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Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais

Letras, Tecnologias de Edição


Tópicos Especiais em Estudos Literários: Literatura e Teorias da Imagem

O Diário de Anne Frank e


as imagens do Holocausto

Acadêmica: Ana Cristina C. Moreira Soares


Professor: Luiz Lope
ENSAIO: O Diário de Anne Frank e as imagens do Holocausto.

RESUMO: O objetivo deste ensaio é correlacionar o livroO Diário de Anne Frank e as


imagens do Holocausto às teorias trabalhadas na disciplina Tópicos Especiais em
Estudos Literários: Literatura e Teorias da Imagem. Para isso, ensaios de Walter
Benjamin, Philippe Lejeune e Didi-Hubermanforam usados como base teórica. Os
relatos de Anne Frank representam, dessa forma, registros da Literatura de Memória.

ABSTRACT: The aim of this essay is to correlate the book O Diário de Anne Frank
and the images of the Holocaust to the theories studied in the discipline Special Topics
in Literary Studies: Literature and Theories of Image. For it, essays of Walter Benjamin,
Philippe Lejeune e Didi-Huberman was used as theoretical base. The reports of Anne
Frank represent, therefore, registries of Memory Literature.

1. INTRODUÇÃO

Algumas das imagens mais fortes e impactantes construídas na história da humanidade


estão relacionadas ao Holocausto. Muitas delas podem ser observadas em Dachau,
Auschwitz, Birkenau, Sachsenhausen, entre outros locais visitados por mim, que foram
cenários do extermínio de judeus, negros, homossexuais, deficientes físicos, inimigos
políticos etc. A leitura do livro O Diário de Anne Frank, certamente,pode ser
comparada a uma visita a um campo de concentração, museus de guerra, entre outros.

Estar em contato com determinadas imagens e relatos de guerra, além de ser uma forma
de se conhecer a história, é também um exercício de empatia. Relembrar e cultivar a
memória podem ser apenas artifícios para espetacularizar a tragédia, mas, por outro
lado, podem ser a única forma de não permitir que grandes guerras e governos
totalitaristas voltem a ocorrer como antes. Nesse sentido, os registros de Anne Frank em
seu diário são um importante documento histórico, construído por meio de seus relatos
pessoais.

Ao narrar os medos e as limitações vividos por uma família judia no período nazista,
Anne Frank constrói uma imagem mais intimista e real do que outros relatos da mesma
época. Apesar de sua família ser considerada, de certa forma, “privilegiada”, se

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comparada a outras famílias de judeus, que foram mandadas bem antes para os campos
de concentração, os escritos de Anne são considerados um dos mais comoventes e
importantes relatos daquele período.

2. IMAGENS DO HOLOCAUSTO E O CONCEITO DE HISTÓRIA

Para falar de Imagens do Holocausto e sobre o objeto literário deste trabalho, ODiário
de Anne Frank, faz-se necessário conceituar e entender alguns elementos teóricos que
estão diretamente relacionados ao referidocorpus. Um deles é o estudo da Literatura de
Memória e seus desdobramentos. Sendo assim, antes de tudo, é importante entendermos
o que é e por que é relevantefazer uma análise desse segmento literário.

No que se refere à Literatura e aos estudos de Memória, não é incomum concluir que
um dos temas mais mencionados e abordados, de todos os tempos, é o Holocausto.
Outrossim, não é preciso muito para notar que, com relação à autoria desses estudos,
boa parte dos memorialistas que falam sobre o Holocausto, são, além de escritores,
judeus. Entre eles, destaca-se Walter Benjamin, filósofo, ensaísta, crítico literário,
tradutor e sociólogo, que muito contribuiu para os estudos de memória.

