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Aulas 29 a 34 Volume 3

Isabella Ribeiro Faria

Elementos de Química Geral


Elementos de Química Geral
Volume 3 Isabella Ribeiro Faria

Apoio:
Fundação Cecierj / Consórcio Cederj
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Isabella Ribeiro Faria
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eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Fundação.

F224e
Faria, Isabella Ribeiro.
Elementos de química geral. v. 3 / Isabella Ribeiro Faria. – Rio
de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2007.
78p.; 21 x 29,7 cm.

ISBN: 85-7648-333-5

1. Química. 2. Equilibrio químico. 3. Diluição. 4. Mistura de


soluções. I. Título.
CDD: 540
2007/2
Referências Bibliográficas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.
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Governador
Sérgio Cabral Filho

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Reitor: Roberto de Souza Salles DO RIO DE JANEIRO
Reitora: Malvina Tania Tuttman
Elementos
de Química Geral Volume 3

SUMÁRIO Aula 29 – Equilíbrio químico – princípios gerais _____________________ 7


Aula 30 – Deslocamento de equilíbrio ____________________________ 23
Aula 31 – Equilíbrio iônico de ácidos e bases_______________________ 35
Aula 32 – Esta aula será enviada posteriormente____________________ 55
Aula 33 – Unidades de concentração_____________________________ 57
Aula 34 – Diluição e mistura de soluções__________________________ 69
29
AULA
Equilíbrio químico
– princípios gerais

Meta da aula
Conceituar equilíbrio químico.
objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:


• analisar as idéias centrais de um equilíbrio
químico;
• entender o conceito de constante de equilíbrio;
• resolver problemas que envolvam cálculo
de constante de equilíbrio;
• definir grau de equilíbrio;
• diferenciar constante de equilíbrio e grau
de equilíbrio.
Elementos de Química Geral | Equilíbrio químico – princípios gerais

INTRODUÇÃO Quando nos perguntamos se a água dentro de um frasco fechado evapora,


a primeira resposta talvez seja que não, pois não percebemos diminuição no
nível da água no frasco. Mas esta resposta não está correta. No frasco estão
ocorrendo dois processos opostos com a mesma velocidade: a evaporação e
a condensação. Dizemos então que esse sistema está em equilíbrio. Reações
reversíveis, em que reagentes e produtos estão em equilíbrio, são processos
importantes que ocorrem em grande número no metabolismo dos seres vivos
e na atmosfera.

Uma reação é dita reversível quando ocorre nos dois sentidos simultaneamente.

DEFINIÇÃO DE EQUILÍBRIO

A maioria das reações que nós trabalhamos, quando realizadas


num sistema fechado, é reversível. Quando colocamos substâncias num
recipiente e elas começam a reagir, vão formando novas substâncias
chamadas produtos. Após determinado tempo, estes produtos reagem
entre si, produzindo as substâncias iniciais. Este processo ilustra uma
reação reversível, como demonstrado na equação genérica a seguir:

A + B C + D

Esse tipo de reação pode ser visualizada por meio do seguinte


exemplo:

1 mol de N2O4, que é um gás incolor, foi colocado num recipiente


transparente, fechado, com capacidade de 1 litro e aquecido a 100oC.
Nessas condições, as colisões entre moléculas desse gás favorecem sua
decomposição, conforme a equação apresentada a seguir:

N2O4(g) 2 NO2(g)
(incolor) (castanho)

Com o tempo, diminui o número de moléculas de N2O4 e aumenta


a quantidade de moléculas de NO2. Portanto, nada impede que entre
as moléculas de NO2 ocorram colisões que favoreçam a regeneração de
moléculas de N2O4, como verificamos na equação:

2 NO2(g) N2O4(g)
(castanho) (incolor)
8 CEDERJ
29
Assim, após determinado tempo, para cada molécula de N2O4 que

AULA
se decompõe, duas outras moléculas de NO2 se combinam, formando
uma outra molécula de N2O4.

colisão reação direta

v1

v2

reação inversa colisão

Figura 29.1: Duas reações opostas ocorrendo num mesmo sistema.

Quando a velocidade da reação direta for igual à da reação inversa,


teremos um sistema em equilíbrio em que coexistirão moléculas de N2O4
e NO2.

N2O4(g) 2 NO2(g)
(incolor) (castanho)

Figura 29.2: Sistema entrando em equilíbrio.


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Elementos de Química Geral | Equilíbrio químico – princípios gerais

A situação descrita nos permite perceber que o sistema se


encontra num equilíbrio dito dinâmico, pois a quantidade de N2O4 que
se decompõe (reação direta) é igual à quantidade de N2O4 que é formada
(reação inversa).

!
O equilíbrio químico é caracterizado quando a velocidade da reação direta é
igual à velocidade da reação inversa. Conseqüentemente, as concentrações
dos participantes da reação não se alteram.

Retomemos a equação mencionada anteriormente.

N2O4(g) 2 NO2(g)
(incolor) (castanho)

No início da reação foi colocado 1 mol de N2O4 em um recipiente


de 1 litro. Portanto, essa concentração molar de N2O4 é de 1 mol por
litro, e pode ser representada por [N2O4] = 1mol/L. À medida que o
tempo passa, o N2O4 é consumido e, portanto, sua concentração vai
diminuindo.

2,0

1,5

1,0
[N2O4]

0,5

0
Tempo

Gráfico 29.1: Concentração de N2O4 em mol/L.

10 CEDERJ
29
Em contrapartida, a [NO2], concentração molar de NO2, que

AULA
inicialmente era nula, vai aumentando com o tempo.

2,0

1,5

1,0
[NO2]

0,5

0
Tempo

Gráfico 29.2: Concentração de NO2 em mol/L.

Depois de certo tempo, essas concentrações não mais variam,


momento esse em que fica caracterizado o equilíbrio químico.

2,0

1,5

1,0
[N2O4] = 0,74 mol/L

0,5
[NO2] = 0,52 mol/L

0
Tempo

A partir deste instante as concentrações


passam a ser constantes.
(Equilíbrio)

Gráfico 29.3: Equilíbrio químico da reação de N2O4 e NO2.

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Elementos de Química Geral | Equilíbrio químico – princípios gerais

LEI DA VELOCIDADE DA REAÇÃO E CONSTANTE DE


EQUILÍBRIO (KC)

Vamos agora observar o que ocorre com a velocidade dessas


reações (direta e inversa). A velocidade de uma reação é diretamente
proporcional ao produto das concentrações em mol/L dos reagentes dessa
reação (Lei de Ação das Massas ou Lei de Guldberg-Waage). Considere
REAÇÃO a REAÇÃO ELEMENTAR genérica:
ELEMENTAR
aX + bY produtos
É aquela que se
processa em uma
única etapa. A expressão da velocidade de uma reação pode ser assim
representada:

v = k[X]a [Y]b

v = velocidade da reação num determinado instante;


k = constante da velocidade da reação (um valor numérico
característico da reação e da temperatura);
[X] e [Y] = concentração em mol/L dos reagentes X e Y;
a e b são os coeficientes da equação.
Exemplo:

2 NO2 + H2 N2O + H2O


v = k [NO2]2 [H2]

A explicação para a existência de um termo elevado ao quadrado


é que poderíamos escrever a equação anterior da seguinte forma:

NO2 + NO2 + H2 N2O + H2O

Então, a expressão da velocidade seria v = k [NO2][NO2][H2],


que corresponde à expressão apresentada anteriormente v = k [NO2]2
[H2].
Voltemos à nossa reação.

N2O4(g) 2 NO2(g)

Podemos escrever a expressão da velocidade da reação direta (da


esquerda para a direita) v1:
v1= k1 [N2O4]

12 CEDERJ
29
E a expressão para a reação inversa (da direita para a esquerda)

AULA
v2 será:

v2 = k2 [NO2]2

Quando o sistema atinge o equilíbrio, podemos igualar v1 e v2:

[ NO2 ]
2
k
v1 = v2 ⇒ k1 [N2O4] = k2 [NO2] ⇒ 1 = 2
k2 [ N2O4 ]
k1
como k1 e k2 são constantes, então também é uma constante. Essa nova
k2
constante é chamada constante de equilíbrio, e é simbolizada por Kc.

Para o equilíbrio N2O4(g) 2 NO2(g), temos:

[ NO2 ]
2

Kc =
[ N 2 O4 ]
Essa expressão de K c nos diz que, independentemente das
[ NO2 ]
2

condições iniciais, o resultado do cálculo é igual a um valor


[ N2O4 ]
numérico fixo, para determinada temperatura.
Na temperatura de 100oC, o valor da concentração de Kc para
essa reação é 0,36. Esse valor foi calculado experimentalmente, e toda
vez que realizarmos essa reação num sistema fechado à temperatura de
100oC, encontraremos sempre esse mesmo valor.

Concluindo:
A Lei de equilíbrio (Kc) expressa em função das concentrações
é definida como a multiplicação das concentrações, em mol/L, dos
produtos, divididas pelas concentrações dos reagentes, todas elevadas
aos respectivos coeficientes estequiométricos.

aX + bY produtos
[C]c [D]d
aA + bB cC + dD Kc =
[A]a [B]b
Observe que o valor da constante de equilíbrio para uma reação,
em determinada temperatura, não depende das concentrações iniciais de
reagentes e produtos, e sim de suas concentrações no equilíbrio.

Outro exemplo: H2(g) + I2(g) 2 HI(g)


[HI ]2
Kc =
[H 2 ][I2 ]
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Elementos de Química Geral | Equilíbrio químico – princípios gerais

ATIVIDADE

1. Escreva a expressão da Lei de Equilíbrio (K c) para os seguintes


sistemas:

a. 2 SO2(g) + O2(g) 2 SO3(g)

b. Fe2+ (aq) + Cu2+(aq) Fe3+(aq) + Cu+(aq)

c. 2 NO2(g) 2 NO(g) + O2(g)

SIGNIFICADO DE KC

Qual informação podemos retirar do fato de conhecermos o Kc de uma


reação?
Pois bem, se o Kc de uma reação for muito alto, podemos concluir
que, ao atingir o equilíbrio, haverá muito mais produto do que reagente,
logo, será maior a extensão da reação direta. Por outro lado, se os
valores de Kc forem muito baixos, observaremos que a reação direta
será pouco favorecida, ou seja, no equilíbrio teremos mais reagentes do
que produtos.
Vamos exemplificar alguns problemas envolvendo Kc.

Exemplo 1
Em um sistema em equilíbrio a 25oC, as concentrações de NOCl(g),
NO(g) e Cl2(g) são, respectivamente, iguais a 5mol/L, 5x10–5 mol/L e
2 mol/L.
a. Calcule a constante de equilíbrio(Kc), a 25oC, para a reação:

2 NOCl(g) 2NO(g) + Cl2(g)

Vamos primeiramente escrever a expressão de Kc para essa reação.


[NO]2 [Cl2 ]
Kc =
[NOCl ]2
substituindo os valores na expressão:

(5 ⋅ 10−5 )2 ⋅ 2 25 ⋅ 10−10 ⋅ 2
Kc = = = 2 ⋅ 10−10
52 25

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b. Se você adicionar NOCl em um frasco vazio, a 25oC, a

AULA
decomposição em NO e Cl2 será muito intensa? Justifique.

A questão é saber se a decomposição do NOCl ocorre facilmente. Isto é


possível analisando o valor da sua constante de equilíbrio Kc’ = 2x102.
Este valor muito baixo indica que no equilíbrio a [NOCl] é muito alta,
logo o processo de decomposição do NOCl é difícil.

