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A LEITURA DO TEXTO DE ATOS DOS APÓSTOLOS E A RENOVAÇÃO ESPIRITUAL


Atos 2.1-13

Introdução
Poucos eventos na História da Igreja provocam tanta discussão quanto este que acabamos de
ler. Há muita divergência sobre a interpretação “correta” desta passagem e de outros eventos
ocorridos no livro de Atos dos Apóstolos.
Na Hermenêutica (disciplina que lida com os princípios de interpretação, considerada
também como a “arte e a ciência da interpretação”) somos ensinados que as narrativas históricas
como é o texto de Atos dos Apóstolos contam para nós como “tudo” aconteceu e não como “tudo”
deve ser. A conclusão seria esta: os eventos registrados em Atos, interpretados à luz da
Hermenêutica que chamamos de Reformada, devem nos levar a dizer: “Podemos fazer isto?” e não
“Devemos fazer isto!”.
Desta forma, olhando para o texto que temos diante de nós, a pergunta sempre foi: Este
evento foi para aquele tempo, para aquele início da Igreja, ou é para nós, para os nossos dias?
A interpretação reformada, e Batista “tradicional” vigente chega a algumas conclusões, que
podem ser resumidas nas palavras de John Stott (pastor anglicano britânico):
“O Pentecoste não pode ser repetido. Ele foi um evento na história, com propósitos
específicos e finais. Era a inauguração de um tempo, de uma era – a era do Espírito. Aconteceu uma
única vez e não será repetido”.
Devemos ressaltar que esta questão foi uma das que os pastores Jose do Rego e Enéas
Tognini tiveram que responder para a Convenção Batista Brasileira. Pois a ideia de Stott é a mesma
defendida pelos Batistas Brasileiros, e anteriormente defendida pelos dois pastores. Relembrando:
“Fica claro que o Pentecostes não se repete, foi um evento histórico, mas os seus efeitos
permanecem. A partir daquele dia, todos aqueles que têm o Espírito Santo podem ser cheios do
Espírito”. Enéas Tognini
“Tudo o que aconteceu na crucificação de Jesus não se repete mais. Os sofrimentos do Cristo,
sua crucificação e morte são eventos históricos, o Calvário não se repete. Porém, o Calvário não é
apenas história, ele é uma realidade que transmite redenção a todos os que nele creem”. 1Pe 3:18.
“Embora no Calvário todos são chamados à salvação, nem todos estão salvos. O Calvário não é uma
bênção imposta, mas deve ser apropriada pela fé... Assim como no Calvário, em Pentecostes há o
envolvimento de um fato histórico e uma bênção consequente. Os eventos que acompanharam a
descida do Espírito Santo: vento impetuoso e línguas como de fogo, cessaram com o próprio evento.
Nesse sentido, Pentecostes como evento histórico não mais se repete, mas trouxe uma bênção
consequente e permanente”. José do Rego Nascimento.
Em termos de ilustração para as afirmações dos pastores acima mencionados, podemos olhar
para o evento de Pentecostes como uma daquelas pedras que são atiradas num lago, ao atingir o
espelho d’água a pedra gera uma movimentação que é um evento único (pois a mesma pedra não
poderá ser atirada novamente), mas que gera reflexos repetidos, pois as pequenas ondas produzidas
pelo contato da pedra “ecoam” por algum tempo na água. Assim, não cremos numa repetição do
Pentecostes – pois foi um evento histórico e único, cremos que de forma clara “sofremos os reflexos”
daquele dia.

