usadas são:
a) Clotóide ou espiral: de equação 𝑅. 𝐿 = 𝐾, em que R é o raio, L é o comprimento
percorrido e K, uma constante.
b) Lemniscata: de equação 𝑅. 𝑃 = 𝐾, em que P é o raio vetor.
c) Parábola cúbica: de equação 𝑦 = 𝑎𝑥 3 , em que “a” é uma constante.
Para o caso normal de traçados, em que o ângulo de transição “θs” (teta”s”) é pequeno,
as três curvas apresentam resultados semelhantes

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4.2 – TIPOS DE CURVA DE
TRANSIÇÃO

Entre as diversas curvas que podem ser usadas como transição, a clotóide e a mais
vantajosa do ponto de vista técnico e é a mais indicada para um traçado racional porque:
1. É a curva descrita naturalmente por um veículo, em velocidade constante, quando o
volante é girado com velocidade angular constante.
2. O grau G (que é proporcional à curvatura) varia linearmente com o comprimento
percorrido.
𝑅. 𝐿 = 𝐾 → 𝐺 = 𝐾 ′ . 𝐿
𝑉2
Como a aceleração centrípeta varia inversamente proporcional ao raio (𝑎𝐶 = ),
𝑅
varia também linearmente com o grau da curva (𝑎𝐶 = 𝑉 2 . 𝐺. 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡) e, portanto, varia
linearmente com o comprimento percorrido

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4.2 – TIPOS DE CURVA DE
TRANSIÇÃO

Assim, variando linearmente a superelevação com o comprimento, o que construtivamente


é muito vantajoso, teremos a superelevação e a aceleração centrípeta variando na mesma
proporção. Uma estrada projetada dessa forma oferece aos passageiros dos veículos o
mesmo nível de conforto tanto na curva circular como na transição.
Considerando a maior conveniência técnica do uso da clotóide, usaremos apenas esse
tipo de curva que também é conhecida como espiral de transição ou simplesmente
espiral.

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4.3 – CARACTERÍSTICAS
GEOMÉTRICAS DA ESPIRAL

Sendo a espiral uma curva de equação 𝑅. 𝐿 = 𝐾, o valor a ser adotado para a constante K
está relacionado ao comprimento escolhido para a transição e ao raio do trecho circular.
Chamando de Ls o comprimento da curva de transição, nos pontos de concordância das
espirais com a circular o raio instantâneo da espiral será Rc (raio do trecho circular) e o
comprimento da transição será Ls, definindo o valor de K:

𝐾 = 𝐿𝑠. 𝑅𝑐
O parâmetro K determina o comprimento do arco que será percorrido para que a curvatura
1
varie de zero até o valor 𝑅𝑐, onde começa o trecho circular.
Em outras palavras, o grau da curva varia de zero até o valor (essa variação é linear):
1146
𝐺=
𝑅𝑐

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4.3 – CARACTERÍSTICAS
GEOMÉTRICAS DA ESPIRAL

Cada valor de K corresponde a uma determinada curva dentro da família das clotóides,
conforme a Figura a seguir.
Eleger um valor para K significa escolher a clotóide que será usada como curva de
transição.
Cada curva atinge o valor Rc após percorrer um determinado comprimento Ls durante um
tempo ts.
Esse tempo será usado como um dos critérios para estabelecer o comprimento mínimo.
Também podemos notar, na figura a seguir, que cada curva proporciona uma diferente
velocidade de variação da curvatura e, consequentemente, da aceleração centrípeta. Esse
valor será usado em outro critério para estabelecer o comprimento mínimo.

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4.3 – CARACTERÍSTICAS
GEOMÉTRICAS DA ESPIRAL

Clotóides com valores diferentes de K

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4.4 – PARÂMETROS DA ESPIRAL

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4.4 – PARÂMETROS DA ESPIRAL

Sendo Ls o comprimento de transição e Rc o raio do trecho circular, os valores para


calculo da tabela de locação para o trecho de transição é dado pelas fórmulas:

2  2 4 

1 L
 , em que K  Ls  Rc X  L  1    ... 
K 2  10 216 
L2   3 5 
  em radianos Y  L      ... 
2  Ls  Rc
 3 42 1.320 

Y
deflexão  arctg
X

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4.4 – PARÂMETROS DA ESPIRAL
Em particular no ponto Sc da curva, onde R assume o valor de Rc e L é o comprimento da
espiral que chamamos de Ls, temos:

Ls p  Ys  Rc  (1  cos s ) (em radianos )


s  em radianos
2  Rc
AC
 s 2
s 4
 TT  Q  ( Rc  p )  tg ( AC em graus )
Xs  L  1    ...  2
 10 216 
Dc  c  Rc  ( AC  2  s )  Rc
 s s s
3 5
 (em radianos)
Ys  L      ... 
 3 42 1.320  ( Rc  p )
E  Rc
cos( AC / 2)
Q  Xs  Rc  sens (em radianos )

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4.4 – PARÂMETROS DA ESPIRAL

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Como dito anteriormente, um dos motivos para se usar a curva de transição é evitar o
impacto causado pelo aparecimento brusco de uma força transversal.
Desta maneira faz-se necessário que a variação da aceleração centrípeta não ultrapasse
uma taxa máxima, para que haja segurança e conforto.
Essa taxa máxima corresponderá a um comprimento mínimo de transição.
São três os critérios mais usados para estabelecer o comprimento mínimo de transição :
a)Critério dinâmico;
b)Critério de tempo;
c)Critério estético.

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério Dinâmico:
Consiste em estabelecer a taxa mínima de variação da aceleração centrípeta por unidade
de tempo, que representamos por J na relação a seguir:

ac V 2 Rc V3
J  
t Ls V Rc  Ls
V3
Ls 
Rc  J

NA condição mais desfavorável, quando J=J,máx e V=Vp, têm-se:

Vp 3 máx
Lsmín 
Rc  J máx

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério Dinâmico:
A experiência internacional estabeleceu para J o valor máximo de 0,6m/s²/s.
Substituindo o valor de J e transformando a velocidade para km/h, a formula fica:

0,036  Vp 3 máx
Lsmín 
Rc
para Vp em km/h e Rc e Ls,máx em metros.

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério de tempo:
Estabelece o tempo mínimo de dois segundos para o giro do volante, e
consequentemente, para o percurso de transição. Assim:

Lsmin  2  Vp

Usando Vp em km/h e Ls,mín em metros, temos:


Vp
Lsmin 
1,8

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério estético:
Estabelece que a diferença de greide entre a borda e o eixo não deve ultrapassar um certo
valor, que depende da velocidade de projeto.
A Tabela abaixo mostra os valores propostos pela AASHTO para a máxima inclinação das
bordas em relação ao eixo das estradas, para pista única com duas faixas de tráfego.

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério estético:
A AASHTO recomenda ainda que o comprimento mínimo de transição seja o mesmo
utilizado para a variação da superelevação.
Observamos que a variação da inclinação relativa máxima com a velocidade de projeto
ir,máx=f(Vp) pode ser interpretada por duas retas:

irmáx  0,9  0,005  Vp (1)


irmáx  0,71  0,0026  Vp (2)
A equação (1) acima é utilizada quando Vp ≤ 80 km/h e ir em %.
A equação (2) acima é utilizada quando Vp > 80 km/h e ir em %.

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério estético:

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério estético:
Da figura anterior temos:
el f
Ls  ir  e  l f  Lsmín 
irmáx
Portanto:
el f el f
Lsmín    Vp  80km / h
irmáx 0,9  0,005 Vp 
el f el f
Lsmín    Vp  80km / h
irmáx 0,71  0,0026 Vp 
Para e em % , lf em metros e Vp em km/h

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério estético:
Com esses valores e fazendo lf=3,6m (largura da pista simples), podemos obter a tabela a
seguir, tem valores arredondados para múltiplos de cinco metros, e substitui pelo
comprimento mínimo de transição, calculado pelo critério de tempo, os valores
menores que este (área sombreada da tabela)
Podemos adotar como comprimento mínimo o maior dos três valores encontrados, e
assim, estaremos satisfazendo os três critérios.

