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Carlos Biasotti

Revisão Criminal
(Doutrina e Jurisprudência)

2018
São Paulo, Brasil
O Autor

Carlos Biasotti foi advogado criminalista,


presidente da Acrimesp (Associação dos Advogados
Criminalistas do Estado de São Paulo) e membro
efetivo de diversas entidades (OAB, AASP, IASP,
ADESG, UBE, IBCCrim, Sociedade Brasileira de
Criminologia, Associação Americana de Juristas,
Academia Brasileira de Direito Criminal, Academia
Brasileira de Arte, Cultura e História, etc.).

Premiado pelo Instituto dos Advogados de São


Paulo, no concurso O Melhor Arrazoado Forense,
realizado em 1982, é autor de Lições Práticas de
Processo Penal, O Crime da Pedra, Tributo aos
Advogados Criminalistas, Advocacia Criminal (Teoria e
Prática), além de numerosos artigos jurídicos
publicados em jornais e revistas.

Juiz do Tribunal de Alçada Criminal do Estado de


São Paulo (nomeado pelo critério do quinto
constitucional, classe dos advogados), desde 30.8.1996,
foi promovido, por merecimento, em 14.4.2004, ao
cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça.

Condecorações e títulos honoríficos: Colar do


Mérito Judiciário (instituído e conferido pelo Poder
Judiciário do Estado de São Paulo); medalha cívica da
Ordem dos Nobres Cavaleiros de São Paulo; medalha
“Prof. Dr. Antonio Chaves”, etc.
Revisão Criminal
(Doutrina e Jurisprudência)
Carlos Biasotti

Revisão Criminal
(Doutrina e Jurisprudência)

2018
São Paulo, Brasil
Índice

I. Preâmbulo..........................................................11
II. Revisão Criminal: Ementas (Doutrina e
Jurisprudência).................................................13

III. Casos Especiais...............................................175

IV. Modelos:

a) Revisão Criminal: Petição............................273

b) Razões do Pedido de Revisão.......................275

c) Justificação Criminal: Pedido e Razões.....279


d) Recurso contra a Decisão que a Indefere
(Apelação):

– Petição de Interposição de Recurso........289

– Razões de Apelação....................................291
Preâmbulo

Suposto seja a revisão criminal ação


rescisória, que se não admite senão em casos
especiais, têm contudo os Tribunais tolerado
amiúde o reexame da prova em processos findos,
em obséquio ao princípio da indeclinabilidade da
jurisdição — “a lei não excluirá da apreciação do
Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito” (art.
5º, nº XXXV, da Const. Fed.) — e à advertência
da “falibilidade humana, cujos estigmas ninguém
evita neste mundo” (Rui, Réplica, nº 10).

Como a tábua do náufrago, representa a


revisão criminal a última esperança, de que o
condenado pode fiar sua sorte. Não se lhe deve, a
essa conta, obstar o uso de tão salutar remédio
judicial, exceto no caso de violação manifesta
dos preceitos que o regem: v.g.: carência das
condições de procedibilidade inerentes a toda a
ação, mera reiteração de pedido anteriormente
indeferido, etc.
12

Em pontos de revisão criminal, cabe ao réu


comprovar, acima de toda a dúvida, que a decisão
condenatória contrariou de face a prova dos autos
ou discrepou do texto da lei (art. 621 do Cód. Proc.
Penal).
Ao escrúpulo dos que entendem não ser lícito
pôr de novo em discussão matéria que repousa
debaixo do selo da coisa julgada responde com
vantagem Alimena: “Justiça que reconhece os
próprios erros e se corrige é Justiça sublime”
(apud Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal
1980, vol. II, p. 358).

Acham-se compilados aqui, sob a forma de


ementas de julgados, elementos de doutrina e
jurisprudência extraídos de votos que proferi na
2a. Instância da Justiça Criminal do Estado de São
Paulo.

Se lhe for de alguma utilidade o livrinho, caro


leitor — que nisto apenas ponho o fito —, deveras
folgarei. Tenha boa fortuna!

O Autor
Ementário Forense
(Votos que, em matéria criminal, proferiu o
Desembargador Carlos Biasotti, do Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo. Veja a íntegra
dos votos no Portal do Tribunal de Justiça:
http://www.tjsp.jus.br).

• Revisão Criminal
(Art. 621 do Cód. Proc. Penal)

Voto nº 1192

Revisão Criminal nº 325.912/2


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal

– Não basta que o acusado tenha defesa; cumpre que a tenha em


sua plenitude, porque “só merece o nome de defesa a que for
livre e completa” (J. Soares de Melo, O Júri, 1941, p. 16).
–“No processo penal, a falta de defesa constitui nulidade
absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova
de prejuízo para o réu” (Súmula nº 523 do STF).
–“O Código de Processo Penal adotou o princípio de que sem
prejuízo não se anula nenhum ato processual” (Damásio E. de
Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 13a. ed., p. 392).
– Na revisão criminal, segundo a comum opinião dos doutores, é
do sentenciado o ônus de provar o desacerto da decisão
condenatória. Ao demais, somente a prova cabal do erro
poderá prevalecer contra ela, a qual tem por si a presunção de
verdade, atributo da coisa julgada: “Res judicata pro veritate
accipitur” (Ulpiano).
14

Voto nº 1235

Revisão Criminal nº 328.254/5


Art. 168 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Não cessa a Humanidade de encarecer aos que julgam muita


prudência ao firmar e confirmar decretos condenatórios. À
conta de certo padeirinho (que fora obrigado a vestir a alva
dos condenados e sofrer pena capital no patíbulo, sendo
inocente), reza a tradição que ainda hoje, em memória do
infausto sucesso, Veneza conserva, em templo de fé, duas
lâmpadas votivas, que ardem perpetuamente, e junto delas
esta letra de advertência aos Juízes: “Recordève del povero
Fornèr” — ou “Ricordatevi del povero fornaio” (Fumagalli,
Chi l’ha detto?, 1995, p. 170) —, que, traspassada para o
português, soa: Lembrai-vos do pobre padeirinho!
– Todo o escrúpulo se tem por legítimo, enfim, quando o Juiz
entra a considerar na terrível realidade de uma sentença
condenatória!
– Comete o crime de apropriação indébita (art. 168 do Cód.
Penal) o agente que não devolve ao proprietário, no prazo
assinado, fitas de videocassete que lhe tomara em locação,
pois inverte o título da posse: de detentor “alieno nomine”
passa a possuidor “animo domini”.
– O locatário que não restitui fitas de videocassete a seu dono,
somente não viola o Direito Penal e pratica apropriação
indébita, se comprovar que entre ele e o locador havia
contrato com cláusula de ressarcimento em pecúnia; nesse
caso, a questão convola para a esfera do Direito Civil.
15

– Para a caracterização de reincidência, nossos Tribunais têm


preconizado critério rigoroso: é mister a comprovação do
trânsito em julgado da sentença condenatória anterior, com
menção da data em que se tornou irrecorrível (cf. Rev. Tribs.,
vol. 600, p. 397; apud Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 1998, p. 186).
16

Voto nº 1404

Revisão Criminal nº 337.984/0


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Sem lhe fazer rosto, têm os Juízes, em alguns casos, quebrado


o formal rigor da Lei, animados do espírito em que,
verdadeiramente, se resume o ofício de julgar, como o
descreveu o emérito Hélio Tornaghi: “Os homens dependem
mais da justiça que da lei; muito mais do juiz que do
legislador. É utilíssimo para um povo ter boas leis; mas é
melhor ainda ter bons juízes. O bom juiz resiste às leis
manifestamente iníquas, corrige as imperfeitas, dá polimento
e vida às excelentes e põe em prática a norma que se
aproxima do ideal. E, sem arranhar as garantias do
jurisdicionado, encontra meios de fazer justiça” (Curso de
Processo Penal, 1980, t. I, p. XII).
– Não afronta a Lei quem leva a mira só na Justiça.
– Pelas universais restrições que se lhe opõem, destituído de
valor probante é o método de reconhecimento de pessoas por
fotografia, exceto se fortalecido por outros subsídios de
convicção.
–“Se dúvidas surgirem no espírito do juiz da revisão, a respeito
da justiça ou injustiça da decisão, só lhe restará rescindir o
aresto condenatório” (José Frederico Marques, Elementos de
Direito Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 347).
17

Voto nº 738

Revisão Criminal nº 312.032/6


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal

– Não afronta o princípio da ampla defesa a falta de intimação


da sentença ao advogado dativo, se já o foi por edital o réu
revel, a quem se negou o direito de apelar em liberdade. É que
tal providência seria de todo o ponto inútil.
– Como na revisão criminal não há fase instrutória, nela não
cabe requerimento de conversão do julgamento em diligência
para inquirir testemunha. Para tanto poderá o peticionário
valer-se do instrumento específico: a justificação criminal.
– Remédio especial e extremo, não se admite revisão criminal
senão nos casos expressamente previstos em lei (art. 621 do
Cód. Proc. Penal).
18

Voto nº 878

Revisão Criminal nº 314.876/2


Art. 157 do Cód. Penal

–“Ninguém tem o direito de negar o que a evidência


mostra” (Bento de Faria, Código de Processo Penal, 1960,
vol. II, p. 131).
– Nisto de defesa escrita, vem a ponto a lição do velho Min.
Barradas, que afirmou “não ser de bom conselho medir
pelos ângulos de um compasso o valor jurídico de uma
peça forense” (Edgard Costa, Os Grandes Julgamentos do
Supremo Tribunal Federal, vol. I, p. 34).
– É de indeferir a revisão criminal, se a decisão
condenatória não fez rosto às provas dos autos, antes com
elas se conformou à maravilha.

Voto nº 942

Revisão Criminal nº 319.454/1


Art. 155, § 4º, nº III, do Cód. Penal

–“Seria absurdo continuar a aplicação de uma pena imposta em


virtude de erro judiciário” (Hélio Tornaghi, Curso de Processo
Penal, 1980, vol. II, p. 357).
– Embora escusada a perícia para demonstrá-la, é de todo o
ponto imprescindível à configuração da qualificadora do
emprego de chave falsa (art. 155, § 4º, nº III, do Cód. Penal) a
apreensão do instrumento usado para a prática do furto ou, ao
menos, a comprovação de sua existência por testemunhas
fidedignas, não podendo supri-la a confissão do acusado na
Polícia.
19

Voto nº 992

Revisão Criminal nº 321.786/3


Arts. 155, § 4º, ns. I e IV, e 62, nº I, do Cód. Penal

– Suposto seja a revisão criminal ação rescisória, que se não


admite salvo em casos especiais (art. 621 do Cód. Proc.
Penal), tem contudo o Tribunal tolerado amiúde o reexame da
prova em processos findos, em obséquio ao preceito de que “a
lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito” (art. 5º, nº XXXV, da Const. Fed.) e à
advertência da “falibilidade humana, cujos estigmas ninguém
evita neste mundo” (Rui, Réplica, nº 10).
– Diz-se contrária à evidência dos autos a decisão condenatória
que de tal arte se desabraça das provas neles produzidas, que
passa por autêntico despautério lógico-jurídico.
– Configura-se a agravante de pena do art. 62, nº I, do Cód.
Penal, se a atuação do agente, cooperando no delito e
dirigindo o proceder de seus prosélitos, revela tratar-se do
mentor e sumo delinquente da empreitada criminosa.
20

Voto nº 531

Revisão Criminal nº 307.402/0


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 71 do Cód. Penal

– É a revisão criminal recurso reparatório que se não pode


liberalizar, sem insigne desprestígio para o instituto da coisa
julgada.
–“Todos os homens erramos. Ninguém possui a pedra lídia da
verdade” (Orosimbo Nonato, in Rev. Tribs., vol. 177, p. 143).
–“O mais pobre de todos os pobres é o encarcerado” (Francesco
Carnelutti, As Misérias do Processo Penal, 1995, p. 21; trad.
José Antônio Cardinalli).
– Ainda o reexame das provas se reputa compatível com a
revisão criminal, forma única de o Juiz saber se a decisão
condenatória malferiu ou não a evidência dos autos.
–“Tem-se por improcedente a revisão criminal, quando não
ocorre a alegada contradição entre a sentença e a evidência
dos autos” (Rev. Forense, vol. 166, p. 317).
– Não tem jus ao benefício da atenuante do art. 65, nº III, alínea
d, do Código Penal o réu que se retrata, em Juízo, de
confissão, o que evidencia carecer dos atributos intrínsecos
exigidos de todo o confitente: sincero arrependimento das
faltas cometidas e propósito inquebrantável de emenda.
21

Voto nº 550

Revisão Criminal nº 306.688/5


Arts. 158, § 1º, e 71, parág. único, do Cód. Penal

– As palavras da vítima, quando seguras e verossímeis, longe


de significar o ponto frágil da prova, acrescentam-lhe peso e
vigor. Grande parte nos terríveis sucessos, quem mais que a
vítima estará capacitado a descrevê-los? É ela a que reúne
melhores condições para reproduzi-los com fidelidade e
revelar espontaneamente seu autor.
– Contrária à evidência dos autos é somente a sentença que não
tem base alguma na prova neles produzida.
– Cumpre pena em regime fechado autor de extorsão, a quem a
gravidade da espécie delituosa faz presumir perigoso.

Voto nº 627

Revisão Criminal nº 311.164/7

Art. 155, § 4º, ns. I, II e IV, do Cód. Penal

– Desde que se tenha apoiado em alguma prova, a decisão


condenatória não pode ser arguida de contrária à evidência
dos autos.
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
–“Tem-se por improcedente a revisão criminal, quando não
ocorre a alegada contradição entre a sentença e a evidência
dos autos” (Rev. Forense, vol. 166, p. 317).
22

Voto nº 712

Revisão Criminal nº 310.610/0


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal

– Não se conhece de pedido de revisão que não depare


fundamento numa das três hipóteses previstas no art. 621 do
Cód. Proc. Penal.

Voto nº 904

Revisão Criminal nº 318.730/5


Art. 155 do Cód. Penal

– Segundo o direito positivo e a comum opinião dos doutores, só


tem lugar a revisão criminal quando a sentença condenatória
se houver desabraçado do preceito da lei ou da evidência dos
autos.
– Ao escrúpulo dos que entendem que se não pode pôr, de novo,
em discussão matéria que repousa debaixo do selo da coisa
julgada, responde com vantagem Alimena: “Justiça que
reconhece os próprios erros e se corrige é Justiça sublime”
(apud Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. II,
p. 358).
– Ainda que se retrate em Juízo, a confissão do réu na Polícia
pode autorizar veredicto condenatório, se afinada com as
mais provas dos autos.
23

Voto nº 928

Revisão Criminal nº 320.398/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– É comum opinião dos doutores que a revisão criminal não


deve fazer as vezes de segunda apelação. Mas, porque o juiz
pode cair num erro de fato, condenando inocente, a praxe tem
tolerado, por prevenir essa desgraça, o reexame dos casos
que, debaixo do nome de revisão, chegam ao Tribunal, cujas
portas não se fecham nunca ao direito violado.
– Em caso de roubo, o regime prisional por força há de ser o
fechado, que só este responde a preceito à gravidade do
crime, que o organismo social repele terminantemente, e à
presumida periculosidade de quem o comete.

Voto nº 972

Revisão Criminal nº 319.542/9


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 14, nº II, do Cód. Penal

– É força dar improcedente a revisão criminal, se não houve


prova de que a decisão condenatória contraveio à evidência
dos autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
– Tratando-se de réu primário, é de bom exemplo fixar-lhe o
Juiz a pena-base no mínimo legal.
– Nada obsta que também aos casos de revisão criminal se
apliquem as disposições do art. 580 do Cód. Proc. Penal,
estendendo-se ao corréu os efeitos do julgado.
24

Voto nº 985

Revisão Criminal nº 315.808/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Como a tábua do náufrago, representa a revisão criminal a


última esperança, de que o condenado pode fiar sua sorte. Não
se lhe deve, a essa conta, obstar o exercício de tão salutar
remédio judicial, exceto no caso de violação manifesta dos
preceitos que o regem, v.g.: carência das condições de
procedibilidade inerentes a toda a ação, mera reiteração de
pedido anteriormente indeferido, etc.
– Indefere-se pedido de revisão criminal, se o sentenciado não
demonstrou ter a decisão condenatória contrariado de frente
a prova dos autos.
25

Voto nº 999

Revisão Criminal nº 320.672/5


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Segundo a comum opinião dos doutores, a revisão criminal,


com ser remédio especial e extremo, não se deve admitir
senão nas hipóteses taxativamente previstas em lei (art. 621
do Cód. Proc. Penal).
–“Todos os homens erramos. Ninguém possui a pedra lídia da
verdade” (Orosimbo Nonato, in Rev. Forense, vol. 177, p. 143).
Daqui por que nossos Tribunais têm tolerado o reexame de
questões já debatidas e que repousam debaixo do selo da “res
judicata”.
– A palavra da vítima, sobretudo quando esta reconhece com
certeza o autor do roubo, é suficiente para autorizar sentença
condenatória. Deveras, quem melhor que a vítima para
discorrer dos fatos de que foi protagonista?! Exceto em caso
de mentira ou erro, suas palavras passam por expressão da
verdade.
–“Em se tratando de revisão, inverte-se o ônus da prova. Ao
requerente é que cabe fazer a prova do desacerto da decisão
que o condenou” (Rev. Tribs., vol. 275, p. 157).
26

Voto nº 1129

Revisão Criminal nº 324.120/8


Art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal

– É da natureza do instituto da revisão criminal que o


peticionário, ao ajuizá-la, faça desde logo a prova do erro em
que laborara a decisão impugnada, não bastando que o alegue.
Assim, tratando-se de réu com identidade múltipla, cumpre-
-lhe (primeiro que proponha a revisão criminal) deslindar a
importantíssima das dificuldades: provar quem realmente é.
– A solução de tais dúvidas não pertence para o Juízo da revisão
criminal, senão para o procedimento específico de formação
de prova denominado justificação. É a doutrina do conspícuo
José Frederico Marques: “Onde, porém, se nos figura ser a
justificação instrumento específico de produção probatória,
para instruir ação ou pedido, é no tocante à revisão criminal”
(Elementos de Direito Processual Penal, 1965, vol. II, p. 319).
27

Voto nº 1173

Revisão Criminal nº 325.718/6


Art. 157, § 2º, ns. I e II; art. 65, nº I, do Cód. Penal

– Que melhor prova da autoria do fato criminoso, que a


confissão de boca própria?! Sobretudo quando feita em
presença de curador, que lhe velou pela espontaneidade, a
confissão policial tem valor extraordinário e autoriza a
condenação do réu.
– Contrária à evidência dos autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc.
Penal) diz-se unicamente aquela decisão que nenhum apoio
tem na prova, sendo antes parto exclusivo do entendimento do
Magistrado. Por aberrante do conjunto probatório, faz injúria
ao Direito e não merece, pois, subsistir.
– A menoridade à época do crime é circunstância atenuante
(art. 65, nº I, do Cód. Penal) que prepondera sobre as mais,
a reincidência inclusive, e impõe a fixação da pena-base
ao réu no mínimo legal, em razão de “seu incompleto
desenvolvimento físico e moral. Nesse período da vida, não
tem, em regra, o indivíduo a experiência e a força de
resistência necessárias. É mais sensível à influência dos
fatores exógenos” (Costa e Silva, Comentários ao Código
Penal, 1967, p. 213).
28

Voto nº 1195

Revisão Criminal nº 327.698/3


Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal

– Constitui preceito normativo da propositura da ação


revisional que somente caberá nas hipóteses em que a
sentença condenatória tiver contravindo à evidência dos
autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal). Evidência, no
rigor do termo, é a “noção clara e perfeita de uma
verdade incontestável” (Caldas Aulete, Dicionário, 2a. ed.; v.
evidência).
– Basta que a decisão impugnada se tenha baseado num só
elemento capaz de gerar convicção da existência do crime, de
sua autoria e da culpabilidade do agente, para que se guarde
da increpação de haver contrariado a prova dos autos.
29

Voto nº 1196

Revisão Criminal nº 325.472/1


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal

– A dar-se o caso que o Juiz incorra em insidioso erro — o que


está na ordem natural das coisas, pois “andar sem tropeçar
é privilégio do Sol” (Bluteau, Vocabulário, 1712, Prólogo) —,
ponha timbre em emendá-lo sem detença.
– Não importa nulidade do processo a falta de intimação pessoal
da sentença condenatória ao defensor do réu revel a quem
tenha sido negado o direito de apelar em liberdade (art. 594 do
Cód. Proc. Penal). Por inútil, fora-lhe a intimação escusável;
inteligência diversa não faria mais que imolar na ara do
frívolo curialismo.
– Contrária à evidência dos autos é só aquela sentença que não
se ampare em prova alguma, passando por verdadeira
aberração lógica (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
– A existência de processos-crimes, sem condenação, contra o
réu, não lhe justifica nem legitima a especial exacerbação da
pena. Admitir o contrário o mesmo fora que fazer “tabula
rasa” do princípio da presunção de inocência que, entre nós,
tem a consagração de garantia constitucional (art. 5º, nº LVII,
da Const. Fed.).
30

Voto nº 1202

Revisão Criminal nº 327.610/7


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Indeferida a revisão criminal, em dois casos apenas pode


ser de novo intentada: se diverso o fundamento ou “quando
surgirem circunstâncias que beneficiem o condenado” (cf.
Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. II, p. 363).
–“Não é admissível a reiteração do pedido revisional, salvo se
fundado em novas provas” (Rev. Forense, vol. 197, p. 320).

Voto nº 1253

Revisão Criminal nº 329.676/3


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 71 do Cód. Penal

–“Sentença que passa em julgado não se deve outra vez meter


em disputa” (cf. Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar
Jurídico, vol. II, p. 588).
– É cânon de Jurisprudência que não merece deferimento
revisão criminal que não se apoie nos incisos do art. 621 do
Cód. Proc. Penal.
– Segundo a teoria reputada pela mais razoável e benigna, só
haverá tentativa de roubo se o agente não teve a posse
tranquila e desvigiada da “res furtiva”.
31

Voto nº 1348

Revisão Criminal nº 333.906/3


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Para que se repute contrária à evidência dos autos, “é


necessário que a condenação não se ampare em nenhuma
prova. Se existem elementos probatórios pró e contra, e se a
sentença, certa ou errada, se funda em algum deles, não se
pode afirmar que é contra a evidência dos autos” (Hélio
Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. II, p. 361).
– Expressiva corrente de Jurisprudência professa o
entendimento de que o acréscimo da pena do roubo além do
mínimo legal, pela incidência de qualificadoras (art. 157, § 2º,
do Cód. Penal), deve ser reservado àqueles casos em que
excessivo o número de agentes ou extraordinária a
potencialidade ofensiva de suas armas.

Voto nº 1352

Revisão Criminal nº 335.394/1


Arts. 171 e 14, nº II, do Cód. Penal

– É orientação do Colendo Supremo Tribunal Federal que o


inquérito policial e o processo-crime em andamento não
configuram maus antecedentes do réu e, pois, não servem de
circunstância judicial que lhe justifique a fixação da pena-
-base além do mínimo. Defender o contrário fora desfazer no
princípio da presunção de inocência, que, entre nós, tem a
consagração de garantia constitucional (art. 5º, nº LVII, da
Const. Fed.).
32

Voto nº 1416

Revisão Criminal nº 337.118/9


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 70 do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A palavra da vítima passa por excelente meio de prova e


autoriza decreto condenatório, se em conformidade com os
outros elementos de convicção reunidos no processado.
– Contrária à evidência é somente aquela decisão que está em
absoluto antagonismo com a prova dos autos (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
– Há concurso formal (art. 70 do Cód. Penal), e não crime único,
se o agente, num só contexto de fato, viola patrimônios de
vítimas diferentes.

Voto nº 1427

Revisão Criminal nº 337.160/8


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– A confissão, os antigos já a reputavam documento de sumo


alcance na pesquisa da verdade real: “(...) não é um meio de
prova. É a própria prova, consistente no reconhecimento da
autoria por parte do acusado” (Vicente Greco Filho, Manual
de Processo Penal, 1997, p. 229).
– O reconhecimento fotográfico tem sofrido veementes críticas,
mas desde que apoiado em outros elementos de prova serve
de meio idôneo para embasar condenação.
– Contrária à evidência, ao parecer comum da doutrina, é a
decisão que se desabraça inteiramente das provas dos autos,
de tal sorte que entre ela e o conjunto probatório não há mais
que franca oposição lógica (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
33

Voto nº 1457

Revisão Criminal nº 340.356/7


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Àquele que se propõe desconstituir decisão protegida pelo


timbre da coisa julgada toca o ônus de demonstrar,
cabalmente, que ela fez rosto à prova ou à lei, importando-lhe
insofrível injustiça (art. 621 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 1458

Revisão Criminal nº 338.996/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– O instituto da revisão é a última garantia de defesa do


condenado e, do mesmo passo, a derradeira oportunidade que
se depara à Justiça Criminal de redimir-se de erros que não
pôde evitar. E a todo o Juiz, que verdadeiramente o seja,
parecerá sempre digno de louvor o empenho de restabelecer a
verdade e a justiça!
– Apenas é contrária à evidência dos autos aquela decisão que
de todo se afaste do elenco probatório.
34

Voto nº 1475

Revisão Criminal nº 339.906/1


Art. 150 do Cód. Penal

– Contrária à evidência dos autos não é somente a condenação


que se não ampare em prova alguma; também é aquela
“baseada em prova que se mostra absolutamente duvidosa
em face da prova contraditória” (Rev. Forense, vol. 147,
p. 409).
– Por falta de prova do intuito criminoso, é força absolver da
acusação de infrator do art. 150 do Cód. Penal (violação de
domicílio) sujeito que, para atender a necessidade fisiológica,
entra em garagem particular aberta. Aquele que obra por
esse teor ofende, certamente, regras elementares de
urbanidade, mas não encontra o Direito.

Voto nº 1537

Revisão Criminal nº 341.356/1


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 29 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Constitui norma legal inconcussa que nenhuma revisão será


admitida, que não se ajuste estritamente à letra do art. 621 do
Cód. Proc. Penal. A revisão criminal, porém, passa pela
derradeira oportunidade que tem o condenado de eximir-se
do látego da Justiça Criminal. Pelo que, não será bem
denegar-lhe, de plano, o exercício de tão importante meio de
defesa.
35

– Ainda que direito protegido pela Constituição da República


(art. 5º, nº LXIII), permanecer calado o réu no interrogatório
sempre o interpretou a experiência vulgar como franco
indício de culpa; é que nenhum inocente ouve sem vigorosa
repulsa uma injusta acusação!
– Nisto de revisão criminal, ao peticionário compete o ônus da
prova de que a sentença contrariou a evidência dos autos ou
caiu em erro, senão deverá prevalecer a autoridade da coisa
julgada.

Voto nº 1540

Revisão Criminal nº 339.466/9


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Em obséquio ao sagrado princípio da ampla defesa e à geral


concepção de que constitui o extremo recurso para a
reparação de erro ou injustiça de decisão passada em julgado,
pode o Tribunal conhecer de revisão criminal, ainda que,
“prima facie”, ostente o caráter de mero pedido de novo
julgamento.
– A confissão extrajudicial os tratadistas da prova sempre a
reputaram precária e frágil, pela suspeita de violência ou
coação. Mas, desde que isto se não comprove, pode justificar
a prolação de sentença condenatória, sobretudo se em
conformidade com os mais elementos de convicção do
processo.
– Contrária à evidência dos autos é só aquela sentença que
desconsidera inteiramente as provas que neles se contêm.
36

Voto nº 1541

Revisão Criminal nº 341.284/2


Art. 171 do Cód. Penal

– Último recurso para alcançar a satisfação da justiça ou a


emenda de eventual erro judiciário, não é de bom exemplo
indeferir ao condenado, de plano, pedido de revisão criminal,
ainda que pareça encontrar e ferir os cânones a que está
subordinada sua admissibilidade (art. 621 do Cód. Proc.
Penal).
– Pratica estelionato em seu tipo fundamental (art. 171, “caput”,
do Cód. Penal) o agente que, em pagamento de mercadorias
que adquiriu à vítima, dá-lhe, com o intuito de obter vantagem
ilícita, cheque pré-datado, que sabe não será compensado por
insuficiência de fundos.

Voto nº 1553

Revisão Criminal nº 342.822/9


Arts. 156 e 621 do Cód. Proc. Penal

– Em pontos de revisão criminal, cabe ao réu comprovar, acima


de toda a dúvida, que a sentença condenatória afrontou a
evidência dos autos ou incidiu em erro. Se não se
desempenhar desse ônus (que lhe toca, “ex vi” do art. 156 do
Cód. Proc. Penal), será força indeferir-lhe o pedido.
37

Voto nº 1577

Revisão Criminal nº 339.582/1


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 29 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– É entendimento em que conspiram graves autores que, em se


tratando de revisão criminal, toca ao peticionário demonstrar
que a sentença condenatória contrariou de face a prova dos
autos ou discrepou do texto da lei (art. 621 do Cód. Proc.
Penal).
– É regra assente de processo que a pensão de comprovar o
álibi compete a quem o invoca, sob pena de confissão.
– O silêncio do acusado, embora conte com o beneplácito da
Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), é indício
eloquente de culpabilidade porque em contradição com o
natural instinto de defesa, que impõe ao homem inocente a
obrigação de protestar sempre contra injusta acusação.

Voto nº 1619

Revisão Criminal nº 344.298/6


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Tem lá seu valor a confissão do réu na Polícia, máxime se


feita em presença de curador e ajustada aos mais elementos
de prova dos autos.
–“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada,
mas pela força de convencimento que nela se contém” (STF;
Rev. Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564; rel. Min. Cordeiro Guerra).
38

– Nisto de revisão criminal, é ao réu que toca demonstrar que a


sentença errou ou feriu de rosto a prova dos autos, pois a
coisa julgada acarreta uma presunção de verdade: “Res
judicata pro veritate habetur”.

Voto nº 1703

Revisão Criminal nº 344.118/1


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 14, nº II, do Cód. Penal

– Em ponto de revisão criminal, coisa é ressabida que ao


peticionário impende provar a erronia ou injustiça da decisão
condenatória, em obediência ao princípio geral que rege o
ônus da prova (art. 156 do Cód. Proc. Penal).
– No cálculo de redução da pena pela tentativa, o estalão usual é
o do “iter criminis” percorrido pelo agente: se o crime tangeu
as raias da consumação, a diminuição de 1/3 é a que deve
prevalecer.

Voto nº 1710

Revisão Criminal nº 344.218/4


Art. 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal;
art. 158 do Cód. Proc. Penal

– Contrária à evidência dos autos é apenas a sentença que


despreza às inteiras a prova neles contida (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
– Para o reconhecimento da escalada que deixar vestígios é
imprescindível a realização da prova pericial, não suprível
por qualquer outra (art. 158 do Cód. Proc. Penal).
39

Voto nº 1719

Revisão Criminal nº 345.652/3


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– É válido o chamamento do réu a Juízo por éditos, se precedida


a publicação de exaustivas diligências para citá-lo
pessoalmente (art. 361 do Cód. Proc. Penal).
– Segundo jurisprudência consagrada pelo Excelso Pretório, a
publicação do edital de citação em jornal local só é necessária
nas comarcas onde houver imprensa oficial (cf. Rev. Trim.
Jurisp., vol. 69, p. 659).
– “A Lei nº 9.271/96 é irretroativa por inteiro” (Damásio E. de
Jesus, Revista Literária de Direito, nº 12, p. 8).
–“É inaplicável o art. 366 do Cód. Proc. Penal, com a nova
redação dada pela Lei nº 9.271/96, aos delitos ocorridos antes
de sua vigência” (STJ; RHC nº 6.595 – Mato Grosso do Sul; 5a.
T.; rel. Cid Flaquer Scartezzini; j. 12.8.97; v.u.; DJU 8.9.97,
p. 42.532).
– Vagos rumores da prática de crime não autorizam
condenação, cujo fundamento é unicamente a certeza.
40

Voto nº 1758

Revisão Criminal nº 346.582/2


Art. 158, § 1º, do Cód. Penal;
art. 621, nº II, do Cód. Proc. Penal

– Do conjunto probatório, não do indício fraco e singular, é que


o Juiz formará sua convicção.
– Aquele que deixa correr em silêncio oportunidade de repelir
imputação de crime, ainda que exerça direito seu, admite em
certo modo a culpa. É que a própria razão natural ensina o
homem a defender-se pela palavra de injusta acusação,
sobretudo quando inocente.
– Sentido, os que se extremam em prestigiar o silêncio, para
esta página imortal do profundo Vieira: “É cousa tão natural o
responder, que até os penhascos duros respondem, e para as
vozes têm ecos. Pelo contrário, é tão grande violência não
responder, que aos que nasceram mudos fez a natureza
também surdos, porque se ouvissem, e não pudessem
responder, rebentariam de dor” (Cartas, 1971, t. III, p. 680).
– Decisão com força de coisa julgada unicamente se rescinde
em face de prova cabal de ter sido proferida contra a
evidência dos autos, em desrespeito da lei ou com base em
documentos ou testemunhos falsos (art. 621 do Cód. Proc.
Penal).
41

Voto nº 1727

Revisão Criminal nº 343.882/0


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 65, nº III, alínea d, do Cód. Penal

– A apreensão da “res furtiva” em seu poder faz presumir a


culpa do acusado, se não lhe soube justificar a posse.
– No furto, ainda que impossível a identificação do segundo
imputado, mas lhe tenha ficado comprovada a existência,
cabe o reconhecimento da qualificadora do concurso de
agentes (art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal).
– Não importa que dela se tenha retratado em Juízo; desde que
a confissão do réu serviu de base para o Magistrado condená-
-lo, será força reconhecer-lhe, por amor do sentimento de
justiça, o direito à redução da pena (art. 65, nº III, alínea d, do
Cód. Penal).
– Para ser completa, deve a Justiça olhar que à punição das
faltas se junte o galardão do merecimento.

Voto nº 1777

Revisão Criminal nº 348.418/0


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Presume-se o real interesse do condenado em sujeitar a


reexame sua causa, máxime quando apresente argumento
novo. Tem, destarte, a pertinência subjetiva da ação, que o
habilita a pleitear revisão criminal.
– Nos delitos, cujos autores se empenham na mesma ação e com
o mesmo fim, não é mister descreva a denúncia os atos de
cada um, pois todos respondem conjuntamente.
42

– Na instância revisional, ao peticionário é que impende provar


de modo convincente que a decisão condenatória contém erro,
nulidade ou injustiça.

Voto nº 1825

Revisão Criminal nº 350.374/4


Art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Como a “esperança é a última âncora da vida”, na formosa


expressão de Vieira (Sermões, 1959, t. V, p. 265), assim a
revisão criminal passa pela derradeira oportunidade que tem
o condenado de alcançar a reparação de erro e a realização de
justiça.
– Salvo naquelas hipóteses de mera repetição ou simples
reiteração de pedido anterior, não é de bom exemplo dar de
mão à súplica daquele que se acha nas sombras do cárcere.
– Na revisão criminal, conforme ensinança correntia, cumpre
ao peticionário demonstrar cumpridamente que a sentença
errou, não bastando que o alegue.

Voto nº 1841

Revisão Criminal nº 351.464/0


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal

– É cânon consagrado no direito processual penal que, na ação


de revisão, compete ao requerente, em obséquio ao instituto
da coisa julgada — “Res judicata pro veritate habetur”
(Ulpiano) —, fazer prova inequívoca de que a sentença errou.
43

Voto nº 1961

Revisão Criminal nº 349.082/8


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Em tema de revisão criminal, vigora o princípio de que ao


condenado é que incumbe provar, além de toda a dúvida, que
a sentença fez rosto à evidência dos autos, senão sucumbirá
perante a força da coisa julgada.

Voto nº 1980

Revisão Criminal nº 351.452/3


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 392, nº VI, do Cód. Proc. Penal

– A intimação da sentença, por edital, ao réu revel já atende ao


intuito da lei (art. 392, nº VI, do Cód. Proc. Penal).
–“No crime de roubo, a intimidação feita com arma de
brinquedo autoriza o aumento de pena” (Súmula nº 174 do
STJ).
– Compete ao peticionário, por força do princípio que rege o
ônus da prova (art. 156 do Cód. Proc. Penal), demonstrar que
a sentença condenatória fez rosto à evidência dos autos.
– Contrária à evidência diz-se unicamente a sentença que se
aparta da prova dos autos.
44

Voto nº 1985

Revisão Criminal nº 351.332/4


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal

– Na revisão criminal, toca ao peticionário desempenhar-se do


ônus da prova de que a sentença condenatória laborou em
erro ou afrontou a evidência dos autos, senão prevalecerá o
princípio comum da irretratabilidade da “res judicata”.
– No seio dos Tribunais, é dominante a inteligência de que, para
justificar o aumento de pena previsto no art. 157, § 2º, nº I, do
Cód. Penal, basta a prova oral idônea de haver o agente
ameaçado a vítima com arma, ainda que imprópria.

Voto nº 2008

Revisão Criminal nº 351.496/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Ao autor de roubo, pelos traços de grande deformação de sua


personalidade (tibieza moral e repugnância à disciplina do
convívio humano), é o regime prisional fechado o que, de
ordinário, lhe convém.
– Remédio especial e extremo, a revisão criminal cabe apenas
nos casos expressamente enumerados em lei (art. 621 do Cód.
Proc. Penal).
45

Voto nº 2033

Revisão Criminal nº 354.608/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– É insuscetível de reforma, pela via revisional, sentença que


impõe condenação a réu de roubo, com base nas palavras da
vítima e de testemunha, no reconhecimento pessoal e na
apreensão, em seu poder, da “res furtiva”. Tal decisão não
será contrária à evidência dos autos, mas seu fiel reflexo.
– Na ação de revisão criminal, não basta que o peticionário
alegue haver a sentença feito rosto à prova dos autos; é mister
que o demonstre cabalmente. Vem aqui a ponto o aforismo
jurídico: “Allegare nihil, et allegatum non probare paria
sunt”. Em linguagem: nada alegar, e não provar o alegado são
uma e a mesma coisa.