Exemplo 2
Para a reação representada a seguir, em que todas as substâncias estão
em fase gasosa:

2CO + O2 2CO2

realizada a uma dada temperatura, o valor da constante de equilíbrio


é 40 e as concentrações do CO = 0,05 mol/L e do CO2 = 0,10 mol/L.
Calcule a concentração em mol/L de gás oxigênio nesse equilíbrio.
Vamos escrever a expressão de Kc para esse equilíbrio,
[CO2 ]2
Kc =
[CO]2 [O2 ]
substituindo os valores dados:

(0, 10)2 0, 01
40 = ⇒ [O2 ] = ⇒ [O2 ] = 0, 10 mol/L
(0, 05) ⋅ [O2 ]
2
25 ⋅ 10−4 ⋅ 40

ATIVIDADES

2. Em determinadas condições de temperatura e pressão, existe 0,5 mol/L


de N2O4 em equilíbrio com 2 mol/L de NO2, segundo a equação

N2O4(g ) 2 NO2(g).

Qual o valor da constante desse equilíbrio em função das concentrações


em mol/L, nas condições da experiência?

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Elementos de Química Geral | Equilíbrio químico – princípios gerais

3. Em altas temperaturas, N2 reage com O2 produzindo NO, um poluente


atmosférico:

N2 + O2 2 NO

À temperatura de 2.000 Kelvin, a constante do equilíbrio descrito


anteriormente é igual a 4,0 x 10–4. Nessa temperatura, se as concentrações
de equilíbrio de N2 e O2 forem, respectivamente, 4,0 x 10–3 e 1,0 x 10–3
mol/L, qual será a concentração molar de NO no equilíbrio?

SISTEMAS GASOSOS

Em sistemas gasosos, a quantidade de reagente e produtos também


PRESSÃO PARCIAL pode ser verificada pela PRESSÃO PARCIAL de cada um dos gases participantes
Pressão exercida da reação, porque a concentração molar de um gás é diretamente
por um gás, se
este ocupasse proporcional a sua pressão parcial. Para comprovar esta relação, basta
sozinho o volume
analisado. observar a lei dos gases ideais.

n n
PV = nRT ou P = RT em que a relação corresponde à
V V
concentração mol/L .

Quando utilizamos as pressões parciais para descrever um sistema em


equlíbrio, chamamos a constante de equilíbrio de Kp. Vamos exemplificar
por meio da reação entre gás nitrogênio e gás hidrogênio na produção
de amônia.

N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g)

A Lei de Equilíbrio desta reação pode ser descrita em função das


[ NH3 ] ,
2

concentrações molares, como visto anteriormente, Kc =


[ N 2 ][H2 ]
3

P 2 NH 3
ou em função das pressões parciais, K p = .
PN2 P3H 2

16 CEDERJ
29
Exemplo 3

AULA
O gás SO3 pode ser decomposto em dióxido de enxofre e oxigênio a
altas temperaturas, de acordo com a equação: 2 SO3(g) 2 SO2(g)
+ O2(g).
As pressões parciais dos componentes no equilíbrio são: para O2 = 12 atm;
para SO2 = 4 atm e para SO3 = 8 atm. Determine o valor da constante
de equilíbrio Kp para este sistema.
Vamos primeiramente escrever a Lei de Equílíbrio em função das
P 2 so2 Po2
pressões parciais para esta reação K p = . Substituindo os
P 2 so3
valores, teremos:

42 × 12
Kp = ⇒ Kp = 3.
82

RELAÇÃO ENTRE KP E KC

Para algumas reações, os valores de Kp e Kc são iguais. Porém,


para muitas outras, as duas constantes apresentam valores diferentes.
Portanto, é necessário que nós possamos calcular uma a partir da outra.
A equação que nos permite fazer esse cálculo é deduzida a partir da lei
dos gases ideais.

Kp= Kc(RT)∆n

Nesta equação, ∆n é variação do número de mols (número de mols dos


produtos gasosos – número de mols dos reagentes gasosos) na equação
química. Para a reação

N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g),

temos que ∆n = 2 – (1+3) = –2.


Observe que quando o valor de ∆n for igual a zero, as constantes Kp e
Kc terão o mesmo valor.

GRAU DE EQUILÍBRIO

Considere um frasco fechado, inicialmente, com 9,0 mols de


ozônio (O3). Admita que no equilíbrio entre ozônio e oxigênio existam
6,0 mols de O3 e 4,5 mols de O2.
Para calcular o número de mols de O3 que reagiram, temos:
n (reagiram) = 9,0 – 6,0 = 3,0 mols de ozônio.

CEDERJ 17
Elementos de Química Geral | Equilíbrio químico – princípios gerais

Vamos agora determinar a porcentagem de mols de O3 que reage:

Início 9,0 mols ––––– 100%


Reagem 3,0 mols ––––– α
3x100
Logo, α = = 33%
9
Essa porcentagem é denominada grau de equilíbrio (α).
Podemos calcular o grau de equilíbrio para determinado reagente
diretamente pela expressão:

quantidade de mols consumidos


α=
quantidade inicial de mols

É muito importante que você saiba diferenciar grau de equilíbrio


e constante de equilíbrio.

Grau de equilíbrio(α) Constante de equilíbrio (Kc)

Alterando as
varia Não varia
concentrações
Alterando a
varia varia
temperatura

A uma temperatura constante, o grau de equilíbrio é variável,


porque depende da concentração inicial do reagente que estiver sendo
analisado. Entretanto, a constante de equilíbrio, como o próprio nome
indica, terá valor fixo para cada equilíbrio.

Exemplo 4
1) A tabela a seguir é válida para o seguinte equilíbrio de decom-
posição, realizado a 500oC:

2 NH3 N 2 + 3 H2

[NH3] [NH3] Kc

inicial no equilíbrio
a
1 experiência 1,0 0,2 16

2a experiência 5,0 1,6 16

18 CEDERJ
29
a. Por que o valor de Kc não varia?

AULA
O valor de Kc não varia, porque, mantida a temperatura constante,
a constante de equilíbrio não depende das concentrações iniciais dos
reagentes ou dos produtos.

b. Calcule o grau de decomposição da amônia, em cada experiência,


considerando o volume do recipiente igual a 1 litro.

1a experiência
início: NH3 = 1,0 mol
equilíbrio: NH3 = 0,2 mol
reage: 1,0 – 0,2 = 0,8 mol

quantidade de mols consumidos 0, 8


α= α= = 0, 8 = 80%
quantidade inicial de mols 1, 0

2a experiência
início: NH3 = 5,0 mol
equilíbrio: NH3 = 1,6 mol
reagem: 5,0 – 1,6 = 3,4 mol

quantidade de mols consumidos 3, 4


α= α= = 0, 68 = 68%
quantidade inicial de mols 5, 0

CONCLUSÃO

O equilíbrio químico pode existir somente em sistemas fechados


em que o conteúdo material não é aumentado nem diminuído, perma-
necendo assim com as concentrações constantes.

CEDERJ 19
Elementos de Química Geral | Equilíbrio químico – princípios gerais

ATIVIDADES FINAIS

1. O gráfico a seguir mostra a variação, em função do tempo, das concentrações de


A, B, C e D durante a reação de 3,5 mol/L de A com 3,5 mol/L de B, a 25°C. Observe
que as concentrações A, B, C e D para o cálculo de Kc estão indicadas no gráfico.

4,0

3,5

3,0
C + D
2,5

2,0

1,5

1,0
A + B
0,5

0
5 10 15 20 Tempo (min)

Considerando a reação A + B C + D:

a. em que tempo de reação o equilíbrio foi atingido?

b. qual o valor da constante desse equilíbrio?

2. Para o equilíbrio CO2 + H2 CO + H2O numa determinada temperatura,


a constante Kc vale 8,4.

Uma análise apontou os seguintes resultados, em determinado instante de uma


experiência:

[CO2] = 0,2 mol/L

[H2] = 0,3 mol/L

[CO] = 1,2 mol/L

20 CEDERJ
29
[H2O] = 0,4 mol/L

AULA
Com base nessas informações, verifique se o sistema já atingiu o equilíbrio no
instante considerado.

3. Em um recipiente de 1 litro, colocou-se 1 mol de PCl5. Suponha o sistema:

PCl5 PCl3 + Cl2, homogêneo e em temperatura tal que o PCl5 esteja 80%
dissociado. Determine a constante de equilíbrio para esse sistema.

4. Dado Kc = 61 para a reação N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g) a 500K, calcule se


mais amônia tenderá a se formar quando a mistura de composição 2,23 x 10–3
mol/L de N2, 1,24 x 10–3 mol/L de H2 e 1,12 x 10–1 mol/L de NH3 estiver presente em
um recipiente a 500K.

RESUMO

• O equilíbrio químico é uma reação reversível na qual a velocidade da reação direta


é igual à velocidade da reação inversa e, conseqüentemente, as concentrações
de todas as substâncias participantes permanecem constantes.

[C]c [D]d
• Para a reação a A +bB cC + dD Kc =
[A]a [B]b

• Kc não varia com a concentração das substâncias, mas varia com a temperatura
em que se processa a reação.

• Em sistemas gasosos podemos determinar a constante de equilíbrio em função


das pressões parciais (Kp).

• O grau de equilíbrio (α) varia com a temperatura e com a concentração.

CEDERJ 21
Elementos de Química Geral | Equilíbrio químico – princípios gerais

INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA

Na nossa próxima aula, vamos saber como podemos perturbar um sistema em


equilíbrio e as conseqüências na reação dessa perturbação.

RESPOSTAS

Atividade 1
[SO3 ]2
a. Kc =
[SO2 ]2 [O2 ]

[Fe3+ ][Cu+ ]
b. Kc =
[Fe2 + ][Cu2 + ]

[NO]2 [O2 ]
c. Kc =
[NO2 ]2

Atividade 2
[ NO2 ]
2
22
Kc = = =8
[ N 2 O4 ] 0, 5

Atividade 3

4,0 x 10–5 mol/L

Atividades Finais

1. a. 10 minutos

2, 5 x 2, 5
b. = 6, 25
1, 0 x 1, 0

1, 2 x 0, 4
2. = 8 ≠ Kc logo, o sistema ainda não atingiu o equilíbrio.
0, 2 x 0, 3

0, 8 x 0, 8
3. Kc = = 3, 2
0, 2

[NH3 ]2
4. Não, pois o valor para está muito maior que o Kc indicado.
[N 2 ][H 2 ]3

22 CEDERJ
30
AULA
Deslocamento de equilíbrio

Meta da aula
Apresentar a aplicação do Princípio de Le Chatelier
em equilíbrio químico.
objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• identificar os fatores que alteram um


sistema em equilíbrio;
• verificar como esses fatores provocam um
deslocamento de equilíbrio.
Elementos de Química Geral | Deslocamento de equilíbrio

INTRODUÇÃO Esta aula é a continuação do conteúdo Equilíbrio Químico, trabalhado na


Aula 29. Como você viu naquela aula, um sistema, após atingir o equilíbrio,
apresenta uma quantidade constante das substâncias participantes se não
houver alterações externas que perturbem esse equilíbrio.
Em 1888, o químico francês Henry Louis Le Chatelier desenvolveu um trabalho
que permite prever o que ocorrerá a um sistema em equilíbrio quando
perturbado.

!
A conclusão deste trabalho é conhecida como o Princípio de Le Chatelier:
“Quando um sistema em equilíbrio é perturbado, ele reage no sentido de
anular o efeito dessa perturbação.”

Quem foi Le Chatelier?