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério estético:

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério estético AASHTO :

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4.5 – COMPRIMENTO DE
TRANSIÇÃO
Critério estético:
Para se obter o comprimento máximo, que correspondo a SC=CS, basta impor s=0 na
equação a seguir: c  0
AC  2  s  c 
 AC  2  s

Logo: AC
s 
2
Sendo:
(1) Ls e Rc em metros e
Lsmáx  Ac  Rc (1) Ac em Radianos.
Ls  2s  Rc    Ac  Rc (2) Ls e Rc em metros e
Lsmáx  (2) Ac em Graus.
180

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4.6 – CONCORDÂNCIA DA CURVA
DE TRANSIÇÃO
Para que seja geometricamente possível a concordância da transição com a tangente e a
curva circular é necessário criar um espaço, que chamaremos de afastamento (p),
entre a curva circular e a tangente.
A cada valor de K na equação R . L = K, corresponde a uma única curva de transição.
Adotando um valor Ls para o comprimento de transição e conhecendo-se o raio Rc da
curva circular, fica definida a constante K = Rc . Ls e também o afastamento p.

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4.6 – CONCORDÂNCIA DA CURVA
DE TRANSIÇÃO
Há três maneiras de conseguir o afastamento p:
a) Com a redução do raio Rc da curva circular para o valor (Rc – p), mantendo o mesmo
centro (O) da curva circular. Método do centro conservado.
b) Mantendo a curva circular em sua posição original e afastando as tangentes a uma
distância p. Método do centro e raio conservados.
c) Afastando o centro (O) da curva circular para uma nova posição (O'), de forma que seja
conseguido o afastamento desejado (p) conservando o raio e as tangentes. Método do
raio conservado.
A alteração da posição das tangentes traz, como consequência a, modificação do traçado
e a alteração das curvas imediatamente anterior e posterior à curva estudada.
O método do raio conservado é, geralmente o, mais usado, apresentando a vantagem
de não alterar o raio pré-estabelecido para a curva circular nem a posição das tangentes.
Em casos especiais, o uso de um dos outros métodos pode ser mais indicado.

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4.6 – CONCORDÂNCIA DA CURVA
DE TRANSIÇÃO

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4.7 – PONTOS NOTÁVEIS DA
CURVA DE TRANSIÇÃO

Estaca do TS = Estaca do PI - TT

Estaca do SC = Estaca do TS + Ls

Estaca do CS = Estaca do SC + Dc

Estaca do ST = Estaca do CS + LS

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4.8
DESENHO
DA
CURVA
DE
TRANSIÇÃO

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4.8 – DESENHO DA CURVA DE
TRANSIÇÃO

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4.9 – LOCAÇÃO DA CURVA DE
TRANSIÇÃO
A locação da curva de transição pode ser feita de duas formas:
a) com o uso das coordenadas X e Y calculada, com origem no TS (ou ST), o eixo X na
direção da respectiva tangente e o sentido do TS (ou ST) para o PI.
b) Pelas deflexões de cada ponto.
Para facilitar a locação, constrói-se uma tabela como a seguir.
Normalmente, são locadas as estacas inteiras da curva; para raios pequenos pode ser
necessária a locação de pontos a cada 10 metros.

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4.9 – LOCAÇÃO DA CURVA DE
TRANSIÇÃO

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4.9 – LOCAÇÃO DA CURVA DE
TRANSIÇÃO

Os valores para calculo da tabela de locação para o trecho de transição é dado pelas
fórmulas:

2  2 4 

1 L
 , em que K  Ls  Rc X  L  1    ... 
K 2  10 216 
L2   3 5 
  em radianos Y  L      ... 
2  Ls  Rc
 3 42 1.320 

Y
deflexão  arctg
X

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4.9 – LOCAÇÃO DA CURVA DE
TRANSIÇÃO

Para locar pelas coordenadas, basta medir x ao longo da tangente e na perpendicular,


determinando o ponto.
Para locar pelas deflexões visamos cada ponto com a deflexão calculada na tabela,
estando o zero do teodolito apontado para o PI, e interceptamos com uma corda de 20
ou 10 metros a partir do ponto anterior. Se for o primeiro ponto, a corda deve ser a
fração que falta para atingir a primeira estaca ou a estaca mais 10 metros. Se for o
último ponto, a fração do SC.
O trecho circular é locado, normalmente, como uma curva simples e a segunda espiral é
locada de maneira análoga à primeira, em sentido inverso, a partir do ST em direção
ao CS.