Antes de estudarmos a Literatura de Memória propriamente dita, contudo, é importante


considerar o conceito de História, segundo Benjamin:

A verdadeira imagem do passado passa voando. O passado só se


deixa capturar como imagem que relampeja irreversivelmente no
momento de sua conhecibilidade. “A verdade jamais nos
escapará” — essa frase de Gottfried Keller indica, na imagem da
história do historicismo, exatamente o local em que o
materialismo histórico o esmaga. Pois é uma imagem
irrecuperável do passado que ameaça desaparecer com cada
presente que não se sinta visado por ela. (BENJAMIN, p. 243)

Dessa forma Benjamin, apoiando-se na teoria de Gottfried Keller, delimita as fronteiras


entre o historicismo e o materialismo histórico. Em outras palavras, ele defende que a
história se faz apenas do que é reconhecido como tal. Dessa forma, podemos concluir
que a história não é tudo aquilo que se materializa e depois se torna passado, mas sim
daquilo que o homem escolheu relembrar.

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3. AS DIFERENTES VERSÕES DO LIVRO O DIÁRIO DE ANNE FRANK

Ao escolhermos como objeto de estudo as Imagens do Holocausto presentes no livro O


Diário de Anne Frank, estamos nos predispondo a fazer uma análise daquilo que a
autora reconheceu como fato ou imagem relevante, dentro de um contexto histórico-
social específico, no caso o Holocausto, e o que decidiu relatar em seu diário, de acordo
com seus interesses e percepções pessoais. Nesse sentido, o conceito de História de
Benjamin nos permite fazer uma leitura mais crítica e aprofundada de relatos
relacionados ao Holocausto e demais registros de memória – presentes ou não no livro
O Diário de Anne Frank.

O Diário de Anne Frank é uma das obras mais relevantes da história para a Literatura de
Memória. Vale pontuar, entretanto, que algumas edições do livro (a princípio, feitas
pelo pai da autora e único membro da família que sobreviveu ao Holocausto, Otto
Frank) possuíam vários cortes. A primeira edição do livro tinha umconteúdo mais
conciso, sem as opiniões abertas sobre sexo feitas pela jovem Anne nem os comentários
nada elogiosos a respeito de sua própria mãe ou sobre os outros moradores do Anexo
Secreto, local onde a família Frank se escondia da Gestapoe do governo nazista, em
Amsterdam.

Existem três edições conhecidas da obra, tratadas como versões a, b e c do diário, em


que a é a versão completa, sem cortes; a versão b é uma edição da própria autora, que
decidiu que publicaria um livro a partir de seu diário um dia e, com isso, reescreveu e
organizar seu diário, para melhorar o texto; finalmente, a versão c é uma seleção de
partes das versões a e b, organizada por Otto Frank para realizar o desejo da filha. A
versão comercializada e usada para este trabalho é baseada, basicamente, na versão b da
obra. A partir dessas informações, podemos concluir que mesmo relatos históricos e
genuínos como os extraídos de um diário, estão sujeitos ao filtro da edição, do recorte, e
do próprio olhar do autor.

4. O GÊNERO DIÁRIO

De acordo com Philippe Lejeune, a escrita de um diário é “uma atividade passageira, ou


irregular. Mantemos um diário durante uma crise, uma fase da vida, uma viagem”.

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Confirmando o que afirma o autor, temos O Diário de Anne Frank, um diário escrito
entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944, sendo boa parte desses relatos
relacionados ao período em que a autora viveu no Anexo Secreto, esconderijo
encontrado por um grupo de judeus, que buscava sobreviver ao regime nazista.

No livro, Anne Frank conta como é o dia a dia nesse Anexo, fala sobre suas relações
com os outros moradores do local e, especialmente, sobre suas angústias e percepções
acerca do Nazismo e da Segunda Guerra Mundial. Seu perfil social, altamente instruído
e politizado, também vai ao encontro do que afirma Lejeune sobre os diaristas:

Existiria um perfil social? Sim, uma vez que o diário é mais frequente
entre pessoas instruídas, ou que moram em cidades. O sociólogo
Bernard Lahire, em uma pesquisa feita entre pessoas “de baixo capital
cultural”, ficou impressionado com o grau de incompreensão em relação
à prática do diário, considerada como uma hipocrisia: quando temos
alguma coisa para dizer aos outros, devemos fazê-lo! Escrever sozinho,
em seu canto, coisas que ninguém nunca vai ler pode parecer anormal.
(LEJEUNE, p. 258)

Além disso, o autor Philippe Lejeune, no livro O Pacto Autobiográfico, também traz
definições para diário em diversas línguas e, por fim, conclui que “A base do diário é a
data”, acrescentando ainda que “O vestígio único terá uma função diferente: não a de
acompanhar o fluxo do tempo, mas a de fixá-lo em um momento-origem. O vestígio
único será não um diário, mas um ‘memorial’”. Isto é, a função principal de um diário é,
para quem o escreve, uma forma de fixar memórias, de fazer com que aqueles fatos e
percepções não sejam perdidos pelo decurso do tempo.