Voto nº 2058

Revisão Criminal nº 345.194/0


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Em revisão criminal, deve o réu provar (não apenas alegar)


que a sentença contrariou a evidência dos autos; se o não
fizer, prevalecerá a autoridade do caso julgado, subsistindo os
efeitos da condenação (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
46

Voto nº 2130

Revisão Criminal nº 352.776/1


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal

– Em se tratando de revisão criminal, reclama tradicional e


ortodoxa jurisprudência dos Tribunais que o condenado deve
provar, além de toda a dúvida razoável, que a sentença andou
em erro ou cometeu injustiça (art. 621 do Cód. Proc. Penal).
– É presunção comum (“praesumptio hominis”) que a apreensão
de coisa alheia na posse de quem o não justifique plenamente
dá a conhecer o criminoso.
– Na forja da sabedoria antiga foi batido o argumento de que, se
o réu não prova seu álibi, entende-se haver confessado o
crime.

Voto nº 2146

Revisão Criminal nº 354.828/4


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 563 do Cód. Proc. Penal

– Não constitui cerceamento de defesa nem importa nulidade


do processo a nomeação de advogado único para vários réus,
se não comprovada a ocorrência de prejuízo concreto e
específico (art. 563 do Cód. Proc. Penal).
– À face de certas versões que apresentam réus em
interrogatórios judiciais, impossível negar razão ao brocardo
que sujeitos de outrora mandaram cunhar: para ruim defesa,
melhor é nenhuma.
47

– Em pontos de revisão criminal, o condenado não deve limitar-


-se a pedir reexame de questões já decididas, mas provar,
além de toda a dúvida sensata, que a sentença feriu de rosto a
evidência dos autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 2147

Revisão Criminal nº 352.786/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 71 do Cód. Penal

– A unidade de desígnios é a pedra de toque do crime


continuado. Caracteriza-se pela manifestação de vontade
orientada para o mesmo intuito criminoso (art. 71 do Cód.
Penal).
– Conforme a lição de autores de primeira nota, para a
configuração do crime continuado faz-se mister idêntico
“modus operandi”, isto é, “que os delitos tenham sido
praticados pelo sujeito aproveitando-se das mesmas relações
e oportunidades ou com a utilização de ocasiões nascidas da
primitiva situação” (Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 9a. ed., p. 228).
48

Voto nº 2373

Revisão Criminal nº 362.852/8


Art. 621 do Cód. Proc. Penal;
art. 156 do Cód. Proc. Penal

– É questão vencida que, em sede de revisão criminal, toca


ao peticionário provar, com firmeza, que a sentença
condenatória contraveio à realidade dos autos. Na forma do
art. 156 do Cód. Proc. Penal, pertence-lhe o ônus da prova.
– Contrária à evidência é só aquela decisão que de todo se
afasta das provas coligidas nos autos.

Voto nº 2397

Revisão Criminal nº 362.938/7


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Nada obsta se conheça de revisão criminal, ainda que ajuizada


antes do trânsito em julgado da decisão condenatória, se este
ocorreu enquanto se processava o pedido.
– No Juízo da revisão criminal, incumbe ao condenado produzir
prova plena e irrefutável de que a sentença foi proferida
contra a evidência dos autos, ou caiu em erro, aliás
prevalecerá a força da coisa julgada, que se tem por verdade
(“Res judicata pro veritate habetur”).
– Diz-se consumado o roubo se o sujeito, embora por breve
espaço de tempo, teve a posse desvigiada das coisas que
subtraiu à vítima, mediante violência ou grave ameaça.
49

Voto nº 22

Revisão Criminal nº 291.362/8


Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

–“Contraria a evidência dos autos a sentença de condenação


que desatende à real configuração dos fatos, por não
demonstrados, ou que, se fossem aglutinados com adequação,
imporiam sentença absolutória, ou, pelo menos, sanção mais
branda” (José Frederico Marques, Elementos de Direito
Processual Penal, 1a. ed., vol IV, p. 347).
–“Defere-se a revisão criminal em que se mostra ter sido a
condenação baseada em prova absolutamente duvidosa em
face da prova contrária” (Rev. Forense, vol. 147, p. 409).
50

Voto nº 145

Revisão Criminal nº 293.480/2


Art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A ficção da coisa julgada, “que se mantém como dogma,


tantas vezes exigente do sacrifício de direitos individuais,
cede, em matéria criminal, à equidade natural que não
permite que o inocente sofra, sem remédio, por motivo de uma
condenação injusta” (Bento de Faria, Código de Processo
Penal, 1960, vol. II, p. 342).
–“Não creio que entre os direitos humanos se encontre o direito
de assegurar a impunidade dos próprios crimes, ainda que
provados por outro modo nos autos, só porque o agente da
autoridade se excedeu no cumprimento do dever e deva ser
responsabilizado. Nesse caso, creio que razão assiste à nossa
jurisprudência: pune-se o responsável pelos excessos
cometidos, mas não se absolve o culpado pelo crime
efetivamente comprovado” (Cordeiro Guerra, A Arte de
Acusar, 1989, p. 35).
51

Voto nº 2423

Revisão Criminal nº 361.646/1


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A confissão na Polícia, em presença de curador, constitui


prova segura da autoria do fato incriminado e, não
concorrendo causa de exclusão de antijuridicidade, autoriza a
condenação do réu.
– No âmbito da revisão criminal, ao peticionário incumbe
demonstrar que a r. sentença condenatória foi proferida
contra a prova dos autos, ou caíra em erro, de tal arte que a
reparação do gravame constitua imperativo de justiça.
– Decisão contrária à evidência dos autos, no geral consenso
dos doutores, é somente aquela que de todo se afasta da prova
e, pois, não se livra da tacha de aberrante (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
52

Voto nº 2462

Revisão Criminal nº 342.866/7


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Guardados os preceitos do art. 621 do Cód. Proc. Penal, a


revisão criminal interpreta-se como derradeira oportunidade
que tem o condenado de acudir por seus legítimos foros numa
causa-crime.
– Permanecer calado e admitir implicitamente a imputação:
tudo é um. O inocente, ao revés, esse costuma repelir, de toda
a alma, a acusação grave e injusta, sem chamar-se ao silêncio.
– Nos casos de prisão em flagrante, em que vítima e
testemunhas o indigitam com firmeza como autor do
fato criminoso, passa por escusada a formalidade do
reconhecimento pessoal do réu (art. 226 do Cód. Proc. Penal),
pois que a certeza de sua identidade física foi a razão de a
autoridade policial mandar autuá-lo em flagrante delito.
53

Voto nº 2506

Revisão Criminal nº 366.396/6


Art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Antecedentes são fatos da biografia do réu que, no julgamento


das causas criminais, interessam à análise de seu perfil
moral.
– Dado que, em casos especiais, tenha lugar o regime
semiaberto a autor de roubo — se primário, menor de 21 anos
e confessou espontaneamente a autoria do fato criminoso —,
não faz jus ao benefício o réu que, além de reincidente, revela
ânimo empedernido, ao negar em Juízo, contra toda a
evidência, a prática do crime.
– Remédio de cunho excepcional, que desafia a coisa julgada, a
revisão unicamente se defere quando em conformidade com o
preceito do art. 621 do Cód. Proc. Penal.

Voto nº 2577

Revisão Criminal nº 365.830/2


Art. 621 do Cód. Proc. Penal;
art. 89 da Lei nº 9.099/95

– Se conspiram todos os requisitos legais da suspensão


condicional do processo, deve o Ministério Público formular a
proposta, conforme o art. 89 da Lei nº 9.099/95. Em caso de
recusa, ao Juiz tocará fazê-lo de ofício.
– O predicado dos bons antecedentes é “conditio sine qua non”
para alcançar o réu o “sursis” processual.
– Da revisão criminal a finalidade primeira é reparar injustiça
ou erro judiciário. A prova da alegação, entretanto, compete
ao sentenciado, como se infere do art. 156 do Cód. Proc. Penal;
no caso de se não desempenhar desse ônus, não há deferir-lhe
a pretensão.
54

Voto nº 2617

Revisão Criminal nº 369.394/6


Art. 621 do Cód. Proc. Penal
art. 572, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Erro da denúncia quanto à data do crime não é causa de


nulidade do processo, visto não impede a plena defesa do réu.
Mais que a data do fato, ao réu importa-lhe sua existência, da
qual se deverá defender.
– Segundo regra jurídica de voga desembaraçada, eventual
nulidade do processo é mister arguir em tempo oportuno, sob
pena de preclusão, que obsta à discussão do ponto (art. 572, nº
I, do Cód. Proc. Penal).
– A denominação de contrária à evidência dos autos convém
somente à sentença que neles não depara fundamento algum,
passando por mero parto de fantasia desvairada, o que, em
princípio — por aberrante e excepcional — não se haverá
presumir das decisões da Justiça. É que “os Juízes, por
definição, não podem enganar-se” (V. César da Silveira,
Dicionário de Direito Romano, 1957, t. II, p. 588).
55

Voto nº 2629

Revisão Criminal nº 350.274/1


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– É princípio assente na Doutrina e na Jurisprudência que, no


Juízo da revisão criminal, toca exclusivamente ao peticionário
provar que a sentença condenatória vulnerou o Direito ou
perpetrou injustiça.
– A exasperação da pena pelos maus antecedentes do réu e pela
nota de reincidência não configura violação do preceito do
“non bis in idem”, o que unicamente ocorre quando a mesma
condenação é a causa do duplo aumento.

Voto nº 2259

Revisão Criminal nº 354.536/2


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– O réu inocente responde logo à injusta acusação, como o


determina a própria razão natural; não se chama ao silêncio,
que este é o refúgio comum dos culpados.
– Diz-se consumado o roubo, se o agente, ainda que por breve
lapso de tempo, teve a posse tranquila e desvigiada da coisa
subtraída.
56

Voto nº 2408

Revisão Criminal nº 357.704/1


Art. 155, § 4º, nº II, do Cód. Penal;
art. 155, § 2º, do Cód. Penal;
art. 361 do Cód. Proc. Penal

– Desde que o oficial de justiça o tenha procurado


intensamente, sem êxito feliz, é válida a citação do réu por
edital (art. 361 do Cód. Proc. Penal). A provocação do auxílio
dos órgãos policiais, administrativos e judiciários, para a
obtenção de seu paradeiro, constitui superfetação a que a lei
processual não obriga o Juiz da causa.
– Ainda que satisfaça aos requisitos objetivos da lei, não faz jus
ao privilégio (art. 155, § 2º, do Cód. Penal) o condenado que
ostenta maus antecedentes. É de Damásio E. de Jesus a lição:
“O privilégio tem por fundamento princípios de política
criminal, visando à individualização da pena, e, assim,
evitando que o sujeito que envereda pela primeira vez no
campo do atentado ao patrimônio alheio encontre sérios
obstáculos à sua recuperação social” (Código Penal Anotado,
9a. ed., p. 514).
57

Voto nº 2792

Revisão Criminal nº 364.468/6


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Em pontos de concurso de pessoas, triunfa hoje, assim na


literatura jurídica penal como na esfera dos Tribunais, a
teoria do domínio do fato: “(...) responde pelo crime não só o
executor físico, que produz o resultado, mas também o
partícipe, que acede sua conduta à ação principal” (Damásio
E. de Jesus, Teoria do Domínio do Fato no Concurso de
Pessoas, 1999, p. 13).
– A tacha de contrária à evidência dos autos convém somente
àquela decisão que nenhum apoio tem nos elementos de prova
(art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
– Em se tratando de revisão criminal, conforme opinião de
graves autores, cabe ao condenado comprovar que a sentença
revidenda foi proferida contra a evidência dos autos. É que,
uma vez debaixo do timbre de coisa julgada, não há rescindir
sentença condenatória, salvo se produto de erro ou injustiça
manifesta.
58

Voto nº 2823

Revisão Criminal nº 370.636/9


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Suspeita de insinceridade é sempre a serôdia versão


exculpatória do réu apresentada em seu interrogatório
judicial, pois o inocente já o proclama na fase do inquérito,
não invoca o silêncio como defesa.
– Em pontos de revisão criminal, prevalece a doutrina de que ao
condenado incumbe provar, além de toda a dúvida, a alegação
de que a sentença condenatória foi obra de erro ou injustiça.
–“Para que haja afronta à evidência dos autos é necessário que
a decisão não tenha base em qualquer elemento apurado e
esteja em desacordo com todos os outros, justificadores de
solução diferente” (João Martins de Oliveira, Revisão
Criminal, 1967, p. 157).
59

Voto nº 2826

Revisão Criminal nº 351.458/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Não é passível de revisão a sentença condenatória que,


inferindo de provas irrefutáveis dos autos a responsabilidade
criminal do réu, fixa-lhe a pena e o regime prisional com
estrita observância das normas legais (art. 621 do Cód. Proc.
Penal).
–“No crime de roubo, a intimidação feita com arma de
brinquedo autoriza o aumento de pena” (Súmula nº 174 do
STJ).
–“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à
redução da pena abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231 do
STJ).
60

Voto nº 2887

Revisão Criminal nº 365.740/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621 do Cód. Proc. Penal

– A deficiência do patrocínio de causa-crime somente lhe


determinará a nulidade se houver prova cabal de prejuízo
para o réu (art. 563 do Cód. Proc. Penal).
– Pelo que respeita à alegação de laconismo da Defesa, vem a
ponto a exortação do velho Ministro Joaquim Barradas: “(...)
não ser de bom conselho medir pelos ângulos de um compasso
o valor jurídico de uma peça forense” (apud Hermenegildo
Rodrigues de Barros, Grandes Figuras da Magistratura, 1941,
p. 328).
– Os homens de circunspecção, persuadidos de não possuir o
dom da inerrância, desconfiam sempre do valor absoluto das
decisões; não lhes faz abalo no espírito reexaminar questão já
sob o selo da coisa julgada, antes o reputam corolário do
sistema jurídico-filosófico adotado entre nós para o processo:
o da pesquisa da verdade real.
– Apenas ofende a evidência dos autos a decisão que deles se
aparta às inteiras, não estando nesse número a que se apoia
em fortes elementos de convicção, como o reconhecimento
seguro do réu pela vítima de roubo.
– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da
erronia ou injustiça da sentença condenatória, como o impõe a
exegese do art. 156 do Cód. Proc. Penal.
61

Voto nº 2894

Revisão Criminal nº 371.154/7


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 226, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Em ponto de roubo, a apreensão da “res” em poder do sujeito


adquire desmarcado relevo: se não lhe justificar a posse, o
mesmo será que admitir a autoria do crime.
– A palavra da vítima tem força especial na prova do roubo e de
sua autoria, pois, como o pregou o genial Vieira, “a nossa
alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos”
(Sermões, 1679, t. I, p. 31).
– Não anula o ato de reconhecimento do réu a falta de sua
prévia descrição pela vítima ou testemunha. As normas do
art. 226 do Cód. Proc. Penal têm caráter mais suasório que
imperativo: são recomendáveis, não exigíveis; sua aplicação
está sujeita a contingências “se possível”, reza o inc. II do
referido dispositivo. O que verdadeiramente importa é que
nenhuma dúvida abale o reconhecimento.
62

Voto nº 2910

Revisão Criminal nº 370.838/0


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A palavra da vítima é a pedra angular do edifício probatório:


se em harmonia com os mais elementos dos autos justifica a
procedência da pretensão punitiva e a condenação do réu.
– Sentença com trânsito em julgado não se rescinde sem prova
plena e cabal de que contém erro ou injustiça (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).

Voto nº 2928

Revisão Criminal nº 376.560/0


Art. 621 do Cód. Proc. Penal

– A porta da revisão criminal, que dá para a reparação de


eventual erro judiciário, não há fechá-la ao condenado, sem
primeiro conhecer-lhe das razões do pedido (art. 621 do Cód.
Proc. Penal).
– Ainda que feita na Polícia, a confissão do réu não perde o
prestígio de rainha das provas (“regina probationum”), salvo
se demonstrar a Defesa ter sido obra de erro ou malícia.
– Decisão que se baseia na confissão do réu e na palavra da
vítima não incorre na censura de haver contrariado as provas
dos autos, o que somente se entende da que nenhuma relação
tiver com elas.
63

Voto nº 2938

Revisão Criminal nº 368.712/1


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Suposto direito seu permanecer calado (art. 5º, LXIII, da


Const. Fed.), o réu põe de manifesto sua culpa quando,
injustificadamente, não se defende de grave acusação,
podendo fazê-lo. É que o próprio direito natural — que
segundo Ulpiano a natureza ensinou a todos os animais (Dig.
1, 1, 1, 3) — manda o indivíduo defender-se com todas as
forças de injusta ofensa.
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de tal arte que
ao condenado, na conta de autor, incumbe demonstrar que a
sentença caiu em erro ou praticou injustiça (art. 156 do Cód.
Proc. Penal).

Voto nº 2951

Revisão Criminal nº 373.508/4


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 622, parág. único, do Cód. Proc. Penal

–“Sentença que passou em julgado não se deve outra vez meter


em disputa” (Cândido Mendes de Almeida, Auxiliar Jurídico,
1985, vol. II, p. 588).
– É regra processual dominante que se não deve conhecer de
revisão criminal, quando simples reedição de pedido anterior.
– É questão superior a toda a dúvida que, no âmbito da revisão
criminal, o requerente, sob pena de se lhe indeferir a
pretensão, deve provar, com segurança, que a decisão
condenatória incidira em erro ou praticara injustiça (art. 621
do Cód. Proc. Penal).
64

Voto nº 2959

Revisão Criminal nº 366.582/3


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal

– As palavras da vítima, quando seguras e verossímeis, longe


de significar o ponto frágil da prova, acrescentam-lhe peso e
vigor. Grande parte nos terríveis sucessos, quem mais que a
vítima estará capacitado a descrevê-los?! É ela a que reúne
melhores condições para reproduzi-los com fidelidade e
revelar espontaneamente seu autor.
– Contrária à evidência dos autos é somente a sentença que não
tem base alguma na prova neles produzida.

Voto nº 2960

Revisão Criminal nº 365.688/3


Art. 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Como é a revisão criminal a última oportunidade que os


órgãos do Poder Judiciário deparam ao réu de emendar
eventual erro ou injustiça de sua condenação, constitui praxe
mui salutar ouvir-lhe o protesto por novo exame da causa-
-crime, máxime quando a sentença transitara em julgado sem
recurso da Defesa (art. 621 do Cód. Proc. Penal).
– Nisto de revisão criminal, toca ao réu provar cumpridamente
o erro ou injustiça da sentença condenatória, sob pena de
indeferimento de sua pretensão, por amor da força da coisa
julgada, que passa por verdade incontestável (“Res judicata
pro veritate habetur”).
65

Voto nº 2998

Revisão Criminal nº 371.796/3


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 226, nº II, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 231 do STJ

– A palavra da vítima, que reconhece e incrimina com


segurança o autor do roubo, justifica o desfecho condenatório
da lide penal, se não lhe provar a Defesa que mentiu ou caiu
em erro crasso. Por ter sentido os primeiros efeitos da ação
delituosa, é a que está em melhores condições de indicar-lhe o
autor, cuja punição reclama, por ter o cunho de justiça.
– Segundo a melhor doutrina, o reconhecimento isolado do
autor do roubo pela vítima não vicia a prova. Sua colocação ao
lado de outras pessoas implica recomendação apenas, e não
preceito impostergável (art. 226, nº II, do Cód. Proc. Penal). O
que não pode cair em dúvida é que a vítima tenha indicado o
réu como ao autor do crime.
–“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à
redução da pena abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231 do
STJ).
66

Voto nº 3009

Revisão Criminal nº 369.528/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Ainda que feita na Polícia, é a confissão prova de alto valor,


apta a justificar edito condenatório se em harmonia com os
mais elementos do processo, máxime se presente ao ato o
curador do réu, pela presunção de haver-lhe prevenido maus
tratos e sevícias.
– Na revisão criminal, toca ao peticionário provar sua
inocência; mera alegação de que o decreto condenatório
afrontara a evidência dos autos não basta a ilidir a presunção
de verdade que repousa debaixo do selo da “res judicata”.
– Erro de dosimetria da pena não induz nulidade à sentença,
que a Superior Instância pode emendar, segundo jurisprudência
dominante do STF (cf. Rev. Trim. Jurisp., vol. 109, p. 102).
67

Voto nº 3112

Revisão Criminal nº 372.402/5


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 226 do Cód. Proc. Penal

– Embora direito seu, vai mal-advertido o réu que, dando


de mão à primeira oportunidade de autodefesa, prefere
permanecer calado, na Polícia. É que a própria razão natural o
intima a defender-se com o vigor da palavra, sobretudo se
inocente. Donde a velha máxima: “Qui tacet consentire
videtur” (que, em português, responde assim: quem cala,
consente).
– Por sua condição de protagonista do fato criminoso, tem
grande relevo no campo da prova a palavra da vítima, de tal
arte que, se firme e segura, pode servir de base à condenação
do réu.
– É questão fria nos pretórios da Justiça que as regras do
art. 226 do Cód. Proc. Penal, de caráter suasório ou de
recomendação, podem ser postergadas, se impossíveis de
executar ou se o dispensar o caso concreto. Não acarreta,
portanto, a nulidade do processo o reconhecimento do réu
pela vítima, sem as formalidades legais, se esta lhe não pôs
em dúvida a identidade física. O fim a que deve atender o ato
do reconhecimento — não importando as circunstâncias de
sua realização — é se o sujeito passivo, ao indicar o autor do
roubo, fê-lo, ou não, com certeza e espontaneidade.
68

Voto nº 3118

Revisão Criminal nº 383.246/6


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Que maior prova de culpa, do que permanecer alguém calado


em presença de injusto acusador?! Qualquer seja sua
condição, o inocente sempre se defende pela palavra e com
toda a energia; em silêncio fica só o mudo “a nativitate” ou
aquele que não tem que opor ao libelo acusatório, porque
expressão da verdade.
–“No crime de roubo, a intimidação feita com arma de
brinquedo autoriza o aumento de pena” (Súmula nº 174 do
STJ).
– Na revisão criminal prevalece o aforismo jurídico “onus
probandi ei qui dicit” (i.e., o ônus da prova incumbe a quem
alega). Pelo que, exceto se o peticionário demonstrar que a
sentença condenatória contrariou a evidência dos autos ou
caiu em erro, subsiste a autoridade da coisa julgada, que lhe
faz presumir verdadeiro o conteúdo.
69

Voto nº 3288

Revisão Criminal nº 373.776/7


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 580 e 626 do Cód. Proc. Penal

– Contrária à evidência é somente aquela decisão que nenhum


apoio tem nos autos, passando por simples parto fantástico do
espírito; é a que traz em si mesma, por empregar metáfora, o
“hic jacet” do senso lógico e jurídico.
– Por amor da equidade, é de bom exemplo estender ao corréu o
efeito de decisão que, em via revisional, reduziu a pena ao
peticionário, se idênticas as situações de ambos no mesmo
processo (cf. Rev. Trim. Jurisp., vol. 67, p. 685).

Voto nº 3309

Revisão Criminal nº 370.192/0


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 626 do Cód. Proc. Penal

– Não constitui violação do preceito “non bis in idem” (não duas


vezes na mesma coisa) o aumento da pena-base do réu pelos
maus antecedentes e pela reincidência, se aqueles se referem
a outras condenações que lhe foram impostas, já passadas em
julgado. O que repugna ao Direito é punir duas vezes o réu
pelo mesmo fato.
– Não é passível de revisão a sentença que, ao condenar o réu e
ao infligir-lhe pena, houve-se em perfeita conformidade com a
Lei e o Direito (art. 626 do Cód. Proc. Penal).
70

Voto nº 3301

Revisão Criminal nº 386.602/6


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Protagonista do roubo, a vítima autoriza-se, por força, a


discorrer dele e de seu autor. A objeção de que sua palavra,
porque parte no evento criminoso, é tendenciosa, passa por
argumento especioso: não tem a vítima outro interesse na
causa que incriminar o verdadeiro roubador, que apenas dele
poderá reaver as coisas que lhe foram subtraídas. Pelo que,
aliada a outros elementos de convicção, serve de fundamento
a decreto condenatório.
– Diz-se consumado o roubo, e não tentado, se o agente,
arrebatada a coisa, teve-lhe a posse tranquila e desvigiada,
ainda que por breve tempo.
– Na revisão criminal, como há inversão do “onus probandi”,
cabe ao condenado a prova do erro ou injustiça da sentença,
sob pena de indeferimento do pedido, por amor da
inviolabilidade da coisa julgada (art. 621 do Cód. Proc. Penal).
71

Voto nº 3304

Revisão Criminal nº 372.780/4


Arts. 157, § 3º, 2a. parte, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Segundo a doutrina de graves autores, também a prova


precária e deficiente pode justificar deferimento de revisão
criminal: “... se dúvidas surgirem no espírito do juiz da
revisão, a respeito da justiça ou injustiça da decisão, só lhe
restará rescindir o aresto condenatório...” (José Frederico
Marques, Elementos de Direito Processual Penal, 2a. ed., vol.
IV, p. 410; Millennium Editora).
– Revisão criminal: última porta a que pode bater o condenado,
não parece bem mantê-la sistematicamente fechada àqueles
que clamam por justiça.
– Nos crimes contra o patrimônio, máxime nos casos de roubo,
a palavra da vítima representa o fiel da balança e o vértice da
prova da materialidade e da autoria.
– Atua com deliberado “animus necandi” o autor de roubo que
efetua disparos de arma de fogo contra região nobre do corpo
da vítima: a sede mesma dos ferimentos é a que lhe descobre
a intenção homicida.
–“Se o agente pratica homicídio tentado e subtração patrimonial
tentada, a doutrina unânime ensina que responde por
tentativa de latrocínio (art. 157, § 3º, in fine, c.c. o art. 14, II,
do CP)” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado,
9a. ed., p. 548).
72

Voto nº 3660

Revisão Criminal nº 393.070/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Nisto de revisão criminal, é ao réu que toca demonstrar que a


sentença errou ou feriu de rosto a prova dos autos, pois a
coisa julgada acarreta uma presunção de verdade: “Res
judicata pro veritate habetur”.
– A só presença de duas ou mais qualificadoras não obriga ao
aumento da pena do roubo além do mínimo legal de 1/3, o que
apenas se justifica nos casos em que praticado por grupo
numeroso de agentes, mediante emprego de armas de
extraordinário poder vulnerante.

Voto nº 3725

Revisão Criminal nº 391.650/9


Art. 157, § 3º, 1a. parte, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– É questão fria nos Tribunais que, em se tratando de revisão


criminal, compete ao peticionário provar, além de dúvida, a
erronia ou injustiça da decisão impugnada, em obséquio ao
caráter inviolável da coisa julgada, que passa por verdade
(“Res judicata pro veritate accipitur”).
73

Voto nº 3326

Revisão Criminal nº 381.472/5


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 580 do Cód. Proc. Penal

– Por sua condição de protagonista do fato criminoso, tem


grande relevo no campo da prova a palavra da vítima, de tal
arte que, se firme e segura, pode servir de base à condenação
do réu.
– Em caso de tentativa de roubo, prevalece o entendimento
pretoriano de que a resistência que o agente opõe aos policiais
não configura o tipo do art. 329 do Cód. Penal, pois se trata de
mero desdobramento da violência caracterizadora do crime
patrimonial.
– Não há proibição legal de que o Juiz conceda ao condenado
não-reincidente a pena inferior a 8 anos o benefício do regime
semiaberto; o Código Penal, o que veda às expressas é que se
conceda ele ao réu condenado a pena superior a 8 anos (não
importando se primário), ou ao reincidente, cuja pena seja
superior a 4 anos.
– As disposições do art. 580 do Cód. Proc. Penal aplicam-se
também em revisão criminal, consoante prestigiosa
orientação da jurisprudência de nossos Tribunais (cf. Damásio
E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 17a. ed.,
p. 408).
74

Voto nº 3333

Revisão Criminal nº 386.744/4


Art. 171 do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Não comete crime de estelionato quem, ao vender a


terceiro cotas de empresa comercial, silencia e não lhe
especifica débitos preexistentes, responsabilizando-se apenas,
genericamente, pelo passivo. É que, tendo-se obrigado já por
cláusula contratual expressa, não lhe corria o dever jurídico
de falar.
–“Em linha de princípio, não constitui o silêncio manifestação
de vontade, nem afirmativa, nem negativa, nem tácita”
(Orosimbo Nonato, Da Coação como Defeito do Ato Jurídico,
1957, p. 83).
– Advertiu o maior de nossos penalistas: “Somente integra um
crime a fraude que reveste cunho de especial malignidade”
(Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal, 1980, vol. VII,
p. 182).
–“O dolo civil não reveste os caracteres jurídicos do estelionato”
(Viveiros de Castro, Questões de Direito Penal, p. 118).
75

Voto nº 3363

Revisão Criminal nº 373.060/8


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz


entrar no conhecimento de causa que lhe é submetida, por
prevenir (ou conjurar) possível erro judiciário, o péssimo dos
vícios de julgamento.
–“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse
sempre. O erro é um pressuposto da organização judiciária
que, por isso mesmo, instituiu sobre a instância do julgamento
a instância da revisão” (Mílton Campos; apud João Martins de
Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
– A palavra da vítima, nos crimes de roubo, tem inquestionável
importância e pode ensejar decreto condenatório, se em
harmonia com as mais provas dos autos. Sua força está na
circunstância de ter saído dos lábios da pessoa que sofreu a
violência ou grave ameaça e, pois, está em melhor condição
de identificar seu ofensor.
– Embora direito do réu permanecer calado (art. 5º, nº LXIII, da
Const. Fed.), interpreta-se de ordinário por assunção de
responsabilidade criminal, porque nenhum inocente fica em
silêncio quando injustamente acusado, antes repudia com toda
a veemência a imputação delituosa.
– Tão só a decisão que se aparte rudemente das provas incorre
na pecha de contrária à evidência dos autos, não a que as mete
em conta e avalia segundo a luz da razão lógica e as regras do
Direito.
76

Voto nº 3421

Revisão Criminal nº 381.356/3


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Não há deferir pedido de revisão criminal, se os protestos de


inocência do réu se acham em implacável contradição com a
prova dos autos, máxime pela apreensão da “res furtiva” em
seu poder.
– No Juízo da revisão criminal, sob pena de indeferimento de
sua pretensão, importa que o condenado comprove acima de
dúvida que a sentença contém erro ou injustiça (art. 621, nº I,
do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 3443

Revisão Criminal nº 375.848/5


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Última oportunidade que tem o condenado de obter a


reparação de eventual injustiça, não será de bom exemplo
rejeitar-lhe, “in limine”, o pedido de revisão criminal. Demais,
ainda os Juízes que timbram de diligentes e argutos não se
eximem dos insidiosos estigmas da falibilidade humana.
Donde o escrúpulo com que devem tratar dos interesses
daqueles que se encomendaram à Justiça (art. 621 do Cód.
Proc. Penal).
– É entendimento consagrado pela Doutrina e pela Jurisprudência
que, no Juízo da revisão criminal, compete ao condenado o
ônus da prova de haver a sentença afrontado a evidência dos
autos.
77

Voto nº 3487

Revisão Criminal nº 381.342/3


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– A confissão extrajudicial do réu, em cujo poder foi


apreendida a “res furtiva”, serve de lastro suficiente ao
veredicto condenatório, sobretudo se em harmonia com a
incriminação do comparsa.
– O pedido de revisão criminal, por isso mesmo que põe a mira
em romper a coisa julgada, somente se defere quando
amparado em fundamento legal. É mister demonstre o
peticionário, além de dúvida, que a sentença condenatória
infringiu de rosto a prova dos autos.
– Em se tratando de revisão, consoante doutrina consagrada,
toca ao sentenciado o ônus da prova de que o edito
condenatório contrastou a evidência dos autos ou cometeu
injustiça; do contrário, haverá de prevalecer a autoridade da
“res judicata” (art. 621 do Cód. Proc. Penal).
78

Voto nº 3630

Revisão Criminal nº 391.068/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 621, nº I, e 626 do Cód. Proc. Penal

– As palavras da vítima, quando seguras e verossímeis, longe


de significar o ponto frágil da prova, acrescentam-lhe peso e
vigor. Grande parte nos terríveis sucessos, quem mais que a
vítima estará capacitado a descrevê--los?! É ela a que reúne
melhores condições para reproduzi-los com fidelidade e
revelar espontaneamente seu autor.
– Contrária à evidência dos autos é somente a sentença que não
tem base alguma na prova neles produzida (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).

Voto nº 3636

Revisão Criminal nº 380.596/7

Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;


art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Contrária à evidência dos autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc.


Penal) diz-se unicamente aquela decisão que nenhum apoio
tem na prova, sendo antes parto exclusivo do entendimento
do Magistrado; por aberrante, faz injúria ao Direito e, pois,
não haverá subsistir. Não é desse número, está claro, a
sentença cuja conclusão se esforce, logicamente, no conjunto
probatório.
79

Voto nº 3638

Revisão Criminal nº 372.556/0


Art. 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Em tema de revisão criminal, vigora o princípio de que ao


condenado é que incumbe provar, além de toda a dúvida, que a
sentença fez rosto à evidência dos autos, senão sucumbirá
perante a força da coisa julgada.
– Não há reconhecer a excludente de coação moral irresistível
em favor do agente que não lhe tenha provado os requisitos
legais nem ilidido os elementos que, nos autos, afirmem com
rigor sua culpabilidade (art. 22 do Cód. Penal).
– A só presença de duas ou mais qualificadoras não obriga ao
aumento da pena do roubo além do mínimo legal de 1/3, o que
apenas se justifica nos casos em que praticado por grupo
numeroso de agentes, mediante emprego de armas de
extraordinário poder vulnerante.
80

Voto nº 3661

Revisão Criminal nº 386.476/5


Arts. 157, § 3º, 2a. figura, e 14, nº II, do Cód. Penal

– É questão fria nos pretórios da Justiça que as regras do


art. 226 do Cód. Proc. Penal, de caráter suasório ou de
recomendação, podem ser postergadas, se impossíveis de
executar ou se o dispensar o caso concreto. Não acarreta,
portanto, a nulidade do processo o reconhecimento do réu
pela vítima, sem as formalidades legais, se esta lhe não pôs
em dúvida a identidade física. O fim a que deve atender o ato
do reconhecimento — não importando as circunstâncias de
sua realização — é se o sujeito passivo, ao indicar o autor do
roubo, fê-lo, ou não, com certeza e espontaneidade.
–“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à
redução da pena abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231 do
STJ).
– Conforme iterativa jurisprudência dos Tribunais, a palavra da
vítima, se ajustada aos mais elementos do processo, justifica
decreto condenatório.
–“Se o agente pratica homicídio tentado e subtração
patrimonial tentada, a doutrina unânime ensina que responde
por tentativa de latrocínio (art. 157, § 3º, in fine, c/c o art. 14,
II)” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 9a. ed.,
p. 548).
81

Voto nº 3662

Revisão Criminal nº 384.118/2


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
Súmula nº 174 do STJ

– Cancelada a Súmula nº 174 da jurisprudência do STJ (cf.


REsp nº 213.054-SP; DJU 7.11.2001), já não pode prevalecer o
entendimento de que o emprego de arma de brinquedo (“arma
ficta”) seja causa de agravamento da pena do roubo. Ainda
que idôneo para caracterizar ameaça à vítima, por infundir-
-lhe temor, o simulacro de arma de fogo não qualifica o roubo
(art. 157, “caput”, do Cód Penal). Inteligência diversa do texto
legal implicaria considerável prejuízo para os interesses do
réu, pois o obrigaria a recorrer ao STJ para alcançar o que lhe
recusaram outros Juízos ou Tribunais.
– Embora os Tribunais Superiores não obriguem os inferiores,
salvo quanto ao caso concreto, será de bom exemplo guardar-
-lhes conformidade às decisões que, proferidas sob o influxo
da razão lógica e da equidade, possam aproveitar ao réu sem
ofender o zelo da Justiça.
–“Manter quanto possível a jurisprudência, será obra de boa
política judiciária, porque inspira no povo confiança na
Justiça” (Mário Guimarães, O Juiz e a Função Jurisdicional,
1958, p. 327).
82

Voto nº 3729

Revisão Criminal nº 393.416/1


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Embora direito seu (art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.), anda ao


arrepio da lição da experiência vulgar — por onde todo o
inocente se defende com extremo vigor de injusta acusação —
o réu que, no interrogatório, prefere abismar-se em cômodo
silêncio, esquecido do velho anexim: quem cala, consente
(“Qui tacet, consentire videtur”).
– Tem a jurisprudência dos Tribunais conferido especial relevo
à palavra da vítima, entre os meios de prova. Salvo caso de
comprovada má-fé ou erro (que se não presumem), há de
receber-se por expressão da verdade; figura central dos
crimes de roubo, a vítima possui, sobre todos, interesse na fiel
apuração dos fatos e na identificação de seu autor.
– Diz-se consumado o roubo se o sujeito, embora por breve
espaço de tempo, teve a posse desvigiada das coisas que
subtraiu à vítima, mediante violência ou grave ameaça.
– Para elidir a autoridade da coisa julgada, é mister que o
sentenciado traga ao Juízo da revisão criminal prova sólida e
convincente de que sua condenação contraveio aos elementos
do processo ou às leis da razão e da justiça (art. 621 do Cód.
Proc. Penal).
83

Voto nº 3759

Revisão Criminal nº 394.654/0


Art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

–“A confissão do delito vale não pelo lugar em que é prestada,


mas pela força de convencimento que nela se contém” (Rev.
Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564; rel. Min. Cordeiro Guerra).
– Nisto de revisão criminal prevalece o entendimento de que ao
peticionário incumbe comprovar que a sentença contraveio
aos elementos do processo ou infringiu a Lei e a Justiça, aliás
lhe será indeferida a pretensão por amor da autoridade da
“res judicata” (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 3776
Revisão Criminal nº 383.906/1
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Por sua condição de protagonista do fato criminoso, tem


grande relevo no campo da prova a palavra da vítima, de tal
arte que, se firme e segura, pode servir de base à condenação
do réu.
–“Consuma-se o roubo quando o agente, mediante violência ou
grave ameaça, consegue retirar a coisa da esfera de vigilância
da vítima” (STF; rel. Min. Carlos Velloso; Rev. Tribs., vol. 705,
p. 429).
– A alegação de afronta à evidência dos autos cabe apenas
quando a prova não depara fundamento algum à sentença
condenatória, que será portanto obra de iniquidade e de
perversão do raciocínio lógico (art. 621, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
84

Voto nº 3827

Revisão Criminal nº 390.234/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 626 do Cód. Proc. Penal

– A segura e firme incriminação do réu pela vítima pode


autorizar edito condenatório, pois ninguém, em seu acordo e
razão, acusa de crime pessoa inocente.
–“Consuma-se o roubo quando o agente, mediante violência ou
grave ameaça, consegue retirar a coisa da esfera de vigilância
da vítima” (STF; rel. Min. Carlos Velloso; Rev. Tribs., vol. 705,
p. 429).