1- PREMISSAS IMPORTANTES
Sobre o batismo com o Espírito Santo temos duas posições:
A primeira interpretação defende que o batismo com o Espírito Santo está diretamente ligado
à regeneração e a conversão do pecador. Sob esse aspecto, todos aqueles que verdadeiramente
nasceram de novo necessariamente são batizados com o Espírito Santo. Esta é a posição tradicional e
predominante no Cristianismo histórico e defendida ainda hoje principalmente pelas igrejas
reformadas.
A segunda interpretação entende que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência
distinta da regeneração e posterior a ela. Seria um tipo de “segunda benção” que eleva os cristãos a
um nível superior de espiritualidade. Nesse caso, nem todos os cristãos são batizados com o Espírito
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Santo. Como é de nosso conhecimento, nós, Batistas Nacionais defendemos esta interpretação,
acrescentando as seguintes afirmações:

a) Os discípulos de Jesus, já tinham passado pela experiência de conversão e tinham recebido


o Espírito Santo – Jo 20.22

b) Ainda assim, foram exortados a não se ausentarem de Jerusalém até que fossem
“batizados” com o Espírito Santo – At 1.4,5

c) Há apoio para o batismo com o (ou no) Espírito santo ser uma experiência posterior à
conversão – At 8.12, 14-17; 19.1,5,6
d) O poder prometido por Jesus em Atos 1,8 e Lucas 24:49 é um poder extraordinário. Isso é
fácil de entender a partir dos termos "sereis revestidos de poder" ou "recebereis a virtude do Espírito
Santo, que há de vir sobre vós", e pelos efeitos desse poder, que podem ser vistos no livro de Atos.

e) Esta promessa de que os discípulos receberiam poder quando o Espírito Santo viesse sobre
eles (Atos 1:8) e que eles seriam revestidos de poder do alto (Lucas 24:49) foi uma promessa feita
para sustentar o processo de evangelização do mundo, e todo os ministérios que apoiam tal processo.
Tal tarefa ainda não foi concluída.

f) O batismo com o Espírito santo implicava em poder, ousadia e confiança. “Jesus diz em
Atos 1.5 e 8 que o batismo com o Espírito significa: “mas recebereis a (virtude) poder… e ser-me-eis
testemunhas”. O enchimento capacitaria o cristão para o trabalho do mestre, que, como podemos ler
no registro de atos só se tornou possível e visível depois que eles foram batizados no Espírito.

Vemos lições na história que apoiam fortemente estas premissas, ou seja, ao longo do tempo
podemos ver que os avanços cruciais para o evangelho vêm por causa das periódicas efusões
extraordinárias do Espírito Santo. Jonathan Edwards, o líder do Grande Despertar, a 200 anos atrás,
nos Estados Unidos, nos diz o seguinte:
“Desde a queda do homem até os nossos dias, a obra da redenção tem sido principalmente
exercida por notáveis [isto é, extraordinárias] comunicações do Espírito de Deus. Apesar de sempre
haver uma influência constante do Espírito de Deus, em algum grau, para cumprir as ordenanças
divinas, nos principais momentos históricos em que as maiores obras de Deus têm sido feitas para
levar o seu trabalho adiante, observa-se um derramar notável do Espírito, em épocas especiais de
misericórdia”.
O Pentecostes foi o primeiro destes grandes derramamentos na igreja cristã, e até que a tarefa
da evangelização do mundo seja concluída, é o nosso dever orar por estações novas do derramamento
extraordinário do Espírito de Deus para despertar e capacitar a igreja e para penetrar as fronteiras
finais de evangelização do mundo.

2- A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTOS EM ATOS 2


A palavra pentecoste significa o quinquagésimo dia. Pentecostes era a festa que acontecia
cinquenta dias após o sábado da semana da Páscoa (Lv 23.15,16). É também chamado de Festa das
Semanas (Dt 16.10), marcava o começo da colheita de cevada (Lv 23.9-16).
Existe uma tradição entre os judeus de que a Festa das Semanas comemorava a entrega da
Lei no Sinai. Nesta ocasião dois pães feitos de farinha nova eram oferecidos como primícias,
Levítico 23:17, Levítico 23:20 ; Números 28: 27-31.

2.1- “... Ao cumprir-se...”