No caso de Anne Frank, a importância de se escrever um diário tornou-se ainda maior.


Afinal, em um contexto de Guerra Mundial e do Holocausto, quem saberia dizer ou
contar relatos sobre os percalços vivenciados pelos judeus senão eles próprios? Há
melhor forma de descrever o quotidiano de um grupo de judeus ou simplesmente de
uma jovem judia, que luta pela sobrevivência em um contexto nazista, senão pela escrita
de um diário?

Há outro aspecto relevante sobre o gênero diário e o nosso objeto de estudo: diários
costumam ser considerados secretos, destinados à leitura apenas de seus próprios
autores.

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Contudo, Lejeune desconstrói esse conceito ao problematizar essa questão:

Mesmo secreto, a menos que se tenha coragem suficiente para destruí-


lo, ou para mandar enterrá-lo consigo, o diário é apelo a uma leitura
posterior: transmissão a algum alter ego perdido no futuro, ou modesta
contribuição para a memória coletiva. Garrafa lançada ao mar.
(LEJEUNE, p. 262)

No caso do diário de Anne Frank, a autora não escondia o seu desejo de que seus
íntimos relatos fossem transformados em livro futuramente, como de fato aconteceu.
Anne, deliberadamente, desejava compartilhar sua visão de mundo e o modo como
vivenciou a Segunda Guerra Mundial com outras pessoas.

5. OBRAS SOBRE O HOLOCAUSTO

O Diário de Anne Frank é um registro subjetivo das imagens do Holocausto nele


representadas, assim como os relatos de Didi-Huberman com relação a sua visita e às
fotografias tiradas em Auschwitz e Birkenau:

A imagem que capturei, focando rapidamente e fazendo um


simples gesto com o dedo, é no fundo muito mais abstrusa, a
despeito de sua grande banalidade, muito mais complexa que
qualquer coisa que cogitamos dizer quando esperamos tudo de
uma fotografia (“agora sim, é isso!”) ou, ao contrário, quando não
esperamos mais absolutamente nada dela (“não, não é nada disso,
isso é inimaginável!”).

No trecho do ensaio Cascas, Didi-Huberman trata exatamente da subjetividade da


percepção, da mesma forma que deixa clara a dificuldade de representar uma imagem
de forma fidedigna. Isso nos leva a pensar na importância de se conhecer diferentes
perspectivas e pontos de vista antes de criar um conceito definitivo a respeito de uma
imagem, objeto, local, livro etc.

Reconhecendo, portanto, as limitações de uma perspectiva singular e subjetiva, seja ela


teórica, imagética ou construída por meio de relatos— como nos diários —para a
construção de uma memória, faz-se relevante a busca por outras fontes do saber. Com
relação à leitura do livro O Diário de Anne Frank, por exemplo, e à construção de
imagens do Holocausto a partir das informações contidas na obra, vale ressaltar a

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importância do diálogo com outras fontes, do trânsito por diferentes formas e
apresentações de conceitos e perspectivas.

Como dito no segundo tópico deste trabalho, o Holocausto, a Segunda Guerra Mundial
e a barbárie nazista são temas de incontáveis obras, literárias ou não. Portanto, a história
de Anne Frank pode ser estendida a diversas outras histórias: biográficas, ficcionais,
autoficcionais etc. Pode ser mais bem avaliada, talvez,por aqueles que têm a
oportunidade de fazer uma visita ao Anexo Secreto, e de conhecer cada canto do local
onde Anne viveu antes de ser levada pela Gestapo. Ou por aqueles que fazem uma visita
a Auschwitz ou a Bergen-Belsen, campos de concentração para onde Anne foi levada
pelos nazistas — embora esse período não tenha sido relatado em seu diário,
obviamente.

