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GONZALO SARAVÍ, 2008.

MUNDOS AISLADOS: SEGREGACIÓN URBANA Y DESIGUALDAD EN LA


CIUDAD DE MÉXICO

Neste artigo o autor busca responder duas perguntas: do que fala a segregação urbana na cidade
do México e quais são suas implicações neste contexto particular. Para respondê-las, o autor
lança a hipótese de que há uma "coexistência de mundos isolados", hipótese sustentada pela
análise teórica e empírica da relação entre as dimensões objetivas e simbólicas da segregação
urbana. Para a análise, foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas com jovens residentes em
áreas populares estigmatizadas da cidade do México.

introdução

1. Para compreender a segregação urbana e suas repercussões sobre os diversos âmbitos da


vida social é preciso se realizar o exercício analítico de buscar as vinculações entre a estrutura
espacial e a estrutura social.

2. El objetivo de este artículo consiste precisamente en explorar las particularidades que


adquiere la segregación urbana en la Ciudad de México, pero desde una perspectiva
interpretativa (análise da realidade mexicana qualiquantitativa).

3. Para responder as duas perguntas já destacadas, o autor precisou privilegiar dois temas: o da
sociabilidade urbana e da dimensão simbólica da segregação.

Segregación urbana, diferenciación social y sociabilidad

1. Considera a segregação espacial urbana como uma dimensão específica de um processo geral
de diferenciação social, isto é, é reflexo da estrutura social. Portanto, não se trata de uma
diferenciação casual, a-histórica, ou natural

2. Uma das características da diferenciação da sociedade contemporânea, assim como ocorre


no méxico, é a condição socieconômica. Assim: la división social del espacio tiene como
componente fundamental la característica de ser la expresión espacial de la estructura de clases
o de la estratificación social”.

3. A condição socioeconômica não é simplesmente um critério da diferenciação, mas é ao


mesmo temo um critério de hierarquização, desigualdade.

4. Baseado em Barry (2002), considera que os níveis elevados de desigualdade que caracterizam
as cidades da América Latina podem conduzir a fragmentação da sociedade como consequência
do isolamento de setores privilegiados e a exclusão dos menos desfavorecidos (p. 96).

5. Para García Canclini (2005) a diferenciação, a desigualdade e a exclusão não são processos
separados, mas com frequência se encontram associados e superpostos (p. 96). Embora sejam
diferentes, a combinação entre um e outros destes processos podem apresentar
particularidades.
6. Assim, a análise da segregação social urbana nos dirá então coisas muito distintas de acordo
com o modo que se estrelaçam estes processos. A análise da segregação espacial urbana podem
contribuir para o entendimento de certos processos sociais em marcha. Para o autor, dois temas
são particularmente importantes: a sociabilidade urbana e a dimensão simbólica da segregação.

7. Para o autor os três processos (diferenciação, a desigualdade e a exclusão) são processos


relacionais; relacionam nós e os outros: "outros diferentes, outros com mais ou menos
oportunidades, outros integrados e excluídos, ou outros em que se superpõem mais de uma
dessas condições (p. 96).

8. O autor entende como sociabilidade a problematização da relação e interação com os outros,


fazendo referência ao processo de construção da alteridade, sua naturalização e expressão em
aspectos empiricamente reconhecíveis.

9. O autor chama a atenção para o fato de que vivemos tempos de fragmentação identitária e
crise das categorias identitárias antigas, de invidualismo crescente. Assim, os diferentes, os
desiguais, os excluídos, que podem ser representados pelos mesmos sujeitos em distintas
combinações, se multiplicam e estão cada vez mais perto. Podemos viver juntos?

10. Para o autor os estudos de segregação urbana devem considerar todas essas transformações
e incorporar a discussão sobre sociabilidade. Assim, ele se questiona: como a organização do
espaço urbano, a distribuição dos sujeitos socialmente posicionados, condiciona e é
condicionada, reflete e responde, aos desafios que coloca a esta nova sociabilidade urbana, a
construção e a interação, ao encontro com o outro ou os meios para o evitar (p. 97).

11. Para responder a essa pergunta e não realizar análises apenas das dimensões objetivas da
segregação, o autor propõe que, além de incorporar uma dimensão simbólica da segregação,
devemos assumir uma relação complexa entre ambas as dimensões (dimensão simbólica e
dimensão objetiva). (p. 97).