A palavra usada aqui significa literalmente “estar completo” - Lucas 9:51.
A referência é que a chegada do Espírito foi retida até que a hora certa chegasse. Os judeus
da Palestina vinham em grande número a Jerusalém para a Páscoa, que comemorava o início da sua
vida nacional e também assinalava o início do seu ano religioso. Mas os judeus da dispersão tinham
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a sua maior celebração no Pentecostes. Isto se devia ao fato de que a viagem pelo Mediterrâneo era
muito mais segura em maio ou junho (Pentecostes) do que em março ou abril (Páscoa). Podemos
afirmar que Deus, esperou até que pessoas de vários lugares do mundo de então estivessem
presentes, e assim, a mensagem do Evangelho atingiria o maior número de pessoas e ao mesmo
tempo seria levado ás suas nações de origem. 2.9-11
Quantas pessoas se encontravam reunidas no dia de Pentecostes? Supomos que o número
inclua todos os crentes no grupo dos 120 (1.15). Entretanto, são levantadas algumas objeções a esta
interpretação. O último versículo do capítulo precedente (1.26) menciona os apóstolos; no segundo
capítulo somos informados sobre Pedro e os Onze (v.14); e na conclusão do sermão de Pedro, a
multidão se dirige aos apóstolos e não aos 120 (v.37). Por outro lado, não podemos limitar o adjetivo
“todos” aos doze apóstolos quando o contexto do capítulo anterior ressalta a harmonia cristã básica.
Por essa razão, interpretamos o adjetivo como incluindo todos os crentes mencionados no capítulo
anterior.
Onde estavam os crentes? Lucas escreve sucintamente “no mesmo lugar”. Se pensarmos
no cenáculo (1.13), questionamos se essa sala poderia acomodar um grupo de 120 pessoas.
Entretanto Lucas indica que estavam sentados numa casa (v.2) e não no recinto do templo.
Admitimos que não podemos ter certeza, mas presumimos que o local da reunião tenha sido nas
proximidades do templo, onde os apóstolos permaneciam continuamente louvando a Deus.

2.2- “... De repente...”


De repente, dá a ideia de um evento que não foi marcado previamente, apesar de Jesus tê-
los avisado de que o derramamento do Espírito não demoraria (At 1.5). Espírito não veio depois de
algum esforço agonizante da parte dos crentes em Jerusalém. Ele veio de repente, e podemos inferir
aqui a palavra “inesperadamente”.
Veio do céu, reflete a intenção de Lucas de descrever que o fenômeno não era natural, e nem
foi produzido pela habilidade de nenhum dos apóstolos ou discípulos de Jesus. Foi incontestável e
irresistível. Foi soberano, ninguém pôde produzi-lo. Foi eficaz, ninguém pôde desfazer os seus
resultados. Foi definitivo, ele veio para ficar para sempre com a igreja. Aquilo que aqui se
denomina ficar cheio, também é chamado de batismo (1.5; 11.16), derramamento (2.17,18; 10.45) e
recebimento (10.47).
O derramamento do Espírito veio como um som de um vento impetuoso. Não era um
vento, é apenas um som como de um vento impetuoso. O vento é símbolo do Espírito Santo (Ez
37.9,14; Jo 3.8). O Espírito veio como um vento para mostrar sua soberania, liberdade e
inescrutabilidade. Assim como o vento é livre, o Espírito sopra onde quer, da forma que quer, em
quem quer.
O derramamento do Espírito veio em línguas como de fogo (2.3). O fogo também é
símbolo do Espírito Santo. Deus se manifestou a Moisés na sarça em que o fogo ardia e não se
consumia (Ex 3.2). Quando Salomão consagrou o templo ao Senhor, desceu fogo do céu (2 Cr 7.1).
No Carmelo, Elias orou, e fogo desceu (l Re 18.38,39).
O derramamento do Espírito traz uma experiência pessoal de enchimento do Espírito
Santo (2.4). Aqueles discípulos já eram salvos. Por três vezes Jesus havia deixado isso claro (Jo
13.10; 13.3; 17.12). Além de já terem o Espírito Santo, após sua ressurreição Jesus ainda soprou
sobre eles o Espírito Santo, e disse: “[...] Recebei o Espírito Santo (Jo 20.22). Mas a despeito de
serem regenerados pelo Espírito e de receberem o sopro do Espírito, eles ainda não estavam cheios
do Espírito. Uma coisa é ter o Espírito Santo, outra é o Espírito Santo ter alguém. Uma coisa é ser
habitado pelo Espírito, outra é ser cheio dele. Uma coisa é ter o Espírito presente, outra é tê-lo
como presidente”. Hernandes Dias Lopes
O Espírito desce sobre cada um individualmente. Cada um vive sua própria experiência.
Todos ficaram cheios do Espírito. Matthew Henry diz: “Para mim está claro que não só os doze
apóstolos, mas todos os 120 discípulos foram igualmente cheios do Espírito Santo nessa ocasião”.
Logo que eles ficaram cheios do Espírito, começaram a falar as grandezas de Deus (2.11). Sempre
que alguém ficou cheio do Espírito no livro de Atos começou a pregar (At 1.8; 2.4,11,14,41; 4.8,29-
31; 6.5,8-10; 9.17-22). A plenitude do Espírito nos dá poder para pregar com autoridade.
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2.3- Qual era o propósito da combinação sobrenatural do som e da visão, do vento e do