Henry Louis Le Chatelier nasceu em Paris no dia 8 de outubro de 1850.
Os primeiros ensinamentos em Matemática e Química foram dados
pelo pai, o engenheiro Louis Le Chatelier. Mais tarde, pai e filho
trabalhariam juntos na criação de uma indústria de alumínio.
Toda a linha de pesquisa de Le Chatelier era voltada para as aplicações
práticas. Publicou trabalhos sobre cimento e, preocupado com os
acidentes em minas de carvão, fez um minucioso estudo sobre
combustão do metano, determinando a temperatura de ignição e
outras variáveis.
Durante toda a vida, Le Chatelier dedicou-se à Educação. Considerado
um inovador na Educação em Química, criou métodos próprios que
sempre despertavam interesse em seus alunos.
Texto adaptado, em outubro de 2005, do site www.woodrow.org/
teachers/chemistry/institutes/1992/LeChatelier.html

Os principais fatores externos que podem influenciar um


equilíbrio são:

• concentração dos participantes;


• temperatura;
• pressão total do sistema.

ALTERANDO AS CONCENTRAÇÕES

Vamos tomar como exemplo o seguinte sistema em equilíbrio:

1
N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g) + calor
2

24 CEDERJ
30
Se adicionarmos a esse sistema uma determinada quantidade de

AULA
H2, o equilíbrio irá se deslocar no sentido de consumir esse H2 colocado
a mais. A reação que consome H2 é a reação 1 (reação direta). Então,
durante um determinado tempo, a velocidade da reação 1 será maior
que a velocidade da reação 2 (v1 > v2), o que acarretará aumento da
concentração de NH3.

1
N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g) + calor
2

Após certo tempo, é estabelecido um novo equilíbrio, mas sem


alteração no valor da constante Kc.
Se aumentarmos a concentração de NH3, o sistema irá se deslocar
no sentido de consumir esse NH3. A reação que consome NH3 é a reação
2 (reação inversa). Então, durante certo tempo, v2 > v1, o que acarretará
aumento da concentração de N2 e H2.

1
N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g) + calor
2

Essas velocidades se tornarão iguais após certo tempo e o equilíbrio


será estabelecido, mas com o mesmo valor para sua constante Kc.

O que ocorrerá com esse equilíbrio se retiramos NH3 do sistema?


Segundo o Princípio de Le Chatelier, o sistema terá de anular essa
alteração. Para isso, ele deverá produzir uma maior quantidade de NH3,
favorecendo, assim, a reação 1 (reação direta), durante determinado
tempo, até o equilíbrio ser novamente atingido.

1
N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g) + calor
2

Exemplo 1
Considere o equilíbrio: Fe3O4(s) + 4 H2(g) 3 Fe(s) + 4H2O(g)
o
a 150 C, em recipiente fechado.
a. Escreva a expressão da constante de equilíbrio da reação.

[produtos ]
Como vimos na Aula 29, Kc = .
[reagentes ]

CEDERJ 25
Elementos de Química Geral | Deslocamento de equilíbrio

Quando temos substâncias no estado sólido, essas não participam


da expressão da constante de equilíbrio, pois não apresentam
concentração molar.
[ H2O]
4

Logo, para nossa reação: Kc = .


[ H2 ]
4

b. Preveja, justificando, qual será o efeito da adição ao sistema


em equilíbrio de:
(I) H2 (g).
Segundo Le Chatelier, o sistema deverá consumir H2 para retornar
ao equilíbrio, favorecendo a reação direta.
(II) Fe (s).
Como o ferro se apresenta no estado sólido, a quantidade dessa
substância não afeta o equilíbrio.
(III) Um catalisador.
O catalisador é uma substância adicionada a uma reação para
aumentar a sua velocidade, como ocorre com as enzimas em
sistemas biológicos. Ela não influi em um sistema em equilíbrio.

ATIVIDADE

1. Considere a reação em equilíbrio representada a seguir:


1
4 HCl (g) + O2 (g) 2 H2O (g) + 2Cl2 (g)
2

O que ocorrerá com o equilíbrio dessa reação se:


a. a concentração de gás oxigênio diminuir?
b. for adicionado um catalisador?
c. a concentração de Cl2 aumentar?

Alterando a pressão total do sistema

Em equilíbrios que envolvem gases, poderá haver variações de


volume, dependendo da proporção do número de moléculas dado pelos
coeficientes da reação. No nosso exemplo, temos:

1
N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g) + calor
2
1 + 3 = 4 volumes 2 volumes
⇓ ⇓
maior pressão menor pressão

26 CEDERJ
30
Pelo Princípio de Le Chatelier, um aumento de pressão no sistema

AULA
deverá deslocar o equilíbrio no sentido de anular essa alteração, ou seja,
no sentido de menor pressão, favorecendo, no nosso exemplo, a reação
1 (reação direta). Logo, o aumento de pressão desloca o equilíbrio para
o lado de menor número de mols gasosos.
Por outro lado, se diminuirmos a pressão do sistema, ele irá se
deslocar no sentido de maior pressão, favorecendo a reação 2 (reação
inversa). Logo, a diminuição de pressão desloca o equilíbrio para o lado
de maior número de mols gasosos.
Quando alteramos a pressão total de um sistema em equilíbrio,
ele será perturbado por um tempo e voltará ao equilíbrio sem alteração
no valor da constante Kc.

ATIVIDADE

2. Há dois sistemas gasosos em equilíbrio, cujas constantes de equilíbrio


são dadas pelas expressões (I) e (II):

[H 2 O]2 [Cl2 ]2 [CH 4 ][H 2 S]2


(I) (II)
[HCl ]4 [O2 ] [CS 2 ][H 2 ]4
Nessas condições:

a. Escreva a equação para cada um dos sistemas em equilíbrio.


b. Qual será o efeito do aumento de pressão total sobre cada um dos
sistemas?

ALTERANDO A TEMPERATURA

Se aumentássemos a temperatura, estaríamos, em outras palavras,


fornecendo calor para o sistema. Segundo Le Chatelier, o equilíbrio irá
se deslocar no sentido de anular esse efeito, ou seja, irá consumir calor.
A reação que consome calor é chamada reação endotérmica. No nosso
exemplo, a reação que consome calor é a reação 2 (reação inversa).
Com o aumento da temperatura, teremos, durante certo tempo:

1
N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g) + calor, até o equilíbrio
2
ser restabelecido.

CEDERJ 27
Elementos de Química Geral | Deslocamento de equilíbrio

Se diminuíssemos a temperatura, estaríamos retirando calor do


sistema; com isso, o equilíbrio iria se deslocar no sentido de produzir
calor. A reação que produz calor é chamada exotérmica. No nosso
exemplo, a reação que produz calor é a reação 1 (reação direta).
Com a diminuição da temperatura, teremos, durante um certo
tempo:

1
N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g) + calor, até o equilíbrio
2
ser restabelecido.
Desta forma, em um sistema em equilíbrio, com pressão constante,
o aumento da temperatura provoca o deslocamento do equilíbrio no
sentido da reação endotérmica. Logo, a diminuição da temperatura
desloca a reação no sentido inverso, ou seja, no sentido da reação
exotérmica.
Quando alteramos a temperatura de um sistema, estamos
alterando a sua energia. Com isso, o novo equilíbrio que será atingido
apresentará um novo valor da constante Kc.
Podemos ilustrar a importância do Princípio de Le Chatelier com
o exemplo da origem das cáries dentárias.

Exemplo 1
O esmalte dos dentes é formado por uma substância insolúvel
chamada hidroxiapatita, e a destruição dessa substância é chamada de
desmineralização.
Na boca, há o equilíbrio:

Ca5 (PO4) 3 OH (s) 5 Ca2+(aq) + 3 PO43–(aq) + OH–(aq)

Entretanto, a fermentação de alimentos, como o açúcar, produz íons


H+ por meio de um processo ácido. Esses íons retiram OH– para formar
H2O. Dessa forma, os íons se tornam responsáveis pelo deslocamento
do equilíbrio para a direita e, assim, pela destruição do esmalte.
A adição de flúor ajuda a prevenir as cáries, porque os íons F–
substituem os íons OH– do esmalte, formando fluorapatita, Ca5(PO4)3F,
muito resistente ao ataque de ácidos.

28 CEDERJ
30
Exemplo 2

AULA
O ozônio é formado, somente na estratosfera ou em laboratório, sob a
ação de radiações eletromagnéticas (ultravioleta, onda de rádio etc.). Sua
formação ocorre mediante a seguinte reação endotérmica:

3 O2 2 O3

a. O aumento da temperatura favorece ou dificulta a formação de


ozônio? Justifique.

Como, segundo o enunciado, a reação da formação de ozônio é


endotérmica, o aumento de temperatura favorecerá essa reação.

!
Lembre-se: o aumento da temperatura favorece a reação endotérmica.

b. E o aumento da pressão? Justifique.

O aumento da pressão desloca o equilíbrio para o lado de menor


volume. Logo, favorecerá a reação de formação do ozônio.

ATIVIDADE

3. Considere o sistema em equilíbrio representado pela equação química:

CO (g) + 2 H2 (g) CH3OH (g) + calor

Com base nesse sistema, classifique as afirmativas a seguir em verdadeira


ou falsa, em relação ao deslocamento do equilíbrio.
I – Desloca-se para a direita, com o aumento da temperatura ( ).
II – Desloca-se para a esquerda, com o aumento da concentração de
metanol (CH3OH) ( ).
III – Desloca-se para a direita, diminuindo a concentração de hidrogênio ( ).
IV – Desloca-se para a esquerda, com a diminuição da temperatura ( ).
V – Desloca-se para a esquerda, com o aumento da concentração de
monóxido de carbono ( ).

CEDERJ 29
Elementos de Química Geral | Deslocamento de equilíbrio

As equações a seguir representam sistemas em equilíbrio. O único sistema


que não se desloca por alteração de pressão é:

a. SO2 (g) + 1/2 O2 (g) SO3 (g)


b. CO2 (g) + H2 (g) CO (g) + H2O (g)
c. N2 (g) + 3 H2 (g) 2 NH3 (g)
d. 2 CO2 (g) 2 CO (g) + O2 (g)

CONCLUSÃO

O conhecimento do comportamento de sistemas em equilíbrio


frente a fatores como temperatura, pressão e concentração dos
participantes foi importante para viabilizar muitos processos industriais
e práticas de laboratório.

ATIVIDADES FINAIS

1. Nas lâmpadas comuns, quando estão acesas, o tungstênio (W) do filamento


sublima, depositando-se na superfície interna do bulbo. No interior das chamadas
“lâmpadas halógenas” há iodo, a fim de diminuir a deposição de tungstênio. Estas,
quando acesas, apresentam uma reação de equilíbrio representada por:

W (s) + 3 I2 (g) WI6 (g)

Na superfície do filamento (região de temperatura elevada), o equilíbrio está


deslocado para a esquerda. Próximo à superfície do bulbo (região mais fria), o
equilíbrio está deslocado para a direita.

a. Escreva a expressão para a constante de equilíbrio.

b. A formação do WI6(g), a partir dos elementos conforme a equação dada, é


exotérmica ou endotérmica? Justifique.

30 CEDERJ
30
2. Em um recipiente fechado, é realizada a seguinte reação a temperatura constante:

AULA
SO2 (g) + 1/2 O2 (g) SO3 (g)

a. Sendo v1 a velocidade da reação direta e v2 a velocidade da reação inversa, qual


v1
a relação no equilíbrio?
v2
b. Se o sistema for comprimido mecanicamente, ocasionando um aumento de
pressão, o que acontecerá com o número total de moléculas?