Voto nº 3833

Revisão Criminal nº 386.470/4


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– A palavra da vítima, nos crimes de roubo, tem inquestionável


importância e pode ensejar decreto condenatório, se em
harmonia com as mais provas dos autos. Sua força está na
circunstância de ter saído dos lábios da pessoa que sofreu a
violência ou grave ameaça e, pois, está em melhor condição
de identificar seu ofensor.
– É de indeferir pedido de revisão criminal a peticionário
que não comprove “ad satiem” que a sentença condenatória
incidiu em erro ou quebrantou os preceitos da Justiça (art.
621 do Cód. Proc. Penal).
85

Voto nº 3850
Revisão Criminal nº 391.444/6
Art. 171, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Pratica estelionato em seu tipo fundamental o agente que, em


pagamento de mercadorias, dá cheque de terceiro, de origem
ilícita, causando prejuízo à vítima (art. 171, “caput”, do Cód.
Penal).
– Na revisão criminal, compete ao peticionário demonstrar que
a sentença condenatória errou ou praticou injustiça, aliás
prevalecerá a soberania da coisa julgada, que se não pode
violar sem prova cabal, firme e inconcussa (art. 621, nº I, do
cód. Proc. Penal).

Voto nº 3873

Revisão Criminal nº 390.014/9


Art. 171, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A falta do laudo de avaliação do prejuízo causado à vítima de


estelionato não induz nulidade ao processo, pois nesse caso
prevalece a dúvida, que aproveita sempre ao réu (“In dubio
pro reo”).
– Em respeito ao princípio da hierarquia das instâncias,
compete ao Juízo de primeiro grau de jurisdição (que não ao
Tribunal) conhecer e julgar originariamente de pedido de
extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
executória da pena (art. 110 do Cód. Penal).
– Na esfera da revisão criminal, é ao peticionário que toca
provar, em todo o rigor, que a sentença condenatória afrontou
a evidência dos autos; do contrário, decairá do pedido, por
absoluta carência de pressuposto legal (art. 621, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
86

Voto nº 3993

Revisão Criminal nº 390.612/7


Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de arte que ao


condenado, como seu autor, cumpre demonstrar que a
sentença errou ou cometeu injustiça; se não, impossível será
julgar-lhe procedente o pedido.
– Não pode incorrer na censura de contrária à evidência
dos autos a sentença condenatória apoiada na palavra da
vítima e testemunhos idôneos, antes é de reputar-se bem
fundamentada, pois tem por si prova excelente (art. 621, nº I,
do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 4000
Revisão Criminal nº 406.242/5
Art. 180 do Cód. Penal;
arts. 110 e 567 do Cód. Proc. Penal

– Segundo a Jurisprudência, a mera possibilidade de serem


considerados continuados os delitos atribuídos ao réu não
importa a junção dos processos (cf. Rev. Tribs., vol. 445,
p. 442).
– A identidade da lide penal é o pressuposto da exceção de
litispendência (art. 110 do Cód. Proc. Penal).
– Nos crimes de receptação dolosa, porque mui difícil apurar
o elemento subjetivo do tipo, cumpre recorrer às
circunstâncias mesmas do fato e à personalidade do agente
(art. 180 do Cód. Penal).
87

Voto nº 4009
Revisão Criminal nº 410.846/2
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 622, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Revisão de revisão criminal admitem-na geralmente graves


autores e a jurisprudência dos Tribunais, “pois que se não
concebe haja alguma decisão que desfrute o privilégio da
infalibilidade, ou possa subsistir com o erro judiciário mais
grosseiro, somente porque já antes, em revisão, houvera um
pronunciamento, também participante consciente desse erro”
(José Duarte, Ato Jurídico e Revisão, 1966, p. 13).
– Debaixo da razão de que se deve emendar sempre o erro,
notadamente nos pleitos criminais, previu o legislador
a possibilidade de segunda revisão, porém com esta
advertência: não se admite a reiteração do pedido, “salvo se
fundado em novas provas” (art. 622, parág. único, do Cód.
Proc. Penal).
88

Voto nº 4064

Revisão Criminal nº 409.320/3


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Ainda que não submetido a perícia revólver utilizado para a


prática de roubo, tem-se por configurada a causa de aumento
de pena, se não lhe comprovou o agente a ausência de
capacidade vulnerante, pois de regra, na prática dos crimes
violentos contra o patrimônio, ninguém emprega arma fictícia
por verdadeira (art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal).
– A incriminação firme e segura da vítima, que reconheceu o
réu, sem hesitar, como ao autor do roubo, é certamente a
pedra fundamental do edifício da Acusação e justifica a
edição de decreto condenatório.
– No Juízo da revisão criminal, cabe ao peticionário a prova
plena e incontroversa de que a sentença afrontou a evidência
dos autos ou praticou seu prolator alguma injustiça; do
contrário, será força atender à autoridade da coisa julgada
(art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
89

Voto nº 4065

Revisão Criminal nº 409.374/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A palavra da vítima, como de quem sofreu diretamente grave


ameaça ou violência, tem capital importância na identificação
do autor do roubo e pode ensejar decreto condenatório,
sobretudo se amparada em outros elementos de convicção.
– Contrária à evidência é unicamente aquela decisão a que
falte, de todo, o apoio dos autos e, pois, constitui parto
monstruoso do espírito e violação grave do Direito (art. 621,
nº I, do Cód. Proc. Penal). Mas, para crédito da Justiça, trata-
se de fenômeno tão raro como o eclipse total do Sol!

Voto nº 4068
Revisão Criminal nº 405.222/5
Art. 171 do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A confissão judicial, por seu valor absoluto — que se presume


feita espontaneamente —, basta à fundamentação do edito
condenatório.
– O pedido de revisão criminal, por isso mesmo que põe a mira
em romper a coisa julgada, somente se defere quando
amparado em fundamento legal. É mister, pois, demonstre o
peticionário, além de dúvida, que a sentença condenatória
infringiu de rosto a prova dos autos.
– Em se tratando de revisão, consoante doutrina consagrada,
toca ao sentenciado o ônus da prova de que o edito
condenatório contrastou a evidência dos autos ou cometeu
injustiça; do contrário, haverá de prevalecer a autoridade da
“res judicata” (art. 621 do Cód. Proc. Penal).
90

Voto nº 4077
Revisão Criminal nº 411.404/8
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Não merece a crítica de inepta nem deficiente a defesa


promovida pelo patrono do réu segundo a boa praxe do foro e
o caráter da prova dos autos. Aquele que faz tudo quanto está
em suas mãos não pode ser obrigado a mais.
– A falta de reperguntas às testemunhas não induz, em
princípio, nulidade ao processo nem recomenda mal o
patrocínio da causa, pois se inclui entre as estratégias de
defesa. Cabe advertir que não raro a compulsão oratória de,
sistemática e inoportunamente, reperguntar testemunhas,
sem atender aos conselhos da prudência, tem deitado a perder
mais de um réu, ao qual se augurava, com bons fundamentos,
sorte processual favorável. Nem só o peixe morre pela boca!
– Nisto de revisão criminal, toca ao réu provar cumpridamente
o erro ou injustiça da sentença condenatória, sob pena de
indeferimento de sua pretensão, por amor da força da coisa
julgada, que passa por verdade incontestável (“Res judicata
pro veritate habetur”).
91

Voto nº 4138
Revisão Criminal nº 407.066/5
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Herança ingrata de todos nós, também o erro involuntário


pode assentar-se na curul do Magistrado; por isso, nunca se
demasiam aqueles que, no louvável intento de o prevenir e
extirpar, deixam de parte escrúpulos e preconceitos acerca
do caso julgado e entram a examinar pedido de revisão
criminal, ainda quando deduzido sem estrita observância das
formalidades legais (art. 621 do Cód. Proc. Penal).
– Achado na posse de coisa alheia, sem que o saiba justificar, dá
a conhecer o réu que a houvera por meio criminoso, pois
o detentor legítimo nenhuma dificuldade encontra para
explicar a origem de tudo que lhe vem às mãos.
– Em caso de revisão criminal, deve o peticionário provar,
acima de dúvida, que a sentença afrontou a evidência dos
autos; se não, prevalecerá a imutabilidade da “res judicata”.
92

Voto nº 4148

Revisão Criminal nº 417.586/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 59 e 61, nº I, do Cód. Penal

– Por amor do princípio da razoabilidade — “lógica do razoável”


(Recaséns Siches) ou do justo meio — e para atalhar
anatocismo na aplicação da pena (à maneira da usura dobrada
nos mútuos feneratícios), urge proceder, no Juízo da revisão
criminal, à redução da pena-base fixada ao réu, sem
motivação plausível, com o aumento de metade do mínimo
legal cominado ao crime (art. 626 do Cód. Proc. Penal).
– Configura violação do preceito “non bis in idem”, que o
Direito Penal coíbe irrestritamente, meter em conta os
antecedentes do réu como circunstância judicial e como
circunstância legal (reincidência).
– A só presença de duas ou mais qualificadoras não obriga ao
aumento da pena do roubo além do mínimo legal de 1/3, o que
apenas se justifica nos casos em que praticado por grupo
numeroso de agentes, mediante emprego de armas de
extraordinário poder vulnerante.
93

Voto nº 4169

Revisão Criminal nº 389.326/1


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A palavra da vítima é fundamental na identificação do roubo e


suas circunstâncias. Exceto se obra de erro ou mentira, cuja
prova toca à Defesa, seu depoimento autoriza condenação,
pois representa penhor seguro da veracidade do fato descrito
na denúncia.
– Sob pena de ser-lhe julgado improcedente o pedido de revisão
criminal, ao sentenciado incumbe demonstrar, acima de todo o
engano, o erro ou injustiça da condenação (art. 621 do Cód.
Proc. Penal).

Voto nº 4181

Revisão Criminal nº 416.824/1


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– De tal arte se acha arraigada em todos os homens a


consciência da falibilidade de seus atos e decisões, que
passara por imprudência deixar o Tribunal de conhecer, “in
limine”, de pedido de revisão criminal só porque a sentença
condenatória já esteja sob o império da coisa julgada (art. 621,
do Cód. Proc. Penal).
– A palavra da vítima tem subido valor na aferição da prova da
materialidade do roubo e de sua autoria. Apenas decai de
estima se obra de erro ou mentira, que se não presumem,
antes devem ser comprovados “ad satiem”, pois repugna à
razão humana queira alguém acusar inocentes.
94

– Em tema de revisão criminal, é princípio altamente reputado


que toca ao peticionário o ônus da prova do erro ou injustiça
do decreto condenatório.

Voto nº 4200
Revisão Criminal nº 413.644/5
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal

– Não há proibição legal de o Juiz conceder regime semiaberto


a condenado não-reincidente a pena inferior a 8 anos (art. 33,
§ 2º, alínea b, do Cód. Penal); a concessão de tal benefício
unicamente é defesa ao réu condenado a pena que exceda a 8
anos (não importando se primário), ou ao reincidente, cuja
pena seja superior a 4 anos.
– Isto de se proceder à alteração do regime prisional do
sentenciado, no Juízo da revisão, não é matéria para
escrúpulo. Em verdade, passa por doutrina bem aforada que o
Juiz da revisão é o Juiz da causa e, pois, com esse caráter,
deve sempre dispensar justiça: tem “ampla liberdade de
decidir, só não podendo rever in pejus a decisão condenatória”
(José Frederico Marques, Elementos de Direito Processual
Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 356).
95

Voto nº 4214
Revisão Criminal nº 392.350/2
Art. 171, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Cai nas penas do estelionato, pela manifesta violação do


princípio da boa-fé, o agente que paga mercadoria com
cheque alheio falsificado. Não lhe serve de escusa o
argumento de que recebeu o cheque a estranho, se o não
comprovou “ad satiem”, pois esta é comumente a defesa dos
que, mediante fraude (falsificação), costumam induzir
incautos a erro para obter vantagem ilícita (art. 171 do Cód.
Penal).
– Em tema de revisão criminal, vigora o princípio de que ao
condenado é que incumbe provar, além de toda a dúvida, que a
sentença fez rosto à evidência dos autos, senão sucumbirá
perante a força da coisa julgada.
96

Voto nº 4252
Revisão Criminal nº 409.680/1
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 65, nº I, do Cód. Penal;
art. 156 do Cód. Proc. Penal

– É questão vencida que, em sede de revisão criminal, toca


ao peticionário provar, com firmeza, que a sentença
condenatória contraveio à realidade dos autos. Na forma do
art. 156 do Cód. Proc. Penal, pertence-lhe o ônus da prova.
– Contrária à evidência é só aquela decisão que de todo se
afasta das provas coligidas nos autos.
– Diz-se consumado o roubo, se o agente, ainda que por breve
lapso de tempo, teve a posse tranquila e desvigiada da coisa
subtraída.
–“A menoridade deve prevalecer sobre todas as demais
circunstâncias subjetivas e até mesmo em relação à
reincidência” (Celso Delmanto, Código Penal Comentado,
5a. ed., p. 123).
– Não há advogar em prol do réu a circunstância do art. 29, § 1º,
do Cód. Penal (participação de menor importância) se teve, no
crime, atuação relevante e praticou atos de execução direta.
97

Voto nº 4268

Revisão Criminal nº 420.018/4


Arts. 157, § 3º, parte final, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 1º, nº II, da Lei nº 8.072/90

– Os homens de circunspecção, persuadidos de não possuir o


dom da inerrância, desconfiam sempre do valor absoluto das
decisões; não lhes faz abalo no espírito reexaminar questão
já sob o selo da coisa julgada, antes o reputam corolário do
sistema jurídico-filosófico adotado entre nós para o processo:
o da pesquisa da verdade real.
– Apenas ofende a evidência dos autos a decisão que deles se
aparta às inteiras, não estando nesse número a que se apoia
em fortes elementos de convicção, como o reconhecimento
seguro do réu pela vítima de roubo.
– Conforme iterativa jurisprudência dos Tribunais, a palavra da
vítima, se ajustada aos mais elementos do processo, justifica
decreto condenatório.
–“Se o agente pratica homicídio tentado e subtração
patrimonial tentada, a doutrina unânime ensina que responde
por tentativa de latrocínio (art. 157, § 3º, in fine, c/c o art. 14,
II)” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 9a. ed.,
p. 548).
– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da
erronia ou injustiça da sentença condenatória, como o impõe a
exegese do art. 156 do Cód. Proc. Penal.
98

Voto nº 4289

Revisão Criminal nº 410.824/3


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Gritos e atitudes agressivas com que o agente visa a intimidar


a vítima, para subtrair-lhe os pertences, constituem a grave
ameaça, elementar do roubo (art. 157 do Cód. Penal).
– Àquele que se propõe desconstituir decisão protegida pelo
timbre da coisa julgada toca o ônus de demonstrar,
cabalmente, que ela fez rosto à prova ou à lei importando-lhe
insofrível injustiça (art. 621 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 4306
Revisão Criminal nº 410.680/5
Art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Última oportunidade que a lei defere ao condenado para a


emenda de eventual injustiça ou erro judiciário, não será de
bom exemplo denegar-lhe, “in limine”, a súplica revisional,
exceto nos casos de total inépcia. Profundo conhecedor da
natureza humana, advertiu o grande Vieira: “(...) nenhum
homem é tão sábio, que não esteja sujeito a errar” (Sermões,
1959, t. IV, p. 13).
– Quando clara e circunstanciada, que melhor prova da autoria
do crime que a confissão do réu?!
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de tal arte que
ao condenado, na conta de autor, incumbe demonstrar que a
sentença caiu em erro ou cometeu injustiça (art. 156 do Cód.
Proc. Penal).
99

Voto nº 4338

Revisão Criminal nº 422.892/3


Arts. 180, “caput”, e 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 621 e 654, § 2º, do Cód. Proc. Penal

– Juiz da causa, na concepção moderna de sua função


jurisdicional, ao Juiz da revisão cabe, precipuamente,
restaurar o direito violado; negar-se a fazê-lo, em
consideração a extremado apego ao formalismo, não será
menos que trair o ideal de justiça, que lhe importa realizar
sempre.
– É dogma jurídico intangível que dois processos não podem
pender simultaneamente sobre a mesma ação (por “mesma
ação” a doutrina designa aquela em que conspiram os
seguintes elementos identificadores: “pessoas”, “causa de
pedir” e “pedido”). No caso de reduplicação de ações
idênticas, resolve-se a questão “pelo critério da precedência
da decisão transitada em julgado” (cf. STF; HC nº 77.990-3;
rel. Min. Moreira Alves; Rev. Tribs., vol. 764, p. 495).
100

Voto nº 4387

Revisão Criminal nº 427.144/1


Art. 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;
art. 563 do Cód. Proc. Penal

– A observância da forma é, em muitos casos, a pedra angular


do edifício que assegura a validade do ato jurídico. Anular-se,
entretanto, um ato ou todo o processo, pela postergação de
formalidade que não influiu na apuração dos fatos ou na
decisão da causa, será render exagerado preito de vassalagem
à lei e imolar na ara do “frívolo curialismo”. Donde o haver
disposto o art. 563 do Cód. Proc. Penal: “Nenhum ato será
declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a
acusação ou para a defesa”.
– Não é nulo o auto de prisão em flagrante por ter nele servido
de curador a réu menor pessoa de pouca ilustração, se
moralmente idônea.
– Vício do inquérito, peça meramente informativa, não alcança
o processo criminal. Com base neste argumento, proclamou o
STF que da falta de nomeação de curador a indiciado menor
durante o inquérito policial não advém consequência alguma
(cf. Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado,
13a. ed., p. 390).
– A palavra da vítima, nos casos de roubo, é o melhor penhor da
Acusação: se em harmonia com os mais elementos dos autos
justifica a procedência da pretensão punitiva e a condenação
do réu.
– Sentença com trânsito em julgado não se rescinde sem prova
plena e cabal de que contém erro ou injustiça (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
101

– A só presença de duas qualificadoras não obriga ao aumento


da pena do roubo além do mínimo legal de 1/3, o que apenas se
justifica nos casos em que praticado por grupo numeroso de
agentes, mediante emprego de armas de extraordinário poder
vulnerante.

Voto nº 4408

Revisão Criminal nº 392.106/2


Art. 157, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– A confissão do réu, na Polícia, corroborada por outros


valiosos elementos de convicção (v.g.: reconhecimento pela
vítima, depoimento de testemunha presencial, etc.), autoriza a
edição de decreto condenatório. Com efeito, exceto se
comprovado ter sido obra de violência, a confissão do réu
passa por prova excelente, “pois que é contrário à natureza
alguém afirmar contra si fato que não seja verdadeiro” (Mário
Guimarães, O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 309).
–“A alegação de estado de necessidade não é admissível em
face da prática de roubo, principalmente quando o sujeito
emprega arma” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado,
9a. ed., p. 531).
– É de indeferir pedido de revisão criminal a peticionário que
não comprove “ad satiem” que a sentença condenatória
incidiu em erro ou quebrantou os preceitos da Justiça (art.
621 do Cód. Proc. Penal).
102

Voto nº 4424
Revisão Criminal nº 420.774/9
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Da suma importância da palavra da vítima tratam julgados,


infinitos em número, de todos os Tribunais do País. Em
verdade, quem melhor do que o protagonista do evento
criminoso, para descrevê-lo, com todas as suas
circunstâncias?!
– Ainda que não apreendida a arma empregada na prática do
roubo, é força reconhecer a incidência da qualificadora (art.
157, § 2º, nº I, do Cód. Penal) se lhe ficou apurada a existência
pela palavra firme e convincente da vítima ou de testemunha.
– Se o peticionário não demonstrou, como lhe cumpria (art. 156
do Cód. Penal), que a sentença condenatória errou ou cometeu
injustiça, deve ser preservada em sua inteireza, por força da
autoridade da coisa julgada, que passa por verdade
inconcussa (“Res judicata pro veritate habetur”).
103

Voto nº 4433
Revisão Criminal nº 419.858/0
Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Como é a revisão criminal a última oportunidade que os


órgãos do Poder Judiciário deparam ao réu de emendar
eventual erro ou injustiça de sua condenação, constitui praxe
mui salutar ouvir-lhe o protesto por novo exame da causa-
-crime, máxime quando a sentença transitara em julgado sem
recurso da Defesa (art. 621 do Cód. Proc. Penal).
– Em respeito ao princípio da hierarquia das instâncias,
compete ao Juízo de primeiro grau de jurisdição (que não ao
Tribunal) conhecer e julgar originariamente de pedido de
extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
executória da pena (art. 110 do Cód. Penal).
– Na esfera da revisão criminal, é ao peticionário que toca
provar, em todo o rigor, que a sentença condenatória afrontou
a evidência dos autos; do contrário, decairá do pedido, por
absoluta carência de pressuposto legal (art. 621, nº I, do Cód.
Proc. Penal).
104

Voto nº 4434
Revisão Criminal nº 418.278/9
Art. 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Não se considera “ultra petita” a sentença que condena o réu


nos termos da denúncia, pois isto mesmo preconiza o
princípio da congruência: “Sententia debet esse conformis
libello”.
– Nisto de revisão criminal, toca ao réu provar cumpridamente
o erro ou injustiça da sentença condenatória, sob pena de
indeferimento de sua pretensão, por amor da força da coisa
julgada, que passa por verdade incontestável (“Res judicata
pro veritate habetur”).

Voto nº 4486

Revisão Criminal nº 417.020/9


Art. 155, § 4º, ns. I, II e IV, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A confissão, máxime a prestada em Juízo, vale como prova do


fato e de sua autoria, se não ilidida por elementos de
convicção firmes e idôneos. Donde a antiga parêmia: “A
confissão judicial é das melhores provas; quem confessa,
contra si profere a sentença” (apud Cândido Mendes de
Almeida, Auxiliar Jurídico, 1985, t. II, p. 530).
– Em revisão criminal, deve o réu provar (não apenas alegar)
que a sentença contrariou a evidência dos autos; se o não
fizer, prevalecerá a autoridade do caso julgado, subsistindo os
efeitos da condenação (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
105

Voto nº 4444

Revisão Criminal nº 426.844/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– A vítima que incrimina, com segurança, autor de roubo


oferece ao Juiz a base lógica necessária à edição do decreto
condenatório, sobretudo quando haja outros adminículos de
prova, pois repugna ao siso comum queira alguém acusar
inocente.
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de arte que
ao condenado, como seu autor, cumpre demonstrar que a
sentença errou ou cometeu injustiça; se não, impossível será
julgar-lhe procedente o pedido.

Voto nº 4455
Revisão Criminal nº 425.032/1
Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 70, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A palavra da vítima, se não ilidida pelo conjunto probatório,


basta a justificar decreto de condenação. Tal força lhe vem da
circunstância de, protagonista do roubo, ser pessoa a mais
capacitada para descrevê-lo e identificar seu autor.
– Em pontos de revisão criminal, o condenado não deve limitar-
-se a pedir reexame de questões já decididas, mas provar,
além de toda a dúvida sensata, que a sentença feriu de rosto a
evidência dos autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
106

Voto nº 4456

Revisão Criminal nº 426.914/7


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 70, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A confissão judicial, por seu valor absoluto — visto se


presume feita espontaneamente —, basta à fundamentação do
edito condenatório.
– A vítima de roubo, pelo contacto que manteve com o réu, é
pessoa a mais capacitada a reconhecê-lo. Suas palavras, por
isso, merecem credibilidade e podem justificar condenação.
– Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve
lapso de tempo, teve a posse desvigiada da coisa subtraída à
vítima mediante violência ou grave ameaça.
– No âmbito da revisão criminal, como há inversão do “onus
probandi”, se o peticionário não comprova que farte suas
alegações, não lhe pode ser deferida a pretensão, em respeito
ao dogma processual da coisa julgada.
107

Voto nº 4505

Revisão Criminal nº 428.422/7


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– A confissão policial, ainda que repudiada em Juízo, autoriza


decreto condenatório se em harmonia com outros elementos
de prova, máxime o reconhecimento do réu pela vítima e a
apreensão da “res furtiva” em seu poder.
– Tem a palavra da vítima importância capital nos casos de
roubo. Se ajustada ao conjunto probatório dos autos, enseja
condenação: ao cabo de contas, ninguém se reputa mais apto a
discorrer das circunstâncias e autoria do crime que a pessoa
que lhe padeceu diretamente os agravos físicos e morais.
– Ainda que não submetido a perícia revólver utilizado para a
prática de roubo, tem-se por configurada a causa de aumento
de pena, se não lhe comprovou o agente a ausência de
capacidade vulnerante, pois de regra, na prática dos crimes
violentos contra o patrimônio, ninguém emprega arma fictícia
por verdadeira (art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal).
–“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à
redução da pena abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231 do
STJ).
108

Voto nº 4520
Revisão Criminal nº 428.470/7
Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 26 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Não tem o Juízo da Revisão Criminal caráter instrutório; por


isso, o pedido deverá assentar em prova pré-constituída que
justifique “per se” a rescisão do decreto de condenação, aliás
prevalecerá a força da coisa julgada.
– A mera dúvida sobre a higidez mental do réu ao tempo do fato
criminoso não basta a assegurar-lhe a procedência do pedido
de revisão: há que prová-lo cumpridamente, no processo
autônomo da justificação criminal, sob a garantia do
contraditório.
– Como lhe toca o ônus da prova em ponto de revisão criminal
(art. 156 do Cód. Proc. Penal), deve o condenado demonstrar,
sem falta, que a sentença afrontou a evidência dos autos ou
cometeu injustiça; do contrário, nada poderá contra a coisa
julgada, que passa por verdade inelutável.

Voto nº 4563

Revisão Criminal nº 423.928/3


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– No julgamento da revisão criminal, é dever do Juiz


reexaminar a prova dos autos, em ordem a prevenir os efeitos
de decisão eventualmente proferida contra a Lei e o Direito.
– Desde que baseada em razoável interpretação da prova, a
decisão não se considera proferida contra a evidência dos
autos: deve, por isso, prevalecer na íntegra, em obséquio à
autoridade da coisa julgada.
109

Voto nº 4651
Revisão Criminal nº 434.494/7
Art. 157, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A palavra da vítima, como de quem sofreu diretamente grave


ameaça ou violência, tem capital importância na identificação
do autor do roubo e pode ensejar decreto condenatório,
sobretudo se apoiada em outros elementos de convicção.
– No âmbito da revisão criminal, ao peticionário incumbe
demonstrar que a r. sentença condenatória foi proferida
contra a prova dos autos, ou caíra em erro, de tal arte que a
reparação do gravame constitua imperativo de justiça.
– Decisão contrária à evidência dos autos, no geral consenso
dos doutores, é somente aquela que de todo se afasta da prova
e, pois, não se livra da tacha de aberrante (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).

Voto nº 4670

Revisão Criminal nº 407.564/0


Art. 155 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– O direito reprime, com toda a veemência de que é capaz, a


obtenção de provas por meio ilícito; àquele, no entanto, que o
alegar caberá o ônus da prova, pois as exceções não se
presumem.
– Em revisão criminal, deve o réu provar (não apenas alegar)
que a sentença contrariou a evidência dos autos; se o não
fizer, prevalecerá a autoridade do caso julgado, subsistindo os
efeitos da condenação (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
110

Voto nº 4705

Revisão Criminal nº 436.116/7


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A titularidade do direito de apelar não é do defensor, senão do


réu, ao qual toca portanto a decisão de fazê-lo. Desde que o
réu se oponha ao exercício de tal direito, haverá o advogado
de catar-lhe respeito à vontade, pois o que procura em Juízo
está sujeito ao princípio geral que informa o mandato: só
procede segundo a lei aquele que pratica o ato a que está
expressamente autorizado; e o réu que renuncia ao direito de
recurso por isto mesmo desautoriza que outrem o exercite.
– É insuscetível de reforma, pela via revisional, sentença que
impõe condenação a réu de roubo, com base nas palavras da
vítima e de testemunha, no reconhecimento pessoal e na
apreensão, em seu poder, da “res furtiva”. Tal decisão não será
contrária à evidência dos autos, mas seu fiel reflexo.
– Na ação de revisão criminal, não basta que o peticionário
alegue haver a sentença feito rosto à prova dos autos; é mister
que o demonstre cabalmente. Vem aqui a ponto o aforismo
jurídico: “Allegare nihil, et allegatum non probare paria
sunt”. Em linguagem: nada alegar, e não provar o alegado são
uma e a mesma coisa.
– Desde a mais alta antiguidade, teve-se a confissão pela rainha
das provas (“regina probationum”), porque repugna à
natureza afirme alguém contra si fato que não saiba
verdadeiro.
–“A confissão do delito vale não pelo lugar onde é prestada, mas
pela força de convencimento que nela se contém” (STF; Rev.
Trim. Jurisp., vol. 95, p. 564; rel. Min. Cordeiro Guerra).
111

Voto nº 4706

Revisão Criminal nº 436.350/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 226 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Herança ingrata de todos nós, também o erro involuntário


pode assentar-se na curul do Magistrado; por isso, nunca se
demasiam aqueles que, no louvável intento de o prevenir e
extirpar, deixam de parte escrúpulos e preconceitos acerca do
caso julgado e entram a examinar pedido de revisão criminal,
ainda quando deduzido sem estrita observância das
formalidades legais (art. 621 do Cód. Proc. Penal).
– O réu que é inocente declara-o desde logo, movido da própria
razão natural, que ordena a todo o indivíduo se defenda de
injusta acusação; quem se refugia no silêncio, embora direito
seu previsto na Constituição da República (art. 5º, nº LXIII),
esse dá a conhecer que não tinha que responder à acusação,
por verdadeira. Donde o prestígio do venerável brocardo “Qui
tacet, consentire videtur” (quem cala, consente).
– É questão fria nos pretórios da Justiça que as regras do art.
226 do Cód. Proc. Penal, de caráter suasório ou de
recomendação, podem ser postergadas, se impossíveis de
executar ou se o dispensar o caso concreto. Não acarreta,
portanto, a nulidade do processo o reconhecimento do réu
pela vítima, sem as formalidades legais, se esta lhe não pôs
em dúvida a identidade física. O fim a que deve atender o ato
do reconhecimento — não importando as circunstâncias de
sua realização — é se o sujeito passivo, ao indicar o autor do
roubo, fê-lo, ou não, com certeza e espontaneidade.
– Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve
lapso de tempo, teve a posse desvigiada da coisa subtraída à
vítima mediante violência ou grave ameaça.
112

– A presunção de verdade que depõe em crédito da coisa


julgada — “Res judicata pro veritate habetur”, conforme a
clássica lição de Ulpiano — transfere ao peticionário, nas
ações de revisão criminal, o ônus da prova. A ele é que
incumbe portanto demonstrar, por modo cabal, que a decisão
revidenda contém erro. No caso de não se desempenhar desse
encargo a preceito, naturalmente decairá da causa, pois a
decisão continuará imutável debaixo do selo da coisa julgada.

Voto nº 4855
Revisão Criminal nº 426.814/3
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

–“Post confessionem rei, nihil amplius quaeritur” (Ulpiano). Em


linguagem: após a confissão do réu, tudo o mais é escusado.
– No caso de roubo, tem a palavra da vítima extraordinária
importância para comprovar-lhe a materialidade e a autoria:
parte precípua no evento criminoso, é a que está em melhores
condições de, à luz da verdade sabida, reclamar a punição
unicamente do culpado.
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de arte que ao
condenado, como seu autor, cumpre demonstrar que a
sentença errou ou cometeu injustiça; se não, impossível será
julgar-lhe procedente o pedido.
– Não pode incorrer na censura de contrária à evidência
dos autos a sentença condenatória apoiada na palavra da
vítima e testemunhos idôneos, antes é de reputar-se bem
fundamentada, pois tem por si prova excelente (art. 621, nº I,
do Cód. Proc. Penal).
113

Voto nº 4883

Revisão Criminal nº 436.378/4


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 159, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

–“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória,


e a sua acusação, firme e segura, em consonância com as
demais provas, autoriza a condenação” (Rev. Tribs., vol. 750,
p. 682).
– Diz-se consumado o roubo se o agente, ainda que por breve
lapso de tempo, tem a posse desvigiada da coisa subtraída à
vítima mediante violência ou grave ameaça.
– Incorre nas penas do art. 159 do Cód. Penal (extorsão
mediante sequestro) o sujeito que priva outrem da faculdade
de locomoção, com o intuito de obter vantagem como condição
ou preço do resgate.
– É questão vencida que, em sede de revisão criminal, toca
ao peticionário provar, com firmeza, que a sentença
condenatória contraveio à realidade dos autos. Na forma do
art. 156 do Cód. Proc. Penal, pertence-lhe o ônus da prova.
– Contrária à evidência é só aquela decisão que de todo se
afasta das provas coligidas nos autos.
114

Voto nº 4939

Revisão Criminal nº 437.786/2


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 41 do Cód. Proc. Penal

– Nos crimes de roubo, a palavra da vítima, que incrimina o


réu e o indigita por seu autor, basta à edição de decreto
condenatório, sobretudo quando em harmonia com as mais
provas dos autos. (Não esquecer que repugna à razão humana
queira alguém acusar de crime grave pessoa diversa da que o
praticou).
– Remédio especial e extremo, não se admite a revisão criminal
senão nos casos expressamente previstos em lei (art. 621 do
Cód. Proc. Penal).

Voto nº 5109
Revisão Criminal nº 443.536/9
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A história humana outra coisa não é que um oceano de erros,


no qual triunfam, a trechos, poucas e confusas verdades
(César Beccaria, Dos Delitos e das Penas, § XVI).
– A confissão, os antigos já a reputavam documento de sumo
alcance na pesquisa da verdade real: “(...) não é um meio de
prova. É a própria prova, consistente no reconhecimento da
autoria por parte do acusado” (Vicente Greco Filho, Manual
de Processo Penal, 1997, p. 229).
– Contrária à evidência, ao parecer comum da doutrina, é a
decisão que se desabraça inteiramente das provas dos autos,
de tal sorte que entre ela e o conjunto probatório não há mais
que franca oposição lógica (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
115

Voto nº 5023
Revisão Criminal nº 440.900/1
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Não tem o Juízo da Revisão Criminal caráter instrutório; por


isso, o pedido deverá assentar em prova pré-constituída que
justifique “per se” a rescisão do decreto de condenação, aliás
prevalecerá a força da coisa julgada.
– A mera dúvida sobre a higidez mental do réu ao tempo do fato
criminoso não basta a assegurar-lhe a procedência do pedido
de revisão: há que prová-lo cumpridamente, no processo
autônomo da justificação criminal, sob a garantia do
contraditório.
– Nos casos de roubo, a palavra da vítima, como de quem teve
papel precípuo no evento delituoso, é de especial relevância
para a identificação de seu autor; destarte, exceto lhe prove
alguém tenha obrado com erro ou malícia ao indicar o
culpado, já a vítima lhe está antecipando juízo de condenação,
pois nela se presume o interesse de não querer incriminar
outrem que seu malfeitor.
– Como lhe toca o ônus da prova em ponto de revisão criminal
(art. 156 do Cód. Proc. Penal), deve o condenado demonstrar,
sem falta, que a sentença afrontou a evidência dos autos ou
cometeu injustiça; do contrário, nada poderá contra a coisa
julgada, que passa por verdade inelutável.
116

Voto nº 5058
Revisão Criminal nº 442.428/1
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 395 e 621 do Cód. Proc. Penal

–“O fundamento da revisão está em que a intangibilidade


da sentença transitada em julgado há de ceder ante os
imperativos da justiça substancial” (E. Magalhães Noronha,
Curso de Direito Processual Penal, 2002, p. 505).
– Não anula a ação penal a falta de apresentação de rol de
testemunhas pela Defesa, se teve oportunidade de fazê-lo (art.
395 do Cód. Proc. Penal). “Dormientibus non succurrit jus”.
– A palavra da vítima é em extremo valiosa, máxime nos
processos de roubo, visto representa o primeiro e mais eficaz
elemento de identificação de seu autor.
– Quem invoca álibi deve prová-lo bem, por não reduzir-se à
condição de réu confesso (art. 156 do Cód. Proc. Penal).
– O regime prisional fechado é, pelo comum, o próprio de autor
de roubo, crime grave e fator de permanente inquietação
social.
117

Voto nº 5104

Revisão Criminal nº 442.458/0


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A observância da forma é, em muitos casos, a pedra angular


do edifício que assegura a validade do ato jurídico. Anular-se,
entretanto, um ato ou todo o processo, pela postergação de
formalidade que não influiu na apuração dos fatos ou na
decisão da causa, será render exagerado preito de vassalagem
à lei e imolar na ara do frívolo curialismo. Donde o haver
disposto o art. 563 do Cód. Proc. Penal: “Nenhum ato será
declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a
acusação ou para a defesa”.
– Não é nulo o auto de prisão em flagrante por ter nele servido
de curador a réu menor funcionário da Delegacia de Polícia,
salvo se demonstrado abuso ou arbítrio no desempenho do
múnus.
– Vício do inquérito, peça meramente informativa, não alcança
o processo criminal. Com base neste argumento, proclamou o
STF que da falta de nomeação de curador a indiciado menor
durante o inquérito policial não advém consequência alguma
(cf. Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado,
13a. ed., p. 390).
– Indefere-se a revisão criminal, se a decisão condenatória não
fez rosto à evidência dos autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc.
Penal); esta cláusula significa a “clareza que se manifesta no
conjunto dos autos” (Borges da Rosa, Processo Penal
Brasileiro, 1942, vol. IV, p. 66).
118

Voto nº 5147
Revisão Criminal nº 443.218/6
Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 231 do STJ

– Último recurso para alcançar a satisfação da justiça ou a


emenda de eventual erro judiciário, não é de bom exemplo
indeferir ao condenado, de plano, pedido de revisão criminal,
ainda que pareça encontrar e ferir os cânones a que está
subordinada sua admissibilidade (art. 621 do Cód. Proc.
Penal).
– A palavra da vítima, desde que firme e concorde com os mais
elementos do processo, autoriza condenação, máxime se em
poder do réu foi apreendida a “res furtiva”.
– A falta de apreensão da arma empregada no roubo não obsta
ao reconhecimento da qualificadora (inc. I do § 2º do art. 157
do Cód. Penal), se testemunhos idôneos lhe comprovaram a
existência.
–“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à
redução da pena abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231 do
STJ).
– Em pontos de revisão criminal, cabe ao réu comprovar, acima
de toda a dúvida, que a sentença condenatória afrontou a
evidência dos autos ou incidiu em erro. Se não se
desempenhar desse ônus (que lhe toca, “ex vi” do art. 156 do
Cód. Proc. Penal), será força indeferir-lhe o pedido.
119

Voto nº 5198

Revisão Criminal nº 437.462/9


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Ainda os Juízes mais diligentes e avisados estão sujeitos a


engano. Donde o alcance e mérito da revisão criminal, que o
pode reconhecer e emendar, em ordem a que se não converta
em erro judiciário.
– São inconciliáveis com a hipótese de inocência os protestos de
quem, após praticar roubo a banco, deita a fugir, mas,
perseguido por populares, desfaz-se da sacola de dinheiro e
acaba preso pela Polícia. Ante a evidência da criminalidade de
seu proceder, não há lugar senão para edito condenatório
(arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 14, nº II, do Cód. Penal).
– Em revisão criminal, deve o réu provar (não apenas alegar)
que a sentença contrariou a evidência dos autos; se o não
fizer, prevalecerá a autoridade do caso julgado, subsistindo os
efeitos da condenação (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
120

Voto nº 5213

Revisão Criminal nº 446.914/8


Art. 155, § 4º, nº III, do Cód. Penal;
art. 14, nº II, do Cód. Penal

– É caso de tentativa punível, se o sujeito realiza ato típico de


execução (v.g., abre a porta de veículo alheio para a prática de
furto), pois a “mens rea” já se projetara sobre o mundo
exterior, dirigida a um fim (art. 14, nº II, do Cód. Penal).
– É questão vencida que, em sede de revisão criminal, toca
ao peticionário provar, com firmeza, que a sentença
condenatória contrariou a evidência dos autos. Na forma do
art. 156 do Cód. Proc. Penal, pertence-lhe o ônus da prova.
– Contrária à evidência é só aquela decisão que de todo se
afasta ds provas coligidas nos autos.