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4.9 – LOCAÇÃO DA CURVA DE
TRANSIÇÃO

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EXERCICIO

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COMPRIMENTO DE TRANSIÇÃO
Critério Dinâmico:
A experiência internacional estabeleceu para J o valor máximo de 0,6m/s²/s.
Substituindo o valor de J e transformando a velocidade para km/h, a formula fica:

0,036  Vp 3 máx
Lsmín 
Rc
para Vp em km/h e Rc e Ls,máx em metros.

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COMPRIMENTO DE TRANSIÇÃO
Critério de tempo:
Estabelece o tempo mínimo de dois segundos para o giro do volante, e
consequentemente, para o percurso de transição. Assim:

Lsmin  2  Vp

Usando Vp em km/h e Ls,mín em metros, temos:


Vp
Lsmin 
1,8

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COMPRIMENTO DE TRANSIÇÃO
Critério estético:
Da figura anterior temos:
el f
Ls  ir  e  l f  Lsmín 
irmáx
Portanto:
el f el f
Lsmín    Vp  80km / h
irmáx 0,9  0,005 Vp 
el f el f
Lsmín    Vp  80km / h
irmáx 0,71  0,0026 Vp 
Para e em % , lf em metros e Vp em km/h

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COMPRIMENTO DE TRANSIÇÃO
Critério estético:
Para se obter o comprimento máximo, que correspondo a SC=CS, basta impor s=0 na
equação a seguir: c  0
AC  2  s  c 
 AC  2  s

Logo: AC 0,072.V ³
s  Lsdes 
2 Rc
Sendo:
(1) Ls e Rc em metros e
Lsmáx  Ac  Rc (1) Ac em Radianos.
Ls  2s  Rc    Ac  Rc (2) Ls e Rc em metros e
Lsmáx  (2) Ac em Graus.
180

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PARÂMETROS DA ESPIRAL

Sendo Ls o comprimento de transição e Rc o raio do trecho circular, os valores para


calculo da tabela de locação para o trecho de transição é dado pelas fórmulas:

2  2 4 

1 L
 , em que K  Ls  Rc X  L  1    ... 
K 2  10 216 
L2   3 5 
  em radianos Y  L      ... 
2  Ls  Rc
 3 42 1.320 

Y
deflexão  arctg
X

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PARÂMETROS DA ESPIRAL
Em particular no ponto Sc da curva, onde R assume o valor de Rc e L é o comprimento da
espiral que chamamos de Ls, temos:

Ls p  Ys  Rc  (1  cos s ) (em radianos )


s  em radianos
2  Rc
AC
 s 2
s 4
 TT  Q  ( Rc  p )  tg ( AC em graus )
Xs  L  1    ...  2
 10 216 
Dc  c  Rc  ( AC  2  s )  Rc
 s s s
3 5
 (em radianos)
Ys  L      ... 
 3 42 1.320  ( Rc  p )
E  Rc
cos( AC / 2)
Q  Xs  Rc  sens (em radianos )

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EXERCÍCIO

Estamos projetando uma rodovia para 100km/h. Calcular o comprimento de


transição mínimo, o máximo e o desejável para uma curva horizontal cujo
raio no trecho circular é 600,00m, a superelevação é 9%, o ângulo central
é 60º e a largura da faixa de tráfego é 3,6m.

Adotando Ls desejável, calcular os seguintes elementos da curva:


s, Xs, Ys, Q, p, TT.

Considerando a estaca do PI é igual a PI[847+12,20m],


calcular as estacas do: TS, SC, CS, e do ST.

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EXERCÍCIO
Resolução:
Comprimento mínimo:
Critério dinâmico:
0,036  V 3 0,036 1003
Lsmin    60,00m
Rc 600
Critério de tempo:

V 100
Lsmin    55,56m
1,8 1,8

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EXERCÍCIO
Resolução:
Comprimento mínimo:
Critério estético, para Vp>80km/h:
ec  l f 3,6  9,0
Lsmin    72,00m
(0,71  0,0026  Vp) (0,71  0,0026 100)
Comprimento máximo:
  R  AC   600  60
Lsmáx    628,32m
180 180

Comprimento desejável:
0,072  V 3 0,072 1003
Ls Des    120,00m
Rc 600

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EXERCÍCIO
Resolução:
Verificação:

Ls  120,00m  Lsmáx  ok

Conclusão:

Lsmín  72,00m
Lsmáx  628,32m
Lsdes  120,00m

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EXERCÍCIO
Resolução:
Observações sobre a conclusão:
O comprimento desejável não pode, evidentemente, ser maior que o máximo. Se isso
acontecer no cálculo, deve ser assumido Ls,des=Ls,min.
Adota-se LS,des Sempre que LS,min<Ls,des<Ls,máx, apesar de ser perfeitamente
possível o uso de um Ls>Ls,des, não é recomendado por razões de ordem prática,
uma vez que a curva ficaria muito longa e se afastaria muito das tangentes.
O Ls desejável serve apenas como orientação na escolha do comprimento de transição.