fogo?
É muito instrutiva a comparação com o que teve lugar no monte Sinai, em relação à entrega
da Lei. Lemos que "Houve trovões e relâmpagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido
de buzina mui forte... E todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo;
e a sua fumaça subia como fumaça de um forno, e todo o monte tremia grandemente" (Êx 19.16-
18). Uma nova época passava a existir; nascia uma nova era. Era importante que os israelitas
percebessem a suprema importância do momento. Eles deveriam estar fortemente conscientes da
autoridade divina da Lei que lhes estava sendo entregue.
Assim foi com o Pentecostes. A revelação do Espírito Santo iniciava-se. Os discípulos
deveriam estar alertas e atentos para o que estava acontecendo. Os símbolos do vento e do fogo
ajudá-los-iam a entender o significado daquilo que acontecia.

3- O fenômeno das línguas (2.4-13)


O derramamento do Espírito Santo produziu o fenômeno das línguas. O Pentecostes foi o
oposto de Babel. Em Babel as línguas eram ininteligíveis; no Pentecostes, não houve necessidade
de interpretação. Em Babel houve dispersão; no Pentecostes, ajuntamento. Babel foi resultado de
rebeldia contra Deus; Pentecostes, fruto da oração perseverante a Deus. Em Babel os homens
enalteciam seu próprio nome; no Pentecostes, falavam sobre as grandezas de Deus.
Lucas destaca a natureza internacional da multidão poliglota reunida ao redor dos 120
discípulos que foram cheios do Espírito Santo. Eram judeus, homens piedosos e todos estavam
habitando em Jerusalém (2.5). Mas eles não tinham nascido naquela cidade: vinham da dispersão,
de todas as nações debaixo do céu (2.5).
Destacamos aqui três fatos importantes.
Em primeiro lugar, o milagre das línguas (2.4-7). Deus rompeu a barreira da língua, e
judeus de diversas partes do mundo puderam ouvir os discípulos falando em sua própria língua
materna. Essas outras línguas eram dialetos conhecidos e falados pelos judeus que habitavam
diversas regiões do Império e estavam em Jerusalém por ocasião da festa.
O apóstolo Pedro aborda a questão da glossolalia de Atos e diz que não fora consequência de
uma intoxicação ou embriaguez (2.13). Os discípulos não perderam suas funções físicas e mentais.
Também não se tratara de um engano ou milagre apenas de audição, e não de fala, de forma que os
ouvintes pensassem que os crentes estavam falando em outras línguas, quando não falavam de fato.
A glossolalia de Atos 2 foi um fenômeno tanto de fala como de audição. Não foram sons
incoerentes, mas uma habilidade sobrenatural para falar em línguas reconhecíveis. Assim, a
expressão “outras línguas” poderia ser traduzida por “línguas diferentes da sua língua materna”. Os
discípulos falaram línguas que ainda não haviam aprendido. O termo grego traduzido por língua em
Atos 2.6 e 8 é dialektos e refere-se à linguagem ou dialeto de um país ou região (21.40; 22.2;
26.14).
Uma questão levantada pelos estudiosos é: as línguas mencionadas em Atos 2 são da mesma
natureza daquelas mencionadas em I Coríntios 12 e 14? Há quem defenda a semelhança. Porém,
entendemos que elas são diferentes. A seguir algumas razões.
As línguas em Atos eram pregação, ou seja, os discípulos falavam aos homens; já as línguas
em I Coríntios eram oração, ou seja, os crentes falavam a Deus. Desta forma, essas línguas eram
diferentes quanto ao seu endereçamento.