3. O equilíbrio entre a hemoglobina (Hm), o monóxido de carbono (CO) e o


oxigênio (O2) pode ser representado pela equação:

Hm•O2 (aq) + CO (g) Hm•CO (aq) + O2 (g),

sendo a constante de equilíbrio dada por:

[Hm • CO][O2 ]
K= = 210
[Hm • O2 ][CO]

Estima-se que os pulmões de um fumante sejam expostos a uma concentração


de CO igual a 2,2x10-6 mol/L e de O2 igual a 8,8x10-3 mol/L. Nesse caso, qual a
razão entre a concentração de hemoglobina ligada ao monóxido de carbono e a
concentração de homoglobina ligada ao oxigênio, [Hm•CO] / [Hm•O2]?

4. O hidrogênio molecular pode ser obtido, industrialmente, pelo tratamento


do metano (CH4) com o vapor d'água. O processo envolve a seguinte reação
endotérmica:

CH4 (g) + H2O (g) CO (g) + 3 H2 (g)

Com relação ao sistema em equilíbrio, pode-se afirmar, corretamente, que:

a. a presença de um catalisador afeta a composição da mistura.

b. a presença de um catalisador afeta a constante de equilíbrio.

c. o aumento da pressão diminui a quantidade de metano.

d. o aumento da temperatura afeta a constante de equilíbrio.


CEDERJ 31
Elementos de Química Geral | Deslocamento de equilíbrio

RESUMO

• Princípio de Le Chatelier: Quando se exerce uma ação sobre um sistema


em equilíbrio, ele se desloca no sentido que produz uma anulação da ação
exercida.

• Um aumento da concentração de um participante do equilíbrio desloca-o no


sentido da reação em que ele é consumido e a diminuição da concentração
de um participante do equilíbrio desloca-o no sentido da reação em que ele é
formado.

• Um aumento da pressão desloca o equilíbrio para a reação que ocorre com


contração do volume; já uma diminuição da pressão desloca-o para a reação
que ocorre com expansão do volume.

• Um aumento da temperatura desloca o equilíbrio para a reação endotérmica e


a diminuição da temperatura para reação exotérmica.

RESPOSTAS

1.a. Desloca-se no sentido 2.

1.b. Nada ocorre ao equilíbrio.

1.c. Desloca-se no sentido 2.

2. a. Para o sistema:

(I) 4 HCl (g) + O2 (g) 2 H2O (g) + 2 Cl2 (g)

(II) CS2 (g) + 4 H2 (g) CH4 (g) + 2 H2S (g)

32 CEDERJ
30
2.b. O aumento da pressão desloca o equilíbrio para o lado de menor volume.

AULA
Logo, favorecerá a reação direta nos dois sistemas.

(I) 4 HCl (g) + O2 (g) 2 H2O (g) + 2 Cl2 (g)

5 volumes 4 volumes

(II) CS2 (g) + 4 H2 (g) CH4 (g) + 2 H2S( g)

5 volumes 3 volumes

3. ( F ) (V) (F) (F) (F)

4. A letra b, pois o número de mols gasosos é igual nos reagentes e produtos.

Atividades Finais

[ WI6 ]
1. a. K =
c [I 2 ]3

1. b. Exotérmica, pois é favorecida em temperaturas mais baixas.

2. a. O equilíbrio é caracterizado pela igualdade das velocidades das reações direta


e inversa, logo v1/v2 = 1.

2. b. O sistema se deslocará no sentido de menor pressão (para direita), diminuindo


o número total de moléculas.

[Hm•CO]8,8 x 10- 3 [Hm•CO]


- 6 ⇒ [Hm•O ]
[Hm•O2 ]2,2 x 10 2

4. A letra d, pois toda constante de equilíbrio varia com a temperatura do sistema.

CEDERJ 33
31
AULA
Equilíbrio iônico de
ácidos e bases

Meta da aula
Apresentar uma visão de equilíbrios iônicos que
envolvem as forças de ácidos e bases.
objetivos

Após o estudo do conteúdo desta aula,


esperamos que você seja capaz de:
• definir ácidos e bases segundo as teorias
de Arrhenius e Brönsted & Lowry;
• definir constantes de ionização de ácidos
e bases;
• definir e aplicar em problemas o conceito
de pH e pOH;
• definir solução-tampão.
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

INTRODUÇÃO O conceito de equilíbrio, já estudado, tem mais uma aplicação quando


trabalhamos com sistemas iônicos. Dentre os sistemas iônicos, os mais
importantes referem-se ao equilíbrio de ácidos e bases.

ÁCIDOS E BASES

O cientista sueco Svante Arrhenius, em 1887, definiu ácidos como


substâncias que, em solução aquosa, se ionizam e liberam íons H+ e base
como substâncias que em solução aquosa se ionizam e liberam íons OH–.
Sendo assim, o cloreto de hidrogênio (HCl) é dito um ácido de Arrhenius,
pois, em solução aquosa, sofre ionização, produzindo íons hidrogênio
e íons cloreto (equação 1),

H2O
equação 1 HCl -H+ + Cl -

já a soda cáustica (NaOH) é uma base, pois gera íons sódio (Na+) e íons
hidroxila (OH–) (equação 2).

H2O
equação 2 HaOH Na+ + OH-

Em resumo, a teoria de Arrhenius indicava que o próton (H+)


era responsável pelas propriedades ácidas e o íon hidroxila (OH-), pelas
propriedades básicas.
Em 1923, Brönsted, na Dinamarca, e Lowry, na Inglaterra, em
estudos independentes, sugeriram outra definição de ácido-base, que
complementaria a Teoria Ácido-Base de Arrhenius.
A teoria de Brönsted & Lowry define, como ácido, uma espécie química
capaz de doar próton e, como base, uma espécie química capaz de
aceitar próton. Uma reação ácido-base é uma reação de transferência
de prótons.
Essa definição leva a um melhor entendimento da formação do
próton hidratado (H3O+), pois o ácido, ao sofrer ionização, não forma o
íon hidrogênio, mas doa um próton para a molécula de água. Retornando
ao exemplo do cloreto de hidrogênio, sua molécula doa um próton (H+) à
água, comportando-se assim como um ácido. A água, por sua vez, como

36 CEDERJ
31
recebe o íon hidrogênio (próton), funciona como base. Esta reação é

AULA
reversível, o que significa que o íon cloreto (Cl-) pode receber o próton
de volta do íon hidrônio (H3O+). Portanto, o íon cloreto é uma base e o
íon hidrônio, um ácido. (equação 3).

HCl + H2O H3O+ + Cl -


equação 3 Ácido 1 + Base 2 Ácido 2 + Base 1

A amônia é classificada como uma base segundo Brönsted &


Lowry, porque, ao entrar em contato com a água recebe um próton
(H+). Desta forma, surge o íon amônio (NH4+), seu ácido conjugado.
A água, como doadora do próton, comporta-se como ácido de Brönsted
& Lowry e gera o íon hidroxila, que é a sua base conjugada:

NH3 + H2O NH4+ + OH-


Base 1 + Ácido 2 Ácido 1 + Base 2

A força de um ácido é dada pela sua maior ou menor tendência de


doar um próton: quanto maior a sua facilidade para ceder o H+, maior a
sua força ácida, enquanto a base forte é aquela que tem maior tendência
a receber esse próton.
Se prepararmos, por exemplo, duas soluções aquosas diluídas
de ácidos diferentes, a uma mesma temperatura, visualmente não
conseguimos perceber nenhuma diferença entre elas.

1 L de solução aquosa 1 L de solução aquosa


0,1 mol/L de ácido 0,1 mol/L de ácido
cloridrico (HCI) acético (CH3COOH)

Figura 31.1: Béqueres contendo soluções ácidas.

No entanto, com a utilização de uma aparelhagem simples,


podemos perceber que elas apresentam condutibilidades elétricas
diferentes:

CEDERJ 37
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

Lâmpada com brilho intenso Lâmpada com pouco brilho

127 V 127 V
corrente corrente
alternada alternada

HCI(aq) 1M CH3COOH(aq)
1M
Figura 31.2: Condutibilidade elétrica dos ácidos.

Você percebeu
que no caso do Quanto mais intenso o brilho da lâmpada, maior a concentração
ácido acético
tanto faz escrever de íons presentes e maior a condutibilidade elétrica da solução. Podemos
a fórmula
concluir, observando a Figura 31.2, que o ácido clorídrico (HCl) está mais
H3CCOOH ou
CH3COOH? ionizado e é um ácido mais forte do que o ácido acético (H3CCOOH).

CONSTANTE DE ACIDEZ (Ka)

Vamos analisar separadamente os equilíbrios existentes nas duas


soluções ácidas.
No caso do ácido clorídrico, temos:

HCI (aq) H+(aq) + Cl - (aq)

A expressão da constante de equilíbrio para essa equação, que


por se tratar de sistema em equilíbrio iônico, pode ser chamada Ki e,
mais particularmente, por ser equação de ionização de ácido, pode ser
chamada Ka.

[H+ ][Cl- ]
K i = Ka =
[HCl]

Experimentalmente, determinou-se que o valor de Ka do HCl a


25oC é aproximadamente 103.

[H+ ][Cl- ]
Ka = = 103 (valor alto)
[HCl]

38 CEDERJ
31
O alto valor de Ka significa que o numerador é cerca de mil vezes

AULA
maior que o denominador. Logo, na situação de equilíbrio, há muito
mais moléculas ionizadas. Isto confirma o dado da experiência em que
vimos ser o HCl um ácido bem forte.

Para o ácido acético, temos:

H3CCOO(aq) H+(aq) + H3CCOO- (aq)

Logo, a expressão de Ka será:

[H+ ][H3CCOO- ]
Ka = = 1, 8· 10- 5 (a 25oC)
[H3CCOOH]

Como esse valor é muito baixo, podemos concluir que, na situação


de equilíbrio, há mais moléculas não-ionizadas (denominador) do que
íons em solução, o que justifica a baixa condutibilidade elétrica.
Portanto, pode-se afirmar que, quanto maior o valor de Ka, mais
ionizado estará o ácido, ou seja, maior será a sua força.

!
Quanto maior o Ka, maior o número de moléculas que se ionizam; logo, mais
forte será o ácido.

CONSTANTE DE BASICIDADE (Kb)

Assim, como definimos a constante de ionização para ácidos (Ka),


também podemos definir a constante de dissociação para as bases: Kb.
Considere uma base genérica BOH; o equilíbrio em solução aquosa
pode ser representado da seguinte forma:

BOH(aq) B+(aq) + OH- (aq)

Podemos definir a constante de dissociação dessa base como:

[B+ ][OH- ]
K b=
[BOH]

CEDERJ 39
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

Veja o exemplo do gás amônia (NH3) que forma soluções aquosas


básicas, nas quais a base pode ser representada por NH4OH.

NH4OH(aq) NH4+(aq) + OH- (aq)

[NH 4+ ][OH- ]
Kb = = 1, 7 · 10- 5 (a 25oC)
[NH 4OH]

O valor baixo de Kb indica que, no equilíbrio da amônia em


água, poucas moléculas se dissociam. Isso caracteriza a amônia como
uma base fraca.

ATIVIDADE

1. Frutas cítricas, como o limão e a laranja, contêm ácido cítrico e ácido


ascórbico (vitamina C). As constantes de ionização (Ka), a 25oC, são dadas
abaixo:

Ácido cítrico Ka = 8x10-4


Ácido ascórbico Ka = 8x10-5

A respeito desses dados, julgue os itens a seguir em verdadeiros ( V ) ou


falsos ( F ).
(I) O ácido cítrico é mais forte que o ascórbico ( ).
(II) Esses dois ácidos são mais fortes que o ácido clorídrico ( ).
(III) Os equilíbrios de ionização desses ácidos devem estar deslocados
para a esquerda ( ).