Além do livro O Diário de Anne Frank, muitas outras obras trazem memórias do
período marcado pelos ideais nazistas, como os filmesA Lista de Schindler, Labirinto de
Mentiras, os livros Os Sete Últimos Meses de Anne Frank, Depois de Auschwitz, Contos
do Esconderijo, Lembrando Anne Frank: a História da Mulher Que Ajudou a Esconder
a Família Frank, entre outros. Essas obras são exemplos de como aquele período pode
ser descrito e percebido de formas completamente diversas, a partir de vivências e
percepções individuais.

O livro Depois de Auschwitz, por exemplo, é uma obra que em muitos aspectos dialoga
com O Diário de Anne Frank. Escrito por Eva Schloss, filha da segunda esposa de Otto
Frank, a obra também traz relatos sobre o Holocausto, porém, sob a ótica de uma
sobrevivente:“Depois da guerra, o pai de Anne, Otto Frank, voltou para a Holanda e
começou a se relacionar com a minha mãe — uma relação que nasceu do sentimento de
perda e do sofrimento de ambos”. O livro traz, inclusive, relatos sobre a própria Anne
Frank, mas dessa vez pelo olhar de um terceiro e não por meio de relatos
autobiográficos. No livro, Eva descreve sua “irmã-torta”, Anne, como alguém de quem
gostava, apesar de terem personalidades bem diferentes.

Anne Frank escreveu no final de seu diário, pouco antes de ser


capturada, que ainda acreditava que as pessoas tinham bons corações,
mas eu me pergunto o que ela pensaria se tivesse sobrevivido aos
campos de concentração de Auschwitz e Bergen-Belsen. Minhas

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experiências revelaram que as pessoas têm uma capacidade única para
crueldade, brutalidade e completa indiferença aos sentimentos humanos.
É fácil afirmar que o bem e o mal existem dentro de cada um de nós,
mas eu vi a realidade de perto, e isso me levou a uma vida de
questionamentos sobre a alma humana.

Destarte, podemos concluir que a história é feita de percepções singulares dos fatos,
com as quais podemos criar nossa própria imagem de uma memória. Considerando,
outrossim, o conceito de História de Walter Benjamin, temos que:

Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo “tal como


ele de fato foi”. Significa apropriar-se de uma recordação, como ela
relampeja no momento de um perigo. Para o materialismo histórico,
trata-se de fixar uma imagem do passado da maneira como ela se
apresenta inesperadamente ao sujeito histórico, no momento do perigo.
O perigo ameaça tanto a tradição como os que a recebem. (BENJAMIN,
p. 243)

Benjamin entende que a memória se manifesta como um fragmento não


necessariamente fiel à veracidade dos fatos e, por essa razão, problematiza o seu
entendimento como tradição ou como uma verdade absoluta.

6. WALTER BENJAMIN E OS REGISTROS DE MEMÓRIA

De acordo com Renato Franco, em 10 Lições sobre Walter Benjamin, “A história


narrada pelos vencedores tende a promover o esquecimento das lutas e conflitos de
classes do passado e, com essa estratégia, apresentar como obra sua tanto a construção
da sociedade quanto a produção dos mais diversos bens-culturais”. Essa lição
benjaminiana nos leva a refletir sobre a relevância histórico-cultural das memórias,
especialmente daquelas narradas pelos oprimidos, pelas minorias e classes sociais
menos favorecidas.

Afinal, como seriam narradas as memórias se a história fosse escrita por apenas um
lado? Como seriam as memórias do Holocausto sem os relatos de judeus? Como
legitimar uma memória?