Voto nº 6172

Revisão Criminal nº 386.707-3/4-00


Arts. 121, § 2º, ns. IV e V, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– É questão vencida que, em sede de revisão criminal, toca


ao peticionário provar, com firmeza, que a sentença
condenatória contraveio à realidade dos autos. Na forma do
art. 156 do Cód. Proc. Penal, pertence-lhe o ônus da prova.
– Contrária à evidência é só aquela decisão que de todo se
afasta das provas coligidas nos autos.
– O autor de homicídio qualificado, crime do número dos
hediondos, deve cumprir sua pena sob o regime prisional
integralmente fechado, por força do disposto no art. 2º, § 1º,
da Lei nº 8.072/90.
121

Voto nº 5232

Revisão Criminal nº 453.024/0


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 621, nº II, e 626 do Cód. Proc. Penal

– A vítima de roubo, pelo contacto que manteve com o réu, é


pessoa a mais capacitada a reconhecê-lo. Suas palavras, por
isso, merecem credibilidade e podem justificar condenação.
– A exasperação da pena pelos maus antecedentes do réu e pela
nota de reincidência não configura violação do preceito do
“non bis in idem”, o que unicamente ocorre quando a mesma
condenação é a causa do duplo aumento.

Voto nº 5366

Revisão Criminal nº 444.440/1


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– É princípio acolhido sem reserva que, tanto que passe


em julgado sua decisão, já não tem o Juiz competência para
revê-la. Vem a ponto a lição de Hélio Tornaghi: “Já no
Direito romano, Ulpiano ensinava: Depois de pronunciada a
sentença, o juiz perde a jurisdição e não pode corrigi-la, quer
haja exercido seu ofício bem, quer o tenha feito mal” (Curso
de Processo Penal, 1980, vol. II, p. 353).
– A palavra firme e coerente da vítima serve a provar as
qualificadoras do art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal, máxime
se concorde com os mais elementos dos autos.
– No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir
provas cabais e incontroversas da erronia ou injustiça da
sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa julgada.
122

Voto nº 6000

Revisão Criminal nº 366.373-3/2-00


Arts. 213 e 224 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Palavras de quem foi protagonista do fato delituoso, as da


vítima são, pelo comum, dignas de crédito; servem, pois,
a lastrear condenação, máxime se a roborarem outros
elementos do processo.
– Àquele que intenta revisão criminal, ação constitutiva
destinada a emendar eventual erro judiciário, toca
demonstrar o desacerto da decisão, à luz das disposições do
art. 621 do Cód. Proc. Penal, sob pena de lhe ser indeferida a
pretensão.
– Contrária à evidência dos autos é só aquela decisão proferida
com total repúdio dos elementos de prova.
123

Voto nº 6052

Revisão Criminal nº 478.031-3/4


Art. 157, § 3º, “in fine”, do Cód. Penal;
arts. 621 e 626 do Cód. Proc. Penal

– Tem a jurisprudência dos Tribunais conferido especial relevo


à palavra da vítima entre os meios de prova. Salvo caso de
comprovada má-fé ou erro (que se não presumem), há de
receber-se por expressão da verdade; figura central dos
crimes de roubo, a vítima possui, sobre todos, interesse na fiel
apuração dos fatos e na identificação de seu autor.
– “O coautor que participa de roubo armado responde pelo
latrocínio, ainda que o disparo tenha sido efetuado só pelo
comparsa” (Rev. Trim. Jurisp., vol. 98, p. 636)
– Para elidir a autoridade da coisa julgada, é mister que o
sentenciado traga ao Juízo da revisão criminal prova sólida e
convincente de que sua condenação contraveio aos elementos
do processo ou às leis da razão e da justiça (art. 621 do Cód.
Proc. Penal).
124

Voto nº 6063

Revisão Criminal nº 364.238-3/2-00


Art. 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 621, nº II, e 626 do Cód. Proc. Penal

–“Intimada a defesa da expedição da carta precatória, torna-se


desnecessária intimação da data da audiência no juízo
deprecado” (Súmula nº 273 do STJ).
– A confissão do réu, na Polícia, corroborada por outros
valiosos elementos de convicção (v.g.: reconhecimento pela
vítima, depoimento de testemunha presencial, etc.), autoriza
a edição de decreto condenatório. Com efeito, exceto se
comprovado ter sido obra de violência, a confissão do réu
passa por prova excelente, “pois que é contrário à natureza
alguém afirmar contra si fato que não seja verdadeiro” (Mário
Guimarães, O Juiz e a Função Jurisdicional, 1958, p. 309).
–“Instituto jurídico nascido da equidade”, na frase de José
Frederico Marques, “é o crime continuado uma fictio juris
destinada a evitar o cúmulo material de penas” (Curso de
Direito Penal, 1956, vol. II, p. 354).
– Segundo a jurisprudência do STF, o art. 71 do Cód. Penal
admite a aplicação da teoria da ficção jurídica (ou
continuidade delitiva) aos crimes dolosos contra a vida; pelo
que, homicídios praticados nas mesmas circunstâncias de
tempo, lugar e “modus operandi”, impõem a pena de um só
deles, aumentada até o triplo (cf. Rev. Tribs., vol. 788, p. 515;
813/535 e 763/549).
–“Ao mesmo Demônio se deve fazer justiça, quando ele a tiver”
(Antônio Vieira, Sermões, 1959, t. III, p. 329).
125

Voto nº 6235

Revisão Criminal nº 496.725-3/3


Art. 214 do Cód. Penal;
art. 10 da Lei nº 9.437/97 (Lei das Armas de Fogo);
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Os homens de circunspecção, persuadidos de não possuir o


dom da inerrância, desconfiam sempre do valor absoluto das
decisões; não lhes faz abalo no espírito reexaminar questão já
sob o selo da coisa julgada, antes o reputam corolário do
sistema jurídico-filosófico adotado entre nós para o processo:
o da pesquisa da verdade real.
– Apenas ofende a evidência dos autos a decisão que deles se
aparta às inteiras, não estando nesse número a que se apoia
em fortes elementos de convicção, como o reconhecimento
seguro do réu pela vítima de atentado violento ao pudor (art.
214 do Cód. Penal).
– Conforme iterativa jurisprudência dos Tribunais, a palavra da
vítima, se ajustada aos mais elementos do processo, justifica
decreto condenatório.
– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da
erronia ou injustiça da sentença condenatória, como o impõe a
exegese do art. 156 do Cód. Proc. Penal.
126

Voto nº 6297

Revisão Criminal nº 433.925-3/5-00


Art. 157, § 3º, 2a. parte, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Como a tábua do náufrago, representa a revisão criminal a


última esperança, de que o condenado pode fiar sua sorte. Não
se lhe deve, a essa conta, obstar o exercício de tão salutar
remédio judicial, exceto no caso de violação manifesta dos
preceitos que o regem, v.g.: carência das condições de
procedibilidade inerentes a toda a ação, mera reiteração de
pedido anteriormente indeferido, etc.
– Feita em Juízo, tem a confissão do réu valor absoluto, que não
pode ser postergado, exceto em casos anormais, que se não
presumem.
–“É sumamente tranquilizador para a consciência do Juiz ouvir
dos lábios do réu uma narrativa convincente do fato criminoso
com a declaração de havê-lo praticado” (Hélio Tornaghi,
Curso de Processo Penal, 1980, vol. I, p. 381).
–“O fato de o disparo haver sido feito pelo corréu não
descaracteriza o crime de latrocínio” (STF; HC nº 74.949-SP;
2a. T.; rel. Min. Marco Aurélio; DJU 15.8.97; p. 37.036)
– Contrária à evidência é somente aquela decisão que está em
absoluto antagonismo com a prova dos autos (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
127

Voto nº 6306

Revisão Criminal nº 366.506-3/0-00


Art. 157, § 3º, 2a. parte, do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Revisão criminal: última porta a que pode bater o condenado,


não parece bem mantê-la sistematicamente fechada àqueles
que clamam por justiça.
– Tem a jurisprudência dos Tribunais conferido especial relevo
à palavra da vítima entre os meios de prova. Salvo caso de
comprovada má-fé ou erro (que se não presumem), há de
receber-se por expressão da verdade; figura central dos
crimes de roubo, a vítima possui, sobre todos, interesse na fiel
apuração dos fatos e na identificação de seu autor.
–“O coautor que participa de roubo armado responde pelo
latrocínio, ainda que o disparo tenha sido efetuado só pelo
comparsa” (Rev. Trim. Jurisp., vol. 98, p. 636).
– Para elidir a autoridade da coisa julgada, é mister que o
sentenciado traga ao Juízo da revisão criminal prova sólida e
convincente de que sua condenação contraveio aos elementos
do processo ou às leis da razão e da justiça (art. 621 do Cód.
Proc. Penal).
128

Voto nº 6327

Revisão Criminal nº 852.756-3/9


Arts. 121, § 2º, ns. I e IV, e 59 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória


apoiada em laudo pericial e nas palavras de testemunhas
presenciais idôneas, antes se reputa bem fundamentada, pois
tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
–“Concurso de qualificadoras, previstas no mesmo tipo penal,
aplica-se uma só, servindo a outra de circunstância judicial
de agravação da pena” (Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 9a. ed., p. 220).
129

Voto nº 6445

Revisão Criminal nº 445.509-3/0-00


Art. 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– O silêncio do acusado, embora conte com o beneplácito


da Constituição da República (art. 5º, nº LXIII), é indício
eloquente de culpabilidade porque em contradição com o
natural instinto de defesa, que impõe ao homem inocente a
obrigação de protestar sempre contra injusta acusação.
– Sentido, os que se extremam em prestigiar o silêncio, para
esta página imortal do profundo Vieira: “É cousa tão natural o
responder, que até os penhascos duros respondem, e para as
vozes têm ecos. Pelo contrário, é tão grande violência não
responder, que aos que nasceram mudos fez a natureza
também surdos, porque se ouvissem, e não pudessem
responder, rebentariam de dor” (Cartas, 1971, t. III, p. 680).
– Contrária à evidência é somente aquela decisão que está em
absoluto antagonismo com a prova dos autos (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
130

Voto nº 6705

Revisão Criminal nº 449.124-3/1-00


Arts. 214, 29 e 71 do Cód. Penal;
art. 622, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Indeferida a revisão criminal, em dois casos apenas pode ser


de novo intentada: se diverso o fundamento ou “quando
surgirem circunstâncias que beneficiem o condenado” (cf.
Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. II, p. 363).
–“Não é admissível a reiteração do pedido revisional, salvo se
fundado em novas provas (Rev. Forense, vol. 197, p. 320).

Voto nº 6946

Revisão Criminal nº 875.939-3/2-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621 do Cód. Proc. Penal

– De tal arte se acha arraigada em todos os homens a


consciência da falibilidade de seus atos e decisões, que
passara por imprudência deixar o Tribunal de conhecer, “in
limine”, de pedido de revisão criminal só porque a sentença
condenatória já estava sob o império da coisa julgada (art. 621
do Cód. Proc. Penal).
– É de indeferir pedido de revisão criminal a peticionário que
não comprove “ad satiem” que a sentença condenatória
incidiu em erro ou quebrantou os preceitos da Justiça (art.
621 do Cód. Proc. Penal).
131

Voto nº 7033

Revisão Criminal nº 582.555-3/9-00

Art. 180, “caput”, do Cód. Penal;


art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Como a tábua do náufrago, representa a revisão criminal a


última esperança, de que o condenado pode fiar sua sorte. Não
se lhe deve, a essa conta, obstar o exercício de tão salutar
remédio judicial, exceto no caso de violação manifesta dos
preceitos que o regem, v.g.: carência das condições de
procedibilidade inerentes a toda a ação, mera reiteração de
pedido anteriormente indeferido, etc.
– Ainda que feita na Polícia, é a confissão prova de alto valor,
apta a justificar edito condenatório se em harmonia com os
mais elementos do processo.
– No crime de receptação dolosa, é das circunstâncias mesmas
do fato e da personalidade do agente que se deve aferir o
elemento subjetivo do tipo, de sorte que nenhum valor têm os
protestos de inocência do réu que adquire a estranho, sem
documentação regular, veículo automotor. Aquele que assim
procede, por força que não pode ignorar se trata de coisa de
origem ilícita, máxime se possui tormentosa biografia penal
(art. 180, “caput”, do Cód. Penal).
– Contrária à evidência é somente aquela decisão que está em
absoluto antagonismo com a prova dos autos (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
132

Voto nº 7118

Revisão Criminal nº 839.684-3/4-00


Arts. 213 e 214 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Os homens de circunspecção, persuadidos de não possuir o


dom da inerrância, desconfiam sempre do valor absoluto das
suas decisões; não lhes faz abalo no espírito reexaminar
questão já sob o selo da coisa julgada, antes o reputam
corolário do sistema jurídico-filosófico da pesquisa da
verdade real, adotado entre nós para o processo.
– Nos casos de atentado violento ao pudor, a palavra da vítima,
como de quem teve papel precípuo no evento delituoso, é de
especial relevância para a identificação de seu autor;
destarte, exceto lhe prove alguém tenha obrado com erro ou
malícia ao indicar o culpado, já a vítima lhe está antecipando
juízo de condenação, pois nela se presume o interesse de não
querer incriminar outrem que seu malfeitor (art. 214 do Cód.
Penal).
– A alegação de que a ofendida era jovem impudica e libertina,
ainda quando verdadeira, não aproveita à Defesa; tampouco
se mostra poderosa a desviar da cabeça do réu o gládio
implacável da Justiça Penal. É que vítima de estupro toda
mulher pode ser, nada importando seu estado nem condição
(art. 213 do Cód. Penal).
– Não há crime único, senão concurso material entre estupro e
atentado violento ao pudor, se o agente, demais de
constranger a vítima à conjunção carnal, submete-a a toda a
sorte de aberrações do instinto sexual (arts. 213 e 214 do Cód.
Penal).
133

– Àquele que intenta revisão criminal, ação constitutiva


destinada a emendar eventual erro judiciário, toca
demonstrar o desacerto da decisão, à luz das disposições do
art. 621 do Cód. Proc. Penal, sob pena de lhe ser indeferida a
pretensão.

Voto nº 7035

Revisão Criminal nº 495.808-3/5-00


Arts. 12 e 16 da Lei nº 6.368/76;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do


acusado argui para logo a ideia de tráfico (art. 12 da Lei nº
6.368/76).
– Àquele que intenta revisão criminal, ação constitutiva
destinada a emendar eventual erro judiciário, toca
demonstrar o desacerto da decisão, à luz das disposições do
art. 621 do Cód. Proc. Penal, sob pena de lhe ser indeferida
a pretensão.
– Contrária à evidência dos autos é só aquela decisão proferida
com total repúdio dos elementos de prova.
134

Voto nº 7398

Revisão Criminal nº 489.245-3/6-00


Arts. 121, § 2º, nº IV, e 71 do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz


entrar no conhecimento de causa que lhe é submetida, por
prevenir (ou conjurar) possível erro judiciário, o péssimo dos
vícios de julgamento.
–“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse
sempre. O erro é um pressuposto da organização judiciária
que, por isso mesmo, instituiu sobre a instância do julgamento
a instância da revisão” (Milton Campos; apud João Martins de
Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória
apoiada em laudo pericial e nas palavras de testemunhas
presenciais idôneas, antes se reputa bem fundamentada, pois
tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
– Segundo a comum doutrina de graves autores, não há
continuidade delitiva (art. 71 do Cód. Penal), mas simples
reiteração criminosa, se os crimes subsequentes não estão
ligados aos anteriores por vínculo ideológico.
–“A simples habitualidade delituosa descaracteriza a noção
legal do chamado crime continuado” (STF; HC nº 68.626; rel.
Min. Célio Borja; DJU 1º.11.91, p. 15.569).
– Isto de unificação de penas reclama do Magistrado especial
prudência e discernimento, não venha a premiar, com redução
drástica e temerária, a duração de penas de criminosos
empedernidos.
135

– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da


erronia ou injustiça da sentença condenatória, como impõe a
exegese do art. 156 do Cód. Proc. Penal.

Voto nº 6444

Revisão Criminal nº 856.241-3/8


Art. 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
art. 622, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Não configura nulidade simples erro material na formulação


dos quesitos do Júri, perceptível “prima facie” e sem reflexo
na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa.
Trata-se de consequência forçosa da “falibilidade humana,
cujos estigmas ninguém evita neste mundo” (Rui, Obras
Completas, vol. XXIX, t. II, p. 49).
– As nulidades do julgamento em plenário devem ser arguidas
“logo depois de ocorrerem” (art. 571, nº VIII, do Cód. Proc.
Penal), sob pena de preclusão.
–“Não será admissível a reiteração do pedido (de revisão
criminal), salvo se fundado em novas provas” (art. 622, parág.
único, do Cód. Proc. Penal).
136

Voto nº 7901

Revisão Criminal nº 846.713-3/4-00


Arts. 12 e 14 da Lei nº 6.368/76;
arts. 621 e 580 do Cód. Proc. Penal

– É regra de direito positivo que o réu não pode apelar sem


recolher-se à prisão (art. 594 do Cód. Proc. Penal), por força
do que estatui o art. 393, nº I, do mencionado diploma legal,
convém a saber: entre os efeitos da sentença condenatória
inscreve-se o de “ser o réu preso ou conservado na prisão”.
– Eventual excesso da Polícia não implica a impunidade do
autor de crime: “(...) pune-se o responsável pelos excessos
cometidos, mas não se absolve o culpado pelo crime
efetivamente comprovado” (Min. Cordeiro Guerra, A Arte de
Acusar, 1989, p. 35).
–“O valor probante dos indícios e presunções, no sistema de
livre convencimento que o Código adota, é em tudo igual ao
das provas diretas” (José Frederico Marques, Elementos de
Direito Processual Penal, 1961, vol. II, p. 378).
– Àquele que intenta revisão criminal, ação constitutiva
destinada a emendar eventual erro judiciário, toca
demonstrar o desacerto da decisão, à luz das disposições do
art. 621 do Cód. Proc. Penal, sob pena de lhe ser indeferida a
pretensão.
– Contrária à evidência dos autos é só aquela decisão proferida
com total repúdio dos elementos de prova.
–“No caso de concurso de agentes (...), a decisão de recurso
interposto por um dos réus, se fundado em motivos que não
sejam de caráter exclusivamente pessoal, aproveitará aos
outros (art. 580 do Cód. Proc. Penal).
137

–“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida


em regime integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José
Arnaldo; in Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 105,
p. 403).
–“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem que
ser cumprida” (Antão de Moraes, Problemas e Negócios
Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).

Voto nº 8135

Revisão Criminal nº 372.966-3/8-00


Arts. 157, § 2º, nº I, e 148; 213 e 214 do Cód. Penal;
art. 156 do Cód. Proc. Penal;
arts. 1º, nº IV, e 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90

– Comete crime de roubo em concurso material com sequestro


o agente que, após subtrair mediante grave ameaça pertences
da vítima, priva-a da liberdade por considerável espaço de
tempo, com fins libidinosos (arts. 157, § 2º, nº I, e 148 do Cód.
Penal).
–“A palavra da vítima é a viga mestra da estrutura probatória,
e a sua acusação, firme e segura, em consonância com as
demais provas, autoriza a condenação” (Rev. Tribs., vol. 750,
p. 682).
– É questão vencida que, em sede de revisão criminal, toca
ao peticionário provar, com firmeza, que a sentença
condenatória contraveio à realidade dos autos. Na forma do
art. 156 do Cód. Proc. Penal, pertence-lhe o ônus da prova.
138

Voto nº 8007

Revisão Criminal nº 590.477-3/6-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz


entrar no conhecimento da causa que lhe é submetida, por
prevenir (ou conjurar) possível erro judiciário, o péssimo dos
vícios de julgamento.
–“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse
sempre. O erro é um pressuposto da organização judiciária
que, por isso mesmo, instituiu sobre a instância do julgamento
a instância da revisão” (Mílton Campos; apud João Martins de
Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
– Nunca foram mais verdadeiras, do que naqueles casos em que
o réu se obstina a pelejar contra a evidência de sua culpa,
estas palavras de Talleyrand, ministro de Napoleão: A palavra
foi dada ao homem para esconder o pensamento. “La parole
a été donnée à l’homme pour déguiser sa pensée” (apud
Giuseppe Fumagalli, Chi l’ha detto?, 1995, p. 485).
– O réu que é deveras inocente não hesita em afirmá-lo desde o
primeiro instante. Se, na fase policial, preferiu remeter-se a
obliterado silêncio, nisto mesmo deu a conhecer sua culpa. É
que ninguém, exceto se não estiver em seu acordo e razão,
permanece calado, quando devia falar para defender-se de
acusação injusta e infame.
– A palavra da vítima, porque protagonista do fato delituoso,
não se recebe geralmente com reservas, senão como
expressão da verdade, que só a prova do erro ou da má-fé
pode abalar.
– Tão só a decisão que se aparte rudemente das provas incorre
na pecha de contrária à evidência dos autos, não a que as mete
em conta e avalia segundo a luz da razão lógica e as regras do
Direito.
139

Voto nº 8166

Revisão Criminal nº 373.055-3/8-00


Art. 329, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
arts 621, nº I, e 156 do Cód. Proc. Penal

– Embora não deva ter a natureza de segunda apelação, é a


revisão criminal benefício instituído em prol do condenado,
com o escopo de obviar erros em que geralmente caem os
Juízes, suposta a imperfeição do espírito humano. Ao demais,
última oportunidade que a Lei dá ao réu para provar sua
inocência, não é bem mandá-lo mal despachado sem primeiro
ouvi-lo de sua justiça.
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de tal arte que
ao condenado, na conta de autor, incumbe demonstrar que a
sentença caiu em erro ou praticou injustiça (art. 156 do Cód.
Proc. Penal).
–“A pena para crime considerado hediondo deve ser cumprida
em regime integralmente fechado” (STJ; rel. Min. José
Arnaldo; in Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 105,
p. 403).
–“É inútil censurar a lei, pois, enquanto não revogada, tem
que ser cumprida” (Antão de Moraes, Problemas e Negócios
Jurídicos, 1a. ed., vol. I, p. 12).
140

Voto nº 8177

Revisão Criminal nº 376.733-3/4-00


Art. 121, § 2º, ns. I e IV, do Cód. Penal;
arts. 621, 156 e 366 do Cód. Proc. Penal

– No julgamento da revisão criminal, é dever do Juiz


reexaminar a prova dos autos, em ordem a prevenir os efeitos
de decisão eventualmente proferida contra a lei e o Direito.
– Não tem aplicação o art. 366 do Cód. Proc. Penal às infrações
cometidas antes da vigência da Lei no 9.271/96, em vigor a
partir de 17.6.96, conforme a comum opinião de abalizados
processualistas, v.g.: Damásio E. de Jesus, Julio Fabbrini
Mirabete, etc.
– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz
entrar no conhecimento de causa que lhe é submetida, por
prevenir (ou conjurar) possível erro judiciário, o péssimo dos
vícios de julgamento.
–“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse
sempre. O erro é um pressuposto da organização judiciária
que, por isso mesmo, instituiu sobre a instância do julgamento
a instância da revisão” (Milton Campos; apud João Martins de
Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória
apoiada em laudo pericial e nas palavras de testemunhas
presenciais idôneas, antes se reputa bem fundamentada, pois
tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da
erronia ou injustiça da sentença condenatória, como impõe a
exegese do art. 156 do Cód. Proc. Penal.
141

Voto nº 8006

Revisão Criminal nº 878.293-3/5-00


Art. 171, “caput”, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Fraude “é qualquer malicioso subterfúgio para alcançar um


fim ilícito” (Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal,
1980, t. VII, p. 169).
– Incorre nas penas de estelionato aquele que, inculcando-se
mediador entre as partes em negócio imobiliário, causa-lhes
prejuízo, por fraude e induzimento a erro (art. 171, “caput”,
do Cód. Penal).
– O pedido de revisão criminal, por isso mesmo que põe a mira
em romper a coisa julgada, somente se defere quando
amparado em fundamento legal. É mister, pois, demonstre
o peticionário, além de toda a dúvida, que a sentença
condenatória infringiu de rosto a prova dos autos.
– Nisto de revisão criminal prevalece o entendimento de que ao
peticionário incumbe comprovar que a sentença contraveio
aos elementos do processo ou infringiu a Lei e a Justiça, aliás
lhe será indeferida a pretensão por amor da autoridade da
“res judicata” (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
142

Voto nº 8200

Revisão Criminal nº 498.110-3/1-00


Arts. 41 e 622, parág. único, do Cód. Proc. Penal;
art. 12 da Lei nº 6.368/76

– Indeferida a revisão criminal, em dois casos apenas pode ser


de novo intentada: se diverso o fundamento ou “quando
surgirem circunstâncias que beneficiem o condenado” (cf.
Hélio Tornaghi, Curso de Processo Penal, 1980, vol. II, p. 363).
–“Não é admissível a reiteração do pedido revisional, salvo se
fundado em novas provas” (Rev. Forense, vol. 197, p. 320).

Voto nº 8395

Revisão Criminal nº 894.784-3/3-00


Arts. 155, § 4º, ns. I e II, e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 259 e 621 do Cód. Proc. Penal

– Revisão criminal geralmente a admitem graves autores e a


jurisprudência dos Tribunais, “pois que se não concebe haja
alguma decisão que desfrute o privilégio da infalibilidade, ou
possa subsistir com o erro judiciário mais grosseiro, somente
porque já antes, em revisão, houvera um pronunciamento,
também participante consciente desse erro” (José Duarte,
Ato Jurídico e Revisão, 1966, p. 13).
– O exagerado apego ao formalismo pode desfechar em
ofensa ao “princípio da dignidade humana, que consiste
fundamentalmente em não transformar o homem em objeto
da ação estatal” (Do voto do Min. Gilmar Mendes; STF; RHC
nº 82.100-6-RO; 2a. Turma; DJU 1.8.2003, p. 143).
143

– Na conformidade da jurisprudência do Pretório Excelso e da


comum opinião dos doutores, é lícito prover “a tutela da
inocência e o imperativo de justiça do restabelecimento da
verdade sobre fatos que causaram a infelicidade de um
indivíduo” (cf. João Martins de Oliveira, Revisão Criminal, 1a.
ed., p. 130) mediante “habeas corpus” e, com maioria de
razão, pela via processual da revisão, “remedium juris”
destinado a corrigir o erro, quer provenha da falácia dos
juízos humanos, quer seja obra da malícia ou do equívoco
(art. 621 do Cód. Proc. Penal).
–“A qualquer tempo, no curso do processo, do julgamento ou da
execução da sentença, se for descoberta a sua qualificação
(do réu), far-se-á a retificação, por termo, nos autos, sem
prejuízo da validade dos atos precedentes” (art. 259 do Cód.
Proc. Penal).
144

Voto nº 8504

Revisão Criminal nº 495.805-3/1-00


Art. 157, § 1º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 386, ns. IV e VI, e 621 do Cód. Proc. Penal

– A existência de sentença penal condenatória com trânsito em


julgado é pressuposto da revisão criminal (art. 621 do Cód.
Proc. Penal); pelo que, não se conhece de pedido que leve o
fito em alterar o fundamento de absolvição (art. 386, ns. IV e
VI, do Cód. Proc. Penal).
– Admissível em grau de apelação (cf. Rev. Tribs., vol. 526, p.
325), a alteração do fundamento de sentença absolutória pela
via revisional é francamente impossível em face do direito
positivo. Reza, com efeito, o art. 621 do Cód. Proc. Penal que
“a revisão dos processos findos será admitida: I- quando a
sentença condenatória (...)”. Logo, não tem lugar quando
absolutória a sentença.
–“A cláusula sentença condenatória contrária à evidência dos
autos que permite o cabimento da revisão criminal não
compreende a absolvição por insuficiência de provas”
(Revista do Superior Tribunal de Justiça, vol. 15, p. 228; rel.
Min. Willian Patterson).
145

Voto nº 8521

Revisão Criminal nº 373.676-3/1-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, e § 3º, do Cód. Penal;
arts. 621, nº I, e 622, parág. único, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 610 do STF

– Revisão de revisão criminal admitem-na geralmente graves


autores e a jurisprudência dos Tribunais, “pois que se não
concebe haja alguma decisão que desfrute o privilégio da
infalibilidade, ou possa subsistir com o erro judiciário mais
grosseiro, somente porque já antes, em revisão, houvera um
pronunciamento, também participante consciente desse erro”
(José Duarte, Ato Jurídico e Revisão, 1966, p. 13).
– Debaixo da razão de que se deve emendar sempre o erro,
notadamente nos pleitos criminais, previu o legislador
a possibilidade de segunda revisão, porém com esta
advertência: não se admite a reiteração do pedido, “salvo se
fundado em novas provas” (art. 622, parág. único, do Cód.
Proc. Penal).
– A confissão policial, ainda que repudiada em Juízo, autoriza
decreto condenatório se em harmonia com outros elementos
de prova.
–“Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma,
ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima”
(Súmula nº 610 do STF).
– Contrária à evidência é somente aquela decisão que está em
absoluto antagonismo com a prova dos autos (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
146

Voto nº 8779

Revisão Criminal nº 872.790-3/0-00


Arts. 29 e 121, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– No julgamento da revisão criminal, é dever do Juiz


reexaminar a prova dos autos, em ordem a prevenir os efeitos
de decisão eventualmente proferida contra a lei e o Direito.
– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz
entrar no conhecimento de causa que lhe é submetida, por
prevenir (ou conjurar) possível erro judiciário, o péssimo dos
vícios de julgamento.
–“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse
sempre. O erro é um pressuposto da organização judiciária
que, por isso mesmo, instituiu sobre a instância do julgamento
a instância da revisão” (Milton Campos; apud João Martins de
Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória
apoiada em laudo pericial e nas palavras de testemunhas
presenciais idôneas, antes se reputa bem fundamentada, pois
tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da
erronia ou injustiça da sentença condenatória, como impõe a
exegese do art. 156 do Cód. Proc. Penal.
147

Voto nº 9308

Revisão Criminal nº 955.448-3/4-00


Art. 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621 do Cód. Proc. Penal

– As declarações da vítima, se minuciosas e verossímeis, podem


justificar a condenação do autor do roubo, porque, pessoa que
sofreu diretamente a ameaça ou violência, é a que está em
melhores condições de identificá-lo e descrever-lhe a ação
criminosa.
– É consumado o roubo se o agente, embora por breve lapso de
tempo, logrou a posse mansa e tranquila da coisa, longe da
esfera de vigilância da vítima.
– No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir
provas cabais e incontroversas da erronia ou injustiça da
sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa julgada
(art. 621 do Cód. Proc. Penal).
148

Voto nº 9418

Revisão Criminal nº 1.002.503-3/3-00


Arts. 157, § 2º, ns. I, II e V, § 3º, 2a. parte, e 14, nº II, do
Cód. Penal;
art. 202 do Cód. Proc. Penal

– Última oportunidade que a lei defere ao condenado para a


emenda de eventual injustiça ou erro judiciário, não será de
bom exemplo denegar-lhe, “in limine”, a súplica revisional,
exceto nos casos de total inépcia. Profundo conhecedor da
natureza humana, advertiu o grande Vieira: “Nenhum homem
é tão sábio, que não esteja sujeito a errar” (Sermões, 1959,
t. IV, p. 13).
– Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos,
a confissão policial constitui prova idônea de autoria delituosa
e justifica edição de decreto condenatório.
– A palavra da vítima passa por excelente meio de prova e
autoriza decreto condenatório, se em conformidade com os
outros elementos de convicção reunidos no processado.
– A crítica irrogada ao testemunho policial com o intuito de
desmerecê-lo constitui solene despropósito, pois toda a pessoa
pode ser testemunha (art. 202 do Cód. Proc. Penal) e aquela
que, depondo sob juramento, falta à verdade incorre nas
penas da lei, donde a inépcia do raciocínio apriorístico de que
o policial vem a Juízo para mentir.
– Nos crimes de receptação dolosa, porque mui difícil
apurar o elemento subjetivo do tipo, cumpre recorrer às
circunstâncias mesmas do fato e à personalidade do agente
(art. 180 do Cód. Penal).
–“Responde por roubos em concurso formal o sujeito que, num
só contexto de fato, pratica violência ou grave ameaça contra
várias pessoas, produzindo multiplicidade de violações
possessórias” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado,
18a. ed., p. 591).
149

– Em razão do nexo psicológico que une as atividades em


concurso, responde também o corréu por tentativa de
latrocínio, se evidenciado que o agente, pela sequência de
disparos de arma de fogo contra região nobre do corpo da
vítima, obrou com intuito homicida (“animus necandi”), ainda
que, por circunstâncias alheias à sua vontade, não na tenha
conseguido matar nem subtrair-lhe bens (arts. 157, § 3º, 2a.
parte, e 14, nº II, do Cód. Penal).
–“Se a resistência foi praticada após consumado o delito de
roubo, não poderia ser por este absorvida, sendo hipótese,
portanto, de concurso de crimes” (Rev. Tribs., vol. 848, p. 571;
rel. Min. Felix Fischer).
– Nisto de revisão criminal, toca ao réu provar cumpridamente
o erro ou injustiça da sentença condenatória, sob pena de
indeferimento de sua pretensão, por amor da força da coisa
julgada, que passa por verdade incontestável (“Res judicata
pro veritate habetur”).
– A Lei nº 11.464, de 28.3.2007, atenuou o rigor da Lei dos
Crimes hediondos (Lei nº 8.072/90), no que respeita à
progressão no regime prisional de cumprimento de pena. Se o
sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus
ao benefício (art. 2º, § 2º).
150

Voto nº 9581

Revisão Criminal nº 846.421-3/1-00


Arts. 155, § 4º, nº IV, e 14, nº II; 171, “caput”, do Cód.
Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Última oportunidade que a lei defere ao condenado para a


emenda de eventual injustiça ou erro judiciário, não será de
bom exemplo denegar-lhe, “in limine”, a súplica revisional,
exceto nos casos de total inépcia. Profundo conhecedor da
natureza humana, advertiu o grande Vieira: “Nenhum homem
é tão sábio, que não esteja sujeito a errar” (Sermões, 1959,
t. IV, p. 13).
– Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos,
a confissão policial constitui prova idônea de autoria delituosa
e justifica edição de decreto condenatório.
– A palavra da vítima passa por excelente meio de prova e
autoriza decreto condenatório, se em conformidade com os
outros elementos de convicção reunidos no processado.
– Os sistemas de segurança dos estabelecimentos comerciais
não são infalíveis: pode-lhes não raro a malícia frustrar a
eficácia e ensejar a perpetração de delitos. Não se trata, pois,
de crime impossível, mas de tentativa de furto, a ação do
larápio que, após subtrair e ocultar produtos sob as vestes, é
preso à saída de supermercado.
– É réu de estelionato, na forma tentada, o sujeito que,
utilizando-se de cartão de crédito de outrem, cujo nome
assina, adquire produtos em supermercado, mas, descoberta
logo sua fraude, é detido e entregue à Polícia (art. 171 do Cód.
Penal).
151

Voto nº 9901

Revisão Criminal nº 370.142-3/3-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, § 3º, do Cód. Penal;
arts. 395 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.072/90;
art. 112 da Lei de Execução Penal

– Última oportunidade que a lei defere ao condenado para a


emenda de eventual injustiça ou erro judiciário, não será de
bom exemplo denegar-lhe, “in limine”, a súplica revisional,
exceto nos casos de total inépcia. Profundo conhecedor da
natureza humana, advertiu o grande Vieira: “Nenhum homem
é tão sábio, que não esteja sujeito a errar” (Sermões, 1959,
t. IV, p. 13).
– Não anula a ação penal a falta de apresentação de rol de
testemunhas pela Defesa, se teve oportunidade de fazê-lo (art.
395 do Cód. Proc. Penal). “Dormientibus non succurrit jus”.
– Desde que acorde com os mais elementos de prova dos autos,
a confissão policial constitui prova idônea de autoria delituosa
e justifica edição de decreto condenatório.
– Segundo a doutrina finalista da ação — adotada pela reforma
penal de 1984 —, o dolo no latrocínio “abrange os riscos
inerentes à conduta” (cf. Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 18a. ed., p. 602).
– Contrária à evidência é somente aquela decisão que está em
absoluto antagonismo com a prova dos autos (art. 621, nº I, do
Cód. Proc. Penal).
– A Lei nº 11.464, de 28.3.2007, atenuou o rigor da Lei dos
Crimes hediondos (Lei nº 8.072/90), no que respeita à
progressão no regime prisional de cumprimento de pena. Se o
sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus
ao benefício (art. 2º, § 2º).
152

Voto nº 10.047

Revisão Criminal nº 370.910-3/9-00


Arts. 121, § 2º, nº IV, e 59 do Cód. Penal;
arts. 563, 571 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 133 da Const. Fed.