EQUILÍBRIO IÔNICO DA ÁGUA

Experiências de condutibilidade elétrica e outras evidências


mostram que a água, quando pura, se ioniza muito pouco, originando
o equilíbrio:

H2O(1) + H2O(1) H3O+(aq) + OH- (aq)

Figura 31.3: Representação da reação de ionização da água.


40 CEDERJ
31
Ou, de maneira simplificada:

AULA
H2O(1) H+(aq) + OH- (aq)

Na água pura, a concentração de íons H+ é sempre igual à


concentração de íons OH–, pois cada molécula de água ionizada origina
um íon H+ e um íon OH–.
Na temperatura de 25oC, as concentrações em mol/L de H+ e
OH– são iguais entre si e apresentam um valor de 10–7 mol/L. Por esse
valor, podemos perceber o quão pouco a água se ioniza.

PRODUTO IÔNICO DA ÁGUA

Considerando o equilíbrio de ionização da água

H2O(1) H+(aq) + OH- (aq)

Podemos escrever a expressão da sua constante de equilíbrio:

[H+ ][OH- ]
Kc =
[H 2O]

Sabendo que a água apresenta um baixíssimo grau de ionização, podemos


considerar que a [H2O] é constante, pois praticamente não se altera.
Logo:

Kc [H2O] = [H+][OH-]
Kw

Kw é chamado de constante de ionização da água, cujo valor pode


ser calculado a 25oC, com os valores de [H+] e [OH–] conhecidos:

Kw = [H+][OH–]
Kw = (10–7)(10–7) ⇒ Kw = 10–14

O fato de Kw ser constante, a uma dada temperatura, nos permite


chegar às seguintes conclusões:

CEDERJ 41
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

• Toda solução aquosa contém íons H+ e OH–.


• Uma solução ácida poderá possuir alta concentração de íons
H+, no entanto, haverá sempre uma certa quantidade de OH– de modo
que: [H+][OH–] = Kw = constante.
• Numa solução básica, em que temos maior concentração de
íons OH–, também teremos presente íons H+, tal que: [H+][OH–] = Kw
= constante.
• Com base nessas observações podemos afirmar que a 25oC
teremos para qualquer solução aquosa: [H+][OH–] = Kw = 10–14.

Podemos resumir o conceito de soluções ácidas, básicas (também


chamadas alcalinas) e neutras:
• Solução ácida [H+] > [OH–]
• Solução básica [H+] < [OH–]
• Solução neutra [H+] = [OH–]

Exemplo 1

Considere que o suco de laranja apresente [H+] = 1,0 · 10–4 mol/L, a 25°C.
(Dados: a 25 °C, Kw =10–14)
a. Determine a concentração molar dos íons OH– presentes nesse suco.

Para qualquer solução aquosa : Kw = [H+][OH–] = 10–14


Como [H+] = 1,0 · 10–4, substituindo este valor na equação, temos:
10- 4 = 1, 0 · 10- 4 [OH- ]
10- 14
[OH- ] = -4
= 1, 0 · 10- 10 mol / L
1, 0 · 10

b. Demonstre que o suco de laranja é uma solução ácida.

Como [H+] é maior que [OH–], o suco de laranja é ácido.


Podemos verificar através dos valores:
1,0 · 10–4 > 1,0 · 10–10
[H+] > [OH–]

42 CEDERJ
31
Exemplo 2

AULA
Um comprimido antiácido, que contém bicarbonato de sódio
(NaHCO3), origina uma solução em que a concentração de íon OH– é
igual a 1,0 · 10–5 mol/L, a 25°C. Demonstre que [OH–] > [H+]. (Dados:
a 25° C, Kw =10–14)

Empregando a equação Kw = [H+][OH–] = 10–14, temos:

Kw 10- 14
[H + ] = = = 1, 0 · 10- 9 mol / L
[OH- ] 1, 0 · 10- 5

1,0 · 10–5 > 1,0 · 10–9


[OH-] > [H+]

O QUE É PH? E POH?

O caráter ácido ou básico de uma solução é usualmente


determinado em função da concentração em mol/L dos íons H+. No
entanto, como essas concentrações normalmente são indicadas por
números de base decimal com expoente negativo (por exemplo, 10–2, 10–7)
trabalhar com esses números pode acarretar dificuldades matemáticas.
Assim, em 1909, o bioquímico dinamarquês Peter Sörensen (1868-1939)
propôs o uso da escala de pH (potencial hidrogeniônico) como método
de determinação da acidez de uma solução. O pH foi definido como: pH
= –log [H+], sendo definido com logaritmo na base 10.

Assim, sendo para a água pura, em que a [H+] = 10–7, o pH é:


pH = –log 10–7 ⇒ pH = 7. Esse valor é considerado o padrão
de neutralidade.

Exemplo 3

Uma solução que apresenta [H+] > 10–7 é considerada ácida.


Exemplo disso é a solução de um suco de tomate, cuja concentração
de íons H+ é igual a 0,0001 mol/L, ou seja, 10–4 mol/L. Qual será o pH
dessa solução?

CEDERJ 43
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

[H+]= 10-4 mol/L


pH= - log [H+]
pH= - log 10-4
pH= - (-4) log 10
1
pH = 4
Assim:
pH= - log 10-4
pH = 4

Assim como definimos pH, podemos fazer o mesmo com pOH


(potencial hidroxiliônico): pOH = –log[OH–] .

ATIVIDADE

2. Produtos de limpeza que possuem amoníaco apresentam [OH–] = 0,001


mol/L, ou seja, 10–3mol/L. Determine o pOH dessa solução.

RELAÇÃO ENTRE PH E POH

Vamos retomar a expressão do produto iônico da água:


[H+][OH–] = Kw
Aplicando a notação logarítmica, teremos:
log [H+] + log [OH–] = log Kw
multiplicando por (–1)
(–log [H+] ) + (–log [OH–] ) = – log Kw como Kw = 10–14,

(–log [H+] ) + (–log [OH–] ) = –log 10–14 = 14

(–log [H+] ) + (–log [OH–] ) = –log 10–14 = 14


pH pH

44 CEDERJ
31
!

AULA
pH + pOH = 14

O termo pH é muito mais utilizado que o pOH em situações do


cotidiano.

Vamos, então, caracterizar os diferentes tipos de soluções que encontraremos


em nossos estudos:

Soluções neutras:
Uma solução neutra apresentará concentrações iguais de H+ e OH–.
[H+] = [OH–] = 10–7
pH = –log 10–7 = 7
Logo, pH = pOH = 7

Soluções ácidas:
Uma solução ácida apresenta [H+] > 10–7
Logo: pH < 7

Soluções básicas:
Em uma solução básica temos [H+] < 10–7
Logo: pH > 7

Resumindo:
Solução pH pOH

Neutra 7 7
Ácida <7 >7
Básica >7 <7

ESCALA DE PH

A escala de pH apresenta valores que variam de zero a 14 e nos


indicam o grau de acidez ou basicidade de uma solução a 25oC.

Neutro
Ácido Básico

0 7 14

Figura 31.4: Escala de pH.

CEDERJ 45
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

Em um laboratório, a maneira mais precisa e prática de se


determinar o pH de uma solução é por meio da utilização de um aparelho
elétrico chamado pHmetro. Durante seu curso de Biologia, você terá
oportunidade de trabalhar com esse aparelho e determinar os pHs de
algumas soluções e materiais comuns em nosso dia-a-dia.

Exemplo 4
Considere que a solução de H2SO4 da bateria de carro tenha pH
=1,0 e que o suco de limão tenha pH = 2,0.
a. Qual é a solução mais ácida?
A solução de H2SO4 é mais ácida porque possui o menor valor de pH.

b. Qual a relação entre as respectivas concentrações de íons H+?


Sabendo que log a = b ⇒ a = 10b, então:
– log [H+] = pH ou log [H+] = – pH ⇒ [H+] = 10–pH
Para a solução de H2SO4, temos:
pH = 1 ⇒ [H+] = 10–1
Para o suco de limão temos:
pH = 2 ⇒ [H+] = 10–2
Essa questão nos mostra que quando os valores de pH variam de
uma unidade, as concentrações de H+ variam com o fator 10.

Exemplo 5
A bile, segregada pelo fígado, é um líquido amargo, esverdeado
e muito importante na digestão. Sabendo que a concentração de H+ na
bile é 10–8 mol/L, determine o pH da bile e discuta se é ácida, básica ou
neutra.
Por definição, sabemos que pH = – log [H+].
No nosso problema, a [H+] = 10–8 .
Logo: pH = –log 10– 8 ⇒ pH = 8.
Por ter pH >7, essa solução é básica.

46 CEDERJ
31
ATIVIDADE

AULA
3. A análise de uma amostra de sabão revelou que a concentração de OH– é
igual a 10–4. Calcule o pH dessa solução.

O PH NO NOSSO CORPO

Nas células do nosso corpo, o CO2 é continuamente produzido


como um produto do metabolismo. Parte desse CO2 se dissolve no sangue,
estabelecendo o equilíbrio:

CO2 + H2O H2CO3 H+ + HCO3-

Quando a respiração é deficiente, acarreta um aumento da


concentração de CO2 no sangue, o que provoca o deslocamento
do equilíbrio para a direita, aumentando a concentração de H +,
conseqüentemente, diminuindo o pH sangüíneo. Essa situação é chamada
de acidose.
Por outro lado, se uma pessoa respira muito rápido (hiperventilação),
acarreta uma diminuição da quantidade de CO2, o que provoca o
deslocamento do equilíbrio para a esquerda, diminuindo a concentração
de H+, conseqüentemente, aumentando o pH do sangue. Essa situação é
chamada de alcalose.

ATIVIDADE

4. Determine o pH de uma solução 0,004 M de certo monoácido cujo grau


de ionização é de 2,5%, nessa concentração.

CEDERJ 47
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

SOLUÇÃO-TAMPÃO

Em muitas soluções, inclusive nas presentes em nosso corpo, o pH


deve ser mantido em determinada faixa de valores. Por exemplo: o nosso
sangue deve apresentar pH entre 7,3 e 7,5. Se o pH sangüíneo variar
acima ou abaixo dessa faixa, mesmo sendo pequena a variação, poderá
causar sérios distúrbios ao organismo. Uma das maneiras de se controlar
o pH de uma solução, é mediante o uso de uma solução-tampão.

!
Solução-tampão é uma mistura cujo pH praticamente não se altera com adição
de um ácido ou de uma base em quantidade limitada.

Uma solução-tampão é formada por duas substâncias:


• um ácido fraco e um sal desse ácido, exemplo: CH3COOH +
CH3COONa (ácido acético e acetato de sódio);
ou
• uma base fraca e um sal dessa base, exemplo: NH4OH + NH4Cl
(hidróxido de amônio e cloreto de amônio).

COMO FUNCIONA UMA SOLUÇÃO-TAMPÃO?

Vamos explicar o funcionamento de uma solução-tampão tomando


como exemplo um sistema-tampão encontrado no nosso sangue: H2CO3
(ácido carbônico) e NaHCO3 (bicarbonato de sódio).
A ação do tampão está relacionada aos seguintes equilíbrios
iônicos existentes na solução:

H2CO3 H+ + HCO3- (ácido)


NaHCO3 Na+ + HCO3- (sal)

Nessa solução, temos, simultaneamente:


• alta concentração de H2CO3, pois sendo fraco, esse ácido se encontra
muito pouco ionizado; e
• alta concentração de HCO3– proveniente da dissociação do sal.

48 CEDERJ
31
O que ocorreria a esse sistema se:

AULA
• adicionarmos ácido?
Vamos aplicar o Princípio de Le Chatelier trabalhado na Aula 30.
Suponha que certa quantidade de H+ tenha sido introduzida
no sangue. Esses íons irão se combinar com o ânion HCO3–,
proveniente do sal que se encontra em grande quantidade,
originando ácido carbônico (H2CO3). Portanto, não sobrariam
íons H+ livres para ocorrer um abaixamento de pH.

