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XXV EXAME DA ORDEM

2ª FASE DIREITO PENAL

Atividade Peça 05 – Modelo Recurso em Sentido Estrito (RESE)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA DO JÚRI DA COMARCA DE …

JOSÉ FERNANDO GONÇALVES SILVA, já qualificado nos autos da Ação Penal nº..., por seu advogado
que esta subscreve, não se conformando com a respeitável decisão que a pronunciou pela prática do
crime previsto no artigo 121 do Código Penal, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, dentro
do prazo legal, interpor

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

com fundamento no artigo 581, inciso IV, do Código de Processo Penal.

Requer seja o presente recurso recebido e processado e, caso Vossa Excelência, ao efetuar o
juízo do artigo 589 do Código de Processo Penal, entenda que deva manter a respeitável decisão, sejam
encaminhados os autos, com as inclusas razões, ao E. Tribunal de Justiça.

Termos em que,

Pede deferimento.

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Local, data

Advogado, OAB

RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

Processo nº …

Recorrente: José Fernando Gonçalves Silva

Recorrida: Justiça Pública

Egrégio Tribunal,

Colenda Câmara,

Douto Representante do Ministério Público,

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Em que pese o indiscutível saber jurídico do MM. Juiz “a quo”, impõe-se a reforma da respeitável
decisão que pronunciou a ora apelante pelo crime do artigo 121 do Código Penal, pelas razões de fato e
de direito a seguir aduzidas.

I – DOS FATOS

José Fernando Gonçalves Silva foi pronunciado pelo crime do artigo 121 do Código Penal, sob a
acusação de que teria causado a morte de Rubens José Garcia, por hemorragia interna torácica, por meio
de golpes de barra de ferro contra ele desferidos, em razão de desentendimento havido entre a vítima e
a companheira do denunciado.

II – DO DIREITO

(APRESENTAÇÃO DA TESE) O presente feito deve ser anulado a partir da citação, tendo em
vista que não foi apresentada resposta à acusação.

(PREMISSA MAIOR) Segundo dispõe o artigo 408 do Código de Processo Penal, citado o réu e
não apresentada a resposta à acusação no prazo legal, o juiz deve nomear defensor para oferecê-la. Tal
disposição prestigia a ampla defesa, em observância ao artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal.

(PREMISSA MENOR) No caso, não houve a apresentação de resposta à acusação e o juiz deu
andamento ao processo sem observar o comando legal acima citado, ou seja, deu prosseguimento ao
feito sem a apresentação da peça defensiva, o que configura nulidade processual por cerceamento de
defesa.

(CONCLUSÃO) Portanto, de rigor a anulação do processo, com fulcro no artigo 564, inciso IV, do
Código de Processo Penal, a partir da citação, com a devolução do prazo para apresentação da resposta
à acusação.

(APRESENTAÇÃO DA TESE) Caso assim não se entenda, deve-se reconhecer a nulidade de


decisão de pronúncia proferida pelo Magistrado singular, por excesso de pronúncia.

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(PREMISSA MAIOR) O artigo 413 do Código de Processo Penal, em seu §1º, dispõe que “a
fundamentação da pronúncia limitar-se-á à indicação da materialidade do fato e da existência de indícios
suficientes de autoria ou de participação”.

(PREMISSA MENOR) Na hipótese em pauta, entretanto, ao proferir a pronúncia, o Juízo de


primeiro grau incorreu em excesso de pronúncia, violando a determinação legal mencionada, já que não
se limitou a indicar a materialidade e os indícios de autoria, manifestando certeza sobre a autoria e
rechaçando de forma conclusiva a tese defensiva.

(CONCLUSÃO) Desta feita, de rigor a anulação da decisão ora comabtida, nos termos do artigo
564, inciso IV, do Código de Processo Penal, por excesso de pronúncia.

(APRESENTAÇÃO DA TESE) A decisão proferida pelo Juiz de primeiro grau não deve prevalecer,
pois o caso não é de pronúncia, mas de absolvição sumária, pela incidência de causa excludente da
ilicitude, a legítima defesa. Vejamos.

(PREMISSA MAIOR) Nos termos do artigo 413 do Código de Processo Penal, o Juiz somente
pode pronunciar o réu se as provas produzidas o convencerem da materialidade do fato e da existência
de indícios suficientes de autoria ou de participação.

De outro lado, consoante dispõe o artigo 415, inciso IV do Código de Processo Penal, o acusado
deve ser absolvido sumariamente se “demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime”.

(PREMISSA MENOR) No caso em apreço, restou devidamente comprovado que o ora recorrente
agiu em legítima defesa, repelindo injusta agressão da vítima. Portanto, verificada a incidência da referida
causa excludente de ilicitude, nos termos do artigo 23, inciso II, e do artigo 25, ambos do Código Penal,
deve José Fernando ser absolvido sumariamente.

(CONCLUSÃO) Assim, deve ser reformada a decisão ora recorrida, para que José Fernando seja
absolvido sumariamente, com fulcro no artigo 415, inciso IV, do Código de Processo Penal.

III – DO PEDIDO

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Ante o exposto, requer-se seja conhecido e provido o presente recurso, para que o processo seja
a partir da citação, com a devolução do prazo para apresentação da resposta à acusação, ou para que
seja anulada a decisão de pronúncia. No mérito, requer-se a reforma da decisão proferida, para que seja
o ora recorrente absolvido sumariamente, com fundamento no artigo 415, inciso IV, do Código de
Processo Penal. Por fim, pugna-se pela concessão do direito de recorrer em liberdade.

Local, data.

Advogado

OAB

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