12. A partir disso o autor considera que a segregação urbana não se limita a sua dimensão
objetiva, mas é resultado de uma relação complexa entre suas dimensões objetiva e simbólica;
é um produto novo, sui-generis, que não necessariamente coincide uma com a outra. Assim,
espaços com altos indicadores objetivos de segregação podem não se caracterizar por
segregação simbólica e vice-e-versa, por exemplo (p. 98).

13. Por fim, conceitua a dimensão simbólica da segregação urbana como um processo de
construção social por meio do qual se constroem, atribuem e aceitam intersubjetivamente
certos sentidos ao e sobre o espaço. Este processo de construção social de sentidos é
condicionado pelas dimensões objetivas da segregação urbana (p. 98).

14. IMPORTANTE: La segregación urbana en este sentido amplio, es decir como resultado sui
generis de la interacción entre las distancias espaciales que unen y separan a diferentes,
desiguales, o excluidos, por un lado, y la construcción imaginada del “otro” y su hábitat, por
otro, contribuye así a des-socializar o

naturalizar la estructura social y brinda herramientas para resolver, de distintas formas posibles,

la coexistencia con los “otros” en un mismo espacio urbano (ESTRUTURA SOCIAL E ESTRUTURA
ESPACIAL / DIMENSÃO OBJETIVA E SIMBÓLICA).
LA SEGREGACIÓN ESPACIAL EN MÉXICO O LA COEXISTENCIA DE MUNDOS AISLADOS

1. Em relação a estrutura social, o México é um país extremamente desigual. Isso possibilita falar
em uma estrutura social polarizada entre uma cidadania de primeira e de segunda ordem (p.
99).

2. Mesmo diante do período de estabilizador (industrialização a partir da substituição de


importações) após a segunda metade do século XX, a profunda desigualdade da estrutura social
afetou de maneira profunda a estrutura espacial.

3. Assim, a polarização social, a segregação residencial e a fragmentação da estrutura urbana


não podem ser consideradas novidades emergentes dos últimos anos, embora a integração
entre as dimensões objetiva e simbólica adquire características espaciais (p. 99).

4. Considera que os processos de segregação espacial urbana dependem da escala de análise.

5. Assim, um estudo demonstrou que enquanto pareceria existir um alto isolamento dos setores
mais desfavorecidos da cidade, e uma maior homogeneidade social de suas áreas de moradia,
não ocorreria o mesmo com os setores privilegiados, que residiam em áreas socialmente mais
heterogêneas, que favoreceriam o encontro com os "outros".

6. Se questiona a respeito da qualidade moral de reconhecimento destes encontros.

7. Embora as classes sociais mais privilegiadas vivam rodeadas, inclusive, de setores pobres, não
significa que o encontro efetivamente ocorra. "Os jovens dos bairros residenciais não conhecem
os bairros pobres, se deslocam das universidades ou das escolas de alto nível para suas casas,
vão ao centro comercial e frequentam hospitais privados" (semelhante ao Brasil -
autossegregação).

8. Assim, o autor conclui que as dimensões objetiva e simbólica não necessariamente se


correspondem. O nível de isolamento espacial não necessariamente condiz com o nível de
isolamento social. Assim, destaca que não é realmente a possibilidade do encontro que importa,
mas a qualidade e a densidade dos encontros e relacionamentos com os outros (p. 102).

9. Continuando: enquanto as características da estrutura espacial deixem aberta a possibilidade


de encontros entre os diferentes e desiguais, a estrutura social fortemente polarizada produz
um isolamento social tanto dos mais pobres quanto dos mais ricos (p. 102).

10. Como é possível a coexistência num mesmo espaço de setores da população tão diferentes
e desiguais? Nos situamos novamente na esfera da sociabilidade urbana.

11. A resposta reside num aspecto objetivo da segregação: a existência de, por um lado, zonas
homogêneas pobres e, por outro, pequenas ilhas de altíssima exclusividade (espaços
residenciais fechados). Outro elemento que ajuda a compreender é a existência de muralhas
simbólicas na cidade, que tornam determinadas áreas proibidas tanto para um quanto para
outro grupo.

EL RECONOCIMIENTO DE LOS ESTIGMAS TERRITORIALES


01. Os moradores reconhecem os estigmas territoriais

02. As zonas proibidas não são simplesmente o contrário do isolamento social. Distintos setores
sociais reconhecem suas próprias zonas proibidas, e isso repercute não apenas em suas
respectivas práticas, mas muito mais importante ainda, suas consequências se percebem na
estrutura social: a presença e os encontros reduzem, a interação diminui, o desconhecimento
mútuo cresce, e os prejuízos e estígmas se constituem no principal mecanismo de aproximação
ao outro.

CONCLUSIONES