• adicionarmos base?
Agora, uma certa quantidade de íon OH– foi introduzida no
sangue. Esses íons irão retirar o H+ do equilíbrio do ácido no
processo de neutralização, fazendo com que esse ácido se ionize
e produza mais H+ para neutralizar o OH– introduzido.

Observe que nem a adição de ácido nem a adição de base


ocasionou uma variação significativa de pH no sangue.

Para calcular o pH de uma solução-tampão, utilizamos a equação de


Henderson-Hasselbach:

[ânion do sal]
pH = pKa + log
ácido

pKa = –log Ka (constante de ionização do ácido)


[ânion do sal] = concentração em mol/L do ânion proveniente da
dissociação do sal;
[ácido] = concentração em mol/L do ácido fraco utilizado.

No exemplo da solução-tampão do sangue, teríamos:

[HCO3- ]
pH = pKa + log
[H 2CO3 ]

Exemplo 6
Calcule o pH de uma solução-tampão contendo 0,04 mol/L de
CH3COONa e 0,004 mol/L de CH3COOH, sabendo que a constante
desse ácido é igual a 10–5, em determinada temperatura.

CEDERJ 49
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

Vamos organizar os dados:

[CH3COO–] = 0,04 mol/L


[CH3COOH] = 0,004 mol/L
pKa = –log Ka = –log10 –5 = 5
aplicando a equação de Henderson-Hasselbach teremos:

[CH3COO-]
pH = pKa + log
[CH3COOH]
0, 04
pH = 5 + log ⇒ pH = 5 + log10–1 ⇒ pH = 5 – 1 = 4
0, 004

ATIVIDADE

5. Suponha uma solução formada por 0,2 mol/L de ácido acético e 0,2
mol/L de acetato de sódio (dado: Ka = 10–5).
Decida quais as informações a seguir são verdadeiras e quais são falsas.
a. A solução constitui um sistema tamponado ( ).
b. O pH da solução formada pelo ácido e o sal correspondente é 5 ( ).
c. O pH da solução, após a adição de pequenas quantidades de NaOH 0,1
M, é pouco maior que 5 ( ).
d. Se fossem adicionadas algumas gotas de um ácido forte, o pH seria
pouco menor que 5 ( ).
e. Ao adicionarmos NaOH, as hidroxilas são retiradas da solução pelas
moléculas não-ionizadas do ácido acético, evitando grande variação de
pH ( ).

CONCLUSÃO

A utilização da escala de pH pode, no primeiro momento, parecer


um complicador por usar o conceito matemático de logaritmo, mas, como
pudemos estudar, essa escala é de fato um facilitador para o trabalho
cotidiano, pois utilizamos números contidos na faixa de 0 a 14.

50 CEDERJ
31
ATIVIDADES FINAIS

AULA
1. Sabendo que a clara do ovo tem [OH–] = 10–6 mol/L , determine o valor de seu pH.

2. Um suco de limão apresenta pH = 3. Determine a concentração de H+ na solução,


em mol/L.

3. Admita que a chuva não-poluída tenha pH = 6 e que uma chuva ácida tenha
pH = 4. Analisando a relação:

[H+] na chuva ácida


______________________
[H+] na chuva poluída

Determine o valor de x.

4. Uma solução de hidróxido de amônio 0,25 M a uma temperatura de 25ºC


apresenta grau de ionização igual a 0,4%. O pH dessa solução nas condições
descritas é:

(a) 1 (b) 2,5 (c) 3 (d) 11 (e) 11,5

5. A indústria de conservas de frutas e hortaliças é a base da economia de alguns


municípios do sul do Brasil. Entre os diversos produtos industrializados, destacam-se
as compotas de pêssego e figo.

Nas compotas de pêssego, o pH da calda está em torno de 4,0 e, nas compotas de


figo, está em torno de 5,0.

a. Calcule o pOH da calda da compota de pêssego e da compota de figo.

b. Calcule a concentração hidrogeniônica [H+] dos dois tipos de calda.

c. Sabendo que, em pH menos ácido, há maior possibilidade de proliferação do


Clostridium botulinum, qual tipo de compota é mais propício ao aparecimento
dessa bactéria?

CEDERJ 51
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

6. Admite-se que a sensação de cansaço, após a prática de exercícios físicos, é


conseqüência do acúmulo de ácido lático nos músculos. Calcule o pH de um tampão
formado por ácido lático 0,12 mol/L e lactato de sódio 0,10 mol/L.

(Dados: Ka = 1,4 x 10–4 ; log 1,4 = 0,14 ; log 0,83 = –0,08)

RESUMO

• Quanto maior a tendência a doar H+, mais forte é o ácido; quanto maior a
tendência a receber H+, mais forte é a base.

• Produto iônico da água: Kw = 10–14 (25oC).

• pH = –log [H+] ∴ pH = n para [H+] = 10 – nmol/L.

• pOH = –log [OH–] ∴ pOH = n para [OH–]= 10 – nmol/L.

• pH + pOH = 14 (25oC).

• Solução ácida apresenta pH < 7.

• Solução neutra pH = 7.

• Solução básica pH > 7.

• Solução-tampão: mantém o pH aproximadamente constante quando a ela são


adicionados íons H+, ou íons OH–.

• Para o cálculo de pH de uma solução-tampão aplicamos a equação de


Henderson-Hasselbach: pH = pK + log [ânion do sal] .
a
ácido

52 CEDERJ
31
AULA
RESPOSTAS

1. I ( V); II (F ); III (V)

2.

[OH+]= 10-3 mol/L


pOH= - log [OH-]
pOH= - log 10-3
pOH= - (-3) log 10
1
pH = 3
Assim:
[OH+]= - log 10-3 mol/L
pOH = 3

3. Como nos foi dado o valor da [OH–] = 10–4 , vamos calcular o pOH dessa
solução.

pOH = –log [OH–]

pOH = –log 10–4 ⇒ pOH = 4

Sabendo que em toda solução: pH + pOH = 14

pH + 4 = 14 logo, pH = 14 – 4 ⇒ pH = 10.

4. Para o cálculo de pH, necessitamos do valor da concentração dos íons H+. Essa
concentração pode ser calculada pela expressão: [H+] = Mα.

No nosso problema, temos que M = 0,004 e α = 2,5% = 0,025. Substituindo os


dados na expressão temos que:

[H+] = 0,004 0,025 = 10– 4 mol/L

CEDERJ 53
Elementos de Química Geral | Equilíbrio iônico de ácidos e bases

Agora podemos calcular o pH, pois : pH = –log [H+]

pH = –log 10– 4 ⇒ pH = 4

5.

a. verdadeira

b. verdadeira

c. verdadeira

d. verdadeira

e. falsa

Atividades Finais

1. pH = 8

2. [H+] = 10–3 mol/L

3.

10-4
______ = 102
10-6

4. letra d

5.a. pOH = 10 (pêssego)

pOH = 9 (figo)

5.b. [H+] = 10–4 (pêssego)

[H+] = 10–5 (figo)

5.c. nas compotas de figo

6. pH = 3,78

54 CEDERJ
32
AULA
Esta aula será enviada
posteriormente
33
AULA
Unidades de concentração

Meta da aula
Trabalhar os conceitos de unidades de concentração
em diferentes situações de preparo de soluções.
objetivos

Após o estudo do conteúdo desta aula,


esperamos que você seja capaz de:
• calcular concentração comum em gramas
por litro;
• resolver problemas que envolvam cálculo
de concentração comum;
• conceituar concentração molar;
• resolver problemas que envolvam cálculo
de concentração molar;
• conceituar concentração em partes por
milhão (ppm) e partes por bilhão (ppb);
• conceituar concentração molal;
• resolver problemas que envolvam cálculo
de concentração molar.
Elementos de Química Geral | Unidades de concentração

INTRODUÇÃO Ao trabalhar com soluções, além de conhecer as substâncias que formam a


solução, é de vital importância estabelecer as relações entre a quantidade de
soluto e a quantidade de solvente. Estas relações numéricas são chamadas
concentração da solução. Há várias maneiras diferentes de se expressar a
concentração de uma solução. Nós vamos estudar aqui as mais utilizadas e de
maior relevância: a concentração comum, a concentração molar, a concentração
molal e partes por milhão.

CONCENTRAÇÃO COMUM (G/L)

Essa unidade de concentração relaciona a massa do soluto (m)


ao volume da solução (V).

m
C=
V

Fique atento para o fato de o volume em questão não ser o


volume de solvente (água) e, sim, o volume total da solução (soluto +
solvente).

Exemplos
Se adicionarmos 4,0 gramas de hidróxido de sódio num balão
volumétrico de 500 mililitros e completarmos o volume com água até a
marca do balão, prepararemos uma solução que apresenta: m = 4,0 g de
NaOH (soluto) e volume de 0,5 litro de solução. Logo, sua concentração
4, 0
comum será: C = = 8,0 g/L (leia-se oito gramas por litro).
0, 5

500mL

Figura 33.1: Balão volumétrico.

58 CEDERJ
33
Vamos agora analisar uma operação cotidiana num laboratório.

AULA
Em um béquer foram colocados 2,5 gramas de hidróxido de cálcio
[Ca(OH)2] e água suficiente para preparar 500 mL de solução (chamada
água de cal). Determine a concentração em g/L dessa solução.

Resolução:
Dados do problema: m = 2,5 g e V = 500 mL = 0,5 L
m 2, 5
C= substituindo os dados, temos: C = = 5,0 g/L
V 0, 5

Agora, tente você resolver as atividades a seguir.

ATIVIDADES

1. Determine a massa de iodeto de potássio (KI) contida em 600 cm3 de


solução, cuja concentração comum é de 0,7 g/cm3.

2. Calcule o volume da solução de nitrato de sódio (KNO3) de concentração


32 g/L que contém 6,4 g desse sal.

Vamos seguir com os nossos exemplos.


Considere o esquema a seguir, do qual foram retiradas duas
alíquotas (amostras), A e B, a partir de uma mesma solução aquosa.

5L C = 10 g/L

0,5 L 1L

A B

CEDERJ 59
Elementos de Química Geral | Unidades de concentração

Vamos responder, então, às questões a seguir:

a. Qual a massa de soluto existente no recipiente A?


A solução inicial apresentava C = 10 g/L. Como nada foi
acrescentado (nem soluto nem solvente), podemos afirmar que todas as
alíquotas têm a mesma concentração, que é C = 10 g/L.
Como o volume da alíquota A é de 0,5 litro, podemos calcular a
massa de soluto lá presente.
m
Lembre-se de que: C =
V
m
Logo, 10 = m = 10 x 0,5 = 5 gramas.
0, 5

b. Qual a concentração em g/mL da solução contida no recipiente B?


Nesse caso, apenas precisamos transformar a unidade de litro
para mililitro. Lembramos que 1 litro = 1.000 mililitros.
Se há 10 gramas por litro, podemos dizer que há 10 gramas em
1.000mL, ou seja,

10
C= = 0,01 g/mL
1.000

ATIVIDADE

3. Imagine em um dia quente de verão você preparando uma limonada


bem gelada. Você poderia calcular a massa de açúcar a ser ingerida ao
beber um copo de 250 mL da limonada, na qual o açúcar está presente
na concentração de 80 g/L?