– Nulidade de cunho relativo, a ausência do réu preso à


audiência, por motivo de força maior, desde que regularmente
requisitado, somente se reconhece e declara à vista de prova
cabal do prejuízo e oportuna arguição (arts. 563 e 571 do Cód.
Proc. Penal).
–“O CPP adotou o princípio de que as nulidades se consideram
sanadas, desde que o interessado as não alegue no momento
oportuno” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 22a.
ed., p. 443).
– Àquele que invoca a descriminante legal de legítima defesa
cabe demonstrá-la acima de toda a dúvida, pois aqui a falta de
prova faz as vezes de confissão do crime.
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de arte que ao
condenado, como seu autor, cumpre demonstrar que a
sentença errou ou cometeu injustiça; se não, impossível será
julgar-lhe procedente o pedido.
– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória
apoiada em laudo pericial e nas palavras de testemunhas
presenciais idôneas, antes se reputa bem fundamentada, pois
tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
153

– A Lei nº 11.464/07, atenuou o rigor da Lei dos Crimes


Hediondos (Lei nº 8.072/90), no que respeita à progressão no
regime prisional de cumprimento de pena. Se o sentenciado
primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente
— e conspiram todos os requisitos legais, faz jus ao benefício
(art. 2º, § 2º).

Voto nº 10.077

Revisão Criminal nº 431.498-3/0-00


Arts. 121, § 2º, ns. I e IV, e 59 do Cód. Penal

– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz


entrar no conhecimento de causa que lhe é submetida, por
prevenir (ou conjurar) possível erro judiciário, o péssimo dos
vícios de julgamento.
–“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse
sempre. O erro é um pressuposto da organização judiciária
que, por isso mesmo, instituiu sobre a instância do julgamento
a instância da revisão” (Milton Campos; apud João Martins de
Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
– A denegação de oportunidade para a defesa (e não sua
deficiência) é que nulifica o processo.
– Em pontos de revisão criminal, inverte-se o ônus da prova: ao
peticionário é que toca demonstrar que a decisão ofendeu de
frente a evidência dos autos. Aqui, a dúvida faz contra ele e
prestigia a coisa julgada.
– A Lei nº 11.464, de 28.3.2007, atenuou o rigor da Lei dos
Crimes hediondos (Lei nº 8.072/90), no que respeita à
progressão no regime prisional de cumprimento de pena. Se o
sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus
ao benefício (art. 2º, § 2º).
154

Voto nº 10.589

Revisão Criminal nº 993.02.007201-2


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 288 do Cód. Penal;
arts. 156, 580 e 621 do Cód. Proc. Penal

– Nos casos de roubo, é a palavra da vítima a principal e mais


segura fonte de informação do Magistrado, pois manteve
contacto com o seu autor e não se propõe senão submetê-lo à
Justiça. Pelo que, exceto lhe prove o réu que mentiu ou se
equivocou, suas declarações bastam a acreditar um decreto
condenatório (art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal).
– No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir
provas cabais e incontroversas da erronia ou injustiça da
sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa julgada
(art. 621 do Cód. Proc. Penal).
– Ao autor de roubo convém o regime fechado, que o aconselha
não somente a gravidade do crime, senão ainda sua
personalidade infensa aos preceitos que regem a comunhão
social e caracterizam o viver honesto.
155

Voto nº 10.761

Revisão Criminal nº 993.03.062349-6


Art.121, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LV, da Const. Fed.

– É de bom exemplo ensejar ao sentenciado ocasião para trazer


à luz pública, sempre que o deseje, razões e argumentos em
prol de sua inocência, ou que lhe sirvam a atenuar o castigo.
Pede-o a tradição do Direito, que incluiu entre os seus mais
caros postulados o da amplitude da defesa (art. 5º, nº LV, da
Const. Fed.).
– A Instância Superior, quanto em si caiba, proverá que se
repare o erro ou a injustiça das decisões de primeiro grau de
jurisdição, sem haja mister fulminar-lhes anulação, pois é
sempre matéria de grande repugnância anular processo
penal, que isto representa perda irreparável para a Justiça e
resulta em seu descrédito.
– Àquele que invoca a descriminante legal de legítima defesa
cabe demonstrá-la acima de toda a dúvida, pois aqui a falta de
prova faz as vezes de confissão do crime.
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de arte que ao
condenado, como seu autor, cumpre demonstrar que a
sentença errou ou cometeu injustiça; se não, impossível será
julgar-lhe procedente o pedido.
– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória
apoiada em laudo pericial e nas palavras de testemunhas
presenciais idôneas, antes se reputa bem fundamentada, pois
tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
156

– A Lei nº 11.464/07 atenuou o rigor da Lei dos Crimes


Hediondos (Lei nº 8.072/90), no que respeita à progressão no
regime prisional de cumprimento de pena. Se o sentenciado
primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente
— e conspiram todos os requisitos legais, faz jus ao benefício
(art. 2º, § 2º).

Voto nº 10.763

Revisão Criminal nº 848.644-3/3-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A história humana outra coisa não é que um oceano de erros,


no qual triunfam, a trechos, poucas e confusas verdades
(César Beccaria, Dos Delitos e das Penas, § XVI).
– A confissão, os antigos já a reputavam documento de sumo
alcance na pesquisa da verdade real: “(...) não é um meio de
prova. É a própria prova, consistente no reconhecimento da
autoria por parte do acusado” (Vicente Greco Filho, Manual
de Processo Penal, 1997, p. 229).
– Nos casos de roubo, é a palavra da vítima a principal e mais
segura fonte de informação do Magistrado, pois manteve
contacto com o seu autor e não se propõe senão submetê-lo à
Justiça. Pelo que, exceto lhe prove o réu que mentiu ou se
equivocou, suas declarações bastam a acreditar um decreto
condenatório (art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal).
– Contrária à evidência, ao parecer comum da doutrina, é a
decisão que se desabraça inteiramente das provas dos autos,
de tal sorte que entre ela e o conjunto probatório não há mais
que franca oposição lógica (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
157

– No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir


provas cabais e incontroversas da erronia ou injustiça da
sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa julgada
(art. 621 do Cód. Proc. Penal).
– Ao autor de roubo convém o regime fechado, que o aconselha
não somente a gravidade do crime, senão ainda sua
personalidade infensa aos preceitos que regem a comunhão
social e caracterizam o viver honesto.
–“A periculosidade do agente, revelada pela prática do crime de
roubo qualificado pelo uso de arma e concurso de pessoas,
pode constituir motivação bastante para fixação do regime
inicial fechado” (STF; Min. Maurício Corrêa; Rev. Tribs.,
vol. 790, p. 540).

Voto nº 10.785

Revisão Criminal nº 993.05.049189-7


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– No julgamento da revisão criminal, é dever do Juiz


reexaminar a prova dos autos, em ordem a prevenir os efeitos
de decisão eventualmente proferida contra a lei e o Direito.
– As declarações da vítima, se minuciosas e verossímeis, podem
justificar a condenação do autor do roubo: pessoa que sofreu
diretamente a ameaça ou violência, é a que está em melhores
condições de identificá-lo e descrever-lhe a ação criminosa.
– É consumado o roubo se o agente, embora por breve lapso de
tempo, logrou a posse mansa e tranquila da coisa, longe da
esfera de vigilância da vítima.
– No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir
provas cabais e incontroversas da erronia ou injustiça da
sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa julgada
(art. 621 do Cód. Proc. Penal).
158

Voto nº 10.837

Revisão Criminal nº 993.05.016311-3


Art. 59 do Cód. Penal;
arts. 156, 580 e 621, do Cód. Proc. Penal;
arts. 12, 16 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 33 da Lei nº 11.343/06

– Embora não deva ter a natureza de segunda apelação, é a


revisão criminal benefício instituído em prol do condenado,
com o escopo de obviar erros em que geralmente caem os
Juízes, suposta a imperfeição do espírito humano. Ao demais,
última oportunidade que a Lei dá ao réu para provar sua
inocência, não é bem mandá-lo mal despachado sem primeiro
ouvi-lo de sua justiça.
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de tal arte que
ao condenado, na conta de autor, incumbe demonstrar que a
sentença caiu em erro ou praticou injustiça (art. 156 do Cód.
Proc. Penal).
– A apreensão de grande quantidade de tóxico em poder do
acusado argui para logo a ideia de tráfico (art. 12 da Lei nº
6.368/76).
– A desclassificação do crime do art. 12 da Lei nº 6.368/76 para
o tipo do art. 16 não se mostra atendível, se o réu trazia
consigo e guardava na residência considerável quantidade
de substância entorpecente acondicionada em pacotes,
apreendidos pela Polícia juntamente com pedaços de plástico
e fita adesiva, pois tais circunstâncias revelam que o tóxico se
destinava ao comércio ilícito, e não ao uso próprio.
– A causa de aumento de pena do art. 18, nº III, da Lei nº
6.368/76 (“decorrer de associação”), já não subsiste e, pois,
não pode ser reconhecida à luz da nova Lei de Drogas (Lei nº
11.343/06), que previu a circunstância apenas como crime
autônomo (art. 35).
159

– A Lei nº 11.464, de 28.3.2007, atenuou o rigor da Lei dos


Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90) no que respeita à
progressão no regime prisional de cumprimento de pena. Se o
sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus
ao benefício (art. 2º, § 2º).
– O autor de tráfico de entorpecentes (art. 33 da Lei nº
11.343/06), crime da classe dos hediondos, deve cumprir sua
pena sob o regime inicial fechado, por força do preceito do
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90.

Voto nº 9900

Revisão Criminal nº 370.912-3/8-00


Arts. 121, “caput”, e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621 do Cód. Proc. Penal

– É questão vencida que, em sede de revisão criminal, toca


ao peticionário provar, com firmeza, que a sentença
condenatória contraveio à realidade dos autos. Na forma do
art. 156 do Cód. Proc. Penal, pertence-lhe o ônus da prova.
– Contrária à evidência é só aquela decisão que de todo se
afasta das provas coligidas nos autos.
– É cânon de jurisprudência que não merece deferimento
revisão criminal que se não apóie nos incisos do art. 621 do
Código de Processo Penal.
160

Voto nº 10.917

Revisão Criminal nº 993.06.042981-7


Art. 121, § 2º, ns. II e IV, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LV, da Const. Fed.

– É de bom exemplo ensejar ao sentenciado ocasião para trazer


à luz pública, sempre que o deseje, razões e argumentos em
prol de sua inocência, ou que lhe sirvam a atenuar o castigo.
Pede-o a tradição do Direito, que incluiu entre os seus mais
caros postulados o da amplitude da defesa (art. 5º, nº LV, da
Const. Fed.).
– Não incorre na tacha de contrária à evidência e, portanto, não
autoriza revisão criminal, a sentença condenatória que se
apoia em alguma prova dos autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
–“Tem-se por improcedente a revisão criminal, quando não
ocorre a alegada contradição entre a sentença e a evidência
dos autos” (Rev. Forense, vol. 166, p. 317).
– A Lei nº 11.464/07 atenuou o rigor da Lei dos Crimes
Hediondos (Lei nº 8.072/90), no que respeita à progressão no
regime prisional de cumprimento de pena. Se o sentenciado
primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente
— e conspiram todos os requisitos legais, faz jus ao benefício
(art. 2º, § 2º).
161

Voto nº 10.961

Revisão Criminal nº 993.04.077463-2


Arts. 65, nº III, alínea d, e 159 do Cód. Penal;
arts. 185, 360 e 621 do Cód. Proc. Penal

– Isto de ter sido o réu citado no dia mesmo de seu


interrogatório não invalida nem desmerece o ato judicial; o
que a lei exige é que se lhe dê inteira ciência dos capítulos da
acusação, primeiro que o interrogue a Justiça (art. 185 do
Cód. Proc. Penal).
– A confissão judicial, por seu valor absoluto — visto se
presume feita espontaneamente —, basta à fundamentação do
edito condenatório.
–“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à
redução da pena abaixo do mínimo legal” (Súmula nº 231 do
STJ).
– Nisto de revisão criminal, toca ao réu provar cumpridamente
o erro ou injustiça da sentença condenatória, sob pena de
indeferimento de sua pretensão, por amor da força da coisa
julgada, que passa por verdade incontestável (“Res judicata
pro veritate habetur”).
– A Lei nº 11.464, de 28.3.2007, atenuou o rigor da Lei dos
Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90) no que respeita à
progressão no regime prisional de cumprimento de pena. Se o
sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus
ao benefício (art. 2º, § 2º).
162

Voto nº 11.056

Revisão Criminal nº 993.05.071371-7


Arts. 121, § 2º, nº IV, e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 571, nº VIII, e 621 do Cód. Proc. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 1º, nº I, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº XXXVIII, letra c, da Const. Fed.

– As nulidades do julgamento em plenário devem ser arguidas


“logo depois de ocorrerem” (art. 571, nº VIII, do Cód. Proc.
Penal), sob pena de preclusão.
– Decisão dos jurados não se anula, exceto se proferida contra a
evidência dos autos, pois tem por si a força do preceito
constitucional da soberania dos veredictos do Júri, que lhe
assegura a imutabilidade (art. 5º, nº XXXVIII, letra c, da
Const. Fed.). “Manifestamente contrária à prova dos autos” é
somente a decisão que neles não depara fundamento algum,
constituindo por isso formidável desvio da razão lógica e da
realidade processual.
–“Tem-se por improcedente a revisão criminal, quando não
ocorre a alegada contradição entre a sentença e a evidência
dos autos” (Rev. Forense, vol. 166, p. 317).
– Dado que julgam “ex informata conscientia”, não há impugnar
a decisão dos jurados se depara um mínimo de fundamento na
prova; que tal decisão já não será manifestamente contrária à
prova dos autos.
– A Lei nº 11.464, de 28.3.2007, atenuou o rigor da Lei dos
Crimes hediondos (Lei nº 8.072/90), no que respeita à
progressão no regime prisional de cumprimento de pena. Se o
sentenciado primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram os mais requisitos legais, faz jus
ao benefício (art. 2º, § 2º).
163

Voto nº 11.254

Revisão Criminal nº 993.07.010018-4


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 156, 563, 566 e 621 do Cód. Proc. Penal

– Nulidade de ato processual somente se declara em face de


prova plena e incontroversa de prejuízo às partes, ou se
“houver influído na apuração da verdade substancial ou na
decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód. Proc. Penal).
– No julgamento da revisão criminal, é dever do Juiz
reexaminar a prova dos autos, em ordem a prevenir os efeitos
de decisão eventualmente proferida contra a lei e o Direito.
– As declarações da vítima, se minuciosas e verossímeis, podem
justificar a condenação do autor do roubo: pessoa que sofreu
diretamente a ameaça ou violência, é a que está em melhores
condições de identificá-lo e descrever-lhe a ação criminosa.
– No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir
provas cabais e incontroversas da erronia ou injustiça da
sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa julgada
(art. 621 do Cód. Proc. Penal).
164

Voto nº 11.477

Revisão Criminal nº 993.04.069210-5


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, 329, 14, nº II, e 71, do
Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Nos casos de roubo, é a palavra da vítima a principal e mais


segura fonte de informação do Magistrado, pois manteve
contacto com o seu autor e não se propõe senão submetê-lo à
Justiça. Pelo que, exceto lhe prove o réu que mentiu ou se
equivocou, suas declarações bastam a acreditar um decreto
condenatório (art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal).
– No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir
provas cabais e incontroversas da erronia ou injustiça da
sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa julgada
(art. 621 do Cód. Proc. Penal).
–“Álibi: quem alega deve prová-lo, sob pena de confissão”
(Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado,
23a. ed., p. 159).
– O regime prisional fechado é o compatível com o autor
de roubo, pela muita gravidade do crime, ou pela ruim
personalidade dos que o cometem, sujeitos pelo comum
violentos, que assentaram praça na milícia da maldade.
165

Voto nº 11.594

Revisão Criminal nº 993.05.069763-0


Arts. 121, “caput”, e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXIII da Const. Fed.

– No julgamento da revisão criminal, é dever do Juiz


reexaminar a prova dos autos, em ordem a prevenir os efeitos
de decisão eventualmente proferida contra a lei e o Direito.
– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz
entrar no conhecimento de causa que lhe é submetida, por
prevenir (ou conjurar) possível erro judiciário, o péssimo dos
vícios de julgamento.
–“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse
sempre. O erro é um pressuposto da organização judiciária
que, por isso mesmo, instituiu sobre a instância do julgamento
a instância da revisão” (Milton Campos; apud João Martins de
Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p. 63).
– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória
apoiada em laudo pericial e nas palavras de testemunhas
presenciais idôneas, antes se reputa bem fundamentada, pois
tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da
erronia ou injustiça da sentença condenatória, como impõe a
exegese do art. 156 do Cód. Proc. Penal.
166

Voto nº 11.927

Revisão Criminal nº 993.05.071224-9


Arts. 155, § 4º, ns. I e IV; 14, nº II, e 59 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal

– Antecedentes são fatos da biografia do réu que, no julgamento


das causas criminais, interessam à análise de seu perfil
moral.
– Feita em Juízo, tem a confissão do réu valor absoluto, porque
estreme de eventuais defeitos que a podiam viciar, como a
coação moral. Rainha das provas (“regina probationum”)
chamavam-lhe os velhos praxistas, e tal apanágio ainda lhe
reconhece a jurisprudência dos Tribunais, pelo que autoriza a
edição de decreto condenatório.
–“Quanto mais o sujeito se aproxima da consumação, menor
deve ser a diminuição da pena (um terço); quanto menos ele
se aproxima da consumação, maior deve ser a atenuação
(dois terços)” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado,
19a. ed., p. 55).
167

Voto nº 11.931

Revisão Criminal nº 993.03.008500-1


Art. 155, “caput”, do Cód. Penal;
arts. 621 e 626 do Cód. Proc. Penal

– Revisão criminal: última porta a que pode bater o condenado,


não parece bem mantê-la sistematicamente fechada àqueles
que clamam por justiça.
– Para elidir a autoridade da coisa julgada, é mister que o
sentenciado traga ao Juízo da revisão criminal prova sólida e
convincente de que sua condenação contraveio aos elementos
do processo ou às leis da razão e da justiça (art. 621 do Cód.
Proc. Penal).
– A confissão, máxime se feita perante o Magistrado, tem o
caráter de prova ilustríssima; segundo o famoso Ulpiano,
equipara-se não menos que à coisa julgada: “Confessio habet
vim rei judicatae”.
–“A confissão judicial tem valor absoluto e, ainda que seja o
único elemento de prova, serve como base à condenação”
(Rev. Tribs., vol. 744, p. 573).
– Contrária à evidência é só aquela decisão que de todo se
afaste das provas coligidas nos autos.
– É de indeferir pedido de revisão criminal a peticionário que
não comprove “ad satiem” que a sentença condenatória
incidiu em erro ou quebrantou os preceitos da Justiça (art.
621 do Cód. Proc. Penal).
168

Voto nº 12.041

Revisão Criminal nº 993.05.065063-4


Art. 121, § 2º, nº IV, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº LV, da Cons. Fed.

– É de bom exemplo ensejar ao sentenciado ocasião para trazer


à luz pública, sempre que o deseje, razões e argumentos em
prol de sua inocência, ou que lhe sirvam a atenuar o castigo.
Pede-o a tradição do Direito, que incluiu entre os seus mais
caros postulados o da amplitude da defesa (art. 5º, nº LV, da
Const. Fed.).
– Não incorre na tacha de contrária à evidência e, portanto, não
autoriza revisão criminal, a sentença condenatória que se
apóia em alguma prova dos autos (art. 621, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
–“Tem-se por improcedente a revisão criminal, quando não
ocorre a alegada contradição entre a sentença e a evidência
dos autos” (Rev. Forense, vol. 166, p. 317).
– A Lei nº 11.464/07 atenuou o rigor da Lei dos Crimes
Hediondos (Lei nº 8.072/90), no que respeita à progressão no
regime prisional de cumprimento de pena. Se o sentenciado
primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se reincidente
— e conspiram todos os requisitos legais, faz jus ao benefício
(art. 2º, § 2º).
– O autor de homicídio qualificado (art. 121, § 2º, nº IV, do Cód.
Penal), crime do número dos hediondos, deve cumprir sua
pena sob o regime fechado, no início (art. 2º, § 1º, da Lei
nº 8.072/90).
169

Voto nº 12.201

Revisão Criminal nº 993.05.031075-2


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A história humana outra coisa não é que um oceano de erros,


no qual triunfam, a trechos, poucas e confusas verdades
(César Beccaria, Dos Delitos e das Penas, § XVI).
– A confissão, os antigos já a reputavam documento de sumo
alcance na pesquisa da verdade real: “(...) não é um meio de
prova. É a própria prova, consistente no reconhecimento da
autoria por parte do acusado” (Vicente Greco Filho, Manual
de Processo Penal, 1997, p. 229).
– Nos casos de roubo, é a palavra da vítima a principal e mais
segura fonte de informação do Magistrado, pois manteve
contacto com o seu autor e não se propõe senão submetê-lo à
Justiça. Pelo que, exceto prove o réu que ela mentiu ou se
equivocou, as declarações da vítima bastam a acreditar um
decreto condenatório (art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal).
– Contrária à evidência, ao parecer comum da doutrina, é a
decisão que se desabraça inteiramente das provas dos autos,
de tal sorte que entre ela e o conjunto probatório não há mais
que franca oposição lógica (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
– No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir
provas cabais e incontroversas da erronia ou injustiça da
sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa julgada
(art. 621 do Cód. Proc. Penal).
170

Voto nº 12.202

Revisão Criminal nº 993.06.037099-5


Art. 621 do Cód. Proc. Penal;
art. 12, “caput”, da Lei nº 6.368/76;
Súmula nº 523 do STF

– Última oportunidade que a lei defere ao condenado para a


emenda de eventual injustiça ou erro judiciário, não será de
bom exemplo denegar-lhe, “in limine”, a súplica revisional,
exceto nos casos de total inépcia. Profundo conhecedor da
natureza humana, advertiu o grande Vieira: “nenhum homem é
tão sábio, que não esteja sujeito a errar” (Sermões, 1959, t. IV,
p. 13).
– A mera alegação do réu de ser viciado em entorpecente não
obriga à instauração de incidente de exame de dependência.
Cumpre-lhe apresentar ao Magistrado subsídios que o
inculquem e justifiquem a providência (v.g.: atestado
médico, guia de internação hospitalar, testemunho idôneo,
etc.), em ordem a não atalhar, sem motivo plausível, o curso
do processo, que é movimento dirigido para diante (cf.
Vicente de Azevedo, Curso de Direito Judiciário Penal, 1958,
vol. I, p. 24).
– A mera dúvida sobre a higidez mental do réu ao tempo do fato
criminoso não basta a assegurar-lhe a procedência do pedido
de revisão: há que prová-lo cumpridamente, no processo
autônomo da justificação criminal, sob a garantia do
contraditório.
–“No processo penal, a falta de defesa constitui nulidade
absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova
de prejuízo para o réu” (Súmula nº 523 do STF).
– No Juízo da Revisão Criminal cumpre ao condenado exibir
provas cabais e incontroversas da erronia ou injustiça da
sentença, aliás nada poderá contra a força da coisa julgada (art.
621 do Cód. Proc. Penal).
171

Voto nº 12.312

Revisão Criminal nº 993.05.036086-5


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 213 do Cód. Penal;
art. 621 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90;
art. 5º, nº LV, da Const. Fed.

– É de bom exemplo ensejar ao sentenciado ocasião para trazer


à luz pública, sempre que o deseje, razões e argumentos em
prol de sua inocência, ou que lhe sirvam a atenuar o castigo.
Pede-o a tradição do Direito, que incluiu entre os seus mais
caros postulados o da amplitude da defesa (art. 5º, nº LV, da
Const. Fed.).
– A Instância Superior, quanto em si caiba, proverá que se
repare o erro ou a injustiça das decisões de primeiro grau de
jurisdição, sem haja mister fulminar-lhes anulação, pois é
sempre matéria de grande repugnância anular processo
penal, que isto representa perda irreparável para a Justiça e
resulta em seu descrédito.
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de arte que ao
condenado, como seu autor, cumpre demonstrar que a
sentença errou ou cometeu injustiça; se não, impossível será
julgar-lhe procedente o pedido.
– Não é contrária à evidência dos autos decisão condenatória
apoiada em laudo pericial e nas palavras de testemunhas
presenciais idôneas, antes se reputa bem fundamentada, pois
tem por si prova excelente (art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal).
–“Evidência é o brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi, Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 360).
172

– A Lei nº 11.464/07 atenuou o rigor da Lei dos Crimes


Hediondos (Lei nº 8.072/90), no que respeita à progressão no
regime prisional de cumprimento de pena. Se o sentenciado
primário tiver dela descontado já 2/5 — ou 3/5, se
reincidente — e conspiram todos os requisitos legais, faz jus
ao benefício (art. 2º, § 2º).
– Os homens de circunspecção, persuadidos de não possuir o
dom da inerrância, desconfiam sempre do valor absoluto das
decisões; não lhes faz abalo no espírito reexaminar questão
já sob o selo da coisa julgada, antes o reputam corolário do
sistema jurídico-filosófico da pesquisa da verdade real,
adotado entre nós para o processo.
– Nos casos de estupro, a palavra da vítima, como de quem teve
papel precípuo no evento delituoso, é de especial relevância
para a identificação de seu autor; destarte, exceto lhe prove
alguém tenha obrado com erro ou malícia ao indicar o
culpado, já a vítima lhe está antecipando juízo de condenação,
pois nela se presume o interesse de não querer incriminar
outrem que seu malfeitor (art. 214 do Cód. Penal).
– Não há crime único, senão concurso material entre estupro
e atentado violento ao pudor, se o agente, demais de
constranger a vítima à conjunção carnal, submete-a a toda
a sorte de aberrações do instinto sexual (arts. 213 e 214 do
Cód. Penal).
– Àquele que intenta revisão criminal, ação constitutiva
destinada a emendar eventual erro judiciário, toca
demonstrar o desacerto da decisão, à luz das disposições do
art. 621 do Cód. Proc. Penal, sob pena de lhe ser indeferida
a pretensão.
– A confissão, os antigos já a reputavam documento de sumo
alcance na pesquisa da verdade real: “(...) não é um meio de
prova. É a própria prova, consistente no reconhecimento da
autoria por parte do acusado” (Vicente Greco Filho, Manual
de Processo Penal, 1997, p. 229).
173

Voto nº 12.321

Revisão Criminal nº 993.04.070049-3


Arts. 157, § 2º, nº I, e 61, nº I, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621 do Cód. Proc. Penal

– Embora não deva ter a natureza de segunda apelação, é a


revisão criminal benefício instituído em prol do condenado,
com o escopo de obviar erros em que geralmente caem os
Juízes, suposta a imperfeição do espírito humano. Ao demais,
última oportunidade que a Lei dá ao réu para provar sua
inocência, não é bem mandá-lo mal despachado sem primeiro
ouvi-lo de sua justiça.
– Na revisão criminal inverte-se o ônus da prova, de tal arte que
ao condenado, na conta de autor, incumbe demonstrar que a
sentença caiu em erro ou praticou injustiça (art. 156 do Cód.
Proc. Penal).
– Inexiste quebra do preceito do “non bis in idem” se o
Magistrado fixa ao réu a pena-base além do mínimo legal, pela
nota da reincidência, exasperando-a depois à conta de seus
antecedentes desabonadores e defeituosa personalidade: que
são diversas as causas dos aumentos.
Casos Especiais
(Reprodução integral do voto)
PODER JUDICIÁRIO

1
TRIBUNAL DE ALÇADA CRIMINAL

OITAVO GRUPO DE C ÂMARAS

Revisão Criminal nº 328.254/5


Comarca: São Paulo
Peticionário: AAO

Voto nº 1235
Relator

– Não cessa a Humanidade de


encarecer aos que julgam muita
prudência ao firmar e confirmar
decretos condenatórios. À conta
de certo padeirinho (que fora
obrigado a vestir a alva dos
condenados e a sofrer pena capital
no patíbulo, sendo inocente), reza
a tradição que ainda hoje, em
memória do infausto sucesso,
Veneza conserva, em templo de
fé, duas lâmpadas votivas, que
ardem perpetuamente, e junto
delas esta letra de advertência aos
Juízes: “Recordève del povero
Fornèr” — ou “Ricordatevi del
povero fornaio” (Fumagalli, Chi
l’ha detto?, 1995, p. 170) —, que,
traspassada para o português, soa:
Lembrai-vos do pobre padeirinho!
178

– Todo o escrúpulo se tem por


legítimo, enfim, quando o Juiz
entra a considerar na terrível
realidade de uma sentença
condenatória!

– Comete o crime de apropriação


indébita (art. 168 do Cód. Penal)
o agente que não devolve ao
proprietário, no prazo assinado,
fitas de videocassete que lhe
tomara em locação, pois inverte o
título da posse: de detentor
“alieno nomine” passa a possuidor
“animo domini”.

– O locatário que não restitui fitas


de videocassete a seu dono,
somente não viola o Direito Penal
e pratica apropriação indébita
se comprovar que entre ele e
o locador havia contrato com
cláusula de ressarcimento em
pecúnia; nesse caso, a questão
convola para a esfera do Direito
Civil.

– Para a caracterização de
reincidência, nossos Tribunais
têm preconizado critério rigoroso:
é mister a comprovação do
trânsito em julgado da sentença
condenatória anterior, com
menção da data em que se tornou
irrecorrível (cf. Rev. Tribs., vol.
600, p. 397; apud Damásio E. de
Jesus, Código Penal Anotado,
1998, p. 186).
179

1. Condenado pelo MM. Juízo de Direito da 18a.


Vara Criminal da Comarca da Capital à pena de
1 ano e 2 meses de reclusão e 11 dias-multa, por
infração do art. 168, combinado com o art. 29, do
Código Penal, requer AAO a este Egrégio Tribunal
a revisão de seu processo.

Alega, por distinta Procuradora do Estado,


que a decisão impugnada contrariou a evidência
dos autos; pelo que, em vista daquele a que
chamou frágil conjunto probatório, pleiteia a
absolvição; mas, se o Colendo Grupo de Câmaras
mantiver o edito condenatório, espera lhe defira o
regime semiaberto (fls. 17/20).

A ilustrada Procuradoria-Geral de Justiça,


em minucioso parecer do Dr. Carlos Roberto
Barreto, opina, preliminarmente, pelo não-
-conhecimento do pedido; se conhecido, porém,
que se indefira (fls. 23/27).

É o relatório.

2. A r. sentença, que o peticionário pretende


seja revista, condenou-o porque, no dia 19 de
março de 1993, na Rua Mário Mariani, nesta
Capital, obrando em concurso e unidade de
propósitos com outro indivíduo, apropriou-se de
14 fitas de vídeo VHS gravadas, pertencentes à
180

locadora de propriedade de Benedita Soares


Magro.

Foi o caso que o requerente, de posse das


fitas, não nas devolveu ao estabelecimento da
vítima no termo do prazo de três dias que lhe fora
estipulado; ao contrário, reteve-as consigo.

Ao cabo da persecução criminal, foi


condenado por sentença que, sem recurso,
transitou em julgado (fl. 162 v.).

Põe a mira agora em rescindi-la, pela via


revisional.

3. O alvitre da douta Procuradoria-Geral de


Justiça, de não-conhecimento do pedido, ainda que
se esforce em razão de muito alcance, tem contra
si o princípio geralmente observado neste Egrégio
Tribunal, de que se não devem examinar com
demasiado rigor as hipóteses de admissibilidade
da revisão criminal. A razão é que o pedido
revisional constitui a última oportunidade que
a Lei concede ao condenado de provar sua
inocência.

Demais, a autoridade do caso julgado como


que sobe de ponto, quando confirmada por
segunda instância julgadora.
181

À derradeira, não cessa a Humanidade de


encarecer aos que julgam muita prudência ao
firmar e confirmar decretos condenatórios.

À conta de certo padeirinho (que fora


obrigado a vestir a alva dos condenados e a sofrer
pena capital no patíbulo), sendo inocente, reza a
tradição que ainda hoje, em memória do infausto
sucesso, Veneza conserva, em templo de fé, duas
lâmpadas votivas, que ardem perpetuamente,
e junto delas esta letra de advertência aos
Juízes: “Recordève del povero Fornèr” — ou
“Ricordatevi del povero fornaio” (Fumagalli, Chi
l’ha detto?, 1995, p. 170) —, que, traspassada
para o português, soa: Lembrai-vos do pobre
padeirinho!

Todo o escrúpulo se tem por legítimo, enfim,


quando o Juiz entra a considerar na terrível
realidade de uma sentença condenatória!

Em face do que levo exposto, conheço da


revisão criminal.

4. O argumento-aríete de que se valeu o


peticionário para tentar fazer algum abalo à
decisão condenatória — afronta à evidência dos
autos — carece de procedência.
182

De feito, examinado com tento e diligência


seu conjunto probatório, nenhum outro desfecho
consentiam os autos do processo-crime senão a
condenação do réu.

Interrogado em Juízo, empenhou-se em depor


de si a carga da responsabilidade criminal, ao
afirmar que entregara as fitas ao corréu JFS, seu
primo, com determinação de as restituir à
locadora (fl. 109). O corréu, no entanto, ouvido
à fl. 121, repeliu a acusação e redarguiu que
incumbido de entregar as fitas ficara o
peticionário.

A vítima, essa declarou ter sabido pelo filho


que o peticionário foi quem retirara as
mencionadas fitas (fls. 12 e 123), o que também
significaram os recibos de fl. 13; neles se veem
duas assinaturas autênticas do réu (fl. 89).

Ora, por isso mesmo que não devolveu, no


tríduo emprazado, as fitas que tomara em locação,
praticou o réu apropriação indébita, pois inverteu
o título da posse: de detentor “alieno nomine”
passou a possuidor “animo domini”.

É verdade que, segundo jurisprudência deste


Egrégio Tribunal, a falta de devolução de fita
de videocassete não configura crime se entre
a locadora e o locatário houver contrato
com cláusula de ressarcimento em pecúnia,
183

como consta dos venerandos acórdãos de que


foram relatores os eminentes Juízes Décio
Barretti (RJDTACrimSP, vol. 26, p. 43); Bento
Mascarenhas (ibidem, p. 41) e Rubens Gonçalves
(ibidem, vol. 22, p. 66), etc.

Não fez prova, porém, o peticionário do


vínculo contratual com a empresa-vítima;
tampouco demonstrou haver composto o prejuízo.

Foi mesmo crime de apropriação indébita,


destarte, o que perpetrou, visto se apropriara de
coisa móvel de que tinha a posse direta, e não
na restituiu à sua proprietária.

A condenação, portanto, foi acertada e


merecida. Na fixação da pena-base, pouco acima
do mínimo legal, a r. sentença meteu em linha de
conta os antecedentes, de que o réu não deve
orgulhar-se (fls. 97, 100 e 106).

O MM. Juiz estipulou-lhe o regime fechado,


por sua reincidência. Tal circunstância, no
entanto, não se acha comprovada nos autos. As
certidões de fls. 97, 100 e 106 mencionam
condenação anterior do réu por furto (proc. nº
587/91, da 29a. Vara Criminal); não referem,
contudo, a data do trânsito em julgado; sem o que,
não é lícito reconhecê-la.
184

Deveras, para efeito de reincidência, nossos


Tribunais têm preconizado critério rigoroso:

“É necessária a comprovação do trânsito em


julgado da sentença condenatória anterior,
com menção da data em que se tornou
irrecorrível” (Rev. Tribs., vol. 600, p. 397;
447/422, 561/317 e 575/400; apud Damásio E.
de Jesus, Código Penal Anotado, 1998, p. 186).

Por isso, afastada a nota de reincidência, é de


razão e justiça deferir ao peticionário o benefício
do regime semiaberto.

5. Pelo exposto, conheço da revisão criminal e


defiro-a em parte para fixar ao peticionário o
regime semiaberto.

São Paulo, 22 de novembro de 1998


Carlos Biasotti
Relator
PODER JUDICIÁRIO

2
TRIBUNAL DE ALÇADA CRIMINAL

OITAVO GRUPO DE C ÂMARAS

Revisão Criminal nº 314.876/2


Comarca: São Sebastião
Peticionário: ALSS

Voto nº 878
Relator

– “Ninguém tem o direito de negar o


que a evidência mostra” (Bento de
Faria, Código de Processo Penal,
1960, vol. II, p. 131).

– Nisto de defesa escrita, vem


a ponto a lição do velho Min.
Barradas, que afirmou “não ser de
bom conselho medir pelos ângulos
de um compasso o valor jurídico
de uma peça forense” (Edgard
Costa, Os Grandes Julgamentos do
Supremo Tribunal Federal, vol. I,
p. 34).

– É de indeferir a revisão criminal,


se a decisão condenatória não
fez rosto às provas dos autos,
antes com elas se conformou à
maravilha.
186

1. Irresignado com a r. sentença proferida pelo


MM. Juízo de Direito da 1a. Vara Criminal da
Comarca de São Sebastião, que o condenou a
cumprir, no regime semiaberto, a pena de 4 anos e
8 meses de reclusão e a pagar 10 dias-multa, por
infração do art. 157 do Código Penal, requer ALSS
a este Egrégio Tribunal a revisão de seu processo.

Alega, por sua distinta advogada, que, no


Juízo da condenação, não teve defesa condigna e
eficiente, o que fulminara de nulidade o feito.

No mérito, assevera que a prova é fraca e,


pois, inidônea para definir-lhe a responsabilidade
criminal.