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EXERCÍCIO
Resolução:

Ls 120,00
s    0,10000 rad
2  Rc 2  600,00

 2 4   0,12 0,14 
X  L  1    ...   120,00  1    ...   119,88006m
 10 216   10 216 

  3 5   0,1 0,13 0,15 


Y  L      ...   120,0      ...   3,99714m
 3 42 1.320   3 42 1.320 

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EXERCÍCIO

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EXERCÍCIO
Resolução:

Q  Xs  Rc  sens (em radianos )  119,88006  600  sen(0,100)  59,98001m

p  Ys  Rc  (1  cos s ) (em radianos )  3,99714  600  (1  cos(0,100))  0,99964m

AC
TT  Q  ( Rc  p )  tg ( AC em graus )
2
60
TT  59,98001  (600  0,99964)  tg  406,96731m
2 58

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EXERCÍCIO
Resolução:

PI [847+12,20m] = 16.952,20m
Ls = 120,00m Dc  c  Rc  ( AC  2  s )  Rc
TT = 406,97m
Dc  (1,047198  2  0,100)  600  508,32m
Ac=60º = 1,047198rad

59

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EXERCÍCIO
Resolução:

TS = PI - TT = 16.952,20 - 406,97= 16.545,23m = TS [827+5,23m]


SC = TS + Ls = 16.545,23 + 120,00 = 16.665,23m = SC [833+5,23m]
CS = SC + Dc = 16.665,23m + 508,32 = 17.173,55m = CS [858+13,55m]
ST = CS + LS = 17.173,55 + 120,00 = 17.293,55m = ST [864+13,55m]

60

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EXERCÍCIO 2

Com os dados do Exercício 1, adotando Ls=120,00, calcular os


seguintes elementos da curva:
s, Xs, Ys, Q, p, TT.
Fazer um croqui indicando os elementos calculados.

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EXERCÍCIO 3

Com os dados dos Exercícios 1 e 2,


sabendo que a estaca do
PI é igual a PI[847+12,20m],
calcular as estacas do:
TS, SC, CS, e do ST.

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EXERCÍCIO 4

Com os dados dos Exercícios 1 e 2 e3, fazer a tabela de


locação para a primeira espiral.

63

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EXERCÍCIO 4 Resolução:

Corda Deflexão Deflexão


Estaca L (m) (rad) X (m) Y (m)
(m) (graus) (D.M.S)

64

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PARÂMETROS DA ESPIRAL

Sendo Ls o comprimento de transição e Rc o raio do trecho circular, os valores para


calculo da tabela de locação para o trecho de transição é dado pelas fórmulas:

2  2 4 

1 L
 , em que K  Ls  Rc X  L  1    ... 
K 2  10 216 
L2   3 5 
  em radianos Y  L      ... 
2  Ls  Rc
 3 42 1.320 

Y
deflexão  arctg
X

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EXERCÍCIO 4 Resolução:

Corda Deflexão Deflexão


Estaca L (m) (rad) X (m) Y (m)
(m) (graus) (D.M.S)

TS = 827 + 5,23 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0

14,7
828 14,77 0,001515 14,77 0,01 0,028933 0d 5’
7

34,7
829 20,00 0,008396 34,77 0,1 0,160342 0d 10’
7

54,7
830 20,00 0,020832 54,77 0,38 0,397853 0d 24’
7
66
831 20,00 74,77 0,038823 74,76 0,97 0,741460 0d 44’

94,7
832 20,00 0,062371 94,73 1,97 1,191148 1d 11’
7

114,
833 20,00 0,091473 114,67 3,50 1,746885 1d 45’
77

SC = 833 + 5,23 5,23 120 0,01 119,88 4 1,909695


PROF. DANIEL LUIZ DA SILVA 1d 55’