CONCENTRAÇÃO EM MOL/L OU CONCENTRAÇÃO MOLAR


OU MOLARIDADE (M)

A concentração molar, conhecida também como molaridade,


relaciona o número de mols do soluto (n) com o volume da solução (V)
em litros.

n
M=
V

60 CEDERJ
33
O número de mols (n) pode ser calculado pela expressão
m

AULA
n= , em que m indica a massa do soluto presente na solução, e
MM
MM, a massa molar do mesmo (vale a pena dar uma recordada na
Aula 17 sobre Relações Numéricas).
Vamos colocar, num recipiente de 2 litros de capacidade, 16,8
gramas de bicarbonato de sódio (NaHCO3) e completar o volume com
água. Analisando essas informações, podemos calcular a concentração
em mol/L dessa solução.
Primeiro, vamos calcular a massa molar (massa de 1 mol) do
bicarbonato de sódio, procurando na Tabela Periódica as massas atômicas
(MA) dos elementos que constituem esse sal.
NaHCO3 MM = 23 + 1 + 12 + (3 × 16) = 84 g
Podemos, então, chegar ao número de mols desse sal contido no
recipiente.

m 16, 8
n= n= = 0,2 mol
MM 84

Para finalizar, vamos calcular a concentração molar.

n 0, 2
M= M= = 0,1 mol/L
V 2

Agora, tente você resolver as atividades a seguir.

ATIVIDADES

4. Determinado produto comercializado em supermercados, destinado


à remoção de crostas de gorduras de fornos, consiste em uma solução
aquosa 2,0 mol/L de soda cáustica – o nome comercial de hidróxido de
sódio (NaOH). Sobre esse produto, responda aos itens a seguir:

a. Qual é o solvente?
b. E o soluto?
c. Quantos mols de soluto há por litro de solução?
d. Quantos gramas de soluto há por litro de solução?
e. Quantos gramas de soluto há em cada mililitro de solução?

CEDERJ 61
Elementos de Química Geral | Unidades de concentração

5. O aditivo para radiadores recomendado por um mecânico conhecido seu


é composto de uma solução aquosa de etilenoglicol (C2H6O2). Sabendo
que, em um frasco de 500 mL dessa solução, há 620 gramas desse soluto,
calcule a concentração molar dessa solução.

CONCENTRAÇÃO MOLAL (ω)

A concentração molal (conhecida também como molalidade)


relaciona o número de mols do soluto (n) com a massa do solvente em
kg.

n do soluto
ω=
kg de solvente

!
Observe que a molalidade é definida por quantidade do solvente (massa em
quilograma) e não da solução como ocorre nas unidades de concentração
estudadas anteriormente. O fato de trabalharmos com massa faz com que
essa unidade de concentração seja independente da temperatura da solução,
o que não ocorre quando trabalhamos com volume.

62 CEDERJ
33
Vamos imaginar que dissolvemos 0,400 mol de glicose em 500

AULA
gramas de água (0,5 kg), teremos então produzido uma solução de
0,400
molalidade ω = = 0, 800
0,5
Dizemos então que produzimos uma solução 0,800 molal. Repare

que, para preparar essa solução, não é necessário um recipiente com

medidas em volume, pois trabalhamos com a grandeza massa. Algumas

propriedades importantes de uma solução como as propriedades

coligativas, que iremos estudar futuramente, estão relacionadas

matematicamente com sua molalidade.

ATIVIDADE

6. Precisamos, para um experimento, preparar uma solução 0,2 molal de


cloreto de sódio (NaCl) com 2 kg de água. Calcule a massa necessária
deste sal para realizar o experimento.

CONCENTRAÇÃO EM PARTES POR MILHÃO (PPM)

Quando a quantidade de determinado soluto é muito pequena


em relação ao solvente, utiliza-se a unidade partes por milhão. 1 ppm
corresponde a uma quantidade de soluto igual a 0,1% da quantidade
da solução, ou seja, se tivermos 1 grama de soluto em 1 milhão de
gramas de solução teremos uma solução de concentração 1 ppm. Essa
unidade também pode se referir a volume. Logo, 1 ppm pode também
representar 1 litro de soluto em 1 milhão de litros de solução. A aplicação
mais imediata dessa unidade de concentração está na análise de poluição
atmosférica e das águas.
Vejamos um exemplo prático. Um dos grandes poluentes do ar nas
cidades é o monóxido de carbono (CO). Quando a concentração deste
gás atinge a 30 ppm em volume, é dado, pelas autoridades responsáveis,
um sinal de alerta sobre a qualidade do ar naquela localidade. O valor
de 30 ppm significa que há, naquela região, 30 L de CO em cada milhão
de litros de ar atmosférico.

CEDERJ 63
Elementos de Química Geral | Unidades de concentração

O monóxido de carbono é um gás incolor e inodoro que resulta da


queima incompleta de combustíveis. Os efeitos da exposição de seres
humanos ao monóxido de carbono estão associados à capacidade de
transporte de oxigênio no sangue. O monóxido de carbono compete
com o oxigênio na combinação com a hemoglobina no sangue, uma
vez que sua afinidade com este gás poluente é 210 vezes maior do que
com o oxigênio. Quando uma molécula de hemoglobina recebe uma
molécula de monóxido de carbono, forma-se a carboxihemoglobina,
que diminui a capacidade do sangue de transportar oxigênio.
A elevação dos índices de CO pode resultar em altos níveis de
carboxihemoglobina no sangue, afetando a capacidade de trabalho
e de exercício físico em pessoas sadias. Acarreta, também, danos
cardiovasculares, agravando seriamente o quadro de portadores de
doenças cardíacas.

Estudos experimentais têm demonstrado que baixos níveis de


carboxihemoglobina já podem causar diminuição na capacidade de
estimar intervalos de tempo e podem diminuir os reflexos e a acuidade
visual da pessoa exposta. Por esta razão, altos índices de monóxido
de carbono em áreas de tráfego intenso têm sido apontados como
causa adicional de acidentes de trânsito.
Os sintomas de intoxicação são: desconforto físico, náuseas, dor de
cabeça, tontura, perda de concentração. Dependendo da intensidade
a intoxicação pode levar à morte em poucas horas ou minutos.
Dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do
governo do Estado de São Paulo http://www.cetesb.sp.gov.br

No controle de poluição das águas faz-se a medição da quantidade


de íons chumbo (Pb2+) – que não deve ser superior a 0,05 ppm em massa,
ou seja, o limite aceitável é de 0,05 g deste íon em 106 g (1 milhão) de
litros de água. Esta quantidade pode parecer pequena, mas é suficiente
para causar sérios danos à saúde das pessoas.
Para soluções em que a concentração é ainda menor que as
mensionadas anteriormente, utiliza-se a unidade de concentração parte
por bilhão (ppb) que significa uma concentração de 0,0001% em massa
ou volume.

CONCLUSÃO

Quando trabalhamos com soluções, é fundamental saber a


quantidade de soluto presente na referida solução. Para tal, os químicos
utilizam diferentes formas de expressar a relação soluto/ solução ou
soluto/solvente. Nesta aula, estudamos algumas dessas relações,
empregadas tanto em um laboratório químico como em situações da
vida cotidiana, como o controle ambiental de poluição.
64 CEDERJ
33
ATIVIDADES FINAIS

AULA
1. Por evaporação e purificação, 1 litro de água do mar fornece 25 g de cloreto
de sódio (NaCl), comercializado como sal de cozinha. Que volume de água do
mar, em m3, precisa ser empregado para que uma salina produza 1 tonelada de
cloreto de sódio?
(1 m3 = 1.000 litros e 1 tonelada = 1.000 kg = 1 × 106 gramas)

2. Vinagre é uma solução aquosa de ácido acético bastante utilizada como tempero
de saladas. Uma determinada marca de vinagre apresenta concentração igual
a 0,8 mol/L. Calcule o volume de vinagre que apresenta 24 g de ácido acético
(C2H4O2).

3. Tem-se uma solução aquosa de 1,0 × 10–2 molar de uréia. Determine, para
200 mL de solução, a massa de uréia dissolvida. Dado: MM da uréia = 60 g/mol.

4. Testes revelaram que determinada marca de refrigerante tipo “cola” contém


2,0 × 10–3 mol/L de ácido fosfórico (H3PO4). Quando uma pessoa bebe um copo
de 250 mL desse refrigerante está ingerindo:
a. que quantidade em mols de ácido fosfórico?
b. que massa de ácido fosfórico?
c. qual a concentração em g/L desse ácido no refrigerante testado?

5. Qual a massa de água necessária para com 1,06 g de carbonato de sódio (Na2CO3)
produzir uma solução de concentração igual a 0,5 molal?

CEDERJ 65
Elementos de Química Geral | Unidades de concentração

RESUMO

• As unidades de concentração são relações numéricas da quantidade de soluto


contida numa determinada solução.

• A concentração comum (g/L) relaciona a massa do soluto com o volume da


solução.

• A concentração molar (ou molaridade) relaciona o número de mols do soluto


com o volume da solução.

• A concentração molal (ou molalidade) relaciona o número de mols do soluto


com a massa do solvente em kg.

• Concentração em partes por milhão (ppm) é utilizada quando trabalhamos com


soluções de baixas concentrações, ou seja, quando a quantidade de soluto é muito
inferior à quantidade de solvente.

RESPOSTAS

1. Dados do problema: V = 600 cm3 (1 cm3 = 1 mL) C = 0,7 g/cm3


m m
C= substituindo os dados, temos: 0,7 = ⇒ m = 0,7 × 600 = 420 g
V 600

2. Dados do problema: C = 32 g/L e m = 6,4 g


m 6, 4 6, 4
C= substituindo os dados, temos: 32 = ⇒V= = 0,2 L = 200 mL
V V 32

3. 20 g

4.a. Por ser solução aquosa, o solvente é a água, mas lembre-se de que quando
não se faz nenhuma referência ao solvente esse será sempre água.

66 CEDERJ
33
b. O soluto em questão é o hidróxido de sódio ( NaOH).

AULA
c. No rótulo, há a informação de que essa solução apresenta 2,0 mol de NaOH
por litro de solução.
d. NaOH apresenta MM = 23 +16+1 = 40 g; logo, 1 mol de NaOH tem massa de
40 gramas; 2,0 mols tem massa de 80 gramas.
e. Já determinamos, no item anterior, que em 1 litro de solução há 80 gramas de
soluto. Então, vamos transformar a unidade litro para mililitro.

1 L = 1.000 mL

Logo, existem 80 gramas de soluto em 1.000 ml de solução

80
= 0,08 g/ml
1.000

5. 10 M

6. 23,4 gramas

Atividades Finais

1. 40m3

2. 1 litro

3. 0,12 g

4.a. 2 x10−3 = n = 5x10−4 mol


0,25
b. 5x10−4 = m 4 = 0, 049 g
98
0,049
c. = 0, 196 g / L
0,25

5. 0,02 kg = 20 g de água

CEDERJ 67
34
AULA
Diluição e mistura
de soluções

Meta da aula
Trabalhar os conceitos de diluição e mistura
no preparo de soluções.
objetivos

Após o estudo do conteúdo desta aula,


esperamos que você seja capaz de:
• conceituar diluição;
• diferenciar os conceitos de diluição
e dissolução;
• resolver problemas que envolvam cálculo
de dilução;
• conceituar mistura de mesmo soluto;
• resolver problemas que envolvam
misturas.
Elementos de Química Geral | Diluição e mistura de soluções

INTRODUÇÃO Você provavelmente já preparou refresco em casa utilizando aqueles envelopes


de preparado em pó. Vamos, então, imaginar que você colocou meio litro de
água numa jarra e adicionou o conteúdo do envelope, mexendo bem até obter
uma mistura homogênea. Dissolveu o pó na água. Imagine que, ao experimentar
o sabor dessa solução, você verificou que o refresco estava muito forte. Para
resolver a situação, você acrescentou mais água até o sabor ficar agradável.
Nessa operação, você diluiu o produto.