Aguarda, por isso, o deferimento da súplica


revisional, para que seja decretada a nulidade do
processo por insuficiência de defesa; quanto ao
mérito, pleiteia a absolvição, ante a fragilidade da
prova acusatória (fls. 9/14).

A ilustrada Procuradoria-Geral de Justiça,


em esmerado e sólido parecer da Dra. Maria
Tereza do Amaral Dias de Souza, opina “pela
rejeição da matéria preliminar e, no mérito, pelo
indeferimento do pedido” (fls. 17/22).

É o relatório.
187

2. A alegação de nulidade do processo-crime,


por deficiência de defesa, mostra-se de todo o
ponto improcedente.

Deveras, ao contrário do que sustentam as


razões de revisão, teve o réu quem lhe provesse,
com boa exação, a defesa dos direitos e interesses.

Intimada a manifestar-se na forma e para os


efeitos do art. 500 do Código de Processo Penal, a
advogada pugnou pela absolvição do réu: refutou
os argumentos do Ministério Público, contrastou
os depoimentos coligidos durante a instrução
criminal, aferiu a prova e, com o rigor do
raciocínio lógico, demonstrou-lhe a precariedade
para afiançar um edito condenatório.

Fez, pois, quanto estava em suas mãos, para


desviar da cabeça do réu o golpe inexorável do
gládio da Justiça Criminal. Se o não conseguiu,
não há lançá-lo à conta de deficiência da defesa,
mas advertir antes na verdade do brocardo:
“Ninguém tem o direito de negar o que a evidência
mostra” (Bento de Faria, Código de Processo
Penal, 1960, vol. II, p. 131).

Vá que tenha sido conciso e lacônico o


arrazoado de fls. 59/59 v. (o que só admito, sem
conceder); tal circunstância, contudo, não é
poderosa a abater-lhe o valor e os créditos.
188

No papel em que lhe estampou a defesa, a


esforçada patrona do réu logrou compendiar
quantos argumentos havia em seu prol. Mais não
fora mister para que desempenhasse inteiramente
e a preceito o fim que se propusera: defendê-lo
com base nas provas dos autos.

Nisto de defesa escrita, vem aqui de molde a


lição do velho Ministro Barradas, que afirmou
“não ser de bom conselho medir pelos ângulos de
um compasso o valor jurídico de uma peça
forense” (Edgard Costa, Os Grandes Julgamentos
do Supremo Tribunal Federal, vol. I, p. 34).

Destarte, porque o processo não padece do


vício que lhe notou o peticionário, rejeito a
matéria arguida como preliminar.

3. A Justiça de São Sebastião condenou o réu


porque, aos 14 de setembro de 1991, na Rua das
Fantasias, subtraiu para si, mediante violência, a
importância de Cr$ 7.000,00 (sete mil cruzeiros) —
padrão monetário da época —, pertencente a
Jorge Willians Rodrigues dos Santos.

O caso foi que a vítima se dirigia a uma festa,


quando se lhe deparou o réu, que a convidou a ir
até à Rua da Praia, onde — palavras suas formais
— “tinha uma coisa para lhe dar” (fl. 7).
189

A desmaliciada vítima aceitou o convite e


acompanhou-o até ao local. Chegados que foram
aí, o peticionário às súbitas travou do pescoço da
vítima e exigiu lhe entregasse todo o dinheiro que
possuía; no que foi atendido. De posse da carteira
da vítima, o peticionário amarrou-a, com a própria
camisa, à polpa de uma canoa que havia na praia e
abalou do local, com o favor da noite.

A vítima deu parte à Polícia (fl. 5), que entrou


a diligenciar em ordem à localização do autor do
roubo.

Foi, afinal, conduzido o réu ao 1º Distrito


Policial de São Sebastião, onde prestou declarações
(fl. 8).

Com fundamento nessas declarações e nas


que deram as testemunhas e a vítima, o douto
Magistrado houve a bem condená-lo (fls. 61/63).

Agora, mediante revisão criminal, pretende


ser absolvido, debaixo do argumento da falta de
prova.

4. Primeiro que o mais, unicamente em obséquio


ao postulado constitucional da ampla defesa é que
se conhece do pedido, pois não quadra a nenhuma
das hipóteses do art. 621 do Código de Processo
Penal.
190

Intenta o peticionário anular os efeitos de


condenação que, ao invés do que alega sua
combativa advogada, assenta em prova sólida e
irrefragável.

É certo que, neste seu pedido revisional,


reitera a argumentação de que não cometeu roubo
algum, apenas tentou reaver, à fina força, a
quantia que lhe a vítima estava devendo.

Tal defesa, que ensaiara na Polícia e em Juízo


(fls. 6/23), carece todavia de verossimilhança.

De feito, ao réu — que o alegou — incumbia,


segundo a regra do art. 156 do Código de Processo
Penal, demonstrar que era credor da vítima. Não
no fez, porém.

Demais disso, a vítima negou veemente


houvesse contraído algum débito para com o réu
(fl. 29).

A dar-se o caso que a vítima lhe devia a


importância de Cr$ 5.000,00, como declarou,
contudo não esclareceu o réu por que reteve
quantia superior: Cr$ 7.000,00.

Sua versão escusativa, percebe-se logo, não


foi outra que operação fantástica do espírito.
191

5. A r. decisão condenatória — confirmada em


grau de recurso pela colenda 7a. Câmara deste
Egrégio Tribunal, por acórdão unânime de que foi
relator o preclaro Juiz Luiz Ambra (fls. 91/93) —
não fez rosto às provas dos autos; ao contrário,
com elas em tudo se conformou à maravilha.

Vem aqui a lanço, portanto, o ditame da


Jurisprudência:

“Tem-se por improcedente a revisão criminal,


quando não ocorre a alegada contradição
entre a sentença e a evidência dos autos”
(Rev. Forense, vol. 166, p. 317).

6. Pelo exposto, rejeitada a preliminar, indefiro


a revisão criminal.

São Paulo, 22 de abril de 1998


Carlos Biasotti
Relator
PODER JUDICIÁRIO

3
TRIBUNAL DE ALÇADA CRIMINAL

OITAVO GRUPO DE C ÂMARAS

Revisão Criminal nº 337.984/0


Comarca: Suzano
Peticionário: SFN

Voto nº 1404
Relator

– Sem lhe fazer rosto, têm os Juízes,


em alguns casos, quebrado o
formal rigor da Lei, animados do
espírito em que, verdadeiramente,
se resume o ofício de julgar, como
o descreveu o emérito Hélio
Tornaghi: “Os homens dependem
mais da justiça que da lei; muito
mais do juiz que do legislador. É
utilíssimo para um povo ter boas
leis; mas é melhor ainda ter bons
juízes. O bom juiz resiste às leis
manifestamente iníquas, corrige
as imperfeitas, dá polimento e
vida às excelentes e põe em
prática a norma que se aproxima
do ideal. E, sem arranhar
as garantias do jurisdicionado,
encontra meios de fazer justiça”
(Curso de Processo Penal, 1980,
t. I, p. XII).
193

– Não afronta a Lei quem leva a


mira só na Justiça.

– Pelas universais restrições que


se lhe opõem, destituído de
valor probante é o método de
reconhecimento de pessoas por
fotografia, exceto se fortalecido
por outros subsídios de convicção.

– “Se dúvidas surgirem no espírito


do juiz da revisão, a respeito da
justiça ou injustiça da decisão,
só lhe restará rescindir o aresto
condenatório” (José Frederico
Marques, Elementos de Direito
Processual Penal, 1a. ed., vol. IV,
p. 347).

1. SFN, por seu ilustre advogado, ajuizou ação


de Revisão do processo-crime que, pelo MM. Juízo
de Direito da 4a. Vara Criminal da Comarca de
Suzano, lhe moveu a Justiça Pública e no qual foi
condenado a cumprir, sob o regime fechado, a
pena de 5 anos e 4 meses de reclusão, além de 10
dias-multa, por infração do art. 157, § 2º, ns. I e II,
do Código Penal.

Pleiteia a rescisão do edito condenatório que,


afirma, foi proferido contra a evidência dos autos.

Alega que sua condenação não se baseou


mais que em elementos do inquérito e em
reconhecimento fotográfico, provas que tem por
mui frágeis.
194

Destarte, aguarda que, rescindida a coisa


julgada, seja absolvido (fls. 18/21).

A ilustrada Procuradoria-Geral de Justiça,


em criterioso e bem fundamentado parecer do Dr.
Antonio Augusto Mello de Camargo Ferraz, opina
pelo não-conhecimento do pedido, porque o
contrário implicaria dar à revisão criminal a
natureza de recurso, que não possui (fl. 25). Mas,
desde que dela conheça a colenda Câmara, será
força deferi-lo, por “extremamente precária” a
prova de autoria (fl. 26).

É o relatório.

2. Foi denunciado o peticionário porque, no dia


12 de fevereiro de 1992, cerca de 18h20, na
Avenida Jorge Bey Maluf, em Suzano, obrando em
concurso e identidade de propósitos com três
outros indivíduos não-identificados, mediante
grave ameaça exercida com o emprego de armas
de fogo, subtraíra, para si e para outrem, de
Ivan Manoel Martim, um caminhão da marca
Mercedes-Benz L-1418/51, ano 91, placas HR-7418
e carga de defensivos agrícolas, tudo pertencente
a Artur César Passoni Ltda.

Teve curso regular o processo e, ao cabo, foi o


réu condenado.
195

Sem recurso, a r. sentença transitou em


julgado (fl. 196).

Pretende agora o réu, pela via revisional,


reparar a injustiça da condenação.

3. A douta Procuradoria-Geral de Justiça arguiu


preliminar de não-conhecimento da revisão
criminal que, no caso, estaria a fazer as vezes
de apelação.

Previu a lei, de fato, as hipóteses de


cabimento da revisão dos processos findos (art.
621 do Cód. Proc. Penal).

A jurisprudência dos Tribunais, todavia, ao


mesmo passo que professa o entendimento de que
“a revisão é recurso reparatório que não se pode
liberalizar sem desprestígio para a coisa julgada”
(Rev. Forense, vol. 132, p. 237), tem proclamado
que “o instituto da revisão criminal visa, como
última garantia do direito de defesa assegurado
indistintamente a todos os condenados, ao
reexame da sentença condenatória suscetível de
emenda ou reforma nos casos previstos na lei”
(Rev. Forense, vol. 141, p. 381).
196

Os integrantes do colendo 8º Grupo de


Câmaras, sem fazer rosto à Lei, têm-lhe alguma
vez quebrado o formal rigor, animados do espírito
em que, verdadeiramente, se resume o ofício de
julgar, descrito pelo emérito Hélio Tornaghi em
página imortal:

“Na verdade, os homens dependem mais da


justiça que da lei; muito mais do juiz que do
legislador. É utilíssimo para um povo ter boas
leis; mas é melhor ainda ter bons juízes. O
bom juiz resiste às leis manifestamente
iníquas, corrige as imperfeitas, dá polimento
e vida às excelentes e põe em prática a norma
que se aproxima do ideal. E, sem arranhar as
garantias do jurisdicionado, encontra meios
de fazer justiça” (Curso de Processo Penal,
1980, t. I, p. XII).

Destarte, e porque não afronta a lei quem


leva a mira só na justiça, conheço do pedido do
réu.

4. Assaz de razão tem o Dr. Procurador de


Justiça quando, tomando o partido da Defesa,
propõe a rescisão do julgado, pois a prova dos
autos, em extremo precária e coxa, não poderia
senão temerariamente ensejar a condenação do
réu.
197

De feito, não foi o peticionário ouvido nem na


Polícia nem em Juízo.

Na instrução do processo, as vítimas só


discorreram do roubo: não disseram palavra
acerca da identidade de seus prováveis autores
(fls. 148/150); tampouco esclareceram qual foi,
especificamente, a atuação do réu.

Nem se objete que as vítimas o reconheceram


por fotografia (fls. 19 e 21).

Tal argumento, com a devida vênia, não se


afigura poderoso a liquidar a autoria imputada ao
réu. À uma, porque não houve ratificação, em
Juízo, do reconhecimento a que as vítimas nele
teriam procedido. E, o que é mais, às vítimas nem
ao menos se perguntou se haviam reconhecido o
réu.

À outra, porque o perfil sombreado do réu na


foto de fl. 22 não houvera de garantir seguro
reconhecimento.

À derradeira, são universais as restrições


ao método de reconhecimento de pessoas por
fotografia.
198

“A fotografia (escreve Altavilla), esbatendo


os relevos, eliminando o colorido, faz
frequentemente desaparecer importantes
notas diferenciais, o que leva a criar, não
raro, uma correspondência de feição entre
pessoas profundamente diferentes” (apud
Almeida Jr., Lições de Medicina Legal,
7a. ed., p. 546).

Da muita desconfiança com que se devem


receber os reconhecimentos por fotografia é
exemplo eloquente o que traz o erudito Almeida
Jr.:

“Contava-me um fotógrafo (diz por seu turno


Hans Gross) que certa vez, depois de tirado o
retrato de 14 ou 15 soldados, havia recebido
o encargo de mandar uma cópia de cada
fotografia às famílias respectivas. Mas
baralhou os números dos retratos e os
endereços, de sorte que os expediu ao acaso.
Pois bem: não houve nenhuma reclamação!”
(op. cit., p. 546).

Na esfera pretoriana, o reconhecimento


fotográfico só terá algum valor quando
prestigiado por outras provas:
199

a) “Sem nenhum valor probante o


reconhecimento feito. O apontar alguém,
em consulta a álbum fotográfico, quando
muito, com grande boa vontade, poderá
ser ligeiro indício, a ser corroborado por
outros firmes elementos” (JTACrSP, vol.
76, p. 21);

b) “Reconhecimento fotográfico por si só


não tem valia. Para lastrear condenação
tem que vir robustecido por outros
subsídios probatórios” (JTACrSP, vol.
57, p. 242).

Ora, exceto o suspeitíssimo reconhecimento


fotográfico do réu, — assinalou o douto parecer da
Procuradoria-Geral de Justiça — “nada mais o
vincula ao fato” (fl. 27).

Pelo que, ainda fosse o réu um símbolo do


mal, não havia condená-lo com base apenas nesse
indício pálido e esmaecido!

Vem a talho de foice a lição de José Frederico


Marques:
200

“Se dúvidas surgirem no espírito do juiz da


revisão, a respeito da justiça ou injustiça da
decisão, só lhe restará rescindir o aresto
condenatório, desde que as dúvidas forem
de tal porte, que o possam levar a concluir
que a imputação não ficou suficientemente
provada” (Elementos de Direito Processual
Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 347).

5. Em face do que levo exposto, conheço do


pedido e defiro a revisão criminal para absolver o
réu, com fundamento no art. 621, nº I, do Cód.
Proc. Penal. Expeça-se alvará de soltura, se por al
não estiver preso.

São Paulo, 9 de maio de 1999


Carlos Biasotti
Relator
PODER JUDICIÁRIO

4
TRIBUNAL DE ALÇADA CRIMINAL

OITAVO GRUPO DE C ÂMARAS

Revisão Criminal nº 337.984/0


Comarca: Atibaia
Peticionário: FMDP

Voto nº 1196
Relator

– A dar-se o caso que o Juiz incorra


em insidioso erro — o que está na
ordem natural das coisas, pois
“andar sem tropeçar é privilégio
do Sol” (Bluteau, Vocabulário,
1712, Prólogo) —, ponha timbre
em emendá-lo sem detença.

– Não importa a nulidade do


processo a falta de intimação
pessoal da sentença condenatória
ao defensor do réu revel a quem
tenha sido negado o direito
de apelar em liberdade (art. 594
do Cód. Proc. Penal). Por inútil,
fora tal intimação escusável;
inteligência diversa não faria
mais que imolar na ara do frívolo
curialismo.
202

– Contrária à evidência dos


autos é só aquela sentença
que não se ampare em prova
alguma, passando por verdadeira
aberração lógica (art. 621, nº I,
do Cód. Proc. Penal).

– A existência de processos-crimes,
sem condenação, contra o réu
não lhe justifica nem legitima a
especial exacerbação da pena.
Admitir o contrário o mesmo
fora que fazer “tabula rasa”
do princípio da presunção de
inocência que, entre nós, tem
a consagração de garantia
constitucional (art. 5º, nº LVII,
da Const. Fed.).

1. FMDF, de alcunha Chiquinho, requer, por


ilustre e competente advogado, a revisão do
processo-crime a que respondeu perante o MM.
Juízo de Direito da 4a. Vara Criminal da Comarca
de Atibaia e no qual foi condenado a cumprir, no
regime fechado, a pena de 2 anos e 6 meses de
reclusão e 20 dias-multa, por infração do art. 155,
§ 4º, nº IV, do Código Penal.

Alega preliminares de nulidade do processo


por vício de citação e de intimação da sentença ao
peticionário; sustenta que a decisão condenatória
infringiu de rosto as provas dos autos, as quais lhe
não firmaram a certeza da culpabilidade; pelo que,
merecia absolvido; se não, que lhe seja reduzida a
pena, à conta da primariedade, com a modificação
do regime prisional para aberto (fls. 2/12).
203

A ilustrada Procuradoria-Geral de Justiça,


em parecer notável pelo acurado exame a que
procedeu das diversas questões entretidas nos
autos — o que muito honra seu subscritor, o Dr.
Hugo Nigro Mazzilli —, opina pela rejeição das
preliminares; no mérito, pelo deferimento parcial
da revisão para reduzir ao peticionário a pena
imposta e conceder-lhe regime prisional menos
rigoroso (fls. 57/63).

É o relatório.

2. A r. decisão que o peticionário pretende


desconstituir condenou-o porque, no dia 30 de
janeiro de 1990, na virada da noite, na Granja
Yamani, na cidade de Atibaia, obrando em
conjunto e unidade de intuitos com dois outros
indivíduos, subtraíra para si um trator da marca
Massey Fergusson, de propriedade da empresa
Agropecuária Yamani Ltda.

À guisa de preliminar, alegou a nulidade


do processo, uma vez preterida formalidade
essencial à validez de sua citação para os atos e
termos da ação penal.

Com a devida vênia, não lhe acho razão a esse


propósito.
204

De feito, citado por éditos em 17.2.94 (fl. 192)


— pois que o não encontrara o oficial de justiça
para citar até à data de 21.2.94 (fl. 246 v.) —, o
MM. Juiz decretou a revelia do peticionário em
21.3.94 (fl. 208).

Para sua citação e interrogatório, determinou


o MM. Juízo a expedição de carta precatória para
a Comarca de Campo Limpo Paulista (SP).
Frustrada a diligência — que o réu mudara de
endereço: “mudou-se dali” (fl. 246 v.) —, não havia
senão proceder-lhe à citação por edital, em
obséquio ao preceito da lei (art. 361 do Cód. Proc.
Penal).

É verdade que, ao princípio, incorrera o


nobre Juízo em insidioso equívoco, estigmatizando
a ausência do peticionário à audiência de fl. 167
(para a qual não havia sido ao menos citado), o
que, todavia, a tempo se emendou pelo r. despacho
de fl. 190 v., que proveu acerca da citação do réu.

Foram “tropeços iniciais”, como os qualificou


o primoroso parecer de fl. 58. E “andar sem
tropeçar é privilégio do Sol”, escrevera lá um
engenho feliz (Bluteau, Vocabulário, 1712, t. I,
Prólogo).

Em suma: vício algum inquinou o feito-crime


à conta da citação ficta.
205

Vem aqui de molde a jurisprudência do


Colendo Supremo Tribunal Federal:

“Se o réu não é encontrado no local que


indicou como de sua residência, válida é a
citação por edital” (Rev. Trim. Jurisp., vol. 69,
p. 348; apud Damásio E. de Jesus, Código de
Processo Penal Anotado, 13a. ed., p. 237).

Visto lhe falece fomento de Direito, repilo a


prejudicial de nulidade do processo arguida pela
esforçada Defesa.

3. Outro tanto não padece de eiva de nulidade o


processo por defectiva intimação da sentença ao
réu e a seu defensor.

Com efeito, o meirinho foi à procura do réu


para intimá-lo, mas sem êxito feliz (fl. 416).

Donde claramente se mostra que foi


escorreita a intimação do peticionário por edital
(fl. 446).

Pelo que respeita a seu douto patrono, esse


tomou ciência da r. sentença ao intervir nos autos,
pela petição de fl. 496.

Não há, pois, que alegar contra a regularidade


da certidão do trânsito em julgado de fl. 459.
206

Demais — e aqui bate o ponto —, havendo a r.


sentença denegado ao peticionário o direito de
recurso em liberdade, diminui de interesse e
momento a controvérsia. Deveras, que prejuízo
haveria de acarretar a falta de intimação pessoal
da sentença ao patrono do réu revel a quem não
foi assegurado o direito de apelar solto?!

Ainda que recomendável a intimação do


defensor, em caso que tal, sua ausência não
importa nulidade. Inteligência diversa não faria
mais que imolar na ara do frívolo curialismo.

Daqui por que este Egrégio Tribunal tem


professado o entendimento de que, se a sentença
não deferiu ao réu “apelar sem recolher-se à
prisão”, escusada, por inútil, fora “a intimação de
seu defensor” (JTACrSP, vol. 59, p. 276; apud
Damásio E. de Jesus, op. cit., p. 270).

Por tudo isso, é força dar de mão também à


prejudicial de nulidade do processo por defeito de
intimação, no caso inexistente.

4. “De meritis”, a pretensão do peticionário não


é atendível, porquanto não demonstrou tivesse a r.
decisão condenatória contrariado a prova dos
autos. Ao invés, o que os autos contêm, isto mesmo
serviu de base e fundamento ao decreto de
condenação.
207

Realmente, ouvido na fase do inquérito


policial, admitiu o peticionário a prática do furto
do trator, em companhia de LM, de alcunha Dô, e
CM (fls. 16 e 42 do apenso).

Aditou seu interrogatório para esclarecer


que, estacionado o referido veículo defronte da
casa de Dô, apanhou-o ali certo Wanderley, pessoa
de Cambuí-MG (fl. 20 v.), que, na assentada de fl.
22 v., confirmou ter levado o trator para o “sítio do
pai”.

O corréu CM, à fl. 30 dos autos, admitiu


“por verdadeira a acusação”; do mesmo passo,
incriminou Chiquinho, o peticionário.

A vítima, essa narrou as circunstâncias do


furto do trator (fl. 71), que no entanto reouve,
como faz certo o auto de entrega de fl. 12.

Os elementos objetivos de convicção


entranhados nos autos demonstram, além de toda
a dúvida sensata, que o peticionário foi um dos
partícipes do furto descrito na denúncia.

Nesses elementos se fundou a r. sentença


para condená-lo. Tal decisão, portanto, não se
desabraçou da prova, antes foi seu mais genuíno
reflexo.
208

Assim, não pode ter sido contrária à prova


dos autos, como inculca o peticionário.

A lição de Hélio Tornaghi representa, no caso,


a “communis opinio doctorum”:

“A lei, ao conceder a revisão de sentença


condenatória contrária à evidência dos autos,
está a exigir que da prova neles contida surja,
desde logo, o antagonismo com a decisão, que
ele brote, que se faça manifesto. Para isso é
necessário que a condenação não se ampare
em nenhuma prova. Se existem elementos
probatórios pró e contra, e se a sentença,
certa ou errada, se funda em algum deles, não
se pode afirmar que é contra a evidência dos
autos” (Curso de Processo Penal, 1980, vol. II,
p. 361).

Em presença de tudo que fica exposto, hei por


improcedente o pedido de absolvição do réu.

5. Onde, porém, não é lícito desacolher a súplica


revisional é na parte que toca à dosimetria da
pena.

Em verdade, acentuou o judicioso parecer: “A


sentença apartou-se da pena mínima, invocando,
genericamente, os maus antecedentes dos réus”
(fl. 62).
209

Dá-se, contudo, que a folha de antecedentes e


as certidões criminais relativas ao peticionário
(FMDF) não registram condenação outra que a de
que tratam estes autos (cf. fls. 132, 133 e 153).

Ora:

“A submissão de uma pessoa a meros


inquéritos policiais, ou ainda, a persecuções
penais de que não haja derivado qualquer
título penal condenatório, não se reveste de
suficiente idoneidade jurídica para justificar
ou legitimar a especial exacerbação da pena.
Tolerar-se o contrário implicaria admitir
grave lesão ao princípio constitucional
consagrador da presunção de não-
-culpabilidade dos réus ou dos indiciados
(CF, art. 5º, LVII)” (Rev. Tribs., vol. 730, p. 510;
rel. Egydio de Carvalho).

É força, pois, reduzir a pena do réu ao mínimo


legal cominado ao tipo: 2 anos de reclusão e
10 dias-multa, no valor mínimo. Em caso de
revogação, cumprirá sua pena sob o regime
aberto.

Defiro-lhe também, porque presentes os


requisitos legais, o benefício do “sursis”, por
2 anos, mediante as condições do art. 78, § 2º,
alíneas b e c, do Código Penal. Audiência
admonitória, em Primeira Instância.
210

6. Pelo exposto, defiro parcialmente a revisão


criminal para reduzir a pena do peticionário a
2 anos de reclusão e 10 dias-multa, no valor
mínimo legal, com “sursis”.

São Paulo, 3 de novembro de 1998


Carlos Biasotti
Relator
PODER JUDICIÁRIO

5
TRIBUNAL DE ALÇADA CRIMINAL

OITAVO GRUPO DE C ÂMARAS

Revisão Criminal nº 339.960/1


Comarca: Taquarituba
Peticionário: VNA

Voto nº 1475
Relator

– Contrária à evidência dos autos


não é somente a condenação
que se não ampare em prova
alguma; também é aquela
“baseada em prova que se
mostra absolutamente duvidosa
em face da prova contraditória”
(Rev. Forense, vol. 147, p. 409).

– Por falta de prova do intuito


criminoso, é força absolver da
acusação de infrator do art. 150
do Cód. Penal (violação de
domicílio) sujeito que, para
atender a necessidade fisiológica,
entra em garagem particular
aberta. Aquele que obra por esse
teor ofende, certamente, regras
elementares de urbanidade, não
encontra porém o Direito.
212

1. VNA, por ilustre e dedicado patrono, requer


revisão do processo-crime a que respondeu
perante o MM. Juízo de Direito da Comarca de
Taquarituba, por infração do art. 150 do Código
Penal (violação de domicílio), e em que foi
condenado a cumprir, no regime semiaberto, a
pena de 1 mês e 22 dias de detenção.

Alega que a r. sentença condenatória fez rosto


à prova dos autos.

Pleiteia, por isso, com fundamento no art. 621,


nº I, do Código de Processo Penal, a absolvição
(fls. 10/13).

A Procuradoria-Geral de Justiça, em preciso


e edificante parecer do Dr. Pedro Antônio Bueno
Oliveira, opina pelo deferimento do pedido (fls.
17/18).

É o relatório.

2. Contra o peticionário a Justiça Pública


instaurou procedimento criminal porque, no dia
22 de agosto de 1992, cerca das 9h40, na Avenida
Coronel João Quintino, na cidade de Taquarituba,
entrou, clandestina e astuciosamente, na residência
de Jaime Gomes.
213

Reza a denúncia que o peticionário ali entrou,


urinou e saiu.

Comunicado o fato à Polícia, esta interveio e


logrou deter o peticionário, que recebeu voz de
prisão.

Correu o processo os termos de lei; ao final,


foi o réu condenado.

Não se resignou, entretanto, ao desfecho


adverso da lide: comparece agora perante este
colendo Tribunal, protestando inocência.

3. Contrária à evidência dos autos, segundo a


opinião dos mais reputados autores, não é somente
a condenação que se não ampare em prova
alguma; também é aquela “baseada em prova
que se mostra absolutamente duvidosa em face
da prova contraditória” (Rev. Forense, vol. 147,
p. 409), a cujo número pertence a hipótese “sub
judice”.

Com efeito, os elementos de convicção


carreados ao processo não induzem certeza a
respeito da efetiva culpabilidade do réu.
214

Interrogado em Juízo, negou tivesse


“ingressado na residência de Jaime Gomes;
apenas urinou no muro”, pois “tem problema
na bexiga” (fl. 38 v.).

A testemunha João Cabral confirmou-lhe as


palavras: o peticionário urinava “na garagem da
residência de Jaime Gomes” (fl. 51). Acrescentou
que “tal garagem é um local aberto (ibidem)”, o
que aliás, a própria vítima declarou: o local onde o
peticionário urinou dá para a rua, “inexistindo
qualquer portão” (fl. 48).

Ajunta a nobre Defesa que o requerente


padece de “incontinência urinária” (fl. 11);
tangido, pois, da necessidade (“natura premit”),
foi que se acolhera na garagem da vítima; ao cabo
de contas, conforme o velho adágio, “a bexiga fez
mais vítimas que a espada!”.

Além disso — notável circunstância! —, era


aberto o recinto onde entrou o peticionário.

Destarte, com o teor de seu proceder, vá


que tenha violado as regras elementares de
urbanidade; não violou contudo as de Direito.

Faleceu, no caso, realmente, prova do


elemento subjetivo do tipo, isto é, de ter querido o
peticionário entrar, contra a vontade da vítima, na
sua garagem, donde logo se retirou.
215

A conclusão a que veio o distinto Dr.


Procurador de Justiça mostra-se, portanto,
irrefutável: “Parece-nos claro que o revisionando
teve a única intenção de aliviar-se de uma
necessidade fisiológica, nada mais” (fl. 18).

Em suma: ante a ausência de prova do desígnio


criminoso, é força absolver o peticionário.

A lição do Mestre José Frederico Marques


vem aqui a ponto:

“Se dúvidas surgirem no espírito do Juiz da


revisão, a respeito da justiça ou injustiça da
decisão, só lhe restará rescindir o aresto
condenatório, desde que as dúvidas forem de
tal porte que o possam levar a concluir que
a imputação não ficou suficientemente
provada” (Elementos de Direito Processual
Penal, 1965, vol. IV, p. 347).

4. Isto posto, defiro a revisão criminal para


absolver o peticionário (art. 621, nº I, do Cód. Proc.
Penal). Expeça-se-lhe alvará de soltura, se por al
não estiver preso.

São Paulo, 30 de junho de 1999


Carlos Biasotti
Relator
PODER JUDICIÁRIO

6
TRIBUNAL DE ALÇADA CRIMINAL

OITAVO GRUPO DE C ÂMARAS

Revisão Criminal nº 346.582/2


Comarca: São Paulo
Peticionário: RFN

Voto nº 1758
Relator

– Do conjunto probatório, não do


indício fraco e singular, é que o
Juiz formará sua convicção.

– Aquele que deixa correr em


silêncio oportunidade de repelir
imputação de crime, ainda que
exerça direito seu, admite em
certo modo a culpa. É que a
própria razão natural ensina o
homem a defender-se pela palavra
de injusta acusação, sobretudo
quando inocente.
217

– Sentido, os que se extremam em


prestigiar o silêncio, para esta
página imortal do profundo
Vieira: “É cousa tão natural o
responder, que até os penhascos
duros respondem, e para as vozes
têm ecos. Pelo contrário, é tão
grande violência não responder,
que aos que nasceram mudos
fez a natureza também surdos,
porque se ouvissem, e não
pudessem responder, rebentariam
de dor” (Cartas, 1971, t. III,
p. 680).

– Decisão com força de coisa


julgada unicamente se rescinde
em face de prova cabal de ter sido
proferida contra a evidência dos
autos, em desrespeito da Lei ou
com base em documentos ou
testemunhos falsos (art. 621 do
Cód. Proc. Penal).

1. Condenado pelo MM. Juízo de Direito da 6a.


Vara Criminal da Capital à pena de 5 anos e 4
meses de reclusão, por infração do art. 158, § 1º,
do Código Penal (extorsão), RFN requer, por seus
ilustres advogados, a revisão de seu processo.

Alega, na petição de fls. 2/10, que se fundara


sua condenação em depoimentos falsos.

Foi o caso que o decreto condenatório —


afirma o peticionário — teve por alicerce apenas
as “declarações prestadas pela vítima Alfredo
Dorbel Júnior” (fl. 4).
218

Acrescenta que essas declarações, todavia,


eram falsas, como o asseverou a própria vítima
em autos de Justificação Criminal.

Destarte, com fundamento no art. 621, nº II,


do Código de Processo Penal, requer a esta
colenda Corte de Justiça haja por bem julgar-lhe
procedente a revisão e absolvê-lo.

A ilustrada Procuradoria-Geral de Justiça,


em firme e incisivo parecer do Dr. René Pereira
de Carvalho, opina pelo não-conhecimento, “por se
tratar de mera reiteração de pedido revisional
anterior” (fl. 89).

É o relatório.

2. Foi condenado o requerente porque, pelo mês


de junho de 1990, no bairro da Lapa, nesta Capital,
obrando em concurso com três outros indivíduos,
inculcando-se policiais federais, constrangeram a
vítima Alfredo Doberl Júnior, com emprego de
armas de fogo e mediante grave ameaça de
prisão, a entregar-lhes três microcomputadores e
seus acessórios, avaliados em Cr$ 800.000,00
(oitocentos mil cruzeiros), debaixo do argumento
de que se tratava de produtos contrabandeados.
219

Irresignado com o edito condenatório, apelou


para este Egrégio Tribunal, que, por sua colenda
11a. Câmara, lhe negou provimento ao recurso
(fls. 759/771).

Jurando inocência, o peticionário já intentara


a revisão de seu processo. Fizera-o com base no
art. 621, nº III, do Código de Processo Penal, e
amparado em processo de justificação criminal
(cf. apenso).

Pelo ven. acórdão de fls. 27/35, este colendo


Grupo de Câmaras, sem voto discrepante,
indeferiu-lhe o pedido revisional.

Mas o réu não se deixou estar; bem ao revés,


com novo argumento, reaparece perante este
órgão colegiado, insistindo na rescisão da r.
sentença condenatória, fundado agora “em
depoimento comprovadamente falso” (art. 621,
nº II, do Cód. Proc. Penal).

O argumento da falsidade extraiu-o o


peticionário dos depoimentos prestados em
justificação, “pela revelação de circunstâncias do
fato até (agora) desconhecidas dos eminentes
Julgadores” (fl. 7).
220

3. Conquanto o preclaro Dr. Procurador de


Justiça tenha opinado pelo não-conhecimento da
revisão criminal, visto “mera reiteração de pedido
revisional anterior” (fl. 89), dela conheço.

Já antes requereu, com efeito, o peticionário


a rescisão do julgado condenatório, pela Revisão
Criminal nº 301.286/4, cujos autos se acham
acostados aos da presente ação. Arrimou sua
pretensão ao inc. III do art. 621 do Código de
Processo Penal, i.e., em novas provas de inocência
do condenado.

Neste pedido revisional atira também ao alvo


da absolvição, mas estribado no inc. II do art. 621
do referido estatuto processual.

Destarte, suposto aqui se ocupasse o requerente


do depoimento da vítima para impugnar-lhe a
validade, considerou-o sob luz diversa, convém a
saber: a da falsidade.

Por esta razão, conheço do pedido de revisão


criminal.

4. Condenado por extorsão, propõe-se o


peticionário, por seu combativo e douto patrono,
demonstrar que é inocente, apoiado em prova
produzida em processo de Justificação Criminal.
221

Trazida a vítima (Alfredo Doberl Júnior) ao


pretório da Justiça Criminal, para de novo ser
arguida a respeito dos fatos, declarou às fls. 65
e 78 dos autos de Justificação que eram falsos
os reconhecimentos que fizera. Assim, com
supedâneo no argumento da falsidade ideológica,
põe timbre agora a douta Defesa em desconstituir
o decreto de condenação do réu.

Embora a prova ultimamente produzida em


autos de Justiticação Criminal seja apta a fazer
grande impressão no ânimo de quem examine os
autos, não se mostra poderosa, quanta é de si
mesma, a ilidir o caráter incriminador do conjunto
probatório em que assenta a decisão revidenda.

Foram as declarações da vítima prestadas


com intuito nitidamente obsequioso. Afirmou que
o reconhecimento do peticionário, assim na Polícia
como em Juízo, fora falso (fls. 65 e 78); para o que
deu as seguintes razões: temor de represália e
notícia de que uma vítima “tinha sido ameaçada”
(fl. 65).

Tais argumentos, contudo, carecem da força


que lhes havia de conferir solidez e seriedade;
aliás, afiguram-se contraproducentes.
222

Com efeito, disse a vítima que procedeu a


falso reconhecimento do réu, temerosa de
represália. Esqueceu-lhe, todavia, declinar os
nomes das pessoas interessadas em prejudicá-la.

Ainda: o receio de que lhe fosse infligido


algum mal — ensina a lição da experiência vulgar
— haveria de fazer que a vítima afirmasse não ter
reconhecido o autor da extorsão. No caso, porém,
obrou às avessas, isto é, reconheceu como culpado
o inocente. Isto, sim, poderia ser motivo para
represália.

Ao demais, na hipótese de ter sido ameaçada


— pessoa que se presume esclarecida —, cabia à
vítima comunicá-lo à Polícia, ou ao Magistrado
que a inquiriu; não, guardar silêncio a esse
respeito.

5. De outra parte, em documento entranhado


nestes autos de Revisão Criminal — Instrumento
Particular de Declaração (fl. 53) — já ensaiara a
vítima o desiderato de exculpar o réu; alegara
tê-lo reconhecido porque “sugestionado pela
autoridade policial” (fl. 53). Quem fosse,
entretanto, essa autoridade policial, não se dignou
a vítima nomear.
223

Além disso, a justificação que deu para


o reconhecimento do réu em Juízo — “o
reconhecimento, em Juízo, deu-se devido à certeza
de que Ricardo não seria condenado apenas pelos
meus depoimentos falsos” (fl. 53) — faz cegar o
lume da razão.

Na verdade, custa crer pudesse alguém, na


higidez de seu entendimento, escusar-se dizendo
que, embora tivesse incriminado e reconhecido o
autor de delito gravíssimo, a Justiça não faria
caso nem cabedal de seu depoimento.

Falou, pois, avisadamente Vieira:

“Não há cousa mais dificultosa que dar a


razão de uma sem-razão” (Sermões, 1959,
t. IV, p. 139).

6. À derradeira, do conjunto probatório é que o


Juiz forma sua convicção, não do indício fraco e
singular.