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Para Walter Benjamin,

A tradição dos oprimidos nos ensina que o “estado de exceção


(“Ausnahmezustand”) em que vivemos é a regra. Precisamos construir
um conceito de história que corresponda a esse ensinamento.
Perceberemos, assim, que nossa tarefa é originar um verdadeiro estado
de exceção; e com isso nossa posição ficará melhor na luta contra o
fascismo. Este se beneficia da circunstância de que seus adversários o
enfrentam em nome do progresso, considerado como uma norma
histórica. — O assombro com o fato de que os episódios que vivemos
no século XX “ainda” sejam possíveis, não é um assombro filosófico.
Ele não gera nenhum conhecimento, a não ser o conhecimento de que a
concepção de história em que se origina é insustentável. (BENJAMIN,
p. 245)

O estado de exceção, referido no trecho acima, é visto por Benjamin como “regra”. Para
ele, um conceito de História mais bem elaborado é necessário para definir o verdadeiro
estado de exceção. Nesse sentido, a memória e seus registros estão diretamente ligados
ao conceito de história e aos interesses sociais que os delimitam. O Diário de Anne
Frank e diversas outras obras sobre a Segunda Guerra e o Holocausto, publicadas
posteriormente ao regime nazista, dão um novo rumo à história e rompem com essa
falsa definição de estado de exceção, criticada por Benjamin, ao dar espaço e voz aos
oprimidos e às minorias.

7. CONCLUSÃO
As imagens construídas ao longo da leitura do livro O Diário de Anne Frank não estão
relacionadas apenas às marcas deixadas pela barbárie nazista. Essa obra nos remete não
apenas às conhecidas imagens dos campos de concentração e suas câmaras de gás, aos
crematórios, nem ao tratamento desumano dado àqueles que foram obrigados a estar ali.
Essas imagens são conhecidas por muitos de nós e, muitas vezes, chegam a ser
banalizadas. Contudo, os registros de Anne Frank trazem ao leitor uma versão mais
ampla, e ao mesmo tempo subjetiva, desse contexto.

A obra contém os mais diversos registros, datados, sobre o dia a dia de famílias que
lutavam pela sobrevivência e que não sabiam exatamente o que esperar do dia seguinte.
O fim da guerra era um questionamento constante, e a sobrevivência também. O livro é
um relato sobre os bastidores da guerra; Sobre as memórias que uma jovem judia
escolheu compartilhar em seu diário, num período em que livros escritos por judeus

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eram queimados em praças públicas. Uma experiência literária que nos ajuda a enxergar
o papel libertador do conhecimento histórico.

De acordo com Benjamin,

O sujeito do conhecimento histórico é a própria classe combatente e


oprimida. Em Marx, ela aparece como a última classe escravizada,
como a classe vingadora que consuma a tarefa de libertação em nome
das gerações de derrotados. (BENJAMIN, p. 248)

Para o autor, o conhecimento histórico é libertador na medida em que permite uma


quebra de paradigma social, ao garantir aos oprimidos e às minorias o direito de
construir — ou desconstruir — imagens e dar um novo sentido à história. Mesmo que
postumamente, foi isto que Anne Frank fez: contribuiu para a criação de uma
importante memória para a história mundial, a partir de seu próprio olhar.

Não acredito que a guerra seja apenas obra de políticos e capitalistas.


Ah, não, o homem comum é igualmente culpado; caso contrário, os
povos e as nações teriam se rebelado há muito tempo! Há uma
necessidade destrutiva nas pessoas, a necessidade de mostrar fúria, de
assassinar e matar. E até que toda a humanidade, sem exceção, passe
por uma metamorfose, as guerras continuarão a ser declaradas, e tudo o
que foi cuidadosamente construído, cultivado e criado será cortado e
destruído, só para começar outra vez! (FRANK, Anne. p. 341)

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito da história. In: ____. Magia e técnica, arte e
política. Tradução Sérgio Paulo Rouanet. 8. ed. São Paulo: Brasiliense, 2012.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Cascas. Disponível em: <https://goo.gl/cBicK0> Acesso


em: 19 jun 16.

FRANCO, Renato. 10 Lições sobre Walter Benjamin. 1. ed. Petrópolis: Editora


Vozes, 2015.

FRANK, Anne. Diário de Anne Frank. Tradução Alves Calado. 1. ed. Editora Record,
2014.

LEJEUNE, Philippe. O Pacto Autobiográfico: De Rousseau à Internet. Org. Jovita


Maria Gerheim Noronha. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
SCHLOSS, Eva. Depois de Auschwitz: O Emocionante Relato de Uma Jovem que
Sobreviveu ao Holocausto. Tradução Amanda Moura. 1. Ed. São Paulo: Universo dos
Livros, 2013.

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