!
Observe que dissolver e diluir são duas ações bem distintas, e esses conceitos
não devem ser confundidos.
DissolverÆ adicionar soluto ao solvente, preparando uma mistura
homogênea.
DiluirÆ adicionar solvente a uma solução, de modo que esta se torne menos
concentrada.

Vamos estudar o processo de diluição, observando os desenhos e


considerando o processo descrito a seguir.

2L NaHCO3(aq)
0,4 M

Figura 34.1: Erlenmeyer com 2 litros de solução de bicarbonato de sódio a 0,4 molar
(NaHCO3).

Vamos diluir esse sistema com 3 litros de água.

Figura 34.2: Representação do processo de diluição da solução de bicarbonato


de sódio.

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34
A solução final terá volume de 5 litros, mas, e a concentração

AULA
dessa solução? Com a adição de água, a solução ficou mais “fraca”,
logo, a concentração obtida após a diluição será certamente menor que
0,4 mol/L. Vamos calculá-la.

n
Na solução inicial: M = 0,4 mol/L e V = 2 L como sabemos M = ,
n V
logo, 0,4 = n = 0,4 x 2 = 0,8 mol de NaHCO3.
2

No processo de diluição, a quantidade de soluto não se altera, pois


só adicionamos solvente, não colocamos nem retiramos soluto.
Então, depois de adicionarmos a água, continuaremos com 0,8
mol de NaHCO3 dentro do recipiente, só que agora num volume de 5
litros. Então, a nossa concentração molar final (Mf) será:

n 0, 8
Mf = Mf = = 0,16 mol/L
V 5

Concluindo: no processo de diluição, a concentração da solução


diminui, pois houve aumento do volume da solução devido apenas ao
acréscimo de solvente. A concentração final pode ser obtida sabendo
que o número de mols do soluto no início (ni) é igual ao número de
mols do soluto no final (nf), como ni = MiVi e nf = MfVf, temos que,
numa diluição:

!
MiVi = MfVf

Se trabalharmos com a unidade de concentração C (concentração


comum em g/L), podemos também afirmar que:

!
CiVi = CfVf

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ATIVIDADES

1. Acrescentam-se 300mL de água a 200mL de uma solução de 10g/L de


cloreto de sódio. Qual a concentração final dessa solução?

2. Um técnico tem 500mL de uma solução de um medicamento e precisa


reduzir a concentração, em mol/L, a 1/4 do valor inicial. Como ele deve
proceder?

3. Determine o volume de água que deve ser adicionado a 100mL de


solução 0,6 mol/L de ácido clorídrico (HCl), a fim de torná-la 0,2 mol/L.

Vamos agora estudar outro procedimento muito comum em um


laboratório de química para o preparo de soluções: a mistura de soluções
com mesmo soluto.
Quando misturamos 200mL de uma solução aquosa de hidróxido
de sódio (NaOH) de concentração igual a 20g/L a 400mL de uma outra
solução aquosa de NaOH de concentração igual a 50g/L, obtemos uma
nova solução de NaOH de volume igual a 600mL.

800 800 800


600 600 600
400 400 400
200 200 200

Solução A Solução B Solução Final


200 ml NaOH (400 ml NaOH) (600 ml NaOH)
C = 20g/L C = 50g/L C=?
Figura 34.3: Béqueres contendo volumes e concentrações diferentes de soluções de
hidróxido de sódio (NaOH).

A quantidade (número de mol ou grama) do NaOH presente na


solução resultante é igual à soma de suas quantidades presentes nas
soluções iniciais. Assim, para determinarmos a quantidade de NaOH
presente na solução final, devemos conhecer as suas quantidades nas
duas soluções iniciais.

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34
Para a solução A: CI = 20g/L e VI = 200mL = 0,2L.
m m
m = 20 × 0,2 = 4 gramas.

AULA
Como C = , teremos 20 =
V 0, 2
Para a solução B: CII = 50g/L e VII = 400mL = 0,4L.
m m
Substituindo os valores em C = , teremos 50 = m=
V 0, 4
50 × 0,4 = 20 gramas.

Assim, o total de NaOH presente na solução final será m = 4 + 20


24
= 24 gramas, num volume de 600ml = 0,6L, então: C = = 40g/L.
0, 6

!
Note que a concentração final da solução de NaOH apresenta um valor
intermediário entre os valores das soluções I (20g/L) e II (50g/L). Portanto,
numa mistura de soluções de mesmo soluto, a concentração final não será a
soma das concentrações de cada substância.

Para determinação da concentração da solução resultante (Cf) de


uma mistura desse tipo, podemos utilizar a expressão: CfVf = CIVI +
CIIVII , ou quando trabalharmos com concentração em mol/L: MfVf =
MIVI + MIIVII .

ATIVIDADES

4. Um volume de 200mL de uma solução aquosa de glicose (C6H12O6) de


concentração igual a 60g/L foi misturado a 300mL de uma solução de
glicose de concentração igual a 120g/L. Determine a concentração em g/L
e em mol/L da solução final.

5. Determine o volume de uma solução de hidróxido de sódio 1,5M que


deve ser misturado a 300mL de uma solução 2M da mesma base, a fim
de torná-la 1,8M.

Solução I VI = ? Solução II VII = 300 mL = 0,3L Solução final Vf =


VI + 0,3
MI = 1,5 mol/L MII = 2 mol/L MII = 2 mol/L

6. Em um balão volumétrico de 1.000mL, juntaram-se 250mL de uma


solução 2,0M de ácido sulfúrico (H2SO4) com 300mL de uma solução
1,0M do mesmo ácido e completou-se o volume até 1.000mL com água
destilada. Determine a molaridade da solução resultante.

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CONCLUSÃO

Os processos de diluição e mistura de mesmo soluto são


fundamentais no cotidiano de um laboratório, pois nem sempre
encontramos as soluções na concentração exata daquela de que
precisaremos para determinada prática.

ATIVIDADES FINAIS

1. Considere 100mL de determinado suco em que a concentração do soluto seja


de 0,4M. O volume de água, em mL, que deverá ser acrescentado para que a
concentração do soluto caia para 0,04M será de:

(a) 1000 (b) 900 (c) 500 (d) 400 (e) 200

2. Um volume igual a 400mL de uma solução aquosa 3,0 mol/L de NaOH foi diluído
até um volume final de 800mL. Calcule a massa de NaOH contida em uma alíquota
de 50mL da solução final.

3. Quais as afirmações a respeito de soluções são corretas?

I – Quando diluímos uma solução, estamos aumentando o número de mol/L do


soluto.

II – Quando diluímos uma solução, estamos aumentando o número de mol/L do


solvente.

III – Quando adicionamos solvente a uma solução, o número de mol/L do soluto


não se altera.

IV – Quando misturamos duas soluções de mesmo soluto, porém com molaridades


diferentes, a solução final apresenta uma molaridade com valor intermediário às
molaridades iniciais.

(a) Todas

(b) Nenhuma

(c) Somente II, III e IV

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34
(d) Somente I, II e III

AULA
(e) Somente I e IV

4. Um químico possui em seu estoque 500mL de solução 1M de NaCl. Para que possa
aproveitá-la na preparação de uma solução 2M deste mesmo sal, ele deve:

I – adicionar 500mL de água.

II – evaporar 250mL de água dessa solução.

III – adicionar 1/2 mol de NaCl.

IV – preparar 500mL de solução 3M de NaCl e juntar as duas soluções.

Estão corretas as afirmativas:

(a) I (b) I e II (c) I , II e III (d) II , III e IV (e) todas

5. Duas soluções de HCl de volumes iguais e de concentrações 0,5M e 0,1M foram


misturadas. Determine a concentração molar da solução resultante.

6. Um laboratorista dispõe de uma solução 2 mol/L de ácido sulfúrico (H2SO4) e


precisa de uma solução 0,5 molar desse ácido.

a. Determine que volume da solução inicial ele deve diluir para obter 200mL da
solução desejada.

b. Calcule a massa em gramas de ácido sulfúrico presente nos 200mL da solução


desejada.

c. Determine a concentração da solução inicial em g/L.

7. A salinidade da água de um aquário para peixes marinhos, expressa em


concentração de NaCl, é 0,08M (mol/L). Para corrigir essa salinidade, foram
adicionados 2 litros de uma solução 0,52M de NaCl a 20 litros da água deste
aquário. Qual a molaridade da solução resultante?

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RESUMO

No processo de diluição, a concentração da solução diminui, pois há um aumento


do volume da solução devido apenas ao acréscimo de solvente. A concentração
final pode ser obtida, pois sabe-se que a quantidade de soluto contido no sistema
não se altera.

No processo de mistura de mesmo soluto, a concentração final deve ser calculada


levando em conta a soma da quantidade de soluto e do volume das soluções.

RESPOSTAS

1. Segundo os dados do problema, temos que:

Vi = 300mL = 0,3L

Ci = 10g/L

Vf = 300 + 200 = 500mL = 0,5L

Aplicando a expressão de diluição

CiVi = CfVf
10 × 0,3
10 × 0,3 = Cf × 0,5 Cf = = 6g/L.
0,5

2. Mf = 1/4Mi

Numa diluição MiVi = MfVf, então,

Mi × 0,5= 1/4MiVf. Eliminando Mi dos dois lados da equação, temos que


0,5 = 1/4Vf, ou melhor, Vf = 4 × 0,5 = 2 litros.

O técnico deverá quadruplicar o volume da solução inicial.

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3. Com os dados do problemas, temos:

AULA
Vi = 100mL = 0,1L

Mi = 0,6 mol/L

Mf = 0,2 mol/L

Aplicando a expressão: MiVi = MfVf

0,6 × 0,1 = 0,2 × Vf

Vf = 0,3 litros, ou seja, 300mL.

Sabemos, então, que o volume final será 300mL, e que partimos de 100mL; logo,
o volume de água que deverá ser adicionado é 300 –100 = 200mL.

4. Solução I VI = 200 mL = 0,2 L Solução II VII = 300 mL = 0,3 L Solução final Vf = 0,5L

CI = 60 g/L CII = 120g/L Cf = ?

Utilizando a expressão: CfVf = CIVI + CIIVII,

teremos Cf × 0,5 = 60 × 0,2 + 120 × 0,3


12 + 36
Cf = = 96g/L
0, 5

Para calcularmos a concentração em mol/L, precisaremos, primeiramente, calcular


a massa molar da glicose.

C6H12O6 MM = 6 × 12 + 12 × 1+6 ×16 = 180g

1 mol Æ 180g

x mol Æ 96g x = 0,53 mol; logo, a concentração molar será 0,53 mol/L.

5. MfVf = MIVI + MIIVII

substituindo os valores: 1,8 (VI + 0,3) = 1,5 Vi + 2 × 0,3

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Resolvendo essa equação, teremos:

1,8 VI + 0,54 = 1,5 VI + 0,6 Æ 0,3 VI = 0,06 Æ VI = 0,2 litros = 200mL.

6. Solução I VI = 250 mL = 0,25 Solução II VII = 300 mL = 0,3 L Solução final 1.000 mL = 1L

MI = 2,0 mol/L MII = 1,0 mol/L Mf = ?

Observe que, nesse problema, o volume final não é a soma dos volumes I e II, pois
foi adicionada água ao sistema.

MfVf = MIVI + MIIVII

substituindo os valores: Mf × 1 = 2 × 0,25 + 1 × 0,3

Mf = 0,8 mol/L.

Atividades Finais

1. b

2. 3 gramas

3. c

4. d

5. 0,3 mol/L

6 a. 50mL

b. 9,8 gramas

c. 196g/L

7. 0,12 mol/L

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