É verdade que o peticionário, em seu


interrogatório judicial, declarou, a modo de
defesa, que estava interessado em intermediar a
aquisição de um imóvel para seu cunhado; foi, por
isso, à casa de propriedade do corréu JHF, onde
todos acabaram presos (fl. 373 v.).
224

O próprio peticionário, no entanto, não logrou


dissimular a desconfiança de seu argumento, ao
relatar que, “dois dias antes da data dos fatos
(20.6.90), Murilo veio a adquirir uma casa na zona
Leste” (fl. 195).

Mas, se já seu cunhado havia comprado casa,


não se justifica estivesse o peticionário, no dia dos
fatos, empenhado no negócio imobiliário.

Tal circunstância debilitou de maneira


definitiva o argumento nuclear da Defesa.

À derradeira, ao optar pelo silêncio, no


interrogatório realizado na Corregedoria de
Polícia (fl. 258), é certo que o peticionário exerceu
o direito que lhe assegurava a Constituição
Federal (art. 5º, nº LXIII). No entanto, deixou
correr a melhor oportunidade de afirmar sua
inocência. Ora, salvo se declinar a causa por que
permaneceu calado, não se livrará facilmente da
suspeita de crime. É que a própria razão natural
ensina o homem a defender-se, pela palavra, de
injusta acusação, sobretudo quando inocente.

Sentiu-o o profundo Vieira numa página


imortal:
225

“É cousa tão natural o responder, que até


os penhascos duros respondem, e para
as vozes têm ecos. Pelo contrário, é tão
grande violência não responder, que aos que
nasceram mudos fez a natureza também
surdos, porque se ouvissem, e não pudessem
responder, rebentariam de dor” (Cartas, 1971,
t. III, p. 680).

7. Decisão com força de coisa julgada


unicamente se rescinde em face de prova cabal
de ter sido proferida contra a evidência dos
autos, em desrespeito da Lei ou com base em
documentos ou testemunhos falsos.

Ora, a pretensão do peticionário não cai sob


nenhuma dessas hipóteses.

Logo, é impossível deferi-la, como o tem


proclamado copiosa jurisprudência de nossos
Tribunais:

“Se a prova nova, consubstanciada em


justificação judicial, não ilide todo o acervo
probatório existente nos autos do processo
onde foi ditada a sentença condenatória, e
gera, apenas, estado de dúvida, não se pode
proclamar a absolvição do revisionando, pois
226

a prova produzida, para efeitos revisionais,


deve ser concludente e deixar evidenciada
a inocência do revisionando” (Rev. Tribs.,
vol. 758, p. 656).

8. Pelo exposto, conheço do pedido de revisão


criminal, mas indefiro-o.

São Paulo, 22 de novembro de 1999


Carlos Biasotti
Relator
PODER JUDICIÁRIO

7
TRIBUNAL DE ALÇADA CRIMINAL

OITAVO GRUPO DE C ÂMARAS

Revisão Criminal nº 420.018/4


Comarca: Guarulhos
Peticionário: JAS

Voto nº 4268
Relator

– Os homens de circunspecção,
persuadidos de não possuir o dom
da inerrância, desconfiam sempre
do valor absoluto das decisões;
não lhes faz abalo no espírito
reexaminar questão já sob o selo
da coisa julgada, antes o reputam
corolário do sistema jurídico-
-filosófico adotado entre nós para
o processo: o da pesquisa da
verdade real.

– Apenas ofende a evidência dos


autos a decisão que deles se
aparta às inteiras, não estando
nesse número a que se apoia em
fortes elementos de convicção,
como o reconhecimento seguro do
réu pela vítima de roubo.
228

– Conforme iterativa jurisprudência


dos Tribunais, a palavra da vítima,
se ajustada aos mais elementos
do processo, justifica decreto
condenatório.

–“Se o agente pratica homicídio


tentado e subtração patrimonial
tentada, a doutrina unânime
ensina que responde por tentativa
de latrocínio (art. 157, § 3º, in fine,
c/c o art. 14, II)” (Damásio E.
de Jesus, Código Penal Anotado,
9a. ed., p. 548).

– Na revisão criminal, é do
peticionário o ônus da prova da
erronia ou injustiça da sentença
condenatória, como o impõe a
exegese do art. 156 do Cód. Proc.
Penal.

1. JAS, assistido de advogado, requer a este


Egrégio Tribunal a Revisão do processo-crime nº
625/00, a que respondeu perante o MM. Juízo de
Direito da 5a. Vara Criminal da Comarca de
Guarulhos, no qual foi condenado a cumprir,
debaixo de regime integralmente fechado, a pena
de 10 anos e 5 meses de reclusão, além de 5 dias-
-multa, por infração do art. 157, § 3º, parte final,
conjugado com art. 14, nº II, do Código Penal, e
art. 1º, nº II, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes
Hediondos).
229

Afirma, na petição de fls. 2/12, elaborada com


esmero e competência por seu patrono, que o
conjunto probatório, em extremo frágil e inseguro,
não era apto a definir-lhe a responsabilidade de
autor de tentativa de latrocínio.

Acrescenta que o exame da prova não


permitia aferir, com precisão, tivesse obrado
“necandi animo”.

Requer, por isso, absolvição.

No caso, todavia, que o colendo Grupo de


Câmaras lhe confirmasse o edito condenatório,
pleiteiava a redução da pena em obséquio à
circunstância atenuante obrigatória da menoridade
relativa (art. 65, nº I, do Cód. Penal).

A ilustrada Procuradoria-Geral de Justiça,


em firme e abalizado parecer do Dr. Carlos
Roberto Barretto, opina, preliminarmente, pelo
não-conhecimento do pedido; no mérito, por seu
indeferimento (fls. 25/28).

É o relatório.
230

2. A Justiça Pública submeteu o peticionário a


processo porque, aos 3 de abril de 2000, pelas 22h,
na Rua Eng. Prestes Maia, em Guarulhos, tentou
subtrair para si coisa alheia móvel, mediante
grave ameaça e violência física exercida com
emprego de arma de fogo, somente o não
conseguindo por circunstâncias alheias à sua
vontade.

Foi o caso que, estando Daniel Barros Araújo


a esperar sua namorada defronte da Universidade
de Guarulhos, dele se aproximou o réu e, arma
em punho, anunciou que se tratava de roubo;
determinou-lhe, em seguida, passasse ao outro
banco de seu veículo (Volkswagen/Golf), placa
CCE-8235, o que fez. Ato contínuo, o réu tomou a
direção do automóvel; não logrou, entretanto,
movimentá-lo.

A vítima, aproveitando-se de momentânea


distração do réu, travou-lhe do braço, em disputa
pela posse da arma.

Neste ínterim, o réu deu ao gatilho por três


vezes, na direção da vítima, no intento de matá-la,
para apoderar-se do veículo. Falhou, porém, o
disparo. Nesse ponto, a vítima identificou-se como
policial militar, e pô-lo em fuga; enquanto abalava,
outra vez o réu alvejou a vítima, sem contudo
acertá-la.
231

A vítima, por fim, teve oportunidade de


revidar aos tiros de arma de fogo: primeiro,
efetuou dois disparos “ad astra”; depois, apontando
ao réu conseguiu atingi-lo numa das pernas.

Instaurada a persecução criminal, transcorreu


o processo na forma da lei; ao cabo, a r. sentença
de fls. 99/107 decretou a condenação do réu, o
qual, insatisfeito, apelou. A colenda 11a. Câmara
deste Egrégio Tribunal, por ven. acórdão de que
foi relator o eminente Juiz Wilson Barreira,
negou-lhe provimento ao recurso, por votação
unânime (fls. 232/234).

Inadmitido o recurso especial (fls. 253/254),


pretende agora, já transitada em julgado a decisão
condenatória (fls. 257 do Apenso), a revisão de seu
processo, sob color de afronta à prova dos autos.

3. Tem para si o douto parecer da Procuradoria-


-Geral de Justiça que se não deva conhecer do
pedido do sentenciado “por não se enquadrar em
qualquer das hipóteses do art. 621 do Código de
Processo Penal” (fl. 26); tratar-se-ia, ao demais,
“de mero pedido de reexame da prova produzida e
de reiteração dos argumentos já expendidos nas
duas Instâncias” (fl. 27); à derradeira, “a revisão
não é, nem pode ser considerada, segunda
apelação” (fl. 28).
232

4. Sem embargo da opinião assisada do preclaro


Procurador de Justiça, tenho por mui digna de
ser conhecida, sem quebrantar o selo da “res
judicata”, a presente revisão criminal.

Em todos os tempos, os homens de maior


circunspecção persuadiram-se de que não possuem
o dom da inerrância e, pois, desconfiaram do valor
absoluto de seus juízos. Pelo que, os juízes não se
devem entrar de escrúpulos, quando, mesmo que
debalde, toleram novo exame de questão já
transitada em julgado.

Tal procedimento não é outra coisa que


forçoso corolário do sistema filosófico adotado
pelo legislador do Processo: o da pesquisa da
verdade real.

Esta, a razão por que conheço do pedido de


revisão criminal.

5. Analisada por menor a prova dos autos, fica


patente que a proposição do réu de que a sentença
condenatória contraviera à evidência dos autos
faz injúria à verdade.

Mas, apenas ofende a evidência dos autos


aquela decisão que deles se aparta às inteiras.
Nesse número não se inclui, decerto, a que houve
o réu por convicto de roubo.
233

Com efeito, embora negasse, com ênfase,


a imputação criminosa (fls. 51/52), as palavras
do réu não se mostram fidedignas, visto as
desmentiram as declarações da vítima e de
testemunha, verossímeis e idôneas.

Na verdade, na instrução criminal, a vítima


Daniel Barros de Araújo discorreu da tentativa de
roubo perpetrada pelo réu e dos disparos de arma
de fogo que lhe fez, com a intenção de matá-la
(fl. 69).

Com as declarações da vítima concordam as


da testemunha Janaína Clarisse Oliveira dos
Santos, policial militar, que se encontrava a pouca
distância do sítio dos fatos. Depôs, na fase da
instrução, que viu quando o réu desatava a correr,
“atirando na direção da vítima e esta a disparar
também sua arma” (fl. 66).

A condenação do peticionário, portanto, era


medida a um tempo necessária e justa.

O crime que perpetrou foi mesmo tentativa


de latrocínio, pois que, se o agente pratica
homicídio tentado e subtração patrimonial
consumada, a melhor doutrina assenta que
responde por tentativa de latrocínio: art. 157, § 3º,
in fine, e art. 14, nº II, do Cód. Penal (cf. Damásio
E. de Jesus, Código Penal Anotado, 9a. ed., p. 549).
234

6. A reclamação contra a dosimetria da pena


carece de fundamento legal: ao revés do que
inculca a estrênua Defesa, a r. sentença meteu
em linha de conta a menoridade relativa do réu
(fl. 106); fixou-lhe, contudo, a pena alguma coisa
acima do mínimo legal, em razão de circunstâncias
pessoais manifestamente negativas, “in verbis”:
“o acusado, muito embora seja primário,
demonstrou, com sua conduta, ser um indivíduo
extremamente perigoso, já que, não satisfeito com
o roubo frustrado, na fuga, optou por matar o
ofendido, atirando contra ele” (fl. 105).

A pretensão do peticionário não se ajusta,


para logo se vê, a nenhuma das hipóteses do art.
621 do Código de Processo Penal.

Ora:

“Fiel à tradição do Império, nosso direito


processual penal só admite o recurso de
revisão nos casos de nulidade manifesta ou
injustiça notória da decisão” (Rev. Forense,
vol. 188, p. 353).

7 Pelo exposto, conheço do pedido e indefiro a


revisão criminal.

São Paulo, 29 de novembro de 2002


Carlos Biasotti
Relator
PODER JUDICIÁRIO

8
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

TERCEIRO GRUPO DE C ÂMARAS – SEÇÃO CRIMINAL

Revisão Criminal nº 993.05.071371-7


Comarca: Avaré
Peticionário: FJBP

Voto nº 11.056
Relator

– As nulidades do julgamento em
plenário devem ser arguidas
“logo depois de ocorrerem” (art.
571, nº VIII, do Cód. Proc. Penal),
sob pena de preclusão.

– Decisão dos jurados não se anula,


exceto se proferida contra a
evidência dos autos, pois tem
por si a força do preceito
constitucional da soberania dos
veredictos do Júri, que lhe
assegura a imutabilidade (art. 5º,
nº XXXVIII, letra c, da Const.
Fed.). “Manifestamente contrária
à prova dos autos” é somente a
decisão que neles não depara
fundamento algum, constituindo
por isso formidável desvio da
razão lógica e da realidade
processual.
236

–“Tem-se por improcedente a revisão


criminal, quando não ocorre a
alegada contradição entre a
sentença e a evidência dos autos”
(Rev. Forense, vol. 166, p. 317).

– Dado que julgam “ex informata


conscientia”, não há impugnar a
decisão dos jurados se depara um
mínimo de fundamento na prova;
que tal decisão já não será
manifestamente contrária à prova
dos autos.

– A Lei nº 11.464, de 28.3.2007,


atenuou o rigor da Lei dos Crimes
Hediondos (Lei nº 8.072/90), no
que respeita à progressão no
regime prisional de cumprimento
de pena. Se o sentenciado primário
tiver dela descontado já 2/5 — ou
3/5, se reincidente — e conspiram
os mais requisitos legais, faz jus
ao benefício (art. 2º, § 2º).

1. FJBP, condenado pelo Tribunal do Júri da


Comarca de Avaré à pena de 6 anos de reclusão,
no regime integralmente fechado, por infração do
art. 121, § 2º, nº IV, conjugado com o art. 14, nº II,
do Código Penal, e art. 1º, nº I, da Lei nº 8.072/90,
requer a este Egrégio Tribunal Revisão de seu
processo.

Na petição de fls. 12/20, elaborada por


distinta e competente Procuradora do Estado,
argui nulidade do processo por defeituosa
formulação dos quesitos, que não dera a conhecer
aos jurados, com precisão e clareza, a conduta
237

punível que lhe foi imputada.

A manter-se, porém, o veredicto condenatório,


havia mister desconsiderar o caráter hediondo
do crime que lhe imputou a denúncia.

Também o regime prisional pretende a


Defesa que se modifique para a modalidade
fechada apenas “no início”.

Pleiteia, em suma, absolvição; subsidiariamente,


requer ao colendo Grupo de Câmaras tenha a bem
deferir o pedido revisional, a fim de possibilitar-
-lhe a progressão no regime de cumprimento de
pena.

A ilustrada Procuradoria-Geral de Justiça, em


percuciente e abalizado parecer do Dr. José Antonio
Franco da Silva, opina pelo não-conhecimento do
pedido, ou por seu indeferimento (fls. 22/25).

É o relatório.

2. Foi o peticionário chamado às barras da


Justiça porque, em 5.1.2003, pelas 13h, na Rua
Benedito Camilo de Souza (Brabância), em Avaré,
obrando “necandi animo”, por motivo torpe e
utilizando-se de recurso que dificultou a defesa da
vítima, efetuou disparo de arma de fogo contra
238

Wagner Rodrigues Pereira, nele produzindo os


ferimentos descritos no laudo de exame de corpo
de delito, que somente lhe não causaram a morte
por circunstâncias alheias à sua vontade.

Correu o processo os seus regulares


trâmites e, ao cabo, foi o réu condenado.

Irresignado, ora pleiteia, pela via revisional,


a rescisão do julgamento, sob a alegação de vício
na quesitação dos jurados.

3. No geral sentir dos doutores e segundo a


jurisprudência dos Tribunais, a decisão condenatória
transitada em julgado unicamente se reforma à
vista de prova cabal de que seu prolator caíra em
insidioso erro ou se desabraçara dos imperativos
de justiça.

Com efeito, conforme o preceito do art. 621,


do Código de Processo Penal, a revisão dos
processos findos será admitida: “I – quando a
sentença condenatória for contrária ao texto
expresso da lei penal ou à evidência dos autos;
II – quando a sentença condenatória se fundar
em depoimentos, exames ou documentos
comprovadamente falsos; III – quando, após
a sentença, se descobrirem novas provas de
239

inocência do condenado ou de circunstância que


determine ou autorize diminuição especial da
pena”.

Grande argumento, aliás, da juridicidade e


acerto da r. sentença revidenda depara-nos a
circunstância mesma de que, intimado, preferiu
o réu resignar o direito de apelo.

Em verdade, os elementos de prova dos


autos induzem à indefectível conclusão de que o
peticionário foi o autor do crime de tentativa de
homicídio descrito na denúncia: reconheceram-
-no os jurados por implacável unanimidade de
votos (fl. 306 do Apenso).

A descriminante da legítima defesa — ora


invocada pelo peticionário — não merece
acolhimento, “data venia”, por desamparada de
toda a prova.

Realmente, é antiga nos Tribunais a


inteligência de que, “a reação tardia a uma
agressão injusta a direito próprio desnatura a
excludente da legítima defesa, configurando
vingança, não amparada pelo Direito” (Rev.
Tribs., vol. 582, p. 389; rel. Mauro Pereira).
240

Ainda:

“Não há falar em legítima defesa quando o


pretenso defendente, de algum modo, procede
como agente provocador” (JTACrSP, vol. 62,
p. 282; rel. Dirceu de Mello).

4. A arguição de nulidade do julgamento por


equívoco na redação dos quesitos não colhe,
“data venia”.

Assevera a diligente Defesa não haver nos


autos quesito algum acerca da descriminante da
legítima defesa, embora a tese tenha sido
aventada perante o Juízo monocrático (fl. 13);
pelo que, a seu aviso, não podia o peticionário ter
sido condenado.

O argumento que, de princípio, pudera fazer


algum abalo, descobre, porém, quando examinado
de fito e espaço, natureza artificiosa, que o
enfraquece e invalida.

A redação dos quesitos foi clara (fl. 305 do


Apenso) e satisfizera à “mens legis”, que se
resume a encarecer a necessidade de os jurados
penetrarem o vero sentido da pergunta atinente ao
fato criminoso e sua autoria.
241

Ao demais, o teor literal dos quesitos não


importou prejuízo à Defesa do peticionário, que
nenhum protesto deduziu a esse respeito. A ata
de julgamento, deveras, consignou que “fez a
leitura dos quesitos e indagou às partes se
tinham algum requerimento ou reclamação a
fazer”, “obtendo resposta negativa” (fl. 311 v. do
Apenso).

O patrono da causa, no plenário do júri,


requereu a desclassificação da tentativa de
homicídio “para o crime de lesões corporais
de natureza leve, ante o reconhecimento da
desistência voluntária (art. 15 do Cód. Penal)”
(fl. 311).

Donde a atilada e escorreita observação do


distinto Procurador de Justiça: “(...) o defensor
optou pela linha de defesa que entendeu mais
adequada e lógica, ou seja, desclassificação para
lesão corporal leve, com base na ausência de
animus necandi. Assim sendo, não poderia o
insucesso desta tese gerar a obrigação de
submeter aos jurados outras teses, como quer
fazer crer o subscritor da revisão” (fl. 24).

Releva notar que, ao contrário do que


inculca a petição de fls. 12/20, andou avisado e
patenteou boa intuição do ofício o advogado do
réu, que, em plenário, não fez caso nem cabedal
da inclusão do quesito pertinente à legítima
242

defesa. À uma, porque, afirmando o réu que o


disparo de sua arma foi “acidental” e que “não
pretendia matar ou atingir a vítima” (fl. 304 v.),
no mesmo ponto admitiu não se tratava de
hipótese de legítima defesa, por ausente
requisito subjetivo: não podia prescindir da
vontade de exercer a defesa em face de injusta
agressão. À outra, porque, a dar-se o caso que o
réu insistisse — como faz agora — em submeter
aos jurados a tese da descriminante legal, não
lhe haveria de ser empresa fácil (mas ingente)
demonstrar que, embora atingisse a vítima nas
costas com disparo de arma de fogo (fls. 2 e 19),
obrara em situação de legítima defesa. Foi,
deveras, sensato seu patrono: por não sucumbir nas
tenazes do dilema, preferiu dar de mão à tese a que
o peticionário pretende ora inconsideradamente
recorrer!

À derradeira — e aqui bate o ponto —, as


nulidades do julgamento em plenário devem ser
arguidas “logo depois de ocorrerem” (art. 571, nº
VIII, do Cód. Proc. Penal).

O ven. aresto do Pretório Excelso, abaixo


reproduzido por sua ementa, faz muito ao caso:

“Os quesitos devem ser impugnados pelas


partes depois de sua leitura e explicação
pelo Juiz. Esse é o momento procedimental
adequado para o Ministério Público e o réu
243

reclamarem, sob pena de preclusão quanto à


eventual irregularidade na formulação dos
quesitos (CPP, art. 479). (...) A inexistência
de reclamação ou de protesto assume, nesse
contexto, irrecusável efeito preclusivo” (STF;
HC nº 68.727-DF; 1a. Turma; rel. Min. Celso
de Mello; DJU 28.8.92, p. 13.452).

Em suma, a revisão criminal ajuizada pelo


peticionário, no intento de anular o veredicto do
júri por alegado vício na formulação dos
quesitos, não depara fundamento na razão lógica
nem nas regras de Direito; não há deferi-la, pois.

5. A decisão popular não dissentiu, portanto,


dos elementos do processo, antes lhes guardou
inteira conformidade.

Manifestamente contrária à prova dos autos


é somente aquela decisão que não depara neles
fundamento algum.

Votaram os jurados, enfim, segundo seu


convencimento.

Dado que julgam “ex informata conscientia”,


não há impugnar-lhes a decisão, se depara um
mínimo de fundamento na prova; que tal decisão
já não será manifestamente contrária à prova
dos autos.
244

Com efeito:

“Manifesto é o que é certo (quod certum est),


segundo Strykio. É aquilo que se apresenta
evidente, unívoco e sem possibilidade de
dúvidas. Sem esses atributos, a discordância
entre a prova dos autos e o veredicto não
autoriza a rescisão deste” (José Frederico
Marques, O Júri no Direito Brasileiro, 1955,
p. 193).

Pelo mesmo teor, a jurisprudência dos


Tribunais:

“Decisão manifestamente contrária à prova


dos autos é aquela que não tem apoio em
prova nenhuma, é aquela proferida ao
arrepio de tudo quanto mostram os autos;
é aquela que não tem a suportá-la ou a
justificá-la, um único dado indicativo do
acerto da conclusão adotada” (TJSP; Ap.
Crim. nº 160.831-3/Cubatão; rel. Canguçu de
Almeida; j. 30.3.94).

6. Mas, de tal peso e quilate eram os elementos


que lhe serviram de sustentáculo, que somente
com injúria da verdade poderá alguém afirmar
ter a decisão revidenda contrariado as provas dos
autos!
245

Vem aqui de molde a lição do conspícuo Hélio


Tornaghi:

“A lei, ao conceder a revisão de sentença


condenatória contrária à evidência dos autos,
está a exigir que da prova neles contida surja,
desde logo, o antagonismo com a decisão, que
ele brote, que se faça manifesto. Para isso é
necessário que a condenação não se ampare
em nenhuma prova. Se existem elementos
probatórios pró e contra, e se a sentença,
certa ou errada, se funda em algum deles, não
se pode afirmar que é contra a evidência dos
autos” (Curso de Processo Penal, 1980, vol. II,
p. 361).

Do que fica expendido, facilmente se conclui


que o fundamento que invocou o peticionário
para pleitear a rescisão do julgado — afronta
à evidência dos autos — dista da realidade
processual como a terra dos céus! “Evidência é o
brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi,
op. cit., p. 360).

Este, por igual, é o magistério de nossos


Tribunais:
246

“Tem-se por improcedente a revisão criminal,


quando não ocorre a alegada contradição
entre a sentença e a evidência dos autos”
(Rev. Forense, vol. 166, p. 317).

Não há que opor à quantidade da pena


imposta ao peticionário, com estrita observância
da lei e das circunstâncias do caso.

O regime prisional, esse foi atenuado pela Lei


nº 11.464/2007, que deu nova redação ao art. 2º, § 1º,
da Lei nº 8.072/90 e permitiu a progressão de
regime a autor de crime hediondo, que tenha
cumprido 2/5 da pena, se primário, ou 3/5, se
reincidente, satisfeitos os requisitos do art. 112
da Lei de Execução Penal.

7. Pelo exposto, defiro em parte o pedido de


revisão para fixar ao peticionário o regime
prisional fechado, no início.

São Paulo, 7 de dezembro de 2008


Des. Carlos Biasotti
Relator
PODER JUDICIÁRIO

9
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

TERCEIRO GRUPO DE C ÂMARAS – SEÇÃO CRIMINAL

Revisão Criminal nº 993.06.037099-5


Comarca: Campinas
Peticionário: PNW

Voto nº 12.202
Relator

– Última oportunidade que a lei


defere ao condenado para a
emenda de eventual injustiça ou
erro judiciário, não será de bom
exemplo denegar-lhe, “in limine”,
a súplica revisional, exceto nos
casos de total inépcia. Profundo
conhecedor da natureza humana,
advertiu o grande Vieira: “(...)
nenhum homem é tão sábio, que
não esteja sujeito a errar”
(Sermões, 1959, t. IV, p. 13).
248

– A mera alegação do réu de ser


viciado em entorpecente não obriga
à instauração de incidente de
exame de dependência. Cumpre-lhe
apresentar ao Magistrado subsídios
que o inculquem e justifiquem a
providência (v.g.: atestado médico,
guia de internação hospitalar,
testemunho idôneo, etc.), em ordem
a não atalhar, sem motivo plausível,
o curso do processo, que “é
movimento dirigido para diante”
(cf. Vicente de Azevedo, Curso de
Direito Judiciário Penal, 1958, vol.
I, p. 24).

– A mera dúvida sobre a higidez


mental do réu ao tempo do fato
criminoso não basta a assegurar-lhe
a procedência do pedido de revisão:
há que prová-lo cumpridamente, no
processo autônomo da justificação
criminal, sob a garantia do
contraditório.

–“No processo penal, a falta de


defesa constitui nulidade absoluta,
mas a sua deficiência só o anulará
se houver prova de prejuízo para o
réu” (Súmula nº 523 do STF).

– No Juízo da Revisão Criminal


cumpre ao condenado exibir
provas cabais e incontroversas da
erronia ou injustiça da sentença,
aliás nada poderá contra a força
da coisa julgada (art. 621, do Cód.
Proc. Penal).
249

1. PNW, condenado pelo MM. Juízo de Direito


da 13a. Vara Criminal da Comarca da Capital
à pena de 3 anos de reclusão, sob regime
integralmente fechado e pagamento de 50 dias-
-multa, por infração do art. 12, “caput”, da Lei nº
6.368/76 (tráfico ilícito de entorpecentes), requer
a este Egrégio Tribunal Revisão de seu processo.

Nas razões de seu pedido, apresentadas por


diligente patrono, afirma, preliminarmente, que
faltara a instauração de incidente de insanidade
mental.

No mérito, assevera que no Juízo da


condenação não teve defesa condigna e eficiente,
o que fulminara de nulidade o feito.

Aguarda, por isso, o deferimento da súplica


revisional, para que seja instaurado incidente
de insanidade mental; quanto ao mérito, pleiteia
seja decretada a nulidade do processo por
insuficiência de defesa (fls. 2/11)

A ilustrada Procuradoria-Geral de Justiça,


em detido e circunspecto parecer do Dr. José
Roberto D. Tucunduva, opina pelo indeferimento
do pedido (fls. 124/125).

É o relatório.
250

2. Foi o peticionário chamado às barras da


Justiça porque, em 18.4.2005, pelas 14h30, em
Campinas, trazia consigo dezesseis “trouxinhas”
de cocaína, com peso aproximado de 10 g,
substância entorpecente que causa dependência
física e psíquica, sem autorização e em desacordo
com disposição legal e regulamentar.

Instaurada a persecução criminal, tramitou o


processo na conformidade da lei; ao cabo, a r.
sentença de fls. 70/73 decretou-lhe a condenação.

Outra vez comparece o réu, todavia, perante


esta augusta Corte de Justiça para pleitear a
anulação do processo.

3. Embora disponha o art. 621 do Código de


Processo Penal que a revisão criminal somente
se defere nas hipóteses ali previstas, parece de
bom exemplo ensejar ao sentenciado ocasião
para trazer à luz pública, sempre que o deseje,
razões e argumentos em prol de sua inocência,
ou que lhe sirvam a atenuar o castigo. Pede-o a
tradição do Direito, que incluiu entre os seus
mais caros postulados o da amplitude da defesa.
251

Pelo que, passa por expressão de arbítrio


e certa violência indeferir, “in limine”, ao
condenado revisão criminal, talvez sua última
oportunidade de emendar injustiça e reparar
grave erro judiciário.

Vem aqui de molde o magistério da


Jurisprudência:

“O instituto da revisão criminal visa, como


última garantia do direito de defesa
assegurado indistintamente a todos os
condenados, ao reexame da sentença
condenatória suscetível de emenda ou
reforma nos casos previstos na lei” (Rev.
Forense, vol. 141, p. 381).

Em face do que levo dito, conheço do pedido


de revisão criminal.

4. “In casu” — e isto mesmo ressaltou o


abalizado parecer da Procuradoria-Geral de
Justiça —, conquanto juntasse o requerente ao
pedido peças processuais, em que se alude à sua
falta de higidez mental em determinada época,
não no demonstrou em referência ao presente
feito, como lhe cumpria. As sobreditas cópias
não comprovam, acima de dúvida, padecesse de
doença mental ao tempo do crime.
252

Na esfera da revisão criminal, onde não cabe


dilação probatória, impossível é verificar a
alegada insanidade mental do requerente por
ocasião do crime que perpetrou.

A prova, para ilidir a verdade processual, no


foro da revisão, deve ser pré-constituída, com
obediência ao contraditório.

Na instância da condenação, mediante a


providência cautelar da justificação criminal,
houvera o condenado de produzi-la.

Para esse efeito, é a justificação criminal a


medida adequada, conforme autores de muito
nome:

“Onde, porém, se nos afigura ser a


justificação instrumento específico de
produção probatória, para instruir a ação ou
pedido, é no tocante à revisão criminal”
(José Frederico Marques, Elementos de
Direito Processual Penal, 2a. ed., vol. II,
p. 319).

Destarte, porque o processo não padece do


vício que lhe notou o peticionário, rejeito a
matéria arguida como preliminar.
253

5. A alegação de nulidade do processo-crime, por


deficiência de defesa, mostra-se de todo o ponto
improcedente.

O argumento, a que se arrima a tese do


peticionário, é que ficara totalmente indefeso
nos autos.

As censuras, entretanto, que o nobre


defensor desfecha contra a atuação da advogada
que o precedeu no patrocínio da causa, não se
querem dignas de acolhimento.

De feito, não é bem estigmatizar de inerte


aquela que, ao invés do que afirma seu implacável
censor, esteve presente às audiências, após
regular intimação para todos os atos e termos do
processo; apresentou alegações finais, pugnando
por absolvição; não lhe convém, portanto, a nota
de inerte (fls. 74/77).

Por este mesmo estalão decidiram sempre


nossos Tribunais:

“O que a lei reconhece como nulidade


processual é a negação de ensejo à defesa e
não a desídia ou improficuidade do defensor”
(Idem, ibidem, p. 426).
254

Ora, no particular em causa, foram dadas ao


réu todas as oportunidades para prover à defesa
de seus direitos e interesses.

Atendeu-se, portanto, ao intuito da lei.

À derradeira, não fez prova o peticionário de


haver suportado real prejuízo. A hipótese, pelo
conseguinte, cai sob a letra da Súmula nº 523 do
Colendo Supremo Tribunal Federal: “No processo
penal, a falta da defesa constitui nulidade
absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se
houver prova de prejuízo para o réu”.

6. No que tange à materialidade e autoria do


fato incriminado, nenhuma dúvida subsiste: a
própria Defesa não se arrojou a contestá-lo.

As provas trazidas a estes autos de revisão,


ao demais, não se avantajam aos elementos
recolhidos no processo-crime; pelo que, não se
mostram hábeis a rescindir o edito condenatório.

A prova nova há de ser em extremo firme e


conclusiva da inocência do réu, do erro ou
injustiça da sentença, para que a possa alterar.
255

Em tema de revisão criminal, vige o


princípio de que ao condenado é que incumbe
provar convincentemente que a decisão fez rosto
à evidência dos autos.

Mas, no caso, não se desempenhou o


peticionário desse ônus; sua pretensão, destarte,
não pode ser acolhida.

O ven. julgado, abaixo transcrito por sua


ementa, expõe a melhor inteligência a respeito
da questão:

“Em se tratando de revisão, inverte-se o ônus


de prova. Ao requerente é que cabe fazer a
prova do desacerto da decisão que o
condenou. A ele incumbe demonstrar que
a sentença condenatória foi contrária à
evidência dos autos. Não lhe aproveita o
estado de dúvida que acaso consiga criar no
espírito de seus julgadores” (Rev. Tribs., vol.
275, p. 157).

Ainda:

“No âmbito da revisão, como ocorre uma


inversão do onus probandi, se o condenado
não comprovar o alegado de forma adequada
256

e suficiente, sem deixar qualquer dúvida, a


sua pretensão não poderá ser atendida”
(RJDTACrimSP, vol. 18, p. 196; rel. Benedito
Camargo).

6. Pelo exposto, indefiro o pedido de


revisão criminal.

São Paulo, 10 de setembro de 2009


Des. Carlos Biasotti
Relator
PODER JUDICIÁRIO

10
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

TERCEIRO GRUPO DE C ÂMARAS – SEÇÃO CRIMINAL

Revisão Criminal nº 993.05.036086-5


Comarca: São Paulo
Peticionário: AFVN

Voto nº 12.312
Relator

– É de bom exemplo ensejar ao


sentenciado ocasião para trazer à
luz pública, sempre que o deseje,
razões e argumentos em prol de
sua inocência, ou que lhe sirvam
a atenuar o castigo. Pede-o a
tradição do Direito, que incluiu
entre os seus mais caros postulados
o da amplitude da defesa (art. 5º, nº
LV, da Const. Fed.).

– A Instância Superior, quanto em si


caiba, proverá que se repare o
erro ou a injustiça das decisões
de primeiro grau de jurisdição,
sem haja mister fulminar-lhes
anulação, pois é sempre matéria
de grande repugnância anular
processo penal, que isto representa
perda irreparável para a Justiça e
resulta em seu descrédito.
258

– A confissão, os antigos já a
reputavam documento de sumo
alcance na pesquisa da verdade
real: “(...) não é um meio de
prova. É a própria prova,
consistente no reconhecimento
da autoria por parte do acusado”
(Vicente Greco Filho, Manual de
Processo Penal, 1997, p. 229).

– Nos casos de roubo, é a palavra da


vítima a principal e mais segura
fonte de informação do Magistrado,
pois manteve contacto com o seu
autor e não se propõe senão
submetê-lo à Justiça. Pelo que,
exceto lhe prove o réu que mentiu
ou se equivocou, suas declarações
bastam a acreditar um decreto
condenatório (art. 157, § 2º, ns. I e
II, do Cód. Penal).

– Não é contrária à evidência dos


autos decisão condenatória que
se apoia na confissão do réu,
considerada prova excelente
(“regina probationum”).

–“Evidência é o brilho da verdade


que arrebata a adesão do espírito,
logo à primeira vista” (Hélio
Tornaghi, Curso de Processo
Penal, 1980, vol. II, p. 360).

– Àquele que intenta revisão criminal,


ação constitutiva destinada a
emendar eventual erro judiciário,
toca demonstrar o desacerto da
decisão, à luz das disposições do
art. 621 do Cód. Proc. Penal, sob
pena de lhe ser indeferida a
pretensão.
259

– O autor de estupro, delito da


classe dos hediondos, deve
cumprir sua pena sob o regime
fechado, no início, por força do
preceito do art. 2º, § 1º, da Lei
nº 8.072/90.

1. AFVN, condenado pelo 1a. Vara Criminal da


Comarca de Santos à pena de 10 anos, 10 meses e
20 dias de reclusão, no regime integralmente
fechado, e pagamento de 11 dias-multa
(diminuída para 8 anos de reclusão e 10 dias-
-multa, em grau de recurso, pelo ven. acórdão de
fls. 277/281, relatado pelo eminente Des. Marco
Nahum, da colenda 4a. Câmara Criminal), por
infração do art. 213, “caput”, combinado com o
art. 14, nº II, e 157, ambos conjugados com o art.
69, do Código Penal (estupro tentado e roubo),
requer a este Egrégio Tribunal Revisão de seu
processo.

Na petição de fls. 12/29, elaborada por


distinto e competente Procurador do Estado, argui
nulidade da sentença por ilegitimidade da atuação
do Ministério Público e cerceamento de defesa.

Alega ainda que a r. sentença contrariou


a evidência dos autos; pelo que, devia ser
reformada.
260

Argumenta, por fim que, frágil e precária a


prova de acusação, era de aplicar ao caso a
parêmia “In dubio pro reo”.

Pleiteia, destarte, absolvição, como ato de


justiça.

A manter-se, porém, o veredicto condenatório,


requeria redução da pena e fixação de regime
inicial fechado.

A ilustrada Procuradoria-Geral de Justiça, em


percuciente e abalizado parecer do Dr. Antonio
Lopes Monteiro, opina pelo indeferimento do
pedido (fls. 33/45).

É o relatório.

2. Foi o peticionário chamado às barras da


Justiça porque, em dia do mês de abril de 2002,
pelas 15h, na Rodovia Côn. Domenico Rangoni
(km 252), em Santos, tentou, mediante violência e
grave ameaça, constranger RTS à conjunção
carnal.

Consta ainda que o peticionário, mediante


violência e grave ameaça, lhe subtraiu a bolsa.
261

Instaurada a persecução criminal, tramitou


o processo na conformidade da lei; ao cabo, a
r. sentença de fls. 211/210 condenou o réu, que,
insatisfeito com o êxito adverso do litígio,
apelou.

A colenda 4a. Câmara Criminal deste


Tribunal, pelo ven. acórdão de fls. 361/369, deu
parcial provimento ao recurso do réu, para
reduzir-lhe a pena a 16 anos de reclusão, no
regime fechado e 10 dias-multa.

Outra vez comparece, todavia, perante esta


augusta Corte de Justiça, suspirando pela
absolvição por insuficiência de prova.