As línguas em Atos eram entendidas pelos diversos grupos linguísticos de judeus que
habitavam Jerusalém, enquanto em I Coríntios as línguas eram ininteligíveis e existia a necessidade
de um intérprete para traduzi-las. Consequentemente, elas eram diferentes também quanto ao
caráter.
As línguas em Atos foram dadas a um grupo específico, num lugar específico, num tempo
específico, para evidenciar a recepção do Espírito; ao passo que em I Coríntios as línguas são um
dom espiritual que continua sendo outorgado a alguns para edificação própria e para edificação da
igreja.
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As línguas em Atos eram dialetos (2.6,8), ou seja, línguas faladas e entendidas pelos vários
povos que estavam em Jerusalém, ao passo que em I Coríntios quem falava em línguas proferia
mistérios e ninguém podia entender (l Co 14.2).
As línguas em Atos não precisam de intérprete, pois cada um os ouvia falar em sua própria
língua, enquanto em l Coríntios até quem fala não entende o que fala, a não ser que tenha também o
dom de interpretação (l Co 14.13,14).
As línguas em Atos têm o propósito de proclamar as grandezas de Deus para fora,
edificando as outras pessoas, já em l Coríntios, as línguas não deveriam ser usadas em público, a
não ser que houvesse intérprete. Era um dom de auto edificação (l Co 12.2,3,19).
As línguas em Atos eram faladas por todos aqueles que estavam cheios do Espírito Santo,
enquanto em l Coríntios é um dom espiritual concedido não a todos, mas apenas a alguns (lCo
12.10,30).
Em segundo lugar, a perplexidade da multidão (2.6,7). A multidão foi atraída pelo
extraordinário fenômeno do Pentecostes. Algo sobrenatural estava acontecendo, e eles não tinham
explicações plausíveis para aquele fato incomum.
Em terceiro lugar, a reação ao milagre das línguas (2.713). O derramamento do Espírito
prova que os milagres abrem portas para o evangelho, mas não são o próprio evangelho. O milagre
em si não pôde transformar a multidão, mas a atraiu para ouvir a Palavra de Deus.

Três foram as reações da multidão com respeito ao milagre do Pentecostes:


Preconceito (2.7). Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são,
porventura, galileus todos esses que aí estão falando? Os galileus eram recebidos em Jerusalém com
grande preconceito. Eram pessoas de segunda classe. Os sulistas da Judeia consideravam gentios os
nortistas da Galileia. A primeira reação ao Pentecostes foi de profundo preconceito.
Ceticismo (2.12). Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto
dizer? O milagre do derramamento do Espírito clareou a mente dos discípulos e turvou a mente dos
céticos. Estes ficaram atônitos e perplexos, ansiosos por uma explicação plausível para aquele
extraordinário acontecimento.
Zombaria (2.13). Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados! Um grupo dentre
a multidão rotulou o fenômeno das línguas como resultado de embriaguez. Confundiram a
plenitude do Espírito como o enchimento de vinho.

Conclusão
O milagre pode atrair a multidão, mas não toca os corações. O milagre abre portas para o
evangelho, mas não é o evangelho. Pedro se levantou para pregar uma mensagem eminentemente
bíblica. A primeira coisa que Pedro fez foi esclarecer que aquele fenômeno extraordinário não era
resultado da embriaguez, mas do cumprimento da profecia de Joel (2.28-32). Os discípulos não
estavam dominados pelo vinho, mas cheios do Espírito Santo.