3. Embora disponha o art. 621 do Código de


Processo Penal que a revisão criminal somente
se defere nas hipóteses ali previstas, parece de
bom exemplo ensejar ao sentenciado ocasião
para trazer à luz pública, sempre que o deseje,
razões e argumentos em prol de sua inocência,
ou que lhe sirvam a atenuar o castigo. Pede-o a
tradição do Direito, que incluiu entre os seus
mais caros postulados o da amplitude da defesa.

Pelo que, passa por expressão de arbítrio e


certa violência indeferir, “in limine”, ao
condenado revisão criminal, talvez sua última
oportunidade de emendar injustiça e reparar
grave erro judiciário.
262

Vem aqui de molde o magistério da


Jurisprudência:

“O instituto da revisão criminal visa, como


última garantia do direito de defesa
assegurado indistintamente a todos os
condenados, ao reexame da sentença
condenatória suscetível de emenda ou
reforma nos casos previstos na lei” (Rev.
Forense, vol. 141, p. 381).

Em face do que levo dito, conheço do pedido


de revisão criminal.

4. A matéria preliminar suscitada pela Defesa


— i.e., nulidade da ação penal, que se devia iniciar
mediante queixa-crime — não pode ser acolhida,
“data venia”, visto lhe falta sólida base jurídica.

É verdade que, pelo comum, em se tratando


de crime contra os costumes, procede-se
“mediante queixa”; nos casos de miserabilidade
da vítima, porém, a ação penal pública é
condicionada à representação (art. 225, § 1º, nº I,
do Cód. Penal).

Vem a ponto notar que não exige a


representação rigorismo formal:
263

“O ato de representação não depende de


rigorismos formalísticos (STJ, RT 775/561 e
815/537). Assim, como tem entendido o
STF, não depende de fórmula sacramental,
bastando a demonstração de vontade
inequívoca de que o autor do fato criminoso
seja processado (RT 75/322 e 95/578; RT
500/310)” (Damásio E. de Jesus, Código de
Processo Penal Anotado, 22a. ed., p. 51).

Ao demais, a ofendida manifestou o desejo de


processar o réu (fl. 9); estava satisfeita, pois, a
vontade da lei.

Alegar nulidade do processo por defeito de


forma não seria outra coisa, portanto, que imolar
na ara do “frívolo curialismo”.

5. A outra questão prejudicial, ainda que


suscitada com bravura pela Defesa, não se
mostra atendível, “data venia”.

Com efeito, ainda que útil e desejável o


acompanhe em todos os atos do processo, pode o
réu ser interrogado sem a presença de seu
patrono. A razão facilmente se entende: trata-se
de ato personalíssimo e privativo do réu e do Juiz.
264

Esta é a lição comum dos doutores:

“A presença do defensor (no ato de


interrogatório do réu) não é exigida pela lei
(RJDTACrimSP, vol. 14, p. 41). É dispensável.
É ato pessoal do juiz, não estando submetido
ao princípio do contraditório” (Rev. Tribs., vol.
721, p. 534; apud Damásio E. de Jesus, Código
de Processo Penal Anotado, 17a. ed., p. 155).

Por esta mesma craveira tem decidido o


Pretório Excelso:

a) “A ausência de advogado no interrogatório


judicial do acusado não infirma a validade
jurídica desse ato processual. O interrogatório
judicial — que constitui ato pessoal do
magistrado processante — não está sujeito ao
princípio do contraditório” (Rev. Trim. Jurisp.,
vol. 147, p. 219; rel. Min. Celso de Mello);

b) “A jurisprudência desta Corte já se firmou no


sentido de que não se exige mesmo em face
desta Constituição, a presença do advogado
durante o interrogatório de réu maior” (STF,
HC nº 74.737-0, 1a. T; rel. Min. Moreira Alves;
DJU 1.8.97, p. 33.466; apud Alberto Silva
Franco et alii, Código de Processo Penal e sua
Interpretação Jurisprudencial, 1999, vol. I,
p. 86).
265

O apego excessivo à forma há de ceder, por


força, ao princípio da celeridade e da pesquisa da
verdade real, que, pelo comum, orientam os
processos penais.

6. Em todo caso, nulidade de ato processual


somente se declara em face de prova plena e
incontroversa de prejuízo às partes ou se “houver
influído na apuração da verdade substancial ou na
decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód. Proc.
Penal).

De feito, como assinalou o distinto e provecto


Vicente de Azevedo, “se da inobservância da lei
não resultar prejuízo para a Acusação ou para a
Defesa, é realmente um contrassenso declarar
nulo o ato e, em consequência, o processo” (Curso
de Direito Judiciário Penal, 1958, vol. I, p. 269).

Assim, rejeito as preliminares, ainda que


arguidas com engenho e competência pelo
dedicado patrono do réu.

7. No geral sentir dos doutores e segundo


a jurisprudência dos Tribunais, a decisão
condenatória transitada em julgado unicamente
se reforma à vista de prova cabal de que
seu prolator caíra em insidioso erro ou se
desabraçara dos imperativos de justiça.
266

No caso de que se trata, afirma o


peticionário que o conjunto probatório lhe não
afiançava a condenação, visto como assaz
precário e deficiente.

Afirmação é essa, no entanto, que não tem


por si o prestígio da prova.

Consta dos autos, com efeito, que, consultando


o peticionário um periódico para encontrar
mulheres que ofereciam seus serviços como
secretária, mantinha com elas contacto por
telefone e prometia-lhes emprego. Utilizando deste
meio, combinou um encontro com a vítima
Roseane às margens da Rodovia Côn. Domenico
Rangoni, comprometendo-se a levá-la para
entrevista à presença do responsável pela
contratação. Ao ingressar numa estrada vicinal, o
réu afirmou que iria manter conjunção carnal com
a vítima, que passou a gritar. Demais de agredi-la,
o réu ameaçou matá-la, caso o contrariasse.
Arrastou-a para dentro do mato, porém não
consumou seu intento pela aproximação de
pessoas. Antes de empreender fuga, entretanto,
subtraiu a bolsa da vítima.

A Defesa pretende a rescisão do julgado, sob


color de que o conjunto probatório era frágil e
insubsistente.
267

Exame rigoroso dos autos, porém, persuade


que a decisão revidenda respondeu fielmente ao
caráter das provas, dentre essas a própria
confissão do réu, a qual, embora feita na Polícia
(fl. 11 do Apenso), representou fator decisivo para
sua condenação, já que em harmonia com os mais
elementos de convicção do processo.

Faz bem ao intento, por isso, o ven. acórdão


a seguir transcrito por sua ementa:

“Mesmo que retratada em Juízo, considera-se


como prova inequívoca da autoria a
confissão feita pelo agente em inquérito
policial, se acompanhada de outros indícios,
ainda que o depoimento da vítima seja
a única prova, desde que se trate de
pessoa idônea e sem qualquer animosidade
específica contra o réu” (Rev. Tribs., vol. 725,
p. 667).

Além do “confiteor” do réu, na fase do


inquérito, deram peso e relevo aos capítulos da
acusação testemunhos fidedignos.

Com efeito, as declarações, prestadas com


absoluta uniformidade e verossimilhança pela
vítima e testemunha (fls. 75/82 e 93/97 do Apenso),
desfazem de modo implacável as alegações de
inocência do peticionário.
268

Deveras, a vítima — em cujos lábios


repousa, pelo comum, a expressão real dos fatos
— não apenas narrou, com precisão e
verossimilhança, os dolorosos transes que viveu,
senão ainda indicou, sem hesitar, o réu como
a seu autor (fls. 9 e 75/82).

Levado à presença da vítima, esta o


reconheceu, prontamente, como ao autor dos
fatos (fl. 10); outra vítima também o reconheceu
como àquele que a violara, depois de tê-la
subjugado (fls. 83/92).

O estupro — conforme o assinalou o


portentoso Nélson Hungria (Comentários ao
Código Penal, 1981, vol. VIII, p. 116) —, “o
estupro é daqueles crimes que se praticam, por
necessidade mesma do seu êxito, a coberto de
testemunhas (qui clam committi solent)”.

A palavra da vítima, por isso, tem valor


excepcional. Discorrendo do ponto, escreveu
Fernando de Almeida Pedroso:

“A palavra da vítima em sede de crime contra


os costumes, por conseguinte, representa
elemento de suma valia e significativa
importância” (Prova Penal, 2a. ed., p. 79).
269

Pelo mesmo teor, o magistério da


Jurisprudência:

a) “Nos crimes contra os costumes, a palavra


da vítima surge com coeficiente probatório
de ampla valoração, ainda mais se
corroborada pelos demais elementos dos
autos” (Rev. Tribs., vol. 666, p. 295; rel. Jarbas
Mazzoni);

b) “Em tema de delitos sexuais, é verdadeiro


truísmo dizer que quem pode informar da
autoria é quem sofreu a ação. São crimes
que exigem o isolamento, o afastamento de
qualquer testemunha como condição mesma
de sua realização, de sorte que negar crédito
à ofendida quando aponta quem a atacou é
desarmar totalmente o braço repressor da
sociedade” (Rev. Tribs., vol. 442, p. 380).

Não só o estupro, também o crime de roubo


ficou bem comprovado que o réu praticou.

Em verdade, depois da tentativa de estupro, o


réu subtraiu a bolsa à vítima.

8. De tudo o sobredito bem claro se mostra que,


de tal peso e quilate eram os elementos que
serviram de sustentáculo à decisão revidenda, que
só por imprudência ou desatenção poderia alguém
acoimá-la de contrária à evidência dos autos.
270

Cai ao propósito a lição do conspícuo Hélio


Tornaghi:

“A lei, ao conceder a revisão de sentença


condenatória contrária à evidência dos autos,
está a exigir que da prova neles contida surja,
desde logo, o antagonismo com a decisão, que
ele brote, que se faça manifesto. Para isso é
necessário que a condenação não se ampare
em nenhuma prova. Se existem elementos
probatórios pró e contra, e se a sentença,
certa ou errada, se funda em algum deles, não
se pode afirmar que é contra a evidência dos
autos” (Curso de Processo Penal, 1980, vol. II,
p. 361).

Do que fica expendido, facilmente se conclui


que o fundamento que invocou o peticionário para
pleitear a rescisão do julgado — afronta à
evidência dos autos —, dista da realidade
processual como a terra dos céus! “Evidência é o
brilho da verdade que arrebata a adesão do
espírito, logo à primeira vista” (Hélio Tornaghi,
op. cit., p. 360).

Em suma: não comprovou o requerente que a


decisão condenatória se desabraçara das provas
amealhadas nos autos do processo-crime a que
respondeu; tampouco demonstrou contivesse erro
na aplicação da pena. É força indeferir-lhe, pois,
o pedido de revisão criminal, salvo no que
271

respeita ao regime de cumprimento da pena.


Com efeito, o regime integralmente fechado
era o que, tratando-se de crime hediondo,
correspondia à vontade da lei.

Com a promulgação, entretanto, da Lei nº


11.464/07 — que atenuou o rigor da Lei dos
Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90), permitindo
ao condenado progressão de regime segundo o
critério legal: 2/5, se primário, e 3/5, se
reincidente —, o réu, satisfeitos os requisitos
legais, poderá passar a regime mais brando de
cumprimento de pena.

Neste pouco, é mister modificar a disposição


da r. sentença de Primeiro Grau, para fixar ao réu
o regime fechado, no início.

9. Pelo exposto, defiro em parte o pedido de


revisão criminal para fixar ao réu o regime
prisional fechado, no início.

São Paulo, 30 de setembro de 2009


Des. Carlos Biasotti
Relator
*

* (Do livro Advocacia Criminal , 3a. ed., pp. 100-103;


autor: Carlos Biasotti ; Millennium Editora Ltda.).
279

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da


_a. Vara Criminal da Comarca da Capital

(Nome do sentenciado), por seu advogado


infra-assinado (doc. 1), vem, mui respeitosamente,
perante Vossa Excelência, nos melhores de direito,
requerer Justificação, pelos fatos, fundamentos e
para os fins seguintes:

I – Dos Fatos

1. Por suposta violação do art. 157, § 2º, ns. I e


II, do Código Penal, foi condenado o peticionário
pelo MM. Juízo de Direito da 1a. Vara Criminal da
Comarca da Capital à pena de 6 anos e 8 meses de
reclusão, além de multa.
Irresignado, apelou da r. sentença para o
Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo, que lhe proveu o recurso para “fixar as
penas em 5 anos e 4 meses de reclusão e 13 dias-
-multa” (doc. 2).
280

Pretende agora a revisão do processo, para


o que reputa necessária a produção de prova
até aqui impossível. Donde o requerê-la a Vossa
Excelência por esta via judicial.

II – Da Propriedade da Medida

2. Conquanto não a regulamentasse o Código


de Processo Penal, é indisputável que, por
interpretação analógica das regras do Processo
Civil, a justificação tem por si o aval da Doutrina
e da Jurisprudência.

José Frederico Marques, cujos dotes de


processualista exímio os mais dos juristas
reconhecem e proclamam, discorreu do tema
nesta substância:
“As chamadas justificações avulsas são as
requeridas para prova de fatos que, não
constituindo, na atualidade, objeto de litígio,
possam futuramente interessar o justificante
na defesa ou conservação de direitos, ou de
cuja verificação possa interessar, presente ou
futuramente, para fins diversos, inclusive os de
ordem juridico-penal”.

E, passos adiante:
281

“Onde, porém, se nos figura ser a justificação


instrumento específico de produção probatória,
para instruir ação ou pedido, é no tocante
à revisão criminal” (Elementos de Direito
Processual Penal, 2a. ed., vol. II, pp. 318-319).

Pelo mesmo teor, a jurisprudência dos


Tribunais:
“Constitui matéria pacífica, tanto na doutrina
como na jurisprudência, o cabimento de justificação
no processo criminal” (Rev. Tribs., vol. 469, p. 374).
Ainda: Cf. Damásio E. de Jesus, Código de
Processo Penal, 19a. ed., p. 142.

De tudo o sobredito claramente se colhe que é


a justificação penal meio idôneo para a obtenção
de provas.

III – Da Competência

3. Matéria a que não faleciam disceptações


e controvérsias, é essa da competência para
o conhecimento do processo autônomo de
justificação: se o Juízo da condenação, se o a que
fosse distribuída. À luz da melhor jurisprudência,
entretanto, está hoje além dúvida que competente
para o processamento de justificação é o Juízo a
que for distribuída:
282

“Quanto à competência, por tratar-se de


processo não vinculativo, cabe ao Juízo a quem for
distribuída e não ao da ação principal, mormente
já estando sentenciado o feito (Rev. Tribs.,
vol. 280, p. 169). É que não vige(1) o princípio da
identidade física na esfera penal. Nem se aleguem
razões de segurança na produção da prova,
porquanto o juiz não está impedido de requisitar
os autos da ação principal, para o seu melhor
exame, tendo presente a justificação” (Rev. Tribs.,
vol. 468, p. 374).

IV – Dos Pontos e Razões de Justificação

4. Em bem de sua defesa, requer o suplicante


a Vossa Excelência, com o mais profundo
acatamento, digne-se deferir a realização dos
seguintes atos e diligências:
Submissão do peticionário ao detector de
mentiras, ou polígrafo. Na Polícia, repeliu, com a
veemência de que só os inocentes são capazes, a
imputação do crime por que(2) foi condenado.
Só o corréu o incriminou; suas declarações,
todavia, considera-as o peticionário fruto, se não
da malícia, do equívoco certamente.
283

Ao demais, tem por si álibi(3) fortíssimo: no


dia do fato estava em seu local de trabalho, como
faz prova o documento que instrui este pedido e
irá demonstrá-lo ainda com testemunhas maiores
de toda a exceção.

Revel — que, por haver-se mudado de


residência, não o encontrara para citar o oficial de
justiça —, não pôde o peticionário provar
cabalmente sua inocência; quer fazê-lo agora.
Suposto não fosse o produto do roubo achado
em seu poder, condenou-o a Justiça, firme nas
palavras do corréu. Mas — e aqui bate o ponto —,
“como dizia o ilustre advogado italiano Bentin, o
reconhecimento e a chamada do corréu são os
dois braços da cruz em que se prega a inocência”
(Nélson Hungria, A Pena de Morte no Brasil,
in Revista Brasileira de Criminologia e Direito
Penal, 1967, nº 17, p. 20).

Destarte, para que suas palavras não sejam


increpadas de falazes ou infidedignas, só porque
proferidas por quem figura de réu em processo-
-crime, requer a Vossa Excelência haja por
bem admitir-lhe se submeta, voluntariamente, ao
detector de mentiras.

Em prol de seu pedido, aduz ainda as


seguintes razões:
284

a) A contribuição do detector de mentiras


para solução de casos como o dos autos tem sido
inestimável, pois que alto o percentual de
respostas corretas;
b) A busca da verdade real é a alma e o
escopo de todo processo;
c) “Não é a absolvição do culpado, mas a
condenação do inocente, que afeta os fundamentos
jurídicos, desacredita a Justiça, alarma a
sociedade, ameaça os indivíduos, sensibiliza a
solidariedade humana” (Roberto Lira, Introdução
ao Estudo do Direito Penal Adjetivo e do Direito
Penal Executivo, p. 12).

V – Do Pedido

5. Por tudo o exposto, requer a defesa a Vossa


Excelência, Magistrado insigne pelo respeito à Lei
e à Liberdade, tenha a bem dar as providências
necessárias, por ofício ao Senhor Diretor-Geral do
DEIC, a fim de ser o réu (nomeá-lo) submetido ao
detector de mentiras.

Requer mais a Vossa Excelência sejam


formuladas ao réu, pela autoridade que presidir ao
ato, dentre outras que considere oportunas, as
seguintes perguntas:
285

a) Onde estava ao tempo em que foi cometido


o crime de que é acusado?

b) Pode comprová-lo?

c) Conhecia o corréu (mencioná-lo)?

6. À derradeira, por imprescindíveis à apuração


da verdade, requer a Vossa Excelência sirva-se
tomar depoimento às testemunhas constantes
do rol abaixo, que comparecerão a Juízo
independentemente de intimação:

1. ................................................................;

2. ................................................................;

3. ............................................................... .
(Nome, qualificação e endereço).

Nestes termos,
P. Deferimento.

(Local e data)

_____________________________________
(Nome do advogado e número da OAB)
286

Nótulas

(1) “É que não vige o princípio da identidade física na


esfera penal”. Vem a ponto, a respeito deste verbo, a
advertência do Des. Geraldo Amaral Arruda, jurista de
pulso, além de paladino da boa linguagem: “Viger
também é verbo defectivo. Não se conjuga na primeira
pessoa do indicativo presente, nem no presente do
subjuntivo. Na prática, usa-se mais o verbo vigorar, ou
locuções em que entram os substantivos vigência e vigor.
Assim, na Lei de Introdução do Código Civil (Decreto-lei
nº 4.657/42) lê-se: a lei começa a vigorar (art. 1º); antes de
entrar a lei em vigor (art. 1º, § 3º); a lei terá vigor (art. 2º)”
(A Linguagem do Juiz, 1996, p. 67; Editora Saraiva).

Merece também reproduzida aqui a lição do


preclaro Mestre Napoleão Mendes de Almeida: “Viger. É
verbo regular (= estar em vigor, ter vigor, vigorar), mas
não se emprega na primeira pessoa do sing. do indic.
presente nem, portanto, nas do presente do subjuntivo:
Essa lei já não vige – Ao tempo em que vigia a ditadura”
(Gramática Metódica da Língua Portuguesa, 29a. ed.,
p. 289; Editora Saraiva).

(2) “(...) a imputação do crime por que foi condenado”.


Escreve-se em duas palavras: “(...) o por que de frases
como A razão por que assim procedi – O caminho por que
devo passar – O avião por que fui ao Rio. Agora o que é
relativo, perfeitamente substituível por o qual, a qual, os
quais, as quais: A razão pela qual assim procedi – O
caminho pelo qual devo passar.

Outros exemplos: Por que enormes pecados hás


chegado a esse estado de infâmia e miséria? – Por que
razão ele assim procedeu eu não sei.
287

Com a função de relativo, o que sempre se separa do


por, que é preposição” (Napoleão Mendes de Almeida,
Dicionário de Questões Vernáculas, 1981, p. 240; Editora
Caminho Suave Ltda.; São Paulo).

(3) “(...) tem por si álibi fortíssimo”. “Alibi – Em outro


lugar, alhures. Este advérbio (latino) de lugar, empregado
como substantivo, significa: a ausência provada de uma
pessoa em certo lugar, pela sua presença demonstrada
em outro ponto. É indício negativo da autoria de
um ilícito penal, como se lê em Processo Penal, do Prof.
Hélio Tornaghi, p. 294. (...) Observe-se que, apesar de
proparoxítono o vocábulo, é ele inacentuado, pois se trata
de um latinismo. (...) Já era tempo de ser aportuguesado,
escrevendo-se álibi, como se faz com ínterim, grátis,
récipe, réquiem etc.” (Eliasar Rosa, Os Erros mais
Comuns nas Petições, 9a. ed., p. 24; Livraria Freitas
Bastos S.A.; Rio de Janeiro).

Preceitua Arnaldo Niskier (da Academia Brasileira


de Letras): “Escreva álibi aportuguesado, isto é, com
acento agudo no a” (Questões Práticas da Língua
Portuguesa, 1991, p. 8; Consultor; Rio de Janeiro).

A este pregão por sem dúvida atendeu o


lexicógrafo Antônio Houaiss, que registrou a voz latina,
aportuguesando-a: “Álibi – Defesa que o réu apresenta
quando pretende provar que não poderia ter cometido o
crime por, p.ex., encontrar-se em local diverso daquele em
que o crime de que o acusam foi praticado (um vizinho
proporcionou-lhe o á. de que precisava)” (Dicionário
Houaiss da Língua Portuguesa, 1a. ed.; v. álibi).

Isto de álibi, “quem alega deve prová-lo, sob pena de


confissão”, adverte Damásio E. de Jesus (Código de
Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 159).
289

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da


__a. Vara Criminal da Comarca da Capital

Proc. nº ......./18

1. (Nome do sentenciado), por seu advogado e


procurador infra-assinado, nos autos de Justificação,
cujos regulares termos se processam neste douto
Juízo, não se conformando com a r. decisão de
fls., que a indeferiu, vem, mui respeitosamente,
perante Vossa Excelência, na forma do disposto no
art. 593, nº II, do Código de Processo Penal, dela
apelar para(1) a Egrégia Superior Instância.

2. Não entra em dúvida ser a apelação o recurso


cabível da decisão que indefere pedido de
justificação criminal, como se colhe do magistério
da Doutrina (cf. Damásio E. de Jesus, Código de
Processo Penal Anotado, 23a. ed., p. 484).

3. Requer, pois, a Vossa Excelência vista dos


autos para arrazoar o recurso.
290

E.R.M.

(Local e data)

_____________________________________
(Nome do advogado e número da OAB)
291

Razões de Apelação de
(Nome do Réu)

Colenda Câmara:

1. Sob o argumento de que, na Primeira


Instância, “não mais é possível discutir-se a
responsabilidade do réu” quando já transitou em
julgado a decisão condenatória, indeferiu ao
apelante seu pedido de Justificação o MM. Juízo
de Direito da 1a. Vara Criminal da Comarca da
Capital (fl. 26).

Mas, conquanto a defesa reconheça raros


méritos e talentos no digno subscritor do
despacho apelado, é força(3) revogá-lo, não
triunfe(4) grave ofensa ao direito e aos princípios
que regem o raciocínio lógico (vênia!).

2. Em verdade, com o intuito de obter prova


para melhor instruir futuro “pedido de revisão
criminal”, requereu o apelante Justificação, “in
verbis” (5): “Pretende agora a revisão de seu
processo. Para tanto, reputa necessária a produção
de prova até aqui impossível. Donde a requerer (a
produção de prova), por esta via judicial
(justificação), a Vossa Excelência” (fl. 4).
292

O despacho impugnado, portanto, não


encontrou(6) somente as regras do direito; também
fez rosto às da lógica formal: à uma, porque está
além de toda a disputa o cabimento da
Justificação como instrumento ou meio de obter
prova para a instrução de revisão criminal;
à outra, porque supôs seu digno subscritor
pretendesse o apelante, em Primeira Instância,
pronunciamento rescisório de acórdão. Aí, “data
venia”, tomou Sua Excelência a nuvem por Juno(7),
engano a que decerto o levou a lacônica promoção
ministerial de fl. 25. Não parecia razoável admitir,
com efeito, pudesse o douto Magistrado haver
por pedido de revisão criminal o que era simples
requerimento de Justificação, e como tal ajuizado
mediante larga (ou ao menos suficiente)
fundamentação.

3. De que a Justificação serve de medida


preparatória à revisão criminal sabe-se geralmente
nos círculos forenses. A vulgaridade do fato
escusa(8) o apelante de comprová-lo “ad satiem”(9),
bastando trazer ao terreiro da controvérsia a lição
de José Frederico Marques (Elementos de Direito
Processual Penal, 2a. ed., vol. II, pp. 318-319):

“Onde, porém, se nos figura ser a justificação


instrumento específico de produção probatória,
para instruir ação ou pedido, é no tocante à
revisão criminal (é nosso o grifo).
293

Isto mesmo proclama a jurisprudência de


nossos Tribunais:

“É admissível a justificação no processo


penal (RT 202/546; Jurisprudência-Justitia, São
Paulo. Associação Paulista do Ministério Público,
1975, I/220; RJDTACrimSP 26/225. As recentes
Leis ns. 11.689/08 e 11.719/08 expressamente
previram a possibilidade de justificações, as quais
se encontram nos atuais arts. 396-A, caput, e 406,
§ 3º” (Código de Processo Penal Anotado, 23a. ed.,
p. 145).

Do que tem dito a defesa bem se pode coligir


que a justificação muito há foi recebida pela
Justiça Criminal e é meio útil e apropriado a
produzir prova para a instauração do procedimento
revisional.

4. A reparação do injusto gravame (e, dentre


estes, o maior e mais atroz é, sem dúvida
plausível, a condenação do inocente) houvera de
merecer à Justiça máxima diligência e solicitude,
nunca ruim despacho.

As provas que pretende o apelante produzir


em sede de justificação, e que lhe serão cabais ao
reconhecimento da inocência, consistirão em:

I – Submissão voluntária ao detector de


mentiras, ou polígrafo, de cuja eficácia na
apuração da autoria de fato delituoso discorreu
eruditamente Almeida Jr. (Lições de Medicina
294

Legal, 7a. ed., p. 499). Aliás, a só disposição do réu


de sujeitar-se àquele aparelho depõe em crédito
de seus protestos de inocência...;

II – Inquirição de testemunhas, cujas


declarações se consideram da primeira importância
para a liquidação da responsabilidade criminal do
apelante.

Suposto já tenha o decreto condenatório


transitado em julgado, nunca será inoportuno
perseguir os meios que a Lei confere àquele que
se conta entre as vítimas de insidioso erro
judiciário, como o apelante.

5. Em face do que leva exposto, fia a defesa


que Vossas Excelências sejam servidos prover
o recurso do apelante para ordenar o processamento
de seu pedido de justificação perante o Meritíssimo
Juízo recorrido.

(Local e data)

_____________________________________
(Nome do advogado e número da OAB)
295

Nótulas

(1) “(...) apelar para a Egrégia Superior Instância”. Esta,


a verdadeira regência do verbo: apelar para (e não
“apelar a”). Haja vista os exemplos seguintes: “Apelo da
vossa língua para a vossa consciência” (Vieira, Sermões,
1959, t. V, p. 206); “(...) apelando de uma corrupta maioria
parlamentar para a nação” (Rui, Obras Completas, vol.
XVI, t. II, p. 429); “Apelo para a memória dos nobres
Senadores” (Idem, ibidem, vol. XXXII, t. I, p. 82); “Apelei
do seu coração para a sua coragem” (Camilo, O Bem e o
Mal, 1955, p. 154).

“Apelar a alguém ou a alguma coisa, no sentido de


recorrer, é solecismo sáfio” (José de Sá Nunes, Língua
Vernácula, 1939, 3a. série, p. 262).

(2) “Não entra em dúvida (...)”. Pode dizer-se ainda: é


sem dúvida que, não é ponto de dúvida, é fora de questão,
é superior a toda a controvérsia, não sofre disputa, não
padece contradição, não cai em dúvida, não deve haver
debate sobre, etc.

Para traduzir o estado de dúvida que lhes subjugava


o espírito, usavam autores de nomeada expressões desta
laia: “Via-me mais embaraçado que os argonautas na
conquista do velo de ouro” (Rafael Bluteau, Prosas
Portuguesas, 1728, 1a. parte, p. 367); “Neste ponto andam
enredados os teus comentadores” (Latino Coelho, Galeria
dos Varões Ilustres de Portugal, 1880, vol. I, p. 24); “Nada
se pode averiguar neste ponto com certeza” (Idem,
ibidem, p. 332); “(...) havemos de encontrar a fábula,
coberta de um véu escuro e impenetrável” (Matias Aires,
Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, 1752, p. 30);
“Hipóteses criadas à volta de um vácuo” (Camilo; apud
Miguel Trancoso, Camilo e Castilho (Correspondência),
296

1930, p. 90); “O mesmo Alves Moreira se deixa envolver


nas tralhas de um equívoco quando desta guisa se
exprime” (Orosimbo Nonato, Da Coação como Defeito
do Ato Jurídico, 1957, p. 111); “As disceptações se
desenvolvem em rumos vários, a controvérsia frondeja
e se esgalha” (Idem, Curso de Obrigações, 1959, vol. I,
p. 101); “Isto é tão escuro como um terceto de Dante”
(Camilo; apud Joaquim Pinto de Campos, A Divina
Comédia de Dante, 1866, p. XXVII); “Grammatici certant
et adhuc sub judice lis est” – Discutem os gramáticos e a
questão ainda está por decidir (Horácio, Arte Poética, v.
78); “Bastaria que acerca de uma palavra, uma expressão
(...) pairassem laivos de dúvidas” (Laudelino Freire,
Estudos de Linguagem, p. 73); “Tenho por sem dúvida que
(...)” (D. Francisco Manuel de Melo, Cartas Familiares,
1937, p. 226); “É pois fora de toda a dúvida que (...)”
(Castilho, Tosquia dum Camelo, 1853, p. 30); “Não é pouco
cego o nó da questão presente, e de muitas vezes que a
tenho ouvido propor, e discutir, nunca o juízo ficava
satisfeito, dando por exausta a dificuldade” (Manuel
Bernardes, Nova Floresta, 1711, t. III, p. 261); “(...) tendo
por sem dúvida que havia de vencer (...)” (Vieira, História
do Futuro, 2005, p. 165; Editora UnB); “Não me resta
dúvida mínima de que é condenado” (Camilo e Castilho,
Correspondência, 1930, p. 9); “A frase não tem sentido
nitidamente penetrável” (Rui, Réplica, nº 95); “Em
resposta diremos não nos parecer suscetível de questão
que (...)” (Rui, Obras Completas, vol. XXVIII, t. III,
p. 194); “Tudo isto nos deixa no ânimo grandes dúvidas”
(João de Lucena, Excertos, 1868, p. 218); “Que o credor
possa concedê-la (dilação de prazo) a um só dos credores,
coisa é maior de qualquer dúvida” (Orosimbo Nonato,
Curso de Obrigações, 1a. ed., vol. II, p. 243); “Andar
em opiniões – Ser controverso; ter reputação duvidosa”
(Constâncio, Dicionário, 1877; v. opinião).
297

(3) “É força”. Expressões equivalentes: é forçoso, é de


preceito, é de rigor, é mister, é de mister, etc. “É força
que, é necessário” (Caldas Aulete, Dicionário
Contemporâneo, 2a. ed.; v. força); “Força era concluir,
portanto, que (...) seria naquele espaço de tempo uma
impossibilidade total” (Rui, Réplica, nº 2); “Era de
preceito, pois, em boa guerra, que o confessasse” (Idem,
ibidem, nº 206).

(4) “(...) não triunfe grave ofensa ao direito (...)”. Caso


de elipse da conjunção final (para que), incluída pelos
mestres da língua entre os primores do estilo e elegância
da arte literária: “Chamo para o caso a atenção de quem
o possa remediar, não surja por aí algum outro vereador
que (...)” (Cândido de Figueiredo, Combates sem Sangue,
1925, p. 166); “Vem e voltemos, não suceda estar já meu
pai com mais cuidado em nós, do que nas jumentas”
(Bíblia Sagrada; 1 Rs, 9,5; trad. Antônio Pereira de
Figueiredo).

(5) “In verbis”. Locução latina empregada amiúde nos


escritos forenses, que se traduz por: nestas palavras,
textualmente, etc. Expressões de igual sentido e força:

“Ipsis verbis” – Por estas mesmas palavras,


textualmente, à letra ou ao pé da letra, fielmente;

“Ipsis litteris” – Com as mesmas letras. Ex.:


Transcreveu “ipsis litteris” o despacho agravado, isto é,
exarou-lhe o teor com exatidão e fidelidade,
pontualmente.

(A grafia “litteris” é melhor que “literis”).

“Ad litteram” – Letra a letra, literalmente, sem


mudar nem omitir palavra. Ex.: Reproduziu a Defesa “ad
litteram” os passos capitais do acórdão revidendo.
298

“Ipsis litteris virgulisque” – Expressão latina que,


traduzida em vulgar, quer dizer: com as mesmas letras e
vírgulas.

“Ad verbum”, “e verbo”, “de verbo pro verbo” –


Literalmente, à letra, palavra por palavra.

“Verbatim” – Literalmente.

“Verbo ad verbum” – Palavra por palavra.

(6) “O despacho impugnado não encontrou somente as


regras do direito (...). Entre as acepções do verbo
encontrar figura a de opor-se a, contrariar, contravir a, ir
de encontro a, contrapor-se a, topar com, fazer rosto a,
malferir, etc. Ex. “Coisas que encontram as leis, a
consciência” (Morais, Dicionário, 1813; v. encontrar);
“(...) são epítetos que se encontram e repelem (Rui,
Réplica, nº 464); “Em frente à ilha de Marajó, o Amazonas
encontra o Mar” (Francisco da Silva Borba, Dicionário
Gramaatical de Verbos, 1990; v. encontrar).

(7) “(...) tomou Sua Excelência a nuvem por Juno”.


“Tomar a nuvem por Juno, iludir-se com as aparências”
(Caldas Aulete, Dicionário Contemporâneo, 1925; v.
nuvem).

(8) “A vulgaridade do fato escusa o apelante de


comprová-lo”. Neste lugar está empregado o verbo com a
significação de: ser desnecessário, não ser (ou haver)
mister, etc. Ex.: “A enfermidade, que já não dura,
foi enfermidade: já o não é. Escusa, pois, falar na
enfermidade, enquanto dura. É luxo de pleonasmo” (Rui,
Obras Completas, vol. XXIX, t. I, p. 164).

A citação do exemplo de Rui escusa outros mais que


se possam inventariar...
299

(9) “Ad satiem”. À saciedade; que farte; até à medula.


Expressões latinas equivalentes: “Usque ad satietatem”,
“usque ad nauseam”.
Trabalhos Jurídicos e Literários de
Carlos Biasotti

1. A Sustentação Oral nos Tribunais: Teoria e Prática;


2. Adauto Suannes: Brasão da Magistratura Paulista;
3. Advocacia: Grandezas e Misérias;
4. Antecedentes Criminais (Doutrina e Jurisprudência);
5. Apartes e Respostas Originais;
6. Apelação em Liberdade (Doutrina e Jurisprudência);
7. Apropriação Indébita (Doutrina e Jurisprudência);
8. Arma de Fogo (Doutrina e Jurisprudência);
9. Cartas do Juiz Eliézer Rosa (1a. Parte);
10. Citação do Réu (Doutrina e Jurisprudência);
11. Crime Continuado (Doutrina e Jurisprudência);
12. Crimes contra a Honra (Doutrina e Jurisprudência);
13. Crimes de Trânsito (Doutrina e Jurisprudência);
14. Da Confissão do Réu (Doutrina e Jurisprudência);
15. Da Presunção de Inocência (Doutrina e
Jurisprudência);
16. Da Prisão (Doutrina e Jurisprudência);
17. Da Prova (Doutrina e Jurisprudência);
18. Da Vírgula (Doutrina, Casos Notáveis, Curiosidades,
etc.);
19. Denúncia (Doutrina e Jurisprudência);
20. Direito Ambiental (Doutrina e Jurisprudência);
21. Direito de Autor (Doutrina e Jurisprudência);
22. Direito de Defesa (Doutrina e Jurisprudência);
23. Do Roubo (Doutrina e Jurisprudência);
24. Estelionato (Doutrina e Jurisprudência);
25. Furto (Doutrina e Jurisprudência);
26. “Habeas Corpus” (Doutrina e Jurisprudência);
27. Legítima Defesa (Doutrina e Jurisprudência);
28. Liberdade Provisória (Doutrina e Jurisprudência);
29. Mandado de Segurança (Doutrina e Jurisprudência);
30. O Cão na Literatura;
31. O Crime da Pedra (Defesa Criminal em Verso);
32. O Crime de Extorsão e a Tentativa (Doutrina e
Jurisprudência);
33. O Erro. O Erro Judiciário. O Erro na Literatura
(Lapsos e Enganos);
34. O Silêncio do Réu. Interpretação (Doutrina e
Jurisprudência);
35. Os 80 Anos do Príncipe dos Poetas Brasileiros;
36. Princípio da Insignificância (Doutrina e
Jurisprudência);
37. “Quousque tandem abutere, Catilina, patientia
nostra?”;
38. Tópicos de Gramática (Verbos abundantes no
particípio; pronúncias e construções viciosas;
fraseologia latina, etc.);
39. Tóxicos (Doutrina e Jurisprudência);
40. Tribunal do Júri (Doutrina e Jurisprudência);
41. Absolvição do Réu (Doutrina e Jurisprudência);
42. Tributo aos Advogados Criminalistas (Coletânea de
Escritos Jurídicos); Millennium Editora Ltda.;
43. Advocacia Criminal (Teoria e Prática); Millennium
Editora Ltda.;
44. Cartas do Juiz Eliézer Rosa (2a. Parte);
45. Contravenções Penais (Doutrina e Jurispudência);
46. Crimes contra os Costumes (Doutrina e
Jurispudência).
www.scribd.com/Biasotti